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Como é empreender no Brasil

Na sua luta para abrir uma empresa, você teve de esperar 107 dias para conseguir esta façanha.

Após abri-la, teve de contratar um contador, pois pagar impostos por aqui requer 2.600 horas apenas para preencher formulários, mais do que o dobro do segundo colocado, a Bolívia.

Se você conseguiu legalizar a empresa, é hora de contratar os funcionários. Não espere qualquer qualificação. Em alguns casos, até 75% das vagas formais deixam de ser preenchidas, pois os funcionários não possuem qualquer qualificação para o trabalho.

Se contratar pessoas não esta fácil, que tal importar máquinas? Boa sorte com nossos impostos de importação, que chegam a ser maiores que os da União Soviética em 1980. Por aqui, em relação ao PIB, importamos e exportamos menos do que em Cuba, país que vive um bloqueio econômico.

Imposto, aliás, é nossa especialidade. Para empregar alguém, você terá de pagar 103% do seu salário em impostos e outros encargos trabalhistas. Coisas como imposto sindical ou contribuição para a reforma agrária são comuns.

Não é mera coincidência que tenhamos por aqui a maior carga tributária do planeta dentre os países de renda média e o pior retorno dos impostos dentre 25 países pesquisados. Quer saber onde isso impacta?  Nosso sistema de saúde do mundo está em último lugar em ranking mundial (em uma lista que analisou 48 países), a segunda pior previdência do mundo e o segundo país com pior nível de aprendizado (entre 64 analisados) — justamente aquilo que deveria impedir que você recusasse um emprego por não possuir "qualificação"

Nossa pobreza, ou "falta de riqueza", não é uma questão de falta de vontade política ou de votarmos em pessoas erradas, mas uma mera consequência da baixa produtividade do trabalhador brasileiro, que, preso em tamanha burocracia, não encontra tempo nem espaço para produzir.


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SOBRE O AUTOR

Felippe Hermes
é fundador e articulista do site Spotniks.




O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Paganella   05/07/2016 01:14
    Aí vem o Estado gigante e oferece vagas no serviço público com salários muito acima da média nacional... é pra acabar mesmo com o setor produtivo.
  • Leonardo Celli Coelho  05/07/2016 01:15
    Pois é... E eu que já fiz a besteira de dar baixa em um CNPJ. Nunca mais faço isso.

    Ter um CNPJ não é para qualquer um. Dar baixa menos ainda.
  • Edson Rocha   05/07/2016 01:16
    Se concordamos que um maior imposto sobre cigarro de certa forma desestimula o seu consumo, e se concordamos que a burocracia para se conseguir uma arma de fogo desestimula a sua venda, por que esquecemos dessas mesmas premissas quando o assunto é emprego?
    Afinal quando o governo coloca tanto impostos altos quanto burocracia para se empreender, por que se esperaria resultados diferentes?
  • Capital Imoral  05/07/2016 02:24
    Deveriam estar gratos, por ainda ter a permissão de cometer o crime de lucrar.

    Não há crime maior do que o lucro. Acha que nosso imposto é alto? o que é o imposto perto do crime do lucro? não da para comparar.

    Que fique claro.

    Lucro: Um crime contra o ser humano.
    Imposto: Uma medida para aliviar as consequências do crime do lucro.


    Vendo por esse lado, acho que nosso imposto ainda é pequeno. Helio beltrião precisa pagar mais.

    Vai cometer o crime de vender um curso meia boca por 11 mil reais? ok, mas vai pagar, pelo seu crime. acho pouco!
  • Diego  05/07/2016 12:28
    Kkkkkkkkkkkkkk
    A melhor resposta para Capital Imoral é a risada! Escreveu muito para mostrar que sabe tão pouco! Gostei viu! Continue pq estou precisando realmente rir!
  • anônimo  05/07/2016 12:31
    Não sei porque ainda liberam esse tipo de comentário.
  • Pobre Paulista  05/07/2016 14:01
    Falando nisso, vai abrir outra turma? Eu estou no aguardo. E pagaria tranquilamente 11.000 por essa qualificação meia boca.
  • Nelson  07/11/2016 16:35
    Lula é você? Está escrevendo de Atibaia ou do triplex?
    Enriquecer trabalhando é crime, né? Mas roubar pra ficar milionário não.
  • Halvorsen  05/07/2016 18:13
    Não é a toa que nosso país é tão medíocre atualmente.

    Aqui no BR não há o menor incentivo para empreender,lamentável.
  • Pessimista  05/07/2016 18:30
    Aqui empreender é feio, bonito é ser funcionário público.
  • Bode  06/07/2016 00:52
    Ainda não cheguei a conclusão, mas deve ser por causa da dificuldade de empreender no nosso país que eu me tornei um funcionário público bem remunerado e rentista. Lamentável.
  • Catarinense  07/07/2016 17:14
    Obrigado por contribuir para a situação atual. De fato, é mais fácil somente seguir as ordens como guarda do campo de concentração do que ajudar os prisioneiros a escaparem.

    Só não entendi o que o "rentismo" tem a ver.
  • Catarinense  07/07/2016 17:10
    107 dias para abrir? Teve sorte que não precisou regularizar nada. No meu caso foram mais de 6 meses, entre vistoria dos bombeiros, habite-se, obtenção do cnpj, inscrição municipal...

    Que dor de cabeça só de relembrar...
  • Pernambucano  14/07/2016 15:44
    107 dais para abrir?? No meu caso foram 7 meses (209 dias pra ser mais exato), coloca aí no pacote... bombeiros, secretaria do meio ambiente, alvará, abertura do cnpj, inscrição, inscrição no conselho regional e o pior de todos, ANVISA, que juntando todos os de cima não deu a metade da dor de cabeça, revolta e perda de tempo que essa Agencia Nacional de Vigaristas Solapadores e Acéfalos criaram (E vão continuar criando).
  • Rodolpho Campos  09/08/2016 03:01
    Não é à toa que mais de 90% das empresas quebram antes de completar 2 anos de vida. E pelo mesmo motivo existem tantas empresas brasileiras que continuam a funcionar de forma irregular.

    O sistema imposto no Brasil não ajuda às mentes que pensam fora do padrão de ser empregados, trabalhar duro e pagar contas, vide Pai Rico Pai Pobre (Robert Kiosaki). O fato é que temos um aglomerado de corrupção que se tornou em um sistema que impede o crescimento financeiro dos menos favorecidos financeiramente.

    Como visto no artigo, são muitos requisitos, taxas, impostos, contratações e aquisições que oneram demais a constituição de qualquer projeto de empresa, corroendo qualquer caixa que passe pela frente. As que conseguem se manter vivas são as fundadas por empresários que já estão em posição financeira favorável e muitas vezes também política, fato que é muito provável aos mais abastados.

    Sempre gosto de sugerir alternativas quando falo sobre empreendedorismo. Existem muitas, marketing multinível, mercado de ações, imobiliário... Mas atualmente tenho estudado bastante a respeito de internet marketing e estou em constante busca por informação.

    O último treinamento que encontrei nesta área e recomendo fortemente é o Curso Viver Melhor Agora da Karyne Otto. Vou deixar o link no final deste comentário. Espero que ajude.

    Grande Abraço!

    http:www.querovivermelhoragora.com

  • Rogerio Faria  19/08/2016 07:25
    Perfeito o artigo. Faltou apenas incluir entre as nossas mazelas tupiniquins, o atendimento na porta das empresas dos "fiscais do Estado".
    A maioria destes seres (federais, estaduais e municipais) vão às Empresas, não para fiscalizar, mas para acharcar. Corruptos e imorais, verdadeiros excrementos de um Estado que sofre de uma verdadeira patologia moral: a corrupção.
  • Ben Popov  30/08/2016 17:47
    Empreender no Brasil não eh nada fácil, mais não existe nada mais gratificante que ganhar dinheiro fazendo o que você ama! Trabalho como empreendedor de marketing digital já 16 anos e não troco por nada! Sucesso a todos!
  • Ricardo  27/09/2016 00:27
    No Brasil o empreendedor, é acima de tudo um guerreiro, um País que cobra um absurdo de impostos, como bem escrito a nossa especialidade, chega ser revoltante.
    Por isso que o brasileiro tem que rebolar muito para ter algo na vida, muitos vão tentar uma renda extra de forma informal mesmo para sair de tanta burocracia, nesse site tem algumas dicas de como você conseguir uma renda extra tendo seu próprio negócio paraoalto.com/preciso-de-uma-renda-extra.html


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