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Os sete hábitos dos libertários altamente eficazes

O que significa ser um eficaz defensor da liberdade?  Significa amar aquilo que você faz e adotar sólidos padrões de pensamento e estilos de vida que contribuem para fazer do mundo um lugar melhor.

A solidez é essencial.  A maior parte dos atuais ataques dirigidos aos amantes da liberdade inclui a caricatura de que o libertarianismo é uma ideologia para crianças idealistas (ou talvez iludidas), e não uma para adultos.  Segundo tais críticos, é natural que você possa se sentir extasiado pelos escritos de Bastiat ou de Ayn Rand ou de Rothbard quando ainda está no ensino médio ou na faculdade; porém, prosseguem eles, tão logo você adentra o mundo real, você se torna mais maduro e abandona as ilusões de um mundo mais livre.

Já eu não acredito nisso.  Apenas dentro do âmbito da liberdade é possível descobrir o caminho para a prosperidade, para a paz social e para o desenvolvimento humano.  Cada limitação imposta à liberdade de pensamento, de ação e de propriedade impede que o mundo tenha mais criatividade, mais riqueza e mais progresso.

E, ainda assim, não há nenhuma garantia de liberdade em um mundo em que várias formas de despotismo estão continuamente surgindo.  A liberdade tem de ser reconquistada a cada geração.  Com efeito, são justamente aqueles que gostam de se arvorar como "adultos maduros" — capazes de tomar decisões em nome do resto da humanidade — que se transformam nos déspotas da próxima geração.  Faz parte da própria fundação da maturidade moral e intelectual resistir a esse nível de orgulho arrogante e reconhecer as nossas limitações.

A maturidade nos mostra os limites do poder.  E a causa da liberdade vale nossos esforços constantes e vitalícios.

No entanto, há uma plausibilidade, ainda que superficial, nas alegações dos críticos: há uma tendência, entre os libertários, de abrir mão da esperança.  Eu mesmo já conheci vários que perderam seu entusiasmo pela liberdade por várias razões, nenhuma delas de cunho estritamente intelectual.  As pessoas tendem a se sentir desestimuladas ao descobrirem quão pouco elas podem fazer para mudar o mundo.  A distância entre sonhos e realidade cresce muito e se torna insuportável.  O idealismo desaparece quando você sente que está batendo sua cabeça contra a parede.

O que pode ser feito para manter a paixão pela liberdade ao longo de uma vida?  Eis as minhas sugestões de sete hábitos para fomentar um apego vitalício à liberdade e para viver uma vida que faça a melhor contribuição possível para o bem-estar humano.

1. Oponha-se à opressão, mas ame a liberdade ainda mais

A alvorada da consciência libertária normalmente ocorre em duas etapas.

Primeiro, você percebe que há uma entidade chamada 'estado', que essa entidade é distinta da sociedade como um todo, e que as ciências sociais (para não falar da mídia convencional) tentam esconder esse fato.

Segundo, há a nova percepção de que o estado é distinto de todas as outras instituições da sociedade, pois ele utiliza de força agressiva para alcançar seus objetivos.  No que mais, o estado não entrega os objetivos que promete.  Ao contrário, ele viola direitos, solapa as bases da economia, cria dependência, e serve a uma elite política e empresarial em vez de ao povo.

Neste ponto da sua jornada intelectual, você percebe que as alternativas convencionais — divididas entre esquerda e direita — deixam muito a desejar; nenhuma delas representa uma oposição íntegra (baseada em princípios) e consistente ao poder do estado.

Uma nova consciência nasce.  Ela pode levar a uma ira virtuosa e moralmente correta.  Pela primeira vez, você percebe a diferença entre como o mundo é (percepção esta que pode parecer sombria e deprimente) e como ele poderia ser.  Ato contínuo, pode ser tentador concentrar-se no lado negativo: a corrupção, o roubo do dinheiro do povo, o abuso de poder, a espoliação das pessoas produtivas, os subornos, o enriquecimento ilícito, a violência policial contra inocentes, as guerras etc.

Essa ira explica por que todas as notícias postadas por grupos de discussão na Internet formados por libertários quase sempre consistem de péssimas notícias. 

Mas qual o volume de notícias ruins uma pessoa consegue aguentar?  Não temos meios com os quais diretamente corrigir as injustiças e mudar o mundo para melhor em uma só tacada.  Sem uma mentalidade forte, ver malefícios que não podemos mudar pode levar ao desespero: uma armadilha na qual vários libertários caem.

É crucial não apenas pensar no problema, mas também ver as soluções sendo experimentadas ao nosso redor.  Temos de aprender a observar todos os maravilhosos empreendimentos que são iniciados diariamente e que se revelam bem-sucedidos; a apreciar toda a beleza envolvida nas espontâneas e voluntárias interações humanas; a ordem e a prosperidade que emergem do simples exercício da escolha humana. 

Devemos nos emocionar com as várias maneiras como as pessoas vivem suas vidas, informalmente desafiando o poder centralizado.  Podemos prestar respeito e deferência a todas as criações à nossa volta que não foram planejadas ou aprovadas por políticos — ou pelos burocratas que trabalham sob suas ordens.

Em outras palavras, concentrar-se nas soluções em vez de exclusivamente nos problemas é uma atitude que pode iluminar o seu dia e gerar criatividade a serviço do bem. 

A liberdade não é apenas a ausência de opressão; é a existência de vidas bem vividas e de instituições que surgem apesar de todas as tentativas de se impedi-las.  Nesse sentido, a liberdade está vicejando ao redor do mundo.  Se pudermos nos concentrar em fazer esta mudança positiva, em vez de perder tempo com o que há de errado no mundo, nossa tarefa se torna mais prazerosa, e a dedicação à liberdade se torna mais sólida e duradoura.

2. Leia muito e seja confiante em suas idéias

Debates políticos podem ser divertidos, mas eles também podem ser estridentes e improdutivos, com os dois lados brigando e não alcançando nenhum progresso intelectual.  Eles geram mais calor do que luz. 

Se você quer mudar esse padrão, você tem de ter a confiança de ouvir com cuidado e atenção as outras idéias, sem se sentir ameaçado por elas.  Com confiança intelectual, você pode responder de uma maneira segura e bem-fundamentada, em vez de beligerante.  Você pode ser ponderado e refletido, em vez de apenas agressivo e reativo.

Pense na diferença entre a maneira como um assaltante de rua se comporta e como um especialista em artes marciais se porta durante um combate.  Um é furioso, colérico, ameaçador e impulsivo.  O outro é calmo, inteligente, espirituoso e eficaz.  Em um combate mano a mano entre os dois, o segundo irá ganhar.  Por quê?  Porque o especialista em artes marciais possui habilidades genuínas, ao passo que o valentão tem apenas ar desafiador e emoção. 

Libertários deveriam ser como o habilidoso lutador e exibir a confiança gerada pela disciplina.  No entanto, tornar-se um faixa-preta na liberdade leva tempo e aprendizado; não é algo que acontece da noite para o dia.

Temos também de conhecer os argumentos dos nossos oponentes melhor do que eles próprios, e estarmos preparados para responder a eles de maneira justa e honesta, sem caricaturas, moldando nossos argumentos de uma maneira que sejam realmente persuasivos em vez de apenas estridentes.  Isso requer que dediquemos muito tempo à leitura e ao estudo de outras escolas de pensamento.  Nossa biblioteca tem de ser ampla e conter amostras de todas as disciplinas e pontos de vista.

Jamais devemos nos isolar de idéias que sejam diferentes das nossas.  Algumas vezes, nossos oponentes intelectuais — mesmo que estejam completamente errados — são nossos mais valiosos benfeitores.  Eles nos ajudam a pensar melhor em como refinar nossos argumentos, a afiar nossas habilidades, e nos inspiram a pesquisar mais e a ler mais.  É assim que as pessoas se aprimoram.  Ato contínuo, podemos fazer debates sem medo.

Essa abordagem irá nos tornar mais eficazes ao longo do tempo.  Fanfarronice e abordagens agressivas e bombásticas podem calar oponentes, mas será que conquistam corações e mentes?  Provavelmente não.  Como enfatizou Ludwig von Mises em seu excelente livro Liberalismo, de 1927, a razão, os bons argumentos e o poder da reflexão — combinados com um genuíno desejo de um mundo melhor — são os itens que nos farão triunfar.

Não queremos bloquear nossos oponentes, fazendo com que eles se refugiem em seu confortável e familiar modo de pensamento.  Agindo assim, é impossível vencer a batalha das idéias.  Queremos que nossos oponentes continuamente interajam conosco; que façam perguntas a nosso respeito; que continuem desafiando nossas idéias enquanto nós os confrontamos.  Queremos que eles continuem dialogando conosco e com outros.  O contínuo debate é um sinal de curiosidade e abertura que devemos saudar e receber com prazer.

3. Olhe para além da política

Para a maioria dos libertários, a política é a primeira atração.  Não há nada de errado com isso.  É típico de nossa cultura pensar que são necessárias campanhas políticas para fazer com que as pessoas fiquem interessadas em grandes questões como o papel da liberdade humana, a função do estado, a guerra às drogas etc.

No entanto, não são necessárias mais do que duas campanhas para que as pessoas percebam que a política não representa uma maneira muito eficaz de mudar o mundo para melhor.  Nossos votos não afetam praticamente nada.  Quase sempre estamos votando em pessoas, e não em idéias ou políticas.  E as pessoas dentro da política tendem a trair princípios.  Se depositarmos muita fé em políticos — os quais, na melhor das hipóteses, estarão confrontando um sistema muito maior do que podem controlar — iremos inevitavelmente nos sentir frustrados e impotentes.  No que mais, não há coisa mais nojenta no planeta.  Calúnias, fraudes e enganações definem o mundo político.

Trabalhar em campanhas políticas é válido se é desse tipo de coisa que você gosta.  Algumas pessoas realmente gostam de se envolver nisso.  Mas sejamos realistas: a política é majoritariamente uma ilusão.  A política tende a ser um indicador atrasado, em vez de prematuro, das mudanças sociais.  Os primeiros passos de uma mudança são culturais, e não políticos.  A política é reativa, e não proativa.  Se formos capazes de contribuir para alterar mentes e estimular uma cultura pró-liberdade, todo o resto ocorrerá espontaneamente, principalmente na política.

Há várias outras maneiras de se fazer a diferença fora da política.  Pense em como os aplicativos de smartphones estão desafiando o status quo em praticamente todas as áreas comerciais.  Os monopólios municipais dos táxis estão atordoados pela concorrência trazida por aplicativos de carona. A tecnologia P2P (peer-to-peer) está revolucionando a hotelaria caseira, gerando uma inesperada concorrência para os hotéis e ignorando regulações como as leis de zoneamento.  As criptomoedas estão desafiando o dinheiro estatal e os antiquados sistemas de pagamento.  O homeschooling e a educação via internet estão tornando irrelevante o sistema educacional estatal.  Esses esforços já alcançaram mais do que qualquer reforma feita de cima para baixo por meios políticos.

Com efeito, toda e qualquer start-up representa uma espécie de ato revolucionário contra o status quo, ato esse que as regulações e as espoliações governamentais sempre conspiraram para impedir.  A existência de start-ups é a prova de que é impossível abolir a criatividade humana por meio de qualquer tipo de controle.  No futuro, iremos olhar para trás e reconhecer como as start-ups tiveram uma contribuição muito mais poderosa para a liberdade do que todas as campanhas políticas em conjunto. 

Libertários há muito já entenderam que soluções locais — de baixo para cima — para os problemas sociais funcionam muito melhor do que abordagens de cima para baixo.  O mesmo vale para a construção de uma sociedade livre.

4. Veja todas as pessoas como amigas ideológicas

Você conhece alguém que realmente se oponha à liberdade humana?  Eu não.  O que acontece é que todos nós tempos diferentes maneiras de entender essa ideia e diferentes graus de tolerância para aplicações inconsistentes.  Devemos ver todos como aliados em potencial para a causa maior, independentemente de gênero, raça, religião, idade ou classe social.

A atual política democrática divide as pessoas de acordo com suas afiliações a grupos de interesse.  De acordo com o espírito dominante, as mulheres têm de preferir um determinado arranjo de políticas e homens, outro.  Os negros querem as coisas de um jeito e os brancos, de outro (e as outras etnias têm um arranjo próprio cada).  Jovens e idosos são rivais, assim como ricos e pobres, gays e heterossexuais.  Dessa maneira, como Frédéric Bastiat nunca se cansou de mostrar, a política divide as pessoas, criando uma guerra de todos contra todos.

Mas os liberais clássicos sempre enfatizaram que a liberdade significa uma harmonia de interesses entre todos os grupos.  Somente genuínos liberais defendem o bem comum de todos, pois eles querem abolir o grande gerador de animosidade e divisão da sociedade.  Eles defendem que todos os grupos e todos os indivíduos sejam livres para se associar, transacionar, produzir e cooperar visando a um aprimoramento mútuo.  A sociedade pode se gerenciar a si própria muito mais efetivamente do que jamais poderia qualquer planejador central.

Entender isso hoje, nessa época de guerra fria entre grupos de pessoas, exige um pensamento imbuído de altos princípios morais.  Com frequência, exige reconhecer que há algum sentido nas reclamações de determinados "grupos vitimistas" e então chamar a atenção para como foi justamente o estado quem criou o problema relatado.  Isso está ligado a uma grande variedade de fenômenos da sociedade, do desemprego ao racismo institucionalizado, da miséria extrema à exploração.  Não é que todos nós temos objetivos diferentes; nós apenas discordamos dos meios que devem ser utilizados para se alcançar estes objetivos.

Sempre comece todas as discussões partindo do princípio de que a outra pessoa é um potencial amante da liberdade.  Quando tal pessoa disser algo correto e verdadeiro, agarre-se a isso e expanda o raciocínio libertário sobre o que ela disse.  Não se sinta desestimulado caso não a converta imediatamente.  Como ocorre em todas as trocas de idéias, o objetivo deve ser o de plantar as sementes, e não o de colher a plantação.  É por meio de esforços sutis, porém persistentes, que ganharemos mais corações e mentes para a causa da liberdade.

5. Não presuma ter todas as respostas

É típico dos não-libertários exigir respostas completas e detalhadas sobre todos os problemas humanos que hoje são remediados por meios estatistas.  Quem irá cuidar dos pobres?  Como funcionará a educação?  Como as pessoas terão acesso a serviços de saúde?  Quem resolverá o racismo, a misoginia e a intolerância religiosa?  Acima de tudo, quem construirá as estradas? (Ignorando que todas as estradas são hoje construídas por empresas privadas contratadas pelo estado).

É tentador se aventurar a oferecer respostas completas.  E a história, com efeito, pode oferecer fatos, indícios e sugestões sobre como tais coisas provavelmente seriam.  É válido chamar a atenção para a maneira como as intervenções governamentais deslocaram e expulsaram toda uma gama de indústrias privadas: escolas, estradas, caridade, tribunais, organismos de certificação etc. 

No entanto, é essencial resistirmos à tentação de construir uma espécie de "planejamento central libertário".  Se mordermos a isca, estaremos preparando uma armadilha para nós mesmos.  

Não temos todas as respostas.  Em um ambiente de liberdade, descobrimos as respostas por meio de um contínuo processo de tentativa e erro.  Uma sociedade aberta existe para permitir o máximo espaço possível para a inovação e a descoberta.

F.A. Hayek estava em correto em seu extraordinário ensaio "O argumento em prol da liberdade":

Não poderemos alcançar as metas [da liberdade] se limitarmos o uso da liberdade às circunstâncias especiais nas quais sabemos que será benéfica. Não é liberdade aquela concedida somente quando seus efeitos benéficos são conhecidos de antemão. Se soubéssemos de que forma a liberdade seria usada, não teríamos necessidade de justificá-la.

Nunca conseguiremos os benefícios da liberdade, nunca alcançaremos os avanços imprevisíveis que ela possibilita, se ela não for também concedida nos casos em que sua utilização parecer indesejável.

Portanto, não se pode alegar como argumento contra a liberdade individual que as pessoas frequentemente abusam dessa liberdade. Liberdade significa, necessariamente, que cada um acabará agindo de uma forma que poderá desagradar aos outros.

Nossa fé na liberdade não se baseia nos resultados previsíveis em determinadas circunstâncias, mas na convicção de que ela acabará liberando mais forças para o bem do que para o mal.

[...]

É justamente porque não sabemos como os indivíduos a usarão, que a liberdade é tão importante.

Como Leonard Read costumava dizer, a característica singular e mais importante da liberdade é a sua humildade.  Ela se submete aos resultados da ação humana; ela não tenta moldar os resultados antecipadamente.

A liberdade não significa um governo de libertários sagazes que se julgam mais espertos e oniscientes do que todos os outros indivíduos.  A liberdade significa a abolição de fontes institucionalizadas de poder, as quais governam com a arrogante presunção de que há apenas uma maneira de gerenciar a sociedade, e que a sociedade pode e deve ser gerenciada.

Não há nada de errado em responder aos críticos da liberdade que "Eu não sei todas as respostas.  E advinha só?  Os políticos e burocratas também não.  E é por isso que eles não estão em posição de impor suas idéias sobre todos nós. Precisamos de liberdade — e precisamos da liberdade — para resolver os problemas sociais por nossa própria conta.  Se você vê um desafio a ser superado, então é garantido que as outras pessoas também vêem o mesmo problema.  Trabalhemos juntos para encontrar uma resposta.  A liberdade é uma condição necessária para se encontrar as melhores soluções."

6. Mexa sua vida

Tão logo você se der conta de que estamos vivendo sob um esquema de planejamento central para a sua vida e sua propriedade, você já pode começar a se tornar mais criativo a respeito de encontrar alternativas.  Você pode utilizar as tecnologias para descobrir uma nova abordagem para a educação.  Você pode descobrir melhores caminhos para o sucesso pessoal.  Você pode gerenciar melhor suas finanças sem mais cair nas armadilhas do endividamento gerado pelas políticas de expansão de crédito estimuladas pelo governo.  Você pode adulterar seus aparelhos domésticos — como retirar o constritor de vazão de água do chuveiro — com o intuito de fazê-los funcionar melhor do que o permitido pelas regulamentações.

A maneira como os grupos de interesse lobistas atuaram para aumentar o poder do governo foi encontrando novas maneiras de impor seus princípios à vida pública.  Os ambientalistas se tornaram mestres nessa abordagem.  Eles conseguiram construir toda uma liturgia para nossas vidas, na qual temos de reciclar, andar de bicicleta, separar o lixo, tomar banhos curtos e coisas afins — pouco importa que tais coisas não façam nada pelo meio ambiente.  O objetivo é personalizar a questão política (que é o oposto do princípio da esquerda de politizar o pessoal).

Nós libertários podemos humanizar a questão política descobrindo novas maneiras de driblar o planejamento central.  Estas medidas são imensamente importantes porque tornam a liberdade algo real em nossas vidas.  Não é apenas uma abstração o que temos em nossas mentes; uma vaga esperança de algum mundo que pode ou não existir no futuro.  As oportunidades de viver em liberdade estão totalmente à nossa volta.  Precisamos apenas de olhos para enxergá-la e coragem para agir.

Antes de Ayn Rand escrever A Revolta de Atlas, ela sabia que não bastava apenas escrever um romance sobre uma ordem social em decadência por causa da mão de ferro de um governo corrupto.  Ela precisava de personagens que se sentiam compelidos a, e com autonomia para, fazer algo a respeito.  Ela acabou criando uma estória épica sobre toda uma geração de empreendedores que se mudam em definitivo para o vale de "Galt's Gulch" para construir ali um mundo melhor.  O plano de ação dessas personagens, como apresentado no livro, vem influenciando libertários por meio século.

Não, isso não significa que nós libertários temos de fazer o mesmo.  Significa apenas que temos de buscar maneiras de viver e de inovar sem a permissão da classe dominante, abraçando a liberdade gostem nossos senhores ou não.

7. Seja alegre

Partidarismo e facciosismo são grandes assassinos da alegria.  Há sempre a tentação de nos cercarmos apenas de pessoas que compartilhem da nossa mesma opinião, e então procurar as diferenças que há entre elas e nós (por menores que sejam) para então discutirmos tempestuosamente.  Quando os debates são civis e equilibrados, eles podem levar a um grande crescimento intelectual.  Já quando eles se tornam pessoais e levam a alegações do tipo "fulano não é um verdadeiro libertário", eles podem destruir longas amizades e gerar ressentimentos generalizados.

Ninguém ganha com essas brigas aflitivas.  Elas fazem com que as pessoas percam o foco no objetivo principal, que é a ascensão da liberdade e a remoção de todos os obstáculos que estão no caminho.

As mídias sociais são uma coisa fabulosa, mas em algumas ocasiões a tecnologia pode exacerbar controvérsias e gerar rixas em vez de construir uma verdadeira comunidade.  Lembre-se de que são necessários ao menos dois para que haja uma briga, e você sempre pode se recusar a entrar numa discussão inútil.  Isso exige disciplina e humildade, mas preserva relacionamentos e amizades.  Para o nosso próprio bem-estar, temos de ter o foco na construção de uma comunidade de idéias, e não em expurgos baseados na falsa esperança de purificar o movimento.

Há algo de seriamente errado se o despertar da consciência libertária levar a postura melancólica e sombria em relação ao mundo e a como ele funciona.  Deveria ser fácil adotar uma visão jubilosa do mundo, especialmente nessa época em que vivemos.

Estamos testemunhando o fracasso de todas as medidas estatistas inventadas no século XX em todas as áreas da nossa vida.  Todos os planos fiscais, monetários e regulatórios dos estatistas fracassaram estrondosamente.  Seus programas estão retrocedendo.  Os governos e seus líderes nunca foram tão impopulares.  O comércio, diariamente, dá um baile nos esquemas dessa gente.

Tudo isso deveria ser motivo de júbilo para nós.  Libertários estão do lado certo da história.  Nós celebramos os direitos dos humanos e os defendemos contra todos aqueles que querem aboli-los em prol de um poder centralizado.  Essa é uma atividade jubilosa, uma que acrescenta ainda mais importância e significado às nossas vidas.

Murray Rothbard costumava dizer que batalhar contra o estado deveria ser uma ocupação prazerosa.  No final, a tirania simplesmente não pode funcionar.  Há algo de simplesmente espetacular em perceber isso e em ver como tudo isso se desenrola no mundo real.  Ter esse júbilo e prazer era algo natural para Rothbard, pois era parte de sua personalidade.  Para o resto de nós, leva algum tempo e exige alguma prática.

Deveríamos sorrir ao constatarmos os inevitáveis fracassos do estado, sentirmo-nos felizes em relação a toda a liberdade que está à nossa volta, e buscarmos conforto na esperança por um futuro de liberdade que pode ser realizável — parcialmente por meio de nossos próprios esforços.

Avante!

Lembremo-nos de que, quando falamos sobre a liberdade humana, estamos falando sobre tudo aquilo que torna a própria vida em si bonita.  Trata-se de um assunto infindável.  Há vários caminhos para as idéias da liberdade e várias maneiras de viver essas idéias.  A liberdade é uma verdade bela, uma que vale o comprometimento de toda uma vida.  Para torná-la eficaz, jamais devemos nos esquecer de que a liberdade é a nossa vida real, e não meramente uma abstração intelectual.

Imagine um pequeno grupo de pessoas saindo pelo mundo armadas com estes sete hábitos.  Rapidamente, esse otimismo contagioso ajudará a aumentar o grupo, à medida que cada vez mais pessoas vão sendo atraídas para essa luz.  Aqueles que duvidam, criticam e anseiam por poder serão vistos não como progressistas e visionários, mas sim como antiquados presos a hábitos e métodos antigos que não funcionam.  E a rede de genuínos visionários provará seu valor, um experimento de cada vez.  Os cidadãos comuns irão recorrer não a políticos, lobistas e especialistas pagos, mas sim a empreendedores, a nerds da informática e a voluntários — em suma, àqueles que têm a visão de um futuro belo. 

É com isso que a liberdade se parece.  E é assim que você muda o mundo com ela.


3 votos


  • FellipeBC  13/11/2015 13:32
    Bom dia, primeiramente, bom artigo.
    Agora meio que off topic.
    Estava debatendo com uma pessoa sobre a maleficência do estado, e chegamos em um tópico, o "avanço tecnológico" causado pelas guerras, incluindo a primeira e a segunda guerras mundiais, e ao mesmo tempo pensei, mas não como parte do debate, nas tecnologias que são provenientes da NASA e daqueles laboratórios militares estatais americanos, acredito que mesmo que produzam algum avanço tecnológico esse custo é extremamente alto, além de ser proveniente do roubo.
    Acredito que grande parte desses avanços que as pessoas advogam vir da guerra na realidade já estavam sendo desenvolvidas, só tiveram seu uso ampliado, mas me faltam informações técnicas e mais detalhadas sobre esses tópicos, alguém poderia me recomendar algum artigo ou alguma outra fonte de informações, até mesmo explicar nesse tópico caso possua um bom conhecimento nessa área.
    Grato
    Desculpe caso meu texto tenha ficado meio confuso.
  • Juan Domingues  13/11/2015 14:31
    Não há sequer sentido em iniciar uma discussão "o Estado é necessário para a evolução tecnológica" pois a premissa já é falsa. O fato de o Estado ter participado em algumas tecnologias não permite deduzir que sem ele elas não existiriam. Aliás, o Estado ter participação na criação de uma série de tecnologias não impressiona visto que ele consome entre 30 e 70% de tudo que a economia produz dependendo do país. Logo é muito difícil que uma pata estatal não esteja envolvida, direta ou indiretamente, principalmente em tecnologias de larga escala ou em áreas de interesse militar (informática, engenharia, saúde em menor grau).
  • André Luis Passos  13/11/2015 15:19
    É como imaginar um estuprador carinhoso. Não importa o fim, o meio comprometeu tudo!
  • Anônimo  13/11/2015 15:56
    Genial analogia, André!

    Jeffrey Tucker é sempre inspirador, parabéns novamente ao IMB pelo trabalho.
  • FellipeBC  13/11/2015 17:52
    Acho que me expressei mal, realmente não faz sentido dizer que o governo é necessário para algum avanço tecnológico, na verdade o governo não tem utilidade real nenhuma, além de alimentar parasitas claro. Minha dúvida é mais relativa as guerras e os avanços tecnológicos que as pessoas referem ser consequências dessas, aprendemos isso na escola e vejo diversos documentários que salientam isso, que tal tecnologia foi criada na segunda guerra, e que as guerras funcionam como catalisadores pra evolução tecnológica, queria dados ou uma melhor refutação desses argumentos, que mostrasse o Real custo dessa evolução e de que ela já estava ocorrendo e muito bem apesar das guerras, desculpe novamente se não consegui me expressar bem.
    P.s.: obrigado pelas referências, já li alguns dos artigos sugeridos e vou ver o livro indicado, grato
  • Taxidermista  13/11/2015 18:12
    Prezado FellipeBC:

    Experimenta o Capítulo 8 do livro do Kel Kelly, "The Case for Legalizing Capitalism":


    www.amazon.com/Case-Legalizing-Capitalism-LvMI-ebook/dp/B004UBG21Q/ref=tmm_kin_swatch_0?_encoding=UTF8&qid=1447438308&sr=1-1


    Abço.
  • Taxidermista  13/11/2015 15:59
    Esses dois artigos do site são pertinentes à sua questão:


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1726


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1754


    Abço.
  • Taxidermista  13/11/2015 16:01
    E mais esses dois:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=603

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1375

    Abço.
  • anônimo  13/11/2015 16:43
    Esse pequeno livro do Rothbard pode te ajudar: Science, Technology, and Government.

    Link: https://mises.org/library/science-technology-and-government-0
  • TOBIAS  13/11/2015 17:18
    NA minha visão, a ausencia de guerras patrocinadas pelo estado com dinheiro extorquido da população, resultaria em outras tecnologias voltadas para melhoria da vida das pessoas e não para destruição em massa. Os recursos humanos e físicos seriam redirecionados para areas de real interesse da população.
  • tobias  13/11/2015 17:26
    Gostei muito do texto, dicas realmente pertinentes e úteis, principalmente por salientar o lado positivo e enriquecedor da liberdade.
    Só não concordo com um ponto no inicio do texto. Para mim ideologia de criança idealista é o socialismo, acreditar no bem comum e "igualdade" sem buscar argumentos e fatos que justifiquem a s'ideias'. O liberalismo além de ser o unico arranjo moral aceitavel, é uma corrente de pensamento muito mais madura, que apura fatos, causas e consequencias e argumento racionais.
  • Taxidermista  13/11/2015 17:52
    Tobias:

    Você disse: "Só não concordo com um ponto no inicio do texto. Para mim ideologia de criança idealista é o socialismo"

    Mas meu caro, o autor do texto disse que são os críticos do libertarianismo que costumam equiparar os libertários a "crianças idealistas"; veja:

    "A maior parte dos atuais ataques dirigidos aos amantes da liberdade inclui a caricatura de que o libertarianismo é uma ideologia para crianças idealistas (ou talvez iludidas), e não uma para adultos."

    Ou seja, os libertários entendem que são os estatistas que NÃO se comportam como adultos:

    confira:

    "O paradoxo libertário - aquilo que qualquer criança entende, menos alguns adultos":

    mises.org.br/Article.aspx?id=1659

    "Ser adulto significa resistir ao impulso estatizante":

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1988
  • Rodrigo Pereira Herrmann  13/11/2015 14:20
    "A liberdade significa a abolição de fontes institucionalizadas de poder"

    a mesma bobice de sempre em acreditar num arranjo social sem quaisquer instituições de poder. Onde isso ocorreu em qualquer tempo?!

    a visão deturpada sobre política também se repete.
    A política é indissociável do ser humano. Onde há grupos de pessoas coexistindo e interagindo, há política. Sempre. E política é disputa de poder e espaço e ascendência, exercitada por pessoas.


    Isso de sonhar com um mundo ideal que se realizará quando todos tivermos as ideias certas e não houver opressão ou poderes políticos constituídos é uma espécie de gnose, nos mesmos moldes das ideologias revolucionárias contemporâneas.
  • Um observador  13/11/2015 19:19
    Rodrigo,

    "a mesma bobice de sempre em acreditar num arranjo social sem quaisquer instituições de poder. Onde isso ocorreu em qualquer tempo?!"

    R: Na relação entre os países do mundo. Não existe um governo global. E note que a ausência de "fontes institucionalizadas de poder" NÃO É a mesma coisa que ausência de "fontes de poder".

    "a visão deturpada sobre política também se repete.
    A política é indissociável do ser humano. Onde há grupos de pessoas coexistindo e interagindo, há política. Sempre. E política é disputa de poder e espaço e ascendência, exercitada por pessoas."


    R: Creio que quando o autor falou em "política" no texto, ele estava se referindo aos sistemas democráticos de forma geral (já que ele falou em campanhas, votos, etc).
    Não acho que ele estivesse falando "política" no sentido de interação entre as pessoas (pois isto, como você bem colocou, obviamente não deixará de existir). Então este seu comentário não é aplicável ao contexto.

    "Isso de sonhar com um mundo ideal que se realizará quando todos tivermos as ideias certas e não houver opressão ou poderes políticos constituídos é uma espécie de gnose, nos mesmos moldes das ideologias revolucionárias contemporâneas."

    R: Talvez, mas e daí? Cada passo que for dado em direção a este "mundo ideal" já tornará nossas vidas melhores. Não é necessário que todos tenham as ideias certas. Basta que muitas as tenham.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  13/11/2015 20:48
    "Na relação entre os países do mundo. Não existe um governo global. E note que a ausência de "fontes institucionalizadas de poder" NÃO É a mesma coisa que ausência de "fontes de poder".
    "

    nós não vivemos num plano abstrato de relações entre países, mas sim nos próprios, nas sociedades propriamente ditas, onde a presença de instituições de poder existe desde sempre.

    "Creio que quando o autor falou em "política" no texto, ele estava se referindo aos sistemas democráticos de forma geral (já que ele falou em campanhas, votos, etc).
    Não acho que ele estivesse falando "política" no sentido de interação entre as pessoas (pois isto, como você bem colocou, obviamente não deixará de existir). Então este seu comentário não é aplicável ao contexto.
    "

    sim, aplica-se. releia lá. eu não falei isso. falei que sociedades tratam da questão da autoridade e do poder por meio das organizações associativas privadas e pelo estabelecimento de certas instituições formais. se você quiser, posso dizer, reescrevendo, que sempre haverá exteriorização do poder nas diversas formas de governo, e que o governo se exerce por instituições encabeçadas por pessoas (ou, em formas muito primitivas, por pessoas singulares que impõem uma lei geral pelo consentimento ou pela força).

    "Talvez, mas e daí? Cada passo que for dado em direção a este "mundo ideal" já tornará nossas vidas melhores. Não é necessário que todos tenham as ideias certas. Basta que muitas as tenham."

    o problema da gnose é ela configurar uma leitura distorcida da realidade que enseja um plano de reforma social utópico (onde o ideal será hipostasiado num futuro distante que nunca chegará, claro). e sabemos como isso acaba.
  • legdf  15/11/2015 01:22
    Um observador disse:
    "R: Na relação entre os países do mundo. Não existe um governo global. E note que a ausência de "fontes institucionalizadas de poder" NÃO É a mesma coisa que ausência de "fontes de poder"."

    Se o arranjo permite uma fonte de poder, nada pode garantir que essa fonte de poder não se institucionalize. Se a fonte de poder ainda não se institucionalizou, ou ela perderá o poder para outro ou ela mesma se tornará a fonte de poder institucionalizada.
  • Um observador  16/11/2015 12:32
    legdf

    "Se o arranjo permite uma fonte de poder, nada pode garantir que essa fonte de poder não se institucionalize."

    Verdade.

    Mas isso não invalida a afirmação de que "fontes institucionalizadas de poder" NÃO SÃO a mesma coisa "fontes de poder"."
  • Taxidermista  13/11/2015 19:48
    Rodrigo:

    A expressão "fontes institucionalizadas de poder" está colocado no texto no sentido de "fontes de poder que praticam coerção/violência institucionalizada".

    Aí você pergunta: "Onde isso [ausência de tais 'fontes'] ocorreu em qualquer tempo?!"

    A resposta você encontra nos seguintes livros:

    - Private Governance: Creating Order in Economic and Social Life, Edward P. Stringham (www.amazon.com/Private-Governance-Creating-Economic-Social/dp/0199365164)

    - Anarchy Unbound, Peter T. Leeson (www.amazon.com/Anarchy-Unbound-Self-Governance-Cambridge-Economics/dp/1107629705/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1447443611&sr=1-1&keywords=anarchy+unbound)

    - Order without Law, Robert Ellickson (www.amazon.com/Order-without-Law-Neighbors-Disputes/dp/0674641698/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1447443651&sr=1-1&keywords=order+without+law)

    - The Enterprise of Law: Justice Without the State, Bruce Benson (www.amazon.com/Enterprise-Law-Justice-Without-State/dp/1598130447/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1447443686&sr=1-1&keywords=enterprise+of+law)


    Você ainda diz: "A política é indissociável do ser humano. Onde há grupos de pessoas coexistindo e interagindo, há política. Sempre. E política é disputa de poder e espaço e ascendência, exercitada por pessoas."

    Essa sua definição de política abarca simplesmente tudo. E quando uma definição abarca tudo, ela não é definição de nada.
    O autor do texto claramente faz referência aos regimes políticos estatais (com eleições, partidos, etc), notadamente à social-democracia que domina os estados ocidentais contemporâneos.

    De resto, a sua última colocação a respeito de "sonhar com mundo ideal" foi o tópico desse ensaio do Stephan Kinsella: www.mises.org.br/Article.aspx?id=215

    Abço.





  • legdf  13/11/2015 20:31
    Com a atual crise das instituições em que o Brasil está passando e com a indignação de quase toda população, defender outro "mundo ideal" seria uma ameaça em potencial para essa classe política que ta no poder hoje·

    Outro dia, conversando com um amigo, eu estava mostrando apenas as dificuldades que o governo tem de implantar um sistema educacional público de qualidade. Não vou entrar nos detalhes da discussão mas cheguei na seguinte conclusão: Ele queria uma educação pública de qualidade e ponto.

    Normalmente, quem defende o controle estatal, não sabe nem defender o seu ponto de vista; defende uma coisa apenas por ser contrária a outra (no caso desse amigo, ele era contrário a iniciativa privada na educação).

    A rejeição absoluta que uma pessoa tem de algo se torna favorável ao outro lado. Por isso eu acho que seria interessante se tivesse um partido realmente libertário.











  • anônimo  14/11/2015 10:17
    'a mesma bobice de sempre em acreditar num arranjo social sem quaisquer instituições de poder. Onde isso ocorreu em qualquer tempo?! '

    Esse espantalho já apareceu por aqui mais ou menos um trilhão de vezes.
    No anarco capitalismo existiria hierarquia, leis e poder sim. A única coisa que vc disse é que não sabe a diferença entre 'poder' e 'poder institucionalizado'.É melhor vc estudar mais antes de passar vergonha falando sobre o que não entende.
  • Taxidermista  14/11/2015 23:06
    Ricardo:

    sobre a sua colocação - "a mesma bobice de sempre em acreditar num arranjo social sem quaisquer instituições de poder. Onde isso ocorreu em qualquer tempo?!" -, vale verificar mais essas duas obras, para além daquelas que arrolei no comentário anterior. São elas:


    - The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia:

    www.amazon.com/The-Art-Not-Being-Governed/dp/0300169175



    - The Not So Wild, Wild West: Property Rights on the Frontier:

    www.amazon.com/Not-So-Wild-West-Economics/dp/0804748543/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1447542288&sr=1-1&keywords=wild+west+property
  • Tim  22/11/2015 19:09
    "Libertarianismo é uma gnose", é?


    Patético.
  • Danilo Oliva   13/11/2015 16:00
    Nutrir do raciocínio libertário é o escape mais seguro e eficaz em meio a tempos sombrios.
  • Rogério Celso Hansen  13/11/2015 16:01
    Mais do que não saber usar a liberdade, creio que os políticos e burocratas, além de não saberem as respostas, não sabem o real significado de liberdade, sobretudo os de esquerda, que, quando sabem o que significa - fato raro - usam-na para que ela acabe liberando mais forças para o mal.

    Logo, usam-na como instrumento de coerção e de desconstrução e acabam invariavelmente indo no sentido inverso da liberdade, ou seja, o aprisionamento das consciências, a começar pela sua própria, ainda assim, quando a possuem. Se faz mister nesse momento ligar uma coisa a outra, qual seja, entender a natureza humana para entender a liberdade e usá-la de forma a construir energias e forças positivas, do bem.
  • Edujatahy  13/11/2015 16:43
    Ótimo texto. Como sempre inspirador.
    Não são poucos os conservadores que insistem na coerção e violência estatal como "pressuposto" para o convívio em sociedade. As tecnologias e o conhecimento humano estão chegando para deixar os estas ideias sombrias e violentas para trás e abraçarmos uma sociedade realmente livre, onde a política seja o que deveria ser, voluntária, e não uma instância para controle de uns sob os outros.
  • Thiago Teixeira  14/11/2015 01:09
    Excelente artigo!

    Que vários comentaristas agressivos leiam-no atentamente.
  • Richard  14/11/2015 05:52
    Muito bom artigo. O que mais eu vejo entre os libertários é acusar o outro de ser falso-libertário ou criando sub-ideologias e se dizendo melhor.
  • Ernane  15/11/2015 01:12
    Excelente artigo. Obrigado IMB por proporcionar homeschool a muitos que jamais teria acesso a conteúdos que trás vida.
  • William Santos  15/11/2015 16:10
    Ótimo texto. Adorei!
  • tobias  16/11/2015 14:21
    "Há algo de seriamente errado se o despertar da consciência libertária levar a postura melancólica e sombria em relação ao mundo e a como ele funciona. Deveria ser fácil adotar uma visão jubilosa do mundo, especialmente nessa época em que vivemos."

    Esse para mim é o ponto mais importante do artigo é esse. Manter o bom humor e tentar ser otimista mesmo enxergando o caminho que o mundo esta tomando.

  • Batista  16/11/2015 14:29
    "Quando os debates são civis e equilibrados, eles podem levar a um grande crescimento intelectual. Já quando eles se tornam pessoais e levam a alegações do tipo "fulano não é um verdadeiro libertário", eles podem destruir longas amizades e gerar ressentimentos generalizados.

    Ninguém ganha com essas brigas aflitivas. Elas fazem com que as pessoas percam o foco no objetivo principal, que é a ascensão da liberdade e a remoção de todos os obstáculos que estão no caminho.
    "~

    Ainda sou novato nesse site. Vejo alguns comentarios pejorativos acerca do Olavo de Carvalho. Alias, foi atraves de artigos dele, e suas indicacoes, que conheci o Mises Brasil. Queria entender o motivo da discordia entre ele e alguns comentaristas e pessoas do site. Inclusive, ha ate um podcast com o Olavo e o Bruno...
  • Anonimo  17/11/2015 09:39
    Tem podcastas com um monte de gente que não é libertária, mas que frequentemente estão certos sobre alguns pontos específicos em comum com o libertarianismo.Isso é necessário porque...quem são os libertários de destaque na mídia? Quase ninguém.
  • João Girardi  19/11/2015 17:29
    Gostei bastante do artigo do Jeffrey Tucker, mas não concordo com a premissa do mundo melhor, pra mim não existe mundo melhor, ou bem comum, ou qualquer coisa desse tipo. Claro, você pode melhorar muito sua própria vida e a das pessoas que lhe rodeiam, e de inúmeras pessoas inclusive, mas essa ideia de mundo melhor é uma coisa contemporânea que começou a surgir com o humanismo e o totalitarismo. Durante a maior parte da história da humanidade essa ideia era impensável, muitas pessoas procuraram fazer o bem evidentemente, mas se acreditava que o bem era restrito à seu raio de ação e sua própria área. O bem é espontâneo e não precisa ser planejado para ocorrer, inclusive o Tucker deixou isso claro durante o artigo.

    Talvez eu seja suspeito para falar pois me considero conservador. Mas estou procurando me esclarecer mais das ideias libertárias, me parece que somente uma sociedade em que predomine a liberdade pode se considerar tradicional, Hayek deixa isso bastante claro no Caminho da Servidão pelo menos.

    Outra coisa que acho estranha é o problema dos libertários com a política. É evidente que se preocupar demais com política leva à alienação, me parece comum entre os libertários associar política, poder, ou coerção diretamente com o poder estatal, pois essas 3 coisas existem, quer você tenha um estado ou não, o problema está em quem exerce esse poder, se é o estado, ou se são os indivíduos, as famílias, a religião ou ou leis costumeiras do direito. Se você centraliza esse poder disperso, ele claramente se torna despótico, pois para existir você deve primeiro tirar o poder de toda essa gente.

    Andei lendo o Myth of National Defense do Hoppe, uma espécie de coletânea de artigos de outros autores e me parece que ele tem um raciocínio parecido. Em um dos artigos fala dessa confusão entre política e estado. Interessante que isso é usado pra elucidar como funcionava o direito medieval, grande parte baseado no costume e demonstra que o estabelecimento do estado absolutista (e depois do estado moderno) se deu através do desmantelamento das tradições e instâncias de poder existentes na Idade Média, o argumento principal do artigo era se o Estado era uma instituição natural ou não à natureza humana, e fica claro que não.
  • Pp  28/11/2015 21:24
    ...A política tende a ser um indicador atrasado, em vez de prematuro, das mudanças sociais. Os primeiros passos de uma mudança são culturais, e não políticos. A política é reativa, e não proativa...

    Obrigado, mudou minha vida.
  • Fernando CS  25/01/2016 00:48
    Excelente artigo! Gratidão.
  • Emerson Luis  23/03/2016 11:48

    Para recapitular:

    1. Oponha-se à opressão, mas ame a liberdade ainda mais

    2. Leia muito e seja confiante em suas ideias

    3. Olhe para além da política

    4. Veja todas as pessoas como amigas ideológicas

    5. Não presuma ter todas as respostas

    6. Mexa sua vida

    7. Seja alegre

    ------------------------------------------------------------------------------

    Concordo com o texto, apenas teço duas observações:

    "Você conhece alguém que realmente se oponha à liberdade humana?"

    Sim, os socialistas - eles se opõem à liberdade dos outros. Mas a maioria deseja ter sua própria liberdade, o que é a base para entender e aceitar o liberalismo.

    "Veja todas as pessoas como amigas ideológicas"

    Considero melhor não utilizar o termo "ideologia" para se referir ao liberalismo e ao conservadorismo, pois tem uma conotação negativa de "racionalização para justificar relações opressivas", é melhor chamá-los de "filosofia".

    O que o autor quis dizer é que devemos considerar a todos como potenciais futuros liberais.

    * * *


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