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“Quem quer rir, tem que fazer rir”

Os empresários do setor da construção civil estão pedindo arrego.  O crédito está escasso, os distratos estão crescendo e vários imóveis estão sendo vendidos com grandes descontos

As construtoras estão dando comissões absurdas: a prática normal é de 4 a 5%, mas algumas já estão concedendo de 8% a 13% (essa informação veio de uma fonte interna).  A ordem é desovar os estoques o mais rapidamente possível, antes que os preços caiam ainda mais.

Tudo isso seria apenas mais uma manifestação do estouro da bolha imobiliária no Brasil, certo?

Mas não.  Sendo o Brasil o Brasil, sempre há detalhes ocultos. 

Um conhecido meu — sim, também odeio esse clichê de "conhecido meu", mas juro que o caso é verídico —, que possui trânsito perante o alto escalão dos líderes da Construção Civil (e que, obviamente, pede anonimato), recentemente me confidenciou que o senhor Jaques Wagner, ministro-chefe da Casa Civil, estaria "tentando convencer" os líderes da Construção Civil a apoiar o retorno CPMF.  Em troca do apoio e da aprovação do tributo, o governo abriria as torneiras dos bancos estatais, que liberariam mais crédito imobiliário. 

A julgar pelas recentes notícias sobre a queda estrondosa na arrecadação do governo e seu desespero em fechar as contas, bem como a quadragésima sétima versão do PAC explicitamente criada para estimular a construção civil, a probabilidade de esse rumor ser verídico é altíssima.

Eis aí o mais perfeito retrato de uma República Bolivariana: o governo, que detém o controle de três dos quatro maiores bancos do Brasil[1], está abertamente "negociando favores" com uma classe empresarial em troca do apoio desta classe.  O recado é claro: "Ou vocês ajudam os interesses do governo e se mantêm operantes, ou vocês não ajudam o governo e vão à bancarrota".  Empresário que quer rir tem de fazer o governo rir também.

Esse tipo de comportamento governamental é possível porque, no Brasil, praticamente todo o crédito imobiliário está nas mãos de bancos estatais.  E é assim porque o Tesouro utiliza dinheiro de impostos para repassar aos bancos estatais, e isso possibilita aos bancos estatais fornecer crédito subsidiado para a compra de imóveis.  Atualmente, mesmo com a SELIC em 14,25%, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil concedem empréstimos imobiliários a juros de menos da metade da SELIC.  O Banco do Brasil cobra juros de apenas 6,45% no financiamento da compra de imóveis.  A Caixa cobra 6,80%.

Os bancos privados, por sua vez, por não contarem com essa muleta do Tesouro, não podem se dar ao luxo de fazer empréstimos imobiliários a esses juros irreais, e, como consequência, foram "colocados para fora" deste mercado e praticamente não concedem empréstimos imobiliários.

No momento, por causa da forte recessão, do aumento do desemprego, do alto endividamento das pessoas, dos distratos, e da queda do preço dos imóveis, os próprios bancos estatais estão restringindo os empréstimos.  Mas o governo promete liberar geral caso os empresários apoiem a volta da CPMF.

Essa ligação umbilical — muitas vezes voluntária, às vezes forçada — entre estado e grandes empresários não apenas está na raiz da Lava-Jato, como também é o arranjo mais premente de uma economia que opera sob um estado gigante e onipresente.  Esse "capitalismo de quadrilhas" (na definição de Gustavo Franco) é a ilustração perfeita do descalabro ao qual o país está submetido: estado e grandes empresas se aliando — se a aliança é voluntária ou forçada pouca importa — e o resto da população se estrepando em decorrência, arcando com a volta da CPMF e com mais pressão inflacionária em decorrência de mais crédito estatal.

No Brasil funciona assim:



___________________________

[1] Eis a ordem dos bancos por ativos totais:

Banco do Brasil: R$ 1,325 trilhão

Itaú: R$ 1,118 trilhão

Caixa Econômica Federal: R$ 1,065 trilhão

Bradesco: R$ 883 bilhões

BNDES: R$ 871 bilhões

Santander: R$ 598 bilhões

HSBC: R$ 168 bilhões

Soma dos ativos dos três estatais: R$ 3,261 trilhões

Soma dos ativos dos quatro privados: R$ 2,767 trilhões


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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Curioso  21/01/2016 19:19
    Eles tem força política pra isso?
  • Leandro  21/01/2016 19:26
    Se juntar todos os sindicatos de cada estado, teremos líderes influentes de um setor importante e com um peso relativamente grande no PIB, como uma cadeia de produção bem extensa.
  • Dede  21/01/2016 19:20
    Adianta aumentar a oferta de crédito com o desemprego aumentando, a renda real encolhendo e as incertezas da economia só aumentando.
    Com o dólar acima de 4 reais, uma expansão do crédito não aumentaria a inflação? Isso sem contar que as notícias que vem de fora não são nada animadoras. A Petrobras está se esfacelando, a economia chinesa derretendo e junto as commodities. Não sei se aumentar o crédito para compra de imóveis irá salvar as construtoras. Mas fácil seria o governo emprestar a juros subsidiados para as construtoras, algumas dezenas de bilhões a 1%a.a.
  • Wesley  21/01/2016 20:05
    Leandro, quais as consequências dessa extensão da NME? Além da inflação alta, é possível prever que o país entrará numa situação similar a da Grécia, já que a dívida pública aumenta assustadoramente e a economia encolhe?
  • Snipes  21/01/2016 20:17
    Há risco do Brasil se tornar a Grécia da América Latina, diz vice-presidente do Itaú

    www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/4536255/risco-brasil-tornar-grecia-america-latina-diz-vice-presidente-itau
  • Douglas  21/01/2016 20:09
    O Brasil é uma economia abertamente fascista.

    Esquerdistas modernos criticam tanto o fascismo, mas na prática são fascistas.
  • Andre  22/01/2016 14:47
    "Esquerdistas modernos criticam tanto o fascismo, mas na prática são fascistas.".

    E na teoria também.
    Só no discurso é que não.
  • Douglas  22/01/2016 21:30
    Verdade
  • gb  21/01/2016 22:51
    Toda vez que o governo e mete a pagar alguma coisa esse mercado entra em euforia e os preços disparam, não foi diferente com o imobiliário, quando o governo começou a dar R$ 20k de "desconto" os preços subiram 300%, agora eles estão absurdamente altos, fazendo com que ninguém se atreva a comprá-los.

    A lógica é simples: "Por que vou pedir R$ 100k no meu imóvel se o cara pode ir ao banco pegar R$ 300k ?".

    Não a toa o mercado está parado, o Brasil deve ter o tijolo e a argamassa mais cara do mundo, são necessários DEZENAS DE CENTENAS D EMILHARESW DE REAIS para se compra rum imóvel hoje em dia.

    Não acredito que esse novo PAC vá dar certo, saiu na imprensa que 60 milhões de brasileiros estão inadimplentes e acabou a euforia do "crescimento" que na verdade era só miragem.
  • Viking  22/01/2016 09:52
    faz tempo que dizem isso lá no site da Bolha Imobiliária:

    "haverá crédito, mas não haverá quem o tome;
    haverá choro e ranger de dentes."
  • Andre  22/01/2016 14:48
    Caso a CPMF volte alguém tem dicas de como não ter que pagar, ou pelo menos pagar o mínimo possível?
  • Pobre Paulista  22/01/2016 17:55
    Use apenas dinheiro vivo, trabalhe sem registro, almoce apenas hot-dog da kombi ou similares, compre roupas somente no brechó, etc etc etc...

  • Pedro  22/01/2016 18:24
    E ai, Zé Pobre, quando irá nos visitar?
  • anônimo  22/01/2016 18:15
    Leandro (ou outros seguidores), quais suas considerações sobre a inflação inercial?
  • Leandro  23/01/2016 00:12
    Inflação inercial é a carestia gerada pela indexação. Segundo os "especialistas", isso gerava uma "memória inflacionária" que levava automaticamente à propagação da carestia.

    Os proponentes dessa idéia aparentemente ignoravam o fato de que é impossível haver inflação "inercial" prolongada caso os agregados monetários estejam estabilizados.

    Veja a evolução do M1 durante a década de 1980 e meados da de 1990. Com tamanha expansão monetária, é óbvio que a carestia iria se perpetuar. E isso nada tem de "inercial".

    Por outro lado, há sim um momento em que uma inflação pode adquirir um comportamento semelhante a algo inercial: quando a economia já está em hiperinflação e as pessoas dão como certo o fato de que a inflação continuará aumentando em um ritmo cada vez maior. Nesse ponto, as pessoas se preocupam apenas em se livrar da moeda o mais rápido possível, adquirindo qualquer tipo de produto.

    Nesse cenário, mesmo que você interrompa a expansão monetária, a demanda por moeda cai a praticamente zero e os preços disparam sem nenhum controle. A única solução passa a ser uma total reforma monetária, como fizeram com o Plano Real.
  • anônimo  23/01/2016 17:22
    Mas então, no caso do Brasil, a inflação inercial realmente existia, já que vivíamos uma situação de hiperinflação? O aumento de preços era uma consequência da inflação inercial junto com a expansão monetária?

    Não encontrei aqui no site nenhum artigo que falassee especificamente de cada plano posto em ação, pode me indicar alguns? Ou qualquer outro site com uma visão mais liberal.
  • Leandro  23/01/2016 23:02
    Não.

    Vou tentar de novo: nenhuma inflação de preços -- muito menos uma hiperinflação -- pode se prolongar por anos se não houver uma simultânea expansão monetária para sustentá-la.

    Ponto.

    No Brasil, a oferta monetária crescia a milhares por cento ao ano. Isso não é inflação inercial. Isso é inflação monetária. E era essa inflação monetária o que dava sustento ao aumento de preços explosivos que ocorria no país.

    Qualquer inercialidade que eventualmente existisse seria prontamente quebrada caso a expansão monetária fosse interrompida. Como é que seria possível remarcar preços em 20% ao mês, durante anos, se não houvesse um aumento na oferta monetária em igual ritmo?
  • Antônio  24/01/2016 00:17
    Corrija-me se eu estiver errado, Leandro. Se eu fosse tentar colocar o que você acabou de descrever aqui em uma metáfora eu diria: não existe inflação inercial, o que existe são causas cujos efeitos começam a ser produzidos posteriormente. No caso de uma lavoura, a safra (consequência) decorre do plantio e cuidados botânicos (causas),ie, o efeito é bem depois.
    Analogamente, a inflação (consequência) decorre da manipulação dos agregados monetários como o M1 (causa). O Timing é muito difícil de ser previsto, mas a consequência decorre da causa, e nunca o contrário.

    Ainda, em outras palavras: existe um fundamento real para a inflação, trata-se da manipulação monetária. As consequências não se tornam causa nunca, apenas explicitam o que foi feito previamente pelas causas, pois o efeito é defasado. É possível que em um novo ciclo, a consequência do ciclo t0 anteceda a causa do ciclo t1, mas a antecedência temporal não é condição suficiente para que uma consequência se torne causa.

    Correto?
  • anônimo  24/01/2016 03:46
    Não entendi algumas coisas: você disse que existe algo semelhante a inercial. Então, mesmo se o governo cortasse a expansão monetária, a inflação continuaria por um pequeno tempo, até as pessoas entenderem que não seria mais necessário se livrar do dinheiro o mais rápido possível.

    Vamos supor que o governo acabou com a expansão monetária, e para contornar esse cenário (inercial) houve o congelamento de preços. Por que esse congelamento seria errado se a escassez de produtos fosse compensada pelas importações?

    E primeiro você disse que em casos semelhantes a essa inercial, "mesmo que você interrompa a expansão monetária, a demanda por moeda cai a praticamente zero e os preços disparam sem nenhum controle". E depois disse que "Qualquer inercialidade que eventualmente existisse seria prontamente quebrada caso a expansão monetária fosse interrompida". Isso me pareceu completamente contraditório, poderia me explicar melhor?

    Por último: na sua opinião a inflação inercial não existe e foi somente um bode expiratório para um governo que não queria resolver o problema de forma ortodoxa (pagamento da dívida e baixa/nenhuma expansão monetária)?
  • Leandro  24/01/2016 06:21
    "Então, mesmo se o governo cortasse a expansão monetária, a inflação continuaria por um pequeno tempo, até as pessoas entenderem que não seria mais necessário se livrar do dinheiro o mais rápido possível."

    Também.

    A inflação (atenção: estamos falando de inflação e não de hiperinflação) continuaria até o ponto em que se tornasse patente que a oferta monetária vigente não mais permite disparada de preços. Neste ponto, com oferta monetária estagnada, se os preços subirem haverá inevitavelmente uma contração dos gastos, do investimento e do emprego. Como não há dinheiro suficiente para arcar com esses preços crescentes, haverá queda nos gastos, no consumo, no investimento e no emprego.

    "Vamos supor que o governo acabou com a expansão monetária, e para contornar esse cenário (inercial) houve o congelamento de preços. Por que esse congelamento seria errado se a escassez de produtos fosse compensada pelas importações?"

    Ué, o congelamento não vale para os preços dos produtos importados?! Todos os preços da economia estão congelados exceto os dos produtos importados, que gozam de liberdade de preços? Nesse caso, todo mundo viraria importador.

    E outra coisa: por que o congelamento funcionaria? Como você sabe qual seria exatamente o "preço de equilíbrio" no qual o congelamento deveria ocorrer? Como você sabe que esse preço congelado não desestimularia a produção e não geraria escassez futura?

    Jamais se deixe levar por essa propensão totalitária de acreditar que você sabe mais do que milhões de indivíduos interagindo diária e voluntariamente.

    "E primeiro você disse que em casos semelhantes a essa inercial, "mesmo que você interrompa a expansão monetária, a demanda por moeda cai a praticamente zero e os preços disparam sem nenhum controle". E depois disse que "Qualquer inercialidade que eventualmente existisse seria prontamente quebrada caso a expansão monetária fosse interrompida". Isso me pareceu completamente contraditório, poderia me explicar melhor?"

    Pareceu contraditório porque você não está distinguindo entre inflação comum e hiperinflação.

    Para uma "inercialidade" dentro de um contexto que não seja de hiperinflação, sim, a interrupção monetária tende a resolver -- dolorosamente -- o processo.

    Já em um caso de hiperinflação, a moeda já se encontra destruída por completo. Não há mais salvação para ela. Tanto faz você interromper ou não a expansão; a moeda já está morta. A confiança das pessoas nela não mais pode ser restaurada.

    Nesse arranjo, apenas a troca da moeda ou Currency Board.

    "na sua opinião a inflação inercial não existe e foi somente um bode expiratório para um governo que não queria resolver o problema de forma ortodoxa (pagamento da dívida e baixa/nenhuma expansão monetária)?"

    A única coisa que eu posso dizer, e com toda a certeza, é que não há solução para uma hiperinflação que não passe por troca de moeda e câmbio fixo. É só.

    Quando uma moeda é continuamente hiperinflacionada -- ou seja, quando sua taxa de crescimento aumenta exponencialmente --, ela morre. E não será um simples interrupção monetária que irá reverter sua morte.


    Enviado do meu iPad
  • Fernando  24/01/2016 11:39
    Leandro, concordo que o câmbio é o principal fator que pode segurar a inflação, mas não temos uma solução com uma única medida.

    Se nós temos menos padarias, menos supermercados e menos shoppings, a tendência é a elevação de preços. A inflação também depende do choque de oferta no varejo e no atacado. Isso só pode ser resolvido com desregulamentação e facilidade para empreender.

    A nossa inflação está sendo mais afetada pelos preços administrados pelo governo. Uma parte pelo aumento da energia elétrica e outra pelos combustíveis. Mesmo com o governo fazendo essa farra do crédito, os reajustes da Petrobrás e do setor elétrico foram os causadores dos 10% de inflação.

    Outra parte da inflação é o reajuste de salários. A economia não suporta reajuste de salários no atacado, que aumenta o salário de todo mundo no começo do ano. Esses sindicatos também possuem responsabilidade por uma parte da inflação. Até férias remuneradas os empresários precisam pagar.

    Segurar o dólar é a principal medida, mas causa problemas, porque nós temos um governo que manipula os preços da energia, combustíveis, cria uma burocracia infernal, cobra muitos impostos, etc. O dólar baixo vai melhorar a inflação, mas esse país tem posições rígidas de esquerda, que impedem uma concorrência mais ampla para competir com os importados.

    Eu não acredito que os brasileiros são incompetentes. O principal problema é o governo. Nós estamos carregando uma carga nas costas acima da capacidade que podemos suportar. Eu ainda acredito que a maioria dos importados perderiam a concorrência, mas hoje não temos condições de competir.
  • anônimo  24/01/2016 21:24
    Inflação não é aumento de preços, Fernando. Inflação é aumento da oferta monetária. O aumento de preços a que você se referiu (gasolina e energia) só se deu pelo aumento da oferta monetária, não fosse por isso não teria motivos para o reajuste de preços após o "descongelamento". O preço só foi reajustado para acompanhar a evolução/aumento monetário.

    E Leandro, uma questão meio boba: o que impede um país de investir de modo estritamente inflacionário (como JK) e antes que a hiperinflação chegue trocar sua moeda?

    E outra sobre os planos anti-inflacionários: a economia subdesenvolvida e a situação de dependência externa da economia brasileira não interferia em nada no controle da inflação e na execução desses planos?

  • Leandro  25/01/2016 00:48
    "o que impede um país de investir de modo estritamente inflacionário (como JK) e antes que a hiperinflação chegue trocar sua moeda?"

    Nada. Aliás, nada impede um governo de fazer nada que ele queira em termos econômicos. Uma vez que ele detém o monopólio da moeda, ele pode fazer o que quiser com ela.

    "E outra sobre os planos anti-inflacionários: a economia subdesenvolvida e a situação de dependência externa da economia brasileira não interferia em nada no controle da inflação e na execução desses planos?"

    Não vejo como. Nenhum país era mais avacalhado que a Bulgária. E nenhum era mais "dependente externamente" do que Hong Kong. E ambos mataram suas respectivas inflações com um Currency Board. Não existem desculpas.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196
  • Fernando  25/01/2016 12:18
    O JK foi o maior desenvolvimentista do planeta. O cara construiu 50.000 quilômetros de estradas, construiu Brasília, etc. Não tinha como sair barato essa aventura.

    Eu gosto dessa idéia de Currency Board ou dolarização. A dificuldade do Currency Board é o acúmulo de reservas internacionais. Isso não é tão fácil e barato de fazer.

    Os países ricos europeus têm a moeda extremamente valorizada e juros baixos. Isso parece correto. O problema desses países ricos ainda é os impostos.

    O problema do plano do Gustavo Franco no BCB é que ele quase dolarizou, mas subiu muito os juros. Aí travou tudo e o povo não tem paciência para esperar que a coisa certa seja feita. O povo quer trocar a asa com o avião voando. Aí fica difícil.


  • anônimo  24/01/2016 21:25
    Ainda no aguardo dos artigos específicos sobre os planos, o máximo de artigos possíveis, de preferência.
  • Thiago Teixeira  25/01/2016 05:05
    Pela TACE, o ciclo econômico se inicia com a fase de expansão de moeda (juros baixos e crédito). Com o tempo, isso vai gerando inflacao de preços, ou melhor, carestia, que nada mais é do que o mercado detectando que a inflacao monetaria foi maior que o crecimento real da economia. Nesse ponto, se o governo dobrar a meta, a inflacao monetaria permanece degenerando em carestia, cada vez mais, e a inflacao evolui pra hiperinflacao; se o governo tomar juizo, fecha a torneira e inicia-se a fase recessiva do ciclo.
  • Fernando  25/01/2016 15:05
    A questão dos juros é bizarra mesmo. O governo vai injetar moeda até quebrar ou trincar a economia.

    Pelo que eu sei, o custo dos empréstimos deveria depender do capital acumulado. O governo defende essa expansão do crédito eletrônico para aumentar o consumo, que acaba aumentando a inflação.

    O primeiro efeito da inflação já começou no ano passado. Os bancos perderam bilhões de reais da caderneta de poupança e terão que emprestar bem mais caro.

  • anônimo  01/04/2016 03:38
    Leandro, além da vertente ortodoxa que acredita ser a manipulação da oferta monetária exógena à economia, ou a vertente da teoria da inflação inercial, vc poderia confrontar suas indagações com aqueles que mostram, historicamente, o processo de "financeirização dos preços" (juros e câmbio); falo de Tavares, Belluzzo e Ricardo Carneiro. O problema inercial não se restringe a ser ou não hiperinflação.
  • Gustavo Nunes  25/01/2016 16:01
    Olá Leandro, recentemente ouvi que o governo irá dar este crédito imobiliário a partir do FGTS. Isso se confirma?
  • anônimo  28/01/2016 23:53
    Leandro, algum austríaco já falou sobre a "velocidade do dinheiro"?
  • anônimo  29/01/2016 04:41
    Meu inglês não é dos melhores, ainda mais pra algo com tantos termos técnicos como economia. Mas obrigado pela indicação.
  • Felipe Lange S. B. S.  30/01/2016 15:03
    Depois dessas artimanhas do governo federal e sua turma, vou sentir saudades do primeiro governo Lula.

    Esperem mais inflação. Não como a hiperinflação (porque é impossível com a Lei da Responsabilidade Fiscal), mas é algo que vai destruir ainda mais o poder de compra dos brasileiros.

    Já tirei dinheiro do banco. Os juros são baixos demais e não compensa. Já rendem abaixo da inflação. Falando nisso, pergunto ao Leandro: por que a taxa de juros para poupança é tão baixa?
  • Lel  30/01/2016 19:47
    Gostaria de saber também.
  • Felipe R  02/02/2016 12:16
    Pois eu acho o lema "quem quer rir, tem que fazer rir" o resumo do que deveria ser uma sociedade de livre mercado.

    Quer ganhar dinheiro para comprar bens e serviços? Seja útil à sociedade!


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