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Populações de mentalidade anticapitalista têm mais dificuldades para sair de crises

Nos dias de hoje, é considerado politicamente incorreto criticar a cultura a alheia.  E é exatamente isso o que irei fazer aqui, mas de uma maneira muito específica.

O fato é que a Grécia, seja utilizando euros ou dracmas, faça ela parte ou saia da União Europeia, tem de resolver, de alguma maneira, sua disfunção cultural.  E não estou aqui falando de seus costumes, tradições, arquitetura ou música.  E, definitivamente, também não estou falando de sua gastronomia.  Estou falando de sua cultura anticapitalista.

As negociações, os acordos, as contra-propostas, os referendos, as manifestações, os protestos e tudo o que pode existir no meio desse bolo não terão nenhuma importância se os gregos, de modo geral e em grande escala, não se livrarem de seu espírito estatizante e redescobrirem sua excepcionalidade capitalista.

Um perfeito exemplo das consequências de uma cultura anticapitalista pode ser visto na Argentina.  Em teoria, uma crise da dívida soberana seguida de um calote deveria moderar uma nação e fazer com que sua população passasse a defender uma agenda mais racional e pró-livre iniciativa; afinal, foram as loucuras de um estado intervencionista, viciado em endividamento, e adepto de políticas socialistas que tornaram o país totalmente desacreditado no mercado mundial.  Só que isso fica só na teoria.

Na prática, a Argentina, treze anos após seu calote em 2002, e após anos de inflação galopante, escassez de dólares e mal-estar econômico, ainda se mantém inarredavelmente apegada a seus políticos completamente ignorantes, incompetentes, socialistas e hiper-intervencionistas, que continuam destruindo a economia. 

O motivo desse apego?  A cultura.  A essência da cultura econômica argentina nunca mudou.  Quando se tem uma cultura, alto vira baixo, preto vira branco, e fracasso socialista vira fracasso capitalista.

Em seu livro A Mentalidade Anticapitalista, Ludwig von Mises descreveu essa cultura anticapitalismo:

No entender do indivíduo ignorante em economia, todas essas novas indústrias que lhe fornecem produtos básicos, os quais seu pai nunca chegou a conhecer, surgiram por obra de uma entidade mítica chamada progresso.  A acumulação de capital, o empreendedorismo e a inventividade tecnológica em nada contribuíram para a geração espontânea da prosperidade.  Em sua visão de mundo, se há alguém que tem de ganhar os créditos pelo que ele julga ser um aumento da produtividade do trabalho, esse alguém deve ser o operário na linha de montagem. ...

Os autores dessa descrição da indústria capitalista são considerados nas universidades como os maiores filósofos e benfeitores da humanidade; seus ensinamentos são aceitos com respeito e reverência por milhões de pessoas cujas casas, além de outros acessórios, estão equipadas com aparelhos de rádio e de televisão. 

O maior risco para a Grécia não é a adoção de uma austeridade (real ou falsa), não é um calote, não é permanecer no euro e não é retornar ao dracma.  E certamente não é ser expulsa dos mercados internacionais de crédito (o bicho-papão do momento).  O maior risco para a Grécia é o fato de que sua cultura continua inflexivelmente contrária ao livre mercado e ao empreendedorismo, e segue cronicamente adoradora do estado.

Peguemos outro país latino-americano: a Venezuela.  Após vivenciar taxas crescentes de inflação nas décadas de 1980 e 1990, seus eleitores decidiram "inovar": em 1998, para solucionar as inevitáveis consequências do planejamento central e da inflação, os venezuelanos votaram em um planejador central inflacionista: Hugo Chávez. 

E o reelegeram em 2000, 2006 e 2012.  E elegeram seu sucessor, Nicolás Maduro, em 2013, mesmo com a economia já vivenciando uma espiral hiperinflacionista e no rumo certo de um colapso econômico. 

Ou seja, o problema supremo da Venezuela não era a política fiscal e monetária do seu governo, mas sim sua cultura anticapitalista.

E o mesmo ocorre hoje com a Grécia.  Após já ter tido sua dívida reduzida em 50%, de ter tido a permissão de dar um calote parcial — ao poder reestruturar suas dívidas pelos próximos 50 anos a taxas de juros subsidiadas —, e de ter alcançado taxas positivas de crescimento econômico em 2014 após ter reduzido alguns impostos e diminuído um pouco o tamanho de seu governo esclerótico e inchado, essa tóxica cultura grega prevaleceu mais uma vez e optou por eleger um time de socialistas empedernidos e obstinados.  Consequência: o país voltou para o atoleiro.

É claro que não ajuda muito o fato de que, do outro lado da mesa de negociações, haja outro bando de planejadores centrais, como a União Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI.  Não obstante, a Grécia só está presa em uma negociação envolvendo dois lados adeptos do planejamento central porque sua população se manteve muito ocupada exigindo benesses estatais em vez de liberdade.

A maioria dos países vivencia problemas — mas alguns se saem melhores que outros

Qualquer nação soberana pode cometer o erro de eleger um governo irresponsável que irá gastar mais do que arrecada e, consequentemente, jogar o país em problemas financeiros.  A maioria dos países já fez isso. 

Há não muito tempo, mais precisamente em 1976, a Grã-Bretanha foi a obrigada a, de chapéu na mão, ir ao FMI implorar por ajuda financeira e, com isso, ceder sua soberania fiscal àquela instituição.  Já no final da segunda metade da década de 1970, a Grã-Bretanha estava uma completa bagunça.  Não foram poucas as previsões da imprensa de que a derrocada do país era definitiva.

E os EUA não estavam em uma situação muito melhor.  Após o governo americano ter dado um calote sorrateiro em suas obrigações internacionais em 1971 — ao abolir o que restava do padrão-ouro, e com isso se ver desobrigado de restituir em ouro todos os dólares em posse dos Bancos Centrais mundiais —, os EUA sofreram uma crescente crise inflacionária por toda a década de 1970, à medida que a confiança no dólar desabava e, com ela, seu poder de compra.

Ambos esses países, no entanto, se recuperaram. 

E o mesmo aconteceu com Chile, Uruguai e as Filipinas após suas turbulências fiscais e financeiras nas décadas de 1970 e 1980.

Mas alguns países simplesmente não conseguem se recuperar, e acredito que isso acontece quando a cultura nacional é, ou se tornou, fundamentalmente anticapitalista, com sua população resignando-se à patética condição de dependência estatal, implorando por um estado que promete cuidar do cidadão do berço ao túmulo.

Além de Argentina e Venezuela, também já testemunhamos duradouras prostrações econômicas, após dolorosas crises, em países como Zimbábue, Gana, Bolívia, Nigéria, Rússia, Turquia e, agora, o sul da Europa.  Esses países não aprendem com seus erros, pois eles parecem não quererem — ou não serem capazes de — entender a lição em meio à névoa intelectual gerada por seu decadente estado de espírito cultural.

A lição é realmente clara.  Uma crise econômica pode sacudir uma nação fundamentalmente pró-capitalismo (ou majoritariamente pró-capitalismo) — que, em decorrência de um erro político, fez alguma lambança na economia —, e impulsioná-la novamente ao rumo certo.  Por outro lado, não há nenhuma garantia de recuperação quando a cultura já se afundou em um anticapitalismo infantil, em um estatismo disfuncional, em uma dependência paralisante em relação ao governo, e em um antagonismo adolescente em relação ao empreendedorismo e à autoconfiança. 

Para esse estado de espírito, uma crise não apenas não será a precursora de uma recuperação, como também será apenas o início de um longo, profundo e irreversível declínio nacional.

Somente uma mudança cultural resultante da difusão de ideias sólidas e sensatas pode fazer com que Grécia, Argentina, Venezuela e outros países se tornem uma terra fértil capaz de aceitar soluções reais.  A necessidade de difundir ideias pró-liberdade, pró-mercado e pró-livre iniciativa nunca foi tão urgente quanto agora.


2 votos

autor

Russell Lamberti
é co-fundador do Instituto Ludwig von Mises da África do Sul e estrategista-chefe da firma de investimentos ETM Analytics. É também co-autor do livro When Money Destroys Nations. Mora em Joanesburgo.


  • PAMELLA  13/07/2015 14:49
    O Brasil esta no mesmo caminho!! mta gente ignorante acha que o governo deve dar tudo porque pagam mto tributo...deveriam pedir a redução destes e menos interevenção do estado, assim como a sua redução...Na minha cidade, por exemplo, a maioria das familias tem ao menos um membro mamando na prefeitura, é um absurdo! pior que o prefeito sempre se elege, fica assim institucionalizada uma corja de onde a população eh a maior apoiadora, justamente porque recebe beneses, e com isso acabam virando parasitas sociais. Lá no futuro seus filhos serão iguais e assim sucessivamente, um grande ciclo vicioso, realmente só vai parar quando a mentalidade das pessoas mudar, e isso nao é do dia pra noite!!
  • Didi  13/07/2015 16:15
    Pamella

    Sobre o teor do artigo e vosso comentário, note o que disse o ilustre economista Samuel Pessoa:

    Os petistas sinalizam que, se as conversas do impedimento evoluírem, forçarão uma guinada da política econômica em direção ao populismo bolivariano...

    Leia matéria completa:

    rota2014.blogspot.com.br/2015/07/a-situacao-se-complica-por-samuel-pessoa.html
    www1.folha.uol.com.br/colunas/samuelpessoa/2015/07/1654703-a-situacao-se-complica.shtml
  • Dedé  13/07/2015 17:14
    Bem que o PT queria, mas só falta duas coisas ao PT: força e apoio popular.

    O PT não tem no Brasil a mesma força que o tem o chavismo na Venezuela. Sempre foi refém da base aliada. A maior força política do país é o PMDB, fora os antigos udenistas que estão no PSD, PP e DEM. Essa turma não irá aceitar que o PT coloque suas mangas de fora.

    Uma guinada mais a esquerda seria possível se apesar da crise, a popularidade estivesse alta, o PT tivesse o dobro de prefeitos, vereadores, deputados estaduais, mais governadores, senadores, uma bancada de uns 150 deputados federais e o apoio de parte considerável das forças armadas.

  • Pedro Mundim  13/07/2015 18:43
    O que vale é que, ao contrário da Venezuela e da Argentina, a militância do PT é desarmada e entretida com o chamado marxismo cultural.

    Nossa cultura também é anti-capitalista, mas somos bem mais conservadores e avessos ao caudilhismo que nossos hermanos.
  • Breno  15/07/2015 02:06
    O Bolivarianismo está morto!

    Quanto ao PT, este se suicidou ao reeleger Dilma. O sensato era o PT deixar a bola da crise com o PSDB e conservar seu papel na política nacional. (Conjecturo que a crise na Venezuela não permitiu o PT abrir mão do governo no momento, e também o medo de avanço da operação lava jato).

    Quanto ao texto de Samuel Pessoa.


    O partido da presidente tenta se distanciar ao máximo dela como que para não se contaminar com a impureza do ajuste. O próprio ex-presidente Lula, visto por muitos como artífice da ida de Levy para a Fazenda e do ajuste econômico, lança sinais dúbios, em uma clara tentativa de salvar sua possível candidatura em 2018.

    A deixar claro, a maior rejeição não é quanto a Dilma! A rejeição é contra o PT, a população esta contra os petistas. Isso foi causado pelo próprio PT e sua política de "nós contra eles".

    O próprio Lula deixou isso claro. E Lula, que nunca foi um tolo, está buscando um meio de se distanciar do PT. O problema é que a historia de Lula e o PT se integram! A imagem do PT sempre foi Lula, e este representa o PT.

    O resultado que se formou na cabeça das pessoas é que ser petista é ser como Lula. Dirceu é como Lula, Dilma é como Lula.

    O PT nunca desenvolveu outras face como por exemplo o PSDB: Mario Covas, FHC, Alckmin e Serra.. . Não que não tenha sido tentado, mas o mensalão acabou com isso.

    Quanto a Dilma sempre foi fraca e impopular, sem Lula não teria nunca sido eleita.


    A oposição, muito machucada com o vale tudo da campanha, resolveu atacar de oposição ao estilo petista, indo contra, inclusive, ao seu legado mais importante, a responsabilidade fiscal.

    Quando a popularidade do governo chega a um digito, é suicídio político ir junto com ele. E afinal quando políticos põe o bom senso antes do oportunismo?

    E quanto a tal legado, não o está atribuindo somente ao PSDB está? ...

    O enredo que geraria dinâmica parlamentar construtiva seria reconhecimento explícito pela presidente dos erros e da necessidade de ajustar e o apoio incondicional das forças políticas petistas ao diagnóstico e ao ajuste. Este passo criaria espaço para a cooperação da oposição.

    Vamos ser claros "dinâmica parlamentar construtiva" é Dilma renunciar, mas ela é uma psicótica de esquerda e 'isto ser impossível!'. Quanto a esperar apoio dos petistas é delírio.

    O que temos é uma dinâmica política disfuncional. Todos querem distância do ajuste econômico. O PMDB pensa em abandonar a coordenação política; o PSDB virou populista

    QUÊÊÊ???

    PMDB abandonar a chave do curral?
    PSDB rei da virtude estatista de outrora?

    ; ambos, PMDB e PSDB, fazem as contas sobre o possível impedimento da presidente.

    Algum partido não faz as contas hoje?
  • tupac  13/07/2015 14:50
    O artigo é muito bom, muito bom mesmo.

    Eu iria sugerir uma correção no título: "Populações burras e de mentalidade anticapitalista..."

    Mas aí eu me toquei que seria pleonasmo.
  • Tiago silva  13/07/2015 14:52
    A conclusão a que eu chego é trágica,só pode haver mudança nesses países quando a economia tiver completamente destruída,ai sim quem sabe uma mudança para melhor possa acontecer.
  • Fred  13/07/2015 15:56
    "A conclusão a que eu chego é trágica, só pode haver mudança nesses países quando a economia tiver completamente destruída, ai sim quem sabe uma mudança para melhor possa acontecer."

    Nem assim. Existem dois tipos de países: os que criam as tendências e os que as seguem. A grande maioria dos países são simples seguidores de tendência. As coisas só vão mudar de verdade quando "a vaca for pro brejo de vez" nos países que criam tendências. Antes disso, os países seguidores vão continuar apenas dando cabeçadas, nada mais.
  • Ricardinho  14/07/2015 03:21
    Nem sempre com crises se vê mudanças. Há muitas pessoas que procuram resultados diferentes fazendo as mesmas coisas. É o caso dessa gente da esquerda. Eles acham que o socialismo não deu certo em um determinado pais porque foi mal aplicado.
  • Vinicius  13/07/2015 16:06
    Ou não, Cuba, Venezuela, Somália, Coréia do Norte, Haiti, Afeganistão e etc estão aí para provar que o povo não aprende nunca.
    E como as invasões/colonizações estão fora de moda, ficam no status quo.
  • Fred  13/07/2015 16:52
    Esses países (Cuba, Venezuela, Somália, Coréia do Norte, Haiti, Afeganistão etc) não criam tendência para ninguém. Os socialistas, dentre eles, seguem a tocada da China como referência de "sucesso".
  • Vinicius  13/07/2015 17:40
    Entendi, é verdade, e a vaca irá pro brejo de vez em breve mesmo, mas vai ser a vaca global: www.mises.org.br/Article.aspx?id=2019

    g1.globo.com/economia/noticia/2015/07/juros-nos-eua-devem-subir-ainda-neste-ano-diz-chair-do-fed.html
  • Rene  13/07/2015 17:42
    Referência de sucesso... Só que não.

    www.infomoney.com.br/blogs/ponto-de-reversao/noticia/4141375/esqueca-grecia-maior-ameaca-china
  • Fred  13/07/2015 18:35
    Exato. Por isso escrevi sucesso entre aspas.
  • Luiz Silva  13/07/2015 18:00
    Destruição e miséria ensinam pouco onde só se tem burros, sem uma elite intelectual, gente capaz de escrever, educar, formar um pensamento nacional, somente por milagre.
  • Fernando Bindel  21/10/2015 13:58
    Mas a nossa dita "elite intelectual" é atrasada e social-comunista. Defende um mundo que já não mais existe e que se demonstrou inviável seja onde quer que tenha chegado ao poder. Enquanto se locupleta em um Estado que, cada vez mais, menos condições tem de manter seus privilégios. Privilégios que não vêm ao caso no velho discurso dessas próprias elites. A USP e a grande maioria de seu corpo docente, mantido com salários burgueses, é o maior exemplo dessa pseudo elite de esquerda, ultrapassada e anacrônica, empuleirada em privilégios vitalícios e, muitas vezes, até hereditários. Há anos engana, patrulha, e aleija mentes jovens e inocentes, sempre no intuito maior de se perpetuarem em seus próprios privilégios. Há muito, mais destroem do que constroem. Não ensinam. Apenas parasitam.
  • Lucas Oleiro   13/07/2015 14:53
    Sair de crises implica ter criatividade e, principalmente, trabalhar muito. Taí uma cultura em falta.
  • Guilherme Comes  13/07/2015 14:54
    A mentalidade anticapitalista é a doença mais perigosa que um país pode contrair.
  • João Paulo Balderrama Kishi   13/07/2015 14:54
    O pior de tudo é ler o texto e perceber que caminhamos a passos largos para esta situação. A mentalidade brasileira é justamente esta descrita no texto. E não duvido nada elegerem o Molusco nas próximas eleições utilizando-se de campanhas publicitárias mirabolantes que o elevarão a salvador da pátria.
  • Marcos Vinicius Lopes   13/07/2015 14:55
    Argentina e Grécia são casos perdidos.. A Venezuela talvez mude
  • Marcelo Boz  14/07/2015 17:32
    Não entendi.
    A Venezuela talvez mude como? Virou explicitamente comunista!
    Desses talvez a Argentina tome jeito num futuro distante.
    E nós brasileiros não fomos para o fundo do posso pois temos um agronegócio muito poderoso; ele é que nos sustenta.

    Att
    Marcelo Boz
  • Luis Alberto Di Lorenzo   13/07/2015 14:56
    A explicação é simples e lúcida. A mente, como sempre, comanda tudo. A realidade não importa, importa a ideia! Se a estupidez é uma medida, o socialismo é a unidade.
  • Victor Alves   13/07/2015 14:56
    Lógico! Todo anticapitalista é sustentando pelos pais, é funcionário público, trabalha em alguma ONG ou parasita o Estado de alguma forma. Quanto menor o tamanho Estado menores a chances dele conseguir seu ganha pão.
  • Deko Rubistein   13/07/2015 14:57
    De acordo com Albert Einstein, "insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes." Nisso, governos socialistas são irresponsavelmente soberanos!
  • Alguem  13/07/2015 15:06
    Pessoal vocês viram que a União Europeia decidiu manter o apoio financeiro a Grécia.

    g1.globo.com/economia/noticia/2015/07/lideres-da-zona-do-euro-chegam-acordo-para-crise-da-grecia.html

    Qual a consequência disso para o futuro? O que vai acontecer com a Grécia agora?
  • Marcos  13/07/2015 15:31
    Ótimo artigo. É bem por aih. Infelizmente o estouro do currency board argentino foi visto como fracasso neoliberal. Estao há 15 anos patinando na retórica anticapitalista. Para eles capitalismo nao é soluçao.
  • Leandro  13/07/2015 15:53
    O Currency Board argentino não estourou. Ele foi estourado pelo próprio governo.

    O regime cambial argentino funcionou perfeitamente (a inflação foi 0% durante 4 anos) -- até que o governo argentino resolveu destruí-lo, o que, aí sim, gerou os problemas.

    O governo destruiu a lei de conversibilidade justamente porque ela o amarrava, disciplinando seus gastos e sua expansão. Aí, imediatamente após a destruição da conversibilidade, a Argentina mergulhou no caos, na miséria e na depressão.

    Aliás, é gozado ver como as pessoas invertem as coisas: um sistema é implantado, funciona como o esperado, o governo não gosta, destrói o sistema, o país mergulha no caos como consequência disso, e aí as pessoas dizem que a culpa de tudo é do sistema que foi destruído. Inacreditável.
  • Marcos  13/07/2015 17:59
    Foi estourado pelo governo, dado que politicamente ele ficou insustentavel

    Nao foi o do tipo: "ah, que belo dia hoje, que tal mexermos no CB hoje?"
  • Marcos  14/07/2015 13:46
    "imediatamente após a destruição da conversibilidade, a Argentina mergulhou no caos, na miséria e na depressão."

    Vc está certo. PIB chegou a cair 10.9% em 2002.

    Mas e o momento subsequente?

    Escolha a alternativa que mais lhe parecer correta:

    O PIB argentino cresceu 8.8% em 2003, 9.0% em 2004, 9.2% em 2005. 8.4% em 2006 e 8.0% em 2007. Tal crescimento expressivo se deu:

    A) Pelo totó na dívida externa. Default gera crescimento. Pagar para que?
    B) Pelas acertadas medidas macro-econômicas do casal Kirchner e a retórica anticapitalista. Casal sabe tudo e mais um pouco sobre Economia.
    C) Pois PIB foi manipulado. Na verdade continuou caindo 5% em média até o fim da década.
    D) Pela mera saída do Currency Board e a flutuação da moeda.

    Não vale falar em boom da China pois países exportadores de cmmdts cresceram menos que isso no período. Questão da base estatística mais baixa se encerra no segundo ano. E carry-over para 2003 fica de brinde.
  • Leandro  14/07/2015 15:04
    "Tal crescimento expressivo se deu"

    Em decorrência de ter partido de uma base extremamente baixa. Isso é matemática pura. Se um país rico (e a Argentina era um país rico, com muito capital acumulado) entra em forte recessão, seu crescimento subsequente será -- em termos puramente matemáticos -- extremamente alto, pois há capital acumulado para permitir isso.

    Como um exercício teórico, se o PIB americano cair 12% em um ano, eu posso lhe garantir que, nos anos seguintes, a taxa de crescimento do PIB americano será maior que a taxa chinesa.

    E o que isso significa? Menos do que aparenta. No caso da Argentina, não obstante todo esse "crescimento", foi só em 2007 que eles voltaram ao PIB per capita de 1998.

    E a qualidade de vida de um argentino médio hoje é muito pior que o de meados da década de 1990. Naquela época, a moeda argentina era poderosa e o país era um imã de investimentos estrangeiros. Já hoje, não há nem absorventes no país.

    Mas isso não é visível nos números do PIB.

    "A) Pelo totó na dívida externa. Default gera crescimento. Pagar para que?"

    Por essa lógica, era para o Brasil ter virado uma potencia na década de 1980, quando demos um calote. Aliás, era para a Grécia ser a maior economia do mundo, já que ela dá calotes desde o século XIX. Deu calotes em 1826, 1843, 1860, 1893, 1932, 2015

    "B) Pelas acertadas medidas macro-econômicas do casal Kirchner e a retórica anticapitalista. Casal sabe tudo e mais um pouco sobre Economia."

    Se duvidar, isso faz até mais sentido que o item A e que a ideia de que os números do PIB explicam tudo...

    "C) Pois PIB foi manipulado. Na verdade continuou caindo 5% em média até o fim da década."

    De fato, há relatos sobre isso, mas, como não há provas concretas, não entrarei nesse mérito.

    "Pela mera saída do Currency Board e a flutuação da moeda."

    China e Hong Kong, dois países cujos PIBs mais crescem no mundo, não têm câmbio flutuante. No Brasil, a população só melhora de vida quando o câmbio flutua rumo a uma apreciação do real. Já na própria Bolívia, cujo crescimento vem "espantando" alguns na imprensa, o câmbio é fixo desde o fim de 2011 (o que mostra que a retórica anti-americana de Morales é só da boca pra fora; na hora que realmente interessa, o índio, que de bobo não tem absolutamente nada, adota o dólar como âncora para a sua moeda)

    "Não vale falar em boom da China pois países exportadores de cmmdts cresceram menos que isso no período."

    Nunca utilizei esse argumento, nem mesmo para explicar o crescimento ocorrido no governo Lula.

    "Questão da base estatística mais baixa se encerra no segundo ano."

    Só para quem é cegado por números de PIB e acredita que eles traduzem fielmente a realidade econômica.

    De novo: em qual destes dois anos um argentino tinha uma qualidade de vida melhor: em 1998 com uma moeda forte ou hoje, em que não há nem absorventes no país?

    "E carry-over para 2003 fica de brinde."

    Dispenso.
  • Marcos  14/07/2015 16:08
    "E a qualidade de vida de um argentino médio hoje é muito pior que o de meados da década de 1990. Naquela época, a moeda argentina era poderosa e o país era um imã de investimentos estrangeiros."

    Era super poderosa mesmo. Tao poderosa que nao era crível e mercado falou mais alto.

    PS. China tem cambio fixo mas joga a seu favor. Se soltar o cambio, teremos uma megaVALORIZACAO. Inverso do caso argentino. Vc deve saber disso.....

  • Leandro  14/07/2015 17:47
    "Era super poderosa mesmo. Tao poderosa que nao era crível e mercado falou mais alto."

    Errado de novo. 

    Enquanto vigorou o arranjo de Currency Board -- o qual, por definição, não tem como entregar uma moeda "não-crível" --, o fluxo de capitais estrangeiros ao país foi recorde. Não há maior sinal de crença do mercado do que essa. Pode conferir:

    www.tradingeconomics.com/embed/?s=argentinacapflo&d1=19900101&d2=20151231

    Desde que se adotou o câmbio flutuante, como mostra o gráfico acima, o fluxo de capitais para a Argentina nunca mais foi o mesmo. Aliás, ele raras vezes voltou a ser positivo.

    Aí, em 2001, o governo decidiu mudar completamente a legislação do Currency Board. Aí sim o arranjo perdeu a credibilidade. 

    Ou seja, foi o próprio governo quem destruiu o arranjo, e não o mercado. É necessário ter mais cuidado ao se sair atribuindo culpas e isentando responsabilidades.

    "PS. China tem cambio fixo mas joga a seu favor. Se soltar o cambio, teremos uma megaVALORIZACAO. Inverso do caso argentino. Vc deve saber disso....."

    Ué, que contradição é essa? Se o arranjo argentino "não era crível e o mercado falou mais alto", então por que diabos o mercado também "não fala mais alto" no caso chinês? Afinal, há muito mais lucros a serem feitos no caso chinês. 

    Se o renminbi se valorizar perante o dólar, os investidores estrangeiros investidos em renminbi vão faturar horrores. Já quando uma moeda se desvaloriza -- como ocorreu com o peso após o governo argentino destruir o Currency Board --, os investidores estrangeiros que estão investidos na moeda tomam um ferro quente.

    Se o mercado falou mais alto no caso argentino, então ele também tem de falar ainda mais alto no caso chinês (pois neste sim há vultosos ganhos a serem feitos).  

    Entenda: quem destruiu o arranjo argentino foi o próprio governo, e não o mercado.  Os eventos foram narrados em detalhes excruciantes aqui.

    Enquanto vigorou o Currency Board, o mercado aprovou o arranjo.
  • Marcos  14/07/2015 21:50

    "não tem como entregar uma moeda "não-crível""

    Mas tem como entregar nível de peg nao crível.......Com o passar do tempo se mostrou ficçao achar que 1 dólar seria igual a 1 peso. Competitividade da economia se esgarçou.

    A China consegue segurar o mercado pq é muito mais difícil forçar uma valorizaçao do que uma desvalorizaçao.

    Vc vive com uma moeda artificialmente desvalorizada, mas com uma artificialmente valorizada só enquanto contar com a boa vontade dos seus credores, especialmente se tiver dívida em dólar como no caso argentino.

    China simplesmente compra reservas, nao precisa vender. Ou seja, nao fica sem muniçao. Vc deve entender isso....

    A questao é pq o governo "destruiu o arranjo argentino"?

    Claro, podemos dizer do governo gastao. O fato é que ficou insustentável política, fiscal e economicamente (Desemprego estava em 18% em Dez/01).

    Eles até cortaram pensoes correntes. Coisa impensável no Brasil, onde nem conseguimos mudar a aposentadoria de quem AINDA vai se aposentar.

    Fato é que o estouro do CB pôs mais adubo no sentimento anticap dos hermanos.

    Let it flow. CB se mostrou ilusao e ainda cobra seu preço até hj.

    PS. Só a sua obsessão com o CB nao te deixa ver isso. Até achou que as minhas alternativas A, B e C fossem críveis e nao notou a ironia. Te dou o gabarito: Resposta certa é D).
  • Leandro  14/07/2015 23:54
    "Mas tem como entregar nível de peg nao crível"

    Não, não tem. Quem afirma isso não entende como funciona um Currency Board. Se você escolhe um valor "sobrevalorizado", haverá remessa de capitais para o exterior. Consequentemente, haverá contração da base monetária e deflação, fazendo com que o câmbio real fique no seu valor correto. O inverso ocorre para a eventual escolha de um valor subvalorizado.

    Isso está em todas as literaturas básicas do Currency Board. Só ignora isso quem palpita sobre algo sem conhecer seu básico.

    "Com o passar do tempo se mostrou ficçao achar que 1 dólar seria igual a 1 peso. Competitividade da economia se esgarçou."

    Quais os fatos para sustentar esses argumentos? Seria bom você apresentá-los.

    Por exemplo, um dos argumentos que se utiliza para dizer que o câmbio está tornando uma economia menos competitiva é a evolução das exportações. No caso argentino, as exportação aumentaram após a adoção da paridade cambial. Pode conferir:

    www.tradingeconomics.com/charts/argentina-exports.png?s=arbabexp&d1=19900101&d2=20001231

    Tal aumento das exportações é perfeitamente compreensível: como já explicado inúmeras vezes neste site (veja uma explicação detalhada aqui), quanto mais baixa é a inflação de preços, mais eficientes se tornam as indústrias de um país. Menores são seus custos e maior a sua produtividade. Simultaneamente, quanto mais forte e estável é a moeda, mais fácil e mais barata é a obtenção de bens de capital e de peças de reposição no mercado internacional.

    "A China consegue segurar o mercado pq é muito mais difícil forçar uma valorizaçao do que uma desvalorizaçao. Vc vive com uma moeda artificialmente desvalorizada, mas com uma artificialmente valorizada só enquanto contar com a boa vontade dos seus credores, especialmente se tiver dívida em dólar como no caso argentino."

    A dívida em dólar era do governo. Era só o que faltava agora: o governo se endivida além da conta, e a culpa é do Currency Board...

    No que mais, essa sua afirmação ("Vc vive [...] com uma [moeda] artificialmente valorizada só enquanto contar com a boa vontade dos seus credores") não faz nenhum sentido econômico: se eu lhe devo em dólares e você toma medidas para desvalorizar o real, você está dificultando sobremaneira o serviço da minha dívida. Está pedindo para tomar um calote.

    Na prática, a desvalorização de uma moeda acaba servindo de desculpa perfeita para o governo devedor. Se a moeda dele se desvaloriza subitamente, ele não terá como adquirir dólares para pagar o serviço de sua dívida. "Ooops, lamento; como minha moeda se desvalorizou, não tenho mais como pagar o serviço da minha dívida para com você. Ficou pra próxima. Abração!"

    "A questao é pq o governo "destruiu o arranjo argentino"? Claro, podemos dizer do governo gastao. O fato é que ficou insustentável política, fiscal e economicamente (Desemprego estava em 18% em Dez/01)."

    O desemprego era alto por causa das regulamentações trabalhistas e dos seguidos aumentos de impostos do governo (ordens do FMI). É inacreditável culpar a única instituição que funcionava e que realmente trazia estabilidade (o Currency Board).

    Por essa sua lógica, o alto desemprego em Detroit e nos estados do Mississippi e Louisiana são culpa do dólar, o que significa que tais localidades deveriam adotar o bolívar...

    "Eles até cortaram pensoes correntes."

    Fizeram isso depois que abandonaram o regime de conversibilidade. Aliás, todas apensões privadas foram pesificadas compulsoriamente pelo governo, fazendo com que seus valores em dólares caíssem à metade. Para completar, em 2008, o governo simplesmente estatizou compulsoriamente todas as pensões privadas do país.

    Por que você não menciona isso?

    "Fato é que o estouro do CB pôs mais adubo no sentimento anticap dos hermanos."

    Uma medida política gera um sentimento anticapitalista em argentinos e a culpa é de instituições capitalistas? Por essa lógica, o fato de o Plano Cruzado ter gerado escassez e revoltas também deve ser culpa do capitalismo...

    "Let it flow. CB se mostrou ilusao e ainda cobra seu preço até hj."

    Ainda à espera de um único argumento contra. Você cita medidas estatais e imputa suas consequências a quem nada tem a ver com isso. Currency Boards entregaram exatamente o que prometeram em Hon Kong, Cingapura, Bulgária, Estônia, Lituânia, Letônia.

    Na Argentina, também entregou o que prometeu. Até o governo resolver mudar o sistema. Aí você culpa quem? Inacreditável.

    "PS. Só a sua obsessão com o CB nao te deixa ver isso."

    Eu cito fato, argumentos e aponto culpados. Já você recorre apenas a chavões ("Let it flow." CB se mostrou ilusão") e faz afirmações sem sustentá-las ("Competitividade da economia se esgarçou").

    Você, obviamente, tem todo o direito de não gostar de um determinado arranjo. Mas tem de apresentar argumentos e sustentá-los com teorias e fatos. E não apenas com afetações de sentimentalismo.

    "Até achou que as minhas alternativas A, B e C fossem críveis e nao notou a ironia."

    Pelo visto, foi você quem não notou a ironia em minhas respostas (algo bastante evidente, por exemplo, na resposta do item B).

    "Te dou o gabarito: Resposta certa é D)."

    Você está dizendo que o que possibilitou a "recuperação" da economia argentina foi ter adotado um câmbio flutuante? Então isso realmente prova que você não sabe absolutamente nada de economia.

    A Argentina era um país rico na década de 1990 e hoje é uma chacota no cenário internacional. Sua moeda é patética, sua população não tem poder de compra, e as pessoas praticamente têm de implorar ao governo para fazer uma viagem ao estrangeiro.

    Tão logo adotou-se o câmbio flutuante, a porcentagem de pessoas abaixo da linha de pobreza na grande Buenos Aires -- uma cifra que chegou a ser de 16,1% em maio de 1994 -- saltou para 54,3% em outubro de 2002, um valor ainda maior do que o do ano de 1989 (47,3%), quando o país vivia sob hiperinflação.

    Em nível nacional, a pobreza chegou a 57,5% da população, a indigência a 27,5% e o desemprego a 21,5%, todos níveis recordes para o país.
  • Vinicius  15/07/2015 12:00
    Leandro Monster Kill, recheado de dados e argumentos, qualquer leigo que visitou a Argentina nos anos 90 e agora vê com os próprios olhos a decadência, apesar do PIBão Kirchner e políticas keynesianistas.
    Minha mãe conheceu a terra dos hermanos nos anos 70, disse que a classe media alta brasileira ia fazer tratamentos médicos complexos na Argentina, mês passado nem antibiótico consegui por lá.
  • Leandro  15/07/2015 12:12
    É intelectualmente inaceitável pessoas quererem discutir economia valendo-se exclusivamente de números abstratos de PIB (os quais, aliás, são fornecidos unicamente por governos, sem auditoria nenhuma).

    Qualquer um que tenha ido à Argentina na década de 1990 e volte lá hoje irá perceber que os números de PIB simplesmente não explicam nada da acentuada regressão que ocorreu por lá. A qualidade de vida regrediu pavorosamente.

    Aliás, PIB por PIB, o PIB oficial da Venezuela em 2014 foi maior que o PIB da Suíça em 2007. Isso significa que o padrão de vida na Suíça de 2007 era pior que o da Venezuela hoje?
  • Marcos  15/07/2015 22:38
    Como disse no meu primeiro comentário: sentimento anticap lah ainda continua em parte pelas sequelas do estouro e o ideário "neoliberal" do Currency Board. Sabemos que isso é bobagem, mas pegou e ainda pega.

    E o crescimento forte nos 5 anos seguintes, ajudou na mentalidade anticap. Para mim, cresceu exatamente pela flexibilizacao do cambio. E dado que era um espasmo corretivo tinha hora para acabar. Como de fato acabou.

    Só que durante esses 5 anos de alto crescimento, a demagogia dos kirchner creditou isso no: default, na banana pro FIM, no fim de políticas neo-liberais, blablabla (aka mentalidade anticapitalista)

    Aih a realidade falou mais alto (sempre) e a latinidade voltou. Nao aceitaram a estagflaçao, controlaram os precos, culparam os produtores malvadores, tributaram o agronegocio, dificultaram importacoes, toda a cartilha intervenconista e sua espiral mortal.

    Em vez de dizer que o "o regime cambial argentino funcionou perfeitamente" e o problema foi a mexida em 2001 e "aí sim o arranjo perdeu a credibilidade" - quase como uma barbeiragem após um noite mal dormida, uma extravagância duma tarde de outono nos trópicos – melhor dizer que ele nunca foi implementado corretamente

    Pode escolher via wiki:
    Flaws in implementation
    The main qualities of an orthodox currency board are:
    • A currency board maintains absolute, unlimited convertibility between its notes and coins and the currency against which they are pegged, at a fixed rate of exchange, with no restrictions on current-account or capital-account transactions.
    • A currency board's foreign currency reserves must be sufficient to ensure that all holders of its notes and coins can convert them into the reserve currency (usually 110–115%).
    • A currency board only earns profit from interest on reserves (less the expense of note-issuing), and does not engage in forward-exchange transactions.
    • A currency board has no discretionary powers to affect monetary policy and does not lend to the government. Governments cannot print money, and can only tax or borrow to meet their spending commitments.
    • A currency board does not act as a lender of last resort to commercial banks, and does not regulate reserve requirements.
    • A currency board does not attempt to manipulate interest rates by establishing a discount rate like a central bank. The peg with the foreign currency tends to keep interest rates and inflation very closely aligned to those in the country against whose currency the peg is fixed.
    The Argentine currency board violated all these rules at one time or another, except that of a fixed exchange rate. Full convertibility with the U.S. dollar became jeopardized upon implementation of exchange rate controls that provided a preferential exchange rate for exports. The currency board was allowed to hold up to one-third of its dollar-denominated reserves in the form of bonds issued by the government of Argentina. It acted as lender of last resort and regulated reserve requirements for commercial banks. And it engaged in monetary policy activities. The impact of all this was to reduce the credibility of the Argentine government's intent, and to put speculative pressure on the peso, despite the peg.


    Ou via Lew Rockwell:

    Muitos outros estavam ansiosos para jogar a culpa da crise argentina no currency board (conselho da moeda), um sistema que elimina a capacidade do banco central criar dinheiro além de suas reservas internacionais. O problema é que a Argentina nunca teve um verdadeiro currency board, apesar de toda a propaganda. Em 1991, o governo meramente fixou uma moeda sobrevalorizada, o peso, ao dólar. Entrementes, de 1991 a 1994, o banco central explodiu a oferta de peso, fazendo com que a média anual de crescimento fosse de 60 por cento (em um momento chegando a 140 por cento!). Logo em seguida, ele pisou no freio com força.

    A contração até que resolveu o problema da inflação na Argentina, mas não resolveu o problema do peso sobrevalorizado, nem o problema da dívida crescente causada por empréstimos irresponsáveis feitos pelo FMI. Impostos e gastos governamentais dispararam. As alíquotas dos impostos de renda e corporativo subiram para 35 por cento, o que é bem mais do que qualquer economia em desenvolvimento pode tolerar.
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=79
    Texto que vc mesmo traduziu, mas nao sei se leu.

    "Isso está em todas as literaturas básicas do Currency Board. Só ignora isso quem palpita sobre algo sem conhecer seu básico."

    Palpiteiro esse Rockwell..............

    basta
    abs
  • Leandro  15/07/2015 23:29
    Ou seja, após todas as suas vituperações contra a instituição do Currency Board, você volta aqui e, com a cara lavada, admite que o governo argentino, de fato, o avacalhou por completo.

    Que bom que você fez, ainda que a contragosto, essa retratação.

    Em meu artigo sobre a Argentina, narrei todas as alterações -- e em ordem cronológica -- feitas pelo governo. O artigo deixa claro que o CB argentino não era ortodoxo (nem tinha como ser, afinal, ele era operado pelo Banco Central argentino), mas que, em termos de estabilizar a economia e abolir a carestia, seu histórico foi excelente.

    Que bom que, agora, você reconhece que o próprio governo de fato adulterou a instituição e, com isso, explodiu todo o arranjo (não tem problema que você tenha de ter recorrido à Wikipédia e ao Rockwell para acreditar em mim; é válido).

    Pode defender o câmbio flutuante à vontade (ficando com o ônus de ter de justificar a brusca queda no padrão de vida dos argentinos após sua adoção, algo que você ainda não se arriscou a fazer), mas tenha a honestidade intelectual de não inventar espantalhos para criticar arranjos alternativos.

    Mais cuidado da próxima vez ao expor idéias em um fórum público. Você sempre está sujeito a ser flagrado.
  • Kappa  13/07/2015 16:24
    O eSTADO não é uma loja de sapatos aprendendo quanto estoque deve encomendar. Boas ideias, baseadas em evidência e razão ao invés de preconceitos e palimpsestos do mesmo evangelho de autodestruição, são completamente irrelevantes a ele. Ele não precisa funcionar para existir. Seus eleitores e políticos jamais respondem criminalmente pelas besteiras que fazem.

    Olhar a história e procurar por princípios e razão é catar diamante no lixo. O eSTADO não precisa funcionar para existir (irrelevando as boas ideias) e as ideias que são verdadeiramente boas são justamente aqueles que o restringe; é o casamento perfeito entre em motivação e autodefesa da parte dos governantes.

    Quer uma dica? Pare de se importar.

    Seja rude com os bárbaros e guarde sua gentileza só a quem quer aprender.
    Faça piadas dos governantes. JAMAIS entre em turba por um político ou outro.
    Reduza-os aos assaltantes de terno, mentirosos e imbecis que eles são.
    Destaque a estupidez de todos os que acham que você precisa daquelas antas para viver.
    Envergonhe e humilhe os estatistas que integram o funcionalismo público.
    Siga o conselho de Diógenes: filosofia É conflito.

    Paz de Cristo no Reino de Cristo: a verdade veio separar os bons dos maus.
    Se eles ostentam do seu dinheiro e gozam de aposentadorias generosas e privilégios variados, podem viver com um pouquinho de culpa, não?
  • Will Tapajero  13/07/2015 15:52
    Como alguém pode esperar sair de uma crise, se o faz esperando por quem a criou?
    Não faz sentido!

    Por isso não desenrolamos nunca.
  • Típico Universitário  13/07/2015 16:03
    Não. O revolucionário só sai da crise quando passa no concurso público. kkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Enquanto vocês culpam governantes democraticamente eleitos pelas crises do capitalismo como o controle de preços venezuelano, os déficits argentinos e a atual situação econômica brasileira encomendada pelo grande capital para derrubar a democracia e o PT do poder, eu vou tá caçando empresário safado com sangue nos olhos ganhando salários fora do mercado opressor e com quase nenhuma chance de ser demitido. Acabando meu curso de direito em uma universidade federal, eu tenho o dever com o povo brasileiro de fazer valer a constituição.

    Quem vai morrer na crise não vai ser eu, não. kkkkkkkkkkkkkk'

    Coxinha só é bom de devorar quando já esfria.

    kkkkkkk
  • Vinicius  13/07/2015 16:17
    Correto, quem morrerá na crise serão os eleitores do atual arranjo econômico: varelanoticias.com.br/apos-demissoes-dilma-perde-aprovacao-no-nordeste/
  • Gustavo Nunes  13/07/2015 16:13
    Difícil será as pessoas enxergarem que perdendo as atuais regalias irão prosperar muito mais do que com estas. Vide o Bolsa Família.
  • Adriano  13/07/2015 18:28
    Ótimo artigo, só faço uma ressalva em relação à "escolha" dos presidentes na Venezuela, pois paira grande dúvida acerca da legitimidade das eleições naquele país, devido às suas urnas eletrônicas facilmente manipuláveis (iguais às nossas).
  • Adelson Paulo  13/07/2015 18:57
    Acho o caso da Argentina o mais ilustrativo para uma análise mais profunda. Um país com um imenso território, com amplos recursos naturais, com um povo com alto nível educacional, que no início do século XX era uma das nações mais prósperas do planeta, tornou-se prisioneiro do populismo e fracassou fragorosamente em seu desenvolvimento econômico e institucional. E simplesmente não consegue romper com esta cultura estatizante, alimentada pela ilusão da Grande Pátria, da qual o Estado Federal centralizador é sua encarnação máxima.
  • Tiago silva  13/07/2015 20:27
    ADELSON PAULO,essa parece ser a sina maldita do Brasil,Argentina e Venezuela,as crises vão e vêem mas maldito o leviatã não para de crescer,só uma pequena crise para enxugar a a enorme máquina de roubo.
  • Corsário90  13/07/2015 20:40
    Não vamos aprender nunca???m.economia.estadao.com.br/noticias/geral,governo-edita-mp-que-amplia-limite-de-emprestimo-consignado-de-30-para-35,1724007
  • Marcos  13/07/2015 22:49
    Não sou tão pessimista quanto muitos aqui. O Brasil tem três vantagens quando comparado a Argentina ou a Grécia. A primeira é que embora seja anti-capitalista, o povo não confia no estado. A segunda é que o brasileiro é famoso por ter flexibilidade e criatividade. Não somos maus empreendedores, só precisamos parar de dar murro em ponta de faca. A terceira é o conservadorismo da população, que é um tanto instintivo, mas se bem trabalhado pode fornecer princípios importantes para o debate político, evitando guinadas abruptas e criando uma saudável desconfiança do estado.

    Ou seja, temos um longo trabalho pela frente, mas temos algo com que podemos trabalhar. O Bruno Garschagen acertou em cheio na abordagem do seu livro.
  • Marcelo  13/07/2015 23:13
    Leandro, aproveitando que o artigo toca no Chile, qual é a sua opinião sobre a tese de que a liberalização da economia foi a responsável pela crise bancária chilena no início dos anos 80? É um argumento utilizado pelos estatistas, que dizem que somente com uma maior intervenção do governo a economia voltou aos trilhos.
  • Leandro  14/07/2015 01:05
    Semelhante ao que aconteceu no Brasil em 1999:

    1) o Banco Central tentou fazer uma política de câmbio fixo (algo, por definição, impossível de ser feita por um Banco Central; apenas por um Currency Board);

    2) para manter o câmbio fixo (de novo, algo impossível de ser feito por um Banco Central), houve uma maciça perda de reservas internacionais (que desabaram 47% em um ano e meio);

    3) para conter a perda das reservas, o BC libera o câmbio. O peso afunda. O dólar salta de 39 pesos para 80 pesos;

    4) essa súbita desvalorização do peso gera uma inflação galopante. A carestia acumulada em 12 meses pula de 4% para 33% em um ano.

    5) Essa súbita perda no poder de compra das pessoas gera várias insolvências e quebras de empresas, levando junto o setor bancário (que era credor dessas empresas).

    Pronto, completa-se a lambança.

    Aí eu faço a pergunta: quem foi o responsável por essa patacoada? Imaginava eu que a esquerda adoraria se aproveitar dessa presepada e apontar o dedo para o responsável por ela, que foi o governo de Pinochet. Por que não fazem isso? Preferem dar passe livre ao ditador apenas para culpar seu bicho-papão de sempre, o liberalismo.

    A honestidade intelectual dessa gente é espantosa.
  • Marcos  14/07/2015 14:42
    Leandro,

    Sempre escutei e li que o Chile tem os melhores índices de qualidade de vida e econômicos da America Latina.
    Com é muito ensinado aqui no Mises, um país precisa de moeda forte para tornar sua indústria competitiva.Vendo as cotações do peso chileno, sua moeda não é forte. A economia é muito pouco regulamentada. Seria apenas uma economia mais livre e desimpedida de operar os fatores para o sucesso do Chile? Caso o Chile possuísse moeda forte, seria uma economia com crescimento bem acima do que tem obtido?
  • Leandro  14/07/2015 15:21
    Essa é uma confusão bastante comum: o alto valor nominal das cédulas de uma moeda diz muito sobre o seu passado, mas não sobre seu presente.

    Por exemplo, o valor nominal das cédulas do iene japonês é extremamente alto. Mas isso se deve a uma forte inflação ocorrida na Segunda Guerra Mundial. A moeda do Chile apresenta a mesma característica, pois vivenciou uma hiperinflação na década de 1970. Ambas não foram trocadas desde então, ao contrário da moeda brasileira.

    No caso do Japão, em 1972, imediatamente após a dissolução de Bretton Woods e a adoção dos câmbios flutuantes, um dólar comprava 305 ienes. Então o iene começou a se valorizar continuamente até que, em outubro de 2011, um dólar comprava apenas 75 ienes. Isso dá uma apreciação total de 306%.

    Uma das definições de moeda forte é que sua unidade monetária valha cada vez mais em termos das principais moedas do mundo (a outra definição é que, obviamente, seu poder de compra em território nacional seja relativamente constante).

    Dito isso, vale ressaltar que, de fato, a moeda chilena, embora um pouco mais estável que a brasileira, está longe de ser invejável.

    "Sempre escutei e li que o Chile tem os melhores índices de qualidade de vida e econômicos da America Latina."

    Depende do comparativo. Quem trabalha no setor exportador chileno está realmente muito bem. Já quem está de fora desse setor, vive uma vida mediana. A grande vantagem do Chile é que realmente há um livre comércio, de modo que o governo não proíbe os pobres de comprarem bens estrangeiros e de qualidade.

    "Com é muito ensinado aqui no Mises, um país precisa de moeda forte para tornar sua indústria competitiva."

    E, curiosamente, não há indústrias (no sentido clássico) competitivas no Chile. O país vive basicamente de exportar recursos naturais: cobre, lítio, prata, ouro, molibdênio, petróleo, gás, alimentos, peixes, ferro e madeira.

    Em idêntica situação estão Austrália e Nova Zelândia, só que estes dois de fato têm moeda forte (e, consequentemente, uma maior qualidade de vida).

    "Caso o Chile possuísse moeda forte, seria uma economia com crescimento bem acima do que tem obtido?"

    O padrão de vida de sua população, principalmente daqueles que não estão no setor exportador, seria definitivamente muito melhor.
  • Ismael Bezerra  14/07/2015 16:32
    Existe algum artigo aqui no Mises que fale sobre a economia da Austrália e Nova Zelândia. Achei interessante pois eu não sabia que a Austrália e Nova Zelândia são exportadores de commodities.
  • Leandro  14/07/2015 18:06
    As economias de Nova Zelândia e Austrália eram subdesenvolvidas (a Nova Zelândia era terceiro mundo até a década de 1980), viraram desenvolvidas, são hoje extremamente ricas, e seguem tendo como pauta de exportação commodities de baixo valor agregado.

    Para você ter uma ideia, na Austrália, não há nenhuma grande montadora de automóveis. E, na Nova Zelândia, nem sequer há montadora de automóveis. Eles já perceberam que é muito mais negócio importar carros barato do que direcionar recursos escassos para fazer algo em que não são bons. Eles sabem que isso seria burrice.

    Há quem diga que o Brasil só pode se tornar desenvolvido se começar a exportar foguetes e satélites (aviões nós já exportamos). No entanto, Austrália, Nova Zelândia e principalmente Chile só exportam matéria-prima, não exportam nada de alto valor agregado, e se tornaram países desenvolvidos.

    Laticínios, carne, lã, madeira, peixe, alumínio, e produtos de papel. Eis toda a pauta de exportação da Nova Zelândia.

    Carvão, minério de ferro, lã, alumínio, trigo, carne e algum maquinário. Eis toda a pauta de exportação da Austrália.
  • Corsario90  14/07/2015 19:02
    Leandro, o incentivo ao desenvolvimento da indústria de defesa nacional com incentivo à indústria nacional segue o mesmo raciocínio citado por vc no caso da Austrália , nova zelandua e Chile??? Melhor seria importar, até pq a cadeia de suprimento de itens complexo é impossível de se concentrar em apenas um lugar , um país???
  • Ismael Bezerra  15/07/2015 16:00
    Puxa vida, mais um mito que eu cria e que foi destruído. Em minha doutrinação na escola pública, eu aprendi que os países com o melhor nível de vida eram os países industrializados (por exemplo a mídia sempre chama o G7 de países mais industrializados). Obrigado
  • Enrico  14/07/2015 17:00
    Na verdade, nem mesmo seu passado é possível deduzir. O réis brasileiro nasceu sem centavos e suas cédulas eram de valor nominal relativamente alto. Durante o Império, entretanto, nossa moeda não era fraca.

    O número tem somente a ver com o design.
  • anônimo  14/07/2015 17:57
    Mas existe moeda forte/fraca antes de brenton woods? Nao eram todas 'lastreadas' em ouro até esse ponto? Na pratica ser lastreada em ouro não significava que o mundo inteiro usava a mesma moeda?
  • Leandro  14/07/2015 18:12
    E é exatamente por isso que não houve casos de inflação alta (e muito menos de hiperinflação) entre 1814 e 1944 nos países desenvolvidos.

    Aliás, mesmo no Brasil, domado o encilhamento, o período 1902 a 1915 foi de grande estabilidade monetária. Foi justamente durante esse período que o país vivenciou um [link =pt.scribd.com/doc/123155553/nocoes-de-economia-ii-pdf#scribd]grande período de prosperidade[/link], e isso segundo fontes de esquerda (as únicas existentes no Brasil):

    "No terreno econômico pode-se observar a eclosão de um espírito que se não era novo, se mantivera na sombra ou em plano secundário no Império: a ânsia de enriquecimento, de prosperidade material que na Monarquia não era tido como um ideal legítimo e plenamente reconhecido.

    O novo regime fez despontar o homem de negócios, isto é, o indivíduo inteiramente voltado para o objetivo de enriquecer. A transformação foi tão brusca que classes e indivíduos dos mais representativos da Monarquia, antes ocupados unicamente com política e funções similares, que no máximo se preocupavam com suas propriedades rurais, se tornaram ativos especuladores e negocistas, com o total consentimento de todos.

    As atividades brasileiras foram estimuladas por finanças internacionais mais multiformes e ativas que as inversões esporádicas de capital que antes se fazia, mas que passaram a ter participação efetiva, constante e crescente em diversos setores que ofereciam oportunidades de bons negócios. A produção cafeeira, a grande atividade econômica do país, foi naturalmente atingida e em torno dela se travou uma luta internacional, boa parte dos fundos necessários ao estabelecimento das plantações e custeio da produção foi proveniente dos bancos ingleses e franceses, ou então de casas exportadoras estrangeiras ou financiadas com capitais estrangeiros.

    O Brasil tornou-se neste momento um dos grandes produtores mundiais de matérias-primas e gêneros tropicais e ao café foi acrescentada na lista dos grandes produtos exportáveis, a borracha, que chegou quase a emparelhar-se a ele, o cacau, o mate, o fumo. A produção de gêneros de consumo interno, no entanto, diminuiu e se tornou cada vez mais insuficiente para as necessidades do país obrigando a importar do estrangeiro a maior parte até dos mais vulgares artigos de alimentação. As exportações maciças compensavam estas grandes e indispensáveis importações levando os saldos comerciais a patamares apreciáveis."

    Aí, a partir de 1915, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, houve vários desarranjos, e a inflação de preços, até então imperceptível, passou a crescer 8% ao ano no Brasil. Aí a coisa degringolou.
  • Curioso  15/07/2015 20:16
    Leandro não entendi um ponto.
    Antes de bretton woods o ouro era moeda em todos os países? A moeda era realmente a mesma(ouro)? Nesse caso não tinha desvalorizaçao ou inflação de moeda?
  • Leandro  15/07/2015 22:31
    Não.

    As principais moedas do mundo tinham um valor fixo definido em termos de ouro. O dólar havia sido definido como 1/20 de uma onça de ouro; a libra esterlina, 1/4 de uma onça de ouro.  

    Consequentemente, a taxa de câmbio entre as moedas era fixa.

    E as demais moedas do mundo, por sua vez, mantinham -- ou tentavam manter -- um câmbio fixo em relação às principais moedas do mundo.
  • Curioso  16/07/2015 12:49
    Desculpe minha ignorancia mas agora que me confundiu mesmo.
    Se as moedas eram conversiveis em ouro, a libra valendo 1/4 de onça e o dolar 1/20, na prática não é a mesma moeda? A denominação da moeda é irrelevante, se alguma 'desvaloriza' mas mantem a conversibilidade seria apenas trocar por ouro não?
    Ou essa conversibilidade só era possivel em países desenvolvidos e os outros emitiam já fiats inconversiveis em ouro?
  • Leandro  16/07/2015 14:35
    "Se as moedas eram conversiveis em ouro, a libra valendo 1/4 de onça e o dolar 1/20, na prática não é a mesma moeda?"

    Correto. Na prática, o mundo -- pelo menos os países que compartilhavam desse arranjo -- tinham a mesma moeda-base: o ouro. Variava apenas o nome de cada moeda dentro de suas fronteiras nacionais.

    "A denominação da moeda é irrelevante, se alguma 'desvaloriza' mas mantem a conversibilidade seria apenas trocar por ouro não?"

    Exceto quando o próprio governo impunha desvalorizações forçadas, alterando por decreto o valor da moeda em relação ao ouro. Franklin Roosevelt fez isso com o dólar em 1934: com uma só canetada, ele declarou que uma onça de ouro deixava de valer US$ 20 e passava a valer US$ 35 (além disso, o desgraçado confiscou o ouro da população, tornando crime sua simples posse).

    O governo britânico também recorreu às desvalorizações forçadas repetidas vezes.

    "Ou essa conversibilidade só era possivel em países desenvolvidos e os outros emitiam já fiats inconversiveis em ouro?"

    A conversibilidade acabou, na prática, em 1934, como relatado no link acima. Os demais países apenas tentavam manter suas moedas atreladas ao dólar e a libra, mas não havia conversibilidade em ouro.
  • Curioso  16/07/2015 16:25
    Obrigado pela paciencia em me explicar.
    O valor da moeda então sempre foi destruido pelos governos de um jeito ou de outro, quem percebeu esse movimento inflacionista do governo já estava então tentando se livrar das moedas convertendo o máximo possivel. Fato que fez o governo americano a romper o padrão ouro já que não era vantagem ao mesmo continuar restituindo ouro aos outros BCs europeus que ficavam felizes em se livrar do podre dolar em troca de ouro real.
    Acabei por ler aqui da biblioteca o livro 'O que o governo fez com o nosso dinheiro?' E acredito que tenha deixado mais claro a mim toda a evolução e destruição do ouro como moeda
  • Luis Eduardo  14/07/2015 04:26
    A mentalidade anti capitalista esta incrustada na nossa sociedade, principalmente nos meios acadêmicos.
    Esta vídeo é sobre a Guerra do Paraguai, e olha como um dos analistas fazer observações deste ponto de vista e quase nada acrescentou ao debate. Ainda me passou a imagem que eu deveria um sentimento de culpa coletiva (que eu não tenho, nem individual também) pela Guerra.

    https://www.youtube.com/watch?v=Q5Yxrh9MX8Q
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  14/07/2015 14:09
    Uma das causas do subdesenvolvimento é a inveja desses povos atrasados em relação aos outros. Sabem que o estado os prejudica, mas insistem nele. O resultado é o atraso, que os forcará a pagar um elevado preço em breve.
  • Luiz Afonso  14/07/2015 17:40
    O Brasil tem ainda uma irritante e estúpida cultura anti capitalista, se não mudarmos isto logo seremos uma nova Grécia.

    Os erros dos outros servem para que não venhamos a cometer os mesmos erros.

    Continuem votando no PT e nos partidos de esquerda e em breve seremos uma nova Cuba.
  • Anarco-Individualista  18/07/2015 02:18
    Nos de direita também....
  • Marcos  14/07/2015 22:45
    "El subdesarrollo es la incapacidad de acumular experiencias" já disse um cubano que trocou Cuba pelos EUA
  • Thiago Augusto  14/07/2015 22:54
    Gostaria de acrescentar mais um ponto:
    regiões de um país com mentalidade anti-capitalista prosperam menos...
  • Lucas  15/07/2015 14:21
    O maior problema que vejo é em como resolver esse problema cultural. Veja no caso do Brasil, onde temos um sistema de ensino que reforça os valores socialistas, um jornalismo que não cumpre o seu papel, um povo que historicamente já se acostumou a ser explorado ... Ainda bem que podemos ter e buscar uma fonte alternativa de conhecimento e informação.
  • tOBIAS  17/07/2015 14:04
    O maior problema é que o estado vai criando uma situação de dependencia tronando a pulação refem dos desmandos do governo, seja com bolsas-esmolas, subsidios, concursos e cargos publicos. O estado vai inflando e 'domesticando' pessoas que não enfrentam o estado para não perderem seus 'empregos', suas casas, seus beneficios..
  • Felipe  22/07/2015 13:57
    Pois é... Nunca foi tão fácil criticar o capitalismo pelo facebook, estando bem alimentado e no conforto de uma casa recheada de eletrodomésticos.
  • Gunnar  28/07/2015 21:43
    E aí eu esbarro nisso
    www.apufpr.org.br/6-1/6713/a-ideologia-do-ajuste-fiscal-coloca-a-cincia-e-a-sociedade-em-apuros
  • Emerson Luis  25/08/2015 14:35

    O que muitos recusam não é tanto a liberdade, mas sim a responsabilidade.

    PS: Desconfio das eleições que reelegeram Chaves com as urnas eletrônicas.

    * * *
  • Caio  18/04/2016 16:36
    Leandro,

    Como você acha que deveria funcionar a propagação de ideias liberais? Há povos que são mais defensores do livre mercado que outros, como por exemplo, suíços e peruanos (dois extremos de renda)


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