A teoria explica e a empiria comprova: a inflação leva a um aumento do desemprego
E o cenário político amplifica e piora essa relação

Um dos mais discutidos tópicos da macroeconomia moderna é o suposto trade-off entre inflação de preços e desemprego: a ideia é que quando há mais inflação, há uma queda no desemprego; e quando há uma redução na inflação, há um aumento no desemprego.

A curva de Phillips se tornou, de certa maneira, o esteio da política monetária moderna desde a década de 1960, quando os ganhadores do Nobel Paul Samuelson e Robert Solow apresentaram a curva como se ela fosse um "cardápio" de escolhas politicamente exploráveis: ou você tem inflação de preços alta e baixo desemprego, ou você tem inflação de preços baixa e alto desemprego, ou você fica com uma escolha do meio, entre esses dois extremos.

Bem assim, à la carte.

Os economistas Milton Friedman e Edmund Phelps contestaram essa interpretação ingênua, de modo que, desde então, essa contestação adquiriu tração e se estabeleceu firmemente no cenário do debate público.  Friedman e Phelps explicaram que esse dilema entre inflação e desemprego era apenas um fenômeno de curto prazo: quando políticas monetárias expansionistas — juros artificialmente baixos e crédito farto — geram uma inesperada inflação de preços, o emprego pode ser estimulado apenas se os salários aumentarem mais lentamente do que todos os outros preços da economia.

Nesse caso, os custos relativos da mão-de-obra diminuem — enquanto as receitas das empresas ainda estão aumentando — e mais pessoas podem ser empregadas como consequência.

No longo prazo, no entanto, à medida que as expectativas quanto à inflação futura vão se ajustando — fazendo com que trabalhadores e sindicatos exijam reajustes salariais de acordo com as taxas de inflação —, o efeito positivo da inflação sobre o desemprego deixa de existir.

A verdade é que Friedman e Phelps, longe de terem feito uma grande descoberta, simplesmente ressuscitaram uma visão que havia predominado no debate econômico durante um longo período: a ideia de que o desemprego é um fenômeno que, em última instância, depende de fatores econômicos reais, como o ambiente político e institucional, especialmente em relação ao mercado de trabalho. O próprio Ludwig von Mises também tinha essa visão, sendo que ele apropriadamente rotulava um aumento prolongado no desemprego de desemprego institucional

Friedman e Phelps, no entanto, não negavam os possíveis efeitos positivos de curto prazo da política monetária. Só que essa concessão deles gerava um inevitável problema fundamental: se pensarmos que o longo prazo é apenas uma sequência de consecutivos curtos prazos, e se assumirmos que é possível haver consequências positivas no curto prazo, então evidentemente temos de concluir que haverá melhorias também no longo prazo.

Mais ainda: dado que ambos diziam que políticas monetárias expansionistas possuem um efeito neutro no longo prazo — e geram efeitos positivos no curto prazo —, então, pela lógica, ambos deveriam concluir que o efeito final de uma política monetária expansionista será benéfico. Afinal, tem-se um efeito positivo no curto prazo e neutro no longo prazo.

A questão, portanto, é: será que políticas monetárias expansionistas realmente são neutras no longo prazo?

Há boas razões para se duvidar disso.

As consequências da inflação sobre o desemprego no longo prazo

O interessante é que foi o próprio Friedman, em seu discurso ao receber o Nobel de economia, quem demonstrou algum descontentamento com suas obras anteriores sobre inflação de preços e desemprego. Ele disse que as pesquisas sobre a validade da curva de Phillips teriam de entrar em uma terceira fase, na qual um elo positivo entre inflação e desemprego teria de ser explorado. Ele também enfatizou que o processo político também teria de ser incorporado na análise.

Esse projeto de pesquisa, no entanto, não foi levado adiante.

Mas os dados empíricos também fornecem motivos para crer que há um elo positivo entre a inflação de preços e o desemprego de longo prazo. A série temporal suavizada para Alemanha, França, Reino Unido e EUA, durante a segunda metade do século XX (quando as políticas monetárias destes países eram "normais", ao contrário de hoje), mostram o mesmo padrão: primeiro a inflação de preços aumenta; depois, com um atraso, a taxa de desemprego também sobe.

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Nota do editor:

No Brasil, o mesmo fenômeno pode ser observado de maneira ainda mais evidente.

Como os dados para o desemprego da PNAD contínua só começaram a ser divulgados em janeiro de 2012, temos uma série temporal bem menor. Mas o suficiente para notar algumas correlações:

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IPCA acumulado em 12 meses a partir de 2012

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Evolução da taxa de desemprego mensurada pela PNAD. (Os dados disponíveis começam apenas em 2012)

A explicação de por que um aumento da inflação acaba por levar a um aumento do desemprego é direta: quando um empreendedor faz um investimento voltado para o longo prazo, o mínimo que ele tem de saber é como será o poder de compra da moeda no futuro. Sem isso, se ele não tem ideia de quanto valerá a moeda lá no futuro, ele não consegue estimar quais serão são custos e suas receitas.  Consequentemente, não conseguirá nem sequer estimar se terá lucro ou prejuízo. 

Planejar para o longo prazo tendo em mente uma inflação futura de 3% ao ano é totalmente diferente de planejar tendo em mente uma inflação futura de 10% ao ano.  Os tipos de investimentos que são lucrativos em cada um desses cenários são totalmente distintos.

Se você prevê uma inflação continuamente alta no futuro, então você irá se concentrar em projetos de curto prazo; projetos que visam ao futuro mais imediato.  Você não irá fabricar máquinas e equipamentos; não irá ampliar suas instalações industriais.  Você irá se dedicar a fabricar pirulitos e chicletes, que dão retorno mais imediato.  Com inflação em alta, fazer investimento de longo prazo torna-se extremamente arriscado. 

No mais, nesse cenário, a maior preocupação de investidores e empreendedores passa a ser a de se proteger da perda do poder de compra da moeda.  Torna-se mais sensato dedicar mais tempo especulando no mercado financeiro e comprando títulos do governo indexados pela inflação.  Consequentemente, os investimentos caem; e com investimentos em queda, o desemprego sobe.

Inflação de preços em alta, portanto, inibe investimentos produtivos e, com isso, afeta o crescimento econômico e, consequentemente, o emprego.

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Evolução da formação bruta de capital fixo no Brasil. Os investimentos estão em contração desde o segundo trimestre de 2013

Acreditar que inflação estimula o emprego é o equivalente a dizer: "Puxa, ano que vem meu custo de vida estará 10% maior.  Exatamente por isso vou contratar uma faxineira, uma cozinheira, um motorista e um professor particular para meus filhos".

Tem lógica?

Toda a relação entre expansão do crédito, atividade econômica e desemprego para o Brasil foi explicitada em detalhes neste artigo.

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As instituições políticas mudam em decorrência da inflação

No entanto, mesmo que uma alta inflação gerada por uma política monetária expansionista culmine em um alto desemprego, ainda assim não é possível deduzir que haja uma conexão inevitável entre inflação alta hoje e um alto desemprego permanente.

Mesmo uma profunda crise econômica irá acabar em um determinado momento, de modo que o desemprego, em tese, teria de voltar ao nível anterior. Sendo assim, a pura teoria econômica, embora seja capaz de explicar a relação entre inflação e desemprego para um determinado período de tempo, não basta para explicar a permanência de um desemprego alto por um longo período de tempo.

Para isso, é necessário recorrermos a uma teoria política. Mais especificamente, a uma teoria sobre como as instituições políticas reagem a um aumento do desemprego.

Quando uma política econômica culmina em um aumento do desemprego — aumentando, por conseguinte, a disparidade de renda e a divisão social entre pobres e ricos —, políticos se vêem compelidos a remediar esse estrago. Logo, as consequências não-previstas de uma expansão monetária inflacionista — ou seja, o desemprego e a disparidade de renda — criam incentivos para novas intervenções políticas na economia.

Especificamente, para tentar remediar o problema do desemprego e as disparidades sociais criadas por ele, políticos intensificam programas sociais, como seguro-desemprego e abono salarial, e também aumentam impostos (majoritariamente para financiar os maiores gastos sociais do governo).

Adicionalmente, novas e mais intrusivas regulamentações no mercado de trabalho — visando a proteger os empregos remanescentes — são implantadas.  Aumento do salário mínimo e programas de proteção ao emprego são os exemplos mais comuns.

Essas medidas bem-intencionadas geram, obviamente, múltiplos efeitos. Porém, no que diz respeito ao nível geral do emprego, elas são danosas. Aumentar os custos (aumento do salário mínimo), as responsabilidades e as obrigações dos empregadores em relação aos seus empregados diminui os incentivos para se contratar mais pessoas. Isso é uma relação óbvia: se algo ficou mais caro (contratar pessoas), então uma menor quantidade desse algo será demandada.

É impossível criar mais emprego quando se adotam políticas que visam exatamente a onerar o empregador.

Adicionalmente, mais gastos sociais, especialmente com seguro-desemprego, podem desestimular pessoas a ativamente procurarem algum emprego.

Todas essas medidas, em conjunto, acabam por aumentar a desocupação.

Assim, acrescentando uma análise política à análise econômica, e seguindo-se a tese de Ludwig von Mises sobre a espiral intervencionista — o governo recorre a novas intervenções para tentar remediar os efeitos negativos das intervenções anteriores — , torna-se possível explicar o elo entre inflação de preços e desemprego de longo prazo.

Conclusão

A expansão monetária e do crédito, estimulada pelo governo com o intuito de aumentar a atividade econômica, gera inflação de preços. Inflação de preços causa desarranjos na economia, como redução da previsibilidade e aumento da desconfiança dos investidores. Tudo isso gera redução nos investimentos. Redução nos investimentos gera aumento do desemprego. E aumento do desemprego gera aumentos dos gastos sociais do governo, bem como novas intervenções no mercado de trabalho, as quais encarecem artificialmente a mão-de-obra.

Foi a intervenção inicial do governo — redução artificial dos juros para estimular a expansão do crédito — o que causou a inflação de preços. E foram as novas intervenções do governo para remediar as consequências não-previstas da expansão do crédito — o desemprego — o que tornou o mercado de trabalho menos flexível, levando ao desemprego institucional.

No entanto, a relação entre as duas variáveis — inflação de preços e aumento do desemprego no longo prazo — não é nem direta e nem necessária, mas sim historicamente casual. Não se trata de um postulado a priori da teoria econômica.

Como corretamente sugeriu Milton Friedman, a relação é dependente das decisões políticas. E cabe à política aboli-la.

 

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SOBRE O AUTOR

Karl-Friedrich Israel
é professor na Universidade de Angers, na França, e está fazendo seu Ph.D. sob a direção de Jorg Guido Hülsmann.




O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • saoPaulo  07/11/2016 15:22
    A curva de Phillips se tornou, de certa maneira, o esteio da política monetária moderna desde a década de 1960, quando os ganhadores do Nobel Paul Samuelson e Robert Solow apresentaram a curva como se ela fosse um "cardápio" de escolhas politicamente exploráveis: ou você tem inflação de preços alta e baixo desemprego, ou você tem inflação de preços baixa e alto desemprego, ou você fica com uma escolha do meio, entre esses dois extremos.

    Acreditar que inflação estimula o emprego é o equivalente a dizer: "Puxa, ano que vem meu custo de vida estará 10% maior. Exatamente por isso vou contratar uma faxineira, uma cozinheira, um motorista e um professor particular para meus filhos".

    Tem lógica?


    É isso mesmo? Uma tese popularizada por dois ganhadores de Nobel pode ser desmentida de tal forma que até um estudante secundarista pode entender?
    Algum economista de verdade poderia me responder estas perguntas?
    Como podem teses tão furadas serem aceitas pelo mainstream econômico? Por acadêmicos que, teoricamente, deveriam ser especialistas nesta área!
    É seguro dizer que a maioria dos economistas atuais não passa de astrólogos, pseudo cientistas, salvo honrosas exceções?
    Entendo que acadêmicos tendem a defender políticas a favor de planejamento central e controles governamentais, mas por que eles não são ridicularizados na academia por defenderem teorias tão estapafúrdias? A academia é tão ineficiente assim para se livrar das maçãs podres, das ideias erradas?
    Quais os principais obstáculos para a adoção de análises praxeológicas em detrimento de torturas estatísticas?
  • Andre  07/11/2016 16:43
    Quem você acha que paga as contas da academia? Ela fará os estudos que seu provedor disser que devem ser feitos.
  • Marcos  07/11/2016 16:48
    Sim. Vale lembrar que esse Paul Samuelson foi o mesmo que, em pleno ano de 1989, escreveu um livro dizendo que a URSS estava pestes a ultrapassar a economia americana. Alguns meses depois, bum!, a economia soviética colapsou.

    Disse ele à época: "A economia soviética é a prova cabal de que, contrariamente àquilo em que muitos céticos haviam prematuramente acreditado, uma economia planificada socialista pode não apenas funcionar, como também prosperar."

    A curva de Phillips em si já foi desacreditada em meados da década de 1970, quando vários países desenvolvidos experimentaram inflação acelerada e aumento do desemprego ao mesmo tempo. Apenas keynesianos ortodoxos saudosistas (a maioria deles vive no brasil) gostam de tentar, uma vez a cada 10 anos, ressuscitar essa coisa.

    Sobre o porquê de defenderem essa coisa esquina, a explicação está na mentalidade keynesianos: o keynesianismo é a teoria econômica favorita dos políticos simplesmente porque ela lhes concede um passe livre para fazer tudo aquilo que eles mais gostam de fazer: gastar dinheiro.


    O keynesianismo diz que os gastos do governo impulsionam a economia; que expandir o crédito (melhor ainda se for subsidiado) gera crescimento econômico; que os déficits do governo são a cura para uma economia em recessão; que inchar a máquina estatal, dando emprego para burocratas, é uma medida válida contra o desemprego (quem irá pagar?); que regulamentações, se feitas por keynesianos, são propícias a estimular o espírito animal dos empreendedores. E, obviamente, que austeridade é péssimo.

    Qual político resiste a isso?

    Conhecendo-se a volúpia do ser humano por poder e controle sobre a vida alheia, seria genuinamente um milagre caso tais idéias não prevalecessem no mundo atual. E é por isso que os intelectuais acadêmicos, sempre ávidos por agradar o regime (e sempre de olho em cargos públicos), irão defender essa teoria.

    Ademais, se você investiu toda a sua vida e toda a sua carreira acadêmica ou profissional defendendo teorias keynesianas, ou se a sua fé no estado é aquilo que dá sentido à sua vida, divorciar-se da economia keynesiana seria um choque e tanto.

    Essencialmente, portanto, desprovido de seu fundamento intelectual, o keynesianismo tornou-se pura e simplesmente a economia do poder, comprometida apenas em manter o establishment funcionando, em fazer ajustes marginais e em mimar ternamente a máquina governamental até a próxima eleição na esperança de que, ao ficar mexendo nos controles, alternando rapidamente entre o acelerador e o freio, alguma coisa vai funcionar — pelo menos o suficiente para preservar suas confortáveis posições por mais alguns anos.
  • SRV  07/11/2016 18:01
    Marcos,

    Fantástico comentário.
  • Iago Adriano  08/11/2016 11:08
    Vi esse comentário onde havia um discussão entre um defensor da Escola Austríaca e outro defensor do keynesianismo. "Em relação a seita de anti-economia austríaca por favor me dê o nome de UMA instituição acadêmica, governamental ou internacional que use praxeologia (ao invés de econometria), a teoria austríaca de ciclo de negócios, algum modelo qualquer que tenha sido inventado por Mises, Hayek e companhia? Me dê o nome de UM país capitalista da atualidade que aboliu seu banco central, voltou ao padrão-ouro, adotou moedas privadas? Me dê o nome de UM economista conceituado que se auto-denomine um austríaco? Pois é, não existe...o que tem é um clube de fanáticos reunidos na internet em torno de sites de conspiração austríaca...se achando melhor que economistas profissionais que ganharam prêmio Nobel!

    Em relação a UE, me explique, ponto por ponto, como que a crise foi causada pelo Keynesianismo? Por favor, exponha aqui o argumento (não só a afirmação furada) que eu facilmente explico pq vc está se deixando enganar."
  • Thiago  08/11/2016 11:23
    Sem problemas.

    Explicando a recessão européia

    A verdadeira tragédia grega foi o seu gasto público

    Os maiores descalabros gregos que servem de lição ao mundo - e por que não lamentar a situação

    Há outros trinta artigos sobre isso, mas como sei que ele não vai ler nem meio, vou passar apenas esses três.

    Quanto ao chilique dele, a única teoria econômica que a "academia" reconhece é exatamente aquela que levou as economias ao abismo, da Europa à América Latina, passando pelos EUA.

    Vá ver se a "academia", em algum momento, previu a crise financeira americana de 2008, como o fez a Escola Austríaca. Vá ver se a "academia" previu que as medidas aplicadas na Europa e nos EUA não impulsionariam em nada suas economias, como previu a EA.

    No dia em que a EA for aceita pela "academia", pode saber que é porque ela, a EA, foi deturpada. Uma teoria ser aceita pela academia, tornando-se mainstream, é um claro sinal de que ela está errada e que está ali apenas porque agrada a determinados interesses de determinada classe.

    O vídeo que alçou Peter Schiff à fama (com legendas em português)

    Nosso desastre começa nas faculdades e universidades de economia

    Como ocorreu a crise financeira americana

    O que os economistas neoclássicos têm em comum com o marxismo e com os socialistas utópicos

    A importância de manter-se firme aos seus princípios - Mises e seu crescente legado

    Quanto mais o keynesianismo fracassa, mais ele é ressuscitado sob novas promessas de prosperidade
  • Marciano  08/11/2016 13:20
    O argumento dele é um apelo a autoridade, uma falácia lógica, comumente usada por quem não tem capacidade de refutar uma ideia.

    Na verdade o que ele diz não tem nada de novo, praticamente todos os opositores da escola austríaca utilizam esse tipo de argumentação, até porque só alguns conseguem formular algo critico as ideias austríacas.


  • saoPaulo  08/11/2016 15:18
    Sim, como eu havia escrito no meu comentário, sei que acadêmicos têm essas tendências apontadas.
    Mas todos?
    Mises era um acadêmico, Hayek era um acadêmico. Friedman, Sowell, e até mesmo o Professor Ubiratan foram/são acadêmicos. É possível que, dentre todos os milhares de estudantes de economia, a vasta maioria tenha este viés estatista? Afinal, sendo economia uma ciência, uma hora ou outra a verdade deveria prevalecer sobre os embusteiros, certo?
    Não deveria haver um Nobel esperando o economista que provar Keynes errado (como o próprio IMB provou tantas vezes)?
    Claro que, como todos os outros seres humanos, economistas têm seus viés -- alianças com políticos, teimosia ao defender um ponto por toda sua vida que se mostra falso -- mas por que não se vê tanta corrupção nas ditas hard sciences? Não seria um problema mais profundo, algo na metodologia usada?
    Simplesmente afirmar que são todos ligados ao governo e, portanto, embusteiros, me soa como teoria da conspiração. Até por termos exemplos em contrário como Leandro e companhia (não sei se o Leandro faz algum trabalho como acadêmico, mas com certeza ele se formou em economia). A mim parece mais provável um erro metodológico, que eles realmente acreditam que o governo possa melhorar o mercado.
    Sendo assim, quais as ressalvas deles com relação ao método austríaco? Praxeologia? Ausência de cálculos matemáticos avançados? Ausência de modelos de conhecimento perfeito e estático?
    Não entra na minha cabeça como um grupo de milhares de "cientistas" possam defender, por exemplo, o trade-off emprego-inflação, mesmo este tendo se revelado uma farsa na prática em tantas ocasiões!
  • Solstafir!  07/11/2016 19:44
    Vou adicionar ao comentário do Marcos o fato que a excessiva matematização da Economia no Mainstream faz com que as pessoas percam de vista os preceitos que estão por trás dos modelos, fora que a busca pela "previsibilidade" faz com que as hipóteses sejam pouco relevantes, ou seja, o trabalho acadêmico acaba por se tornar um trabalho de exercício formal matemático e adequação da teoria ao formalismo e a suposta previsibilidade do modelo. Resumindo, é a negação da teoria econômica disfarçada de teoria econômica.

    ps: Não sou adversário ferrenho da matemática na economia nem de modelos, acho que são ferramentas úteis de exposição desde que elas se mantenham como ferramentas e não transforme a matéria a qual ela pretende auxiliar em um ramo da própria matemática.
  • Vinicius  07/11/2016 15:24
    Com tamanho desemprego, estamos prestes a ver uma correção salarial brutal no mercado de trabalho, com muita disponibilidade de mão de obra qualificada e barata e alguma recuperação econômica, será a vez das empresas surfarem a onda de baixos salários.
  • Capitalista Keynes  07/11/2016 16:10
    Tenho ideias contrárias as esses site, mas não se pode negar que o Estado não pode maquiar o que a matemática mostra ...não há milagres...estimular crédito é ilusão ,aumenta drasticamente o endividamento das famílias que em um certo ponto não podem mais consumir ,aí o consumo cai,a indústria não produz pois não há mais consumo,e volta tudo como antes...desemprego. Parece cachorro correndo atrás do próprio rabo.
  • Renato Arcon Gaio  07/11/2016 17:27
    Você foi correto até certo ponto de sua análise, depois errou feio, não é o consumo que gera produção e sim o contrário, só vou consumir algo se alguém produziu e assim vai em efeito cascata, o mercado livre funciona assim. Mas Keynes com sua "imensa sabedoria" corrompeu o processo e estamos sofrendo até os dias atuais.

    Abraços
  • Solstafir!  07/11/2016 19:47
    Keynesianos continuam sem saber a diferença entre desejos e demanda "efetiva". Ninguém consome algo que não foi produzido. A demanda no sentido dos desejos é virtualmente infinita pois o ser humano está sempre insatisfeito. O problema é atender à essa demanda.
  • Capital Imoral  07/11/2016 16:22
    Só existe inflação porque o dinheiro existe.
    Só existe dinheiro porque existe trocas do capital.
    Só existe trocas do capital porque o homem quer trabalhar.
    Só existe emprego porque o capitalismo existe.
    Só existe capitalismo, Porque o homem se deixa escravizar, ao que ele julga troca voluntária.

    Tudo no fundo trata-se de manter o homem viciado em seus prazeres de compra, para que ele ache moral este sistema.
    Mas todos sabemos a troca voluntária é imoral, pois não foi devidamente julgada por seres que sabem mais do nós.

    Em um mundo livre, não existiria dinheiro.
    Em um mundo livre, não existiria emprego.
    Em um mundo livre, não existiria capitalismo.
    Só não existe capitalismo, porque o homem se deixou vencer pelos seus vícios.

    O homem escolheu a garrafa de coca-cola em vez da leitura de um poema.
  • anônimo  07/11/2016 17:02
    "Só existe inflação porque o dinheiro existe"
    parei de ler por aqui!
  • Capital Imoral  07/11/2016 18:33
    È necessário ser contestado essa "taxa de desocupação". Um homem ele pode ser um filosofo, escritor, poeta, pianista, e não ter um trabalho formal como o capital quer.
    Se houver no Brasil 10 milhões de filósofos, ótimo.
  • Henrique Zucatelli  07/11/2016 19:02
    Seguindo essa linha de raciocínio, só existe comunismo porque existe capitalismo.

    Durmam com essa e tenham uma ótima tarde. Fui.
  • tales  07/11/2016 18:05
    Por mais frases como essa - "O homem escolheu a garrafa de coca-cola em vez da leitura de um poema"
    E menos frases como essa - "Mas todos sabemos a troca voluntária é imoral, pois não foi devidamente julgada por seres que sabem mais do nós. "
    Crítica construtiva. Continue com o bom trabalho.
  • João Paulo  07/11/2016 18:16
    Os dias em que nosso amigo Capital Imoral não aparece com suas piadas são tão tristes. Engraçado é que ele deve ficar a manhã toda de prontidão esperando o artigo do dia sair para ser o primeiro a comentar. Pessoal, jamais levem nosso amigo a sério.
  • Arthur M Meskelis  07/11/2016 22:02
    Ao Capital Imoral...

    "Só existe inflação porque o dinheiro existe."
    Quase. Existe inflação de preços porque o volume de dinheiro é manipulado via inflação monetária (aumento de moeda corrente) pelo Estado. Daí, a lei de oferta e demanda entra em operação e tudo fica mais caro, logo inflação de preços.

    "Só existe dinheiro porque existe trocas do capital."
    Quase. O dinheiro, além de facilitar a troca serve também como reserva de valor e mensurador de valor. Numa sociedade sem dinheiro é difícil poupar, sem poupança é difícil investir, sem investimento é duro melhorar a qualidade de vida.

    "Só existe trocas do capital porque o homem quer trabalhar."
    O homem não quer trabalhar. Ele quer melhorar a condição de vida e para isso ele tem que trabalhar. Seja plantando, colhendo, cortando árvores, minerando ferro, carvão, produzindo chapas de aço, desenvolvendo métodos, tecnologia, descobrindo químicos, planejando fábricas, siderúrgicas, construindo caminhões, termoelétricas, estudando conceito de juros, descobrindo quem pode oferecer mais pelo dinheiro que alguém tem, construindo escolas, creches, ensinando professores, mecanizando a produção, trabalhando menos a cada geração.

    "Só existe emprego porque o capitalismo existe."
    Exato. Caso contrário existe escravidão ou servidão.

    "Só existe capitalismo, Porque o homem se deixa escravizar, ao que ele julga troca voluntária."
    Não. O capitalismo é a coordenação interpessoal da sociedade humana para preservação da dignidade, do trabalho em equipe e do bem geral de todos. Antes do capitalismo havia escravidão, servidão. O dono de pessoas era detentor de tudo e mais um pouco. "FUCK". No capitalismo as pessoas são libertas para se organizarem da melhor forma possível em busca da melhoria de vida de cada um. Cada qual tendo direito a sua parte, definida de forma orgânica, inconsciente.

    "Tudo no fundo trata-se de manter o homem viciado em seus prazeres de compra, para que ele ache moral este sistema."
    O que é a compra ? A compra é a relação entre dois seres humanos, o vendedor e o comprador. O vendedor trabalha para lhe oferecer valor, algo que ele julga que irá agradar você. Se você não se sente agradado pelo que é oferecido pelo vendedor, não compre. Enfim, o capitalismo é democrático.

    "Mas todos sabemos a troca voluntária é imoral, pois não foi devidamente julgada por seres que sabem mais do nós."
    Mas se ela precisa ser julgada por seres que sabem mais do que nós, como saber se eles já não julgaram e essa foi a melhor opção deles ?

    "Em um mundo livre, não existiria dinheiro.
    Em um mundo livre, não existiria emprego.
    Em um mundo livre, não existiria capitalismo."
    Em um mundo livre as pessoas se organizariam da forma que elas achassem melhor. Se elas achassem que estariam melhor com algo que nós hoje denominamos "dinheiro/emprego/capitalismo", elas o fariam. Pois afinal, elas seriam livres.

    "Só não existe capitalismo, porque o homem se deixou vencer pelos seus vícios."
    Serei sincero. Nâo entendi.

    "O homem escolheu a garrafa de coca-cola em vez da leitura de um poema."
    E enfim, como todo esquerdista sem argumentos, resta-lhe a emoção. Não há dados, informação. Somente emoção, sentimentos.
  • Silvio Vasconcelos  07/11/2016 17:52
    A famosa crença na Curva de Phillips clássica: ruim não é ter gente que acredita nisso; ruim é ter entregue a economia a pessoas com essa crença.
  • Paulo Henrique  07/11/2016 18:26
    A diferença crucial, acredito eu, é que no Brasil o mercado de trabalho já era engessado, bastava uma crise, onde os salários caem e o desemprego pode subir, para termos um desemprego mais persistente. Impingir maiores salários mínimos ou colocar mais leis trabalhistas não teria espaço, já foi ocupado.

    Simplesmente não da pra culpar a ''desregulamentação do trabalho'' pelo desemprego.

    Seria interessante ver a velocidade de recuperação do emprego em locais onde a fiscalização é mais forte, e em outros, onde ela é em partes ignorada. Por mais que exista CLT- Carteira assinada, etc.. Acho que só uma parte (que desconheço), no país, segue ela
  • Republica de Curitiba  07/11/2016 18:31
    Srs.,

    Existem dados que mostram que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) simplesmente saltou durante os ultimos 4 anos, mesmo com fortes indícios de crise a partir de 2013.
    O que explicaria isso?
    www.dci.com.br/economia/-investimento-estrangeiro-direto-no-brasil-pode-superar-a-previsao-do-bc--id542956.html

  • Cláudio   07/11/2016 19:59
    Não é bem assim:

    www.bbc.com/portuguese/internacional-36580916

    Para a série histórica, clique em 10Y:

    www.tradingeconomics.com/brazil/foreign-direct-investment

    Mesmo com toda a liquidez mundial, com juros zero nos países desenvolvidos, ainda assim o Brasil nada atraiu de IED adicional.
  • Republica de Curitiba  08/11/2016 10:37
    Mas o que explicaria o crescimento do IED pós 2010?

    Crise Mundial? Fuga de Investimentos de Países Desenvolvidos para Sub?
  • Leandro  08/11/2016 11:28
    Tudo isso. E mais duas coisas:

    1) liquidez excessiva nos países desenvolvidos em troca de juro zero;

    2) falta de perspectiva de crescimento econômico por lá (e, à época, a América Latina ia artificialmente bem).

    Era natural que boa parte viesse para cá. Aliás, veio até pouco. O Brasil havia crescido 7,5% em 2010 e era previsto 4% para 2011, 2012 e 2013.
  • Republica de Curitiba  08/11/2016 17:06
    Leandro,

    Perfeito.
    Se me permite, apenas uma pergunta (o mainstream torna extremamente difícil o acesso a informações relevantes a leigos como eu que não conhecem os caminhos):

    Como vocês avaliam a liquidez dos países?
  • Infiliz  07/11/2016 19:17
    o trecho "Torna-se mais sensato dedicar mais tempo especulando no mercado financeiro e comprando títulos do governo indexados pela inflação. Consequentemente, os investimentos caem; e com investimentos em queda, o desemprego sobe" me levanta uma dúvida:
    Quando o mercado financeiro é atrativo não dá pra imaginar que 100% dos recursos irão apenas pro governo e especulações. Esse influxo de $$ no setor não seria um investimento tb? Afinal se as empresas e os empresários estão captando recursos eles irão produzir.
  • João Pedro  07/11/2016 21:18
    Sei que não tem necessariamente a ver com o tópico do artigo(excelente por sinal) e peço desculpas de antemão, mas gostaria de deixar minha sugestão aqui, acho que seria muito legal um artigo explicando, por exemplo, a crise no RJ, eu moro aqui no Rio e não to entendendo nada de porquê o estado não tem dinheiro pra pagar mais nada, se aqui não tem dinheiro porque o resto dos estados ainda tem? Conheço o site há pouco tempo, alguém pode me dar sugestões de leitura pra entender melhor esse momento? Obrigado.
  • Auxiliar  07/11/2016 22:01
    Pergunta importante.

    Foi explicado neste artigo (linkado no texto acima, por sinal):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2466
  • João Pedro  08/11/2016 02:59
    Já li esse artigo e não entendi a relação com a minha pergunta, se o processo foi no país inteiro porque só o Rio está como está? Mas obrigado.
  • Leandro  08/11/2016 11:29
    Não é só o Rio. Vários estados estão assim. No RS, os funcionários públicos estão recebendo salário parcelado. Falam que em MG, até o final do ano, ocorrerá o mesmo. Os governadores do Nordeste já fizeram uma peregrinação a Brasília para passar o chapéu. O problema é nacional.

    O fato é: durante a expansão do crédito, quando a quantidade de dinheiro na economia aumentava continuamente, a arrecadação dos governos estaduais não parava de subir. Consequentemente, os governadores não paravam de criar novos gastos. Era uma farra que foi vista como perpétua.

    Agora que a oferta monetária estancou, o aumento previsto das receitas não ocorreu. Na verdade, pelos motivos explicados no artigo, as receitas estão caindo. Mas os gastos contratados continuaram subindo.

    Gastos em ascensão e receitas caindo -- é claro que a conta não vai fechar.

    O RJ teve o problema adicional da lambança feita na Petrobras, o que reduziu bastante as receitas do estado com a extração de petróleo. Mas, mesmo que a Petrobras estivesse supimpa, a situação do estado continuaria calamitosa. Um pouquinho melhor do que é hoje, mas calamitosa.

    Lição: é impossível brigar contra as leis da economia.
  • Andre  08/11/2016 12:43
    Todo castigo pra funça carioca é pouco, tomara que o Pezão não consiga aprovar o pacote de medidas anticrise na assembléia e dê calote nesses parasitas.
  • João Pedro  08/11/2016 13:02
    Agora ficou mais claro, obrigado.
  • Murdoch  08/11/2016 14:34
    A farra no RJ foi ainda maior, por causa dos royalties do petróleo. O Cabral e o Pezão não tinham qualquer consciência que uma hora o petróleo poderia cair. Fora os gastos como helicóptero para a babá e outras despesas inúteis.
  • Emerson Luis  15/11/2016 16:27

    "O Cabral e o Pezão não tinham qualquer consciência que uma hora o petróleo poderia cair."

    Pobrezinhos, tão cheios de boas intenções, mas são ingênuos e idealistas demais!

    Ou será que eles sabiam, mas não tinham qualquer consciência moral para se importarem?

    * * *
  • Cleiton Souza  07/11/2016 22:50
    Tem que mudar essa constituição socialista para uma que o estado seja mínimo somente segurança para o estado manter, as demais áreas tudo privatizado!
  • Aluno Austríaco  08/11/2016 02:02
    O artigo é excelente, mas não podemos esquecer do mundo real.

    A realidade mostra que muitos empresários exigem proteção, o povo quer crédito, os partidos querem doações de lobistas, o povo quer usar o dinheiro do governo, os políticos precisam mentir, a mídia precisa ganhar dinheiro do governo, as pessoas sempre irão defender seu trabalho, as pessoas querem bolsas, os estudantes querem universidades, os policiais querem prender bandidos, etc. A vida em sociedade virou uma disputa de interesses privados, populistas e generalistas.

    A vida real mostra devemos sabotar tudo que está ligado ao governo. O governo é o maior destruidor da igualdade perante as leis, oferecendo todas as tetas e mamatas possíveis, como se fosse a maior máfia do mundo. A vida real criou uma máfia governamental para atender interesses.

    Enfim, não use a moeda do governo !!!!!!!!!!!!
  • Nícolas  10/11/2016 13:46
    "O artigo é excelente, mas não podemos esquecer do mundo real."

    "A realidade mostra que muitos empresários exigem proteção, o povo quer crédito, os partidos querem doações de lobistas, o povo quer usar o dinheiro do governo, os políticos precisam mentir, a mídia precisa ganhar dinheiro do governo, as pessoas sempre irão defender seu trabalho, as pessoas querem bolsas, os estudantes querem universidades, os policiais querem prender bandidos, etc. A vida em sociedade virou uma disputa de interesses privados, populistas e generalistas."

    "A vida real mostra devemos sabotar tudo que está ligado ao governo. O governo é o maior destruidor da igualdade perante as leis, oferecendo todas as tetas e mamatas possíveis, como se fosse a maior máfia do mundo. A vida real criou uma máfia governamental para atender interesses."

    "Enfim, não use a moeda do governo !!!!!!!!!!!!"

    Há muitas coisas erradas aqui, principalmente o argumento ilógico em favor de uma anarquia caótica.
    Mas antes eu quero dizer uma coisa: Eu ainda tenho fé nas pessoas.
    Eu sei que elas são capazes de fazer o bem, de viverem em paz, harmonia, com boas condições de vida sem ter que ficarem traindo uma à outra, que elas são capazes de criar um mundo maior e mais próspero que o anterior; e eu sei disso porque nós já fizemos isso.
    Nós criamos sociedades, desenvolvemos tecnologias, dominamos grande parte da natureza e projetamos metodologias para sobreviver as crises que não conseguimos evitar.
    Nossa espécie cresceu e se fortificou a ponto de termos a opção de sermos caridosos solidários. Mesmo quando não sabemos o que a outra pessoa está pensando, nós somos capazes de criar laços de confiança. Nós somos capazes de tornar situações em que apenas um competidor pode vencer em uma em que todos vencem. Fomos de vencer doenças, guerras, fomes; e só não vencemos a morte porque ela é inevitável.
    é verdade que nem todos venceram, mas a vida não é justa e reclamar não adianta. "Do suor do teu rosto comeras o pão e será feliz e próspero" e também:"do suor do teu rosto comeras o teu pão e a terra retornaras". Nós não precisamos ser corruptos, mas a outra é o trabalho duro e o sacrifício. E digo sacrifício, e não 'auto'-sacrifício, pois o único sacrifício a que se tem direito é o de si mesmo, seu tempo, seu trabalho, seu suor, seu sangue e suas lagrimas.
    Nós podemos, sim, contornar esta situação. Devemos buscar o trabalho, a dedicação, a nobreza de espirito a iluminação da mente e a pureza da alma. devemos entender o mundo dos homens, respeitar as leis dos homens, acreditar na força dos homens.
    A sociedade que criamos, a economia que criamos, nossas filosofias, religiões, aspirações e sonhos:estas são as coisas pelas quais vale a pena lutar.
    Não sabote o governo, não deixe de usar sua moeda. Não destrua aquilo que criamos, mas corrija aquilo que criamos: lute contra a corrupção trazida por aqueles que cultuam a inveja e desmotivam o nobre homem trabalhador, que precisa trazer o sustento de sua família. Mostre aqueles que acreditam que é perdoável viver as custas dos outros o erro de seu caminho, mostre a eles o esforço que precisamos empregar para chegar até aqui.
    Criamos a democracia e o capitalismo liberal conservador para atingir a sinergia nas nossas relações, e não podemos desistir tão facilmente.
  • Thiago   08/11/2016 11:16
    Não acho que sejam totalmente inválidas as constatações no âmbito da curva de Phillips. Ela tem dificuldades, sim, para explicar fenômenos como a estagflação (assim como Keynes também não tem resposta pra isso). Mas e o que dizer das modificações da curva de Phillips? E a Lei de Okun? E a função de demanda agregada que relaciona, ao invés de inflação e desemprego, a taxa de crescimento da moeda com o desvio do desemprego de sua taxa natural? Essas modificações não invalidam totalmente a curva de Phillips, pelo menos em sua relação básica. Não dá pra bater tanto assim na teoria, a ponto de fazê-la parecer uma coisa idiota e inválida. Ela tem seu mérito.
  • O MESMO de SEMPRE  08/11/2016 11:25
    Demorei a encontrar uma explicação bem simples para o desemprego quando há INFLAÇÃO de MOEDA com consequente INFLAÇÃO de PREÇOS.

    Primeiramente temos que perceber que a "fabricação" de dinheiro por um agente qualquer tem como consequência o mero CONSUMO sem nenhuma contrapartida. Ou seja, se alguém "fabrica" dinheiro, este alguém irá CONSUMIR sem DAR NADA EM TROCA. Logo, "fabricar" dinheiro é o mesmo que ROUBAR bens e serviços oferecidos no mercado.

    Afinal, o dinheiro não é um bem e tão pouco seu valor é o que esta estampado em sua face. Sim, o único valor do dinheiro é o "serviço" que este presta na FACILITAÇÃO das TROCAS entre bens e serviços úteis. Portanto o dinheiro é mais um serviços do que um bem material. Assim, seu valor não está na sua matéria, mas no serviço que presta diretamente. Ninguém quer dinheiro para comer, morar em baixo ou andar em cima; apenas o deseja para TROCA-LO por bens e serviços que deseja consumir. Percebemos assim que não se consome o dinheiro, mas apenas dele nos valemos para facilitar a troca pelo que EFETIVAMENTE DESEJAMOS CONSUMIR.

    Isso posto, não é dificil perceber que quando o governo "fabrica" dinheiro, o faz para consumir bens e serviços disponibilizados pela sociedade produtiva. Como todo o dinehiro nas mãos dos produtores é decorrente e correspondente àquilo que este produziu - bens e/ou serviços - teremos que haverá um equilibrio entre quantidade de dinheiro e quantidade de bens e serviços disponíveis para as trocas. Se alguém "fabrica" dinheiro estará oferecendo o dinheiro, em seu valor de face, em troca dos bens e serviços que deseja. Ou seja, esta EXPROPRIANDO os produtores através de um característico golpe de ESTELIONATO. Pois está oferecendo um dinheiro SEM LASTRO algum, que não foi obtido em troca de qualquer bem ou serviços disponibilizado, mas sim valendo-se de uma FRAUDE para obter bens e serviços. Como se oferecendo um dinheiro falso ou ilegal em troca de bens e serviços disponíveis para consumo.

    Sendo assim, percebemos que os detentores de moeda adquirida em trocas por bens e/ou serviços oferecidos terão sua capacidade de consumir diminuida por uma fraude: se recebedores de "dinheiro fabricado" fornecem bens e serviços em troca de um dinheiro que não corresponde a qualquer bem ou serviço trocado, É EVIDENTE QUE NÃO HAVERÁ BENS E SERVIÇOS ACRESCIDOS AO MERCADO e, desta forma, esse excedente de moeda irá sobrar no mercado. Ou seja, uma vez que o dinheiro circule vai FALTAR MERCADORIA para a quantidade de dinheiro em excesso. Daí que para não haver demanda sem oferta (mais dinheiro do que bens e serviços disponíveis) a tendência é que os preços subam para equilibrar a quantidade de moeda com a quantidade de consumíveis. Com isso os PRODUTORES que já trocaram seus bens e serviços por dinheiro não conseguirão consumir um valor correspondente à moeda recebia no momento da troca. Ou seja, será como se roubados em parte do montante de moeda recebido.

    Como o dinheiro "fabricado" e trocado faz com que os produtores que o recebem em troca do que produziram possam consumir menos no mercado, isso resulta em obter MENOS INSUMOS para sua produção. Evidentemente que uma menor produção acontecerá em decorrência disso e o ganho em escala será diminuído, podendo assim torna-se desprezível ou mesmo um prejuízo.

    Percebemos então uma contradição:
    - o exesso de dinheiro decorrente da introdução de dinheiro fabricado (falso e excedente) leva a uma demanda maior por bens e serviços de consumo final.
    - ao mesmo tempo reduz a capacidade dos produtores em adquirir bens de consumo e até mesmo insumos para sua produção.

    Tal fato é injusto, pois os consumidores ÚTEIS (que produzem para consumo) consumirão menos - terão sua renda diminuida pela escassez de bens e serviços para consumo - e até mesmo terão menor capacidade de adquirir insumos.

    A pressão no comércio pelo excesso de dinheiro leva a uma deficiência de oferta ou a elevação dos preços para tentar um equilibrio entre quantidade de moeda e de bens e serviços.

    Isso resolve a contradição. Pois esse aumento de preços (exigência de maior quiantidade de dinheiro em troca dos bens e serviços) repõe a capacidade de consumo dos produtores. A elevação de preços só se dá pelo excesso de moeda falsa (sem lastro) que permite consumo sem o fornecimento de uma contrapartida, mas jamais repõe integralmente as perdas dos produtores úteis. O que impede um correspondente aumento de produção não só pela escassez de tempo para investimentos darem seus frutos, mas também pela própria escassez de recursos para a aquisição dos insumos para investimento e produção.

    Ou seja, o excesso de moeda decorrente da fabricação de dinheiro eleva os preços para equilibrar a demanda com a oferta. Contudo, há também uma elevação de preços para a obtenção de recursos com a finalidade de adquirir insumos para investimento e produção.
    Ou seja, uma maior demanda de insumos para atender o aumento da demanda por bens e serviços - decorrente do excesso de moeda - ocorrendo em conjunto com a diminuição da capacidade de consumo dos produtores devido o consumo não oferecer contrapartida (lastro) em bens e serviços.

    O fato é que a fabricação de dinheiro cria consumidores que NADA PRODUZEM de ÚTIL e isso diminui a quantidade de bens disponíveis para os produtores: um empobrecimento da sociedade produtiva.

    Esse empobrecimento dos produtores em benefício de consumidores PARASÍTICOS (Estado/governo) resultará, após algum tempo de "fabricação" de dinheiro, em necessidade de REDUÇÃO da PRODUÇÃO a fim de permitir um aumento de preços capaz de REPOR as perdas dos produtores, então cada vez mais empobrecidos pelo consumo dos parasitas.

    Quanto mais dinheiro falso é fabricado pelo governo (Estado) mais pobres ficam os produtoresde bens e serviços úteis. Esse EMPOBRECIMENTO dos PRODUTORES implica em redução da produção com a finalidade de desvalorizar a moeda falsa em niveis que lhes permita consumir. É o CACHORRO CORRENDO ATRAS do RABO.

    O Estado não admite reduzir seu consumo individual e acaba por oferecer ainda menos bens e serviços à população produtiva. Esta, sociedade produtiva ÚTIL, tendo sido empobrecida em sua capacidade de consumo dos próprios bens e serviços se verá então ainda mais empobrecida pela menor oferta de bens e serviços por parte do estado. Com isso tende a tentar recuperar parte do que foi expropriado - via a fraude do dinheiro sem lastro - aumentando preços do que produz, mas como está demasiado empobrecida não é capaz de consumir e para não ver sobrar seus produtos passa a REDUZIR a PRODUÇÃO compatibilizando-a com a demanda.

    Parece contraditório, mas decorre do fato que o empobrecimento dos produtores pela expropriação via dinheiro falso não é diferente da expropriação via tributos.
    Tanto os IMPOSTOS como a "FABRICAÇÃO" de DINHEIRO EMPOBRECEM os PRODUTORES de BENS e SERVIÇOS ÚTEIS.

    A RECESSÃO decorre da ELEVAÇÃO dos CUSTOS de PRODUÇÃO. Num primeiro momento os produtores assimilam PREJUIZO ao serem expropriados num montante maior que seus lucros. Isso diminui sua capacidade de consumir e são forçados a produzir menos, uma vez que O AUMENTO dos PREÇOS para COBRIR a ELEVAÇÃO de CUSTO NÃO ENCONTRA CONSUMIDORES DENTRE OS PRODUTORES, devendo então haver uma REDUÇÃO da PRODUÇÃO a fim de não haver sobras.

    INFLAÇÃO de PREÇOS decorre do excesso de moeda sem lastro (não obtida em troca de bens e/ou serviços).
    Como visto anteriormente essa corrida do cachorre atras do próprio rabo leva a que o governo (Estado) reduza os porcos e raros serviços que presta à sociedade, EMPOBRECENDO-A AINDA MAIS. Ao mesmo tempo que tenta mais expropria-la e assim elevando os custos de produção (como na recessão).

    Ou seja, a INFLAÇÃO de MOEDA sempre se fará acompanhar da RECESSÃO que nada é senão uma INFLAÇÃO de CUSTOS. Seja custos pela propria pressão da moeda que eleva preços ou seja pela necessidade de redução da produção que permite maior elevação de preços.

    ...e eu tentei ser breve e acabei nem sendo breve, nem tão claro quanto pretendia.

    Em resumo o que ocorre é que INFLAÇÃO de moeda sempre implica em subsequente RECESSÃO por aumento de custos. Custos se elevam pelo empobrecimento dos produtores que ficam impedidos de consumir e de investir no aumento da produção e não apenas na elevação dos preços dos insumos. Alguns produtos nao serão consumido devido o empobrecimento e isso alimentará desemprego.

    Ou seja, enquanto alguns ligados à CÚPULA ESTATAL consumirão à vontade, todo o resto da sociedade, sobretudo a sociedade que VIVE do TRABALHO e NÃO DO PODER, se verá empobrecida pois rnecend bens e serviços úteis em troca de dinheiro falso (não decorrente da produção).
    Conordo que tenho que tentar melhorar a didática . :-((
  • ARV  08/11/2016 11:36
    Gostei de ler a matéria...
    AMEI os comentários!
  • rl  08/11/2016 11:43
    Nos gráficos é a desinflação que coincide com o aumento no desemprego.

    O jeito garantido de curar uma inflação alta sem ter desemprego é por reforma monetária. É como tratar alcoolismo com transfusões de sangue.
  • Siqueira  08/11/2016 11:52
    Não. O desemprego começa a subir quando a inflação ainda está ascendente. E acelera quando a inflação já está quase no pico. Isso é mais explícito para EUA e França. E continua subindo quando começa a desinflação (algo inevitável, senão vira hiperinflação).

    E volta a cair -- ao menos para EUA e Reino Unido, que têm mercados de trabalho bem mais flexíveis -- junto com a queda da inflação.

    No caso do Brasil, então, a relação é a mais explícita de todas.

    Vale notar que o atual desemprego na Alemanha, após as amplas reformas trabalhistas de Gerhard Schroeder, está baixíssimo. E com inflação zero.

    Sobre a reforma monetária, concordo plenamente.
  • Acusador Intolerante  08/11/2016 12:07
    gostaria de saber dos articulistas e dos participantes o que acham da nova lei de Parceria que será aplicada aos salões de beleza, no lugar de contratar funcionário, o dono do salão faz o contrato de parceria e evita uma relação trabalhista, metade do ganho fica com o dono do salão e metade fica com o profissional
  • Andre  08/11/2016 13:27
    A prática de parceria em salões existe desde sempre, se tem lei agora para regulamentar a parceria com certeza é para arrecadar mais com impostos.
    A alegação é para dar segurança jurídica, mas o dono do salão tem que ser muito ruim de lei para tomar um processo trabalhista e perder, já que o profissional parceiro não tem horários fixos, não segue ordens diretas, usa suas próprias ferramentas e boa parte dos insumos e pode executar a tarefa da maneira que achar melhor formando sua própria carteira de clientes, descaracterizando qualquer vínculo trabalhista.
  • Juliana  09/11/2016 00:40
    Primeiramente, eu adoro ver uma boa teoria comprovada pela empiria. ?

    Mas falando em longo-prazo, Milton Friedman, etc., não tem aqui no site algum artigo que conte a história de como foi o surgimento do keynesianismo em forma de medidas políticas de curto prazo para corrigir essas "distorções do livre mercado e do capitalismo", passando por sua morte no início da década de 70 (causado principalmente pela crise e a alta dos preços do petróleo) até o surgimento neoliberalismo de Friedman?

    Eu tenho algumas anotações de um vídeo que vi no Youtube há algum tempo atrás (a criatura vai e anota qualquer coisa, menos o título do vídeo) e que diz que as políticas keynesianas para equilibrar esses trade-offs entre inflação de preços e desemprego, através do controle da demanda agregada ou global (D = C + I + G + Ex) era mais ou menos assim:

    A) Em caso de inflação de preços alta, o governo deveria intervir na economia para diminuir a demanda agregada (D): 1) diminuindo-se a disposição das famílias para consumir (C), através do aumento de impostos diretos; 2) diminuindo-se a propensão dos empreendedores para investir (I), através do aumento da taxa de juros; 3) diminuindo-se os gastos públicos (G); 4) e valorizando-se o câmbio para diminuir as exportações (Ex).

    B) Em caso de desemprego alto, o governo deveria intervir na economia para aumentar a demanda agregada (D): 1) aumentando-se a disposição das famílias para consumir (C), através da diminuição de impostos diretos; 2) aumentando-se a propensão dos empreendedores para investir (I), através da diminuição da taxa de juros; 3) aumentando-se os gastos públicos (G); 4) e desvalorizando-se o câmbio, para aumentar as exportações (Ex).

    Aí então, no início da década de 70, os dois problemas (inflação e desemprego) começaram a permanecer simultaneamente — dando origem então ao termo estagflação — as políticas keynesianas não tinham mais como serem aplicadas, e a teoria de Keynes morre em 1973.

    Surge então a reforma neoliberal de Friedman (monetarista e neoquantitaviva de Chicago), estabelecendo o "livre mercado". E por aí vai...

    Não sei se foi assim que aconteceu, por isso gostaria de confirmar se a história contada assim tem algo de verdadeiro. Ou se tem algum artigo aqui sobre isto.
  • Alfredo  09/11/2016 10:59
  • Juliana  09/11/2016 14:05
    Exatamente isso, Alfredo. Obrigada!
  • TIAGO  09/11/2016 01:45
    Essa exposição procede?

    Lição 1: Em um sistema econômico, o que se gasta é exatamente o que se ganha
    Para simplificar ao máximo o argumento, vamos desconsiderar o setor externo, as transferências do governo, bem como supor que todo o gasto público consiste em consumo e que não há variações de estoques. Ressaltamos que o argumento é valido mesmo sem essas simplificações.
    Temos então que o produto (PIB) (Y), pela ótica da renda, é igual à soma da massa salarial, deduzidos os impostos (W), da massa de lucros, também deduzidos os impostos (P), e do total de impostos arrecadados (T). Pela ótica da demanda, o produto é igual à soma do consumo das famílias (C), do investimento (I) e do consumo do governo (G) . Por definição, essas duas somas tem de ser iguais. Temos então:

    Y = W + P + T = C + I + G

    Produto = Renda = Demanda

    O que o setor privado "ganha", no caso, é a soma dos salários e lucros (W+P), e o que o governo "ganha" é o montante de impostos (T). O que o setor privado gasta, por sua vez, corresponde ao consumo mais o investimento (C+I), enquanto que o gasto do governo é o próprio G. Fazendo poucas passagens algébricas a partir da equação acima, chegamos à seguinte expressão para o superávit do setor privado:

    (W + P) – (C + I) = G – T

    Como (G – T) é o próprio déficit público, isso pode ser escrito, alternativamente:

    Superávit do setor privado = déficit público

    Isso significa que quando o orçamento do governo é superavitário, o setor privado ganha menos do que gasta, e quando o orçamento do governo é deficitário, o setor privado ganha mais do que gasta. Assim, para que seja possível que o setor privado (o conjunto de empresas e famílias em um sistema econômico) ganhe mais do que gasta, é necessário que o governo gaste mais do que ganha.

    A possibilidade de ganhar mais do que se gasta só existe para o indivíduo na suposição de que a sua renda está dada e o indivíduo escolhe o quanto gasta. Entretanto, no agregado, a renda e o gasto são iguais. Sendo assim, num sistema econômico considerado como um todo, não é possível que todos os agentes ganhem mais do que gastam, simplesmente porque, no agregado, o que se ganha é exatamente igual ao que se gasta. Com isso, vemos que é impossível que o setor privado e o setor público sejam superavitários ao mesmo tempo.
  • Professor  09/11/2016 19:24
    "Isso significa que quando o orçamento do governo é superavitário, o setor privado ganha menos do que gasta"

    Correto. Quando o governo tem superávit nominal, ele está retirando dinheiro da economia.

    Isso, obviamente, quase nunca acontece.

    "e quando o orçamento do governo é deficitário, o setor privado ganha mais do que gasta."

    Nonsense completo. Quando o orçamento do governo é deficitário, ele toma dinheiro emprestado. De onde vem esse dinheiro? Do setor privado (bancos, empresas e pessoas físicas).

    Sendo assim, o déficit do governo é possibilitado pelo dinheiro do setor privado. Como então seria possível dizer que este "ganha mais do que gasta"?

    Isso só ocorreria se o governo imprimisse dinheiro livremente para financiar seu déficit. Aí sim o raciocínio estaria correto.

    E isso era o que o governo brasileiro fazia até o final da década de 1980.

    "Assim, para que seja possível que o setor privado (o conjunto de empresas e famílias em um sistema econômico) ganhe mais do que gasta, é necessário que o governo gaste mais do que ganha."

    Como explicado acima, completo nonsense. Tal afirmação só faz sentido se o governo financiar seus déficits com criação de dinheiro, isto é, com o Banco Central livremente comprando títulos do Tesouro.

    Tal prática, no entanto, já foi proibida há décadas nos principais países do mundo. No Brasil, ela está proibida pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

    Eis um artigo que fala exatamente sobre isso que você comentou:

    Quatro imagens mentais para imunizar pessoas sensatas contra o keynesianismo
  • Solstafir!  09/11/2016 19:50
    O que esse resultado representa, na verdade, é quanto de poupança está sendo sugada pelos déficits governamentais. É o famoso efeito crowding out.
  • 4lex5andro  12/11/2016 20:16
    De fato, pelo menos algumas matérias básicas de economia deveriam ser ofertadas no ensino médio.

    Independente de servir ou não pra vestibular ou enem.
  • Taxidermista  10/11/2016 21:28
    Há um livro de um austríaco - Adrián Ravier - sobre "curva de Phillips":

    unioneditorial.net/nueva-biblioteca-de-la-libertad?page=shop.product_details&flypage=flypage.tpl&product_id=68&category_id=7&manufacturer_id=155
  • Bruno Feliciano  10/11/2016 22:40
    Alouu Taxidermista!

    Me responde lá poxa!! rs rs

    Abraço fraterno meu prezado


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