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Na questão do “Brexit”, tanto os defensores da “saída” quanto os da “permanência” deveriam relaxar

Durante a Primeira Guerra Mundial, a Marinha Real da Inglaterra impôs um bloqueio à Alemanha na esperança de frustrar o comércio entre a Alemanha e os EUA.  Ato contínuo, as exportações dos EUA para a Alemanha desabaram. 

Porém, do nada, as exportações americanas para a Suécia e demais países escandinavos aumentaram acentuadamente.  Moral da história: o comércio entre os EUA e a Alemanha continuou normalmente, mas agora via países escandinavos.

Na década de 1970, todos os países não-árabes da OPEP impuseram um "embargo do petróleo" aos Estados Unidos.  À época, o preço em dólar do barril de petróleo explodiu, embora por outras razões (commodities são precificadas em dólar, e o poder de compra do dólar, à época, estava em queda livre), mas o fato é que as importações de petróleo pelos EUA na verdade aumentaram após o "embargo".  O que explica essa aparente contradição?  Ao passo que alguns membros da OPEP optaram por não vender petróleo diretamente para os EUA, eles não tinham como controlar o destino final do petróleo que vendiam para todos os outros países.  E estes revendiam para os EUA.

Conclusão: se produzimos algo, o fazemos com o intuito de transacionar com terceiros, independentemente de sanções, bloqueios, embargos simbólicos e, sim, uniões de países.

Os exemplos acima valem ser relembrados por causa de toda a histeria que está acometendo os partidários do "permanecer" no referendo que ocorrerá amanhã e que definirá se o Reino Unido deve permanecer ou sair da União Europeia.  Supondo que os eleitores britânicos optem por sair da União Europeia, isso não acarretará uma repentina interrupção do comércio entre os indivíduos na União Europeia e os indivíduos do Reino Unido. 

O comércio é o propósito supremo do nosso trabalho; trabalhamos e produzimos para poder adquirir bens e serviços; e dado que a Inglaterra é um dos países mais prósperos do mundo, é tolice acreditar que os produtores e exportadores da União Europeia abrirão mão de seus consumidores do Reino Unido.  Igualmente, os países da União Europeia são similarmente prósperos e continuarão sendo um mercado atrativo para as empresas do Reino Unido.  Nenhum dos lados abrirá mão de suas relações comerciais.

No que tange a investimentos, um recente artigo do The New York Times sugeriu que uma diminuição no número de IPOs (empresas abrindo capital na bolsa de valores) na bolsa de Londres se deve à incerteza quanto ao voto do Brexit.  Esse é um daqueles casos em que correlação não implica causalidade.  Os EUA não fazem parte da União Europeia, mas a taxa de IPOs no país também diminuiu.  Inúmeros fatores podem estar reduzindo os IPOs na Europa.  O que é improvável é que a incerteza quanto ao Brexit tenha algo a ver com isso.

E o motivo é que, assim como o comércio entre o Reino Unido e a União Europeia continuará independentemente do resultado do referendo de quinta-feira, também os fluxos de investimento continuarão inalterados.  Os EUA não fazem parte da UE, tampouco sua moeda é a libra ou o euro, mas os fluxos de investimento do Reino Unido para os EUA são maiores do que os de qualquer outro país.  O investimento sempre migra para onde ele é bem recebido e bem tratado, e isso não mudará caso os eleitores britânicos optem por deixar a UE. 

Tanto o Reino Unido quanto a União Europeia continuarão sendo destinos atrativos para investimentos, independentemente de qual seja o resultado de 23 de junho.  E, dado que eles continuarão sendo atrativos, é seguro dizer que os investimentos entre os agora divorciados não irão acabar.

Falando mais amplamente, Londres continuará sendo um dos principais centros financeiros do mundo, não importa o que aconteça amanhã.  Consequentemente, os bancos de investimento do Reino Unido continuarão atendendo aos interesses dos atuais e futuros empreendimentos da União Europeia.  Os principais negócios sediados na União Europeia não irão abrir mão da expertise financeira oferecida pela City londrina por causa de uma votação.

Alguns negócios serão negativamente afetados pela saída?  Sem dúvidas.  Assim como alguns contadores perderiam seus empregos caso os governos facilitassem os códigos tributários, certamente há consultores no Reino Unido que perderão seus empregos caso as empresas britânicas não mais tenham de cumprir com as intrincadas regulamentações impostas pela União Europeia.  E certamente há lobistas britânicos que hoje ganham muito dinheiro por causa de sua habilidade em influenciar as decisões dos burocratas de Bruxelas.  Essas pessoas seriam, no curto prazo, prejudicadas.  Mas, obviamente, não é função dos cidadãos britânicos manter esses empregos artificiais. 

Além do mais, uma saída do Reino Unido não significa que as empresas do Reino Unido que queiram continuar servindo a clientes europeus estarão isentas de cumprir com as regulamentações da UE.  Consequentemente, vários "facilitadores" manterão seus empregos.

Pensando nisso, uma das principais motivações dos defensores da saída do Reino Unido é o desejo ardente de se livrar do crescente aparato regulatório que emana de Bruxelas.  Sair da UE pode significar, em grande parte, o fim de todas as legislações e regulamentações impingidas ao Reino Unido pelo estamento burocrático da União Europeia.  Isso é sempre bom.  Qualquer voto em prol do encolhimento do poder governamental é sempre um bom voto. 

No entanto, sejamos sensatos aqui.  Uma eventual decisão dos eleitores britânicos de se retirar da UE não necessariamente significa uma renascente e ardorosa paixão entre os britânicos por um governo altamente limitado e com baixas regulamentações.  Seria ótimo se isso fosse verdade.  Porém, é muito mais realista imaginar que os burocratas britânicos irão avidamente preencher a lacuna deixada por seus congêneres de Bruxelas.  Mais: é seguro dizer que as empresas do Reino Unido que fazem comércio com os países da UE continuarão tendo de aquiescer integralmente com todas as regras impostas por Bruxelas.  Sendo assim, os lobistas podem ficar tranqüilos, pois seus serviços continuarão sendo demandados.

Outro argumento muito popular entre os partidários do "Brexit" é o de que, ao se retirar da União Europeia, haverá uma diminuição do influxo de imigrantes oriundos dos países da UE (principalmente os do Leste Europeu) para o Reino Unido.  Mas isso é contraditório.  A imigração é um claro sinal de que um país está economicamente saudável.  Imigrantes só emigram em massa para países economicamente fortes.  Consequentemente, se o argumento dos partidários da saída é que isso deixará o Reino Unido mais economicamente forte, então a imigração irá se intensificar, e não necessariamente diminuir. 

Por isso, é tolice acreditar que um Brexit significa um fim aos fluxos de imigrantes.  O crescimento econômico é principal atrativo para imigrantes; logo, a menos que a economia do Reino Unido imploda, vários estrangeiros continuarão encontrando maneiras de entrar no Reino Unido.  E se os proponentes do Brexit estiverem corretos quanto à previsão de que uma saída da UE significará a redução de regulamentações e burocracias (sem nenhuma reposição por parte dos burocratas britânicos), então as consequências para o crescimento econômico do Reino Unido serão muito positivas.  Consequentemente, um número ainda maior de imigrantes irá para o Reino Unido.

Outro argumento popular entre os partidários da "saída" é o de que o euro, embora não faça parte da união monetária do Reino Unido, é uma moeda disfuncional.  A ideia é a de que uma moeda única não pode funcionar porque não leva em conta as diferentes realidades econômicas e as diferentes políticas econômicas dos vários membros da União Europeia.  Esse talvez seja o argumento mais ignaro de todos.  Acreditar nisso significa dizer que o dólar sempre foi uma ideia desastrosa, pois estados americanos pobres como Mississipi e Virgínia Ocidental em nada se assemelham economicamente com estados ricos como Califórnia e Nova York.  [Ou Piauí e Maranhão com São Paulo e Santa Catarina].  Tolice pura.

Uma moeda é um meio de troca utilizado para facilitar o comércio e os investimentos.  Nada mais.  Se há um problema com o euro é o de sua falta de estabilidade em termos de valor (mal esse que acomete todas as moedas geridas por governos), e não o fato de que a Alemanha em nada se parece economicamente com a Grécia (ainda bem!).  [Veja mais sobre o euro aqui.]

Como deveriam votar os eleitores britânicos amanhã?  Deveriam votar pela saída da UE.  Sempre que eleitores podem rejeitar algum governo isso é bom. E os desdobramentos sobre a burocracia da UE podem ser ainda melhores.  Se o Reino Unido sair, a UE irá perder uma significativa fonte de receita, dado que o Reino Unido, em termos líquidos, paga 136 milhões de libras por semana para a União Europeia.  E como as contas a pagar da União Europeia já estão acumuladas em 19,6 bilhões de libras, será muito difícil os burocratas conseguirem recursos adicionais com países em dificuldades financeiras, como França, Itália, Espanha e Portugal, cujas dívidas já estão acima de 100% do PIB.  Logo, todo esse dinheiro terá de vir da Alemanha. 

Tendo agora que direcionar mais fundos para o orçamento da UE, a Alemanha também será convocada a cobrir a fatia daqueles países que não mais são capazes de manter seu financiamento à UE.  Por exemplo, a Grécia há muito tempo não contribui nada para o orçamento da UE, dado que a Alemanha cobre indiretamente suas contribuições por meio de empréstimos que a UE faz para a Grécia.  O mesmo provavelmente irá acontecer quando Espanha e Itália tiverem novos problemas.

Os alemães, obviamente, não acharão nada atraente essa ideia de ter de sustentar todo o arranjo sozinhos.  Tudo isso inevitavelmente irá estimular um "Germanexit".  E, quando isso acontecer, acaba a União Europeia. 

Mas isso, no entanto, é só especulação.

De concreto, e no que tange ao Reino Unido, qualquer que seja o resultado de amanhã, os defensores apaixonados de ambos os lados deveriam relaxar.  Não importa o que ocorra no dia 23 de junho, o comércio, os investimentos e a imigração entre o Reino Unido e os países da UE continuarão na mesma, como se o referendo não tivesse ocorrido. 

Lamentavelmente, os governos também continuarão inchados tanto no Reino Unido quanto no continente europeu.  Por tudo isso, as paixões da ambos os lados do "Brexit" estão bastante exageradas.

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Leia também:

O Reino Unido e sua eventual saída da União Europeia - quais as implicações?


1 voto


  • Capital Imoral  22/06/2016 15:20
    excelente artigo.
  • Ricardo Costa  22/06/2016 16:02
    Os motivos propagandeados - por ambos os lados - podem parecer pura retórica, ou uma série de falácias, mas acho realmente que deveriam votar pela saída da UE. O Brexit, no entanto, não é a maior preocupação, e sim um potencial "DeustchAusfahrt" (ou "GermanExit"). Aí sim a UE desmoronaria.
  • Rafael Andrade  22/06/2016 16:10
    Não. Definitivamente não. O comércio, os investimentos e a imigração entre o reino unido e a união europeia não serão a mesma coisa independentemente do resultado.

    - Em termos de comércio, uma independência britânica da união europeia poderá significar, dependendo de como a coisa desenrolar, até mesmo uma flexibilização maior com relação aos produtos europeus. Mas também poderá significar uma burocratização ainda maior, caso os produtos do resto do mundo sejam mais baratos que os europeus (o que é provável que seja de fato). De qualquer forma, os britânicos devem ser livres para decidirem com quem vão fazer comércio e sob quais circunstâncias.

    - Em termos de investimento aí é que a independência britânica é importante MESMO. A grã-bretanha vai ter uma autonomia maior de seu sistema financeiro, irá ter a chance de anular todas as obrigações que possuem com bruxelas, e assim tornar seu ambiente financeiro bem mais livre do que já é; irão automaticamente se livrar de todos os pesos impostos pelos eurocratas, tendo assim a possibilidade de flexibilizarem ainda mais o fluxo de capitais, as burocracias para se abrir uma empresa etc

    - Em termos de imigração, é óbvio que a imigração para a grã-bretanha não irá cessar independentemente do resultado. Acontece que, com a independência britânica, eles poderão selecionar melhor qual o tipo de gente que entra no território deles. E isso é mais do que justo porque são os britânicos quem sustentam a grã-bretanha, e não os belgas, alemães ou franceses.
  • João Carlos  22/06/2016 16:24
    "Em termos de comércio, uma independência britânica da união europeia poderá significar [...] uma flexibilização maior [...] Mas também poderá significar uma burocratização ainda maior [...]."

    Ou seja, você deu razão ao autor do artigo.

    "Em termos de investimento [...] a grã-bretanha vai ter uma autonomia maior de seu sistema financeiro, irá ter a chance de anular todas as obrigações que possuem com bruxelas, e assim tornar seu ambiente financeiro bem mais livre do que já é"

    Isso foi mencionado no artigo, que enfatiza que isso só irá ocorrer se os burocratas britânicos não preencherem o espaço que era dos burocratas de Bruxelas.

    "Em termos de imigração, é óbvio que a imigração para a grã-bretanha não irá cessar independentemente do resultado. Acontece que, com a independência britânica, eles poderão selecionar melhor qual o tipo de gente que entra no território deles."

    Por quê? Se o governo for trabalhista -- que são fanaticamente islâmicos -- por que isso aconteceria? Não há garantia nenhuma.
  • Rafael Andrade  22/06/2016 16:48
    "Ou seja, você deu razão ao autor do artigo."
    O autor disse que independentemente do resultado o comércio entre a união européia e a grã-bretanha continuará a mesma coisa, e não é verdade. Os empresários britânicos podem descobrir novos mercados, mudar as estratégias, e simplesmente ir diminuindo ao longo do tempo a sua participação dentro da europa. E essa tese do atravessador aí só pode ser verdade se a união europeia baratear seus produtos, coisa pela qual a união europeia justamente não foi feita. Eles querem sair justamente para negociar mais barato, e não mais caro ou pelo mesmo preço que negociavam antes. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk. E se um barateamento nos produtos europeus acontecer é muito válido tambem, haja vista que vai representar uma regressão nos planos de domínio da união europeia

    "Isso foi mencionado no artigo, que enfatiza que isso só irá ocorrer se os burocratas britânicos não preencherem o espaço que era dos burocratas de Bruxelas."
    "Por quê? Se o governo for trabalhista -- que são fanaticamente islâmicos -- por que isso aconteceria? Não há garantia nenhuma."

    Por isso que eu também não dei garantia nenhuma, se você não percebeu. Eles terão a possibilidade de fazê-lo. Acontece também que, junto da união europeia essa possibilidade de melhorar sequer existe
  • João  22/06/2016 17:04
    "Os empresários britânicos podem descobrir novos mercados, mudar as estratégias, e simplesmente ir diminuindo ao longo do tempo a sua participação dentro da europa."

    Nada os impede de fazer isso hoje, meu caro. Eu não tenho a mais mínima simpatia pela UE, mas também não vou mentir a respeito dela. Ela não obriga os britânicos a vender exclusivamente para o continente europeu. Ela não proíbe os britânicos de vender para outros continentes. Ela não estipula cotas de quanto os britânicos podem vender para outros continentes.

    Se os britânicos quiserem, ele podem diminuir as participação dentro da Europa (por que iriam querer isso?) agora mesmo. A UE não os obriga a vender só para europeus.

    Não se deixe levar pela paixão ideológica.

    "E essa tese do atravessador aí só pode ser verdade se a união europeia baratear seus produtos, coisa pela qual a união europeia justamente não foi feita."

    Não entendi. É justamente o contrário. Os "facilitadores" existem exatamente para contornar as burocracias criadas pela UE. Esses sim seriam prejudicados com a saída.

    "Eles querem sair justamente para negociar mais barato, e não mais caro ou pelo mesmo preço que negociavam antes. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk."

    Entendi ainda menos. Pior ainda foi o relincho no final.

    "E se um barateamento nos produtos europeus acontecer é muito válido tambem, haja vista que vai representar uma regressão nos planos de domínio da união européia"

    Citado no final do artigo.

    "Acontece também que, junto da união europeia essa possibilidade de melhorar sequer existe"

    Há controvérsias. Áustria, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia fecharam suas fronteiras. De novo, eu voto pela abolição da UE pra ontem, mas também sou intelectualmente honesto ao ponto de não me deixar levar por mentiras e falsas promessas.
  • Rafael Andrade  22/06/2016 17:33
    "Ela não obriga os britânicos a vender exclusivamente para o continente europeu. Ela não proíbe os britânicos de vender para outros continentes. Ela não estipula cotas de quanto os britânicos podem vender para outros continentes."
    https://www.youtube.com/watch?v=eYqzcqDtL3k
    "Não entendi. É justamente o contrário. Os "facilitadores" existem exatamente para contornar as burocracias criadas pela UE. Esses sim seriam prejudicados com a saída."
    Ah sim, sim. Até porque o custo final do produto será mais baixo quando se coloca cada vez mais atravessadores do que numa negociação feita diretamente.
    "Entendi ainda menos. Pior ainda foi o relincho no final."
    Você não entende e quem relincha sou eu né hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha
    "Há controvérsias."
    É claro que há. Em muitas das coisas podem haver controvérsias; só que isso não é um argumento que diminua o BREXIT.
    "mas também sou intelectualmente honesto ao ponto de não me deixar levar por mentiras e falsas promessas."
    Se você é intelectualmente honesto, parece que sua honestidade se encerrou nessa frase. Quero que você mostre quem mentiu aqui e que falsa promessa alguém aqui está seguindo. Todo o meu argumento tem como ponto de convergência a alta importância de ter cada vez mais autonomia nas suas próprias, e isso é desonestidade? Quer dizer então que apenas pelo fato de eu dizer que uma maior autonomia nas decisões pode trazer coisas melhores do que no arranjo atual é crer em falsas promessas?
  • Andre Dias  22/06/2016 19:12
    Esse é um dos piores artigos que já li no Mises em muito tempo, a prova de que alguns libertários são muito mais apegados a teoria econômica do que a realidades objetivas dos indivíduos. Dizer que tanto faz ficar ou sair da UE é desconhecer profundamente o que é a UE, quais seus objetivos e o impacto que tem em seus membros.
    Em primeiro lugar, ficar na UE significa continuar obrigando o cidadão britânico a pagar por dois governos: o de Uk e o de Bruxelas, sendo que o segundo, apesar de custar muito caro, sequer é eleito diretamente pela população.
    Em segundo lugar, é evidente que a redução no número de regulamentações imposta pela UE dentro do terroritorio britânico beneficiará a economia. Nesse mesmo site encontram-se dezenas de artigos a esse respeito, e me parece absurdo o autor imaginar que 5 mil regulações a mais ou a menos não fazem diferença.
    Em terceiro lugar é tanto mais fácil controlar imigração quanto menor a área territorial burocrática sob jurisdição de determinado proprietário ou governo. A idéia de uma "cidadania européia" dilui responsabilidades, impõe cotas e punições como multas a países que não aceitarem, por exemplo, receber refugiados de pais A ou B. Ademais, o que os libertários open borders parecem não entender é: 1. Há fronteiras no mundo, gostemos delas ou não; 2. Há wellfare state, e nos países europeus ele é gigantesco; 3. Há imigrantes de diferentes capacidades e níveis de inteligência e 4. Há culturas no mundo que não estão nem aí para o que você acha de liberdade e sequer compartilham noções básicas como a separação de igreja e estado. Coloque tudo isso junto e não demora muito para se chegar a uma conclusão óbvia: em um cenário desses (wellfare state pleno e profundas divergências culturais) o país que aceitar imigrantes sem critério não só vai colocar sua própria cultura em risco, como vai obrigar seus cidadãos a pagarem para importar seus próprios algozes por meio de programas wellfare. E a idéia de que "sempre haverá gente tentando imigrar, então o melhor é abrir as porteiras de vez" é, dentro de um cenário de wellfare state com imigrantes de baixo QI entrando e consumindo mais que produzem, similar à "se alguém tentar te roubar ou te estuprar, não reaja". Quer see open borders a todo custo sem se importar com a realidade objetiva do mundo? Seja coerente então: durma com as portas da sua casa aberta. abra as fronteiras de sua propriedade individual . Afinal de contas, qualquer um que entrar, independentemente de quem seja, vai "estimular a sua economia e produzir mais do que consumir" não é caro libertário open borders?
    Ficar na União Européia é fazer parte de um projeto socilista, com um governo centralizado projetado em Bruxelas, que objetiva produzir uma sociedade e economia completamente subordinada ao Banco Central Europeu e uma política centrada em seus aristocratas.
    Não há cabimento para um libertário, que em última instância costuma defender até a secessão individual, ache que "tanto faz" ficar ou sair de uma estrutura mastodontica como a UE.
  • Baltazar  22/06/2016 20:20
    "Não há cabimento para um libertário, que em última instância costuma defender até a secessão individual, ache que "tanto faz" ficar ou sair de uma estrutura mastodontica como a UE"

    O autor do artigo escreve lá, de todo o tamanho: "Como deveriam votar os eleitores britânicos amanhã? Deveriam votar pela saída da UE. Sempre que eleitores podem rejeitar algum governo isso é bom. E os desdobramentos sobre a burocracia da UE podem ser ainda melhores."

    E aí o autor cita os possíveis desdobramentos que levariam à dissolução da UE. E cita isso como positivo.

    Mas aí vem o André e diz que o artigo defende o murismo.

    O autor passa praticamente o artigo inteiro rebatendo os argumentos da turma do "permanecer".

    Mas o André diz que o autor é a favor do "tanto faz".

    O autor em momento algum fala fronteiras escancaradas para todos.

    Mas o André faz um sermão a esse respeito.

    Prova de o analfabetismo funcional e desonestidade intelectual não são monopólios da esquerda.
  • Andre Dias  22/06/2016 23:09
    Leia o penúltimo parágrafo do texto, no qual o autor, em sua conclusão, diz que "não importa o resultado, tudo continuará na mesma". Além de se contradizer (afinal ele diz que recomenda votar pela saida mas conclui dizendo que tanto faz ficar ou sair), isso deixa transparecer que ele acredita nisso (o que demonstra desconhecimento ou no mínimo elevado grau de otimismo com relação ao peso que a UE representa).
    Os britânicos não tem nada que "relaxar". Eles tem uma oportunidade histórica de se livrar do peso econômico e moral que é a coletivista e centralizadora UE.
  • Baltazar  22/06/2016 23:38
    Como eu bem disse, desonesto intelectual.

    A frase do autor é: "o comércio, os investimentos e a imigração entre o Reino Unido e os países da UE continuarão na mesma"

    Ou seja, ele especificou quais os três itens não serão alterados (e explicou, ao longo do texto, por que estes três itens não serão alterados).

    Aí vem o André e diz que o autor falou que "tudo continuará na mesma", sendo que o autor detalhou as outras coisas que irão mudar, inclusive levando a uma potencial dissolução da UE.

    É realmente espantoso ver não-esquerdistas recorrendo à charlatã estratégia de imputar a alguém coisas que ele não disse apenas para tentar sustentar um ponto. Você já deve ter sido militante do PT.
  • Emerson Luis  07/07/2016 13:29

    Concordo com o André Dias.

    * * *
  • Renato  22/06/2016 17:48
    Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email é galenoeu@gmail.com
  • Carlos Marrasca  22/06/2016 18:18
    "Na década de 1970, todos os países não-árabes da OPEP impuseram um "embargo do petróleo" aos Estados Unidos. À época, o preço em dólar do barril de petróleo explodiu, embora por outras razões (commodities são precificadas em dólar, e o poder de compra do dólar, à época, estava em queda livre), mas o fato é que as importações de petróleo pelos EUA na verdade aumentaram após o "embargo". O que explica essa aparente contradição? Ao passo que alguns membros da OPEP optaram por não vender petróleo diretamente para os EUA, eles não tinham como controlar o destino final do petróleo que vendiam para todos os outros países. E estes revendiam para os EUA."

    Se estes revendiam aos EUA, claramente colocavam seu lucro sobre o preço (além de custos com a maior burocracia). Então no final das contas o consumidor americano acabou pagando mais caro pelo mesmo produto.

    "Outro argumento muito popular entre os partidários do "Brexit" é o de que, ao se retirar da União Europeia, haverá uma diminuição do influxo de imigrantes oriundos dos países da UE (principalmente os do Leste Europeu) para o Reino Unido. Mas isso é contraditório. A imigração é um claro sinal de que um país está economicamente saudável. Imigrantes só emigram em massa para países economicamente fortes. Consequentemente, se o argumento dos partidários da saída é que isso deixará o Reino Unido mais economicamente forte, então a imigração irá se intensificar, e não necessariamente diminuir."

    Discordo, se fosse assim o fluxo migratório do México para os EUA seria muito maior, e o fluxo migratório da Coreia do Norte para o Sul seria infinito... Os estados tem a capacidade de regular através da burocracia e até inibir os fluxos migratórios. E parece que um dos dos principais defensores do Brexit são nacionalistas, cujo interesse é fechar as fronteiras para protegerem seus empregos. Uma atitude que não poderia ser mais estranha ao liberalismo.
  • Ricardo  22/06/2016 18:44
    "o fluxo migratório do México para os EUA seria muito maior"

    Como você especifica o "seria muito maior"? Como você faz essa mensuração? Como você consegue comparar o "como é hoje" com um eventual "como seria se..."?

    Não faz sentido. É tudo chutômetro.

    Ademais, é perfeitamente possível entrar pelo Canadá. Eu já li vários relatos sobre infiltração muçulmana por lá. Aliás, é muito mais inteligente tentar entrar pelo Canadá (cujo controle fronteiriço é mais relaxado). A imigração só não acontece por lá em massa porque, para muitos, é mais caro ter de se deslocar ao Canadá.

    "e o fluxo migratório da Coreia do Norte para o Sul seria infinito"

    Aí zoou, né? Você realmente acha que as fronteiras da Coreia do Norte são abertas? Que a ditadura permite o livre movimento de pessoas? Teve uma reportagem em um jornal britânico mostrando que há guardas norte-coreanos com metralhadoras prontos para atirar em qualquer um que seja visto tentando fugir do paraíso comunista.
  • Andre Dias  22/06/2016 19:23
    Então o seu argumento é que governos conseguem controlar fronteiras para a saída, mas não para a entrada? É uma contradição evidente. Ou o governo consegue controlar fronteiras, ou ele não consegue. A direção do fluxo é irrelevante. Basta que exista o interesse nesse controle e ele pode ser realizado.
    "Ah mas não é 100%". Lógico que não é. De todo modo, isso não é argumento. Se o fosse, nenhum médico trataria um paciente hipertenso para prevenir um dano maoor lá na frente
  • Andre  22/06/2016 19:30
    O choque do petróleo foi um desastre econômico no curto prazo, mas graças a ele temos tecnologias de exploração de petróleo na Prudhoe bay area, em águas profundas e super profundas, shalegas, etanol e um mol de opções em energias renováveis, todas disponíveis para debelar escassez natural ou artificial do óleo.
  • Igor  22/06/2016 18:24
    Parabenizo a equipe do IMB pela publicação de excelentes artigos (e tópicos no blog) sobre o Brexit.

    Abraço ao Leandro Roque que faz a maioria das traduções.
  • Henrique Zucatelli  22/06/2016 19:33
    Em suma: Amanhã vamos saber se os ingleses são inteligentes ao ponto de cortar a boquinha dos gregos.

  • Rafael  22/06/2016 20:21
    Há inúmeras desvantagens, estorvos, empecilhos e burocracias estúpidas em se permanecer dentro da União Europeia.

    Porém, há uma -- uma só -- vantagem. E essa vantagem é tão positiva, que quase -- quase! -- me faria votar pelo "remain" se eu fosse britânico: a UE não permite que malucos populistas cheguem ao poder. E, caso um chegue, ele imediatamente se ajoelha e passa a rezar pela cartilha

    Veja só o caso do Syriza. Tsipras foi eleito com discurso chavista e latindo como um buldogue. Tão logo assumiu o poder, foi chamado na chincha, parou de latir, se ajoelhou e hoje é um mero poodle. Adotou medidas de austeridade ainda mais rigorosas que as anteriores que ele combatia.

    No caso específico do Reino Unido, caso um chavista fanático como o líder do Partido Trabalhista Jeremy Corbyn chegue ao poder, creia-me: estar na UE seria menos trágico do que fora.

    O Reino Unido fora da UE com um Tory no poder é uma coisa. O Reino Unido fora da UE com um Corbyn no poder, ah, aí sim haveria uma nova definição para pesadelo.
  • Tobias   22/06/2016 20:38
    O diretor do Instituto Adam Smith fez esse mesmo argumento:

    www.facebook.com/samuelbowman/posts/559164485362
  • Tannhauser  22/06/2016 20:40
    E quando a UE for controlada por malucos populistas?
  • Patrick  23/06/2016 00:40
    Eu não vejo como isso pode acontecer.
    Os governantes da UE não são eleitos então bem pouco provável que algo parecido com Dilma chegue ao poder.
  • Bergin  23/06/2016 00:48
    Exato.

  • anônimo  23/06/2016 02:30
    Não tem como "ilhar" o estado de São Paulo ?
  • Azônimo  23/06/2016 12:52
    Tem.
  • Andre Cavalcante  23/06/2016 14:51
    Se os governantes de Sampa realmente quisessem sair do Brasil, nada em Brasília faria a diferença. O problema é que todo prefeito ou governador de São Paulo sonha o dia que vai subir no Planalto.

    Isso sim é que é ganância.
  • Paulo  24/06/2016 23:28
    Como explica então a desvalorização da libra e a desvalorização das bolsas em quase todo o mundo após o resultado do referendo?
  • Bode  28/06/2016 13:38
    Fácil constatar que a população que votou no brexit tenha pensamento xenófobo, nacionalista e protecionista, tudo contra a liberdade, tão apregoada por essas plagas.
  • Touro  28/06/2016 14:56
    Pois então demonstra aí essa "fácil constatação".


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