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O poder de tributar é o poder de destruir
Estes são os nove perniciosos incentivos gerados pelo poder que o governo tem de tributar

Onde há estado, há o poder de tributar. Os governantes não podem governar sem a tributação. 

Como Ludwig von Mises escreveu: "Os fundos que um governo gasta em qualquer área são, em última instância, arrecadados por meio da tributação". Mesmo que o governo se endivide mais para gastar, esse endividamento só é possível porque o governo tem a capacidade de tributar para quitar essa dívida. Se o governo não tivesse a capacidade de tributar para quitar a dívida, ninguém emprestaria ao governo.

Por isso, todas as ações do estado se baseiam na sua capacidade de tributação.

Onde há o estado, há também o crescimento do estado.  Por que a esfera de ação do estado está sempre em constante ampliação? Uma teoria diz que os reais culpados são os grupos de interesse, os quais, por meio de seus lobistas, sabem utilizar o poder do estado para seus próprios benefícios. Enquanto essas pessoas continuarem querendo que o governo utilize seu poder de tributar e regular a economia para o benefício delas próprias e em detrimento de todo o resto da população, e enquanto tais pessoas continuarem com essa influência, o estado irá manter seu poder e continuar crescendo.  

Este artigo, porém, sugere uma teoria complementar.  Quando o poder de tributar é concedido aos governantes, muitos incentivos nocivos necessariamente advirão disso.  E estes incentivos apenas encorajam os governantes a expandir ainda mais seus atos destrutivos.

Incentivos

Uma ação proposital envolve uma escolha entre várias alternativas. E escolhas embutem incentivos (recompensas) e desincentivos (custos), sendo que ambos podem ser monetários ou não-monetários. 

Considere, por exemplo, a provisão de justiça feita pela Coroa na Inglaterra medieval.  Criminosos condenados eram normalmente enforcados e seus bens eram confiscados pela Coroa, embora o rei pudesse perdoar um criminoso que concordasse em servir no exército real.

Essa estrutura de incentivos motivou a Coroa a condenar criminosos, pois, para cada condenação, o pagamento era ou a propriedade do criminoso ou o uso do criminoso como soldado (os incentivos). A Coroa enfrentava desincentivos também, não apenas custos financeiros, mas também deslealdade, descontentamento, perda de reputação e ressentimento, caso ela erroneamente condenasse pessoas inocentes.

Sob essa estrutura de incentivos, a Coroa previsivelmente demonstrava um notável entusiasmo pela captura e condenação de criminosos (e talvez de não criminosos). Tal estrutura de incentivos também induzia a Coroa a alterar as leis de modo a definir mais crimes como crimes sérios.

Perniciosos incentivos gerados pelo poder de tributar

Governantes, sendo humanos, têm desejos que gostariam de realizar, coisas como "fazer o bem" (na concepção deles), ter poder, glória, dinheiro, satisfação pessoal, orgulho, respeito, adulação, perpetuação no poder, ajudar os pobres ou os ricos, acabar com o capitalismo, difundir a democracia etc. 

Entretanto, o que os governantes querem não é o mesmo que os governados querem.  Indivíduos possuem ideias amplamente distintas sobre o que é desejável — algo facilmente evidenciado pelos vários e diferentes estilos de vida. 

Obviamente, governantes são incapazes de escolher ações que satisfaçam as preferências individuais de cada governado, mesmo que eles conhecessem absolutamente todas elas. Mas também nenhum governante sabe o que os governados querem agora ou daqui a dez minutos. Dado que os governantes absorvem recursos dos pagadores de impostos e os gastam em projetos que não podem satisfazer as preferências de todos os seus governados, disso se conclui que os governantes destroem a felicidade daqueles que eles tributam.

Quando estão limitados a empregar seus recursos pessoais, os governantes têm um desincentivo para gastar. Já o poder de tributar remove totalmente esse desincentivo, dando a eles um total incentivo para cumprir seus propósitos. Consequentemente, eles são encorajados a fazer coisas como guerras bélicas, guerra contra as drogas, guerra contra a pobreza, grandes saltos para frente, subsídios, programas de garantia de preços mínimos, volumosas regulamentações que protegem determinadas empresas, restrições de mercado para outras empresas, além, é claro, das indispensáveis festinhas nababescas, entretenimentos opulentos, aviões, limusines etc.

Embora alguns "governados" ganhem com essas depredações e façam lobby por elas — com isso se tornando também governantes —, a esmagadora maioria só perde.  Estes só podem votar, reclamar na internet e escrever cartas para jornais, um meio altamente imperfeito de se afetar as ações dos governantes. Os votos são para os políticos, e não para os projetos; e eles, os votos, ocorrem somente em intervalos de quatro anos, durante os quais os governantes já criaram numerosos fatos irreversíveis. Nenhum eleitor pode unilateralmente retirar seu apoio à guerra contra as drogas ou ao esquema fraudulento de pirâmide que é a previdência social ou a qualquer outro programa estatal.

Escapar impunemente é o primeiro dos maus incentivos associados ao poder de tributar dos governantes. 

O segundo é o de aumentar os impostos existentes, o que estimula mais ações perniciosas dos governantes. Aumentos de impostos são ações previsíveis porque os governantes ganham com eles, desde que o custo em votos perdidos não seja excessivo. A estrutura de incentivos inerente ao poder de tributar é incrivelmente maligna, pois os governantes simplesmente controlam a quantidade ($) do incentivo. Eles podem aumentar impostos à vontade, estando sujeitos apenas à perda de alguns votos, algo contra o qual eles têm muitos estratagemas para se precaver.

Terceiro, a tributação fornece um poderoso incentivo ao endividamento do governo.  Sem impostos com os quais pagar juros e principal, um estado não pode emitir grandes quantias de títulos da dívida. Com esse poder de tributar, o estado pode se endividar e se expandir, hipotecando desta forma o futuro da próxima geração de pagadores de impostos. Essas gerações futuras terão de pagar essa dívida com seu trabalho e poupança, o que irá impedir que elas tenham uma maior qualidade de vida. Ademais, sendo um grande devedor e detendo o monopólio da moeda, o estado passa a ter um incentivo para pagar suas dívidas com um dinheiro de menor poder de compra. O poder de tributar estimula o estado a desvalorizar continuamente a moeda, da qual ele é o monopolista. Daí o grande incentivo, criado pelo próprio governo, para que haja uma inflação contínua, gerando todos os malefícios relacionados a este ato fraudulento.

Quarto, o poder de tributar dá aos governantes o incentivo de se instituir programas que distribuem riqueza e criam dependência. Esquemas distributivistas só foram crescer enormemente (em qualquer país do mundo) após o estado ter adquirido o poder de tributar a renda. Esses programas nocivos beneficiam os governantes. Eles criam dependência e, consequentemente, fazem com que os dependentes se tornem entusiásticos defensores do estado, uma vez que eles passam a temer a hipótese de perder suas esmolas estatais. Esse apoio complica enormemente qualquer esforço de se reduzir o poder do estado.

Quinto, o poder de tributar é o poder de vender ou negociar abatimentos e isenções fiscais em troca de favores ou doações de campanha, bem como o poder de extorquir dinheiro do setor produtivo (propinas) em troca da promessa de que os impostos não serão aumentados ou de que novos impostos não serão criados. Esse ambiente estimula a corrupção de funcionários do governo. Adicionalmente, essas atividades criam tributações diferenciadas e, por conseguinte, custosas ineficiências econômicas.

Sexto, os governantes têm um incentivo para camuflar os impostos que criam, de modo que os governados nem mesmo saibam o quanto de impostos estão pagando. Os governantes aprendem a dispersar o fardo tributário mais amplamente, de modo que ele se torne mais suportável. É por isso que os governantes instituem impostos retidos na fonte, encargos sociais, trabalhistas e previdenciários, impostos sobre a gasolina, impostos sobre vendas, impostos sobre a cadeia produtiva etc. Adicionalmente, eles fazem com que os códigos tributários sejam tão impossivelmente complexos, que até mesmo os fiscais da Receita são incapazes de entendê-los.

Após algum tempo, a atenção do público é absorvida pela complexidade do código tributário, deixando-se de se concentrar nos impostos propriamente ditos. Aqueles que debatem a necessidade de simplificar o código tributário frequentemente afirmam que suas propostas irão reduzir os impostos. Isso pode acontecer; assim como os porcos podem algum dia colonizar Marte. Os governantes não têm o menor incentivo para adotar simplificações tributárias, a menos que esperem obter disso algum ganho — ganho de receita, de poder ou de algum outro benefício.

Sétimo, com o intuito de persuadir os pagadores de impostos de que suas receitas tributárias serão gastas em boas causas, os governantes têm um incentivo para mentir sobre os benefícios e custos de seus projetos, e relatá-los de maneira confusa e distorcida. Obras superfaturadas, programas de renda mínima, hospitais públicos, escolas públicas, emendas que geram privilégios para determinados setores, subsídios, criação de ministérios e agências reguladoras etc.: tudo pode ocorrer sob o manto de se estar fazendo o bem para alguém. Qualquer pedido de maior transparência torna-se imediatamente "insensibilidade para com o social". A verdade é uma fatalidade para o poder de tributação.

Oitavo, o poder de tributar estimula os governantes a adotar medidas que funcionam ineficientemente. Ou, colocando de outra forma, eles possuem poucos incentivos para prover eficientemente seus serviços com os impostos arrecadados, pois eles não têm de arcar pessoalmente com as consequências e com o custo total de seus erros. Afinal, eles sempre poderão arrecadar mais dinheiro de impostos para então "melhorar" os serviços prestados. Donde se conclui que todos os programas financiados por impostos serão menos eficientemente geridos do que seriam caso a oferta desses mesmos serviços fosse feita pela iniciativa privada em ambiente de livre concorrência.

Finalmente, os governantes possuem um nono incentivo: manter indefinidamente o poder de tributar. Pelo menos três atividades destrutivas resultam disso: 

a) A fabricação contínua de propaganda para justificar os impostos. Governantes estão sempre fazendo alarido sobre os perigos e problemas iminentes que podem irromper a qualquer minuto caso descuidemos dos impostos. Eles propagandeiam "necessidades" desesperadoras que são essenciais para a nossa sobrevivência: programas anti-pobreza para impedir a inquietação social, a baderna ou a criminalidade; a proibição das drogas para impedir ameaças à saúde pública do país; subsídios para impedir colapsos na oferta de alimento ou prejuízos para a indústria, que é a espinha dorsal da nação; e a existência de um Banco Central para impedir catastróficas quebras bancárias. Basicamente, os governantes apelam para os temores e inseguranças mais básicos dos governados, bem como para seus profundos desejos nacionalistas, patrióticos e religiosos, tudo com o intuito de justificar suas ações.

b) Os governantes recrutam todo um exército de propagandistas, dentro e fora do governo, para que eles apregoem e elogiem suas diretivas políticas e, em troca, recebam dinheiro, favores, privilégios e outras compensações e agrados que eles porventura valorizem, inclusive o poder e a sensação de importância.  A consequência perversa disso é a corrupção do processo de informação da sociedade.

c) O abafamento de todas as críticas efetivas aos governantes.  Caso as rebeldes vozes anti-impostos ganhassem influência, os governantes ficariam em situação difícil.  Consequentemente, eles fazem de tudo para obstruir e suprimir tais críticas.  Lamentavelmente, a liberdade de expressão e o poder de tributar são incompatíveis, e os governantes irão restringir a liberdade de expressão sempre que possível e sob qualquer justificativa engenhosa que eles conseguirem inventar.

Resumo e conclusão

Escolhas propositadas feitas no âmbito do comportamento voluntário entre pessoas comuns tendem a melhorar a vida destas. Já as escolhas propositadas feitas por governantes tendem a destruir vidas, pois os governantes agem de acordo com seus caprichos, e não de acordo com os desejos dos pagadores de impostos.

O poder de tributar envolve o poder de destruir. Mesmo se ignorarmos o argumento moral de que todo imposto é roubo e ignorarmos os argumentos consequencialistas de que impostos obstruem a busca da felicidade e reduzem a eficiência econômica, o poder de tributar gera inúmeros incentivos perniciosos que, com efeito, estimulam várias formas de destruição.

O ponto principal é este: não deposite esperança alguma de melhorias na simples troca do partido que está no poder, pois, enquanto os governantes usufruírem o poder de tributar, eles utilizarão esse mecanismo estatal em detrimento de seus governados. O poder de tributar fornece à serpente do estado suas vítimas: nós. 

Impostos alimentam o monstro cujo crescimento espalha veneno para todos os lados. Impostos, com ou sem representação, sempre irão fomentar danos e destruição. A única coisa sensata a se fazer é tornar a besta impotente, acabando com seu poder de tributar.


17 votos

autor

Michael Rozeff
foi professor de Finanças na Universidade de Buffalo. Hoje está aposentado e mora em East Amherst, New York.


  • Tyler Durden  06/01/2017 14:45
    Why don't you blow up the Congress and the Central Bank?
  • Benzoato de Sódio  06/01/2017 17:55
    Great question! Everyone I met in Brazil would love the idea.
  • UNICAMP Economist   06/01/2017 20:57
    Because our central bank is an important institution for our development project. I suggest you read about Bresser-Pereira(the best Brazilian economist alive) and his work ''New Developmentalism''.
  • Tyler Durden  06/01/2017 23:37
    Spread an Idea, blow State Buildings, make people discredit State's Power. Start a fever.
  • Terry  07/01/2017 01:37
    Are you the ''Tyler Durden'' from zerohedge.com ?
  • Vinicius  09/01/2017 13:04
    Guess who'll pay the expenseve reconstruction.
  • Thiago  06/01/2017 15:21
    Pessoal do Mises, minhas leituras são bem iniciantes por aqui. Respondam-me uma coisa: se o Estado não tributasse, o que ocorre de forma compulsória, obviamente, de onde proviriam suas receitas?
  • Flavio  06/01/2017 16:16
    Em primeiro lugar, para quê estado?

    Em segundo lugar, se você realmente quer estado, que tal colocá-lo sob regime concorrencial, de modo que ele adquira suas receitas voluntariamente dos cidadãos? Afinal, se o estado é tão bom e indispensável, então ele certamente não terá problema nenhum em arrecadar trilhões de dinheiro dos cidadãos.

    Artigo sobre isso:

    Só descobriremos se o estado é bom ou não se a iniciativa privada puder competir com ele
  • Thiago  06/01/2017 16:29
    O Estado, em tese, serve para corrigir as imperfeições de mercado numa situação em que o mercado não é plenamente livre. Como não é possível livrar-se dele, e considerando a priori sua existência, reitero a pergunta: se o Estado não tributasse, de onde proviriam suas receitas?
  • Marcos  06/01/2017 16:42
    Só que esse seu "em tese" abriga uma gigantesca falácia. Como assim o estado, em tese, irá corrigir imperfeições de mercado?

    Você, na prática, está dizendo que burocratas centralizados são muito mais rápidos em encontrar e em resolver problemas do que indivíduos em busca do lucro. Você está dizendo que burocratas nomeados por políticos possuem respostas melhores do que milhões de indivíduos interagindo voluntariamente em busca de soluções próprias, colocando seus próprios recursos e sua própria reputação em jogo. Você está dizendo que apenas aquelas "soluções" escritas em estatutos e regulamentações, e implantadas por burocratas assalariados, representam soluções verdadeiras e factíveis.

    Entenda esse básico: nenhum político ou burocrata entre nós tem o poder de saber a melhor solução para todo e qualquer problema social.

    Soluções para problemas sociais complexos requerem o maior número possível de mentes criativas interagindo voluntariamente entre si — e isso é exatamente o que o mercado entrega.

    Portanto, se você parte de uma tese totalmente furada e sem sentido, jamais obterá uma resposta satisfatória para a sua pergunta. Mesmo porque não há resposta para perguntas furadas.
  • Thiago  06/01/2017 17:03
    Eu não estou dizendo nada "na prática", por isso escrevi "em tese". Não estou defendo a atuação do Estado. Pelo contrário. Acho fantástica a possibilidade de Estado zero e mercado procedendo os próprios ajustes, sob seu próprio ritmo. O que estou dizendo é que existe uma lógica teórica fantástica nisso que é muito difícil de ser implementada. Como você pode propor em um país como o nosso o fim da tributação e o total desaparelhamento do estado, com o tamanho que ele tem no Brasil? Se o Estado inexistisse desde o início dos tempos, ok. Mas não é assim. Como solucionar o caso brasileiro do jeito que ele está hoje?
  • Magno  06/01/2017 17:17
    Comece por aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2352

    Depois, aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2597

    Depois, aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2457

    Depois, aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532

    Depois, aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2184

    E, finalmente, aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2341


    Agora, se você quer algo bem mais radical, pode pular direto pra cá:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=285
  • Emerson Luis  12/02/2017 12:49

    Marcos, quando alguém diz algo como "em tese a explicação de X é Y", ele não está defendendo a explicação, apenas informando que essa é a explicação dada por terceiros.

    Expressões como "em tese" significam "supostamente", "muitos acreditam que" - o sujeito informa a ideia corrente sem tomar partido contra nem a favor, pelo menos naquele trecho, só cita deixando em dúvida.

    O significado está no contexto. Interpretação de texto nível quinta série.

    Primeiro compreenda o que alguém disse, só depois discorde ou concorde.

    * * *
  • Don  06/01/2017 16:45
    Essa crença de que o estado serve para corrigir "imperfeições de mercado" é uma pândega.

    Se há setores onde investimentos adicionais fariam com que "imperfeições fossem corrigidas", então os próprios indivíduos atuantes no mercado (empreendedores e investidores em busca do lucro) perceberiam essa oportunidade e fariam isso.

    Na prática, você está dizendo que burocratas têm uma superior capacidade de percepção da realidade de toda a economia do que milhões de indivíduos. Você está dizendo que burocratas do governo sabem melhor do que milhões de indivíduos onde exatamente deve haver investimentos.

    Se o bairro onde você mora precisa de um restaurante, quem perceberá isso mais rapidamente: consumidores, empreendedores e investidores, ou burocratas?

    Igualmente, se toda uma região precisa de estradas e pontes, quem perceberá isso mais rapidamente: consumidores, empreendedores e investidores, ou burocratas?

    Obviamente, investidores e empreendedores são proibidos pelo governo de sair construindo estradas e pontes porque tal atividade é monopólio estatal (só pode fazer isso quem o estado concede). É por isso que não há estradas e pontes em bom estado no Brasil.

    Em suma, dizer que os burocratas do estado sabem melhor que milhões de indivíduos onde há demanda por tecnologia, infraestrutura e educação é o ápice do humor involuntário.

    O estado não sabe gerir nem um hospital, mas, de alguma maneira, saberá atender às demandas pontuais de milhões de indivíduos por pontes, iPads e aulas de nanotecnologia.

    Um artigo para você:

    "Deixem o mercado cuidar disso!" - você sabe o que essa frase realmente significa?
  • Taxidermista  06/01/2017 17:11
    "serve para corrigir as imperfeições de mercado numa situação em que o mercado não é plenamente livre"


    Caro Thiago, já que vc é iniciante por aqui, faço questão de te dizer o seguinte, em cx alta: É MENTIRA que o estado "serve para corrigir as imperfeições de mercado numa situação em que o mercado não é plenamente livre".

    Repetindo: isso é uma MENTIRA, para justificar toda sorte de intervenção estatal na economia, intervenção que serve à espoliação, para políticos e burocratas (e amigos de políticos e burocratas) viverem de forma nababesca às custas de quem produz na sociedade.

    O estado não serve para tornar "livre" algo que o próprio estado inventa como sendo "não-livre". Estado "corrigindo imperfeições de mercado" É UMA FALÁCIA que vc vê repetida em manuais de economia, manuais jurídicos e livros de política. Não caia nessa falácia.

    "Legislação antitruste" para "defender concorrência"? Isso não passa de um mito: legislação antitruste serve para proteger amigos do rei ineficientes, em detrimento da concorrência e de empresas eficientes (em detrimento, pois, dos consumidores). mises.org/library/anti-trust-anti-truth

    "Informações assimétricas"? 100% bullshit. É outro mito: mises.org/library/note-canard-asymmetric-information-source-market-failure

    Em suma, esse papo de "falha de mercado" para justificar intervenção estatal É UM MITO.

    mises.org/library/market-failure-myth
  • Berriel  06/01/2017 16:30
    Loterias e doações voluntárias.

    Isso, é claro, se você realmente acha imprescindível haver um estado.
  • Thiago  06/01/2017 16:34
    Loterias e doações voluntárias? Você acha isso exequível? Impossível em um país como o Brasil. Caso a inexistência estatal fosse um fato desde sempre, beleza, ok. Mas propor isso como solução num país como o nosso, ou seja, apontar uma solução tão diametralmente oposta (diminuir para zero a ação de um estado totalmente inverventor como o nosso), jamais funcionaria.
  • WDA  06/01/2017 17:32
    Esses recursos deveriam provir de arrecadação voluntária, ou seja, aqueles cidadãos que quisessem contribuir para os fundos do Estado haveriam de fazê-lo espontaneamente, ainda que se pudesse sugerir um valor para a contribuição. Caso ninguém quisesse contribuir, não poderia haver burocratas ou Estado.

    De fato, na realidade o Estado NÃO serve para corrigir falhas de mercado. Ele só faz aprofundá-las.

    A ausência de Estado seria uma situação ideal, mas está longe da nossa realidade, como sabemos.

    No nosso caso, de um ponto de vista prático, é importante nos concentrarmos em reduzir o Estado e em divulgar, mediante argumentos consistentes (os quais a Escola Austríaca nos fornece aos montes) e dados da realidade (muitos dos quais se encontram nos artigos deste site e nos livros aqui disponíveis), o fato de que o livre mercado é o mecanismo que maximiza o enriquecimento de uma sociedade, levando a uma melhora geral do padrão de vida.
  • NAGIB ABDALA FILHO  25/08/2017 15:36
    Emerson, Estado e Tributos são irmãos siameses. O 1º não sobreviveria sem o segundo e e o 2º não seria necessário sem o primeiro.
    Essa união é essencial na elevação da qualidade de vida e proteção de todos os cidadãos residentes nesse Estado, bem como, no equilíbrio na distribuição da renda nacional via serviços públicos.
    Sair disto distorce o caráter essencial da existência do Estado e dos Tributos.
  • FREDERICO HAUPT  06/01/2017 16:10
    Mas como nós vamos criar super escolas de ensino integral, professores valorizados e bem remunerados, investir pesado em ensino de qualidade, em todos os níveis, e em pesquisa científica avançada, como fizeram os países difusores do conhecimento desde os anos 50, para, assim, transformar nossa nação, sem os impostos?
    Ora, o absurdo que é pago pelo direito de imagem a jogadores de futebol, artistas e propaganda televisiva deveria ser mais tributado e todo investido em educação, pois só assim haverá uma revolução nesse país!
    Além disso, é preciso de um Estado para retirar os recursos gastos em Cassinos, prostitutas, drogas lícitas e ilícitas, jogos de azar, bens supérfluos e viagens ao exterior e direcionar esses recursos para super escolas de turno integral, supervalorização dos professores e pesquisa científica avançada.
  • MG  08/01/2017 22:48
    E quem é que define o que é supérfluo, luxo, justo ou necessário? Todo e qualquer imposto é roubo. Se o governo é tão bom assim, que sobreviva de doações.
  • Diogo Siqueira  06/01/2017 16:10
    Perfeito!
  • Alan  06/01/2017 16:12
    Esse artigo me lembrou a opinião de Jorge Luis Borges sobre os políticos:

    "Não. Em primeiro lugar não são homens éticos; são homens que contraíram o hábito de mentir, o hábito de subornar, o hábito de sorrir o tempo todo, o hábito de agradar todo mundo, o hábito da popularidade... A profissão dos políticos é mentir. O caso de um rei é diferente, um rei recebe tal destino, e portanto lhe cabe cumpri-lo. O político não; o político deve fingir o tempo todo, deve sorrir, simular cortesia, deve submeter-se melancolicamente aos coquetéis, às cerimônias oficiais, aos feriados nacionais."

    "Penso que nenhum político pode ser uma pessoa completamente sincera. Um político está sempre à procura de eleitores, e diz aquilo que esperam que diga. No caso de um discurso político, importa mais a opinião dos ouvintes que a do orador. O orador é uma espécie de espelho ou eco do que os demais pensam. Se não for assim, fracassará"


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=962
  • Benzoato de Sódio  06/01/2017 17:57

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  • Flavio  06/01/2017 16:13
    Desculpe a ignorância, mas como deixa a besta impotente acabando com o seu poder de tributar?
  • Void  06/01/2017 16:17
    Comprando produtos sem nota fiscal, negociando diretamente com vendedores de "importados", usando meios ou ferramentas de trocas não oficiais, sonegando, enfim ignorando a besta, refundando o mercado, agora que não seja manipulado.

    A engenhosidade humana é enorme, basta uma brecha e um pouco de ação e tudo se faz.
  • Lutty  06/01/2017 16:19
    Só para constar um primeiro exemplo, em Israel pré-estatal, ou seja, antes da unificação das tribos, obviamente não havia Estado e os israelitas eram livres, no que diz respeito às liberdades civil e econômica.

    Inclusive este foi período de maior prosperidade do povo. Então Estado não é igual a sociedade livre, afinal tributação e educação compulsória não me parece algo muito livre (além de tantos outros), e sem falar que existem mil e um exemplos em todas regiões do planeta nas quais o Estado oprimiu e não concedeu liberdade. A tendência do Estado é crescer e quando ele cresce usurpa a liberdade civil e econômica.

    Isso é como se fosse a "Lei natural do Estado": quanto maior o estado menor o indivíduo.
  • Carlos Santos  06/01/2017 16:21
    "Onde há o estado, há também o crescimento do estado."

    Já vi falar muito disso aqui, da inescapável tendência do Estado em sempre se expandir, mas não entendo como isso poderia ocorrer.

    A meu ver, o Estado é um parasita da sociedade e como todo parasita cresce de acordo com o crescimento do seu hospedeiro (no caso, a sociedade). Não vejo como um Estado nacional democrático possa se expandir em um país com economia estagnada, inflação galopante e alastramento da miséria. Dificilmente um governante se manteria no poder nessas condições. Qualquer propaganda, jogadas populistas, perseguição a adversários e outros golpes baixos se mostrariam ineficazes para conter a revolta popular. Nessas condições, seria fácil para um grupo opositor ganhar a eleições, garantido reforma fiscal, fim da inflação e volta do crescimento econômico.

    Portanto, o parasita só pode crescer se o seu hospedeiro também estiver crescendo, pelo menos num regime democrático.
  • Fábio  06/01/2017 16:26
    Esse é um bom ponto, e há inclusive um artigo sobre isso:

    A maré estatista na América Latina e a Teoria do Intervencionismo

    Períodos de crescimento econômico geram maiores arrecadações de impostos, que geram maior crescimento do estado, que leva a maiores intervenções, que geram estagnação e recessão, que obrigam a uma (ligeira) redução nas intervenções, o que leva ao reinício do ciclo.

    O Brasil está no reinício do ciclo.
  • Chávez  06/01/2017 16:28
    O estado cresce em crises econômicas, boa prova disso foi o populismo que ascenderam ao poder no fim da década de 1930 (Vargas e Cárdenas) até 1940 (Perón).

    Além, obviamente, de Maduro na Venezuela e dos Kirchner na Argentina.

    Em outras palavras, o estado não precisa que a economia esteja ruim, e sim de uma oportunidade da qual ele possa tirar proveito.
  • Erik  06/01/2017 16:29
    "Os governantes recrutam todo um exército de propagandistas, dentro e fora do governo, para que eles apregoem e elogiem suas diretivas políticas e, em troca, recebam dinheiro, favores, privilégios e outras compensações e agrados que eles porventura valorizem, inclusive o poder e a sensação de importância. A consequência perversa disso é a corrupção do processo de informação da sociedade."

    Esta frase, que foi extraída do texto, é um resumo preciso da época petista.
  • Jarques Marques da Silva  06/01/2017 16:55
    Olá, resido em Bauru interior de São Paulo, e iniciarei no mês subsequente, minha graduação em Ciências Econômicas na Instituição Toledo de Ensino.

    Gostaria de agradecê-los por sempre disponibilizarem um conteúdo consistente assim como esclarecedoramente rico e direcionar as devidas congratulações ao autor do brilhante artigo!

    Como futuro economista tenho conhecimento da imensa importância desse nobre serviço à uma sociedade tão vinculada a falácias e crenças perniciosas sobre o estado e seu papel na vida social. Essa cultura evidentemente estadista possui fortes traços autoritários e uma tendência ao coletivismo moral, e deve ser deixada de lado para que uma perspectiva de liberdade possa nasce. Parafraseando o professor Mises: "idéias e somente idéias podem iluminar a escuridão". Quando estiver um preparo maior certamente auxiliarei neste trabalho.

    Grande abraço!
  • Max Rockatansky  06/01/2017 17:16
    Meu caro, vai iniciar graduação em Ciências Econômicas?

    Pois não caia nas falácias da economia neoclássica e no keynesianismo. Esse é o cuidado que você deve ter.
  • André Paiva  06/01/2017 17:36
    Tributar não é roubar ou destruir. É tomar fundos individuais para a realização de um bem coletivo. A felicidade à curto prazo é retirada em prol daquela à longo prazo. (Não falarei com os jargões filosóficos, apenas com o bom senso.)

    Ricos, por exemplo, serão contra os impostos porque não são beneficiados diretamente por eles como são os pobres. Entretanto, à longo prazo, agradecerão pela grande oferta de mão-de-obra de qualidade(Educação pública), menor criminalidade(Segurança pública) e uma população mais saudável(Saúde pública).

    Moro no Canadá e nem mesmo pago os impostos daqui com má vontade. Sei que estarão sendo utilizados para fornecer saúde aos que não podem pagar e oferecerão segurança a todos.
    Não compreendo a sina libertária contra impostos. Importo-me com a minha comunidade, pago meus impostos com boa vontade(E conheço muitos que também fazem), recebo serviços estatais decentes e tenho meus direitos protegidos. Lembrar-vos-ei que sempre podem deixar o país se não gostar. O imposto é mais que legítimo pois você é um hóspede em uma nação e precisa colaborar com ela se deseja viver em seu território. Não é um roubo, pois ao viver nela, concordou formalmente com suas leis. Se não desejá-las, basta deixar o país e ir a algum local sem impostos. A Somália é minha maior sugestão.

    Resumindo, impostos não são roubo ou destruição porque:
    + Formam um bem coletivo à longo prazo através de uma tomada da felicidade individual à curto prazo.
    + Beneficiam muito mais os pobres à curto prazo mas também melhoram a situação dos ricos à longo prazo.
    + São legítimos pois você está vivendo no território de uma nação e assim concordou formalmente com suas leis. Se não gostar, pode sempre sair. No meu caso, sinto-me feliz ao colaborar com o Estado daqui.
    + Países são terras sob uma constituição que age como sua proprietária. O estado não invade a sua casa para cobrar impostos, você é que invadiu a propriedade dele.
    + Somos seres comunitários. Sempre teremos problemas comunitários e precisamos de uma instituição criada para mediar possíveis conflitos, além de oferecer serviços que permitam a sobrevivência da comunidade.

    Espero réplicas sensatas. Além de refutações aos pontos que tentei postar da forma mais clara possível, ficam ainda dois questionamentos:
    - Acreditam de fato que nossas comunidades resistiriam sem serviços sociais feitos por impostos?
    - Por que tanta retórica a associar impostos como roubo? Seria o hoteleiro um ladrão por cobrar diária de seus hóspedes? (Lembrando que você pode sempre deixar o hotel se não gostar.)
  • Eduardo Pimenta  06/01/2017 17:42
    André Paiva, na teoria, oferta gratuita de saúde faz com que a demanda por esse serviço seja infinita. O resultado mais óbvio são as filas intermináveis. Para contornar esse problema, o governo normalmente impõe uma série de restrições arbitrárias de acesso, controlando o número de consultas, atendimentos, etc. Qualquer coisa que receba ajuda do governo gerará desperdícios.

    Os médicos e funcionários não lidam com dinheiro próprio, então podem gastar a seu bel-prazer, quando não ficam submetido a políticas de gastos formuladas por burocratas do governo (mais salários para seus impostos pagarem). Parte da contensão dos gastos recai sobre os salários dos empregados de saúde. Médicos mais qualificados, que podem ganhar mais do que o governo oferece, migram para os Estados Unidos. Sobram os menos competentes para atender aos canadenses. Não precisa ir muito a fundo para entender que isso não tem como funcionar.

    Na prática, posso lhe dizer que o sistema de saúde de Montreal é um dos piores que eu já vi na minha vida. Eu nunca esperei menos de 10 horas na fila de emergência do Hôpital General. Eu achava que isso era porque eu nunca fui até lá apresentando sintomas muito sérios, mas eventualmente meu irmão teve que encarar aquela fila para tratar uma apendicite. Foram 18 horas de espera com dor insuportável.

    Meu pai, que o acompanhava, desesperado, ligou para um cirurgião conhecido e esse veio socorrê-lo. O médico nos informou que o apêndice do menino já estava inchado e roxo e que se não tivesse sido tratado imediatamente estaria correndo seríssimo risco de vida.

    Esse discurso dos ricos ajudarem os mais pobres é muito bonito, mas na realidade não funciona. Eu, com certeza, gostaria muito que funcionasse, que os serviços oferecidos pelo governo fossem ao menos satisfatórios, mas é simplesmente inviável.

    :(
  • TL  06/01/2017 17:43
    Prezado André Paiva, seja bem-vindo.

    Eu sou apenas um leitor, como você, e espero ajudá-lo da mesma forma que o Instituto Mises Brasil me ajudou (me libertando da minha própria ignorância)! Eu selecionei algumas de suas afirmações e escrevi uma réplica.

    "Tributar não é roubar ou destruir. É tomar fundos individuais para a realização de um bem coletivo."

    Os libertários são contra a utilização da força (violência, coerção) para obrigar os indivíduos a agirem de uma certa forma (a menos que o indivíduo tenha cometido um verdadeiro crime).

    Na segunda frase você subentende que os fundos serão utilizados para realização de algo que todos desejam. Se todos desejam aquele fim, por que precisa ser compulsório? Naturalmente, é compulsório porque nem todos estão interessados naquele fim específico. Portanto, esse fundo coletivo beneficia alguns e detrimento de vários.

    Exemplo: Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil. Uma minoria ganhou muito dinheiro em detrimento de todos os pagadores de impostos.

    "Ricos, por exemplo, serão contra os impostos porque não são beneficiados diretamente por eles como são os pobres"

    Ressalto que os pobres também pagam bastante impostos. Hoje, em média no Brasil, 40% do preço de um produto é imposto. Garanto que os pobres são os mais prejudicados pelos impostos, pois para um rico, o imposto é uma privação de bens não tão essenciais, já para o pobre, é menos comida na mesa!

    "Entretanto, à longo prazo, agradecerão pela grande oferta de mão-de-obra de qualidade(Educação pública), menor criminalidade(Segurança pública) e uma população mais saudável(Saúde pública)"

    No longo prazo todos estarão mais pobres e sem os benefícios desses bens públicos. Para justificar meu argumento, é melhor estudar a história da Argentina, que no início do século XX era o segundo ou o terceiro país mais rico do mundo. É um ótimo exemplo de como o estado de bem estar social e a inflação destruíram a economia do país.

    "Moro no Canadá e nem mesmo pago os impostos daqui com má vontade"

    Existem motivos éticos e econômicos (vide o presente artigo) para o não pagamento ou minimização dos impostos.

    "O imposto é mais que legítimo pois você é um hóspede em uma nação e precisa colaborar com ela se deseja viver em seu território"

    Esse comentário é o mais perigoso de todos. Você já se reconhece como um escravo do estado e ainda corrobora a utilização da força para fazer os outros escravos também. Uma escravidão voluntária e endossada pelo próprio escravo.

    O Estado, na melhor das hipóteses, deveria servir aos habitantes da nação (garantindo a liberdade, a propriedade privada e a paz). Ressalto ainda, que a propriedade privada dos indivíduos é anterior ao surgimento do estado.


    André, eu ainda recomendo a leitura desse comentário e da réplica a ele. Na réplica eu selecionei os artigos mais elementares, que poderão ajudá-lo a sanar suas dúvidas.
  • Roberto  06/01/2017 17:46

    "Tributar não é roubar ou destruir. É tomar fundos individuais para a realização de um bem coletivo."

    Estuprar não necessariamente é violentar. É fazer amor para satisfazer apenas um dos lados, o mais carente...

    Se você está tão preocupado com o tal bem coletivo, e se o tal bem coletivo é algo a ser "realizado", então você não terá dificuldade nenhuma em convencer as pessoas a doarem seu dinheiro para tal causa. Mas isso você não aceita. Você quer é tomar a propriedade alheia e utilizá-la como mais lhe agrada. O que já desde o início revela a sua índole.

    "A felicidade à curto prazo é retirada em prol daquela à longo prazo. (Não falarei com os jargões filosóficos, apenas com o bom senso.)"

    Não entendi nada.

    "Ricos, por exemplo, serão contra os impostos porque não são beneficiados diretamente por eles como são os pobres."

    Quais pobres são beneficiados por impostos? Pobres também pagam impostos. E o dinheiro que é tomado de ricos e empresas poderia estar sendo usado em investimentos que criariam empregos para os pobres. Em vez disso, você prefere que o estado tome esse dinheiro e gaste com sua máquina burocrática, que é o que realmente acontece.

    "Entretanto, à longo prazo, agradecerão pela grande oferta de mão-de-obra de qualidade(Educação pública), menor criminalidade(Segurança pública) e uma população mais saudável(Saúde pública)."

    Em que galáxia? O Brasil, por exemplo, tem uma das dez maiores cargas tributárias do mundo. Temos educação, saúde e segurança fornecidas pelo estado. Os hospitais públicos são verdadeiros açougues, a segurança pública inexiste para o pobre e a educação pública logrou apenas gerar uma multidão de analfabetos funcionais e jumentos lógicos. E você defende que tudo deve continuar assim, só que com mais intensidade.

    "Moro no Canadá e nem mesmo pago os impostos daqui com má vontade."

    Bom pra você. Se você gosta de dar dinheiro para políticos, você deve ser livre para fazê-lo. Apenas não obrigue outras pessoas a compartilharem seus mesmos vícios e delícias.

    "Sei que estarão sendo utilizados para fornecer saúde aos que não podem pagar e oferecerão segurança a todos."

    Saúde canadense? Já estive aí. Uma porcaria. Todos os canadenses, quando adoecem, picam a mula pros EUA. Sacou no assunto errado.

    "Não compreendo a sina libertária contra impostos. Importo-me com a minha comunidade, pago meus impostos com boa vontade(E conheço muitos que também fazem), recebo serviços estatais decentes e tenho meus direitos protegidos."

    Ler minha resposta duas acima. Quanto a serviços estatais decentes, se eles fossem bons, então impostos não teriam de ser obrigatórios. As pessoas voluntariamente os pagariam para o estado. Por que você não defende esse voluntarismo para vermos o que acontece? Se o estado é bom, suas receitas podem até aumentar.

    "Lembrar-vos-ei que sempre podem deixar o país se não gostar."

    Por que sou eu quem tenho de ir embora? Nasci aqui e aqui vou ficar. Não estou defendendo o roubo de ninguém, estou apenas dizendo que não quero ser roubado. Na minha ótica, quem tem de ir embora é aquele elemento que defendo o roubo, como você.

    "O imposto é mais que legítimo pois você é um hóspede em uma nação e precisa colaborar com ela se deseja viver em seu território."

    Hóspede da nação? O que é isso? Nasci em meu país. Não sou hóspede de ninguém. Ninguém é hóspede de um pedaço de terra. A menos que você esteja dizendo que os donos do país são os políticos e que somos hóspedes deles. Que nojo.

    "Não é um roubo, pois ao viver nela, concordou formalmente com suas leis. Se não desejá-las, basta deixar o país e ir a algum local sem impostos."

    Ou seja, eu compro um apartamento em uma vizinhança perigosa de uma cidade qualquer. Eu sei perfeitamente bem que a criminalidade ali é alta, e que eu serei um alvo preferencial, dada a minha aparência abastada. Mas e daí?

    O ponto é que a capacidade de pressupor um evento não é de modo algum equivalente a concordar com ele. Sim, posso perfeitamente bem prever que, se eu me mudar para uma região violenta, provavelmente serei vítima de algum crime de rua. Porém, isso de modo algum significa que estou concordando com tal atitude execrável.

    Similarmente, é de se esperar que o indivíduo que fixa residência em uma cidade com impostos, leis de zoneamento etc., saiba que estará sujeito a essas depredações, assim como todos os outros moradores da cidade. Mas daí a dizer que ele concordou em ser coagido por esses malfeitores há uma distância enorme. A permissão que o recém-chegado à cidade dá ao cobrador de impostos para extrair dinheiro dele é a mesma que o recém-chegado a uma vizinhança violenta dá ao assaltante que viola seus direitos.

    "A Somália é minha maior sugestão."

    Ui, que original!

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1031
  • Marcio  06/01/2017 17:48
    O sistema de saúde canadense, 100% estatal, é uma porcaria. Mas os hospitais veterinários, privados, são excelentes.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=349

    O hilário Paul Krugman perguntou aos canadenses se eles acham que têm um péssimo sistema de saúde. 100% das mãos se levantaram e ele ficou completamente sem graça.

  • Juliano  06/01/2017 17:49
    Algumas falácias dos defensores do status-quo são realmente curiosas.

    A primeira delas é que o Estado foi um arranjo que surgiu naturalmente para organizar a vida em comunidade. Em que mundo? No meu, os Estados foram formados com guerras, genocídios, invasões e muito sangue, até que uma gangue mais forte que as outras conseguiu se estabilizar no poder.

    Outro ponto recorrente é assumir que a propriedade privada é algo que beneficia somente o seu dono, enquanto a propriedade pública "é de todos". Tirar impostos dos ricos seria algo natural, que não vai fazer falta. É também a base da idéia de que poupança é algo ruim para a economia.

    Não conseguem enxergar que normalmente os recursos são gerenciados, e criados, por mãos privadas, mas servem a um grande público. Não vêem que o dono de uma empresa enriquece servindo, e não explorando, seus consumidores. E ninguém percebe que empresas ditas públicas são também geridas por mãos privadas, que sabem muito bem administrar os recursos para proveito próprio, mas daí contam com a possibilidade de socializar os custos.

    É um jogo de palavras que facilita muito a criação de espantalhos e a manutenção do discurso pró estado.
  • Antunes  06/01/2017 17:51
    "Moro no Canadá e nem mesmo pago os impostos daqui com má vontade. Sei que estarão sendo utilizados para fornecer saúde aos que não podem pagar e oferecerão segurança a todos."

    Típico discurso intelectualmente desonesto: Nunca usou os serviços de saúde pública do Canadá mas "sabe que estão sendo utilizados para fornecer saúde aos que não podem pagar[...]"

    "Lembrar-vos-ei que sempre podem deixar o país se não gostar."

    Típico discurso fascista: Judeus, alemães e austríacos também podiam deixar a Alemanha/Áustria caso não gostassem do nazismo. Os camponeses russos e ucranianos também podiam deixar a URSS caso não gostassem de morrer de fome. Você não passa de protótipo de ditadorzinho que odeia a liberdade, baseado nesse seu infeliz comentário.

    "Não é um roubo, pois ao viver nela, concordou formalmente com suas leis. Se não desejá-las, basta deixar o país e ir a algum local sem impostos."

    Não concordei não, Grande Ditador! Em nenhum momento me foi oferecido chance de autorizar, reconhecer ou contestar a autoridade do Estado sobre minha vida. Mas todos sabemos que todo ditador também é mentiroso.

    "Não compreendo a sina libertária contra impostos. Importo-me com a minha comunidade, pago meus impostos com boa vontade(E conheço muitos que também fazem), recebo serviços estatais decentes e tenho meus direitos protegidos."

    Mais uma vez mostra-se o "paraquedismo" de nossos colega. Primeiro, a sina libertária é contra a obrigatoriedade! dos impostos. Se você deseja doar parte do seu ganho para o governo, pois bem, esteja a vontade, mas você não tem o direito de obrigar os outros a fazer o mesmo.

    "A Somália é minha maior sugestão."

    Pensei que diria Sibéria! Mas aí ficaria muito manjado, né?
  • Gabriel  06/01/2017 17:58
    Entretanto, à longo prazo, agradecerão pela grande oferta de mão-de-obra de qualidade(Educação pública), menor criminalidade(Segurança pública) e uma população mais saudável(Saúde pública).

    Saúde, educação e segurança também são fornecidos pelo estado no Brasil. Qualquer um pode se matricular em uma escola pública; qualquer um pode usar o'' maravilhoso'' SUS; qualquer um pode desfrutar da ''espetacular'' segurança pública estatal.

    Por que não dá certo?

    O imposto é mais que legítimo pois você é um hóspede em uma nação e precisa colaborar com ela se deseja viver em seu território. Não é um roubo, pois ao viver nela, concordou formalmente com suas leis. Se não desejá-las, basta deixar o país e ir a algum local sem impostos. A Somália é minha maior sugestão.

    Exatamente. Se você mora em um bairro violento, e se incomoda com a onda de assaltos, é você que deve se mudar, não os bandidos. Afinal, quando você se mudou, sabia que a violência nesse bairro era alta. Não tem do que reclamar.

    Espetacular argumentação. É assim que os políticos gostam.
  • Arthur M Meskelis  06/01/2017 20:32
    "Tributar não é roubar ou destruir. É tomar fundos individuais para a realização de um bem coletivo."
    -A única diferença para um assaltante é que o indivíduo não consta no coletivo que se dará bem.
    -Como exemplo, como que é um bem coletivo o governador de MG ter ido buscar o próprio filho de helicóptero ?

    "A felicidade à curto prazo é retirada em prol daquela à longo prazo. (Não falarei com os jargões filosóficos, apenas com o bom senso.)
    Ricos, por exemplo, serão contra os impostos porque não são beneficiados diretamente por eles como são os pobres. Entretanto, à longo prazo, agradecerão pela grande oferta de mão-de-obra de qualidade(Educação pública), menor criminalidade(Segurança pública) e uma população mais saudável(Saúde pública)."
    -O Estado Brasileiro existe há mais de 200 anos e ainda não resolveu o problema da Educação/Saúde/Segurança de qualidade.
    -Fica também a dúvida, dado que qualidade é um valor que alguém dá a alguma coisa, qualidade para/de quem ?
    -Quem define esta qualidade ? Quando será que alguma coisa será de qualidade.

    "Moro no Canadá e nem mesmo pago os impostos daqui com má vontade. Sei que estarão sendo utilizados para fornecer saúde aos que não podem pagar e oferecerão segurança a todos.
    Não compreendo a sina libertária contra impostos. Importo-me com a minha comunidade, pago meus impostos com boa vontade(E conheço muitos que também fazem), recebo serviços estatais decentes e tenho meus direitos protegidos."
    -Que bom pra você que as suas necessidades/vontades estão sendo alcançadas.
    -Mas nem todos tem essa sorte, pois alguns são obrigados a pagar e convivem com problemas que não são sanados pelo Estado. É justo resolver o problema de alguns e não o de outros ? Faz parte do contrato social ? Deveria eu pagar pela solução do problema alheio e conviver com o meu caladinho porque o meu problema não vai gerar ganhos políticos a quem interessa ?
    -E assim como o Brasil, o Canadá tem mais de 200 anos e não conseguiu resolver isso também.

    "Lembrar-vos-ei que sempre podem deixar o país se não gostar. O imposto é mais que legítimo pois você é um hóspede em uma nação e precisa colaborar com ela se deseja viver em seu território. Não é um roubo, pois ao viver nela, concordou formalmente com suas leis. Se não desejá-las, basta deixar o país e ir a algum local sem impostos. A Somália é minha maior sugestão."
    -André, eu só nasci aqui. Eu não tive escolha. Nem você. Assim como não tenho escolha de pagar ou não os impostos.
    -As pessoas simplesmente nascem. Elas não escolhem o país. Isto para mim não é argumento.
    -Não acredito que você concorde com a tese "os incomodados que se mudem".

    "Resumindo, impostos não são roubo ou destruição porque:
    + Formam um bem coletivo à longo prazo através de uma tomada da felicidade individual à curto prazo."
    -Um déficit de 10 % do PIB e um endividamento de mais de 60% do PIB pra mim não é definição de felicidade a longo prazo.
    -Eu resumi nesse problema de endividamento pois isso implica em todos os problemas de longo prazo.

    "+ Beneficiam muito mais os pobres à curto prazo mas também melhoram a situação dos ricos à longo prazo."
    -O Brasil tem um déficit de moradia. Com o MCMV imóveis no Brasil estão mais caros que em países ricos.
    -Em outras palavras, impossíveis de serem comprados, principalmente por pobres.
    -Acredito que esse seja o nível de qualidade de segurança pública que muitos defendem por aí.

    "+ São legítimos pois você está vivendo no território de uma nação e assim concordou formalmente com suas leis.
    + Países são terras sob uma constituição que age como sua proprietária. O estado não invade a sua casa para cobrar impostos, você é que invadiu a propriedade dele."
    -Novamente, eu só nasci aqui. Não tive escolha. Não tenho escolha.

    "Se não gostar, pode sempre sair. No meu caso, sinto-me feliz ao colaborar com o Estado daqui."
    -Nem todos tem a mesma sorte de poder escolher a qual Estado quer pagar o seu imposto.
    -Enfim temos algo de qualidade para os socialistas (não que você seja um), prejuízos privados, lucros socializados.

    "+ Somos seres comunitários. Sempre teremos problemas comunitários e precisamos de uma instituição criada para mediar possíveis conflitos, além de oferecer serviços que permitam a sobrevivência da comunidade."
    -Concordo. Mas ela não precisa ser compulsória.

    Espero réplicas sensatas. Além de refutações aos pontos que tentei postar da forma mais clara possível, ficam ainda dois questionamentos:
    "- Acreditam de fato que nossas comunidades resistiriam sem serviços sociais feitos por impostos?"
    Sim.
    "- Por que tanta retórica a associar impostos como roubo? Seria o hoteleiro um ladrão por cobrar diária de seus hóspedes? (Lembrando que você pode sempre deixar o hotel se não gostar.)"
    -Não seria porque a propriedade é realmente dele.
    -E é por isso que muitos aqui defendem estradas privadas, ruas privadas, hospitais privados, escolas, postos de saúde e afins.
    -Porque ninguém é obrigado a arcar.
    -Por que que com o estado isso tem que ser diferente.
  • Veronese Garcia  06/01/2017 22:03
    Off:

    alguém do IMB ou algum outro leitor: olhem o que esse cara (de nome Russell Hasan) está falando no blog dele:

    O cara diz que os austríacos "like capitalism because they think it's good for the rich".

    Depois diz isso:

    "Rothbard in Man Economy & State claimed that the purpose of economics is to prioritize scarce resources. The rich have more money than the poor. Hence Austrian economics reduces to the principle that we must satisfy the needs of the rich at the expense of the poor. It is that simple. In contrast my theory of GOLD economics actually helps the poor"

    russhasan.blogspot.com.br/2016/06/gold-thought-3.html#comment-form
  • marcela costa  06/01/2017 22:46
    Pessoal, de que adianta o Trump diminuir a carga tributária ,se ele vai aumentar os gastos públicos?O próprio texto diz que empréstimos certamente serão pagos no futuro com cobrança de tributos.Assim, o Trump me parece meio que um pseudo-liberal.Aliás será que existe alguém que duvida que o governo Trump terminará de forma melancólica,com forte recessão e inflação,igual ao mostrado nos SIMPSONS?
  • Ricardo  06/01/2017 22:53
  • anônimo  07/01/2017 00:10
    A melhor reforma tributária seria invadir os computadores da receita federal e apagar todas as declarações de imposto de renda.

    Ou seja, formatar tudo !
  • Vinicius Costa  07/01/2017 01:37
    Já existiu algum estado que não tributasse, ou que tributasse 'pouco', os seus contribuintes?
  • Mauro  07/01/2017 01:45
    Os EUA do século XIX cobravam apenas uma tarifa uniforme de importação. Foi a partir de 1910 que começaram a inventar moda e cobrar impostos diretos.

    De resto, 'tributar pouco' é hoje um conceito bem subjetivo. Mônaco, Andorra e Bahamas cobram baixos impostos. Hong Kong e Cingapura também. Alguns cantões suíços (como o de Zug) também.
  • anônimo  07/01/2017 02:22
    1913
  • Emerson Luis  12/02/2017 12:35

    O problema não é só competência e honestidade:

    todo governo é inerentemente ineficaz por não ter riscos e incentivos da iniciativa privada.

    * * *


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