Existe uma página específica para este artigo. Para acessá-la clique aqui.

Contrabandistas reformam estrada abandonada pelo governo - e o governo confisca a estrada

Sem o governo, quem irá construir as estradas?

Resposta: qualquer empreendedor que veja ali uma oportunidade de lucro.  Até mesmo pessoas que operam à margem da lei farão isso.

Na Bielorrússia, empreendedores que operam no mercado negro — chamados pelo governo de "contrabandistas" pelo simples fato de transportarem frutas (sim, frutas) sem pagar o pedágio para a máfia e alimentarem consumidores desejosos — atribuíram a si mesmos a tarefa de aprimorar suas rotas de transporte. 

Como a estrada estatal que utilizavam — de Minsk a Moscou — era de cascalho e apresentava péssimas condições de rodagem, encarecendo o preço final de seus produtos, eles arregaçaram as mangas e foram às obras: pavimentaram a estrada, alargaram, e acrescentaram vários entroncamentos e pontos de retorno para aumentar e melhorar o acesso de seus caminhões pesados (frutas pesam muito).

Esse projeto, inicialmente secreto, foi rapidamente recompensado com um acentuado aumento no volume de tráfego.

Depois que tudo estava pronto, o governo não só encampou e retomou o controle da estrada até então abandonada, como ainda colocou uma barreira alfandegária no local.

Para pensar: se operadores do mercado negro podem exitosamente construir uma estrada clandestinamente, imagine então o que empreendedores "legítimos" seriam capazes de construir abertamente.

The Moscow Times conta toda a história:

Contrabandistas secretamente reformam estradas para impulsionar os negócios

Quadrilhas contrabandeando bens para a Rússia reformaram, clandestinamente, uma estrada na fronteira com a Bielorrússia a fim de impulsionar os negócios.

Os contrabandistas transformaram a estrada de cascalho na região de Smolensk com o intuito de ajudar seus pesados caminhões a trafegarem pela rota, disse Alexander Laznenko, da agência alfandegária da região de Smolensk.  O grupo criminoso pavimentou, alargou e elevou a estrada, além de acrescentar vários entroncamentos e pontos de retorno, disse ele.

A estrada, que liga Moscou à capital bielorrussa Minsk, é conhecida por ser utilizada por contrabandistas que querem evitar os postos alfandegários.  Agora, ela está sob vigilância oficial.

Recentemente, um comboio de caminhões foi interceptado na estrada carregando 175 toneladas de frutas polonesas estimadas em 13 milhões de rublos (US$ 200.000).  As frutas foram destruídas.

Os guardas da fronteira, os oficiais da alfândega e os policiais já pararam mais de 73.000 veículos entrando na Rússia oriundos da Bielorrússia este ano, disse Laznenko, alegando que o número de veículos pesados cruzando a fronteira vindos da Bielorrússia aumentou dramaticamente no último ano.

4 votos

SOBRE O AUTOR

Eileen Wittig
é a Editora Associada da Foundation for Economic Education.



O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Vinícius Garcia  25/09/2016 15:44
    Detalhe para a destruição das frutas interceptadas...
  • Marcos Rocha   25/09/2016 15:54
    "Destruíram" entre aspas. É óbvio que os burocratas abiscoitaram as frutas e foram eles próprios vendê-las no mercado paralelo.
  • Renato  25/09/2016 15:44
    No mínimo, inusitado.
  • Carlos S Damasceno  25/09/2016 15:45
    Pra quê "estado "?
  • Marco Roberto  25/09/2016 15:45
    Qualquer um produz mais e melhor que o governo, pois quando vc pensa no seu êxito, no seu crescimento e desenvolvimento, vc automaticamente impulsiona e beneficia as pessoas ao seu redor. Como o governo não produz nada, ele geralmente so atrapalha e atrasa quem produz.
  • Ricardo Souza   25/09/2016 15:45
    Mas sem o governo, quem iria construir as alfândegas?
  • Lel  06/11/2016 19:55
    kkkkkkkkkkkkkkkkkk
  • Cidadão Vulnerável  25/09/2016 15:46
    É alentador saber que existe no mundo uma instituição altamente corrupta, violenta e dispendiosa nos protegendo de coisas como vendedores de frutas e reformadores de estrada.

    Não há dúvidas que aumentar o poder e influência de tão nobre entidade é a maneira mais sábia para melhorar a vida das pessoas. Somente um louco insensível desejaria o fim ou a minimização do estado.
  • deluca  30/09/2016 18:47
    Muito engraçado, as vezes a ironia serve mais do que o contraponto, pelo simples fato de aquilo que ser dito parecer e ser ridículo.
  • Companheiro Camarada   25/09/2016 15:46
    Mas o governo está "certíssimo", e apenas agindo naturalmente como ele geralmente é programado para fazer.

    Este é só um caso mais explícito e mais gritante, mas este tipo de coisa está acontecendo o tempo todo, ainda que de maneira mais sutil, e a gente nem percebe. E sem o apelo que, por exemplo, esses aplicativos modernos (como o Uber) despertam. Então, o ruim disto é que não vemos nenhuma reação no sentido derrubar estas velhas estruturas.

    É revoltante. Vou parar por aqui, antes que eu comece a escrever palavrões...
  • Renato Andrade  25/09/2016 15:47
    Máfia. Gostei do termo. Governo nada mais é do que uma máfia institucionalizada, uma grande quadrilha de burocratas. Não há diferença nenhuma entre o Estado e as máfias italianas que cobram propinas dos comerciantes. Uma rouba dentro da lei, e a outra, de rouba de forma ilegal. A máfia italiana faz uso da força para quem não paga, e o Estado também.
  • Ferraro  25/09/2016 15:53
    Respeite as máfias, elas são nojentas mas é não se compara ao estado:

    -Os mafiosos cumprem sua palavra sempre, o estado mente o tempo todo;
    -Quando a máfia entra em guerra só os membros que se beneficiam vão à guerra, os inocentes nunca são convocados;
    -Quando a máfia te vende segurança, ela te entrega segurança;
    -A máfia só quer 10% do seu lucro líquido, o estado tolhe 40%;
    -O estado quer saber tudo o que você faz, até entre 4 paredes, a máfia não só não dá a mínima, como terá o maior prazer em te fornecer tudo o que você desejar para se divertir.
  • Gabriel  29/09/2016 16:52
    Mas se não fosse o Estado, ...hã...hum...err....gasp.
  • Diego Maia  25/09/2016 15:54
    Aqui no Brasil aconteceu algo parecido, porém feito por empresários do agronegócio. Vamos ver o que vai acontecer daqui pra frente. Segue link:

    www.ilisp.org/noticias/cansados-de-esperar-pelo-estado-agricultores-constroem-33-km-de-estrada-com-dinheiro-privado/
  • Helon  12/10/2016 14:07
    Estranhamente conveniente isso acontecer.>
    Acontece o tempo todo, quando o BNDS pega o nosso dinheiro e constrói estradas com o nosso dinheiro depois as vende mais barato em forma de concessão e nos cobram pedágio.

    estamos no mesmo barco.

  • anônimo  24/10/2016 16:13
    Dá muita raiva de ler uma notícia dessas...
  • Douglas  24/10/2016 16:18
    Com certeza.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.