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Nove perguntas frequentes sobre importação, livre comércio e tarifas protecionistas

1) Digamos que o governo, de uma hora para outra, abrisse o mercado para o exterior e não praticasse nenhuma proteção contra importação. Quais os impactos teríamos?

Tudo vai depender das preferências dos consumidores.  Se eles voluntariamente passarem a comprar produtos importados, ignorando os nacionais, então eles, por definição, estão voluntariamente demonstrando que preferem produtos estrangeiros aos produtos produzidos pela FIESP, FIERJ, FIEMG e toda a CNI.

Ética e moralmente, não há um único argumento plausível contra essa preferência voluntariamente demonstrada. Se você, por exemplo, preferir comprar sapatos da China a sapatos de Franca ou Jaú, por que alguém deveria lhe proibir disso?  Que mal você está fazendo a terceiros?

2) "Muitas empresas nacionais iriam a falência?"

As ineficientes com certeza.  E isso seria ótimo.  Empresas ineficientes são deletérias para uma sociedade.  Elas consomem recursos e não entregam valor.  Elas, na prática, subtraem valor da sociedade.  Uma empresa que opera com prejuízo é uma máquina de destruição de riqueza.  E é por isso que empresas que operam continuamente com prejuízo — por mais importantes que elas sejam para o "orgulho nacional" — devem falir e ser vendidas para novos administradores mais competentes.

Falências são algo extremamente positivo para uma economia, pois permitem que aqueles concorrentes mais produtivos e mais capazes tenham a oportunidade de comprar os ativos das empresas falidas a preços de barganha, podendo assim fortalecer suas operações e voltar a criar valor para a sociedade. 

Um governo proteger empresas falidas, ou empresas que operam com seguidos prejuízos, é a maneira mais garantida de empobrecer uma economia.

3) Tarifas protecionistas protegem as empresas nacionais? 

Sim.

4) Protegem de quem?

Dos consumidores. 

Principalmente dos mais pobres, que ficam sem poder aquisitivo para comprar produtos bons e baratos feitos no exterior.

5) Como assim?

O que os protecionistas defendem, embora não tenham coragem de dizer com estas palavras, é que indústrias ineficientes e custosas devem ser protegidas, pelo governo, dos consumidores (que já demonstraram preferir outros produtos). 

Protecionistas querem proteger as empresas ruins e blindá-las contra as demandas dos consumidores.  Os consumidores não devem ter o direito de escolher produtos estrangeiros.  Eles devem ser obrigados a comprar da FIESP.

Por que isso seria ético e moral?

6) E beneficiam quem?

Em primeiro lugar, os grandes sindicatos. 

Mas, acima de tudo, tarifas protecionistas beneficiam o grande baronato industrial. 

Sem a concorrência de produtos estrangeiros, e com os brasileiros mais pobres podendo comprar apenas produtos fabricados nacionalmente, os grandes empresários industriais não têm motivo nenhum para reduzir seus preços e elevar a qualidade de seus produtos.  Eles passam a usufruir um mercado cativo. 

E os consumidores brasileiros, principalmente os mais pobres, passam a ser tratados como gado em um curral: ficam proibidos de comprar produtos estrangeiros e são obrigados a comprar apenas os produtos nacionais desses empresários privilegiados.

Seus lucros se tornam inabalados.

7) Mas há indústrias eficientes que estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo.  Neste caso, seria o protecionismo aceitável?

Não.

Se há indústrias nacionais eficientes que estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo, isso é algo que tem de ser resolvido junto ao governo, e não tolhendo os consumidores. 

Se os custos de produção no Brasil são altos e estão inviabilizando até mesmo as indústrias eficientes, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho.  São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos. 

Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades.  Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias.  Isso é querer apagar o fogo com gasolina

8) Mas não seria importante haver algumas tarifas protecionistas para garantir o desenvolvimento das indústrias mais eficientes?

Em primeiro lugar, a ideia de se proteger os eficientes é um total contra-senso.  Se é eficiente, não precisa de proteção; se é ineficiente, não merece a proteção.

Ademais, sempre resta a pergunta: no Brasil, as empresas já não tiveram protecionismo o bastante? 

O mercado brasileiro está praticamente fechado há mais de um século — atualmente, o Brasil continua sendo uma das economias mais fechadas do mundo — e ainda é necessário dar mais tempo? 

Aos protecionistas ficam as seguintes perguntas: Tarifa de quanto?  Por que tal valor?  Por que não um valor maior ou menor?  Por quanto tempo deve durar tal tarifa?  Por que não um tempo maior ou menor?  Qual setor deve ser protegido?  Por que tal setor e não outro?  E, finalmente, por que o segredo para a eficiência é a blindagem da concorrência?

9) O que deve ser feito?

Em primeiro lugar, ter uma moeda forte e reduzir a inflação de preços ao máximo possível.  É a inflação o que realmente causa desindustrialização.

Em seguida, abolir a burocracia, as regulamentações e os impostos sobre as indústrias nacionais, expondo-as, simultaneamente, a todo o tipo de concorrência estrangeira.

Defender a adoção de tarifas protecionistas e proibir consumidores mais pobres de comprar os bens estrangeiros que quiserem é imoral, anti-ético e, acima de tudo, desumano.

_______________________________

Leia também:

A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro 

"Criar empregos" não é o objetivo de uma economia sólida

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Países pobres tributam pesadamente importados; países ricos têm suas fronteiras abertas 

Descubra se você é um protecionista mercantilista 

Qual o benefício de exportar mais do que importar?


5 votos

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Godofredo Bartolomeu Péricles Silva Só  19/02/2016 18:56
    EXCELENTE!
  • Lucas  19/02/2016 23:45
    David ricardo sério !!
  • anônimo  20/02/2016 02:28
    ???
  • Coeficiente 100%  20/02/2016 13:32
    "David ricardo sério !!"


    Ó, o tio aqui vai conduzir essa criança para atravessar a rua com segurança:

    Estamos falando de comércio internacional; pois bem, David Ricardo foi o formulador da Teoria das Vantagens Comparativas, "apenas" a teoria mais importante na defesa do livre comércio internacional; trata-se, nada menos, que a própria base da teoria do livre comércio internacional.

    E essa ideia de Ricardo é tão fundamental que foi adotada por ninguém menos que Ludwig Von Mises - o nome desse Instituto (e desse site) é Mises Brasil, lembra? -, que, na sua obra mais importante (Human Action, a melhor obra sobre capitalismo e sobre liberdade econômica já escrita), adotou-a de forma entusiasmada, a ponto de generalizá-la para toda e qualquer associação humana, sob a rubrica "The Ricardian Law of Association" (como você pode ver na pág. 158 da obra: https://mises.org/library/human-action-0), inserindo-a em dos tópicos mais enfatizados na obra de Mises, a divisão do trabalho, ideia chave da economia de mercado.

    Nesse sentido, os argumentos austríacos sobre comércio internacional tem como marco referencial a Teoria das Vantagens Comparativas formulada por Ricardo.

    De outro lado, vale enfatizar que tal ideia ricardiana, juntamente com outras de viés liberal clássico - dentro do contexto da British Classical School, da qual Ricardo foi um dos principais expoentes -, serviu, justamente, de combate ao mercantilismo-protecionista (que era contrário, pois, ao livre comércio internacional) daquela época, de sorte que suas ideias tiveram importância prática (e benéfica), na vida real das pessoas.

    E sabe quem é que afirma isso? Ninguém menos que George Reisman, aluno de Mises, talvez o maior economista vivo (que não por acaso se auto-enquadra como Austro-Classical, um austríaco que incorpora as ideias boas dos clássicos, descartando, claro, os erros teóricos que eles cometeram, sendo o mais conhecido o erro da teoria do valor-trabalho). Veja o que ele diz na sua obra-prima, "Capitalism" (https://mises.org/library/capitalism-treatise-economics), na pág. 994:


    "An indispensable part of any serious study of
    procapitalist economic theory is a thorough, first-hand
    knowledge of the British Classical economists, i.e., the
    school principally comprising Adam Smith, David
    Ricardo, John Stuard Mill. The ideas of these men
    dominated educated opinion on economic matters in the
    Western World in the century following 1776 (the date of the
    publication of The Wealth of Nations as well as of the
    American Revolution). This was the period in history most
    closely approximating laissez-faire capitalism, and the
    Classical economists deserve much of the credit for it.
    "


    Isso em falar, ainda, no "efeito Ricardo", um "efeito sobre a estrutura de produção da economia em decorrência de uma maior poupança por parte do consumidor — ou seja, é um dos efeitos causados por um comportamento mais voltado para o consumo futuro em detrimento do consumo presente", e que "tem esse nome devido, justamente, a David Ricardo, que mencionou tal efeito em seu livro 'Princípios de economia política e tributação'; esta ideia, posteriormente, foi resgatada por Friedrich Hayek quando concebeu a sua teoria sobre o capital" (www.mises.org.br/Article.aspx?id=990; também: www.mises.org.br/Article.aspx?id=798).


    Viu só, garotinho Lucas, vivendo e aprendendo!





  • Thiago  29/03/2017 19:05
    O Estado deve intervir em caso de produtos estrangeiros que chegam ao país com valores bem baixos, subsidiados pelo governo estrangeiro para conseguir mercado no Brasil, quebrando o produtor nacional e assim que conseguem se estabelecer, aumentam o preço do produto estrangeiro e diminuem a qualidade?
  • Ramirez  29/03/2017 19:52
    Se enviar produtos importados baratos destrói a indústria de um país, então conclui-se que fazer o extremo -- mandar importados DE GRAÇA pra um país -- o destrói ainda mais rapidamente.

    Mas o que tem de destrutivo em ganhar presentes? Se nos mandarem televisões, carros e geladeiras de graça, perderemos, sim, os empregos nessas áreas. No entanto, os trabalhadores dessas áreas poderão ir pra outras atividades produtivas e genuinamente demandadas pelos consumidores.

    Em vez de termos essas pessoas produzindo televisões, carros e geladeiras, já teremos tudo isso e mão-de-obra sobrando pra produzirmos outras coisas. Em resumo, o país ficaria mais rico, às custas dos contribuintes de outros países que estão subsidiando importados gratuitos pra nós.

    Outra coisa: se restringir e taxar a importação de produtos baratos é bom pra indústria nacional, bloquear as bordas do país contra todas as importações criaria uma economia fortíssima no país bloqueado.

    E não pára por aí: se bloquear um país é bom pra economia interna, então bloquear os estados também. Imagine quantos empregos de paulistas os gaúchos estão tirando quando criam gado. Proibir a importação de gado e garantir empregos pra indústria interna de gado São Paulo seria uma boa idéia.

    E isso continua pra cidades, pra ruas, até que se decida produzir tudo em sua casa e não trocar com ninguém.

    Basta você parar de fazer compras no supermercado e estará bem ocupado o dia inteiro plantando, colhendo, costurando suas roupas, etc.

    Todos terão pleno emprego, mas a produtividade será extremamente baixa dado o custo de oportunidade de produzir tudo por si mesmo, e será uma pobreza generalizada.

    Um tomate que você compra com alguns segundos do seu trabalho demoraria meses pra nascer na sua terra.

    Se nos casos extremos, com importados de graça, a sociedade fica mais rica e produtiva, e com importados proibidos, a sociedade fica mais pobre e improdutiva, são pra esses os caminhos que as políticas protecionistas apontam.

    Não existe um ponto de equilíbrio ou um "protecionismo racional". Todo protecionismo beneficia produtores do setor protegido às custas de todo o resto.

    Pode até ser que sem protecionismo nossas montadoras falissem; mas se elas não conseguem competir, é isso o que tem que acontecer.

    Se custa 50.000 pra fazer um carro no Brasil que custa apenas 25.000 pra fazer o mesmo carro lá fora, ao comprar o carro de 25.000 a nossa economia tem um carro e 25.000 sobrando pra serem usados em outros setores. Ao comprar um carro de 50.000, a economia tem apenas um carro e deixa de ter 25.000 pra gastar ou investir em outros setores.

    Imagine num caso extremo gastar uma fortuna com tecnologia e energia pra produzir bananas no Alasca. Se essas bananas forem produzidas num país tropical, podemos ter as mesmas bananas que teríamos do Alasca, mas sem usar todo aquele recurso: homens, máquinas e energia que poderiam ser mais bem alocados em outro lugar ao invés da produção de bananas.

    A questão não são empregos, nem indústria nacional: a questão é produção. Empregos que não criam valor são inúteis, e há indústrias que não necessitam existir. O Brasil não "precisa" de uma indústria de carros assim como o Alasca não "precisa" de uma indústria de bananas, a menos que encontrem uma forma eficiente de produzir seus produtos. Não há por que preservar tais empregos.
  • Alessandro  29/03/2017 19:53
    Qual o problema do dumping?

    Em primeiro lugar, mesmo no caso extremo de algum país estar sendo tolo o suficiente para nos ofertar produtos a preços realmente abaixo de custo, o certo seria que corrêssemos para aproveitar tal oportunidade, antes que os bobos de lá caíssem em si.

    Se, por exemplo, a China, por pura extravagância, resolver inundar o mercado brasileiro com calçados bons e gratuitos, deveríamos, como consumidores, agradecer a barganha e aproveitá-la enquanto possível. Enquanto não chegar o dia -- inevitável -- em que as empresas chinesas irão falir e consequentemente cancelar essa política maluca, os 'compradores' e consumidores brasileiros só terão a ganhar com essa oferta generosa.

    Dumping equivale a receber presentes praticamente gratuitos de estrangeiros. Por que isso seria ruim?

    O dumping só prejudica aquele que o pratica; ele sempre beneficia aquele a quem se destina.

  • Trader  29/03/2017 19:57
    Além de tudo o que já foi respondido acima, é extremamente importante ressaltar que essa tese de "fazer dumping para quebrar indústrias para logo em seguida elevar preços e dominar o mercado" é completamente irreal.

    Não apenas isso nunca aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.

    Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

    Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores.

    Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

    Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

    E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado.

    Se isso não vale para uma empresa dentro de um país, imagine então para uma empresa concorrendo em escala global (como é o caso do seu exemplo)?
  • Augusto  19/02/2016 19:38
    Acredito que a mentalidade dos "donos" do Brasil não evoluiu e continuam a tratar a população como escravos. Como não poderia mais ser feito assim por questões de influência internacional, a nova classe escrava é formada pelos mais pobres e trabalhadores. Os ricos ou apadrinhados lucram com esse sistema e ficam livres para comprar qualquer coisa mesmo com a barreira dos impostos, pois eles tem mais do que precisam, enquanto os pobres ficam reféns desses produtos e serviços ruins protegidos pelo governo. Exemplos não nos faltam e mesmo onde não há concorrência internacional ainda há formação de cartéis, como os ônibus, táxis e sua briga para a não construção dos metrôs, simplesmente uma imposição de como o "gado" vai se transportar obrigatoriamente, já que eles "não tem capacidade para se organizar sozinhos". Enquanto o Brasil império não for modernizado para acabar com as mazelas, que alimentam uma dúzia de famílias em detrimento de outras milhões, não teremos a mínima condição de competir nem nacionalmente nem internacionalmente. E tem mais... Experimente não pagar seus impostos, tirando aqueles que são cobrados automaticamente na fonte antes mesmo de você receber, e veja a diferença entre ser escravo e senhor: se você atrasa, recebe multa (não podem mais te agredir legalmente) e pode até ir preso, mas se o governo atrasa ou não cumpre algo fica tudo por isso mesmo. Então a questão toda é: ou os barões evoluem e deixam o país se desenvolver ou ficamos todos pra trás, até aquele dia em que o carnaval e futebol não forem suficientes para tapear a população... Aí o bicho vai pegar...
  • Tannhauser  19/02/2016 19:54
    Leandro,

    Considerando um cenário hipotético para discutir um dos argumentos a favor do protecionismo.

    Considere uma ilha com uma pequena economia que produza apenas bananas. A moeda é lastreada em açúcar extraído da banana. Os demais bens e serviços são comprados ou importados com essa moeda.

    Agora, digamos que um país, cuja economia é centenas de vezes maior, queira dominar esta ilha por questões geopolíticas.

    Para isso, o governo deste pais subsidia a produção de bananas e vende aos consumidores da ilha a um preço dez vezes menor.

    O que aconteceria? A produção de bananas na ilha se tornaria inviável, reduzindo-se a zero. A moeda, lastreada em bananas perderia valor, inflacionando os preços dos demais bens e serviços. No médio prazo, as pessoas ficariam sem capital até para adquirir bananas. Sem riqueza nenhuma, ficaria mais fácil para o País dominar aquela ilha. Bastaria comprar o seu governante.

    Neste cenário hipotético, seria justificavel a proteção da industria de bananas?

    Há um erro no raciocínio?
  • Leandro  19/02/2016 20:46
    "Considere uma ilha com uma pequena economia que produza apenas bananas. A moeda é lastreada em açúcar extraído da banana. Os demais bens e serviços são comprados ou importados com essa moeda."

    Ok, a moeda é o açúcar e o açúcar, segundo suas próprias condições, é aceito internacionalmente como moeda.

    Beleza. Prossigamos.

    "Agora, digamos que um país, cuja economia é centenas de vezes maior, queira dominar esta ilha por questões geopolíticas."

    Bom, se ele quer dominar por questões geopolíticas, então, por definição, ele não tem interesse nenhum em destruir a economia deste local. Ao contrário.

    Mas ok. Sigamos.

    "Para isso, o governo deste pais subsidia a produção de bananas e vende aos consumidores da ilha a um preço dez vezes menor."

    Neste ponto, a "indústria bananeira" irá encolher.

    Porém, como o açúcar é uma moeda internacionalmente aceita, e esta mantém seu valor intacto -- afinal, o açúcar continua sendo normalmente demandado mundo a fora --, a população deste país continua podendo importar normalmente. As bananas são plenas (há as nacionais e as importadas) e fornecem o açúcar que serve de moeda para as transações internacionais.

    Aliás, há até mesmo o argumento de que, com mais bananas, mais açúcar. Com mais açúcar, mais dinheiro para essa população importar. Logo, maior será seu padrão de vida.

    "O que aconteceria?"

    Explicado acima, segunda suas próprias condições.

    "A produção de bananas na ilha se tornaria inviável, reduzindo-se a zero."

    Porém, a oferta de bananas seria ainda maior. E, havendo mais açúcar, haverá maior capacidade de a população local importar bens internacionais.

    "A moeda, lastreada em bananas perderia valor, inflacionando os preços dos demais bens e serviços."

    Não faz sentido. Segundo você próprio, só há bananas na ilha. Todo o resto dos produtos é importado. Logo, a demanda por produtos nacionais segue inalterada.

    Por outro lado, com mais bananas, haverá mais açúcar. Com mais açúcar, e sendo o açúcar uma moeda internacionalmente aceita, haverá mais capacidade de importar bens. O padrão de vida irá subir.

    "No médio prazo, as pessoas ficariam sem capital até para adquirir bananas."

    Não entendi. Eles estão com mais açúcar, e o açúcar é uma moeda internacionalmente aceita. Houve, isso sim, um aumento da capacidade de consumo dessa população.

    "Sem riqueza nenhuma, ficaria mais fácil para o País dominar aquela ilha. Bastaria comprar o seu governante."

    Como explicado acima, isso não apenas não procede, como agora, com mais dinheiro, essa população poderá importar até mesmo armamento pesado.

    Tudo isso seguindo estritamente o cenário que você próprio delineou.
  • Chaves do Oito  19/02/2016 21:41
    Mas e se a ilha produzir apenas maçãs?
  • Tannhauser  20/02/2016 00:03
    Obrigado, Leandro. Realmente, não fez sentido nenhum meu argumento.
  • Matheus Cabral  21/02/2016 02:12
    Muito boa a resposta (para uma pergunta também boa - uma cilada de raciocínio fácil de enganar desprevenidos).

    Deixo a sugestão de colocar como postagem no blog esse par pergunta/resposta e outras situações de pergunta/resposta interessantes como forma de aparecer com o destaque merecido.

    Outra sugestão diferente (e talvez melhor) seria destacar visualmente os comentários que o editor julgar mais interessantes.

    Muitas vezes rolo a lista de comentários procurando algum bom e não é tarefa fácil.
  • Luiz Novi  19/02/2016 20:51
    O Brasil é ainda mais fechado que a venezuela???
    Poderia explicar por que?
    Agradeço a atenção.

    abraço.
  • Fábio  19/02/2016 21:27
    Não sei como deixaram o mais lógico, óbvio e eficiente argumento fora da lista. Se a população de um país começar a demandar "excessivamente" moeda estrangeira para importar, a moeda estrangeira irá encarecer e consequentemente os produtos importados encarecerão também. Haverá um ponto de equilíbrio, no longo prazo, onde os preços do mercado interno e externo estarão num relativo equilibro (obviamente se 95% das importações de um país forem feitas dos EUA, os preços do mercado interno deste país serão mais parecidos com os do EUA do que os de qualquer outro lugar). Quando este ponto de equilíbrio for obtido não haverá uma preferencia generalizada por determinados produtos de determinados países, as pessoas irão comprar do fabricante que apresentar o melhor custo/benefício, seja ele nacional ou estrangeiro.
  • Leandro  19/02/2016 21:39
    Tal cenário ocorre apenas em economias de câmbio puramente flutuante.

    Em economias de câmbio "flutuante sujo", de câmbio atrelado ou de Currency Board, isso não ocorre.

    Como câmbio flutuante puro praticamente não existe, esse argumento está longe de ser o mais "lógico, óbvio e eficiente", como ele tampouco é um argumento.

    P.S.: e nem vou entrar na questão de que, implícito em seu raciocínio, está a ideia de que o que determina a taxa de câmbio é a balança comercial. Isso é errado. O que determina o câmbio, no longo prazo, é simplesmente o poder de compra relativo de cada moeda.
  • Fábio  19/02/2016 23:19
    Obviamente não é a balança comercial sozinha que determina a taxa de câmbio. Ela é apenas um dos mais importantes fatores. Ou você acha que se os EUA parassem de importar do Brasil, e o Brasil continuasse importando dos EUA, a tendência do dólar não seria de valorização?

    Para um país ter um câmbio flutuante "limpo", o BC precisa apenas não intervir diretamente no mercado cambial. Tem certeza que praticamente não existem grandes períodos nas principais economias do mundo em que isso não ocorreu? Qual foi a última vez que o FED fez uma operação para explicitamente desvalorizar o dólar perante alguma commodity ou moeda? Lembrando que política monetária frouxa (vide QE) não caracteriza intervenção cambial explicita.
  • Leandro  20/02/2016 00:28
    "Obviamente não é a balança comercial sozinha que determina a taxa de câmbio. Ela é apenas um dos mais importantes fatores."

    Pior que realmente não é.

    E é incrível como esses mitos se propagam. Eu até compreendo que é difícil deixar de acreditar em um mito que é propagandeado diariamente pela imprensa e pelos professores de faculdade, mas as pessoas realmente devem se esforçar por conta própria para entender melhor algumas questões econômicas.

    Se o que determina a taxa de câmbio é o saldo da balança comercial, se quanto mais o país exporta e quanto menos ele importa, mais valorizado será o câmbio, então, só pra começar, todos os países da África, que quase nada importam, teriam moedas absurdamente valorizadas. A Venezuela, então, que exporta muito petróleo e não importa quase nada (pois o governo restringe), teria uma moeda que seria um portento. Aliás, o próprio dólar (os EUA importam muito mais do exportam, e têm déficits comerciais seguidos desde a década de 1970) estaria hoje esfrangalhado.

    O que determina a taxa de câmbio é o poder de compra entre as moedas, e não saldos de balança comercial. Agora, se as pessoas querem continuar acreditando em mitos sem nenhuma sustentação nem teórica e nem empírica, aí realmente nada posso fazer.

    Em tempo: o saldo da balança comercial do Brasil, em 2015, foi a maior em décadas. Pela lógica, era para o câmbio ter se valorizado. No entanto, o real foi pra latrina.

    "Ou você acha que se os EUA parassem de importar do Brasil, e o Brasil continuasse importando dos EUA, a tendência do dólar não seria de valorização?"

    Esse cenário, por si só, não permite inferir nada. Qual a causa da redução de importação por parte dos EUA?

    Por exemplo, observe que, se o dólar se desvalorizar, a capacidade dos americanos de importar do Brasil cai, e a capacidade dos brasileiros de importar dos americanos aumenta, levando a algo muito próximo do cenário que você descreveu. No entanto, neste cenário o real se valorizou em relação ao dólar, e não o contrário.

    "Para um país ter um câmbio flutuante "limpo", o BC precisa apenas não intervir diretamente no mercado cambial. Tem certeza que praticamente não existem grandes períodos nas principais economias do mundo em que isso não ocorreu?"

    Se houve, sinceramente, durou muito pouco e não me lembro.

    No entanto, olhando em retrospecto, e agora que nosso debate está mais avançado, digo que isso é imaterial para a discussão. O que determina taxa de câmbio, no longo prazo, é o poder de compra de cada moeda, e não balança comercial.

    Prova suprema disso é o franco suíço: em meados de 2011, o BC da Suíça tentou manter a moeda atrelada ao euro. Em janeiro de 2015, dado que a inflação de preços da Suíça era persistentemente menor que a da zona do euro, o BC suíço acabou tendo de liberar o câmbio. Resultado: o franco se valorizou imediatamente.

    "Qual foi a última vez que o FED fez uma operação para explicitamente desvalorizar o dólar perante alguma commodity ou moeda? Lembrando que política monetária frouxa (vide QE) não caracteriza intervenção cambial explicita."

    Opa, alto lá! Um dos objetivos do QE era justamente enfraquecer o dólar e, com isso, alcançar o objetivo (imbecil) de inflação de preços de 2% ao ano. Tão logo o Fed parou com os QEs, o dólar imediatamente se valorizou acentuadamente perante o euro (de 1,45 dóar por euro para 1,08), sem que tenha havido qualquer alteração substantiva na balança comercial.
  • Palpiteiro  19/02/2016 23:01
    1) Digamos que o governo, de uma hora para outra, abrisse o mercado para o exterior e não praticasse nenhuma proteção contra importação. Quais os impactos teríamos?

    No princípio, falencias, demissões em massa, stress nas empresas, quebra quebra geral. Ou seja, ajustes economicos. Simplesmente ocorreria que empresas que nunca deveriam sequer ter sido abertas "voltariam ao pó".

    Mas o pau que bate em João, bate também em Maria. A mesma facilidade que os consumidores teriam para comprar produtos importados, os empreendedores brasileiros também teriam para adquirir maquinário e tecnologia de outros países.

    No final das contas, todos ganhariam. Só que isso não geraria ganhos a curto prazo, só a médio e longo prazos. E como o povo bananês quer tudo para ontem... seguirá comprando na promoção do "tudo pela metade do dobro, ou do triplo".
  • Renan  20/02/2016 00:13
    Bom, sou completamente favorável a esses argumentos e racionalmente é muito válido que uma maior eficiência enriqueceria o país, mas tenho dificuldade de organizar meus pensamentos e gostaria de pedir a ajuda de vocês se possível. Imaginando a situação de um país rico onde os salários praticados são altos, se retirarmos todas as barreiras protecionistas é natural pensar que todas as indústrias ineficientes e de baixa tecnologia irão a falência por não poder competir com a China, por exemplo. Inicialmente poderíamos pensar que haveria um grande número de desempregados que acabaram de sair dessas empresas. Com isso a oferta de mão-de-obra não qualificada iria subir e os salários nesse país iriam cair. Creio que poderiam cair bastante, a um nível próximo do salário na China e mais o frete para exportar um produto para esse país pois, caso contrário, compensaria importar da China (isso no setor industrial, claro, e não no de serviços). Aplicando isso em um país Nórdico, por exemplo, e supondo que não exista um salário mínimo, é válido pensar que a extinção de barreiras à importação colocaria boa parte da população não qualificada em desemprego (só existiria trabalho não qualificado para o setor de serviços) e abaixaria os salários a níveis baixíssimos, como os da China? Ou então é possível fazer outras hipóteses de como o mercado absorveria essa mão-de-obra de forma que, ao final, com a baixa dos preços dos produtos, mesmo os não-qualificados tenham seu poder de compra aumentado?
    Bom, minha pergunta é, na verdade, uma pergunta recorrente que ouço quando discuto com outros. A pergunta que me fazem é: "Como exatamente/especificamente o mercado vai absorver esses desempregados provenientes das indústrias falidas e como provar que a qualidade de vida deles será ainda maior que outrora e não a qualidade de vida de um chinês?"
    E infelizmente não consigo responder a essa pergunta de maneira suficientemente detalhada como me é requisitado.
    Obrigado.
  • Leandro  20/02/2016 01:26
    "Imaginando a situação de um país rico onde os salários praticados são altos,"

    Se o país é rico, a moeda é forte. Se a moeda é forte, a inflação de preços é baixa.

    Acima de tudo: se um país é rico, dificilmente -- para não dizer certamente -- sua economia é fechada.

    E isso é muito importante. Se o objetivo é fazer um exercício mental, então é crucial nos certificarmos de que os pontos de partida sejam sólidos e corretos.

    Não dá pra visualizar um país rico com economia fechada.

    Dito isso, continuemos.

    "se retirarmos todas as barreiras protecionistas é natural pensar que todas as indústrias ineficientes e de baixa tecnologia irão a falência por não poder competir com a China, por exemplo."

    Aí já começa o problema.

    Em primeiro lugar, como dito acima, tal economia rica, por definição, já é aberta. "Retirar barreiras protecionistas" em uma economia rica e aberta significa reduzir tarifas de importação em torno de 2 pontos percentuais. (Nos países nórdicos, que foram os escolhidos para o seu exemplo, a tarifa média de importação é de 1,2%). Isso, sinceramente, não é quase nada.

    No mais, se as indústrias são ineficientes, muito dificilmente seus empregados terão salários gordos. Não em economias ricas e abertas.

    O que podemos discutir aqui é o efeito da abolição de algumas tarifas protecionistas que existiriam apenas para segmentos muito específicos de uma economia rica. Por exemplo, um país nórdico que tributa em 35% a importação de carros. Aí, sim, nos aproximamos mais do seu cenário hipotético.

    Nesse caso, vale três constatações:

    1) Nada impede que essa indústria se aprume e rapidamente se torne mais eficiente. Sendo o país rico e tendo moeda forte, essa indústria tem fácil acesso aos bens de capital mais modernos do mundo. Ela pode importá-los -- se é que já não o fez -- e, com isso, aumentar sua produtividade e a qualidade de seus produtos. Não há empecilho nenhum a isso.

    (Adendo: uma indústria de um país rico apanhar para os bens produzidos na China? Convenhamos, né?)

    2) No entanto, se essa indústria se recusar a se aprimorar, bom, aí realmente não tem conversa: a mão-de-obra dessa indústria, muito provavelmente, será merecidamente demitida (pelos motivos explicados no texto);

    3) Mas essa mão-de-obra nem de longe se constituiria em uma massa enorme a ponto de pressionar todos os salários da economia, como você deixa transparecer no restante do seu cenário imaginário. Qual a porcentagem da população empregada na indústria automotiva?

    "Inicialmente poderíamos pensar que haveria um grande número de desempregados que acabaram de sair dessas empresas. Com isso a oferta de mão-de-obra não qualificada iria subir e os salários nesse país iriam cair."

    A partir daí tudo vira ficção.

    Como explicado acima, em países ricos, a economia já é aberta. Pode haver, aí sim, protecionismos a setores específicos da economia. Mas não a toda a economia.

    Sendo assim, a massa demitida é ínfima em relação a toda a mão-de-obra do país. O cenário de "o país vai virar uma China" não encontra nenhum respaldo teórico.

    E sempre lembrando que, se uma indústria de um país rico permanecer ineficiente frente à concorrência de países pobres, aí realmente ela merece quebrar. Tamanha incompetência não pode ser premida.

    É o equivalente a um cirurgião plástico ter medo de perder seu emprego para um refugiado haitiano...
  • Eduardo  20/02/2016 01:36
    Olá! Gostaria de tirar uma dúvida. Por mais que eu pense, não consigo encontrar a solução, e, provavelmente será um questionamento raso no ponto de vista econômico.
    A questão da China. Sabemos que a China consegue produzir produtos mais baratos principalmente pela mão de obra barata. Os chineses vivem em um regime de semi escravidão, e estão conquistando um pouco mais de riqueza com a abertura do mercado.
    Minha visão é que a indústria brasileira não tem condições de competir com a chinesa, pelos encargos, mão de obra encarecida pelo governo, etc. Em um primeiro momento, ao se retirar as medidas protecionistas, as indústrias brasileiras iriam quebrar. Os consumidores iriam obter produtos importados mais baratos, claro, porém com a quebra da indústria só restaria o comércio com produtos originados no exterior. O que aconteceria a seguir seria um empobrecimento, e a perda de poder aquisitivo dos consumidores brasileiros, pois só a indústria gera riqueza. O que sucederia seria uma economia baseada no consumo, correto? Esse dinheiro iria pra fora em grandes quantidades e não circularia dentro do país. De onde as pessoas tirariam renda com a indústria quebrada?

    Eu acredito na retirada de barreiras como geração de desenvolvimento, porém antes disso as empresas brasileiras precisam ter condições de competir, retirando o peso estatal de cima de suas costas. Grato!
  • Terminator  20/02/2016 02:00
    "Minha visão é que a indústria brasileira não tem condições de competir com a chinesa, pelos encargos, mão de obra encarecida pelo governo, etc."

    Item 7 do texto.

    "Em um primeiro momento, ao se retirar as medidas protecionistas, as indústrias brasileiras iriam quebrar."

    Por quê? Nenhuma indústria iria se aprumar, sair da zona de conforto e se aprimorar? Nenhuma seria capaz de oferecer concorrência a "trabalhadores semi-escravos"?

    Essa, aliás, é uma das afirmações mais estapafúrdias que já vi. Desde quando "trabalhadores semi-escravos" conseguem produzir bens de qualidade ao ponto de quebrarem todas as indústrias de todos os países livres do mundo?

    Esses chineses são realmente espetaculares. Trabalhando sob um chicote, conseguem produzir com mais competência e capricho do que trabalhadores que ganham altos salários no ABC.

    Se isso realmente ocorrer, então, francamente, essa galera do ABC deveria sumir do mundo, nem que fosse de vergonha.

    Se um semi-escravo fizesse constantemente um serviço melhor que o meu, eu morreria de vergonha, ficaria quietinho no meu canto (com medo de alguém me ver), e jamais teria a cara de fazer qualquer exigência.

    "Os consumidores iriam obter produtos importados mais baratos, claro, porém com a quebra da indústria só restaria o comércio com produtos originados no exterior."

    Semi-escravos quebraram todas as indústrias do país?

    Caramba, esses caras são de outra galáxia, hein? Chineses semi-escravos fabricando chuveiros quebraram até a Embraer.
    Eu teria vergonha.

    "O que aconteceria a seguir seria um empobrecimento, e a perda de poder aquisitivo dos consumidores brasileiros, pois só a indústria gera riqueza."

    Se toda a indústria conseguiu a façanha de ser quebrada por "semi-escravos", então ela realmente não tinha nada que existir. Era uma vergonha perante o mundo, e um constrangimento para o país.

    Agora, ironias à parte -- desculpe-me, mas a resposta foi no mesmo nível da pergunta --, uma pergunta semelhante, se não idêntica, já foi feita (e respondida) logo acima, pelo leitor Renan.

    Aliás, nem sei por que o Leandro se deu ao trabalho de responder, dado que os itens 7 e 8 do texto, bem como os dois primeiros artigos linkados ao final do texto, são justamente sobre isso.
  • anônimo  20/02/2016 21:00
    O governo brasileiro deixa tudo vir da china pronto, tem muito esquema e maquiagem nas importações dos insumos, a industria siderurgica nacional está sendo prejudicada. O industrial e empresário BR viraram importador com o aval do esquema PT, Receita e Policia Federal.
  • Edson Jr   20/02/2016 21:53
    Leandro...

    Havendo uma preferência dos consumidores aos produtos estrangeiros e... supondo que as indústrias nacionais entrassem em falência... isso implicaria num aumento do desemprego?

  • Leandro  21/02/2016 06:05
    Temporariamente, sim.

    Porém, como já explicado acima (inclusive por outros leitores), não há nenhum argumento plausível que sustente que todas as indústrias irão quebrar. Muito menos há qualquer argumento plausível para afirmar que nenhuma dessas indústrias irá se aprumar, se aperfeiçoar e, com isso, se manter no mercado.

    Essa ideia de que todas as indústrias irão quebrar parte do princípio de que a economia é estática, de que empreendedores não aprendem, e de que eles não possuem nenhuma eficiência dinâmica. Isso simplesmente não é verdade.

    Em última instância, uma gerência incompetente pode ser substituída por seus acionistas por uma mais competente. Ou mesmo uma indústria ineficiente ser comprada por outra mais eficiente, dando assim uma aplicação mais racional para seus recursos e bens de capital.

    Ademais, ainda que algumas indústrias de fato quebrassem, sua mão-de-obra de obra altamente especializada não teria dificuldade de encontrar empregos em áreas relacionadas, nem que fosse no setor de manutenção.

    O futuro, como já explicado neste site, não é o emprego industrial, mas sim o setor de resolução de problemas. Isso é inexorável. Pode ser adiado, mas é inevitável.
  • Vinícius  21/02/2016 19:54
    A produção industrial anual absoluta do México ultrapassará a do Brasil este ano, apesar dos aproximadamente 80 milhões de habitantes a menos. O NAFTA foi um sucesso.
  • Fernando  22/02/2016 11:56
    Muita gente tem uma visão errada sobre a abertura da economia e valorização da moeda.

    A conta é simples. Se as pessoas gastam menos comprando produtos importados, elas poderão gastar mais comprando outros produtos nacionais. Não dá mais para o povo gastar o salário todo em bugigangas nacionais. Isso acaba com a poupança, com a contrução civil, etc.

    Tem vários setores que são nacionais que não sofrem concorrência com importados. O que importa é o poder de compra. Quanto mais coisas as pessoas puderem comprar, mais gente conseguirá um emprego.

    O protecionismo é bizarro. Um dinheiro que pode comprar uma calça e um sapato, acaba comprando apenas um sapato. Aí, os produtores de calças serão demitidos, porque não sobrou dinheiro para comprar calças.

    O choque de oferta sempre foi o maior empregador da economia. Quantos mais bens as pessoas puderem comprar, mais gente terá um emprego. Gastar todo o salário comprando poucas coisas é o primeiro passo para destruir o mercado de trabalho.
  • Andre Cavalcante  22/02/2016 12:54
    OFF:

    Cadê o novo site?!!?!?!?!?!?!?
    Já tá dado coceira a ansiedade....

    Abraços :) ;) :)

  • Diego Sousa  22/02/2016 13:56
    Já passou tanto tempo que eu acho que eles desistiram de lançar.
  • Porta-Voz  22/02/2016 14:40
    Tudo dando certo será em março.

    A logística para fazer toda a adaptação -- principalmente a parte de manter intactos todos os comentários -- acabou se revelando mais trabalhosa e custosa do que o inicialmente previsto. Havia também bugs que demoraram a ser identificados.

    Por obséquio, tenham só um pouquinho mais de paciência.

    Cordiais saudações.
  • Felipe Lange S. B. S.  23/02/2016 18:31
    "[...]FIESP, FIERJ, FIEMG e toda a CNI."

    Ainda tem a máfia da Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Carroç.. opa Veículos Automotores), entre outras corporações vagabundas que farão lobby para manter o mercado fechado.

    Brasil é historicamente protecionista, desde a sua delimitação por D. Manuel I, passando pela Tarifa Alves Branco, pelo Getúlio Vargas, por isso, por aquilo...

    E aí se tem casos engraçados como esse e esse...

    Agora uma pergunta ao Leandro: que tipo de político teria força o suficiente para fazer abertura econômica no Brasil? Um ditador? Um presidente que faça chantagens com grupos de interesse?

    No mais, excepcional artigo, mais uma vez respondendo aos comentários pseudo-econômicos que o senso comum prega por aí.
  • Erick  23/02/2016 19:47
    Faltou uma:

    Mas ao proteger a indústria nacional nós vamos gerar emprego no Brasil e isso é bom para economia e para o consumo das pessoas (que estão empregadas nessa indústria)
  • Ramos  23/02/2016 20:57
    "Mas ao proteger a indústria nacional nós vamos gerar emprego no Brasil"

    Se o objetivo é gerar empregos, isso pode ser feito de inúmeras maneiras. Colocar pessoas para tapar buracos em estradas e para recolher folhas de árvores é uma delas.

    De nada adianta gerar empregos fazendo bens que ninguém quer voluntariamente comprar.

    "Mas ao proteger a indústria nacional nós vamos gerar emprego no Brasil e isso é bom para economia"

    Por que isso é bom para a economia? Desde quando imobilizar recursos escassos na produção de bens caros e de baixa qualidade é algo bom para a economia?

    Isso é, no mínimo, uma bela queima de capital. É o equivalente a construir uma praia artificial, com areia e tudo, no frio da Sibéria.

    Só é "bom para a economia" um arranjo em que todos se especializam naquilo em que são realmente bons em produzir e compram daqueles que são bons produtores de bens que não sabemos produzir com eficiência.

    Qualquer outro arranjo que não seja esse configura privilégio e coerção (porque proíbe consumidores de comprar livremente daqueles estrangeiros que são melhores que os nativos em produzir determinados bens).

    "e para o consumo das pessoas (que estão empregadas nessa indústria)"

    Para as que estão empregadas na indústria, sem dúvida nenhuma. Estas usufruirão uma reserva de mercado, estarão totalmente protegidas da concorrência, e não terão de atender às demandas do consumidor. Terão salários de funcionários públicos, enquanto o resto da população, obrigada a pagar caro por produtos que são um lixo, fica na miséria.

    Elas só não terão muito o que comprar de bom, dado que terão de comprar o mesmo lixo nacional que o resto da população (exatamente como era na década de 1980, quando as importações eram praticamente proibidas).

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1900
  • Erick  24/02/2016 11:56
    Boa, Ramos! ;)
  • Felipe R  23/02/2016 19:54
    Minha gente, é perfeitamente natural pessoas odiarem a livre concorrência. Hoje mesmo eu estava conversando com uma pessoa que começou a vender tapioca com vários tipos de recheio num local onde apenas uma senhora vendia, sendo que ela oferecia apenas um tipo de recheio.

    Por causa disso, ele ganhou praticamente todos os clientes dela, e agora a referida senhora odeia o cara, a ponto de nem ser capaz de olhar no rosto dele.

    Nem precisa ir muito longe; vejam o efeito Uber com taxistas, e AirBNB com os hotéis.

    Entendo que livre mercado (ou mesmo a própria liberdade, de geral) só pode ser obtido e mantido com muito esforço perene.
  • Lupan  10/05/2016 05:33
    Ainda sobre o desemprego gerado pelas importações...
    Mesmo que o consumidor tenha uma economia por comprar mais barato o produto estrangeiro, a maior parte do valor pago ficará com o estrangeiro. Do contrário, se não houvesse importação, TODO o valor ficaria no país, isso não é uma perda? Não é "exportação de empregos" ?
  • Leandro  10/05/2016 12:44
    Seu raciocínio está tecnicamente errado. Permita-me apresentar-lhe o raciocínio tecnicamente correto:

    Com o consumidor tendo uma economia por comprar mais barato o produto estrangeiro, ele agora terá mais dinheiro para gastar com coisas aqui dentro. Dado que essa é a sua preocupação, com mais dinheiro disponível para o consumo (justamente porque há estrangeiros nos suprindo com o básico e de forma barata), haverá mais empregos.

    Se não houvesse a importação desse produto barato, o consumidor talvez nem compraria nada. Anulando-se a opção do barato, ele não necessariamente irá comprar um caro. Ele pode se abster de comprar. No primeiro caso, ele ainda gastou aqui dentro. No segundo caso, ele não gastou nada.

    E isso nos leva às perguntas que realmente interessam: o país realmente tem a propensão para produzir coisas valiosas? É economicamente sensato tentar produzir todas as linhas de industrializados no Brasil, de panelas e pentes a navios e satélites? Por acaso cortar, entortar e rebitar ferro — tarefas que um xing-ling é capaz de executar a custos irrisórios — são coisas economicamente prementes para o país ou será que o governo quer que isso seja feito apenas para exibir estatísticas de produção industrial?

    Tentar manipular o câmbio e proibir brasileiros de comprar produtos estrangeiros e de maior qualidade com o intuito de exibir estatísticas positivas para a balança comercial servirá apenas para inflar as contas bancárias dos barões da FIESP. Não podemos ser obrigados — por causa da incompetência do governo — a comprar porcarias fabricadas em solo nacional em detrimento de produtos de maior qualidade fabricados no exterior.

    De resto, não se preocupe. Mesmo havendo importações maciças, o dinheiro não sai do país. Chineses não trabalham com reais. Ao importar da China, você não está enviando reais para a China. Os reais continuam aqui dentro, agora em posse de algum brasileiro que vendeu dólares para o importador.
  • Igor  13/09/2016 23:20
    Em relação ao Currency Board, meu professor disse que se a balança comercial incorrer em sucessivos déficits haverá um esgotamento das reservas em moeda estrangeira e o governo será obrigado a cobrir o rombo, o que afeta as contas públicas (a faculdade é do governo e o conteúdo de economia tem aquele estilo de terceiro mundo).

    Porém, vi que Cingapura não possui política monetária e é um país que importa muito e adota o regime de câmbio fixo.

    É possível exaurir as reservas em moeda estrangeira apenas importando mais do que exportando?
  • Leandro  14/09/2016 00:33
    O que apenas mostra que seu professor nada sabe de economia.

    Em primeiro lugar, a balança comercial sozinha não define o nível das reservas internacionais. Quem define é o balanço de pagamentos, e este inclui os investimentos estrangeiros (tanto em capital físico quanto em portfólio).

    Portanto, mesmo que o país só fizesse importar e nada exportasse, ainda assim poderia haver entrada de recursos estrangeiros: basta que os investimentos estrangeiros sejam maiores que o déficit na balança comercial (e essa é a regra).

    Adicionalmente, se houver uma saída líquida de reservas, a base monetária irá se contrair. Isso fará com que os juros do interbancário subam. E isso fará com que os juros dos depósitos bancários subam. Com juros mais altos -- e com uma moeda sem qualquer chance de desvalorização --, a atração de capital estrangeiro seria imediata.

    Ou seja, esse capital que fugiu voltaria, pois os juros no país estarão agora bem maiores que no país da moeda-âncora. E sem que haja nenhum risco de desvalorização cambial.

    Para um estrangeiro, é ganhar ou ganhar.

    Por fim, para que haja um completo esgotamento de reservas estrangeiras, toda a base monetária do país tem de sumir. Isso significa que todas as pessoas -- desde os bilionários até a simples faxineira -- teriam de converter a suas cédulas de papel e seus depósitos bancários em moeda estrangeira, de modo que não restasse mais nem um centavo de moeda nacional.

    Factível?

    Artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196
  • Galvão  06/01/2017 20:50
    Sempre que eu leio artigos sobre protecionismo do Leandro eu lembro logo de Ciro Gomes, um dinossauro da política e de ideologia das mais nocivas e atrasadas, ferrenho defensor de fechar a economia aos produtos vindo de fora.... e como seria bom ver ele tomando uma coça num debate com o Leandro!


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