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Não desfaça amizades por causa da política - gerar a divisão é exatamente o que o estado quer
As vantagens de deixar as discordâncias políticas fora das relações pessoais

Por acaso a política sempre foi tão brutal assim com as amizades pessoais?

Conheço várias pessoas, até então amigas entre si, que estão entrando em brigas no Facebook, em guerra no Twitter, em discussões no Instagram, e em rixas no Snapchat.  Aquilo que começa como uma desavença ideológica termina em amargura e rancor.  As pessoas estão provocando umas às outras, exigindo que aquelas que têm uma posição política contrária à sua saiam de suas redes sociais.  Algumas até mesmo cortam relações totais com amigos e familiares.  E tudo por causa de diferenças políticas.

Fico até pensando em como será o natal dessas famílias.

Para deixar claro, a filosofia política de fato importa e, consequentemente, a política em si é algo que afeta a vida de todos.  No entanto, a briga partidária pelo controle temporário do aparato estatal é menos importante do que as contendas eleitorais nos fazem crer.  Você pode estar sendo facilmente manipulado por políticos, ideólogos e intelectuais, e amizades e a família são coisas preciosas demais para ser descartadas por razões temporárias.

É lamentável que a política cause divisões permanentes, e de uma maneira tão desnecessária.  As pessoas que rearranjam suas relações pessoais de acordo com a política imaginam que estão assumindo em definitivo o controle de suas vidas; o que elas aparentemente não percebem é que estão, na prática, deixando que estranhos controlem suas vidas — estranhos que não se importam absolutamente nada com elas.

A política é um sistema que busca dividir as pessoas para mais facilmente dominá-las.  Divide et impera sempre foi o lema da política e dos políticos.  Permitir que a política fundamentalmente influencie algo tão importante quanto a amizade e a família significa conceder a vitória efetiva aos políticos.  Significa dar a eles muito mais importância do que eles merecem.

Trollagem e banimento

Agora, é claro que é necessário levar em conta um pré-requisito.  Se há alguém em sua rede social deliberadamente trollando você, lhe perturbando e continuamente enviando links de sites que você despreza, então a melhor resposta é simplesmente bloquear essa pessoa.  Não responder.  Não entrar em discussões improdutivas.  Simplesmente bloqueie, calmamente, sem dramas e anúncios espalhafatosos.  Muito menos faça qualquer denúncia.

A maioria das pessoas que eu conheço já bloqueou mais de cem pessoas ao longo dos últimos meses, insufladas pelas batalhas políticas e ideológicas que vêm sendo travadas pela direita e pela esquerda nas redes sociais, cada uma em defesa de seus políticos de estimação.  Simplesmente bloquear é uma reação muito mais sensata do que confrontar, o que levaria a infindáveis e amargas discussões.  E não há nada mais improdutivo e exaustivo do que intermináveis discussões na internet.  Pessoas que querem arrastar você para esse meio de fato merecem uma exclusão do seu círculo de conversação.

Mas, excetuando-se esses casos extremos, vejo como uma atitude sem sentido expulsar alguém da sua vida só por causa de diferenças políticas.

Primeiro, ao se isolar e negar a si mesmo acesso a diferentes pontos de vista, você corre o risco de se isolar de um crítico que pode ensinar a você algo que você ainda não sabe.  Pode ser sobre qualquer coisa da vida, mas talvez até mesmo sobre política.  Fechar a porta para eventuais informações importantes não é uma atitude sensata.

Segundo, conversar com pessoas com opiniões opostas é uma boa maneira de você treinar a manter a calma, a raciocinar rápido, a falar com fluência e segurança, e a conversar de maneira civil e cortês, sempre se direcionando ao interlocutor de uma maneira que possa realmente persuadi-lo. 

Terceiro, e mais importante, isolar-se de tudo e todos, odiar os outros por suas visões políticas, e considerar que pessoas com diferentes pontos de vista sejam menos merecedoras de um tratamento digno é exatamente o tipo de atitude que o sistema político quer que você tenha.

Mas os outros não são os agressores?

Um contra-argumento a esse meu ponto foi feito por um amigo meu ano passado.  Sendo ele também um libertário, ele considera que qualquer pessoa que defenda qualquer medida governamental — mesmo que só casualmente, sem pensar mais profundamente no tema — é uma defensora da agressão estatal.  Afinal, qualquer coisa que o governo faz só pode ser feita, em última instância, por meio da tributação da renda (uma agressão à propriedade privada) e da restrição ao empreendedorismo. 

Consequentemente, as únicas pessoas que esse meu amigo diz serem dignas de sua atenção são aquelas que seguem firmemente sua perspectiva anarcocapitalista e voluntarista.  Quaisquer outras pessoas são consideradas por ele uma ameaça direta à sua vida e liberdade.

A mim isso parece ser excessivamente severo.  A verdade é que as pessoas normais que defendem algum tipo de ação governamental não se consideram a si próprias como pessoas violentas.  Elas apenas, e ingenuamente, acreditam estar defendendo algo que será bom para terceiros, talvez até mesmo melhorando a vida de todos.

Por exemplo, se uma pessoa defende mais gastos do governo com educação pública, ela acredita estar apenas defendendo políticas que serão boas para terceiros.  Em sua mente, ela não está decretando guerra e incitando a violência contra a propriedade privada dos pagadores de impostos, que deverão ser obrigados a dar ainda mais dinheiro para financiar programas ineficientes.  Se você simplesmente cortar relações com essa pessoa, como você poderá persuadi-la de que ela está errada?

E não são só os libertários que agem assim.  Um ex-amigo meu, de esquerda, era um crente fervoroso na tese do aquecimento global.  Eu não fazia a menor ideia de que ele pensava assim até o momento em que, enquanto tomávamos um café, o assunto surgiu.  À época, apenas expressei algum ceticismo de que a ciência a esse respeito já estava solidamente comprovada e que o debate sobre causas e efeitos, soluções, custos e benefícios já estava encerrado.  Eu realmente fui bastante comedido em meus comentários.  No entanto, por algum motivo, eles foram o bastante para fazê-lo explodir de raiva.  Ele disse que eu era um obscurantista que negava a ciência e um maluco apologista do capitalismo.  Ele se levantou e foi embora.  E foi isso.

Fiquei perplexo.  Eu estava apenas discordando dele, de maneira bem cautelosa.  No entanto, por algum motivo, ele genuinamente acreditava que qualquer um que discordasse dele era o responsável direto pela elevação do nível dos oceanos, pelo derretimento das calotas polares, e pela gradual desintegração do planeta. 

Ele havia deixado que a política controlasse sua vida e até mesmo determinasse suas amizades.  Como consequência, nós dois nos tornamos espiritualmente mais pobres em decorrência dessa amizade desfeita.

E considere o efeito tóxico que está sendo causado pelo crescimento da influência desta tal "política de identidade pessoal": as pessoas estão perdendo a capacidade de ver algum valor nas outras.  Imagine como você me faria sentir se você acreditasse que a brancura da minha pele representa uma opressão e uma indelével mácula na ordem mundial? Não haveria nenhuma chance para qualquer tipo de interação civilizada.  Afinal, eu não posso mudar minha raça.  Da mesma forma, e se eu acreditasse que o fato de você ser negro, ou gay, ou ateu fosse a causa da destruição demográfica e cultural — como seria possível agir civilizadamente nesse contexto? 

A imposição dessa política de identidade está gerando exatamente esse tipo de desavença irracional e de rixas supérfluas entre as pessoas.  Exatamente o que o estado e seus defensores intelectuais querem.

Qual é o objetivo de uma amizade?

O que o libertário e o esquerdista acima mencionados não conseguiram perceber é que eles são culpados pelo mesmo erro: permitiram que a política invadisse e conduzisse suas vidas, determinando as condições para sua felicidade pessoal.  Tão logo esse tipo de coisa começa a acontecer, não há como parar.

Deveria todo mundo concordar com cada ponto de sua ideologia para ser seu amigo?  Deveria haver tolerância zero para a mais mínima diferença de idéias, de visões, de prioridades, de aplicações e de objetivos?  Em outras palavras, deveriam todos os seus amigos acreditar exatamente em tudo aquilo que você acredita?

Se essa é a sua perspectiva, então não há muito sentido em ter uma amizade e conversar com alguém que tenha exatamente o mesmo ponto de vista que o seu em absolutamente todas as coisas.  No mínimo, isso seria incrivelmente tedioso.  Ficar em casa pensando na sua própria infalibilidade teria o mesmo efeito.

Pessoalmente, gosto de pensar em amizades da mesma maneira que penso em transações econômicas.  Em termos de economia, bens e serviços não são transacionados sob uma perfeita condição de igualdade.  A transação comercial ocorre exatamente porque ambos os lados acreditam que ficarão em melhor situação após a troca.  É somente quando há expectativas desiguais que a transação se torna mutuamente recompensadora.

O mesmo é válido para a amizade.  É necessário ouvir pontos de vista distintos.  É sempre bom termos acesso ao que pensam os outros.  Mesmo que não concordemos com nada do que dizem, ainda assim passamos a compreender as pessoas e o mundo de uma maneira mais completa quando ouvimos o que os outros têm a dizer — com sinceridade, cordialidade e honestidade.  Em outras palavras, amizades desse tipo nos ajudam a ter uma mente aberta e nos mantêm humildes e sempre dispostos a aprender mais.

Políticos sempre irão trair você

Tampouco é uma boa ideia desfazer amizades por causa de opções político-partidárias.  Políticos raramente mantêm uma mesma opinião sobre qualquer assunto ao longo de suas carreiras.  Muito pelo contrário, aliás: essa gente se molda estritamente de acordo com as tendências da opinião popular.  Quando a maioria da população clama por mais estado, políticos adotam um discurso mais intervencionista.  Já quando a maioria da população começa a reclamar do excesso de estado, políticos até ontem estatistas começam a adotar um discurso mais liberalizante.

Seguir as idéias de um político, ou mesmo de um partido político, até o ponto de afetar seu relacionamento com família e amigos significa comprometer sua própria integridade intelectual.

Simplesmente não vale a pena.  E muito menos ainda se for feito em nome de políticos.

Uma das grandes tragédias da política é que ela é capaz de transformar pessoas que, na vida real, seriam pacíficas, leais e grandes amigas em inimigas amargas e rancorosas.  Sempre penso nisso quando veja brigas de rua insufladas por militantes político-partidários, cada um brigando em nome do seu político ou partido político favorito. 

Quem realmente ganha com isso?  Se você colocasse essas mesmas pessoas em um restaurante, em um cinema ou em um shopping, elas teriam todos os motivos para ser corteses, gentis e civilizadas, e nenhum motivo para gritar obscenidades e distribuir sopapos entre si.

Isso é algo que realmente deveria ser mais refletido.  Cada um de nós é um ser humano com sentimentos, esperanças, sonhos e desejos de viver uma vida bem vivida — cada indivíduo, independentemente de sua raça, religião, identidade de gênero, opção sexual ou ideologia quer isso.  E a política não deveria interferir em nada disso.

Se o desejo é por um mundo mais pacífico e de mais compreensão, uma maneira de ajudar a criá-lo é viver como se tal mundo já existisse.  Acima de tudo, isso significa jamais deixar a política interferir nas relações humanas.  As relações humanas, e não a política, são o nosso verdadeiro tesouro.


3 votos


  • Renan Merlin  06/09/2016 15:14
    Por que a Gurgel faliu? Ele vivia de subsidios e proteção estatal e quando a teta secou ela quebrou ou a inflação da epoca que a prejudicou?
  • Ciro  06/09/2016 16:40
    Ambos.
  • Pobre Paulista  06/09/2016 16:56
    Responda você mesmo: Você compraria um carro de estrutura tubular e chassi de plástico?
  • anônimo  07/09/2016 11:32
    "estrutura tubular"...céus, quanta ignorância.Todos os carros dos anos 80 e um pouco nos 90 tinham esse design mais retangular, esse negócio de formas femininas, arredondadas é uma frescura dos tempos atuais.
    E o 'plástico' na verdade é fibra de vidro, um material muito mais resistente e durável que o dos carros descartáveis de hoje, tanto que ainda hoje é possível encontrar um monte de gurgel funcionando como se tivesse acabado de sair da fábrica.
  • David  06/09/2016 19:05
    Renan, a Gurgel faliu porque quis peitar a VW, Ford, Fiat e GM - oligarquia esta que sempre foi muito bem protegida pelo estado - com um projeto de carro popular sem ter farinha no saco para tal. A situação se agravou quando o próprio Gurgel, teimoso que só ele, resolveu dar um passo maior do que a própria perna ao querer construir uma segunda fábrica no Ceará e utilizar o maquinário do pré-histórico Citroën 2CV francês para a "nova" linha de montagem. Tivesse a Gurgel se dedicado exclusivamente ao segmento dos foras-de-estrada e investido em uma atualização do X-12 e do Tocantins, produtos de excelente qualidade e únicos em suas categorias, talvez a veríamos em atividades até os dias de hoje.
  • Tasso  06/09/2016 19:13
    Para ser sincero, quem quebrou a Gurgel foi Ciro Gomes.

    www1.folha.uol.com.br/fsp/campinas/cm2801200101.htm

  • brunoalex4  06/09/2016 15:26
    Não canso de me surpreender (positivamente) com o IMB. Vocês se superam a cada dia!!
  • Foda-se o Estado  06/09/2016 23:17
    IMB e Foda-se o estado, somos parceiros eternos nesse objetivo de propagar ideias de Liberdade!

    Leiam esse escrito:

    Por que devemos rejeitar a política
    foda-seoestado.com/por-que-devemos-rejeitar-politica/
  • Revoltado Online  06/09/2016 16:02
    Leandro como era a economia da ditadura militar, alguns dizem que foi estatizante outros dizem que foi liberal, gostaria de ouvir a sua opinião a esse respeito.

    Alguns até dizem que pelo efeito estatizante, a ditadura militar teve uma concepção de estado baseado no comunismo ou socialismo.

  • Leandro  06/09/2016 16:52
    As políticas econômicas dos militares foram péssimas.

    Eles foram os maiores estatizadores que este país já teve a infelicidade de conhecer. À exceção de um breve período no governo Castelo Branco -- quando de fato foram feitas algumas reformas --, nada se salva no regime militar.

    Resumidamente, todo o período se resumiu a endividamento do governo em dólares para fazer obras faraônicas (ótimo negócio para as empreiteiras nacionais), inflacionismo da oferta monetária, e câmbio controlado para tentar mitigar os efeitos da inflação monetária sobre a carestia.

    Como a inflação monetária era excessiva, o câmbio controlado passava por várias e sucessivas "desvalorizações controladas", as quais faziam a carestia explodir.

    Porém, como havia o mecanismo da indexação (principalmente salarial) -- algo que o resto do mundo desconhecia --, a coisa foi sendo levada.

    Geisel foi o pior de todos. Pior até do que Dilma. Ninguém expandiu mais o estado do que ele; ninguém criou mais estatais do que ele. Ninguém fechou a economia mais do que ele. Ninguém foi economicamente mais socialista do que ele.

    Já no início da década de 1980, a economia brasileira estava sovieticamente fechada. Importar algo era praticamente proibido. Carestia nas nuvens, moeda sem nenhum poder de compra, e população proibida de comprar produtos estrangeiros. O exemplo mais explícito de reservas de mercado e de povo sendo tratado como gado.

    Vale, adicionalmente, dizer que todas essas empreiteiras atuais cresceram justamente no período militar -- daí a afinidade com o atual governo petista, igualmente estatizante.

    Vale um artigo sobre o assunto, mas ele realmente não está em minhas prioridades.

    Abraço.
  • Anderson  06/09/2016 17:46
    Oi Leandro, você é onipresente? Kkk

    Queria saber o que forçaria o FED a aumentar significativamente os juros mesmo que digam que esta hipótese é descartada visto o prejuízo que traria para o déficit fiscal americano.

    Também queria esclarecer de que forma o dólar influência na inflação brasileira já que nossa participação no comércio internacional é pequena e as tarifas de importação são usadas para equilibrar a diferença cambial e de produtividade entre o Brasil e o resto do mundo.



  • Leandro  06/09/2016 18:29
    "Queria saber o que forçaria o FED a aumentar significativamente os juros mesmo que digam que esta hipótese é descartada visto o prejuízo que traria para o déficit fiscal americano."

    Por enquanto, nada. É tudo apenas jogo de cena. E é sempre a mesma coisa: a turma fica 40 dias ameaçando que vai elevar os juros. Quando chega o momento, era só blefe.

    Realmente, não há nada a acrescentar a tudo o que já foi dito sobre o tema neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2213

    "de que forma o dólar influencia na inflação brasileira já que nossa participação no comércio internacional é pequena e as tarifas de importação são usadas para equilibrar a diferença cambial e de produtividade entre o Brasil e o resto do mundo."

    Basicamente, de três maneiras:

    1) A primeira é a mais básica de todas: se o dólar está encarecendo, isso significa que o real está se desvalorizando. Se o dólar está ficando mais caro, isso significa que o poder de compra do real está diminuindo. Pura e simplesmente isso. Logo, se o poder de compra de uma moeda está caindo, então quantidade de moeda necessária para comprar um mesmo bem ou serviço aumenta. Ou seja, a desvalorização cambial é uma consequência da perda do poder de compra da moeda. Significa também que os agentes econômicos esperam que a moeda perca ainda mais poder de compra no futuro.

    2) Embora as importações sejam baixas em relação ao PIB, elas ainda acontecem (ainda bem!). E já ajudam em muito a conter a carestia. Logo, qualquer encarecimento do dólar encarece todas as importações.

    E esse impacto do dólar é muito maior do que muitos imaginam. Os preços dos remédios (85% da química fina é importada), do pão (o trigo é uma commodity precificada em dólar e é majoritariamente importada), das passagens aéreas (querosene é petróleo, e petróleo é cotado em dólar), das passagens de ônibus (diesel também é petróleo), de todos os importados básicos (de eletroeletrônicos e utensílios domésticos a roupas e mobiliários) e até mesmos os preços dos aluguéis e das tarifas de energia elétrica (ambos são reajustados pelo IGP-M, índice esse que mensura commodities e matérias-primas, ambas sensíveis ao dólar) são afetados pelo dólar.

    Também os preços dos alimentos, especialmente as carnes bovina e suína, sofrem impacto direto do dólar. O farelo de soja, por exemplo, é utilizado como ração para bovinos e suínos, e a soja é uma commodity cotada em dólar. Se o dólar fica mais caro, os custos dos pecuaristas para alimentar seus animais ficam maiores, o que aumenta a pressão por repasses de preço.

    3) Essa é extremamente importante, mas muito negligenciada, principalmente pelos desenvolvimentistas: dólar caro estimula os produtores nacionais (principalmente de alimentos e de setores pouco intensivos em mão-de-obra) a vender mais de seus estoques para os estrangeiros (que têm maior poder de compra) do que para os nativos. Vendendo mais para fora, diminui a oferta de bens no mercado interno. Menos oferta de bens no mercado interno, preços maiores.

    Dois artigos sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2394
  • Pedro  06/09/2016 19:39
    Leandro, mas isso(item 3) de qualquer forma só ocorre no curto prazo, correto? os preços irão subir, tornando o produto brasileiro tão atraente quanto estava antes do dólar se valorizar perante o real.
  • Leandro  06/09/2016 19:46
    Isso é imaterial. O estrago já foi feito. Os preços já subiram (e muito) no curto prazo. A economia já foi desorganizada e o poder de compra das pessoas já foi afetado. Não há como corrigir esse dano.
  • anônimo  06/09/2016 23:08
    Acho que me expressei mal, Leandro. Quis dizer que posteriormente nem mesmo esses produtos irão se tornar atraentes para o estrangeiro, pois os preços internos farão os custos subirem, encarecendo tais produtos. O dólar ganhou poder de compra, mas o produto se tornou mais caro, solapando os lucros do exportador brasileiro. Enfim, as intervenções estúpidas gerando os mesmos resultados estúpidos.
  • William Bonner Carente  06/09/2016 18:35
    Na concepção do IMB, teve algum presidente brasileiro que foi pró-mercado, ou que chegou perto disso?
  • Leandro  06/09/2016 19:12
    Integralmente, nenhum.

    Há aqueles que fizeram algumas coisas boas.

    Castelo Branco fez reformas importantes (para um relato completo, leia "A Lanterna na Popa", de Roberto Campos. Para ver um bom resumo, veja aqui).

    Collor teve o mérito de peitar vários cartéis industriais e abrir um pouco a economia, o que já deu um grande impulso na qualidade dos carros que hoje dirigimos. Foi também o único que soube privatizar estatais da maneira certa (sem criar agências reguladoras e sem dar subsídios).

    Itamar Franco deu espaço para que a melhor equipe econômica que esse país já teve pudesse criar uma moeda minimamente civilizada. Também privatizou a CSN e a Embraer.

    FHC, em seu primeiro mandato, apenas deu continuidade ao que já vinha sendo feito em 1993 e 1994. E isso já era muito. Em seu segundo mandato, aprovou a LRF. Fora isso, pouco se salva.

    O primeiro mandato de Lula teve uma grande racionalidade econômica. Ao mesmo tempo em que ele fazia discursos para agradar sua base, ele deixava a economia nas mãos de Palocci e Meirelles, que seguiam à risca e com afinco as ordens do FMI -- terceirizar para o FMI era melhor do que seguir as ordens da Unicamp, que assumiu o comando a partir de Lula 2, causando o início de nossa degringolada.

    Já Dilma eu me abstenho de comentar para não ferir a decência deste espaço.

    (Observação: essa é exclusivamente a minha opinião, e não a do IMB).
  • Revoltado Online  07/09/2016 22:31
    Leandro eu soube desse plano de Geisel para com a economia, inclusive o próprio Lula elogiou ele dizendo que se ele estivesse na corrida presidencial, certeza dele ganhar.

    Estava olhando sobre os planos cambiais, e na sua visão o CB seria uma media a curto prazo e dolarizar seria a longo prazo?

    Acho que o Panamá tem a economia dolarizada e vem crescendo economicamente, mas essa política não estaria submissa as políticas do FED e isso não é perigoso?
  • Revoltado Online  08/09/2016 02:36
    Leandro muito tem se debatido da água ser privatizada, se tornar uma commodity, mas alguns dizem que é um direito básico da vida. Eu lhe pergunto, o que você acha disso?

    Abraço
  • anônimo  12/09/2016 01:57
    Curioso são os comentários. Muito gente defendendo o livre mercado.
  • Não sou o Leandro.  12/09/2016 02:03
    Agua não é um direito, é um recurso natural que requer bastante trabalho e investimento para que possa ser consumido.

    E sim, tem que ser privatizada, assim como a produção de alimentos.

    Curiosamente nunca vi agua de garrafa ficar em falta, mas a agua que é gerenciada pela Sabesp sim.

  • Renan Merlin  06/09/2016 21:16
    Fecha os olhos e imagine o PT, só que ao invez de deixar como legado 12 estadio deixasse como legado hidreletricas, estradas, aeroportos, linhas de metrô e universidades. Foi isso.
  • Poor man  06/09/2016 16:07
    Não se misture, se quiser ser grande
    Eu acredito que o texto da a entender, que é uma mera questão de opinião e posição politica.
    De fato é muito alem disso, Porque no Brasil, quem é de esquerda já faz parte do aparato estatal, está lucrando com isso, e já carrega todo um modo de vida de ser, e esse modo de vida traz consequências culturais para quem está próximo.

    Existe a questão ideológica, que carrega todo um modo de vida, como por exemplo uma feminista te odiar, porque você é homem, não pelas suas opiniões, mas pelo que você é.
    O mesmo acontece com uma ideologia que prega a destruição da mesma familia que o artigo quer proteger, as pessoas aderem a isso e se voltam contras as coisas, pelo que elas são e pelo que elas representam.

    È como se o homem se voltasse contra toda a cultura ocidental e desejasse queimar tudo isso, jogar tudo isso no lixo.

    Poderia dizer também, que tudo posso nessa vida, mas nem tudo me convêm. As minhas leituras e as pessoas com quem convivo dizem quem eu sou, Lógico que posso ter amigos de esquerda e ler o que eles tem a dizer, mas tempo é precioso e não volta.Se trato a minha mente como uma lata de lixo, ela será uma lata de lixo. Se convivo com pessoas baixas, eu serei uma pessoa baixa.

    Conclusão
    Olavo de Carvalho já dizia, "Amigo é o sujeito que quer a mesma coisa que você, e rejeita a mesma coisa que você"{1}. Portanto devemos ter muito cuidado, com o que lemos e com as pessoas que nos relacionamos. Esse texto só vale para quem busca a verdade.

    {1} - A vida intelectual e a perda das amizades - Olavo de Carvalho
  • anônimo  07/09/2016 11:34
    Olavete é uma desgraça, tem que enfiar a porcaria do guru deles em tudo que eles se metem.
    Vai tomar pepsi, infeliz.
  • mauricio barbosa  06/09/2016 16:11
    Realmente é tentar enxugar gelo discutir política e economia com os esquerdopatas,mas ao mesmo tempo é estimulante,prazeroso vê sem argumentos tentando defender o indefensável e é preciso sabedoria e muita,mas muita sensibilidade,pois os mesmos são escorregadios,contraditórios,confusos,em alguns casos alienados,em outros mau-caráteres ao extremo,enfim haja estomago para aguentar desaforos e bravatas do dogmatismo marxista...
    Mas vale sim o bom-senso para manter a amizade e o dialogo,afinal a vida não se resume em discutir pontos de vista políticos.
  • Mmoscz  06/09/2016 17:55
    Eu acredito que á níveis diferentes de esquerdopatia, mas quanto mais "intelectualizado" o esquerdopata se acha, mais ferrenho é a sua devoção a causa, mas normalmente eles têm algum laço com o estado, mesmo sendo concursado e não tendo nada haver politicamente.
    Mas grande parte dos esquerdopatas acima dos 30 anos, são produto de pais esquerdopatas, os mais novos são devido às escolas aparelhadas
  • Andre  06/09/2016 18:13
    De fato, esquerdopatas funças acima dos 30, são como casos de câncer metastático, difícil reversão, nessa faixa de idade o normal é um nível de estatismo facilmente reversível com acompanhamento de realidade estatal, teoria e aplicações liberais durante bastante tempo, pois o estatismo está mais para uma droga viciante que doença.
    Nos jovens é ainda mais fácil, basta irem lá arrumar emprego pra perceberem como as coisas estão péssimas, e estar a postos durante um acesso de frustração para apresentá-lo a um funça bem preguiçoso e bem remunerado para o jovem concluir se quem está vacilando é o patrão malvadão endividado que não pode pagar 1 S.M. ou o funça benevolente que leva R$8mil na boa.
  • mauricio barbosa  06/09/2016 20:59
    Digo:"vê-los tentando defender o indefensável".
  • anônimo  06/09/2016 16:16
    Eu deixei de falar com minha prima por questões políticas, inicialmente tinha bloqueado ela no face por não aguentar olhar postagens da carta capital e piadas contra a direita, mas com o tempo simplesmente deixei de falar com ela, por raiva mesmo.

    Hoje evito ao máximo discutir política, melhor escutar algumas abobrinhas calado do que ficar bringando em debates que NUNCA levam a nada.
  • Marcos  06/09/2016 16:18
    Esse texto me deixou mais calmo!
  • Mais Mises...  08/09/2016 03:46
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    (tive o mesmo efeito que o seu!) rsrs
  • Bernardo  06/09/2016 17:16
    Sábias palavras. Fiquei muito confuso quando vi JEC, Dilma e Aecio conversando de boa, Ministro Lewandoski e Renan também, dando gargalhadas.

    É muito estranho ver a atual oposição esbravejar no microfone, acusar várias coisas mas, nos bastidores, parecem ser tão amiguinhos
  • Ricardo  06/09/2016 17:22
    Não parece; eles são.

    Enquanto isso, uma idiota vai pra rua defender Dilma e perde o olho em conflito com a PM. E aqueles políticos que confraternizavam nos bastidores -- e que já estão com a vida ganha às nossas custas -- dão gargalhadas da idiotice de um populacho que chega ao ponto de perder sua integridade física em defesa deles.
  • Renan Merlin  06/09/2016 21:32
    Enquanto isso petista perde ate o olho esquerdo em manifestação pela Dilma
  • Ludivine   06/09/2016 17:19
    "Dividir para melhor reinar ".

    Eles se frequentam em almoços e camaradagem, sobretudo quando é para os protegê-los de denúncias. Vide os áudios publicados no mês de abril, que podemos reouvir no YouTube...

    Casta política, este é o nome
  • anônimo  06/09/2016 17:37
    "Deveria haver tolerância zero para a mais mínima diferença de idéias, de visões, de prioridades, de aplicações e de objetivos?"

    Não,mas...

    "there can be no tolerance toward democrats and communists in a libertarian social order. They will have to be physically separated and expelled from society."

    algumas diferenças são aceitáveis, outras não.
  • Andre  06/09/2016 17:47
    Imagem adequada para o artigo é a da Dilma, Aécio, JEC e Lewandowski conversando sorridentes em pleno impeachment enquanto a boiada ignorante defende cada um o seu lado e de graça.
  • Viking  06/09/2016 18:05
    eu não desfiz amizade por conta de politica, desfiz por conta de ideologia.
    ter um comunista como amigo não me acrescenta nada.
  • Andre  06/09/2016 18:16
    Sorte sua, não pude fazer isso, seria muita contradição da minha parte, já fui um comunistão nojento há uns 10 anos atrás, me diverti bastante naqueles tempos de farras desmedidas, ser comunista, tocar violão, ser barbudo e com pinta de revolucionário abre muitas pernas, mulheres "letradas" adoram um subversivo.
  • Mais Mises...  08/09/2016 03:48
    kkkkkkkkkkkkkkkkk Rindo alto aqui do seu comentário... rsrsrs
  • Ricardo Bordin  06/09/2016 18:20
    Parabéns pelo artigo, um tapa na cara dos esquerdistas que ficam pregando luta de classes em pleno século XXI. Eu ainda tenho amigos "progressistas", alguns se dizem até socialistas, mas eu sempre dou um jeito de trocar de assunto quando a temperatura sobe.

    https://bordinburke.wordpress.com/2016/09/06/engracadinha-mas-ordinaria-dissecando-uma-piada-matreira/
  • soulsurfer  06/09/2016 18:48
    Um grande texto, talvez (tirando os textos técnicos sobre economia) um dos melhores desse espaço.
    Além de não valer a pena, o autor captou corretamente que o que realmente dá sentido as nossas vidas são as relações que mantemos com outros seres humanos.
    Apesar de não concordar com inúmeros aspectos de vários textos desse espaço, já recomendei diversas vezes este site no meu pequeno blog (pensamentos financeiros).
    Aliás, quem conhece um pouco das pesquisas mais atuais sobre ação humana, não apenas ideias abstratas colocadas em algum livro por um pensador mas pesquisas baseadas no que realmente acontece no nosso cérebro quando exposto às mais diversas condições, sabe que o nosso cérebro toma decisões baseado em dois sistemas completamente distintos de pensamento. Eu não me lembro de nunca ter visto nada sobre isso nesse espaço, o que é de certa maneira curioso, já que o tema é central para entender como o ser humano se comporta.
    Uma das melhores maneiras de exercitarmos nosso poder de raciocínio consciente é constantemente acionarmos nosso sistema2 (o ligado a formas mais reflexivas de pensar), e uma das formas de fazermos isso é expor o nosso cérebro a ideias contrárias ou novas. Aliás, essa é também, grosso modo, a ideia central do livro mais recente do Taleb "Antifragile". Portanto, para mim o IMB foi uma fonte muito boa de estímulos ao meu sistema2. É uma pena que as pessoas fiquem tão condicionadas a determinadas formas de ver a vida e o mundo, que acabam apenas por reproduzir pensamentos automatizados (algo típico do sistema1), e não percebem que nem estão pensando mais, apenas reagindo a estímulos externos de forma automática e quase inconsciente. Isso apenas demonstra, como dito no presente texto, que as pessoas estão se isolando cada vez mais sem se darem conta disso.
    Abraço a todos!
  • Mario  06/09/2016 19:13
  • Antonio Tavares  06/09/2016 19:26
    Amizade implica em afinidade. Ter valores semelhantes. Trata-se de gostar das mesmas coisas e detestar as mesmas coisas. Como é que vou ter amizade com pessoas que têm valores antagônicos aos meus. O problema dos esquerdistas é que são relativistas morais eculturais; O certo e o errado e a verdade e a mentira dependem de serem favoraveis ou não à causa revolucionária. Já os liberais são tão utópicos quanto os esquerdistas. Acham que tudo se resolve com liberdade econômica. Como se todas as pessoas fossem naturalmente boas segudo a ótica de Rousseau.
  • Drexler  07/09/2016 03:19
    "Como se todas as pessoas fossem naturalmente boas segudo a ótica de Rousseau."

    Até quando esses papagaios vão ficar repetindo essa besteira?

    Cidadão, entenda uma coisa de uma vez por todas: libertários NÃO "acham q todas as pessoas são naturalmente boas".

    E é justamente por terem plena ciência de q muitas pessoas não são boas é q os libertários não querem q burocratas e políticos fiquem controlando a vida de terceiros.

    Pare de repetir esse chavão estúpido.

    E Rousseau é ícone do esquerdismo; não tem nada a ver com o libertarianismo.
  • Renato Souza  07/09/2016 11:48
    Não, os liberais não pensam que todas as pessoas são naturalmente boas.

    Eu pessoalmente, não sou ancap, sou miniarquista, mas creio que também os ancaps endossariam minha resposta.

    Então vamos ao que os liberais pensam:

    1. Pessoas cometem atos que claramente agridem as outras pessoas,seja suas vidas, suas saúdes, seus corpos, seus bens. Tais atos devem ser coibidos por tribunais, que terão meios coercitivos de imporem suas decisões. Miniarquistas e ancaps discordam apenas sobre a natureza desses tribunais. Miniarquistas, como eu, pensam que tais tribunais devem ter sua autoridade definida por território, sem concorrência. Para estar de acordo com o verdadeiro pensamento liberal, tais territórios devem ser pequenos, a emigração tem de ser livre (mas não necessariamente a imigração) para que as pessoas possam "votar com os pés". Já os ancaps tem diversas ideias diferentes de como as coisas devem funcionar. Normalmente defendem tribunais concorrentes no mesmo espaço geográfico, aos quais as pessoas adeririam livremente. Em caso de discordância entre tribunais, em cada caso específico, os próprios tribunais negociariam entre si a aplicação das penas.

    Então, note que tanto miniarquistas quanto ancaps não consideram as pessoas perfeitas. Se pensassem assim, não proporiam tribunais e aparelhos de coerção (policia) subordinados a esses tribunais. Nesse sentido, pensamos como vocês.

    Adam Smith dizia que para uma economia progredir, é necessário um sistema de justiça pelo menos tolerável (e por muitos outros motivos também, é claro). Um tribunais, por ser instituição humana, erra, mas se seus erros se tornarem intoleráveis, tal tribunal deve ser substituído. Isso pode implicar em mudança do sistema legal, ou até derrubada do poder político que mantém tal tribunal. Já aconteceu inúmeras vezes ao longo da história.

    O que diferencia um liberal de um maxiarquista, não é sobre a questão criminal. Um liberal, tanto quanto um maxiarquista, acredita que agressores devem ser punidos. Se um determinado fabricante de um alimento, nacional ou importado, coloca veneno nesse produto, e os consumidores ficarem doentes, todos concordarão que ele deve ser punido. Se foi intencional ou um ato culposo, punição criminal e civil, e se foi acidental, punição civil.

    Agora, nós discordamos FORTEMENTE de vocês na ação de autoridades em que não se envolve questões judiciais. Imagine dois fabricantes de determinado produto, um da Malásia e outro da Tailândia. Imagine que não há nenhuma queixa de ação criminosa, ou outro tipo de agressão aos consumidores, em relação a nenhum desses fabricantes. Imagine que não há guerra nem agressão da parte dos governos desse pais contra o Brasil. Imagine que é parte do conjunto das políticas econômicas do governo brasileiro privilegiar os produtores da Tailândia em relação aos da Malásia. Como parte dessas políticas, o governo brasileiro impõe restrições à compra de produtos da Malásia. Você percebe que é impossível, ou economicamente prejudicial importar o produto da Malásia, embora você o preferisse, por causa dessa política do governo.

    Do ponto de vista de um estatólatra, tal ação do governo seria, em princípio, moralmente aceitável, e economicamente, potencialmente benéfica. Do ponto de vista de um liberal, tal ação do governo seriam moralmente errada, e economicamente prejudicial. Autoridades com poder coercitivo podem impor a justiça sim, mas não deveriam coibir ações que não são agressivas em si, nem são parte de um plano de agressão. Grande parte das ações do governo brasileiro, são imorais e prejudiciais, segundo a ótica do liberalismo econômico. E, já que chegamos até aqui, a própria existência na constituição brasileira, de um artigo que proíbe a secessão de membros federados, é em si uma agressão à justiça e ao bom senso. Países com área muito menor que os mais de 8 milhões de kilometros quadrados brasileiros, são perfeitamente defensáveis militarmente. Como justificar essa terrível restrição à liberdade das pessoas? É injusto que uma pessoa seja obrigada a se deslocar milhares de quilometros para conseguir ficar fora da área de autoridade de um governo.
  • Gabriel  06/09/2016 19:36
    Eu tenho uma grande dúvida, como é possível se misturar com pessoas que partem da premissa de que os outros (que pensam diferente da "justiça social") são a infâmia e eles, que são os justiceiros sociais que tem a formula mágica para fazer um mundo perfeito, são a virtude? Especialmente quando essa visão de "justiça social" levará a uma necessária destruição do individuo e fortalecimento do "coletivo" (leia-se, nas opiniões absurdas de burocratas).

    Me parece mais ou menos como querer dialogar com o Estado Islâmico e achar que eles consigam ter a minima boa vontade de entender o que você está querendo dizer.

    Porque para um grupo politico que pediu o impeachment de todos os presidentes democraticamente eleitos e, de repente, acham que o impeachment é golpe após o presidente que representa esse grupo ter sofrido o impeachment é, no minimo, um fanatismo alucinado.

    Sem contar que, passado o "golpe" do presidente eleito por este grupo, voltaram a defender o impeachment como algo legitimo.
  • anônimo  06/09/2016 22:45
    Tem gente aqui que acha que nasceu sabendo tudo.Cara, o comunistinha de hoje pode ser o liberal de amanhã, isso é tão comum, muita gente acaba pensando bem e mudando de idéia.
    Não vou cortar amizade com ninguém.
  • Gabriel  07/09/2016 04:44
    Mas onde eu disse que eu nasci sabendo tudo? Quem parece que nasceu sabendo tudo são esses fundamentalistas políticos que se dizem ser a virtude por defenderem a sua "Justiça Social".

    Mas espere até chegarmos ao nível de uma Venezuela da vida, para ai você ir lá conversar com esses fundamentalistas, com certeza vão lhe ouvir.
  • anônimo  07/09/2016 21:01
    'Sabendo tudo' significa que vc nunca foi esquerdista um dia, esquerdista ou ludibriado pelo estado em maior ou menor grau.
    Esse pessoal que não tem paciência com quem é de esquerda hoje, e amanhã pode ser curado.
  • Renan Merlin  06/09/2016 21:15
    Leandro qual foi o governo mais liberal que tivemos? Seria o periodo entre o fim da escravidão e o fim da monarquia?
  • Henrique Zucatelli  06/09/2016 22:53
    Ainda acredito que existe Estado democrático na pós modernidade porque quem produz (e paga a conta) é pacífico demais para quebrar tudo e fundar um país novo. Essa escravidão branca é característica de nosso tempo, enquanto do passado os homens davam a vida por um suspiro de liberdade- vide a revolução americana e a revolta mineira de Tiradentes.

    No passado os homens simplesmente paravam o que estavam fazendo para quebrar o status quo, derrubar o agressor e se libertar das garras da tirania. Para estes bravos homens a vida não valia a pena se fosse para ser servil.

    Hoje o mundo rasteja aos pés de aberrações que fariam Gengis Khan se considerar um monge, simplesmente porque estes se escondem atrás de flâmulas, de cartas e pactos civis, de constituições que existem apenas para torna-los semi deuses, enquanto a massa dá o sangue e entrega sua dignidade desde o berço.

    A grega democracia só existe com um propósito: dominar intangivelmente com o arguto da anonimidade. A dissimulada alternância de poder esconde apenas o óbvio: aquele que chega lá, nunca mais volta ao mundo dos mortais.

    Um simples vereador consegue erguer impérios fornecendo bens e serviços a preços absurdos e qualidade pífia, de forma contínua e com volumes assombrosos. Suba de nível e multiplique a fortuna, é assim que funciona. Por isso não raro estranhamos que certos políticos com 70, 80 anos de idade continuam em suas cadeiras e se elegem de forma quase automática: é o poder construído por décadas que carrega uma turba de parasitas com direito a voto, que irão eleger o infame até depois da morte, se assim virar lei (e não duvidem).

    Ao contrário dessa obscenidade, a monocracia é o caminho mais lógico e honesto: elites naturais se encarregam apenas de guardar as poucas e efetivas leis de um território, e só. Caso falhem na missão, serão derrubados no fio da espada, e de lá nascerão outros Estados. Só essa aura de terror protege os governados dos governantes.

    Me perdoe Mises, mas eu não acredito na democracia.
  • Gabriel  07/09/2016 04:53
    Eu também não acredito na democracia, porque ela me parece apenas o meio que a esquerda escolheu para legitimar as suas visões extremamente autoritárias contra os indivíduos. E como eles são extremamente sujos e dissimulados começaram uma guerra cultural para fazer prevalecer as suas ideias no senso comum e tornar mais fácil capturar a maioria para que possa democraticamente destruir o individuo.

    E o pior é que quanto mais eu vejo esse lixo de gente fazendo esses "protestos" pela manutenção de "direitos", mais eu começo a ficar favorável à extremistas que sejam contrarios a esses "progressistas".
  • Henrique Zucatelli  07/09/2016 14:32
    Hoje, no mundo dos fracos e capados, qualquer pessoa que se esforça na ideia de secessão ou mesmo mudança de regime no território é taxada de extremista.

    Se é rico, é porque não quer pagar impostos. Se é pobre, é porque é fracassado. Se é religioso, fanático. Se é ateu, frustrado. Enfim, existem adjetivos de sobra para tentar justificar tamanha covardia e comodismo.

  • Raphael Mathias  07/09/2016 17:13
    Concordo contigo nesse aspecto. Depois de mais de um século do experimento da democracia -- e de outros regimes de propriedade pública -- temos colhido os frutos amargosos da sua tolice ideológica: adultos embabacados ("amamãezados" [sic] como dizia meu avô) que não têm mais senso de responsabilidade, não assumem riscos (nem seus atos), ficam na casa dos pais até os 30 anos, arrogantes, negligentes, imprudentes; por qualquer simples contrariedade da vida dizem que estão "deprimidos". Homens que não possuem mais honra, dignidade e bom-senso. Entregues às paixões momentâneas, vivendo somente o aqui e agora, como animais que se preocupam somente com o presente, ou seja, se afastando cada vez daquilo que nos faz pessoas (segunda a definição política-filosófica de 'pessoa'): a socialização e a divisão de trabalho. Pessoas que não dão a mínima para os seus atos e para qual legado deixarão para seus filhos ou a posteridade. Uma lástima!
  • Henrique Zucatelli  08/09/2016 13:30
    E eu contigo, tanto que saí da casa dos meus pais na primeira oportunidade. Viver a liberdade e saborear o gosto da responsabilidade pessoal é algo incomparável para a evolução do caráter de qualquer homem que se preze. Excluindo os justos casos daqueles que têm pais idosos e/ou doentes, todo homem de bem precisa experimentar o que é lavar suas próprias cuecas (risos).

    Com esse bando de cochos que temos no país, que se borram só de pensar em sair do emprego para empreender, não dá nem graça imaginar um mote de secessão. Vai ser um revival da Inconfidência, onde um tolo corajoso é jogado aos leões enquanto os covardes se escondem debaixo da saia do Estado.
  • Antonio  06/09/2016 23:00
    Primeira vez que nao concordo... quero distancia de comunistas nao servem para serem meus amigos, aturo os parentes e só.
  • Anderson  07/09/2016 02:10
    É difícil ser amigo de quem defende Maduro e Fidel. Os outros dá pra ir levando...
  • Raphael Mathias  07/09/2016 03:07
    Com a cultura da "propriedade pública", produto da democracia, acredito que inconscientemente as pessoas estão fartas de que quando uma ideologia que elas não concordam assume o poder, elas têm de arcar os custos dessa ideologia, por exemplo: eu sou fumante, mas a ideologia do momento é "Pare de fumar"; Não tenho filhos, mas tenho que arcar com a escola pública daqueles que têm filhos; Gostaria de gastar a contribuição do meu INSS em outra coisa, mas o estado me obriga a recolhê-lo.

    Com isso, João fica irado quando Henrique começa a defender uma ideologia contrária ao que ele pensa, pois, inconscientemente, João sabe que a sua liberdade e o seu bolso estarão em risco; e pela liberdade e pelos seus bens os homens lutam com unhas e dentes.

    Se um grupo defende, por exemplo: "Mais creches para mães solteiras poderem deixar seus filhos.", e somente esse grupo (e pessoas que forem sensibilizadas por essa causa) contribuísse voluntariamente para a construção de creches não haveria problema para Maria, que não é mãe solteira, ouvir essa reivindicação de uma amiga que é partidária dessa ideia. Maria no mínimo diria a sua amiga: "Boa sorte com a sua revindicação", pois seu bolso não seria afetado com isso.

    Por isso, acredito que a raiz do problema de todo esse pugilato ideológico se assenta na "propriedade pública" que como consequência nefasta causa a conhecida tragédia dos comuns.
  • Alex Gonçalves   07/09/2016 11:46

    Parabéns pelo texto. Se me permite apenas uma observação, somos todos nós, seres humanos, igualmente diferentes, não existe raça branca,amarela,vermelha... Esse equívoco sempre está presente aqui no Mises.
  • Centro esquerda  07/09/2016 15:07
    Ser esquerdista agora é uma doença? Acredito que ser um comunista lunático, é ruim do mesmo jeito que ser um anarco capitalista também é doença mental. Ser liberarem um país com mais de 50 milhões de habitantes, é pedir para a população se fuder, acabar com com o salário mínimo, e com uma série de benefícios do trabalhador só vai acabar em revolta popular. E outra coisa que país cresceu sendo liberal? Todos os países que hoje são de primeiro mundo tiveram ajuda do estado.
  • Pragmático   07/09/2016 17:10
    "Ser liberarem um país com mais de 50 milhões de habitantes, é pedir para a população se fuder"

    Tradução: ninguém deve ser livre para interagir voluntariamente. As pessoas precisam estar submissas a políticos e burocratas, pois somente estes são sábios e oniscientes o bastante para comandar toda a população.

    Se não houver políticos, toda a população se fode (que curiosa inversão da realidade...)

    Afinal, como viveríamos bem sem Dilma e Sarney para nos dar ordens? Não teríamos nem sequer almoço.

    "E outra coisa que país cresceu sendo liberal?"

    Pois não:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1803

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1804

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2260
  • Brant  07/09/2016 19:13
    "Ser esquerdista agora é uma doença?"

    É Sim.
    De acordo com o psiquiatra forense Lyle Rossiter, o esquerdismo é uma espécie de doença mental que se encaixa no modelo de distúrbio de personalidade. Ele escreveu um livro inteiro sobre o assunto.
    Segue a descrição traduzida do livro dele na amazon, talvez você se identifique:

    The Liberal Mind (A mente esquerdista) traz o primeiro exame profundo da loucura política mais relevante em nosso tempo: os esforços da esquerda para regular as pessoas desde o berço até o túmulo. Para salvar-nos de nossas vidas turbulentas, a agenda esquerdista recomenda a negação da responsabilidade individual, incentiva a auto-piedade e outro-comiseração, promove a dependência do governo, assim como a indulgência sexual, racionaliza a violência, inventa desculpas para obrigações financeiras, justifica o roubo, ignora a grosseria, prescreve reclamação e imputação de culpa, denigre o matrimônio e a família, legaliza todos os abortos, desafia a tradição social e religiosa, declara a injustiça da desigualdade, e se rebela contra os deveres da cidadania. Através de direitos múltiplos para bens, serviços e status social não adquiridos, o político de esquerda promete garantir o bem-estar material de todos, fornecendo saúde para todos, protegendo a auto-estima de todos, corrigindo todas as desvantagens sociais e políticas, educando cada cidadão, assim como eliminando todas as distinções de classe. O esquerdismo, assim, ataca os fundamentos da liberdade civilizada. Dadas as suas metas irracionais, métodos coercitivos e fracassos históricos, juntamente aos seus efeitos perversos sobre o desenvolvimento do caráter, não pode haver dúvida da loucura contida na agenda esquerdista. Só uma agenda irracional defenderia uma destruição sistemática dos fundamentos que garantem a liberdade organizada. Apenas um homem irracional iria desejar o Estado decidindo sua vida por ele, ao invés de criar condições de segurança para ele poder cuidar da sua própria vida. Só uma agenda irracional tentaria deliberadamente prejudicar o crescimento do cidadão em direção à competência, através da adoção dele pelo Estado. Apenas o pensamento irracional trocaria a liberdade individual pela coerção do governo, sacrificando o orgulho da auto-suficiência para a dependência do assistencialismo. Só um louco olharia para uma comunidade de pessoas livres cooperando e enxergaria nela uma sociedade de vítimas exploradas por vilões.
  • Taxidermista  07/09/2016 20:32
    "Centro esquerda", a sua diferença em relação a um "comunista lunático" é, quando muito, apenas de grau, e não de essência.

    Quem acha que uma sociedade livre implica "deixar a população se fuder" está a defender a existência de espoliação institucionalizada, o que fica bem explícito no seu comentário quando vc fala, genericamente, em "série de benefícios do trabalhador". Os "benefícios" a que vc se refere nada mais são do que expropriações estatais-coercitivas do patrimônio alheio.

    Quem acha que "salário mínimo" é algo "bom" (ou "necessário") é um ignorante. Salário mínimo é imoral do ponto de vista dos princípios, e nefasto do ponto de vista econômico e/ou consequencialista. Salário mínimo causa desemprego e prejudica especialmente aqueles que são os supostos "beneficiários" da medida. Já está em tempo de vc saber disso.

    E esse seu "argumento" de dizer que "só vai acabar em revolta popular" é o mesmo que dizer que os pais devem acatar todo e qualquer choro do filho pequeno, pq senão a criança ficará "revoltada".
    A eventual "revolta" de alguém não é motivo para se deixar de fazer aquilo que é moralmente correto (ou se impedir o moralmente incorreto), tampouco para se deixar de fazer aquilo que é economicamente mais eficiente.

    "E outra coisa que país cresceu sendo liberal? Todos os países que hoje são de primeiro mundo tiveram ajuda do estado""

    100% bullshit.

    Só há prosperidade quando há liberdade econômica. Os países "hoje de primeiro mundo" devem sua prosperidade à liberdade econômica (a que existia de forma mais plena antes da ascensão do welfare state e aquela que ainda existe nas "brechas" do welfare state), e não ao estado.

    Não existe prosperidade "com ajuda do estado". A prosperidade se dá pela liberdade econômica que existente nas brechas da massiva e colossal regulação estatal, ou seja, a prosperidade existe apesar do estado (e não "com a ajuda" do estado).


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2109


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=339





  • Cirao da Massa  08/09/2016 02:58
    Primeiramente devo agradecer ao Leandro roque por liberar meu comentário.Eu estou falando que no Brasil tem mais de 50 MILHÔES de miseraveis, são pessoas sem estudo, e que muitas vezes precisam do bolsa familia, sim o estado é preciso, sem ele essas pessoas literalmente morreriam de fome.


    Bom se ser esquerdista é doença, de acordo com esse psiquiatra forense, ser religioso também é não? Então os que acreditam no anarco capitalismo também seriam doentes ?



    A minha diferença para um comunista lúnatico, E que acredito que as empresas privadas sejam necessarias, não se pode negar que empresas privadas tem uma alocação muito melhor do que uma empresa publica ou mesmo o estado, mas precisamos do estado para combater a ganancia dos grandes capitalista, e diminuir a desigualdade social que são os males do capitalismo.


    Que país no mundo seguiu as ideias de mises e prosperou?

    Pelo que eu sei, todos os países desenvolvidos de hoje adotaram DIVERSAS políticas protecionistas para fortalecer suas indústrias nacionais e manter a hegemonia. Nos EUA e Inglaterra vemos isso a rodo.

    Tem dois livros muito bons sobre isso de um professor de Cambridge, Ha Joon Chang. Ele defende a tese de que países como Suécia, Finlândia, EUA, Inglaterra, Japão, Austria, Belgica etc etc adotaram medidas como:
    Proteção tarifária;
    Subsídios à indústria;
    Programas de investimento público;
    Financiamento de aquisição de tecnologia estrangeira;
    Apoio financeiro estatal à pesquisa, desenvolvimento e educação;
    Mecanismos institucionais facilitando participações público privadas;
    etc etc

    Os dois livros são repletos de dados históricos (Chutando a escada e Maus samaritanos)

    Outro cara que comenta bastante sobre isso é o Chomsky
  • rlpda  09/09/2016 17:23
    Esses tais de 50 milhões de miseráveis são de uma pesquisa de 2001 de ninguém menos que Marcelo Neri, o mesmo da classe média moradora de favela e com renda familiar de R500.

    Esperar o que de um vulgo cirão da massa...

    Não sei se pode publicar o link aqui, mas uma pesquisa rápida no google acha-se o "estudo".
  • Centro Esquerda  08/09/2016 03:03
    Aqui um video no Noam Chomsky falando sobre protecionismo.


    https://youtu.be/Hs19uYkwfFg
  • Tasso  08/09/2016 15:31
    "precisamos do estado para combater a ganancia dos grandes capitalista"

    Tipo, aquela ganância que ocorre exatamente quando estado e grandes empresas operam em conluio, como é o caso do Petrolão, do Eletrolão, dos Fundos de Pensão das estatais, e até mesmo de casos mais prosaicos, como o das telefônicas?

    É isso mesmo? Você defende ainda mais capitalismo de estado para corrigir os problemas causados pelo capitalismo de estado?

    Cirão da Massa consegue ser ainda mais incoerente do que seu inspirador. Aquele, ao menos, ainda fala em causa própria, visando ao próprio bolso.

    "e diminuir a desigualdade social que são os males do capitalismo."

    Se a desigualdade é o grande mal do capitalismo, então, por definição, tal sistema é o melhor que existe. E disparado.

    Afinal, qual o problema com a desigualdade da renda?

    A riqueza de Bill Gates deve ser 100.000 vezes maior que a minha. Mas será que ele ingere 100.000 vezes mais calorias, proteínas, carboidratos e gordura saturada do que eu? Será que as refeições dele são 100.000 vezes mais saborosas? Será que seus filhos são 100.000 vezes mais cultos que os meus? Será que ele pode viajar para a Europa ou para a Ásia 100.000 vezes mais rapidamente ou de forma mais segura? Será que ele pode viver 100.000 vezes mais ou melhor do que eu?

    O capitalismo que gerou essa desigualdade é o mesmo que hoje permite que boa parte do mundo possa viver com uma qualidade de vida muito melhor que a dos reis de antigamente.

    Sempre que uma pessoa reclama sobre desigualdade, eu pergunto se ela aceitaria que os ricos ficassem ainda mais ricos se isso, no entanto, significasse condições de vida melhores para os mais pobres.

    Se a resposta for "não", então ela está admitindo que está importunada apenas com o que os ricos têm, e não com o que os pobres não têm. Já se a resposta for "sim", então a tal desigualdade de renda é irrelevante.

    A preocupação deveria ser com a pobreza absoluta, e não com a pobreza relativa.

    Outra coisa: Os EUA são mais desiguais que o Senegal. O Canadá é mais desigual que Bangladesh. A Nova Zelândia é mais desigual que o Timor Leste. A Austrália é mais desigual que o Cazaquistão. O Japão é mais desigual que o Nepal e a Etiópia

    Já o Afeganistão é uma das nações mais igualitárias do mundo.

    O Brasil, mesmo com sua altíssima carga tributária, segue sendo um dos países mais desiguais do mundo, mas não é nem de longe o mais pobre. O pobre brasileiro, por pior que seja sua condição de vida, está melhor que o pobre indiano, apesar de viver numa nação muito mais desigual.

    Se o nosso objetivo é melhorar as condições de vida humana, dando uma vida digna a todos, nossa preocupação é com a pobreza, e não com a desigualdade.

    Pobreza diz respeito às condições absolutas em que alguém se encontra. Tem comida? Acesso a água potável? Habitação? Trabalho? Seus filhos podem frequentar uma escola ou se veem forçados a trabalhar? Os critérios são muitos.

    Já desigualdade é uma variável relativa, que nada diz sobre as condições absolutas de vida. Para saber se um país é desigual, é preciso comparar seus habitantes mais ricos e mais pobres e ver a distância entre eles.

    Um país que tenha uma pequena parcela de milionários e o restante da população passando fome é muito desigual. Já um onde todos passem fome é igualitário. A condição objetiva dos pobres em ambos, contudo, é a mesma.

    Igualmente, se os mais pobres viverem como milionários, e os mais ricos forem uma pequena parcela de trilionários, a desigualdade é grande.

    As duas coisas, pobreza e desigualdade, se confundem facilmente, de modo que muita gente que se preocupa espontaneamente com a pobreza (por exemplo, com quem não tem acesso a saneamento básico ou a educação) acaba falando de desigualdade: da diferença entre os mais ricos e os mais pobres.

    E essa mistura muda nossa maneira de pensar: acabamos pensando que pobreza e desigualdade são a mesma coisa e que, portanto, o melhor remédio contra a pobreza é a redução da desigualdade, o que via de regra significa tirar de quem tem mais e dar para quem tem menos.

    O que é melhor para os pobres de um país: ter renda e consumo sabendo que a elite de seu país é muito mais rica do que eles jamais serão, ou passar fome com o consolo de que sua elite é formada de milionários e não bilionários? Pobreza ou desigualdade?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2007

    "Que país no mundo seguiu as ideias de mises e prosperou?"

    As idéias de Mises? Aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=729

    E aqui também:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1803

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1804

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2059

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2260

    "Pelo que eu sei, todos os países desenvolvidos de hoje adotaram DIVERSAS políticas protecionistas para fortalecer suas indústrias nacionais e manter a hegemonia."

    No Brasil, as indústrias já não tiveram o bastante? O mercado brasileiro está praticamente fechado há cinco séculos e ainda é necessário dar mais tempo?

    Aos protecionistas ficam as seguintes perguntas: Tarifa de quanto? Por que tal valor? Por que não um valor maior ou menor? Por quanto tempo deve durar tal tarifa? Por que não um tempo maior ou menor? Qual setor deve ser protegido? Por que tal setor e não outro? E, finalmente, por que o segredo para a eficiência é a blindagem da concorrência?

    "Tem dois livros muito bons sobre isso de um professor de Cambridge, Ha Joon Chang."

    Ambos os livros são pura propagando pró-grandes empresas e pró-mercantilismo.

    Não há nenhuma dúvida de que protecionismo e subsídios são bons negócios para as grandes empresas e seus empregados, mas resta ainda alguém explicar como é que restringir as opções de consumo, diminuir a oferta e encarecer os produtos disponíveis pode ser algo bom para o enriquecimento da população.

    O grande problema desses defensores da Coréia do Sul é que eles confundem abertamente correlação com causalidade, algo imperdoável para economistas.
    Hong Kong e Cingapura, sendo que ambos eram grandes favelas a céu aberto na década de 1970, hoje têm as maiores rendas per capita do mundo. E jamais aplicaram políticas protecionistas. Ambos são mais ricos que a Coréia do Sul em termos per capita. E olha que ambos são asiáticos -- logo, possuem relativamente a mesma cultura.

    Outra desonestidade é se concentrar na Coréia e não analisar os países que adotaram com ainda mais intensidade exatamente as políticas que tais pessoas defendem. Estes simplesmente não se desenvolveram. O que não é surpresa nenhuma.

    De resto, não é verdade dizer que a Coréia do Sul "era pobre e aí foram adotadas políticas intervencionistas e aí ela enriqueceu". Mesmo porque isso é econômica e logicamente impossível.

    O que o general (aliás, ditador) Park fez foi adotar uma política extremamente favorável ao investimento estrangeiro (óbvio, pois a Coréia não tinha capital), principalmente de japoneses (com quem ele reatou relações diplomáticas) e americanos. Não fossem esses investimentos estrangeiros, o país continuaria estagnado.

    Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação. Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia.

    Era economicamente impossível a Coréia enriquecer por meio de intervencionismo simplesmente porque não havia capital nenhum no país. Intervencionismo é algo possível apenas em países ricos, que já têm capital acumulado e que, por isso, podem se dar ao luxo de consumi-lo em políticas populistas. Já países pobres não têm essa moleza (por isso o intervencionismo explícito em países como Bolívia e Venezuela apenas pioram as coisas).

    Estude mais e seja menos ideologizado.
  • Ricardo  08/09/2016 15:40
    Ouch!

    Cirão da Massa reduzido ao subnitrato do pó do esterco.
  • Andre  08/09/2016 11:21
    Esquerdista é doente sim, estão aí, quase todos os dias nas ruas protestando e badernando pedindo a saída do presidente em exercício que eles mesmos elegeram em 2014.
    Isso só para citar o sintoma mais recente de tal doença.
  • Roberto Oliveira  07/09/2016 17:48
    O texto é lúcido, ponderado. Parabéns!
    Mas ainda assim aparecem um monte de comentário criticando os "esquerdopatas", "comunistinhas" e blá-blá-blá... O pessoal não aceita que o vale lá, vale cá, também. Não é porque o outro pensa diferente que ele é, obrigatoriamente, inferior. Releiam o texto e reflitam melhor!
    Mais uma vez, parabéns pelo texto, e que ele sirva como base para REFLEXÃO e não como ferramenta de ataque a outros ideais.
  • Andre  07/09/2016 21:23
    Os brasileiros, de lado a lado, demonstram ter uma inacreditável dificuldade em dialogar. Tão estúpida quanto a frase "os liberais são todos uns idiotas, com eles não dá para dialogar" é a frase "os esquerdistas são todos uns idiotas, com eles não dá para dialogar", que em essência são a mesma frase: "não sei dialogar, portanto, desqualifico o contraditório". É uma aberração pensar que não haja pessoas inteligentes em todas as correntes ideológico-políticas. É claro que há. A dificuldade é de se investir da honestidade necessária para ouvir e ser ouvido, aprender e ensinar.
  • O MESMO de SEMPRE  07/09/2016 22:24
    Opíniões políticas NÃO SÃO INOFENSIVAS.

    Estas opiniões ao serem toleradas podem progredir e resultar em genocídios.

    Como eu posso aceitar-me amigo de um MANÌACO que almeja apenas aliciar imbecis e safados de seu naipe para um desfecho funesto na realização de suas ambições????

    Só imbecis podem elaborar SOFISMAS para um BOM MOCISMO mal cheiroso.

    Estou com Shopenhauer, algo assim:

    "Se você pensa que o Diabo anda por aí com chifres e patas de boi, você é candidato a ser vitima dele".

    O BOM MOCISMO É A QUINTA COLUNA!!!
  • Mais Mises...  08/09/2016 03:31
    Gostei demais do texto.

    Confesso que estou cada vez menos tolerante para com simpatizantes de socialismo e para com a esquerda e seus partidos. Ao mesmo tempo, como o próprio texto diz, tenho me afastado de discussões, sobretudo em redes sociais, pois, atrás do monitor, todos nós viramos 'destemidos guerreiros dos teclados' e desferimos palavras que, NA IMENSA MAIORIA DAS VEZES, não as usaríamos se estivéssemos tête-a-tête, jamais.

    Saí de grupo da família da minha esposa por conta disso, dias antes do afastamento da giuma, devido à posicionamento de tios dela. No Facebook, vejo publicações de alguns amigos esquerdinhas (declaradamente, até que são minoria 14 ou 15 de 500 pessoas), mas uso o botão da barra de rolagem e segue a vida. Já fui de entrar nos tópicos, comentar... Mas não os mudarei com meus argumentos... Então, no fim, melhor manter as amizades. Claro que fico chateado porque pessoas assim, com mente estatizante, ávidos por 'mais igualdade', votarão em candidatos que, ao serem eleitos continuarão sua 'caridade com o dinheiro dos outros'. Contudo, venho tentando fazer o exercício mental de pensar que um dado candidato ruim ao ser eleito, o foi não apenas com o voto daquele meu (infeliz... rsrsrs) amigo/parente, mas com o voto de muitos outros incautos, o que só confirma que desfazer essas amizades não faz o menor sentido para nossas vidas.

    Mas... não está sendo fácil... rs

    Ao conhecer a Escola Austríaca, o Libertarianismo e a visão do respeito à individualidade e à propriedade privada, torna-se penoso conviver e conhecer a visão (velha e arraigada) do estatismo/coletivismo. Disse aqui certa vez e vou repetir: há uns 3 anos eu me sinto como se tivesse me desligado da Matrix, no entanto, ando e vejo as pessoas ainda ligadas à ela, vivendo suas vidas e inteiramente convencidas das suas convicções que não passam da emulação de um programa de computador (neste caso, o estado) em suas mentes, acreditando que o mundo é o que ela tem diante dos olhos.
  • Marcos  08/09/2016 12:08
    Vocês poderiam produzir um texto em cima deste: www.autoentusiastas.com.br/2014/09/limite-de-velocidade-e-mesmo-necessario/
  • Taxidermista  08/09/2016 14:18
    Marcos, talvez te interesse:


    o austro-libertário Walter Block tem um livro inteiro sobre a temática:


    mises.org/library/privatization-roads-and-highways
  • Kardico  08/09/2016 12:48
    O enunciado já mostra que o Libertarianismo flerta com a esquerda. do texto, fico com o 'Mas... não está sendo fácil... rs'. Para mim, não tem o que conversar.
    Imagino ter um amigo de esquerda, totalmente contrário a saída de Dilma Roussef. Ainda reticente, após 3 anos de falcatruas na cara de todos e recessões fortes devido ao populismo de esquerda. Com o Bolivarismo no sangue, querendo Havana capital da Pátria Grande. Ou seja, quer o pior para o nosso país. Óbvio que um soco na cara não darei no sujeito, apesar de merecê-lo, mas que a amizade precisa ser 'esfriada', ah, isso é extremamente necessário até para a saúde mental minha. Chegamos ao ponto de que quem ainda defende o socialismo bolivariano, aqui, no Brasil, ou é muito otário ou muito malandro. Malandro vemos aos montes por aqui e otários mais ainda. Passar a mão na cabeça ou tentar convencê-los é de uma ingenuidade digna de liberais. Ou uma pequena 'esperteza' embutida para ganhar um talvez jovem rebanho social democrata, os mais próximos.
    Quanto ao senhor João Amaral Gurgel. A Gurgel foi vítima de uma sacanagem do então governo do senhor Sarney. O BR-800, ações em bolsa de valores para o projeto, foi 'atropelado' por uma medida maldosa em que as grandes montadoras puderam lançar carros abaixo das 1000 cilindradas. Quem entende de livre mercado, como vocês - sou conservador e já fui liberal -, sabe que uma montadora como a gigante FIAT e seu UNO Mille( 994 cm³) esmagaria a pequena e corajosa Gurgel, com o seu simples BR-800.
    Foi isso que aconteceu.
  • Zack  08/09/2016 17:46
    "Quem entende de livre mercado, como vocês - sou conservador e já fui liberal -, sabe que uma montadora como a gigante FIAT e seu UNO Mille( 994 cm³) esmagaria a pequena e corajosa Gurgel"


    De fato, dá para ver que você não entende nada de mercado (nem de mercado livre, nem de mercado não-livre).

  • Igor  08/09/2016 13:39
    OFF Topic pro Leandro Roque:

    Recomenda a leitura do livro "Lanterna na Popa" do Roberto Campos?

    Abraço!
  • Leandro  08/09/2016 15:54
    Bastante. Além de bons insights, é um primoroso documento histórico. De brinde, a prosa de Campos é envolvente e fluente.
  • DeusOdeia  07/10/2016 02:58
    Claro, quando você fizer "amigos" que vão roubar....ops, estatizarem sua propriedade, tirar seu direito de voto, ensinar os seus filhos a te odiarem, por que você não é um comunista, e fizerem você trabalhar para sustenta-las, eu posso chamar essa pessoa de melhor amigo.
  • Lucho  04/11/2017 15:14
    E quem foi que disse que quero ser amiguinho de vocês, retardados?


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