Uma defesa do racionalismo - mais razão e menos emoção

Um racionalista sensato jamais teria a pretensão de afirmar que a razão humana pode chegar a fazer com que o homem se torne onisciente. Ele teria consciência do fato de que, por mais que aumente o conhecimento, sempre haverá dados irredutíveis que não são passíveis de elucidação ou compreensão.

Não obstante — acrescentaria o nosso racionalista —, para que um homem seja capaz de adquirir conhecimento, ele necessariamente tem de contar com a razão.  O irracional seria aquele dado irredutível, aquele fenômeno mais primário que não pode ser explicado pela lógica.  Já tudo o que é conhecível, na medida em que já seja conhecido, é necessariamente racional.  Não existe uma forma irracional de cognição nem tampouco uma ciência da irracionalidade.

Com relação a problemas ainda não resolvidos, podemos formular diversas hipóteses, desde que elas não contradigam a lógica ou conhecimentos incontestáveis.  Mas, ainda assim, continuarão sendo apenas hipóteses.

Ignoramos, por exemplo, quais são as causas das diferenças inatas da capacidade ou do talento humano.  A ciência não é capaz de explicar por que Newton e Mozart foram geniais ao passo que a maioria dos outros homens não o foram.  

Mas o que não é aceitável é atribuir a genialidade à raça ou à ancestralidade.  A questão a ser respondida é por que uma pessoa difere de seus irmãos de sangue e dos outros membros de sua raça.

Supor que as grandes realizações da raça branca se devem a alguma superioridade racial constitui um erro um pouco mais compreensível.  De qualquer forma, não é nada mais do que uma hipótese vaga e em flagrante contradição com o fato de que devemos a outras raças a própria origem da civilização. Tampouco podemos saber se, no futuro, outras raças suplantarão a civilização ocidental.

Entretanto, esta hipótese racial deve ser avaliada pelos seus próprios méritos.  Não deve ser condenada de antemão só porque os racistas nela se baseiam para postular que existe um conflito irreconciliável entre os vários grupos raciais e que as raças superiores devem escravizar as inferiores.  A lei de associação formulada por Ricardo — que demonstra quais são as consequências da divisão do trabalho quando um indivíduo ou um grupo coopera com outro indivíduo ou grupo menos eficiente sob todos os aspectos — há muito tempo já mostrou o equívoco representado por esta maneira de interpretar a desigualdade dos homens.  Não faz sentido combater o racismo negando fatos óbvios. É inútil negar que, até o momento, algumas raças muito pouco ou mesmo nada contribuíram para o progresso da civilização, podendo, neste sentido, ser chamadas de inferiores.

Se quisermos extrair, a qualquer preço, alguma verdade dos ensinamentos marxistas podemos dizer que as emoções influenciam muito o raciocínio humano.  Ninguém pode negar este fato óbvio; tampouco devemos creditar ao marxismo esta descoberta.  E nada disso tem qualquer importância para a epistemologia.  São inúmeros os fatores, tanto de sucesso, como de erro.  É tarefa de a psicologia enumerá-los e classificá-los.

A inveja é uma fraqueza muito comum.  Muitos intelectuais invejam a renda elevada de alguns empreendedores e este ressentimento os conduz à defesa do socialismo. Acreditam que as autoridades de um regime socialista lhes pagariam salários maiores do que aqueles que poderiam ganhar no regime capitalista.  Mas o fato de essa inveja existir não desvia a ciência do dever de examinar cuidadosamente as doutrinas socialistas.  

Os cientistas devem analisar qualquer doutrina como se os seus defensores não tivessem outro propósito a não ser a busca do conhecimento.  Já os ideólogos, em vez de analisar teoricamente doutrinas contrárias às suas, preferem revelar os antecedentes e os motivos de seus autores.  Tal procedimento é incompatível com os mais elementares princípios do raciocínio.

É um artifício medíocre julgar uma teoria por seus antecedentes históricos, pelo "espírito" de seu tempo, pelas condições materiais de seu país de origem ou por alguma qualidade pessoal de seu autor.  Uma teoria só pode ser julgada pelo tribunal da razão. O único critério a ser aplicado é o critério da razão.  

Uma teoria pode estar certa ou errada.  Ocorre que, dado o nosso estágio de conhecimento, talvez não seja possível determinar seu acerto ou erro.  Mas uma teoria jamais poderá ser válida para um burguês ou um americano se não for igualmente válida para um proletário ou um chinês.

Se as doutrinas marxistas ou racistas fossem corretas, seria impossível explicar por que seus seguidores, quando estão no poder, procuram logo silenciar teorias que lhes sejam dissidentes e perseguir quem as defende.  O próprio fato de que existem governos intolerantes e partidos políticos que procuram cassar os direitos de seus opositores, ou mesmo exterminá-los, é uma prova manifesta do poder da razão.  Uma doutrina não pode estar correta quando seus proponentes recorrem à violência para combater seus opositores.  Aqueles que recorrem à violência estão, no seu subconsciente, convencidos da improcedência de suas próprias doutrinas.

É impossível demonstrar a validade dos fundamentos apriorísticos da lógica sem recorrer a estes mesmos fundamentos.  A razão é um dado irredutível e não pode ser analisada ou questionada por si mesma.  A própria existência da razão humana é um fato não-racional.  A única afirmação que pode ser feita sobre a razão é que ela é o marco que separa os homens dos animais e a ela devemos todas as realizações que consideramos especificamente humanas.

Para aqueles que pensam que o homem seria mais feliz se renunciasse ao uso da razão e tentasse deixar-se conduzir somente pela intuição, pelos instintos e pela emoção, não há melhor resposta do que recordar as conquistas da sociedade humana.

A ciência econômica, ao descrever a origem e o funcionamento da cooperação social, fornece todas as informações necessárias a uma escolha entre a racionalidade e a irracionalidade.  Se o homem cogitasse se libertar da supremacia da razão, deveria procurar ao menos saber ao que realmente estaria renunciando.


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SOBRE O AUTOR

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".



Meu caro, pelo seu discurso você nunca foi liberal e nunca entendeu o que é ser liberal. E ainda tem coragem de vir com esse apelo sobre pobreza.

Gostaria de fazer uma pergunta a todos vocês:
Pois não.

Vocês já foram Pobres pra saber?
Nasci pobre, muito prazer.

Vocês já tiveram um parente morto por bala perdida?
O que isso tem a ver com capitalismo/liberalismo? Você está misturando segurança pública (que é MONOPOLIO do estado), que alias é altamente ineficiente (no Brasil, morrem 56.000 pessoas por ano, o maior indice do mundo, a gente perde até pra India, que é 43.000 por ano, outro país com alto controle estatal e burocrático) com conceitos economicos. O estado nega aos seus cidadãos o próprio direito de se defender com uma arma e mesmo assim é incapaz de solucionar o problema.

Falam tanto em mercado, economia. Mas nunca vi um liberal que enriqueceu graças a todo seu conhecimento na área, algum de vocês é rico por acaso? Maioria que vejo é classe média, acho gozado porque se manjam tanto de produzir valor e riqueza vocês deveriam ser ricos..Mas não é isso que eu vejo.

Ai meus deuses... essa foi triste.
1) O Brasil está muito longe de ser um país livre, economicamente. É o país que fica em 118 lugar no índice de liberdade econômica.

2) Ser liberal não é uma formula para ser rico e sim defender que as pessoas tenham a liberdade para efetuarem trocas entre si sem intervenção constante do Estado por via de impostos e regulações. É dessas trocas de valor que a riqueza é produzida. Cada um teria a liberdade de crescer de acordo com suas habilidades e viver num patamar de vida que julga confortável, mas repito, o Brasil NÃO É E NUNCA FOI UM PAÍS LIVRE, ECONOMICAMENTE. Você se dizia liberal e não sabe desse básico. Aham. To vendo.

Eu já fui liberal, ai cai na real com a vida, vi que esse papo de mercado não é bem assim.
Não, amigo, você nunca foi liberal. Sinto muito. Ou você está mentindo ou você diz ser uma coisa que nunca entendeu direito o que é (o que mostra o seu nível de inteligência).

Inclusive, um amigo meu foi pra Arabia Saudita, ele disse que lá existem muitas estatais e assistencialismo e o país enriqueceu assim mesmo...

Aham, beleza, usando a Arabia Saudita como exemplo:

Saudi Arabia's riches conceal a growing problem of poverty

"The state hides the poor very well," said Rosie Bsheer, a Saudi scholar who has written extensively on development and poverty. "The elite don't see the suffering of the poor. People are hungry."

The Saudi government discloses little official data about its poorest citizens. But press reports and private estimates suggest that between 2 million and 4 million of the country's native Saudis live on less than about $530 a month – about $17 a day – considered the poverty line in Saudi Arabia.


Opa, perai, como é que 1/4 da população da Arabia Saudita vive abaixo da linha da pobreza? Você não disse que era um país ótimo, rico, cheio de estatal e assistencialismo? Explique isso então.


Falam de acabar com o imposto mas negam toda a imoralidade que a ausência deste geraria, como injustiças e até coisas que ninguém prever.

Que imoralidades, cara-palida? Favor discorrer.

Favor, tentar novamente. Essa sua participação foi muito triste.


Poderiam responder o comentário desse Leonardo Stoppa:
Estranho, hipócrita é dizer que o socialismo atual compete com o capitalismo. Comunismo sim complete com capitalismo mas socialismo é uma forma de redistribuição que, quando interpretada por pessoas que estudam economia a partir de livros de economia (e não Olavo de Carvalho) é uma espécie de segurança ao capitalismo.

Se um dia você entender que existe conhecimento além do que você conhece você vai ver que dentro do conceito atual de socialismo estão as formas de redistribuição de renda (SUS, Fies, Bolsas). Em países de primeiro mundo a galera acaba usando essa grana inclusive para comprar iPhone, logo, é um socialismo que serve ao capitalismo pois deixar essa grana parada na conta de um milionário vai resultar na venda de 1 iPhone para apple, agora, quando redistribuído vira vários iPhones.

O problema da sua visão é que você estuda em materiais criados sob encomenda. Você deixa de estudar em livros de economia para aprender pelas palavras de um cara que é pago por aqueles que pagam os impostos, ou seja, aqueles que são contra a redistribuição, logo, você abre mão do conhecimento para a alienação.

Socialismo não é comunismo. Pode vir de certa forma assemelhado nos livros antigos, mas depois da segunda guerra mundial e principalmente depois da queda da URSS, ficou claro que não há em se falar em controle centralizado e ausência de propriedade privada, mas quem estuda um pouco de economia e sociologia sabe que a intervenção e a redistribuição são importantes atividades governamentais para salvaguardar a atividade industrial.

A final, de que adianta ter industrias de ultima geração se apenas 1% do povo compra seus produtos??

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Renato Andrade  04/02/2016 14:22
    Os marxistas, assim como adeptos de seitas religiosas extremistas, são fanáticos em suas ideologias vermelhas. São avessos a lógica e a qualquer contra-argumentação que refute seus ideais sem sentido.
  • Desiderata  05/02/2016 11:58
    Igualmente os anarco-capitalistas. Abra o olho!
  • anônimo  06/02/2016 00:51
    Sim, caro Renato, atualmente o comentário mais ouvido nas rodas socialistas e "conscientes" são teorias da conspiração sobre como o mundo está acabando, como o neoliberalismo está entrando em colapso, blá, blá, blá... E dá-lhes estatísticas para provar como todos estão mais machistas, racistas, homofóbicos, caretas, matadores de bichinhos... Nossa, isso cansa, viu?
  • Henrique  04/02/2016 15:34
    Alguém acha que ainda compensa comprar dólar, mesmo com a alta que teve no último ano?


    Abraços.
  • Alberto Teixeira  04/02/2016 16:49
    Boa tarde Henrique.
    Não sou economista, apenas leio sobre o assunto e também me fiz essa pergunta.

    Segundo as empresas que consultei, recebi o mesmo retorno de todas elas dizendo que o dolar vai permanecer na casa dos R$ 4,00 esse ano e portanto, quando houver uma baixa (R$ 3,80 ... 3,75) é viável comprar pois venderá na alta por mais de R$ 4,00;

    Não que esse será o melhor investimento, mas sim, ainda pode ser comprado.
  • Henrique  04/02/2016 17:00
    Obrigado pelo comentário, Alberto.
    Minha preocupação maior seria preservar o valor do dinheiro. Não tanto para ganhar.
    Meu receio seria se o dólar caísse de preço depois dessa alta. Mas com tantas notícias ruins...


    Abraços.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  04/02/2016 18:31
    no gráfico mensal, formou-se um gigantesco topo duplo que sugere uma queda até R$ 3,50.

    isso aparece no semanal também, confirmando-se caso ele perca os 3,85-3,87, o que sugeriria uma queda até 3,70 seguida de outra aos R$ 3,50.


    depois te passo a minha conta pra depósito. obrigado.


    * lembrando que isso não passa de um mero exercício imaginativo. capisci?
  • Batista  04/02/2016 18:51
    Houve quem aconselhou a não apostar no dollar...

    Brincadeiras (sérias) à parte, observemos que papéis ligados ao dollar estão arrefecendo. Vide Suzano, Fibria... caindo mais de 20% em 2016.

    A não ser que haja uma necessidade imediata, o que indico é ir comprando aos poucos, adquirindo devagar.
  • Carlos F.  04/02/2016 23:16
    Não querendo ficar do lado do Mantega, mas vou na onda do Peter Schiff


    Ele bate na mesma tecla ha um bom tempo, de que o resultado final de todo o Quantitative Easing, iniciado em 2008, seria o de uma crise do dólar. Concordo que de 2008 pra cá, apostar na promessa do FED e investir em dólar foi lucrativo, especialmente pros brasileiros, ainda que pelo desmérito do real mais do que mérito do dólar.

    Mas eu sou da turma que atualmente grita que "o céu vai cair em nossas cabeças", e acho que é a hora de sair do dólar, e investir em ouro, como Schiff vem falado.
  • Andre  05/02/2016 19:00
    Henrique,
    Se as decisões econômicas da trupe dos Trapalhões manterem a linha atual acredito que o dólar baterá R$5,00 antes da metade de 2016.
    Mark my words.
    Abç,
    Andre
  • Emerson Luis  19/02/2016 23:31

    Podíamos perguntar para o Margarina se ele nos aconselha a comprar, vender ou reter dólares e então fazer o extremo oposto do que ele nos sugerir. É lucro certo!

    * * *
  • Desiderata  05/02/2016 11:57

    Penso que deve haver um equilíbrio entre razão e emoção. Tomar decisões baseadas apenas na razão é um erro. A emoção não está lá sempre brigando com a razão por mero acaso.

    Quanto ao assunto "raças" me parece estranho. Existe uma raça apenas - a humana.

    Outras coisas que me chamaram atenção:

    "...desde que elas não contradigam a lógica ou conhecimentos incontestáveis.".

    É muito perigoso e altamente desaconselhável nos aventuramos na busca de novos conhecimentos seguindo hipóteses que consideram a existência de conhecimentos incontestáveis. Nos diz a própria razão(que ironia!)que muitos conhecimentos humanos foram um dia incontestáveis e que as pessoas da época tinham bons motivos para toma-los dessa forma. Porém, esse status foi um dia revisto, graças a descoberta de novos elementos sobre tais conhecimentos, porque alguém resolveu questionar o inquestionável.

    "Ignoramos, por exemplo, quais são as causas das diferenças inatas da capacidade ou do talento humano. A ciência não é capaz de explicar por que Newton e Mozart foram geniais ao passo que a maioria dos outros homens não o foram.".

    Não, senhores, não ignoramos. No momento, estamos convencidos de que não existe talento inato; essa é uma crença ultrapassada. O talento é uma coisa que se desenvolve. Mozart e Newton dedicaram-se exaustivamente ao desenvolvimento de suas habilidades, e aí, está, basicamente, a razão de suas genialidades...


  • Juliana  05/02/2016 14:16
    Como é um texto do Mises, a gente tem que concordar plenamente. Mas, nesse caso, vai ter que ser só até a página 2. A sabedoria popular não erra quando diz que 'tem que haver um equilíbrio'.

    O Mises se baseou apenas em emoções mais baixas, como a inveja e intolerância. Porém, como levar em conta apenas a lógica, e deixar de lado emoções (mais altas, mais positivas) como alegria e satisfação, na hora de tomar uma decisão? Ontem, no artigo anterior daqui do site, tinha uma discussão sobre qual é a melhor configuração do regime cambial no país, onde era evidente que ambos estavam se apoiando exclusivamente na lógica, e cada um dentro da sua. Tecnicamente impecável.

    Mas se sou eu lá a presidente soberana, e estou lá no meu gabinete com os dois decidindo qual é o melhor rumo para o país, assistindo a mesma discussão, sinceramente a única vontade que eu ia ter era de a colocar os dois para fora da sala. Não se sentia muito entusiasmo em nenhuma das partes. Não dá para querer convencer uma pessoa a fazer qualquer coisa, usando-se apenas da lógica. E além disso, há incontáveis casos onde o pensamento intuitivo, aquele que muitas vezes contraria a própria lógica, se mostrou o melhor fator a ser considerado na hora de uma tomada de decisão. Se Oswald de Andrade lesse esse artigo, ele certamente teria escrito: "... Só não se inventou uma máquina de analisar os mercados — já havia o economista austríaco.".

    Abraços!
  • Bartolomeu Tibúrcio  05/02/2016 14:44
    Curioso seu comentário.

    Procurei no texto o Mises dizendo algo como "as decisões (econômicas e/ou não-econômicas) devem ser tomadas APENAS com base na lógica" e não achei isso, nem implícita nem explicitamente.

  • Rodrigo Pereira Herrmann  05/02/2016 17:45
    Juliana,

    o velhinho Mises se refere, precipuamente (tô usando muito adverbo nas minhas postagens), ao racionalismo do ponto-de-vista mais filosófico-epistemológico, como possibilidade do conhecimento e da própria estrutura do real. Não se admira, dada sua preocupação em estabelecer axiomas apriorística e universalmente válidos para a ciência econômica (o bom velhinho admirava kant. nossa sorte é que a confusão kantiana não conspurcou a teoria austríaca. e tampouco a praxeologia, na verdade).
  • Ze  05/02/2016 18:29
    "adverbo" é brabo
  • Juliana  08/02/2016 14:05
    Oi Bartolomeu Tibúrcio, agradeço muito o seu interesse em clarificar o que o Mises escreveu, mas isso era completamente desnecessário — e ainda mais utilizando-se de uma afirmação tão extrema. Mas mesmo que ele tivesse defendido algo assim, eu seria a primeira a concordar; dependendo do cenário ou do "público-alvo" poderia ser muito recomendável. Uma pessoa invejosa, por exemplo, não quer ser feliz. Ela quer (aquilo que ela considera) justiça. Então é óbvio que tentar convencê-la a usar unicamente a lógica, por um tempo, seria infinitamente melhor do que simplesmente dizer para ela alguma coisa como 'viva e deixe viver' ou 'pense positivo', e etc. (tese essa que se reforça ainda mais se for para dissuadir uma multidão querendo fazer justiça). E de certa forma, no penúltimo parágrafo fica sim subentendido que um apelo exclusivo à razão é superior ou mais aceitável que um à emoção.

    E espero que esteja claro que em nenhum momento eu insinuei que ele foi tão radical. [Exceto na frase do Oswald. Oh, mas isso era para ser uma piada! Como eu não sou muito boa nisso, sem mais piadas daqui pra frente. Mas não seja tão tenso, menino.]

    Abraços!
  • Vagner  11/02/2016 12:56
    Alegria e satisfação são apenas consequências de atitudes que foram tomadas e não propulsoras dessas. Não confunda fins com meios.
  • Primo  05/02/2016 21:28
    Mas o socialismo não surge do racionalismo? O livre mercado é muito mais emocional do que racional. Em última instância as decisões dos indivíduos são sempre tomadas por meio da emoções, são as emoções que faz as pessoas agirem. Depois que as pessoas agem, buscam explicações mais racionais, mas a decisão em si é puramente emocional. No socialismo a ideia eh suprimir essas emoções e racionalizar cientificamente as decisões...
  • Tio  05/02/2016 21:34
    Como é que é?

    Eu nunca -- nunca! -- vi um socialista defender o socialismo utilizando argumentos racionais e lógicos. Eles sempre -- sempre! -- recorrem à emoção e ao coitadismo.

    Cuidar dos pobres, tirar dinheiro de quem tem muito, "de cada um de acordo com suas capacidades para cada um de acordo com suas necessidades", confiscar e redistribuir propriedade -- tudo isso é emoção pura e razão zero.
  • Primo  06/02/2016 16:51
    Como a teoria do livre-mercado é pautada pelo estudo da praxeologia, em ultima instância, o livre mercado é regido pelas emoções humanas. O ser humano age por emoção e não por razão. Quando o individuo decide sair de um estado de menor satisfação para um estado de melhor satisfação, as analises emocionais são mais decisivas que as analises racionais. A idéia central do socialismo é justamente barrar essas emoções, diminuir sua influencia ao mínimo tolerável, e aplicar racionalismo nas decisões humanas em busca de um bem comum maior.

    O socialismo usa de emoções para convencer seus súditos a racionalizar suas decisões. O livre mercado usa de racionalismo para convencer seus súditos a "emocionalisar" suas decisões. São estratégias diferentes, para fins diferentes. O problema de defender racionalismo a qualquer custo, é que na prática, ele vira socialismo.
  • anônimo  05/02/2016 21:37
    Foi ironia isso, né?
  • mauricio barbosa  05/02/2016 21:52
    Como é que é?O livre-mercado é emotivo e o socialismo é racional,ou seja o IMB só tolera umas declarações estapafúrdias iguais a esta em nome da liberdade de expressão pois o seu mestre Lenin não tolerava nenhuma crítica e nós é quem somos emotivos esse primo é um vigarista intelectual ou coisa parecida.E se racionalidade socialista funcionasse a união soviética seria uma realidade bem-sucedida até hoje pois foram tantos planos quinquenais a perder de vista e o unico sucesso foi criar mísseis para se proteger,grande coisa alguém come míssil?Dai ela ter sido um insucesso e fracasso,virou um estado policial e militarista e uma população em petição de miséria.Primo cadê os argumentos pois tais ataques não levam a nada,o livre-mercado também planeja e nós consumidores escolhemos aqueles que nos atende melhor,portanto viva o livre-mercado sempre e abaixo o socialismo essa teoria fracassada quando posta em prática.A história já provou isso.
  • Pobre Paulista  05/02/2016 23:12
    "...racionalizar cientificamente as decisões..."

    Não existe decisão coletiva. Melhor dizendo, agentes racionais não chegam a uma decisão coletiva racional. Estude teoria da decisão e depois leia sobre a teoria da impossibilidade de Kenneth Arrow.

    Agora... é sério que você acha "racional" um comitê que se julga onisciente tomar decisões sobre a sua vida sem o seu consentimento? E que você acha "emocional" você ter pleno controle do que você faz de sua vida?

    PS: A "ciência" é a religião favorita dos socialistas.
  • Primo  07/02/2016 23:11
    A decisão coletiva não pode ser prevista com tanta facilidade quanto à decisão individual. Se o resultado dela não é racional é porque estamos analisando sob uma óptica individualista.

    [/i]"Agora... é sério que você acha "racional" um comitê que se julga onisciente tomar decisões sobre a sua vida sem o seu consentimento? E que você acha "emocional" você ter pleno controle do que você faz de sua vida?"[/i]

    É...agora acho que entramos em um paradoxo linguístico. Leia o que eu disse anteriormente: "Primo 06/02/2016 16:51:10"

    Não sei se é racional ou não um comitê tomar decisões por mim, mas penso que a ideologia da racionalidade está muito mais presente em um mundo comandado por um comitê do que em um mundo de liberdades individuais. Alias, acredito que só é possível existir esse comitê, pois a decisão foi tomada coletivamente.

    De qualquer forma é irada sua recomendação de leitura.

    Gostaria de manter o seu PS, mas de retirar as aspas: A ciência é a religião favorita dos socialistas.
  • Marivas  06/02/2016 00:44
    Seguindo a razao nao deveriamos defender qlq modelo que pregasse o consumo continuo e infinito em um planeta finito. Pego por exemplo as taxas de consumo de paises desenvolvidos como Japao ou EUA. Se cada um dos 7 bilhoes de humanos do planeta consumisse igual um americano medio, seria preciso mais de 4 planetas. É muito consumo pra pouco planeta (sendo que grande parte deste consumo vira lixo em poucos meses). A razao nos diz que o sistema como esta hj é insustentável, questao de numeros. Por outro lado poderiamos nos unir e criar centros de pesquisa coletivos pra desenvolver tecnologias que diminuissem o impacto do consumo sobre a natureza e assim criar possibilidades de consumo consciente diminuindo desperdícios. O marxismo assim como o liberalismo precisa se atualizar e trabalhar com os problemas atuais. Todo mundo ja sabe que a livre concorrencia gera produtos melhores assim como todo mundo ja sabe que pesquisando tecnologias de forma coletiva é melhor que deixar uma emrpesa privada pesquisar sozinha, demorar pra desenvolver sistema e depois nao colocar em pratica pois nem sempre uma nova invenção é bom para os lucros da empresa, Veja o caso da Kodak que optou em nao lançar a camera digital pq lucrava mais com a venda de filmes analogicos. O marxismo sem liberalismo é manco e o liberalismo sme o marxismo é cego. É preciso unir os conhecimento em prol do bem comum. Nao da mais pra 1% dominar todas riquezas e os demais se matarem por migalhas.
  • Max Rockatansky  06/02/2016 02:42
    "O marxismo sem liberalismo é manco e o liberalismo sme o marxismo é cego"

    Não consigo acreditar que isso tenha sido escrito com seriedade. Só pode ser um outro típico filósofo/economista da Unicamp/sociólogo da USP
  • mauricio barbosa  06/02/2016 06:31
    Esse marivas só pode ser um marivas...
  • Emerson Luis  19/02/2016 23:29

    Precisamos diferenciar "além da razão" de "contra a razão".

    * * *


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