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As chances do impeachment diminuíram; mas também aumentaram

A chance do processo de impeachment avançar piorou com a "golpeada" dada pelo Supremo. Paradoxalmente, no entanto, a chance de a presidente cair em até 18 meses aumentou.

Um governante só pode se sustentar no poder com o apoio de uma maioria qualificada que o defenda e que contenha os ânimos da população contra as mazelas sociais, como desemprego e inflação. Esta maioria qualificada é formada pelas elites empresarial, intelectual, burocrática, midiática, religiosa, militar e outras. 

Estas elites, quando perdem poder ou recursos, especialmente em benefício da elite que toca o regime, tendem a reagir.

O apoio que a presidente tinha até o último ano do primeiro mandato era considerável. Desde então, a deterioração caminha a passos largos. Muitos dos que a apoiavam vocalmente agora estão quietos. E muitos dos que estavam quietos estão agora vocalizando sua insatisfação com as políticas do governo e com a presidente.

O processo de deterioração do apoio pelas elites não cessará pela eventual interrupção do processo de impeachment no Congresso.

Prevejo que a 'sorte' ficará contra a presidente nos próximos 18 meses. É como o que ocorre quando há uma pessoa com quem você trabalha e com a qual você não se dá. Parece que todos os dias a pessoa comete um novo erro. Os fatos conspiram contra a pessoa.

Portanto, fatos novos serão amplificados e a interpretação dada pela mídia e pelas redes sociais será usualmente a de atribuir cada vez mais culpa, corretamente, às políticas públicas dos últimos 5 anos.

O fim deste processo não é difícil de prever.


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autor

Helio Beltrão
é o presidente do Instituto Mises Brasil.

  • Pobre Paulista  18/12/2015 21:29
    Quanto otimismo, Hélio. Não se esqueça que se trata de uma terrorista que fará de tudo para ficar lá. Com ou sem impeachment.
  • Romulo  20/12/2015 18:38
    True. Penso que essa logica funciona bem para paises realmentes democráticos ou que tenha instituicoes forte. Os caso brasileiro está mais parecido com Cuba e "Coreia da Morte", onde o governo FICA cada vez mais forte com o aumento da escassez e miseria do povo. Espero que eu esteja errado
  • Fernando Cavalcanti  20/12/2015 17:59
    Infelizmente não posso concordar com a análise. O empresariado no Brasil não gosta de brigar com a caneta de Brasília. Se ficar claro que Dilma não cai, irão tentar adaptar-se à nova conjuntura.
  • Tobias  20/12/2015 18:12
    Não é difícil mas pode ser doloroso para população que paga impostos e todo esse teatro.
  • Mateus  20/12/2015 18:51
    Acho que a "sorte" está contra o Brasil nos ultimos 13 anos, infelizmente.
  • Evaldo M. Marcolini  20/12/2015 19:30
    O que?? 18 meses e tempo demais!Em qq pais mais ou menos serio ela ja teria caido ha muito tempo. Este cinismo so existe em Ditaduras nazi-comunistas. O correto seria a Camara ignorar a decisao politico-partidaria do STF. Declarar sua independencia para decidir sobre o tema, impedir a interferencia do Judiario em assuntos de sua competencia. A presidente foi eleita pelo Povo e somente o Povo atravez de seus representantes pode retirar seu mandato. O Senado nao representa o Povo, mas sim
    Os estados federados. Somente a Camara pode decretar o impeachment, conforme ocorreu no caso Collor. Nada de casuismos e de chicanas juridicas para proteger este governo corrupto que nao representa mais o Povo deste pais. Cabe a Camara defender a vontade do Povo conforme determina a Constituicao.

    ,
  • Charles  20/12/2015 20:13
    Em tese, sim. Porém, se o processo não passar, não haverá outra maneira de iniciar o Impeachment. Só se houver fato novo, um crime que ela cometa novamente, ou que seja descoberto, o que não acho que irá acontecer.
    O Nelson Barbosa irá adotar medidas que irão melhorar os dados em 2016, como aumentar impostos para diminuir o déficit, aumento do individamento, empréstimos com FMI talvez. Essas medidas só irão provocar nova e acentuada crise fiscal daqui a dois anos.
    Espero estar eu errado.
  • Eraldo Almeida  21/12/2015 02:49
    Infelizmente não tenho o mesmo otimismo do Hélio, esse desgoverno permanece sagaz, mesmo depois te tantas evidencias de corrupção em todos os sentidos possíveis e inimagináveis.
    Quando assisto ao vivo uma desmoralização de um processo político pelo STF! que ao meu ver já são cartas marcadas, quando Toffoli e Lewandowski se confrontaram tive a certeza das manobras.
    Sou brasileiro 52 anos, nos anos 80 era militar do Exército e torcia muito pela democracia plena
    da minha pátria, e lembro bem quando Tancredo Neves foi eleito Presidente do Brasil! mesmo sendo por voto indireto, o voto livre estava muito próximo.
    Para ser sucinto são 30 anos de esperança de um cidadão pelo Brasil melhor e independente de partidos e pessoas de interesses próprios, essas oligarquias criminosas que se perpetuam no nosso
    país. Conheço muitas pessoas que amam o estado, mesmo se dizendo livre, independente.
  • Batista  21/12/2015 17:01
    Helio,

    No texto diz:

    "Um governante só pode se sustentar no poder com o apoio de uma maioria qualificada que o defenda e que contenha os ânimos da população contra as mazelas sociais, como desemprego e inflação. Esta maioria qualificada é formada pelas elites empresarial, intelectual, burocrática, midiática, religiosa, militar e outras. 

    Estas elites, quando perdem poder ou recursos, especialmente em benefício da elite que toca o regime, tendem a reagir.
    "

    Em relação ao apoio ao qual você se refere, acredito que não seja prestado pelas elites acima (uma ínfima parte dela pode ate ser); mas sim, quem anda segurando a ponta são os movimentos sociais, sindicatos, imigrantes desempregados, além dos militantes disfarçados atrás de uma infinidade de profissões. E esses não tem nada de qualificado; muito pelo contrário, em nada se comparam a intelectuais.

    Observe que o governo corta tudo, tributa tudo, aumenta tudo, carteliza quase tudo, mas não mexe nos ditos "benefícios sociais", pois sabe que ali está a base de sua sustentação, ainda que já fragilizada e comprometida em virtude do contexto economico geral.

    O governo atual não quer e não irá resolver a situação econômica. Não é o objetivo. O lance é mais estado. E se o objetivo é dilatar e controlar o estado, nada mais eficiente do que causar um certo coeficiente de caos e instabilidade para reafirmar seu poder perante os súditos.

    "Prevejo que a 'sorte' ficará contra a presidente nos próximos 18 meses. É como o que ocorre quando há uma pessoa com quem você trabalha e com a qual você não se dá. Parece que todos os dias a pessoa comete um novo erro. Os fatos conspiram contra a pessoa."

    O Olavo de Carvalho, em uma podcast com o Bruno, disse algo parecido com "instabilidade economica pode derrubar governo em primeiro mundo. Mas em países totalitários, socialistas, isso apenas reafirma sua condição." O dito "quanto pior, melhor", é o ideal nesse caso.

    Dividir para controlar: já dizia Sun Tzu no seu livro "A Arte da Guerra".


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