O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade

O governo Dilma Rousseff está morto.  Porém, como ele ainda não foi enterrado, é de bom tom fazer um merecido panegírico ao cadáver insepulto.

Sim, há elogios a serem feitos. 

Se, de um lado, o governo Dilma foi assombrosamente eficiente em destruir a economia brasileira, de outro, ele também apresentou uma surpreendente eficácia em destruir praticamente todos os mitos rotineiramente propagandeados por economistas keynesianos e desenvolvimentistas como verdades incontestáveis.

Tão logo seja sepultado o governo Dilma, keynesianos e desenvolvimentistas terão de caprichar na retórica e no poder de persuasão para conseguir ludibriar pessoas que agora já estão vacinadas contra seus engodos.

Eis os cinco grandes mitos keynesianos e desenvolvimentistas que foram aniquilados pelo governo Dilma.

Primeiro mito: um pouquinho mais de leniência com a inflação gera mais crescimento econômico

Esse passou a ser o mantra desde que Guido Mantega substituiu Antônio Palocci no Ministério da Fazenda em março de 2006.

Segundo os petistas da ala mais radical, Palocci e sua equipe econômica tinham uma "preocupação neurótica" com a inflação — o que exigia um orçamento mais equilibrado e taxas de juros mais altas —, e isso atrapalhava o crescimento econômico. 

Consequentemente, se uma inflação um pouco mais alta — leia-se: acima da meta de 4,50% ao ano — fosse tolerada, o crescimento econômico seria robusto.

Esse lema foi levado ao paroxismo durante o governo Dilma.  A inflação de preços não apenas jamais fechou qualquer ano dentro da meta de 4,50%, como também, e para piorar, se manteve frequentemente acima de 6,50%, que é o teto da meta.

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Gráfico 1: IPCA acumulado em 12 meses durante o governo Dilma (a partir de 2011).  Na maior parte do tempo, acima de 6,50%, que é o teto da meta

Observe no gráfico que, a partir do início de 2013, 6% torna-se o piso não-oficial da carestia.

Como consequência dessa leniência para com a inflação, os investimentos produtivos (Formação Bruta de Capital Fixo) entram em contração justamente a partir do segundo trimestre de 2013 — ano em que, vale lembrar, a taxa SELIC teve o menor valor da sua história — e desabam a partir de 2014:

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Gráfico 2: evolução da formação bruta de capital fixo. Os investimentos estão em contração desde o segundo trimestre de 2013

É fácil entender por que a inflação — ao contrário do que pregam os desenvolvimentistas — inibe os investimentos produtivos.

Quando um empreendedor faz um investimento voltado para o longo prazo, o mínimo que ele tem de saber é como será o poder de compra da moeda no futuro. Sem isso, se ele não tem ideia de quanto valerá a moeda lá no futuro, ele não consegue estimar quais serão são custos e suas receitas.  Consequentemente, não conseguirá nem sequer estimar se terá lucro ou prejuízo. 

Planejar para o longo prazo tendo em mente uma inflação futura de 3% ao ano é totalmente diferente de planejar tendo em mente uma inflação futura de 10% ao ano.  Os tipos de investimentos que são lucrativos em cada um desses cenários são totalmente distintos.

Se você prevê uma inflação continuamente alta no futuro, então você irá se concentrar em projetos de curto prazo; projetos que visam ao futuro mais imediato.  Você não irá fabricar máquinas e equipamentos; não irá ampliar suas instalações industriais.  Você irá se dedicar a fabricar pirulitos e chicletes, que dão retorno mais imediato.  Com inflação em alta, fazer investimento de longo prazo torna-se extremamente arriscado. 

No mais, nesse cenário, a maior preocupação de investidores e empreendedores passa a ser a de se proteger da perda do poder de compra da moeda.  Torna-se mais sensato dedicar mais tempo especulando no mercado financeiro e comprando títulos do governo indexados pela inflação.  Consequentemente, os investimentos caem.

E aí o crescimento econômico vai junto.

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Gráfico 3: evolução do PIB (trimestre sobre o mesmo trimestre do ano anterior).  Estamos em contração crescente desde o segundo trimestre de 2014.

O governo Dilma, portanto, de maneira cirúrgica, exterminou empiricamente o mito de que mais inflação gera mais crescimento econômico.

Segundo mito: mais gastos governamentais geram mais crescimento econômico

Este mito é um complemento ao primeiro.  Enquanto Guido Mantega acreditava na inflação como impulsionadora do crescimento, Dilma era ela própria a apóstola dos gastos estatais como condutores da economia.

Segundo ela, "despesa corrente é vida" e qualquer tentativa de limitar o crescimento dos gastos do governo é uma ideia "rudimentar".

E assim ela o fez.

Quando Dilma assumiu o governo, os gastos mensais do governo federal eram de aproximadamente R$ 60 bilhões.  Em novembro do ano passado, já estavam em R$ 100 bilhões, um aumento de módicos 66%.

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Gráfico 4: evolução das despesas mensais do governo, excluindo juros (aquela disparada em dezembro de 2015 foi a quitação da dívida das pedaladas fiscais; e a de setembro de 2010 foram as despesas com o Censo).

Para quem acredita na tese de que uma elevação nos gastos do governo aciona o multiplicador keynesiano, que então aditiva o crescimento econômico, um aumento de 66% deveria ter feito a economia bombar.  Mas ela, ao contrário, brochou.

E a explicação também é simples. 

Em primeiro lugar, se o governo está gastando cada vez mais, isso significa que sua burocracia, suas regulamentações e seu quadro de funcionários estão inchando.  O peso da burocracia estatal está aumentando.  E isso, por definição, leva a uma redução da participação do setor privado na economia. 

Mais burocratas, mais burocracia e mais regulamentações não são exatamente estimulantes ao crescimento econômico. Com mais burocracia e com mais regulamentações onerosas, há menos facilidade para o empreendedorismo e, consequentemente, menos geração de riqueza.

Isso, por si só, é totalmente contrário à ideia de estimular o crescimento econômico.

Em segundo lugar, governo que gasta cada vez mais, acaba gastando mais do que recolhe em tributos.  Isso implica déficits orçamentários crescentes e endividamento acelerado. 

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Gráfico 5: evolução do déficit orçamentário nominal do governo federal em porcentagem do PIB. Dilma elevou o déficit de 2,4% do PIB para 10,4%.


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Gráfico 6: evolução da dívida brutal do governo federal.  Quando Dilma assumiu a dívida bruta era de R$ 2 trilhões.  Hoje está em R$ 4 trilhões. (Aumento de 100%)


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Gráfico 7: evolução da dívida bruta do governo em relação ao PIB. Dilma a elevou de 51,77% para 66,23% do PIB

Esse total descontrole da dívida levou a uma fuga dos investidores estrangeiros (receosos de o governo dar o calote), à perda dos três graus de investimentos concedidos pelas agências de classificação de risco, e a uma forte desvalorização cambial, o que ajudou a acelerar a aceleração da inflação de preços.

Compare os gráficos 4, 5, 6 e 7 com o gráfico 3. 

E aí, o aumento dos gastos do governo ajudou no crescimento econômico?

Outro mito que Dilma destroçou.

Terceiro mito: déficits orçamentários ajudam a sair de recessões

Esse é um corolário do segundo mito.  Há keynesianos e desenvolvimentistas que até aceitam orçamento equilibrado e gastos mais restritos durante períodos de crescimento econômico; porém, quando há recessão, aí não tem conversa: gastos e déficits devem ser elevados para aditivar a demanda agregada e com isso tirar a economia da recessão.

Tudo o que foi dito acima sobre os gastos do governo se aplica ipsis litteris também a este mito.  Mas alguns adendos sobre os déficits são necessários.

Em primeiro lugar, vale enfatizar que os déficits orçamentários do governo são financiados pela emissão de títulos do Tesouro, os quais são majoritariamente comprados pelos bancos por meio da criação de dinheiro. Déficits são, portanto, uma medida inerentemente inflacionária.  E inflação de preços, como já comprovado, não estimula economia.

Adicionalmente, quando o governo pega dinheiro emprestado para financiar seus déficits, sobra menos crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos.  As pessoas e empresas preferem comprar títulos no Tesouro Direto a comprar debêntures de empresas.  Com menos crédito disponível, há menos investimentos produtivos.  E menos investimentos produtivos não ajudam na recuperação da economia.

Por fim, um aumento dos déficits e do endividamento significa que o governo muito provavelmente aumentará impostos no futuro. Contas desarranjadas não duram por muito tempo.  Se o orçamento do governo está uma bagunça, o empreendedor sabe que o ajuste futuro muito provavelmente será via aumento de impostos. Sempre chega o momento do rearranjo.  E quando essa necessidade de ajuste fiscal se impõe, as medidas adotadas — alta de impostos e abolição de isenções — geram custos adicionais às empresas e mudam totalmente o cenário no qual elas basearam seus planos de investimentos.

Empresas planejam a longo prazo. Investimentos produtivos são investimentos de longo prazo.  Aumentos de impostos geram custos adicionais no longo prazo e alteram totalmente o cenário no qual as empresas inicialmente basearam seus planos de investimentos.  Como investir quando não se sabe nem como serão os impostos no futuro? 

Elementos como previsibilidade, facilidade de empreender e custo tributário são cruciais.  Mudanças abruptas que afetam a previsibilidade, que elevam a complexidade, que geram mais incertezas, e que aumentam o custo da tributação alteram todo o planejamento das empresas e inibem seus investimentos.

Déficits, portanto, geram inflação, reduzem o crédito disponível para investimentos produtivos, e geram incertezas e imprevisibilidades quanto ao ambiente empreendedorial futuro. Carestia, crédito sugado pelo governo, e possibilidade de aumentos de impostos são custos que alteram todo o planejamento das empresas.

Nesse cenário, é quase impossível empreender, investir e gerar empregos de qualidade. 

Como isso pode ser bom para uma recuperação econômica?

O gráfico abaixo mostra a evolução (ou regressão) da confiança dos empresários do setor industrial, que é justamente o que planeja a mais longo prazo.

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Gráfico 8: evolução do índice de confiança do empresário do setor industrial

Se não está fácil para o grande industrial, imagine então para o pequeno empresário.  Eis a evolução do seu índice de confiança.

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  Gráfico 9: evolução do índice de confiança do pequeno empresário

Com todas essas façanhas, como podem dizer que déficits ajudam a sair de recessão?

Mais um mito que Dilma chacinou.

Quarto mito: mais inflação ajuda a combater o desemprego

Este talvez seja o mito favorito. 

Durante as eleições, Dilma afirmou que "não combateria a inflação à custa do emprego", pois levar a inflação para a meta de 4,50% aumentaria o desemprego.  Na mente dela, mais inflação diminui o desemprego, e menos inflação aumenta o desemprego.

Dilma não queria nem mais inflação e nem mais desemprego.  Produziu ambos.

Os gráficos falam por si.

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Gráfico 10: IPCA acumulado em 12 meses a partir de 2012


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Gráfico 11: evolução da taxa de desemprego mensurada pela PNAD. (Os dados disponíveis começam apenas em 2012)

Após todas as explicações anteriores, creio não haver qualquer motivo remanescente para crer que a inflação, que inibe investimentos produtivos e afeta o crescimento, possa gerar empregos.

Acreditar que inflação estimula o emprego é o equivalente a dizer: "Puxa, ano que vem meu custo de vida estará 10% maior.  Exatamente por isso vou contratar uma faxineira, uma cozinheira, um motorista e um professor particular para meus filhos".

Tem lógica?

Dilma, nossa heroína, colocou esse mito para hibernar.

Quinto mito: desvalorização cambial estimula as indústrias e impulsiona exportações

De todos, este é o mais espetacularmente refutado pela prática.  As evidências empíricas são tão explicitamente contrárias a ele, que é realmente espantoso ainda ver economistas que acreditam nesta falácia.

Segundo os desenvolvimentistas, uma desvalorização cambial gera dois efeitos benéficos para a economia: ela encarece os preços dos bens estrangeiros, o que reduz suas importações e diminui a concorrência sobre a indústria nacional; e faz com que os bens nacionais fiquem mais baratos para os estrangeiros, o que aumentaria as exportações.

Como efeito colateral, as importações mais caras fariam com que a população nacional passasse a consumir mais produtos produzidos nacionalmente, o que aumentaria duplamente as vendas das indústrias nacionais.

A teoria acaba aí.  Agora vem a prática para desmoralizá-la.

Em primeiro lugar, os efeitos de uma desvalorização não podem ser completamente isolados do resto da economia.  Uma moeda desvalorizada significa, por definição, uma moeda que perdeu poder de compra.  E uma moeda com menos poder de compra significa preços mais altos e renda menor para a população.  E renda menor significa que a demanda por bens de consumo diminui.  E isso, também por definição, irá afetar todo o setor industrial e atacadista.  Afeta toda a cadeia produtiva, que entra em contração e gera o efeito contrário ao imaginado pelos desenvolvimentistas.

Portanto, uma moeda desvalorizada não pode, ao contrário do que afirmam os desenvolvimentistas, estimular o consumo interno e impulsionar as indústrias nacionais.

Mas há outra encrenca.

No mundo globalizado em que vivemos, vários exportadores são também grandes importadores.  Para fabricar, com qualidade, seus bens exportáveis, eles têm de importar máquinas e matérias-primas de várias partes do mundo.  E elas também têm de comprar, continuamente, peças de reposição. 

Se a desvalorização da moeda fizer com que os custos de produção aumentem — e irão aumentar —, então o exportador não mais terá nenhuma vantagem competitiva no mercado internacional.

Portanto, uma desvalorização afeta a demanda interna pelos bens industriais e afeta também os custos de produção da indústria.  Difícil imaginar uma combinação pior.

Como exemplo, a própria indústria automobilística veio a público admitir que a desvalorização cambial — ao contrário do que pregam os economistas desenvolvimentistas — não apenas está encarecendo a produção, como também está gerando incertezas para o setor.

A seguir, a evolução do câmbio, das exportações e da produção industrial durante os últimos 13 anos:

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Gráfico 12: evolução do preço do dólar em reais desde janeiro de 2003

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Gráfico 13: evolução das exportações

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Gráfico 14: evolução da produção da Indústria de Transformação (linha vermelha), da Indústria de Bens de Capital (linha azul), e da Indústria de Bens de Consumo Duráveis (linha verde)

Como mostra a empiria — que apenas comprova a teoria —, a desindustrialização no Brasil chegou ao auge justamente no período em que a moeda mais se desvalorizou.  A desindustrialização está ocorrendo é justamente agora, quando temos uma moeda fraca, inflação alta e, para completar, as maiores tarifas protecionistas da história do real

Exatamente ao contrário do que defendem os economistas desenvolvimentistas, é justamente quando o câmbio está se apreciando (como ocorreu de 2003 a 2008, e de 2010 a 2011) que as exportações aumentam e a indústria se expande.  E é justamente quando o câmbio se desvaloriza (2009, e 2012 em diante), que as exportações caem e a indústria encolhe.

Neste mito em específico, a dupla Dilma e Lula nos forneceu uma aula completa.

Conclusão

Aumento de gastos, aumento da inflação, aumento dos déficits e desvalorização do câmbio.  Tudo isso feito simultaneamente.  E gerando contração dos investimentos, disparada do desemprego, desindustrialização, queda das exportações, recessão e encolhimento de todos os setores da economia.  Exatamente o contrário do que os desenvolvimentistas falaram que iria ocorrer.

Mas não deixe seu fígado afetar seu discernimento.  Embora seja, disparada, a pior presidente da história do real, não podemos negar a Dilma o estupendo mérito de ter destruído cinco mitos que tantos infortúnios trouxeram à humanidade.  Se cuidarmos bem de seu legado, novas desgraças econômicas poderão ser evitadas.

Por esse serviço homérico, e por esse inestimável legado à humanidade, Dilma merece louvores.

Obrigado, querida.


5 votos

SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


"Por exemplo, o relativo à questão estrutural, que devido ao orçamento praticamente ser engessado pelos gastos com servidores, aposentados e pensionistas, tem-se muita dificuldade em fazer qualquer redução ou enxugamento da máquina estatal."

Na verdade, isso foi abordado no artigo.

O fato é: durante a expansão do crédito, quando a quantidade de dinheiro na economia aumentava continuamente, a arrecadação dos governos estaduais não parava de subir. Consequentemente, os governadores não paravam de criar novos gastos. Era uma farra que foi vista como perpétua.

Agora que o crédito secou, a oferta monetária estancou e a economia degringolou (com o fechamento de várias empresas), o aumento previsto das receitas não ocorreu. Na verdade, pelos motivos explicados no artigo, as receitas estão caindo. Mas os gastos contratados continuaram subindo.

Gastos em ascensão e receitas caindo -- é claro que a conta não vai fechar.

O RJ teve o problema adicional da lambança feita na Petrobras, o que reduziu bastante as receitas do estado com a extração de petróleo. Mas, mesmo que a Petrobras estivesse supimpa, a situação do estado continuaria calamitosa. Um pouquinho melhor do que é hoje, mas calamitosa.

Lição: é impossível brigar contra as leis da economia.

"a partir de 2009, os estados puderam voltar a se endividar. [...] Aí os estados passaram a se financiar, ou a financiar seus investimentos, através de endividamento e não de a partir de suas receitas. E mais com o dado de que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, assinou (uma a uma) autorizações de crédito pra estados e municípios que tinham classificação de crédito C e D."

Como você corretamente colocou, os estados eram avalizados pelo governo federal. Eles só podiam pedir emprestado se o governo federal fosse o fiador do empréstimo.

Vale ressaltar que esses empréstimos aos estados são efetuados pelos bancos estatais (com a garantia do governo federal). E esse foi exatamente o tema do artigo.

Esses empréstimos dos bancos estatais direcionados aos governos estaduais também permitiram que eles inchassem suas folhas de pagamento, mas sem qualquer garantia de que as receitas futuras continuariam cobrindo esse aumento de gastos.

Como a realidade se encarregou de mostrar, isso não ocorreu.

No final, tudo passa pelos bancos estatais e sua expansão do crédito de acordo com critérios políticos.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!
Posso me meter nessa contenda.

Roberto, analisei o nexo temporal de necessidade x invenção dos medicamentos e diria que sim, Thiago está correto.

E pensando sobre isso, a necessidade antes da criação engloba tudo aquilo que escapa a ação humana e interfere em nossas vidas, como doenças, mudanças climáticas e a gênese química e biológica. Porém o cerne da Lei de Say não é o apriorismo da criação como antecedente da necessidade, mas sim de como o mercado valora a criação, e se por essa valoração intrínseca ela se perpetua ou não através do tempo. Mas vamos voltar ao exemplo do Thiago.

Por exemplo, se analisarmos técnicas de irrigação em uma biosfera árida, e existem centenas delas. A partir daqui conseguimos estabelecer o cenário de solo árido (criado por... enfim eu acredito em Deus, mas quem quiser acredite no ocaso), a necessidade subjetiva de irrigação para agricultura, e a ação humana, que irá mover recursos escassos para ali produzir, calculando custos e impondo preços, e em contrapartida novamente a ação humana, que irá verificar se esses custos são viáveis, comprando ou não os frutos daquela terra.

Com isso conseguimos estabelecer um nexo causal entre a necessidade primeira e a criação posterior, onde o agente primário criador daquele cenário árido não está entre nós. Não sabemos o por quê de ser árido. O criador desse quadro não o vendeu para nós, logo esse agente não busca o mesmo resultado que nós - o lucro. Só nós, o solo e a oportunidade subjetiva de aproveita-lo para produzir e prosperar.

O mesmo paralelo podemos estabelecer entre a doença e a medicina, onde nós somos o terreno criado pelo agente oculto, e neste terreno habitam doenças causadoras de distúrbios (também criadas pelo mesmo agente).

Apriorísticamente desde quando nascemos existe a necessidade primária de solução, ou o resultado é muitas vezes a morte. A partir dessas quase infinitas necessidades, profissionais de todas as partes do mundo criam desde os primórdios da nossa espécie técnicas e substâncias para, se não possível resolver, mitigar a necessidade trazendo conforto ao doente.

Nesse emaranhado de técnicas foram se perpetuando as mais eficientes E mais econômicas, tanto ao doente quanto ao profissional. Novamente conseguimos enxergar o nexo causal, onde a ação humana só existe após a doença, e com ela cessada, a ação humana também cessa. Sendo mais lúdico, remonto as palavras do Mestre: "Os sãos não precisam de médico".

Para concluir, os homens que estão a frente de seu tempo são aqueles que não somente criam antes da necessidade, basicamente inventando-a (afinal, quem diria como um Iphone é útil sem saber que ele existe?), mas aqueles que conseguem lidar com a necessidade criada pelo agente oculto de forma mais efetiva que seus pares, em menos tempo, e de forma mais econômica.

Obrigado por quem leu até aqui.
Leandro, me referi que em um período ou em uma ''reforma'' anunciada, seria mais racional seguir essa ordem..

E mais, eu disse:

''Eu entendo que cortar as tarifas e permitir importar carro usado, iria de fato ser positivo, ao mesmo tempo aumentaria o desemprego substancialmente nessa grave recessão e pior: O desemprego iria continuar se o empreendedorismo continuasse como esta''

Ai que ta, mesmo sobrando dinheiro para as pessoas consumirem, investirem, pouparem e empreenderem, nessa recessão e nessa burocracia asfixiante o efeito não seria tão significante, imagine nesse cenário nacional onde empreender é coisa pra maluco, uma recessão tremenda, um governo intervindo mais novamente e etc, como que poupança vai surgir, consumo, empréstimo, renda....
Repito, você esta completamente correto sobre esses efeitos lindos, só que isso em um país fora de recessão e um pouquinho mais livre... Não vejo que esses feitos aconteceriam no Brasil nesse caos atual, uma economia que no ranking de liberdade economica fica junto a países socialistas....Entende?

Sera mesmo que os resultados seriam significantes?
Essa a questão sobre ''a situação atual''.

Mas você fez eu perceber um ponto que eu antes não havia pensado, muito obrigado!

''A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.''

Ainda acho essa ameaça utópico aqui, porque:
Que político estaria disposto a abrir a economia mas continuar engessando a economia nacional? Uma contradição pura, se algum burocrata eleito tiver disposto a abrir a economia, muito provável que ele também estará disposto a facilitar o comercio nacional. Nunca vi um exemplo de um cara que chegou e falou ''temos que abrir a economia pro mundo, mas devemos criar toda dificuldade para as pessoas empreenderem''
Ele nunca daria esse tiro no pé e criar essa ameaça que você falou, até porque mesmo que fizesse, os empresários chorariam pela volta da reserva de mercado porque é caro a produção aqui e o burocrata voltaria a estaca zero...

Por outro lado você exagerou um pouco sob minha colocação:

''Essa ideia de que primeiro temos de esperar o governo ter a iniciativa de arrumar a casa para então, só então, conceder a liberdade para o indivíduo poder comprar o que ele quiser de quem ele quiser é inerentemente totalitária''

Acho que o que der pra fazer primeiro que faça, não acho que devemos esperar o governo arrumar pra então abrir.
No meu comentário eu também quis dizer que se algum presidente estivesse disposto a fazer uma reforma pró-mercado, que então fosse assim, acredito que seria mais eficiente e com menos ''choro'' assim. Você sabe, Argentina, Brasil e afins são países inviáveis, você quer fazer reforma trabalhista nego chora, reforma da previdência nego chora.... Imagine o que os empresários brasileiros não iriam fazer quando soubessem que um presidente esta disposto a destruir as reservas de mercado amanha....
Eu acho que ''politicamente'' também seria mais eficiente do jeito que eu falei...

Agora se tivermos a oportunidade de acabar com as reservas de mercado amanha, antes de qualquer outra reforma, que ACABE!. Seria uma conquista e um passo rumo a liberdade e por isso os resultados não importariam, eu questionei a significancia desses resultados no Brasil de hoje, não acredito que seria como você disse por causa do nosso desastre e dessa economia estatal. Nunca que vou ser contra esse passo, no máximo como eu falei, em uma reforma liberal geral eu iria ''adia-la por um ano''.
Principalmente olhando mais pra realidade ''Política'' e como o País e seu povo é.

''Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina. ''

Não tem lógica mesmo, nesse seu comentário brilhante você respondeu como se eu fosse um protecionista, o que não é o caso kkk.
Eu apenas levantei a reflexão que: Se tivesse um cara do IMB na presidência, com carta branca pra fazer o que quiser, acho que seguir a ''ordem'' que eu disse seria mais racional, politicamente mais viável (daria pra conter melhor o choro) e por ai vai...

Nesse seu trecho, você não esta me contra-argumentando e sim um protecionista que eu não presenciei..kkkk

Novamente, não defendo o protecionismo de maneira alguma, só disse que em uma reforma austríaca no Brasil, as tarifas de importação deveriam ser extintas depois de certas reformas(não demoraria, seria uma das prioridades sim).
E questionei a significancia dos efeitos sob nossa situação atual.
Se esse fosse o tema do referendo amanha, eu votaria contra?
Obvio que não, independente de qualquer coisa....

Foi isso que eu quis passar....

tudo de bom e Grande Abraço!
Sim. A sorte é que, na prática, elas não são impingidas. Há tantos requisitos que têm de ser encontrados para que tais restrições sejam impingidas que, na prática, isso não ocorre.

https://www.hoganlovells.com/~/media/hogan-lovells/pdf/publication/competition-law-in-singapore--jan-2015_pdf.pdf

Aliás, veja que interessante: o caso mais famoso em que essa medida foi aplicada foi quando a CCS (Competition Commission of Singapore) multou 10 financistas por eles terem pressionado uma empresa a retirar uma oferta do mercado.

Ou seja, o governo, uma vez que ele existe, atuou exatamente naquela que é a sua função clássica: coibir a coerção a terceiros inocentes. No caso, coibiu uma pressão que estava sendo feita a uma empresa que estava vendendo produtos (seguro de vida) mais baratos.

www.channelnewsasia.com/news/business/singapore/10-financial-advisers/2611160.html

Eu quero.
Opa, eu também tenho correlações irrefutáveis!

tylervigen.com/images/spurious-correlations-share.png

i.imgur.com/OfQYQW8.png

https://img.buzzfeed.com/buzzfeed-static/static/enhanced/webdr02/2013/4/9/15/enhanced-buzz-25466-1365534595-12.jpg

www.tylervigen.com/chart-pngs/10.png

i.imgur.com/xqOt9mP.png

Caso queira mais é só pedir!


P.S.: ah, só para você não mais ser flagrado como desinformado, os irmãos Koch financiam o Cato Institute, que é inimigo figadal do Mises Institute. Os Koch desprezam o Mises Institute e seus integrantes. E o Mises brasileiro sobrevive das doações de voluntários, como você. Faça a sua parte!

www.mises.org.br/Donate.aspx
Sim e não.

De fato, se todo o crédito fosse para consumo -- uma coisa irreal, pois o crédito para consumo é o mais caro e arriscado --, o efeito imediato seria o aumento dos preços dos bens e serviços. Muitas pessoas estariam repentinamente consumindo mais (maior demanda) sem que tivesse havido qualquer aumento na oferta.

Só que tal aumento de preços mandaria um sinal claro para empreendedores: tais setores estão vivenciando aumento da demanda; ampliem a oferta daqueles bens e serviços e lucrem com isso.

Ato contínuo, a estrutura de produção da economia será rearranjada de modo a satisfazer essa nova demanda impulsionada pelo crédito.

Mas aí, em algum momento futuro, acontecerá o inevitável: se essas pessoas estão se endividando para consumir, como elas manterão sua renda futura para continuar consumindo? A única maneira de aumentar a renda permanentemente é produzindo mais, e não se endividando mais.

Tão logo a expansão do crédito acabar, e as pessoas estiverem muito endividadas (e tendo de quitar essas dívidas), não mais haverá demanda para aqueles bens e serviços. Consequentemente, os empreendedores que decidiram investir na ampliação daqueles setores rapidamente descobrirão que estão sem demanda. Com efeito, nunca houve demanda verdadeira por seus produtos. Houve apenas demanda artificial e passageira.

É aí que começa a recessão: quando vários investimentos errados (para os quais nunca houve demanda verdadeira) são descobertos e precisam ser liquidados.

E de nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a esses investimentos errados. Aliás, isso só piorará a situação.

Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.


Traduzindo tudo: a recessão nada mais é do que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Pobre Paulista  27/04/2016 11:45
    Ou: Há males que vem para bem.

    A dor é uma escola infalível.
  • Joaquim Saad  27/04/2016 14:28
    "A dor é uma escola infalível."

    Acho que só faltou combinar c/ os "russos" do Brasil ! Afinal, depois da década de 80, já era p/ termos aprendido algo... :(
  • antonomásia  27/04/2016 21:38
    No caso do Brasil não é infalível. Há mais de 500 anos que se sente esse tipo de dor e nada mudou.
  • Pobre Paulista  28/04/2016 01:04
    Sem dúvida, pessoas, mas eu me referia apenas ao Keynesianismo...
  • Infiliz  05/05/2016 15:24
    Eu por outro lado sou mais alinhado com o Warren Buffet nessa, que certa vez disse que "o que aprendemos com a história é que as pessoas não aprendem com a história". Definitivamente não divido esse otimismo do Leandro, acho que ficaremos apenas e tão somente com o desastre econômico e nenhuma lição.

    Tendo dito isso, não sei pq ainda perdemos tempo: temos que dar um jeito de por esse Leandro na presidencia desse país "ASAP"!
  • Igor  27/04/2016 12:12
    Parabenizar o Leandro já é clichê? :-)

    Parabéns, Leandro!

  • Anônimo  27/04/2016 12:31
    Abaixo do gráfico 8 há uma palavra faltando na frase com "Se não está fácil para o grande industrial". Não quis dizer "Se não está fácil para o grande setor industrial?".
  • Roberto  27/04/2016 15:19
    A frase está correta.

    Se não está fácil para o grande industrial [indivíduo], imagine então para o pequeno empresário [outro indivíduo].

    Grande industrial = indivíduo proprietário ou presidente de uma grande indústria.

    Jorge Gerdau seria um grande industrial. Abílio Diniz também. Jorge Paulo Lemann também.
  • FL  27/04/2016 12:34
    Falando em mitos, mais um artigo do mito Leandro!
  • Isis Monteiro  27/04/2016 12:46
    Realmente vivemos uma grande ilusão na última década. As conquistas sociais começaram a se desfazer no início de 2015.
    Pensavámos que estavamos decolando,mas na realidade estavamos indo de cabeça ao encontro de um muro.
    O Brasil cresceu não em função de aumento de produtividade. O Brasil cresceu carregado pela alta demanda da China e de uma economia mundial em expansão.
    Neste período poderíamos ter realizado as reformas estruturais, no entanto, ficamos passivos em berço esplêndido. Perdemos uma grande oportunidade.
    Os últimos 13 anos de governo Petista deixou o Brasil como terra arrasada.
    Crescemos 0,1% em 2014. Em 2015, houve um decréscimo de 3,7%. A previsão para 2016 é de -3,8 a -6% dependendo de como sairemos do nó político.
    O Brasil está falido. O rombo do orçamento é imenso. As empresas estão fechando. A única opção que existe é aumentar a carga de imposto que é uma das maiores do mundo.
  • Rafael Lustosa  27/04/2016 16:55
    O melhor seria justamente o contrário: reduzir impostos e diminuir o tamanho do estado brasileiro. Não tem sentido achar que o país vai crescer sufocando ainda mais o setor produtivo em favor de um governo completamente improdutivo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1984
  • Geraldo  27/04/2016 17:28
    "A única opção que existe é aumentar a carga de imposto que é uma das maiores do mundo."

    Isso na cabeça dos petistas, da Dilma em particular, né? Já somos roubados demais pelo estado e este não faz direito nem o que se propõe a fazer (saúde, educação, segurança, transporte, justiça, etc.)

    Não temos que dar mais dinheiro ao estado. Acredito que, graças à propagação cada vez maior do ideal libertário, o estado (todos os que hoje nos governam, espalhados ao redor do globo) irá encolher, devagar e sempre, até desaparecer.
  • Andre Henrique  28/04/2016 10:46
    "A única opção que existe é aumentar a carga de imposto"?

    Você realmente acha isso?
    Já ouviu falar na curva de Laffer?

    A não ser que vc estava ironizando ou se expressou mal... assim espero.
  • luluzinha42  27/04/2016 12:53
    Excepcional como sempre.Parabéns Leandro Roque
  • Ismael  27/04/2016 12:55
    Parabéns equipe IMB (Leandro) pelo artigo...oportunamente bem vindo!
    Adiciono uma sugestão para ajudar a 'enterrar' de vez este fracassado governo, para que complementem alguns bons e novos (sei que tem outros) artigos que explanem de maneira bem minuciosa como a corrupção gira suas engrenagens dentro do Estado.
    O brasileiro se indigna diante de matérias na mídia sobre a corrupçao política e fica com aquela idéia de que se deve combater e perseguir o político 'fulano de tal' por ter embolsado valores a mais do que seu ganho estabelecido...e daí (este brasileiro) vai às compras numa loja ou supermercado procurando e exigindo produtos com classificação do INMETRO, ou seja, pouca ou nenhuma noção tem de todo o arranjo de "capitalismo de Estado" que há por trás das tantas agências reguladoras, que é exatamente onde a corrupção aje.
    E precisamos combater também a ideia de que a polícia federal é uma entidade 'fora do Estado', que está aí para 'punir e vigiar' e trazer ordem e segurança!
  • Erick  27/04/2016 13:01
    Mais um artigo sensacional! Leandro é a cereja do bolo desse site! Parabéns mesmo!

    E o que dizer do Henrique Meirelles na fazenda? O que acham? Piorar a situação eu acho difícil.
  • Tao Han Hsui  27/04/2016 13:08
    "Embora seja, disparada, a pior presidente da história do real, não podemos negar a Dilma o estupendo mérito de ter destruído cinco mitos que tantos infortúnios trouxeram à humanidade".
    Por isso, Leandro, sugiro traduzir este seu artigo para o inglês e espanhol e disponibilisá-lo tanto no mises.org quanto no miseshispano.org, de modo a termos esta sua análise disponível a um público cada vez mais abrangente e as pessoas possam, de fato, com os erros dos outros, entender que a escola austríaca não existe para brincar com a vida dos outros.
    Mais uma vez, valeu!
  • Wagner P.  28/04/2016 01:02
    vonmises.it/2015/06/26/il-brasile-una-vittima-di-volgare-keynesismo/
    vonmises.it/2013/07/04/che-succede-in-brasile/
    https://mises.org/library/brazil-free-market-ideas-rise-economy-falls
    https://mises.org/library/brazil-victim-vulgar-keynesianism
    https://mises.org/library/brazils-easy-money-problem
    www.miseshispano.org/2016/04/el-laissez-faire-es-demasiado-radical-para-los-brasilenos/
    www.misesde.org/?p=11144
    ...
    ...
  • Pedro  27/04/2016 13:17
    Aula! Texto excelente.
  • Gustavo S.  27/04/2016 13:23
    Apesar de concordar com a teoria usada aqui, eu vejo problemas em usar termos como "empirismo" para reforçar os pontos levantados. Não existe dados empíricos em economia. Para que pudessemos falar em empirismo em economia, teríamos que ter uma forma de replicar o objeto de estudo (no caso, um país ou o mundo inteiro) para observar os diferentes resultados de cada política.

  • Andre Cavalcante  27/04/2016 14:27
    "Apesar de concordar com a teoria usada aqui, eu vejo problemas em usar termos como "empirismo" para reforçar os pontos levantados. Não existe dados empíricos em economia. Para que pudessemos falar em empirismo em economia, teríamos que ter uma forma de replicar o objeto de estudo (no caso, um país ou o mundo inteiro) para observar os diferentes resultados de cada política. "

    Puts, é cada um que aparece!!!

    É possível replicar, na Terra, e em laboratório, uma estrela de neutrons? Ou uma galaxia supergigante? Ou um buraco negro?
    Não dá! E nem por isso a Astromonia não seja uma ciência empírica.

    Basta você ter uma quantidade de galaxias suficientemente grande (ou quaisquer outros fenômenos naturais), poder de observá-la (e dá) e comparar cada uma delas e, com base em uma sólida teoria (relatividade geral), entender a evolução estelar, a formação de galaxias supergigantes ou os buracos negros.

    Veja como se aplica a economia:

    Basta você ter uma quantidade de países suficientemente grade (ou qualquer outro fenômeno econômico) (e há), observar as políticas públicas e suas consequências (historicamente é melhor ainda, porque não dá pra mudar o passado e perde-se em parte o viés ideológico do presente) e comparar cada um deles, e, com base um sólida teoria (escola de pensamento austríaco), entender como a economia opera, qual a relação entre inflação e crescimento econômico, entre inflação e emprego etc.

    Abraços


  • Gustavo S.  05/05/2016 14:02
    A sua comparação de economia com astronomia não refuta em nada o que falei: empiricismo não é útil para economia. Em física (sendo astronomia um ramo desta), o homem mede os fenômenos e constrói conclusões a partir dessas medições - as leis da física são observáveis na natureza.

    As leis econômicas são construidas a partir de axiomas lógicos. Os dados empíricos não refutam uma teoria econômica, pois esta não depende de dados históricos. Se não podem ser usados para refutar, também não podem ser usados para corroborar.

    https://mises.org/library/nonpraxeological-schools-thought




  • Andre Cavalcante  05/05/2016 17:54
    Olá,

    "A sua comparação de economia com astronomia não refuta em nada o que falei: empiricismo não é útil para economia."

    Ooops, você não disse isso anteriormente. Você disse: "Apesar de concordar com a teoria usada aqui, eu vejo problemas em usar termos como "empirismo" para reforçar os pontos levantados. Não existe dados empíricos em economia. Para que pudessemos falar em empirismo em economia, teríamos que ter uma forma de replicar o objeto de estudo (no caso, um país ou o mundo inteiro) para observar os diferentes resultados de cada política" (grifo meu)

    Você afirma que não dá pra replicar o objeto de estudo para observar os diferentes resultados e eu mostrei, com um exemplo, que dá para estudar um fenômeno econômico, por exemplo a relação de causa e efeito entre crescimento econômico e inflação, estudando-se os "diferentes resultados de cada política", bastando para isso observar o todo (e o histórico) dos países e suas respectivas políticas. Daí bater os dados com a teoria usada no estudo e verificar se a teoria está condizente com os fenômenos observados.

    "Em física (sendo astronomia um ramo desta), o homem mede os fenômenos e constrói conclusões a partir dessas medições - as leis da física são observáveis na natureza."

    As leis econômicas também são "observáveis na natureza", ou você terá que admitir que o o ser humano e suas ações econômicas não estão na natureza (onde elas estariam?)

    "As leis econômicas são construidas a partir de axiomas lógicos."

    A matemática também.


    "Os dados empíricos não refutam uma teoria econômica, pois esta não depende de dados históricos."

    Não sei. Não entendo muito de ciências humanas, empirismo e essa filosofia da ciência. Qualquer ajuda neste sentido, se puder, seria bem vinda e a discussão aqui levantada ficaria mais interessante.

    Sobre o ponto só me ocorre que na matemática, várias "teorias" foram sendo revisadas durante a história, sendo algumas por uma nova forma de se olhar o problema (racionalismo), outras por simplesmente não se coadunarem com fatos observados na natureza (matemática aplicada aplicada, e.g. física e computação).


    "Se não podem ser usados para refutar, também não podem ser usados para corroborar."

    Só me ocorre uma frase que dizem foi de Einstein (nunca encontrei a referência, mas...): "Todas as experiências possíveis e imagináveis não podem me dizer que eu estou certo, mas uma só experiência pode me dizer que eu estou errado."

    Não sei se se aplica à economia, mas ter situações históricas e/ou previsões de situações futuras, corroboradas por uma teoria dão força à teoria, enquanto que situações históricas que não batem e/ou previsões futuras que não acontecem, enfraquece a teoria e isso é meio intuitivo.

    Por exemplo, a teoria austríaco do ciclo econômico explica muito bem a crise de 1930 e a crise de 2008. Explica igualmente bem a hiperinflação brasileira das décadas de 80/90.

  • Gustavo S.  09/05/2016 19:38
    Dados históricos não "dão força" a teoria econômica (pelo menos a austríaca), pois esta nega esse tipo de dado como útil para ciência econômica. Economia austríaca não é empirismo, análise histórica, ou qualquer tipo de medição estatística...

    Da mesma forma que você utiliza dados históricos para dizer "olha, esses dados corroboram a minha teoria", o keynesiano pode fazer a mesma coisa e não terá como provar quem está certo através de dados históricos, pois estes não podem ser repetidos em laboratórios (e não adianta dizer que podemos comparar países diferentes, ou o "mesmo" país em épocas diferentes, visto que não se trata mais do mesmo objeto. Para que uma análise empírica seja válida, o objeto de estudo precisa ser replicado, junto com todas as condições que o influenciaram).

    O prof. Bob Murphy costuma ilustrar esse problema numa discussão de um keynesiano e um austríaco sobre a eficácia de gastos estatais para "estimular" a economia.

    O austríaco irá apontar vários exemplos históricos (crise de 29, 08 etc) como prova que gastos estatais não estimulam a economia. Já o keynesiano irá dizer que, se não tivesse ocorrido os gastos, a economia teria ficado ainda em pior situação. Como é impossível replicar a história para provar quem está certo, fica inviável utilizar a história para provar algo.
  • Andre  28/04/2016 10:00
    você confundiu método científico com empirismo.
  • dds.duarte@gmail.com  27/04/2016 13:27
    Bom dia !
    Como sempre o Leandro sempre se supera, direto e preciso, só faltou na conclusão aquela velha e boa pergunta " Compreenderam ou quer que eu desenhe? ".
    Abraços Leandro!
  • Romullo Freitas  27/04/2016 13:32
    Excelente artigo!

    Parabéns, Leandro!
  • Renato Arcon Gaio  27/04/2016 13:32
    Outro legado que o terrível governo da Dilma deixou pra mim, foi conhecer o instituto Mises Brasil e a lógica libertária e me fez desacreditar da ideia de que o governo é algo benéfico na vida de todos, ou seja, abriu meus olhos para a realidade cruel que vivemos de escravidão diária, além de ajudar no aprendizado no conhecimento imensurável sobre a correta economia, tudo graças ao autores de artigos postados diariamente aqui.

    Continue com o bom trabalho que a cada dia que passa mais pessoas aceitam a verdade e o estado perde seu poder sobre as pessoas.

    Parabéns Leandro, Fernando e outros autores pelos brilhantes artigos.

    Abraços
  • Elder  27/04/2016 15:28
    De fato. Cheguei a esse site por motivos análogos ao seu. Apesar do muito que tenho a aprender, considero o aprendizado até o momento algo bastante valioso. Continuemos.
  • Joao  28/04/2016 17:14
    Também tenho que agradecer a Dilma e ao PT nesse quesito, vez ou outra eu entrava em sites como brasil247, cafezinho, etc.. pra rir um pouco ou pra ver como iriam justificar algumas bizarrices que aconteciam e acabei encontrando um artigo intitulado "O que realmente permitiu o grande crescimento econômico brasileiro da última década" já estava preparado para o pior ao começar a ler, já imaginava a atribuiçao do crescimento ao Lula e ao PT, porem ao ler fui verificando uma excelente linha de raciocínio, algo até então inimaginável para esses sites, fazendo críticas reais e usando de forma bastante coerente os argumentos.. quando fui pesquisar mais sobre o autor vi que ele escrevia nesse site, daí comecei a ler e não parei mais..
    As coisas começaram a fazer sentido e saí dessa história de culpar um partido ou outro ou de achar que o governo é algo necessário.. minhas visões política e econômica deram uma guinada e hoje me considero de fato um liberal.

    Parabéns Leandro e toda a equipe do Mises, obrigado por espalharem conhecimento

  • Killarney  01/05/2016 00:47
    Pra mim também. Esse foi o principal legado: conhecer o IMB, o libertarianismo (nunca nem tinha ouvido falar disso antes de 2012) etc...
  • rodrigo d.  27/04/2016 14:23
    Leandro como sempre, impecável.
  • Ardêncio  27/04/2016 15:03
    Excelente artigo!
  • Allisson Paulineli  27/04/2016 15:12
    O governo Dilma foi o que de melhor aconteceu ao liberalismo/libertarianismo. Fica difícil justificar a existência desse estado gigantesco agora.
  • opinador  27/04/2016 16:55
    Verdade.

    Eu mesmo não conhecia..

    Sr não fosse talvez essa crise talvez estaria dentro da matrix...rs
  • Paul Krugman  27/04/2016 15:28
    ...A demanda agregada foi estimulada!
  • João Batista  27/04/2016 15:57
    Trabalho espetacular!!
  • Alexandra Moraes  27/04/2016 16:06
    O governo Dilma destruiu o mito da esquerda. Destruiu o Brasil. Estamos destruidos e sem rumo. Nossa situação é falimentar. Empresas fechano e população sem emprego. Vivemos o pior dos mundos. Acredito que o Brasil nunca viveu uma crise desta proporção.
    O nó é bastante complexo para desatar. Levaremos um bom tempo.
  • Dioner Segala  27/04/2016 16:07
    Mas a balança de pagamentos está positiva! Hahahahaha

    (Tu duvida que vão alegar isso como algo benéfico, Leandro?)
  • Renato C  27/04/2016 18:15
    A balança está positiva porque continuamos a exportar commodities sem valor agregado.
    E eu, como um pequeno empreendedor, parei de importar componentes para agregar valor a eles e revendê-los. Por que? Meus clientes estão falidos....
  • Dalton C. Rocha  27/04/2016 16:11
    Em resumo. Dilma é Lula. E Lula é Sarney.
  • Ronaldo  27/04/2016 16:29
    A parte triste é que a esquerda vai dizer que é uma crise do capitalismo e aquelas mesmas desculpas que usam na venezuela.
  • Anderson d'Almeida  27/04/2016 16:56
    Infelizmente, "muito disso ficará por isso..."

    Se as pessoas aprendessem com a história, ok, teríamos avanços significativos na civilização; porém, nem sempre se aprende com o passado (ou presente, como em nosso caso). Sempre haverá os que dizem: "Desta vez será diferente, é que antes deturparam isso ou aquilo, ou não souberam fazer direito..."

    O que tem de economista repetindo lorotas não é brincadeira. E eu o falo por experiência pessoal(tenho professor de economia keynesiano).

    Esperem, depois de uns anos aparecerá um governo estatista, e ele apelará com os meios intervencionistas, e os justificará com espantalhos e distorções históricas.

    Infelizmente, nunca se teve tantas demandas estatais como em nossos tempos...
  • marcela  27/04/2016 17:45
    Parabéns a Dilma pelo belíssimo trabalho,e ao Leandro pela belíssima análise.Keynesianismo nunca mais!Salve Adam Smith!Salve Mises!Salve Milton Friedman!
  • Tarik   27/04/2016 18:12
    Faz todo o sentido o raciocínio de que juros altos, déficit crescente do governo e a insegurança jurídica/empreendedorial estimulam as pessoas a comprar títulos da dívida pública, especular no Mercado financeiro entre outros mecanismos para ganhar dinheiro de forma não produtiva.
    Eu mesmo tenho mais de 90% do meu dinheiro em títulos públicos. Pensei sim em empreender, mas realmente pesou muito o medo de arriscar - pois custo do capital é alto (muitos imobilizados que teria que comprar são precificados em dólar), o imposto é alto (com muita dificuldade você escapa do fisco), e também o Mercado de trabalho está arrefecido, comprometendo a demanda.
    Portanto, potenciais empreendedores preferirão o retorno certo dos títulos públicos a arriscarem-se a empreender.
  • Juan Domingues  28/04/2016 12:08
    "Retorno certo dos títulos", será?
    Eu tomaria muito cuidado. Além da questão moral (questionável) em comprar títulos de dívida pública estatal, há sim o risco de calote. Basta observar o crescimento da dívida pública e a incapacidade crescente do governo de pagar sequer os juros, quiçá o principal. E, com o tesouro em frangalhos, não há fundo garantidor de crédito que dê jeito caso uma parcela dos portadores de títulos resolva sacar. O governo vai ter que escolher quem pagar, e ele obviamente vai pagar os bancos, que tem a maior parte dos títulos (e doa para campanhas). Já os pequenos investidores que tem suas economias em títulos públicos podem ficar a ver navios.
    Essa história de "investir em títulos do governo é baixo risco e retorno garantido" é uma grande cilada, principalmente no caso do governo brasileiro. O risco existe, e está longe de ser baixo.
  • Pobre Paulista  28/04/2016 14:30
    Não é cilada. No pior caso a casa da moeda pode imprimir dinheiro para pagar os títulos. E mesmo em caso de hiperinflação, qualquer outro investimento estará em situação pior que os títulos públicos.

    Títulos públicos não se chamam "ativos livres de risco" à toa: Eles se chamam assim pois são, de fato, ativos livre de risco.

    Sobre a questão moral: Você sabe se o padeiro que vende o seu pão de cada dia é algum, assassino, pedófilo ou similar? Ou só lhe interessa se o pão que ele faz é do seu agrado e tem um preço aceitável? O mesmo se aplica ao governo: Você emprestou dinheiro para XYZ e espera que XYZ lhe pague o combinado. Imoral é esperar algo fora disso.
  • Joaquim Saad  28/04/2016 15:19
    humm...mas sabemos o que o estado faz de mau, já os padeiros por aí contam c/ o benefício da dúvida. ;)
  • Juan Domingues  28/04/2016 17:50
    Pagar dívida as custas de hiperinflação é o chamado calote branco: te pagam um dinheiro que, na prática, vale muito pouco ou mais nada. "Mas ainda seria melhor que os outros investimentos.", sem dúvida você está correto, seria melhor que os outros investimentos brasileiros de renda fixa. Mas há dezenas de países no mundo para investir, em moedas muito mais estáveis, inclusive.
    Quanto a questão do padeiro não teria nenhuma dúvida: não sei o que ele faz em sua vida privada (nem a maioria das pessoas com as quais troco), mas se soubesse que ele (ou qualquer outro) é um ladrão ou assassino (ou estuprador, ou pedófilo), certamente o mesmo não me teria como cliente, afinal, seria necessário um grau elevado de hipocrisia da minha parte propor a não agressão como princípio moral e, ao mesmo tempo, financiar indiretamente indivíduos que violem frontalmente o princípio. Há valores que, para mim e outros, são tão ou mais importantes que o valor econômico que eu atribuo a determinada transação. Isso significa dizer que eu posso optar por comprar um pão de 0,50 com pessoa X ao invés do mesmo pão por 0,45 de pessoa Y, dependendo de questões outras que eu posso julgar relevantes além do próprio valor nominal.
    A transação entre dois indivíduos (o ato de troca em si) é amoral. Isso não significa que os indivíduos sejam, muito menos que eles não possam levar em consideração questões morais que lhes sejam pertinentes antes, durante e depois da transação. Essa é uma confusão comum e recorrente, e o cerne da crítica de muitos conservadores aos libertários. Valor econômico não traduz necessariamente valor moral (nem vice-versa). E o ostracismo econômico é (ou poderia ser) uma arma valiosa no estabelecimento e manutenção de certos valores morais que são importantes para determinados indivíduos ou grupos.
  • Joaquim Saad  28/04/2016 20:18
    Afinal, Juan, qual desfecho acredita ser mais provável: default puro e simples do tesouro, ou calote do tipo "branco"\inflacionário (cuja possibilidade pareceu depois reconhecer ser o caso) ?
  • Economista da UNICAMP  27/04/2016 19:05
    E o gráfico do superávit de US$ 5,8 bi na balança comercial? E o gráfico do fantástico aumento das nossas robustas divisas internacionais, que transmitem confiança e boa imagem do nosso BC para o exterior? Há legados muito positivos no governo da Dilma que não podemos deixar de lado...

    No mais, nós da UNICAMP e desenvolvimentistas em geral já cansamos de falar que se as medidas não surtiram efeito, é porque as mesmas não foram adotadas com a intensidade necessária. Explico:

    - Malgrado a acentuada desvalorização do câmbio, não é possível esperar seus benefícios pois o mesmo ainda não adentrou na faixa que nós chamamos de ''competitivo''(que o IE da UNICAMP, após girar vários modelos econométricos, estima ser por volta de uns R$ 5)

    - Taxa de juros idem. Como nossas empresas podem ser competitivas tendo que arcar com 14,25% a.a???

    Em suma, nossas empresas não bombaram porque não tiveram câmbio e nem crédito barato para isso. Recomendo assistir a participação do Bresser no Roda Viva especial da crise econômica.

    Ahh, vale lembrar que a Dilma está de mãos atadas em relação aos déficits por causa da antiquada lei de responsabilidade fiscal(o ápice da ortodoxia. Como podem estipular barreiras para o gastos do governo???). Mantega e Ausgustin tiveram que fazer toda uma engenharia contábil para poder fechar as contas sem aprofundar a recessão.

    Que venha o Temer com, pelo menos, o Serra na fazenda, porque aturar Meirelles de novo é dose...
  • Joaquim Saad  27/04/2016 19:46
    "Ahh, vale lembrar que a Dilma está de mãos atadas em relação aos déficits por causa da antiquada lei de responsabilidade fiscal(o ápice da ortodoxia. Como podem estipular barreiras para o gastos do governo???). Mantega e Ausgustin tiveram que fazer toda uma engenharia contábil para poder fechar as contas sem aprofundar a recessão."

    Vê se não vai se inspirar no artigo (mises.org/library/modest-proposal-end-fed-independence) que saiu no último dia 18/Abr no Mises dos EUA...

    ps: os mais açodados talvez tenham pensado algo como "Até tu, Salerno, meu filho ?!", pois esse "nirvana keynesiano" smells like latin spirit !
  • Anderson  28/04/2016 01:11
    É piada né? Isso é só pra ridicularizar os "economistas da UNICAMP" né? Se não for, deus lhe ajude.
  • Comentarista Inteligente e Educado  28/04/2016 01:56
    Com as lambanças feitas pela dupla dilma /lula, eles prestaram um ótimo serviço ao Brasil: mostraram na prática que o caminho trilhado pelos socialistas está mais do que errado.

    Só falta os economistas da Unicamp, teimosos e orgulhosos, largarem o osso e admitirem que estão errados...
  • Edujatahy  29/04/2016 03:21
    (que o IE da UNICAMP, após girar vários modelos econométricos, estima ser por volta de uns R$ 5)

    Kkkkkkkk

  • Henrique Zucatelli  27/04/2016 19:38
    Brilhante artigo.
  • Leocir  27/04/2016 19:56
    Uma análise muito equilibrada e sensata da realidade do governo Dilma. É preciso lembrar também que os governos petista incluindo Lula, surfaram uma onda de liquidez jamais vista, com a farra dos títulos americanos. As taxas de juros caíram praticamente em todo mundo. Tivemos os preços das commodities agrícolas no seu auge. Bastou os ventos soprarem contrários e a maré baixar para ver que estávamos nadando pelados. Perdemos uma chance de ouro em fazer as tais REFORMAS ESTRUTURANTES, necessárias e urgentes para dar rumo e previsão de onde queremos chegar. Sem elas, nem um governo consegue manter crescimento efetivo e duradouro. Gastar mais do que se arrecada, serve como lição para o governo e para o cidadão, uma hora a conta não fecha, e pior, justamente quando mais se precisa de recursos. Precisamos resgatar a CONFIANÇA, fundamental em qualquer relacionamento, pois sem ela nada se consegue.
  • Mr Citan  27/04/2016 20:34
    O Governo Dilma conseguiu o feito de ser um dos piores da república, só perdendo para o governo de Floriano Peixoto, conhecido por transformar o período de "governo" dele como a "república da espada".
    Mas apesar dos pesares, além de acabar com as mentiras do keynesianismo, o governo de Dilma colaborou para que:
    - Aumentasse a descrença das pessoas com os governos
    - Aumentasse a antipatia com os soças e demais seguidores.
    - Aumentasse a aceitação de que Imposto é Roubo
    - Aumentasse o número de monarquistas, liberais e libertários e o que foi derivado disto tudo(palestras, livros, sites e movimentos e diretórios a várias regiões)

    Uma pena que ela vá sair este ano.
    Ela poderia ficar até o final, e ajudar a implodir de vez o estatismo bananense.
  • Luis Gustavo Schuck  27/04/2016 20:40
    Interessante é a correlação do IPCA com taxa de desocupação.
  • Beth Prado  27/04/2016 20:44
    O governo Lulo-petista quebrou o Brasil. O legado negativo será sentido até as próximas gerações. Nunca vi um governo tão nefasto. Acabou com o país.
  • a  27/04/2016 20:46
    Espero que o próximo diminua a burocracia estatal.
  • Juan  27/04/2016 21:20
    Acho que alguém deveria apresentar você ao Temer para Fazenda HAHAHAHAHA

    Mais um artigo de altíssimo nível.
  • Felipe  27/04/2016 21:23
    Infelizmente não será lição aprendida.
    Não veem que tem gente até hoje que insiste afirmar que o comunismo funciona, por exemplo?
  • Conservador  27/04/2016 21:33
    Excelente artigo, Leandro.

    O mais didático dos últimos tempos.
  • Thiago Teixeira  27/04/2016 21:56
    Muito bom!
  • Igor  27/04/2016 23:11
    Leandro, tu estarás entre as pessoas a quem dedicarei meu TCC sobre ciclos econômicos.

    Obrigado por mais uma aula.
  • Kek  27/04/2016 23:14
    Passando aqui para deixar isso:

  • João  28/04/2016 05:16
    Bom vídeo, o Ciro Gomes é um pilantra demagogo de primeira. A única coisa que esse cara possui é retórica.
  • Ana Ramalho  27/04/2016 23:36
    Com o Brasil quebrado do jeito que está, empresas fechando as portas ainda encontramos algumas coisas que funcionam. Lift X é um delas, e surgiu de um oportunidade na crise!!!!
  • Henrique  28/04/2016 00:27
    Leandro, sob o risco de me tornar repetitivo, parabéns mais uma vez pelo enésimo artigo irretocável.

    Me restou apenas uma dúvida de tudo isso.

    Você afirma no artigo que os déficits governamentais causam o enxugamento do crédito para as empresas privadas.

    Isso é bastante lógico quando estamos analisando do ponto de vista de pessoas físicas e instituições não-bancárias, que financiam essas empresas por meio de debêntures e que, devido à alta dos juros provocada pelo déficit, preferem aplicar em tesouro direto com risco soberano.

    Entretanto, no meu entendimento, isso seria inválido se fôssemos analisar do ponto de vista de instituições bancárias.

    Conforme há muito já aprendi aqui neste mesmo site, os déficits governamentais produzem os seguintes efeitos:

    1. O Tesouro precisa emitir títulos da dívida para cobrir o rombo
    2. Os títulos são comprados pelos grandes bancos nacionais no mercado primário.
    3. Entretanto, essa compra enxuga liquidez do sistema como um todo, o que tende a forçar a SELIC para cima.
    4. Eis que entra em ação o "salvador" Bacen para recomprar esses títulos e devolver a liquidez ao sistema.

    Nesse processo, o dinheiro que o banco concedeu ao governo foi criado a partir do nada e, por isso, trata-se de um processo inerentemente inflacionário.

    Dado que todo o crédito extra que os bancos cedem ao governo é gerado via expansão monetária, não seria válido afirmar que tal crédito não "compete" com o crédito feito ao setor privado?

    No fim das contas, os balanços dos bancos e do Bacen foram inflados, mas a injeção monetária do Bacen garante a manutenção dos índices de liquidez dos bancos, que seguem podendo emprestar o mesmo montante em dinheiro para o setor privado.

    Ou seja, déficits governamentais não "secam" a disponibilidade de empréstimos bancários para o setor privado.

    Faz sentido esse raciocínio, ou me perdi em alguma parte?

    Obrigado.
  • Leandro  28/04/2016 02:33
    Toda a sua descrição está corretíssima, mas a encrenca é outra.

    Veja bem: eu sou uma empresa à procura de crédito. Consigo pagar até, digamos, 12% ao ano.

    Aí vem o governo federal, com um déficit enorme, e oferta uma enxurrada de títulos pagando 15% ao ano. Como vou concorrer com ele? Se o banco pode emprestar a 15% para o governo, sem risco nenhum, por que ele emprestaria a 12% para mim, e ainda correndo muito risco de calote?

    Com o governo em cena competindo pelo crédito e se oferecendo para pagar 15% ao ano, a única forma de eu conseguir algum crédito é me dispondo a pagar juros de, sei lá, 20% ao ano. Por menos que isso o banco não vai me emprestar. É muito arriscado. Ainda mais em uma economia já recessiva.

    E 20% ao ano, em uma economia recessiva, eu não tenho condição de pagar. Logo, fico sem nada.

    Ou seja, se não fosse o governo, os bancos provavelmente teriam emprestado para mim. Mas com o governo em cena, minhas chances se tornam praticamente nulas.


    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Henrique  28/04/2016 02:45
    Resumindo então:
    Não é um problema na quantidade de crédito, é um problema no preço dele!

    Maravilha, essa vai pro caderninho =]

    Forte abraço.
  • Anderson  28/04/2016 01:19
    Infelizmente a lição não será aprendida,como nunca foi, e vão colocar a culpa na crise internacional e dizer que não aceitam cortes de gastos por que querem "tirar direitos garantidos da população".
  • Killarney  01/05/2016 01:01
    Já começaram. Estou aos poucos me desligando de Facebook. Mas hoje mesmo dei uma passeada e na minha timeline, vi 3 ou 4 posts falando, em suma, que o Temer irá privatizar tudo (QUEM NOS DERA!!!) e que o povo ficará sem educação e saúde gratuitas. kkkkkkkkk
  • Auxiliar de metralhadora  28/04/2016 01:27
    Olá!

    Ver aquele gráfico do IBGE sendo usado no artigo é de doer a vista!

    A taxa real de desemprego (como bem sabemos) é quase 5 vezes maior que o enunciado pelo IBGE.

    Muito obrigado pelo artigo Leandro!

    Tudo de bom!

  • Leandro  28/04/2016 02:36
    Mas os números da PNAD são bem mais realistas do que os da pesquisa mensal de emprego, que aborda apenas meia dúzia de capitais.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Auxiliar de metralhadora  28/04/2016 11:18
    Olá!


    Eu apenas falei em tom de brincadeira Leandro. Peço desculpas se fui mal compreendido,rsrs...

    Em todo caso, agradeço pela elaboração de seu artigo.

    Tudo de bom e abraços!
  • Renato  28/04/2016 01:58
    Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email NOVO é galenoeu@gmail.com
  • Leandro  28/04/2016 02:39
    Prezados, agradeço vivamente as manifestações elogiosas de todos. Não responderei uma por uma porque, se o fizesse, praticamente duplicaria o número de comentários aqui, poluindo desnecessariamente a seção.

    Grande abraço a todos e minhas mais profundas considerações.
  • Felipe Lange S. B. S.  01/05/2016 13:39
    Obrigado por mais um artigo!
  • Leandro  28/04/2016 04:24
    Aproveitando o tópico, recomendo essa espetacular -- porém profundamente triste -- matéria do Profissão Repórter sobre a depressão econômica do Brasil, as indústrias falidas (o câmbio desvalorizado não ia ajudar?), o varejo falido (a inflação não iria ajudar?), e todos os desempregados (os déficits do governo não iriam ajudar?).

    globoplay.globo.com/v/4986126/

    A capacidade do governo de destruir a economia jamais deve ser subestimada.
  • Isis Monteiro  28/04/2016 11:41
    Leandro, o governo petista destruiu a nação. Concordo com você que a capacidade do governo destruir a economia jamais deve ser subestimada. O Brasil está arrasado. Levará muito tempo para construi-lo novamente. E quem pagará a conta somos nós.
  • Douglas  28/04/2016 20:09
    Olha Leandro, vou te falar: Eu fiquei com uma dor enorme no coração e lágrimas nos olhos. Eu tenho um mercadinho com meu pai e graças a Deus e nossa competência estamos bem. Fico triste por estas pessoas que estão tendo seus sonhos interrompidos por toda essa politica Keynesiana que arruína a vida das pessoas.
  • André  29/04/2016 13:57
    Reportagem bem triste, muito bem feita, repórteres de parabéns. Justamente os mais humildes estão pagando de forma amarga o descalabro nas contas públicas.
    Mas também é muito interessante os empreendedores pegando os cacos dos que fracassaram e construindo novos negócios.
  • Miguel Bastos  29/04/2016 19:34
    De fato, essa matéria do Profissão Repórter foi excelente. Toda a teoria econômica vista na prática, em uma realidade crua.
  • Andre Henrique  28/04/2016 10:49
    Leandro Roque mitando... para variar!
    É uma pena que metade da população brasileira não consiga interpretar uma simples frase, quiçá um artigo como esse.
    Abç,
    AHR
  • Isis Monteiro  28/04/2016 11:55
    O grande legado do governo nos últimos 13 anos: um país falido, 10 milhões de desempregados, empresas fechando, hospitais sem médicos, aposentados sem receber suas aposentadorias, contas públicas estouradas, a maior corrupção da história, uma presiDENTA que não sabe falar, etc,,etc..etc..
  • Andre  28/04/2016 12:00
    Sou bastante pessimista no futuro próximo, e em 2018 lá no segundo turno das eleições presidenciais escolheremos entre Marina e Lula.
  • Pobre Paulista  28/04/2016 14:31
    Lula? Só se for pra presidente da papuda.
  • Andre  28/04/2016 16:59
    Então... aí vai ser Marina pqp...
  • mauricio barbosa  28/04/2016 15:19
    Pobre Paulista

    Não subestime a possibilidade de LULA ser eleito em 2018,afinal os pobres votam com o estomago ao invés de raciocinar,portanto ah sim amplas chance de ele levar essa e avançar com a agenda esquerdista pró-bolivariana e ai estaremos lascados...
  • Mais Mises...  01/05/2016 01:05
    O Lula não será eleito em 2018 pelo simples fato de que ele estará preso. Apenas isso!
  • Olavo  28/04/2016 15:43
    Esse artigo deveria ser obrigatório nas universidades.
  • Beth Prado  28/04/2016 20:37
    Sem dúvida o Lula (se não for preso) pode ser eleito em 2.018 por pura ignorância de quem vota. Não conseguiram enxergar o que foi feito no Brasil nos últimos anos. Vão imaginar que com ele tudo irá melhorar.
  • anônimo  28/04/2016 20:44
    Leandro, aproveitando o artigo, gostaria de te perguntar: qual a inflação real do Brasil ?
  • Leandro  28/04/2016 22:03
    Se você está se referindo à real perda do poder de compra da moeda, então é sempre bom ter esse gráfico do preço do ouro aberto em seu monitor:

    goldprice.org/gold-price-chart.html

    Escolha a moeda "BRL" e coloque os intervalos de tempo de sua conveniência.
  • Rebeca  06/05/2016 02:10
    Leandro, muito bom seu artigo assim como todos os outros de sua autoria ^^
    Aproveitando o comentário sobre inflação, queria saber: vc acha que nós próximos anos podemos viver mais uma época de hiperinflação assim como aconteceu na década de 80 e início de 90?
  • Wesley  28/04/2016 22:00
    Vou profetizar o que vai acontecer: vai vir um governo que vai arrumar as contas num prazo maior e será demonizado como fizeram com o FHC. Depois o populismo voltará novamente. E por que digo isso? Não só pelo poder da esquerda, mas porque a população quer mais serviços públicos, crédito subsidiado, programas assistencialistas e por aí vai. As pessoas não entenderam que o governo causou isso tudo, pois querem outro que não seja a Dilma, pois acham que ela quem foi culpada e outro resolverá. As pessoas não querem diminuição do Estado e corte de gastos públicos. Só o fato de estarem ofendidos de roubarem "nossa" Petrobras, já revela nosso futuro. Não aprendemos com a década de 80 me não aprenderemos agora. O Marx acertou quando disse que a história se repete como tragédia, e o que disse se aplica muito bem no Brasil.
  • Andre  29/04/2016 12:22
    Falou tudo.
    A mesma classe média que está malhando o PT hoje, não quer ver menos estado, quer mais estado, não haverá nenhum suporte a um governo com qualquer traço de viés liberal pela sociedade.
    Vizinhos meus e tantos outros antipetistas roxos querem até que a prefeitura limpe os matos de sua calçada, mais concursos para que seus filhos possam serem servidores públicos bem pagos, mais dinheiro pro SUS para tratar sua idosa mãe, mais dinheiro na péssima educação para que seus netos estudem em escolas com notebooks e mais dinheiro na previdência privada para lhes garantirem aposentadoria aos 55 anos no máximo.
    Trabalho, produzo e sonego tanto quanto posso, não vislumbro aposentadoria antes dos 70, filho em escola particular e homeschooling lendo e calculando precocemente, mãe idosa não perde o dia todo no médico e faz consultas e exames no máx em 10 dias, 1 consultoria, 1 empresa e 1 hobbie lucrativo, a calçada está impecável e sem matos.
    Vizinhos meus falam que sou um cara de sorte.
  • Márcio Pereira  29/04/2016 12:47
    Desemprego encerra março em 10,9% e o número de desempregados sobe para 11,1 milhões.

    saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=3151

    Parece que o aumento dos déficits, dos gastos, do câmbio e da inflação não ajudou muito...
  • anônimo  29/04/2016 14:51
    Ajudou para nós usarmos esse exemplo do Brasil para mostramos aos outros que o desenvolvimentismo não funciona.
  • Alexandra Moraes  29/04/2016 13:05
    O grande legado HUMANITÁRIO do governo Dilma: mais de 10 milhões de desempregados, milhares de empresários falindo com as suas vidas destruídas. Belo legado!!!
  • Andre  29/04/2016 14:12
    Contra o impeachment venho me posicionando atualmente:
    terracoeconomico.com.br/e-preciso-antes-de-tudo-ter-estrategia

    O artigo já tem uns 2 anos, mas fica atual se trocar a conclusão pela posição de tentar salvar o que resta da economia presente, removendo o PT do governo, vai destruir completamente a economia futura quando nas próxima eleições psicopatas vendendo o céu via gastos públicos vencerem.
    Para o nível de deturpação da realidade que nossa população está, vamos ter que visitar momentos econômicos horríveis como Polônia e Romênia da década de 80 ou mesmo Venezuela atualmente.
    Para daí sim a população decidir a gestão econômica que quer.
  • Emerson  17/05/2016 15:44
    O que não é pouca coisa. Veja estas notícias recentes oriundas do socialismo do sec. XXI: "Maduro anuncia tomada de fábricas paralisadas e prisão de empresários"
    (g1.globo.com/mundo/noticia/2016/05/maduro-anuncia-tomada-de-fabricas-paralisadas-e-prisao-de-empresarios-20160514181003313392.html)
    Com a alegação de que "...tomemos todas as ações para recuperar o aparelho produtivo que está sendo paralisado pela burguesia (...), e quem quiser parar para sabotar o país que vá embora, e o que fizer isso deve ser algemado e enviado para a PGV (Penitenciária Geral da Venezuela)" declarou Maduro num comício. Até a principal fabricante de cervejas do país está ameaçada.
    Já na área da saúde a situação chega a níveis ainda mais surrealistas "DESCASO E MORTE MARCAM OS HOSPITAIS DA VENEZUELA" internacional.estadao.com.br/noticias/geral,nova-noticia,1869065):
    "Crise. Os dados são devastadores. O número de mortos entre os bebês com menos de um mês aumentou mais de cem vezes nos hospitais públicos administrados pelo Ministério da Saúde, de 0,02% em 2012 para mais de 2% em 2015, segundo informe do governo. Entre as mulheres que deram à luz nesses hospitais o número de mortes subiu quase cinco vezes no mesmo período, de acordo com o mesmo informe." (...)
    "A crise agora faz parte de uma disputa política entre os esquerdistas da Venezuela que controlam a presidência e seus rivais no Congresso. Os oponentes do presidente no Parlamento declararam uma crise humanitária em janeiro e este mês aprovaram lei que permitiria à Venezuela aceitar ajuda internacional para melhorar seu sistema de saúde." mas... " Mas Maduro foi à TV e rechaçou a iniciativa, afirmando que se trata de uma tentativa para prejudicá-lo e para privatizar os hospitais. " Duvido que em algum lugar do mundo, exceto Cuba, exista um sistema de saúde melhor do que este", disse o presidente."
    Anos interessantes nos aguardam...
  • Enrico  29/04/2016 17:57
    Pergunto com sinceridade: se os dados são tão claros (óbvios), porque essa divergência entre o teóricos da economia? Todas as outras ciências, quando confrontadas com evidências indiscutíveis, se moldam à isso, mudam a teoria, revisam seus conceitos.

    Se a avaliação feita nesse artigo traduz a realidade econômica, porque não há consenso? Porque desenvolvimentistas, kenesyanos e outros, não aderem à esse pensamento? Afinal me parece apenas questão de pesquisar alguns dados e conferir se eles representam os fundamentos teóricos. Nada demais.

    Ou não?

    Físicos não relutam em descartar teorias por outras melhores. Newton ainda é respeitado apesar de boa parte de sua teoria ter sido descartada. O que acontece com os badejos economistas? Por que não vemos a Escola Austríaca liderando os currículos dos cursos de economia?

    Muito bom texto Leandro, parabéns.
  • Pavanelli  29/04/2016 18:48
  • Enrico  29/04/2016 19:21
    Opa! Obrigado amigo, texto esclarecedor.
  • Isis Monteiro  29/04/2016 21:33
    Ótimo: "Quanto mais o keynesianismo fracassa, mais ele é ressuscitado sob novas promessas de prosperidade". Inúmeras ações econômicas calcadas em Keynes fracassaram em todo mundo. Apesar disso, o Keynesianismo ressurge fortificado com a promessa de salvação da lavoura. É incrível a deturpação de visão.
  • Gustavo  30/04/2016 10:27
    O que o pessoal do mises tem a dizer sobre esses mitos:

    www.breakinggoods.com.br/noticias/desvendando-a-economia/destruindo-mitos-iv-o-que-nos-inteligentes-e-de-direita-precisamos-admitir/
  • anônimo  30/04/2016 14:38
    Leandro, o que você diz sobre a teoria daqueles que mostram, historicamente, o processo de "financeirização dos preços" (juros e câmbio)?; falo de Tavares, Belluzzo e Ricardo Carneiro. Não uma opinião sobre os autores, mas sobre a financeirização dos preços em si.
  • Auxiliar  30/04/2016 20:37
    Já comentado nos artigos daqui.

    O fenômeno da contínua desvalorização da moeda gerou um agigantamento do setor financeiro — pois as pessoas, afinal, têm de adotar alguma medida para proteger o poder de compra da sua poupança —, criando justamente aquilo que os críticos do capitalismo chamam de "financeirização" da economia, arranjo em que os mercados financeiros adquirem importância central, deixando o setor produtivo, que é quem genuinamente gera riqueza, em segundo plano.

    Quer acabar com isso? Quer blindar câmbio e juros do governo e suas trapalhadas?

    Institua um Currency Board.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196

    Agora vá ver se irão defender esse arranjo os desenvolvimentistas Belluzo, Tavares e Carneiro, que têm orgasmos a cada nova desvalorização do câmbio -- desvalorizações essas que justamente estimulam ainda mais a finaceirização da economia.
  • Ruiter Faraco  30/04/2016 22:47
    Conclamo a divulgarem o blog que criamos: Carta Aberta a Michel Temer, estamos explicando as principais mudanças que ele precisa realizar para o país se reerguer e se tornar um lugar com qualidade para se viver. Cada dia estamos ampliando com mais temas. Lógico que não queremos tirar a audiência do site (nem temos condições intelectuais para isso!), até porque o nosso espaço é apenas para compilar ideias de reformas, sem qualquer competição! Abs!
    Acessem e divulguem a Temer! Vamos discutir o BRASIL! cartaabertaamicheltemer.blogspot.com.br/
    Divulguem e vamos debater!
  • Mais Mises...  01/05/2016 01:17
    Interessante a carta aberta do link. Parabéns pela iniciativa.
  • Ruiter Faraco  02/05/2016 00:26
    Obrigado, Mais Mises!
  • GabrielBL  01/05/2016 02:45
    Olá, Leandro.
    Eu estava lendo sobre um post seu a respeito do sistema bancário brasileiro e fiquei estupefato com tamanho conhecimento. Como o artigo era de 2012 imaginei que você não fosse responder um comentário feito lá, então aqui estou.

    É um pergunta OFF Topic. Eu queria saber como voce adquiriu, exatamente, tanto conhecimento? Foi por conta da faculdade, fez economia? Mestrado, leituras a parte, não sei...

    Vou começar a faculdade de economia em federal no meio do ano e estou um tanto receoso a obsessão deles por intervencionismo. Mas, de qualquer forma, eu gostaria apenas saber mesmo da onde vem tanta fonte de informações.
  • Emerson Luis  01/05/2016 13:29

    Ótimo artigo!

    E não podemos nos esquecer do nosso anti-herói: Roberto Jefferson!

    O fator Roberto Jefferson

    * * *
  • Fernando  01/05/2016 13:52
    Esses economistas do governo são bizarros. Eu nunca vi gente tão despreparada. Parece que a intenção é quebrar tudo.

    Os canalhas gastam 400 bilhões em juros, sendo que seria melhorar gastar a maior parte desse dinheiro em swaps cambiais.

    Seria melhor ficar comprando dólares e vendendo pelo mesmo valor, para manter a estabilidade do real. Isso sim combate a inflação.

    O câmbio tem impacto muito maior na inflação do que os juros. Enquando o governo gasta 400 bilhões com juros do tesouro, mais os subsídios do BNDES, seria melhor baixar logo esses juros e manter o real valorizado.

    É só ver os países ricos. Todos têm a moeda valorizada e juros baixos. O problema deles foram as dívidas públicas e não as moedas valorizadas.

    O legado da Dilma é a esmola e a crise.
  • Mises  01/05/2016 14:05
    Leandro Roque,

    Para fazer o Currency Board, o BC só precisa ficar comprando dólares, para depois vender à R$1,00 ? Na prática, parece ser isso o que acontece.

    Só vai ser diferente, se o dólar ficar mais desvalorizado do que o real. Nesse caso, o BC vai comprar dólares por alguns centavos, para depois vender à R$1,00.

    Isso seria o paraíso, porque os juros seriam usados apenas para controlar endividamento e não teria nenhuam relação com inflação.

    O erro do Gustavo Franco foi exagerar na dose. Ele segurou o dólar baixo e subiu os juros para 30%. Aí, travou tudo...
  • Leandro  02/05/2016 10:33
    Não, não é assim que funciona um Currency Board. Não tem nada disso de comprar dólares a um preço e revender a outro preço. Não tem nada disso de dólar ficar desvalorizado em relação ao real.

    Sob um CB, a taxa de câmbio é absolutamente fixa, tanto para a compra quanto para a venda.

    Artigo extremamente detalhado a respeito:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196
  • Ruiter Faraco   01/05/2016 19:42
    Criamos um blog, chamado Carta Aberta a Michel Temer, que sugiro para debate.
    Um dos temas tratados:
    "Fim de repasses de valores a ONGs ou associações de quaisquer finalidades. Motivo: toda associação privada deve ser realizada livremente e o Estado não pode financiar quaisquer movimentos. Apenas as pessoas privadas, devem patrocinar associações e organizações de quaisquer espécies: o setor público jamais deve repassar valores dos pagadores de impostos para tais setores sociais." cartaabertaamicheltemer.blogspot.com.br/?m=1
  • Celso Chini   02/05/2016 12:27
    Bom Dia !

    Muito Obrigado!

    Sou Administrador de Empresas FGV/SP ............... e nunca havia lido um Estudo tão técnico, profundo e didático!

    Estou divulgando por todos os meios disponíveis!

    Desnecessário dizer, tornei-me um fã deste site e vou acompanhá-lo.

    Grato!

    Celso Chini
  • Isis Monteiro  03/05/2016 00:35
    Belo legado humanitário da Dilma: 11 milhões de desempregados, empresários com suas vidas arrasadas, programas sociais sendo reduzidos, aposentados sem receber aposentadoria, etc...etc...etc... Grande legado humanitário.
  • Matias  03/05/2016 12:32
    Leandro, acho que o pessoal do TCU anda lendo teus artigos... olha o que diz o Júlio Marcelo a partir de 7:20

    https://www.youtube.com/watch?v=UjFlNLeD3dc
  • Leandro  03/05/2016 13:43
    Bem interessante.

    Em nossas estatísticas de acesso, há vários órgãos públicos: TCU, CGU, Ministério Público, Tesouro e até mesmo Banco Central. Vai que algum deles lê algo que lhe faça mudar de ideia...
  • mauricio barbosa   03/05/2016 14:40
    Pessoas sensatas(O procurador do TCU)lêem Mises e tiram suas conclusões independente de ideologias,agora políticos falam o que lhes é conveniente...
  • Isis Monteiro  03/05/2016 14:28
    A Dilma é a píor presidente da história do Brasil. No entanto, ela tem o mérito de acabar com mitos que são nefastos para qualquer país:Aumento de gastos, aumento da inflação, aumento dos déficits e desvalorização do câmbio. A Dilma conseguiu por em prática simultaneamente estes mitos e conseguiu enterrá-los para o bem da humanidade pois geraram 11 milhões de desempregados, disparada da inflação, contração dos investimentos, empresas de comércio e serviço fechando as portas, desindustrialização, queda das exportações, recessão e encolhimento de todos os setores da economia.

  • Valverde Lobato  03/05/2016 17:38
    A Dilma não foi (vamos assumir que ela já é página virada) a pior presidente do Brasil. Esse desonroso título cabe, sem sombra de dúvidas, a Getúlio Vargas. Ele foi o criador do estado supercentralizado e populista que impede o Brasil de andar para frente até hoje. Gegê foi uma das piores coisas que poderia ter acontecido ao nosso país.
  • Coeficiente 100%  04/05/2016 13:45
  • Leocir  10/05/2016 14:00
    Não deveria ser tão difícil para uma mente mediana entender que o gasto público não tem e não terá a mesma DILIGÊNCIA que o gasto privado. Isto serve para refutar ideias Keynesianas muito aplicadas e replicadas especialmente em países que adotam o regime socialista e que resultam em mais gasolina para apagar incêndio.
  • Joaquim Saad  10/05/2016 15:39
    Aliás, a camiseta que o IMB devia vender é "-Keynes +Mises" !
  • Bruno Aragão Nunes  14/05/2016 18:34
    Olá Leandro!!

    Na realidade o que você fez...não foi um artigo...e sim...uma palestra...daquelas...que deixa a todos atônitos.

    Foi você que produziu os gráficos 13 e 14??? Se sim... qual o programa?
    Se não...
    Onde que você os conseguiu?

    Abraço!!!
  • Leandro  15/05/2016 16:34
    Os gráficos são do Banco Central. Séries Temporais números 2946, 21862, 21863, 21866

    www.bcb.gov.br/pt-br/#!/n/SERIESTEMPORAIS

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Jango  21/05/2016 10:38
    Leandro, infelizmente os desenvolvimentistas e socialistas não desistirão.

    Quanto mais fracassos, mais esses caras ganham mais prestígios no mundo acadêmico.
  • Henrique  26/05/2016 04:31
    Olá Leandro.Vou apenas tratar o quinto mito e você poderá aplicar a ideia na análise dos outros mitos. Vou começar com uma pergunta: Quando o câmbio valoriza, a exportação aumenta, ou quando a exportação aumenta, o câmbio valoriza? O câmbio desvalorizado torna o mercado externo mais atrativo do que o mercado interno, fazendo os produtores preferirem exportar do que vender no mercado interno. Também faz o setor exportador querer produzir mais, DESDE QUE OS INVESTIMENTOS NECESSÁRIOS NÃO SOFRAM INFLUÊNCIA DO DÓLAR CARO. E é um movimento simultâneo como se pode ver comparando os dois gráficos. Com relação ao fomento da indústria nacional, não adianta nada um câmbio desvalorizado e um juros alto. Não haverá investimento e haverá inflação, ou seja, haverá estagflação. É importante cautela na interpretação dos números, e atenção para se considerar todas as variáveis quando se vai tirar alguma conclusão.
  • Leandro  26/05/2016 13:20
    "Quando o câmbio valoriza, a exportação aumenta, ou quando a exportação aumenta, o câmbio valoriza?"

    Nem uma coisa nem outra. A relação é outra.

    A desvalorização da moeda gera, por todos os motivos explicados, desorganização da economia, o que afeta, inclusive, a capacidade de investimento das próprias indústrias exportadoras. Com moeda fraca, os insumos encarecem. Com insumos mais caros, investimentos para expandir a capacidade produtiva das indústrias se tornam economicamente inviáveis. Consequentemente, não se aumenta a produção. Consequentemente, a indústria se contrai e as exportações caem.

    Essa é a relação correta.

    "O câmbio desvalorizado torna o mercado externo mais atrativo do que o mercado interno, fazendo os produtores preferirem exportar do que vender no mercado interno."

    No primeiro momento, e no curtíssimo prazo, sim. Só que isso dura até o momento em que a desvalorização da moeda começa a gerar todos os efeitos citados acima, o que acaba afetando negativamente as exportações.

    Você, pelo visto, é o clássico exemplo do economista que consegue olhar apenas para o curto prazo.

    "Também faz o setor exportador querer produzir mais, DESDE QUE OS INVESTIMENTOS NECESSÁRIOS NÃO SOFRAM INFLUÊNCIA DO DÓLAR CARO."

    Agora, sim, você falou algo correto. Só que, ao fazer isso, você se contradisse totalmente em relação ao que já havia dito antes.

    Diga-me: quando é que os "investimentos necessários" em um setor intensivo em capital -- como é o caso de qualquer indústria em um mundo globalizado -- não sofrem influência do dólar?

    Em um mundo globalizado, em que as cadeias de produção são integradas, não há como se isolar os efeitos de uma desvalorização da moeda. Se a moeda se desvaloriza, os insumos encarecem. Mais ainda: se a moeda se desvaloriza, todos os custos de produção sobem (por causa de carestia que a desvalorização da moeda gera no mercado interno).

    Isso, no longo prazo, anula qualquer eventual benefício que um câmbio desvalorizado possa trazer para as exportações. Dizer que indústria se beneficia com moeda desvalorizada é o equivalente a dizer que empreender na Argentina é mais negócio do que no Chile.

    O único setor que pode realmente prosperar durante um longo período de desvalorização da moeda é aquele que usa mão-de-obra barata, poucos insumos tecnológicos e que exporta produtos de baixíssimo valor agregado -- o que não é o caso de nenhuma indústria.

    "Com relação ao fomento da indústria nacional, não adianta nada um câmbio desvalorizado e um juros alto."

    Durante todo o ano de 2012 e durante todo o ano de 2013, os juros estavam no menor patamar da história do real. Os juros de todos os anos anteriores haviam sido muito maiores.

    Mais ainda: o câmbio também estava mais desvalorizado que em relação a todos os anos anteriores: houve uma súbita desvalorização em agosto de 2011, quando o dólar pulou de R$ 1,60 para quase R$ 2. E em 2013, o dólar chegou a R$ 2,40. Ou seja: em dois anos, o dólar pulou de R$ 1,60 pra R$ 2,40. Desvalorização acentuada, como você defende.

    Pela sua lógica -- juros baixos e câmbio em contínua desvalorização -- era para a indústria e as exportações terem bombado. Isso não aconteceu. Talvez haja alguma falha na sua teoria...

    "É importante cautela na interpretação dos números, e atenção para se considerar todas as variáveis quando se vai tirar alguma conclusão."

    E digo mais ainda: de nada adianta ter "cautela na interpretação dos números" se você não possui um domínio da teoria econômica. Sem possuir um arcabouço econômico sensato, não há cautela que baste: você simplesmente não será capaz de interpretar corretamente os números.

    Certo?

    Grande abraço.
  • Henrique  26/05/2016 21:07
    Certíssimo Leandro. Muito rica nossa discussão.
    Em primeiro lugar, eu não defendo câmbio valorizado pois eu não defendo fixação de preço em nenhum mercados. Isso não dá certo. O plano cruzado não deu certo, o FHC teve que emprestar do FMI para manter o câmbio valorizado, e etc. Então eu defendo um câmbio flutuante.
    "Com insumos mais caros, investimentos para expandir a capacidade produtiva das indústrias se tornam economicamente inviáveis." Se o preço de um produto está alto, mais irá se investir na produção deste produto para conseguir abocanhar a demanda excedente. Se para realizar este investimento, o investidor se deparar com um alto preço de algum bem ou serviço, mais irá se investir na produção deste bem ou serviço para conseguir abocanhar esta demanda excedente. Até que se chegue ao preço de equilíbrio. E até que se chegue ao cerne da questão (inflação), que no Brasil talvez seja a indústria de ponta ou D1.
    Um mercado global sem barreiras comerciais é viável desde que todos os países adotem. Hoje o único setor que o Brasil é competitivo (bens primários) é protegido nos países desenvolvidos. E no Brasil quando o câmbio desvaloriza funcionando como proteção para a indústria brasileira (que é o setor mais fraco do Brasil), os juros se elevam para controlar a inflação. Mas isso inviabiliza os investimentos produtivos que desenvolveriam nosso setor mais fraco e nos tornaria menos dependentes.
    No período de 2012 a 2013 o dólar chegou a 2,40, mas a média dos dois anos foi de 2,06 o que é um câmbio levemente valorizado. E a selic média neste período foi de 8,42%. É baixa se comparada historicamente, mas ainda estava num nível que inviabilizava os investimentos produtivos uma vez que a mão de obra estava cara (talvez mais do que a sua produtividade) e o câmbio dava a possibilidade de importar em vez de produzir aqui. Por isso não houve investimento produtivo.
    Certo? Além da sua opinião sobre minha análise, gostaria da sua opinião sobre o protecionismo agrícola dos países desenvolvidos.
    Grande abraço.
  • Leandro  26/05/2016 23:20
    "Se o preço de um produto está alto, mais irá se investir na produção deste produto para conseguir abocanhar a demanda excedente."

    Já começou errado.

    Os insumos para a indústria estão caros porque a moeda se desvalorizou, e não porque está havendo um excesso de demanda. Consequentemente, criar oferta com o intuito de satisfazer uma demanda que não aumentou não faz sentido.

    Logo, e por si só, esse raciocínio não se sustenta.

    "Se para realizar este investimento, o investidor se deparar com um alto preço de algum bem ou serviço, mais irá se investir na produção deste bem ou serviço para conseguir abocanhar esta demanda excedente."

    De novo, não há demanda excedente. Há apenas moeda desvalorizada.

    Na prática, você está dizendo que uma desvalorização da moeda, ao encarecer os preços dos insumos importados, irá estimular empreendedores a entrar no mercado e ofertar esses insumos.

    Em primeiro lugar, uma oferta de algo desse tipo -- maquinários e insumos de alta tecnologia para as indústrias -- não surge da noite para o dia. Você jamais pode ignorar o fator tempo em sua análise.

    O que você está dizendo é que, se hoje o câmbio pular de R$ 2 para R$ 4, amanhã um cara irá prontamente abrir uma fábrica ultramoderna de bens de capital com tecnologia suíça e mão-de-obra ultraqualificada para fornecer para toda a indústria nacional, suprindo assim aquela oferta que deixou de ser importada.

    Faz sentido?

    Aliás -- e lá vamos nós de novo --, observe o gráfico 14, linha azul: quando o câmbio se desvaloriza, a indústria de bens de capital desaba. Bem ao contrário do que você diz que ocorreria.

    Por que isso acontece? Por todos os motivos que expliquei na minha resposta acima (e no artigo).

    "Um mercado global sem barreiras comerciais é viável desde que todos os países adotem."

    Essa é a falácia favorita dos protecionistas, mercantilistas e defensores das reservas de mercado para a FISEP.

    Nove perguntas frequentes sobre importação, livre comércio e tarifas protecionistas

    A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro

    Países pobres tributam pesadamente importados; países ricos têm suas fronteiras abertas

    Não há argumentos econômicos contra o livre comércio - o protecionismo é a defesa de privilégios

    "No período de 2012 a 2013 o dólar chegou a 2,40, mas a média dos dois anos foi de 2,06, o que é um câmbio levemente valorizado. E a selic média neste período foi de 8,42%. É baixa se comparada historicamente, mas ainda estava num nível que inviabilizava os investimentos produtivos"

    E de 2007 a 2011, em que o câmbio ficou continuamente abaixo de R$ 2, e a SELIC foi muito mais alta? A produção industrial não apenas cresceu aceleradamente, como ainda chegou ao seu ápice. Houve investimentos produtivos. Mas não era para ter havido, segundo a sua lógica.

    Qual a sua explicação para esse aparente paradoxo?

    Por favor, não entre nessa de torturar os dados até que eles confessem apenas aquilo que você quer. Apenas aceita a teoria econômica.

    "gostaria da sua opinião sobre o protecionismo agrícola dos países desenvolvidos"

    Totalmente contra, obviamente. Mas quem se estrepa são os consumidores de lá, que são obrigados a pagar mais caro para manter a boa vida de seus produtores rurais.

    E, para o consumidor brasileiro, isso tem um lado positivo, pois, com essa barreira, acaba sobrando mais oferta de produtos agrícolas no nosso mercado interno, o que gera uma pressão baixista nos preços.
  • Henrique  27/05/2016 02:53
    "Na prática, você está dizendo que uma desvalorização da moeda, ao encarecer os preços dos insumos importados, irá estimular empreendedores a entrar no mercado e ofertar esses insumos." Sim, é isto que eu estou dizendo.
    "Em primeiro lugar, uma oferta de algo desse tipo -- maquinários e insumos de alta tecnologia para as indústrias -- não surge da noite para o dia. Você jamais pode ignorar o fator tempo em sua análise." Concordo plenamente.
    "O que você está dizendo é que, se hoje o câmbio pular de R$ 2 para R$ 4, amanhã um cara irá prontamente abrir uma fábrica ultramoderna de bens de capital com tecnologia suíça e mão-de-obra ultraqualificada para fornecer para toda a indústria nacional, suprindo assim aquela oferta que deixou de ser importada." Não, não é isto que estou dizendo.
    "Aliás -- e lá vamos nós de novo --, observe o gráfico 14, linha azul: quando o câmbio se desvaloriza, a indústria de bens de capital desaba. Bem ao contrário do que você diz que ocorreria." Não é o contrário. Está totalmente de acordo. Com o câmbio desvalorizado o insumo desta indústria encarece e, por conseqüência, o preço do bem aumenta, o que diminui a quantidade demandada e, consequentemente diminui a quantidade ofertada (deslocamento da curva de oferta para a esquerda). Com o preço do insumo alto, acontecerá investimentos para produzir este insumo aqui, afinal existe demanda para tal. Será um processo lento como vc mesmo informou. Porém isso é necessário para desenvolvermos um pouco mais de autonomia, assim como os países desenvolvidos desenvolveram um pouco de autonomia no setor de bens primários que justamente o setor que somos forte.
    "E de 2007 a 2011, em que o câmbio ficou continuamente abaixo de R$ 2, e a SELIC foi muito mais alta? A produção industrial não apenas cresceu aceleradamente, como ainda chegou ao seu ápice. Houve investimentos produtivos. Mas não era para ter havido, segundo a sua lógica." Era sim, pois é preciso ficar atento a outras variáveis. Mesmo com a selic alta, houve liberação de crédito para consumo, o que forçou a utilização da capacidade ociosa.
    Vc me perguntou porque a exportação não bombou entre 2012 e 2013. Eu lhe pergunto: Por que ela não reduziu, já que o câmbio desvalorizou na sua concepção? E eu lhe mostro o gráfico de exportações do IBGE que mostra que 2013, 2014 e 2015 se exportou mais do que em 2011. Portanto não há esta queda no final, que há no seu gráfico. Na verdade, é bem sabido que se exportou muito em 2015. Como me explica isso? Pois já não existe relação com o dólar. Mas eu lhe digo: final deste ano o dólar começa a cair.
    Veja aqui: seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?no=12&op=0&vcodigo=ST60&t=exportacao-bens-servicos-brvalores-constantes-1995
    Selecione o Brasil e clique em "enviar"
    Sobre o protecionismo agrícola, ele existe fortemente nos países desenvolvidos. E apesar dos consumidores pagarem mais caro, o emprego e a renda são preservados nestes países, o que fortalece a demanda doméstica e os torna menos dependentes de uma demanda externa. Nós dependemos da demanda externa por não possuirmos forte demanda doméstica.
  • Henrique  30/05/2016 15:28
    Leandro,seria mais fácil se sua bandeira fosse "em busca da verdade" em vez de ser "mises", pois, como não é, o meio se torna o fim. Como você aceitará uma ideia contrária à da escola austríaca? Como você continuará carregando o seu site com este nome se você aceitar ideias contrárias? Você não pode aceitar, não é mesmo? Aceitar significa automaticamente rever suas ideias, o que, por sua vez, significa sair da sua zona de conforto. E também significa se expor, o que não tem problema nenhum, afinal ninguém só acerta. Criar esta imagem é uma ilusão. Se colocar como alguém que irá passar conhecimento para os outros é um erro. Se colocar como alguém que irá refletir sobre um tema para tentar, junto com os outros, encontrar a verdade é o ideal. Porque se não, você não poderá errar e isto é impossível. E quando acontecer, você não poderá admitir para não desconstruir a imagem de alguém que irá passar conhecimento. E no seu caso, também não poderá desconstruir a bandeira que o site defende. O intuito do site é propagar um determinado pensamento econômico ou é contribuir para o desenvolvimento do pensamento econômico em geral? Na verdade, não estou afirmando estas coisas, pois não te conheço. Apenas desconfio que tenha esta postura que, diga-se de passagem, todos temos. Se estas palavras não lhe servem, então apreciarei continuar a buscar a verdade junto com você. Gostaria de saber se o que eu escrevi no comentário anterior está errado. Sobre o gráfico do IBGE,eu acho que a diferença entre os dois gráficos se deve a um medir o volume exportado e o outro medir o valor. E como o volume cresceu mas o valor decresceu, existe esta diferença. Sobre a medição do protecionismo dos países, deixo um artigo muito esclarecedor.

    www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142002000300002
  • Leandro  30/05/2016 15:35
    Essa é a postura típica do chorão derrotado.

    Como não consegue convencer pelos argumentos -- mesmo porque tanto a teoria quanto as evidências empíricas desmentem seus argumentos --, o indivíduo recorre a essas afetações de vitimismo e efusões de coitadismo. "Ui, você não se abre para novas idéias! Ai, você não aceita rever sua visão de mundo!"

    Ora, meu caro, sinceramente, quem tem de "aceitar novas idéias" e "rever suas visões de mundo" é exatamente aquele que defende teorias que já foram refutadas tanto pela teoria quanto pela prática -- como é o seu caso.

    A questão é simples, e você segue fugindo delas. Por isso, vou reformular: você defende que destruir o poder de compra da moeda é algo que gera crescimento econômico e indústrias fortes. Segundo você, quanto mais um país destrói sua moeda, maiores as chances de surgir uma Google, uma Amazon, uma Apple, uma Microsoft, uma Intel, e mais robustas e fortes serão sua indústrias.

    Eu penso o contrário, e apresentei argumentos, fatos e estatísticas. E acrescento: nenhum país que tem moeda fraca e inflação alta produz bens de qualidade que sejam altamente demandados pelo comércio mundial. Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte. Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc.

    Se moeda forte fosse empecilho para a indústria, todos esses países seriam hoje terra arrasada. No entanto, são nações fortemente exportadoras. Moeda forte e muita exportação.

    O que você apresentou em contrário? Como perfeitamente exemplificado no seu último comentário, você apresentou apenas vitimismo e coitadismo, chegando ao ridículo de apelar ao argumento infantil de que eu "não estou aberto a novas ideias". Não, meu caro. Eu apenas não estou aberto a idéias erradas. Uma pessoa que não aceita o modelo econômico venezuelano pode ser acusada de não "estar aberta a novas idéias"? Pela sua lógica, sim.

    Quer acreditar que destruir a moeda gera economia robusta? Ora, não é por mim. Fique muito à vontade. Não serei eu quem irá se estrepar ao seguir essa crença. Crie um site próprio e utilize essa sua propriedade privada para defender a destruição do poder de compra da moeda. Nada lhe impede de fazer isso.

    Aqui neste site, por outro lado, sempre que você vier com essa ideia será devidamente refutado com teorias, argumentos e fatos -- e isso, pelo visto, garantirá esperneios e gemidos constantes de sua parte.

    Saudações.
  • Henrique  30/05/2016 18:52
    Um debate não é uma disputa para se ter um derrotado. E realmente este tom sarcástico e histérico é típico de quem não entendeu o raciocínio apresentado.
    Vou repetir, pois creio que não tenha lido com atenção. Eu sou contra a fixação de preço em qualquer mercado. Simplesmente não dá certo. Plano cruzado causou desabastecimento, câmbio valorizado exigiu dois empréstimos do FMI. Prefiro um controle de natalidade a um salário mínimo. O preço é dado pela relação entre oferta e demanda e isto é inviolável. Interfira na oferta ou na demanda, mas deixe que o mercado escolha o preço. E quando o câmbio é flutuante, qual é a tendência do real? Desvalorizar. Isto acontece porque os países desenvolvidos protegem os setores que eles são fracos enquanto nós também protegemos os setores que somos fracos, mas de maneira mais fraca (só equilibramos quando nosso câmbio desvaloriza). Nós somos bons em bens primários e ruins em bens manufaturados. Os países desenvolvidos são o contrário. Sugiro fortemente a leitura deste artigo:

    www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142002000300002

    Conhecerá uma maneira mais precisa de medir o protecionismo. A teoria das vantagens comparativas de Ricardo está certa, mas os países precisam aderir. Mas este não é o ponto. Eu simplesmente disse que um câmbio desvalorizado incentiva a exportação e a indústria doméstica e dei outra interpretação para os gráficos. Fui bem objetivo e técnico, e gostaria que respondesse assim também. Pode continuar sendo sarcástico e tudo mais. Só tente ser, além disto, objetivo e técnico. Vou organizar abaixo os argumentos que eu gostaria da sua opinião.
    O que está entre parênteses é o que estava no comentário anterior e que eu esperava que me respondesse de forma lógica e racional.
    ("Aliás -- e lá vamos nós de novo --, observe o gráfico 14, linha azul: quando o câmbio se desvaloriza, a indústria de bens de capital desaba. Bem ao contrário do que você diz que ocorreria." Não é o contrário. Está totalmente de acordo. Com o câmbio desvalorizado o insumo desta indústria encarece e, por conseqüência, o preço do bem aumenta, o que diminui a quantidade demandada e, consequentemente diminui a quantidade ofertada (deslocamento da curva de oferta para a esquerda). Com o preço do insumo alto, acontecerá investimentos para produzir este insumo aqui, afinal existe demanda para tal. Será um processo lento como vc mesmo informou.) Isto não acontece?
    ("E de 2007 a 2011, em que o câmbio ficou continuamente abaixo de R$ 2, e a SELIC foi muito mais alta? A produção industrial não apenas cresceu aceleradamente, como ainda chegou ao seu ápice. Houve investimentos produtivos. Mas não era para ter havido, segundo a sua lógica." Era sim, pois é preciso ficar atento a outras variáveis. Mesmo com a selic alta, houve liberação de crédito para consumo, o que forçou a utilização da capacidade ociosa.) Não houve liberação de crédito que forçou a utilização da capacidade ociosa?
    Também gostaria da sua opinião acerca do gráfico de exportações do IBGE que mostra que o volume de exportações de 2013, 2014 e 2015 foram superiores ao volume de 2011. Talvez o seu gráfico leve em consideração o valor, e realmente os preços caíram, mas o volume aumentou. Neste caso, o volume aumentou num momento de câmbio desvalorizado. O que tem a dizer?
    Veja aqui:

    seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?no=12&op=0&vcodigo=ST60&t=exportacao-bens-servicos-brvalores-constantes-1995

    Selecione o Brasil e clique em "enviar"

    Só espero que não desvie o foco novamente para a alegria do Roberto Cláudio que não está entendendo nada e só torce para um lado "ganhar". E talvez agora que entender melhor, vai fazer mais sentido o meu comentário anterior.
  • Roberto Cláudio  30/05/2016 15:38
    Meu, o que é mais patético: ver um marmanjo como esse Henrique chorando porque foi refutado em uma discussão ou ver esse mesmo marmanjo chorando porque, após ser refutado, o oponente não apenas não lhe concedeu vitória como ainda se recusou a aceitar suas teses estapafúrdias?

    Brasil é realmente, como muito bem colocado, o país dos coitadistas.
  • anônimo  26/05/2016 13:37
    A economia do país está com a doença holandesa. Ou seja, depressão na indústria e aumento no agronegócio.


    A principal questão não é retirar direitos dos trabalhadores. Apesar do custo trabalhista não ser baixo, ainda é muito mais baixo do que em países desenvolvidos.

    A questão principal é retirar direitos dos empresários. Se o IRPJ e CSLL fossem de 10%, não estaríamos com a doença holandesa.




  • Leandro  26/05/2016 13:45
    Não apenas não existe esse negócio de "doença holandesa" (afinal, a Holanda pegou essa doença? Morreu?), como a atual situação brasileira nada tem a ver nem mesmo com os princípios básicos dessa "teoria".
  • anônimo  26/05/2016 14:48
    Parece um sintoma de doença holandesa, mas não com a mesma causa.

    Penso isso, porque nem a chance de ter crédito mais barato para competir, as empresas conseguiram ter.

    Para competir com o real valorizado, é preciso ter condições parecidas. Só que eles restringiram o crédito externo, e acabaram implodindo tudo.

    Eles desvalorizaram a moeda restringindo crédito. Isso não tinha como dar certo.

    Hoje, podemos afirmar que teria sido melhor deixar entrar o Tsunami Monetário.


    Reportagem do dia: 01/03/2012

    Mais cedo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também criticou a "guerra cambial", ao comentar a decisão de estender o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% para empréstimos externos com prazo de até três anos. Até então, essa alíquota incidia sobre as operações de até dois anos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (1º).

    "O governo não ficará assistindo impassível a essa guerra cambial. Nós temos que nos defender", disse Mantega, em entrevista coletiva. "O governo continuará tomando medidas para que o real não se valorize [excessivamente] prejudicando a produção brasileira", acrescentou.

    Segundo Mantega, a eficácia das medidas adotadas "tem sido notada ao longo do tempo", mas o governo não cogita taxar Investimento Estrangeiro Direto (IED) e a alíquota zero de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aplicações em ações "vai continuar assim".

    O objetivo da extensão do IOF sobre empréstimos no exterior é reduzir o ingresso de dólares no país, cuja cotação em relação ao real chegou a ficar abaixo de R$ 1,70 nesta semana.

    Essa medida, segundo fonte da equipe econômica, serve para diminuir a tomada de crédito no exterior de instituições financeiras e empresas e reduzir a entrada de dólares que tem acelerado a valorização do real.

    Com menos dólar entrando, a tendência é o dólar parar de se desvalorizar em relação à moeda brasileira.

    Em abril do ano passado, o governo já havia elevado de um para dois anos o prazo da incidência do IOF a 6%.
  • anônimo  26/05/2016 15:10
    O vírus da doença holandesa parece ser o Mantegas keynesian ou Dilmas bolivarian.

    Bloquear crédito externo era motivo para impeachement. É uma interferência direta no mercado e na livre iniciativa. Principalmente por um governo que burlava a suas próprias contas.
  • anônimo  27/05/2016 00:10
    Esse bloqueio ao crédito externo foi a pior coisa que eles fizeram. Isso derrubou o dólar e ainda segurou o valor de vários títulos podres.

    O mercado financeiro estava pegando dinheiro no exterior, para colocar em rendimentos altos no Brasil. Isso foi "o mercado funcionando", como defendem os liberais.

    Qualquer aplicação com rendimento alto, o mercado financeiro colocava dinheiro. Ou seja, o mercado financeiro garantia o dinheiro para quem não tinha investidores, porque o crédito no exterior estava muito barato.

    A única consequência foi a queda do dólar. Essa valorização do real poderia ser boa, se não fosse o estado gastando mais do que podia, taxando todo mundo, burocratizando tudo, etc. Isso detonou a redução dos juros no Brasil, porque faltou apenas o governo gastar menos.

  • Inquisidor  27/05/2016 00:29
    Prezado anônimo, do que exatamente você está falando?

    O que seria "bloqueio ao crédito externo" e "crédito no exterior estava muito barato"?

    Ah, sim, sempre lembrando que, no Brasil, quem determina os juros é o Banco Central, órgão do governo. Logo, a sua frase -- "o mercado financeiro estava pegando dinheiro no exterior, para colocar em rendimentos altos no Brasil. Isso foi "o mercado funcionando", como defendem os liberais" -- é destituída de sentido lógico.
  • anônimo  27/05/2016 00:48
    Estou falando sobre a desvalorização do real.

    Em 2011, o Mantega colocou imposto nos empréstimos de crédito feitos no exterior com duração menor do que 2 anos. Em 2012, no segundo ou terceiro tsunami monetário, o Mantega aumentou o imposto sobre crédito no exterior para 3 anos.

    Ou seja, o real poderia estar muito mais valorizado, os juros mais baixos, a inflação menor, etc.

    É inacreditável como pessoas podem achar que a entrada de dólar é ruim. O impeachement foi pouco e saiu barato para os keynesianos/blivarianos.




  • anônimo  27/05/2016 01:23
    Até 2011, o mercado financeiro e as empresas faziam empréstimos no exterior pagando menos de 1% de imposto.

    Isso estava causando a entrada de muitos dólares no país.

    Em 2011, o finado Mantega resolveu dificultar esses empréstimos, acho que pela segunda vez, aumentando o IOF para 6% em empréstimos com menos de 2 anos. Em 2012, ele resolveu radicalizar isso e aumentou para 3 anos.

    Isso só causou dificuldade para as empresas obterem crédito e a inflação subiu por entrar menos dólares. Claro que essa pilhagem na economia como está no artigo foi a causa principal, mas essa medida foi uma das piores do finado Mantega.
  • Andre Cavalcante  26/05/2016 14:17
    WFT!

    "A principal questão não é retirar direitos dos trabalhadores. Apesar do custo trabalhista não ser baixo, ainda é muito mais baixo do que em países desenvolvidos."

    Veja só:

    Um trabalhador americano produz com 4 brasileiros

    Isso significa que o trabalhador norte-americano deveria ganhar 4x o salário de um brasileiro, correto?

    Mas...

    Salário médio do trabalhador americano

    Ou seja: R$ 6.680,47 para o americano; R$ 1.768,20 para o brasileiro. Mas 4x1.768,20 = R$ 7.072,80.

    Conclusão: só no nominal o custo do brasileiro já é mais alto que "em países desenvolvidos".

    E olha que levantei o valor do brasileiro do IBGE, ou seja, do governo. E ainda tem gente que diz que o custo trabalhista no Brasil é baixo!

  • anônimo  26/05/2016 16:10
    Então, tira direitos dos trabalhadores e em seguida, já toca a sirene da tropa de choque.

    Os sindicalistas são terroristas. Isso não vai mudar em pouco tempo.

    Seria melhor seguir o caminho da desoneração dos empresários, da desburocratização, etc.

    Ninguém muda o mundo do dia pra noite. As coisas sempre foram feitas em etapas.

    O melhor caminho é não usar o estado. Quando ninguém usar os serviços do estado, as pessoas irão concordar com a desativação por falta de uso.
  • VOTE NO PARTIDO NOVO  26/05/2016 20:41
    "Menina 'defende' capitalismo em questão de prova, leva nota zero e mãe questiona: 'Escola sem partido?'

    Leia mais: extra.globo.com/noticias/viral/menina-defende-capitalismo-em-questao-de-prova-leva-nota-zero-mae-questiona-escola-sem-partido-19380565.html#ixzz49nRogWsS"

    Vamos agir moçada! Vamos agir!!! Vamos pelo menos enviar emails aos congressistas para aprovarem a lei contra a doutrinação nas escolas! AO MENOS ISSO PRECISAMOS FAZER! É UM AVANÇO SIM NA CAUSA LIBERTÁRIA!
  • Breno Novaes  06/06/2016 19:02
    Outro fator é que, com o elevado endividamento e a consequente depressiação da reputação do Brasil nas agências classificadoraa de risco de crédito, o Banco central terá de aumentar a taxa Selic para aumentar a remuneração ,e,dessa maneira,tentar compensar a elevada classificação de risco, na tentativa atrair investidores. Com a taxa básica de juros na economia elevada as outras taxas de juros também se elevam, diminuindo o crédito no mercado, e, assim, diminuído também os investimentos e consumo, máximas Keynesianas para o desenvolvimento econômico.
  • JOAO PIZYSIEZNIG FILHO  26/07/2016 12:13
    Sobre o terceiro mito.
    "os déficits orçamentários do governo são financiados pela emissão de títulos do Tesouro, os quais são majoritariamente comprados pelos bancos por meio da criação de dinheiro. Déficits são, portanto, uma medida inerentemente inflacionária"

    Inflação ocorre por um excesso de demanda em relação a capacidade produtiva - não há bens para satisfazer a demanda.
    Só que, quando uma economia está em recessão, está ocorrendo justamente o contrário: há uma escassez de demanda em relação à capacidade produtiva. Neste caso, o aumento de demanda gerado por aumento de gastos do governo apenas faz a capacidade produtiva sair da ociosidade. Até que o PIB Potencial (um conceito austríaco) seja atingido. Só a partir daí pode ocorrer inflação.
    Portanto a afirmação de que em qualquer circunstância aumento de gastos do governo gera inflação está simplesmente errada. Nas recessões isso não ocorre.
    A observação empírica dos dias atuais mostra a inflação cedendo apesar da política expansionista do Henrique Meirelles.
  • Leandro  26/07/2016 12:44
    Você se confundiu com os conceitos de inflação.

    Inflação significa "aumento da oferta monetária". Uma medida inflacionária, portanto, é uma medida que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.

    Já um aumento de preços é uma consequência da inflação monetária.

    Portanto, quando o artigo diz que "déficits do governo são uma medida inflacionária", ele está dizendo que déficits do governo, por si sós, aumentam a quantidade de dinheiro na economia.

    Dito isso, vamos aos seus pontos:

    "Inflação ocorre por um excesso de demanda em relação a capacidade produtiva - não há bens para satisfazer a demanda."

    Se por "inflação" você quer dizer aumento de preços, então pode-se dizer que "excesso de demanda" é uma das coisas que causam aumento de preços. Mas não só.

    Uma moeda fraca -- a qual está se enfraquecendo por vários motivos, dentre eles uma crise política -- também gera carestia. Uma forte desvalorização cambial, como a que ocorreu ao longo de 2015, também gera carestia. Portanto, não é só questão de oferta e demanda.

    "Só que, quando uma economia está em recessão, está ocorrendo justamente o contrário: há uma escassez de demanda em relação à capacidade produtiva. Neste caso, o aumento de demanda gerado por aumento de gastos do governo apenas faz a capacidade produtiva sair da ociosidade".

    Parcialmente correto em relação à questão da demanda, mas a sua conclusão está errada. E isso foi explicado em excruciantes detalhes neste artigo.

    Para resumir, a economia entra em recessão porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados. Capital foi imobilizado em investimentos para os quais nunca houve uma demanda genuína (apenas artificial, impulsionada pela expansão do crédito). Na prática, capital e riqueza foram destruídos. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo para o qual nunca houve demanda genuína. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

    O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza. Querer expandir o crédito ou aumentar os gastos para tentar criar demanda para estes investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão ainda mais profunda no futuro. (Com o agravante de que consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação alta -- por causa da expansão do crédito --, e sem perspectiva de renda futura).

    "Até que o PIB Potencial (um conceito austríaco) seja atingido. Só a partir daí pode ocorrer inflação."

    PIB potencial nunca foi um conceito austríaco, mas sim mainstream. Não sei de onde você tirou isso. E não, a carestia não irá ocorrer só a partir daí. E estamos vivenciando uma comprovação empírica disso: as vendas no varejo estão se contraindo há vários trimestres, e a carestia segue em alta.

    De novo: carestia denota uma fraqueza da moeda, e não necessariamente demanda alta em relação à oferta. Prova disso é que nos anos de forte crescimento, como em 2007 e 2010, a carestia se manteve muito mais comportada que neste ano e no ano passado. Por quê? Porque a moeda estava mais forte.

    "Portanto a afirmação de que em qualquer circunstância aumento de gastos do governo gera inflação está simplesmente errada."

    Pra começar, o artigo nunca afirmou que "aumento de gastos do governo gera inflação". Isso é calúnia sua. O que o artigo afirmou, aí sim, é que déficits orçamentários do governo geram inflação, ou seja, aumento da oferta monetária.

    Mais atenção.

    "Nas recessões isso não ocorre. A observação empírica dos dias atuais mostra a inflação cedendo apesar da política expansionista do Henrique Meirelles."

    A inflação está se desacelerando em relação aos valores absurdos que havia alcançado recentemente, mas ela não está "cedendo". Ela continua assustadoramente alta. Uma economia apresentar uma inflação mensal de 0,54% estando em forte recessão está longe de ser uma "inflação cedendo".

    Quanto a dizer que não há carestia em recessões, bom, aí só posso dizer que você não estava no Brasil em 2015, quando o PIB encolheu 4% e a carestia ficou em 10,67%.
  • JOAO PIZYSIEZNIG FILHO  26/07/2016 16:44
    Leandro 26/07/2016 12:44:32
    Vamos lá, Leandro
    Confesso que aprendi muito. Aprendi que inflação e carestia são coisas distintas. E que se alguma medida pode causar inflação, isso não é motivo para criticá-la, pois inflação é inócua se não causar carestia.
    Mas, acho que você deve aprender que PIB Potencial é um conceito austríaco!
    Vamos, agora, por partes. Coloco meu nome na frente do comentário.
    Você se confundiu com os conceitos de inflação.
    Inflação significa "aumento da oferta monetária". Uma medida inflacionária, portanto, é uma medida que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.
    Já um aumento de preços é uma consequência da inflação monetária.
    João: Vivendo e aprendendo! Então, para facilitar, sempre que eu escrever inflação, entenda "carestia", embora pela sua última frase diga que a inflação implique necessariamente em carestia. Substituindo inflação por carestia, eu quero dizer que os déficits orçamentários não causam carestia quando a economia está em forte recessão, como a nossa.

    Portanto, quando o artigo diz que "déficits do governo são uma medida inflacionária", ele está dizendo que déficits do governo, por si sós, aumentam a quantidade de dinheiro na economia.
    Dito isso, vamos aos seus pontos:
    "Inflação ocorre por um excesso de demanda em relação a capacidade produtiva - não há bens para satisfazer a demanda."
    Se por "inflação" você quer dizer aumento de preços, então pode-se dizer que "excesso de demanda" é uma das coisas que causam aumento de preços. Mas não só.
    João: Insisto que em recessões não há excesso de demanda, mas escassez dela.

    Uma moeda fraca -- a qual está se enfraquecendo por vários motivos, dentre eles uma crise política -- também gera carestia. Uma forte desvalorização cambial, como a que ocorreu ao longo de 2015, também gera carestia. Portanto, não é só questão de oferta e demanda.
    João: Câmbio não tem a menor relevância no meu argumento. Se o câmbio está causando inflação ou carestia (como você chama), ainda assim, o aumento de gastos do governo não vai alimentar mais a inflação em recessões, e você reconhece que estou certo, logo abaixo.

    "Só que, quando uma economia está em recessão, está ocorrendo justamente o contrário: há uma escassez de demanda em relação à capacidade produtiva. Neste caso, o aumento de demanda gerado por aumento de gastos do governo apenas faz a capacidade produtiva sair da ociosidade".
    Parcialmente correto em relação à questão da demanda, mas a sua conclusão está errada. E isso foi explicado em excruciantes detalhes neste artigo.
    Para resumir, a economia entra em recessão porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados. Capital foi imobilizado em investimentos para os quais nunca houve uma demanda genuína (apenas artificial, impulsionada pela expansão do crédito). Na prática, capital e riqueza foram destruídos. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo para o qual nunca houve demanda genuína. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.
    O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza. Querer expandir o crédito ou aumentar os gastos para tentar criar demanda para estes investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão ainda mais profunda no futuro. (Com o agravante de que consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação alta -- por causa da expansão do crédito --, e sem perspectiva de renda futura).
    João: Li o artigo e creio que você o resumiu bem nos dois parágrafos acima no que tange a esta discussão. Acontece que o aumento de gastos do governo não tem o mesmo efeito do crédito direcionado. Aumento de gastos do governo gera uma expansão horizontal da demanda em todos os setores da economia. Não há como concluir, portanto, que essa expansão vá reforçar distorções. Mas o argumento principal, você não ataca: essa expansão da demanda NÃO terá impacto na carestia.

    "Até que o PIB Potencial (um conceito austríaco) seja atingido. Só a partir daí pode ocorrer inflação."
    PIB potencial nunca foi um conceito austríaco, mas sim mainstream. Não sei de onde você tirou isso. E não, a carestia não irá ocorrer só a partir daí. E estamos vivenciando uma comprovação empírica disso: as vendas no varejo estão se contraindo há vários trimestres, e a carestia segue em alta.
    João: PIB Potencial é um conceito austríaco e você pode ver neste artigo do Misses https://mises.org/library/misesian-insights-modern-macroeconomics-0 . De fato PIB Potencial e Fronteira de Possibilidade de Produção são a mesma coisa. Se quiser também trocar o termo aqui, minha frase ficaria da seguinte forma "Até que a Fronteira de Possibilidade de Produção seja atingida".

    De novo: carestia denota uma fraqueza da moeda, e não necessariamente demanda alta em relação à oferta. Prova disso é que nos anos de forte crescimento, como em 2007 e 2010, a carestia se manteve muito mais comportada que neste ano e no ano passado. Por quê? Porque a moeda estava mais forte.
    "Portanto a afirmação de que em qualquer circunstância aumento de gastos do governo gera inflação está simplesmente errada."

    Pra começar, o artigo nunca afirmou que "aumento de gastos do governo gera inflação". Isso é calúnia sua. O que o artigo afirmou, aí sim, é que déficits orçamentários do governo geram inflação, ou seja, aumento da oferta monetária.
    Mais atenção.
    João: Pois é, até hoje eu pensava que carestia e inflação eram a mesma coisa. Mas o que importa, mesmo, para o povo é se haverá ou não carestia. Se você diz que aumento de gastos do governo geram só inflação e inflação é só expansão monetária, e que inflação, per si, não tem efeito perverso para a população, qual o problema em haver inflação? Porque você critica a expansão dos gastos do governo como sendo inflacionária, se inflação não é problema?

    "Nas recessões isso não ocorre. A observação empírica dos dias atuais mostra a inflação cedendo apesar da política expansionista do Henrique Meirelles."
    A inflação está se desacelerando em relação aos valores absurdos que havia alcançado recentemente, mas ela não está "cedendo". Ela continua assustadoramente alta. Uma economia apresentar uma inflação mensal de 0,54% estando em forte recessão está longe de ser uma "inflação cedendo".
    João: Ah, sim! Vamos a semântica de novo! Troque o meu cedendo por desacelerando, que tá tudo certo!

    Quanto a dizer que não há carestia em recessões, bom, aí só posso dizer que você não estava no Brasil em 2015, quando o PIB encolheu 4% e a carestia ficou em 10,67%.
    João: eu não disse isso. Mais atenção! O que eu disse é que em recessões o aumento de gastos do governo pode reaquecer a economia sem incrementar a inflação (desculpe, esqueci: a carestia).
  • Leandro  26/07/2016 16:52
    Nem PIB potencial e nem Fronteira de Possibilidade de Produção são conceitos austríacos. O máximo que você irá encontrar são os trabalhos de um autor, Roger Garrison, que utiliza esses conceitos mainstream para formular a teoria austríaca dos ciclos econômicos de uma maneira que dialogue com o próprio mainstream. Você pode, inclusive, vê-la aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=206

    Vários austríacos são contra essa concessão; eu sou agnóstico quanto a ela.

    Ah, sim, naquele link que você mandou lá no meio da sua escrita, não há qualquer menção a PIB potencial (que não é a mesma coisa que FPP). E, ainda que PIB potencial fosse sinônimo de FPP, nenhum dos dois é um conceito austríaco, como já dito. O que o referido artigo faz é utilizar esse instrumental mainstream para ilustrar graficamente um insight misesiano, exatamente como também o faz o Garrison.

    Quanto ao resto do que você escreveu, está uma mixórdia incompreensível e convoluta demais. Em um futuro em que eu eventualmente esteja muito desocupado, posso me dar ao trabalho de tentar encontrar os parágrafos que são seus.

    Abraços.
  • anônimo  26/07/2016 16:46
    Leandro, de que forma o aumento da oferta monetária pressiona os preços para cima? Qual o "gatilho" que força os empreendedores a aumentarem os preços?
  • Leandro  26/07/2016 16:52
    A resposta que dois leitores lhe deram na seção de comentários deste artigo está correta:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1854&comments=true#ac177524


    Mas eu também acrescentaria o que foi dito neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304
  • anônimo  26/07/2016 22:23
    Obrigado!
  • Juliana  25/08/2016 22:25
    Mas pelo que a gente lê no artigo, o segundo mito (mais gastos governamentais geram mais crescimento econômico) ainda não foi necessariamente aniquilado.

    Principalmente porque muitos dos adeptos do keynesianismo, em primeiro lugar, defendem sim que o governo tem que gastar, mas ressaltam a distinção de que tem que ser para financiar mais as despesas de capital (investimento público) do que as despesas correntes (pagamento de funcionários, juros da dívida, educação, saúde, aposentadorias, etc.).

    E, em certas perspectivas, há inclusive quem veja o governo Dilma como em alguns momentos como tendo dado sinais de ser contracionista (por exemplo, quando em 2011 deu o menor aumento real para o salário mínimo) e também como um governo que em parte tentou transferir a responsabilidade do investimento para o setor privado (por exemplo, com as desonerações em folha de pagamento e com a promoção de parcerias público-privadas). Isso sem contar os aumentos de juros, que já é motivo suficiente para a Dilma não ser muito bem vista entre os keynesianos.

    Mas o artigo é ótimo.



  • Leandro  25/08/2016 23:04
    "o segundo mito (mais gastos governamentais geram mais crescimento econômico) ainda não foi necessariamente aniquilado."

    Infelizmente.

    Já foi provado na prática que ele não funciona. A teoria já havia provado isso há mais de um século. Falta agora as cabeças aceitarem.

    "Principalmente porque muitos dos adeptos do keynesianismo, em primeiro lugar, defendem sim que o governo tem que gastar, mas ressaltam a distinção de que tem que ser para financiar mais as despesas de capital do que as despesas correntes."

    O efeito sobre as contas públicas é o mesmo, gerando as mesmas consequências fiscais, as quais acarretam os mesmos problemas econômicos.

    "E, em certas perspectivas, há inclusive quem veja o governo Dilma como em alguns momentos como tendo dado sinais de ser contracionista (por exemplo, quando em 2011 deu o menor aumento real para o salário mínimo)"

    Tecnicamente, isso não tem nada de contracionista. Primeiro porque não é uma política fiscal direta. Segundo porque houve aumento salarial real.

    "e também como um governo que em parte tentou transferir a responsabilidade do investimento para o setor privado (por exemplo, com as desonerações em folha de pagamento e com a promoção de parcerias público-privadas)."

    As desonerações foram para evitar demissões e, com isso, maquiar os números do desemprego (que o próprio IBGE recentemente admitiu estarem subestimados) e não para incentivar investimentos.

    Já as PPPs foram impingidas com taxas de retorno tabeladas pelo governo. Isso não apenas não incentivou o investimento, como ainda o escorraçou (vide a lambança feita no setor elétrico e nas concessões de rodovias).

    "Isso sem contar os aumentos de juros, que já é motivo suficiente para a Dilma não ser muito bem vista entre os keynesianos."

    O BC de Dilma derrubou os juros de 12,50% para 7,25% num espaço de um ano. E ainda congelou preços para evitar que a carestia saísse de controle e, com isso, os juros ficassem baixos por mais tempo e o boom econômico fosse artificialmente prolongado (explicado em detalhes neste artigo).

    Isso é uber-keynesianismo. Não é à toa que quem mais está lamentando o expurgo dela é a extrema-esquerda. A ala mais racional do petismo (Palocci e cia.) nem quer saber dela.
  • Juliana  26/08/2016 21:45
    Olá para você também, Leandro!

    Pra mim, está fechado. Concordo e assino (sem ler) embaixo de tudo que você escreveu — ou o que venha a escrever. Mas só sobre o salário mínimo (que eu esqueci de completar que em 2011 teve o menor aumento real desde 1994), foi por não ser muito difícil para um desenvolvimentista/keynesiano ver este como um componente que ajuda na demanda agregada.

    Eu disse essas coisas mais porque você ressaltou a questão 'despesa corrente é vida', e há quem faça essa separação. Inclusive a própria Dilma, que acha uma simplificação "grotesca" a história de que investimento é bom e despesa corrente é má.

    Eu generalizei e exagerei demais, com ideias que são defendidas apenas por uma pequena corrente. Devo reconhecer.

    Grande abraço!
  • Kaio Marques  27/08/2016 18:09
    Ótimo artigo.
  • Raphael Lopes  31/08/2016 22:21
    Essa notícia praticamente passou despercebida em meio a todo o agito de hoje, mas merece destaque: no último trimestre, a taxa de câmbio se apreciou (ou seja, o real se valorizou perante o dólar) e, surpresa!, a indústria apresentou crescimento na produção, o primeiro crescimento em 5 trimestres.

    g1.globo.com/economia/noticia/2016/08/industria-cresce-apos-5-trimestres-mas-segue-longe-do-patamar-pre-crise.html

    Mais ainda: desde março -- exatamente quando o real começou a se valorizar fortemente -- a produção industrial só aumenta (vide gráfico no link acima).

    Alguém ainda defende desvalorização cambial como forma de estimular indústria?
  • Henrique  03/09/2016 01:48
    Será que não foi pelo estoque ter reduzido, e, então, voltaram a produzir? Na reportagem mostra que isto aconteceu.
  • Meirelles  03/09/2016 04:00
    E por que os estoques reduziram?

    Ou a população nacional voltou a consumir ou os estrangeiros passaram a importar mais da gente.

    No primeiro caso, isso mostra que o fortalecimento do real ajudou as indústrias. No segundo caso, mostra que o fortalecimento do real não só não afetou em nada as exportações, como ainda estimulou.

    Em ambos os casos, a defesa de uma moeda fraca fica ainda mais debilitada
  • Henrique  04/09/2016 23:05
    Também pode ser que no passado o consumo caiu e os estoques começaram a aumentar. Com isso, diminuíram a produção para os estoques começarem a cair, pois estoque é custoso. E, por fim, agora, que o estoque está no ponto certo, eles aumentaram um pouco a produção (não igual a antes) para manter o estoque neste ponto.
  • Aprendiz Austríaco  03/09/2016 15:13
    Olá Leandro ou qualquer pessoa que consiga me esclarecer sobre tais dúvidas, parabéns por esse maravilhoso artigo, estava estudando alguns livro aqui do site quando me deparei com 2 duvidas, desculpe se esse não é o local para tal pergunta, mas lá vai 2 citações que não ficaram completamente claras pra mim


    Primeira dúvida:

    "Desta maneira, quanto maior for a poupança, ou seja, quanto mais bens presentes se vendam e ofereçam, em igualdade de circunstâncias, mais baixo será o seu preço em termos de bens futuros e, portanto, mais reduzida será a taxa de juro; isto indicará aos empresários que existe uma maior disponibilidade de bens presentes para aumentar a duração e complexidade das etapas do processo produtivo tornando-as, passe a redundância, mais produtivas. Pelo contrário, quanto menor for a poupança, ou seja, em igualdade de circunstâncias, quanto menos dispostos estejam os agentes econômicos a renunciar ao consumo imediato de bens presentes, mais alta será a taxa de juro de mercado. Portanto, uma taxa de juro de mercado alta indica que a poupança é escassa em termos relativos, e isso é um sinal imprescindível que os empresários terão de levar em consideração, para não alargar indevidamente as diferentes etapas do processo produtivo, gerando descoordenações ou desajustamentos muito perigosos para o desenvolvimento sustentável, são e harmonioso da sociedade."

    Poderia formular um exemplo baseado na nossa realidade com essa citação para eu checar se estou raciocinando certo?






    Segunda dúvida:


    "Böhm-Bawerk reagiu energicamente contra a doutrina de Marshall, respondendo ao economista inglês que este em última instância ignorava que o custo é também um valor subjetivo (ou seja, uma apreciação subjetiva dos fins aos quais se renuncia ao agir de determinada forma), e que os custos monetários não eram senão os preços de mercado dos fatores de produção que em última instância estavam determinados também pelas avaliações de utilidade referentes a todos os bens de consumo alternativos que se poderiam produzir com eles, pelo que era inquestionável que não apenas uma, mas ambas as partes da famosa tesoura de Alfred Marshall tinham a sua base em considerações subjetivas de utilidade "

    Poderia formular um exemplo baseado na nossa realidade com essa citação para eu checar se estou raciocinando certo?

  • Leandro  03/09/2016 19:46
    A primeira parte foi abordada inteiramente aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=552

    A segunda parte envolve a noção de que os valores são subjetivos, inclusive os custos dos fatores de produção.

    Por exemplo, imagine um fabricante de rádio. Para construir seu produto, ele pode utilizar uma miríade de materiais, desde um simples plástico até a nobre platina. Como a platina é um metal nobre e relativamente escasso, seu preço é alto. Esse preço alto está enviando um sinal inequívoco ao fabricante de rádio: se ele quer usar platina, então é bom que seja para um motivo muito urgente, pois ele estará retirando recursos de outras indústrias para as quais a platina é um dos poucos materiais que tornam seu processo de produção lucrativo.

    Esse alto preço da platina, que o fabricante de rádio certamente não pode pagar, é reflexo do fato de que a platina é necessitada com mais urgência em outros setores da economia, e a lucratividade que ela gera para esses setores permite que seus usuários elevem o preço da platina até o ponto em que passa a não ser vantajoso para o fabricante de rádio competir por esse recurso escasso.

    É claro que o fabricante de rádio não necessariamente sabe por que o preço da platina é tão alto, ou quais são seus outros possíveis usos. Tudo o que ele sabe é que a platina é cara — e ele deve reajustar seu processo de produção de acordo com essa realidade. Ele terá, então, de utilizar um material como o plástico, cuja maior abundância ou menor urgência em outros setores torna seu uso mais viável e racional.

    Igualmente, o aço é uma matéria-prima para automóveis e também para geladeiras. Você direcionar mais aço para a produção de automóveis tem um custo de oportunidade: as geladeiras que deixarão de ser fabricadas. E vice-versa.

    Por isso, "os preços dos fatores de produção também são determinados pelas avaliações de utilidade referentes a todos os bens de consumo alternativos que se poderiam produzir com eles". O preço do aço para a produção de automóveis também engloba as geladeiras que estão deixando de ser produzidas.

    Milhões de decisões como essa são feitas diariamente, desde a fabricação de aviões até a produção de pães. As decisões são racionalizadas exatamente por causa do sistema de preços, e sem que os produtores envolvidos nesses processos tenham de saber por que exatamente as condições econômicas do momento fazem os preços serem como são.


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