A informalidade é o único refúgio de quem quer sobreviver em uma economia asfixiada pelo estado
O estado empurra os pobres para a informalidade; e então passa a criminalizá-los

O cenário são as ruas da cidade de Sidi Bouzid, na Tunísia. Mohamed Bouazizi era um jovem de 26 anos que ganhava a vida como vendedor de frutas e vegetais naquela localidade.

Todos os dias, Mohamed ia ao mercado central comprar frutas e verduras para em seguida revendê-las em um espaço especificamente selecionado no mercado municipal. Desde criança, esse jovem tunisiano tinha de trabalhar muito para alimentar sua família, formada por sua mãe, seu tio e seus irmãos.

Como muitos outros pequenos empreendedores da região, Bouazizi fazia parte daquilo que chamamos de economia informal, uma vez que ele não estava legalmente registrado, não tinha carteira de trabalho, não contribuía para a Previdência, e não pagava impostos sobre suas vendas.

Neste mundo, o jovem comerciante sobrevivia com 73 dólares mensais.

Mas o seu grande desafio era arcar com o permanente achaque das autoridades locais, as quais, aproveitando-se de sua situação "ilegal", frequentemente confiscavam seus produtos ou simplesmente os consumiam ali mesmo, sem sua permissão, e sem pagar nada por isso.

Obviamente, os agentes do estado também exigiam "arregos" para fazer vista grossa e não denunciarem sua situação.

No dia 17 de dezembro de 2010, Bouazizi foi acusado de cometer uma infração, o que o levou a uma discussão com os fiscais do estado, que decidiram confiscar toda a sua propriedade: bananas, maçãs e uma balança eletrônica, cujos valores totais chegavam a 225 dólares. Para agravar ainda mais a situação, um policial lhe desferiu um golpe de cassetete no rosto. Irado e humilhado, vendo todo o seu sustento lhe sendo confiscado e tentando negociar por mais de uma hora a devolução de sua propriedade, o desespero de Mohamed o levou a derramar um solvente de tintura (tíner) por todo o seu corpo e atear fogo.

Durantes os 60 dias subsequentes, outros 63 homens e mulheres em condições similares às de Bouazizi procederam da mesma forma na Argélia, no Egito, em Marrocos, na Arábia Saudita e na Síria. Somente 26 conseguiram sobreviver. Mohamed Bouazizi não foi um deles.

Os acontecimentos que se seguiram a estas medidas desesperadas se tornaram conhecidos como A Primavera Árabe, um movimento em prol de mais liberdade nos países situados majoritariamente no norte da África e na península arábica. Mohamed Bouazizi foi o mártir que desencadeou tudo.

Essa história da origem da Primavera Árabe é contada em detalhes pelo economista peruano Hernando de Soto, que considera que o que ocorreu na Tunísia foi resultado de um sistema legal que, sobrecarregado de regulações, obstáculos e travas, marginaliza e humilha os pobres que apenas querem empreender.

As barreiras à entrada na economia formal acabam fazendo com que a única alternativa para que amplas camadas da população consigam sobreviver seja na economia informal, na qual não há qualquer proteção efetiva aos direitos de propriedade. Pior: na economia informal, os direitos de propriedade são infringidos pelo próprio estado, tendo sido essa a causa da morte do jovem comerciante tunisiano.

Brasil

Mas não precisamos ir até a Tunísia para encontrar mártires. Eles também existem no Brasil, com a diferença de que a morte deles não gera nenhuma revolução.

Em fevereiro deste ano, uma idosa de 65 anos que trabalhava como vendedora ambulante perto da rodoviária do Plano Piloto, no Distrito Federal, teve suas mercadorias (dindin e água mineral) apreendidas em uma operação de fiscalização de ambulantes

Josefa Tiago dos Santos estava com duas caixas de isopor quando foi abordada por três fiscais da Subsecretaria da Ordem Pública e Social (Seops). Uma testemunha relatou que foi uma "abordagem muito agressiva" e que os fiscais aparentavam estar armados, pois carregavam um volume na cintura. O material recolhido foi colocado em uma camionete branca sem identificação do órgão.

Após ter a mercadoria apreendida, a ambulante caiu no chão e passou mal. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e prestou os primeiros socorros. Ela recebeu massagem cardíaca para ser reanimada e, depois, foi levada por uma UTI móvel para o Hospital de Base do DF. Lá, entrou em coma.

Na manhã do dia 26, uma sexta-feira, teve uma parada cardiorrespiratória e morreu.

O grande crime de Josefa Tiago dos Santos: vender bens na rua para conseguir auferir alguma renda e, com isso, se manter viva após o governo ter destruído a economia do país.

O caso de Josefa foi apenas mais um dentre os vários, e diários, ataques perpetrados pelo estado à propriedade privada de trabalhadores que estão apenas ofertando bens a consumidores que voluntariamente optam por consumi-los.

Lamentavelmente, não foi um caso isolado. Tais medidas são mais corriqueiras do que imaginamos. Em 2015, houve um perturbador registro de um trabalhador que tentou se suicidar após sua mercadoria ser roubada por burocratas do estado:

Observe, a partir do minuto 1:14, a expressão relaxada e sádica dos burocratas enquanto roubam a propriedade de outro trabalhador, que olha desolado e impotente seu ganha-pão lhe sendo confiscado.

Os ataques

O estado argumenta que o problema da economia informal é que ela não paga impostos, o que reduz a arrecadação tributária. (O governo, como sabemos, precisa de cada vez mais dinheiro para manter o padrão de vida de seus membros e suas aposentadorias integrais). O estado também argumenta que, dado que alguns comerciantes operam nesse marco de ilegalidade, eles representam uma concorrência desleal perante aqueles que pagam todos os seus impostos e cumprem com todas as regulamentações.

No entanto, a problemática da economia informal não está em nada disso.

Com efeito, a informalidade é um ponto de chegada, e não um ponto de partida. A informalidade não é onde as pessoas começam, mas sim onde elas terminam. Hernando de Soto afirma em seus livros que a informalidade é a consequência de um sistema tributário, burocrático e jurídico extremamente oneroso, que impede que os setores menos favorecidos da população participem dele.

Em seu livro "El Otro Sendero", que faz uma pesquisa abrangente sobre o mercado informal do Peru, publicado no ano de 1986, de Soto mostra que, para registrar uma oficina de produtos têxteis, eram necessários 289 dias e um gasto total de US$ 1.231, o que à época equivaliam a 32 salários mínimos no Peru.

Já em seu livro "O Mistério do Capital", de 2001, de Soto mostra que os pobres são extremamente capazes de gerar riqueza, porém são impedidos disso pelo estado, que não reconhece seus direitos de propriedade. Sendo mais específico, ao investigar as consequências econômicas da falta de direito de propriedade entre as populações mais pobres do continente, de Soto descobriu que os pobres da América Latina, só nas terras que possuem de fato mas não de direito, estavam sentados em cima de quase 10 bilhões de dólares. Sem título de propriedade, não podiam capitalizar em cima desse valor.

De Soto estimou que 80% da propriedade nos países em desenvolvimento está totalmente na informalidade.  Isso significa que há dezenas de milhões de famílias no continente que simplesmente não podem utilizar sua propriedade como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo.  Se a casa ou o terreno de uma família pobre não são formalmente seus (como no caso das favelas brasileiras), não há nenhuma medida econômica que possa compensar tudo isso.

Igualmente, ao não reconhecer os pequenos empreendimentos informais dos pobres, o estado impede que eles utilizem esse capital para tomar crédito e ampliar sua capacidade de produção, como ocorre no mundo desenvolvido.

No Brasil, segundo dados do IBGE, há 44 milhões de pessoas na informalidade. Estas pessoas contribuíram com 16% do PIB em 2015.  Foram R$ 956,8 bilhões de riqueza gerados pela informalidade no ano passado.

O fato é que empreender e empregar legalmente no Brasil é muito caro. Para abrir uma empresa são necessários 107 dias, em média. Pagar impostos requer 2.600 horas apenas para preencher formulários (mais do que o dobro do segundo colocado, a Bolívia). Empregar alguém traz um custo extra de 103% do salário só com impostos e outros encargos trabalhistas. Ou seja, além do salário, você tem de pagar o equivalente a outro salário só com impostos, encargos sociais e trabalhistas. (Coisas como imposto sindical ou contribuição para a reforma agrária são comuns).

Não bastasse isso, ainda temos de arcar com nada menos que 93 impostos diferentes.

Não sendo viável nem empreender legalmente e nem ser contratado legalmente, só resta às pessoas nesta situação irem buscar outros meios de sobrevivência. E é no mercado informal que elas encontram algum oxigênio.

Como explicou Mario Vargas Llosa:

A informalidade é uma resposta dos mais pobres a este sistema que os transformou em vítimas de uma espécie de apartheid econômico e jurídico. Neste sistema, as leis parecem ter sido pensadas e criadas para fechar-lhes completamente o acesso a coisas elementares, como ter um trabalho e um teto. Você realmente acredita que eles devem renunciar a essas aspirações básicas em nome de uma legalidade irreal e injusta? Claro que não. Eles irão renunciar, isso sim, à legalidade.

Conclusão

Empreendedores operam na informalidade por três motivos fundamentais: os encargos sociais e trabalhistas não permitem o trabalho formalizado, as regulamentações e a burocracia não permitem que um empreendimento seja legalizado, e os impostos não permitem que as transações oficiais sejam lucrativas.

Ameaças de multas e confiscos não irão aliviar o primeiro e o terceiro motivos. E somente uma redução no emaranhado burocrático de regras e regulamentações irá aliviar o segundo.

Um aumento da repressão irá indubitavelmente reduzir a amplitude da economia informal.  Afinal, os empreendedores, mesmo os informais, irão reagir a este aumento nos custos e nos riscos reduzindo a abrangência de suas atividades.  Essa redução, no entanto, não irá se traduzir em um aumento da atividade no mercado formal. Apenas se o fardo regulatório e tributário sobre os empreendedores for reduzido é que eles tornar-se-ão mais dispostos a operar na economia formal.

Em vez de encarar as economias informais como fenômenos indesejados que devem ser abolidos, o estado deveria começar a vê-las como aquilo que realmente são: um inegável sinal de que suas tradicionais políticas intervencionistas fracassaram abismalmente. 

Se uma pessoa acredita que a economia informal é algo inerentemente ruim, então, por uma questão de lógica, ela também deve considerar as políticas que geraram sua existência como algo inerentemente ruim e que deve ser abolido.

______________________________________________

Iván Carrino é analista econômico da Fundación Libertad y Progreso na Argentina e possui mestrado em Economia Austriaca pela Universidad Rey Juan Carlos, de Madri.

David Howden é professor assistente de economia na Universidade de St. Louis, no campus de Madri, e vencedor do prêmio do Mises Institute de melhor aluno da Mises University.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


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SOBRE O AUTOR

Diversos Autores


"Foram mal abordados, muito mal abordados.

"imprimir dinheiro não é prática legal em um mundo civilizado" Eua imprime dólar, UE imprime Euro, Japão imprime Iene."


Eis um trecho do artigo:

"Há três respostas: ou o governo aumenta impostos; ou ele toma dinheiro emprestado de bancos, pessoas e empresas; ou ele simplesmente imprime dinheiro.

Não é preciso ser um profundo conhecedor de economia para entender que nenhuma dessas três medidas cria riqueza."


Você fala como se estivesse rebatendo alguma afirmação, que o próprio artigo mostra como é falsa; mas essa afirmação quem criou foi você próprio, sabe-se lá de onde.

É surreal você dizer que isso advêm da perda de consumo da população, a inflação desses países é próxima de zero há muito tempo. (não quero dizer que isso funcionária em todos os países do mundo)

Você está falando de "inflação de preços", aumento no preço de diversos produtos na economia geral; o artigo está falando de
inflação monetária, aumento da oferta monetária, dinheiro em circulação na economia. É possível haver baixa "inflação de preços" ou mesmo "deflação de preços" onde há inflação monetária. Basta que o aumento em produtividade e outros fatores (que diminuem preços) seja maior que o aumento dos preços por conta da inflação monetária.

Agora, se você acha que não há relação alguma entre oferta monetária e aumento de preços, creio que você descobriu o Paraíso na Terra -- podemos simplesmente imprimir dinheiro à rodo e dar para todos, e não haverá efeito colateral algum nisso.

"EUA tirou o país de uma recessão enorme em 2008 com as práticas Keynesianas, existem vários e vários exemplos da prática aplicada e funcionando, em nenhum momento é perfeita e sem qualquer tipo de ônus, mas é o melhor que pode ser feito."

Sim, o Keynesianismo tirou os EUA da recessão -- causada por esta mesma ideologia e suas taras por expansões artificiais:

Como ocorreu a crise financeira americana
Explicando a recessão europeia
Herbert Hoover e George W. Bush: intervencionistas que amplificaram recessões (1ª Parte)
A geração e o estouro da bolha imobiliária nos EUA - e suas lições para o Brasil

Creditar a teoria Keynesiana por tirar os EUA da recessão se resume à isto: o que seria de nós, se após quebrar nossas pernas, o Estado não nos desse muletas?

"Aliás uma pergunta, você já prestou ANPEC alguma vez? acredito que seu conhecimento é bem maior do que as frases feitas que posta aqui no site."

E como sempre, o grande feito para um Brasileiro é passar em concurso.

"Apesar de ter grande admiração por Keynes eu não tenho asco por nenhum grande pensador econômico, seja ele Marx ou Hayek, não é o que acontece por aqui, infelizmente. Inclusive, ressaltei que não é impossível que Keynes esteja errado em alguns pontos, visto o tempo que já se passou."

Não posso falar por todos membros que acompanham este instituto, mas pouco me importo com Keynes, Hayek, Mises, Friedman, quem quer que seja. Apenas me importo com as ideias que estes defendem. Se Marx falar algo correto, defenderei isto. Se for Keynes, também. Mises, mesma coisa.

"Peço mais uma vez que seja exposto para que haja um debate honesto. Pela segunda vez eu estou usando exemplos reais, práticas já aplicadas e com ressalvas de que nada pode ser generalizado, você escreve de forma rasa, com várias teorias que sequer foram testadas e lotado de frases feitas para atingir quem está no topo (Keynes). "

"Nada pode ser generalizado" é algo tão estúpido que eu não acho que seria preciso comentários para mostrar a estupidez desta afirmação.

"Você escreve de forma rasa" -- disse quem credita a teoria Keynesiana como positiva por tirar os EUA da recessão, causada pela mesma.

"Com várias teorias que sequer foram testadas" -- Eis o comentário feito por quem você está criticando:

"1) "Podem vir de emissão de títulos públicos"

E quem paga os juros e o principal destes títulos públicos? De onde vem o dinheiro?

2) "Impostos pagos anteriormente que geraram caixa"

Ou seja, o dinheiro veio da população.

3) "Expansão monetária direta, da forma que é feito na UE, EUA e Japão"

Ou seja, o dinheiro veio da redução do poder de compra da população.

4)"Qualquer financiamento para qualquer tipo de obra" "


Todos estes pontos são lógicos, e não empíricos. Faça um favor a si mesmo, e corra urgentemente para uma livraria e compre qualquer livro iniciante sobre lógica ou argumentação. O seu caso é grave.



Deixe que eu me preocupe com isso. quero saber o seguinte: se um meliante invadir a minha casa, o que você sugere que eu faça?

Os contra armamento nunca respondem essa pergunta e sempre a evitam. Eu vou responder de acordo com a instrução que a policia passa para a população:

1. Se der tempo, ligue para a policia, se você der sorte, eles podem passar por ali antes do bandido conseguir entrar na sua casa.

2. Faça tudo que o bandido manda. Se ele quer seus bens, dê. Se ele quer estuprar você, deixe. NÃO RESISTA DE FORMA ALGUMA.

3. No dia seguinte, faça um boletim de ocorrência e reze para que seu caso seja um dos 8% que são resolvidos no Brasil.

Agora eu tenho algumas perguntas também:

1. Se bandidos querem bens, por que não assaltam o congresso nacional? Ali está reunido várias pessoas milionárias. Enriqueceriam facil! Será que é por que ali tem seguranças armados que não hesitariam em atirar?

2. Por que não assaltam juizes e deputados quando estão fora do congresso? Será que é por que os mesmos dispõem de seguranças armados?

3. Por que não atacam carros fortes que transportam valores toda vez que os mesmos saem da garagem? Será que é por que os guardas estão bem armados?

Quem prega o desarmamento da população não entende que o bandido, seja o de colarinho branco ou o comum, é um ser de mentalidade oportunista. Independente do historico de pobreza (ou não), ele não irá atacar lugares fortemente armados porque o risco/beneficio é muito alto, e eles são inteiramente capazes de fazer esse julgamento (caso não o fossem, os lugares que citei seriam atacados diariamente).

Sabe onde eles atacam? Onde o risco/beneficio é baixo. E adivinha quem apresenta isso? Sim, uma população desarmada e instruida a não reagir de forma alguma.
Esron, expandi o comentário acima em um artigo bem mais detalhado sobre o assunto. Ei-lo:

Como funciona o mercado de cartões de crédito e por que seus juros são os maiores de todos


Após a leitura do artigo acima, convido-o a ler esta notícia, que mostra que a recente medida adotada pelo Banco Central não afetou nada, exatamente como previa o artigo acima (ou seja, o final, nada mudará, e sua anuidade tende a continuar gratuita):

blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/juro-do-parcelamento-do-cartao-de-credito-e-recorde-e-chega-1635-ao-ano/
Além de tudo o que já foi respondido acima, é extremamente importante ressaltar que essa tese de "fazer dumping para quebrar indústrias para logo em seguida elevar preços e dominar o mercado" é completamente irreal.

Não apenas isso nunca aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.

Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores.

Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado.

Se isso não vale para uma empresa dentro de um país, imagine então para uma empresa concorrendo em escala global (como é o caso do seu exemplo)?
Se enviar produtos importados baratos destrói a indústria de um país, então conclui-se que fazer o extremo -- mandar importados DE GRAÇA pra um país -- o destrói ainda mais rapidamente.

Mas o que tem de destrutivo em ganhar presentes? Se nos mandarem televisões, carros e geladeiras de graça, perderemos, sim, os empregos nessas áreas. No entanto, os trabalhadores dessas áreas poderão ir pra outras atividades produtivas e genuinamente demandadas pelos consumidores.

Em vez de termos essas pessoas produzindo televisões, carros e geladeiras, já teremos tudo isso e mão-de-obra sobrando pra produzirmos outras coisas. Em resumo, o país ficaria mais rico, às custas dos contribuintes de outros países que estão subsidiando importados gratuitos pra nós.

Outra coisa: se restringir e taxar a importação de produtos baratos é bom pra indústria nacional, bloquear as bordas do país contra todas as importações criaria uma economia fortíssima no país bloqueado.

E não pára por aí: se bloquear um país é bom pra economia interna, então bloquear os estados também. Imagine quantos empregos de paulistas os gaúchos estão tirando quando criam gado. Proibir a importação de gado e garantir empregos pra indústria interna de gado São Paulo seria uma boa idéia.

E isso continua pra cidades, pra ruas, até que se decida produzir tudo em sua casa e não trocar com ninguém.

Basta você parar de fazer compras no supermercado e estará bem ocupado o dia inteiro plantando, colhendo, costurando suas roupas, etc.

Todos terão pleno emprego, mas a produtividade será extremamente baixa dado o custo de oportunidade de produzir tudo por si mesmo, e será uma pobreza generalizada.

Um tomate que você compra com alguns segundos do seu trabalho demoraria meses pra nascer na sua terra.

Se nos casos extremos, com importados de graça, a sociedade fica mais rica e produtiva, e com importados proibidos, a sociedade fica mais pobre e improdutiva, são pra esses os caminhos que as políticas protecionistas apontam.

Não existe um ponto de equilíbrio ou um "protecionismo racional". Todo protecionismo beneficia produtores do setor protegido às custas de todo o resto.

Pode até ser que sem protecionismo nossas montadoras falissem; mas se elas não conseguem competir, é isso o que tem que acontecer.

Se custa 50.000 pra fazer um carro no Brasil que custa apenas 25.000 pra fazer o mesmo carro lá fora, ao comprar o carro de 25.000 a nossa economia tem um carro e 25.000 sobrando pra serem usados em outros setores. Ao comprar um carro de 50.000, a economia tem apenas um carro e deixa de ter 25.000 pra gastar ou investir em outros setores.

Imagine num caso extremo gastar uma fortuna com tecnologia e energia pra produzir bananas no Alasca. Se essas bananas forem produzidas num país tropical, podemos ter as mesmas bananas que teríamos do Alasca, mas sem usar todo aquele recurso: homens, máquinas e energia que poderiam ser mais bem alocados em outro lugar ao invés da produção de bananas.

A questão não são empregos, nem indústria nacional: a questão é produção. Empregos que não criam valor são inúteis, e há indústrias que não necessitam existir. O Brasil não "precisa" de uma indústria de carros assim como o Alasca não "precisa" de uma indústria de bananas, a menos que encontrem uma forma eficiente de produzir seus produtos. Não há por que preservar tais empregos.
Todas essas situações de "stress" que você citou podem perfeitamente acabar também em facadas, canivetadas, garrafadas na cabeça, pedradas, ou socos na cara (é bastante comum uma pessoa morrer em decorrência de um simples soco na cara; ver aqui e, principalmente, aqui).

Portanto, você criou uma falsa equivalência.

"Campanhas desse tipo me faz [sic] refletir que a nossa atenção e forças para cobrar do estado aparatos essenciais para que possamos viver bem, estão focalizados em assuntos que já deveriam estar superados!"

Ininteligível.

"Sobre os bandidos, opa! Se eles estão mandando no meu estado, tenho uma parcela de culpa aí!"

Você pode ter. Eu não tenho nenhuma. Por favor, me diga qual a minha culpa em haver "bandidos mandando no seu estado"?

"Não será somente com armas que inibiremos a propagação de criminosos"

Deixe que eu me preocupe com isso. quero saber o seguinte: se um meliante invadir a minha casa, o que você sugere que eu faça?

"afinal um dos motivos de se propagarem é o fato das armas estarem acessíveis!"

Errado. Um dos motivos de se propagarem é o fato de armas estarem acessíveis para eles no mercado negro e nenhuma arma estar acessível para o cidadão comum no mercado legal.

Bandidos proliferam quando sabem que suas potenciais vítimas estão completamente desarmadas pelo estado.

Beira o cômico você ignorar isso.

"Sobre quem fomenta esse tipo de campanha, cuidado! Aquele(a) deputado(a) ou senador(a) pode ter uma "amizade" muito próxima com alguém ligado a indústria que fabrica tais armas!"

Pois então cite nomes e prove que eles estão ligados a este site. Caso contrário, tenha a hombridade de se retratar.

"Ou até mesmo o cidadão de bem que compartilhou algo dessa campanha não tá nem ai para o bandido, simplesmente acha bonita armas ou quer de alguma forma usá-la!"

Que campanha?!

"E como a democracia é a chave para o entendimento! Respeito quem tem opinião contrária!"

Estamos vendo...

"Então lembram da corrupção? Ela leva desde a falta da merenda na nossa escola até a essa situação! Entregar uma arma pra tu quando estiver "grande", não vai garantir que terá um bandido a menos no mundo! É o processo educacional e o cuidado do estado que podem garantir a paz e o teu bem estar, as armas o caos! Pode parecer falácia, mas para um CIDADÃO DE BEM, faz sentido!"

Acho que sua erva venceu e você não percebeu. Sugiro trocar seu fornecedor.
Mais um que chegou rugindo, levou uma resposta (completa e educada), e agora saiu miando, praticamente de quatro.

Não só não retrucou nada que lhe foi respondido, como ainda chegou ao cúmulo de inventar uma resposta que nunca foi dada. Em nenhum momento o artigo ou algum comentarista falaram que "imprimir dinheiro não é prática legal em um mundo civilizado". Tal frase simplesmente não está escrito em lugar nenhum do artigo e nem desta seção de comentários.

Isso mostra bem o nível do desespero e da ética do cidadão. Mas, também, keynesianismo e falta de ética sempre andaram lado a lado.


P.S.: não resisti e terei de comentar esta:

"os grandes empresários começam fazendo empréstimos e assim aumentam seu patrimônio. Jorge Paulo Lemann convive com um passivo enorme e é o homem mais rico do brasil."

Com a pequena, ínfima, insignificante diferença que JPL é criador de riqueza e de valor. As pessoas voluntariamente compram os bens e serviços produzidos por JPL, e é isso o que o deixou rico. Quem cria riqueza continuamente, como faz JPL, pode se endividar muito e ainda assim se manter plenamente solvente.

Toda essa dívida será paga com capital próprio. JPL não terá de assaltar ninguém, roubar ninguém, confiscar dinheiro de ninguém para pagar suas dívidas. (E, em caso de insolvência, quem se estrepa são seus credores, e não a população inteira, que não terá de arcar com nada disso).

E o governo? Ele cria riqueza? Ele trabalha com capital próprio? Ele utiliza dinheiro próprio para pagar suas dívidas?

O fato de você dizer que o governo opera igualzinho a JPL mostra bem o seu nível de conhecimento econômico.

É cada coitado que é destroçado por aqui...
O que falo para os meus alunos sobre isso,

Primeiro, uma pergunta:

Será que todas aquelas pessoas que ainda não tenham nenhum crime registrado pela polícia, são cidadãos de bem?

Como eu posso garantir que, o estado dando o direito a posse de armas a todos(as) conseguirá evitar que,

O "brigão baladeiro" na hora da raiva cometa uma tragédia na saída da balada!

Na briga de trânsito o cidadão estressado não dispare contra o outro!

O colega de turma que, nunca imaginei que ele tivesse esquizofrenia iria disparar contra toda a turma com a arma do pai ou da mãe!

A mulher que, já sofria com as agressões do Marido, agora vive ainda mais a pressão psicológica por ter uma arma na sua cabeceira!

As crianças que sabem onde os pais guardam suas armas, e depois um tem que falar, foi uma brincadeira!

O vizinho que se estressou com som alto durante a madrugada!

Enfim são inúmeras as situações!

Sobre o uso da arma, "modestamente" posso afirmar: mesmo aquela pessoa que nunca frequentou a escola até aquela que teve o mais alto nível de educação acadêmica está suscetível ao stress, e nessa hora, para muitos, será o motivo de cometer um crime passional (o primeiro)!

Campanhas desse tipo me faz refletir que a nossa atenção e forças para cobrar do estado aparatos essenciais para que possamos viver bem, estão focalizados em assuntos que já deveriam estar superados!

Sobre os bandidos, opa! Se eles estão mandando no meu estado, tenho uma parcela de culpa aí! Não será somente com armas que inibiremos a propagação de criminosos, afinal um dos motivos de se propagarem é o fato das armas estarem acessíveis!

Sobre quem fomenta esse tipo de campanha, cuidado! Aquele(a) deputado(a) ou senador(a) pode ter uma "amizade" muito próxima com alguém ligado a indústria que fabrica tais armas! Ou até mesmo o cidadão de bem que compartilhou algo dessa campanha não tá nem ai para o bandido, simplesmente acha bonita armas ou quer de alguma forma usá-la!

E como a democracia é a chave para o entendimento! Respeito quem tem opinião contrária!

E se eu estiver numa turma com crianças ou adolescentes:
Sempre tem aquele que exclama,

- Mas só os bandidos tem o direito de possuir armas, o cidadão de bem, não!

- Então lembram da corrupção? Ela leva desde a falta da merenda na nossa escola até a essa situação! Entregar uma arma pra tu quando estiver "grande", não vai garantir que terá um bandido a menos no mundo! É o processo educacional e o cuidado do estado que podem garantir a paz e o teu bem estar, as armas o caos! Pode parecer falácia, mas para um CIDADÃO DE BEM, faz sentido!


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Um Cão  08/12/2016 14:22
    É de cortar o coração ler estes depoimentos de pessoas que somente querem auferir algum lucro para poder sustentar a si e seus familiares e ver o Estado e seus criminosos (fiscais) confiscar o pouco que tem.
  • França  08/12/2016 15:18
    Eu não sou violento, mas acredito que em parte nos Brasileiros , ficamos meio frouxo tivemos dez revoltas armada.
    Fora os combates sangrento como o de jenipapo, darei um exemplo bem pratico fui criado no Complexo de favela do alemão, lá habita pessoas claro, uma minoria trabalha para o trafico de drogas, ou seja tem que compre (procura) usuário. e tem quem vende(oferta) trafico.

    O trafico de droga tem um lucro digno de multinacional certo. paga-se bem a mão de obra.
    No entanto e proibido pelo Estado que por sua vez utiliza a Policia militar e civil para reprimi-los.
    oque eles fazem quando os policias ingressão na favela, são bem recebidos a tiros de Cal.762 e 556 com isso eles ficam um tempo sem tentar subir na favela tudo isso eu relatei pode -se checar nos jornais.

    não aprovo a violência mais quando se viola o pacto de não agressão.
    cobiçando algo que não te pertence e legando ter direito sobre algo alheio, agindo sobre essa falsa alegação.
    o único meio existente e a contra ofensiva pelo uso das armas.

    Mais não podemos o estatuto do desarmamento nos tirou a arma das mãos.

    Peço perdão mais o que escrevi não e ponderador e um comentário emocional daqui a pouco vou me arrepender.
  • Dissidente Brasileiro  08/12/2016 14:45
    No dia 17 de dezembro de 2010, Bouazizi foi acusado de cometer uma infração, o que o levou a uma discussão com os fiscais do estado, que decidiram confiscar toda a sua propriedade: bananas, maçãs e uma balança eletrônica, cujos valores totais chegavam a 225 dólares. Para agravar ainda mais a situação, um policial lhe desferiu um golpe de cassetete no rosto. Irado e humilhado, vendo todo o seu sustento lhe sendo confiscado e tentando negociar por mais de uma hora a devolução de sua propriedade, o desespero de Mohamed o levou a derramar um solvente de tintura (tíner) por todo o seu corpo e atear fogo.

    O erro dele foi esse: atear fogo no próprio corpo. Era para ter feito isso com o policial que lhe bateu no rosto, essa sim seria a verdadeira Justiça. E certamente teria o mesmo apoio da população, com a diferença de que ele não morreria no processo.
  • Henrique Zucatelli  08/12/2016 15:04
    Sim, a informalidade é o fim mesmo, e tenho visto com meus próprios olhos.

    Tenho muitos, repito, muitos amigos empresários que simplesmente fecharam suas empresas no papel e estão operando somente no dinheiro ou cheque, localmente.

    Aí cito mais uma das minhas previsões que estão sendo colocadas em prática, na marra mesmo: Empresas de todo o Brasil estão colocando suas mercadorias em caminhões próprios e transportando sem nota, sem nada, com o pagamento sendo feito na hora da chegada. Muitos são barrados nas fronteiras dos Estados, está um loucura.

    Tenho um amigo que é dono de um dos maiores armarinhos do centro de São Paulo, e ele mesmo com o porte que tem, está trabalhando 90% no dinheiro, que não vai para os bancos para não ser rastreado. Ter uma empresa no Brasil é quase ilícito, tamanho é o arrocho imposto a quem quer simplesmente trabalhar.
  • Sapiência  08/12/2016 19:24
    Não consigo compreender os liberais/libertários/pro-mercado, me esclareçam por gentileza.

    Reclamam da regulação e depois reclamam da informalidade. Ora, o "mundo perfeito de livre mercado" que vocês tanto elogiam, não seria o "informal"? O mercado informal não seria a própria anarquia de mercado, então porque estão reclamando?


    Sapiência está Mestrando na Unicamp
  • Luminosidade  08/12/2016 19:51
    Quem é que está reclamando da informalidade, Cristo Rei?!

    O artigo apenas narra como o estado empurra as pessoas para a informalidade e como ele as trata como criminosas -- chegando inclusive a assassiná-las -- quando elas estão lá.

    É cada semi-analfabeto que despenca por aqui...
  • William  09/12/2016 02:34
    Cara, calma, é piada, olha a nota de rodapé :P
  • Gilmar  09/12/2016 00:40
    Mestrando na UNICAMP...

    E não consegui nem interpretar o texto, que é bastante simples.

    Another piece of the puzzle falls into place.
  • Wagner  09/12/2016 02:57
    Bom, para começar, ler que alguém se auto intitula "sapiência" e tem a necessidade de se dizer "mestrando da Unicamp" (talvez com o intuito de revestir o comentário de poderes esotéricos?) já me desanima. Aí, quando leio o texto da pessoa, penso em duas alternativas: ou o cidadão é incapaz de compreender o texto, ou compreende mas tenta usar argumentos falaciosos para deturpar o que os autores demonstraram. As duas alternativas são terríveis, mas a segunda é muito mais nefasta. Abraços.
  • Will  12/12/2016 20:03
    Você realmente leu o texto, amigo?
    TODOS AQUI ESTÃO CRITICANDO A REGULAMENTAÇÃO!
    REPITO: VOCÊ REALMENTE LEU O TEXTO???
  • Mauro Di Palma  08/12/2016 15:07
    Excelente texto!
    Observo que os últimos acontecimentos começam a mostrar as diferenças entre os que trabalham e produzem riquezas, e aqueles que só se aproveitam do estado para enriquecer e reprimir os que desejam trabalhar.
    Moro na Tijuca-RJ, próximo à Praça Saenz Pena, e recentemente o número de vendedores ambulantes aumentou substancialmente. Pelo modo de se vestirem nota-se que são ex-trabalhadores alguns oriundos da indústria e que, volta e meia, saem correndo com suas mercadorias pela aproximação dos Guardas Municipais.
    Os políticos parecem não ver que esse pessoal está tentando sobreviver e manter o sustento de suas famílias. Ou seja, a situação está se aproximando de um limite.
    Várias lojas aqui já fecharam provavelmente por não conseguirem pagar os impostos.
    Os vendedores ambulantes ainda não se deram conta de que estão em maior número que os Guardas e se por acaso aparecer alguém com algum conhecimento ou carisma para a liderança, a situação poderá se inverter e fugir ao controle. Esse é o tipo de movimento que uma vez iniciado não tem como parar, ganha inércia própria como o estouro de um boiada.
    Será que precisaremos chegar nesse nível?
  • Pedro  08/12/2016 15:07
    Esse artigo e especialmente indicado para aqueles bostejam ''o estado protege o trabalhador brasileiro ''.
  • Alberto  10/12/2016 01:05
    Nem se o Papai Getúlio estivesse vivo levaria a CLT mais a sério.
  • Andre  08/12/2016 15:11
    Deus tenha piedade dessas corajosas pessoas que enfrentam toda a sorte de contratempos para faturar uns trocados para seu sustento e de sua família.
  • Tiago  08/12/2016 15:36
    Não nos esqueçamos deste outro assassinato cometido pelo estado contra um camelô. A sangue frio e com provas em vídeo:


  • Elton  08/12/2016 15:54
    Acho fantásticas os ideais liberais, mas tão utópicas quanto o marxismo. O governo do estado será tão fraco que qualquer vento o derrubaria. Tem que haver um ponto de equilíbrio. É plenamente aceitável na economia, desde que implementado paulatinamente. A sociedade, como um organismo vivo, adaptaria-se (teoricamente) melhor aos ideais libertários pois é dinâmica e retroalimentada do que se fosse tratada como um ser unicelular (marxismo), todos iguais. Seriamos todos amebas. Entretanto, em todos os organismos vivos, existem os parasitas. Estes implodiriam os ideais libertários.
  • John  08/12/2016 16:15
    É isso aí, Elton. Concordo com você: o certo é mantermos todos os privilégios atuais, que geram impostos exorbitantes, burocracias soviéticas, e custos lunares, expulsando os pobres para a informalidade e criminalizando-os.

    Qualquer outro arranjo que não esse configura "ideias tão utópicas quanto o marxismo", gerando um "governo do estado será tão fraco que qualquer vento o derrubaria" e fazendo com que todos nós fossemos "amebas".
  • tales  08/12/2016 18:42
    Dá pra perceber que você ainda está entrando em contato com idéias libertárias e já percebeu que o arranjo econômico atual simplesmente não funciona. Certo?
    Agora, usando sua analogia, sempre haverá parasitas, é um fato, impassível de discussão. Você prefere que parasitas tentem lhe causar mal, e você tenha a possibilidade de se defender, assumindo os riscos e responsabilidades por seus atos (liberalismo), ou prefere que os parasitas interfiram em simplesmente tudo que lhe diz respeito, principalmente nas questões econômicas, tomando parte da sua riqueza como se deles fossem, e se você reagir o parasita simplesmente te engoliria? (keynesianismo ou socialismo)?
  • Rafael Torquato  08/12/2016 15:58
    Excelente texto. E tudo isso para manter privilégios aos que compõe o Estado. Precisamos de mais liberdade!!! E ainda há aquelas falácias do tipo: "O Estado faz isso para proteger a população".
  • Rodney  08/12/2016 16:27
    A informalidade é uma atitude. Quem precisa de governo? Só os desgovernados.
  • Antônio   08/12/2016 16:27
    O governo é a maior quadrilha do país.
  • Rodrigo Amado  08/12/2016 16:46
    Duvido muito que esses ambulantes molestados pelo estado sejam libertários.
  • Alfredo Adorado  08/12/2016 17:06
    E daí? O que isso muda? Deixa de ser crime?
  • Max   08/12/2016 17:15

    Enquanto ambulantes que só querem trabalhar e serem deixados em paz (e não estão pedindo ou exigindo verba estatal de qualquer ordem), podem ser considerados libertários, sim.

    De toda sorte, libertários ou não, eles têm direito a não serem agredidos pelo estado.
  • Fernando  08/12/2016 18:59
    Eu estava em Cingapura na semana passada.

    Em Cingapura não tem produtos piratas, quase não tem camelôs (apenas algumas barracas de comida), o número de lojas é impressionante, os estabelecimentos comerciais sem a menor estrutura é enorme, etc. Dos estabelecimentos de luxo às barraquinhas, todos estão seguindo as leis.

    O governo brasileiro cria dificuldades pra vender facilidades. Se um camelô mal consegue fazer a conta do troco de um pagamento, como ele vai conseguir seguir milhares de páginas de regulamentações governamentais ?

    No final das contas, o governo brasileiro só autoriza quem paga impostos e propinas, porque quase todo mundo não consegue seguir as leis.
  • EDUARDO MENDES  09/12/2016 12:34
    Perfeito. A quantidade de leis e normas e regras é feita para o cara não conseguir cumprir e depois ter que pagar por infrações ou, ainda, corromper fiscais. Só isso. Sei que os liberais abominam qualquer imposto, mas, só vejo uma saída : Imposto único, fim do papel moeda e fim do sigilo bancário.
  • Cássio  09/12/2016 12:54
    Ou seja, você não apenas defende que políticos possam bisbilhotar quanto cada pessoa tem na conta bancária, como também defende que a população pobre -- aquela que não usa bancos -- seja proibida de participar da economia capitalista, tomando o dinheiro que elas têm.

    Exatamente como fez a Índia recentemente, o que gerou até morte de crianças.

    E você quer fazer isso tudo apenas para garantir que o estado (políticos) continuem arrecadando o máximo de impostos.

    Muito bem.
  • Lel  09/12/2016 00:51
    Esse ano eu vivi na pele o inferno que é viver em uma economia sufocada pelo Estado.

    Não percebia na pele porque tinha um bom emprego em uma multinacional suíça que teve que fazer demissão em massa por causa da maravilha que o Estado fez na nossa Economia.
  • Narcisista - Eu sou o melhor  09/12/2016 03:14
    Bular as regras do governo é motivo de honra. Não existe problema em sonegar pagamentos à tiranos, milicianos, ditadores, burocratas, autoritários, confiscadores, estelionatários, etc.

    Quando alguém paga por alguma coisa e não recebe, só pode ser estelionato ou roubo. Não existe isso de incompetência. É estelionato ou roubo.
  • Didi  09/12/2016 11:42
    O bloco K do Sped Fiscal foi o tiro de misericórdia na informalidade. De cunho comunista, essa ferramenta macabra engessa ainda mais a cadeia produtiva. Ledo engano pensar que o PIB nacional irá reagir, como o sistema está configurado o Brasil não sai dessa crise nem a pau!
  • Andre  09/12/2016 12:54
    Foi só o estado parar de investir que a economia parou, onde está o tão eficiente setor privado agora?

    Foi esse estrume que escutei ontem numa reunião pra ver se a prefeitura vai privatizar ou não os serviços de coleta de lixo e limpeza pública. Mesmo quando o governo privatiza faz da maneira mais burra possível, também acho que desse buraco o Brasil não sai não.
  • Ramos  09/12/2016 15:00
    Mas é assim mesmo.

    Nenhuma destruição estatal passa impune.

    Quanto mais tempo um governo desarranja uma economia, mais tempo ela demora para se recuperar após uma eventual mudança de regime.

    Pior: as inevitáveis dificuldades durante este processo de correção tendem a levar a população ao desânimo, e essa frustração tende a gerar crescentes demandas por soluções rápidas, as quais podem ser ainda mais catastróficas.

    E durante esse processo de rearranjo, populistas e demagogos atribuirão ao capitalismo todos os problemas que na verdade foram causados pelo governo, com isso levando a população a clamar por ainda mais intervenção do estado.

    E aí todo o ciclo se reinicia.

    O artigo de hoje é exatamente sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2584
  • RS  09/12/2016 16:43
    Boa tarde.
    Faz pouco tempo que acompanho o site e tenho aprendido muito por aqui.
    Considero os textos lógicos e bem fundamentados e, apesar de não concordar com 100% do que á aqui veiculado, pouco a pouco estou me desfazendo de concepções equivocadas que me foram transmitidas pela escola e universidade e incorporando conceitos libertários.

    Especificamente em relação a este artigo sobre a economia informal, concordo com a visão exposta, mas de outro lado me pergunto como seria uma sociedade em que o comércio ambulante fosse totalmente livre.
    Como garantir o direito a um espaço público limpo, organizado e desimpedido em um ambiente dominado por barraquinhas de camelôs que se comportam como donos do local em que instalados?

    Gostaria de ouvir a opinião libertária a este respeito.

    Desde já agradeço pela troca educada de ideias.




  • Tulio  09/12/2016 17:04
    "Espaço público limpo, organizado e desimpedido" em um arranjo em que as ruas são estatais -- e há vários grupos disputando espaço, sem ninguém ser dono de nada -- é impossível.

    Apenas se as ruas fossem propriedade privada é que não haveria esse problema.

    Dois artigos sobre como fazer isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=174

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=973
  • anônimo  09/12/2016 22:38
    O problema é que comida vendida na rua, não recomendável. Não é vendida sem assepsia. As autoridades de vigilancia sanitaria já apreenderam frutas podres....
  • N%C3%83%C2%ADcolas  10/12/2016 20:02
    "O problema é que comida vendida na rua, não recomendável. Não é vendida sem assepsia. As autoridades de vigilancia sanitaria já apreenderam frutas podres...."

    Se as pessoas tivessem a liberdade de vender e comprar nesse modelo de empresa a própria concorrência e seleção natural econômica forçariam esse tipo de negócio a fechar ou começar a seguir as regras e melhorar seus produtos e serviços.
  • Gustavo  10/12/2016 04:35
    Eu sempre argumento com meus amigos isso.
  • JOSE F F OLIVEIRA [Dede de Tony Oliveira]  12/12/2016 11:40
    São artigos MARAVILHOSOS.Parabéns a todos.Sem vocês os ATOS e FATOS do BRASIL e do MUNDO ficariam trancafiados.E sim APONTAM O LIMIAR do AMANHÃ LIVRE DESSES " Doutores do ESTADO e seus asseclas " e um JUSTO/NECESSÁRIO/MERECIDO jus um " LIVRE MERCADO " para todos. Meus afetuosos parabéns.
  • Vanderlei ferreira  12/12/2016 16:34
    Excelentes textos e comentários. Me dão argumentos para rebater embustes comunistas.
  • Will  12/12/2016 20:00
    Realmente, como muitos disseram, os depoimentos são muito comoventes.
    Recentemente vi um vídeo de um vendedor ambulante, secando as próprias lágrimas com os seus panos de chão que estava vendendo, após a polícia confiscar seu carrinho com todo o material.
    É muito triste ver essas cenas. Um trabalhador tratado como bandido. Boicote total ao Estado!
  • Caio Prado  14/12/2016 01:17
    A economia do mercado negro em uma página: www.mises.org.br/Article.aspx?id=700
  • Emerson Luis  14/12/2016 23:21

    Além de todos os transtornos, frustrações e ansiedade que as pessoas no mercado de trabalho informal passam por causa da burocracia, também há o estigma de loser que eles (e terceiros) são induzidos a acreditar que os informais merecem.

    * * *
  • Emerson Luis  14/12/2016 23:25

    Dos 20 milhões de desempregados, quantos poderiam estar gerando riqueza para si mesmos e para a "sociedade" se não houvesse toda essa burocracia e taxação que dificultam o empreendedorismo e impedem muitos de trabalhar e ter uma renda razoável?

    * * *
  • Lel  15/12/2016 10:31
    Pura verdade, Emerson.
  • Kek  17/12/2016 13:00
    Políticos e Sindicatos de terceiro mundo são muito, mas muito burros.
    Ao invés de copiarem as sociais-democracias que possuem o mercado extremamente desregulado e altos impostos pros burocratas, querem ficar criando leis e direitos trabalhistas inúteis que podem ser um tiro pela culatra pra sua popularidade e reeleição.


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