Se os beneficiados pelo governo são também eleitores, o arranjo é irracional

O funcionário público não é apenas um empregado do governo. Ele é, em um arranjo democrático, um eleitor e, ao mesmo tempo — por fazer parte da estrutura governamental —, o seu próprio empregador.

Ele se encontra em uma posição peculiar: ele é, concomitantemente, empregador e empregado. E o seu interesse pecuniário como empregado tenderá a suplantar sua função como empregador, já que ele recebe dos fundos públicos muito mais do que contribui.[1]

Essa relação ambígua se torna ainda mais crítica à medida que o número de pessoas na folha de pagamento do governo aumenta.  O funcionário público, na condição de eleitor, tenderá a apoiar políticos que prometam aumentos ao funcionalismo em detrimento daqueles que defendem um orçamento equilibrado.  Na condição de eleitor, o burocrata está mais ansioso com seus próprios aumentos salariais do que com um orçamento equilibrado e austero.   A principal preocupação do burocrata será a de inflar o valor da folha de pagamento.

Nos anos que imediatamente antecederam a queda de seus regimes democráticos, a estrutura política da Alemanha e da França foi majoritariamente influenciada pelo fato de que, para uma fatia considerável do eleitorado, o estado era a sua fonte de renda.  Não apenas havia toda uma horda de funcionários públicos e de pessoas empregadas nos setores da economia que haviam sido estatizados (ferrovias, correios, telégrafos e telefônicas), como também havia os desempregados que recebiam seguro-desemprego e outras pessoas que recebiam benefícios sociais.  Para completar, havia agricultores e grupos empresariais que, direta ou indiretamente, recebiam subsídios do governo.

A principal preocupação de todas essas pessoas era como extrair mais dinheiro dos fundos públicos.  Elas não se importavam com questões "idealistas", como liberdade, justiça, supremacia das leis, e governo austero.  Elas queriam mais dinheiro público, e só.

Nenhum candidato ao parlamento, aos governos estaduais, ou mesmo a prefeituras e conselhos municipais podia correr o risco político de se opor ao apetite dos funcionários públicos por aumentos salariais.  Os vários partidos políticos competiam entre si para ver quem era o mais generoso nas promessas feitas ao funcionalismo.

No século XIX, os parlamentos levavam a sério a ideia de restringir ao máximo possível o aumento dos gastos públicos.  Hoje, no entanto, austeridade se tornou uma política desprezível.  O aumento incontido dos gastos governamentais passou a ser uma política tida como sensata e boa para a economia.  Tanto o partido no poder quanto o da oposição competem por popularidade fazendo promessas de que seriam generosos com o dinheiro dos impostos.  Criar novos cargos, secretarias e repartições e contratar mais funcionários públicos são políticas que passaram a ser vistas como "positivas", e toda e qualquer tentativa de conter o desperdício e o esbanjamento do dinheiro público passou a ser criticada como "negativismo", "pessimismo" e "insensibilidade".

Nenhum arranjo democrático pode existir se uma grande parcela dos eleitores está na folha de pagamento do governo (funcionários públicos e pessoas que recebem políticas assistenciais) ou recebe privilégios do governo (empresários beneficiados por subsídios ou cartelizados por agências governamentais ou protegidos por tarifas de importação).

Se os políticos passam a agir não como empregados dos pagadores de impostos mas sim como porta-vozes daqueles que recebem salários, subsídios e assistencialismos pagos com o dinheiro de impostos, então o arranjo democrático acabou.  Criou-se a insensatez.

Este é um dos paradoxos inerentes ao arranjo democrático.  À medida que as pessoas que trabalham, produzem e pagam impostos forem se convencendo de que a atual tendência de mais interferência estatal, mais cargos públicos, mais ministérios, mais secretarias, mais repartições, mais funcionários públicos, mais subsídios e mais assistencialismo é inevitável, toda a noção de que o governo é feito por todos e para todos irá se esfacelar.  A ideia que irá prevalecer é a de que o governo existe para o benefício de alguns e para a espoliação de outros.

 

Trecho extraído do livro Burocracia, de 1944.

 


[1] N. do E.: esse é um ponto que gera calorosos debates nos círculos libertários.  Seria correto dizer que funcionários públicos pagam impostos? 

De acordo com os libertários, se um funcionário público recebe $ 10.000 oriundos de impostos pagos compulsoriamente pelo setor privado, e, se destes $ 10.000, $ 2.500 são retidos na fonte pelo próprio governo, é incorreto dizer que o funcionário público pagou $2.500 de impostos. 

A analogia é a de uma quadrilha que repassa para seus integrantes o dinheiro que extorquiu dos comerciantes do bairro.  Se a quadrilha extorque $ 10.000, retém $ 2.500 e repassa os $7.500 restantes para seus membros, não é correto dizer que seus membros pagaram $2.500 de impostos.  Afinal, eles não geraram esses $ 2.500 vendendo serviços consumidos voluntariamente no mercado.  Os $ 2.500 são apenas uma fatia da espoliação, a qual o agente espoliador achou por bem reter para si próprio.


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SOBRE O AUTOR

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".



O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Esse comentário não faz o menor sentido. Vc usa a linguagem jurídica e estatal para condenar pessoas, mas sem nenhum processo. Ter um cargo publico não pode ser crime no regime atual. Se vc se revelasse seria claramente processado por calunia e difamação. Pois não crime sem lei que o prescreva. Que é isso? Os libertários querem se unir aos marxistas para ditar regras de moral ao mundo. A existência de um aparato que extorque e atrapalha o desenvolvimento da população, pode ser imoral mas não pode ser considerado crime no sistema atual. Tente convocar uma assembleia constituinte libertaria e acabe com o sistema atual e talvez no seupais seja crime. Como podemos responder por crimes, contra uma legislação ideológica que ignoramos, que não aprendemos nem em casa e nem na mídia. Embora os recursos da receita federal sejam usados de ma fé, isso não faz da sua existência um crime. Antes de tudo existe um regulamento, produzido pelo consentimento da sociedade que prevê a existência daquele órgão. Pelo seu ponto de vista todas as pessoas são criminosas porque o estado não tributa tudo, mas regulamenta tudo. Então para ser um libertário coerente eu teria que cancelar meu CPF, abrir mão de todo beneficio estatal que veio parar nas minhas mão, mesmo sem que eu ferisse ninguém, renunciar minha cidadania brasileira, o que mais. Resumindo ter pessoas que respeitem os direitos civis e as liberdades individuais dentro do estado, é bem melhor do que ficar se gabando e massageando o próprio ego dizendo pra todo mundo, olha só nós estamos certo, todos vocês são ladroes, sem fazer nada pela liberdade.
Se há custos trabalhistas artificialmente altos e estes puderem ser reduzidos, então eles serão reduzidos.

Se uma empresa opera com custos trabalhistas artificialmente altos -- por imposição do governo -- e estes custos podem ser reduzidos -- porque há outros trabalhadores dispostos a fazer mais por menos --, então eles serão reduzidos.

Se a empresa não fizer isso, então ela estará -- por definição -- operando de forma ineficiente. Ele não durará muito. Com efeito, essa empresa só irá durar se operar com uma reserva de mercado garantida pelo governo. Aí sim. Excetuando-se isso, ela estará queimando capital e comprometendo sua capacidade de investimento e expansão no futuro. Será rapidamente abarcada pela concorrência.

No mais, é interessante notar que as pessoas querem livre concorrência para tudo e todos, menos para elas próprias. Todos nós queremos competição entre empresas para que haja produtos melhores e preços menores, mas não queremos competição para o nosso emprego. Quando a concorrência chega até nós, queremos que políticos criem leis que garantam nossa estabilidade. Agora, querem até proibir empresas de contratar outras pessoas que não nós mesmos. Há totalitarismo maior do que esse?

Vale ressaltar o óbvio: essa lei da terceirização nada mais é do que uma permissão para que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente -- por favor, me digam -- seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Ei, Marcelo Siva, quer falar de escravidão? Vamos lá (aliás, é hora de você começar a responder perguntas, como todos fizeram com as suas):

Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

No aguardo das suas respostas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • rlpda  24/06/2015 14:40
    A conclusão é a de que funcionários públicos não deveriam votar pois, como qualquer ser humano, são mais propensos a resolver seus problemas individuais do que problemas coletivos e tendem a votar em quem lhes oferecer mais vantagens individuais?
  • Rafael Andrade  24/06/2015 19:00
    Talvez, mas eu vejo isso como apenas um paliativo, algo que contém apenas um efeito colateral: o de travar um pouco o depravado jogo entre políticos e os demais funcionários públicos. O que vem a resolver o problema de maneira consistente, a meu ver, é ELIMINAR todos os privilégios que funcionários públicos recebem, seja de qualquer natureza, e criar mecanismos pra travar e diminuir o gasto público. É muito simples: Se existe um Estado em que ele é encarregado de muitas atribuições, logo ele tem muito poder. Se ele possui muito poder, ele também tem autonomia suficiente para dar muitos privilégios a muitas pessoas. Porém, se o Estado é limitadíssimo em suas atribuiçoes, é natural que exista poucas pessoas querendo privilégios da máquina estatal.
  • Arnaldo  24/06/2015 21:21
    Acredito que o cerne da questão é ilustrar a nefasta relação entre o Estado e a parcela de privilegiados que trocam favores mutuamente no sentido de manter a máquina estatal mais forte para espoliar a parcela produtora da sociedade.

    Para mudarmos esse sistema, nós da parcela produtiva devemos combater o avanço do estado em suas pretensões extorsivas.
    A parcela produtora da sociedade é evidentemente maior que a parcela parasita (juízes, funcionários públicos de carreira, auditores etc.) Pois bem, por mais que seja grande a diferença entre os que trabalham e os que se beneficiam, o interesse dos que trabalham não é tão evidente.
    A população em geral tem pouco conhecimento da quantidade de impostos que paga, então essas pessoas só observam o "favores" do governo, por isso seus interesses se concentram em obter benefícios do REI, sem ver que o REI é o maior ladrão de todos.

    Assim os pagadores de impostos não irão perceber, numa proposta de diminuir impostos, seus interesses, ficará muito mais evidente o benefício dado pelo GOVERNO numa proposta populista de entregar cesta básica por exemplo.

    Então esse alerta feito pelo autor denota que o melhor benefício que o ESTADO pode dar é não fazer, ou seja, não cobrar impostos.
    Se a população perceber isso os verdadeiros beneficiários do ESTADO estarão em apuros.
  • Luis  24/06/2015 14:42
    Eu acho que a questão a se considerar sobre se o funcionário publico pago imposto deve ser a seguinte: o valor do trabalho e o retorno a sociedade. Eu, como funcionário, procuro trabalhar bem ( e falo para os beneficiarios, alunos: aproveitem o dinheiro que voces pagam de impostos) No caso do Brasil, em geral, o retorno é pequeno, por vários motivos.
  • anônimo  26/06/2015 23:30
    Quem tem que julgar se você trabalha bem ou não é o público, e não você. Não adianta querer se convencer de que é um bom serviço apenas pra ficar com a consciência limpa,se você realmente trabalha bem muitas pessoas vão querer pagar voluntariamente pelo seu trabalho.
  • Lucas Braga  24/06/2015 14:45
    Excelente artigo, e excelente analogia sobre o funcionário público pagar imposto, Leandro.

    A propósito, se puder tirar algumas dúvidas...

    Por que os bancos normalmente cobram as taxas mensais de manutenção das contas correntes? Elas são oriundas de quê? São justas? Posso evitá-las de alguma forma judicial ou extrajudicial?

    Obrigado desde já.
  • Leandro  24/06/2015 14:57
    Eu nunca paguei essa taxa e não entendo como haja pessoas que aceitem pagá-la. Mas também nunca deixei dinheiro parado na conta-corrente, algo totalmente insensato, dado que a conta-poupança funciona como conta-corrente (você pode utilizar cartão de débito) e rende juros de poupança.

    Em todo caso, eu diria que há essa taxa justamente para forçar as pessoas a sair da conta-corrente (cujo compulsório é de 43%) e migrar para outras aplicações, cujos compulsórios não chegam a 20%.

    Isso foi explicado em detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

    P.S.: a questão sobre os funcionários públicos não pagarem salários não é uma teoria minha (se não me engano, é do Rothbard); eu apenas a expus.

    Grande abraço!
  • Rodrigo Pereira Herrmann  24/06/2015 19:02
    Leandro, me esclarece uma coisa, por favor.

    Existe alguma relação entre inflação inercial no Brasil e os juros remuneratórios estipulados por lei pelo governo, como a poupança?!

    Obrigado.
  • Leandro  24/06/2015 20:04
    Desconheço. Para que houvesse, teria de haver correlação entre rentabilidade alta da poupança e aumento da inflação de preços.

    No entanto, sempre que a rentabilidade da poupança era alta (refiro-me aqui apenas ao histórico desde julho de 1994), a inflação de preços estava em queda. Isso pode ser visto mais explicitamente no período 1994-1998, 2003-2008.

    Já no período 2012-2014, a rentabilidade foi a menor da história, e a inflação foi crescente.
  • Marcelo  24/06/2015 19:10
    Leandro, tem razão no seu ponto de vista.
    só não abandono a conta corrente porque a poupança não permite pagamento de títulos nos caixas eletrônicos.
  • Leandro  24/06/2015 20:08
    Estranho. No meu caso, o Bradesco permite todo e qualquer tipo de pagamento com a conta-poupança.
  • Trader Carioca  24/06/2015 20:41
    Leandro,

    Sem expor o nome de nenhum banco, alguns (grandes inclusive) não tem resgate automático da poupança para a conta corrente. Você precisa solicitar o resgate "manualmente".

    O motivo fica em aberto, pois há várias explicações plausíveis, mas difícil determinar qual é a verdadeira...Pode ser pro banco ganhar um pouquinho a mais com a cobrança de juros de limite especial. Mas pode ser também outro motivo.

    Poupanças com depósito anterior ou igual a 3/5/2012 caem na regra antiga de 0,5% ao mês + TR. Poupanças com depósito posterior caem na regra nova em que os juros são reduzidos caso a SELIC caia. Neste caso, se eu fosse um poupador com regra antiga e por acidente eu acabasse ficando com a conta negativa por 1 único dia (supondo que eu iria cobrir a conta no dia seguinte, quando percebesse o furo), eu ficaria revoltado se ocorresse resgate automático para cobrir esse único dia e perdesse o direito a ter a regra antiga valendo.
  • Leandro  24/06/2015 21:21
    Sei que o Banco do Brasil é assim. Ele não trabalha com conta-poupança e exige que o próprio correntista solicite a transferência da poupança para a conta-corrente quando tem de pagar uma conta. Jamais entenderei por que uma pessoa física mantém voluntariamente uma conta no Banco Brasil.

    Sei que há pessoas que são obrigadas a ter conta no BB por exigência de negócios e para receber salários, mas não faz sentido elas não transferirem o resto de seu dinheiro para outro banco.

  • Peão  25/06/2015 14:18
    Oi Mestre Leandro, eu sou um desses que tu não sabe pq mantém conta corrente no BB e te explico a razão: ganho pouco!
    Recebo em $$ vivo mil reais, a taxa de manutenção do meu pacote que seria o 2º mais barato oferecido hj pelo banco é de 9,80/mês. Uma transferência para outros bancos me custa 8,00 cada por meio eletrônico e mais de 13 reais pelo guichê!
    Então fica fácil, creio, entender pq mantenho a conta lá... tem muita facilidade de encontrar caixas eletrônicos pelo país inteiro, especialmente em cidadezinhas do interior e praias (pense nas férias!), além de facilitar transferências entre correntistas pq sendo o maior (acho) banco hj do brasil, a chance da pessoa que tu precisa enviar grana ter uma continha lá é maior que de outros bancos. Mas odeio eles, gente imbecil e sem preparo, se tu sai do feijão-com-arroz eles realmente mostram quão burros realmente são.
  • Pião  24/06/2015 23:37
    O Banco do Brasil e o Itaú possuem conta digital(não sei sobre os outros), que você pode realizar todas transações pela internet ou TAA sem pagar tarifa de manutenção.

    www.bb.com.br/portalbb/page103,116,2045,1,1,1,1.bb
    https://www.itau.com.br/conta-corrente/abra-sua-conta/iconta/

  • Pobre Paulista  25/06/2015 00:08
    Os bancos cobram pois estão te oferecendo o serviço de guardar o seu dinheiro. Parece óbvio, não?
  • Emerson Luís  25/06/2015 16:16

    Peçam para suas contas-corrente passarem a ser de "serviços essenciais":





    * * *

  • Guibro  08/07/2015 05:16
    Galera, não deem dinheiro à toa pra esse cartel:

    Tenho a "conta digital" do Banco do Brasil, que custa ZERO pra abrir e ZERO pra manter e me permite fazer transferências ilimitadas sem custo algum, inclusive DOcs e TEDs, desde que pela internet (computador ou celular).

    Deixo todo o meu dinheiro investido em aplicações de liquidez diária, ZERO na conta corrente, porque uso a opção de "resgate automático", que no fim do dia chupa o dinheiro da aplicação pra cobrir as despesas que entraram durante o dia na conta corrente.

    Também gasto ZERO de anuidade de cartão de crédito. Aliás, quem gasta menos de R$ 3.500 por mês está fazendo mau negócio de pagar anuidade por um cartão melhor (mais milhas por dólar). O melhor, nessa faixa, é um cartão isento de anuidade, mesmo que dê apenas 1 milha por dólar.

    Pessoalmente, eu já quis sair do BB, por ser estatal, mas o serviço e os produtos (LCI, LCA, gerente, seguro de carro barato) são disparado os melhores, pras minhas necessidades... 100% satisfeito... ZERO de despesas.
  • Israel Nunes  24/06/2015 14:55
    Mises é monstruoso. Meu Deus.
  • cmr  24/06/2015 15:01
    Ou seja, funcionários públicos, bolsistas, parasitas em geral, não deveriam votar.
    Tinha que ter uma lei proibindo isso.
  • Allan Abrahão   24/06/2015 15:08
    Trabalhei 11 anos como servidor público e pedi demissão em março deste ano. Me arrependo e muito de ter por muitos anos, as vezes inconscientemente, sugado os recursos de um país já desestruturado. Me emociono mas sei que hoje a liberdade não tem preço, sou comerciante e mesmo com as dificuldades eu estou somando e não mais subtraindo.
  • Manary Corte  24/06/2015 15:10
    Eu sou servidor do Judiciário e sou minoria quando defendo as ideias acima. Os meus colegas me veem como egoísta por não pensar na nossa classe.

    Para eles, é graças à greve que nos dão aumento a cada 10 anos. Por mais que a defasagem salarial seja óbvia se tomarmos como base o que ganhávamos quando deram o aumento por lei para nós, ainda assim temos um salário muito bom em relação ao quanto produzimos de interesse à sociedade, considerando a média nacional.

    Eu digo a eles: se estiverem descontentes, peçam exoneração. No dia em que não tiver nenhum servidor aqui e apenas meia dúzia de analfabetos funcionais se candidatarem para ocupar o cargo, o Estado vai aumentar o salário sem que uma bandeira precise ser levantada.

    O que eu ouvi quando disse isso? "Por que vc não vai à iniciativa privada?"
    E o que eu respondi? "Porque estou feliz aqui. A minha luta por aumento é toda noite, das 20h à meia noite, sem contar nos finais de semana, na frente dos livros."
  • João Henrique Alcântara  24/06/2015 15:11
    Se é pernicioso eleitor ser empregado do Governo, imagina eleitor que ganha do Governo para não fazer nada?
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  24/06/2015 15:19
    Os bandidos dos juízes brasileiros aumentam seu próprio salário. Roubo descarado.
  • Edujatahy  24/06/2015 15:23
    Mises é demais. Escreveu em 1944 exatamente o que acontece no Brasil hoje.
  • Jarzembowski  24/06/2015 16:44
    [OFF]
    Governo anuncia Plano Nacional de Exportações


    Eles seguem esse lixo de agenda protecionista, com um fetiche quase sexual por balança comercial, e aí, num belo dia, percebem que num ambiente tão hostil nem mesmo os setores exportadores ultra-protegidos conseguem crescer.
    Em suma: ferram(eufemismo bastante generoso, preferia usar outro termo) com todo mundo impondo barreiras absurdas às importações e desvalorizando a moeda pra garantir superávit, até o ponto em que nem isso funciona mais - aí então, os salvadores, os arautos da justiça surgem com mais um plano econômico pra impulsionar o setor exportador.
    Por isso eu sempre digo: o Estado é uma entidade que paira acima do bem e do mal, acima de qualquer possibilidade de julgamento moral ou racional - fazem o que querem, e nunca, jamais vão prestar contas pelos resultados desastrosos de suas intervenções, muito pelo contrário, o desastre é um combustível pra novas intervenções.


  • Vegas  24/06/2015 19:02
    Jarzembowski,

    Acabei de ler isso tbm.
    Eles não param, com o perdão da palavra, mas fazem uma merda maior pra esconder a anterior.

    Fico imaginando a reunião que gerou esse tal plano das exportações, devem ter rachado de rir, altas piadas, e saiu isso aí, a nossa "salvação" e plano estratégico.
    Deve ser assim que se faz política nesse país.
  • Vargas  24/06/2015 23:44
    "Fico imaginando a reunião que gerou esse tal plano das exportações, devem ter rachado de rir, altas piadas, e saiu isso aí, a nossa "salvação" e plano estratégico. Deve ser assim que se faz política nesse país."

    Sinceramente acho que você não gostaria de saber como se faz "política" nesse país. Mas posso te garantir que não é lá naquele prédio em Brasília, vulgarmente chamado de 'congresso', que elas são feitas.

    A tal da Jeany Mary Corner sabe muito bem como são feitas as políticas aqui no Brasil: com muito sexo, drogas e bebidas.
  • anônimo  24/06/2015 17:29
    Uma grande obra tem o poder de sempre ser atual. Parabéns Mises.
  • Emerson Luís  24/06/2015 19:31

    "Se os políticos passam a agir não como empregados dos pagadores de impostos mas sim como porta-vozes daqueles que recebem salários, subsídios e assistencialismos pagos com o dinheiro de impostos, então o arranjo democrático acabou. Criou-se a insensatez."

    Parece que já atingimos esse ponto e o círculo vicioso se agrava.

    A sociedade está cada vez mais dividida entre pagadores de impostos e recebedores de impostos.

    * * *
  • Alexandre  24/06/2015 20:31
    A Venezuela possui 30 milhões de habitantes, sendo 6 milhões funcionários públicos, ou seja, 20% da população. Deu no que deu!
  • Marcelo  24/06/2015 20:59
    Pagamos 5 meses do ano em imposto e não demos o minimo para um pais desenvovido, saúde publica e ensino publico de boa qualidade, e um pouco vergonhoso até, mas fazer o que, foram nossas escolhas.
  • Paulo Bezerra  24/06/2015 23:53
    A questão que eu não consigo entender é por que vocês não consideram o funcionário público apenas um vendedor de sua força de trabalho para o Estado. Isto parece errado? Será um médico, um enfermeiro, um professor ou um policial que trabalham para o governo integrantes de uma "quadrilha" (usando a analogia de Mises)? Penso que não.

    O funcionário público vende sua mão-de-obra. E, como qualquer ser humano, quer ganhar mais. Por acaso alguém, em sã consciência, pediria para ganhar menos?

    Sou leitor assíduo do site, mas algumas coisas ainda não consigo entender. Se o funcionário público é culpado, uma empresa que vende mercadoria ao governo também o é.
  • Rogério Carneiro  25/06/2015 00:26
    "A questão que eu não consigo entender é por que vocês não consideram o funcionário público apenas um vendedor de sua força de trabalho para o Estado."

    Até aqui, tudo certo. Ele de fato vende sua força de trabalho para o estado.

    Mas aí vem a pergunta: como o estado paga por esta força de trabalho? De onde vem o dinheiro do estado? Tal dinheiro foi obtido voluntariamente ou coercivamente?

    Se eu trabalho como receptador de carros roubados, e sou muito bem pago por isso, você também diria que não há nada de errado com a minha profissão, dado que apenas estou vendendo minha força de trabalho para uma quadrilha?

    "Isto parece errado?"

    Parece não; é.

    "Será um médico, um enfermeiro, um professor ou um policial que trabalham para o governo integrantes de uma "quadrilha" (usando a analogia de Mises)? Penso que não."

    Em primeiro lugar, não foi Mises quem utilizou a analogia da quadrilha. Isso está em uma nota do editor, e faz referência a uma terminologia utilizada por libertários. Mais atenção na próxima.

    Em segundo lugar, não importa se é medicou ou policial. A origem do dinheiro é a mesma: roubo. Você está evocando essas profissões apenas para fazer um relativismo moral.

    "O funcionário público vende sua mão-de-obra. E, como qualquer ser humano, quer ganhar mais. Por acaso alguém, em sã consciência, pediria para ganhar menos?"

    Troque a expressão "funcionário público" por "receptador de carros roubados" na frase acima. E aí?

    O receptador de carros roubados também vende sua mão-de-obra. E, como qualquer ser humano, ele também quer ganhar mais. Por acaso alguém, em sã consciência, você pediria para ele ganhar menos?

    Mesmas intenções, mesmas motivações. E aí?

    "Sou leitor assíduo do site,"

    Não tenho nada a ver com isso, mas duvido muito da veracidade dessa informação. Se realmente fosse leitor assíduo, já teria entendido isso há muito tempo, e não estaria fazendo essas perguntas tão corriqueiramente respondidas aqui,

    "mas algumas coisas ainda não consigo entender. Se o funcionário público é culpado, uma empresa que vende mercadoria ao governo também o é."

    Concordo plenamente! Questão de ética e moral.
  • Paulo Bezerra  25/06/2015 01:51
    Bem, Rogério, agradeço pela sua resposta. Bons argumentos, apesar da sua arrogância (mas já me acostumei, é costumeira pelos leitores daqui). Vamos por partes.

    Pela sua lógica, ninguém deveria prestar nenhuma forma de trabalho para o serviço público ou fornecer matéria-prima ou produtos industrializados ao Governo. Excelente! Bem realista e nada caótico. Além disso, quem trabalha, o faz porque precisa do dinheiro. E comparar roubo de carros com isto não me parece nada razoável.

    Pela sua lógica também, você nunca deve ter usado nenhum serviço público (hospital, escola, universidade, estradas, etc.) pois se usar, estará se beneficiando do assalto de outras pessoas. Estará sendo o comprador daquele carro que foi roubado. Concorda? Sei que você também paga impostos (esses comentários já li por aqui), mas o que você recolheu a vida inteira em impostos talvez não dê o dinheiro, por exemplo, de um transplante de fígado, se você precisar. E ai, preferiria morrer ou se aproveitar dos outros pagadores de impostos? Um transplante, feito hoje em dia quase que exclusivamente pelo SUS, seria a diferença entre sua vida e sua morte. O que escolheria? Compraria o carro roubado ou morreria com a consciência tranquila? Por favor, fale sem hipocrisia.

    Com relação à quadrilha, você está certo. Prestarei mais atenção na próxima.

    Por fim, se há algo que tenho verdadeira ojeriza é relativismo moral. Citei essas profissões por ser médico e, ao dar meu plantão numa UTI de um hospital público em Recife, não me sinto como ente de uma quadrilha ou receptador de produto roubado. Também trabalho em hospital privado, e desempenho as mesmas funções seja em um ou outro.

    Respeitosamente, será que não há falhas no seu pensamento?. Mas, acredito no liberalismo pela sua condição "utilitarista", como defendia David Friedman, não por achar que tudo que vem do Estado é roubo e usurpação.


  • rlpda  26/06/2015 18:55
    A questão é que o argumento primeiro de todo libertário com relação aos impostos é que eles são roubo. Aceitando-se este argumento (um tanto hiperbólico) como verdadeiro, então, por dedução, tudo que deriva dos impostos é produto de roubo e moralmente indefensável. Sem refutar este argumento original, você apenas perde seu tempo postando comentários aqui e, se identificando como funcionário público, ainda se expõe a levar umas bordoadas gratuitas.

    O interessante é que o próprio Mises não defendia esse argumento. Lendo-se seus textos, nota-se que ele considerava inevitável e legítimo o uso dos impostos para manter o aparato governamental, entendendo que a função essencial (alguns diriam única) do governo é a defesa do sistema social livre contra criminosos internos e também inimigos externos. Seu único receio (mais do que justificado) era que o governo fosse além desta função, expandindo seu poder sem freios, como se nota neste artigo aqui reproduzido.

    E já que também perdi meu tempo postando comentários aqui, compartilho porque penso ser hiperbólico o argumento libertário sobre impostos. Fazendo uma analogia com um condomínio, alguém pode dizer que a taxa mensal que é paga pelo condômino é roubo? Ela também é obtida coercivamente: quem não paga é ameaçado de perder seu patrimônio. Porém, o condomínio tem empregados que prestam serviços aos moradores (inclusive de segurança), tem equipamentos que requerem manutenção (elevadores, bombas, etc.), ou seja, tem-se uma série de despesas que são comuns e é simplesmente mais eficiente estabelecer um fundo para seu custeio e eleger alguém para administrá-lo (com poderes limitados e transparência nos seus atos!). E quem vive num condomínio, aceita implicitamente o pagamento desta taxa com o fim de custeio dessas despesas comuns.

    Aplicando esta analogia para governos e levando em conta as ideias de Mises, as despesas comuns justificáveis de serem custeadas por impostos e administradas pelos governos seriam as de segurança e afins - policia, presídios, justiça, forças armadas, etc. Pois protegendo as pessoas contra a violência ou a fraude por parte de indivíduos antissociais e garantindo um ambiente de livre iniciativa, todos os serviços necessários aos seus cidadãos seriam melhor fornecidos através do mercado, inclusive os de medicina que você menciona.

    A meu ver, o grande problema é que, conforme temia Mises, os governos se agigantaram, conseguiram poderes ilimitados (sim, se um governo pode criar dinheiro sem lastro, ele já tem poder ilimitado) e expandiram ladeira abaixo suas funções inviabilizando totalmente qualquer transparência. Por isso até entendo a sensação de estar sendo roubado ou enganado. Afinal pagamos por uma coisa e não vemos nem uma coisa nem outra.

    Mas não, não dá pra chamar meu síndico de ladrão. Acho minha taxa de condomínio um roubo mas por outros motivos... :)
  • Alfredo  26/06/2015 19:35
    Não creio que você foi recorrer justamente à metáfora do condomínio, que é a mais clichê e a mais facilmente refutada dentre todas:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=827

    No que mais, você até enfatizou bem: para o Mises, o estado deveria apenas se limitar a tribunais e a serviços policiais.

    Partindo-se desse princípio, então, a carga tributária não precisaria ser de mais do que 3% do PIB. Aliás, nem sequer existiria a cultura dos concursos públicos.

    Aceito perfeitamente. Quem mais tá dentro?
  • rlpda  26/06/2015 21:30
    Alfredo, 3% eu estou dentro! Gastos limitados e transparentes!

    Conheço a "refutação" mas não acho convincente. Segundo ela, ainda usando o clichê (gosto deles, fazer o quê?), o morador do prédio deveria ser livre para não pagar o condomínio e dispensar os serviços comuns do prédio. Daí então ele poderia (ou não) contratar seu próprio porteiro (ficaria sentado à sua porta no corredor?), não usar os elevadores nem escada (subiria ou desceria de rapel pela janela?) e por aí vai... Não acho muito realista, só isso...

  • anônimo  26/06/2015 23:18
    Contratar seu próprio porteiro, não usar a escada etc, é o ponto onde a metáfora não tem mais nada a ver com o mundo real.Se eu pagar pela minha segurança privada ela não vai impedir, apenas por estar lá, qualquer outra segurança privada de funcionar.
  • anônimo  26/06/2015 23:27
    Então a cidade te incorpora à força, vc não pediu pra fazer parte, é obrigado a pagar aqueles impostos e não tem o DIREITO de não pagar apenas porque isso não é 'realista'...

    Tanta enrolação apenas pra justificar um tipo de roubo.Se for por isso um dia até acabar com a escravidão não era realista.
  • Rogério Carneiro  25/06/2015 02:36
    Você faz uma pergunta de cunho estritamente ético e moral, recebe uma resposta também de cunho estritamente ético e moral (ou seja, dentro das regras que você próprio estipulou), acha ruim, apela (me chama de arrogante), recorre a arroubos emocionais, faz uma efusão de sentimentalismo e, repentinamente, passa a fazer considerações que estão fora do escopo da ética (ou seja, fora da premissa da sua pergunta).

    Ora, decida-se.

    Aliás, e de novo, para quem diz ser leitor assíduo do site, você parece ter pulado justamente os dois artigos que abordam todas essas suas perguntas (um deles foi publicado há apenas 3 semanas):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1377

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2043

    Quanto ao primeiro artigo, aliás, vou até colar o trecho que aborda justamente as suas perguntas:

    "E há, por último, o argumento de que nós libertários estamos constantemente utilizando algumas infraestruturas estatais, como estradas, ruas, aeroportos, correios. Sendo assim, o simples fato de utilizarmos estes bens e serviços significa que estamos consentindo com a existência do estado e com a espoliação de nossa renda para a consecução destes serviços.

    Outro problema de raciocínio. Em primeiro lugar, o fato de eu inevitavelmente utilizar sistemas monopolísticos, dos quais eu simplesmente não tenho como escapar, de modo algum indica consentimento. Dizer que utilizar as ruas de uma cidade indica consentimento com o estado é o mesmo que dizer que um prisioneiro que come a comida fornecida pela penitenciária está consentindo em estar preso.

    Em segundo lugar, sempre é bom lembrar que libertários, como todos os outros cidadãos, também pagam impostos. Sendo assim, é nosso dinheiro que foi utilizado para a construção destas infraestruturas estatais. Logo, não há absolutamente nada de contraditório em utilizá-las. Aliás, você tem todo o direito de fazer uso delas, mesmo desprezando-as profundamente."


    Percebeu a diferença? Uma coisa é eu ser roubado para pagar o salário de funcionários públicos que nenhum retorno me dão. Outra é eu ser roubado para que o governo construa uma rua. Se eu utilizar essa rua, que foi construída com o meu dinheiro, não é incoerência nenhuma de minha parte. Eu não gostei de ter sido roubado, mas, já que fui roubado, então ao menos eu quero utilizar um pouco daquilo que foi feito com o dinheiro roubado de mim. Já com um funcionário público, eu não tenho nem sequer esta opção. (Quais serviços um professor marxista de filosofia da FFLCH presta para mim?)

    Em tempo: você, obviamente, não precisa concordar com absolutamente nada do que é dito. Mas ao menos tenha a honestidade intelectual de se ater às suas próprias premissas. Se você faz uma pergunta de cunho moral e ético, você não pode -- por uma questão de coerência -- achar ruim por ter recebido uma resposta que obedece estritamente à sua proposta.

    Sim, funcionário público recebe dinheiro de roubo. E por mais honrosa que seja a profissão desempenhada pelo funcionário público, isso não altera o fato de que o dinheiro adveio do roubo.

    Há exemplos de coisas boas e belas feitas com esse dinheiro oriundo do roubo? Tenho absoluta certeza de que sim. Isso altera o fato de que o dinheiro é roubado? Não.

    Pronto, a resposta é essa. Não há meio termo. Qualquer outra postura é relativismo moral. Se a resposta não foi do seu agrado, lamento.


    Saudações e bom trabalho. Admiro muito a sua profissão.
  • Freire  25/06/2015 02:37
    Não é só funcionários públicos que vivem as custas do governo; empresários e pessoas que recebem algum tipo de assistência também. Se for levar em conta isso, acho que quase ninguém iria votar. Esse governo esquerdista já corrompeu todo mundo, agora as pessoas só sabem olhar para o próprio umbigo, pedindo para o estado os seus direitos.
  • Assis  25/06/2015 00:25
    A respeito do tema, o quadro brasileiro -- já relativamente antigo, é verdade -- apresentado pelo entrevistado neste vídeo (de 05m59s a 07m13s):


  • Fernando  25/06/2015 05:29
    Sou praça Policial Militar no Distrito Federal. A lógica por trás do texto me parece irretocável. Mas, de fato, também é um pouco dolorida em minha condição.

    Imposto é expropriação e usurpação do bem alheio, e se o salário de um policial vem de tal usurpação, trata-se de um salário, obviamente, injusto para a sociedade arcar. Ok.

    Embora eu creia que a segurança devesse ser privatizada, e que isso eliminaria muitos maus profissionais que estão encostados na parca estabilidade militar (algo, de fato, muito mais presente em categorias sindicalizáveis e grevistas), também não consigo deixar de pensar que, dadas as circunstâncias atuais, estou sim oferecendo minha força de verdadeiro trabalho; trabalho esse imprescindível, arriscado, especializado e complexo. Não é o arranjo ideal. Provavelmente seria melhor para a sociedade se o empregador da polícia não fosse o Estado, mas é difícil não levar para o pessoal quando se compara um policial honesto com uma quadrilha (risos)!

    Questões ainda dúbias para mim.

    Um abraço a todos.
  • Didi  25/06/2015 11:44
    Diagnóstico perfeito!

    Então agregue-se a isso o sucateamento da população com enorme contingente que não larga o osso [estado] nem com reza braba; pseudos empresários encalacrados nas respectivas entidades de classes cheirando a mofo só no mocó fazendo lobby; e para desgraçar de vez - milhões de assistidos tendo como contrapartida votos de cabresto. Aí é só encomendar a extrema-unção, vela e caixão!
  • Paulo Bezerra  26/06/2015 01:47
    Não era o próprio Mises funcionário público? Não quero aqui argumentar ad hominem, mas pelo menos reconheçam que o ídolo de vocês também era receptor de roubo. Pelo menos por honestidade intelectual. Isso diminui a admiração por ele?
  • Armando  26/06/2015 11:27
    Por três anos.

    É lamentável? É. Ele tinha opção? Não muita, dado que a Áustria tinha um governo socialista à época.

    Pelo menos foram apenas 3 anos. E isso numa época em que ele era social-democrata.

    Enquanto isso, tem gente que vira funça aos 18 anos e fica assim pra sempre.


    P.S.: o que isso tem a ver com o artigo? Parece desespero.
  • Carlos  26/06/2015 14:40
    O artigo fala do servidor público como "parte da estrutura governamental". Seria insensatez jogar alguma culpa aqui a alguém por ser funcionário público. O foco é a estrutura governamental, como esta pode prejudicar a democracia e a economia.
  • Alfredo  26/06/2015 15:28
    "O artigo fala do servidor público como "parte da estrutura governamental"."

    Correto.

    "Seria insensatez jogar alguma culpa aqui a alguém por ser funcionário público."

    Isso não é feito pelo artigo. Primeira contradição.

    "O foco é a estrutura governamental, como esta pode prejudicar a democracia e a economia."

    Que é exatamente o que faz o artigo.
  • Carlos  26/06/2015 15:40
    A resposta foi para o Paulo Bezerra.
  • Felipe R  27/06/2015 14:07
    Ludmito von Mito
  • Felipe R  27/06/2015 17:04
    Falando (mais) sério agora... Há desdobramentos desse artigo que merecem um bom debate.

    Critica-se muito o Bolsa Família e similares, porém, contabilmente falando, eles são o menor dos males. O dinheiro que os funcionários públicos recebem é MUITO maior. Só o Governo Federal, em 2014 por exemplo, projetou gasto de 32,5 bilhões de reais com o Brasil sem Miséria, enquanto que a grana pra "servidor" (sem contar previdência) era de nada menos que 222,0 bilhões!

    Portanto, meus caros, sugiro que o foco dos ataques esteja nos concursos públicos, nos concurseiros, e nos concursados que nada fazem para mudar.

    Não estou defendendo as Bolsas; só acho que devemos atacar os pontos mais críticos primeiro.
  • Thales  27/06/2015 17:14
    E é exatamente isso que este site faz.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1787
  • Carlos  28/06/2015 21:17
    "Pedir às pessoas para mudar seu comportamento, e não seguir a carreira do funcionalismo, é ilusão. Enquanto não aparecer uma liderança política que altere essa estrutura de incentivos, o Brasil continuará vítima da elefantíase burocrática."

    Conforme o parágrafo acima, que foi extraído do artigo no link, somente uma liderança política poderá alterar essa situação.
    É o que eu também acho.
  • Marcelo Werlang de Assis  13/08/2015 19:17
    Realizei uma tradução do capítulo V do livro "Burocracia".

    Confiram aqui: eaefl.blogspot.com.br/2015/08/as-implicacoes-sociais-e-politicas-da.html.
  • Gomes  24/08/2015 20:28
    Nossa sociedade naturalmente estratifica os indivíduos de acordo com suas capacidades e a necessidade de equilibrar-se organicamente. Como todos os cidadãos terão uma tendência natural a defender seus interesses e seus grupos existirá um conflito entre a máquina estatal (representada pela folha de pagamento dos funcionários) e os financiadores do governo.
    Caracterizada a naturalidade do problema e respeitando o fato de que o individualismo, tanto do servidor público como do empresário e empregado do setor privado, são dignos, o lado podre do sistema, em minha opinião, é a chamada democracia brasileira.
    Quem decide como será o gasto do governo com funcionários públicos não é o sujeito que prestou concurso para ter uma vida digna, é o candidato do partido comunista que chegou ao poder com campanha financiada por empreiteiras, apoio de partes do setor produtivo sedentas por subsídios e uma massa de bolsistas.
  • Felipe  26/08/2015 17:10
    Nós somos um país de burocratas, jovens saem hoje das faculdade sonhando em sugar o governo. Pessoas cheias de energia, que podiam criar e empreender, preferem ficar com a bunda suada em alguma repartição.
  • Tiago Marques  03/03/2016 02:41
    Uma dúvida. O dinheiro pago ao funcionalismo público não retorna ao mercado quando esses consomem bens e produtos?
  • Ludovico  03/03/2016 03:42
    O dinheiro desviado pela corrupção também volta aos mercados.

    O dinheiro que políticos desviam da Petrobras e dão para empreiteiras também volta aos mercados.

    Qualquer dinheiro desviado da saúde e da merenda escolar também volta aos mercados.

    Todo e qualquer dinheiro de propina também volta aos mercados.

    O dinheiro que o assaltante roubou de você também volta aos mercados.

    Carai, até mesmo o dinheiro do tráfico de drogas e de armas também acaba no caixa da mercearia do seu Zé.

    Entenda o básico: dinheiro "circulando" não tem nada a ver com "investimentos produtivos sendo feitos", que é o que realmente gera crescimento econômico.

    Pela sua lógica, se todo o dinheiro do país for transferido para mim, tudo ficará supimpa, desde que eu gaste todo esse dinheiro fazendo compras.
  • Roberval  18/08/2016 18:02
    Cansei de falar isso e o povo vem com 100 pedras na mao,inclusive quando defendo as privatizacoes do FHC. Pode nao ser a melhor privatizacao,mais era o melhor que ele poderia fazer na epoca. Qualquer privatizacao por pior que seja sempre e bem vinda pois ao menos reduz significantemente a eleicao de governos autoritarios e ruim como o pt.
  • Karlos Gomes  26/08/2016 23:19
    Por que programas de bem-estar e democracia não podem coexistir
    15/08/2016 - Ryan McMaken
    Escrevendo seu tratado Socialismo, de 1922, Ludwig von Mises expressou seu apoio à democracia, mas tinha uma visão muito restrita. Especificamente, ele sugeriu que o único propósito da democracia é "fazer a paz para revoluções violentas". Ou seja, a democracia é meramente um meio para um fim e seu valor reside em fornecer uma maneira de remover agentes do Estado sem a necessidade de recorrer a instrumentos militares: "A essência da democracia é ... que legisladores e governantes ... podem ser pacificamente alterados se o conflito ocorre".
    Mises foi ele próprio um democrata dom "d" minúsculo - como muitos outros liberais de seu tempo – viu valor no uso de instituições democráticas para fornecer um meio para tratar conflitos políticos que poderiam prejudicar a vida econômica de uma comunidade. Para Mises, a prevenção de situações como guerras, revoltas, revoluções e outras rebeliões violentas foram essenciais para a manutenção de um mercado em funcionamento:
    "Liberalismo, reconhecendo que a realização dos objetivos econômicos do homem pressupõe a paz e buscando, portanto, eliminar todas as causas de conflitos na política doméstica ou externa, deseja democracia".
    Mises, entretanto, não foi um democrata ingênuo. Em nenhum ponto dos seus escritos ele chegou a assumir que a democracia é uma condição suficiente para a paz ou que a democracia pode superar os problemas introduzidos em um sistema político pela ideologia imperdeita.
    Com efeito, Mises esteva sempre ciente do papel central da ideologia na forma do quão laissez-faire (ou não) um estado pode ser. Mises entendia que se uma parcela considerável da população quer um estado totalitário, nenhuma quantidade de democracia - ou ausência dela – irá impedir.
    Afinal, escreveu Mises, "democracia tenta ... garantir [...] acordo entre a vontade do Estado - expressa através dos órgãos do Estado - e a vontade da maioria".
    Mas e se a vontade da maioria se inclina para o czarismo? "Bem", Mises responderia: "isso é provavelmente o que você terá":
    "O conservador russo está indubitavelmente certo quando observa que o czarismo russo e a polícia do czar foram aprovados pela grande massa do povo russo, de modo que até mesmo uma forma de Estado democrático não poderia ter dado à Rússia um sistema de governo diferente."
    Mises entendia que se fosse para manter um sistema político laissez-faire - seja democrático ou autocrático - uma parcela considerável da população deveria realmente querer um sistema laissez-faire, ou pelo menos algo semelhante a ele.
    Um jeito fácil de convencer eleitores a abandoner o laissez-faire
    Mas, mesmo se uma população tende para crenças laissez-faire, há maneiras de os estados enfraquecer essas crenças e aproveitar vícios humanos como a ganância, a preguiça e o medo para aumentar o tamanho e poder estatal.
    Mises, no livro Burocracia, de 1944, descreveu que o problema que surge quando uma parte considerável da população recebe a seu sustento do Estado:
    "O burocrata não é apenas um funcionário do governo. Ele é, sob uma constituição democrática, ao mesmo tempo, um eleitor e, como tal, uma parte do soberano, seu empregador. Ele está em uma posição peculiar: é simultaneamente empregador e empregado. E seu interesse financeiro como empregador se sobrepõe ao seu interesse como empregador, pois ele fica com muito mais dos recursos públicos do que contribui para eles.
    Essa dupla relação se torna mais importante à medida que cresce o número de na folha de pagamento governamental. O burocrata, como eleitor, é mais ansioso para conseguir um aumento do que para manter o orçamento equilibrado. Sua principal preocupação é inchar a folha de pagamento".
    E esse problema não se restringe aos funcionários públicos. Mises escreveu:
    "Não havia [nota do tradutor: Mises se referia a Alemanha e a França nos últimos anos que precederam a queda das suas constituições democráticas] apenas os exércitos de funcionários públicos, e aqueles empregados nos ramos nacionalizados de negócios (por exemplo: estrada de ferro, correio, telégrafo e telefone), havia os recebedores de seguro desemprego e de benefícios do seguro social, bem como os agricultores e outros grupos que são subsidiados direta ou indiretamente pelo governo.
    A democracia representativa não pode subsistir se uma grande parte dos eleitores estão na folha de pagamento do governo, se os membros do parlamento não se consideram mandatários dos pagadores de impostos, mas representantes daqueles que recebem salários, subsídios, doações e outros benefícios do tesouro, então a democracia acaba.
    Esse é um dos paradoxos inerentes às questões constitucionais contemporâneas. Faz muitas pessoas perder as esperanças em relação ao futuro da democracia. Como elas se convenceram de que a tendência é em direção a mais interferência do governo nos negócios, mais repartições e funcionários públicos e mais doações e subsídios é inevitável, elas não poderiam confiar que o governo é feito para o povo e pelo povo."
    Obviamente, em tal situação, nenhum político eleito que deseja ser reeleito irá se opor a uma continuação, ou mesmo um aumento, na assistência social estatal, programas de saúde, subsídios e outros tipos de gastos.
    Dentro de tal sistema político, qualquer que seja o apoio latente que possa haver para o laissez-faire será gradualmente varrido pela percepção de que a votação para mais benefícios governamentais é - aparentemente - muito mais lucrativa do que votar pelo laissez-faire.
    O sufrágio limitado de John Stuart Mill
    Mises não foi o primeiro democrata a reconhecer o problema da expansão do voto para aqueles que recebem mais do Estado do que pagam para ele.
    John Stuart Mill, considerado por muito tempo um democrata radical por seu apoio ao sufrágio quase universal (incluindo mulheres), não obstante, se opôs sufrágio para aqueles que recebem seguro desemprego. Em seu livro de 1861, Considerações sobre o governo representativo, Mill escreveu:
    "Eu considero fundamental que o recebimento da assistência aos pobres [nota do tradutor: Mill se referia ao sistema de auxílio aos pobres da Inglaterra. As Poor Laws foram precursoras do Estado de bem-estar social] deve implicar em uma desqualificação peremptória para o direito ao voto. Aquele que não pode se sustentar por seu próprio trabalho, não deve ter o privilégio de ajudar a si mesmo com o dinheiro dos outros. Ao tornar-se dependente dos demais membros da comunidade para sua subsistência, ele abdica da sua pretensão de igualdade de direitos com os demais em outros aspectos. Aqueles a quem ele deve a continuidade de sua própria existência, podem legitimamente reivindicar a gestão exclusiva dessas preocupações comuns, para as quais ele nada contribui ou contribui com menos do que leva ...
    Como condição para o direito ao voto, um prazo deve ser fixado, digamos, cinco anos anteriores ao registo, durante o qual o nome do requerente não tenha constado nas listas de beneficiários de assistência."
    Mill tenta resolver esse problema pela garantia de que todos os eleitores sejam pagadores líquidos de impostos, ou seja, todos os eleitores devem pagar mais impostos do que recebem em subsídios:
    "É também importante, que o legislativo que vota os tributos, nacionais ou locais, seja eleito exclusivamente por aqueles que pagam algum tributo. Aqueles que não pagam impostos, dispondo, através dos seus votos, do dinheiro das outras pessoas, têm todos os motivos para serem generosos e não para economizar. Qualquer poder de voto possuído por aqueles que não pagam impostos é uma violação do princípio fundamental do governo livre; uma separação do poder de controle, a partir do interesse no seu exercício vantajoso. Isso equivale a permitir que eles coloquem suas mãos nos bolsos das outras pessoas para qualquer fim que eles acharem adequado chamar de público...
    A representação na mesma extensão da a tributação está de acordo com a teoria das instituições britânicas".
    Ademais, Mill não queria nenhuma restrição permanente de direito a voto e desejava que qualquer um excluído do sufrágio devido a dificuldades econômicas atuais pudesse votar futuramente. Ou seja, quaisquer limitações sobre o sufrágio devem "deixar o sufrágio acessível a todos os que estão na condição normal de um ser humano".
    Visões perigosas da democracia
    O fator-chave por trás disso é a ideologia. Uma população que vê o crescimento generalizado de empregos públicos e programas de bem-estar como ilegítimo não vai tolerar tal situação. A esse respeito, se o propósito da democracia é - como Mises afirmou - criar harmonia entre a vontade do Estado e da vontade da população, então as sociais-democracias ocidentais estão trabalhando exatamente como projetado e como esperado.
    Ao contrário do que alguns libertários parecem pensar, a maioria das pessoas das democracias ocidentais não são libertárias "que ainda não se deram conta disso". Na verdade, a grande maioria das populações nas democracias ocidentais são ideologicamente muito tranquilas com grandes estados intervencionistas que empregam um grande número de pessoas e gastam imensas quantidades de dinheiro dos pagadores de impostos com benefícios sociais e subsídios para as empresas privadas. Seus padrões de voto e preferências declaradas deixam isso claro. Como esperado, os estados democráticos refletem as ideologias de seus cidadãos.
    Sem uma mudança nessa realidade ideológica, nenhuma mudança significativa deve ser esperada.
    Ora, estender o direito ao voto para aqueles que recebem mais subsídios do que pagam em impostos vai acelerar o processo de empobrecimento e instabilidade econômica.
    O primeiro passo para reverter esse problema ideológico está em adotar o laissez-faire como ideologia política dominante. A segunda etapa está vai ao encontro da visão de Mises, ou seja, da democracia meramente como um mecanismo utilizado para certos fins. A democracia não é, de acordo com Mises, uma extensão dos direitos naturais, ou soberania pessoal, ou a manifestação de alguma vontade pública mística.
    Além disso, Mises argumentou, essas idéias levam a crenças perigosas: que a democracia pode imbuir o estado com poder ilimitado ou que não há diferença entre a vontade do Estado e da vontade do povo.
    Uma vez que essas noções preocupantes da democracia são aceitas, estamos de fato em apuros. Mises conclui:
    "Grave prejuízo tem sido feito ao conceito de democracia por aqueles que, exagerando a noção soberania da lei natural, concebeu-a como uma regra ilimitada da vontade geral. Não há realmente nenhuma diferença essencial entre o poder ilimitado do Estado democrático e do poder ilimitado da autocrata. A ideia defendida pelos nossos demagogos e os seus apoiadores: segundo a qual o Estado pode fazer tudo o que desejar e que nada deve resistir à vontade do povo soberano, tem feito mais mal, talvez, do que a sede de poder de principelhos degenerados".
    https://mises.org/blog/why-social-welfare-programs-and-democracy-cannot-co-exist




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