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A razão e a lógica explicam: a democracia é um arranjo propício a gerar resultados desastrosos

É comum ver os simpatizantes de um candidato político derrotado nas eleições levantarem teorias conspiratórias sobre fraudes nas urnas.  Quem afirma que houve fraude eleitoral está, na prática, dizendo que não acredita que a maioria dos eleitores tenha optado por votar de outra maneira que não aquela única que ele considerava a correta.

Mas não é necessário recorrer a teorias conspiratórias para explicar um eventual resultado adverso em uma eleição.  E o motivo é simples: a maioria votante nem sempre tem razão.

A falibilidade democrática

A democracia é um método de agregação de preferências individuais acerca de diversas questões que afetam o conjunto do coletivo.  Mais: tais preferências individuais são ponderadas de maneira igualitária (motivo pelo qual tendem a prevalecer regras de decisão majoritárias, isto é, a maioria simples vence).

Quatro aspectos são relevantes — e potencialmente problemáticos — nessa definição de democracia: a) método de agregação, b) preferências individuais, c) questões que afetam o coletivo, e d) ponderação igualitária.

Primeiro, o insumo de toda democracia é simplesmente a "preferência eleitoral de cada indivíduo" (ou seja, os votos): assim como não é nada controverso reconhecer que um indivíduo pode se equivocar em várias ocasiões da sua vida privada, tampouco deveria ser controverso reconhecer que um indivíduo pode se equivocar ao votar. 

Com efeito, há razões de sobra para crer que uma pessoa se equivoca com muito mais facilidade ao votar do que ao tomar decisões sobre sua vida privada: dado que a influência de um único voto sobre o resultado final de eleições gerais é praticamente nula (salvo em localidade muito pequenas), as pessoas carecerão de incentivos para se informar suficientemente antes de dar o seu voto e terão ainda menos incentivos para analisar as reais consequências econômicas de seu voto (custos altos e ganhos nulos).

Já no âmbito privado a situação é muito distinta: as preferências de um indivíduo são absolutamente determinantes nas decisões que ele toma (o custo de se informar pode ser igualmente alto, mas os ganhos de agir de forma correta também serão).

No âmbito da democracia, isso que foi descrito é conhecido como o fenômeno da ignorância racional dos eleitores, fenômeno esse que tende a ser intensificado à medida que o voto de um especialista no assunto sendo votado tem absolutamente o mesmo peso que o voto de um não-especialista — por exemplo, o meu voto em relação a uma matéria de desenho urbanístico vale o mesmo que o de um arquiteto.

Segundo, por ser um método de agregação de preferências individuais, pode-se argumentar que os erros aleatórios de alguns indivíduos seriam cancelados pelos erros aleatórios de outros indivíduos, gerando como resultado um acerto agregado.  Por exemplo, minha ignorância em relação a desenho urbanístico poderia ser contrabalançada pelos meus conhecimentos de economia; por sua vez, o conhecimento de arquitetura do arquiteto poderia ser contrabalançado por sua ignorância em economia.  Minhas deficiências se complementam com a sabedoria de terceiros e vice-versa.

No entanto, não há nenhuma razão para pressupor que todas as deficiências que afetam os eleitores sejam não-sistemáticas.  Ao contrário: sabemos que certas deficiências são sim de caráter sistemático: por exemplo, e somente em matéria de economia, dispomos de fortes evidências de que os eleitores padecem de um viés anti-mercado (a tendência de subestimar os benefícios trazidos pelo livre mercado), de um viés pró-emprego (a tendência de superestimar os benefícios de se criar qualquer tipo de emprego, mesmo o emprego público), e de um viés assistencialista (a tendência de sobrevalorizar qualquer política que proclame aumentar a presença paternalista do estado na vida do cidadão). 

Por tudo isso, a agregação de preferências individuais sistematicamente enviesadas gerará decisões coletivas também enviesadas.  Tal é o fenômeno da irracionalidade do eleitor.

Terceiro, mesmo que as preferências individuais não se manifestem sistematicamente enviesadas e caiba supor que os erros aleatórios de alguns indivíduos serão contrabalançados pelos de outros, ainda assim seria necessário que o método concreto de agregação de preferências individuais fosse neutro para que a "vontade coletiva" da democracia não fosse arbitrariamente irracional: ou seja, necessitaríamos de que, dadas algumas preferências individuais, a decisão coletiva fosse sempre a mesma, independentemente do método de agregação utilizado.

Não obstante, distintas regras eleitorais geram distintos resultados eleitorais.  Peguemos o exemplo de meu país natal, a Espanha.  Na recente eleição geral ocorrida em 26 de junho, a esquerda formada pelo PSOE e pelo Podemos ganharia a maioria absoluta caso nosso sistema eleitoral fosse o mesmo da Alemanha.  Por outro lado, caso nosso sistema eleitoral fosse igual ao americano, o conservador PP obteria uma extremamente ampla maioria (263 dos 350 eleitos).  Qual dentre esses dois métodos agrega com maior fidelidade as preferências individuais dos eleitores? 

Nenhum deles exibe as características típicas da racionalidade individual para que possamos categorizá-los como melhor ou pior.  Essa é uma das implicações mais conhecidas do chamado Teorema da Impossibilidade de Arrow.

E quarto, mesmo que não houvesse erros sistemáticos nas preferências individuais, e mesmo que o método de agregação dessas preferências fosse neutro, vale recordar que a democracia agrega preferências individuais acerca de questões que afetam o coletivo.  A questão passa a ser, então, a de quais assuntos são de competência individual e quais são de competência coletiva.

Ou, dito de outra forma, antes de votar é necessário termos uma teoria ética que delimite quais assuntos podem ser votados, por se tratarem de assuntos coletivos.  E, neste sentido, podemos nos mover desde um extremo político (o totalitarismo: no qual tudo é suscetível de ser votado porque todo aspecto da vida pessoal tem implicações coletivas) até o outro extremo político (o anarquismo individualista: no qual nada é suscetível de ser votado porque existe apenas o indivíduo, e não um grupo), passando por questões mais intermediárias (uma remissão cega à Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual define quais assuntos devem ficar de fora das urnas por serem direitos já previamente estabelecidos para o indivíduo).

Assim, a menos que caiamos em relativismo extremo segundo o qual qualquer filosofia política é igualmente válida, uma democracia perfeitamente racional poderia se equivocar ao votar sobre matérias que não deveriam ser de âmbito coletivo, mas sim de competência (liberdade) individual.  Por exemplo, ainda que todos soubessem que Marx está profundamente equivocado e que a leitura de suas obras pode contaminar a mente dos cidadãos, seria legítimo votarmos a favor de proibir a leitura de Marx?  Não parece.

Em suma, as decisões democráticas podem se equivocar por falta de informação dos eleitores, pelo viés sistemático deles, pela arbitrariedade do método de agregação de preferências individuais, e por uma inadequada teoria ética subjacente.

As implicações da falibilidade democrática

Tão logo admitimos que o resultado de uma eleição democrática não é inexoravelmente correto, o simpatizante do partido que perdeu ou mesmo aquele que odeia o partido vencedor tem agora um argumento baseado na razão e na lógica: ele não tem de aceitar que a eleição de um partido que ele considera corrupto, mendaz e criminoso tenha sido um processo correto.

Pode ser que seus eleitores não estavam conscientes da corrupção e das mentiras; pode ser que eles não se atentaram suficientemente a outras questões; ou pode ser que eles foram cúmplices e quiseram se beneficiar a si próprios.  As explicações podem ser várias e a eleição de tal partido não foi necessariamente "correta" e "inquestionável".

Certamente, e como já exposto, não se pode descartar a priori que as pessoas podem se equivocar ou que elas tenham motivações ruins na hora de votar.  Agora, se uma pessoa acredita que os eleitores podem se equivocar com certa frequência, então, por definição, tal pessoa jamais deveria defender uma ampliação dos âmbitos de decisão coletiva.  Se aceitamos que as pessoas se equivocam ou por ignorância ou por má fé, então jamais deveríamos expor questões vitais quem envolvem vida, propriedade e liberdade a essa ignorância ou má fé. 

(Não é à toa que a esquerda sempre gosta de defender plebiscitos e referendos sobre assuntos cruciais, colocando nas mãos do coletivo assuntos que envolvem a vida, a liberdade e a propriedade individual — o que seria uma "democratização" da vida social).

Admitir que o eleitor pode ser ignorante ou mal intencionado, e ainda assim defender que (quase) tudo deve ser matéria de voto, é uma postura extremamente perigosa, pois alimenta o paternalismo autocrático e oligárquico: se as decisões devem ser tomadas coletivamente, mas não devem ser tomadas "pelas massas ignaras", então ou toleramos as recorrências de más decisões coletivas até que as pessoas "aprendam" (isto é, sejam reeducadas) ou as decisões coletivas deverão ser tomadas somente por aquelas pessoas que se autointitulam sábias e éticas.

Mas é o contrário: reconhecer que qualquer pessoa pode se equivocar ao tomar qualquer decisão (inclusive ao votar) e reconhecer que há pessoas que votam mal intencionadas deveria nos fazer adotar um saudável ceticismo em relação à engenharia política: a saber, a defesa de uma ordem social assentada sobre o reconhecimento de uma ampla esfera de liberdade individual dentro da qual cada indivíduo seja competente e responsável por suas ações. 

Por fim, sempre é válido relembrar Mises:

Nos anos que imediatamente antecederam a queda de seus regimes democráticos, a estrutura política da Alemanha e da França foi majoritariamente influenciada pelo fato de que, para uma fatia considerável do eleitorado, o estado era a sua fonte de renda.  Não apenas havia toda uma horda de funcionários públicos e de pessoas empregadas nos setores da economia que haviam sido estatizados (ferrovias, correios, telégrafos e telefônicas), como também havia os desempregados que recebiam seguro-desemprego e outras pessoas que recebiam benefícios sociais.  Para completar, havia agricultores e grupos empresariais que, direta ou indiretamente, recebiam subsídios do governo.

A principal preocupação de todas essas pessoas era como extrair mais dinheiro dos fundos públicos.  Elas não se importavam com questões "idealistas", como liberdade, justiça, supremacia das leis, e governo austero.  Elas queriam mais dinheiro público, e só.

Nenhum candidato ao parlamento, aos governos estaduais, ou mesmo a prefeituras e conselhos municipais podia correr o risco político de se opor ao apetite dos funcionários públicos por aumentos salariais e dos agricultores e desempregados que queriam subsídios.  Os vários partidos políticos competiam entre si para ver quem era o mais generoso nas promessas feitas. [...]

Nenhum arranjo democrático pode existir se uma grande parcela dos eleitores está na folha de pagamento do governo (funcionários públicos e pessoas que recebem políticas assistenciais) ou recebe privilégios do governo (empresários beneficiados por subsídios ou cartelizados por agências governamentais ou protegidos por tarifas de importação).

Se os políticos passam a agir não como empregados dos pagadores de impostos mas sim como porta-vozes daqueles que recebem salários, subsídios e assistencialismos pagos com o dinheiro de impostos, então o arranjo democrático acabou.  Criou-se a insensatez.

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Leia todos os nossos artigos sobre democracia, compilados neste link:

http://www.mises.org.br/Subject.aspx?id=11


1 voto

autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • MarcioAB  12/07/2016 15:28
    Acho que se esta olhando a luneta pelo lado contrario: A democracia é o menos pior. Assim como o capitalismo é o menos pior. E assim por diante.

    A parte que não consigo aceitar no processo (democratico) de votação é a ausencia do NDA (nenhum dos anteriores).
    Para mim é inaceitavel uma votação sem a inclusão do NDA.
    Se o NDA vence então é necessario uma nova votação sem nenhum dos anteriores e assim continuamente. Sem a opção NDA temos basicamente uma ditadura, um autoritarismo.
  • Pobre Paulista  12/07/2016 17:00
    1. Você leu o artigo? Você discordou dele mas não apontou, nem sequer superficialmente, qual a (suposta) falha argumentativa do autor.

    2. NDA = Nulo. 99 confirma. Pode apertar sem medo.
  • Trader Carioca  12/07/2016 18:05
    Pobre Paulista

    Anular os votos não faz com que exista nova eleição no Brasil. Se houver 1 único voto válido, o votado será eleito.

    Essa história de 50% + 1 de nulos anular é mentira (no caso BR).
  • anônimo  12/07/2016 18:51
    1) Se a democracia tem todos esses problemas, qual outro sistema o autor propõe?

    2) O voto nulo, no Brasil, não garante que na nova eleição não possam se candidatar os mesmos candidatos.
  • Bruno  12/07/2016 19:19
    Indicado no link ao final do artigo.

    Há vários arranjos políticos que não implicam democracia ou voto da maioria: República Constitucionalista, Ordem Natural formada pelas Elites Naturais, Monarquia, secessão e formação de mini-estados etc.

    Recomendo também este livreto -- resumido aqui -- que explica o que pode ser feito para se aproximar do arranjo defendido.
  • MarcioAB  12/07/2016 18:55
    1. Você ... não apontou ...a falha.
    - A falha é que as alternativas são piores. Então não adianta dizer que a melhor é ruim.

    2. NDA=nulo ?
    Se o pessoal esta com essa duvida a essa altura, talvez fosse interessante que o IMB desse uma repassada nesses conceitos (Nulo e Branco). E apos isso, ai sim entrariamos em uma troca de ideias interessante sobre o NDA.
    Basicamente é algo assim: Nulo ou Branco, não faz a menor diferença. Sem NDA não existe democracia.
  • Francisco Seixas  12/07/2016 21:00
    Prezado Pobre Paulista.

    NDA=Voto em Branco e não voto nulo.

    A representatividade do Voto em Branco foi eliminada tendo sido este reduzido à mesma condição de voto nulo, deixando o sistema - problemático e contraproducente, como bem destaca o artigo - além de tudo, capenga.

    Alguém disse (não me recordo quem) que se voto resolvesse alguma coisa ele já teria sido proibido. Eu entendo que a simples eliminação da representatividade do Voto em Branco, de certa forma, implícita e sorrateiramente materializa essa proibição.

    O texto no link dá uma ideia da questão.

    Sua Excelência, o voto em branco
  • MarcioAB  12/07/2016 22:26
    NDA = Voto em Branco ?

    Negativo. O Voto em Branco é uma incognita. O que o infeliz quer dizer quando ele vota em branco ?

    O NDA é bem explicito: Nenhum desses. NEXT.

    As pessoas (autoritarias) especialmente os politicos preferem ver o demonio mas não o NDA.

    O NDA simplesmente muda TUDO. Muda completamente o conceito de democracia que temos hoje.

    Exemplo: A URSS (via Gorbachev em 1991) implantou durante um pequeno periodo de tempo o NDA. É razoavel dizer que isso ajudou em grande parte na dissoluçao da URSS. Ja na primeira rodada com o NDA funcionando o congresso perdeu 200 cadeiras das 1500. Uma das primeiras coisas que Putin fez ao entrar foi acabar com o NDA.
  • Francisco Seixas  12/07/2016 22:42
    Olá MarcioAB. Boa noite.

    Permita-me insistir, mas, não, não é assim. Não sei por quê, o link que indiquei não funcionou. Reproduzo aqui então um artigo de Orlando Isaac Kalil Filho, que aborda a questão de forma técnico jurídica. Sei que o tema é complexo. Grande abraço.
    ===================================================================================================

    A REPRESENTATIVIDADE DO VOTO EM BRANCO (Orlando Isaac Kalil Filho)

    Dentre as inovações da Nova Lei Eleitoral - Lei nº 9.504/97 -, que se propõe a regulamentar as futuras eleições do
    País, destaca-se a norma contida no seu art. 5º, que exclui os votos em branco da base de cálculo do quociente
    eleitoral, para as eleições proporcionais, verbis:

    "Nas eleições proporcionais, contam-se como votos válidos apenas os votos dados a candidatos regularmente inscritos e às legendas partidárias" (grifos nossos).

    Desprezando-se as repercussões político-partidárias da inovação - prejuízos x ganhos para as maiorias, em
    detrimento das minorias; maior x menor influência do poder central em relação a um legislativo mais, ou menos,
    fragmentado etc. - importa-nos aqui avaliar a questão do seu ponto exclusivamente jurídico, ou seja, a diferença entre
    o voto nulo e o voto em branco os quais, no caso, parece-nos, o legislador atual, seguindo o Constituinte de 1988,
    colocou em vala comum.

    A questão nos remete à Constituição Federal e aos sistemas por ela adotados para as eleições no Brasil.

    As Cartas Republicanas, dentro de suas peculiaridades, sempre consagraram os sistemas majoritário e proporcional,
    respectivamente, para a escolha dos ocupantes dos poderes Executivo e Legislativo, e, em relação a este, os votos
    em branco sempre foram considerados válidos e integrantes da base de cálculo do quociente eleitoral.

    Para as eleições majoritárias, a bem da verdade, o voto em branco nunca mereceu qualquer destaque, até porque,
    desimportante em face do princípio da maioria simples até então vigente.

    É a partir de 1988, quando se introduz o princípio da maioria qualificada para definição, em primeiro turno, das
    eleições majoritárias
    (art. 77, § 2º) que os votos em branco seriam, então, pela primeira vez, considerados em relação a estas eleições,
    para se os excluir da base de cálculo da maioria absoluta, ali, também pela primeira vez, adotado, verbis:

    "Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos."

    Note-se que, como bem observa o Prof. Leitão de Abreu, respondendo a consulta sobre o tema (in, Estudos
    Eleitorais, T.S.E. v. 1, nº 2, págs. 95/103), volta o Constituinte a eles se referir, de forma negativa, mais uma vez, no
    § 3º do mesmo artigo, considerando "válidos" apenas os votos sufragados em favor de algum dos candidatos.

    "Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á nova eleição em até vinte dias após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos."

    De sua parte, a Legislação Eleitoral, pelo menos a partir de 1935, manteve sempre esta mesma linha: ignorar os
    votos em branco em relação às eleições majoritárias e, expressamente, considerá-los válidos para as eleições
    proporcionais, incluindo-os na consideração do dividendo para o cálculo do quociente eleitoral, valendo aqui, a título
    de exemplo, a transcrição do art. 106 e do seu parágrafo único, do Código Eleitoral de 1965:

    "Art. 106 - Determina-se o quociente eleitoral dividindo-se o número de votos válidos apurados pelo de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral, desprezada a fração se igual ou inferior a meio, equivalente a um, se superior.

    Parágrafo único. Contam-se como válidos os votos em branco para determinação do quociente eleitoral."

    A partir da Constituição de 88, não faltou quem argüísse a revogação tácita ou inconstitucionalidade do parágrafo
    único acima citado, tendo, entretanto, o TSE, em reiterados acórdãos, confirmado a sua validade (Ac. nº 11.886, de
    5.3.91, Rel. Min. Célio Borja; Ac. nº 11.835, de 19.12.90).

    A despeito de tais decisões, não se têm dúvidas de que a inovação introduzida pelo legislador eleitoral de 1997 está
    mais coerente e afinada com a Carta Constitucional de 1988, posto que não se poderia continuar convivendo com
    dois conceitos de votos válidos: um para as eleições majoritárias (excluídos os em branco) e outro para as eleições
    proporcionais, em que tais votos eram computados para o cálculo do quociente eleitoral e, por conseguinte, tidos
    como válidos.
    Não obstante essa ressaltada afinidade e coerência da Lei nº 9.504, em relação à Lei Maior, não nos parece que o
    assunto esteja vencido; ou, por outra, não esteja a merecer novos estudos e maiores reflexões, posto que, entre
    outras conseqüências de tal posicionamento, está igualar o voto nulo ao voto em branco.

    Sem perdermos de vista, entre nós, o caráter obrigatório do sufrágio, temos que o cidadão que não se dispõe a votar,
    ao ser convocado, reage de duas maneiras à obrigação: ou não comparecendo e se sujeitando às sanções legais;
    ou, então, comparecendo e "não votando", através da anulação do seu voto, a manifestar assim o seu repúdio ao
    sistema, à obrigatoriedade, ao Estado etc.

    Observe-se que, neste caso, ressalvadas as hipóteses de nulidade do voto por erro no seu preenchimento, o cidadão
    não quis votar e não votou (voto nulo = voto inexistente, não-voto). Não fosse a obrigatoriedade do sufrágio, por certo
    nem compareceria. A diferença entre não comparecer e comparecer, aqui, restringe-se, tão somente, à sanção
    prevista para a primeira hipótese.

    Diferente com o voto em branco, que é o resultado de outra postura política. Nesta, o cidadão cumpre a sua
    obrigação/direito de votar, sem, entretanto, optar por qualquer das alternativas que lhe foram postas. Revela o fato de
    que nenhuma das propostas ou programas apresentados pelos candidatos e/ou partidos foi capaz de sensibilizá-lo,
    ou de serem outras as suas expectativas e propostas; por conseguinte, a caracterizar uma postura afirmativa, tanto
    quanto a daqueles que, diferentemente, sensibilizaram-se por esta ou por aquela proposta e em favor dela deram o
    seu voto.

    Evidência do que estamos aqui a defender é o fato de o índice de votos em branco para as eleições proporcionais
    sempre se revelar superior ao das eleições majoritárias. Sem desprezarmos a dificuldade maior daquelas para um
    eleitorado constituído, em percentual significativo, de semi-analfabetos, não se pode ignorar, por outro lado, que essa
    diferença decorre, em grande escala, pelo menor grau de apelo que as campanhas aos poderes legislativos exercem
    junto ao eleitorado, o que significa dizer que o voto em branco é um voto afirmativo, na medida em que reflete a
    rejeição, ou, no mínimo, a indiferença do eleitor ao que lhe está sendo oferecido.

    Comportamento, aliás, adotado pelo próprio Congresso Nacional para os seus escrutínios. Ali, as abstenções, que
    equivaleriam aos votos em branco, são consideradas para a constatação do quorum, ou seja, para a base de cálculo
    do universo eleitoral. Equivale a dizer: abstenção, ou voto em branco, para o Congresso Nacional, é voto válido.

    Por conseguinte, se os votos em branco expressam uma corrente de pensamento de rejeição às opções que estão
    postas, eles não poderiam deixar de ser considerados válidos, como os caracterizam a Constituição de 1988 e, na
    sua linha de inspiração, a Lei nº 9.504/97, ao excluí-los da base de cálculo do quociente eleitoral.

    Entretanto, forçoso é reconhecer que, se a legislação revogada prestigiava o voto em branco, considerando-o válido
    para a fixação do quociente eleitoral, nem por isto lhe dava o tratamento adequado, na composição da representação
    proporcional. Isto porque este quociente era aplicado tão somente em relação aos votos atribuídos aos candidatos
    regularmente inscritos e aos partidos, desprezando-se, portanto, a representação daqueles que teriam se
    posicionado contrários aos programas oferecidos, com seus votos em branco.

    Significa dizer que o sistema anterior, mesmo considerando válidos os votos em branco, não era inteiramente fiel ao
    princípio da representação proporcional, uma vez que suas Casas Legislativas somente eram integradas pelas
    correntes de opinião representadas pelos Partidos regularmente inscritos.

    O Ministro Xavier de Albuquerque, em substancioso parecer em que se posiciona pela inconstitucionalidade do
    parágrafo único do art. 106 do C. E., à luz da nova ordem constitucional, entendendo os votos em branco como "não
    sufrágio", "não escolha" ou "não opinião", faz uma colocação que nos parece, com a devida vênia, merecedora de
    maior reflexão do que a que lhe deu o próprio Ministro. Diz-nos ele:

    "Só se conceberia, em termos lógicos e matemáticos, o cômputo dos votos em branco na quantificação do dividendo, se fossem eles tomados - qual o faz, mas para outros fins, a sociologia político-eleitoral - como formadores de mais uma corrente de opinião, a saber, a dos que opinam que nenhum partido e nenhum candidato devem integrar o corpo representativo. Só se conceberia, consequentemente, se o total de votos em branco também "concorresse" à distribuição das cadeiras, não para ocupá-las, senão para suprimi-las, de forma que a composição do corpo representativo ficasse afinal reduzida de tantos lugares quantos fossem os "conquistados" pela corrente negativista". (Estudos Eleitorais, TSE, v. 1, n. 2, pág. 87).

    E por que não a adoção de tal procedimento? Que o impediria de ser adotado pela Constituição Brasileira? Ao nosso
    sentir, muito mais coerente com o princípio da representação proporcional, da mesma forma que muito mais fiel ao
    conceito de maioria absoluta, se tivessem sido eles considerados para a base de seu cálculo pelo § 2º do art. 77 da
    Constituição Federal.
    O que não se pode afirmar é que o voto em branco nada representa, posto que até a indiferença dos eleitores às
    propostas que lhe são apresentadas, e aos seus defensores, diz alguma coisa e merece ser considerada.

    Imaginemos, só para exemplificar, que, em um determinado pleito, apenas dois candidatos se apresentassem, com
    filosofias tipicamente nazistas, diferenciados em seus discursos por questões meramente secundárias. Por não
    aceitar tal filosofia, a opção de um democrata seria, obviamente, o voto em branco. Esse voto não significaria nada?

    Por tais considerações, é que entendemos que o voto em branco merece ser melhor examinado pelo Direito
    Brasileiro. Se o direito revogado, em que pese considerar válido para o cálculo do quociente eleitoral - elemento de
    referência para o sistema de representação proporcional - não o considerava para a constituição dessa representação, pior se houve o legislador atual, em igualá-lo ao voto nulo.
  • MarcioAB  12/07/2016 23:17
    Interessante. Um pouco enrolado, mas interessante. Alguns pontos:

    A proposta ai é se o BRANCO ganhar, a cadeira fica vazia. É uma ideia, mas ... e no caso de prefeito, governador e presidente ?

    NDA por outro lado é super claro: NDA (ponto). Não é necessario escrever um tratado. O que significa quando o NDA ganha ? Se o NDA ganha, estamos dizendo que não é nenhum desses. Então vamos tentar de novo e de novo. E se não houver nenhum candidato então ai sim temos a cadeira vazia.

    Mesmo que o BRANCO fosse o NDA, esse nome BRANCO é muito fraco, dubio. NDA é 100% claro. NDA.
  • Teco Teco  12/07/2016 17:13
    Falar que a democracia é o "menos pior" é uma da maiores canalhices já proferidas, não vou me alongar quando a isso.

    Seu raciocínio beira a insanidade.

    Como assim NDA(nenhum dos outros) até encontrar alguém?
    Você NÃO percebeu que dessa forma alguém cedo ou tarde será escolhido, ou seja, perpetuando a imbecilidade democrática?

    Seguindo:
    Você da um salto de lógica e enuncia: "Sem a opção NDA temos basicamente uma ditadura, um autoritarismo.

    NÃO "cabeça pensante", não teríamos isso, ao contrário. Teríamos LIBERDADE, ato contínuo, autonomia individual, responsabilidade por nossas próprias decisões, associações voluntárias, cooperação pacífica, acordos, etc.

    Sem esquecer de que quem quisesse poderia se organizar de forma democrática, socialista, o que quer que seja.

    Não preciso que ninguém decida nada por mim, não obstante, da forma que está hoje, sou obrigado(de forma coerciva) a "participar" e mesmo que não participe o ônus recaí sobre mim.

    O clamor é por LIBERDADE, longe de amarras estatais, longe dos arranjos compulsórios.
  • Amonino  12/07/2016 18:20
    O problema é a coerção exercida pelo estado ou qualquer tipo de coerção?

    Acredita que algum arranjo social excluiria violência e coerção?

    Não seria a democracia a POSSIBILIDADE de participar do processo de elaboração dos parâmetros coercitivos?

    Considerando o estado criminoso, seria efetivo simplesmente pedir para não ser coagido? Não seria necessário um stand your ground mais ativo e enfático?
  • MarcioAB  12/07/2016 19:05
    Cedo ou tarde alguem sera escolhido ...

    Sera ? Se começar a ficar "tarde" e o NDA continuar ganhando, os candidatos e os eleitores vão se perguntar: Mas afinal, o que voces querem para NÃO votar nesse maldito NDA. Nessa hora começa efetivamente a democracia.
    Por exemplo: Prefeitura de SP. Digamos que ganhe o NDA. Todos esses que foram candidatos estão fora. E a proxima leva de candidatos ja vai entrar falando bem mais fino, porque eles sabem que podem levar um NDA nas costas.
  • Livre Mercado  12/07/2016 17:40
    O cara não sabe nem como usar a opção nulo na urna.

    Obrigado por demonstrar a razão pela qual o processo democrático é completamente inútil, um eleitor como você, esperando que o Batman se candidate nas próximas eleições, vença, dê porrada nos caras maus e venha resolver todos os seus problemas.

  • Edujatahy  12/07/2016 18:17
    Caro Marcio.
    É uma simples questão de incentivos. Imagine que com seu trabalho duro você construiu uma propriedade produtiva. Então, certo dia, seus vizinhos que não fizeram o mesmo olham para o que você tem e pensam: "que legal seria se ele compartilhasse isso com todos não?"

    Desta forma, "democraticamente" sua propriedade poderá ser usada para o "bem de todos" em nome da "justiça social" porque um pessoa convenceu as outras (que são maioria) que sua propriedade tem uma "função social".

    Não é à toa que os fundadores americanos ficavam com um pé atrás no relativo a uma "democracia direta" ou coisa do tipo. É uma simples questão matemática. Na democracia os que menos tem podem se aproveitar imoralmente dos que mais tem.

    Este é o motivo de muitos defenderem a necessidade de uma "aristocracia". É um freio para a destruição da civilização.

    Eu já fui um grande entusiasta da democracia direta. Temos hoje tecnologia para implanta-la. Mas hoje acho imoral dar a uma pessoa o direito de "votar democraticamente" o que será feito com a outra.

    Sou ancap, no entanto, não penso duas vezes em escolher uma monarquia a uma democracia. Dentre os dois arranjos a monarquia "tende" a ser mais sensata.

    O nosso problema é que fomos educados a pensar que democracia é boa. Como se o extremo oposto da democracia fosse o totalitarismo. O que é uma mentira, uma democracia se aproxima mais do totalitarismo do que uma monarquia.
  • MarcioAB  12/07/2016 19:15
    Monarquia, ok, respeito sua opinião, mas eu voto na democracia. Tai um exercio interessante. Colocar as possiveis formas de governança e ver (democraticamente) o que as pessoas preferem.

    Sobre a ditadura da democracia, concordo e ai voce abre a porta mais interessante de todas: O RACHA (a separação, secessão).

    Algumas votações (democraticas) são ESTRUTURAIS, ou seja, se der proximo de 50/50 vai haver um racha (separar o pais em dois). Por exemplo: Se for colocado para votação monorquia ou democracia e der 50/50 (ou 45/55, nessa linha) então teremos 2 paises, um monorquico e um democratico.
  • Edujatahy  12/07/2016 19:47
    O meu receio é sempre esse " o que as pessoas preferem"
    Eu não tenho o direito de entrar na sua empresa e dizer a forma que você tem produzir seu produto mas na democracia eu posso votar em alguém que fará isso.
    Eu não tenho o direito de exigir que parte do seus lucros seja usado à força para garantir a educação dos meus filhos, mas na democracia eu posso votar em alguém que fará isso.
    Eu não tenho o direito de ir até sua residência e lhe prender, por força das armas, por estar usando uma substância da qual não quero que você use, mas na democracia eu posso votar alguém que fará isso.
    Eu não tenho o direito de apreender um produto que você comprou no exterior porque era melhor e/ou mais barato, mas na democracia posso votar em alguém que fará isso.
    Eu não tenho o direito de lhe impedir de se armar para defender sua vida, sua família e sua propriedade, mas na democracia posso votar em alguém que fará isso.

    Ou seja, tudo que eu não tenho direito de fazer exatamente por ser IMORAL, na democracia é aceito como "moral" porque foi escolhido pela "maioria"

    O meu grande problema com democracia é exatamente esse. Ela permite de forma "massificada" um ataque maciço aos direitos naturais. E quanto maior for a população e o terroritorio desta "democracia" mais gritantes e violentos serão estes ataques. A ponto de se existir partes de um país totalmente dependente de ajuda estatal que é bancada por outra parte do país.

    É porque isso acontece? Simples, porque a democracia é sim uma ditadura da maioria. Ora, e já sabemos que NATURALMENTE uma minoria irá sempre se destacar em relação a uma maioria. Ao dar poder a esta "maioria" de tirar os ganhos e recompensas desta "minoria" a democracia acaba sendo um dos arranjos mais irracionais existentes.
  • Pobre Paulista  12/07/2016 22:27
    Trader Carioca e Francisco Seixas,

    Eu sei que o voto nulo é equivalente ao voto em branco para fins práticos e que não tem esse negócio que 50% + 1 dos votos nulos não cancelam uma eleição.

    Apenas pontuei que votar em ninguém é mais fácil do que parece. Ninguém que vota nulo tem alguma pretensão de acabar com a democracia. Mas se algum dia os políticos se depararem com, digamos, 50% de votos nulos, não acha que iria ao menos cair alguma ficha?

    Mas enquanto existir a turminha do "vamos votar no menos pior pois alguém estará lá de qualquer jeito", o voto nulo será realmente inútil.

    Eu não voto nulo por falta de opção, e sim por princípios.
  • MarcioAB  12/07/2016 22:46
    "... Mas se algum dia os políticos se depararem com, digamos, 50% de votos nulos, não acha que iria ao menos cair alguma ficha? ..."

    NÃO. Só existe uma e uma UNICA forma dessa ficha cair: NDA.
  • MarcioAB  12/07/2016 22:37
    Alguns pontos:

    1. Esta faltando colocar a constituição nessa equação. Nem mesmo a demo-ditatura passa por cima da constituição.

    2. Se voce tem somente alternativas imorais nas opções (e não tem o NDA), OU se tem ambas (alternativas morais e imorais) e o povo vota nas imorais, paciencia: a sociedade que voce esta inserido tende a desaparecer. Esse é o contexto desse artigo.

    Mas uma monarquia tambem não resolve esse problema (caso o seu monarca seja imoral).
  • Pobre Paulista  13/07/2016 02:21
    Você insiste em "ver o que as pessoas preferem". Não precisa ler nem o artigo inteiro, basta ler o teorema da impossibilidade de Arrow para entender que não existe "o que as pessoas preferem". Existe apenas o que o indivíduo prefere.

    A democracia não tem fundamentos, não tem lógica e não tem como dar certo. Se você gosta disso, azar o seu. Pode gostar à vontade. Só não venha dizer que todos devem se submeter a isso só porque este é seu particular sistema favorito. Isso é tirania.
  • MarcioAB  13/07/2016 12:35
    1. Estou defendendo (ou insistindo, como prefira) que em um sistema baseado em voto democratico, para que o voto represente melhor a preferencia do individuo, falta o NDA.

    2. Esse negocio de "o individuo" versus "as pessoas" não deveria dar muita troca de ideias, mas vejamos: A principio é claro que o voto é a preferncia do individuo a menos que esse individuo esteja indo na direção do voto util (e ai abre uma outra porta para uma outra troca de ideias). Uma vez computado todos os votos, temos "a preferencia das pessoas". Paciencia (em parte pode na sequencia vem a separação).

    3.Para mim a democracia é a menos pior. Mas acho que a democracia poderia ser "melhorada" (1) acrescentando o NDA, (2) facilitando a separação no caso de votações estruturais e (3) reduzindo a democracia representativa e aumentando a democracia direta.

    4. Ninguem deve se submeter ao meu gosto. Considerando que estamos convivendo em uma mesma sociedade, vamos colocar as opções em cima da mesa (incluindo o NDA) e vamos votar. Eventualmente se eu perder e se topico em questão for estrutural, grande chance que mude para uma outra sociedade vizinha. Mas sem tirania.
  • Trader Carioca  13/07/2016 14:31
    MarcioAB,

    Permita-me tentar dissuadí-lo. Logo para começar, recomendo a leitura do ótimo livro "Democracia, o Deus que falhou", de Hans-Hermann Hope. Como o título sugere, o livro é uma coletânea de ensaios sobre os males da democracia.

    Gostaria também de falar, a priori, que dizer que a democracia é ruim NÃO significa de modo algum apoiar regimes ditatoriais.

    Isso posto, vamos seguir.

    A existência de um NDA provavelmente não resolverá a péssima democracia brasileira. Eu simplesmente argumentaria que os políticos encontrariam uma forma de driblar a restrição causada pelo NDA, como fizeram por exemplo com o referendo sobre o desarmamento. A população votou pela liberação da compra de armas. Mas a burocracia é tão grande e os impostos tão altos que, na prática, é proibido. Também temos o caso da eleição de Tiririca, que arrastou outros deputados para dentro, deputados estes que foram acusados em casos de corrupção e usaram o marketing ao redor do Tiririca como forma de conseguirem os votos para se elegerem.

    Mas um argumento como este possivelmente não o deixaria satisfeito. Então vou abordar o assunto por outra ótica.

    Um dos grandes erros na sua idéia é achar que, num possível caso de NDA, com eliminação de todos os candidatos e convocação de novas eleições, apenas candidatos "limpos" iriam aparecer. Nesta situação, o ponto abordado pelo artigo sobre o custo individual de se coletar informações sobre os indivíduos faz total sentido. Os eleitores terão mais custos para conseguir informações sobre os candidatos, e nada garante que os sucessivos NDA's tratão candidatos melhores. A suposição está errada desde o começo. Pode ser que o NDA traga para o jogo candidatos PIORES mas que não tinham recursos para enfrentar os partidos estabelecidos, e que agora terão alguma chance de se elegerem.

    Usando uma metáfora, eu vejo a eleição brasileira como um copo com água imunda. Todos teremos que beber dessa água. O que você supõe é que o NDA seria como jogar água limpa dentro do copo: na medida em que a água suja transbordar, o copo vai ficando cada vez mais limpo. O que eu digo pra você é a água que estamos jogando dentro pode ser ainda mais suja.

    E se nesse arranjo com NDA, num simples brainstorm, não demonstra ser robusto de que estaremos em melhor situação, por que ter o esforço em mudar para uma solução parcial que na verdade nem solucionada nada?
  • MarcioAB  13/07/2016 14:54
    Por que ? Porque é autoritario.
    Se eu não quiser nenhum desses eu tenho que ter o direito de manifestar isso. E se muitos manifestarem isso, paciencia. É uma realidade. Se vai piorar, paciencia.
    Retirar essa possibilidade de manifestação da minha parte é autoritarismo.
    Mas aparentemente a maioria não concorda com a minha opinião sobre o NDA. Então ok, paciencia da minha parte. Mas vou continuar querendo o NDA.
  • André  13/07/2016 16:06
    Como vai funcionar o NDA para as eleições do parlamento? Já que estes são eleitos por voto proporcional ou qualquer outra variação que independe da vontade da maioria absoluta. Pelo que vejo só pensou na possibilidade das eleições majoritárias.
  • MarcioAB  13/07/2016 18:44
    @Andre

    Só pensou nas eleições majoritarias ?

    1. Sim. A proposito, sou mais pela democracia direta (com NDA e Secessão). Eu não gosto de democracia representativa e muito menos de votar em um partido que me represente e depois esse partido indicar alguem que representa o partido.

    2. Esse "só pensou" da a impressão que NDA é ... uma ideia minha (hehe). Obviamente que não.
  • O MESMO de SEMPRE  13/07/2016 15:01
    A democracia não é o "menos pior" porque democracia é apenas uma fantasia: imagina-se uma coisa, mas é outra bem diferente.
    A ideia da democracia se estabelece por interesse político: ela AMANSA a sociedade ao oferecer-lhe uma "próxima partida" onde poderá ganhar.

    A democracia é um JOGO!
    Se não se espera uma outra eleição para votar nos PREVIAMENTE ESCOLHIDOS a rtendência é a população se unir mais e conspirar contra o Poder estabelecido. A proxima eleição AMOLECE o ESPIRITO.
    Cuba só existe porque há ajuda externa. Uma ditadura canalha só se mantém com a ajuda de países democraticos e bonzinhos que fornecem "AJUDA HUMANITÁRIA" às ditaduras.

    Se há um gestor permanente a escolher administradores cai por terra a "legitimidade" do ditador. Ademais ele será mais afeito a ouvir. No caso ELEITOREIRO o que impera é a DEMAGOGIA e a cultura da safadeza onde uns sonham em viver às custas dos outros, pouco se importando com o conhecimento técnico ou com julgamentos éticos ou morais. Afinal a democracia É AMORAL e mesmo ANTI MORAL.

    A ideia da democracia na pratica, concebida por Montesquieu não é a fantasia Aristotélica.
    Montesquieu é aquele pulha que escreveu sem hesitar que o governo deveria COBRAR IMPOSTOS CADA VEZ MAIS ALTOS para FORÇAR os EMPREENDEDORES a TRABALHAREM CADA VEZ MAIS para que LHES SOBRASSE ALGO dos FRUTOS do PRÓPRIO TRABALHO.

    Este celebrado democrata que escreveu "O espirito das leis" é, na verdade, ADEPTO da ESCRAVIDÃO. Montesquieu e sua democracia visava ESCRAVIZAR a população ao governo.

    Democracia é DIFERENTE de LIBERDADE.
  • Edujatahy  13/07/2016 16:07
    Caro Marcio,
    Teremos de concordar em discordar neste quesito.
    No relativo aos seus pontos

    1. Esta faltando colocar a constituição nessa equação. Nem mesmo a demo-ditatura passa por cima da constituição.

    E é neste quesito onde muda radicalmente de país para país. Você tem de tomar cuidado para não confundir uma República Constitucionalista com uma "Democracia". Uma "boa" república constitucionalista tem elementos democráticos mas se trata de uma Democracia Indireta onde muitos dos direitos naturais estão protegidos constitucionalmente e impedidos de serem modificados pela maioria.

    2. Se voce tem somente alternativas imorais nas opções (e não tem o NDA), OU se tem ambas (alternativas morais e imorais) e o povo vota nas imorais, paciencia: a sociedade que voce esta inserido tende a desaparecer. Esse é o contexto desse artigo.

    Este é o ponto onde eu fundamentalmente discordo de você. Eu não posso olhar uma situação de imoralidade e ter "paciência" porque foi escolhido pela maioria. Lhe reitero que é uma questão de incentivos. Uma maioria que tem menos irá querer tirar de uma minoria que tem mais. Se os direitos naturais não estiverem assegurados esta democracia irá naturalmente caminhar para o populismo, não é uma mera teoria, é um fato!

    Agora, se uma "constituição" só concede à votação coisas como nome de ruas, idade legal e afins eu sinto muito lhe dizer mas isto não é uma "democracia", não pelo menos da forma que a esquerda enxerga. Ora, poder-se-ia ter um cenário ancap com uma "democracia"assim.

    Mas uma monarquia tambem não resolve esse problema (caso o seu monarca seja imoral).

    A luta pela liberdade é a eterna vigilância. Claro que existe o risco do monarca virar um "Nero" da vida.
    No entanto, o mecanismo de incentivo de um monarca é totalmente diferente do mecanismo de incentivos de uma maioria ignara. São coisas completamente distintas. Um monarca (pelo menos aquele que queira sobreviver) não pode incorrer em ataques maciços contra os direitos naturais dos seus súditos sob o risco de ter, quem sabe, sua cabeça decepada. Já uma "maioria" tem praticamente carta branca para fazer o que quer e não vai pagar nada por isso (não diretamente, pelo menos, pagará apenas em um segundo momento com miséria, fome e destruição de capital, vide o "excesso de democracia" na Venezuela por exemplo).

    3.Para mim a democracia é a menos pior. Mas acho que a democracia poderia ser "melhorada" (1) acrescentando o NDA, (2) facilitando a separação no caso de votações estruturais e (3) reduzindo a democracia representativa e aumentando a democracia direta.

    Aí meu caro, é o que estou tentanto de explicar desde o início. Imagine uma democracia direta aplicada HOJE no Brasil. Milhões de brasileiros votando assunto como "ajuste fiscal", "salário mínimo", "imposto sobre heranças" e etc...

    Democracia direta é suicidio econômico. Eu falo isso porque já me aprofundei bastante neste assunto. Existem plataformas criadas por entusiastas exatamente para aplicar esta idéia.
    Mas acho absurdo uma pessoa pode votar, por exemplo, no quanto EU pago ou não pago de impostos.

    "Democracia direta" só funcionaria no bairro. Passou disso, eu tenho sérias dúvidas sobre o sucesso. Ao contrário, eu tenho é medo.

    E por última.

    A possibilidade de secessão praticamente é nula em uma democracia. Ora, Se uma determinada localidade quiser se separar, mesmo que a maioria das pessoas daquela localidade queiram se separar, o restante do país vota contra e puff... já era secessão. O Estados Unidos teve uma Guerra Civil sangrenta para ilustrar este ponto.
  • MarcioAB  13/07/2016 16:39
    @Edujatahy

    1. Concordo. Mas ... esse era o meu ponto: De um lado uma constituição protegendo alguns pontos (fundamentais para aquele agrupamento) e democracia na parte que sobra.

    2.1. "Se os direitos naturais não estiverem assegurados" ... mas estão. Pela constituição.
    2.2. Questão de incentivo ? Poderia aprofundar nessa parte ?
    2.3. (monarquia). Não concordo.

    3. Democracia Direta. Respeito sua experiencia. Mas não concordo.

    4. Secessão. Concordo que é dificil. Mas temos que ir tentando afinal ... valeu Brexit !! Estou torcendo para o Sul é Meu Pais.
  • Edujatahy  13/07/2016 19:59
    Caro Marcio,

    2.2. Questão de incentivo ? Poderia aprofundar nessa parte ?
    Simples.
    Um monarca "tende" a enxergar o "país" como seu patrimônio. Ele tem incentivoa tentar valorizar o máximo seu patrimônio ao longo do tempo. Ele não tem um pensamento como de um "presidente", por exemplo, para ser reeleito em 4 anos. Ele pode se dispor a pensar em décadas para frente. Seu incentivo é portanto conservar e aumentar a riqueza do seu país.

    Agora imagine a outra situação. Uma plena e total democracia direta (sem impedimentos contitucionais), funcionando em um software como por o exemplo o Liquid Democracy (https://liqd.net/en/) com toda a população brasileira norte a sul decidindo sobre tudo.

    Os incentivos da grande maioria das pessoas (ou seja, a "base" da pirâmide social) é imediatista. E porque é imediatista? Porque as condições econômicas da maior parte das pessoas as fazem assim. A preocupação é conseguir pagar o cartão de crédito daquele mês, o financiamento do carro, da casa e etc...
    Diante do "poder" de decidir tudo a tendência é que a grande maioria destas pessoas aceitem medidas de conforto "imediato" e não pensem nas consequencias futuras (afinal, o futuro é distante e problema dos nossos "netos" não?). Então você começa a ter aposentadoria com 45 anos, uma imensa legislação trabalhista para "estabilizar" o emprego, e por aí vai. Sempre aumentando a dívida pública e criando um bomba relógio.
    Isto é piorado ainda mais quando pessoas que dependem do estado também participam do processo democrático, como Mises brilhantemente apontou no texto.

    O incentivo da "maioria" é se aproveitar ao máximo enquanto pode de um estado de bem estar social.

    Em um cenário em que a "democracia" é limitada (ou seja, uma constituição liberal) evidentemente que as coisas não funcionam assim.

    Tem um artigo do IMB tratando sobre esta questão:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=373


    3. Democracia Direta. Respeito sua experiencia. Mas não concordo.

    Bem, eu não sei mais como explicitar meu ponto. Mas se você realmente se interessa pelo assunto dá uma pesquisa sobre o Partido Pirata na Alemanha.
    Aqui no Brasil tem um pessoal tentando fazer o mesmo, mas quando comecei a conversar com os caras e vi o nível da ideologia de esquerda deles eu desisti.

    4. Secessão. Concordo que é dificil. Mas temos que ir tentando afinal ... valeu Brexit !! Estou torcendo para o Sul é Meu Pais.

    Nós todos meu amigo. Uma coisa é fato, independente de democracia, república, monarquia ou seja lá qual o sistema, quanto menor o território dos países melhor para nós indivíduos. :-)
  • MarcioAB  13/07/2016 21:10
    @Edujatahy

    2.2. Faz sentido. Mas não consigo aceitar a ideia de um "monarca".
    Se tivessemos um plebiscito (democracia ou monarquia) eu votaria na democracia (mesmo nessa capenga, sem NDA e sem Secessão).

    Ainda sobre a parte da constituição (ou "sem impedimentos constitucionais"): A constituição é a chave, a base do agrupamento. Não tem como tirar a constituição da equação.

    Para mim, um item fundamental que deveria estar na constituição seria algo como:

    O valor maximo (acumulado) que pode ser "confiscado" é 10% do PIB.

    A partir dai entra a democracia direta, que basicamente seria um processo democratico de alocação de prioridade sobre recursos super limitados. Assumindo como premissa transparencia e uma policia efetiva teriamos os projetos publicos (vindos de todos os lados) com seus custos e beneficios e a prioridade seria elencada atraves de votação democratica.

    Por exemplo: 10% do PIB = 1000.

    Projeto 1: aposentadoria com 45 anos: custo 800.
    Projeto 2: saude total: custo 700.
    Projeto 3: segurança total: custo 500.
    Projeto 4: aposentadoria com 60 anos: custo 300.
    Projeto 5: aposentadoria com 70 anos: custo 100.
    Projeto 6: saude simples: custo 200.
    Projeto 7: 900 paralamentares: custo 100.
    Projeto 8: 10 parlamentares: custo 1.
    etc

    Grande chance do Projeto 1 ter uma baixa votação.
  • Edujatahy  13/07/2016 22:46
    Meu caro. Se você me mostrar uma situação que o estado esteja limitado a 10% do PIB eu fecho na hora. Vamos nessa!
  • MarcioAB  14/07/2016 00:53
    Panama pode ser uma boa ...

    https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_tax_revenue_as_percentage_of_GDP

    (basta acionar o sort na coluna 2)
  • O MESMO de SEMPRE  13/07/2016 22:08
    Marcio,
    eu concordo que pelo menos houvesse o voto em "Nenhum dos Candidatos Apresentados" (NCA) e até que, pelo menos, pelo voto se diminuisse a quantidade de eleitos com votos de "Quantos Podem Elegerem-se" (QPE).

    Ademais, a eleição não deveria dar carta branca para os políticos arbitrarem sobre a vida dos indivíduos:

    - Todos devem ser igualmente livres. Isso significa que NENHUM indivíduo ou grupo poderá violar Direitos alheios.

    - A Liberdade é de cunho NEGATIVO: Liberdade estabelece PROIBIÇÕES (proibe ação) aos demais e não OBRIGAÇÕES (obriga ação).
    Ou seja, o direito de UM a ALGO PROIBE a TODOS OS DEMAIS o exercício concomitante do mesmo direito. Afinal, dois corpos não ocupam o mesmo espaço e tão pouco um corpo pode estar em dois lugares diferentes.
    Se TODOS indivíduos inocentes tem Direito à VIDA, isso PROIBE TODOS os DEMAIS de IMPEDI-LOS de VIVER. Quando um indivíduo VIOLA o Direito alheio, POR JUSTA RECIPROCIDADE ELE ESTA CONCORDANDO QUE QUALQUER OUTRO VIOLE seu Direito. Justição é reciprocidade.
    Somente o indivíduo pode CEDER ou CONCEDER seu Direito a outro(s) em LIVRE ACORDO (Sem que exista ameaça de AÇÃO alheia contra si sem tenha antes havido qualquer acordo prévio nesse sentido).

    Com isso a ideia de Democracia como FONTE MORAL ou "FONTE de LEGITIMIDAE" se mostra TIRANIA SAFADA.
    Um eleito NÃO POSSUI DIREITO SOBRE TODA A POPULAÇÃO, mas somente sobre aqueles que formalmente lhe cederam tal. PORTANTO os eleitos NÃO POSSUEM DIREITO SOBRE os ELEITORES e, portanto, NÂO PODEM CONCEDER a UNS qualquer Direito sobre OUTROS.

    A Democracia como IDEIA é a reivindicação de que a pretensa MAIORIA (que é sempre minorioa eleita) tenha Direito de ESCRAVIZAR a pretensa MINORIA.

    A Democracia NÃO pode atribuir DIREITO de ESCRAVIZAR!!! ...PONTO!
    A maioria não tem direito sobre a minoria.
    A Justiça é OBJETIVA pois que antes de tudo é RECIPROCIDADE e por tal o JUSTO Direito de Legitima DEFESA.

    A safadeza da tal Democracia simplesmente CORROMPE o eleitorado que se despe de todo e qualquer limite, visando UNICAMENTE a eleição e o USOFRUTO do PODER e seus PRIVILÉGIOS anti éticos e mesmo imorais.

    Os eleitos deveriam unicamente resumir-se a administrar serviços e estabelecer leis JUSTAS e AUTO APLICAVEIS, cabendo ao Judiciário (não confundir com justiça) JULGAR se CULPADO ou INOCENTE de violação da lei e não, como ocorre, "INTERPRETAR" CASUÍSTICAMENTE as mal elaboradas leis em suas ambiguidades e OBSCURIDADE.As leis deveriam ser CLARAS e OBJETIVAS e não um emaranhado de ARBITRARIEDADES democráticas deliberadamente DÚBIAS e até mesmo CONTRADITÓRIAS a fim de permitir "interpretações" para atacar inimigos e favorecer amigos.

    A democracia É UM EMBUSTE!!!
  • O MESMO de SEMPRE  13/07/2016 22:29
    O Direito à VIDA estabelece a PROIBIÇÂO a TODOS os Demais indivíduos de violar este direito de um INOCENTE.
    Quem viola direitos alheios, POR RECIPROCIDADE esta ANUINDO, implicita e explicitamente que seu Direito seja violado, pois que não mais inocente.

    O direito à HABITAÇÃO não atribui aos demais a OBRIGAÇÃO de prover habitação aos "sem teto". Pois COAGIR, através de AMEAÇA de MAL MAIOR, indivíduos a proverem com os frutos do seu trabalho a habitação alheia signiofica ESCRAVIDÃO!

    TUDO que OBRIGA AÇÃO, sem qualquer acordo voluntário nesse sentido, significa ESCRAVIDÃO, pois que sujeita uns à vontade de outros para não sofrerem AÇÃO DANOSA.

    Por isso LIBERDADE é de cunho NEGATIVO.

    - Liberdade é um DIREITO NATURAL IGUAL PARA TODOS. Quem não é livre não é respeitado em seu Direito e por tal pode até mesmo ser OPRIMIDO, EXPROPRIADO e até ASSASSINADO por aqueles que se atribuem DIREITO sobre a VIDA ALHEIA e INOCENTE (que não iniciou qualquer agressão).

    - O Direito de IR e VIR não implica que os demais devam ser obrigados a transportar qualquer indivíduo.
    - O Direito de viajar não implica na obrigação alheia de prover viagem a todos.

    O "Direito" positivo é uma empulhação. Somente o detentor de um direito pode CEDE-LO ou CONCEDE-LO num ACORDO VOLUNTÁRIO onde TODAS as opções NATURAIS estejam DISPONÍVEIS.

    A vontade da maioria não faz do certo o errado e nem do errado o certo.

    A democracia É UM EMBUSTE!!!

    A democracia obscurece a idéia de Liberdade com a pretensão de legitimar a escravidão.

    Escravidão se estabelece quando o SENHOR CONTROLA TODAS AS OPÇÕES do SEU SERVO, não lhe permitindo escolher entre TODAS AS OPÇÕES NATURAIS.

    Ao escravo é negado o Direito de não manter qualquer relação com o seu senhor. Pois que negar-se a obedece-lo, mesmo sem que tenha havido qualquer acordo livre, resultará na AÇÃO do senhor CONTRA o escravo.

    Escravidão = FORÇAR à OBEDIÊNCIA através da AMEAÇA de UM MAL, ou DANO, AINDA MAIOR do que o inicialemente EXIGIDO. Sem a OPÇÃO de não atender à vontade alheia sem sofrer AÇÃO contraria, sem que qq acordo PRÉVIO e VOLUNTÁRIO nesse sentido.
  • MarcioAB  13/07/2016 16:24
    @O MESMO de SEMPRE:

    Democracia é diferente de liberdade ? Claro que sim.

    Democracia é a cola que permite a mantutenção de um agrupamento de pessoas livres.

    Image um grupo de 10 pessoas 100% livres. Cada super feliz no seu quadradinho. Mas ai surge uma ideia. Que tal montarmos um condominio e compartilharmos alguns recursos tentando manter o maximo possivel de liberdade ? Ok. 15 minutos depois ja surge uma grande duvida: Vamos fazer o poço redondo ou quadrado. Discussões infindaveis ate que entra a votação. Ganhou o poço redondo. Ok, vamos cavar então.
  • Andre Cavalcante  13/07/2016 17:12
    Olá,

    "Imagine um grupo de 10 pessoas 100% livres. Cada super feliz no seu quadradinho. Mas ai surge uma ideia. Que tal montarmos um condominio e compartilharmos alguns recursos tentando manter o maximo possivel de liberdade ? Ok. 15 minutos depois ja surge uma grande duvida: Vamos fazer o poço redondo ou quadrado. Discussões infindaveis ate que entra a votação. Ganhou o poço redondo. Ok, vamos cavar então."

    Qual o erro da democracia aplicada a este seu exemplo?

    Não há o respeito pela propriedade privada, que, em princípio, seria o equivalente a "10 pessoas 100% livres da premissa".

    Ora, o poço vai ser furado em um terreno. De quem é o terreno? Se for no meu (1 dos 10 livres), mesmo que eu queira compartilhar a água com os outros, não há discussão: vai ser poço quadrado quer você queira ou não, porque aqui mando eu. Se for no seu, a mesma coisa.

    Simplesmente não há espaço para discussões desse tipo se você mantém e aplica os princípios de não agressão e de propriedade privada.

    Aliás, nesse arranjo, nem mesmo um "condomínio" seria necessário. Bastaria alguém (1 dos 10 livre), que tivesse recurso suficiente, fazer o poço e "vender" a água para os demais. Claro que qualquer quantidade de pessoas poderia entrar em acordo por cotas de água ou cotas sobre a venda da água para os demais (no caso de ninguém ter a quantidade de recursos suficiente).

    Veja bem, não é que não haja discussão e desavença, mas quando se respeita a propriedade privada, fica mais claro quem tem de tomar a decisão e, no caso de cooperação entre várias entidades/indivíduos fica mais clara a participação de cada qual no empreendimento.

    Simplesmente não há motivo algum para democracia.

    Abraços



  • MarcioAB  13/07/2016 18:28
    @Andre Cavalcante

    Premissas:

    1. Existe um espacinho livre entre as 10 propriedades.
    2. Um individuo não tem capacidade de cavar (sozinho)
  • Pobre Paulista  14/07/2016 00:12
    Caro MarcioAB,

    Não existem fundamentos para a decisão coletiva. Portanto não há fundamentos para a democracia.

    Fim de papo.
  • Andre Cavalcante  15/07/2016 16:12
    Olá Márcio

    A ideia no NDA já seria um grande avanço em termos de democracia, para o que temos hoje no Brasil.

    Só levantei a questão da propriedade privada porque sempre há alternativas que não envolvam eleições ou quaisquer mecanismos de "vontade popular" quando se respeita a propriedade privada e o princípio da não agressão.

    "Premissas:"

    "1. Existe um espacinho livre entre as 10 propriedades."

    O que impediria que eu ou um pequeno grupo se apoderasse desse "espacinho livre" e fizéssemos o poço por conta própria?


    "2. Um individuo não tem capacidade de cavar (sozinho)"

    Por isso que citei acima: o que impede que um grupo defina cotas de participação do empreendimento, caso nenhum tenha os recursos suficientes? Note que este grupo pode ser dos 10, o que configuraria um verdadeiro condomínio, com um pagamento mensal pelo uso da água e o pagamento de uma taxa de início, que seria o valor utilizado para se criar o poço.


    ---

    Neste cenário do poço não necessitaríamos de democracia (mesmo com NDA) para resolver a questão se os indivíduos fossem lives e houvesse o respeito pela propriedade privada e o princípio da não agressão.

    O único cenário em que a democracia, isto é, uma maneira de saber a "vontade popular", seria necessário é quando há um governo que é dono daquele terreno ou que proíba que agentes privados ajam de uma determinada forma. Aí é que as coisas se complicam e eu preciso de algum mecanismo para perceber a "vontade popular", uma vez que já se proibiu dessa vontade individual ser expressa de outras formas.

    Na primeira questão, isto é, quando o governo é "dono do espacinho entre as propriedades", quem vai decidir é algum funcionário do governo (afinal ele é o dono), que pode ser um tecnocrata, colocado lá via concurso, ou eleito. No primeiro caso, nada que os 10 possam fazer vai mudar a decisão do tecnocrata, de fazer desse ou daquele jeito, ou mesmo se vai fazer ou não. No segundo caso, vai depender da cara de pau do eleito.

    Na segunda questão, isto é, quando o governo proíbe que o privado aja, independente se há um espacinho pertencente ao governo ou não, simplesmente não há como ninguém agir, individualmente ou em grupo. E este é o cenário normal nas cidades, em que o monopólio da água é estatal e nenhum privado (a não ser a empresa escolhida pelo governo) pode furar poço ou fazer qualquer obra para pegar água de córregos.

    A "crise hídrica" de São Paulo (e do sudeste como um todo) ocorreu não por falta de água, mas por falta de propriedade privada e livre iniciativa. O aquífero guarani, sozinho, tem quase tanta água quanto a Amazônia.

    Abraços

  • MarcioAB  15/07/2016 23:11
    @Andre Cavalcante

    Ola,

    Sobre o NDA: Como mencionei no primeiro post, não consigo entender um individuo se considerando liberal e tendo QUALQUER restrição ao NDA. NDA deveria se o mais basico requerimento para qualquer um que se considere liberal.
    Mas entendo que não é, por isso minha duvida.

    Sobre os cenarios: São (naturalmente) apenas simbolicos, ilustrativos. Podemos imaginar 3 tipos de cenarios:

    Tipo 1: Representam de um lado 10 caras (a principio 100% independentes) e de outro lado algo que justifique um esforço coletivo por parte desses elementos. Outro ponto que procurarei excluir de todos os cenarios foi o estado.
    A principio imaginei um poço (coletivo), mas poderia ser uma antena de TV (coletiva), ou um banheiro (coletivo) ou uma vigilancia (coletiva), ou qualquer coisa que represente um interesse comum dos 10 caras que juntar forças faça sentido.

    Tipo 2: Se eventualmente se passarem 100 anos e os 10 caras vivam la sem ter surgido nenhuma ideia ou necessidade de embarcar em um esforço coletivo, EXCELENTE. (mas no cenario que propus, isso não ocorre).

    Tipo 3: Entendo que tambem existe os cenarios onde ha colaboração entre os 10 caras se da atraves do mercado tradicional. EXCELENTE tambem.

    Deve haver outros tipos, mas esses 3 ja da uma boa ideia.

    O cenario que estou buscando para falar da importancia do voto é um cenario do Tipo 1.


    Cotas de participação: É uma variação (complicação) no cenario. No cenario, simples, os 10 caras simplesmente começam a cavar, um pouco cada um. Sem contrato, sem quotas. Cenario bem simples.

    Esse cenarios tambem não tem dinheiro. Ninguem tem que pagar nada. A agua não entra no cenario. O cenario é apenas um poço. Um simples poço coletivo. Poderia ser um simples buraco coletivo (quem sabe uma cova coletiva).

    Nada impede que um cara se apodere desse "espacinho livre": Com certeza. Mas esse é outro cenario mais violento onde nada impede que os outros 9 (em conjunto) não matem esse que se apoderou do "espacinho".


    Se eventualmente passarmos por essa parte dos cenarios e concordarmos em usar um cenario Tipo 1, ai podemos eventualmente chegar no enrosco do dilema do poço quadrado ou redondo, que seria resolvido por votação simples.

    O meu ponto é que essa votação é NÃO ESTRUTURAL, ou seja, qualquer que seja o resultado dessa votação, isso não vai rachar o esforço comum.

    Se fosse uma votação ESTRUTURAL, ou seja, a forma quadrada ou redonda do poço significa uma diferença estrutural insuperavel e se a votação terminasse 50/50 então a união iria terminar, teriamos 2 grupos de 5 caras cada grupo e cada grupo iria encontrar um "espacinho livre" e iriam cavar. Essa questão ESTRURUAL da forma do poço ja não mais iria sugir, mas iriam surgir novos dilemas os quais seriam resolvidos por voto. Porem antes de iniciar a votação o grupo iria dizer: Vamos la, vamos votar um assunto NÃO ESTRUTURAL, ou seja, todos saberiam que qualquer que seja o resultado o grupo não iria rachar. Se fosse uma votação ESTRUTURAL, o grupo ja sabia que se terminar proximo de 50/50, vai rachar.

    Nessa linha.
    Abraços.
  • Mauricio  18/07/2016 11:32
    Artigo fraco.
    A democracia é uma m..., fato. Porém é a unica estrutura que é capaz de suportar a estrutura de disputa de poder inerente a natureza fálica humana. Seus movimentos de avanço e recuo, apenas espelham um comportamento macroscópico criado pela aleatoridade "pluridade" de unidades individuais. É como é a natureza, seja por animais ou estruturas pelo cosmos.
    A única maneira de melhorar esse aspecto é fomentar meios pelos quais os indivíduos aumentem sua percepção de si, e dos mecanismos envoltos. Educação.
    Entendeu. O resto é falácia e perda de tempo.

  • Conservador  12/07/2016 15:50
    Muito bom!
  • Pietro Monti  12/07/2016 16:04
    O problema não é o povo se informar sobre o candidato, mesmo porque muitos processos e ilícitos praticados pelo político não são veiculados na grande mídia, principal fonte de informação da maioria da população. O mais importante é a população saber reconhecer quando um candidato está sendo demagogo e isso só com nível educacional. Mais uma vez a solução de nossas mazelas passa pela educação.
  • Andre Cavalcante  12/07/2016 16:16
    O problema é que, quanto maior o "nível educacional" do indivíduo, mais ele vota por si mesmo, isto é, ele vai voar em quem vai beneficiá-lo de alguma forma.

  • Livre Mercado  12/07/2016 17:10
    Com essa educação estatal mais vai votar no status quo, pouco importa o tamanho da incompetência ou sordidez do candidato.
    Tem um vídeo no youtube, canal nerdologia de título: eleições democráticas são impossíveis, vale a pena dar uma olhada.
  • Bruno Hirsch  12/07/2016 16:05
    Por isso o voto noa deveria ser obrigatório... mas em contra partida, é certeza que a esquerda ia pagar $30 + pão com mortadela para quem fosse votar.

    A direita também não tem muito jeito não, tamo ferrado.
  • Livre Mercado  12/07/2016 17:49
    A moda agora entre as coxinhas em conserva é meter o pau na tímida desregulamentação da franquia de bagagem aérea:

    www.anac.gov.br/noticias/desregulamentacao-da-franquia-de-bagagem-despachada

    Está cheio de conservas na internet implorando por estado para garantir a qualidade dos serviços aéreos:

    novojornal.jor.br/economia/alvo-de-criticas-anac-diz-que-mudancas-na-aviacao-buscam-desregulamentar-setor
  • CIRO GOMES 2018  12/07/2016 17:40
    Tipico dos Neo Liberais desprezar a democracia é por isso que junto com a Rede Globo e a FIESP patrocinaram um golpe fascista contra uma mulher honesta que é a Dilma Roussef
  • Nill  12/07/2016 17:42
    No fundo tudo passa por aquilo que é o mais importante no ser humano-o seu lado Espiritual. Seguido do seu lado Moral. Um povo espiritualmente e moralmente baixo sempre correra o risco de ser governado pelo pior tipo de governante.
    Como um povo(coletivo) constituído por pessoas (individual)constituído por egoístas,idolatras,ignorantes,aproveitadoras,arrogantes vai eleger um governo de governantes justos,honestos,austeros,humildes,etc. A uma incompatibilidade enorme,que nunca por nenhum meio pode ser ajustada. O contrário também é verdade. Como um povo sábio e bom pode eleger um governo constituído por homens injustos,ladrões,autoritários,falsos e enganadores ?
    O autor do texto talvez sem querer nos mostrou o lado ruim da natureza humana,marcada pela corrupção e pecado. O Antigo Testamento fala que o Antigo Israel era governado pelos Juízes,governantes escolhidos diretamente por Deus. Até que o povo israelita quis ser como todas nações ao redor e ter um rei. O profeta Samuel os avisou que um rei exigiria do melhor das riquezas e os oprimiria. O povo rebelde não lhe deu ouvidos. Saul foi feito rei e foi o primeiro governante perverso de uma lista longa de reis perversos de Israel. Finalizando. O pecado do povo não foi simplesmente pedir um rei,mas o coração duro,perverso e rebelde do povo daquela época.

    E não é de hoje que os povos são governados pelos piores governantes. Visto a correlação entre um tipo de eleitorado e um tipo de governantes ser muito estreita.
  • Vinicius  12/07/2016 18:41
    Fechou o tópico, enquanto no Brasil as pessoas cultivarem essa cultura esquerdista de pior nível, ficaremos refém de todo tipo de atrocidades que está acontecendo.
  • Henrique Zucatelli  12/07/2016 17:46
    Indo do melhor ao pior:

    1- Micro Estados Privados monocráticos onde seus proprietários estabelecem as leis e zelam por elas, alugando as mesmas a quem se interessar. (Anarquismo de Livre Mercado).

    2- Pequenos Estados Monocráticos onde as elites naturais são responsáveis por manter as poucas e simples leis efetivas (Rule of Law), com a possibilidade da votação de alguns aspectos menores por plesbicito (Liberalismo Clássico).

    3- Médios e grandes Estados democráticos com constituições simples e leis pétreas para aspectos básicos, como moeda, onde os burocratas são responsáveis pela gestão da segurança e soberania (Minarquismo).

    4- Grandes Estados democráticos com constituições complexas e que mudam ao sabor do momento, com burocratas intervindo em todos os aspectos da sociedade (Neoliberalismo a Social Democracia).

    5- Grandes Estados totalitários baseados na burocracia, onde os burocratas controlam cada aspecto da sociedade, impondo até mesmo hábitos simples, como comer, vestir ou andar (socialismo a comunismo).
  • Livre Mercado  12/07/2016 18:09
    Então na escada de desgraça socioeconômica de 1 a 5 podemos classificar o Brasil como 4,4?
  • Henrique Zucatelli  12/07/2016 18:18
    Não tinha pensado no Brasil quando escrevi, mas com o forte behaviorismo que temos aqui acredito que estamos mais próximos do socialismo do que o liberalismo.
  • Paranaense  12/07/2016 20:29
    "1- Micro Estados Privados monocráticos onde seus proprietários estabelecem as leis e zelam por elas, alugando as mesmas a quem se interessar."
    Isso não estaria próximo do feudalismo? Nada contra se for o caso...
  • Ali Baba  13/07/2016 12:00
    Não exatamente. No feudalismo, as pessoas também são "propriedade" do senhor feudal. Há algum debate sobre isso, especialmente se o que ocorria era que as grandes distâncias efetivamente impediam que uma pessoa escolhesse outro feudo mas que elas não eram propriedade "per se" do senhor feudal. Também há que se ressaltar que, ainda que propriedade do senhor feudal, não eram escravos (eram servos).

    Feudalismo medieval é um tema muito grande para ser debatido em um comentário... O importante é que não há sentido em equiparar uma proposta contemporânea de micro-estados autônomos e com dono com o feudalismo de outrora... não com a tecnologia e com a mobilidade de que dispomos. Pense em um cantão suíço, em cidades-estado como Singapura e Hong Kong ou em pequenos reinos como Liechtenstein ou Mônaco antes de pensar em um feudo.
  • Henrique Zucatelli de Melo  13/07/2016 12:50
    Exatamente Ali Baba.
  • ANDRE LUIS  13/07/2016 13:24
    Peço desculpas pela franqueza, mas pregar o implemento de idéias liberais como essas não passa de ejaculação precoce perigosa.

    Vamos ser otimistas e imaginar que tais mini estados possam ser efetivamente construídos no Brasil. Você acha mesmo que eles sobreviveriam a 1 mês de campanhas midiáticas difamatórias arrasadoras? Basta uma sequência de caras de espanto do William Boner para que a população em massa tenha a certeza de que esta foi a pior decisão que já se tomou contra o povo, semelhante a um apocalipse nuclear ou pior. O que viria depois não seria nada bonito em termos de tirania, correto?

    Não duvido que parte dessa onda liberal que vemos hoje tenha a mão dos globalistas. Que melhor caminho para a tirania do que um experimento "fracassado" de liberdade? Olavo de carvalho vem tentando jogar a população numa aventura semelhante, mas felizmente sem sucesso. Ele mesmo que antes apontava para o caminho correto, que é consolidar as idéias liberais e ocupar espaços para depois agir politicamente, isso na época em que reinava isolado como guru da direita na grande mídia impressa. Agora prega a destituição da classe política e o "método ucraniano" de revolta popular, isso sem apoio internacional nem midiático. Parece que ele finalmente está mostrando a quem trabalha de verdade.

    Que não estejam os liberais também a serviço da tirania na sua tentativa de ejaculação precoce. Que tenham sabedoria para compreender o risco que correm e sigam por um caminho mais bem pavimentado.



  • MarcioAB  13/07/2016 14:35
    Eu sou liberal e não concordo com a classificação dada no inicio dessa sequencia, mas tudo bem ... vamos votar se for o caso.

    Acho que o grande lance do liberal é ... ser liberal. Zero doutrina. Não tem 2 "liberais" iguais. A unica forma de minimamente manter um agrupamento de liberais juntos é atraves de um mecanismo do voto (democratico ou quem sabe ponderado) onde os temas votados são basicamente não estruturais. Se um agrupamento liberal se defronta com um tema estrutural e a votação indica 50/50, grande chance desse agrupamento liberal rachar, afinal ... são livres.
    Nada impede, mais para frente, dessa posição ser revista, caso as vantagens de seguir juntos seja maior que seguir em separado, considerando que toda união tambem corresponde a perda de liberdade (assim como ganho de liberdade naturalmente).
  • Felipe  13/07/2016 14:44
    André,

    Vamos ser otimistas e imaginar que tais mini estados possam ser efetivamente construídos no Brasil. Você acha mesmo que eles sobreviveriam a 1 mês de campanhas midiáticas difamatórias arrasadoras?

    Esse seu cenário não está bem construído, já que você não detalhou como esses mini estados foram desenvolvidos.

    Para responder a sua pergunta vou me ater ao que você escreveu: Se esses mini estados surgiram no Brasil (nesse cenário hipotético) então certamente levou muito mais que 1 mês. Provavelmente sob campanha midiática difamatória dos opositores. E mesmo assim os mini estados surgiram.
    Por que iriam cair logo em seguida? Então, a resposta é: não.

    Se quer tirar conclusões a partir de um cenário hipotético, então este cenário precisa de um detalhamento um pouco maior.
  • Edujatahy  13/07/2016 16:32
    Bom ponto Felipe.
    Ora,
    É surreal a União Absolutista de Brasilia se tornar micro-estados (distritos?) de uma hora para a outra. Primeiramente a luta incorre em separar os atuais estados. Se movimentos como o Sul é meu País, São Paulo independente e Nordeste indecente ocorressem já teríamos uma mudança significativa. E duvido, e muito, que estes países quisessem voltar em um segundo momento a formar a UnIão Absolutista de Brasília novamente.
  • Andre Cavalcante  13/07/2016 17:26
    Nada, nem isso.

    O bom do governo é que ele é tão ruim que, de qualquer forma, no tempo, sempre vai cair. Não há governo algum que dure mais que algumas décadas (mesmo as ditaduras) e não há regime algum na história que tenha durado mais que alguns séculos.

    Então, cedo ou tarde tudo isso que vemos hoje vai ruir (é só uma questão de quando [posso não estar vivo :)] e não de se vai acontecer).

    Para sair do estado que estamos hoje para uma situação de microestados, basta as pessoas nas cidades ou estados se derem conta que podem tomar conta sozinhas de suas vidas ou, se muito, com governos menores. Pronto! Independência certa.

    Por exemplo, se os políticos de São Paulo deixarem de olhar para Brasília, nada que Brasília fizesse poderia fazer alguma diferença em uma eventual saída de São Paulo do Brasil. Isso porque os militares de São Paulo seriam mais que suficientes para barrar uma eventual aventura militar de Brasília e, claro, haveria muitos outros países que certamente reconheceriam quase de imediato a secessão de São Paulo.

    Mas não precisaria nem isso, só um novo "pacto federativo", mas realmente com cara de federação já seria suficiente para se formar uma nova mentalidade.

    Porque isso não acontece agora? Essa é a pergunta chave! Resposta nem um pouco politicamente correta: É porque os políticos de São Paulo não olham para São Paulo, olham para Brasília! - isso sim é que é ganância!


  • Edujatahy  13/07/2016 17:29
    apenas corrigindo.
    * indecente = independente
  • ANDRE LUIS  13/07/2016 17:12
    Isso, obrigado por chamar atenção para esse detalhe.

    Alguns Liberais querem colocar a carroça na frente dos bois pregando insurreição civil para poder exercer sua liberdade. Caso os mini-estados sejam criados a revelia do poder instituído, isto é, por meio de "destituição da classe política ou método ucraniano", esta iniciativa pode ser usada como trampolim para uma ditadura, com ajuda da mídia e establishment educacional.

    Para isso não acontecer, deve-se ter antes uma classe intelectual com formação liberal sólida, e sua influência deve estar capilarizada por toda a sociedade, sobretudo na mídia. Somente assim podem surgir vozes capazes de defender o arranjo dos mini-estados.

    Concluindo: Liberdade efetiva e duradoura não se faz sem um povo livre, ou mesmo capaz de compreendê-la e defendê-la. Caso contrário as iniciativas podem sim virar trampolim de ditadura.

    Afinal, caso uma ditadura seja implementada após a "ameaça terrível dos mini-estados contra a soberania nacional", seria lícito dizer que a iniciativa de liberais despreparados acabou por viabilizá-la?
  • Marcos  12/07/2016 18:59
    No âmbito da democracia, isso que foi descrito é conhecido como o fenômeno da ignorância racional dos eleitores, fenômeno esse que tende a ser intensificado à medida que o voto de um especialista no assunto sendo votado tem absolutamente o mesmo peso que o voto de um não-especialista — por exemplo, o meu voto em relação a uma matéria de desenho urbanístico vale o mesmo que o de um arquiteto.

    Em se tratando de determinados "especialistas" e "intelectuais", às vezes, quanto mais "iniciado", pior, vide os Santos Oscar Niemeyer, Paulo Freire e por aí vaí.

    Em uma votação "democrática", ainda bem que o voto desses equivalia somente a um.
  • anônimo  12/07/2016 22:14
    A democracia tem que ser limitada por uma constituição liberal. As pessoas deveriam votar apenas para decidir coisas como o nome de uma praça publica ou a empresa responsavel pela limpeza de uma praia.

  • Edimar  13/07/2016 11:48
    Aristóteles afirmou isso há mais de 2 mil anos atrás, que a democracia é um dos piores formas de governo, monarquia e aristocracia são as melhores, desde que os mesmos criem leis liberais e zelem por elas.

    A democracia é a decisão da maioria em cima de uma minoria, isso veremos em 2018, se a maioria quer que Lula volte, ele voltará: decisão da maioria.
  • Nill  13/07/2016 15:08
    Por favor alguém me responda a essa pergunta.Como um povo(coletivo) constituído por pessoas (individual) egoístas,idolatras,ignorantes,aproveitadoras,arrogantes vai eleger um governo de governantes justos,honestos,austeros,humildes,etc ?

    Existe alguma maneira para fazer um povo deste tipo eleger um Governo sério,honrado,eficaz,justo ?

    Visto a correlação entre um tipo de eleitorado e um tipo de governantes ser muito estreita. Tem alguma maneira de acabar com esta correlação ?

    Edimar! Disse "A democracia é a decisão da maioria em cima de uma minoria, isso veremos em 2018, se a maioria quer que Lula volte, ele voltará: decisão da maioria."

    Existe uma maneira de Lula não ser eleito em 2018 se a maioria do eleitorado quiser votar nele ?

    Claro ! Isto se Lula não estiver preso por corrupção em 2018,se contra tudo que fez ainda conseguir a incrível façanha de sair impune e ainda se dar bem . O que seria fantástico.

    Quero ver se alguém me responde positivamente,pois muitos estão com ilusões de que isto,aquilo, resolve o problema. Um abraço a todos .
  • saoPaulo  15/07/2016 11:31
    Vide saoPaulo 14/07/2016 11:33:52
  • Leandro Campos  13/07/2016 16:21
    Por isso que digo, ditadura já! (a minha)
  • saoPaulo  14/07/2016 11:33
    Existe alguma maneira para fazer um povo deste tipo eleger um Governo sério,honrado,eficaz,justo ?
    Creio que seja ainda pior que isto. Na realidade, independentemente da qualidade do povo, os piores sempre serão aqueles com o maior incentivo para procurarem poder estatal. Mesmo que pessoas honestas venham a ocupar posições de poder, o poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente. Pegue qualquer país e compare a moralidade de seus governantes com a moralidade dos governados, ouso afirmar que a dos primeiros é muito pior.
  • Leandro Campos  15/07/2016 00:37
    O poder corrompe, mas falta um acréscimo, o poder corrompe quem quer ser corrompido.
    Minha moralidade não mudará pelo fato de estar no poder, mudará se quiser fazer "média" com esses governados. Vale dizer também, se sua moralidade é "maleável", você provavelmente não tem princípios morais bons desde sempre
  • saoPaulo  15/07/2016 11:31
    Vide saoPaulo 15/07/2016 07:48:23
  • saoPaulo  15/07/2016 07:48
    O trollzinho ignorante, em primeiro lugar, este comentário foi dirigido ao Nill acima. Em segundo lugar, esta célebre frase nem é minha, é do historiador Lord Acton. Por último, por acaso você me conhece para afirmar alguma merda sobre meus princípios morais, seu imbecil? Já estou cansado de debater com esquerdista retardado que apenas troca insultos em vez de argumentos. E antes que venha escrever merda, não, não estou te chamando de esquerdista.

    "Power tends to corrupt and absolute power corrupts absolutely. Great men are almost always bad men."
    history.hanover.edu/courses/excerpts/165acton.html

    Vai dizer agora que Lord Acton, católico praticante, não tinha princípios morais bons? Ele foi um dos primeiros a afirmar que a cultura cristã contribuiu mais para o conceito de liberdade que a greco-romana. Mas, claro, ele tinha uma moral maleável. Quem entende mesmo de História e cristianismo, e tem uma moralidade impecável é o Leandro Campos...
    [www.mises.org.br/Article.aspx?id=781]Liberalismo e cristianismo[/link]

    E as palavras do sábio historiador já foram confirmadas tanto historicamente quanto em laboratório. Quanto mais poder uma pessoa tem, mais ela será corrompida, seja por usá-lo em benefício próprio em detrimento dos outros, seja por usá-lo para impor violentamente sua visão de mundo.
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Maximilien_de_Robespierre
    www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1048984314000800

    Há notáveis excessões à regra? Claro! Mas isto em nada prova que apenas os de "moralidade maleável" se corrompem. Por isso é que existe o conceito de divisão de poderes, pois o poder absoluto corrompe absolutamente. Por isso, também, o liberalismo prega a descentralização de poder, pois quanto menos poder nas mãos dos governantes, melhor.

    Mas claro, aposto que o Leandro Campos conhece aquele político incorruptível, que jamais usaria indevidamente o poder a ele concedido. Talvez o Leandro Campos seja, ele mesmo, este político incorruptível.

    Decepcionante alguém neste site que não conheça Lord Acton. Desça do salto alto e vá ler mais, caro Leandro Campos.
  • Leandro Campos  16/07/2016 23:34
    Rapaz! quanta educação, parabéns você mostrou muitos princípios morais, quais nem vou falar para não ser chamado de troll mais uma vez rss.
    Em nenhuma momento discordei de você, em segundo eu nem falei de você. Se controle um pouco, eu que desejo a ditadura e você que está parecendo o ditador

    Nem disse que a frase de Lord Acton está errada ou que foi você que resolveu criar a frase, nem eu no meu "salto alto" disse a verdade absoluta, apenas fiz um acréscimo e sim, também está correta. Se pegar a frase que o poder corrompe, então um LORD estaria falando que ele próprio era corrupto? Não precisa responder

    Desculpe se não percebi que a resposta era para outra pessoa, afinal tem o botão responder ao comentário daquela pessoa específica, mas beleza, erros acontecem
  • saoPaulo  17/07/2016 20:46
    Obrigado pela resposta cordial e me desculpe por possíveis excessos, apenas estava um tanto estressado de algumas discussões com esquerdistas.

    Rapaz! quanta educação, parabéns você mostrou muitos princípios morais, quais nem vou falar para não ser chamado de troll mais uma vez rss.
    Pois bem, como não me conhece para afirmar qualquer coisa sobre mim, vou deixar esta provocação passar...

    Em nenhuma momento discordei de você, em segundo eu nem falei de você. Se controle um pouco, eu que desejo a ditadura e você que está parecendo o ditador
    Do seu comentário anterior:
    Vale dizer também, se sua moralidade é "maleável", você provavelmente não tem princípios morais bons desde sempre
    Suponho então que Português não seja seu idioma nativo. Deixe-me te explicar: "você" quer dizer "you", "du", "usted", "vous".

    Se pegar a frase que o poder corrompe, então um LORD estaria falando que ele próprio era corrupto?
    Você nem leu o texto que passei no link, não é...?
    Sim, um LORD disse que "o poder tende a corromper e que o poder absoluto corrompe absolutamente." Clique no link que te passei, copie o texto, cole no tradutor do google e veja por si mesmo.
  • Leandro Campos  18/07/2016 07:14
    Obrigado por dizer que quando você for "excessivo" é porque está estressado, assim tudo se torna mais aceitável.

    Pois bem, como não me conhece para afirmar qualquer coisa sobre mim, vou deixar esta provocação passar...

    Provocação? Penso que o modo como me apresento para outras pessoas na realidade, deva ser igual na virtual, se consegue ser duas pessoas diferentes, lamento.

    Suponho então que Português não seja seu idioma nativo. Deixe-me te explicar: "você" quer dizer "you", "du", "usted", "vous".

    Rss Será que devo me estressar agora? Meu português pode ser ruim, mas acho que você não está tão longe assim. Pegando meu comentário anterior, você isola a frase e passa a entender que o você na frase se refere a sua pessoa. Esquece o restante do comentário e, principalmente, o seu primeiro comentário (o escrito para o nill) onde fala de governantes. Ainda que fosse eu falando especificamente de você, não fiz uma afirmação, a palavra SE deixa claro que é algo hipotético

    Nem teria como dizer que sua moralidade é maleável, não te conheço e você nem tinha expressado qualquer comportamento para ter o mínimo de juízo sobre você . Tanto é verdade, que você mesmo fala que vai deixar a provocação passar por eu não te conhecer (apesar de não tê-lo provocado).

    Você nem leu o texto que passei no link, não é...?
    Sim, um LORD disse que "o poder tende a corromper e que o poder absoluto corrompe absolutamente." Clique no link que te passei, copie o texto, cole no tradutor do google e veja por si mesmo.


    Realmente, eu não li o link, o problema é que novamente você não entendeu o que quis dizer. O problema não está na frase ou o link que passou falando do papado

    Bom, melhor parar para não ficar em uma discussão sem sentido onde se perdeu o foco. Espero que meu português tenha melhorado, afinal não é minha língua nativa. rss
  • anônima das sextas  16/07/2016 02:05
    Ótimo artigo! Sempre venho elogiar a escolha dos artigos deste autor, pois admiro a sua crítica ferrenha ao esquerdismo, bem como seu raciocínio lógico irretocável. Concordo plenamente com o que o autor defende. Acredito que a defesa ferrenha da democracia é o preço que pagamos por termos popularizado a palavra sem o mínimo de análise histórica. O que vemos por aí é uma análise maniqueísta e rasa do assunto (Se você é contra a democracia, é a favor da ditadura).

    E lembro-me de algumas conversas que tive a respeito da obrigatoriedade do voto, mais especificamente a punição que levamos por exercermos nossa liberdade de escolha e não querer compactuar com esse sistema. De ser cidadão de segunda classe a ir para o inferno (sim, em minha religião ex-oficial do Estado, não ir votar é pecado grave)! Se o voto é algo sacrossanto, a festa da democracia e nosso maior protesto contra o sistema vigente, nem quero saber das outras opções...

    Em tempo: Comecei há pouco a ler o livro "Los Errores de la Vieja Economía", e recomendo a todos os que desejam ser descontaminados pela economia dos "especialistas" que normalmente habitam artigos de jornais e emissoras de TV por assinatura. E para os que se interessam pelo tema de Liberdade e Cristianismo, procurem no Amazon pelo livro "One and Indivisible". Tem um capítulo muito bom falando de Cristianismo e Estatismo, guarda uma leve relação com o tema democracia.
  • Andre Cavalcante  16/07/2016 23:49
    Ao MarcioAB 15/07/2016 23:11:50


    "Sobre o NDA: Como mencionei no primeiro post, não consigo entender um individuo se considerando liberal e tendo QUALQUER restrição ao NDA. NDA deveria se o mais basico requerimento para qualquer um que se considere liberal.
    Mas entendo que não é, por isso minha duvida."

    Democracia é antônimo de liberdade. Antes de mais nada democracia é apenas um jeito da maioria decidir sobre todo um coletivo, passando por cima, é claro, da liberdade individual. Mais uma vez democracia não é liberdade. Então, com NDA ou não, democracia é contrário ao PNA, portanto é contrário ao pensamento libertário.


    "Sobre os cenarios: São (naturalmente) apenas simbolicos, ilustrativos. Podemos imaginar 3 tipos de cenarios:

    Tipo 1: Representam de um lado 10 caras (a principio 100% independentes) e de outro lado algo que justifique um esforço coletivo por parte desses elementos. Outro ponto que procurarei excluir de todos os cenarios foi o estado.
    A principio imaginei um poço (coletivo), mas poderia ser uma antena de TV (coletiva), ou um banheiro (coletivo) ou uma vigilancia (coletiva), ou qualquer coisa que represente um interesse comum dos 10 caras que juntar forças faça sentido."

    Sem o estado este teu cenário se resolve facilmente com respeito à propriedade privada. Não há necessidade de democracia ou votação ou qualquer tipo de decisão coletiva, pois qualquer um, alguns ou todos tem a liberdade de empreender um poço (coletivo ou não), banheiro (coletivo ou não), vigilância (coletiva ou não) etc.


    "Tipo 2: Se eventualmente se passarem 100 anos e os 10 caras vivam la sem ter surgido nenhuma ideia ou necessidade de embarcar em um esforço coletivo, EXCELENTE. (mas no cenario que propus, isso não ocorre)."

    "Tipo 3: Entendo que tambem existe os cenarios onde ha colaboração entre os 10 caras se da atraves do mercado tradicional. EXCELENTE também."


    Tipos 2 e 3 são o mesmo. Novamente, no cenário que você propôs, originalmente, o do poço, criei uma maneira, sem nenhuma "decisão coletiva" que resolve o problema. Fiz o que se chama de contraprova (falsifiquei a sua conclusão, dando uma novo caminho de solução por uma nova abordagem ao problema). Cabe a você agora, mostrar que esta minha contraprova é logicamente falsa (já te adianto que não vais conseguir, mas tente!).


    "Deve haver outros tipos, mas esses 3 ja da uma boa ideia.

    O cenario que estou buscando para falar da importancia do voto é um cenario do Tipo 1."

    Novamente, não seria necessário.

    "Cotas de participação: É uma variação (complicação) no cenario. No cenario, simples, os 10 caras simplesmente começam a cavar, um pouco cada um. Sem contrato, sem quotas. Cenario bem simples."

    Uai, você faz isso todos os dias, e acha que é uma complicação do cenário? Você vai com sua esposa jantar com uns amigos (e suas esposas). Na hora de pagar a conta como se faz? Resposta: cotas de acordo com os pagantes (assumindo que as esposas não pagam, ou se pagam, a grana sai da renda familiar, o que dá quase no mesmo). Cada um paga o seu, ou se pega a conta e divide pela quantidade de pessoas e cada qual paga uma parte (uma cota). É tão natural que a gente nem se percebe que é esse o tipo de relação que se assume.

    Já começar a cavar assim do nada é que não é natural. O mínimo de ordenação se espera em uma empreitada onde se tem construção civil. Este seu cenário é mais utópico. Se você propusesse um cenário tipo mutirão, seria mais natural. E, de novo, num mutirão, alguns entram com trabalho, outros com material, outros com dinheiro etc. (essas coisas são simplesmente cotas, só que no mutirão, em geral, o que há é caridade, outra alternativa para a construção do poço [ou qualquer outra coisa que se deseje "coletiva"] também viável e muito utilizada).


    "Esse cenarios tambem não tem dinheiro. Ninguem tem que pagar nada. A agua não entra no cenario. O cenario é apenas um poço. Um simples poço coletivo. Poderia ser um simples buraco coletivo (quem sabe uma cova coletiva)."

    Dá no mesmo. Porque não se faz simplesmente um mutirão? Ou porque um grupo não faz e vende o seu produto para os demais? Ou um grupo faz e doa (caridade) o resultado de seu esforço para todos? É assim tão difícil de entender isso?



    "Nada impede que um cara se apodere desse "espacinho livre": Com certeza. Mas esse é outro cenario mais violento onde nada impede que os outros 9 (em conjunto) não matem esse que se apoderou do "espacinho"."

    Ei, você que criou o "espacinho livre". Agora você é que está mudando as premissas e os os argumentos. Tá inserindo violência no cenário. Cenário com violência ou possibilidade de violência é outro cenário. As premissas do meu pensamento sempre foram propriedade privada e princípio da não agressão. Favor ater-se ao que foi colocado no início, senão não há discussão que possa prosseguir com esse tipo de andamento...


    "Se eventualmente passarmos por essa parte dos cenarios e concordarmos em usar um cenario Tipo 1, ai podemos eventualmente chegar no enrosco do dilema do poço quadrado ou redondo, que seria resolvido por votação simples."

    Novamente, nenhuma votação é necessária. Veja bem, o grupo pode se reunir e decidir por voto. É uma alternativa, entretanto, a questão inicial se mantém. A democracia não é necessária quando se tem liberdade. Esse é o ponto!


    "O meu ponto é que essa votação é NÃO ESTRUTURAL, ou seja, qualquer que seja o resultado dessa votação, isso não vai rachar o esforço comum."

    Votação sempre quebra o esforço comum. Ora você só vota se não há consenso. Se há consenso nenhuma votação é necessária. Se não há consenso, uma abordagem livre é moralmente preferível do que a democracia.


    "Se fosse uma votação ESTRUTURAL, ou seja, a forma quadrada ou redonda do poço significa uma diferença estrutural insuperavel e se a votação terminasse 50/50 então a união iria terminar, teriamos 2 grupos de 5 caras cada grupo e cada grupo iria encontrar um "espacinho livre" e iriam cavar. Essa questão ESTRURUAL da forma do poço ja não mais iria sugir, mas iriam surgir novos dilemas os quais seriam resolvidos por voto. Porem antes de iniciar a votação o grupo iria dizer: Vamos la, vamos votar um assunto NÃO ESTRUTURAL, ou seja, todos saberiam que qualquer que seja o resultado o grupo não iria rachar. Se fosse uma votação ESTRUTURAL, o grupo ja sabia que se terminar proximo de 50/50, vai rachar."

    Chamar coelho de abelha não vai alterar a essência da democracia: uma forma de resolver uma falta de consenso, ou ainda, uma forma de saber a vontade da maioria, e assumir que a vontade da maioria vale para o todo, o que, obviamente é moralmente ruim.

    Cabe a você mostrar que a maioria decidindo por uma minoria é um ato moralmente aceitável.


  • MarcioAB  18/07/2016 01:25
    @ Andre Cavalcante 16/07/2016 23:49:20

    Questão: É aceitavel que a vontade da maioria prevaleça sobre a vontade de uma minoria ?

    Eu aceito, porem estou propondo "melhorias". Eu aceito (mesmo sem essas "melhorias") porque entendo que o voto democratico é o melhor (menos pior) sistema para resolver a falta de consenso.

    Entendo que voce prefere uma "abordagem livre" embora eu não tenha entendido como uma falta de consenso seria resolvida por uma "abordagem livre".

    A minha ideia era montar um cenario simples para mostrar as "melhorias" que eu estou propondo para a democracia.

    O cenario passaria OBRIGATORIAMENTE por um grupo colaborando (expontaneamente) em direção a um objetivo comum (cavar um buraco) e se deparando logo no inicio com uma falta de consenso e usando o voto democratico para resolver essa falta de consenso. A partir desse ponto é que eu entraria nas "melhorias", onde voce menciona que chamar "coelho de abelha" não vai adiantar.

    Ou seja, entendo que voce não esta interessado em trocar ideias sobre essas "melhorias" uma vez que voce não aceita de cara e de forma alguma a existencia de um cenario com o grupo colaborando (expontaneamente e sem o envolvimento de dinheiro ou algum tipo de mercantilismo) em direção a um objetivo comum. (podemos chamar essa colaboração de mutirão se ajudar).

    Aceitar esse cenario simples é condição basica para introduzir sobre ele uma falta de consenso e a partir dai trocar ideias sobre como essa falta de consenso poderia ser resolvida (1) por uma "abordagem livre", (2) por voto democratico e na sequencia as tais "melhorias" (coelhos e abelhas).

    Mas se o cenario simples não é aceito (ou não faz sentido), tambem não faz sentido utiliza-lo para a parte que efetivamente seria ... mais interessante.

    OBS: O ponto sobre o PNA é fundamental. As "melhorias" necessariamente se apoiam sobre o PNA.
  • Andre Cavalcante  18/07/2016 20:35
    MarcioAB,

    PNA é o princípio de não agressão - significa que eu não posso iniciar agressão contra ninguém inocente. O único momento em que a agressão contra alguém é válida é quando este alguém deixa de ser inocente, isto é, quando ele inicia a agressão, então é válido que eu use de violência para me defender da agressão! Ponto.

    Libertarianismo é simplesmente aceitar este princípio nos fatos da vida: não posso agredir ninguém quando este alguém está inocente.

    Une-se essa PNA e o direito à propriedade privada (PP), então você tem a solução pacífica para todos os conflitos.

    No caso de se usar PNA e PP simplesmente não há espaço para democracia, simplesmente porque democracia viola a PNA, portanto não é liberdade.

    A sua proposta de NDA (nenhuma da alternativas) para o voto democrático é boa! Já disse isso lá atrás. Agora a democracia, seja representativa, seja direta, com NDA ou sem NDA, com voto branco e nulo ou sem voto branco ou nulo, simplesmente é antônimo de liberdade.

    E viola, porque a maioria não pode decidir em me prejudicar de nenhuma forma. O que vale para um indivíduo deve valer para um grupo de indivíduos. "Se eu quero fazer um poço quadrado na minha terra, ninguém tem nada a ver com isso." E não é porque seja uma decisão do grupo de fazer redondo, que vai mudar a minha decisão de fazer quadrado. Se o grupo "impor" o seu desejo, como é o caso da votação (veja bem, tem que ser assim, se não, não haveria necessidade da votação), então há agressão da maioria para o indivíduo, logo, violação da PNA. E não adianta criar espantalhos e ficar mudando o cenário ou os argumentos. Se isso, se aquilo, se aquiloutro... (se o poço não for feito na minha terra..., dei exemplo de poço, mas poderia ser outra coisa..., etc.). Note que esses conflitos são simplesmente resolvidos com o conceito de propriedade privada.

    Qualquer coisa fora desse entendimento é gastar tempo no teclado do computador.

    Se continuares nesta linha vais mostrar a todos que não és mais que um troll. Diga exatamente o seu ponto. E não, não quero discutir "melhorias" de nada. Fui bastante claro nos meus. E até agora não há uma única argumentação contrária a eles.


    Até +


  • MarcioAB  18/07/2016 23:38
    Ok, faz sentido, vou considerar.

    Ate+
  • O MESMO de SEMPRE  23/07/2016 12:33

    André Cavalcante

    FOSTE PERFEITO!


    Estou aplaudindo de pé e dando "urras"

    Um show na exposição de argumentos. Fiquei empolgado com a clareza insofismável.
    ...e torço para que muitos Andrés surjam, para que debates sejam úteis e honestos.
  • Emerson Luis  04/09/2016 19:04

    "Em suma, as decisões democráticas podem se equivocar por falta de informação dos eleitores, pelo viés sistemático deles, pela arbitrariedade do método de agregação de preferências individuais, e por uma inadequada teoria ética subjacente."

    "Nenhum arranjo democrático pode existir se uma grande parcela dos eleitores está na folha de pagamento do governo (funcionários públicos e pessoas que recebem políticas assistenciais) ou recebe privilégios do governo (empresários beneficiados por subsídios ou cartelizados por agências governamentais ou protegidos por tarifas de importação)."

    Cada vez mais desconfio que Mises foi um viajante do tempo que veio do futuro.

    * * *


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