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A lição que várias pessoas se recusam a aceitar

Se existe uma lição de economia que você precisa saber é esta:

Tudo o que o estado tem, saiu do seu bolso. Tudo o que estado gasta, é você quem paga.

Agora pense: se você quiser comprar algo, qual seria o melhor arranjo: você usar o seu dinheiro e comprar para si mesmo, ou dar o seu dinheiro para um burocrata do estado comprar para você?

Quando você quer "transporte grátis", o que você realmente está querendo (sem saber) é dar o seu dinheiro para um burocrata do estado, que então irá repassá-lo para uma empresa escolhida por políticos, a qual irá prover o serviço de acordo com critérios especificados por burocratas e políticos, e não por você, consumidor.

Você realmente acha que isso vai dar certo?

Não faz sentido dizer que aquilo que é caro para ser comprado diretamente ficará mais barato se você repassar seu dinheiro para burocratas e políticos, os quais irão intermediar o serviço para você.

Aliás, na prática, o arranjo é ainda pior, pois você paga ao estado na forma de impostos, os quais, no fim, formam uma espécie de saco sem fundo do qual o governo se utiliza para sacar todo o dinheiro coletado e "alocá-lo" de acordo com as demandas populares. Isso significa que você não paga exatamente pelo que quer e, por consequência, o governo não gasta exatamente naquilo que você está demandando.

Os dois lados estão cegos. Um não sabe pelo quê está pagando; o outro não tem como saber onde e quanto gastar. Não existe pior forma de se fornecer um serviço.

Resultado? Serviços péssimos e que custam muito caro (embora você ache que sai de graça).

Essa lição é igualmente válida para a educação, para a saúde — é por isso que se diz que o SUS é o serviço de saúde gratuito mais caro do mundo —, e para qualquer serviço ofertado pelo estado, mesmo que por meio de empresas terceirizadas.

Da próxima vez que quiser qualquer coisa do estado, lembre desta lição: o estado custa caro e é ineficiente por definição.  E continuaria sendo assim mesmo que fosse gerido por anjos e santos.


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SOBRE O AUTOR

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Pobre Paulista  11/01/2016 18:33
  • anônimo  11/01/2016 19:15
    Muitos sabem disso. Mas, para estes, o que importa é que alguém pague pelo serviço que ele irá usufruir. Essa é que é a finalidade do MPL.
  • Ricardo  11/01/2016 19:17
  • Athayde  11/01/2016 21:50
    Boa, Ricardo.

    "Não quero pagar o ônibus: quero pagar um político para pagar o ônibus pra mim com meu próprio dinheiro".
  • Wagmar Barbosa de Souza  11/01/2016 23:34
    Sem catracas mas cheia de impostos! Eles dizem querer liberdade mas o que querem é mais taxas. Gente mais limitada... Devem achar que os "ricos" irão pagar. Alguém avisa esses tontos que para o estado os ricos são eles!

    Direitos... Quando se pensa em direito é bonito, mas nunca falam a contrapartida, de quem será coagido a pagar.
  • IRCR  11/01/2016 23:34
    Sou a favor da criação do MCL (movimento comida livre), quero supermercados sem caixas, por uma vida sem caixas. Estatizem o setor alimentício já !!!!
  • Cleiton Larini  11/01/2016 23:36
    Aumentam os impostos, o serviço fica uma bosta como tudo que está na mão do estado e não esqueçam que o dia de passe livre é o dia que mais tem assalto nas grandes cidades.
  • Marcelo Chagas  11/01/2016 23:38
    Os estudantes que se beneficiarem do transporte gratuito após se formarem prestarão seus serviços profissionais gratuitamente para a sociedade?
  • Viking  12/01/2016 11:25
    os vermelhos são caso perdido.
    nem desenhando eles entendem.
    precisamos convencer as massas que ainda não foram abduzidas pelo lado comuna da força.
  • aluno  12/01/2016 12:00
    Existe um aspecto psicológico, ou cultural, e claro o 'ideológico', de quem deseja tal estado de 0800, esses que tem essa mentalidade acham que vão levar vantagem, ou seja, acham que vão mesmo ganhar a passagem de graça e que não vão pagar nada, vão apenas usufruir do beneficio. Eles não estão preocupados com quem, ou quem vai pagar essa conta, pois eles tem a ilusão de que serão beneficiados e de que não serão atingidos pelos custos do 0800 que eles querem.
    Agora, o fato é que a realidade é dura e a desilusão desses sonhaticos do 0800 é também liquido e certo, pois um dia eles depararão com suas próprias ilusões não satisfeitas e descobrirão que também foram enganados por sua própria inocência e falta de noção do mais básico fenômeno economico de que não existe almoço de graça, mesmo que seja da nossa própria liberdade.
  • Batista  12/01/2016 12:55
    Vejam a engenharia da confusão.

    O próprio (des)governo (com sua equipe de 1001 assessores) é quem negocia os reajuste das passagens, com base nas planilhas de cálculo de gastos fornecidas pelas empresas de transporte. Aí depois o próprio leviatã estimula aos baderneiros a saírem às ruas e protestar contra a situação.

    E ainda tem gente que se presta a participar desse negócio...
  • Marcelo  12/01/2016 16:44
    Seria interessante se não fosse o fato de que já pagamos impostos e muito por praticamente tudo, se o governo recolhe, bilhões só com impostos relativos a produtos automotivos então pq colocam pedágio em uma rodovia?? o problema real é como esse dinheiro pode ser tão desperdiçado? oque acontece com essas obras publicas para que seu valor seja tão elevado sempre ?
  • Halvorsen  12/01/2016 20:46
    Não é atoa que ler o IMB virou hábito para mim.

    Bom Texto.
  • oneide  13/01/2016 13:23
    Eu não discordo do texto mas não é disso que se trata a questão, não é uma questão econômica mas politica.
    E em termos de ação politica eles estão muito a frente de nós.
    A argumentação é que a revelia dos custos econômicos os ganhos sociais e ecológicos são muito maiores.
    E neste ponto que a disputa politica deve acontecer, se os custos econômicos serão inferiores aos ganhos sociais e ecológicos, e qual a alternativa a proposta.
  • anônimo  13/01/2016 15:39
    Como é que é??
  • Patrick Wiens  14/01/2016 01:40
    Então vamos criar um movimento pra que os alimentos saudaveis, tipo arroz integral, sejam dados de graça! Assim as pessoas vao comer mais arroz integral, morrer menos de infarto e gerar menos custos para a saúde pública! No final o programa vai se pagar sozinho! EU SOU UM GÊNIO!!!
  •   20/01/2016 07:49
    Não da ideia...
  • Batista  14/01/2016 10:33
    Estou sentindo falta do Típico filósofo/universitário/UNICAMP/USP.
  • anônimo  13/01/2016 16:20
    Por uma vida sem precisar pagar o pão francês! Por uma vida sem precisar pagar a luz! Por uma vida sem precisar pagar condomínio! Por uma vida sem precisar pagar Netflix!

    Vamos todos dar dinheiro aos políticos que repassam migalhas para as "minorias organizadas" (e que gritam mais alto)!
  • André  13/01/2016 16:45
    Direitos demais e deveres de menos.
  • Batista  14/01/2016 12:05
    Um dia uma pessoa, sem estudo algum, perguntou uma coisa:

    "As pessoas só pensam em exigir direitos e mais direitos; ninguém quer saber das obrigações, ninguém se importa com seus deveres. Qual o motivo de não existir um curso de DEVER, já que existe um de DIREITO?"
  • Pobre Paulista  14/01/2016 13:16
    Se existisse, ninguém faria :)
  • Batista  14/01/2016 13:52
    Concordo contigo.
  • Típico sindicalista  14/01/2016 12:35
    Não é justo que os trabalhadores explorados todos os dias tenham seus ganhos ainda mais tolhidos, lutamos para que os mais abastados tenham que arcar com os custos do transporte da classe trabalhadora.
    Vamos mover todas as leis que forem necessárias, quer queiram quer não queiram.
  • Marconi Soldate  20/01/2016 11:15
    OFF-TOPIC:

    Fernando Ulrich, o BITCOIN não pode tecnicamente crescer sem dar tilt?

    https://medium.com/@octskyward/the-resolution-of-the-bitcoin-experiment-dabb30201f7#.wd941yrkr


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