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Lula faz uma confissão espantosa

Eis um trecho de uma reportagem publicada hoje no Valor Econômico.  Gentileza ler cada palavra com atenção (grifos meus):

Dilma é muito mais de esquerda do que eu, afirma Lula

Em entrevista a blogueiros, nesta quarta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff, é "muito mais de esquerda" do que ele. Lula defendeu a realização de uma política de alianças ampla, para garantir a governabilidade e disse ser um político "pragmático" e "realista".

"Dilma é muito mais esquerda do que eu. Sou liberal. Sou um cidadão na política um pouco pragmático e muito realista entre o que eu sonho e o que é a política real", disse na entrevista, realizada em seu instituto, em São Paulo. Segundo Lula, Dilma tem uma formação ideológica "mais consolidada".

O ex-presidente disse que o ideal seria que o PT ganhasse as eleições sozinho, mas afirmou que no país é preciso fazer aliança. "Não sou esquerdista, sou de esquerda, mas precisava conquistar a governabilidade", comentou.

Lula afirmou também que, desde que deixou a Presidência, tornou-se "mais esquerda", por conta dos livros que tem lido.

Atentem para a progressão da lógica.  Lula afirmou simultaneamente que:

1- Dilma Rousseff é "muito mais de esquerda" do que ele.

2- Ele não é esquerdista, mas é de esquerda.

3- "Desde que deixou a Presidência, tornou-se mais esquerda, por conta dos livros que tem lido".

4- É liberal (sic).

Ou seja, para Lula, ele é de esquerda, tornou-se mais de esquerda e, por isso, é liberal. É a lógica da "Escola de Retórica Rousseff".

Mas o que me deixou profundamente arrebatado, numa escala nelsonrodrigueana, foi a seguinte confissão rutilante, irredutível, definitiva:

Lula tem lido.

Celebremos: a Civilização Ocidental agora está a salvo.


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SOBRE O AUTOR

Bruno Garschagen
é autor do best seller "Pare de Acreditar no Governo - Por que os Brasileiros não Confiam nos Políticos e Amam o Estado" (Editora Record). É graduado em Direito, Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa e Universidade de Oxford (visiting student), professor de Ciência Política, tradutor, blogger (www.brunogarschagen.com), podcaster do Instituto Mises Brasil e membro do conselho editorial da MISES: Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia.



OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Adriano Costa  21/01/2016 00:01
    Lula, um populista estilo camaleão. Um esquerda que se move para conseguir o poder, não importa as ideias nem projeto.
    Um cara mallandro, que engana direitinho com seu discurso maroto, que posa de defensor dos mais pobres.

    Incrível que ele deseja que seria bom se toda a esquerda estivesse no poder, ou seja, totalitário.

    Ve-se que de economia, ciencia, filosofia e direitos, eles não entendem e nao respeitam.

    Somos livres sr. Lula, somos um povo em busca de conquistas pessoais e sociais, pra todos, pra toda nação.

  • Marcos Roberto  21/01/2016 00:30
    Você esqueceu de citar o que ele disse em uma reunião com blogueiros, ele afirmou que não existe pessoa mais honesta que ele nesse país.
  • Roberval  21/01/2016 00:45
    Conversa fiada para ganhar eleicoes. O pior que o povo engole isso.
  • Pobre Paulista  21/01/2016 00:53
    É um "liberal", tipo o Krugman. Faz sentido.
  • Bruno Salvino  21/01/2016 01:45
    Verdade, talvez Lula esteja lendo livros de origem americana (em inglês mesmo ou traduzidos) e por lá, como bem sabemos a esquerda "sequestrou" o termo liberal.
  • Gabriel  21/01/2016 01:24
    O molusco a rigor não tem ideologia nenhuma, a única coisa que move ele é o dinheiro e o poder, e o que precisar ser feito para conseguir essas duas coisas ele vai fazer, seja lá o que for. Tanto que o molusco lá em 2002 se elegeu com um discurso bastante radical e quando assumiu potencializou ainda mais a politica economia do FHC, ai em 2008 tirou as manguinhas de fora e começou a "nova matriz econômica". E tenho quase certeza de que se o molusco continuasse mais um tempo ele largaria a "nova matriz econômica" para manter a economia nos trilhos e evitar uma rebelião contra ele.

    Por isso eu digo, a única coisa que move esse cidadão é o dinheiro (do povo) e o poder. Difícil é saber quem é o pior, ele ou Dilma.
  • Andre  22/01/2016 14:51
    "O molusco a rigor não tem ideologia nenhuma, a única coisa que move ele é o dinheiro e o poder, e o que precisar ser feito para conseguir essas duas coisas ele vai fazer, seja lá o que for.".

    Assim como os moluscos possuem um corpo flexível ele possui uma "ideologia" própria altamente flexível.
  • Típico Universitário  21/01/2016 03:11
    #Lula2018 #Mercadante2022 #NaoPara #PoderdoPovo #EuAcredito

    Não se preocupe. Um dia o PT governará sozinho como o Lula idealiza. Assim que os traidores ocultos que estão tentando derrubar o Brasil receberem seu merecido "impeachment".

    Pode demorar mas vai acontecer.

    Não vou ameaçar ninguém. Só digo que cada plaquinha de "Menos Marx, mais Mises" vai custar caro.

    Afinal, não existe almoço grátis. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
  • Jair Bastos  25/01/2016 13:50
    Cruz Credo!!! Vade retro, sociopata.
  • sandro  21/01/2016 20:36
    Ele ainda lê de cabeca para baixo?
  • jonas antônio de freitas  23/01/2016 08:01
    O cara virou intelecto de um dia pra noite...simples assim. Só ele é honesto neste País.
  • Batista  25/01/2016 14:15
    Está lendo as publicações de Maurício de Sousa...
  • WDA  26/01/2016 03:22
    kkkkk Ótima análise!


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