clube   |   doar   |   idiomas

Existe uma página específica para este artigo. Para acessá-la clique aqui.

E se a política fosse como a internet?

Este diagrama ilustra a lógica sobre como a internet surgiu. Paul Baran entendia que na eventualidade de um ataque nuclear, os nós centrais das redes de telefonia e militar americanas seriam destruídos pelo inimigo, derrubando integralmente a comunicação. Era preciso aumentar a robustez da rede.

Desta forma, apenas descentralizá-la não seria a solução ótima. Baran analisou as opções ilustradas nos diagramas abaixo. A rede distribuída se mostrava mais robusta em um ataque ou em falhas pontuais. Surpreendentemente, pouco tempo após a implementação, surgiram benefícios não previstos da rede distribuída; poucas décadas após, vemos a inconcebível emergência espontânea de uma vida autônoma (a internet atual) superposta à infraestrutura bem projetada.

cent-dec-dist.jpg

A analogia com sistemas políticos é bastante pertinente. Cada nó é um centro de poder, tal como o Congresso Nacional, uma Assembleia Legislativa, ou mesmo autarquias federais ou regionais.

A centralização de poder (diagrama A, caso do Brasil) concentra decisões em um ponto central relevante, como Brasília. Erros e falhas se propagam por toda a rede e a comprometem.

A descentralização de poder (diagrama B, caso dos Estados Unidos) melhora a robustez, mas ainda apresenta os mesmos problemas nos níveis regionais.

A distribuição equitativa de poder (caso C, libertarianismo) apresenta o melhor resultado, protegendo o tecido social e permitindo a máxima interação mútua.

Libertários se concentram na infraestrutura de poder, prevendo que um melhor desenho gerará benefícios impossíveis de prever.

Os diagramas A e B são ultrapassados. Sua época já passou e suas falhas foram explicitadas. Chegou a hora de a tecnologia emprestar seu legado à ciência política.


9 votos

autor

Helio Beltrão
é o presidente do Instituto Mises Brasil.

  • Almir  27/10/2016 16:43
    Muito boa a sua comparação, se a política chegar a descentralização de poder já será um avanço e tanto, daí para frente vai depender dos cidadãos eleitores expandir essa nova forma de política, mas será que essa evolução está próxima, com tantos lutando por "direitos humanos".

  • João Paulo dos Santos Nogueira  27/10/2016 23:58
    Eu acho que podemos criar nações concorrentes. Eu quero pertencer a uma nação liberal, ateia, elitista, bem falante e poliglota, preocupada com o efeito do homem sobre o ambiente (antropoceno), abortista e até antinatalista, pela liberação das drogas inclusive antibióticos e tabaco. Como o único custo comum é a sobrevivência de longuíssimo prazo, o único imposto seria sobre extração de combustíveis fósseis que a priori seria 100% investido em pesquisa sobre o assunto. Declaremos independência cada um e associemo-nos como quisermos desde que dispostos a obedecer os direitos e deveres de cada nação (grupo interconectado por uma rede eusocial). Um mundo de winners. E assim pra diante.
  • Mauricio Conti  28/10/2016 12:39
    Brilhante explanação. Agora como implementar isso na prática? Vale um segundo artigo.
  • Alexandre  28/10/2016 12:48
    Descentralização e dispersão: facetas do liberalismo do futuro
  • Ricardo Bruno  28/10/2016 12:49
    Conheci o calcanhar de Aquiles da centralização ao assistir Operação Valquíria(O próprio General diz que era crucial neutralizar o centro de comando em Berlim pq todos os outros locais se reportavam cegamente para lá)
  • Qualquer Ezequiel  30/10/2016 22:02
    Chega senti um frio na espinha quando pensei em "e se a Internet fosse como a política".
  • Daniel Augusto  06/11/2016 20:09
    Ótimo artigo.
  • Anderson Brandão Fernandes  15/11/2016 00:46
    Isto também funciona com relação Às empresas? ou seja, não deveriam existir filiais e matrizes mais sim uma rede de troca de informações dispersas?
  • saoPaulo  15/11/2016 01:24
    Sistemas de fraquias vão de vento em popa:
    "Tendo o franqueado entendido claramente o seu papel na gestão do negócio, os resultados tendem a ser maiores do que unidades próprias, operadas pela empresa, baseando-se no fato de o dono ter maior capacidade de envolvimento, engajamento e gerenciamento do negócio, buscando a lucratividade e a rentabilidade como focos principais e assim, obter o retorno do investimento."
  • Anderson Brandão Fernandes  15/11/2016 18:31
    Então o sistema que der mais autonomia para o gerente que administra uma filial ou o dono de uma franquia será o mais bem sucedido? Então as empresas com muitas filiais tendem ao fracasso se quiserem administrar tudo sob um mesmo padrão e a partir de uma matriz?
  • saoPaulo  16/11/2016 12:59
    Sei lá, nunca estudei Administração de Empresas.
    O corpo humano centraliza o processamento de informações no cérebro. Polvos possuem nove cérebros. E todos vivem felizes em seus habitats.
    O tipo de organização ótimo depende do que se está organizando, do que se quer obter com tal organização, etc.
    Em economia, uma série de argumentos mostra que uma organização bottom-up é superior a uma top-down.
    Em política, Mises defende a descentralização com, no limite, autonomia individual , uma forma de política não apenas descentralizada, mas "distribuída".


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.