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As chances do impeachment diminuíram; mas também aumentaram

A chance do processo de impeachment avançar piorou com a "golpeada" dada pelo Supremo. Paradoxalmente, no entanto, a chance de a presidente cair em até 18 meses aumentou.

Um governante só pode se sustentar no poder com o apoio de uma maioria qualificada que o defenda e que contenha os ânimos da população contra as mazelas sociais, como desemprego e inflação. Esta maioria qualificada é formada pelas elites empresarial, intelectual, burocrática, midiática, religiosa, militar e outras. 

Estas elites, quando perdem poder ou recursos, especialmente em benefício da elite que toca o regime, tendem a reagir.

O apoio que a presidente tinha até o último ano do primeiro mandato era considerável. Desde então, a deterioração caminha a passos largos. Muitos dos que a apoiavam vocalmente agora estão quietos. E muitos dos que estavam quietos estão agora vocalizando sua insatisfação com as políticas do governo e com a presidente.

O processo de deterioração do apoio pelas elites não cessará pela eventual interrupção do processo de impeachment no Congresso.

Prevejo que a 'sorte' ficará contra a presidente nos próximos 18 meses. É como o que ocorre quando há uma pessoa com quem você trabalha e com a qual você não se dá. Parece que todos os dias a pessoa comete um novo erro. Os fatos conspiram contra a pessoa.

Portanto, fatos novos serão amplificados e a interpretação dada pela mídia e pelas redes sociais será usualmente a de atribuir cada vez mais culpa, corretamente, às políticas públicas dos últimos 5 anos.

O fim deste processo não é difícil de prever.


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SOBRE O AUTOR

Helio Beltrão
é o presidente do Instituto Mises Brasil.


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Pobre Paulista  18/12/2015 21:29
    Quanto otimismo, Hélio. Não se esqueça que se trata de uma terrorista que fará de tudo para ficar lá. Com ou sem impeachment.
  • Romulo  20/12/2015 18:38
    True. Penso que essa logica funciona bem para paises realmentes democráticos ou que tenha instituicoes forte. Os caso brasileiro está mais parecido com Cuba e "Coreia da Morte", onde o governo FICA cada vez mais forte com o aumento da escassez e miseria do povo. Espero que eu esteja errado
  • Fernando Cavalcanti  20/12/2015 17:59
    Infelizmente não posso concordar com a análise. O empresariado no Brasil não gosta de brigar com a caneta de Brasília. Se ficar claro que Dilma não cai, irão tentar adaptar-se à nova conjuntura.
  • Tobias  20/12/2015 18:12
    Não é difícil mas pode ser doloroso para população que paga impostos e todo esse teatro.
  • Mateus  20/12/2015 18:51
    Acho que a "sorte" está contra o Brasil nos ultimos 13 anos, infelizmente.
  • Evaldo M. Marcolini  20/12/2015 19:30
    O que?? 18 meses e tempo demais!Em qq pais mais ou menos serio ela ja teria caido ha muito tempo. Este cinismo so existe em Ditaduras nazi-comunistas. O correto seria a Camara ignorar a decisao politico-partidaria do STF. Declarar sua independencia para decidir sobre o tema, impedir a interferencia do Judiario em assuntos de sua competencia. A presidente foi eleita pelo Povo e somente o Povo atravez de seus representantes pode retirar seu mandato. O Senado nao representa o Povo, mas sim
    Os estados federados. Somente a Camara pode decretar o impeachment, conforme ocorreu no caso Collor. Nada de casuismos e de chicanas juridicas para proteger este governo corrupto que nao representa mais o Povo deste pais. Cabe a Camara defender a vontade do Povo conforme determina a Constituicao.

    ,
  • Charles  20/12/2015 20:13
    Em tese, sim. Porém, se o processo não passar, não haverá outra maneira de iniciar o Impeachment. Só se houver fato novo, um crime que ela cometa novamente, ou que seja descoberto, o que não acho que irá acontecer.
    O Nelson Barbosa irá adotar medidas que irão melhorar os dados em 2016, como aumentar impostos para diminuir o déficit, aumento do individamento, empréstimos com FMI talvez. Essas medidas só irão provocar nova e acentuada crise fiscal daqui a dois anos.
    Espero estar eu errado.
  • Eraldo Almeida  21/12/2015 02:49
    Infelizmente não tenho o mesmo otimismo do Hélio, esse desgoverno permanece sagaz, mesmo depois te tantas evidencias de corrupção em todos os sentidos possíveis e inimagináveis.
    Quando assisto ao vivo uma desmoralização de um processo político pelo STF! que ao meu ver já são cartas marcadas, quando Toffoli e Lewandowski se confrontaram tive a certeza das manobras.
    Sou brasileiro 52 anos, nos anos 80 era militar do Exército e torcia muito pela democracia plena
    da minha pátria, e lembro bem quando Tancredo Neves foi eleito Presidente do Brasil! mesmo sendo por voto indireto, o voto livre estava muito próximo.
    Para ser sucinto são 30 anos de esperança de um cidadão pelo Brasil melhor e independente de partidos e pessoas de interesses próprios, essas oligarquias criminosas que se perpetuam no nosso
    país. Conheço muitas pessoas que amam o estado, mesmo se dizendo livre, independente.
  • Batista  21/12/2015 17:01
    Helio,

    No texto diz:

    "Um governante só pode se sustentar no poder com o apoio de uma maioria qualificada que o defenda e que contenha os ânimos da população contra as mazelas sociais, como desemprego e inflação. Esta maioria qualificada é formada pelas elites empresarial, intelectual, burocrática, midiática, religiosa, militar e outras. 

    Estas elites, quando perdem poder ou recursos, especialmente em benefício da elite que toca o regime, tendem a reagir.
    "

    Em relação ao apoio ao qual você se refere, acredito que não seja prestado pelas elites acima (uma ínfima parte dela pode ate ser); mas sim, quem anda segurando a ponta são os movimentos sociais, sindicatos, imigrantes desempregados, além dos militantes disfarçados atrás de uma infinidade de profissões. E esses não tem nada de qualificado; muito pelo contrário, em nada se comparam a intelectuais.

    Observe que o governo corta tudo, tributa tudo, aumenta tudo, carteliza quase tudo, mas não mexe nos ditos "benefícios sociais", pois sabe que ali está a base de sua sustentação, ainda que já fragilizada e comprometida em virtude do contexto economico geral.

    O governo atual não quer e não irá resolver a situação econômica. Não é o objetivo. O lance é mais estado. E se o objetivo é dilatar e controlar o estado, nada mais eficiente do que causar um certo coeficiente de caos e instabilidade para reafirmar seu poder perante os súditos.

    "Prevejo que a 'sorte' ficará contra a presidente nos próximos 18 meses. É como o que ocorre quando há uma pessoa com quem você trabalha e com a qual você não se dá. Parece que todos os dias a pessoa comete um novo erro. Os fatos conspiram contra a pessoa."

    O Olavo de Carvalho, em uma podcast com o Bruno, disse algo parecido com "instabilidade economica pode derrubar governo em primeiro mundo. Mas em países totalitários, socialistas, isso apenas reafirma sua condição." O dito "quanto pior, melhor", é o ideal nesse caso.

    Dividir para controlar: já dizia Sun Tzu no seu livro "A Arte da Guerra".


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