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Uma reunião entre o Ministério da Fazenda e a presidente

Na capital da República da Banânia, a equipe econômica foi convocada em regime de urgência pela Presidente. Inconformada com a recessão passada, presente e futura, a presidente cobrou ações para retomar o crescimento da economia do país:

– Que porcaria é essa, Ministro? Tá de brincadeira comigo? As previsões do mercado, antes pessimistas, agora são consideradas otimistas? A cada mês os economistas preveem uma recessão ainda pior?

– Mas Sra. Presidente... uh, perdão, Sra. Presidenta..., agora que 2015 já acabou, está claro que a recessão foi mais forte mesmo. A realidade está dada. O que dá para fazer é a gente trocar uma ideia com o pessoal do Instituto de Estatística. Sabe como é — disse o ministro com um sorriso maroto —, sempre há revisões para fazer no PIB.

Todos os presentes caíram na gargalhada. Menos a Presidente.

– Sr. Ministro, isso é o óbvio. É o mínimo que se espera da sua equipe. O que quero agora é que vocês pensem fora da caixa, droga. Não admito mais recessão. 2016 mal começou, não podemos perder o ano!

– Já sei! — disse o secretário-executivo — Por que não damos mais crédito à economia?

– Isso! — respondeu a Presidente aliviada — Agora tô gostando de ver!

– Uh, com licença. Na verdade, já tentamos isso em 2010 — interrompeu um economista-adjunto.

– Ué, e a economia não bombou?

– Sim, mas era outro momento, o mercado não estava de birra com o governo, as contas públicas estavam tranquilas, o dólar estava mundialmente fraco, e até os bancos privados entraram na onda. Desta vez não iria funcionar.

Com apenas um olhar fuzilante, o ministro captou a mensagem da Presidente e pediu que o economista-adjunto buscasse um relatório na pasta dos documentos "perdidos e não encontrados". A Presidente nem esperou o economista sair da sala e retomou a reunião indagando aos presentes novamente:

– Ok, o que mais podemos fazer? Ideias, quero ideias.

– Acho que se criarmos alguma política de crédito direcionado à indústria, ao setor rural e à construção podemos induzir o empresariado a investir novamente – ponderou o subsecretário para assuntos econômicos.

– E por que não pensamos nisso antes?! – perguntou a Presidente claramente empolgada – Toquem ficha!

– Mas, Sra. Presidenta, em 2011 e 2012 adotamos exatamente essa política e a economia não respondeu como esperado. Aliás, foi a partir daí que o sinal amarelo começou a piscar – retrucou outro economista-adjunto.

Visivelmente irritada e ignorando por completo a interjeição do economista impertinente, a Presidente seguiu pressionando a equipe econômica:

– E aí, Sr. Ministro? Sejam criativos, como é que podemos sair dessa crise?

Após alguns segundos de contemplação, o subsecretário de gestão estratégica deu um pulo da cadeira:

– Tenho um plano! Quem sabe a gente injeta ainda mais crédito na economia?

–Booooaaaaa... – disse o Ministro todo orgulhoso, dando um tapinha nas costas do seu pupilo.

– Com o perdão da redundância, Sr. Ministro — pediu a palavra mais outro economista-adjunto —, mas não foi isso o que fizemos em 2013 e 2014? Em 2013 tivemos os investimentos da Copa e foi um ano pré-eleitoral, que todo mundo sabe como é, e o PIB até se mexeu um pouco. Mas 2014 já foi uma pindaíba recessiva.

– Ah é, espertalhão? E como você explica 2015 então? Foi só a gente cortar um pouco o crédito para a economia descarrilhar, ora bolas! – respondeu a Presidente já sem a paciência que jamais teve.

E então alguém disse:

– Olha, Sra. Presidenta, 2015 em realidade foi muito mais do que apenas o fim da farra do crédito farto e barato. Aí o orçamento público já estava bastante desarrumado, e o mercado, antes preocupado, agora já tinha perdido a confiança no governo. Vocês prometendo mais aumento de imposto e sem querer cortar nenhuma despesa também não animou ninguém. De quebra, o dólar disparou e a economia acabou desabando. De onde eu venho, a gente diz que "muito ajuda quem não atrapalha". Acho que o ano passado foi o resultado de muito governo metendo o bedelho na economia por vários anos.

Fumegando em fúria, a Presidente levantou-se da mesa:

– Quanta petulância! Quem disse isso?!

– Eu aqui, Sra. Presidenta – disse o senhor que servia o cafezinho aos presentes.

– Má que p**** é essa?! Agora o cara do cafezinho quer dar pitaco! Era só o que me faltava!

Sob os olhares assustados dos que ainda sentavam-se à mesa — metade já havia debandado —, o Ministro da Fazenda procurou acalmar a Presidente.

– Calma, Sra. Presidenta. Não lhe dê ouvidos. — disse o Ministro encarando o mordomo do Planalto e indicando-lhe a porta de saída — Vamos encontrar uma solução.

Depois de uma breve pausa e um copo d'água com açúcar, a Presidente retomou os trabalhos, concedendo ao Ministro a palavra:

– Sra. Presidenta, troquei uma ideia com meus assessores e acho que temos um bom plano. Agora que quitamos as pedaladas com nossos bancos públicos, vamos usá-los para dar muito mais crédito à economia. O que você acha?

– Finalmente, Ministro! Eu sabia que podia contar contigo! Vamos fazer essa economia bombar e esfregar o PIB na cara do neoliberalismo! Ajuste fiscal é o #$%&*@! Preparem a nota oficial e convoquem a imprensa. Vai quebrar a cara quem apostar contra o Brasil!

_________________________

Letreiro após o encerramento do ato:

2010: Governo ajudou economia com crédito, economia bombou

2011: Governo ajudou economia com crédito, economia já não cresceu muito

2012: Governo ajudou economia com crédito, sinal amarelo

2013: Governo ajudou economia com crédito, PIB recuperou um pouco (Copa, pré-eleições)

2014: Governo ajudou economia com crédito, sinal vermelho, primeira recessão

2015: Acabou o crédito e a economia foi para o vinagre, recessão brutal

2016: Governo quer ajudar economia com mais crédito


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autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • Fernando Souza da Silva  08/01/2016 15:08
    Que previsão mais fácil de ser feita: vem mais recessão por aí! O PT e a esquerda em geral não sabe diminuir a participação do estado (com letra minúscula, mesmo) na economia, quanto mais zerá-la. Como já foi colocado inúmeras vezes, o estado não produz nada eficientemente. Ele deve agir como a administração de um condomínio: não se quer que o condomínio produza qualquer coisa que utilize - desde material de limpeza até material de manutenção como cimento, canos, lâmpadas, etc. Nem que contrate como funcionários próprios pessoas para serviços tais como manutenção de elevadores, bombeiros hidráulicos, pedreiros, etc. Para isso existe o mercado e espera-se que o condomínio contrate com parcimônia, pesquisando o melhor custo/benefício. O meu sonho político é que, nas eleições, ninguém queira ter um cargo político, pois qualquer um na iniciativa privada faria mais dinheiro. Que os cargos executivos fossem cargos de sacrifício, o que obrigaria aos candidatos eletivos (por obrigação e por indicação de partidos) a fazer campanha para seus adversários, pois ninguém gostaria (talvez sim por falta de opção) de entrar para o serviço público e perder dinheiro!
  • mauricio barbosa  08/01/2016 15:22
    A solução do planalto é querer dourar a pílula,é sempre mais do mesmo,austeridade fiscal e redução de despesas nenhuma.Estão nos empurrando com a barriga até 2018 para que o molusco volte triunfante e depois disso mais bolivarianismo,meu Deus que sinuca de bico nos encurralaram estes comunas.
  • Aldo Anizio Lugao Camacho  08/01/2016 19:01
    Eu sempre venho batendo nessa tecla.

    Em 2018 o Lula ganha com o pé nas costas, não adianta nenhum jogo político contra ele.

    O fato é que ele é um populista nato e sabe fazê-lo com maestria.

    Em 2017 quando começarem os debates, e ele subir nos palanques eleitorais vai ganhar a massa burra e os corporativistas na lábia e 2018 vai subir a rampa do planalto denovo.

    O Lula só não ganha 2018 por dois motivos (se não se candidatar ou se estiver preso), fora isso vamos amargar mais PT até 2022.
  • Gabriel  08/01/2016 16:11
    É aquela velha história, a Senhora que faliu uma loja de 1,99 conseguiu também fazer isso com o Brasil por causa de suas medidas bizonhas, e agora ela tenta resolver os problemas que as intervenções dela causaram intervindo mais ainda.

    Acho que o Brasil só começa a sair dessa recessão em 2018 e olhe lá.
  • Felix  09/01/2016 12:42
    A única medida necessária é aumentar e ampliar o bolsa família, eleição ganha.
    O resto tanto faz
  • Sivad  09/01/2016 22:00
    Discordo da opinião que o Lula ganharia fácil em 2018
    Apesar do bolsa família, a recessão adentra o cerne das famílias carentes e de tantos outros que votaram no PT. Acredito também que os recursos disponíveis para o financiamento das eleições estejam mais escassos, portanto, é provável que haja menos compra de votos.
    Por último a implantação do voto impresso reduzirá as chances de fraude eleitoral pelas urnas eletronicas. A unica vertente não contemplada é a presença de uma liderança política genuinamente consoante aos ideais libertários que tenha potencial de competir com as opções de sempre.
  • Raphael  10/01/2016 20:01
    O problema Sivad, é que quado o molusco subir ao palanque, quem estiver embaixo nem sabe que sra Dilma é do mesmo partido que o dele.....
  • Vinicius  10/01/2016 22:36
    Se passar uns dias no sertão nordestino vai perceber que as pessoas de lá estão ansiosas por 2018 e "consertar" tudo votando em Lula, a desinformação, deseducação e desmoralização da nação estão acima de tudo que suspeita.
  • Slaine  11/01/2016 10:13
    'O problema Sivad, é que quado o molusco subir ao palanque, quem estiver embaixo nem sabe que sra Dilma é do mesmo partido que o dele.....'

    Não cara,o problema real se chama DEMOCRACIA, sem democracia não tem com gente estúpida foder com a sua vida desse jeito.
  • Batista  11/01/2016 11:08
    Precisa de fraude não; a lula volta em 2018, recebendo o cinturão do dilmo.

    E o impeachment, se consolidado, será o aditivo para a campanha de 2018, o que dará um status de vítima a quem estiver no epicentro do processo, trazendo comoção geral às massas desqualificadas e vorazes colecionadoras de assistencialismo estatal.

    E, num sentimento de nostalgia e lembranças forçadas por intermédio de discursos com grande apelo emocional, pés rachados sonharão em rebobinar a fita e parar 10 atrás anos no calendário, no tempo em que "andavam de avião", compravam carro com R$ 1,99 de entrada, comiam do bom e do melhor, e tudo que não deveriam ter acesso sem que gerassem valor à sociedade, dentre outras coisas estratosféricas mais, tudo isso, é claro, graças ao pai dos pobres contemporâneo.

    E acreditarão, piamente, que é possível, claro, voltar no tempo e viver tudo novamente, bastando, para isso, devolver ao cerne do poder aquele mesmo que outrora havia dele sido deposto (por motivos legais). Afinal, tudo é passageiro, menos o motorista do país, e o cobrador, que é o mercado; a situação pode ir de uma grande possibilidade de passar de vergonha nacional ao ápice triunfal do retorno após 3 anos.
  • Ladrão de Eleições  10/01/2016 22:59
    Mal acaba o programa de presentes do BNDES o novo ministro anuncia novo programa de "estímulo de demanda". O Fernando estava certo quando escreveu o artigo:

    www.jb.com.br/economia/noticias/2016/01/10/bancos-publicos-vao-expandir-credito-diz-ministro-da-fazenda/

    O que eu humildemente acho que acontecerá:

    1º Não vai funcionar.
    2º Vai aumentar ainda mais a inflação e a parcela do crédito nas mãos de bancos públicos.
    3º Só vai gerar mais ativos podres nas mãos de bancos públicos para serem comprados pelo tesouro.
    4º O 3* vai piorar ainda mais a situação fiscal do governo federal. Será mais neva na bola de meta das atividades compromissadas que vai matar o real.
    5º "Não vamos determinar uma me'ta. Vamos deixar a me'ta em aberto. Mas quando a gente alcançar a me'ta vamos dobrar a me'ta."

    Quem sonhava com IPCA menor este ano já pode chorar. O governo não dá a mínima e está deixando claro até demais. Se ele continuar acho que até o Mantega vai deixar saudade.

  • Batista  11/01/2016 10:48
    Fontes oficiais confirmaram que o representante dos estudantes, o Sr. Típico Universitário, estava na porta do recinto, mas por questões técnicas (falta de cadeiras; afinal, são muitos assessores!), não pode participar.

    O único que conseguiu foi o representante dos intelectualmente sadios/lúcidos, disfarçado de copeiro.


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