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Quanto mais liberdade econômica, mais solidariedade e caridade - na teoria e na prática

Um dos maiores lugares-comuns que ouvimos a respeito da solidariedade é que, sem o estado — ou seja, sem uma agência coerciva que obriga as pessoas a pagarem impostos, os quais serão imediatamente gastos em prol dos mais necessitados —, e sem essa redistribuição forçada de renda comandada pelos burocratas do estado, os pobres seriam abandonados à sua própria sorte. 

Pior ainda: sem o estado para tomar o dinheiro dos ricos, estes jamais abririam voluntariamente os cordões de suas bolsas para ajudar os mais necessitados.

O problema é que tanto a lógica quanto os próprios fatos empíricos não apenas contradizem essa afirmação, como, aliás, confirmam o exato oposto.

Comecemos diretamente pelos fatos.

Uma das maneiras de medir a solidariedade espontânea — ou seja, a caridade — é analisar o tempo e o dinheiro dedicados pelas pessoas ao voluntariado, isto é, a todo o tipo de atividades que têm um impacto direto sobre terceiros, sem que o prestador receba uma compensação material em troca.  Neste caso, apoiaremo-nos sobre o World Giving Index, que todos os anos apresenta um estudo sobre o voluntariado no mundo e que mede a porcentagem de pessoas que foram solidárias espontaneamente.

Apenas para esclarecer, o que o World Giving Index chama de "voluntariado" são pessoas que (1) doaram dinheiro a uma organização, (2) doaram tempo a uma organização ou (3) ajudaram um estranho ou desconhecido que necessitava de ajuda. 

Eis um mapa do mundo para 2014:

heatmap.png

Os países em vermelho são os mais caridosos.  Os países em vários tons de amarelo vêm em segundo lugar (quanto mais escuro o amarelo, mais caridoso).

Já os países em azul são os menos caridosos.  Quanto mais escuro o azul, menos caridosa é a população do país.

Portanto, dentre os países mais caridosos — ou seja, países cuja população é espontaneamente solidária — temos EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Holanda, Islândia, e vários países do Sudeste Asiático.  (A Suíça está em branco, o que significa que ela não foi incluída na pesquisa).

Em segundo lugar entre os mais caridosos destacam-se Finlândia, Suécia, Alemanha, Áustria, Eslovênia, alguns países do Oriente Médio, alguns países do Sudeste Asiático, África do Sul, Chile e Colômbia.

Já dentre os menos caridosos destacam-se Brasil, Venezuela, Equador, Argentina, Paraguai, Peru, Portugal, França, Itália, todos os do Leste Europeu, vários da África, Rússia, Japão e China.

Agora, comparemos esse mapa com o índice de liberdade econômica da Heritage Foundation e do Wall Street Jornal.

Este índice utiliza uma série de indicadores que mensuram liberdade de empreender, livre comércio com o exterior, facilidade dada aos investimentos estrangeiros, tamanho dos gastos do governo, respeito à propriedade privada, nível da inflação de preços, entre outros.  Por conseguinte, este índice mede o liberalismo econômico de um país.  

Para 2014, os resultados globais são estes:

index.png 

Aqui, os países verdes são os mais economicamente livres (quanto mais escuro o verde, mais livre ele é.  Dentre estes, destacam-se EUA, Canadá, Chile, Colômbia, Reino Unido, Suíça, Alemanha, Áustria, Holanda, República Tcheca, Estônia, Lituânia, todos os nórdicos, Austrália e Nova Zelândia.

Já os países amarelos são os relativamente livres economicamente. Destaque para México, Peru, Paraguai, Uruguai, Portugal, Espanha, França, Itália, Leste Europeu e África do Sul

Já os países menos livres estão em vários tons de vermelho e laranja.  Quanto mais escuro, menos economicamente livre é o país.  Destaque para Brasil, Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador, quase todos da África, e todo o bloco que vai da Rússia à Índia.

Agora os dois mapas em conjunto (lembrando que, no mapa da caridade, o primeiro, vermelho é algo positivo e no da liberdade econômica, o negativo):

heatmap.png

index.png

Como é possível constatar, existe uma correlação bastante forte entre mais liberalismo econômico e mais voluntariado.

No entanto, o leitor mais cético poderá retorquir dizendo que também poderíamos comparar o gráfico do voluntariado com o de riqueza por habitante, com o de porcentagem de protestantes ou ainda com o do tamanho médio do órgão sexual, e ainda assim constataremos que, quanto mais elevadas essas estatísticas (menos para a última), mais voluntariado haverá.  Logo, será generoso, em média, quem for abastado, protestante e mediamente constituído.

Pode ser.  Afinal, como disse o jornalista canadense Jean Dion, "as estatísticas são para os analistas o que os postes de iluminação são para os embriagados: fornecem muito mais um apoio que um esclarecimento".  Sim, as estatísticas utilizadas têm obviamente as suas falhas e não podem nos explicar, por si sós, toda a realidade.

No entanto, mesmo o leitor mais cético tem de ter reparado que os países mais ricos são também os mais generosos. Isso é indiscutível.  Nesse caso, parece que, parodiando Jean Dion, o poste de iluminação ilumina tanto quanto serve de apoio.

Porém, para uma análise mais completa, passemos agora à lógica: qual é a razão que dita que mais liberdade econômica significará também mais caridade?

A sociologia por trás do altruísmo

Em uma sociedade livre, o grau de responsabilidade individual tem de ser elevado.  E é assim pela simples razão de que o corolário da liberdade é a responsabilidade. (Quando existe liberdade sem responsabilidade, há apenas uma licenciosidade). 

Consequentemente, em uma sociedade livre, as pessoas têm de ter elas próprias a responsabilidade de se precaverem e de se salvaguardarem.  São elas que têm de assumir sozinhas as consequências de suas decisões. Essa noção de que elas têm de se cuidar para o futuro — tão estranha a nós de ascendência latina — as impulsiona a serem mais precavidas desde cedo.  Incentiva, por exemplo, as pessoas a pouparem mais, a fazerem seguros de vida, a fazerem planos financeiros para suas aposentadorias etc.

Isso, por si só, já estimula um comportamento mais soberbo e austero, estimulando atitudes que visam a um horizonte temporal de longo prazo e desestimulando atitudes que visam apenas ao curto prazo.

Adicionalmente, como praticamente todos os indivíduos têm, arraigados em si, um altruísmo natural, e dado que a pressão social tende também a rechaçar os egoístas primários, em uma sociedade liberal as pessoas sentem uma maior necessidade de ajudar ao próximo.  Não é uma pressão exatamente coerciva, mas sim aquela obrigação moral de ajudar quem necessita. 

E é assim porque, em primeiro lugar, elas sentem que, se não fizerem nada para ajudar os destituídos, estes serão abandonados à própria sorte, o que choca com o seu altruísmo natural. 

Em uma sociedade economicamente menos livre, o estado já se arvorou à função de ajudar os necessitados.  As pessoas simplesmente pensam: "eu já pago meus impostos e o estado já tem seus programas sociais. Logo, estou moralmente desobrigado de ajudar os outros".

Em segundo lugar, dado que muitas destas pessoas altruístas já terão passado por situações difíceis — e, na ocasião, foram socorridas pelo voluntarismo de terceiros —, elas se sentem devedoras e agirão igualmente assim para com os outros desvalidos.

Em terceiro lugar, como os próprios desvalidos sabem que estão sendo ajudados por terceiros, sem que estes não tenham nenhuma obrigação legal de fazê-lo, isso implica que, se os auxiliados abusarem da bondade dos outros, um dia poderão já não mais se beneficiar dela.  Uma coisa é ter ajudas pontuais para se reerguer.  Outra coisa é ficar completamente encostado sem se esforçar.  Consequentemente, essas mesmas pessoas sob assistência tenderão a fazer de tudo para sair da situação difícil em que atualmente se encontram.

Por outro lado, se o governo se arroga o papel de cobrar impostos para cuidar de todos para sempre, haverá o estímulo à indolência e à improdutividade.

Por último, e por tudo descrito acima, os próprios caridosos sabem também que os auxiliados têm o interesse de se aprumar o mais rapidamente possível, pois não será possível viver pendurado para sempre na caridade de terceiros.  Logo, os caridosos sabem que os auxiliados não irão abusar, caso contrário perderão todos os auxílios.  Consequentemente, os caridosos estarão dispostos a ajudar mais, exatamente porque sabem que, em caso de abuso, sempre poderão se retirar.

Conclusão

Não apenas a teoria, como a própria empiria, confirma que voluntariado e caridade andam juntos com liberdade econômica. 

Uma sociedade livre tem os seus próprios mecanismos naturais de solidariedade e estes são pouco visíveis agora, para nós, precisamente porque um estado gigante já monopolizou a assistência social absorvendo os recursos da sociedade civil que seriam destinados a esses fins. "Por que farei caridade se já pago impostos para que o estado faça a caridade por mim?"

Creio não ser necessário explicar por que um sistema coercivo gerenciado por um estado que promete cuidados do berço ao túmulo incentiva mais o egoísmo e o abuso da generosidade alheia.


4 votos

autor

André Pereira Gonçalves
é colaborador do Instituto Ludwig von Mises Portugal, estudante em Direito na Universidade de Friburgo (Suíça), e anarco-capitalista jusnaturalista.


  • rothbard   09/10/2015 14:49
    E como seria a vida dos pobres sem o estado,inimaginável,impensável,seria uma vida sórdida,solitária.


  • Henrique Zucatelli  09/10/2015 15:33
    Como é a vida de um empresário no Brasil aos olhos de um empresário americano? Impensável, inimaginável, sórdida, uma vida solitária.

    Sem o Estado (que nada mais é do que o grande Leviatã) os pobres teriam que trabalhar.

    Sem o Estado, seriam obrigados a estudar e ser EDUCADOS, pois sem educação você não consegue nem comprar um pedaço de pão, mesmo que tenha dinheiro.

    Sem o Estado, teriam que desenvolver talentos, pois com a livre concorrência, quem não melhora sempre fica sem renda, incluindo atividades produtivas.

    Em suma: sem o Estado, os pobres seriam muito mais felizes.

    O Livre Mercado é o progresso.

    O Estado é a Idade da Pedra.

  • Aloísio  09/10/2015 16:35
    "Sem o Estado (que nada mais é do que o grande Leviatã) os pobres teriam que trabalhar".

    Mas eles já tem que trabalhar - e já trabalham muito.
  • Juan Domingues  09/10/2015 17:11
    Trabalham muito e não podem levar para casa todo o dinheiro que produzem. Mais uma prova de como o Estado é insensível.
  • Guilherme   17/05/2016 14:34
    Você pode falar em meritocracia quando rixtem igualdade de condicoes condicoes. Nesse país em que vivemos, se não existisse o Estado, com a CLT, por exemplo, teríamos trabalhadores situação análoga ao escravismo. Principio da isonomia, tratar os diferentes de forma diferente.
  • William  17/05/2016 15:11
    "Você pode falar em meritocracia quando rixtem igualdade de condicoes."

    Já começou sacando errado, campeão. Aqui ninguém defende meritocracia, não. Tal conceito é uma furada. Quem enriquece não é quem "trabalha duro", mas sim quem é capaz de criar algo de valor.

    Ao menos entenda o que o povo aqui pensa antes de vir criticar.

    Não é a meritocracia; é o valor que se cria

    "Nesse país em que vivemos, se não existisse o Estado, com a CLT, por exemplo, teríamos trabalhadores situação análoga ao escravismo."

    Rá, esse artigo abaixo foi feito para pessoas exatamente como você. (É incrível, eu até achava que era um certo exagero deste site, mas pessoas como você realmente existem!)

    "Sem o estado, quem cuidará dos pobres?"
  • Auxiliar  09/10/2015 15:37
    Pois é.

    Quem é que, ao estimular o setor bancário a expandir o crédito -- e, com isso, fazer com que a inflação de preços se mantenha continuamente alta -- aniquila o poder de compra dos mais pobres?

    Quem é que, ao desvalorizar a moeda e a taxa de câmbio, impede os pobres de utilizarem seu já escasso poder de compra para adquirir produtos importados?

    Quem é que, além de desvalorizar a moeda, a taxa de câmbio e gerar inflação de preços, ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial -- e, com isso, impede duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

    Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

    Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

    Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, impede que os salários sejam maiores?

    A resposta para as perguntas acima é a resposta para a primeira pergunta. Sem tal instituição, acho que os pobres estariam um pouquinho melhores.
  • Beto  09/10/2015 17:01
    Comentário um tanto preconceituoso e presunçoso, não?

    Mas respondendo sua pergunta: não existiriam pobres sem estado.
  • Ali Baba  09/10/2015 18:14
    @Beto 09/10/2015 17:01:17

    Mas respondendo sua pergunta: não existiriam pobres sem estado.

    Claro que existiriam. Pobres sempre existem uma vez que a capacidade humana tem limites. E pobre é uma definição tanto relativa quanto absoluta.

    Em uma sociedade sem estado acredito que os pobres estariam muitos degraus acima dos nossos pobres. Isto é, os pobres numa sociedade sem estado têm a oportunidade de trabalhar em qualquer coisa braçal e manter um sustento ao menos digno uma vez que a reserva do salário mínimo não existe sem o estado. Em uma sociedade com estado sabemos o que acontece com esses trabalhadores sem a mais mínima qualificação: ao não poder ser empregado por menos que o salário mínimo, não são empregados em absoluto.

    Se pensarmos assim, pobres que passam fome e não têm trabalho são criados pela presença do estado. Pobres com uma vida digna para ao menos a subsistência são o degrau mais baixo em uma sociedade sem estado.

    Mas existiriam.
  • André  22/10/2015 19:44
    O texto explica exatamente o que alguns questionam nos comentários, mas parece que ninguém lê o texto completo.
  • Taxidermista  09/10/2015 15:09
    A propósito, vale lembrar o que foi dito na TV por um "ator da globo" na campanha desse ano do Criança Esperança: "contribua! Se você acha que pagar impostos é suficiente para ajudar, você está enganado!"
    Ou seja, arcamos com uma colossal carga tributária (que, em tese, deveria, ao menos em parte, ser drenada para os necessitados), mas, apesar disso, vem um "ator" (sendo certo que os "artistas", quase sempre, funcionam como emissários do regime estatista) admoestar as pessoas - repreendendo-as moralmente - que acham "que pagar impostos é suficiente para ajudar".
    Creio que o episódio ilustra o ponto central do artigo.
  • Felix  09/10/2015 20:01
    e pensar que o Criança esperança arrecada 0,00xxx % alguma coisa do que a Dilma leva,
    se não tivéssemos que pagar imposto, imagina o quanto sobraria pra caridade?
  • Renan Merlin  10/10/2015 23:39
    Eu não dou um centavo pra uma ONG que repassa dinheiro ao viva rio que defende desarmamento do cidadão de bem, e contra redução da maioridade.
  • rothbard  09/10/2015 15:21
    Exactamente,as pessoas nunca questionam a moralidade dos impostos,vulgo roubo,enquanto as pessoas não se questionarem moralmente acerca da maracutaia estado,não há esperança para uma sociedade livre!
  • anônimo  09/10/2015 15:27
    Não gostei muito, mas a correlação é verdadeira:+ Liberdade = + riqueza = + caridade
  • Pedro Henrique   09/10/2015 15:30
    Kkk um ancap jusnaturalista usando argumentos consequencialistas para mostrar que o mercado elimina a barbárie e promove até caridade. Vou postar no grupo. Valeu, imb!
  • Edu Jatahy   09/10/2015 15:39
    Ótimo artigo. O que mais me incomoda é quando escuto frases de que o "brasileiro não ajuda" , "o brasileiro não se preocupa com o pobre" e afins. Não é o brasileiro que não age de forma caridosa, é o estado brasileiro que o impossibilita tanto através de pesadas tributações como querendo assumir este papel de "provedor monopolista" dos necessitados no país.

    Sempre digo: E se caridade for dedutível do imposto de renda? Vamos ver se o brasileiro é tão "sacana" assim?
  • Sol Moras Segabinaze   09/10/2015 15:40
    O welfare state enfraquece os laços comunitários e familiares e fortalece a dependência estatal.
  • anônimo  09/10/2015 16:09
    Prezados

    Uma pergunta.

    Como faço para achar uma série temporal do volume de contratos de swap cambial negociados pelo banco central do brasil?

    Agradeço desde já a atenção.
  • Leandro  09/10/2015 18:18
    Volume na série temporal? Não há.

    Há apenas dos últimos 2 anos:

    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/ie3-04.xls
  • Mano  09/10/2015 16:12
    Um rap surpreendentemente bom:

  • Erick  09/10/2015 16:15
    Pessoal, e esse dólar?
    Vai continuar caindo? Não faz sentido nenhum ele cair! Só por que o FED provavelmente só vai aumentar juros ano que vem. Mas e todo resto? Só vejo motivos para ele subir e muito.
  • Erick  09/10/2015 18:04
    Obrigado!

    Mas um rebaixamento do Brasil para especulativo não forçaria uma grande quantia de dólares a sair do país? E o aumento do juros do FED (ainda que provavelmente só em 2016) não vai turbinar uma fuga de capitais também? Esses não seriam motivos para o dólar chegar aos R$5, por exemplo?
  • Leandro  09/10/2015 18:11
    Se tudo isso acontecer, sim. Só que não aconteceu (para ser um grau genuinamente especulativo, duas agências têm de rebaixar o Brasil, e a Moody's já deixou claro que não fará isso este ano. Falta ainda a Fitch, que não tem se pronunciado muito).

    E não há muitos indícios de que todas esses eventos (subida dos juros e mais um rebaixamento) irão acontecer ainda este ano (ou seja, antes do sonhado impeachment).
  • Roberta Lirio  09/10/2015 16:36
    "eu já pago meus impostos e o estado já tem seus programas sociais. Logo, estou moralmente desobrigado de ajudar os outros".

    Quantos amigos nunca fizeram um trabalho social na vida e acham q merecem o Nobel da Paz porque votam no PT e acham que assim estão ajudando os pobres...
  • André Roedel  09/10/2015 16:51
    Penso frequentemente nos motivos pelo qual muitas pessoas ainda tem medo de ESTADO ENXUTO + LIVRE INICIATIVA... minha teoria até o momento é que no DNA das pessoas existe o receio de voltarmos a idade média/monarquia, quando existia forte concentração de renda na mão dos feudais e a maioria da população passava fome. A diferença é que a humanidade/pensamento evoluiu muito nesse meio milênio e tanto os potenciais "oprimidos" quanto os "opressores" (leia-se menos e mais abastados) sabem que todos perdem voltando ao modus operandi daquela época...

    Traço um paralelo desse medo com um filme da série Highlander na qual o mundo estava "protegido" por um escudo contra as radiações do sol que um dia alcançaram níveis fatais. Com o tempo a camada de ozônio se reconstituiu e a empresa responsável pelo escudo (aqui leia-se Estado) escondeu esse fato pq lucrava e mantinha o poder sobre a sociedade. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência!

    Se alguém tem outra teoria pfv compartilhe...
    Abç,
    André Roedel
  • Henrique  09/10/2015 17:08
    Bom artigo, mas simplista demais na análise. Ortega Y Gasset e Albert J. Nock discutiram brilhantemente sobre o assunto, sobre como o poder estatal só existe exaurindo o poder social. O IMB poderia publicar algo desses autores.
  • Matheus  09/10/2015 17:25
    Já há vários artigos neste site que versam exatamente sobre essa parte exclusivamente teórica (não dá pra colocar tudo em um único artigo):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2145

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1905

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2104

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1543
  • Atylla   09/10/2015 17:11
    O mesmo argumento é utilizado para a escravidão militar, se não for imposto e com duras penas para os desobedientes, ninguém vai querer lutar.
  • Taxidermista  09/10/2015 20:01
    E tal argumento, mutatis mutandis, é utilizado por burocratas e políticos para "justificar" suas vidas nababescas de privilégios: "se o salário [dos burocratas e políticos] não for alto, ninguém vai querer exercer essas atividades [de burocrata e político] tão nobres à nação".
    Ou seja, salário alto para parasitas imposto à base da força: espoliação sob o nome de "tributação".
    Esse discurso já foi visto incontáveis vezes no Brasil.
  • Henrique Zucatelli  09/10/2015 19:46
    Brilhante Leandro, boa tarde!

    Posso mudar um pouco de assunto e polemizar um pouco? Sei que é off topic, mas não achei nada na pesquisa a respeito, e gostaria que me tirasse uma dúvida:

    Como funcionariam as regras de relacionamentos em um mundo sem Estado?

    2- Existiria o conceito de pedofilia? Ou cada lei seria diferente "da porta para dentro" de sua propriedade, e da porta pra fora seria como dizem, um "Velho Oeste"?

    Pergunto isso baseado em uma notícia dos últimos dias onde uma menina foi presa por fazer sexo com um garoto de 11 anos, e me ocorreu: como seria isso em uma sociedade sem Estado?

    Se puder fazer um artigo a esse respeito, seria mais um bálsamo.

    Abraços,

  • Leandro  09/10/2015 20:30
    Caro, essa não é minha área. Já me aventurei por ela em um passado remoto, mas não o faço mais. Como sou um crente fervoroso na divisão intelectual do trabalho, decidi apenas falar estritamente daquilo que realmente entendo e que estudei com profundidade (e filosofia libertária não é minha especialidade e nem nunca quis que fosse).

    Modéstia à parte, acho que o mundo seria melhor se todo mundo seguisse esse mesmo preceito. Mas aí pode ser que o problema seja só meu.

    Obrigado pelo imerecido adjetivo. Grande abraço!
  • Taxidermista  09/10/2015 21:20
    Prezado Henrique:
    "Como funcionariam as regras de relacionamentos em um mundo sem Estado?"

    Aqui você parece referir-se às regras morais; se for essa a referência, não há particularidade em relação às regras morais que se formam (e se aplicam) em um mundo com estado. (Claro, desde que estas regras morais em um mundo com estado não sejam assimiladas àquelas criadas e/ou impostas pelo próprio estado, porque daí teríamos um fenômeno distinto, conhecido como paternalismo e/ou moralismo jurídico-estatal).
    Aliás, você se refere a "regras de relacionamento", o que remete a esse artigos do site:
    "Um mercado totalmente desregulamentado e que nenhum governo (por enquanto) pretende regular": www.mises.org.br/Article.aspx?id=1935


    "Existiria o conceito de pedofilia? Ou cada lei seria diferente 'da porta para dentro' de sua propriedade, e da porta pra fora seria como dizem, um 'Velho Oeste'?"

    Meu caro, aqui você refere-se às regras jurídicas; no ponto, não há/haveria especificidade da "pedofilia" em relação a outros fatos tidos como ilícitos, como roubo, extorsão, homicídio. Não ignoro que a pedofilia apresenta uma faceta mais complexa, e acredito que tenha sido tal complexidade que fez você trazer à baila esse exemplo; tal complexidade diz com a questão da voluntariedade (ou a ausência de voluntariedade, e consequentemente a dificuldade de aplicação prática do princípio da não-agressão) de um ser humano ainda em formação, e a complexidade de estipulação de quando esse ser humano passa a se tornar um ser humano com plenas capacidade cognitivas e/ou volitivas.
    O que quero dizer a você é o seguinte: a sua dúvida, em verdade, diz com a gênese e formação/administração das regras jurídicas numa sociedade anarcocapitalista, e sobre isso há uma vasta literatura, amigo.
    Você fala em "leis diferentes, etc."; mas lembre-se: anarcocapitalismo não significa "ausência de ordem" ou "ausência de leis" ou "cada um com sua lei". Sobre isso, recomendo esse texto do Donald Boudreaux (www.libertarianismo.org/index.php/artigos/anarquia-a-palavra-proibida/) e esse do Devid Hebert (www.libertarianismo.org/index.php/artigos/voce-tambem-anarco-capitalista/).
    De todo modo, vale repetir: a literatura sobre regras jurídicas na sociedade anarcocapitalista é vasta.
    Sugestões: David Friedman (The Machinery of Freedom); Bruce Benson (The Enterprise of Law); Michael Huemer (The Problem of Political Authority); e Gerard Casey (Libertarian Anarchy).
    Abraços.

  • anônimo  10/10/2015 09:59
    Num lugar libertário DE DIREITA, um pedófilo iria ser preso e encarar a punição que merece
    Num lugar libertário de esquerda, pedofilia, aborto etc iriam correr soltos, a 'sociedade' iria virar uma tralha desajustada auto destrutiva e os palermas iriam ficar falando que essa é uma questão controversa.
    Conclusão: libertarianimo é necessário mas não suficiente.
  • Henrique Zucatelli  10/10/2015 16:55
    Obrigado Leandro, mas o elogio é merecido sim. Seu trabalho é excelente e sempre indico a meus consortes, sendo que se tornam libertários em menos de 24 horas de leitura.

    E Taxidermista, agradeço também, vou ler com calma e volto para polemizar sobre isso novamente se necessário.

    Não só essa como outras questões cruciais atrapalham (e muito) a dissolução da necessidade de Estado no consciente das mentes pensantes- principalmente as produtivas, que são as que interessam. Por essas e outras que uma tese definitiva e bem amarrada deve ser buscada ao máximo, em todos os âmbitos da sociedade.


    Abraços,
  • Lourenço Brandt   10/10/2015 23:40
    Levando em consideração terceirização extrema você tirando o estado você não vai simplesmente dizer que não vai assistir polícia. Simplesmente vai ter uma empresa o qual você paga pra ter essa segurança assim como vai ter uma empresa com você paga pra ter justiça e tudo isso com regras Claras e se você não tiver contato com as empresas separar outra empresa (país).
    Não se esqueça que cada conglomerado de pessoas cada Paraíso como você preferir chamar vai ter as suas regras Como vivem em sociedade a única coisa que você não concorda com elas você pode mudar de sociedade ou vou sofrer as sanções por não ter cumprido com as regras da mesma.
    Poder existir sociedades onde será possível pedofilia e aonde seria aceitável assassinato como no velho oeste.
    Mas o mais importante é que você poderia escolher aonde está.
    O grande problema do Estado gigante que nós temos hoje porque ele não deixa você escolher se eu quiser uma escola melhor eu terei que pagar a escola pública e escola particular se eu quiser uma saúde melhor eu terei que pagar a saúde pública e saúde particular se eu quiser andar por uma estrada boa eu tenho que pagar IPVA e pedágio.
    Voltando ao tema do texto se eu acreditar que a caridade não está sendo feita da maneira que eu acredito ser o correto o suficiente eu terei que além de pagar impostos que vão para a caridade eu terei que doar meu tempo dinheiro ou qualquer outro bem para caridade também.
    Desculpe se tiver algum erro de português eu fiz isso tudo digitando falando do meu celular e às vezes ocorre algum erro de concordância.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  09/10/2015 20:17
    Simples: quanto mais livre um país é mais dinheiro sobra nas mãos das pessoas. A tendência é elas serem mais caridosas. Então, devemos diminuir o tamanho do estado nos países pobres, para que o fato se repita globalmente. Não se pode(ou é muito raro) fazer caridade sem ter nada.
  • Atylla  10/10/2015 00:05
    Uma dúvida:
    -Se em 2008 um banco estivesse com 10 títulos tóxicos sub-prime, lastreados em hipotecas, com valor de face de $ 100.000,00 totalizando 1 milhão.
    - O FED, comprou esses títulos, criando dinheiro do nada, com um deságio de 50%, criando $ 500.000 na conta do banco vendedor.
    - O FED, resolve vender esses títulos para um banco de investimento Chinês, com valor de face de $ 700.000 com juros de 6% ao ano.
    O FED, apaga os $ 500,000 criados do nada e ganha $ 200.000, é isso mesmo?
  • Leandro  10/10/2015 14:36
    "Se em 2008 um banco estivesse com 10 títulos tóxicos sub-prime, lastreados em hipotecas, com valor de face de $ 100.000,00 totalizando 1 milhão."

    Ok.

    "O FED, comprou esses títulos, criando dinheiro do nada, com um deságio de 50%, criando $ 500.000 na conta do banco vendedor."

    Nesse caso, os ativos do Fed aumentam em $ 500.000 (os título são um ativo para o Fed), e o passivo também aumenta em $ 500.000 (o dinheiro criado pelo Fed e depositado nas reservas dos bancos compõe a base monetária, e são um passivo para o Fed).

    Já o banco que vendeu o título aumentou suas reservas bancárias em $ 500.000

    "O FED, resolve vender esses títulos para um banco de investimento Chinês, com valor de face de $ 700.000 com juros de 6% ao ano."

    Nesse caso haverá uma troca de ativos no balancete do Fed: saem títulos no valor de $ 700.000 e voltam dólares (ou, caso o Fed queira, renminbis) para seus ativos.

    "O FED, apaga os $ 500,000 criados do nada e ganha $ 200.000, é isso mesmo?"

    Nada a ver os $ 500.000. Como explicado, esses $ 500.000 continuam intactos nas reservas bancárias do banco americano do qual o Fed inicialmente comprou o título. Esses $500.000 continuam sendo um passivo para o Fed.

    Quanto aos $ 200.000 de lucro, correto. E parte desse lucro será repassada para o Tesouro.
  • Atylla  10/10/2015 16:08
    Leandro, obrigado pela explicação.
  • Geógrafo   13/10/2015 12:29
    São os benefícios de se ter uma moeda que reserva internacional, tudo isto sem gerar inflação.
  • Dallan  10/10/2015 15:44
    "No entanto, o leitor mais cético poderá retorquir dizendo que também poderíamos comparar o gráfico do voluntariado com o de riqueza por habitante, com o de porcentagem de protestantes ou ainda com o do tamanho médio do órgão sexual, e ainda assim constataremos que, quanto mais elevadas essas estatísticas (menos para a última), mais voluntariado haverá. Logo, será generoso, em média, quem for abastado, protestante e mediamente constituído."

    Poxa vida, eu ia falar exatamente isso...

    Brincadeiras à parte, por mais que eu tenha que concordar que muitos dos preceitos do libertarianismo originaram de pensadores católicos, eles também que concordar que a aplicação destes preceitos no mundo real foi muito mais bem sucedida em países de tradição protestante. Como exemplo temos a Inglaterra e os países de linhagem inglesa. Enquanto isso, boa parte dos países dos países europeus de raiz católica sempre flertaram mais com as ideias socialistas, sendo o exemplo maior a França.

    Porém, a desgraça socialista está invadindo até aqueles países e o islamismo será o castigo merecido, infelizmente.
  • Adelson Paulo  10/10/2015 15:48
    Sou professor universitário, e estou preparando uma apresentação para estudantes de graduação, onde vou iniciar com a frase "Somos a geração que vive melhor em toda a história da Humanidade". Para comprovar esta tese tão estapafúrdia aos ouvidos dos militantes de esquerda, retirei da internet "imperialista" os gráficos da evolução temporal, no mundo e no Brasil, da expectativa de vida, da mortalidade infantil, do consumo per capita de calorias, do consumo per capita de energia, do aumento da produtividade por área na agricultura, e das taxas de homicídios (que declinam em todo o mundo mas aumentam no Brasil da "justiça social"). Além disto, vou usar os mapas Global Peace Index e World Conflict Map, mostrando a quantidade relativamente pequena de conflitos armados nos dias de hoje.
    Agora vou usar também este mapa Giving Index.
    Obrigado por mais esta luz!

  • Típico Universitário  10/10/2015 19:18
    Absurdo. Introduzirá FATOS em uma palestra para estudantes brasileiros? E ainda dizem que não há doutrinação reacionária nas universidades.

    Se fosse aqui na minha paulista, ia rolar até briga de morte e com direito: não existem fatos, só ideologias. Quem tem mais munição para atirar nas corriqueiras metralhadas de diplomas decide o que é verdade e não é. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Pasmo fico.
  • Fernando  10/10/2015 20:31
    Não há a menor chance do Brasil começar a mudar em menos de 10 ou 20 anos.

    Existem milhares de processos fiscais e trabalhistas. Temos 2,5 trilhões em títulos de dívida do governo, 57 milhões de pessoas com nome sujo na praça, um déficit habitacional e de saneamento gigantesco, lixões espalhados por todo o país, falta presídios para tantos bandidos e corruptos, o estado paga os maiores salários e as maiores aposentadorias públicas do mundo, as leis trabalhistas confiscam quase metade do salário dos trabalhadores, monopólio de sindicatos subornados, corrupção generalizada no governo, etc.

    Alguém vê alguma saída para toda essa canalhice que fizeram no país ?

    Doar alguma coisa vai mudar o país ?
  • Thiago Valente  11/10/2015 01:36
    Toda mudança tem um começo. É uma questão de começar. Só isso.
  • Evo Morales  11/10/2015 04:58
    Sim, existe uma saída.
  • Gustavio  11/10/2015 05:44
    Fernando, com o objetivo específico de mudar o país, doar alguma coisa poderá, sim, mudar o país: doar para o Instituto Mises ou outras instituições e/ou grupos informais ligados ao movimento como um todo. Mesmo doação de tempo ou trabalho. Espalhando-se as ideias austríacas e através delas mudando-se a mentalidade da parte certa da população, muito rapidamente é possível transformar completamente o país. Se esta condição fosse atingida ao amanhecer, estaríamos comemorando veloz crescimento econômico ainda nestas festas de fim de ano. Tudo depende do tempo de alastramento das ideias.
  • Andre Cavalcante  11/10/2015 11:00
    Olá Fernando 10/10/2015 20:31:14,

    "Não há a menor chance do Brasil começar a mudar em menos de 10 ou 20 anos."

    O Hélio Beltrão fala em um presidente liberal no Brasil lá para depois de 2025.


    "Existem milhares de processos fiscais e trabalhistas."

    Boa parte desse número só se renova porque o trabalhador é sempre considerado parcialmente capaz em termos de contrato. Bastaria a lei mudar para completamente capaz que esses números cairiam rapidamente. E não depende de fim de CLT nem nada disso.


    "Temos 2,5 trilhões em títulos de dívida do governo"

    Boa parte disso é dinheiro de bancos. Se o governo calotear com algum critério somente os bancos realmente sentirão o fardo.


    "57 milhões de pessoas com nome sujo na praça"

    Faça uma política de expansão de crédito e a farra termina quando terminar o dinheiro dos outros. É isso que aconteceu no Brasil até 2012. Abrace a recessão, deixe a moeda valorizar e a economia se ajusta em pouco tempo.


    um déficit habitacional e de saneamento gigantesco

    Habitacional, não. De saneamento sim. Para resolver os dois bastaria o governo se retirar das áreas de infraestrutura e habitação. O mercado, em pouco tempo, se autorregula e começa a corrigir eventuais disparidades.


    lixões espalhados por todo o país

    Como qualquer outro bem ou serviço, lixo também pode ser mercado. Deixe a iniciativa privada tratar do lixo e muitas outras coisas serão resolvidas nesta área. Hoje isso é serviço atribuído aos governos.


    falta presídios para tantos bandidos e corruptos

    Acabe com a "guerra as drogas" e teremos vagas sobrado no nosso sistema prisional.


    o estado paga os maiores salários e as maiores aposentadorias públicas do mundo

    Não é verdade. O teto para aposentadorias a partir deste ano é de [link=economia.ig.com.br/2015-06-18/entenda-como-ficam-as-novas-regras-para-a-aposentadoria-integral.html]R$4,663,75[/i]. Se quiser ganhar mais só com uma complementação privada.


    as leis trabalhistas confiscam quase metade do salário dos trabalhadores, monopólio de sindicatos subornados, corrupção generalizada no governo, etc.

    Veja bem, boa parte de tudo isso que cê colocou parte de uma ideologia. Mude a ideologia e as coisas começam a acontecer. E não demora muito não. Em menos de 1 geração a coisa já mostra.


  • Rodrigo Pereira Herrmann  13/10/2015 16:35
    Presidente liberal em meados/final da década seguinte?!

    Não creio mesmo. A mudança de mentalidade mal começou e isso é coisa pra 30-40 anos, na melhor das hipóteses. Antes disso, neca pau.

    No horizonte de curto-médio prazos o governo ficará nas mãos socialistas-fisiologistas-estatistas de psdb/pmdb/alguma-coalizão-mais-esquerdista-de-partidos- menores (incluindo Rede, PSB, PV, Psol, PCdoB, etc).

    Quem deposita muitas fichas nessa jornada do NOVO e de seus congêneres, é melhor esperar sentado.

  • Felipe R  11/10/2015 14:26
    Off topic.

    Bem que o IMB poderia publicar um artigo a respeito da liminar da juíza Monica Teixeira, do Estado do RJ, que derrubou a lei que proíbe Uber e semelhantes por lá. A argumentação dela foi em cima do livre mercado e do Estado de Direito.

    É uma visão republicana, e não ancap, mas ao menos respeita o mercado com pouca ou nenhuma interferência governamental.



    Segue liminar na íntegra

    s.conjur.com.br/dl/justica-rio-libera-uber-define-multa.pdf
  • Auxiliar  11/10/2015 14:52
    Já há um artigo com exatamente essas características que você quer:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2169
  • Evandro  13/10/2015 08:38
    Tenho lido artigos de todos os tipos, para tentar "calibrar" meu conhecimento prático nessas vivências pelo mundo - já que meu conhecimento teórico em economia, sociologia e antropologia é realmente limitado.

    Porém, sempre pensando em aplicações práticas e em cenários reais, visando compreender as possibilidades de melhorarmos esse mundo que vivemos, acabo sempre atuando como ´advogado do diabo´, tanto aqui quanto acolá. Deste modo, comento/pergunto:

    1 - entendo as limitações do texto, mas, por exemplo, principalmente no caso de uma sociedade tão heterogênea como o Brasil, não é simplista demais praticamente rebaixar a um ou dois fatores o que se pode levar a solidariedade? Como comparar então países não so heterogêneos internamente, mas também entre si?

    2 - a pesquisa do World Giving Index é uma medida absoluta de qual a porcentagem de pessoas que fez algum tipo de doação - porem inclui perguntas extremamente vagas (já ajudou alguém que precisava de ajuda?, por exemplo), e não contabiliza qual o tipo de ajuda realizado. Ou seja, também não seria simplista demais usar uma pesquisa como essa? Varias pessoas ´ajudando alguém que precisa´ pode significar quase nada, enquanto algumas pessoas realmente ajudando um grupo grande pode significar muito mais.

    3 - não vi uma correlação tão grande assim entre liberdade econômica e este índice - pelo menos 15 países do top 30 certamente não estão nem próximos de serem liberais. Fora isso, vários dos países que se encaixam neste preceito, por mais que sejam mais liberais, ainda apresentam uma forte atuação do ´welfare state´ - ou seja, o caso de ´não ajudar pois o estado ja ajuda´ não se aplicaria totalmente.

    3 - em vias práticas, como seria feita esta ´transição´? Ou seja, em um país como o Brasil, como poderíamos eliminar a atuação do estado nesta área e depender somente da livre iniciativa para lidar com este problema?

    Trabalho neste campo há um bom tempo na América do Sul, África e Ásia, e acredito em possibilidades muito melhores que as atuais para (a) complementar e (b) substituir políticas em relação a assistencialismo, porém precisam-se bases e argumentos fortes e consistentes, com viés pratico aplicável.

    Atenciosamente.
  • Mesquita  13/10/2015 11:18
    1 - Não entendi.

    2 - Você é totalmente livre para criar uma metodologia própria, arregimentar um time de especialistas e ir a campo em todo o mundo em busca de dados.

    3 - Respeitosamente, acho que você tem hipermetropia. À exceção exclusiva do Japão, todos os países verdes no segundo gráfico são também vermelho e amarelo no primeiro gráfico.

    Repito: à exceção do Japão, todos os outros países verdes no segundo gráfico são vermelho e amarelo no primeiro gráfico.

    Eu nem sou fã de correlação e de empiria (não acho que uma teoria sólida e bem fundamentada necessita de confirmação empírica), mas, nesse caso, a correlação é quase que plena. Você negar isso apenas mostra um certo desespero de sua parte.

    Quanto a esses países terem welfare, o que é importante ressaltar é que o welfare é uma invenção totalmente recente na história da humanidade (começou no final da década de 1960), e nem sequer completou uma geração ainda. Ou seja, embora ele exista, o welfare ainda (ainda!) não conseguiu suplantar por completo todo o costume oriundo de gerações e gerações. Ele fará isso, certamente; mas ainda não o fez.

    4 - Isso não pode ser respondido em uma mera seção de comentários. Mas qual o seu problema com a caridade das igrejas? Isso funcionou muito bem durante séculos (principalmente na área da medicina), até que o estado se agigantou e se arvorou também essa responsabilidade, aniquilando as igrejas, que viram suas doações minguarem. Qual o seu plano para voltar a fazer as igrejas fortes?

    4b - O que você tem feito nessa área? Já que você trabalha "neste campo há um bom tempo", o mínimo que você deve fazer é apresentar suas conquistas e suas soluções.
  • Slaine  13/10/2015 13:30
    O 3 tem um fundo de verdade, todos esses países supostamente livres infelizmente tem um grande grau de welfare state, até os EUA tem.
  • Mesquita  13/10/2015 14:53
    Sim, e como já dito, o welfare é uma invenção totalmente recente na história da humanidade (começou no final da década de 1960), e nem sequer completou uma geração ainda. Ou seja, embora ele exista, o welfare ainda (ainda!) não conseguiu suplantar por completo todo o costume oriundo de gerações e gerações (como a caridade, por exemplo). Ele fará isso, certamente; mas ainda não o fez.
  • Evandro  13/10/2015 15:14
    Primeiro de tudo, por favor abstenha-se de comentários a nível pessoal (me refiro às suas colocações quanto a "hipermetropia" e "desespero") - vamos nos focar na discussão de ideias.

    1 + 4: trabalho com desenvolvimento urbano e políticas econômicas e sociais há 20 anos, para ONU, Banco Mundial e GIZ (agência de cooperação alemã), incluindo aí implementação de políticas de assistencialismo até de maior liberdade econômica, em pelo menos 10 países (muito) diferentes. Algumas funcionam, outras não. Algumas funcionam em um lugar, outras em outros. Por isso a pergunta sobre heterogeneidade.
    Obviamente 20 anos é um período limitado, mas dizer que algo funcionou ou não funcionou em 20 anos pode trazer uma verdade - junto com a outra de que o que funciona hoje pode não funcionar amanhã, e que nenhuma verdade é eterna (não nesse meio). O mundo está sempre em transição, por isso indago sobre a questão de como mudar de um modo para o outro. Não tenho a solução perfeita, mas entendo que uma combinação de várias frentes, de modo diferente em cada lugar, é o que podemos fazer de melhor - mas, conforme comentei, até diminuir a sua aplicabilidade, e um novo método ser preciso.
    Não citei a palavra "igreja" em nenhum momento, nem quero trazer esse assunto à tona, só queria entender como seria possível erguemos um caso em que os necessitados sejam ajudados de maneira ´automática´, como consequência natural do sistema.

    2 - não tenho essa pretensão, e muitos menos recursos para tal. Na minha visão, por mais que às vezes dado ruim é melhor que dado nenhum, nesse caso dado nenhum me parece melhor do que dado ruim. Ficar elocubrando teorias que não tem bom fundamentos pode ser bem temoroso - minha experiência diz que a prática sem teoria funciona melhor do que teoria sem prática.

    3 - dê uma olhada com mais atenção na lista em https://en.wikipedia.org/wiki/World_Giving_Index. Mianmar, Malásia, Sri Lanka, Butão, Indonésia, Quênia Irã, Jamaica... só pra citar alguns entre os 20 primeiros.




  • Mesquita  13/10/2015 15:55
    "Não citei a palavra "igreja" em nenhum momento, nem quero trazer esse assunto à tona,"

    Fui eu quem citou, e com o óbvio motivo de que, ao longo dos séculos, foram as igrejas (por meio do voluntarismo) e não os governos (por meio da coerção dos impostos) que fizeram as mais efetivas caridades. Você, que orgulhosamente trabalha na ONU e no Banco Mundial (duas agências que sobrevivem com os impostos que são confiscados majoritariamente dos pobres), tem alguma proposta para criar um sistema tão eficaz e abrangente quanto as igrejas?

    Minha pergunta foi essa, e dela você se evadiu.

    "só queria entender como seria possível erguemos um caso em que os necessitados sejam ajudados de maneira ´automática´, como consequência natural do sistema."

    Esse automatismo ocorria quando as igrejas faziam o serviço (sob o comando da ONU e do Banco Mundial é que realmente não vai ter automatismo nenhuam). Seu espanto com essa afirmativa histórica é que me assusta.

    "Na minha visão, por mais que às vezes dado ruim é melhor que dado nenhum, nesse caso dado nenhum me parece melhor do que dado ruim."

    Compreensível. Se dados e fatos vão contra suas crenças, nada melhor do que pedir a abolição destes fatos. O autoritarismo contido nesta sua singela frase é estarrecedor. Não é de se estranhar que você esteja entrincheirado nestes órgãos burocráticos supranacionais vivendo de dinheiro de impostos dos pobres. Combinam bem com seu estilo autoritário.

    "Mianmar, Malásia, Sri Lanka, Butão, Indonésia, Quênia Irã, Jamaica... só pra citar alguns entre os 20 primeiros."

    Você está citando países pobres que são caridosos. No entanto, você próprio havia dito -- e agora espertamente tenta se fazer de bobo -- que não havia comprovações de que países ricos e economicamente livres são mais caridosos. Mostrei para você o mapa e você agora vem se fazer de bobo.

    Seu tipo já é bem manjado por aqui. É gente que tenta defender o autoritarismo estatal, mas que, quando refutado com fatos e argumentos, entra em desespero e tenta alterar os fatos (e agora, explicitamente, pede a abolição desses dados).
  • Evandro  23/10/2015 15:17
    Novamente, favor limitar seus comentarios ao artigo.

    Quanto aos dados, eles mostram que:
    - nao ha relacao direta entre a liberdade economica e solidariedade;
    - os paises com grande liberdade economica que estao no inicio da lista tem sistemas de welfare grande, o que invalida o argumento de que nao ha duplicidade na acao.
    Em suma, o interesse em desqualificar os dados seria dos outros, nao meu. Eu so acho o indice ruim mesmo.

    Quanto a igreja, apesar de ter seu lugar no sistema, nao vejo como o ´coordenador´ das acoes principalmente pelas limitacoes de cobertura de suas iniciativas.
  • Nelio  13/10/2015 11:51
    Perfeito

    E pior, o Estado não apenas assume a obrigação de fazer caridade, como não o faz direito!

    Ele toma os nossos recursos, promete fazer algo com aquilo, e não o faz, o Estado é estelionatário!

    E eu ainda sou obrigado a ver pessoas pedindo pra taxar instituições de caridade, que são formadas voluntariamente e vivem de doações.. a mentalidade Estatista já tomou conta do povo brasileiro..
  • Dissidente Brasileiro  17/10/2015 21:17
    Falando em caridade, que tal isto aqui? Aceitariam ou não?

    Grande varejista pede que funcionários trabalhem de graça
  • Emerson Luis  10/03/2016 11:09

    O Estado gigante não extermina apenas o senso de responsabilidade das pessoas quanto a ajudar ao próximo, ele elimina a capacidade delas de fazê-lo.

    A alta carga tributária (40%) encarece todos os produtos e serviços.

    Os "direitos" trabalhistas encarecem a contratação de mão de obra (103%), achatando os salários.

    As inúmeras regulamentações dificultam ao máximo que se trabalhe por conta própria e ainda mais que se abra uma empresa e contrate pessoas, diminuindo as opções de trabalho autônomo e a oferta de empregos no mercado de trabalho.

    Resultado: a situação de grande parte dos assalariados não é muito melhor do que a situação dos necessitados que pedem ajuda, ou para os quais se pede ajuda.

    Muitos brasileiros não fazem caridade porque eles próprios estão há um passo de precisar receber caridade.

    * * *
  • Rodrigo  28/05/2016 19:21
    Mas é sobre países como Quênia, Irã, entre outros que estão laranja mas que não são tão liberais?
    Acho que ainda falta analisar muita informação e provar que há uma relação de causa e efeito entre liberdade econômica e solidariedade.
    Além disso, acho que mais importante que solidariedade é não haver pessoas que não tem acesso à condições básicas para se viver.
  • Vinicius Cordeiro  11/07/2016 20:55
    Neste site, o autor põe em dúvida os dados do Heritage Fundation. Alegando que a fundação coloca países com muito Estado como tendo mais liberdade, como a Finlandia, e países sem Estado lá em baixo no ranking como Haiti.

    minutoprodutivo.com/economia/por-que-nao-me-entusiasmo-com-o-ranking-da-heritage-foundation
  • O mesmo de sempre  11/07/2016 22:46

    Eu também tenho muitas críticas a fazer à metodologia da Heritage, mas todas as que esse cara fez estão fora do prumo.

    Há dois defeitos sérios na metodologia da Heritage:

    1) A Heritage desconsidera por completo se está havendo ou não expansão creditícia. Ela analisa apenas a taxa de inflação de preços divulgada pelo governo. Se estiver baixa, ela se dá por satisfeita e tece elogios. Pessoas com um mínimo conhecimento tanto de teoria dos ciclos quanto do problema da mensuração de um "nível de preços" sabe que tal postura não apenas é risível como é também extremamente perigosa. Bolhas podem estar sendo formadas, desviando vários recursos da economia para um único setor, sem que isso esteja sendo percebido.

    2) A Heritage defende a farsa da "propriedade intelectual", que nada mais é do que um monopólio garantido pelo estado sobre idéias, algo por definição absurdo, já que não se pode ter propriedade sobre bens não-escassos. Conseqüentemente, a Heritage considera que leis frouxas para defender propriedade intelectual é algo que subtrai liberdade econômica do país.

    Mas é só. Todo o resto da metodologia faz sentido. A crítica feita ao Haiti é totalmente desarrazoada. Falar que o Haiti deveria estar bem "por não ter governo" (isso para mim é novidade, dado que todos conhecem governo do Haiti) é o cúmulo da desonestidade intelectual.

    O Haiti é uma bagunça por todos os motivos explicados em detalhes neste artigo sobre o Haiti.

    Se um país quer enriquecer e prosperar, ele deve criar um ambiente empreendedorial e institucional que garanta a segurança da poupança e dos investimentos. A primeira medida que ele tem de tomar é criar um ambiente propício ao empreendedorismo e à livre iniciativa.

    A única maneira de se sair da pobreza é fomentando a poupança, permitindo o livre investimento da poupança em bens de capital, e estabelecendo um sistema de respeito à propriedade privada que favoreça a criatividade empresarial e a livre iniciativa. O que gera riqueza para um país é poupança, acumulação de capital, divisão do trabalho, capacidade intelectual da população (se a população for inepta, a mão-de-obra terá de ser importada), respeito à propriedade privada, baixa tributação, segurança institucional, segurança jurídica, desregulamentação econômica, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    Em suma, é necessário haver um ambiente que permita que os capitalistas tenham liberdade e segurança para investir e desfrutar os frutos de seus investimentos (o lucro).

    A Heritage leva tudo isso muito bem em conta. Os índices do Fraser Institute e da Doing Business -- que são mais detalhados e mais completos (mas os resultados pouco se diferem dos da Heritage) -- também fazem o mesmo.

    Igualmente descabida foi a crítica feita aos países escandinavos, que, segundo eles, deveriam estar em pior posição. Ora, por quê?

    Na classificação do Instituto Fraser, a Suécia e a Dinamarca possuem mais liberdade econômica até mesmo que os EUA no que diz respeito à estrutura legal e aos direitos de propriedade; a moeda é mais sólida (temos menos inflação), o comércio internacional é mais livre e menos protecionista, e as regulamentações sobre as empresas e sobre o mercado de crédito são mais baixas. Não há uma aquela infinidade de leis que regulamentam profissões e licenças ocupacionais, as quais bloqueiam a concorrência em vários outros países.

    E, segundo o site Doing Business, nas economias escandinavas você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil); as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (no Brasil chegam a 60% se a importação for via internet); o imposto de renda de pessoa jurídica é de 22% (34% no Brasil); o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições); os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para negociar); e o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. Não há uma CLT nos países nórdicos.

    Em suma, a crítica dele erra totalmente o alvo, criticando o que está certo e elogiando o que está errado.
  • anônimo  11/07/2016 23:30
    o que esse autor mostrou é que ele não sabe o que é liberdade econômica e portanto não deveria comentar o que não sabe. liberdade econômica não se resume a carga tributária ou a existência de serviços públicos, mas sim a direitos de propriedade.
  • anêmona  12/07/2016 09:48
    Direitos de propriedade é apenas um dos aspectos da liberdade econômica. Se não me engano, há 5 aspectos.

    O aspecto que mais conta são as regulamentações/burocracias.
  • anônimo  12/07/2016 12:18
    Errado. Direito de propriedade não é um aspecto, é a base da liberdade econômica.

    O que se mede é o quanto esse direito é desrespeitado. Regulamentação, tributação, segurança jurídica, inflação, barreiras alfandegárias, legislação trabalhista e burocracia são varíaveis que medem o quanto o direito de propriedade está sendo violado.
  • anônimo  27/07/2016 22:01
    Eu tenho outra versão dos fatos. Os habitantes dos países liberais são solidários com os pobres porque sabem que estes estão abandonados à própria sorte. Nos países sociais, as pessoas colaboram menos porque sabem que a atitude correta é alertar as autoridades sobre esses necessitados. E o liberalismo é a lei da selva, os fortes sobrevivem e os fracos perecem.
  • Maduro  27/07/2016 22:12
    "E o liberalismo é a lei da selva, os fortes sobrevivem e os fracos perecem."

    O legal dessa afirmação é que a realidade mostra que ela é o total oposto do que ocorre na prática.

    Veja o caso da Venezuela, país em que há 0% de liberalismo. Lá, os ricos e poderosos se fartam no champanhe, ao passo que os pobres que querem sobreviver têm de revirar as latas de lixo.

    Enquanto isso, em países mais liberais, como Suíça, Hong Kong e Cingapura, os fracos enriquecem e os fortes continuam ricos.
  • Jonatas  19/08/2016 18:06
    No gráfico que mostra os países de acordo com o índice de liberdade economica(onde o verde representa maior liberdade) a Austrália figura como um dos países mais livres economicamente. Contudo em pesquisas aqui na net descobri que esse país tem uma alta carga de impostos e que por conta disso o custo de vida é bastante elevado. Outra coisa que descobri é que quanto mais se ganha mais se paga imposto por lá. Este dinheiro arrecadado com os impostos ao que parece é bem aplicado em áreas como saúde, educação e segurança. Bem como volta aos cidadãos na forma de outros beneficios.Pode-se dizer que o Estado trabalhou bem aqui ao cobrar bastante imposto (quanto mais a pessoa é rica mais ela é cobrada)e devolver aos cidadãos isso na forma de melhorarias? Reduzindo asssim desigualdades e melhorando o idh do país? Quero entender a questão.
  • Aussie  19/08/2016 19:04
    "Contudo em pesquisas aqui na net descobri que esse país tem uma alta carga de impostos e que por conta disso o custo de vida é bastante elevado."

    Pesquisei e vi o contrário. Imposto de renda de pessoa jurídica é mais baixo lá do que aqui no Brasil. Impostos indiretos também. Assim como a contribuição previdenciária das empresas e dos empregados (estes pagam míseros 2%).

    Sobre custo de vida, isso varia de cidade para cidade. O custo de vida em Sydney certamente será mais elevado do que em qualquer cidade não-turística.

    O assunto da Austrália me é de particular interesse porque tenho um primo de minha idade --35 anos -- que se mudou pra lá e casou com uma australiana. O emprego que ele tem lá (zelador de universidade) é considerado ralé aqui. Já as condições de vida dele lá só são alcançadas por pessoas de classe média alta aqui.

    "Outra coisa que descobri é que quanto mais se ganha mais se paga imposto por lá."

    Vou lhe contar um segredo que vai abalar suas estruturas: no Brasil também é assim! E em toda a América Latina! E em toda a América! E em toda a Europa! E em toda a Ásia! E também na Oceania!

    Isso se chama imposto de renda progressivo. Pesquise e se surpreenda.

    "Este dinheiro arrecadado com os impostos ao que parece é bem aplicado em áreas como saúde, educação e segurança. Bem como volta aos cidadãos na forma de outros beneficios."

    Em todos os países, inclusive no Brasil, impostos são extraídos exatamente com essa justificativa.

    Agora, é curioso: se eu tenho de dar dinheiro para políticos para que estes então paguem pessoas para me dar saúde, educação e segurança, então não seria mais barato tirar os políticos da jogada e eu mesmo pagar diretamente por saúde, educação e segurança?

    Juro que não conheço ideia mais asinina do que essa: ter de dar dinheiro para políticos para que eles atuem como meros atravessadores. Por que eu não posso ficar com meu dinheiro e escolher eu próprio os serviços que quero receber?

    Gostaria de apenas uma explicação.

    "Pode-se dizer que o Estado trabalhou bem aqui ao cobrar bastante imposto (quanto mais a pessoa é rica mais ela é cobrada) e devolver aos cidadãos isso na forma de melhorarias? Reduzindo asssim desigualdades e melhorando o idh do país? Quero entender a questão."

    Eu é que queria, e muito, entender essa lógica: contratar um atravessador desnecessário e gastar dinheiro com ele (fora os desvios e toda a corrupção) é um arranjo mais inteligente do que deixar que cada um fique com toda a sua renda e escolha por conta própria os serviços que quer?

    Quero entender a questão.
  • Breaking Bad  29/09/2016 06:43
    Citar Faustão e Gugu no contexto de produção de valores é algo bem duvidoso. Eles se dão bem num nicho de mercado TOTALMENTE CONTROLADO pelo estado: Televisão e Rádio, ou seja, o "valor" deles é resultado da ação MONOPOLISTA estatal em todos os aspectos: concessões de TV, de rádio, sistema de ensino (sem homschooling), etc. E o que vem acontecendo, ultimamente, com o advento da internet banda larga e crescimento do Netflix? Resposta: desespero das emissoras de TV abertas, especialmente Globo, Record, SBT, BAND e RedeTV, que vêm perdendo suas receitas, e, pior ainda, quando o esquema petista de publicidade estatal vem sob ameaça de desmantelamento.
    Creio que o artigo, antes de mais nada, deveria introduzir, juntamente com a questão do valor, a hierarquia das necessidades humanas de Maslow e, partir daí, buscar traçar um paralelo. Qual valor relativo teriam os produtos de Faustão e Gugu em uma sociedade sem TV, rádio, celular e diante da necessidade de busca diária da sobrevivência?


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