Governos de esquerda que adotam reformas liberais
Há alguma esperança com Nelson Barbosa?

À exceção dos governos de Margaret Thatcher e Augusto Pinochet, as grandes reformas liberais e os grandes atos de desregulamentação implantados nos séculos XX e XXI ocorreram, ironicamente, sob governos de esquerda — ou que ao menos se declaravam como de esquerda.


Jimmy Carter

Pouco crédito lhe é dado, mas foi Jimmy Carter quem iniciou todo o processo de desregulamentação da economia americana.  Ronald Reagan, seu sucessor, apenas deu continuidade (o que não tira o seu mérito, ao contrário).

Por exemplo, foi Carter quem desregulamentou o setor de transportes aéreos. Até a década de 1970, os preços das passagens aéreas nos EUA eram controlados pelo governo, que também concedia monopólios sobre determinadas rotas para determinadas companhias aéreas — as extintas PanAm e TWA lucraram os tubos com essa regulamentação — e impedia a entrada de novos concorrentes.  

O mercado aéreo americano era extremamente regulado e protegido, beneficiando os grandes e mantendo de fora os pequenos.

Carter então aboliu, em 1978, a Civil Aeronautics Board — agência reguladora que controlava todos os aspectos do mercado aéreo americano —, permitindo, pela primeira vez, a livre concorrência no setor.  Preços passaram a ser determinados pelo mercado — e despencaram — e outras empresas passaram a poder ofertar seus serviços para todas as rotas existentes.

Foi Carter também quem desregulamentou o setor de transporte de cargas por caminhões e trens.  Carter aboliu a Interstate Commerce Commission — agência reguladora que controlava todo o mercado de transportes de carga — e assinou o decreto Motor Carrier, o qual desregulamentou por completo toda a indústria de caminhões de transporte e permitiu total liberdade de preços e de concorrência para o setor.  Não foi à toa que o Teamster's Union — poderoso sindicato dos caminhoneiros liderado pelo famoso Jimmy Hoffa, e que usufruía um quase-monopólio do transporte de cargas — declarou apoio a Reagan nas eleições de 1980, tão revoltados ficaram com a perda do quase-monopólio.

Foi Carter também quem nomeou o juiz que quebrou o monopólio da telefônica AT&T, monopólio esse concedido pelo governo americano ainda em 1913, pois o serviço era considerado um "monopólio natural".  A AT&T até então controlava todas as chamadas de longa distância.

Finalmente, foi Carter quem, em agosto de 1979, nomeou o durão Paul Volcker para o Fed — até hoje considerado o melhor presidente que a instituição já teve —, que subiu a taxa básica de juros para 20% e, com isso, conseguiu quebrar a espinha da estagflação americana.

Todas essas medidas geraram frutos no governo Reagan.

Agora, será que o esquerdista Carter desregulamentou mercados, aboliu agências reguladoras, brigou com sindicatos, e nomeou o falcão Volcker para o Fed por ideologia e convicção?  Obviamente que não. 

Ele teve de fazer tudo isso justamente para evitar um colapso econômico.  À época, os EUA viviam uma permanente estagflação — decorrente da abolição do que restava do padrão-ouro —, de modo que abolir monopólios, permitir a livre concorrência e gerenciar a moeda de forma mais rigorosa eram as únicas opções viáveis.  Ou ele fazia isso ou ele entraria para a história como o presidente que deixou a economia ser destruída.

Roger Douglas

Talvez o mais mundialmente famoso exemplo de um governo de esquerda que teve de adotar abrangentes medidas liberais e desregulamentar vários setores da economia seja o governo trabalhista eleito em 1984 na Nova Zelândia.

Na década de 1980, a Nova Zelândia, que até então fora um país rico (ao final da década de 1950 era a terceira maior renda per capita do mundo), havia se tornado um país relativamente atrasado (a renda per capita era igual às de Portugal e Turquia), estagnado e sem grandes perspectivas. A economia era engessada, fechada, protegida e ineficiente.  Um grave déficit orçamentário e uma inflação de preços em dois dígitos completavam o quadro.

E então, em meados da década de 1980, um governo de esquerda fez o inimaginável e adotou medidas contrárias à sua ideologia: redução de privilégios, abolição de tarifas protecionistas, abolição completa de subsídios, redução de impostos, redução de gastos, desregulamentação de todos os setores da economia, e, principalmente, forte redução da máquina pública, com a abolição de vários ministérios e a demissão de vários funcionários públicos, os quais rapidamente encontraram emprego no setor privado.

Telecomunicações, empresas aéreas, esquemas de irrigação, serviços de informática, gráficas governamentais, empresas de seguro, bancos, ações, hipotecas, ferrovias, serviços de ônibus, hotéis, empresas de navegação, serviços de assessoramento agrícola — tudo o que era estatal foi vendido.  A produtividade disparou; os custos caíram. (Veja todos os detalhes aqui).

De uma hora para outra, a Nova Zelândia se livrou de seus parasitas e escancarou as portas da oportunidade para que produtores e empreendedores pudessem criar riquezas e aumentar o padrão de vida de todos os neozelandeses.

Por que um governo de esquerda fez isso?  Porque estava acossado pela realidade econômica.  Não havia espaço para aventuras.  O orçamento já estava dizimado, a dívida pública estava alta, a moeda estava se desvalorizando rapidamente e a inflação de preços já estava em quase 17%.  Não havia alternativa senão a racionalidade.

Décadas de 1990 e 2000

As décadas de 1990 e 2000 foram pródigas em exemplos de governos de esquerda adotando o racionalismo econômico.

Tony Blair

Foi sob um governo trabalhista — de Tony Blair — que o Banco Central da Inglaterra adquiriu independência efetiva para determinar os juros.  Até então, quem determinava os juros era o ministro da fazenda britânico (o qual, como tudo que é britânico, recebe o pomposo nome de Chanceler do Exchequer). 

O governo trabalhista, que voltava ao poder após 19 anos de governo Conservador — e que, da última vez em que esteve no poder, na década de 1970, levou a inflação de preços para 25% — teve de tomar essa medida para evitar a grande inquietação do mercado financeiro, que temia a volta das políticas inflacionistas dos trabalhistas.  Os trabalhistas tiveram de abrir mão do poder de estipular a taxa básica de juros e delegar este poder a um Banco Central independente.

Gerhard Schroeder

Na Alemanha, foi o social-democrata Gerhard Schroeder, primeiro-ministro de 1998 a 2005, que, para controlar um crescente déficit orçamentário e reduzir um desemprego que chegava a 12% e que era um dos maiores da Europa (maior até mesmo que o da França à época), adotou várias medidas que desagradaram em cheio a sua base de apoio: chamada de Agenda 2010, Schroeder desceu a tesoura no até então generoso estado de bem-estar alemão, fazendo cortes em vários programas como seguro-desemprego (cuja concessão se tornou bem mais rigorosa e a duração foi encurtada), previdência e até mesmo na saúde. 

Pecado dos pecados, flexibilizou o mercado de trabalho e reduziu as alíquotas do imposto de renda de pessoa jurídica (de 56,8% para 38,7%) e de pessoa física (de 57% para 44,3%).

Schroeder, talvez por ter adotado tais medidas impopulares já no final de seu mandato — janeiro de 2005, sendo que as eleições seriam em novembro daquele ano —, não apenas não colheu os frutos de suas reformas, como ainda foi punido pelos seus eleitores nas urnas. 

Foi Angela Merkel quem colheu os louros: o desemprego alemão caiu de 12% para 4,5%, um dos menores da Europa.  E o orçamento ficou equilibrado.

François Mitterrand

Na França, as principais privatizações do país ocorreram no governo do socialista François Mitterrand: a Compagnie Générale d'Electricité (que se tornou a Alcatel), o banco Paribas, o banco Société Générale e a rede de televisão TF1. 

Por que o governo socialista fez isso?  Acossado por uma economia estagnada — causada pelas políticas intervencionistas inicialmente adotadas por Mitterrand — e por sérios problemas financeiros, o governo tinha de conseguir receitas de algum lugar (dado que a carga tributária já era elevada).

Bill Clinton

No entanto, ninguém supera Bill Clinton. 

Tendo feito uma campanha prometendo aumento de gastos, reforma do sistema de saúde e mais políticas sociais — os EUA ainda viviam os efeitos da recessão de 1991 —, Clinton, tão logo assumiu a presidência, enfrentou um problema semelhante ao que enfrentou Tony Blair: a desconfiança do mercado financeiro.

Imaginando que o presidente democrata faria jus às suas promessas de campanha, e com o Congresso controlado por Democratas ávidos por mais gastos, inclusive com a intenção de reformar o sistema de saúde americano, tornando-o mais socialista, os investidores reagiram de acordo: começaram a se livrar dos títulos do governo americano, vendendo-os em grande volume.

Consequentemente, os juros dos títulos de 10 anos saltaram de 5,2% para 8% (uma exorbitância para os padrões americanos).

Acossado por essa perda de credibilidade — episódio esse que ficou conhecido como a ação dos "bond vigilantes" ("justiceiros dos títulos") —, e com mais dificuldade para ter seus déficits financiados, Clinton fez uma guinada surpreendente em sua política econômica: sob a orientação de Robert Rubin (um dos melhores secretários do Tesouro que os EUA já tiveram), Clinton passou a demonstrar uma invejável — e até hoje inigualada — austeridade fiscal: foi o único presidente americano desde a década de 1950 a apresentar um orçamento com superávit nominal.

Mais ainda: para desespero de sua base de apoio, Clinton fez uma abrangente reforma do estado de bem-estar social, cortando benefícios e adotando quase que integralmente uma plataforma dos Republicanos.  Dentre outras coisas, a concessão de seguro-desemprego foi endurecida e os prazos foram encurtados.  Mães solteiras que tinham filhos e que viviam de assistencialismo tiveram de voltar a trabalhar. 

Houve uma revolta na base aliada por causa da adoção dessas políticas, e alguns auxiliares próximos a Clinton pediram demissão e foram à imprensa se posicionar publicamente contra a medida.  Em vão.

Ainda mais famosa se tornou a frase de Clinton, pronunciada durante o seu "Discurso sobre o estado da União", em 1996: "The era of big government is over" ("A era do estado grande acabou").

Para completar, Clinton ainda reduziu o imposto sobre ganhos de capital, descentralizou os limites de velocidade nas rodovias americanas (passando essa atribuição, que até então era do governo federal, para os estados), e reduziu o número de burocratas na Casa Branca.

Quando Clinton assumiu a presidência em janeiro de 1993, os gastos do governo equivaliam a 22,1% do PIB.  Quando saiu, em janeiro de 2001, estes haviam caído para 18,2% do PIB

(Melhor do que Clinton, só Warren G. Harding, o presidente cujas políticas fizeram com que a grande depressão ocorrida no ano de 1920 terminasse tão rapidamente, que hoje ninguém fala nada sobre ela).

Não é à toa que o economista Steve Hanke rotulou Clinton como "o rei do aperto fiscal". 

E a economia americana, durante os anos Clinton, apresentou uma prosperidade invejável, crescendo acima de 4% durante 5 anos seguidos, com o desemprego caindo de 8% para 4% e com um número recorde de pessoas empregadas em relação ao total da força de trabalho disponível.

Lula-Palocci

De certa forma, também temos um exemplo.  Como explicado em maiores detalhes neste artigo, a desconfiança dos mercados em relação a Lula tão logo ele assumiu a presidência obrigou sua equipe econômica a fazer um ajuste fiscal e a adotar medidas econômicas ortodoxas em um grau ainda maior do que teria sido exigido de um presidente mais liberal.

O então Ministro da Fazenda Antônio Palocci montou uma equipe econômica formada exclusivamente por técnicos, sem nenhum quadro do PT ocupando os grandes cargos. Nomes renomados como Joaquim Levy (sim, o próprio), Marcos Lisboa e Murilo Portugal foram pra Fazenda, ao passo que o banqueiro Henrique Meirelles acompanhado de Alexandre Schwartsman, Ilan Goldfajn e o durão Afonso Beviláqua (que queria um IPCA próximo de 3%) foram para o Banco Central.

Essa equipe econômica, justamente para restaurar a confiança do mercado em um governo de esquerda — o dólar havia disparado de R$ 2,50 para R$ 4, e os juros cobrados pelos investidores em alguns títulos chegaram a incríveis 32,5% —, teve de adotar uma política econômica extremamente ortodoxa, baseada no cumprimento de contratos, na liberdade de preços, em uma política fiscal austera, na elevação do superávit primário para 4,25% do PIB (hoje é necessária muita maquiagem contábil pra se chegar a 0,5%), e em uma política monetária dura e restritiva (a SELIC foi elevada para 26,50%), garantida por um Banco Central com total autonomia operacional.

Uma vez implantada essas políticas, todas elas mais rigorosas que as do governo anterior, a confiança começou a voltar ao mercado. 

Conclusão

Tendo tudo isso em mente, pode-se concluir que o mercado financeiro — principalmente os "justiceiros dos títulos", como aqueles que acossaram Bill Clinton — é um poderoso instrumento para manter alguma restrição sobre governos que ameaçam degenerar para o populismo.

Em alguns casos, a pressão sobre o governo — e o temor deste em perder o controle da situação, vendo os juros sobre seus títulos subirem e, com isso, tornarem o déficit extremamente caro para ser financiado — se torna tão grande, que um chefe de governo eleito com uma plataforma de esquerda acaba tendo de adotar medidas ainda mais ortodoxas do que aquelas que seriam adotadas pelo seu oponente mais liberal.

Ao passo que o mercado financeiro estaria satisfeito com "reformas meia-boca" adotadas por um governo mais pró-mercado, este mesmo mercado acaba exigindo de governos com tendências populistas a adoção de medidas ainda mais ortodoxas e liberais apenas para lhe devolver a confiança.

E dado que governos de esquerda contam, ao menos em teoria, com o apoio de sindicatos e demais grupos sociais, acaba sendo mais fácil para eles adotar medidas ortodoxas do que seria para um governo mais liberal.

Estaria eu dizendo que a dupla Dilma-Barbosa seguirá esse mesmo roteiro?  Não sou tão ingênuo.  Mas uma coisa é certa: aquele cenário favorável que Lula usufruiu quando abandonou a ortodoxia e adotou políticas mais populistas — um dólar mundialmente fraco, o qual permitia que expansões do crédito e aumento de gastos não se traduzissem imediatamente em inflação de preços — não mais está presente. 

No atual cenário de dólar mundialmente forte, o espaço para aventuras populistas do atual governo Dilma é praticamente mínimo: qualquer medida heterodoxa e populista adotada irá imediatamente se traduzir em desvalorização do real perante o dólar, aumento da inflação de preços e aumento dos juros exigidos pelos investidores para financiar os títulos de longo prazo. 

(Atualmente, estes juros estão variando entre 16,30% e 16,60%, sendo que, no auge do entusiasmo com Levy, chegaram a estar entre 11,70% e 12,40%.)

A situação é agravada pelo fato de que o atual governo não usufrui mais nenhuma confiança ou prestígio perante os mercados mundiais — ao contrário do governo Lula, que, após seguir políticas econômicas ortodoxas de 2003 a 2008, ainda tinha grade prestígio e era visto como responsável e confiável quando reverteu sua postura em 2009.

Ou seja, caso Nelson Barbosa queira ter algum refresco dos "justiceiros dos títulos" — e ele precisa deles para financiar os déficits do governo —, é bom ele começar a dançar de acordo com a música.  O espaço para medidas populistas impunes acabou.

Pode começar se inspirando em Bill Clinton.


6 votos

SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Artilheiro de metralhadora (pergunta off-topic)  23/12/2015 13:48
    Olá pessoal!!!

    Tenho uma grande dúvida e até hoje não vi ela ser respondida ou este tema ser tratado pela Escola Austríaca:

    Qual a visão da Escola Austríaca sobre a economia praticada nos países do golfo pérsico, conhecida como 'Estado Rentista' ou 'Petro-islam'?!

    Se alguém puder me indicar livros ou artigos sobre esse tema, agradeceria muito.

    Tudo de bom!!!
  • Leandro  23/12/2015 15:46
    Todos eles trabalham com câmbio fixo para afastar o fantasma da "doença holandesa", a qual ocorre justamente em um cenário de câmbio flutuante.

    Todos os países ricos do Oriente Médio que são exportadores de petróleo trabalham com câmbio fixo em relação ao dólar. Na prática, é como se estivessem em um padrão-ouro, só que com o dólar no lugar do ouro. O princípio é o mesmo.

    Seus Bancos Centrais são lotados de reservas internacionais, em volume muito maior do que a base monetária nacional. E eles se comprometem a trocar a moeda local por dólares a uma taxa de câmbio fixa.

    Na prática, tais economias operam como se estivessem sob um Currency Board.
  • Artilheiro de metralhadora  23/12/2015 23:48
    Olá Leandro!

    Muito obrigado pela paciência e pelo esclarecimento em responder-me.

    Sua resposta ajudou-me muito a compreender acerca deste tema, pois pretendo desenvolver uma dissertação de mestrado acerca da 'Primavera Árabe na Arábia Saudita, cujo o conteúdo de economia também será abordado no mesmo.

    Muito agradecido.

    Tudo de bom! :)
  • Veron  23/12/2015 13:59
    Excelente artigo. Muito bom mesmo. Já havia percebido a mesma coisa.

    Isso o que é descrito no artigo acontece porque é a Esquerda e não a Direita que possui o monopólio de apoio dos sindicatos e dos burocratas que querem "o bem do povo".

    Então a Esquerda desregular o mercado é muito mais fácil ser feito do que a Direita fazer.

    E há também uma outro fato não dito pelo artigo:
    Quando a esquerda adere a um mercado mais livre, não recebe críticas dos esquerdistas que não são comunistas.
    Já quando é a direita (em nosso caso foi o social-democrata FHC que nem de direita era) que adere a um mercado mais livre, é taxada de "neo"liberal ou de estar retirando todas as "conquistas dos trabalhadores".

    O caso do Reagan e do Carter citado logo no início do artigo é um exemplo perfeito da dupla moral esquerdista. Lembro muito bem dos protestos de sindicatos contra o Reagan e quase nenhum contra o Carter, sendo que ambos aumentaram a liberdade econômica dos EUA e "retiraram direitos dos trabalhadores".
  • Veron  23/12/2015 15:45
    Quando disse "não recebe críticas" estava me referindo à ausência de pressões políticas e de protestos dos grupos sociais e sindicatos contra políticos de Esquerda. Ao contrário do que ocorreu com o Reagan e Thatcher, por exemplo.
  • tobias  23/12/2015 13:59
    Na minha opinião é mais fácil o governo Br se basear na Grécia, Venezuela e afins do que tomar uma medida liberal, mas a esperança é a ultima que morre..
  • anônimo  23/12/2015 14:03
    Há também o caso de Lênin.

    Mesmo sendo comunista, foi mais muito mais liberal que o Czar e desregulamentou bastante os mercados soviéticos para atrair investimentos.
  • anônimo  24/12/2015 19:15
    Depois de quase dizimar o país pela fome e pela miséria...

    Um pouco de história, por favor.

    Se os problemas que uma nação enfrenta fossem só econômicos...

    Vamos para o exemplo brasileiro: FHC tomou as atitudes que estamos carecas de saber. Em contrapartida, foi em seu governo que os órgãos arrecadadores de tributos começaram a se modernizar e a aumentar o apetite por dinheiro do brasileiro, as agências reguladoras começaram entrar em ação, as brechas para a informalidade começaram a diminuir e mais gente teve que dizer amém para o governo. Além disso, ressurgiu o velho dito brasileiro: "É só o governo que pode ajudá-lo.". O Lula deu continuidade a isso e a Dilma também.

    Quem acha que todos os esquerdistas são centralizadores da economia, estão errados. Muitos deles também leram Mises e sua crítica ao socialismo. Eles não são burros.

    O que eles querem é uma sociedade fraca para que fiquem no poder. Com livre mercado ou sem ele.

  • WDA  28/12/2015 23:00
    Que bom que alguém teve o bom senso de trazer à baila este tipo de informação!

    Alguns esquerdistas, sobretudo por conveniência prática, realizaram algumas mudanças de liberalização econômica, mas o outro lado da história em geral é muito mais grave e pesa muito mais.

    Tudo bem, há a exceção do governo neozelandês. E, muito embora o texto seja necessário para mostrar a quem está no poder que eles podem praticar um pouco de bom senso econômico sem deixar de ser esquerdistas - o que pode aliviar a pressão ideológica e o sentimento de culpa sobre eles, seja por parte de seus pares ou deles mesmos, permitindo que o Brasil respire - a realidade é que, no geral, as esquerdas (em particular as de cunho explicitamente socialista) mais causam desgraça que benefícios à sociedade. Pelo menos se entendermos direita e esquerda pelo grau de estatismo e preferência pelo socialismo implicados pelas idéias dos segundos em detrimento das dos primeiros.
  • Lenin  16/02/2016 14:07
    Verdade, o Lênin ficou de fora da lista.
  • Artilheiro de metralhadora (pergunta off-topic)  23/12/2015 14:14
    "Uma vez implantada essas políticas, todas elas mais rigorosas que as do governo anterior, a confiança começou a voltar ao mercado. "

    Como diriam os esquerdopatas: Mas o governo (do social-democrata) FHC era de "direita, neo-liberal, entreguista, lacaio do imperialismo, privatista, blá blá blá".

    É...quando a realidade bate a porta, não há nada "melhor" do ver os comunistas chorarem e pedirem de joelhos os "santos" investimentos aos ditos "malvados empresários", "elite branca, paulista, fascista e reacionária", hehehehehe!!! :D

    Viva o livre-mercado!!! \o/
  • Henrique Zucatelli  23/12/2015 14:19
    Grande Leandro, boa tarde!

    Ontem mesmo estava sendo travada uma discussão sobre utilizar ou não as reservas cambiais para pagar as pedaladas fiscais.

    Economicamente o resultado disso é correto, posto que algumas vezes li alguns artigos e comentários onde diz que temos reservas em excesso?

  • Leandro  23/12/2015 16:02
    Só se alterarem o estatuto do Banco Central e a Lei de Responsabilidade Fiscal, que proíbe expressamente o BC de financiar o Tesouro.

    Se o BC vender dólares, receberá reais em troca. Até aí, tudo bem. Só que, ao repassar esses reais ao Tesouro, isso configura uma forma direta de financiamento, e isso é proibido.
  • Henrique Zucatelli  23/12/2015 16:27
    Bem, digamos que deixando de ser proibido, qual o efeito a médio/longo prazo dessa operação para a economia? Benéfico, inócuo ou irá piorar ainda mais as coisas?
  • Leandro  23/12/2015 17:01
    Tão logo tal medida fosse implantada, o mercado financeiro perceberia que o governo iria queimar boa parte de suas reservas internacionais com políticas populistas, acabando assim com o único sustentáculo do real (que são as reservas em dólar). Haveria uma fuga de capitais, precipitando uma crise no balanço de pagamentos.

    Os investidores estrangeiros se desfariam de reais e de títulos do governo, a taxa de câmbio dispararia, a inflação de preços iria para mais de 20% e os juros iriam pra estratosfera.

    Quer utilizar as reservas internacionais de forma benéfica para todos, e de quebra ainda reduzindo a inflação de preços para 2% e os juros para um dígito? Adote um Currency Board.
  • Udson  23/12/2015 18:13
    Olá, boa tarde!
    Henrique, na verdade não seriam utilizadas as Reservas Cambiais, mas sim um Fundo de Emergência do Tesouro Nacional. Tais reservas servem para quitar o principal+ juros de títulos que vencerão em no máximo 90 dias, sem que para isso o Tesouro precise emitir mais títulos.
  • Henrique Zucatelli  23/12/2015 18:47
    Mais uma vez obrigado pela resposta Leandro.

    Desejo um feliz natal e um brilhante e próspero 2016, com muitas realizações e novos projetos!
  • Luciano A.  23/12/2015 14:19
    Por que Clinton não conseguiu fazer sucessor? O Al Gore perdeu para o Bush em 2000. O candidato democrata até teve mais votos da população (48,4%) contra (47,9%) do Republicano, mas perdeu no Colégio Eleitoral.

    Ainda assim, para um presidente que obteve um crescimento tão bom, foi uma diferença muito pequena. Aconteceu algo errado para os Democratas naquele ano?
  • Auxiliar  23/12/2015 14:53
    1) Al Gore ganhou no número de votos;

    2) Al Gore era visto como um candidato extremamente antipático, ao passo que W. Bush era visto como um cara humilde e gente boa.

    3) Não havia grandes diferenças na plataforma dos dois candidatos. Ambos prometiam "manter o que estava bom e melhorar o que tinha pra ser melhorado". Nunca dois candidatos foram tão parecidos.

    4) A situação estava tão tranquila, que ninguém estava interessado em política. Pra população, tanto fazia quem vencesse. O comparecimento às urnas foi um dos menores da história (em termos percentuais).

    5) Gore perdeu na Flórida porque a população local estava puta com o caso Elian Gonzalez, no qual o governo americano extraditou um menino cubano de volta para Cuba.
  • Juan Domingues  23/12/2015 14:56
    Economia é muito importante mas não é o único fator que decide eleição.
    Aqui as pessoas votam muito por princípios morais também, e é importante lembrar que os Clinton não são conhecidos por serem exemplos de indivíduos na sua esfera particular. O episódio da Monica foi apenas o mais divulgado, mas não o único que se comenta por aqui.
  • Maiquel Batista  23/12/2015 14:21
    A alguns dias acabei tomando conhecimento deste brilhante site, através do artigo O trágico legado da "Nova Matriz Econômica" - um resumo cronológico, e desde então, venho acompanhando os artigos, muito bem escritos por pessoas que conhecem e transmitem muito bem seu conhecimento. Ficam aqui o meus parabéns e um muito obrigado, pela socialização deste conhecimento.
  • Cristian William  23/12/2015 14:34
    Independente de direita ou esquerda, o governo precisa convocar o povo, ou seja, a grande massa, para o ajuste fiscal também. Por que o governo e a imprensa isenta a população, isto é, as pessoas, de suas responsabilidades?.Ex: a imprensa enfatiza a falta de creches, o governo é cobrado por tal insuficiência, contudo, as mães e pais passam por vitimas, não como legítimos responsáveis. Penso ser uma inversão total de valores. Estou certo?


    Minha página: www.desigualdade.com
  • Anonimo.  23/12/2015 14:36
    'Foi sob um governo trabalhista — de Tony Blair — que o Banco Central da Inglaterra adquiriu independência efetiva para determinar os juros. Até então, quem determinava os juros era o ministro da fazenda britânico '

    E que diferença isso faz sendo que no capitalismo real um país nem de banco central precisa?
  • Andre Fernandes  23/12/2015 16:49
    Dando a minha opinião...

    Em um cenário onde o BC existe e você tem 2 opções - autonomia ou ser submisso aos caprichos do governo -, eu fico com a 1ª opção.

    Historicamente, se não me engano, o Bundesbank (BC Alemão) sempre foi independente do governo e tinha autonomia para resistir a pressões por políticas monetárias expansionistas.

    Aqui no Brasil sabemos que não é assim, e se um governo resolver detonar a economia o BC é uma ótima ferramenta pra alcançar o objetivo.
  • mauricio barbosa  23/12/2015 19:34
    Anônimo o artigo fala de reformas liberalizantes de governos esquerdistas e populistas, a filosofia libertária que o IMB defende é quem diz que o banco central deve ser extinto bem como o estado leviatâ,portanto não confunda "alhos com bugalhos",mas continue indagando porque aqui você aprende...Economia e filosofia de ótima qualidade.
  • Anonimo.  24/12/2015 18:38
    Não to falando de filosofia nenhuma, mas sim do mundo real, de economia mesmo.
    Os EUA quando eram a terra da liberdade funcionaram muito bem sem banco central.
  • Tiago Silva  23/12/2015 14:42
    Sabia que Bill Clinton,tinha sido um bom presidente,mas não tinha ideia que ele tinha sido tão bom,claro em relação a outros presidentes.


    Mesmo assim não prevejo que este governo em frangalhos,tenha a racionalidade de adoptar medidas fiscais austeras,Até porque a ideologia é uma pedra no sapato para qualquer réstia de racionalidade económica.
  • Adriano Uriel  23/12/2015 14:43
    Se depender do Deputado PTista José Guimarães (o do dólar na cueca, sempre há que se lembrar disto), teremos mais estado, como se já não tivéssemos estado grande o bastante, inflado com populismo sustentando parasitas de sindicatos, ongs, movimentos sociais e os tais mais de 400 mil cargos públicos de livre nomeação política em todas as esferas, e ao mesmo tempo o governo se sustentando desses parasitas (uma simbiose parasitária) das tetas públicas para se legitimar no poder.
  • myself  23/12/2015 14:43
    Acontece que a Dilma é burra como uma toupeira e mandona como uma déspota.

    Sua burrice faz com que ela não veja que não dá mais pra seguir a cartilha "progressista" de economia. E sendo a déspota do planalto ela não vai permitir que os outros façam a coisa certa.
  • Tannhauser  23/12/2015 14:48
    Não é o Babosa quem decide. É a Presidenta.

    Logo... não vai.

    "O País precisa de mais Estado."
  • Vinícius Oliveira  23/12/2015 15:06
    Excelente artigo, para variar.


    Acredito que o governo FHC poderia ser citado no texto também, afinal é social democrata e realizou diversas privatizações, a LRF e etc..


    Parabéns !!
  • Hugo  08/01/2016 00:09
    Na verdade o governo FHC foi citado implicitamente: "Uma vez implantada essas políticas, todas elas mais rigorosas que as do governo anterior, a confiança começou a voltar ao mercado.",porém ele não foi pressionado que nem o Lula quando candidato a presidência,pois ele já representava a conservação da estabilidade sendo o ministro que coordenou o Plano Real.
  • vinicius  23/12/2015 16:01
    [OFF] Leandro, tem previsão pra chegada do novo site do instituto? Vi o seu vídeo apresentando ele em uma palestra e gostei do que vi.
  • Leandro  23/12/2015 16:16
    Tudo dando certo, fevereiro. Estamos nos certificando de que não esteja absolutamente nada fora do lugar, que todos os comentários sejam mantidos, bem como todos os links. Esse é o grande problema de todas as reformulações de sites: muita coisa se perde. E é isso que queremos evitar.
  • Típico Universitário  23/12/2015 16:56
    Muita coisa se perde aqui no partido também, Leandro. Chamamos de "caixa dois".

    Sei que é desconfortável, mas não se esqueça:

    Errar é humano. Tolerar é STF. Não saber é petista. Ignorar é ser brasileiro.

    Voto é consenso.
  • WDA  28/12/2015 23:19
    Por favor, sejam cuidadosos mesmo. Pq o site está ótimo como está. Isso aqui é uma mina de ouro de aprendizado e se é pra mudar, que seja apenas pra melhor.

    Sucesso para o IMB!
  • Felix  23/12/2015 16:20
    Alguns países fazem essa guinada,
    mas alguns só pioram,
    vide venezuela,
    e Argentina, que talvez, esteja fazendo a guinada
  • Clovismr  23/12/2015 16:26
    UM outro artigo vai em linha com esse:

    aeconomianoseculo21.blogfolha.uol.com.br/2015/12/21/nelson-barbosa-sera-melhor-do-que-se-espera/

    Sr. Roque, gostaria de saber a sua opinião sobre o imposto único. E por que devemos distinguir pessoa física de pessoa jurídica qto aos impostos. Sou simplista até demais, o Imposto Único pra mim é um sonho. Só de eliminar toda burocracia e vigilância, punição etc e tal (imagine não ter que declarar I.R. todo ano - acho isso o máximo da invasão/achaque/extorsão praticado por todo tipo de mequetrefe e aceito de forma natural) nota fiscal, controles e tudo mais já justifica o efeito cascata.
    Qto ao Chile por que a previdencia privada aparentemente fracassou? De minha parte não considero a experiência chilena totalmente válida uma vez que foi implantada por um governo q promoveu uma ruptura pra assumir o poder e o exerceu de forma sanguinária - gostando ou não Allende ele foi eleito - por sinal o único socialista eleito pelo voto direto até então. Não sou socialista menos ainda progressista (rsrs tá na moda) mas não aceito que regras sejam quebradas, voto deve ser respeitado e impedimento é exercício da democracia - é como vejo, por isso não sei se devemos considerar as experiências ocorrida no Chile de Pinochet uma vez que foram implantadas á bala em sua maioria.
  • Leandro  23/12/2015 16:54
    Desconheço isso de que a previdência chilena fracassou. Qual a fonte? (Por favor, mande uma isenta; dispenso sites político-partidários).

    Eu mesmo tenho grandes restrições ao modelo previdenciário chileno, pois o considero um tanto autoritário. O governo obriga o trabalhador chileno a contribuir para um plano. O governo não dá a opção de o trabalhador manter seu salário integral e direcionar uma parte dele para onde ele quiser. O governo obriga o trabalhador a contribuir mensalmente para qualquer uma das empresas.

    Esse é o principal problema. A partir do momento em que o estado garante uma clientela cativa para as empresas que administram os fundos de pensão, as taxas de administração serão altas.

    Há um artigo inteiro sobre o Chile e sua previdência:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1924

    Quanto ao imposto único, ele seria (muito) melhor que o arranjo atual desde que:

    1) A alíquota fosse menor que a menor das alíquotas atuais;

    2) Incidisse apenas sobre o consumo, e nunca sobre renda, a produção e o investimento;

    3) Não fosse implantado com o intuito de ser revenue neutral, de manter a mesma arrecadação para o governo. Não há motivo para esse governo arrecadar R$ 2 trilhões de reais.
  • Típico Universitário  23/12/2015 17:06
    Procurei. É o Wikipedia. Você não acredita em tudo que lê na internet? Absurdo.

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_do_Chile

    Recomendo cautela a quem ler o artigo acima:

    Só a palavra "crise de sobrevalorização da moeda" e uma menção do genial economista Paul Krugman já são suficientes para arrebatar lágrimas das mentes fracas.
  • Clovismr  23/12/2015 17:37
    Sr. Leandro, de fato não lembro onde li, um dos detalhes era que ao ser criado o sistema as empresas saíram á caça de associados oferendo prêmios e mais prêmios para quem se associasse, uma verdadeira festa que teria cobrado seu preço levando muitas á falência - de forma que não teria sido propriamente falha do sistema mas sim das empresas.Mas não tenho o link aqui, encontrando coloco.
    Qto ao Imposto Único:

    2) Incidisse apenas sobre o consumo, e nunca sobre renda, a produção e o investimento;

    Como fazer isso? A grande vantagem que vejo é o fato de não ter escolhas e assim dispensar qualquer forma de "vigilância" a ponto de tornar desnecessário até mesmo toda a estrutura de Receita e correlatos (Estadual, Federal, etc e tal). Mas ainda assim, como fazer que incida somente sobre o consumo se penso na CPMF (distorção do IU)? Não seria mais barato deixar "correr solto"? Sempre vejo tributaristas e pessoas de conhecimento como o Sr. dizendo sobre tributar consumo isentando renda e produção/investimentos. Só que ao fazer essa diferenciação vejo "espertos" procurando brechas que depois exigem fiscalizações e tudo mais que já sabemos onde termina.
    Por ora, obrigado pela paciência.
  • Yoda  23/12/2015 22:07
    Leandro,

    Temo que terei que discordar de você.

    Mesmo que a carga tributária fosse exatamente a mesma, sem tirar nem 1 centavo, o imposto único seria um ganho imenso ao país, pelos seguintes motivos:

    1. Ficariam muito claras todas as manobras para aumento de impostos

    2. A burocracia seria menor, pois há limites de quanto o estado pode complicar sendo apenas 1 imposto. Não há limites quando são vários.

    3. A burocracia sendo menor exigira menos funcionários públicos para arrecadar e (principalmente) para gastar.

    4. Menos FP para controlar os gastos (os governos teriam basicamente um fundo único), diminuem-se os buracos para a corrupção (mas não acaba, obviamente) e favorecem os mecanismos automatizados de despesas. Hoje complica o fato de que há múltiplas fontes de renda com múltiplos destinos. E muitas dessas fontes são pequenas (ipva por ex), o que favorece a corrupção local.

    5. Mais facilmente entendível, a população poderia conhecer a legislação tributária e perceber artimanhas que favorecem grupos econômicos amigos do rei, coisa que no espaguetti legislativo atual beira o impossível.

    6. Baixar a carga tributária exigiria 1 ato legislativo apenas, no lugar de centenas deles em três esferas diferentes.

    7. Não haveria perigo de a carga se manter por descompasso entre os níveis de poder. Por ex, a União baixar a alíquota do IR mas o Estado sobe a do ICMS, compensando a queda...

  • Enrico  23/12/2015 23:15
    A proposta de Imposto Único do prof. Marcos Cintra é a pior de todas, até mesmo do que as propostas de aumento de impostos do governo.

    1) Ficaria muito mais fácil para o governo aumentar impostos. Uma alíquota de 2% aumentando para 2,1% seria um aumento enorme, ainda que pareça sutil.

    2) É inviável ao seu propósito principal de manter a arrecadação igual. O governo estima que uma alíquota de 0,2% arrecade R$ 32bi. Para arrecadar R$ 2tri, a alíquota seria por volta de 12%.

    3) O federalismo, que no Brasil é quase inexistente, deixaria de existir. O governo central determinaria quanto cada Estado e cada Município receberia. Um governador ou um prefeito que desejasse reduzir impostos estaria impossibilitado.

    4) Haveria uma cumulatividade absurda. A competitividade das empresas brasileiras despencaria. A CPMF incide em cada operação financeira.

    5) A privacidade financeira seria extinta. O governo, ao arrecadar somente quando o sistema financeiro é utilizado, faria de tudo para impedir o uso de dinheiro físico e saberia ainda mais sobre suas movimentações. George Orwell terá ainda mais razão.
  • Arthur Gomes  23/12/2015 17:10
    Existe uma diferença entres as esquerdas brasileiras e as esquerdas americanas ou europeias.

    A esquerda de fora ainda pensa, veja a esquerda da Venezuela ou a brasileira. Tudo nesta gente é culpa dos americanos dos colonizadores europeus. Isso é de chorar. Na esquerda brasileira não sobrou lugar para a inteligência.
  • anônimo  23/12/2015 17:53
    Esquerda é esquerda em qualquer lugar e tempo, o que muda são opressores conforme a conveniência.
  • Renato  23/12/2015 17:27
    Leandro Roque, você é de São Paulo?
  • Lucas C  23/12/2015 19:17
    Lógico que não, uai. Leandro Roque só pode ser mineiro com toda essa competência, sô.
  • Dilma Rousseff  24/12/2015 16:56
    Uai sô, mineira tb eu sou, e competente.
  • corsario90  23/12/2015 17:39
    Muito obrigado por mais um artigo repleto de dados que embasarão meus argumentos pró livre mercado!
    Engraçado que muitos amigos meus são de esquerda e fascistas e nem sabem, acabam pedindo um pouco mais de intervenção e que o mercado livre e sem regulamentação por parte do governo vai piorar as coisas.
    Afirmam que o problema não está na agenciazinha regulamentadora, mas sim, nos burocratas que habitam esse elefante branco.....
    Quando vc descobre o IMB e pertence ao funcionalismo público dá uma pontada de arrependimento, mas por outro lado, é bom que vc pode ser uma semente de idéias libertárias dentro de um ambiente Keynesiano e tentar propagar os ensinamentos austríacos!!
    Vamo que Vamo!!!
    Feliz Natal a todos que aqui comentam e em especial a Equipe do IMB! Mantenham a pegada porquê vcs são uns dos poucos a realmente prestarem um serviço ao público!!
    Up to IMB!!
  • Luiz Novi  23/12/2015 17:48
    Eu também não acredito que essa dupla Dilma-Barbosa seguirá estes exemplos, acho que iremos continuar no mesmo caminho. Eles irão apenas apresentar ideias e medidas paliativas para acalmar o mercado, nada mais que isso.
  • Korn  23/12/2015 18:23
    Na AL, as principais reformas liberais foram feitas por governos de direita.
  • CHF  23/12/2015 21:15
    FHC de direita?

    spotniks.com/7-razoes-para-voce-entender-por-que-o-psdb-nao-e-um-partido-de-direita/

    spotniks.com/10-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-a-relacao-entre-o-pt-e-o-psdb/
  • Antonio  23/12/2015 18:27
    Diferentemente do rei Midas que quando em tudo tocava virava ouro, o PT tem o poder de tocar nas estatais e transformá-las em pó. Como se não bastasse ver a Petrobrás agonizando, os Correios também já sinalou que está no vermelho com um déficit até outubro deste ano de 1,364 bilhões. A troca de Presidente da estatal, saindo Wagner Pinheiro - PT e entrando Giovanni Queiróz do PDT, só serviu para mostrar esse quadro caótico que os Correios estão. Vale dizer ainda que, o fundo de pensão Postalis, - tem um rombo milionário de 5,6 bilhões e até o momento, essa grana não retornou integralmente para os cofres; Ora, o eis presidente Wagner Pinheiro saiu de mansinho, pegou sua malinha, foi para casa e ninguém pergunta nada para ele, porque os Correios se encontram nesta situação. Assim fica fácil qualquer zé mané ser presidente de uma estatal nesse país; basta ser afiliado do partido no poder s que tudo se resolve e pode fazer a lambança que quiser e não tem que prestar contas a ninguém por seus atos. Já o novo presidente dos Correios, senhor Giovanni Queiróz, olhou a situação que se encontra estatal e tem buscado dialogar com as bases sindicais criando um Fórum Permanente de Proposição de Melhoria de Gestão, e nem sequer ousa questionar a gestão anterior do Senhor Wagner Pinheiro. Em contrapartida, no Informativo do BOLETIM SINDICAL, foi publicado que os salários e benefícios, incluindo a previdência sejam os "vilões" responsáveis pelo déficit da empresa. Com isso, os trabalhadores seriam os responsáveis pelos péssimos resultados da empresa, enquanto a alta cúpula que tem indicação política do partido ficam ilesos das responsabilidades pela má administração. Vale citar aqui aquela música do Gaúcho da Fronteira: "Parece que a noiva é a mesma, só mudaram o penteado; entra Juca e sai Manuca e baile sempre formado".
  • anônimo  23/12/2015 19:29
    Ocorre que a esquerda mudou de tática. Resolveu atacar pela via gramsciana.
  • Pequeno Empreendedor  23/12/2015 20:41
    ARTIGO EXCELENTE.
  • Economista da UNICAMP  23/12/2015 21:24
    Reformas liberais ou reformas de austeridade???

    goo.gl/P0ZqHK

    Olhem a diferença do Miller pro Volcker: enquanto o primeiro se preocupou exclusivamente com o crescimento econômico dos EUA, o outro sedento por austeridade e notoriamente ultra-hawk(o que eu considero como uma insanidade) elevou as taxas de juros à níveis irresponsáveis -o que causou uma contração violenta no PIB.

    A elevada inflação durante o período Burns/Miller se deve a uma reação natural do mercado pelo superaquecimento da economia americana em um período onde a demanda agregada estava sendo estimulada.

    E não para por aí: tão logo o saudoso Greenspan foi nomeado, e as taxas retornaram ao patamar natural e, consequentemente, a economia voltou a crescer robustamente(como pode-se notar de 1979-1990), se recuperou da crise do início dos anos 90 e cresceu até o início dos anos 2000(crise das Dot-com), com uma nova recuperação até a crise dos Subprimes. A metodologia de Greenspan se mostrou infalível desde 1979(e passou por 3 crises).

    Sonho um dia em ver Krugman, Tim Geithner, Hank Paulson na fazenda e a duplinha Bernanke & Greenspan no FED. Os EUA iriam decolar...

    O Brasil não é muito diferente: apresentei ontem um pacote de estímulos econômicos elaborados pelo pessoal aqui da UNICAMP(o qual apelidamos carinhosamente de Delfimnettonomics) e fui zoado não sei porque. Infelizmente o desenvolvimentismo não é bem aceito aqui...
  • Clarice  23/12/2015 22:34
    Saudações a todos os integrantes do IMB, em especial ao Leandro Roque e ao Fernando Ulrich, os melhores articulistas.

    Tão logo que comecei meus estudos sobre a atual situação brasileira, algumas questões insistem em pairar sobre a minha janela do desentendimento.

    O volume excessivo de operações compromissadas que estão sendo feitas pelo Banco Central tornar-se-ão insustentáveis no longo prazo caso o descontrole fiscal não seja sanado, ou são sustentáveis? Caso seja possível, e quem se dispor a responder este comentário tenha tempo, favor explicar o que representam exatamente estas operações, pois nunca entendi muito bem.

    A simples existência perene de superávits nominais é a garantia de ter-se moeda saudável e estável em caso de câmbio flutuante?






  • Juliana  30/12/2015 14:20
    Clarice, saiba que você não é a única a ter essas dúvidas — principalmente no que diz respeito às operações compromissadas. Sendo assim, me dispus a tentar buscar respostas à essas perguntas, que também pairam em minha cabeça. Acabou que o resultado do que eu consegui apurar se tornou um comentário grande, maçante e certamente cheio equívocos na compreensão e de ordem conceitual, que fica até embaraçoso para mim colocá-lo aqui. Mas vou fazer isso porque tenho a esperança da "auditoria" de alguém que conheça e entenda mais o assunto e que possa nos esclarecer melhor. (Eu sei que esse não é o artigo mais apropriado para fazer este comentário, mas eu tinha que aproveitar a oportunidade da pergunta da colega.)

    Para começar, operações compromissadas são operações realizadas pelo Banco Central (BCB), no qual ele compra ou vende títulos emitidos pela Secretária do Tesouro Nacional (Tesouro ou STN), com o compromisso de revender ou recomprar o mesmo título, em uma data determinada. Acredito que esta operação seja semelhante às operações no mercado interbancário, onde os bancos que não conseguiram atingir a meta do compulsório em suas reservas, pegam dinheiro emprestado com outros bancos, oferecendo como garantia títulos públicos no valor do empréstimo mais os juros, e a serem pagos no dia seguinte. Só que no caso do Banco Central, além de os títulos serem oferecidos no preço e nas condições que o mercado quiser, a remuneração para tornar os títulos mais atrativos é feita através da criação de dinheiro. Portanto, está aí o primeiro grande problema das operações compromissadas: elas são um mecanismo de controle da liquidez inerentemente inflacionário.

    Existem duas situações em que as operações compromissadas são utilizadas pelo BCB. A primeira, mas não a mais importante, é a expansão e/ou a manutenção das reservas internacionais. Como o governo é deficitário, ou seja, seu orçamento não possui excedentes que o permita poupar, ele só consegue acumular reservas cambiais com em parte o BCB criando dinheiro, e em parte a STN se endividando e aumentando o déficit público. O melhor que eu consigo entender e resumir sobre a relação entre compromissadas e as reservas cambiais é o seguinte: primeiro o BCB emite Reais para comprar as divisas (os Dólares) da mão de detentores privados. Então, para neutralizar os efeitos inflacionários dessa nova emissão de dinheiro e enxugar essa liquidez, o BCB troca esses Reais por títulos, via operações compromissadas. Mas a outra, e primordial, função das compromissadas é ser o meio pelo qual o BCB manipula e garante a convergência da taxa básica de juros no mercado interbancário (a taxa Selic) para a meta estabelecida, como um instrumento de controle de liquidez bancária.

    Agora tentando responder à primeira pergunta, há diferentes situações que poderiam explicar esse aumento excessivo das compromissadas que temos visto ultimamente, e inclusive poderia ser por razões que as fariam ser indiferentes ao descontrole fiscal, sendo portanto sustentável no longo prazo (mas, para a minha desilusão, já descobri que essa é uma coisa que não acontece). Então, sua sustentabilidade iria depender de quais seriam as suas causas, que a gente não sabe muito bem qual é. De qualquer forma, vale a pena buscar uma explicação plausível para este aumento descomunal. Por exemplo: como uma primeira possível causa, poderíamos considerar o aumento das reservas internacionais. Mas, como já fazem uns 3 ou 4 anos que as reservas internacionais praticamente estacionaram, então esta já é uma possibilidade descartada. Como uma segunda possível explicação, temos a de que a moderação na concessão de crédito, por parte dos bancos privados, poderia estar levando-os a ter uma necessidade menor de buscar empréstimos no mercado primário, o que faria com que a taxa básica de juros caísse, "obrigando" o BCB a enxugar essa liquidez, via operações compromissadas, para levar a taxa de juros a atingir a meta. Em terceiro lugar, como justificativa há também quem afirme que esse aumento está ocorrendo por causa da capitalização dos juros dos próprios títulos, o que consequentemente aumenta o volume do estoque na carteira do BCB em compromissadas.

    Como quarta especulação dessas possibilidades, descobrimos que o BCB e a STN, amparados pela Lei Complementar nº 101 (mais conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal ou LRF), sabem dar um belo de um chapéu na gente. Tudo começa com a STN, que parece que ultimamente não tem conseguido obter sucesso em seus leilões de títulos do Tesouro, pois estes não estão com taxas e condições atrativas ao mercado. Porém, uma outra explicação seria a de que a própria STN poderia estar endurecendo nas negociações, não aceitando qualquer taxa, porque sabe que depois o BCB vai ter que capturar essa liquidez bancária através de operações compromissadas, que usam como lastro justamente os títulos públicos. Então, estaria havendo aí um financiamento inflacionário do déficit público pelo BCB, que compraria os títulos depois a preços menos custosos ao Tesouro. Pode até não ser isso, mas essa não é uma possibilidade descartável, já que a LRF proíbe o BCB financiar diretamente os gastos correntes do governo, mas não é muito clara sobre o Banco Central comprar, diretamente, títulos para o refinanciamento da dívida pública.

    Por outro lado, o BCB também pode receber títulos diretamente da STN, sem contrapartida financeira, a fim de complementar sua carteira para a execução da política monetária. A princípio, isso não me parecia uma coisa tão ruim, pois o Tesouro poderia emitir títulos em favor do Banco Central ou repassar aqueles que não foram vendidos em seus leilões, e não receberia nada por eles. Mas, em compensação, também não pagaria por eles quando fosse resgatá-los, cancelando-os, para que esses títulos funcionassem apenas como uma espécie de esponja para o Banco Central enxugar a liquidez bancária. Assim, o efeito nocivo das operações compromissadas seria "apenas" o da inflação monetária causada por elas, já que elas abrem espaço para a criação de dinheiro por parte do BCB. Mesmo que no final das contas elas criem um mercado cativo para os títulos do Tesouro, por si só elas não teriam um custo fiscal que fosse repassado para a STN, aumentando o peso da dívida pública. Isso me parecia óbvio, pois ter que pagar pelo resgate de títulos pelos quais não recebeu nada antes seria uma situação absolutamente inaceitável para o Tesouro. Mas, já não tenho tanta certeza se é assim que as coisas funcionam.

    Sobre a segunda pergunta, é importante ter em mente as diferenças entre o que é um superávit nominal (que é quando o que o governo arrecada com impostos e endividamento supera os seus gastos correntes mais os juros) e um superávit primário (que é quando o que o governo arrecada com impostos e endividamento supera os gastos correntes, mas sem os juros). De qualquer forma, eu penso que ambos são (quase) irrelevantes para uma moeda estável — em caso de câmbio flutuante —, pois o mais importante aí seria o nível de desenvolvimento e de abertura da economia, e também de segurança que ela transmite para os investidores internacionais. Portanto, eu diria que a resposta para a segunda pergunta é não (ou talvez um sim, porque um superávit nominal poderia ser resultado de um governo pequeno e uma economia livre, algo que não sei se é possível).

    Bom, a quem se deu ao trabalho de ler até o fim este fastidioso comentário, e que souber sobre o assunto, por favor deixe um parecer. Diga pelo menos: "Está tudo errado!", que eu começo tudo de novo, mas em outra direção. Porque eu, particularmente, não consigo imaginar que possa haver alguma coisa pior que a dúvida. Portanto, não posso viver com ela.

    Abraços!
  • Joaquim Saad  02/01/2016 18:42
    "Só que no caso do Banco Central, além de os títulos serem oferecidos no preço e nas condições que o mercado quiser, a remuneração para tornar os títulos mais atrativos é feita através da criação de dinheiro. Portanto, está aí o primeiro grande problema das operações compromissadas: elas são um mecanismo de controle da liquidez inerentemente inflacionário."

    Entendo que a alternativa (i.e. Tesouro aceitando os prazos e taxas impostos pelas instituições financeiras no mercado primário e assim já conseguindo colocar lá mesmo o montante de títulos que de outra forma acabariam sendo transferidos sem contra-partida financeira ao Bacen, o qual depois iria vendê-los nas quantidades e condições necessárias p/a elevação da taxa da SELIC à sua meta) na prática em algum momento também daria mais ou menos na mesma, pois a autoridade monetária acabaria criando dinheiro tanto p/ complementar a remuneração adicional a ser paga no vencimento\reversão das vendas compromissadas, como igualmente na atuação mais expansiva que passaria a ter (ainda que extraordinariamente) no mercado secundário nesta 2ª opção, recomprando dos bancos comerciais os papeis por eles subscritos anteriormente nos leilões (quando eventualmente necessitassem recompor suas reversas) e assim impedindo que a taxa básica de juros desta vez superasse o alvo (que, a propósito, lhe serve simultaneamente de piso e teto, conforme indica o modus operandi do DeMAb\BC).

    Parece-me que as razões do enorme saldo atual das vendas compromissadas de títulos do Tesouro pelo BC essencialmente teve a ver até 2012 c/o enxugamento da liquidez dos reais emitidos pela autoridade monetária p/ comprar dólares das fortes exportações da década passada e assim minimizar apreciação cambial (e de quebra remeter financeiro DIRETAMENTE ao Tesouro quando da reversão iniciada em Jul/2011 da finada tendência de baixa do par USD/BRL, conforme mecanismo questionável estabelecido pela Lei 11.803/2008 segundo o qual a apuração de ganhos a ser paga pelo BC ao Tesouro e de perdas a ser coberta por este c/ títulos enviados àquele deve ser feita mensalmente, impedindo que sejam compensadas devidamente nos períodos em que prejuízos c/ swaps superem os lucros c/ valorização das reservas), passando a estar relacionada c/ a elevação da SELIC a partir de meados de 2013 associada ao objetivo do Tesouro de alongar prazos e reduzir ou ao menos manter as taxas de seus papeis, plano atingido apenas no âmbito da DPF mas fracassado ao se considerar devidamente toda a dívida bruta, a qual continuou a crescer já que leva em conta todos os papeis emitidos pelo governo (e adquiridos pelo mercado na rentabilidade maior que continuaram e continuam a exigir p/ financiá-lo).

    https://blogdosalto.wordpress.com/category/operacoes-compromissadas/
  • Juliana  04/01/2016 17:31
    É verdade, eu não tinha pensado que a taxa básica de juros (Selic) poderia ficar acima da meta, caso o Tesouro conseguisse vender seus papéis diretamente para o setor bancário, obrigando o Banco Central a fazer mais operações compromissadas, no caso para baixar os juros. O que mostra que um aumento das compromissadas não significa, necessariamente, uma uma maior dificuldade do Tesouro em vender seus títulos. E também acho que você está correto com relação ao aumento das compromissadas, principalmente porque também acredito que a partir de 2012 a elevação da Selic foi o que teve um grande peso neste aumento. É uma boa explicação.

    Mas a melhor parte é que no final do seu comentário — e que não estava nem em discussão — fica bem claro o quanto que se iludem as pessoas que pensam que baixar a Selic vai diminuir ou trazer algum alívio para as contas públicas. Há aí um enorme engano. Se já está difícil para o Tesouro vender seus títulos com a Selic em 14,25%, imagina como seria ainda mais difícil se ela fosse menor que isso. Mesmo numa remota hipótese de o Banco Central comprar depois os títulos que não foram vendidos, isso só ocorreria depois de o Tesouro Nacional ter conseguido vender uma determinada quantidade de seus papéis, e ainda seriam nas condições alcançadas no dia do leilão público. Sem contar que isso iria, no máximo, servir apenas para alongar a dívida, o que não melhora em nada as contas públicas e só piora a dívida bruta. Portanto, além de mim, parece que tem muita gente por aí muito mal informada.

    Muito obrigada pela colaboração.
  • Joaquim Saad  06/01/2016 21:02
    Juliana,

    Penso que a autoridade monetária promove vendas compromissadas c/o intuito de impedir a queda (ao menos no curto prazo) da SELIC, enxugando o aumento de liquidez ocorrido quando o montante dos títulos que o Tesouro consegue\aceita vender nos leilões acaba sendo inferior aos resgates de papeis que estavam em poder do mercado, cuja práxis é sempre a de buscar obter junto ao próprio BC condições melhores (taxas maiores e/ou vencimentos menos longos) p/ suas aplicações em relação àquelas oferecidas pelo governo nas colocações primárias.

    No atual e já antigo arranjo financeiro onipresente no mundo (inclusive no Brasil) em que os estados nacionais não apenas impõem o curso exclusivo de suas respectivas moedas emitidas por suas agências centralizadoras as quais ao mesmo tempo possibilitam às instituições bancárias multiplicar a um risco bem baixo aquela base monetária inicial por meio do infame sistema de reservas fracionárias, enxergo ser bem remota a chance dos bancos virem a se recusar a adquirir dívida de seus tesouros mesmo se a SELIC ou suas análogas (e.g. Fed Funds Rate) fossem reduzidas através de intervenções diretas dos bancos centrais, pois neste caso bastaria aos governos aceitarem pagar por suas emissões um retorno ligeiramente acima da nova meta rebaixada p/os juros do open market p/desta forma continuar havendo lucro extra garantido aos credores da dívida pública, oportunidade configurada pelo spread entre as taxas de ambos os mercados (conforme se verificou no início do 1º mandato de Dilma c/ a queda voluntária a 7,25% aa).
    A LRF101/2000 proíbe a compra líquida pelo BC de títulos nos leilões, papeis que são transferidos "sem contrapartida financeira" à autoridade monetária tanto automática (sempre que sua carteira livre cai abaixo de R$20 bi) como também arbitrariamente, quando o BaCen em "coordenação" c/o Ministério da Fazenda (!) entender ser necessário esterilizar dinheiro (p/ tanto alienando provisoriamente parte de seu portfolio).

    E assim chega-se ao que mais me intriga no momento: este aumento nos ativos do BC (causado por sua capitalização pela mera recepção "gratuita" de papeis federais) pode acabar sendo utilizado - mesmo que parcialmente (i.e. c/ a parcela eventualmente não incorporada ao patrimônio líquido do BC e que então poderia (?) ser distribuída como dividendos a seu "acionista" único) - p/ melhorar o resultado da autoridade monetária, o qual é remetido semestralmente (e não mensalmente, como incorretamente escrevi antes) de volta ao Tesouro !
    A lei 11.803/2008 mencionada anteriormente na verdade instituiu o mecanismo de "equalização cambial" através do qual o resultado do Bacen c/ aplicações externas e c/ derivativos cambiais no mercado interno é separado de seus demais resultados e não mais fica sujeito a constituição de reservas em seu balanço (ferramenta que equivalia a efetivo instrumento de política monetária), gerando a cada semestre criação e transferência de dinheiro do Bacen p/a conta única (e a propósito, remunerada !) do Tesouro a título de "lucros" quando acontecer simples valorização das reservas externas (na prática sempre maior que os prejuízos c/ swaps cambiais, pois estes são normalmente vendidos em montante inferior ao capital acumulado pelo BC no exterior), ensejando na hipótese de valorização do real (um passivo da autoridade monetária) a entrega de títulos do Tesouro ao BC p/ cobertura de seus prejuízos.
    Tal sistemática de "regime de competência" ao invés do "de caixa" no tratamento dos resultados do Bacen (obrigando o acerto de contas c/ o Tesouro pelo conceito de "resultado econômico" antes da efetiva realização financeira de lucro ou prejuízo) tem sido a maior responsável pelos brutais aumentos observados tanto na carteira de títulos em poder da autoridade monetária como igualmente no correspondente saldo das disponibilidades do governo mantidas no BC.

    obs: a este respeito recomendo fortemente a leitura do documento produzido a partir de 2009 pelo próprio TCU (pode-se baixá-lo aqui em .doc ou .pdf) questionando a constitucionalidade da lei 11.803/2008, em que ao final se reforça a desesperança em pedidos de impeachment de Dilma que forem baseados nas criminosas "pedaladas", uma vez que a "consultoria jurídica" contratada pelo referido órgão da câmara conseguiu a proeza de não enxergar qualquer conflito entre a referida lei "ordinária" e a CF88, já que o parecer (por sinal pró-poder executivo) ateve-se unicamente em rebater um dos problemas levantados pela corte segundo o qual mudanças como a "equalização cambial" só poderiam ser feitas por lei complementar (como é o caso da LRF101/2000), ignorando solenemente outra arguição do TCU (item 209) sobre se o mecanismo considerado não poderia possivelmente caracterizar empréstimo do BC ao Tesouro, proibido pelo Art.164 da "carta magna".

    Quem sabe este nosso longo "bate-bola" não estimula o Leandro Roque, o Fernando Ulrich e cia a tratar deste que tem sido tema de artigos recentes do Gustavo Franco e [link=www.iepecdg.com.br/?acao=reportagens&reportagem=855]Edmar Bacha[link/], caso ainda não o tenham feito.

    Abs.
  • Joaquim Saad  06/01/2016 22:46
    Segue o endereço p/ o documento do TCU (caso o link não funcione):

    https://contas.tcu.gov.br/juris/SvlHighLight?key=41434f5244414f2d4c454741444f2d3931363934&sort=RELEVANCIA&ordem=DESC&bases=ACORDAO-LEGADO;DECISAO-LEGADO;RELACAO-LEGADO;ACORDAO-RELACAO-LEGADO;&highlight=&posicaoDocumento=0&numDocumento=1&totalDocumentos=1
  • Juliana  08/01/2016 20:16
    Muito bom seu comentário, mas devo ressaltar que ainda não vejo que seja uma verdade absoluta a afirmação de que o Bacen é proibido de comprar títulos diretamente do Tesouro Nacional, porque a Lei de Responsabilidade Fiscal deixa uma brecha para isso. Está no § 2º do Artigo 39: "O Banco Central do Brasil só poderá comprar diretamente títulos emitidos pela União para refinanciar a dívida mobiliária federal que estiver vencendo na sua carteira.". E é complementada no § 3º do mesmo artigo: "A operação mencionada no § 2º deverá ser realizada à taxa média e condições alcançadas no dia, em leilão público.". Como já sabemos que as compromissadas são mesmo contadas como dívida pública, não teria mesmo muito sentido um volume imenso de dívida contraída a troco de nada.

    E obrigada por estender mais o assunto. Ainda não acabei de ler o documento do TCU, mas era isso que eu estava procurando: uma análise das leis e das relações entre o Bacen e o TN, de um ponto de vista jurídico. Não no melhor sentido da palavra, mas esse pessoal não me decepcionou (exceto pela parte mais contábil e que fala da 'equalização cambial', que achei mesmo interessante). Lógico que o documento não se dispõe a esclarecer todos os detalhes das relações entre TN e Bacen, mas já é um ótimo começo.

    Abraços!
  • Proletario Pró Mercado  23/12/2015 22:34
    A mudança liberal não vai acontecer. Essa gente do PT gosta de distribuir ração para o povo.

    Não haverá mudança nas leis trabalhistas. Não haverá redução de impostos. Não haverá privatização da Petrobras e dos bancos públicos. Não haverá desregulamentação de mercados. Não haverá austeridade fiscal. Não haverá desburocratização e reforma tributária. Não haverá encerramento de alguns serviços públicos.Não haverá demissão de funcionários públicos. Não haverá cortes nas contribuições sindicais.

    No máximo, eles irão cortar investimentos, privatizar algumas coisas na área de logística, reduzir ajustes de salários, aumentar a idade de aposentadoria, etc. Apenas ajustes paleativos serão realizados.

    Esse PT é desonesto e frouxo. O PSDB pegou mais de 20 bancos quebrados e uma dúzia de estatais quebradas. Eles conseguiram dar um jeito da coisa não parar, com um custo muito alto para o país.

    A economia vai quebrar, porque o fanatismo e a crença no que dá errado, é uma obseção orgulhosa dessa esquerda desenvolvimentista.

    O orgulho esquerdista está destruindo o país.

    Alguém quer apostar que o país vai parar no começo do ano ? Teremos uma greve atrás da outra no começo do ano que vem.


  • Brahma   23/12/2015 23:51
    A culpa é dos portugueses e do FHC.
  • Artilheiro de metralhadora  24/12/2015 13:44
    Olá Proletário Pró Mercado!

    Estou de total acordo com suas palavras. "Esperemos" essas festas eo carnapãoecirco passarem, o chororô vai ser enorme e de proporções que os alienados/ignorantes/boçais que são a maioria do povo brasileiro não tem noção e irão fazer.

    Existem pessoas que somente aprendem com o pior Muitos nem assim aprendem, como é o caso dos brasileiros) e nem assim vão querer enxergar a duríssima realidade em que estamos vivendo e no buraco comunista (ops pelonasmo,rsrs...) no qual todos nós estamos(infelizmente).

    Tudo de bom!!!

  • Vinicius  24/12/2015 17:01
    Exatamente isso, povão vai tomar ferro quente, e finais de 2016 será um período inesquecível neste país.
  • Thiago Teixeira  23/12/2015 22:58
    Excelente apanhado, Leandro
    Artigo magistral, as usual.

    Uma dúvida: o perrengue que Clinton pegou foi iniciado por Reagan ou por Bush Senior? Foi aquela estratégia de aumento de gastos militares para forçar a derrocada da URSS ou a invasão do Kwait?
  • Proletario Pró-Mercado  24/12/2015 13:37
    O Alexandre Tombini do BCB disse que os juros irão baixar, quando as pessoas tiverem educação financeira.

    Isso parece piada ! Ninguém tem educação financeira pior do que o governo.

    Essas metas do tripé macro-econômico estupradas pelo Tombini, já deveriam ter causado o Fatality no presidente.

    Até o Ciro Gomes, conhecido como Muriçoca do Ceará, sabe que os juros e a economia dependem da austeridade, poupança, entrada de dólares e de liberdade.

    Essa turma não tem limites. É bizarro ver o Ciro Gomes mudando completamente de opinião, dizendo que o japonês gosta de pagar mais caro pelo arroz japonês por questão cultural. A questão cultural é que o governo gosta de protecionismo. Protecionismo e questão cultural é só na terra do muriçoca do Ceará.
  • Marco de Tropoja  24/12/2015 16:08
    Off-Topic:Qual a posição dos libertários no que diz respeito a aposentadoria?
  • Juan Domingues  24/12/2015 16:57
    O que quer dizer com "a posição dos libertários"? O libertarianismo não é um movimento coletivista, uniforme e estático, pelo contrário, é o respeito ao indivíduo acima de tudo. Não há portanto "a posição dos libertários a respeito de tema X" e sim a posição de grupos de indivíduos que podem convergir ou não, dependendo do caso. Desde que seja respeitado o axioma fundamental (liberdade, auto-propriedade e não coerção) as possibilidades são muitas.
    Alguns exemplos:
    - A poupança para seu futuro é, em ultima instância, sua responsabilidade. Cabe a você, enquanto está em sua fase ativa de vida, guardar seu dinheiro da maneira que achar mais conveniente (ouro, fundos de investimento, ações, imóveis, etc...).
    - Grupos de indivíduos com interesses em comum podem se reunir de maneira voluntária e fazer clubes de investimento para aumentar seu poder de barganha (e consequentemente o rendimento de suas economias).
    - Você pode adquirir, de maneira voluntária, seguros e planos de previdência privada com companhias privadas.
    Essas seriam as três possibilidades mais óbvias e completamente independentes de coerção estatal. Dentro do arranjo estatal, a possibilidade menos imoral para um sistema previdenciário me parece que seria um sistema de contas individuais e de contribuição voluntária, diferente do tradicional esquema Ponzi coletivista utilizado na maioria dos países, no qual os jovens, a cada geração, precisam "contribuir" mais e mais para sustentar as gerações passadas que, por terem entrado primeiro no esquema, recebem quantias maiores.
  • Paraninfo  24/12/2015 18:46
    Essa turma não têm competência e força para mudar alguma coisa.

    Uma reforma liberal poderia mudar o país em 10 anos. Por mais que o governo ficasse sem dinheiro nos primeiros anos, em 10 anos o PIB poderia crescer mais de 70% e a população teria muito mais renda. Os impostos retomariam na mesma arrecadação de hoje, mas com uma taxa de impostos reduzida pela metade, com a população mais enriquecida, com menos inflação, etc.

    Não é possível que alguém acredite em crescimento baseado em endividamento do governo e em inflação. O endividamento do governo é apenas uma tranferência de dívidas para a população. Quem paga as dívidas do governo não tem a menor garantia de que irá usar esses serviços prestados pelo governo.

    O Brasil já cresceu muito em pouco tempo, mas isso foi perdido com o aumento dos impostos e com a inflação. O Brasil cresceu muito quando os impostos eram 18%. Foi um espetáculo do crescimento, mas depois que veio a constituição de 88, que travou tudo com o aumento de impostos, inflação, corrupção, lobby de empreiteiras, etc.

    Enfim, só uma reforma liberal pode trazer os dólares e permitir os investimentos. Não será com trabalhador pagando conta de governo que o país vai melhorar.
  • josé carlos zanforlin  24/12/2015 20:57
    Meu caro Leandro: antes de tudo, um feliz Natal a todos vocês que dão vida ao IMB.
    Ao fim de tudo, excelente artigo para o momento atual, com mudança de ministro e etc.
    Saúde, Paz e um 2016 o melhor possível.
    jcz
  • Conservador  24/12/2015 22:56
    Excelente artigo.
  • Thiago Teixeira  25/12/2015 00:09
    Se Dilma tivesse algum compromisso com a (verdadeira) autoridade, a sinalização seria através de Meireles, alguém de quem ela não gosta.
    Trazer de volta o pai desnaturado da "Nova Matriz Econômica" sinaliza que ela está "dobrando a meta".

    Feliz Natal a todos!
  • Partido do Liberalismo Clássico (PLC)  25/12/2015 17:05
    Pessoal, quanto se gasta para abrir um partido político atualmente?

    Partido Novo nao tem nada de novo; o Liber, ao que parece ta parado, mandei email há mais de 30dias e nao obtive qualquer resposta.

  • Fernando  26/12/2015 16:36
    Existe uma diferença entre desenvolvimentismo e terrorismo. A dirença é que o desenvolvimentismo possui o mínimo de responsabilidade fiscal.

    O Terrorismo é quando o governo faz papel de bonzinho, mas na verdade só está agravando a crise e depreciando do sistema econômico.

    As maiores empreiteiras do país estão enroladas com corrupção. A Petrobras está quebrando. A Previdência está consumindo uma grande parte dos impostos. O BNDES está com 450 bilhões em dívidas bruta. As greves estão aumentando.

    A questão é o terrorismo econômico. Essa Dilma não é desenvolvimentista.


    Isso parece normal. Se eu morasse em Cuba, eu tentaria derrubar o sistema socialista de todas as formas. É isso que a Dilma está fazendo na economia capitalista.

    Enfim, poucas pessoas perceberam que a intenção é quebrar o sistema capitalista. E ainda tem alguns tontos que acreditam que ela tenta ajudar os pobres.
  • Emerson Luis  26/12/2015 17:12

    "O poder é como o violino: segura-se com a esquerda [discurso populista] e toca-se com a direita [práticas funcionais]."

    Mas observem que nenhuma desses anglo-saxões era de extrema esquerda.

    ***
  • Batista  27/12/2015 01:59
    Leandro,

    Continuo apostando na regra:

    "De onde menos se espera algo, dali é que não virá nada mesmo."
  • Pedro Mundim  28/12/2015 09:41
    A explicação para a aparente contradição é simples: sempre que o povo se vê acossado por uma situação financeira ruim, ele tende a seguir o canto daqueles que fazem promessas mirabolantes - ou seja, o canto dos esquerdistas - e coloca-os no governo.

    Uma vez no governo, os esquerdistas constatam que realmente não dá pé, e que se insistirem vão naufragar junto com o país. Sem outra alternativa, eles tomam medidas sensatas de redução de gastos públicos, esperando uma melhora na economia que os permita retomar a agenda socialista. Às vezes essa melhora só chega quando o mandato deles já terminou, e quem colhe os frutos é o governo conservador que o sucede (caso dos exemplos citados no artigo). Outras vezes, infelizmente, a situação melhora ainda durante o governo de esquerda, o que permite uma mudança de rumo (caso Lula-Dilma).

    Apenas um povo ciente das vantagens de um governo que preza a racionalidade econômica coloca no poder os liberais, mesmo sem ouvir promessas mirabolantes. O povo brasileiro ainda está longe desse estágio.
  • Vander Lei  28/12/2015 14:52
    Eu prefiro me manter ao lado de Edward Aloysius Murphy na questão do Sr. Nélson Barbosa:

    1º) Ele (Barbosa) não vai decidir nada (e mesmo que pudesse decidir, não faria diferença);

    2º) Barbosa foi um dos responsáveis pelas tais "pedaladas fiscais" e uma das causas de pedido de impeachment da atual presidente. Não é irônico que Rousseff decida colocar seu próprio algoz no cargo de Ministro da Fazenda?

    3º) A "agenda econômica" adotada pelo governo de Dilma Rousseff visa somente e tão somente atender a "revolução" (que para conhecedores do assunto, é a palavra chave para oficialização do roubo), ou seja, propiciar fartos recursos ao ditos "movimentos sociais" e lavar dinheiro para a "causa revolucionária", através de quaisquer meios. Acho desnecessário indicar que o BNDES tornou-se uma das principais ferramentas para se atingir esses objetivos;

    4º) Se aparecer algum "economista" pior que Barbosa nas trincheiras petistas, certamente será indicado para ocupar o cargo caso Barbosa mostre-se muito "competente" e ao mesmo tempo "conservador";

    5º) Não existe nenhuma indicação que Barbosa fará o certo: cortar gastos e afrouxar as rédeas aplicadas ao livre-mercado. Muito pelo contrário, toda a estratégia está sendo montada já prevendo-se aumento e criação de novos impostos (CPMF), conforme ficou claro no orçamento aprovado pelo "congresso";

    Enfim, como teorizou o grande Murphy: Se existe a menor possibilidade do Sr. Barbosa fazer merda, certamente ele FARÁ merda, pois está sendo pago para isso.
  • Héber Pelágio  28/12/2015 21:52
    Muito bom esse artigo! Essa prática - de governos de esquerda adotarem políticas econômicas de direita - é conhecida no mundo político pelo nome de "triangulação".

    Lamento apenas o fato de o artigo não haver mencionado os exemplos de triangulação mais importantes da história: a) a NEP, de Lênin; b) a abertura econômica implantada por Deng Xiaoping, na China; e c) o Doi-Moi, processo de reformas econômicas ao estilo chinês que foi aplicado no Vietnã a partir de 1986.
  • anônimo  29/12/2015 11:25
    Eu não entendi uma coisa, se o Jimmy Carter fez várias reformas liberais e teve uma das melhores gestões sobre o Fed, porque raios ele não conseguiu se reeleger e ainda ficou marcado como um dos piores presidentes dos EUA?
  • Leandro  29/12/2015 12:18
    1) Reformas liberais demoram para surtir efeito; não são imediatas;

    2) Mesmíssimo efeito para políticas monetárias austeras. Volcker assumiu o Fed em agosto de 1979 e foi só em 1981 que ele de fato endureceu. As eleições foram em outubro de 1980.

    3) Durante quase todo o governo de Carter a inflação ficou acima de dois dígitos. Isso era algo inédito para a maioria dos americanos vivos. Nenhum político sobrevive a isso.

    4) Havia constantes filas em postos de gasolina e escassez do produto (a desregulamentação completa deste setor só veio com Reagan).

    5) No entanto, e milagrosamente, até 2 semanas antes das eleições, as pesquisas apontavam vitória de Carter. Mas aí veio o agravamento da crise dos reféns na embaixada americana no Irã, a qual foi o ponto de virada. A reação tépida de Carter o fez ser visto como frouxo e sem pulso.

    "Considered a pivotal episode in the history of Iran–United States relations, political analysts cite the crisis as having weighed heavily on Jimmy Carter's presidency and run for re-election in the 1980 presidential election."

    en.wikipedia.org/wiki/Iran_hostage_crisis

  • Luis  30/12/2015 01:30
    Leandor, pode incluir um sexto ponto: O político Reagan era mais carismático que o político Carter.
  • anônimo  30/12/2015 17:29
    É fácil para um partido de esquerda fazer tais coisas. Eles possuem o establishment midiático e intelectual, os idiotas-úteis nas universidades, os políticos em locais estratégicos e o apoio de quase todos os sindicatos.

    Só precisam usar um pouquinho a cabeça mesmo e largar a ideologia de lado.
  • Paraninfo  31/12/2015 16:58
    Onde estão os exportacionistas ?

    Quem achou que a economia iria crescer através das exportações com a desvalorização do real, acabou quebrando a cara.
  • anônimo  02/01/2016 17:23
    Tá e daí? Até o assassino Lênin fez algumas reformas liberais (leia sobre o NEP)... E daí? Deixou de ser comuna?
  • IRCR  02/01/2016 17:26
    Creio que a dupla Dilma-Barbosa está mais para jogar o Brasil numa Argentina (kirchnerista) ou quiçá numa Venezuela que fazer reformas pró-mercado.
    A esquerda-desenvolvimentista latino americana é muito mas muito pior que a esquerda nos USA, Europa ou na Oceania. (apenas lembrando que a esquerda nesse lugares aqui no Brasil seria considerado de direita)

    Para completar o excelente artigo do Leandro, ele deveria falar que na Americana Latina nem sempre as coisas seguem a logica. Pois na Argentina parece que vai ser o governo mais liberal do Macri que vai fazer as reformas necessárias e não o governo populista da Cristina.

    Temos que levar em consideração tb que o ranço intervencionista da Dilma é fora do comum. Acho muito difícil ela abrir mão desse lado negro da força, mesmo que ela não volte com uma nova matriz economia 2.0.

    Eu acho que o Brasil nesses 3 próximos anos de governo do PT, vai ficar travado sem fazer nada, pois por questões ideológicas não vão querer fazer reformas liberalizantes mas vão sofrer forte retaliações caso decidam retomar uma agenda heterodoxa.
  • Fernando  03/01/2016 12:51
    Concordo ! Continuaremos travados até 2019.

    Eu fiz algumas comparações entre impostos sobre empresas, pessoa física e vendas. Esse modelo de tributação destrói a economia na fonte, que são as empresas. Nós cobramos 36% das empresas, 27% de pessoa física e 18% sobre vendas.

    Comparando com os países mais industrializados, podemos constatar que as empresas pagam menos impostos do que pessoa física. Isso faz muito sentido, pois quem produz e faz investimentos é menos espoliado e desapropriado. Isso é preservar a base da economia. Não adianta ficar cobrando pouco imposto de renda das pessoas, depois de destruir a economia.

    Nesse atual modelo de estado desapropriador, seria muito melhor colocar 20% para empresas, 20% para pessoa física e 20% para vendas. Isso traria o mínimo de respeito pelas pessoas. Depois de mudar essas aliqotas, seria apenas acabar com estatais, serviços públicos e regulamentações.
  • Yves  03/01/2016 18:25
    Leandro viu esse artigo do Valor Econômico, escrito pelo economista chefe na AL da S&P?:

    www.valor.com.br/opiniao/4371392/desequilibrios-da-economia-pedem-medidas-inovadoras

    "Desequilíbrios da economia pedem medidas inovadoras

    Por Joaquín Cottani

    O Brasil enfrenta uma situação fiscal de emergência agravada por uma recessão ampla e profunda. Se as autoridades não encontrarem uma solução rápida e eficaz para ambos os problemas, isso resultará em um crack financeiro que incluirá uma maxidesvalorização da moeda local acompanhada de aceleração da inflação e queda no produto interno bruto semelhante àquela ocorrida na Argentina em 2002. Felizmente, prevenir tal acontecimento é relativamente fácil se as medidas adequadas forem tomadas.

    A emergência fiscal do Brasil tem como reflexo o crescimento da dívida bruta total do setor público, que ultrapassou os 55% do PIB em abril de 2013, chegando a 66% em setembro deste ano e caminhando para atingir 70% ou mais até o final do próximo ano. O Ministério da Fazenda, da mesma forma que muitos analistas do setor privado, enfatiza a melhora do resultado fiscal primário, sem, no entanto, advertir que tão importante como este para se determinar a dinâmica da dívida pública (e muito mais fácil de se reduzir) é, em realidade, o seu custo financeiro, que hoje absorve quase 9% do PIB. Ainda, ignorando-se as perdas incorridas neste ano pelo Banco Central do Brasil (BCB) na venda de swaps cambiais, os juros líquidos somam 7% do PIB. E, dado que a dívida líquida (diferentemente da bruta) não chega a 35% do PIB, o custo financeiro anual implícito é de 20%.

    O conselho de que se deve primeiro baixar a inflação e depois reduzir os juros não ajuda a estabilizar a economia

    É intuitivamente óbvio que um país que aspira ter uma inflação anual de 4,5% não pode e nem deve gerar um custo nominal tão alto para a sua dívida pública, já que, ainda que a economia cresça a uma taxa potencial anual de 2%-3% e o tipo de câmbio real seja estável, o superávit fiscal primário necessário para que a dívida líquida não cresça de forma insustentável é de 4% do PIB, que é um nível tão alto que não é crível que o governo atual ou qualquer outro que o suceda futuramente consiga atingi-lo. E ainda que semelhante esforço fiscal fosse factível durante algum tempo, fazê-lo implicaria sobrecarregar a economia com impostos ainda mais altos e distorcivos que os atuais para beneficiar a quem investe em títulos públicos em detrimento de quem investe em capital de risco.

    O BCB concorda que se a economia brasileira crescesse de acordo com seu nível potencial e a inflação fosse baixa e houvesse estabilidade cambial, não seria necessário que a taxa Selic fosse de 14,25% ao ano, em cujo caso o BCB estaria disposto a baixá-la. No entanto, ele não o faz por temor de que a inflação se espiralize ao desaparecer a âncora nominal representada por uma expectativa de inflação menor que a observada. Este temor, no entanto, é infundado.

    O erro de diagnóstico consiste em crer que se a taxa de inflação aumentar será difícil que logo abaixe, quando, na verdade, é que para que a inflação diminua de forma sustentável, esta primeiramente deve aumentar. Em outras palavras, o conselho de que se deve primeiramente baixar a inflação e logo em seguida (e apenas gradualmente) reduzir a taxa de juros não ajuda a estabilizar a economia por uma razão muito simples. A taxa real em níveis altos atrasa a recuperação da economia e agrava a dinâmica da dívida, o que faz com que as expectativas de inflação se mantenham altas, apesar da recessão e do desemprego, ante a possibilidade (cuja probabilidade cresce com o tempo) de que a dívida pública diminua em termos reais mediante um salto brusco e inesperado da taxa de inflação.

    Tal salto ocorreria se - como foi o caso e em circunstâncias parecidas dentro e fora do Brasil -, ao não se mediar uma solução definitiva para o problema de insustentabilidade fiscal, produzisse uma corrida cambial contra os ativos líquidos em moeda local, que, no Brasil, equivalem a quatro vezes as reservas internacionais. Se pensamos que, como as coisas estão, um cenário como este é praticamente inevitável a médio prazo e a única forma de evitar sua ocorrência é, agora, atuar de forma preventiva.

    ?

    Consciente disso, o governo central vem se esforçando para conter a redução do superávit primário, assim que este caiu quase 2% do PIB em 2013 para -0.6% em 2014. No entanto, apesar das medidas de ajuste introduzidas desde o começo deste ano, o déficit atual se mantém igual ou maior em razão da recessão. Em contraste, imaginemos o que aconteceria se o BCB se afastasse temporariamente de seu mandato anti-inflacionário e implementasse um plano baseado em três pilares: (a) suspensão imediata da venda de swaps e outros instrumentos de proteção cambial; (b) redução da taxa Selic de 14,25% para 7,25% ao ano; e (c) conversão em reservas de liquidez mínimas remuneradas à taxa inferior àquela do mercado parte do estoque de 'repos' que hoje fazem os bancos com o BCB.

    A primeira vantagem importante de tais medidas é que estas não requerem aprovação legislativa já que são decisões autônomas do BCB. A segunda vantagem importante é que permitem acabar com o problema da insustentabilidade fiscal de forma rápida e efetiva, permitindo a rápida recuperação da economia. As análises empíricas que meu colega Elijah Oliveros-Rosen e eu temos realizado mostram que, se estas medidas forem implementadas no começo do próximo ano, o déficit fiscal cairia de 9,5% a 2,5% do PIB durante o curso de dois anos, incluindo um superávit primário de 1%.

    E quanto à inflação, esta subiria temporariamente como consequência da depreciação adicional do tipo de câmbio que haveria em razão da taxa de juros e da decisão do BCB de não intervenção vendendo swaps. Mas, uma vez absorvido o efeito inicial da depreciação, a inflação começaria a diminuir, convergindo para a meta de 4,5% sempre e quando variáveis nominais como o gasto público primário e o salário médio se ajustarem menos que a inflação durante algum tempo, o que é esperado. E, o que é mais importante, a redução da inflação se tornaria sustentável a tempo, já que economia haveria começado a se expandir graças à maior competitividade externa, ao menor custo do capital e ao desaparecimento do espectro de uma dívida pública de crescimento persistente.

    Joaquín A. Cottani é economista-Chefe para a América Latina da Standard & Poor Ratings Services."

  • Analista de Bagé  04/01/2016 19:21
    E o Collor? Também não foi dos piores... Privatizou diversas empresas públicas, fechou dezenas delas e vários cabides de emprego, realizou uma certa abertura econômica do país... Pena que ele não resistiu à tentação e "meteu a mão onde não foi chamado" e teve de sair pela porta dos fundos do governo. Mas as medidas que ele tomou não foram de todo ruins.
  • Renato  05/01/2016 00:06
    www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/03/1603843-analise-desvalorizacao-do-real-ante-o-dolar-faz-parte-da-solucao-para-a-crise.shtml



    Se desvalorizar o real ainda mais, a economia volta a crescer, disseram eles.....

    Data da notícia: Março de 2015. Vai ver ainda não deu tempo de colhermos os resultados...rs

  • Kek  05/01/2016 01:24
    Não se preocupe, irão arranjar mais uma desculpa para isso.

    Marxistas e keynesianos são extremamente dialéticos.
  • anônimo  05/01/2016 18:05
    ''Sem qualquer debate com o Parlamento e a sociedade civil, o presidente argentino Mauricio Macri investiu esforços na desconstrução da regulação democrática da comunicação no país, que garantia pluralidade e diversidade na mídia.''

    www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/lei-de-meios-argentina-sofre-desmonte-autoritario-com-governo-macri


    ''Regulação democrática da comunicação''

    Ou seja, o governo decidir o que pode e o que não pode ser transmitido é a liberdade, o justo, o certo, o moral e o que garante a pluralidade; já retirar barreiras para que novos veículos de comunicação surjam é antidemocrático, autoritário, imoral e prejudicial a diversidade.

    A Carta Capital realmente é um antro de cretinos que não mereciam sequer respirar o ar que respiram.
  • Lel  07/01/2016 02:04
    kkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Impressionante mesmo. Conseguem se contradizer na mesma linha do texto.
  • Marcos  06/01/2016 22:04
    Ou então ela pode simplesmente seguir o caminho da Argentina e Venezuela e ignorar o mercado, se afundando ainda mais na lama, ao mesmo tempo em que adota medidas autoritárias para controlar o fluxo de informação e abafar as leis e as instituições. É exatamente o que ela vai fazer se sentir que pode se safar com essa. Nossa única esperança é que ela tenha medo de perder o cargo se fizer isso. E vai depender de vários fatores, como as manifestações populares, o comportamento da imprensa e a pressão da elite empresarial brasileira. Sinceramente, nem espero que melhore. Basta não piorar muito que já tá de bom tamanho
  • Cicero  10/01/2016 00:41
    Existem esquerdas e existem "esquerdas". A esquerda brasileira é aquela má intencionada, burra, que não quer enxergar e não sabe administrar. É uma esquerda que se identifica com Fidel e os sonhos comunistas. Já a "esquerda" americana é simplesmente "mais a esquerda" que os Republicanos. Ambos partidos acreditam no livre mercado, na concorrência, no trabalho e direito individuais e à propriedade; a grande diferença é que os Democratas querem gastar mais com programas sociais para ajudar os menos favorecidos. Mas lá a competição é rei; aqui o partido de plantão é rei, independente de ideologia...
  • IRCR  10/01/2016 03:21
    Leandro,


    Vc realmente acredita numa guinada "liberal" da dupla Dilma-Barbosa ??? rsss

    "Bancos públicos avaliam expansão do crédito
    Para reativar economia, BNDES, BB e Caixa podem usar quase R$ 50 bi de devolução das 'pedaladas' fiscais"



    No mais, essa medida do governo não seria inflacionista e totalmente contraria a uma politica de controle de inflação ?
  • Leandro  10/01/2016 13:05
    Aponte o trecho do artigo em que faço essa afirmação peremptória, por favor.
  • rafael portal  17/01/2016 16:56
    Eu gostaria de saber que medidas seriam importantes para tirarmos o país desta situação. Um esboço de plano de governo.
  • Auxiliar  17/01/2016 17:08
    As soluções já vêm sendo sugeridas por este site há mais de quatro anos (quando todo mundo ainda estava em clima de oba-oba). Nenhuma delas foi acatada e a situação só se degringolou. Vou citar os artigos mais recentes que me vieram à cabeça:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1984

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2155

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2184

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089
  • Luis  15/02/2016 14:38
    Eu gosto da livre concorrência, o problema é que o neoliberalismo não...

    exame.abril.com.br/economia/noticias/veja-em-um-diagrama-como-37-bancos-se-tornaram-4-em-20-anos
  • Alberto  15/02/2016 14:56
    De fato, o "neoliberalismo" -- que nada mais é do que um arranjo que defende o estado regulador e concessor de monopólios -- não gosta de livre concorrência.

    Quem gosta de livre concorrência é o libertarianismo, que é o que este site defende.

    Sobre neoliberalismo:

    Mises contra os neoliberais - as origens desse termo e seus defensores

    Sobre as reformas "neoliberais" na América Latina e por que elas fracassaram
  • Jew  15/02/2016 14:56
    Ache UM artigo nesse site elogiando o sistema bancário americano como sendo um exemplo de Livre Mercado. Apenas UM artigo.
  • Wagner   15/02/2016 15:11
    Está mais do que na hora do Instituto Mises escrever um artigo explicando detalhe por detalhe para os justiceiros sociais iluminados que o sistema bancário dos EUA, do Brasil e dos países da Zona do Euro estão à anos-luz de serem um exemplo de livre mercado.
  • Coeficiente 100%  15/02/2016 15:44
    Wagner,

    nesse link você vai encontrar nada menos que 65 artigos "explicando detalhe por detalhe para os justiceiros sociais iluminados que o sistema bancário dos EUA, do Brasil e dos países da Zona do Euro estão à anos-luz de serem um exemplo de livre mercado":


    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=20
  • Magno  15/02/2016 15:44
    Já há. Seja no Brasil, seja nos EUA, o funcionamento é absolutamente idêntico:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • PepePoA  15/02/2016 15:32
    Falou "neoliberalismo" já sei que teve a ignorância lapidada por Carta Capital, Carta Maior, Revista Forum e por ai vai!!! Único problema dessa estirpe é que eles conseguem falar e escrever.

    Como já dito por aqui, não percam tempo discutindo sobre a Matrix com aqueles que sequer foram apresentados a Morpheu!
  • Luis  15/02/2016 15:07
    Pra que procurar? A situação é simples: 37 bancos viraram 4. Vai dizer que a culpa é de quem? Do governo? O governo proibiu a criação de bancos? O governo proibiu que bancos de fora entrassem nos EUA? O governo ''obrigou'' algum banco a comprar outro branco? E ai ?
  • Professor  15/02/2016 15:43
    Vejo que você nada sabe sobre o funcionamento do sistema bancário. Bancos são estimulados pelo governo e pelo Banco Central a se fundirem, a trabalharem em cartel e, com isso, a expandirem o crédito concertadamente por meio do processo de reservas fracionárias.

    Ao mesmo tempo em que afirma estar fomentando a concorrência bancária, o Banco Central protege o sistema bancário formando um cartel bancário que impede que os bancos concorram entre si e que permite que os bancos operem reservas fracionárias sem riscos de insolvência. Para piorar o arranjo, o Banco Central garante socorrer os bancos em épocas de turbulência.

    Esse arranjo contraditório é fácil de entender.

    Os bancos operam com reservas fracionárias, o que significa que eles emprestam mais dinheiro do que o total que foi depositado neles. Falando mais popularmente, os bancos têm o poder de criar dinheiro. Esse dinheiro que os bancos criam do nada é um dinheiro eletrônico para o qual não há correspondente em papel-moeda físico. Trata-se do dinheiro que você utiliza como pagamento através de cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos.

    Na ausência de um Banco Central, esse cenário de reservas fracionárias seria arriscado: poderia ocorrer uma expansão descoordenada do crédito. Os bancos mais expansionistas — aqueles que criam e emprestam mais dinheiro — correriam o risco de perder reservas para os bancos menos expansionistas. Se o Itaú criar mais dinheiro eletrônico que o Bradesco, esses dígitos eletrônicos do Itaú inevitavelmente cairão na conta de um correntista do Bradesco. Ato contínuo, o Bradesco exigirá, no fim do dia, que o Itaú faça a compensação desse crédito, enviando-lhe a correspondente quantia em dinheiro físico (nesse caso, cédulas e moedas metálicas), fazendo com que o Itaú perca reservas.

    No extremo, caso o Itaú houvesse expandido o crédito e o Bradesco tivesse adotado uma postura conservadora, o Itaú poderia ficar sem reservas, indo à falência.

    É nesse ponto que entra o Banco Central. Por meio de suas injeções de dinheiro no mercado interbancário, ele pode "supervisionar e controlar" a expansão do crédito — ou, falando mais diretamente, ele irá harmonizar essa expansão, estimulando os bancos a criarem dinheiro concomitantemente e no mesmo ritmo.

    Se todos os bancos expandirem o crédito na mesma velocidade, então não haverá o risco de um banco ir à falência porque criou mais dinheiro que outro banco. Quando os bancos expandem o crédito simultaneamente, a quantidade de dígitos eletrônicos do banco A que vai parar na conta do banco B é praticamente a mesma que vai de B para A, de modo que, no momento da compensação, se cancelam.

    Tal arranjo permite que os bancos mantenham em suas reservas menos dinheiro do que manteriam caso não houvesse um banco central. Em outras palavras, tal arranjo aumenta a capacidade dos bancos de criar dinheiro do nada, aumentando consequentemente seus lucros. E o melhor de tudo: lucros altos e sem risco de insolvência.

    É por isso que os bancos defendem a existência do Banco Central. É o Banco Central quem forma e coordena esse cartel. Sem um Banco Central, não haveria essa expansão coordenada do crédito, pois sempre haveria o risco de um banco furar o acordo, sair do cartel, exigir a compensação dos dígitos eletrônicos e, com isso, levar os concorrentes à falência. Para que haja coordenação, os bancos precisam de um cartel. E para coordenar esse cartel, para disciplinar os bancos "rebeldes", é preciso um Banco Central.

    Um Banco Central, portanto, permite que os bancos expandam o crédito sem o risco de se tornarem insolventes, aumentando sobremaneira os lucros deste setor. E com um benefício adicional: caso haja alguma corrida bancária, ou caso algum banco se torne insolvente porque fez maus empréstimos, o Banco Central sempre poderá criar dinheiro para socorrer este banco.

    Essa garantia de proteção estimula os bancos a expandirem ainda mais o crédito, medida essa que gera os ciclos econômicos, os quais destroem capital e riqueza da economia e fazem com que, no longo prazo, a sociedade esteja menos rica do que poderia ser.

    Quaisquer dúvidas adicionais, pode perguntar.
  • Ricardo Gama  22/03/2016 00:21
    E não é que o governo de esquerda, com um Ministro da Fazenda de esquerda, anunciou hoje medidas fiscais que atacam os privilégios dos funças, suspendem contratações, congelam gastos e até mesmo colocam restrições nos gastos dos governos estaduais?

    A aprovação depende do Congresso, é verdade, mas, mais uma vez, um artigo do IMB acertou na mosca. Dificilmente um governo de direita faria isso.

    www.infomoney.com.br/mercados/noticia/4774063/conheca-novas-medidas-fiscais-anunciadas-pelo-governo
  • Fábio   22/03/2016 01:36
    Lógico que não faria, quem possui o monopólio de apoio dos sindicatos e dos grupos sociais é a esquerda.
  • Ricardo Gama  29/03/2016 16:54
    Dando continuidade ao que disse acima:

    Demissão de servidores é estudada pelo governo, afirma Nelson Barbosa

    www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/4800508/demissao-servidores-estudada-pelo-governo-afirma-nelson-barbosa
  • anônimo  30/03/2016 05:56
    Texto excelente.


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