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O Natal da estagflação


Papai Noel depois da Nova Matriz Econômica
Ontem fui a um hiper-mercado. Fazia um ano que não ia a um desses. Sou um sujeito que prefere comprar no mercadinho ao lado, no açougue e no laticínio do bairro.

Dificilmente faço compras de mês.

Algumas coisas que eu observei ontem:

1) Só quando fazemos compras grandes é que percebemos como as coisas estão caras. Alguns produtos, como papel-alumínio e papel-toalha, subiram 100% em relação ao ano passado.

2) Uma caixa de bombons daquelas azuis, que vem com o chocolate de morango, estava sendo vendida por R$ 9,09.

3) Ninguém estava com um carrinho cheio. Ano passado havia uma pancada de gente com dois, três carrinhos.

4) Comprei só o que ia utilizar na noite de Natal. Deu quase R$ 450. Dois engradados de Serra Malte deram quase R$ 80.

Eu fico imaginando quem recebe R$ 1.200.00, R$ 1.500,00, que é uma grande parcela da população; como fazem? Quais são as compras que você consegue fazer com esse salário, que tem que ser distribuído entre aluguel, gás, luz, vestuário, gasolina?

Como sempre, sem acesso aos instrumentos que o defenderá do surto inflacionário, o pobre é o mais punido por esse descontrole econômico. É um crime o que fazem com esse povo.

Eu tenho certeza de que, infelizmente, esse natal será mais magro do que o do ano passado, para milhões de brasileiros.


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SOBRE O AUTOR

Ícaro de Carvalho
trabalha na empresa O Novo Mercado, que fornece consultoria e serviços empresariais. Visite sua página no Facebook.


O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Gustavo Nobre   22/12/2015 18:47
    O nosso grande salvador, Lula, já resolveu este detalhe: na ceia de Natal arroz com ovo e ponto final.
  • Edson Da Costa  22/12/2015 18:48
    Tem os que estão na pindaíba e os que estão mais ainda na pindaíba.
  • Fabricio Alexandre  22/12/2015 18:58
    Quem ganha 1.200 ou 1500 kkk. Isto é para os fracos! Eu ganho é 1.000 reais é este meu salário e é até alto para o padrão de minha cidade Frutal-MG. E digo como faço pago 500 de aluguel. 30 de taxa minima de água, pois moro sozinho 35 de Luz porque moro sozino. e 350 para comprar comida.
  • Emanuel Areas   22/12/2015 22:26
    De fato talvez estejamos vivendo um dos natais mais pobres de espírito da década. Além da falta óbvia de grana noto que há também um profundo sentimento de desalento na população. Veja este exemplo: Moro em um condomínio de mais de 100 casas e nesta época do ano, quase todas já estariam com suas tradicionais luzes de natal. Este ano, no entanto, pode-se contar nos dedos aquelas que estão ornamentadas. Não é só falta de grana pois muitos ornamentos são reutilizados ano após ano. O que falta mesmo é ânimo. E porque estamos tão desanimados? Por falta de expectativas de viver em um pais que não nos dá motivos para ter esperança em um futuro melhor.
  • Raphael A Z  22/12/2015 22:44
    Como disse no outro post... Já houve a fecundação, agora nasce em 09 meses a Brazuela, uma nova nação onde o estado resolverá todos os nossos problemas, preços serão congelados, demissões serão proibidas(como já citado pelo site), e por aí vai.. enquanto isso nos EUA empresas desenvolvem tecnologia para enviar foguetes que vão e retornam do espaço...
  • Thiago Teixeira  23/12/2015 05:16
    Inflacao é a forma mais covarde de tributação. Esgueira-se tanto, esconde-se... É difícil de entender como acontece.

    É impossível, para um não-conhecedor da escola austríaca, entender como esse sistema monetário perverso gera tanta vulnerabilidade aos desígnios estatais.
  • Clovismr  23/12/2015 10:39
    O melhor professor é o bolso. Só haverá aprendizado qdo tudo chegar aos bolsos desses que defendem esse tipo de governo. Os mais pobres pagarão antes? Claro, é sempre assim, infelizmente. Mas quem sabe eles também aos poucos vão aprendendo. Não tem outro caminho.
  • Anderson S  23/12/2015 13:11
    Infelizmente, Clovis, nós temos um país em que é permeada uma cultura de vitimismo, sim, o brasileiro é um povo vitimista. As coisas que acontecem por essas bandas não são encaradas seriamente, o resultado é que acabarão por culpar o capitalismo/classe média e etc.

    Fosse em outro país não vitimista, até poderia ocorrer alguma mudança, um aprendizado, quem sabe... mas no Brasil, não.
  • Felix  23/12/2015 16:29
    Note-se que as embalagens de tudo tá diminuindo,
    Quando eu era criança, a caixa de bombom acho que era de 500g, há quem diga que tinha mais que isso, agora está em menos de 400g,
    a barra de chocolate já diminuiu de peso várias vezes, acho que era uns 300g, em outros países tem até bem maior que isso, e agora tem barras de até 140g,
    O saco de carvão que eu comprava era de 5kg, agora vai procurar pra ver se acha desse, a moda agora é de 3kg.


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