Como o pré-sal gerou uma trágica re-estatização da produção de petróleo no Brasil
E como as políticas intervencionistas do governo transformaram o pré-sal em uma ficção

Foi ainda em 2006 que uma exploração na Bacia de Campos descobriu o pré-sal, uma camada geológica extremamente profunda contendo petróleo de alta qualidade.

A descoberta foi anunciada com grande euforia. Políticos diziam que a descoberta lançaria o país em uma nova era. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva descreveu o pré-sal como um "bilhete premiado" para os brasileiros.

E quando, em 2008, a Petrobras extraiu pela primeira vez petróleo do pré-sal, a promessa era a de que todos os problemas do Brasil já estavam solucionados.  Bastava apenas extrair o petróleo lá das profundezas, e todos os problemas da educação e da pobreza seriam miraculosamente resolvidos com o dinheiro que seria obtido com a exportação deste petróleo.

Hoje, porém, dez anos após a descoberta, o Brasil se encontra em uma profunda crise econômica e política. O desemprego alcançou 12 milhões de pessoas. No setor petrolífero, decisões ruins tomadas pelo governo transformaram os supostos benefícios do pré-sal em uma grande ficção.  Tem havido uma hemorragia nos investimentos privados. As atividades de pesquisa e inovação nos parques tecnológicos minguaram. Engenheiros formados nas melhores universidades do país já abandonaram sua área de formação e, por falta de oportunidades, migraram para outras áreas que pagam menos. Vários pensam em sair do país.

E o pré-sal jamais chegou perto de entregar o prometido, se transformando em uma grande decepção.

Quem ofuscou o ouro negro?

A jornada petrolífera brasileira, da euforia ao fracasso, pode ser mais bem compreendida ao se analisar as transformações no quadro regulatório do setor nos últimos vinte anos.

Até meados da década de 1990, a Constituição Federal brasileira estipulava que a exploração e produção de petróleo deveriam ser monopólios da União. E esse monopólio seria exercido pela Petrobras. Com efeito, a Petrobras já exercia esse monopólio desde sua criação, em 1954.

No ano de 1995, foi aprovada uma emenda constitucional flexibilizando esse monopólio, possibilitando à União a contratação de empresas privadas — nacionais e estrangeiras — para a realização das atividades, em um ambiente competitivo.

Dois anos depois, em 1997, o processo de abertura do setor de petróleo no Brasil alcançou seu amadurecimento com a Lei nº 9.478/97, instituindo o regime de concessão por licitação. A Wikipédia traz um bom resumo:

A lei nº 9.478 extingue o monopólio estatal do petróleo nas atividades relacionadas à exploração, produção, refino e transporte do petróleo no Brasil, e passa a permitir que, além da Petrobrás, outras empresas constituídas sob as leis brasileiras e com sede no Brasil passem a atuar em todos os elos da cadeia do petróleo, ou seja, do poço ao posto (em inglês, from well to wheel), em regime de concessão ou mediante autorização do concedente — a União.

Até o advento desta lei, outras empresas só podiam atuar no downstream, isto é, apenas na venda dos derivados do petróleo. A Petrobras perdeu, assim, o monopólio da exploração e do refino de petróleo no Brasil.

Ou seja, este regime concedeu a empresas privadas o direito de explorar petróleo no país, desde que pagassem o bônus da assinatura, royalties e participação especial. 

O bônus de assinatura é um valor pago pela empresa concessionária vencedora da licitação para poder explorar determinado campo. O valor desse bônus é definido em leilão.

Os royalties são uma espécie de imposto pago sobre o faturamento total. Hoje, todos os campos de exploração pagam em média 10% de royalties.

Já a participação especial (regulamentada pelo decreto n° 2.705 de 1998) é cobrada somente em campos com alta produtividade. Vale ressaltar que, com esse regime, aumentou-se a participação acionária de investidores privados na Petrobras.

Essa quebra do monopólio estatal e a subsequente abertura do setor — ainda que tímida — a empresas privadas geraram resultados expressivos. A participação do setor de petróleo e gás no PIB brasileiro evoluiu de 2,7% em 1997 para 10,5% em 2005. Enquanto a economia brasileira cresceu 14,22% entre 1998 e 2004, o setor petrolífero, incluindo a indústria petroquímica, cresceu 318%.

Isso significou a expansão de empregos e oportunidades para os brasileiros nesta área. Sob a pressão de uma maior concorrência, a Petrobras começou a produzir tecnologia de ponta para atividades em águas profundas.

Foi neste contexto que ocorreu a descoberta da camada do pré-sal em 2006. O potencial de produção de petróleo e gás natural advindo desta descoberta se mostrava muito superior a qualquer outra já realizada no Brasil.  Com efeito, o pré-sal da Bacia de Santos, descoberto em 2007, era a maior descoberta ocorrida no Ocidente em décadas.

E então houve o inevitável.  O governo Lula, pressentindo uma inaudita oportunidade de ganhos políticos, tomou uma decisão fatídica: decidiu mudar o marco legal do setor de petróleo do Brasil.

A política que selou o destino do Brasil

No dia 22 de dezembro de 2010, a Lei nº 12.351 concretizou a mudança no marco legal petrolífero do país.  Um novo modelo de produção foi instituído: em vez do regime de concessão até então em vigor, agora haveria o "regime de partilha".

O regime de partilha era uma modalidade contratual caracterizada:

1) pela partilha, entre o consórcio produtor e a União, de um percentual do óleo produzido;

2) pela obrigatoriedade da Petrobras de participar como operadora nos consórcios; e

3) pelo papel preponderante da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), uma empresa estatal, nas decisões desses consórcios.

O objetivo claro era aumentar o controle do estado sobre a produção de petróleo, especialmente na área do pré-sal.

Este regime também previa a cobrança de royalties e de bônus de assinatura. Uma das diferenças entre os dois regimes é que, na partilha, mesmo a empresa concessionária tendo extraído petróleo, este ainda é de propriedade da União.

Estipulou-se, adicionalmente, que a Petrobras seria a operadora obrigatória em toda e qualquer atividade de extração. Ficou legalmente estabelecido que a estatal teria participação mínima de 30% em todos os consórcios, o que significava que as demais empresas poderiam atuar apenas como sócias da Petrobras.  Consequentemente, os leilões de licitação dos campos do pré-sal seriam referentes apenas às parcelas de participação das outras empresas, uma vez que a operadora, a Petrobras, já era definida por lei.

O novo marco regulatório também regulava as decisões operacionais dos consórcios. A PPSA, estatal que tinha a finalidade de representar a União nos contratos de partilha, participaria das decisões do consórcio tendo 50% dos votos no órgão deliberativo. Teria também o voto decisório (voto de minerva) e poder de veto em toda e qualquer decisão.

Tais mudanças limitaram severamente o papel do capital privado nos blocos do pré-sal: não havia motivos para empresas privadas concorrerem por um contrato de licitação sabendo que a Petrobras já possuía, por lei, a maior fatia.  Sob esse arranjo, as principais decisões do consórcio nem sequer seriam tomadas pelo investidor.  Assim que o leilão fosse ganho, o(s) vencedor(es) teria(m) de acertar com a estatal brasileira como ocorreria o cumprimento do contrato de partilha celebrado.

Não havia por que o capital privado demonstrar grande interesse por esse arranjo. E o resultado do primeiro leilão, o de Libra, foi exatamente como o esperado pela teoria econômica.

Propagandeado como a maior reserva de petróleo do Brasil e a maior área para exploração de petróleo no mundo, cujo potencial poderia se aproximar dos 12 bilhões de barris, o governo brasileiro esperava atrair pelo menos 40 empresas para o leilão de Libra, no dia 21 de outubro de 2013. 

Mas houve apenas com um único lance. Um único consórcio apresentou proposta, oferecendo o lance mínimo estipulado no edital: 41,65% de óleo excedente para a União.

O consórcio era formado, além da Petrobras, por apenas outras quatro empresas: duas estatais chinesas (CNPC e CNOOC), uma empresa francesa (Total) e a anglo-holandesa Shell.  As quatro formaram um único consórcio, o que significa que não houve nenhuma concorrência no leilão. Gigantes do setor, como Chevron, Exxon Mobil, BHP Billiton, Statoil, BP e Repsol não se interessaram.

Com os investimentos na área desabando, rapidamente ficou claro que a mudança do quadro regulatório do setor, com a introdução do modelo de partilha, foi um dos maiores fracassos estratégicos da história brasileira. No entanto, todo o debate político a respeito dessa mudança foi interditado. Não havia racionalidade, mas sim chavões e frases de efeito. Qualquer proposta visando a corrigir as distorções do modelo de partilha eram prontamente rotuladas de "entreguistas" e "neoliberais", atacadas por políticos do PT, PCdoB e PSOL, pelos intelectuais de internet a soldo destes partidos, e até mesmo pela Federação Única dos Petroleiros, uma federação sindical aparelhada por petistas.

Para piorar, em paralelo a tudo isso, um mastodôntico esquema de corrupção já ocorria na Petrobras, destruindo o capital da empresa. O mesmo governo que introduziu as mudanças que deram errado também se revelou uma máfia envolvida em gigantesco escândalo de corrupção que engolfou a estatal, cujos dirigentes (indicados pelo PT) recebiam propinas de empreiteiras e, em troca, contratavam essas mesmas empreiteiras para fazer obras superfaturadas para estatal, destruindo seu capital.

Mas não acabou por aí: ao mesmo tempo em que tudo isso ocorria, o governo também obrigou a Petrobras a vender às distribuidoras gasolina abaixo do preço pelo qual ela foi importada.  E a obrigou também a produzir utilizando uma determinada porcentagem de insumos fabricados no Brasil. O capital da Petrobras, portanto, sofre um triplo ataque.  E ela se torna a empresa mais endividada do mundo.

Mas o monopólio da Petrobras sobre todas as operações do pré-sal mascarou a real situação periclitante da estatal, ofuscando todas as urgentes necessidades de se reformar a empresa. E a falta de concorrência nestes últimos anos a distanciou da necessidade de investir em inovação tecnológica.

A empresa se esfacelou.  Suas ações, que chegaram a bater em R$ 51 em 2008, desabam para R$ 4 ao final de 2015, aniquilando a poupança dos incautos que investiram na empresa confiando na propaganda do governo.

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Conclusão

Recentemente, o Congresso acabou com essa obrigatoriedade da Petrobras de participar da extração de petróleo da camada pré-sal.  O novo governo também anunciou que irá revogar algumas restrições à participação de capital estrangeiro nos empreendimentos da Petrobras, com o intuito de atrair os tão necessitados investimentos.  Mas isso está sendo feito após uma década de estragos auto-infligidos.

A descoberta do pré-sal poderia ter representado para o Brasil o que a jazida Ekofisk — operada por várias empresas estrangeiras privadas — significou para a Noruega: o início de um novo ciclo de desenvolvimento, trazendo prosperidade para o país. Poderia ter significado oportunidades de sucesso e realização profissional para os brasileiros que trabalhariam e empreenderiam na rede de empresas que envolve toda a cadeia de produção e distribuição de petróleo, indo desde a venda de marmitas até a sofisticada engenharia offshore.

As mudanças que se sucederam à descoberta do pré-sal, e toda a corrupção estimulada por ela, afugentaram investimentos, destruíram o capital da empresa, reduziram empregos e estão por levar o país ao patamar exploratório da década de 1970. Um governo fracassado, que levou o país à bancarrota, transformou o pré-sal em uma ficção.

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Leia também:

A maldição do petróleo continua a atormentar o Brasil

Por que é preciso privatizar as estatais - e por que é preciso desestatizar as empresas privadas


9 votos

SOBRE O AUTOR

Pedro Saad
é estudante de direito na Universidade de Brasília (UnB), pesquisador no Grupo de Estudos em Direito, Recursos Naturais e Sustentabilidade (GERN/UnB), e coordenador de energia e meio ambiente do Instituto Soluções.



O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Bruno Feliciano  20/10/2016 15:22
    Não adianta, nem se você desenhar a esquerda pára com o ''petróleo é nosso''.

    Alguém aqui acredita na Privatização da petrobras? Eu acho pouco provável; só em um futuro muito distante.

    Não acredito que o Temer privatizaria a empresa, do mesmo jeito não acredito que quem ganhar em 2018 irá privatizar. Acho que somente se o buraco for maior do que todo mundo pensava.

    Aproveitando a oportunidade, fiquei sabendo que a Carta Capital já deu chilique porque está no congresso uma proposta de acabar com as concessões das linhas telefônicas. A proposta trata de privatizar totalmente as linhas... Já seria um avanço. Aí só faltava fechar a ANATEL e acabou..

    www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/projeto-de-lei-privatiza-infraestrutura-de-acesso-a-rede-entenda

    E mais:
    Alguém sabe me dizer onde os caras tiraram esses números para argumentar que a carga tributaria brasileira não é grande?

    www.cartacapital.com.br/economia/impostos-angolanos-servicos-publicos-suecos

    Cara essa Carta Capital doi a cabeça só de ler, eu fico abismado com tanta mentira...Seria legal existir uma pagina só pra refutar cada artigo da carta capital e acabar com essa farsa de uma vez.

    Abraços
  • Marcos  20/10/2016 15:29
    É óbvio que a tosqueira da Carta Capital está errada (tanto é que ela nem se digna a apresentar fontes).

    A carga tributária no Brasil não é de 34% do PIB, mas sim de 46% do PIB.

    Isso mesmo.

    Segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), em 2014, o país deixou de arrecadar R$ 501 bilhões por conta da sonegação. O que pouco se fala, no entanto, é que, caso esse valor tivesse sido de fato pago pelos pagadores de impostos, o governo teria arrecadado impressionantes 2,3 trilhões de reais no período: 46% do nosso PIB, que ficou em R$ 5,5 trilhões ano passado de acordo com o IBGE.

    Com uma carga tributária tão alta, tomaríamos o 3ª lugar na fila dos países que mais cobram impostos no mundo, perdendo somente para a Eritréia (50%) e a Dinamarca (48%).

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2150

  • Andre  20/10/2016 16:05
    Esquece a CC, ela tem uma audiência pífia, e e só um veículo de mídia atendendo a demanda genuína por imbecilidade.
  • Vitor  20/10/2016 16:23
    Na verdade Bruno, neste artigo, eles não argumentam que a carga no Brasil não seja grande. Não tocam no assunto. Dizem apenas que o Brasil cobra muitos impostos em consumo, comparado a outros países, e este afeta os mais pobres (verdade), e fazem o que parece ser uma defesa do clássico "Taxem os ricos". Não vou discutir por que esta medida é um desastre e apenas levará à pobreza. Basta apenas dizer que, caso um país possua muitos impostos sobre os "ricos", seja lá como será a definição deste, e ainda assim seja social e economicamente próspero, este não é próspero por causa de seu sistema tributário, mas sim apesar dele. E, sem dúvidas, caso passassem a um sistema diferente do atual, com impostos menores, não só sobre os pobres, mas também sobre os ricos, sua qualidade de vida melhoraria muito acima do atual.

    Falemos agora sobre impostos e legislação trabalhista;

    Há muitas questões que ao meu ver são tão importantes quanto. Por exemplo, legislação trabalhista, segurança jurídica, clareza jurídica, algo que o Instituto Mises sempre está relembrando, que é moeda forte, entre outras coisas.

    Por motivos de comparação, permita-me apresentar alguns cenários (não vou me aprofundar porque sistemas tributários geralmente são tão complexos que nem quem passa a vida inteira estudando-os pode entendê-los):

    Por exemplo, sobre o sistema tributário e legislação trabalhista, há a belíssima coleção Doing Business que faz uma exposição para empreendedores sobre como é ter uma empresa em determinado país e quais serão suas principais obrigações como tal. Sinta-se a vontade para consultar e fazer uma análise mais profunda, porém, eis o que chama a atenção:

    Sobre a legislação trabalhista nos USA, há 2 páginas, a tributária, 5;
    Em outros países avançados, estas ocupam, respectivamente:

    Alemanha, 3 e 10;
    Austrália, 3 e 9;
    Canadá, 3 e 13;
    Coréia do Sul, 2 e 10;
    Dinamarca, 3 e 10;
    Finlândia, 2 e 3;
    Hong Kong, 2 e 12;
    Noruega, 2 e 4;
    Nova Zelândia, 5 e 15;
    Singapura, 1 e 10;
    Reino Unido, 5 e 10;
    Suécia, 2 e 3;
    Suíça, 2 e 6;
    No Brasil, a trabalhista possui 12, a tributária, 21;

    Como qualquer pessoa poderia afirmar, isto não quer dizer muita coisa, pois pouco fala sobre a quantia dos impostos, e da mesma forma que todos os países ricos possuem uma pequena quantia de páginas, assim também há muitos pobres com poucas páginas; porém, dá para ficar bem claro, para um empreendedor estrangeiro, como seria sua situação no Brasil.
  • Eu mesmo  20/10/2016 17:16
    Meu caro, inventam burocracias para amamentar burocratas, para punir os produtivos, e dificultar a ascensão. Porém, tudo com intuito de diminuir as diferenças sociais. CLT, licenciamento de empresas, regulamentação de profissões, 92 tributos, entre tantos, tudo atraso de progresso em nome da ordem e ai daquele que sugerir abolir o "direito" adquirido...


  • Bruno Feliciano  20/10/2016 18:41
    Eu estou ciente de tudo isso e de acordo meu caro, o que eu questionei da CC é o fato deles compararem o nosso imposto com o alguns nordicos(dinamarca e suécia).
    Fica subentendido no artigo deles que,a nossa carga tributaria não é o problema...E que ainda há margem para subir mais sem que consequências aconteçam.

    Eu compartilhei aqui a indignação de utilizar essa comparação e ignorar todo o resto.

    Por exemplo argumentar que a carga tributaria dinamarquesa é maior que a nossa...Que la existe mais governo...

    Foi isso...
  • Andre  20/10/2016 15:27
    Tem que dar tapa na cara o dia inteiro em quem quer administração estatal de empresas e recursos.

    Sou engenheiro e trabalhava no setor naval durante a bonança nos idos de 2011 quando na dissolução da sociedade de uma empresa um sócio não queria tirar dinheiro do bolso e me ofereceu uma propriedade no sul do país, aceitei a oferta e em alguns meses troquei completamente de área de atuação e vim para o agronegócio, mal sabia eu que isso salvaria meu patrimônio, meus amigos e colegas da antiga área dividem-se hoje entre desempregados, empregados de salários atrasados, jovens de carreiras promissores estagnados e empresários completamente falidos, o setor foi devastado, a quantidade de pessoas que mudaram completamente sua vida para se dedicar a profissão e foram completamente frustradas é imenso.

    Se você é jovem nunca, jamais trabalhe em um setor que possui reserva de mercado, fuja disso como o diabo foge da cruz.
  • Engenheiro  20/10/2016 15:33
    Além do esquema de corrupção e da obrigação de subsidiar os preços de combustíveis, acrescento os projetos com VPL negativo que a Petrobras teve que tocar por decisões políticas populistas (e por causa da propina envolvida), sob o pretexto de "levar desenvolvimento à região": COMPERJ, RNEST, Premium I, Premium II, UFN III e UFN V. Felizmente alguns deles foram cancelados mais recentemente, mas geraram um prejuízo enorme à Petrobras.

    Faço uma correção sobre o último parágrafo do texto "...levaram o país ao patamar de produção da década de 1970". O artigo do Globo menciona o número de poços exploratórios, e não a produção. O patamar de produção de petróleo hoje no Brasil é infinitamente superior ao da década de 70, quando se produzia, estimo eu, uns 150.000 barris por dia. Hoje a Petrobras produz 2,88 milhões de barris por dia. O artigo do Globo também não leva em conta que hoje um poço do pré-sal produz 30.000 barris por dia, quando um poço da década de 70 devia produzir uns 500 (sendo otimista).

    Acompanho o Instituto Mises diariamente. Parabéns pelo trabalho!
  • Ricardo  20/10/2016 15:44
    Só um tolo não enxerga: A Petrobras tem na folha de pagamentos muito mais funcionários que Shell e BP juntas. Aí me pergunto: Pra quê tanta gente? Cabide de empregos e politicagem, marcas de governos populistas.
  • Rafael  20/10/2016 16:39
    Teria alguma matéria com essa informação? Gostaria de compartilhas com uns colegas.
  • Engenheiro  21/10/2016 09:28
    Informação falsa! Pesquise antes de escrever.

    Shell: 93.000
    www.shell.com/about-us/who-we-are.html

    BP: 79.800
    www.bp.com/en/global/corporate/about-bp/bp-at-a-glance.html

    Petrobras: 78.470
    www.petrobras.com.br/pt/quem-somos/perfil/

  • Arnaldo  21/10/2016 14:26
    Sorry, engenheiro, mas a sua informação também está errada.

    Segundo recente reportagem da Folha de São Paulo:

    "Desde que foram alvejadas pela Operação Lava Jato, há pouco mais de dois anos, a Petrobras e suas subsidiárias demitiram 169,7 mil pessoas.

    O corte já representa o equivalente a 61% da equipe atual, que estava em 276,6 mil em fevereiro de 2016.

    Em dezembro de 2013, eram 446,3 mil pessoas – de cada 10 trabalhadores empregados antes da Lava Jato, 4 foram dispensados."

    m.folha.uol.com.br/mercado/2016/03/1755010-pos-lava-jato-petrobras-ja-demitiu-170-mil-funcionarios.shtml#

    Esse número que você mostrou deve ser o atual, após todos os cortes.

    Ou seja, o leitor Ricardo estava corretíssimo quando disse que, até então, a Petrobras era um cabide.
  • Engenheiro  21/10/2016 15:09
    Arnaldo,

    Eu não disse que a Petrobras não era cabide de emprego. Nisso concordo. mas vem melhorando. Você acha que a informação da imprensa está correta quanto ao número de empregados? Observe: contabilizaram prestadores de serviço, que não são empregados da Petrobras. Veja bem o que o Ricardo escreveu: "... A Petrobras tem na folha de pagamentos muito mais funcionários que Shell e BP juntas.". Simplesmente está incorreto, assim como você. Confira os links (fontes das próprias empresas) que eu postei. Prestadores de serviço não fazem parte da folha de pagamento da Petrobras e não são demitidos por ela. Os contratos de prestação de serviços é que são encerrados. Para fazer uma comparação justa, teríamos que contabilizar os prestadores de serviços da Shell e da BP também (isso inclui operadores de sonda, serviços de manutenção em instalações, serviços de limpeza, consultores de TI e uma infinidade de outros serviços que as duas estrangeiras também terceirizam). Seja crítico com o que a imprensa de massa escreve. Não é porque ela favorece sua opinião que você tem que tomar como verdade absoluta. Essa matéria que você linkou é imprecisa (no mínimo), assim como aquela que estava no texto original aqui do Mises, cuja sugestão de correção quanto ao patamar de produção foi atendida. Agradeço a quem editou.

    Melhor utilizar o número de barris de petróleo por dia por funcionário como métrica. Não fiz as contas, mas acredito que Petrobras fica atrás das duas citadas nesse quesito.

    A Petrobras é inchada hoje? Na minha opinião, sim. Tem indicados políticos mamando na empresa hoje? Acredito que sim, mas muito menos do que no governo anterior, e isso só se resolve com privatização total.

    Abraço!
    P.S.: Continuemos sendo críticos quanto o que a imprensa de massa escreve.
  • Marcos  21/10/2016 15:54
    Ora, mas é claro que prestadores de serviços e outros empregados terceirizados fazem parte da folha de pagamento. Terceirizados por acaso trabalham de graça? É claro que não; eles são um custo para a empresa. E custo entra nos balancetes. E é isso o que conta.

    Quero apenas deixar claro que não tenho lado nessa briga, mas simplesmente ignorar toda a maciça contratação de terceirizados da Petrobras, dizendo que isso não pode ser considerado como custo em sua folha de pagamento, é nonsense total.

    As outras petrolíferas mundiais fazem o mesmo? Se você acha que sim, então é porque você ignora que a causa precípua da terceirização no Brasil são os custos trabalhistas. Um emprego CLT é caríssimo, de modo que terceirizar fica muito mais barato no Brasil.

    Com um monte de nababos e apaniguados políticos na folha de salários da Petrobras, é lógico que empresa tinha de buscar mão-de-obra de fora. E, ao fazer isso, ela superou as outras petrolíferas.

    Você acha que esse mesmo problema -- buscar mão-de-obra de fora porque a empresa está loteada e aparelhada por indicados políticos -- acomete as petrolíferas americanas, britânicas e européias? Se sim, você é ingênuo.

    Você acha que há indicados políticos na BP, na Shell e em qualquer petrolífera americana?

    P.S.: essa postura de xingar a mídia quando ela divulga um fato -- atenção: fato, e não opinião -- é coisa típica de petista, e não de gente séria. Você deve sim criticar a mídia quando ela dá um opinião ou interpretação errada, mas não quando ela simplesmente noticia um fato.

    P.S.2: outras notícias para você xingar a mídia:

    oglobo.globo.com/economia/endividada-petrobras-corta-128-mil-terceirizados-em-um-ano-meio-18283445

    economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2016/01/29/reestruturacao-da-petrobras-deixa-funcionarios-ociosos.htm

    br.blastingnews.com/economia/2016/01/petrobras-promove-demissao-em-massa-de-funcionarios-terceirizados-00737867.html
  • Pobre Paulista  20/10/2016 15:51
    O Petróleo é nosso!!!!

    (Alguém quer comprar a minha parte?)
  • Tulio  20/10/2016 16:00
    Outro exemplo de como uma ajuda do governo leva à destruição do setor ajudado foi o pró-alcool.

    E, atualmente, as empreiteiras.
  • Renan Merlin  20/10/2016 16:20
    O Brasil esta vendendo o pre-sal pra estatal norueguesa. Parece piada, estatizar pra outro estado
  • Gabriel  20/10/2016 16:29
    E o pior é que a esquerda insiste em realmente acreditar naqueles discursos retóricos e totalmente dissociados da realidade do "o petróleo é nosso" e "não ao entreguismo" etc...

    Esses dias estava discutindo com uma figura dessas e o cara realmente acreditava que valia mais a pena impedir que empresas privadas entrassem no mercado para concorrer. Na prática para essas pessoas vale mais deixar o petróleo debaixo da terra sem gerar nada a população, do que permitir que empresas privadas os explorem e isso gere investimentos, emprego, renda e arrecadação.

    Eles são uma piada completa, todo e qualquer coisa é resolvida com base na ideologia, pouco se importando com as implicações reais das medidas a serem adotadas. Talvez por isso sejam tão apaixonados pela utopia socialista.
  • anônimo  20/10/2016 16:48
    A Total também não é uma estala? E outra coisa, no caso da Noruega citado ao fim do artigo, lá a exploração do petróleo não é feita pelo Estado?
  • Magno  20/10/2016 17:06
    Não, a Total é uma empresa privada.

    Quanto à Statoil, ela vende a gasolina mais cara do mundo!

    Atualmente, um litro de gasolina na Noruega está custando 14,70 coroas norueguesas.

    Ao câmbio de hoje (8,27 coroas por dólar), dá 1,77 dólar por litro.

    Já nos EUA, um litro de gasolina está custando US$ 0,66 por litro.

    A renda per capita dos noruegueses é 1,22 vez maior que a dos americanos.

    Mas sua gasolina custa 2,68 vezes mais. E o país é totalmente autossuficiente, ao contrário dos EUA.

    Realmente, acho que até mesmo petistas teriam dificuldade em quebrar a Statoil: a estatal cobra a gasolina mais cara do mundo, opera sob monopólio estatal, e ainda tem como mercado consumidor uma das populações mais ricas do mundo.

    Quanto ao campo de Ekofisk, citado no artigo, há várias empresas operando lá, como a americana ConocoPhillips.
  • anônimo  20/10/2016 19:49
    A estatoil não tem monopólio da exploração então? No caso a ConocoPhillips vende o petróleo do campo de ecofisk pra estatoil, eh isso?
  • Kurt  20/10/2016 22:23
    A Statoil não tem monopólio nenhum. Ela tem a concorrência da Aker BP (pertencente à British Petroleum) e da Lundin Petroleum.

    nordic.businessinsider.com/statoil-just-got-a-serious-challenger-in-norway-with-giant-oil-merger-2016-6/

    E o próprio governo quer aumentar ainda mais a concorrencia:

    uk.reuters.com/article/uk-norway-statoil-competition-idUKKCN1001OY
  • anônimo  20/10/2016 22:43
    E nunca teve o monopólio? Qual a razão de uma gasolina tão cara então?
  • Turista Acidental  20/10/2016 23:34
    Ambientalismo e social-democracia. Ou seja, impostos. A Noruega é, disparado, o país mais caro da Europa. Em tudo.

    https://anotherbagmoretravel.wordpress.com/2013/02/19/norway-europes-most-expensive-country/

    https://www.reddit.com/r/Norway/comments/1c9mvy/what_makes_food_so_expensive_in_norway/

    Eu já estive na Noruega (e em quase todos os países da Europa; sou bem viajado). De todos os países escandinavos, a Noruega é de longe o pior.

    A gasolina, como dito, é a mais cara do mundo. As bebidas alcoólicas, distribuídas pelo estado, idem. Comer, então, é proibitivo. Dado que tudo eram os olhos da cara, eu tinha de me contentar com o McDonald's (caríssimo também).

    Mas nada se compara à surpresa que tive ao descobrir que eu tinha de pagar para poder sentar-me à mesa e comer!

    Sério mesmo, se tem um país que é anti-pobre, esse país é a Noruega. Quem não tem dinheiro não come (se conseguir comprar algo, vai ter de comer em pé), não bebe e não anda de carro.

    Comparado à Noruega, a Suíça é uma pechincha. E os EUA, então, são de graça.

    Se um genuíno esquerdista social-democrata conhecer a Noruega e se deparar com os preços de lá, ele rapidamente muda de ideologia.
  • Rhyan  20/10/2016 17:34
    Sugestão: coloquem o autor do artigo na primeira página.
  • igor  20/10/2016 17:54
    Não tinha como dar certo... e não acho que tenha recuperação.

    Desculpem a mudança de assunto, mas vai sair algum artigo comentando o pífio corte de juros? Haverá alguma consequência boa ou saudável?

  • Observador  20/10/2016 18:29
    Mas já foi falado tudo o que tinha pra ser falado sobre isso ainda no primeiro semestre. Dois exemplos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2294

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304
  • Andre  20/10/2016 18:46
    Só sei que não teve artigo sobre Botsuana e seu milagre econômico.
  • Ricardo  20/10/2016 19:50
    E o pior é que já teve:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=348
  • Renan Merlin  20/10/2016 19:31
    Leandro ou algum econômista, uma pergunta que não tem nada ha ver com o artigo.
    O Emprestimo interbancario(OVERNIGHT) pode ser feito a juros maiores ou menores a taxa selic ou por lei e obrigatorio ser feito a taxa selic?
  • Leandro  20/10/2016 22:39
    Apenas raciocine: se o Itaú quiser emprestar para o Bradesco mais caro, o Bradesco simplesmente poderá pedir emprestado mais barato ao Banco Central, que fará as operações de recompra seguindo a Selic.

    Já se o Itaú quiser emprestar mais barato para o Bradesco, ele simplesmente estaria sendo burro, pois poderia emprestar a uma taxa muito maior.
  • SRV  21/10/2016 12:42
    Prezado Renan Merlin,

    Eu trabalho em mercado financeiro em SP. Já trabalhei em tesouraria de banco fazendo que se chama "zeragem de caixa", ou seja, operando no mercado interbancário. Vou te explicar o mecanismo operacionalmente.

    O funcionamento é simples. A SELIC é, como todos sabem, uma meta. O BACEN vai tentar fazer com que a taxa média das operações interbancárias para 1 dia (overnight) fique próxima da meta.

    Para o inicio do dia, acontecem dois eventos: primeiro, o BACEN vem no mercado e faz um leilão informal chamado "Go Around". Nesse evento, o BACEN compra e vende títulos públicos, mas apenas os bancos autorizados como "Dealers" podem participar diretamente. Assim o BACEN já ajusta o nível de liquidez.

    Após, a ANBIMA, em um processo que não depende do BACEN, faz uma consulta telefônica/email com os principais bancos sobre qual taxa eles irão usar para operar no interbancário daquele dia. Isso é chamado "taxa de consenso de mercado" ou apenas "consenso". Ela já fica, per si, perto da meta SELIC pois teve o ajuste de liquidez no início do dia. Se as operações ao decorrer do dia estiverem desviando muito da SELIC, o BACEN volta a operar.

    Qualquer banco que operar no mercado, seja pequeno, médio ou grande, sabendo do "consenso" (é divulgado no site da ANBIMA todo dia), vai apenas fechar uma operação com esta taxa. Se algum banco pedir uma taxa diferente, você simplesmente desliga o telefone e liga em outro banco. Se algum banco insiste em te dar uma taxa pior toda vez que você liga, você passa a ignorá-lo. No dia em que ele precisar zerar caixa com você (e isso vai acontecer), basta passar uma taxa pior ou nem aceitar a operação. Ou você pode até fechar a operação pela taxa de consenso e lembrá-lo de que você fez para ajudá-lo e que espera retorno do favor. Isso acaba disciplinando o operador do outro lado da linha.

    Então, no final do dia, o BACEN faz mais uma intervenção no mercado junto aos dealers para fazer o nivelamento final da liquidez, mas aí com taxas piores e prazo para mais de 1 dia, como forma a desestimular o uso desse mecanismo.

    A única situação em que você acaba aceitando uma taxa diferente do consenso é quando aconteceu algum problema mais grave de liquidez no mercado naquele dia (excesso ou falta de dinheiro, mas 99% das vezes excesso) e todos os bancos estão na mesma ponta (todos com grana, e ninguém precisando, por exemplo). Aí não tem com quem você "se zerar", e precisa, através de algum dealer, acessar o BACEN no nivelamento de final de dia. O Dealer, obviamente, se aceitar fazer a intermediação para você, vai no mínimo repassar a taxa pior que ele vai receber do BACEN.

    Espero que, explicando esse mecanismo, você tenha entendido porque os bancos, independente do tamanho, operam em taxa perto da SELIC.

    Abraços.
  • Felipe Gonçalves da Silva  20/10/2016 22:37
    Acho que atrelar desempenho da Petrobrás e da economia brasileira à política desenvolvida no setor é errada. Até porque com essa mesma política a Petrobrás chegou a ter lucros exorbitantes. O que atinge diretamente o resultado da companhia e do setor é o preço do Barril que despencou enormemente nos últimos anos.
    Outro ponto a salientar é que não há outra empresa petrolífera que opere melhor em águas profundas, que a Petrobrás, até por isso, para eles também é interessante fazer parcerias com a empresa estatal. Alias, a única empresa que decidiu lançar vôos mais altos foi a OGX, e olha no que deu. Nem estou levando em consideração outros aspectos tais como Seguranca e meio ambiente, em que a Petrobrás segue rigorosamente a legislação vigente enquanto algumas empresas estrangeiras arrumam subterfúgios pra burlar isso e aumentar lucro. No cenário atual, com o preço do petroleo baixo e o custo alto de se explorar na camada pré sal, acho difícil alguma empresa estrangeira se interessar em explorar ou mesmo produzir algo no país. Só se o governo resolver "dar" a empresa... Aí sim quem sabe. Mas acho interessante qualquer Post sobre petróleo ou indústria, chamar alguém do ramo pra ajudar no debate do assunto, porque observar simplesmente pela "política" ou mesmo legislação é se ater apenas a superfície da questão.
  • Companheiro Camarada  20/10/2016 23:45
    Mas a obrigatoriedade da Petrobras de participar da exploração de petróleo na camada pré-sal ainda não acabou. O projeto foi apenas aprovado em uma Comissão Especial, e a essas alturas deve estar ou na Câmara ou no Senado.

    Por outro lado, como o projeto também não deve ter muita dificuldade para ser aprovado, consideremos o artigo atualizado para o futuro.

  • Wesley  22/10/2016 01:25
    O Brasileiro é um povo exótico. Para ele, pagar por uma gasolina cara e batizada com etanol é algo bom, pois o mais importante é que "o petróleo é nosso". Além de ser obrigado a sustentar uma estatal ineficiente que é aparelhada por funcionários públicos que ganham muito e produzem pouco, políticos inescrupulosos e sindicalistas pelegos, ainda por cima é obrigado a sustentar os barões da indústria do etanol - já que a gasolina é obrigada por lei a ter etanol na composição.

    E há bizarrices nesse país que são verdadeiras jabuticabas. O brasileiro aceita pagar um preço absurdo em tudo que é vendido aqui. O baronato da ANFAVEA vende as carroças deles que outros países não aceitariam comprar por 50K e as pessoas aceitam pagar e não boicotam. Produtos importados são vendidos com uma margem de lucro de mais de 200% e as pessoas ainda assim pagam.

    O Brasil é um país que parece estar isolado do resto do planeta, pois essas bizarrices só ocorrem aqui. Entre os brasileiro explorados há dois grupos: os idiotas que aceitam serem explorados por patriotismo ou ideologismo. E os malandros que aceitam essas coisas porque querem algo em troca, ou estar roubando também ou qualquer outra coisa.
  • Paulo Bat  24/10/2016 22:21
    Wesley
    - O preço da gasolina é alta porque os impostos são altos (38%). Assim como o preço dos celulares, livros, passagem de ônibus e etc. Os impostos sobre consumo são altos no Brasil.

    - Se a gasolina é cara, é só abrir uma importadora de combustiveis e importar. Sabe porque a Shell, a Ipiranga e as outras não fazem? Porque preferem comprar da Petrobras. Pois o preço de realização da Petrobras (31% do preço de venda na bomba) é semelhante se for importado. Nos últimos tempos até houve alguma importação.

    E a Petrobras não é incompetente. Mesmo num país sem capitais e pobre de inovação tecnológica, tornou-se lider mundial em águas profundas, tendo descoberto campos de petróleo gigantescos e hoje produz mais de dois milhões de barris por dia. Só oito paises do mundo produzem mais que a Petrobras:
    Arábia Saudita, EUA, Russia, Kuwait, Emirados, Iran, Canadá e Iraque.

    E após a quebra do monopólio em 1997, a Petrobras teve mais sucesso que todas as dezenas de empresas que se instalaram no Brasil juntas. Muitas descobertas sozinha e muitas em sociedade com empresas estrangeiras e brasileiras. Leia o artigo que o Pedro Saad linkou no artigo dele acima sobre um estudo do Senado sobre Libra. Aliás, muito bom

    - Quanto ao etanol ele é adicionado como anti-detonante, em substituição ao chumbo-tetraetila que é venenoso e foi abolido acho que na maioria do mundo. Veja em gasoline ethanol mix a mistura nos EUA e na Europa.

  • Andre  25/10/2016 00:50
    Brasileiro toma no rabo e ainda agradece, sem contar os que defendem governo e estatais, é por isso que moro em zona de fronteira amigo, as opções aumentam brutalmente, pago baratinho em tudo que é caro no Bostil, não compro produtos da Petrossauro que coloca incríveis 27% de álcool na gasolina, no Peru e Chile é 7%, no Uruguai e Argentina 5%, além de roubar a população para fazer projetos faraônicos mais caros que levar o homem pra marte, saia bem mais barato comprar petróleo fora, essa empresa enfia o nabo no povo em nome da soberania nacional e este povo medíocre aplaude.
    Povo brasileiro só quer saber de status e decorar a casca, enquanto o interior está vazio, quando visitei a família em Sampa fui com minha Ford Raptor cheia de presentes e coisas para reformar a casa da minha mãe, fiquei 2 semanas andando e trabalhando, a casa ficou igual de novela, voltei 6 meses depois e para minha surpresa vi vários carros zero nas garagens e as casas do bairro com reformas externas, depois minha mãe falou que os vizinhos todos se mordiam de inveja e não queriam ficar atrás, gastaram os tubos para mostrar que estão bem financeiramente, essa semana um deles teve busca e apreensão do veículo.
    Pare de reclamar e encontre um jeito de explorar esse povo você também, eles imploram e ainda agradecem, é mais fácil que imagina e tudo dentro da lei, abra sua cabeça para empreender e encontre seu nicho de atuação.
  • Paulo Bat  26/10/2016 20:25
    André
    A Petrobras só vende gasolina pura, sem álcool, para as distribuidoras. As distribuidoras compram gasolina da Petrobras, ou importam, pois não são obrigadas a adquirir da Petrobras. Elas também compram etanol (álcool etílico) dos produtores de álcool e misturam na gasolina com teor determinado do governo e não pela Petrobras que nem comercializa etanol. Só derivados de petróleo.

    As mais de 200 distribuidoras instaladas no Brasil podem comprar gasolina de quem quiser ou importar, pois o monopólio do petróleo acabou em 1997, ou seja, a quase 20 anos. Se elas preferem comprar da Petrobras, reclame com elas.

    Outra coisa, qualquer empresa pode instalar uma refinaria no Brasil e comprar petróleo bruto de quem quiser para fazer derivados. Por que ninguém faz? Deve ser porque preferem comprar a gasolina da Petrobras ao invés de invés de investir numa refinaria.

    Se, como você diz, é mais barato comprar petróleo lá fora, porque gigantes da indústria mundial são sócias da Petrobras em projetos de águas profundas, tanto do pré quanto do pós sal?

    Entre outras, estrangeiras e brasileiras, temos:
    Shell e Total (respectivamente a segunda e a quarta maiores empresas de capital aberto do mundo), BP (segunda maior britânica), BG (terceira maior britânica), Chevron (segunda maior americana), Statoil (maior norueguesa), Repsol (maior espanhola), Galp (maior portuguesa) e três empresas chinesas de grande porte, entre elas a Sinopec, maior empresa do leste asiático.
  • Wilson  26/10/2016 21:42
    Mas foi só a partir do ano passado, com a disparada do dólar e os reajustes do preço da gasolina pelo governo, que a importação de gasolinacomeçou a ser liberado.

    Mas de nada adianta, pois, "como os portos, tanques e dutos, para a armazenagem e transporte dos produtos, são todos de propriedade da Petrobras, as distribuidoras dificilmente concorrerão com a estatal no mercado", diz Alisio Vaz, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), que reúne empresas como Chevron, Ipiranga, Ale e Raízen, que tem a Shell como sócia.

    De modo que "é improvável o surgimento de novos grandes importadores de combustíveis no Brasil, além da Petrobras. [...] Isso porque a logística de distribuição no país é dominada pela Petrobras e novos importadores poderiam se indispor comercialmente com a estatal, perdendo contratos de fornecimento no futuro, segundo especialistas e analistas de bancos."

    Montar portos (com tanques e dutos) não é livre. O estado tem de autorizar.

    De resto, a Petrobras detém um monopólio prático da extração de petróleo. Após mais de 40 anos de monopólio jurídico (quebrado apenas em 1997), a Petrobras já se apossou das melhores jazidas do país. Nem tem como alguém concorrer. É como você chegar atrasado ao cinema: os melhores assentos já foram tomados, e você terá de se contentar.
  • Andre  26/10/2016 22:17
    A porcentagem de 27% álcool na gasolina é obrigatória pela ANP, controlada pelo dono da Petrobras, graças a tal adição temos bizarrices como um celta 1.0 no Brasil ser mais beberrão que Tucson 2.0 chilena, gasta-se mais da mistura, vende mais gasolina, mais receita para Petrobras.
    O colega Wilson explicou muito bem tudo para você Paulo, só vou esclarecer sobre a importação que parece não ter explicado muito bem, para chegarmos à produção atual hoje, o investimento em equipamentos, em capital humano, em tempo e desmoralização do país graças ao maior caso de corrupção da história da humanidade desde as cavernas, foi tão grande que não compensa a produção atual, se tivéssemos comprado tudo fora, este dinheiro poderia ter sido aplicado no que realmente o brasileiro sabe fazer bem, destaque para o agronegócio, e com os recursos, comprar o petróleo, como tantas nações crescendo bem fazem mundo afora.
    O mal, o atraso e prejuízo que esta sugadora de recursos escassos causou já se tornou irremediável, tivemos o melhor corpo técnico do país perseguindo por mais de 50 anos um orgulho nacional bobo e inútil que nos condenou a pobreza.
  • Paulo Bat  27/10/2016 22:29
    Wilson

    Concordo com você com o fato do Brasil ser um cartório que só quem é amigo do dono do
    cartório leva vantagem. Além de violar uma lei tão forte quanto a lei da gravidade:
    a lei da oferta e da demanda.

    Agora, em relação à alguns pontos levantados por vocês, tenho algumas observações:

    1) Em relação à importação da gasolina, até 2014 não era vantajoso importar pois a
    Petrobras vendia mais barato que o mercado. Tanto é que o prejuízo da Petrobras com
    esta diferença entre 2010 e 2014, quando o petróleo estava acima de 100 dólares por
    barril, chegou a mais de 100 bilhões de reais.
    Tudo graças à política equivocada da Dilma e do Mantega de tentar frear a inflação congelando
    o preço da gasolina. Isto não deu certo nem nos governos militares nem nos governos
    Sarnei e Collor.

    Mas ninguém lembra quando a gasolina vendida pela Petrobras está mais barata que no
    mercado, o que ocorre na maior parte do tempo. Só quando está maior, o que ocorre na menor
    parte do tempo.

    Após a situação da Petrobras ficar insustentável, e a inflação não cair, finalmente
    houve o aumento concedido pelo governo. Só que, em paralelo, o preço internacional do
    petróleo caiu. Assim, ao invés do preço da gasolina ser recomposto, ficou acima do
    mercado.

    E aí, as distribuidoras, que tinham vantagem em comprar da Petrobras,
    começaram a querer importar. E elas estão certas!!! Não foram elas que congelaram o
    preço da gasolina, nem aumentaram, depois quando o preço internacional caiu.
    Se tiveram vantagem, foi pela política errada da dupla Dilma/Mantega.

    Aliás, nos últimos meses houve um aumento da importação de gasolina por importadoras.

    2) Em relação a tudo pertencer à Petrobras (terminais, tanques e dutos), concordo.
    Afinal ela passou 60 construindo este parque fabril. Mas, desde 1998 o monopólio
    acabou (e já foi tarde). É claro que quem é dono de algo não vai liberar de bom
    grado. E quem chega depois, quando tudo está pronto, usa dos lobbies para usufruir do que
    foi construído por terceiros.

    Aliás, Chevron e Shell são duas grandes parceiras da Petrobras. A Chevron, segunda maior
    empresa americana, no campo de Voador. E a Shell, segunda maior empresa mundial de
    capital aberto, é a maior sócia da Petrobras nos campos do pré-sal: Libra, Lula,
    Sapinhoá, Berbigão, Sururu, Atapu e outros.

    Quanto ao que foi colocado na sua resposta,de que não querem se indispor com a Petrobras,
    o que posso dizer e que as empresas sócias da Petrobras nos projetos de produção,
    tanto do pré-sal quanto do pós-sal, tem liberdade para vender seu petróleo para quem quiser,
    mesmo a Petrobras sendo a operadora do campo. Até meados de 2014 trabalhei numa petroleira européia
    que é sócia da Petrobras no pré-sal em diversos projetos. No início ela vendia para a
    Petrobras, pois não tinha estrutura. Como os contratos da Petrobras são de longo
    prazo, esta empresa resolveu vender no mercado spot. Começou a exportar para o Chile.
    E não houve nenhuma indisposição com a Petrobras. Por isto, cuidado com o que é
    dito na imprensa.
    Há, já estou fora da empresa. Mas imagino se ela não se arrependeu de vender em
    contrato de longo prazo para a Petrobras. Afinal, o mercado spot despencou, chegando
    a 28 dolares por barril (brent) e atualmente está na faixa de 50.

    3) "monopólio prático da extração": A Petrobras não se "apossou das melhores jazidas do
    pais". Ela investiu em exploração, descobrindo centenas de campos,
    e produção, passando a ser uma das maiores produtoras do
    mundo.

    Além disto, os maiores campos da Petrobras (do pré-sal) ela descobriu em blocos que ela
    disputou com as maiores petroleiras mundiais, na segunda e na terceira rodada, após a
    quebra do monopólio.E, tendo como sócias minoritárias empresas europeias, americanas e
    chinesas.

    ANDRÉ

    1) Quem define a porcentagem de etanol na gasolina é o Conselho Interministerial
    do Açucar e do Álcool (CIMA)
    sendo regulamentado por lei. Ou seja, mais um
    cartório brasileiro, neste caso um lobby dos usineiros.

    O CIMA foi criado em 2000:
    https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3546.htm

    2) Quanto à sua afirmação: "a importação que parece não ter explicado muito bem,
    ..., como tantas nações crescendo bem fazem mundo afora."

    Sei que não adianta tentar mostrar a você o que o mundo inteiro sabe:
    Graças ao investimento que começou nos anos de 1970, para fazer frente à disparada dos
    preços do petróleo, o Brasil se tornou um dos maiores produtores mundiais e, a preços
    extremamente competitivos.

    Não sei se você sabe, mas o custo de extração do óleo dos campos do pré-sal é de
    cerca de US$ 8,00 o barril. Quem diz isto é a Petrobras e suas sócias nos campos já
    em produção: BG, Repsol, Petrogal, Sinopec. E se não fosse tão baixo, a Shell e a Total,
    segunda e quarta maiores empresas de capital aberto do mundo não se tornariam sócias
    minoritárias da Petrobras no campo de Libra.

    PS: SÓ LEMBRANDO:

    A PETROBRAS é uma empresa de economia mista, com o seguinte perfil:

    Capital total:
    União 39%
    Pessoas jurídicas e físicas: 61%

    Divididas nas bolsas de New York, São Paulo e Buenos Aires. É só entrar no site de Wall Street e pesquisar.
    É claro que apesar da União só ter 39% das ações, ela tem 51% das ações com direito a voto.
  • Vinicius  27/10/2016 23:48
    Confiança em planilhas de custos governamentais é perigo na certa, ainda mais na Petrobras que tem notas baixíssimas nos níveis de governança corporativa da Bovespa, colocar dinheiro sem acesso a planilhas de custos operacionais auditadas por uma Deloitte da vida não é investimento, é especulação, e cedo ou tarde o mercado corrige o valor, ganhei muito dinheiro com corretagem de PETR4 e 3 com os bem sucedidos da classe média que queriam "investir a longo prazo" e joguei tudo o que ganhei em dólar e NYSE.

    Não entendo de petróleo como vocês, mas entendo de investimento, e de balanços, principalmente em commodities, e concordo com o André que o que foi investido em petróleo no Brasil todos estes anos teria um retorno muito maior em outros setores mais dinâmicos que poderiam dar um nível de vida muito superior para nossa população, infelizmente a conta ficou com o contribuinte e poucas pessoas se beneficiam do setor do petróleo.

    Quanto aos parceiros dela no pré sal, isso também não valida as planilhas de custos sombrias, e estas cias que citou, conheço muito bem a composição do patrimônio delas, mantém investimentos claramente deficitários em seus balanços como muito do shale gás, areias de Alberta e golfo do México, justificando como presença estratégica e adquirir know how.

    Controle da Petrobras, Paulo caiu na conversa do investidor iniciante, no valor total o governo de fato tem perto de 40% , mas este detém sozinho 51% das ações ordinárias PETR3 com direito a voto e por meio de satélites governamentais chega a 65% , fazendo da Petrobras na prática estatal pura, já que TODAS as atas de reunião os representantes dos acionistas privados discordam de tudo que o governo faz, com uns incautos pagando a conta de ter um papel caro, pouco transparente, carregado de dívida, com volatilidade digna de empresas muito menores e que agora nem dividendos paga, sério, só corretor e trader ganham dinheiro com isso, parem de comprar PETR4, tem coisa muito melhor.

    www.econoinfo.com.br/governanca-corporativa/posicao-acionaria?codigoCVM=9512

    Mas ao mesmo tempo em que esse ranço ideológico anti mercado e um nacionalismo exacerbado me ajudaram bastante a prever o que, quando e como investir, vejo outras nações parecidas com o Brasil diversificando suas economias e estas são exatamente as que tem algum crescimento para apresentar, 2% Colômbia e México e suas populações foram poupadas de serem ainda mais castigadas por erros estratégicos do governo metido a empresário.
  • Andre  28/10/2016 00:44
    Petrobras, números que o Paulo deu / mandou pesquisar:

    custo de produção présal (divulgado na imprensa e pelo Paulo): US$8/ barril
    produção do présal: 1 milhão bpd (para facilitar a conta)
    preço do barril: US$ 45

    Subconclusão, só o présal garante lucro bruto de US$37 milhões de dólares em lucro por dia, US$ 3,3 bilhões por trimestre, excelente projeto, vai aumentar os investimentos na área em navios e sondas para aumentar ainda mais a produção.

    Dura realidade:

    Custo de produção: (compromissado em balanço auditado e assinado) US$45 a média do barril, não especifica campo, área ou projeto.
    produção do présal: 1 milhão bpd (para facilitar a conta)
    preço do barril: US$ 45
    Situação: Redução dos investimentos e desinvestimento, sem encomenda de sondas para a Sete, nem Fast Supply Vessel, bem como os barcos patrulha da marinha cancelados e uma série de outras retrações desestruturando o setor.

    Conclusão: atitude bem estranha, mesmo para a Petrossauro não investir de onde vem um bom lucro. Se está sentada em cima de uma mina de ouro e sabe disso, porque vai vender a pá?
  • Fernando  22/10/2016 10:30
    Por que vocês dizem que as empresas são massacradas pelos altos impostos, bla bla bla, se quando a Petrobras baixa o preço, os postos vão lá e fazem a gasolina ficar MAIS cara?

    https://www.google.com.br/amp/g1.globo.com/economia/noticia/2016/10/impacto-da-reducao-de-precos-de-combustiveis-nos-postos-nos-estados.amp?client=safari
  • Moraes  22/10/2016 13:45
    Oi?!

    O que tem a ver o c* com as calças? Não houve nenhuma redução de impostos. Houve apenas uma redução (de centavos) no preço cobrado pela Petrobras às distribuidoras. Só.

    O que isso tem a ver com carga tributária e impostos? Nonsense total de sua parte.

    Ah, sim, esse aumento observado nas bombas tem inúmeros fatores, sendo o principal o fato de que postos de gasolina são uma das reservas de mercado mais antigas do país.

    Não há nenhum liberdade de entrada para qualquer concorrrência neste ramo.

    Tente abrir um para você ver. Alem das imposições da ANP, há toda uma cornucópia de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança que fazem com que abrir um posto de combustíveis seja uma atividade quase que restrita aos ricos — ou a pessoas que possuem contatos junto ao governo. Livre concorrência nesta área nunca existiu.

    Você só consegue se tornar dono de um posto de gasolina se o seu atual dono lhe passar o ponto.

    Apenas veja na sua própria cidade. Qual foi a última vez que você viu um posto de gasolina ser aberto? Eu já estou com 35 anos e, em todas as cidades que eu conheço (para as quais sempre viajo com frequência), os postos são sempre os mesmos. Estão nos mesmos locais e nenhum novo foi aberto. E isso já faz mais de 35 anos.

    Nenhum posto quebra, nenhum posto surge.

    Comece por aí...
  • Andre  22/10/2016 14:11
    Preço para abrir um posto de gasolina no Brasil: aprox R$2.000.000,00 mais o amiguismo para driblar a burocracia soviética;
    Preço para abrir um "posto" de gasolina nos EUA, com o uber dos combustíveis não mais do que US$ 15.000,00 já incluso a caminhonete, burocracia mínima.
    Preço para abrir um posto de gasolina numa nação africana petroleira: US$ 50,00, sim cinquenta dólares, é uma bomba manual, umas garrafas de vidro e uma placa, burocracia nula.

    O Brasil é uma ilha de livre iniciativa cercado de governo por todos os lados.

  • Wellington  22/10/2016 18:50
    As duas únicas soluções que eu vejo pro Bostil melhorar é:

    1) um golpe de Estado
    2) 50% da população ir embora

    Se não ocorrer isso, esse país vai continuar na mesma por tempo indeterminado.
  • anônimo  22/10/2016 14:03
    aproveitando a discussão: Há algum tempo atrás, nós tinhamos postos Texaco, Esso, Forza, Agip, e hoje em dia não existe nenhum desses mais. Pelo menos aqui no Rio de Janeiro.

    Alguém sabe o motivo?
  • Frentista  22/10/2016 14:10
    Todas essas distribuidoras foram compradas por outras distribuidoras e mudaram de bandeira.

    Por exemplo, a Texaco no Brasil foi comprada pela Ultrapar, que controla a Ipiranga, em 2008:

    www.gazetadopovo.com.br/economia/dona-da-ipiranga-compra-postos-da-texaco-no-brasil-por-r-116-bilhoes-b4ougq96szasb1aby418g574e
  • Alfredo  22/10/2016 14:15
  • Roberto Alencar  23/10/2016 05:55
    E em 2014 os postos Forza passaram para a BR Distribuidora. A rede Ale é outra dessas que deve sumir. Foi adquirida esse ano pela Ultrapar, controladora da rede Ipiranga. A BR Distribuidora tem cerca de 20% do mercado, a Ultrapar 18% e a Shell (Raízen) 11,5%. O restante está pulverizado.

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/06/1780921-ipiranga-compra-concorrente-por-r-22-bilhoes-e-encosta-na-lider-br.shtml
  • 4lex5andro  28/10/2016 02:17
    Tal como os setores de companhias aéreas e bancário, o setor de distribuidoras de petro-derivados tem cada vez ficado mais concentrado em meia dúzia de empresas, redundando em menos rivalidade nos setores; e coincidentemente esse fenômeno se intensificou com o advento das agências reguladoras, após 2001/2002.

    Faz uns vinte anos existiam, por exemplo, Atlantic, Texaco, Agip (mencionada em outro post), Esso; bem como Unibanco, Abn-amro e BBV, e também foram embora ou extintos/incorporados pelos concorrentes.
  • Paulo Bat  23/10/2016 23:11
    Prezado Pedro Saad
    Achei muito bom seu artigo. Atacou diretamente o problema de uma forma clara e precisa.
    Quando vi seu currículo, ainda de estudante, fiquei feliz em ver que nem tudo está perdido.

    Falo isto porque tenho 60 anos, trabalhei 31 na Petrobras e a sete anos trabalho para a iniciativa privada, tendo inclusive trabalhado para uma multinacional europeia aqui no Brasil. Hoje trabalho como consultor para uma empresa brasileira de produção de petróleo, sem vínculo empregatício. E nunca fui a favor do monopólio. Entre outras coisas porque após você entrar na Petrobras, fazer cursos duríssimos em engenharia ou geologia de Petróleo você se tornava u m profissional de empresa única.

    A mudança da lei do petróleo foi muito ruim para todos, conforme você bem descreveu, mas também para a Petrobras. Afinal, quem gosta de ser obrigado a entrar em todos os negócios?

    Afinal, não esqueçamos, a Petrobras é uma empresa de economia mista, com o seguinte perfil:

    Capital total:
    União 39%
    Pessoas jurídicas e físicas: 61%

    divididas nas bolsas de New York, São Paulo e Buenos Aires.

    Exatamente, hoje tem mais americanos que brasileiros acionistas da Petrobras. É só entrar no site de Wall Street e pesquisar.
    É claro que apesar da União só ter 39% das ações, ela tem 51% das ações com direito a voto.

    Assim sendo, os acionistas donos de 61% da Petrobras não gostaram.

    A multinacional europeia que trabalhei é sócia da Petrobras em diversos projetos. Nas reuniões que tínhamos lá, percebíamos que a maioria do corpo técnico era contra. Afinal, de repente você é obrigado a entrar em todos os projetos, mesmo que o corpo técnico considere o projeto de baixa atratividade.

    Agora, mesmo concordando em grande parte com seu artigo, se você me permite, tenho algumas observações:

    - Em relação ao pré-sal não ter entregado o prometido, o mesmo já produz, segundo o Boletim de Produção Mensal da ANP (pode ser verificado no site), mais de um milhão de barris por dia. Se você comparar da primeira descoberta ao primeiro milhão por dia, o pré-sal bateu o record da Bacia de Campos pós-sal, Golfo do México americano e Mar do Norte.

    A mudança da lei vai afetar a produção a mais longo prazo.

    - Em relação à Petrobras ter tido maior pressão após a quebra do monopólio, concordo e afirmo que foi muito bom.

    Mas aPetrobras já tinha muito sucesso anterior:
    Foi lider mundial em exploração de petróleo em águas cada vez mais profundas, desde 1977 até os anos 2000.
    Descobriu campos de petróleo gigantes como Albacora, Albacora Leste, Marlim, Marlim Sul, Barracuda, Roncado e Jubarte, todos no pós-sal da Bacia de Campos.

    Como dizia Roberto Campos " se a Petrobras é incompetente, não merece o monopólio. Se é competente, não precisa. "

    A história mostrou que após a quebra do monopólio, em 1997, a Petrobras teve o maior sucesso da vida dela, encontrando campos super-gigantes no pré-sal.
    OBS: Campo gigante: tem mais de 500 milhões de barris recuperáveis; campos super-gigantes: tem mais de cinco bilhões de barris recuperáveis.

    Em igualdade de condições com empresas do mundo inteiro, a Petrobras encontrou dezenas de campos de todos os tamanhos enquanto que as concorrentes não encontraram quase nada. De alguma relevância, A Statoil descobriu Peregrino, a Devon encontrou Polvo. As descobertas da Shell, Ostra, Nautilus e outroe dois foi num bloco exploratório que a Petrobras era dona e repassou à Shell, ficando sócia minoritária.

    Em relação ao que você descreva como inevitável, a mudança do marco do petróleo, vale descrever como algo fantástico, se mal usado pode se tornar fatídico..

    Na industria do petróleo mundial existem três situações: alto, médio e baixo risco.
    Alto risco seria o pós sal do Brasil, o Golfo do México e o Mar do Norte, por exemplo. Neste caso, normalmente se usa o regime de concessão, onde os riscos e prêmios são do concencionário, via pagamento de royalties.
    Baixo risco é o Oriente Médio. Neste caso, em geral o regime é de prestação de serviços. A empresa recebe por serviços realizados e o petróleo é todo do contratante. É ruim? Nenhuma petroleira europeia ou americana se nega a trabalhar para os árabes.

    Finalmente, o caso intermediário é o de partilha.

    Ou seja, os três casos existem no mundo e nos três casos há empresas interessadas.

    Quando a Petrobras descobriu oito acumulações de petróleo em oito poços perfurados (índice de sucesso de 100%), os olhos brilharam. Muitos falaram: "É um novo oriente-médio". E este que foi o problema, não somos um oriente-médio. Aí criaram este monstrengo obrigando a Petrobras a ser operadora única e criando a PPSA, mais uma estatal e, neste caso, 100% estatal.

    O leilão de Libra não tinha como dar certo pois como a Petrobras era obrigada a ser operadora, houve reuniões prévias de todas as interessadas com a Petrobras. Ou seja, o leilão foi prévio. Na hora do leilão oficial não tinha como ter mais de um consórcio.

    Isto não quer dizer que o resultado foi de todo ruim. A Shell é a segunda maior empresa de capital aberto do mundo. A Total é a quarta. Libra vai trazer muito resultado para o Brasil. Os investimentos serão elevados, até por força de contrato.

    Oproblema não é o contrato de Libra em sí mas o resultado no "congelamento" de novas rodadas que atrofiaram a área do petróleo no Brasil.

    E por azar d os azares, a at ividade do petróleo foi reduzida extremamente em todo o mundo, fruto da queda da cnotaão, de 110 para menos de 50 dolares por barril

  • Lel  24/10/2016 16:06
    Ótimo artigo.
  • anonimo  26/10/2016 01:20
    O Governo Dilma pede nos leilões 40% de lucro no óleo, países exportadores pedem 80% e o congresso nacional pede 60%.
    O Brasil dá Petróleo de graça para os estrangeiros e vende caríssimo para os trouxas brasileiros.
  • Emerson Luis  30/10/2016 13:39

    A Noruega é uma exceção. Para a maioria dos países com grandes reservas, possuir muito petróleo foi uma maldição disfarçada de bênção.

    O socialismo dura enquanto durar o dinheiro dos outros. Mas riquezas naturais podem dar um longo fôlego extra para governos autoritários.

    * * *


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