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Gastos públicos são lucros privados: quando o governo gasta, ganham os grandes e perdem os pequenos
Por isso, conter o crescimento dos gastos é absolutamente essencial e moral

Eis algo que ainda não foi devidamente compreendido: quando os gastos do governo aumentam, os maiores beneficiados são alguns empresários privilegiados (ou ineficientes).  E os maiores prejudicados são os pagadores de impostos, da classe média ao pobre.

Defender aumento dos gastos do governo — ou ser contra sua redução ou mesmo contra sua contenção — é o equivalente a defender privilégios aos empresários favoritos do governo. 

Isso vale para todo e qualquer tipo de aumento de gastos. 

Se o governo disser que irá gastar mais com assistencialismo, os bancos irão financiar o déficit orçamentário do governo e os pagadores de impostos ficarão com os juros. 

Se o governo disser que irá gastar mais com saúde, além dos bancos, as empresas do ramo médico — desde as grandes fornecedoras de equipamentos caros aos mais simples vendedores de luvas de borracha — também irão lucrar mais. 

Se o governo disser que irá gastar mais com obras e investimentos públicos, além dos bancos, todas as empreiteiras selecionadas serão beneficiadas.

Se o governo disser que irá gastar mais com subsídios, além dos bancos, empresários e pecuaristas serão os privilegiados.

Se o governo disser que irá gastar mais com cultura, os grandes artistas e produtores serão os grandes ganhadores.

Para ser justo, tal constatação é tão óbvia, que até mesmo keynesianos defensores dos gastos do governo a reconhecem.  Um dos mais brilhantes representantes do keynesianismo, Hyman Minsky, deixou bem claro em que consistia todo o teatro keynesiano: endividar o contribuinte para engordar o capitalista.  Veja o que ele disse em um de seus livros mais importantes, Estabilizando uma Economia Instável:

Se o déficit público aumentar quando os investimentos privados e os lucros estiverem diminuindo, os lucros empresariais não irão diminuir tanto quanto diminuiriam na ausência deste déficit.  Com efeito, um Governo Grande serve para consolidar os lucros das empresas.

Direto ao ponto.  Sem embustes nem rodeios.  Tais palavras poderiam perfeitamente ser utilizadas no atual debate sobre a necessidade de conter os gastos do governo, a famosa "PEC do teto".

As três nefastas consequências dos gastos

A verdade é que não há nenhum mistério nisso.  E é estranho que poucos abordem as coisas desta maneira. 

Mas há muito mais.

Além da criação dos privilégios supracitados, a consequência mais explícita do aumento dos gastos do governo é o inchaço da máquina estatal e da burocracia.  Quanto mais o governo gasta, mais funcionários públicos ele contrata e, consequentemente, mais regulamentações e burocracias são criadas.  Logo, o peso da burocracia estatal cresce de acordo com os gastos.

Mais burocracia e mais regulamentações onerosas afetam diretamente a participação dos micro e pequenos empreendedores na economia, que não usufruem os mesmos privilégios dos grandes.  E as micro e pequenas empresas são responsáveis por gerar mais de 70% dos empregos na economia brasileira.  Com as micro e pequenas empresas prejudicadas, a geração de riqueza fica seriamente afetada.

Mas tudo piora.

Quando o governo gasta muito e gasta mais do que arrecada — como continuamente faz o governo brasileiro —, ele normalmente recorre a duas medidas para se manter solvente: ou ele aumenta os impostos ou ele se endivida ainda mais.  Como aumentar impostos é impopular — e, em vários casos, depende de aprovação do Congresso —, ele sempre recorre ao endividamento.

E quando o governo se endivida, isso significa que ele está tomando mais crédito junto ao setor privado.  E dado que o governo está tomando mais crédito, sobrará menos crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos. 

E isso é fatal para as micro, pequenas e médias empresas.

Imagine que você seja uma empresa à procura de crédito.  Você consegue pagar juros de até, digamos, 12% ao ano.  Mas aí vem o governo federal, com déficits enormes, e oferta uma enxurrada de títulos pagando 14,25% ao ano. 

Como você vai concorrer com ele?  Se o banco pode emprestar a 14,25% para o governo, sem risco nenhum, por que ele emprestaria a 12% para você, e ainda correndo muito risco de calote?

Com o governo em cena competindo pelo crédito e se oferecendo para pagar 14,25% ao ano, a única forma de você conseguir algum crédito é se dispondo a pagar juros de, suponhamos, 20% ao ano.  Por menos que isso o banco não vai lhe emprestar.  É muito arriscado.  Ainda mais em uma economia já recessiva.

E 20% ao ano, em uma economia recessiva, você dificilmente terá condições de pagar.  Logo, ficará sem nada.  Você não conseguirá financiamento, não empreenderá e, consequentemente, não criará riqueza.

E o efeito ocorre em cascata.  Se as pessoas físicas podem emprestar para o governo — via Tesouro Direto — por 14,25% ao ano, então os bancos pequenos e as financeiras terão de ofertar CDBs, LCs, LCIs e LCAs a taxas muito mais altas para conseguir concorrer com o governo por essa captação. 

Tendo de pagar mais pela captação, os bancos pequenos e as financeiras terão de cobrar juros mais altos de pequenos empreendedores como você, que recorrem a eles. 

No final, o crédito para investimentos produtivos se torna proibitivamente caro — por causa dos déficits do governo, gerados por seus altos gastos.

Se não fosse o governo, os bancos e as financeiras provavelmente teriam emprestado para você.  Mas com o governo em cena, suas chances se tornam praticamente nulas.

Apenas em 2015, o déficit orçamentário nominal do governo chegou a R$ 613 bilhões. Ou seja, foram R$ 613 bilhões que poderiam ter ido para investimentos produtivos e criado riqueza, mas que foram sugados pela burocracia estatal.

Portanto, dinheiro que poderia estar sendo emprestado para empresas investirem será direcionado para financiar os déficits do governo, fazendo com que vários investimentos ou não se concretizem ou se tornem financeiramente inviáveis por causa dos juros maiores causados pelo déficit do governo.  Neste segundo caso, o BNDES entra em cena com juros subsidiados por nossos impostos para socorrer os grandes, agravando ainda mais o problema dos pequenos (veja a explicação aqui).

Por último, e não menos importante, há o efeito inerentemente inflacionário dos déficits.  Os déficits orçamentários do governo são financiados pela emissão de títulos do Tesouro, os quais são majoritariamente comprados por uma lista exclusiva de bancos privilegiados, os chamados dealers primários.  E estes bancos privilegiados compram títulos do Tesouro por meio da pura e simples criação de dinheiro.

Déficits são, portanto, uma medida inerentemente inflacionária, a qual gera uma pressão direta sobre os preços.  E inflação de preços, como já comprovado, desorganiza toda a economia e ainda prejudica o poder de compra dos pequenos.

Conclusão

Não há escapatória: quando o estado gasta muito e se endivida, de um lado ele está garantindo os lucros de seus empresários favoritos e dos grupos organizados que ele adula; de outro, ele está encarecendo os investimentos produtivos e prejudicando os micro, pequenos e médio empresários. 

E afetando o poder de compra de toda a população.

Vale ressaltar que tentar combater os déficits orçamentários por meio do aumento de impostos apenas agrava tudo o que foi dito: os privilegiados seguem impávidos, a burocracia e as regulamentações mantidas pelos gastos do governo seguem intocadas e sufocando os pequenos, e estes agora têm de bancar tudo com mais impostos.

Por tudo isso, a ideia de limitar o crescimento anual das despesas do governo à inflação de preços (IPCA) do ano anterior, embora longe do ideal, já representaria um grande avanço em relação à verdadeira esbórnia que impera hoje, em que os gastos do governo aumentam sem qualquer critério.

De 2006 a 2015, o gasto não-financeiro do governo (com pessoal, custeio, programas sociais e investimentos) cresceu 93% acima da inflação e chegou a R$ 1,16 trilhão — com a regra defendida pela atual equipe econômica, o atual volume dos gastos do governo estaria em "apenas" R$ 600 bilhões.

Mais ainda: em 15 anos, os gastos do governo só não cresceram acima da inflação uma única vez.

A atual medida é boa, porém, ainda é insuficiente.  Pode-se fazer muito mais.  Em vez de apenas limitar o crescimento dos gastos, por que não cortar diretamente os gastos? 

Isso sim faria uma verdadeira redistribuição de renda.  E da maneira certa.

Por fim, vale ressaltar a ironia: os maldosos libertários defensores da contenção dos gastos e do déficit zero são aqueles que, no final, se recusam a enriquecer vários torpes capitalistas e privilegiados por meio da espoliação dos pagadores de impostos; já os intervencionistas "defensores do povo" são os principais aliados dos grandes empresários e privilegiados que obtêm grandes lucros simplesmente porque se beneficiam das consequências do aumento dos gastos do governo e do déficit público.

Gastos públicos são lucros privados.  É uma lástima que algumas pessoas ainda não tenham entendido de que lado realmente estão e quais interesses privados estão defendendo.

­­­­­­­­­­­­­­­__________________________________________________

Juan Ramón Rallo é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


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Diversos Autores

  • Ciro Gomes 2018  05/10/2016 15:36
    Sabe por que existe protecionismo? Não é nacionalismo tacanho não.
    1º)O Nivel de financiamento é o mesmo? Não, europeu, americano ou japones se financia com juros negativos, o produtor brasileiro se financia em 14%
    2º)O Nivel tecnologico é o mesmo? Não, estamos com atraso de três gerações dos desenvolvidos.
    3º)A Qualidade da mão de obra e a mesma? Nossos jovens mal sabe ler e escrever
    4º)O Nivel de poupança e o mesmo? Não.
    5º)Outros paises praticam o "livre mercado"? EUA e UE direto são denunciados na OMC
  • Leandro  05/10/2016 16:05
    "O Nivel de financiamento é o mesmo? Não, europeu, americano ou japones se financia com juros negativos, o produtor brasileiro se financia em 14%."

    E por que os juros são altos? Porque o governo, seguindo aquelas idéias que você defende, gasta muito, incorre em déficit, se endivida, e tem de sair pedindo emprestado a rodo. Ano passado, em consequência de políticas desenvolvimentistas adotadas desde 2012, o déficit orçamentário do governo chegou a R$ 115 bilhões.

    Ou seja, foram R$ 115 bilhões que poderiam ter ido para investimentos produtivos e criado riqueza, mas que foram sugados pela burocracia estatal.

    E você defende isso.

    De resto, tarifas protecionistas servem para proteger grandes empresas. E estas já contam com o BNDES, que cobra juros reais negativos.

    Portanto, você já começou se contradizendo e revelando assombrosa ignorância econômica.

    "O Nivel tecnologico é o mesmo? Não, estamos com atraso de três gerações dos desenvolvidos."

    Exatamente por isso é imperativo importarmos essa tecnologia -- pois não sabemos como fabricá-la -- e nos mantermos atualizados em relação ao resto do mundo.

    Agora, se você acha que fechar o mercado gera eficiência, então você tem de explicar por que a reserva de mercado da década de 1980 não transformou o Brasil numa potência da informática.

    Enquanto todo o mundo desenvolvido tinha computadores decentes, tínhamos Itautecs e Cobras. Mas tínhamos "orgulho nacional".

    Acreditar que a maneira de aumentar a eficiência e a produtividade é abolindo a concorrência é o tipo de pensamento que o torna plenamente qualificado para ser o sucessor de Dilma.

    "A Qualidade da mão de obra e a mesma? Nossos jovens mal sabe ler e escrever"

    Por isso, devemos proibir a compra de livros estrangeiros -- pois são importação -- e temos de proibir também a compra de aparelhos tecnológicos estrangeiros, no quais poderíamos aprender a fazer engenharia reversa (pois isso também seria importação).

    Nosso desenvolvimento será uma parada.

    "O Nivel de poupança e o mesmo? Não."

    Exatamente por isso temos de liberar as importações para que os preços e custos caiam em toda a economia e, consequentemente, as pessoas gastem menos com produtos básicos e poupem mais.

    O protecionismo, por outro lado, destrói a poupança nacional.

    Tendo de pagar mais caro por produtos nacionais de qualidade mais baixa, os consumidores nacionais ficam incapacitados de consumir mais e de investir mais. A restrição às importações e a reserva de mercado criada por ela faz com que a capacidade de consumo e de investimento da população seja artificialmente reduzida.

    E sempre que a capacidade de consumo e de investimento da população é artificialmente reduzida, lucros e empregos diminuem por toda a economia.

    Assim, empregos de baixa produtividade nas indústrias protegidas são mantidos à custa de empregos de alta produtividade em empresas que tiveram suas vendas reduzidas por causa da queda da capacidade de consumo e de investimento das pessoas.

    Logo, toda a economia se torna mais ineficiente, a produção diminui, os preços médios aumentam, e os salários reais caem.

    E a poupança desaba.

    Parabéns por constatar o óbvio: não temos poupança. Falta agora você fazer uma simples análise de causa e consequência.

    "Outros paises praticam o "livre mercado"? EUA e UE direto são denunciados na OMC."

    A tarifa de importação média dos EUA é de 1,5%. Da EU é de 1%. Quando são denunciados na OMC é por causa de subsídios agrícolas (completamente idiotas).

    Se eles realmente fossem protecionistas (o que não são), o enriquecimento deles teria sido um genuíno milagre.
  • Márcio  05/10/2016 17:13
    Leandro, mas a nossa tarifa média é de 7,5%, ou seja, pequena também.
    Outra coisa, se fôssemos parlamentaristas seríamos mais liberais?
  • Leandro  05/10/2016 18:35
    Pequena?!

    Somos a economia mais fechada do mundo:

    exame.abril.com.br/economia/noticias/as-10-economias-mais-fechadas-do-mundo-o-brasil-lidera

    Essa tarifa de 7,5% (7,5 vezes maior que a da UE e 5 vezes maior que a dos EUA) é apenas a tarifa média, e é bastante impactada (para baixo) pelos acordos do Mercosul. Para todo o resto dos produtos fora do Mercosul, nossa tarifa é extremamente. Para carros, por exemplo, é de 35%. Para qualquer importação via internet é de 60%.

    Tarifa de importação de 60% não é "tarifa baixa"

    Recentemente, as tarifas foram elevadas para praticamente tudo o que você imaginar: automóveis, pneus, produtos têxteis, calçados, brinquedos, lâmpadas, sapatos chineses, tijolos, vidros, vários tipos de máquinas e até mesmo de produtos lácteos.

    Sobre o parlamentarismo, não é minha área.
  • Governo fede  11/10/2016 15:21
    Uma coisa que me incomoda é esse papo de que o "imposto de importação" é de x%... nunca é menos de 100%!
    Você tem UM imposto de x%, depois vários OUTROS impostos EM CIMA, fora "taxas" ridículas como aquela de financiar a nossa orgulhosa marinha... e isso tudo salpicado a todo momento com regulamentações, formulários, proibições e um sem-fim de burocracias que eu já desisti antes mesmo de descobrir quanto que iria me custar de verdade um produto importado.
    O negócio é abandonar essas tentativas de fazer algo sério e importar apenas as pequenas bugigangas via internet, pequenas, baratas e com pouca chance de bater no fisco.
  • Renan Merlin  05/10/2016 17:19
    Leandro tem como o Brasil ficar rico e desenvolvido apenas sendo mero exportador de comoditties? Não estou dizendo que protecionismo é que ja escutei varios econômistas inclusive liberais dizendo que pais fica rico com industria de alta tecnologia e depois vai pro setor de serviços ja o Brasil fez isso antes de ficar rico.
  • Leandro  05/10/2016 18:59
    Alguns detalhes do mundo atual:

    1) 1) Nova Zelândia e Austrália eram subdesenvolvidos (a Nova Zelândia era terceiro mundo até a década de 1980), viraram desenvolvidos, são hoje extremamente ricos. Como? Seguem tendo como pauta de exportação commodities de baixo valor agregado.

    2) Para você ter uma ideia, na Austrália, não há nenhuma grande montadora de automóveis. E, na Nova Zelândia, nem sequer há montadora de automóveis. Eles já perceberam que é muito mais negócio importar carros baratos do que direcionar recursos escassos para fazer algo em que não são bons. Eles sabem que isso seria burrice.

    Eis o segredo: abertura total ao investimento estrangeiro.

    3) Laticínios, carne, lã, madeira, peixe, alumínio, e produtos de papel. Todos eles commodities. E sabe o que eles representam? Toda a pauta de exportação da Nova Zelândia.

    4) Carvão, minério de ferro, lã, alumínio, trigo, carne e algum maquinário. Sabe o que eles representam? Toda a pauta de exportação da Austrália.

    5) Por que o Brasil teria de fabricar absolutamente tudo aqui dentro, sendo que é muito mais inteligente comprar de quem já tem o know how da fabricação? De novo, Austrália, Nova Zelândia e principalmente Chile só exportam matéria-prima, não exportam nada de alto valor agregado, e se tornaram países desenvolvidos.

    6) Quem não acredita nessa possibilidade tem então de refutar a teoria das vantagens comparativas. Tem de explicar por que seria vantajoso querer concorrer com quem já domina a área. E tem de explicar também aos neozelandeses que eles devem urgentemente direcionar recursos escassos para construir uma fábrica de automóveis, ainda que seja muito mais vantajoso para eles comprar de outros países.

    7) Já imaginou se o governo do Japão cismasse que o país tem de virar uma potência na extração de petróleo? É exatamente isso o que os protecionistas e desenvolvimentistas querem.

    8) Hong Kong e Cingapura têm de importar toda a sua comida e toda a sua água. E têm os maiores PIBs per capita do mundo. Pela lógica protecionista e desenvolvimentista, era para eles urgentemente saírem desapropriando prédios e transformar tudo em pasto, pois é urgente plantar a própria comida.

    9) No que a Austrália e a Nova Zelândia são competitivas? No que o Chile é competitivo senão em vinhos e cobre? No que Hong Kong e Cingapura eram competitivos?

    10) No Brasil, há um vasto setor de serviços a ser explorado. Há todo um setor de turismo, totalmente subutilizado (há vários locais bonitos sem a mais mínima infraestrutura para turistas). Há setores tecnológicos de ponta (a Embraer, por exemplo). Nossas mineradoras são eficientes e pagam bem (para quem é bom).

    Em todos os países ricos, o setor de serviços ocupa quase 70% da economia.

    No entanto, protecionistas e desenvolvimentistas insistem em dizer que eu mesmo é que tenho de fabricar meu notebook.

    11) No Brasil, o protecionismo, as reservas de mercado e os subsídios às indústrias vigoram desde o ano 1500. Essas pessoas ainda querem mais? Em termos de protecionismo, as empresas brasileiras já não tiveram o bastante? O mercado brasileiro está praticamente fechado há mais de um século, não se desenvolveu, e ainda é necessário dar mais tempo?
  • Renan Merlin  05/10/2016 20:17
    Leandro a Nova Zelandia era subdesenvolvida ate os anos 80? Mas ate os anos o pib per capta deles eram de 7,4 mil dolares quase igual da Inglaterra e 3x maior que do Brasil.

    https://www.google.com.br/search?q=nova+zelandia+1975&biw=1360&bih=657&source=lnms&sa=X&ved=0ahUKEwin1pPYvMTPAhVBkpAKHdDOAGcQ_AUIBSgA&dpr=1#q=nova+zelandia+pib+per+capta
  • Leandro  05/10/2016 20:57
    Em 1980, era 34% menor que o do Reino Unido (que já vinha de uma década de estagflação) e 68% menor que o americano (que também vinha de uma década de estagflação).

    Hoje eles estão par a par com o Reino Unido e apenas 22% menores que os americanos. Eu quero.

    Sim, a Nova Zelândia era mais rica que o Brasil da época, mas comparar com o Brasil da década de 1980 e sua economia soviética é até covardia.

    Por outro lado, hoje somos mais ricos do que a Nova Zelândia era em 1980. Hoje, com um PIB per capita de $ 11.726 (que já foi de R$ 13.039 em 2011), somos 54% mais ricos do que era a Nova Zelândia em 1980.

    Já a Nova Zelândia, hoje, está com $ 44.342, tendo crescido 500% em quatro décadas.

    Ou seja, não há desculpas.
  • Enigma  06/10/2016 03:42
    Uma ressalva Leandro:
    A Embraer utiliza tecnologias de outros países para se sobrepor nesse setor de tecnologia de ponta.
    O KC - 390 é fabricado usando tecnologia portuguesa.
    Até mesmo o fisco chegou a reter inúmeras peças importadas pela fabricante Embraer.
    Eu também desconfio de uso de tecnologia chinesa em alguns aviões fabricados.
  • Reinaldo  06/10/2016 10:55
    Ok, mas o que é que tem isso a ver com tudo? Informação interessante, só não entendi o ponto dela.
  • Enigma  06/10/2016 15:34
    O ponto que a tecnologia não é 100% nacional como eu acho que ele destacou.
    Se competir de igual para igual com Boeing e Airbus, a Embraer não vai ter força suficiente para operar no mercado.
    O governo brasileiro sempre destacou que a Embraer deve ser defendida(protecionismo) com unhas e dentes, mostrando para todos os políticos que é a "galinha dos ovos de ouro".
    Aliás, Boeing e Airbus também sempre recorreram a práticas protecionistas, tanto os governos destes países quanto os executivos das empresas destacam que devem ser protegidas.
  • Leandro  06/10/2016 16:24
    Não entendi. Eu nunca falei que a tecnologia da Embraer é 100% nacional. E ainda bem que não é. Se fosse, a empresa ainda estaria fabricando apenas Bandeirantes e Tucanos.

    Globalização e livre comércio existem para permitir que empresas até então defasadas tecnologicamente possam adquirir insumos estrangeiros de alta qualidade para, então, aprimorar seus produtos, se tornar competitivas e, finalmente, serem reconhecidas e respeitadas mundialmente.

    Se não fosse o uso de componentes estrangeiros em sua aviônica, a Embraer continuaria sendo um nada. Óbvio, isso se chama divisão internacional do trabalho. Cada se concentra naquilo que faz melhor.

    Já no Brasil, tem gente querendo que fabriquemos absolutamente de tudo, jurando ser possível fazer tudo e bem feito, em uma completa negação da lei das vantagens comparativas.
  • Joaquim Saad  06/10/2016 17:26
    Não só na aviônica, mas basicamente na maior parte de todos os sistemas de qualquer de suas aeronaves, conforme testemunhei pessoalmente trabalhando lá por 6 anos em duas ocasiões.
  • Enigma  06/10/2016 17:45
    Conforme eu destaquei que a Embraer utiliza majoritariamente componentes importados, em um ambiente de abertura comercial, a empresa não irá se sobrepor nesse setor sem práticas protecionistas. Tanto pode surgir empresas novas nesse setor de tecnologia de ponta quanto concorrência externa como Boeing e Airbus entre outras.

    Eu pego como exemplo a China e a Boeing.

    Boeing fabricava aviões na China e o mercado chinês sempre foi atrativo para esse setor. Quando a China revolveu fazer os seus aviões, o que aconteceu com a Boeing? Foi basicamente expulsa do mercado chinês.

    China apresenta o C919 para competir com Boeing e Airbus

    Boeing 'vigia' fabricação de primeiro avião comercial da China

    Voltando ao assunto principal, a abertura comercial ou pode salvar a Embraer ou pode "afogá-la". Percebe-se que quando acontecer a abolição do protecionismo, essas mesmas empresas podem vir para o Brasil e concorrer diretamente com a Embraer.

    Somado tudo isso, eu acho difícil a Embraer concorrer diretamente com outras empresas sem práticas protecionistas.

    Esse é o problema Leandro, nós não somos bons nem em agronegócio que, basicamente é o carro-chefe da exportação brasileira.
    Eu recomendo ler essa matéria.
    Como três brasileiros chamaram a atenção do Google e da NASA

    Obs: Eu não defendo a prática de protecionismo, nossa tecnologia é atrasada por causa desses pensamentos nacionais-desenvolvimentistas.
  • Leandro  06/10/2016 18:10
    "Conforme eu destaquei que a Embraer utiliza majoritariamente componentes importados, em um ambiente de abertura comercial, a empresa não irá se sobrepor nesse setor sem práticas protecionistas."

    Como assim "se sobrepor"? Não entendi.

    E entendi menos ainda como é que ela irá "se sobrepor" (seja lá o que isso signifique) sem nem sequer ter acesso a componentes. Tipo, hoje ela os importa. E quando ela nem sequer puder importar? Ela vai ficar sem os componentes? E aí como é que ela vai "se sobrepor"?

    "Boeing fabricava aviões na China e o mercado chinês sempre foi atrativo para esse setor. Quando a China revolveu fazer os seus aviões, o que aconteceu com a Boeing? Foi basicamente expulsa do mercado chinês."

    Não entendi. Isso parece contraditório com o que você diz defender. Pelo visto, a presença de uma multinacional americana na China estimulou os chineses a buscar mais eficiência, ao ponto de fabricar um avião para concorrer com a Boeing e a Airbus. Ao meu ver, isso foi uma consequência impressionantemente positiva gerada pela concorrência estrangeira em solo nacional.

    "Voltando ao assunto principal, a abertura comercial ou pode salvar a Embraer ou pode "afogá-la"."

    Isso está em total contradição com a história que você narrou sobra a China.

    Mais: por que a abertura comercial -- que facilitaria e baratearia o acesso da Embraer a componentes de primeira qualidade -- "afogaria" a Embraer? Afogaria em quê?

    "Percebe-se que quando acontecer a abolição do protecionismo, essas mesmas empresas podem vir para o Brasil e concorrer diretamente com a Embraer."

    E, de novo, pela história que você narrou na China, as conseqüências foram excelentes.

    Aliás, você proibiria a Boeing e a Airbus de abrirem fábricas no Brasil? Essa é nova para mim. Exatamente nós que tanto carecemos de investimentos estrangeiros e de absorção de capital tecnológico de alta qualidade, vamos proibir essas gigantes de virem para cá produzir aqui? E tudo isso em nome de uma nacionalismo brizolista? Naftalina pura.

    "Somado tudo isso, eu acho difícil a Embraer concorrer diretamente com outras empresas sem práticas protecionistas."

    Isso não faz absolutamente nenhum sentido. Na prática, você está dizendo que se proibirmos a Embraer de importar aviônicos de alta qualidade, ela será mais eficiente; e se liberamos essa importação (como já é hoje), ela será menos eficiente.

    Total inversão da realidade. Você está dizendo que se você tiver de construir seu próprio laptop sozinho, tendo de fabricar absolutamente todos os componentes dele, ele será uma máquina imbatível perante todos os Apples e Sony Vaios do mundo.

    Isso, meu caro, não funciona nem para um sanduíche de presunto.

    "Eu não defendo a prática de protecionismo, nossa tecnologia é atrasada por causa desses pensamentos nacionais-desenvolvimentistas."

    Ok, que bom que você reconhece isso. mas tudo o que você acabou de dizer contrariam essa sua última frase

  • Joaquim Saad  06/10/2016 19:31
    Boeing e Airbus produzem aviões c/ capacidades acima de 180 passageiros (e.g. famílias de narrow bodies\single aisle "B-737" e "A-320"), sendo que desde sua fundação (e principalmente após sua privatização salvadora em 1994) a Embraer estrategicamente se estabeleceu no setor de aeronaves regionais (até aprox. 130 lugares em certas configurações do E-195) como forma de prudentemente não se meter na briga dos "cachorros grandes" e dos gigantescos subsídios que sempre receberam dos governos de suas respectivas nações\uniões-sede (retaliados\replicados por políticas análogas do BNDES\FAB bancando programas de questionável sucesso comercial como o do KC-390), disputando mercado praticamente apenas c/ a Bombardier (na América do Norte e Europa, pois no Brasil somente a Azul utiliza seus produtos, tão precária a infraestrutura daqui monopolizada pela falida Infraero, impedindo o livre investimento em aeroportos pela iniciativa privada).

    Talvez se não houvesse ANAC, Infraero, COMAER, CENIPA, DECEA, CTA, etc , junto c/ todas as intermináveis regulamentações que impõem sobre o setor no Brasil, a Embraer pudesse se arriscar a oferecer um aparelho de uns 200 assentos por aqui, onde a enorme demanda reprimida num país continental como este quem sabe pudesse oferecer espaço p/ uns 2 ou 3 fabricantes, os quais a propósito - e sem a menor sombra de dúvida - iriam imediatamente à falência em consequência de restrições à importação de peças e ferramentas neste segmento.
  • Enigma  07/10/2016 04:14
    Dassault, Bombardier, Hawker, Cessna são todos concorrentes da Embraer. Fora no setor de aviação militar que são outros concorrentes.

    Com relação a Boeing e a Airbus.
    Quando a COMAC foi fundada, o governo chinês barrou a fabricação de Boeings no país.
    China Commercial Aircraft
    CHINA APRESENTA JATO COMERCIAL PARA BRIGAR COM AIRBUS E BOEING
    Por que a China não barra a Airbus como barrou a Boeing? Hafei Aviation.

    "Talvez se não houvesse ANAC, Infraero, COMAER, CENIPA, DECEA, CTA, etc , junto c/ todas as intermináveis regulamentações que impõem sobre o setor no Brasil, a Embraer pudesse se arriscar a oferecer um aparelho de uns 200 assentos por aqui, onde a enorme demanda reprimida num país continental como este quem sabe pudesse oferecer espaço p/ uns 2 ou 3 fabricantes, os quais a propósito - e sem a menor sombra de dúvida - iriam imediatamente à falência em consequência de restrições à importação de peças e ferramentas neste segmento."

    Nunca questionei o livre mercado, mas eu também sou realista. Se um governo permitir a entrada de concorrentes aqui no Brasil, a Embraer irá a falência. Todo o mercado que a Embraer conquistou é pelo viés protecionista e pelas vendas na China.
    Por que você acha que a China prefere Embraer do que Bombardier ou Gulfstream? Sabemos que a Bombardier e Gulfstream são infinitamente superior a empresa brasileira.

  • Joaquim Saad  07/10/2016 13:50
    "Se um governo permitir a entrada de concorrentes aqui no Brasil, a Embraer irá a falência."

    Todas as empresas podem vender e vendem aviões por aqui, só que num nicho de mercado (aviões grandes, a partir de uns 200 assentos) não explorado pela Embraer, cujo foco (aviação regional) é praticamente 100% o exterior (devido à situação eternamente precária da infra-estrutura aeroportuária de banânia).

    "Todo o mercado que a Embraer conquistou é pelo viés protecionista e pelas vendas na China."
    A grande maioria dos clientes da Embraer (famílias ERJ-145\140\135 e E-170\175\190\195, além de Legacy 650\500) está espalhada pela América do Norte e Europa. A fábrica em Harbin na China foi uma tentativa (já abortada) da empresa de se estabelecer por lá, onde vendeu algumas aeronaves.

    "Por que você acha que a China prefere Embraer do que Bombardier ou Gulfstream? Sabemos que a Bombardier e Gulfstream são infinitamente superior a empresa brasileira."

    "Sabemos" é muita gente ! Os aviões da Embraer têm o mesmo padrão dos produtos dessas empresas (e mesmo de Boeing ou Airbus). Não é à toa que nelas trabalham centenas de ex-funcionários (principalmente colegas engenheiros) da fabricante brasileira.
    obs: mesmo a GulfStream, focada exclusivamente no mercado executivo, enfrenta agora a concorrência de aeronaves da Embraer bastante sofisticadas, como o Legacy500\450. Pode ser que jamais roubem market-share expressivo da companhia de Savannah/GA, já bastante consolidada nesse segmento (mas de porte geral inferior ao da brasileira).
  • Enigma  07/10/2016 22:48
    "Todas as empresas podem vender e vendem aviões por aqui, só que num nicho de mercado (aviões grandes, a partir de uns 200 assentos) não explorado pela Embraer, cujo foco (aviação regional) é praticamente 100% o exterior (devido à situação eternamente precária da infra-estrutura aeroportuária de banânia)."

    Podem vender aqui, mas paga taxas altíssimas pressionando os preços de aviões para cima. Embraer concorre com Bombardier, Gulfstream, Cessna, Hawker, Dassault que, são basicamente os principais fabricantes de jatos.
    100% no exterior?
    Nós somos o segundo maior mercado em compra de jatos executivos, ficando atrás somente dos EUA.

    "A grande maioria dos clientes da Embraer (famílias ERJ-145\140\135 e E-170\175\190\195, além de Legacy 650\500) está espalhada pela América do Norte e Europa. A fábrica em Harbin na China foi uma tentativa (já abortada) da empresa de se estabelecer por lá, onde vendeu algumas aeronaves."

    A Embraer fabrica os aviões qui no Brasil, mas vende a maioria para chineses que são os maiores clientes da empresa. Aliás, o garoto propaganda é o ator Jackie Chan, onde a primeira unidade de uma aeronave recém-construída vai para o ator, que contém grande influência para a empresa na China.
    Garoto propaganda da Embraer, ator Jackie Chan compra novo avião

    Embraer avalia recorrer à OMC contra subsídios à Bombardier, diz agência

    Brasil deve se tornar 2º maior mercado de jatos: Embraer
    ""Sabemos" é muita gente ! Os aviões da Embraer têm o mesmo padrão dos produtos dessas empresas (e mesmo de Boeing ou Airbus). Não é à toa que nelas trabalham centenas de ex-funcionários (principalmente colegas engenheiros) da fabricante brasileira.
    obs: mesmo a GulfStream, focada exclusivamente no mercado executivo, enfrenta agora a concorrência de aeronaves da Embraer bastante sofisticadas, como o Legacy500\450. Pode ser que jamais roubem market-share expressivo da companhia de Savannah/GA, já bastante consolidada nesse segmento (mas de porte geral inferior ao da brasileira)."

    Embraer do mesmo padrão que Gulfstream e Dassault? Você é louco meu.

    Você acha mesmo que os compradores preferem um Embraer Legacy 650 do que o Gulfstream G550? kkkkkk
    Você acha mesmo que os compradores preferem um Embraer Legacy 650 do que um Dassault Falcon 7x?
    Você acha mesmo que os compradores preferem um Embraer Legacy 650 do que um Bombardier Global Express?

    Você acha mesmo que os compradores preferem um Embraer Legacy 600 do que um Gulfstream G450?
    Você acha mesmo que os compradores preferem um Embraer Legacy 600 do que um Dassault Falcon 2000?
    Você acha mesmo que os compradores preferem um Embraer Legacy 600 do que um Bombardier Global 5000?

    Não duvido que os nossos engenheiros trabalhem em outras empresas fabricantes no exterior, aqui um político ganha mais do que um engenheiro.
  • Paulo Bat  09/10/2016 02:14
    Após ler os comentários do ENIGMA , que diz que a EMBRAER não é capacitada,
    só vende avião para os chineses e seus aviões executivos são inferiores,
    fiz algumas pesquisas rápidas na Internet (os links estão juntos ao texto):

    O site Airfleets contempla estatísticas de fabricantes de aeronaves, companhias aéreas e etc.
    OBS: O site faz link também com os sites dos fabricantes e das operadoras.

    Segundo o site, este são os dados de algumas aeronaves EMBRAER, atualmente em fabricação:

    Família EJ-190/195 ==> 663 aviões em atividade

    Destas, 80 aeronaves são operadas por companhias aéreas americanas (EUA), 156 por companhias europeias, 79 por brasileiras e o restante por dezenas de empresas em todos os continentes.

    Maiores operadoras:
    - Azul, 3ª maior empresa aérea brasileira: 75 (maior operadora mundial desta família).
    - JetBlue, 5ª maior empresa aérea americana: 60

    Outras operadoras com mais de 20 unidades:
    Duas chinesas e uma de cada: americana, mexicana, holandesa, argentina, canadense e alemã.

    Fonte: Dados da família EJ-190/195

    Quem viaja pelo Brasil de Azul, Avianca, Gol e LATAM, sabe que viaja melhor
    nos aviões Embraer da Azul, com maior espaço entre as pernas, poltronas de couro,
    televisão à bordo, grande número de canais a cabo ou abertos (única brasileira com este privilégio).

    Aliás, tanto a JetBlue americana quanto a Azul brasileira foram fundadas
    pelo brasileiro-americano David Neelan, um dos empresários mais
    reconhecidos na indústria aeronáutica mundial na fundação de
    empresas aéreas low-fare.

    Família EJ-170/175 ==> 546 aviões em atividade

    As seis maiores operadoras desta família no mundo são companhias americanas com 357 aviões (65% de todos os 170/175 ativos).
    A sétima é a canadense SKY com 20 unidades. OBS: O Canadá é terra natal da Bombardier, concorrente da Embraer.
    Os restantes estão espalhados por companhias de todos os continentes.

    Fonte: Dados da família EJ-170/175

    Família EJ-135/145 ==> 911 aviões em atividade

    As quatro maiores operadoras no mundo são companhias americanas com 357 aviões (42% de todos os 135/145 ativos).
    No total, cias americanas operam 423 EJ-130/145 (46% do total).
    Os restantes estão espalhados por todo os os continentes do mundo.

    Fonte: Dados da família EJ-135/145

    O ENIGMAtambém disse que ninguém escolheria um Embraer Legacy quando pode comprar um avião americano, canadense ou europeu.

    Não é o que diz a realidade. A EMBRAER fabrica os aviões Lineage, Legacy e Phenom com grande sucesso e os vende no mundo inteiro, e inclusive tem uma planta em Melburne, Flórida.

    O site Axlegeeks , entre outras coisas, faz comparativos entre todos os aviões existentes no mundo:

    Fiz alguns e o resultado de duas análises segue a seguir:
    - Comparando Bombardier Global 5000 vs-Dassault-Falcon 7X vs Embraer Legacy 650
    - Comparando Gulfstream G550 vs Bombardier Global 5000 vs Embraer Legacy 650

    - Gulfstream G550: é classificado como Large Private Jet, com preço de US$ 53.5 milhões com 125 entregues
    - Dassault Falcon 7x: private jet, com preço de US$ 52.3 milhões com 200 operando.
    - Bombardier Global Express, atualmente Bombardier Global 5000 . Large Private Jet, com preço de US$ 40 milhões.
    - Embraer Legacy 650: Super Mid-size Private Jet Preço: US$ 29.5 milhões com 234 entregues

    Ou seja, o ENIGMA compara classes de aviões diferentes. É como comparar o Toyota Corolla com o Honda Accord e não com o Honda Civic. Cada um no seu nicho.

    De qualquer maneira, os produtos Embraer são vendidos para todo o mundo.
    Veja no site da Embraer que a Embraer Executive Jets tem sede e uma planta em Melburne, Florida, USA
    além da planta em São José dos Campos.

    ALGUMAS FRASES DO ENIGMA:

    Frase 1: "O KC - 390 é fabricado usando tecnologia portuguesa.
    Até mesmo o fisco chegou a reter inúmeras peças importadas pela fabricante Embraer.
    Eu também desconfio de uso de tecnologia chinesa em alguns aviões fabricados
    ".

    Nós vimos a análise do ENIGMA:. Agora vejamos o que pensa a BOEING, maior empresa
    aeronáutica do mundo, num comunicado oficial dela sobre sua parceria com a EMBRAER (News release):
    Boeing and Embraer Sign Agreement for Broad Business Cooperation to Benefit Customers and Support Industry Growth

    No News release da BOEING, de 09 de abril de 2012, tem estes dois trechos:

    Embraer has had a corporate presence in the U.S. for over 3 decades and last year started
    manufacturing activities at its facility in Melbourne, Florida, where it is currently assembling
    executive jets. More recently, Embraer announced the creation of the
    Embraer Engineering and Technology Center USA to conduct research and development activities
    for both product and technology development across Embraer's business lines.
    ...
    Embraer S.A. is the world's largest manufacturer of commercial jets up to 120 seats,
    and one of Brazil's leading exporters.


    Traduzindo parcialmente:
    A Embraer não só assinou uma parceira com a Boeing como é a maior fabricante mundial de jatos até
    120 passageiros e uma das líderes brasileiras em exportação e está presente nos EUA a mais de 30 anos.
    E já tem uma fábrica nos EUA.

    Frase 2: " ponto que a tecnologia não é 100% nacional como eu acho que ele destacou.".

    Nenhuma empresa aeronáutica faz tudo dentro do mesmo país. Um avião da Airbus é feito
    em diversos países. Compra-se aviônicos aqui e ali, turbinas aqui e ali e assim sucessivamente.

    Até com carros ocorre isto. Por exemplo, o japonês Toyota Corolla, e que segundo a Forbes é ocarro mais vendido no mundo tem suas partes fabricadas em diversos lugares e sua montagem é feita em diversas montadoras mundo a fora, inclusive em Idaiatuba, São Paulo. No entanto o Toyota montado aqui
    tem boa parte de seus componentes produzidos em outros países, especialmente os de maior
    tecnologia. É por isto que elas são chamadas de montadoras. Porque só montam o que foi produzido em diversos
    lugares.

    Hoje em dia a montagem final tende a ser em países de mão de obra mais barata. Por isto que as três maiores montadoras
    americanas trocaram a ex-capital mundial dos automóveis, Detroit, por outros lugares, como México, Canadá e sul dos EUA, fazendo com que a cidade decretasse falência em 2013.

    CONCLUINDO: Talvez, por um complexo, que um escritor chamou de complexo de vira-latas, pessoas como o ENIGMA nunca acreditem que possamos fazer tecnologia de ponta no Brasil e que temos que nos contentar em sermos eternos atrasados e produzir apenas commodities ou só trabalhar em serviços e nunca desenvolver tecnologia.

    Um dos motivos que o Brasil é um dos líderes em agronegócio no mundo é o desenvolvimento de tecnologia
    no campo. Só dois exemplos:
    1) A tropicalização de cultivares de soja, para a realidade brasileira, fez com que o Mato Grosso se tornasse um dos
    maiores produtores de soja do mundo. Quando a soja chegou ao Brasil só podia ser plantada do Rio Grande do Sul
    ao Paraná. Hoje já se planta soja no Piauí e no Maranhão.
    2) Técnicas e máquinas para o plantio direto, desenvolvidas no Sul do Brasil, revolucionaram a produção de grãos.

  • Joaquim Saad  09/10/2016 17:18
    Caro Paulo Bat,

    Meus cumprimentos por ter se dado ao trabalho de pesquisar c/ mais cuidado e apresentar os fatos a todos os leitores deste já grande e crescente fórum público que o IMB nos proporciona, onde o uso de nome e sobrenome verdadeiros talvez contribua decisivamente p/ tal prática, que de outra forma pode ser desestimulada pela fácil proteção do anonimato conveniente de avatares "enigmáticos"...

    Abraços.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2530&comments=true#ac182808
  • Gafanhoto  10/10/2016 04:21
    Kkkkkkkkkkkkkkk esse enigma está doidão kkkkkk ! Eu trabalho na EMBRAER ja fazem quase onze anos, e o seu maior e principal cliente é os americanos. E na china quando se fabricava o 145 nos os brasieliro fazíamos missões pra la,para poder concertar o que os comedores d flango faziam....e outra eles fizeram um avião onde a asa do mesmo soltou e ficou pendurada sobre o wing stub . E agora dizer que eles sao capazes de fabricar aviões como os da boeig é de chorar de rir né !!!! Eles nunca faram algo assim NUNCA !!! EMBRAER E EUA, INVESTEM O MELHOR PARA A AVIAÇÃO, DESDE CURSOS PARA OS FUNCIONÁRIO A TECNOLOGIA PARA A FABRICAÇÃO DE SEUS PRODUTOS,E POSSO DIZER ISSO POIS TRABALHO NELA E OS MEUS AMIGOS JA RODARAM O MUNDO PELA A AVIACAO ,e conheço um pouco sobre essa empresa que esta passando por um momento de crise onde envolve crimes de suborno,onde sera investigado se ha verdade ou não nesses crimes !
  • Crítico  05/10/2016 17:42
    "E por que os juros são altos? Porque o governo, seguindo aquelas idéias que você defende, gasta muito, incorre em déficit, se endivida, e tem de sair pedindo emprestado a rodo."

    Esse site repete sempre o mesmo argumento. Os juros são altos por causa do lobby rentista, nada a ver com déficit. EUA com 21 trilhões de dívida, e Europa com vários Welfare State (que gastam a rodo) estão ou com inflação baixíssima, ou deflação.

    "De resto, tarifas protecionistas servem para proteger grandes empresas. E estas já contam com o BNDES, que cobra juros reais negativos."

    Países desenvolvidos sempre contaram com subsídios, e são ricos hoje. Mesmo no início do século passado, onde os gastos governamentais nos EUA eram de meros 10% do PIB, várias empresas foram subsidiadas pelo governo, principalmente as que investiam em infraestrutura.

    Questão de estratégia, caro Leandro.

    "Exatamente por isso é imperativo importarmos essa tecnologia -- pois não sabemos como fabricá-la -- e nos mantermos atualizados em relação ao resto do mundo."

    Não...

    Nosso problema é na qualidade de ensino. Com abertura econômica e ensino pífio, seremos apenas um desses países onde se usa dólar pra comprar iPhones baratos, mas morando em barracos e vivendo de subemprego.

    A Coreia do Sul obteve seu desenvolvimento através principalmente da educação, e dos incentivos governamentais dados à empresas que possuíam características estratégicas para o desenvolvimento do país. Antes de abertura econômica é preciso ter estratégia.

    Não é porque a Dilma era uma besta com uma estratégia ruim, que devemos abandonar esse conceito e virarmos anarquistas. Saiam desse mundo de fantasia.

    "Por isso, devemos proibir a compra de livros estrangeiros -- pois são importação -- e temos de proibir também a compra de aparelhos tecnológicos estrangeiros, no quais poderíamos aprender a fazer engenharia reversa (pois isso também seria importação)."

    Não...

    Nosso problema não são livros. Livros nós temos, e engenharia reversa é apenas uma parte desse processo. O que a Índia fez, por exemplo? Educou bem seus jovens e os mandou pro exterior, lá eles estudaram e aprenderam a produzir a tecnologia existente em países mais desenvolvidos, na volta eles abrem empresas e criam concorrência pro exterior. De novo, nada a ver com liberalismo, isso é estratégia governamental na educação sendo bem aplicada.

    "Exatamente por isso temos de liberar as importações para que os preços e custos caiam em toda a economia e, consequentemente, as pessoas gastem menos com produtos básicos e poupem mais."

    Quem disse? Porque os austríacos partem desse pressuposto? Isso não é uma regra como vc quer dar a entender. Preços mais baixos não necessariamente irão representar mais poupança. Pessoas se deparando com preços mais baixos podem ter sua propensão ao consumo aumentada e gastarem ainda mais.

    Entenda Leandro, os juros não possuem essa alta correlação com a poupança. Essa teoria do capital do Bohm-Bawerk foi refutada a mais de 80 anos, ninguém aprende mais isso na academia. Hoje sabemos que os juros praticados se devem à quantidade de moeda e a demanda por essa moeda. O problema no Brasil são as más políticas monetárias. A premissa austríaca de que qualquer política monetária concebível é deletéria para a economia, não possui nenhum fundamento empírico, apenas ideológico.
  • Leandro  05/10/2016 18:57
    "Os juros são altos por causa do lobby rentista, nada a ver com déficit."

    Esse lobby rentista, pelo visto, funciona só no Brasil, né?

    Aliás, êta um lobby bonzinho, pois, neste exato momento, os bancos privados de pequeno e médio porte, bem como as financeiras, estão oferecendo CDBs pagando de 116 a 123% do CDI para nós meros mortais. Qualquer um pode adquiri-los por meio de uma corretora (cuja abertura de conta é gratuita e pode ser feita pela internet).

    Por que esses bancos e corretoras estão sendo tão bonzinhos assim? Se juros altos são apenas um lobby deles, então por que eles estão sendo tão benevolentes ao ponto de pagar juros tão altos para nós, meros mortais, que compramos seus CDBs, LCIs, LCAs e Letras de Câmbio?

    Por que eles simplesmente não ficam com tudo?

    Aviso: enquanto um país ainda pobre quiser viver como uma social-democracia escandinava, seu governo terá muitos gastos. Para cobrir esses gastos ele terá de pegar emprestado bilhões (foram R$ 115 bi só ano passado). E ele só conseguirá pegar todos esses bilhões se pagar caro por isso.

    Vá ver se há algum país ainda em desenvolvimento que sequer chegue perto do volume de gastos em termos da renda nacional (gastos/PIB) do Brasil. Nenhum.

    "EUA com 21 trilhões de dívida, e Europa com vários Welfare State (que gastam a rodo) estão ou com inflação baixíssima, ou deflação."

    Além de serem muito mais ricos e de terem governos muito mais solventes, os déficits de ambos estão na casa dos 2%. Ou seja, seus governos precisam pegar emprestado apenas 2% do PIB.

    E com um detalhe: todo o resto do mundo está disposto a financiá-los.

    Já o governo brasileiro tem um déficit de 10% do PIB (ou seja, o governo tem de pegar emprestado 10% do PIB), a população é mais pobre (o que aumenta o risco de calote, pois não há produtividade suficiente para ser constantemente tributada), e não é todo o mundo que está disposto a nos financiar, pois nosso governo, após uma história de seguidos calotes, não usufrui muita credibilidade lá fora.

    Tudo tem explicação econômica sensata, exceto para ideólogos que acham que a economia é algo que pode ser resolvido com slogans, frases de efeito e panfletos.

    Depois dessa, nem animei a ler o resto. Não perco tempo com ideólogos. Nada aprendo com eles.
  • Rafael Isaacs  07/10/2016 15:31
    Acho sim que existe corrupção nessa questão, alias, existe em todas as areas do estado menos nessa?? As medidas de Temer avançam justamente pra que essa grande mamata prossiga.
  • Enigma  06/10/2016 02:55
    Uma das maiores falácias dos keynesianos é o exemplo da Coreia do Sul como um sucesso a ser seguido pelo mundo.

    "A Coreia do Sul obteve seu desenvolvimento através principalmente da educação, e dos incentivos governamentais dados à empresas que possuíam características estratégicas para o desenvolvimento do país. Antes de abertura econômica é preciso ter estratégia. "

    Questão da educação dos sul-coreanos é facilmente explicado. Quando os japoneses começaram a investir volumosos capitais para o país, consequentemente houve importação da educação japonesa para a Coreia do Sul, porque muitos japoneses começaram a imigrar para o país.
    Uma prova disso é Cingapura que , obteve e obtém uma cultura essencialmente inglesa e toda essa importação de costumes feitos pelos ingleses que imigraram para o país.
    Você relata que os incentivos governamentais foram antes da abertura econômica? Primeiramente onde você leu essa falácia? Carta Capital? ou Vermelho.org?

    Foi justamente ao contrário, primeira reforma foi a abertura econômica para a importação de tecnologia e a capacidade da indústria explodiu(no bom sentido). Com novas tecnologias sendo introduzidas, o progresso tecnológico se tornou uma ferramenta que obteve um número elevado de aberturas de empresas nesse setor.
    Como já conhecemos, as empresas que mais se destacaram foi a Samsung, LG, Hyundai.

    Vou dar um exemplo mais explícito:
    Imagina que você é treinador de boxe e quer escolher um rapaz para ser um campeão nacional e mundial. O treinador sensato irá nas melhores academias de boxe para escolher o garoto para ele treinar. O treinador idiota irá pegar qualquer garoto que encontrar na rua, sem saber se ele é eficiente nessa arte marcial.

    Partindo disso, a Corei do Sul seguiu o exemplo do primeiro treinador e assim criou campeãs nacionais.

    O raciocínio é lógico e objetivo.

    Os keynesianos nunca aprendem.

    "Nosso problema é na qualidade de ensino. Com abertura econômica e ensino pífio, seremos apenas um desses países onde se usa dólar pra comprar iPhones baratos, mas morando em barracos e vivendo de subemprego. "

    Se o cidadão quiser comprar o que ele quiser, ninguém pode impedir de ele fazer isso. Onde está a liberdade?
    Subemprego em uma economia aberta é impossível de surgir. Todo o desenvolvimento com a liberdade econômica possibilita empregos altamente qualificados. Olhe países como Cingapura e Hong Kong.

    "Nosso problema não são livros. Livros nós temos, e engenharia reversa é apenas uma parte desse processo. O que a Índia fez, por exemplo? Educou bem seus jovens e os mandou pro exterior, lá eles estudaram e aprenderam a produzir a tecnologia existente em países mais desenvolvidos, na volta eles abrem empresas e criam concorrência pro exterior. De novo, nada a ver com liberalismo, isso é estratégia governamental na educação sendo bem aplicada. "

    Índia? Essa situação que você descreveu está mais parecida com os chineses, o próprio governo chinês incentiva a estudarem nos EUA e voltar para o país, e ensinar o que foi aprendido nas universidades americanas. Existe um físico(esqueci o nome) chinês que estudou em uma universidade americana e voltou ao país gerenciando um dos maiores fundos soberanos do mundo - China Investment Corporation - e com isso ele reconhecendo o boom do setor imobiliário, investiu nesse setor e conseguiu uma grande soma de rentabilidade em cima desse investimento. Foi uma das melhores gerências desse fundo, porque a maioria dos gerenciadores desse fundo preferem os títulos públicos americanos.

    "Quem disse? Porque os austríacos partem desse pressuposto? Isso não é uma regra como vc quer dar a entender. Preços mais baixos não necessariamente irão representar mais poupança. Pessoas se deparando com preços mais baixos podem ter sua propensão ao consumo aumentada e gastarem ainda mais. "

    É uma regra que muitos ignoram, até mesmo economistas ditos como ortodoxos.

    Se o poder de compra de uma população aumenta, ou ela gastará mais ou guardará para investir no futuro. De qualquer maneira, a poupança irá aumentar decorrente dos preços que acabaram se tornando ínfimos em relação ao salário dos trabalhadores.
    Tomo eu como exemplo, eu quero investir em alguma coisa para aumentar meu capital, mas não consigo porque a minha renda vai toda embora para a compra de produtos rotineiros como comida, casa, luz, água e outros.

  • um dois  05/10/2016 16:24
    Isso mesmo!!
    Vamos proteger as nossas indústrias para que elas se mantenham com o desenvolvimento atual, ou até, conforme a tradição bananense, retornem aos moldes dos anos 80.
    Assim poderemos aumentar a nossa renda com o turismo, pois assim como as pessoas pagam para ir ver tribos de nativos com antigas tradições, elas poderão vir para o Bananil que, parado no tempo, será uma amostra de como o mundo era em 1980 (ou até antes)
    A inflação já está caminhando para a era Sarney, não podemos eixar que a produção brasileira comece a se desenvolver.
    Sertissymo
  • Renan Merlin  05/10/2016 17:42
    Cara não brinca que Cuba atrai turistas exatamente por isso. Por ter parado no tempo e ter carros nas ruas dos anos 50.
  • Capitalista Keynes  05/10/2016 16:25
    Não reformar a Previdência é um crime.....Não limitar os gastos Públicos com um teto é um crime......Manter o câmbio flutuante que não flutua com atuações do BC com venda de swaps reversos é um crime....dólar bom é dólar baixo. Não abrir o mercado interno com produtos de melhor qualidade pra proteger empresário nacional preguiçoso e incompetente é um crime.
  • Pobre Paulista  05/10/2016 16:26
    Leandro,

    Os gastos públicos, per se, causam carestia, ou apenas os déficits nominais a causam?
  • Leandro  05/10/2016 16:42
    Depende.

    Se o déficit é zero, mas os gastos e as receitas estão subindo simultaneamente, isso também gera pressão sobre os preços. Afinal, tanto os gastos (demanda) do governo quanto suas receitas (impostos que majoritariamente incidem sobre o consumo) estão subindo. Mais coisas estão sendo adquiridas pelo governo e mais impostos estão incidindo sobre a cadeia produtiva, onerando-a.

    Se os gastos forem congelados em um nível alto, assim como as receitas, os preços nominais serão altos, mas não mais haverá uma grande variação nos preços de um ano para o outro.
  • Pobre Paulista  05/10/2016 17:18
    Mas no primeiro caso, não é necessário também um aumento na quantidade de dinheiro na economia para que os preços subam? Afinal, todo o dinheiro gasto pelo governo foi igualmente retirado da economia, o que causa sim uma distorção nos preços, mas não uma subida generalizada, pois o aumento de preços causado pela demanda do governo seria contrabalanceado pela redução de preços de todos os produtos que não foram consumidos pelos indivíduos. Está correto esse raciocínio?
  • Leandro  05/10/2016 18:26
    Correto, mas fictício. No mundo real, a oferta monetária está sempre crescendo, seja por meio dos déficits do governo, seja por meio da expansão do crédito ao setor privado.
  • Rafael Isaacs  05/10/2016 16:28
    Essas medidas de Temer não são pra diminuir gastos e sim para que esse mesmo modelo continue funcionando.
  • Panda livre  05/10/2016 17:59
    O Governo precisa transformar essa PEC do teto em uma genuína reforma administrativa. O que adianta tirar a Dilma se toda a aparelhagem que foi criada durante esses últimos 13 anos continuar lá montadinha?
    O Temer está se escondendo atrás dos demais políticos e tomando ações com cunho de manutenção da governabilidade, isso por que o povo parece que desistiu de ir às ruas dizer o que espera do governo. Isso é triste.
    Sem o povo, no lugar de se criar uma limitação maior aos benefícios de aposentadoria de servidores públicos (salvo engano, o Suplicy vai ganhar salário de vereador mais a aposentadoria de 33 mil), que consomem grande parte do déficit do INSS, será criada uma regra para fazer os trabalhadores do setor privado pagarem por esses benefícios.
    Sem o povo a reforma trabalhista já ficou pro ano que vem...
    Concordo com o Issacs que do jeito que está só estamos postergando problemas, não resolvendo.
  • Andre  05/10/2016 18:23
    Leandro parabéns pela participação no artigo, muito bom e claro, textos menos economês ajudam bastante a divulgar o material do Mises institute para leigos e pessoas afundadas na sanha protecionista em busca de uma bóia de salvação no oceano de insanidade econômica no Brasil.

    Agora, se puder depois dar uma lida no que este senhor diz e se faz sentido:

    www.infomoney.com.br/mercados/noticia/5608808/governo-discute-remedio-para-crise-errada-diz-economista

    Resumindo ele faz um alerta para a alta alavancagem no setor privado, que não vê lucro há um bom tempo e está com capacidade ociosa de sobrapara atender um suposto aumento da demanda advinda de outra suposta recuperação em 2017. Tenho acesso a várias empresas do meu setor e de fato estão desse jeito, apenas pagando as contas, cheio de investimentos sem retorno e endividados.

    O setor privado está tão alavancado assim como um todo? Quais as consequências de um setor privado tão endividado no Brasil? Vamos virar uma Espanha e contaminar nossos bancos com ativos podres de empresas incapazes de gerar lucro para pagar suas dívidas?
  • Leandro  05/10/2016 22:34
    Já estiveram bem mais. Agora elas estão desalavancando.

    O endividamento das pessoas jurídicas voltou ao nível de fins de 2014.

    https://s17.postimg.org/6f82e83xb/cewolf.png

    Enquanto estiver havendo essa desalavancagem, dívidas estarão sendo quitadas e empréstimos não estarão sendo contraídos. Logo, não estará havendo investimentos.

    Agora, se houver um calote em massa, aí sim a coisa pode complicar para os bancos, e a Espanha pode ficar mais perto. Mas ainda não visualizo tal cenário.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Consciente  05/10/2016 18:46
    Responsabilidade fiscal é tema cobrado apenas de países pobres. Os ricos podem ter déficit de duas vezes o PIB que ninguem se importa. Eles conseguem manter grau de investimento A nas agências de rating, mesmo devendo até as cuecas.
  • Leandro  05/10/2016 18:58
    "Os ricos podem ter déficit de duas vezes o PIB que ninguem se importa."

    Qual país tem déficit de duas vezes o PIB?! Ele deve estar mal, hein?

    Impressionante como pessoas repetem slogans sem nem prestar atenção no sentido das palavras que usam...

    Vários países ricos têm dívidas altas, mas seus déficits são pequenos.

    Além de serem muito mais ricos e de terem governos muito mais solventes, os déficits de EUA e União Europeia, por exemplo, estão na casa dos 2%. Ou seja, seus governos precisam pegar emprestado apenas 2% do PIB.

    E com um detalhe: todo o resto do mundo está disposto a financiá-los.

    Já o governo brasileiro tem um déficit de 10% do PIB (ou seja, o governo tem de pegar emprestado 10% do PIB), a população é mais pobre (o que aumenta o risco de calote, pois não há produtividade suficiente para ser constantemente tributada), e não é todo o mundo que está disposto a nos financiar, pois nosso governo, após uma história de seguidos calotes, não usufrui muita credibilidade lá fora.

    Tudo tem explicação econômica sensata, exceto para ideólogos que acham que a economia é algo que pode ser resolvido com slogans, frases de efeito e panfletos.
  • Consciente  05/10/2016 19:12
    Errei ao mencionar o volume da dívida em razão do PIB, mas quero lembrar que o deficit orçamentário do Japão em 2013 foi de 10,3% do PIB.
  • Intruso  05/10/2016 20:00
    Errado de novo. (Por que insistem em vir sacar por aqui?)

    Foi de 7,9% em 2013. E hoje está em 6%.

    cdn.tradingeconomics.com/charts/japan-government-budget.png?s=ehbbjpy&v=201610011507o&d1=20130131&d2=20161005

    Alto? Sim. Mas ainda bem menor que o nosso, sendo que eles são ricos, produtivos, têm inflação zero (o que, por si só, reduz e muito o prêmio embutido nos juros), e seu governo não tem histórico de calote.
  • Igor  05/10/2016 19:18
    Leandro 7 x 0 Viajante na Maionese.

  • Guilherme  05/10/2016 19:48
    Vale repetir o que foi dito lá em cima porque esse ponto é crucial:

    "Enquanto um país ainda pobre quiser viver como uma social-democracia escandinava, seu governo terá muitos gastos. Para cobrir esses gastos ele terá de pegar emprestado bilhões (foram R$ 115 bi só ano passado). E ele só conseguirá pegar todos esses bilhões se pagar caro por isso.

    Vá ver se há algum país ainda em desenvolvimento que sequer chegue perto do volume de gastos em termos da renda nacional (gastos/PIB) do Brasil. Nenhum. [...]

    Oo governo brasileiro tem um déficit de 10% do PIB (ou seja, o governo tem de pegar emprestado 10% do PIB), a população é mais pobre (o que aumenta o risco de calote, pois não há produtividade suficiente para ser constantemente tributada), e não é todo o mundo que está disposto a nos financiar, pois nosso governo, após uma história de seguidos calotes, não usufrui muita credibilidade lá fora."

    Vale um artigo só sobre isso.
  • Rafael  05/10/2016 18:51
    Não adianta adotar livre comércio sem reformas trabalhistas, tributárias para deixar uma empresa competitiva. Uma empresa instalada no Brasil pode ser 100% eficiente, ela quebrará a partir do momento que abrir o mercado.
    O livre comércio precisa ser adotado paralelamente com as reformas.
    Infelizmente o Estado domina tudo e o povo ama o Estado. Brasil não mudará nunca.
  • Auxiliar  05/10/2016 19:12
    Raciocínio errado.

    Sim, há indústrias nacionais eficientes que estão hoje sendo prejudicadas pelas políticas trabalhistas e tributárias do governo, e que passariam aperto em uma abertura comercial.

    Mas isso é algo que tem de ser resolvido junto ao governo, e não tolhendo os consumidores.

    Se os custos de produção no Brasil são altos e estão inviabilizando até mesmo as indústrias eficientes, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.

    Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina.

    Aliás, este seria mais um efeito benéfico da abertura comercial: o governo seria forçado, na marra, a fazer todas essas reformas que você defende.

    Dizer que tudo permanecer ruim como está apenas porque não haverá reformas é uma postura derrotista.

  • Andre  05/10/2016 19:35
    De acordo, não vejo como o governo brasileiro se sentirá motivado para fazer reformas para melhorar o país, se for necessário imprimir dinheiro loucamente para manter os benefícios de toda classe política eles o farão sem exitar, e a população amacacada fica de cabelo em pé ao ouvir termos como reforma trabalhista, reforma previdenciária e agora estão nervosos por causa de uma possível queda no valor dos vencimentos iniciais de funças.
    Vou confessar que apesar dos imensos desafios em empreender no Brasil, se você aprender a trabalhar no limite das regras, no limite da ética, aproveitar todos essas complicações para trazer algo de fora e combinado com uma eficiente gestão financeira, psicológica e da corrupção pode fazer muito dinheiro explorando esses povo que só quer levar vantagem em tudo e favores do estado.
  • Rafael  05/10/2016 20:32
    Essa questão dos gastos do governo privilegiarem uns poucos à custa de todos me lembrou de uma frase que vi recentemente:

    "Brasil: país em que a definição de "cidadania" é sair às ruas pra protestar para que políticos corruptos te prometam serviços públicos péssimos e "grátis" pagos com dinheiro roubado de você mesmo."
  • Regis  05/10/2016 22:56
    Se o governo obtém empréstimos através da emissão de títulos da dívida pública, então os bancos não utilizariam estes títulos para lastrear os empréstimos interbancários ou os venderiam para o BC aumentando seus compulsórios? Essas ações não diminuiriam os juros? Não consegui entender o porquê dos juros aumentarem nesse cenário? Na minha cabeça eu sempre tive a ideia de que toda a vez que o governo emite título e vende para os bancos sempre vai ter o BC disposto a recomprar estes títulos e aumentar o compulsório. Pra mim, a emissão de títulos de dívida pública sempre gera expansão monetária. Agradeço se alguém puder me ajudar a resolver este meu problema conceitual.
  • Leandro  06/10/2016 00:08
    "Essas ações não diminuiriam os juros?"

    Ao contrário. Tende a aumentá-los.

    Eis a sequência:

    1) O Tesouro emite títulos;

    2) Esses títulos são comprados pelos bancos (os dealers primários);

    3) Como os bancos compram? Eles utilizam o dinheiro que está em suas "reservas bancárias", que nada mais é do uma conta-corrente que os bancos têm junto ao Banco Central.

    4) Ato contínuo, a quantidade de dinheiro nas reservas bancárias cai.

    5) Essa queda nas reservas bancárias pressiona a SELIC para cima (a SELIC nada mais é do que a taxa de juros que os bancos cobram entre si para fazer empréstimos no mercado interbancário).

    6) Como o Banco Central trabalha com uma meta estipulada para a SELIC -- o que significa que ele não pode deixar que ela saia da meta --, ele tem de injetar dinheiro no mercado interbancário para impedir que a SELIC suba.

    7) Ou seja, no cômputo final, houve criação de dinheiro. Dinheiro que estava nas reservas bancárias entrou na economia, e essa redução nas reservas bancárias foi contrabalançada por novas injeções de dinheiro criado do nada pelo Banco Central.

    Não fosse o BC para manipular as reservas bancárias, a SELIC seria ainda maior do que já é.
  • Regis  06/10/2016 01:03
    Entendi. Na verdade em um primeiro momento os juros vão ser pressionados para cima justamente pelo fato dos bancos utilizarem parte de suas reservas bancárias para comprar os títulos. E no fim o BC vai buscar alcançar a meta estipulada para a SELIC.

    E como foi dito no texto, se os bancos têm o governo disposto a pedir emprestado de uma forma voraz e, vendo no governo um risco de inadimplência muito menor do que nos pequenos e médios empresários, a troco do que os bancos deixariam de emprestar para o governo e incorrer em risco maior emprestando para pequenos e médios empresários.

    E como também foi dito no texto, em um cenário de crise isso se agrava ainda mais. Isso também me faz pensar que, em um cenário destes, a meta estipulada para a taxa SELIC não afetaria o comportamento dos bancos, principalmente se eles estiverem temerosos.

    Muito obrigado pela clareza de suas explicações.
  • Rafael Isaacs  05/10/2016 23:18
    O que vcs acham dos argumentos da auditoria cidadã da divida?
  • Reinaldo  06/10/2016 00:09
    De minha parte, sou inteiramente a favor de toda e qualquer auditoria da dívida brasileira. Quanto mais auditoria, melhor.

    Mas tem uma coisa que os seguidores dessa tal Fatorelli vivem gritando e eu nunca entendi: o que seria uma "dívida ilegal"?

    Estaria ela dizendo que alguém, que não o governo, emitiu dívida em nome do governo?

    Ou estaria ela dizendo que o governo emitiu dívidas para privilegiar nababos?

    Se for a segunda opção (como sei que é), digo apenas: Nossa, que espanto!

    Por acaso a Fatorelli comprova que algum cidadão privado invadiu o Tesouro e emitiu títulos sem que nenhum burocrata, político ou regulador soubesse? Se é isso, estou interessado em saber.

    Se não é isso, então ela está apenas chovendo no molhado: descobriu tardiamente que o estado é uma gangue de ladrões em larga escala que existe apenas para privilegiar quem está dentro da máquina e que vive à custa de quem está fora dela e é obrigado a bancar toda a esbórnia.

    E ainda há otários que defendem governo...

    E complemento:

    Até onde sei -- e gostaria que alguém me provasse errado --, quem emite títulos para financiar seus gastos é o governo (ou seja, políticos, burocratas e reguladores) e só. Ninguém mais tem acesso ao Tesouro para, fortuitamente, emitir títulos em benefício próprio.

    E, até onde sei, o governo se endivida exatamente porque gastou mais do que arrecadou. E ele gasta mais do que arrecada exatamente para saciar os exorbitantes salários dos políticos, burocratas e reguladores, além de privilegiar seus empresários favoritos com subsídios e empréstimos subsidiados pelo BNDES (com o nosso dinheiro de impostos).

    Agora, se alguém sabe de algo mais, é bom compartilhar.
  • anônimo  06/10/2016 01:00
    E a tal auditoria feita no Peru? Dizem que boa parte da dívida já estava paga. Isso procede? Ou foi apenas um calote na cara dura?
  • Andre  06/10/2016 02:58
    Foi uma jogada para desvalorizar os títulos do Equador, o governo caloteou 1/3 e o restante perdeu até 70% do valor, que o governo recomprou rapidamente e zerou a dívida externa lá por 2008, mas agora ela já subiu bastante, o Equador agora é o homem doente do pacífico, só não virou Venezuela porque usa dólar como moeda corrente e a população possui laços estreitos com os vizinhos Peru e Colômbia.
  • anônimo  06/10/2016 01:03
    Peru não, Equador!!! Isso que dá confiar na minha memória e não conferir antes de comentar...
  • Fabiano Mg   06/10/2016 03:59
    Com os comentários aqui muito se aprende e se reflete.

    Li sobre auditoria das dívidas de alguns países e que isso se apresenta como solução. Não tenho opinião formada sobre isso ainda mas é um tema a ser discutido. A questão dos adquirentes prioritários da dívida pública brasileira é, sem dúvidas, um lindo e perfeito oligopólio, pior é que nos iludem com o discurso falacioso de "tesouro direto".

    Aliás, o que no Brasil não é gerido por um oligopólio?


    Quem mantém as leis trabalhistas como estão? -quem tem dinheiro pra recorrer...

    Quem paga tributos no Brasil de forma correta? - não vi ainda estudos mas creio que apenas os pequenos empreendedores procuram pagar tributos. A lógica é simples- o pequeno, se não paga, espera o Refis e vai pagando o resto da vida (você conhece alguém que quitou um Refis?!?) sem se preocupar com nada além da inflação.


    O médio, se não paga, fecha e abre em nome de terceiros.

    O grande, se não paga, contrata escritórios renomados de advocacia pra alegarem alguma bobagem, protelam por décadas e esvaem o patrimônio para que, após 2 gerações de empresários, a execução tributária se veja frustrar...

    No Brasil as coisas são feitas para não funcionar, e sob esse aspecto, funcionam muito bem - frase de Adriano Gianturco com quem corroboro.
  • Republica de Curitiba  06/10/2016 11:28
    Li todos os artigos sobre Juros Negativos no Mises, mas, não sei se passou despercebido ou realmente não há uma explicação no site:

    Porquê a aplicação do Juros Negativos podem quebrar uma sistema bancário de reservas fracionárias?

    Por descapitalizarem os bancos?
  • Moro  06/10/2016 12:12
    Além disso que você corretamente apontou, há dois fatores:

    1) Pessoas podem retirar seu dinheiro do banco, já que não juros nenhum sendo pago sobre os depósitos. Consequentemente, todo o mecanismo de expansão monetária feito pelas reservas fracionárias é afetado;

    2) Sem conseguir nenhum retorno positivo em investimentos convencionais, e desesperados por qualquer retorno, é grande a tendência de bancos fazerem merda no mercado de derivativos, principalmente quando se sabe que o governo sempre irá socorrê-los.

    Mas o principal é realmente esse idiotice inventada na Europa de os bancos terem de pagar juros ao Banco Central Europeu. Perceba que os EUA adotaram a política exatamente oposta: o Fed paga juros sobre todo e qualquer depósito -- compulsório ou voluntário -- que os bancos fizerem junto ao Fed.
  • Republica de Curitiba  06/10/2016 16:13
    Moro,

    Obrigado.
    Mas o primeiro problema não seria resolvido com o fim do papel moeda, impossibilitando a retirada de valores dos bancos?

  • San Francisco  06/10/2016 11:29
    Existe algum site brasileiro com a qualidade do IMB voltado para a Escola de Chicago?
  • Harry Callahan  06/10/2016 12:13
    Absolutamente nenhum.
  • Taxidermista  06/10/2016 13:07
    Artigo extremamente importante.
  • Acionista25  06/10/2016 13:58
    Bem que o site poderia fazer um artigo sobre a origem da dívida, auditoria cidadã e como resolver de vez estas celeumas,destacando o caso do equador e como algum país conseguiu pagar ou amenizar sua dívida, pois da maneira como esta é imposta pela mídia, hoje é nosso maior fardo.
  • rlpda  06/10/2016 17:19
    Não sei se tem algum artigo sobre isso por aqui. Mas, no Brasil dos últimos 15 anos, parece haver uma relação inversa entre o volume de poupança interna e a taxa de inflação, ou seja, quanto menor a inflação mais poupança e vice-versa.
    As fontes são do ibge: "Participação da Poupança no Produto Interno Bruto" e "Taxa de Inflação Anualizada".
  • Regis  06/10/2016 18:55
    Quando ocorre inflação de preços em decorrência da inflação monetária (expansão monetária), o dinheiro perde seu poder de compra e a demanda por ele diminui, ou seja as pessoas poupam menos (isso é fácil de verificar, se você sabe que com o mesmo dinheiro você irá consumir menos no futuro, a tendência é que você consuma hoje).

    Ao passo que, se a oferta monetária for constante, o poder de compra do dinheiro vai aumentando com o passar do tempo e nesse cenário a demanda por ele aumenta (isso também é fácil de verificar, se você sabe que com o mesmo dinheiro você poderá consumir mais no futuro, a tendência é que você deixe de consumir hoje, para poder consumir mais no futuro).

    Segue alguns links:

    O básico sobre a inflação
    Dez lições de economia austriaca
    Crescimento econômico sobre uma oferta monetária constante
    Artigos para se entender a crise

  • anônimo  08/10/2016 02:43
    Leandro boa noite,

    Esses dias estava conversando com um americano, sobre o Walmart.

    Ele veio me dizer que se recusava a fazer compras no Walmart porque não gosta de suportar aquele tipo de negócio.

    O negócio que ele se referia era os salários pagos pelas lojas Walmart a seus funcionários. Eu tentei argumentar que as pessoas que trabalahavam no Walmart só o faziam porque não conseguiam nenhum emprego melhor, casocontrario não estariam lá.

    Mas ele veio com uma teoria de que essas pessoas só estavam lá em primeiro lugar, pq o Walmart ao chegar com suas lojas e preços baixos nas cidades, acabavam com as lojas de vendas locais, fazendo assim a única possibilidade de emprego para essas pessoas com pouco preparo e sem uma boa educação, trabalhar para o Walmart.

    E pior, sendo o salário que essas pessoas recebem por ser muito baixo, o único lugar em que elas podem gastar os dólares que ganham é. O proprio Walmart, gerando assim um ciclo de "escravidão".

    Isso faz algum sentido?
  • Leandro  08/10/2016 15:15
    Essa é daquelas lendas urbanas que a esquerda combinou de falar conjuntamente, mas que nunca provou ser verdadeira.

    Em primeiro lugar, ainda que fosse verdade -- que o Wal Mart chega e conquista fatias de mercado --, o que haveria de errado nisso? Tem-se aí um caso claro de consumidores exercendo seu livre arbítrio e escolhendo de quem querem consumir.

    Se os consumidores locais voluntariamente optaram por comprar mais barato do Wal Mart, então não há nenhum argumento econômico, ético ou moral contra essa preferência voluntariamente demonstrada por eles. Comprar mais barato não é exatamente o que todos querem em uma economia?

    Mais ainda: poder comprar coisas mais baratas não seria exatamente uma alternativa excelente para os mais pobres? Quem argumentaria que poder comprar coisas baratas seria ruim para o padrão de vida dos mais pobres?

    No mais, vale observar a incoerência: se a esquerda, em nome de seu amor aos pobres, resolve não consumir do Wal Mart, ela desempregará os mesmos pobres que ali trabalham e os quais ela diz amar profundamente.

    No final, nada faz sentido: a esquerda está se posicionado contra produtos baratos (o que seria ótimo para o orçamento dos mais pobres) e a favor do desemprego dos pobres que trabalham no Wal Mart.
  • Joaquim Saad  09/10/2016 18:03
    "Em primeiro lugar, ainda que fosse verdade -- que o Wal Mart chega e conquista fatias de mercado --, o que haveria de errado nisso?"

    Leandro,

    Caberia alguma crítica à forma do Wal-Mart abocanhar market-share dos pequenos concorrentes locais se ele o fizesse aproveitando-se de uma capacidade ímpar de tomar emprestado quantias enormes de crédito bancário criado do nada através do sistema fracionário de reservas, viabilizando àquela rede de supermercados negociar então preços inferiores junto aos fornecedores atacadistas, obtendo assim uma vantagem competitiva insuperável pelos demais impossibilitados de acessar tal privilégio ?
  • Leandro  10/10/2016 01:07
    Mesmo que o sistema bancário operasse com 100% de reservas, ainda assim o Wal Mart teria preferência, pois é uma empresa sólida, bem gerida, com grandes perspectivas de retorno, e baixíssima possibilidade de calote. O mesmo não pode ser dito de pequenas empresas locais.

    Quem é pequeno e atua num nicho puramente local tem mais dificuldade de financiamento em relação a quem é grande e tem alcance global.

    Em todo caso, e principalmente nos EUA, com a multiplicação e expansão das Fintechs, a tendência é o crédito ser cada vez mais desconcentrado dos bancos e mais acessível via P2P. Qualquer um poderá emprestar a quem quiser. Isso não mais poderá ser desculpa.
  • Joaquim Saad  08/10/2016 12:41
    Ao Enigma 07/10/2016 22:48

    "A Embraer fabrica os aviões qui no Brasil, mas vende a maioria para chineses que são os maiores clientes da empresa."

    Embora a Embraer também venha explorando nos últimos anos os segmentos da aviação de defesa e executiva (esta última pelo jeito vista equivocadamente por você como sendo o foco da empresa, a julgar pelos links sobre o Brasil poder se tornar o 2º mercado de business jets, bem como acerca de Jackie Chan, e das comparações feitas entre aviões exclusivamente daquele nicho - mas ignorando completamente o recente e bastante moderno modelo Legacy500\450 em sua categoria, plataforma totalmente nova e pouco semelhante à do L600\650 baseado no ERJ-145 de 1994, inclusive em tecnologias como full fly-by-wire c/ side-stick, head-up displays, cabine extremamente luxuosa c/ participação consultiva até da BMW durante seu projeto, suporte ao cliente premiado em 2015 como o melhor de todos, etc), ao longo de sua história ela se consolidou como líder no ramo da aviação comercial regional (médio alcance, c/ até 130 lugares), sempre representando a ampla maioria de seu faturamento (disputado essencialmente c/ Bombardier), oriundo (conforme link que inseri em tua frase acima, e igualmente sugerido visitando-se vários aeroportos nos EUA p/ se verificar a onipresença de suas aeronaves por lá) principalmente de América do Norte e Europa, cujos respectivos OEM's principais (Boeing e Airbus) produzem aparelhos de categorias superiores nos quesitos alcance e capacidade de passageiros\carga (não sendo portanto necessária qualquer proteção do governo neste caso, já que a própria Embraer sabiamente sempre teve como princípio de estratégia de negócio nunca tentar concorrer diretamente c/ as duas gigantes).

    Quanto a ser "louco", no meu caso até procederia se eu, depois de ter trabalhado durante 6 anos diretamente no desenvolvimento de alguns dos modelos dela (famílias ERJ-145, E-Jets, E2, Legacy 500\450, e outros), e de ter vários amigos ex-funcionários seus atualmente empregados em praticamente todos os programas dos demais fabricantes (Airbus, Boeing, Bombardier, e inclusive a tão "superior" GulfStream, a qual mantém hoje quase que seções inteiras de engºs originários da fabricante brasileira recrutados diretamente pela concorrente em work-shops em plena São José dos Campos, quem sabe assim reduzindo as chances de nova queda de um protótipo em Savannah\GA!), viesse a qualificar a Embraer como "infinitamente inferior" a Bombardier e GS apenas por estrategicamente não ter buscado fatias de mercados específicos (ainda) dominados por estas duas.

    Já no teu foi mesmo apenas ignorância de alguém (cuja confusão mental já foi bem exposta pelo Leandro) que acha que entende profundamente do assunto olhando-o levianamente apenas de fora, lendo algumas matérias de revistas e sites mas sem muito provavelmente ter tido qualquer experiência de fato no ramo (do contrário não insistiria em besteiras como a da China ser o maior comprador dos aviões brasileiros), visitando várias vezes tanto fornecedores de peças como clientes estrangeiros que a Embraer tem em comum c/ suas concorrentes, em nada colocadas por eles acima dela (muito menos de forma paroxística camuflada de "argumento") mesmo quando reclamando ou negociando.

    Quanto aos "você acha que...", a resposta é sim p/ alguns compradores, pois trata-se apenas de questão subjetiva de custo\benefício. Ou "você acha que algum deles iria preferir" (i.e. comprar) um Corvette em vez de uma Ferrari ? Muitos sim, como testemunhei diversas vezes nos EUA, assim como há uma qtd enorme de Phenoms 100\300 operando por lá, escolhidos por seus donos em lugar de modelos concorrentes muitíssimos mais caros em aquisição e operação.
    ps: e isto não significa que a GM não seja capaz de criar um carro tão bom quanto os de Maranello, mas sim que isto simplesmente não faz sentido p/ os americanos.
  • Mane Pele  09/10/2016 12:02
    O governo agora esta vindo com uma linha de credito para o pequeno empresário, pelo menos foi assim que a grande mídia noticiou. Gostaria de saber a opinião de vcs sobre este assunto.
  • Fernando  15/12/2016 18:40
    No meu trabalho o pessoal reclamando por causa da mudança das regras de aposentadoria, que terão que trabalhar mais anos; mas a própria sobrevivência depende do trabalho, não? previdência pública é um fenômeno recente na história da humanidade.... e isso deveria ser feito individualmente, sem sistema de seguridade, cada núcleo familiar cuidando dos próprios entes, e cada um cuidando do próprio dinheiro, que seria muito melhor alocado.
    O povão aqui ao mesmo tempo que reclama dos políticos e dos impostos é o primeiro a pedir interferência do governo para tudo que é questão. Jogar no governo a responsabilidade de poupar para qdo ficar velho, isso é coisa de gente responsável?
    Eu acho que o problema nem são os políticos em si, eles estão simplesmente atendendo a muita demanda de gente querendo dinheiro e interferência do estado a todo custo, e depois começam a reclamar dos impostos. Povo brasileiro precisa de educação, e esta dificilmente será alcançada por aqui, o que eu vejo de gente no meu trabalho defendendo governo e aposentadoria precoce não tá no gibi... enfim, não vejo saída. Povo mal acostumado.
    Eu tenho moral pra criticar porque sou poupador, muito embora empreste ao governo pelo Tesouro Direto kkkkkkkkk


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