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O crash das commodities e o grande ciclo econômico do século XXI

Não param de surgir novas vítimas decorrentes do grande ciclo econômico deste século.

A Caterpillar registra incríveis 34 meses consecutivos de queda nas vendas. Isso nunca ocorreu em toda a sua história. Jamais.


 

No setor de mineração, a Anglo American, uma das maiores mineradoras do planeta, enfrenta sérios problemas e será obrigada a reduzir drasticamente suas operações. Algumas das decisões estratégicas incluem a venda de cerca de 30 ativos ao redor do globo, de um total de 55, e o corte 85.000 postos de trabalho, uma redução de mais de 60% do staff total. Suas ações despencaram mais de 70% desde o pico em janeiro de 2014.

Um exemplo emblemático da crise vivenciada pela empresa é a Minas Rio, uma mina de minério de ferro no Brasil que exigiu um investimento na ordem de US$ 14 bilhões."Minas Rio é o ápice dos erros da Anglo American", afirma um analista do setor, "Foi uma série de equívocos estratégicos, uma loucura coletiva derivada do super ciclo em que todo mundo errou".

Considerando suas receitas totais de pouco mais de US$ 30 bi, sendo apenas US$ 5 bi advindas de minério de ferro, equivocar-se em um projeto como o da Minas Rio é uma catástrofe para qualquer administração.

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O preço do minério de ferro desabou para US$ 47 a tonelada — dependendo da origem a cotação é ainda menor —, o que significa o menor valor em dez anos ou cerca de 75% de queda em relação às máximas de 2011.

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E o que dizer do petróleo? Bateu mais de US$ 140 o barril em 2008, até maio do ano passado era negociado a mais de US$ 100 e agora ronda os US$ 35.

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O colapso nos preços de diversas commodities pegou muitos de surpresa e está obrigando diversas empresas, ou até mesmo setores inteiros, a reverem seus planos de negócio visando nada menos que a sobrevivência. Um dos principais índices de commodities, o CRB, registra o nível mais baixo dos últimos 40 anos. Não são apenas o petróleo e o minério de ferro que estão em queda vertiginosa.

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Todo esse estado de coisas é fruto direto do grande ciclo de crédito engendrado pelo Federal Reserve — o Banco Central americano — nos anos 2000 que foi seguido à risca pelos principais bancos centrais do planeta, como o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão. E não podemos nos esquecer do Banco Central da China, o People's Bank of China.

A farra monetária de crédito farto e barato levou a economia mundial a um boom completamente insustentável. E, liderado principalmente pelo crescimento chinês e sua voracidade por todo o tipo de matérias-primas, os preços das commodities decolaram.

Em um ciclo econômico, são os setores mais distantes do consumo os que mais se beneficiam da expansão creditícia. E quanto mais intensa tal expansão — e quanto mais baixa a taxa de juros —, maior a quantidade de investimentos errôneos em toda a cadeia produtiva.

Como foi possível tantas mentes brilhantes se equivocarem em tal magnitude? Por que tivemos bolhas imobiliárias em tantos países quase que ao mesmo tempo? Por que uma alta tão expressiva no preço das commodities nos anos 2000?

Há diversas perguntas similares, mas a resposta para todas não difere. Os problemas econômicos mundiais têm sua origem no próprio sistema monetário vigente: o Federal Reserve e o padrão dólar, em torno do qual todas as outras moedas mundiais gravitam.

O super ciclo econômico global do século XXI é uma das grandes histórias econômicas contemporâneas. E ela ainda está longe de acabar.


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SOBRE O AUTOR

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 


O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Tiago Silva  18/12/2015 16:21
    com o início de subida de juros o castelo de cartas vai por água abaixo,vai ser uma beleza.
  • mario sergio  18/12/2015 17:59
    Boa tarde.
    Meu inglês é muito básico,mas este "artigo" está bem de acordo com vossa exposição?.
    Caminhamos para um "super crash" ou TRUMP pode dar uma freiada?.
    abraços


    pro.moneymappress.com/MMRBSSH39PPM3/PMMRR962/?iris=411690&h=true

  • mauricio barbosa  18/12/2015 18:47
    Fernando Ulrich do jeito que você escreve a dilmentira vai usar isso como slogam para o resto de seu mandato ou seja a ``culpa é da crise mundial``,quando todos(libertários) sabemos que o dever de casa ela não quer fazer:cortar gastos,desregulamentar a economia,liberar preços(leia-se preços administrados igual a energia elétrica)e salários abolindo o salario minímo e por ai vai.
  • Erick  18/12/2015 18:56
    E agora? O que vem pela frente?
    É o fim do dólar mesmo?

    Bom artigo!
  • Gabriel  18/12/2015 19:57
    Pelo histórico recente não duvido de eles ao invés de tentarem realmente resolver a questão passarem a gestar um novo ciclo.
  • Jardineiro Visionario  18/12/2015 22:02
    Ulrich, sou muito afeito aos seus textos e ao conteúdo que você publica. A sua tradução e continuação do livro de Rothbard sobre a origem do dinheiro me colocaram em outro plano de compreensão a respeito desse tema. Busquei por essa resposta durante anos (o que de fato é o dinheiro?), e o unico conceito / explicação coerentes foram as expostas no livro.

    Muito grato por isso.

    Um abraço
  • anônimo  19/12/2015 14:28
    Não compreendo muito, mas percebo que no mercado de renda variável, quase todos analistas seguem comportamento de manada. Parece que não se sentem seguros em tomar as próprias decisões e se deixam levar pelo que o "mercado" aponta, normalmente todos eles acabam forçando, de certa forma, o mercado a seguir suas previsões. Quando acerta leva todos, o problema é que quando erra também.
  • Rafael Andrade  19/12/2015 20:28
    Só o bitcoin salva :D
  • Pobre Paulista  20/12/2015 02:04
    Sim... Mas só até o governo criar o Marco Civil, lhe autoconcedendo autoridade sobre os dados trafegados, tendo assim meios de identificar e coibir o uso de criptomoedas.


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