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Por que não sou conservador

Nota

Atualmente, existe uma diferença intransponível entre o conservadorismo genuíno e o neoconservadorismo, este último uma aberração surgida nos EUA e capitaneada por ex-trotskistas.

Genuínos conservadores nunca defenderam a intromissão na vida alheia. Eles, por exemplo, são moralmente contra o uso de drogas e contra a homossexualidade, mas sempre se opuseram veementemente a qualquer tentativa do governo de moldar a sociedade, pois sabem que as consequências que isso gera são ainda piores do que qualquer vício (algo que, em última instância, é um problema apenas individual).

Genuínos conservadores defendem que a melhor maneira de se resolver problemas é por meio do voluntarismo, da responsabilidade própria, da família, dos amigos e da igreja, e não por meio de um governo monolítico que miraculosamente fará com que o indivíduo passe a cuidar de si próprio e se torne uma pessoa melhor. Conservadores genuínos sabem que o governo não pode fazer com que o indivíduo se aprume e passe a seguir bons hábitos. 

Similarmente, defender a invasão militar de países estrangeiros também nada tem de conservador.  Isso é uma plataforma dos neoconservadores, um movimento formado em sua quase totalidade por indivíduos ex-trotskistas que nunca abandonaram sua sanha intervencionista.

O problema é que esse genuíno conservadorismo possui uma de suas raízes na chamada "Old Right" americana, a qual não era de raiz conservadora mas sim libertária.  A "Old Right" era um movimento liderado por pessoas que passaram a ser desdenhosamente chamadas de isolacionistas, simplesmente porque se recusavam a aceitar que o estado se intrometesse em outros países. Essas mesmas pessoas também nunca aceitaram que o estado se intrometesse na vida do indivíduo dando-lhes ordens sobre como deveriam viver.  Elas acreditavam que a família e a religião é que deveriam ser o norte da vida de cada indivíduo, e não os burocratas do estado. 

Sua base era o liberalismo clássico.

Neste seu clássico artigo, Hayek ataca o conservadorismo de estilo europeu, o qual, ao contrário do americano, não tem raízes no liberalismo clássico.  Pela luz da história, os legítimos conservadores europeus foram os contra-revolucionários franceses, o antigo partido Tory inglês e seu filhote, a conhecida "Democracia-cristã", tão representada pelos partidos de direita na Europa. De um modo simplificado, suas defesas se baseiam razoavelmente em nacionalismo, corporativismo, estado assistencialista, estado moralizador, e nuances do tipo. São posições que vêm desde os fins das monarquias absolutistas.

Já o chamado "conservadorismo anglo-saxônico", em especial o surgido nos EUA com a "Old Right", nada tem de conservador (sob a visão européia). Esse conservadorismo americano se baseava na liberdade individual, na defesa da vida e da propriedade, na liberdade de empreendimento e de comércio. Trata-se da essência da ideia de conservação da liberdade, ideia essa oriunda diretamente do liberalismo clássico.

Em suma, ao contrário da Europa, nunca houve um conservadorismo de raiz nos EUA.  Os verdadeiros conservadores — no sentido americano, e não no europeu — sempre foram os liberais clássicos. 

Neste artigo, Hayek ataca o tipo de conservadorismo estatizante e nacionalista, muito em vigor na Europa e que se tornou convencional nos EUA desde a tomada do Partido Republicano pelos neoconservadores.  No Brasil, infelizmente, o tipo de conservadorismo predominante é um desdobramento desse neoconservadorismo americano. 

Adicionalmente, o termo 'liberal' que aparece no texto abaixo — que é como Hayek se auto-intitula — refere-se exatamente ao seguidor do liberalismo clássico.

Como disse Hans-Hermann Hoppe:

A Europa tem um passado feudal que é notável até mesmo hoje em dia, em particular na forma de numerosas regulações que restringem o comércio, ao passo que os Estados Unidos são marcadamente livres desde seu passado. Em conexão com isto há o fato de que, por longos períodos durante os séculos XIX e XX, a Europa tem sido moldada, mais que qualquer outra ideologia política, por políticas de partidos conservadores, ao passo que um partido genuinamente conservador jamais existiu nos Estados Unidos.

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1. O conservadorismo não oferece nenhum objetivo alternativo

Numa época em que a maioria dos movimentos considerados progressistas advoga uma invasão cada vez maior da esfera da liberdade individual (quase todos os projetos dos reformadores sociais de hoje são realmente liberticidas), aqueles que prezam a liberdade tendem a resistir a essa invasão com todas as suas energias.

Ao fazê-lo, geralmente se encontram lado a lado com os que costumam resistir às mudanças.

Em questões de política corrente, eles praticamente não têm outra escolha, hoje, senão apoiar os partidos conservadores. Contudo, embora a posição que tentei definir também seja muitas vezes tida como "conservadora", é bem diferente daquela à qual tradicionalmente se costuma atribuir o termo.

Uma situação em que os defensores da liberdade se unem aos verdadeiros conservadores em sua oposição comum a mudanças que ameaçam igualmente seus ideais diferentes é muito perigosa. Por essa razão, é importante distinguir claramente a posição que tomamos aqui daquela que sempre foi conhecida — talvez com maior propriedade — como conservadora.

O verdadeiro conservadorismo é uma atitude legítima, provavelmente necessária, e com certeza bastante difundida, de oposição a mudanças drásticas. Desde a Revolução Francesa, representa um papel importante na política européia. Até o surgimento do socialismo, o oposto do conservadorismo era o liberalismo. Este conflito não encontra equivalente na história dos Estados Unidos da América, porquanto o que na Europa se chamava "liberalismo", nos EUA representava a tradição comum, sobre a qual fora constituído o estado americano: assim, o defensor da tradição americana era um liberal no sentido europeu.[1]

A confusão piorou com a recente tentativa de transplantar para a América o tipo europeu de conservadorismo, que, por ser alheio à tradição americana, assumiu caráter de certo modo singular. Para piorar, os radicais e socialistas americanos já haviam começado a se denominar "liberais". Não obstante, continuarei, por enquanto, a chamar de liberal a posição que defendo e que, acredito, difere tanto do verdadeiro conservadorismo [europeu] quanto do socialismo. Contudo, devo esclarecer, desde já, que o faço com crescente apreensão e que mais tarde terei de considerar qual seria a denominação mais adequada para o partido da liberdade. Isto decorre não apenas de o termo "liberal" nos Estados Unidos ser, hoje, causa de constantes equívocos, como também de, na Europa, o tipo predominante de liberalismo racionalista vem abrindo caminho para o socialismo.

Direi agora o que considero a objeção decisiva ao verdadeiro conservadorismo: por sua própria natureza, o conservadorismo não pode oferecer uma alternativa ao caminho que estamos seguindo. Por resistir às tendências atuais poderá frear desdobramentos indesejáveis, mas, como não indica outro caminho, não pode impedir sua evolução. Por esta razão, o destino do conservadorismo tem sido invariavelmente deixar-se arrastar por um caminho que não escolheu.

A luta pela supremacia entre conservadores e progressistas só afeta o ritmo, não o rumo dos acontecimentos contemporâneos.  E, embora seja necessário frear o ritmo da evolução de determinadas políticas, pessoalmente não posso limitar-me a ajudar a puxar o freio. Acima de tudo, os liberais devem perguntar não a que velocidade estamos avançando, nem até onde iremos, mas para onde iremos.

Com efeito, o liberal difere muito mais do coletivista radical dos nossos dias do que o conservador. Enquanto este geralmente representa uma versão moderada dos preconceitos de seu tempo, o liberal dos nossos dias deve opor-se, de maneira muito mais positiva, a alguns dos conceitos básicos que a maioria dos conservadores compartilha com os socialistas.

2. A relação triangular dos partidos

O quadro geralmente apresentado da posição relativa dos três partidos contribui muito mais para confundir do que para esclarecer suas verdadeiras relações. Habitualmente, a representação é a de posições diferentes numa linha imaginária, com os socialistas à esquerda, os conservadores à direita e os liberais mais ou menos ao centro. Nada mais errôneo.

Se utilizássemos um diagrama, a figura mais apropriada seria a de um triângulo, com os conservadores ocupando um ângulo, os socialistas puxando para o segundo e os liberais para o terceiro. Contudo, como os socialistas há muito tempo exercem maior pressão, o que ocorreu foi que os conservadores tenderam a ser arrastados pelo pólo socialista mais que pelo pólo liberal e, sempre que lhes convinha, adotaram as idéias que a propaganda radical fazia parecer respeitáveis.

Comumente, foram os conservadores que fizeram mais concessões ao socialismo, chegando mesmo a empunhar suas bandeiras. Defensores da política de centro, desprovidos de objetivos próprios, os conservadores sempre se pautaram pelo princípio de que a verdade está entre os extremos — e, consequentemente, mudam sua posição toda vez que um movimento mais radical surge em qualquer um dos lados.

A posição que em determinada época podemos definir corretamente como conservadora depende, portanto, do rumo das tendências existentes no momento. Como, nessas últimas décadas, a evolução tem seguido em geral o rumo do socialismo, pode parecer que tanto conservadores quanto liberais se tenham preocupado basicamente em freá-la. Contudo, a verdade é que, fundamentalmente, o liberalismo quer tomar outro caminho, e não permanecer parado.

Embora hoje possa, às vezes, subsistir a impressão contrária — porque houve uma época em que o liberalismo era mais amplamente aceito e alguns de seus objetivos estavam mais próximos de ser alcançados—, o liberalismo clássico nunca foi uma doutrina retrógrada. Jamais existiu período em que os liberais tivessem encontrado sua realização plena e em que o liberalismo não esperasse um aperfeiçoamento ainda maior das instituições.

O liberalismo clássico não é contrário à evolução e à mudança; e, nos casos em que transformações espontâneas são asfixiadas pelo controle governamental, advoga profundas reformas na política de governo. No que diz respeito à maioria das atividades governamentais, no mundo de hoje, os liberais não têm por que preservar a situação como está.

Na verdade, o liberal clássico acredita que o mais urgente e necessário em quase todo o mundo seja a eliminação completa dos obstáculos à evolução espontânea.

O fato de nos Estados Unidos ainda ser possível defender a liberdade individual defendendo as instituições mais antigas não nos deve impedir de perceber a diferença entre liberalismo e conservadorismo. Para o liberal estas instituições são preciosas não porque existem já muito tempo, ou porque são americanas, mas porque correspondem aos ideais que tanto preza.

3. A diferença básica entre conservadorismo e liberalismo

Antes de considerar os pontos principais nos quais a atitude liberal se opõe de maneira definitiva à atitude conservadora, devo salientar que os liberais poderiam ter aprendido e se beneficiado muito com as obras de alguns pensadores conservadores. Devemos ao seu dedicado e reverente estudo do valor de algumas instituições análises profundas (pelo menos fora da área econômica), que constituem verdadeiras contribuições à nossa compreensão de uma sociedade livre.

Por mais reacionários que possam ter sido na política homens como Coleridge, Bonald, De Maistre, Justus Möses ou Donoso Cortès, eles mostraram uma compreensão do significado das instituições que evoluíram espontaneamente, como por exemplo, o idioma, o direito, a moral e as convenções. Mas a admiração dos conservadores pela evolução espontânea geralmente se aplica apenas ao passado. Em geral, falta-lhes a coragem de aceitar as mudanças não planejadas das quais surgirão novos instrumentos da realização humana.

Com isso, chegamos ao primeiro ponto no qual as atitudes liberais e conservadoras diferem radicalmente. Como muitas vezes os escritores conservadores reconheceram, uma das principais características da atitude conservadora é o medo da mudança, uma desconfiança tímida em relação ao novo enquanto tal[2], ao passo que a posição liberal se baseia na coragem e na confiança, na disposição de permitir que as transformações sigam seu curso, mesmo quando não podemos prever aonde nos levarão.

Não haveria por que contestar os conservadores se eles simplesmente não gostassem de mudanças muito rápidas nas instituições e na política de governo; de fato, neste caso, justifica-se o cuidado e o lento progresso. Mas os conservadores tendem a utilizar os poderes do governo para impedir as mudanças ou limitar seu âmbito àquilo que agrada às mentes mais tímidas.

Ao contemplar o futuro, carecem de fé nas forças espontâneas de ajustamento, que levam os liberais a aceitar mudanças sem apreensão, mesmo sem saber como as adaptações necessárias se efetivarão. Com efeito, faz parte da atitude liberal supor que, especialmente no campo econômico, as forças auto-reguladoras do mercado de alguma maneira gerarão os necessários ajustamentos às novas condições, embora ninguém possa prever como farão isso no caso particular.

Talvez não exista um fator que contribui mais para as pessoas frequentemente se mostrarem relutantes em deixar que o mercado funcione do que sua incapacidade de conceber como, sem controle deliberado, pode surgir o equilíbrio necessário entre a oferta e a procura, entre as importações e as exportações, e assim por diante. O conservador só se sente seguro e satisfeito quando tem a garantia de que alguma sabedoria superior observa e supervisiona as mudanças; somente quando sabe que há uma autoridade encarregada de verificar que elas se dêem dentro da "ordem".

Esse temor em confiar em forças sociais incontroladas está intimamente ligado a duas outras características do conservadorismo: sua paixão pela autoridade e sua falta de compreensão das forças econômicas.

Como não confia nem em teorias abstratas nem em princípios gerais[3], não compreende as forças espontâneas nas quais se baseia uma política de liberdade nem dispõe de bases para formular princípios de política de governo. Para os conservadores, a ordem aparece como o resultado da atenção contínua da autoridade, à qual, para tanto, se deve permitir tomar qualquer medida necessária em circunstâncias especificas, sem que se precise ater-se a uma norma rígida.

A aceitação de princípios pressupõe uma compreensão das forças gerais que coordenam as ações humanas na sociedade; porém, é exatamente de tal teoria da sociedade e em especial da teoria do mecanismo econômico que o conservadorismo evidentemente carece. O conservadorismo foi completamente incapaz de elaborar um conceito geral sobre a maneira pela qual a ordem social consegue sustentar-se; e seus modernos defensores, ao tentar construir uma base teórica, quase sempre acabaram apelando quase exclusivamente para autores que se consideravam liberais. Macaulay, Tocqueville, Lord Acton e Lecky certamente se consideravam liberais e com justiça; e mesmo Edmund Burke permaneceu um Whig da velha guarda até o fim e estremeceria à simples idéia de ser considerado um Tory.

Voltemos, porém, ao assunto principal, que é a característica complacência dos conservadores com os atos da autoridade estabelecida e sua preocupação primordial de que essa autoridade não seja enfraquecida (e não de que seu poder seja mantido dentro de certos limites). Isto não se concilia com a preservação da liberdade.

Em termos gerais, poderíamos afirmar que o conservador não se opõe à coerção ou ao poder arbitrário, desde que utilizados para fins que ele julga válidos. Ele acredita que, se o governo for confiado a homens probos, não deve ser limitado por normas demasiado rígidas. Como se trata de indivíduo essencialmente oportunista e desprovido de princípios, ele espera que os bons e os sábios governem, não meramente pelo exemplo, como todos queremos, mas por uma autoridade a eles conferida e por eles exercida.[4]

Como o socialista, o conservador preocupa-se menos com o problema de como deveriam ser limitados os poderes do governo do que com o de quem irá exercê-los; e, como o socialista, também se acha no direito de impor às outras pessoas os valores nos quais acredita.

Quando digo que o conservador carece de princípios, não quero com isso afirmar que ele careça de convicção moral. O conservador típico é, de fato, geralmente um homem de convicções morais muito fortes. O que quero dizer é que ele não tem princípios políticos que lhe permitam promover, junto com pessoas cujos valores morais divergem dos seus, uma ordem política na qual todos possam seguir suas convicções. É o reconhecimento desses princípios o que possibilita a coexistência de diferentes sistemas de valores, a qual, por sua vez, permite construir uma sociedade pacífica, com um emprego mínimo da força. Sua aceitação significa que podemos tolerar muitas situações com as quais não concordamos.

Há muitos valores conservadores que me atraem mais do que muitos valores socialistas, porém a importância que um liberal atribui a objetivos específicos não lhe serve de justificativa suficiente para obrigar outros a submeter-se a eles. Não conheço nenhum princípio geral ao qual recorrer para persuadir os que têm opinião diferente de que determinadas medidas que eles defenderm são inaceitáveis na sociedade que eu e eles desejamos. Para conviver com os outros é preciso muito mais do que fidelidade aos nossos objetivos concretos. É necessário um comprometimento intelectual com um tipo de ordem em que, até nas questões que um indivíduo considera fundamentais, os demais têm o direito de buscar objetivos diferentes.

É por esse motivo que para o liberal os ideais morais, bem como os ideais religiosos, não podem ser objeto de coerção, enquanto conservadores e socialistas não reconhecem esses limites. Às vezes, penso que o atributo mais marcante do liberalismo, que o distingue tanto do conservadorismo quanto do socialismo, é a idéia de que convicções morais quanto a questões de conduta — que não interferem diretamente com a esfera individual protegida pela lei — não justificam a coerção dos demais.

Isso também pode explicar por que parece muito mais fácil para o socialista arrependido encontrar um novo lar espiritual entre os conservadores [daí a ascensão do neoconservadorismo] do que entre os liberais.

Em última análise, a posição conservadora baseia-se no princípio de que, em qualquer sociedade, há indivíduos reconhecidamente superiores, cujos valores, padrões e posições precisariam ser protegidos, e que deveriam exercer maior influência nos assuntos públicos do que os demais.

Obviamente, o liberal não nega que existam pessoas superiores; ele não é um defensor do igualitarismo. O que ele nega é que qualquer um possa ter a autoridade de decidir quem são essas pessoas superiores. Enquanto os conservadores tendem a defender uma determinada hierarquia estabelecida e pretendem que a autoridade proteja o status daqueles que eles prezam, os liberais acreditam que não há respeito por valores estabelecidos que justifique o recurso ao privilégio ou ao monopólio ou a qualquer poder coercitivo do estado para proteger estas pessoas das forças da transformação econômica.

Embora o liberal esteja plenamente cônscio do importante papel que as elites culturais e intelectuais representaram no avanço da civilização, também crê que essas elites devem dar provas da capacidade de manter sua posição obedecendo às mesmas normas aplicadas a todos os outros.

Na esfera econômica, portanto, a oposição dos conservadores a um exagerado controle governamental não constitui uma questão de princípio, mas visa aos objetivos específicos do governo. Os conservadores geralmente se opõem às medidas coletivistas e dirigistas na área industrial e, neste caso, os liberais frequentemente encontrarão neles aliados. Mas, ao mesmo tempo, os conservadores adoram comumente uma atitude protecionista e já, muitas vezes, apoiaram medidas socialistas na agricultura.

De fato, embora as restrições hoje feitas à indústria e ao comércio sejam principalmente consequência de opiniões socialistas, as restrições igualmente importantes na área da agricultura foram em geral introduzidas pelos conservadores, em época anterior. E, em sua tentativa de desacreditar a livre iniciativa, muitos líderes conservadores rivalizaram com os socialistas.[5]

4. A fraqueza do conservadorismo

No campo puramente intelectual, há grandes diferenças entre o conservadorismo e o liberalismo.  A típica atitude do conservadorismo não apenas constitui uma séria fraqueza como também tende a prejudicar qualquer movimento que a ele se alie.

Os conservadores instintivamente acreditam que, mais do que qualquer outro fator, são as novas idéias que ocasionam as mudanças. Contudo, corretamente do seu ponto de vista, o conservadorismo teme novas idéias porque não dispõe de princípios próprios para se opor a elas; e, por desconfiar da teoria e faltar-lhe imaginação quanto a qualquer conceito que a experiência ainda não tenha comprovado, o conservadorismo pauta seu comportamento pelo conjunto de idéias herdadas em dado momento.

Este contraste se manifesta mais claramente nas diferentes atitudes de ambas as tradições em relação ao avanço do conhecimento. Embora o liberal não considere toda mudança um progresso, ele encara o avanço do conhecimento como uma das metas principais do esforço humano e confia em que lhe proporcione uma solução gradual para os problemas e dificuldades que esperamos poder resolver. Sem preferir o novo apenas por ser novo, o liberal está consciente de que é da essência da realização humana produzir o novo; e está preparado para conviver com o novo conhecimento, goste ou não de seus efeitos imediatos.

Pessoalmente, acho que o aspecto mais reprovável da atitude conservadora é sua tendência a rejeitar novos conhecimentos, ainda que bem fundamentados, porque desaprova algumas das conseqüências que aparentemente decorrem deles — ou, mais francamente, seu obscurantismo. Não nego que os cientistas, como qualquer pessoa, são dados a modismos e excentricidades e que devemos ser cautelosos em aceitar as conclusões às quais os levam suas teorias mais recentes. Mas os motivos de nossa relutância precisam ser racionais e não devem ser condicionados pela consternação que sentimos quando as novas teorias abalam nossas mais caras convicções.

Sou pouco paciente com os que se opõem, por exemplo, à teoria da evolução ou às chamadas explicações "mecanicistas" dos fenômenos da vida, simplesmente por causa de algumas consequências morais que, a princípio, parecem decorrer dessas teorias, e ainda menos paciente com os que consideram irreverente e ímpio indagar a respeito de certas questões. Ao recusar-se a enfrentar os fatos, o conservador contribui para enfraquecer sua própria posição.

Frequentemente, as conclusões que a mentalidade racionalista tira das novas interpretações científicas de modo algum decorrem delas. Contudo, somente se tomarmos parte da avaliação das consequências das novas descobertas saberemos se elas se adaptam ou ao à nossa visão de mundo, e, em caso afirmativo, como se adaptam. Caso se comprove que nossas convicções morais dependem de pressupostos factuais errados, não seria moral defender tais convicções recusando-nos a reconhecer os fatos.

Aliada à desconfiança dos conservadores em relação a tudo que é novo e incomum está sua hostilidade ao internacionalismo e sua tendência a um nacionalismo exagerado. Isto também contribui para enfraquecer sua posição na luta das idéias, e não pode alterar o fato de as concepções que estão modificando nossa civilização não respeitarem fronteiras. Entretanto, a recusa de estudar novas idéias acaba simplesmente privando o indivíduo do poder de opor-se efetivamente a elas quando necessário.

A evolução das idéias é um processo universal e somente os que participam ativamente dos debates poderão exercer uma influência significativa. Não é válido argumentar que uma idéia é antiamericana, antibritânica ou antigermânica, tampouco um ideal errôneo ou perverso é melhor somente por ter sido concebido por um de nossos compatriotas.

Muito mais poderia ser dito da estreita relação entre conservadorismo e nacionalismo, mas não me deterei na questão porque pode parecer que minha posição me impede de simpatizar com qualquer forma de nacionalismo. Acrescentarei apenas que normalmente é a tendência nacionalista que leva o conservadorismo a se aproximar do coletivismo: é muito pequena a distância que vai entre pensar em termos de "nossa" indústria ou "nossos" recursos e exigir que esse patrimônio nacional seja administrado de acordo com o interesse nacional.

Contudo, quanto a esse aspecto, o liberalismo do continente europeu derivado da Revolução Francesa praticamente não difere do conservadorismo. Não é necessário dizer que esse tipo de nacionalismo é plenamente compatível com um profundo respeito pelas tradições nacionais. Porém, o fato de eu preferir e mesmo reverenciar algumas tradições de minha sociedade não precisa obrigar-me a ser hostil a tudo que seja incomum e diferente.

Somente à primeira vista pode parecer paradoxal que o anti-internacionalismo conservador seja tão frequentemente associado ao imperialismo. Na verdade, quanto mais uma pessoa não gosta do que é diferente e julga superiores os seus métodos, mais tenderá a considerar sua missão "civilizar" os demais, não pelas relações livres e voluntárias preferidas pelos liberais, mas proporcionando-lhes as graças de um governo eficiente.

É significativo que nesse aspecto habitualmente encontremos os conservadores de mãos dadas com os socialistas, contra os liberais, não apenas na Inglaterra, onde os Webb e seus fabianos eram francamente favoráveis ao imperialismo, ou na Alemanha, onde o socialismo de estado e o expansionismo colonial caminhavam lado a lado e encontravam apoio do mesmo grupo de "socialistas de cátedra", mas também nos Estados Unidos, onde, até durante o mandato de Theodore Roosevelt, se observou que "os jingoístas e os reformadores sociais[6] se uniram e formaram um partido político que ameaçou tomar o governo e utilizá-lo para seu programa de paternalismo cesarista, perigo que agora parece ter sido conjurado somente pelo fato de que os outros partidos adotaram seu programa abrandando seu conteúdo e forma".[7]

5. Racionalismo, anti-racionalismo e irracionalismo

Há um aspecto, porém, em que podemos afirmar que o liberal ocupa uma posição de centro, a meio caminho entre o socialista e o conservador: ele está tão distante do racionalismo primitivo do socialista, que pretende reconstruir todas as instituições de acordo com um padrão prescrito por sua razão individual, quanto do misticismo ao qual o conservador frequentemente precisa recorrer.

Aquilo que defini como sendo a "posição liberal" tem em comum com o conservadorismo uma desconfiança em relação à razão, na medida em que o liberal está muito consciente de que não sabemos todas as respostas e não tem certeza de que as respostas de que dispõe sejam de fato as certas ou mesmo se poderemos ter respostas para tudo. Além disso, o liberal não se recusa a buscar o apoio de quaisquer hábitos ou instituições não racionais que revelaram válidos.

O liberal difere do conservador na disposição de aceitar esta ignorância e de admitir que sabemos muito pouco, sem reivindicar uma autoridade de origem supranatural do conhecimento sempre que rua razão falhar. Deve-se admitir que o liberal, em alguns casos, é fundamentalmente um cético[8] — mas aparentemente é necessário certo grau de desconfiança para deixar que os outros busquem sua felicidade à sua maneira e para defender com coerência esta tolerância, que é uma característica essencial do liberalismo.

Isto não significa necessariamente que um liberal não tenha uma convicção religiosa. Ao contrário do racionalismo da Revolução Francesa, o verdadeiro liberalismo não é contrário à religião, e apenas posso deplorar a militância anti-religiosa, essencialmente não-liberal, que animou grande parte do liberalismo no continente europeu no século XIX.

No entanto, tal característica não é essencial ao liberalismo, como o demonstram claramente seus ascendentes ingleses, os antigos Whigs, que, ao contrário, talvez simpatizem demais com uma determinada crença religiosa. Nesse aspecto, o que distingue o liberal do conservador é que, por mais profundas que sejam suas convicções espirituais, ele nunca se considerará no direito de impô-las aos demais e o fato de, para ele, o espiritual e o temporal serem esferas distintas que não devem ser confundidas.

6. A denominação do partido da liberdade

O que afirmei até agora deveria bastar para explicar por que não me considero um conservador. Muitos pensarão, contudo, que essa posição dificilmente corresponde ao que costumavam chamar de "liberal". Portanto, verificaremos agora se esta denominação ainda é adequada ao partido da liberdade.

Já observei que, embora durante toda minha vida eu me tenha definido um liberal, nos últimos tempos tenho feito isto com crescente apreensão — não apenas porque nos Estados Unidos o termo liberal dá margem a constantes equívocos, mas também porque me venho tornando cada vez mais consciente da grande distância existente entre a minha posição e a do liberalismo racionalista do continente europeu ou mesmo a do liberalismo inglês dos utilitaristas.

Ficaria extremamente orgulhoso de me definir um liberal, se liberalismo ainda tivesse o significado que lhe atribuiu um historiador inglês que, em 1827, falava da revolução de 1688 como o "triunfo dos princípios que, na linguagem de hoje, são chamados liberais ou constitucionais"[9], ou se ainda pudéssemos, com Lord Acton, classificar Burke, Macaulay e Gladstone como os três maiores liberais, ou se fosse ainda possível, com Harold Laski, considerar Tocqueville e Lord Acton "os liberais mais autênticos do século XIX".[10]

Porém, por mais que me sinta tentado a julgar o liberalismo desses pensadores um verdadeiro liberalismo, devo reconhecer que os liberais do continente europeu, em sua maioria, defenderam idéias às quais aqueles pensadores se opuseram firmemente e que foram motivados mais pelo desejo de impor ao mundo um padrão racional preconcebido do que pela vontade de favorecer uma evolução espontânea. O mesmo ocorre como o movimento que se denominou liberalismo na Inglaterra, pelo menos desde os tempos de Lloyd George.

É, portanto, necessário reconhecer que o que chamei de "liberalismo" pouca relação tem com qualquer movimento político que hoje assim se denomina. Também se pode questionar se as associações históricas evocadas atualmente por esse termo favorecem o êxito de qualquer movimento. É possível discordar quanto à conveniência de, em tais circunstâncias, tentarmos resgatar o termo daquilo que consideramos seu emprego incorreto. Pessoalmente, acredito cada vez mais que utilizá-lo sem longas explicações gera enorme confusão e que, como rótulo, se tornou mais obstáculo do que força motriz.

Nos Estados Unidos, onde se tornou quase impossível usar o termo "liberal" no sentido em que o utilizei, emprega-se em seu lugar o termo "libertário". Talvez esteja aí a resposta; no entanto, de minha parte, considero-a particularmente sem atrativo. Em minha opinião, tem um excessivo sabor artificial, de sucedâneo. Eu preferiria um termo que definisse o partido da vida, o partido que apóia o crescimento livre e a evolução espontânea. Mas, por mais que me esforçasse, não consegui encontrar um termo descritivo e confiável.

7. Recorrendo aos velhos "Whigs"

Caberia recordar, entretanto, que, quando os ideais que venho tentando reafirmar se difundiram pela primeira vez no mundo ocidental, o partido que os representava tinha um nome famoso.

Foram os ideais dos Whigs ingleses que inspiraram o que mais tarde ficou sendo conhecido em toda a Europa como o movimento liberal[11] e deram origem aos conceitos que os colonizadores americanos levaram consigo e que os guiaram em sua luta pela independência e no estabelecimento de sua Constituição.[12]

De fato, até o momento em que o caráter desta tradição foi alterado pelas idéias oriundas da Revolução Francesa, com sua democracia totalitária e suas inclinações socialistas, o partido da liberdade era conhecido pelo nome Whig.

Esse termo morreu no país em que nasceu, em parte porque, durante algum tempo, os princípios que ele representava deixaram de ser distintivos de apenas um partido e, em parte, porque os homens que se denominavam Whigs não permaneceram fiéis a seus princípios. Os próprios partidos Whig do século XIX, tanto na Grã-Bretanha quanto nos Estados Unidos, acabaram fazendo cair em descrédito o nome do partido entre os radicais.

Todavia, ainda é verdade que, como o liberalismo tomou o lugar do whighismo somente depois que o movimento pela liberdade absorveu o racionalismo grosseiro e militante da Revolução Francesa, e como nossa tarefa em grande parte é libertar essa tradição das influências de um exagerado racionalismo, nacionalismo e socialismo que nela penetraram, whighismo é historicamente o nome correto para designar as idéias nas quais acredito. Quanto mais aprendo a respeito da evolução das idéias, mais tenho consciência de que sou um impenitente Whig da velha guarda.

O fato de me confessar um velho Whig obviamente não significa que pretendo voltar à situação em que nos encontrávamos no fim do século XVII. As doutrinas, formuladas pela primeira vez naquela época, continuaram a crescer e a se desenvolver até os finais do século XIX, embora já tivessem deixado de constituir o objetivo principal de um partido específico. Desde então, aprendemos muitas noções que nos deveriam permitir reafirmar aquelas doutrinas de maneira mais satisfatória e eficaz.

Entretanto, embora exijam uma reformulação à luz de nosso conhecimento atual, os princípios básicos permanecem os mesmos dos velhos Whigs. Indubitavelmente, a história mais recente do partido com esta denominação levou alguns historiadores a se perguntar se de fato existiu um corpo de princípios Whig; no entanto, só posso concordar com Lord Acton em que, embora alguns "patriarcas da doutrina gozassem de péssima fama, o conceito de uma lei superior, acima dos códigos municipais, com a qual se iniciou o whighismo, constitui o feito supremo dos ingleses e seu grande legado para a nação"[13] — e, podemos acrescentar, para o mundo.

Trata-se da doutrina sobre a qual se assenta a tradição comum dos países anglo-saxônios. É a doutrina da qual o liberalismo do continente europeu absorve tudo que ela tem de mais valioso. É a doutrina em que se fundamenta o sistema americano de governo. Em sua mais pura forma, é representada nos Estados Unidos não pelo radicalismo de Jefferson, nem pelo conservadorismo de Hamilton ou mesmo de John Adams, mas pelas idéias de James Madison, o "pai da Constituição".

Não sei se ressuscitar esse velho nome será uma medida prática. O fato de que para o povo, tanto nos países anglo-saxônios como nos demais, hoje, o termo não possui conotações definidas talvez seja mais uma vantagem do que uma desvantagem. Para as pessoas que conhecem a história das idéias, é certamente a única denominação que expressa o significado da tradição. E, se whighismo define o que os verdadeiros conservadores e mais ainda os inúmeros socialistas que se tornaram conservadores mais cordialmente odeiam, isto revela um instinto sadio de sua parte. De fato, esta palavra define o único conjunto de ideais que sempre se opôs a todo poder arbitrário.

8. Princípios e possibilidades práticas

Pode-se indagar se o nome do partido da liberdade é realmente tão importante. Em um país como os Estados Unidos, que de modo geral ainda tem instituições livres e onde, portanto, a defesa daquilo que existe é quase sempre a defesa da liberdade, talvez não seja prejudicial os defensores da liberdade se intitularem conservadores — embora, mesmo no país, sua associação com indivíduos de natureza conservadora muitas vezes represente motivo de constrangimento.

Até quando indivíduos apóiam as mesmas medidas ou instituições, deve-se perguntar se eles as aprovam simplesmente porque existem ou porque são intrinsecamente boas. Não se deve permitir que sua resistência comum à tendência coletivista nos impeça de compreender que a crença na liberdade integral se baseia essencialmente numa atitude de corajosa aceitação do futuro e não em uma atitude nostálgica em relação ao passado, tampouco em uma admiração romântica por aquilo que foi.

É, porém, absolutamente imperativa a necessidade de uma distinção clara quando, como ocorre em vários países da Europa, os conservadores já aceitaram em grande parte o credo coletivista — que já tanto tempo domina a política, que muitas de suas instituições já são aceitas como um fato consumado, constituindo motivo de orgulho para os partidos "conservadores" que as criaram.

Nesse caso, os que acreditam na liberdade não podem evitar o conflito com os conservadores e são obrigados a adotar uma atitude basicamente radical contra os preconceitos populares, as posições de poder estabelecidas e os privilégios profundamente arraigados. Tolices e abusos não mudam sua essência apenas porque se tornaram princípios de política de governo consagrados pelo tempo.

Embora a máxima quieta non movere possa, em algumas ocasiões, conter muita sabedoria para o estadista, não pode satisfazer um filósofo político. O filósofo pode desejar que certa medida seja com cautela, e não antes que a opinião pública esteja preparada a apoiá-la; mas não pode aceitar medidas apenas porque sancionadas pela opinião pública corrente.

Em um mundo em que a necessidade básica se tornou — como no início do século XIX — a de libertar o processo de crescimento espontâneo dos obstáculos e das dificuldades criados pela insensatez humana, as esperanças do filósofo político devem concentrar-se na persuasão e na obtenção do apoio daqueles que por natureza são "progressistas", aqueles que, embora atualmente busquem mudanças na direção errada, pelo menos estão dispostos a examinar criticamente o que existe e a modificá-lo sempre que necessário.

A tarefa do filósofo político é influenciar a opinião pública, e não organizar o povo para a ação. E ele terá êxito somente se não se voltar para aquilo que é politicamente possível agora, mas sim defender com firmeza "os princípios gerais duradouros", nas palavras de Adam Smith.

Nesse sentido, duvido que possa existir uma filosofia política conservadora. O conservadorismo pode muitas vezes representar um conceito útil e prático, mas não nos proporciona nenhum princípio orientador capaz de influenciar a evolução futura.

 


[1] B. Crick, "The Strange Quest for na American Conservatism", Review of Politics, XVII (1955), 365, afirma com razão que "o americano normal que se intitula 'conservador' é na verdade liberal". Parece que a relutância desses conservadores em recorrer a essa denominação, mais adequada, só começou com o abuso do termo durante a época do "New Deal", quando o termo [i]liberal[/i] foi desvirtuado e passou a significar "progressista".

[2] Ver Lord Hugh Cecil, Conservatism ("Home University Library" [Londres, 1912]), página 9: "O conservadorismo natural [...] é uma atitude contrária à mudança, que decorre em parte de certa desconfiança em relação ao desconhecido".

[3] Ver a reveladora descrição que o conservador K. Feilling faz de si mesmo em Sketches in Nineteenth Century Biography (Londres, 1930), página 174: "A direita, como um todo, tem horror a idéias, pois não é o homem prático, nas palavras de Disraeli, 'aquele que põe em uso os erros de seus predecessores'? Por longos períodos de sua história, os direitistas indiscriminadamente resistiram a todos os avanços e, ao reclamar o respeito pelos antepassados, muitas vezes costumam reduzir a opinião ao preconceito individual do passado. Sua posição se tornará ainda mais fácil de ser defendida, porém mais complexa, se acrescentarmos que esta direita domina incessantemente a esquerda; que ela vive da constante inoculação de idéias liberais e desta forma sofre as conseqüências de uma situação de compromisso que nunca chega a ser definida."

[4] Espero que me desculpem por estar repetindo aqui as palavras com as quais, em outra situação, defini uma importante questão: "O principal mérito do individualismo que [Adam Smith] e seus contemporâneos defenderam é aquele de constituir um sistema no qual os homens maus podem ocasionar um mínimo de prejuízo. Trata-se de um sistema social que não depende para seu funcionamento de encontrarmos bons homens para dirigi-lo, nem de que todos os homens se tornem melhores do que são, mas de um sistema que utiliza homens em toda a sua variedade e complexidade, algumas vezes bons e algumas vezes maus, algumas vezes inteligentes e muitas vezes imbecis" (Individualism and Economic Order [Londres e Chicago, 1948], página 11).

[5] J. R. Hicks falou com propriedade, quanto a esse assunto, da semelhança entre as "caricaturas do jovem Disraeli, de Marx e de Goebbels" ("The Pursuit of Economic Freedom", What We Defend, Ed. E. F. Jacob (Oxford [Oxford University Press, 1942], página 96). Sobre o papel dos conservadores a esse respeito ver também a minha Introdução à obra Capitalism and the Historians, por mim editada (Chicago: University of Chicago Press, 1954), páginas 19 e seguintes.

[6] N.T. – Referência ao "movimento progressista", que se iniciou em 1910 e se cristalizou em 1911, com a fundação da Liga Nacional Republicana Progressista, base de sustentação da candidatura do ex-presidente Theodore Roosevelt, dissidente republicano e líder dos progressistas, à presidência dos Estados Unidos na campanha de 1912.

[7] J. W. Burgess, The Reconciliation of Government with Liberty (Nova Iorque, 1915), página 380.

[8] Cf. Learned Hand, The Spirit of Liberty, Ed I. Dilliard (Nova Iorque, 1923), página 190: "O espírito da liberdade é aquele que não tem total convicção de estar certo". Ver também a famosa frase de Oliver Cromwell em sua Letter to the Gerneral Assembly of the Church of Scotland, 3 de agosto de 1650: "Eu vos suplico, pelas entranhas de Cristo, pensai se não estaríeis errados". É significativo que essa seja provavelmente a frase mais conhecida do único "ditador" da história britânica!

[9] H. Hallam, Constitutional History, 1827 (ed. "Everyman"), III, 90. Segundo se afirma frequentemente, o termo "liberal" deriva do nome do partido dos liberales espanhóis no início do século XIX. No entanto, estou mais inclinado a acreditar que derive do termo utilizado por Adam Smith, por exemplo, em A Riqueza das Nações, II, 41: "o sistema liberal de livre exportação e livre importação" e página 216: "permitir que cada homem persiga seu interesse pessoal à sua maneira, baseado na idéia liberal de igualdade, liberdade e justiça."

[10] Lord Acton em Letters to Mary Gladstone, página 44. Ver também sua opinião a respeito de Tocqueville em Lectures on the French Revolution (Londres, 1910), página 357: "Tocqueville era um Liberal da mais pura cepa — um liberal e nada mais, profundamente desconfiado da democracia e seus congêneres, igualdade, centralização e utilitarismo". Também em Nineteenth Century, XXXIII (1893), 885. A afirmação de H. J. Laski ocorre em "Alexis de Tocqueville and Democracy", em The Social and Political Ideas of Some Representative Thinkers of the Victorian Age, ed. F. J. C. Hearnshaw (Londres, 1933), página 100, onde ele diz: "Penso que é possível entender sua posição (Tocqueville) e a de Lord Acton a respeito do poder total considerando que eram os liberais mais autênticos do século XIX".

[11] Já no começo do século XVIII, um observador inglês afirmava: "Praticamente nunca vi um estrangeiro vivendo na Inglaterra, fosse ele de origem holandesa, alemã, francesa, italiana ou turca, que não se tornasse Whig em pouco tempo, depois de conviver conosco" (Citado por G. H. Guttridge, English Wiggism and the American Revolution [Berkeley: University of California Press, 1942], página 3).

[12] Nos Estados Unidos, no século XIX, o uso do termo Whig infelizmente apagou da memória o fato de que este mesmo termo, no século XVIII, representava os princípios básicos que pautaram a revolução, conquistaram a independência e moldaram a Constituição. Foi nas sociedades Whig que o jovem James Madison e John Adams desenvolveram seus ideais políticos. (cf. E. M. Burns, James Madison [New Brunswick, N. J.: Rutgers University Press, 1938], página 4); foram os princípios Whig que, como Jefferson diz, orientaram todos os juristas que constituíam a grande maioria dos signatários da Declaração da Independência e dos membros da Comissão Constitucional (ver Writings of Thomas Jefferson ["Memorial Ed." (Washington, 1905)], XVI, 156). A defesa dos princípios Whig foi levada a tal ponto que mesmo os soldados de Washington se vestiam com o tradicional "azul e ocre", as cores dos Whigs, assim como os foxites (N. T.: seguidores de Charles James Fox [1749-1806], político britânico que se tornou um dos mais destacados membros do grupo Whig, liderado por Edmund Burke) do Parlamento britânico, que foram preservadas até nossos dias nas capas da Edinburgh Review. Se uma geração socialista fez do whiguismo seu alvo principal, esta é mais uma razão para os adversários do socialismo defenderem esta denominação, hoje a única que define corretamente os princípios dos liberais gladstonianos, dos homens da geração de Maitland, Acton e Bryce, a última geração cujo objetivo principal era a liberdade e não a igualdade ou a democracia.

[13] Lord Acton, Lectures on Modern History (Londres, 1906), página 218.


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autor

Friedrich A. Hayek
(1899-1992) foi um membro fundador do Mises Institute. Ele dividiu seu Prêmio Nobel de Economia, em 1974, com seu rival ideológico Gunnar Myrdal "pelos seus trabalhos pioneiros sobre a teoria da moeda e das flutuações econômicas e por suas análises perspicazes sobre a interdependência dos fenômenos econômicos, sociais e institucionais". Seus livros estão disponíveis na loja virtual do Mises Institute.


  • Luiz  04/04/2016 16:27
    Eu sou ultra conservador em relação ao aborto, mas as drogas e o homossexualismo
    sou um pouco mais liberal, sou cristão, e acho que o governo deve auxiliar pessoas viciadas, se elas quiserem ser ajudadas, já os homossexuais, devem ser tratados como qualquer outra pessoa. Usar o Estado para satisfazer nossa vontade de ver o outro sem um Direito é loucura.
  • Thor  04/04/2016 17:23
    "acho que o governo deve auxiliar pessoas viciadas"

    Ou seja, vc é a favor de extrair dinheiro à força de terceiros para "auxiliar" pessoas que optaram por consumir drogas.

    "Usar o Estado para satisfazer nossa vontade de ver o outro sem um Direito é loucura"

    Como é que é?
  • Rennan Alves  04/04/2016 17:43
    Primeiro você afirma que "acho que o governo deve auxiliar pessoas viciadas", depois diz que o mesmo não "deve satisfazer nossa vontade de ver o outro sem um Direito é loucura".

    Ou seja, você quer usar o estado para satisfazer sua vontade de auxiliar viciados. A percebe esta grotesca incoerência no seu comentário?
  • Luiz  04/04/2016 18:29
    Talvez tenha me expressado mal, mas digo que o Governo deve auxiliar pessoas
    que buscam tratamento, e não usar de coerção, calma pessoal, errei em não dar clareza
    á questão.
  • Servo  04/04/2016 19:27
    É meio difícil o governo ajudar alguém e não utilizar a coerção, justamente porque a forma que o governo tem de ajudar é utilizando a coerção. O governo obriga as pessoas a ajudar. Contraditório assim...
  • Thor  04/04/2016 19:31
    "o Governo deve auxiliar pessoas
    que buscam tratamento, e não usar de coerção
    "

    Eu nem sequer fiz referência à imposição de tratamento forçado.

    O governo "auxiliar pessoas que buscam tratamento" implica o governo extrair dinheiro à força de terceiros para "auxiliar" pessoas que optaram por consumir drogas. Isso é coerção meu caro.


    Você é a favor de que terceiros arquem com tratamento médico daqueles que optaram por consumir drogas. Logo, você é a favor da coerção estatal, pq o governo só pode pagar por tratamento (de quem busca tratamento) por meio da expropriação forçada de dinheiro de terceiros.
  • Luiz  04/04/2016 20:54
    Pois é amigos, falo justamente de não haver coerção. O Estado deveria sim ajudar pessoas de baixa ou sem nenhuma renda e que voluntariamente buscam tratamento, sei que é difícil alguém por conta própria ir atrás disso, isso não quer dizer que ninguém busque esse tipo de tratamento.

    Se você diz que o governo tira seu dinheiro para ajudar outros, você é contra o bola família também, programa que alimenta pessoas que vivem a extrema pobreza, que estão em áreas com pouca expectativa de vida. Eu tbm acredito num mercado mais livre, mas sem algumas regulações acabaria em mais diferenças sociais.
  • Copiando  04/04/2016 21:11
    "programa que alimenta pessoas que vivem a extrema pobreza, que estão em áreas com pouca expectativa de vida."

    E por que elas estão na extrema pobreza e com pouca expectativa de vida?

    Quem é que destruiu o poder de compra dessas pessoas?

    Quem é que, ao incorrer em déficits e com isso desvalorizar a moeda e a taxa de câmbio, não apenas aniquilou o poder de compra dos mais pobres, como também as impediu de utilizar seu já escasso poder de compra para adquirir produtos importados?

    Quem é que, além de desvalorizar a moeda, a taxa de câmbio e gerar inflação de preços, ainda impôs tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial -- e, com isso, impediu duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

    Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encareceu artificialmente os preços das moradias e jogou os pobres para essas áreas com poucas expectativas de vida?

    Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

    Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

    Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

    Após ter criado toda essa cornucópia de intervenções e com isso destruir o poder de compra dos mais pobres, o estado criou um esquema de assistencialismo para tentar mitigar os efeitos nefastos causados pelas intervenções acima descritas.

    Qual o sentido de manter esse arranjo em vez de simplesmente sair abolindo tudo?

    Não faz sentido criar novas intervenções estatais com o intuito remediar os efeitos nefastos criados por intervenções estatais anteriores. Sem atacar na raiz as distorções geradas pelas intervenções anteriores, o ciclo apenas se propaga.
  • Anderson  04/04/2016 21:24
    Bravo! Pra mim faz todo sentido. É muito facil ser seduzido por um estado assistencialista proximo do socialismo. A ideologia deles é um arco íris, um mundo perfeito, mas não passa de uma maquiagem da opressão do estado.Viva kim jong-un!
  • Servo  04/04/2016 21:25
    É complicado amigo... O fato é que o estado vem com os problemas e as soluções, tudo em um pacote só.
  • Thor  04/04/2016 21:54
    Luiz: "falo justamente de não haver coerção. O Estado deveria sim ajudar pessoas de baixa ou sem nenhuma renda e que voluntariamente buscam tratamento, sei que é difícil alguém por conta própria ir atrás disso, isso não quer dizer que ninguém busque esse tipo de tratamento"


    Você não conseguiu entender que a coerção estatal está na própria redistribuição de renda? Ou não quer entender isso?


    "Se você diz que o governo tira seu dinheiro para ajudar outros, você é contra o bola família também"

    É óbvio que o governo tira dinheiro de terceiros para "ajudar outros"; ou vc acha que o dinheiro vem de onde? Dá em árvores?

    E é evidente que sou contra esse programa, pq ele é uma redistribuição forçada/coercitiva de renda, que não apenas diminui as liberdades individuais como também empobrece a todos.


    "Eu tbm acredito num mercado mais livre, mas sem algumas regulações acabaria em mais diferenças sociais"

    Não, você não acredita em "mercado mais livre", pq quem defende redistribuição estatal de renda é contra mercado livre. E "sem regulações acabaria em mais diferenças sociais"? É mesmo? Olhe ao seu redor e me diga se a redistribuição de renda por acaso está deixando o país mais rico. Você quer um nivelamento para baixo, é isso? Meu caro, redistribuição estatal de renda empobrece a todos.
  • Luiz  05/04/2016 18:59
    "Não, você não acredita em "mercado mais livre", pq quem defende redistribuição estatal de renda é contra mercado livre. E "sem regulações acabaria em mais diferenças sociais"? É mesmo? Olhe ao seu redor e me diga se a redistribuição de renda por acaso está deixando o país mais rico. Você quer um nivelamento para baixo, é isso? Meu caro, redistribuição estatal de renda empobrece a todos."

    Mas o assistencialismo não serve para tornar as pessoas mais ricas, mas sim para preencher lacunas deixadas pelo Estado. O bolsa família por exemplo serve para alimentar pessoas que estão na pobreza extrema, que não tem o que comer mesmo...

  • Thor  05/04/2016 19:33
    "o assistencialismo não serve para tornar as pessoas mais ricas"

    Claro que não; foi justamente o que eu disse: o assistencialismo (que implica redistribuição forçada de renda) serve para deixar todo mundo mais pobre.

    "mas sim para preencher lacunas deixadas pelo Estado"

    Como assim, meu caro? O estado intervém no patrimônio de pessoas, iniciando um ato de expropriação de renda (para tirar de uns e dar para outros), e vc vem dizer que essa intervenção do estado serve para "preencher uma lacuna" do próprio estado? Então você está admitindo que o estado se propõe a "resolver" um "problema" criado por ele próprio? Se é assim, a única coisa que você poderia defender é a ausência de intervenção estatal.


    "O bolsa família por exemplo serve para alimentar pessoas que estão na pobreza extrema, que não tem o que comer mesmo"

    Acompanhe: a relação entre intervenção estatal na economia e geração de riqueza na sociedade é inversamente proporcional; sendo assim, quanto mais se eliminar a intervenção do estado na economia e na vida das pessoas mais riqueza será gerada, e menos pobreza haverá. Então se você está preocupado com pobreza, você está preocupado com geração de riqueza; se vc está preocupado com geração de riqueza, você tem que defender a ausência de intervenção estatal (e não o contrário).
  • Andre Henrique  05/04/2016 10:56
    "...e acho que o governo deve auxiliar pessoas viciadas..."

    Meu caro, deixa eu te contar uma novidade: quem AJUDA AS PESSOAS não é o governo e sim o PAGADOR DE IMPOSTO. O papel do governo é confiscar o dinheiro de nosso trabalho, roubar uma parte e a outra parte direcionar para fins os quais não concordamos em sua maioria.

    Abç,
    AHR
  • Davi Sant'Anna  04/04/2016 16:37
    O que temos no Brasil são tradicionalistas católicos, os chamados "conservadores de boa estirpe" do Constantino. Temos até caras como ey-ey-Eymael, um democrata cristão, pararatimbum e Bolsomito, hahaha.
  • Leonardo  04/04/2016 23:13
    Quando Rodrigo Constantino fala de "conservadores de boa estirpe", ele justamente exclui os tradicionalistas católicos para se referir aos conservadores ingleses clássicos, cuja doutrina é derivada dos Whiggs - ou seja, ele se refere àqueles que Hayek aplaude como exemplo (mas os chama de liberais), como Edmund Burke, Tocqueville, Lord Acton, e suas ramificações hoje, como Scruton e Russel Kirk.
  • Felipe Macedo  04/04/2016 16:38
    Eu me considero liberal. Mas gosto da definição de Kirk de que "política é a arte do possível."
    Partindo disso, na maior parte das vezes fico ao lado dos conservadores.

    Só acho que o conservadorismo tem uma imagem na mente das pessoas de retrógrado e intolerante. Essa coisa de tentar salvar a civilização combatendo comportamentos (tais como homossexualidade, vícios...) é tão inócuo e utópico quando a ideia socialista de coletivismo e supressão do individualismo. Embora acredite que é preciso ser mais combativo com relação aos vermelhos do que os liberais são. Liberais são muito apegados a conceitos inacessíveis a maior parte do público.

    Eu, como os conservadores, tenho um grande apreço pela experiência histórica. A liberdade só irá vencer depois das trevas da tirania. Parece sem sentido, mas se todo um século de exemplos não foram suficientes para o socialismo morrer, acredito, vira mais dele, com diferentes cores, mas com as mesmas ideias. E aí a tese conservadora se provará verdade: a evolução social se dá pela tentativa e erro.
  • opinador  04/04/2016 17:54
    Interessante seu ponto de vista e concordo com "Liberais são muito apegados a conceitos inacessíveis a maior parte do público. "

    Porém os liberais não estão para converter a maior parte do publico, mas converter conservadores (os legitimos claro) em liberais.

    Ninguém é ingenuo de acreditar que 95% das pessoas absorva esses conceitos em curto prazo.

    E isso não significa questão intelectual ou escolaridade.

    É cultural mesmo.

    No minimo uns 30 anos de divulgação continua... só pra começar...rs

    Vc querer que as pessoas virem liberais da noite pro dia é insano.

    Mas tem que divulgar, desde das coisas mais "palpáveis" como redução de tributos, etc até coisas a mais longo prazo como anarcocapitalismo...
  • Pobre Paulista  04/04/2016 18:37
    Falando assim parece que Liberalismo é doença.

    Liberalismo vem de dentro para fora, não o contrário. Esses "95%" de pessoas simplesmente não se importam com conceitos de liberdade. Elas QUEREM um estado, sabendo ou não que isso é uma tirania, seja lá qual for a razão delas. E não é legítimo, para quem "luta" pela liberdade, tirar das pessoas algo que elas querem.

    Por isso insisto: A única "causa" dos defensores da liberdade é se livrar das garras do estado, e não tentar controlar ou destituir o mesmo. É deixar claro que não iremos sustentar o estado, e ponto. Tentar mudar a mentalidade alheia é a raiz de toda a tirania.
  • Diego de Covarrubias  04/04/2016 20:10
    "Tentar mudar a mentalidade alheia é a raiz de toda a tirania"

    Absolutamente equivocado.

    "Tentar mudar" a mentalidade alheia sem iniciação de violência/agressão não tem absolutamente nada a ver com "tirania".


    Então, para vc, se um aluno com mentalidade estatista muda de mentalidade após assistir aulas do Walter Block na Loyola University você vai dizer que Block foi "tirano"? Ora, é óbvio que Block tem como objetivo (ao menos um de seus objetivos) tentar mudar a mentalidade estatista; é ele mesmo quem diz:


    "Meu conselho aos meus melhores alunos, aqueles que são brilhantes e, mais importante, que foram realmente picados pelo mosquito austro-libertário graças aos nossos esforços e aos esforços dos nossos outros colegas, é que se graduem em economia, e, mais ainda, que se graduem duplamente em economia e matemática, ou que se graduem em matemática e então façam um Ph.D em economia. (...). O que eu penso disso? Por que estou dando esse conselho? Para melhor promover a liberdade, é claro. Sou motivado pelo fato de que o austro-libertarianismo é uma flor rara e preciosa, porém crucialmente importante para a prosperidade e até mesmo para a sobrevivência da inteira raça humana. Já que sou totalmente a favor de minha própria espécie (confesso: sou um discriminador pró-humanos), promover o austro-libertarianismo é uma das coisas mais importantes da minha vida profissional. (...). Portanto, eu vou continuar estimulando aqueles meus melhores alunos que estão interessados em promover a liberdade e a economia austríaca em horário integral durante suas vidas profissionais a fazerem justamente isso. Eu espero que um dia esse colega meu vai se convencer do seu erro, e se juntará a mim nesse esforço. Se tem uma coisa sobre a qual sou muito passional, é em passar para a próxima geração a batuta que Murray Rothbard, um tempo atrás, passou para mim e para meus contemporâneos." (www.mises.org.br/Article.aspx?id=19)

    Para você, então, Walter Block é um "tirano" ao dizer/propugnar isso (e, por implicação, vc também acha Rothbard um "tirano").


    De igual, para vc Joseph Salerno está sendo "tirano" ao propugnar o oportunismo como forma de convencimento de pessoas e tática de diminuição do estado:

    mises.org.br/Article.aspx?id=2352

    E etc. etc.


  • Pobre Paulista  05/04/2016 01:45
    Deixa eu ver se eu entendi, vc supôs um aluno estatista que foi voluntariamente ver as aulas do Walter Block e está argumentando que isso, de acordo com meu comentário anterior, seria uma tirania do Walter Block?

    Não colou. Tente outra vez.
  • Diego de Covarrubias  05/04/2016 14:12

    O que não cola é desonestidade intelectual.

    Leia de novo, com bastante atenção:
    eu disse: "'Tentar mudar' a mentalidade alheia sem iniciação de violência/agressão não tem absolutamente nada a ver com 'tirania' ".

    Agora preste atenção de novo: você se reportou a um comentário que falou em "divulgação" de coisas como "redução de tributos" para "95% pessoas" com mentalidade estatista, etc.

    Pois continue prestando atenção; diante disso, você disse:

    "(...)Tentar mudar a mentalidade alheia é a raiz de toda a tirania"

    Ou seja, em momento nenhum - frise-se: em momento nenhum - você disse que essa sua assertiva se referia à "tentativa de mudança de mentalidade alheia" sem voluntariedade (daquele em face do qual se tentaria mudar a mentalidade), e nem poderia fazer essa referência, pq o comentário a que vc se reportou obviamente não fez referência a nenhuma imposição não-voluntária de "divulgação". A condição da voluntariedade era um requisito óbvio e evidente.

    Daí que agora, após meu comentário, você vem dizer, subrepeticiamente e de forma ad hoc, que a sua assertiva não se aplicaria ao exemplo pq o aluno foi voluntariamente ver as aulas do Block, condição essa (voluntariedade) que estava evidente e obviamente pressuposta tanto no seu comentário quanto naquele a que vc se reportou?

    Ah, por favor, não seja intelectualmente desonesto, cidadão.
  • Imparcial  05/04/2016 13:01
    Educação, se for obrigatória, é tirania. O aprendizado tem que ser voluntário, partir do interesse do indivíduo.
  • Diego de Covarrubias   05/04/2016 13:38
    Quem falou em "educação obrigatória" aqui? Eu, particularmente, só fiz referência a aprendizado voluntário, aquele que parte do interesse do indivíduo.
  • Pobre Paulista  05/04/2016 17:51
    Caro Diego de Covarrubias,

    O que você falou não tem sentido nenhum. A não ser que, na sua concepção, "divulgar ideias" e "convencer pessoas" sejam sinônimos. Aí não tem muito o que discutir.

    O dia que eu vir o Block, o Hoppe, o Rockwell, ou qualquer um que o valha, a obrigar as pessoas a lerem seus textos, eu imediatamente irei parar de dar-lhes atenção.

    O liberalismo é centrado no indivíduo, na liberdade individual. O indivíduo adota para si o que ele entende ser melhor para ele, e ponto final.

    Qualquer tentativa de mudar isso é uma agressão ao indivíduo.

    Se um fulano escolheu ser Nazista, Trotskista ou algo que o valha, não há nada, repito, não há absolutamente nada que um "genuíno libertário" possa fazer. A não ser exercer seu direito de defesa caso seja agredido.

    Portanto o Liberalismo que não surge do indivíduo é só mais um sistema político imposto de cima para baixo. Não vale de nada. É só mais uma forma velada de coletivismo.



  • Diego de Covarrubias   05/04/2016 18:57
    Meu prezado, o que não tem sentido nenhum é o que vc está sustentando.

    Essa sua assimilação entre "convencer" e "obrigar" é esdrúxula.

    Ninguém falou em "obrigar" a ler textos, meu caro.
    Leia de novo o que eu transcrevi relativamente à opinião do Block a respeito.

    O restante do seu comentário acaba por confirmar a mesma bobagem que vc sustentou antes: "Qualquer tentativa de mudar isso é uma agressão ao indivíduo".

    Volto a dizer: tentativa de "mudar isso" (uma determinada mentalidade estatista) - obviamente que sem imposição coercitiva - não tem nada a ver com "agressão". Tem a ver com argumentação racional.

    Um fulano com mentalidade estatista pode vir a mudar de mentalidade a partir dos textos e/ou de aulas de um Block, de um Hoppe, ou de um Rockwell, dentre outros. Ele pode passar a ficar convencido de que a genuína moralidade é a moralidade libertária. E isso "virá do indivíduo" por meio dos textos (e/ou aulas) dos autores em questão, justamente pq não há nenhuma imposição forçada ou agressão envolvida.

    Vou repetir, preste bastante atenção: a partir de um ato de vontade livre consistente em querer ler um texto ou assistir uma aula de um Block um determinado indivíduo com mentalidade estatista pode passar a ficar convencido de que a genuína moralidade é a moralidade libertária. Logo, evidentemente que "há o que o libertário possa fazer": é justamente o que um Block faz (e incentiva os demais libertários a fazerem), conforme transcrição citada.

    Meu caro, "convencer pessoas" (por meio de argumentos racionais) não implica "obrigar ou agredir pessoas". Basta lembrar a argumentation ethics do Hoppe (adotada por Kinsella).

    O que você precisa, urgente e antes de mais nada, é de um dicionário; a menos que você queira legislar/estipular significados próprios para as palavras; aí, de fato, não tem mais o que discutir.
  • Pobre Paulista  06/04/2016 01:31
    "convencer pessoas" (por meio de argumentos racionais) não implica "obrigar ou agredir pessoas".

    Eu sei disso. Foi você quem insinuou que eu disse o contrário disso através de uma fanfic, prontamente desmontada. Depois ficou falando a mesma coisa de maneiras diferentes.

    Na verdade, ainda não entendi precisamente do que você quer me convencer. Poderia ser mais sucinto e específico?
  • anônimo  06/04/2016 09:19
    Não teve fanfic desmontada coisa nenhuma, apenas sua capacidade de interpretação de textos que é sofrível.
    Lendo todos os comentários anteriores fica claro que ninguém estava se referindo à essa idéia absurda que vc tirou sabe-se lá de onde, de liberais se apropriarem do governo pra impôr seus ideais.
  • Pobre Paulista  06/04/2016 15:19
    Nossa, agora eu que não sei de onde você tirou que eu tirei isso. Não falei em controlar o governo em momento nenhum.

    Por favor, me responda precisamente: Você quer me convencer que _______________________________ .
  • Diego de Covarrubias  06/04/2016 19:08
    "eu sei disso"

    Pois é, tanto "sabe" que veio com aquele disparate de dizer "o dia que Block obrigar as pessoas a lerem seus textos"...

    "depois ficou falando a mesma coisa de maneiras diferentes"

    Dada a sua auto-reconhecida incapacidade de entendimento, e dado que vc sustentou a mesma besteira no comentário precedente.

    E "fanfic prontamente desmontada"?

    Com aquele comentário "deixa eu ver se entendi (...)"? Delírio. O que foi posto à calva ali foi sua desonestidade intelectual, que agora fica plenamente corroborada pelo fato de, após dizer "deixa ver se entendi", vir agora dizer que "ainda não entendeu", mas consigna comentário lá embaixo passando novamente a dizer que "entendeu".
  • opinador  05/04/2016 13:48
    Tb concordo que divulgar não é a mesma coisa que impor.

    Hoje 5% das pessoa gostariam de sair das garras do estado, mas amanhã podem ser 10%, 20%...

    Eu mesmo a uns 5 anos atras seria totalmente a favor de leis trabalhistas , funcionalismo publico e estado...

    E conheço um monte de esquerdista que se "converteu"...

    Agora o problema é impor...
  • Emerson  05/04/2016 15:33
    Parece que finalmente alguém, além de mim, entendeu a origem do atual fracasso liberal e libertário. Os libertários e os liberais dizem que não é sustentável expropriar alguns para que acha o bem da maioria, mas não conseguem perceber a inviabilidade da ideia de fazer uma minoria( entre libertários e liberais) pagarem pela liberdade da maioria(conservadores e socialistas). Há alguma dúvida que a liberdade tem um custo ? Então, conservadores e socialistas deveriam pagar por ela se assim poderem e desejarem. Inteligente seria aceitar a Teoria da Escolha Pública e entender que as minorias só tem sucesso quando se convertem em grupo de interesse. O que nos leva a ideia que o libertarianismo deve beneficiar os libertários. E quem quiser se beneficiar que se torne libertário.
  • Imparcial  05/04/2016 16:36
    Se você quer se livre, a maior burrice é participar de um "grupo de interesse". As minorias não obtém sucesso quando fazem parte de um grupo de interesse. O indivíduo quando se inclui em um grupo, que defende determinados interesses, não consegue expor sua vontade, que sempre é suprimida pela vontade da maioria (o grupo). A liberdade é individual, não depende do grupo.
  • Emerson  05/04/2016 18:57
    *primeiro uma correção ,coloquei acha no lugar de aja .
    Você não entendeu ou não prestou atenção pois eu estou falando de uma teoria muito bem alicerçada , a Teoria da Escolha Pública. Além disso o termo "grupo de interesse" tem um conceito nessa teoria , ou seja , você precisa conhece-la, para entra nessa discursão.
  • Imparcial  05/04/2016 21:16
    Não tinha conhecimento de tal teoria mas achei interessante. Pode indicar um livro para iniciantes?
  • 9 fingers  04/04/2016 17:24
    kkkkkkkkk eu achava que quando se referisse a um liberal se estaria falando de uma pessoa que aceita que outros homens deitem com sua esposa. Onde entra o sexo nisso tudo? Um liberal pode ser um conservador entre quatro paredes? Onde vejo uma teoria geral que me elimine tanta dúvida que agora tenho entre conservador e liberal?
  • opinador  05/04/2016 13:50
    hahaha. tem muita gente que pensa isso...rs

    ou que liberal é ser promiscuo, tipo o cara que sai com umas 5 mulheres, uma a cada dia...rs

    Se a pessoa faz isso é problema dela e isso não é preocupação de um liberal...rs
  • Renato  04/04/2016 17:43
    Não adianta reclamar dos políticos enquanto ainda existir a classe política.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email é galenolima@ibest.com.br
  • Rafael Andrade  04/04/2016 22:52
    Esse Renato é mais libertário que 2556,712% do IMB atual (sem zuera).
    Realmente a sua atitude é digna de admiração, Renato. Parabéns
  • Jorge  04/04/2016 23:28
    Parabéns mesmo. Falando sério: atitude admirável
  • Renato  05/04/2016 01:50
    Para os interessados meu email novo é galenoeu@gmail.com
  • Anderson  04/04/2016 20:04
    Qual seria então a melhor forma de conseguir implantar o anarcocapitalismo?
  • Freitas  04/04/2016 20:43
    Pode começar este livreto, que também foi resumido aqui.
  • diego  04/04/2016 22:24
    mais uma vez o hayek mostra seu brilhantismo mesmo anos após seu falecimento.

    porém venho a fazer esse comentário com outro objetivo.Como toda pessoa que vem a esse site estou em busca de conhecimento, e mais uma vez tenho uma duvida que não consegui solucionar em nenhum artigo desse site ou de qualquer outro(a questão não tem nada haver com o artigo acima).

    Estou tendo aula de história, e esse ano em particular meu professor é o tipico social-democrata. Durante as aulas sobre revolução francesa, ele falou sobre todas as medidas implementadas pelos jacobinos e pelo próprio napoleão, essas medidas iam desde direitos trabalhistas e saúde/educação publica até amplo controle da economia e "incentivos" pelo governo. a partir de todas as leituras feitas aqui no mises e em livros,videos,artigos,etc sobre liberalismo, pensei que o resultado dessas medidas seria o completo desastre, porém não consegui achar nada que informasse como ficou a frança economicamente após a era napoleonica. Alguem poderia explicar se esse foi mesmo o resultado das medidas governamentais françesas, e se não foi o por que?

    grato.
  • Robespierre  05/04/2016 00:15
    Tipo assim, você está ligado que as medidas implantadas pelos jacobinos geraram uma hiperinflação, que gerou fome, e que essa fome, ao ficar fora de controle, gerou, em 1793, um grupo radical chamado "Comitê da Segurança Pública", liderada por Maximilien Robespierre, que decidiu solucionar o problema da fome decretando a "Lei de Maximum", um conjunto de políticas decretando um limite de preços para o pão e outros bens comuns?

    Sabia disso?

    Sabia também que, quando essas medidas se revelaram incapazes de aumentar a oferta de alimentos, o comitê enviou soldados para o interior do país com o intuito de confiscar violentamente os cereais dos perversos agricultores, que estavam "entesourando" tudo?

    E sabia que isso terminou com Robespierre e seu comitê sendo mandados para a guilhotina no ano seguinte?

    Foi isso que "não deu em nada"?
  • Diego  05/04/2016 11:47
    São aquelas coisas que professor não conta sabe.....
    Ele disse que robizpierre foi vítima de um golpe de estado das elites.
  • Pedro Henrique  04/04/2016 23:21
    IMB, traduza o artigo de Hayek chamado "What price a planned system?", disponível no Mises Institute. Esse artigo foi publicado pouco antes do começo da Segunda Guerra, foi um esboço do que viria a ser O Caminho da Servidão. Então ele acaba sendo um perfeito resumo do livro, nas palavras do próprio autor.

    É preciso ter sua versão em português mais ainda porque vários socialistas nào gostam de ler livros. Então ao invés de lerem O Caminho da Servidão (maior máquina de tirar as pessoas do socialismo da história), eles lêem um artigo equivalente.

    Acredito que os melhores artigos para converterem socialistas são esse, Os Fundamentos Econômicos da Liberdade, de Mises, e O Argumento Completo em Defesa da Liberdade, também do Hayek.

  • Pedro Henrique  05/04/2016 03:29
    Corrigindo o comentário acima: o nome de seu artigo de Hayek citado é "What price a planned economy?"
  • Anderson  04/04/2016 23:49
    Quase ninguém defende as idéias de Misses hoje em dia. Keynes domina nas faculdades. Me sinto um alienígena. Embora o anarcocapitalismo tenha seus riscos(não ter mais que mamar no estado, é uma escolha pela liberdade e independência.
  • a  05/04/2016 00:11
    Interessante notar que o brasileiro não possui senso de nada. Seria ele um caso perdido ou apenas a velha burocracia que ele copiou desde o começo de sua pobre e inútil "história"? Sou da opinião que o brasileiro não tem inteligência, dignidade ou qualquer outro adjetivo positivo. Apenas copia indiscriminadamente, tal qual uma máquina do tipo, mas não paga por isso. Injusto, inútil, imoral, etc..., são apenas algumas das verdades que o brasileiro não diz sobre si mesmo.
  • Emerson Luis  05/04/2016 12:00

    Tanto dentro do liberalismo quanto dentro do conservadorismo existem diversas linhas (dentro do socialismo também). Além disso, a maioria das pessoas foi doutrinada a pensar no conservadorismo e no "neoliberalismo" pela definição da propaganda socialista.

    A esquerda inculcou em quase todos que ela possui o monopólio da moral e confunde (de propósito) intenções com resultados: se alguém criticar um programa governamental ou uma lei progressista é porque é "contra os pobres", ou "contra os negros", ou "contra as mulheres".

    Sem contar a usurpação que os progressistas americanos fizeram do termo "liberal". Além disso, nossa tradição liberal e nossa tradição conservadora são muito fracas filosoficamente, o esquerdismo é hegemônico culturalmente e temos um histórico de positivismo. Somos um país social-democrata que pensa que é capitalista.

    Assim, quando falamos de "liberalismo", "conservadorismo" e "socialismo", precisamos explicar do que estamos falando.

    As vertentes mais esclarecidas de liberalismo e conservadorismo são complementares. Tentar impor valores conservadores, além de coercitivo, gera policiamento moral, hipocrisia, mercado negro e desprezo por estes valores (nos EUA, nunca se bebeu tanto quanto na época da Lei Seca). Talvez seja tão ruim quanto a imposição dos valores esquerdistas via welfare state e a patrulha do politicamente correto.

    Por outro lado, quando as pessoas são livres para seguirem suas vidas como quiserem, desde que respeitem a vida, a liberdade e a propriedade alheia e arquem com os custos e consequências de suas ações, muitas (maioria?) mais cedo ou mais tarde descobrem que na vida real os valores conservadores fazem sentido.

    * * *
  • Emerson Luis  06/04/2016 11:28

    Outro ponto importante é que a esquerda usurpou e distorceu várias "bandeiras" liberais, por isso muitos conservadores confundem liberais com socialistas - e por isso alguns liberais acabam sem perceber propagando atitudes progressistas como a irresponsabilidade e o usufruto de privilégios.

    * * *
  • leonardo  05/04/2016 16:32
    Boa tarde, admiro o trabalho de vcs. Mas vejo um equívico com relação ao conservadorismo abordado por vcs, principalmente o cristão. Pq oq nos impede de nos fixar nas ideias(fins) liberais, é a "idolatria" ao indivíduo, oque para nós vai em desacordo com a bíblia, assim como os ideais socialista, que nao precisa nem citar, ou uma pessoa é socialista ou cristã, as duas coisas nao existem juntas.
  • inácio  05/04/2016 16:53
    Pois eu recomendo que você leia o artigo (algo que claramente não o fez).

    Não há absolutamente qualquer abordagem -- e muito menos crítica -- ao "conservadorismo cristão". Tal termo não é nem sequer mencionado.

    Aliás, é nisso que dá querer criticar sem ler. Provavelmente, você viu alguém falando alguma besteira, acreditou, e foi na onda.
  • Leonardo  05/04/2016 23:33
    Que loucura cara!! Só quero deixar claro o Pq de conservadores cristãos não aderirem totalmente a causa libertaria
  • Pobre Paulista  06/04/2016 15:44
    Vamos lá, "Diego de Covarrubias". Você está tentando me convencer que é possível convencer alguém?

    O simples fato de eu não me convencer disso prova que a afirmação está errada. Nem precisa ser eu, pode ser qualquer um. Aliás, nem precisa existir tal pessoa, basta supor alguém que discorde disso e a afirmação cai por terra.

    Pouco me importa se você quer me convencer que o Liberalismo funciona, que Deus existe ou que deturparam Marx. Você não pode mudar minha mente. Ninguém pode. Apenas eu posso mudar minhas ideias. Eu posso mudá-las por conta de alguma epifania, ou por ter lido um excelente artigo do Rockwell, tanto faz. Mas neste caso, não foi o Rockwell quem me mudou, fui eu mesmo! Ele sequer me conhece! Eu poderia ter achado o artigo um lixo e ignorado!

    Por isso é ridícula essa tentativa de "converter as pessoas ao liberalismo". Eu não quero, não devo e nem tenho o direito de fazer isso. A única luta dos liberais é se livrar da opressão estatal. Qualquer coisa fora disso se resume a trocar de opressor. Qualquer um que tente mudar os ideais alheios é um pequeno ditador.
  • Diego de Covarrubias  06/04/2016 20:43
    Hummm

    "O simples fato de eu não me convencer disso prova que a afirmação está errada"

    Do fato de que vc não se convence de algo específico vc conclui que é impossível "convencer alguém" (toda e qualquer pessoa e para qualquer assunto)? Isso é praticamente inédito: uma pessoa negando a possibilidade de convencimento/persuasão racional de seres humanos.

    E reitera: "basta supor alguém que discorde disso e a afirmação cai por terra"

    Do fato de alguém discordar de algo vc conclui "cair por terra" toda e qualquer possibilidade de alguém convencer racionalmente alguém (de todo e qualquer assunto/tópico/ponto)? Inconcebível dizer isso em sã consciência.

    O terceiro parágrafo, com todo respeito - notadamente o "ele sequer me conhece! eu poderia ter achado o artigo um lixo e ignorado!" - parece ter sido escrito por um pré-adolescente.

    E o último parágrafo (lembrando que lá em cima vc mesmo disse "saber" que "convencer pessoas" por meio de argumentos racionais não implica "obrigar ou agredir pessoas") põe à calva a ausência de estofo teórico: alguém que repete algo desse jaez (qualquer um que tente mudar os ideais alheios é um pequeno ditador) e propugna que "a única luta dos liberais é se livrar da opressão estatal" ao mesmo tempo em que nega, de forma peremptória, toda possibilidade de convencimento racional de seres humanos, como se aquela "luta" pudesse ser dissociada dessa possibilidade, é alguém que precisa inteirar-se, v.g., dos caps. IX e XXXVIII, de Human Action; cap. 16 de Theory and History; cap. 15 de For a New Liberty; cap. 30 de Ethics of Liberty; e caps. 11 e 13 do Democracy the God tha Failed.

    Meu caro, esse excerto, p.ex., foi escrito por aquele que dá nome a esse site:

    "Ideas and only ideas can light the darkness. These ideas must be brought to the public in such a way that they persuade people. We must convince them that these ideas are the right ideas and not the wrong ones. The great age of nineteenth century, the great achievements of capitalism, were the result of the ideas of the classical economists, of Adam Smith and David Ricardo, of Bastiat and others.
    What we need is nothing else than to substitute better ideas for bad ideas. This, I hope and am confident, will be done by the rising generation. (...) Our civilization will and must survive. And it will survive through better ideas than those which now govern most of the world today, and these better ideas will be developed by the rising generation. (...).
    I am very grateful to this center for giving me the opportunity to address such a distinguished audience, and I hope that in a few years the number of those who are supporting ideas for freedom in this country, and in other countries, will increase considerably
    " (Ludwig Von Mises, Economic Policy, LVMI, 2006, p. 105/106).

    Aquele abraço.
  • Marcelo SImoes Nunes  07/04/2016 03:26
    Diego Covarubias, a par toda a absoluta inutilidade de sua discussão com o Pobre Paulista, a qual acompanho pela total falta do que fazer e por uma curiosidade compulsiva pelos desatinos da mente humana, devo dizer que hoje o Pobre Paulista se superou em todos os seus limites. Fora a afirmação, incompreensível a mente humana, de que, se você não o convence, isso é prova de que o convencimento é impossível, fica a pergunta? Se o PP não acredita em convencimento, porque perde tanto tempo contra argumentando o que você questiona?
  • Rhyan  06/04/2016 20:32
    "Old Right", "New Left", o Libertarianismo é algo confuso mesmo, né? Há muitos registros colocando o Liberalismo Clássico como um vertente originalmente de esquerda junto com os socialistas utópicos/anarco-individualistas/neo-proudhonianos.
  • anônimo  24/04/2016 11:11
    Neocons...
    https://www.youtube.com/watch?v=0Kf_zcmKRZM
  • Joaquim Saad  13/09/2016 14:05
    Muito interessante este polêmico artigo do Hoppe sobre Hayek recentemente publicado no MI !
    Seria bem legal ver o debate que se seguiria à sua tradução aqui no IMB...
  • Auxiliar  13/09/2016 14:34
    Esse artigo já foi traduzido há muito tempo:

    Por que Mises (e não Hayek)?
  • Joaquim Saad  13/09/2016 14:41
    Putz, e eu aqui "viajando" nas datas ! Também, acho que era só ter lido antes este artigo e seus comentários...

    De qq forma, obrigado.
  • Grimmwotan  15/03/2017 20:14

    Proditorianismo um termo que define um alerta e uma forma de demonstrar as vicissitudes e seus articuladores, os quais visam a queda da sociedade em prol do lucro das mentes por trás dos pseudo intelectuais da esquerda.
    .
    https://www.academia.edu/31878327/Proditorianismo.pdf


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