As 5 lições de capitalismo das favelas brasileiras

As últimas duas décadas foram palco de uma verdadeira revolução nas favelas brasileiras. A pirâmide social delas se inverteu. Se antes a proporção entre pobres e classe média ficava em torno de 65% e 35%, ela agora está ao contrário.

Pelos dados do Data Favela 2015 (maior pesquisa nacional com moradores de favela do Brasil), mais de 65% dos favelados são classe média e 7% estão nas classes A e B.

Muito se fala dos hábitos de consumo das favelas brasileiras: roupas de marca, TVs de tela plana, smartphones, geladeiras, viagens de avião. Mas mais do que uma revolução de consumo, ela vive uma revolução empreendedora. Muitos moradores de favela têm ou querem ter seu próprio negócio.  Eles são, em outras palavras, capitalistas em potencial. E esses negócios, por ocorrerem muitas vezes entre a formalidade e a informalidade, muitas vezes cumprem funções que, no senso comum, só podem ser cumpridas por grandes investimentos de estado ou de grandes empresas.

1) Correio

1412704860509296.jpg

Crédito: Matias Maxx

A Rocinha, maior favela do Brasil, tem muitas ruas, becos, escadas e vielas que nunca foram devidamente mapeadas e numeradas por nenhuma autoridade. Nem por isso as pessoas deixam de ter endereço e de querer receber entregas, mas até certo tempo os Correios simplesmente não entregavam nas casas, mostrando como é frágil a ideia de que cobrem todo o território nacional. A correspondência dos moradores era em geral deixada em algum comércio próximo, com alto risco de se perder, fora o inconveniente de ter que passar em duas ou três lojas ou mercados para saber se uma carta chegou.

Isso mudou quando três moradores da comunidade que conhece bem a geografia interna, pois tinham trabalhado com o Censo, iniciaram a Carteiro Amigo, sua empresa de entrega de correspondência. Mapearam a favela (mapa que continua a ser atualizado) e passaram a numerar todas as residências que quisessem se inscrever. E não é por caridade, não. Os moradores que desejam receber suas cartas em casa pagam, voluntariamente, uma taxa mensal de R$16,00. O negócio deu tão certo que a Carteiro Amigo já abriu franquias em outras sete comunidades.

2) Notícias

pazcoa_no-alemao-2015-04-04-17.jpg

Foto: Renato Moura

A geração e veiculação de notícias deixou de ser monopólio dos grandes grupos de mídia. Rene Silva, comunicador e twitteiro do Complexo do Alemão que documentou em tempo real o avanço das forças da pacificação, começou seu próprio jornal e seu próprio portal de notícias quando tinha apenas 11 anos, o Voz da Comunidade. Ele traz reportagens, pesquisas, artigos de opinião e guia de eventos, além de ajudar em diversas campanhas sociais. O livro "A Voz do Alemão" conta um pouco de sua trajetória e seu contexto. Embora não vise lucro, o jornal é um exemplo de empreendedorismo social, e consegue se manter por meio de patrocínio de grandes marcas e publicidade de negócios locais.

Diversas favelas do Brasil seguiram seu exemplo e passaram a manter seus próprios portais, páginas de facebook e twitters. O olhar local sobre o que acontece é muitas vezes bem diferente do que a mídia tradicional oferece. Ele é a fonte mais rápida e confiável para registrar e divulgar as mortes no Complexo. Quando a Prefeitura demole negócios tradicionais no Alemão por falta de permissão, ficamos sabendo que trabalhadores e clientes da comunidade têm uma visão muito diferente da ação do governo.

3) Saneamento

20130508084434229344e.jpg

Grande parte das periferias do Brasil vive sem condições adequadas de saneamento básico, que o estado supostamente proveria a todos. Nem por isso os moradores ficam sentados à mercê de doenças e da sujeira.

A favela do Sol Nascente, próxima a Brasília, concorre com a Rocinha pelo título de maior favela do Brasil. O que não está em discussão é um outro triste título dela: tem o pior saneamento básico do país. Só 6% das casas são ligadas à rede de esgotos.

A Prefeitura tomou a iniciativa de cavar uma fossa na frente de cada casa. Depois disso, cada um que se vire. Dessa forma, as necessidades sanitárias da população sustentam diversas empresas e profissionais autônomos que esvaziam e limpam as fossas sépticas. O trabalho carrega algum estigma social, mas é relativamente bem remunerado. Uma limpeza sai entre R$ 80,00 R$ 140,00.

Sem dúvida, a fossa séptica fica muito aquém da coleta de esgoto, mas é bem melhor do que nada. Podemos apenas imaginar como seria a cara desse setor se o empreendedorismo e a concorrência fossem permitidos também nos encanamentos e na coleta de esgoto formal. Sistemas informais – e portanto altamente precários – surgem volta e meia em locais pouco servidos (e pouco fiscalizados) pelo estado. Mas o tipo de investimento pesado que uma rede sólida requer é inviável sem o amparo legal.

4) Transporte

passeando-na-mare.jpg

Nas grandes cidades brasileiras, o transporte de pessoas é tratado como competência do governo. Ele é que tem que planejar rotas, definir os pontos e estações e decidir a quantidade de cada serviço. Imagina se não houvesse definição das rotas de ônibus, segregação de faixas? Imagine se o direito de oferecer transporte fosse tirado das mãos das empresas monopolistas, ou dos possuidores de licença de taxis? Seria uma anarquia!

Aparentemente, a anarquia funciona. Em muitas favelas brasileiras, vigora a livre concorrência de serviços de transporte. Taxis, vans, kombis, moto-taxis e até bicicletas. Qualquer pessoa pode prestar esse serviço valioso e gerar renda para si. A maioria desses empreendedores gostaria de se regulamentar a atender seus clientes de forma completamente legal; mas os governos são tão lentos, e as exigências são tantas, que a maioria tem que seguir ganhando a vida no mercado informal. Seus consumidores agradecem.

A clientela nos morros cariocas é fiel. Motoqueiros acabam não apenas levando pessoas para cima e para baixo, como também fazendo entregas e até pagando boleto em banco para seus clientes mais próximos. Felizmente, a fiscalização é pouca, o que permite que esse setor continue a operar.

5) Artes Plásticas

occircuito-artes-paraisopolis1108052015.jpg

As favelas nos morros do Rio de Janeiro têm um atrativo óbvio para turistas: a vista magnífica para o mar. Em São Paulo, a coisa é mais difícil. Paraisópolis, que disputa com Heliópolis o status de maior favela da cidade, encontrou uma outra maneira de se destacar e atrair visitantes: as artes plásticas. São diversas atrações.

A comunidade tem um artesanato local vibrante. Um de seus maiores expoentes é a oficina de Antonio Edivaldo da Silva, ou Berbela, mecânico que faz esculturas com peças de ferro velho. Suas obras já ganharam destaque mundial e hoje aparecem na abertura da novela I Love Paraisópolis.

A arquitetura também conta com pelo menos dois artistas locais. Um é o Antenor Feitosa, que fez uma casa inteira revestida de garrafas pet. Por dentro, a experiência é de se cruzar uma catedral de luz esverdeada. Outro é Estêvão Conceição, o Gaudí de Paraisópolis. Sua "Casa de Pedra" é um verdadeiro deslumbre de criatividade e de uso de curvas e materiais inusitados, que lembram muito o caráter orgânico da obra de Antoni Gaudi. Estêvão desenvolveu seu estilo isoladamente; nunca tinha ouvido falar do mestre de Barcelona. Mas visitantes notaram as semelhanças e o Centro de Estudos Gaudí pagou sua viagem a Barcelona para conhecer e se inspirar a continuar suas criações.

Por essas e outras, Paraisópolis conta com um turismo de suas artes. O tour artístico pelos pontos mais interessantes da vizinhança, que recebe o nome "Paraisópolis das Artes", organizado por líderes da própria comunidade e feito a pé com guias locais, custa R$ 150,00.

__________________________________________

Artigo originalmente publicado no site do Spotniks.

Leia também: Um país chamado favela


0 votos

SOBRE O AUTOR

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com." Siga-o no Twitter: @JoelPinheiro85


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Tiago silva  10/06/2015 15:12
    A vida sem o estado é demasiado sofrida,curta,abjecta,quem providenciaria transportes,saneamento outros serviços "públicos",não há nem pode haver vida regrada sem os burocratas para protegerem os consumidores de moradores das favelas,que são ao mesmo tempo favelados e capitalistas opressores que exploram o seu irmão,sem qualquer consideração humanitária pelo bem comum,tudo porque o estado está omisso!!!
  • Pedro Ivo  12/06/2015 14:03
    O trecho a seguir, sobre correios:...

    A Rocinha, maior favela do Brasil, tem muitas ruas, becos, escadas e vielas que nunca foram devidamente mapeadas e numeradas por nenhuma autoridade. Nem por isso as pessoas deixam de ter endereço e de querer receber entregas, mas até certo tempo os Correios simplesmente não entregavam nas casas, mostrando como é frágil a ideia de que cobrem todo o território nacional. ; ...iniciaram a Carteiro Amigo, sua empresa de entrega de correspondência. Mapearam a favela (mapa que continua a ser atualizado) e passaram a numerar todas as residências que quisessem se inscrever.

    ... lembrou-me de uma troca de postagens entre o Mohamed Attcka Todomundo, Anthony Ling e o Ângelo Viacava no artigo " Houston, a lenda do urbanismo de mercado".

    O Angelo dizia que achava o uso massivo de bicicletas impraticável em cidades cheias de altos e baixos, e o Mohamed citou um exemplo de mapeamento de rotas feitas por ciclistas em São Paulo, mapeamento semelhante a este da favela; 2 exemplos formidáveis de apropriação empreendedorial dos espaços urbanos.

    Outros exemplos de apropriação empreendedorial dos espaços urbanos podem ser vistos no link anterior.
  • Wellington Kaiser  10/06/2015 15:27
    Ótimos exemplos, e existem muitos outros. A própria construção civil, onde se pode conseguir mão-de-obra desregulamentada e os encargos jurídicos são quase nada fazem o preço despencar.
  • Mr Citan  10/06/2015 15:32
    Infelizmente muitos destes serviços, principalmente Comércio, Notícias e Transporte, ainda tem o controle das facções que mandam nestas favelas, seja uma milícia ou um chefe do tráfico.
    Com isto, a questão de livre concorrência fica comprometida, pois quem manda na favela controla estes serviços.

    Basta lembrar que a "Voz da Comunidade" já sofreu um incêndio nas instalações que até agora não foi esclarecido.

    Apesar dos pesares, se não fosse o controle dos mandantes nas favelas, e também o controle do Estado nos serviços essenciais, os moradores poderiam ter melhorias significativas com uma oferta de serviços maiores, vinda do genuíno livre mercado.
  • Moisés  10/06/2015 16:16
    Exato. O problema é o excesso de estado. Por que existem as milícias no Rio? Por causa do excesso de estado.

    Uma área pobre de uma grande cidade, infestada de quadrilhas de traficantes e de milicianos que circulam por ali sem qualquer restrição, vendendo abertamente drogas nas ruas e becos e descarregando rajadas de metralhadora em qualquer um que apresente um comportamento suspeito está nessa situação terrível justamente porque a polícia opera ali rotineiramente e com truculência.

    Se a polícia realmente nunca se preocupasse em impor qualquer lei naquela área, então ninguém teria de se preocupar com o risco de ir pra cadeia por estar vendendo drogas.

    Consequentemente, empresas de fora poderiam ir se instalar naquele bairro, abrir lojas com janelas à prova de balas e vigiadas por seguranças muito bem armados, e vender cocaína e outras drogas para os moradores (ou, principalmente, para os clientes que vêm de outros bairros) por uma fração do preço vigente nas ruas.

    Essas empresas iriam rapidamente quebrar todas as quadrilhas de traficantes que operam na região, uma vez que os clientes iriam correr em manada para aqueles empreendimentos profissionalmente geridos, principalmente por causa de seus preços baixos e pela qualidade de seus produtos.

    Porém, por que isso não ocorre? Porque se alguns empreendedores tentassem de fato implementar o plano acima, eles seriam rapidamente impedidos pela polícia, que interromperia suas atividades (com o indisfarçável apoio dos traficantes locais).

    Mais ainda: essas empresas teriam suas contas bancárias confiscados por ordem do judiciário, inviabilizando qualquer operação. Líderes comunitários e religiosos iriam reclamar que uma farmácia não pode vender cocaína para adolescentes em plena luz do dia (embora os traficantes o façam imperturbáveis) e o chefe da delegacia encarregada da região iria concordar.

    Com efeito, nem ocorre a qualquer empreendedor tentar fazer o que foi dito acima porque - duh! - seria algo totalmente ilegal.

    Portanto, não é difícil entender que não é inoperância do governo o que permite que determinadas favelas permaneçam em um equilíbrio violento; ao contrário: é justamente o ataque do governo aos direitos de propriedade que faz com que bandidos detenham um poder permanente sobre determinadas regiões.
  • Hudson  10/06/2015 16:31
    Amigo, você acha mesmo que o tráfico permitiria concorrência em sua atividade dentro da favela? Na favela, o estado é o tráfico.
  • Wellington Kaiser  10/06/2015 16:44
    Pra começo de conversa, se o estado não retirasse a arma do cidadão, o traficante estaria em igualdade com os outros moradores (ou próximo disso), o que lhe renderia no mínimo um pouco mais de humildade, já que qualquer um seria um potencial inimigo e é impossível exterminar todo mundo.
  • Louro José  10/06/2015 16:25
    Pois é, o autor do texto se esqueceu de dizer que na ausência de um estado de direito, o estado paralelo toma conta.

    Há o benefício do capitalismo, mas não deixa de ser um capitalismo de estado. No caso, quem detém o monopólio das armas na favela faz as vezes de estado. E esse detentor é o tráfico.

  • Ana Maria Braga  10/06/2015 16:45
    "na ausência de um estado de direito, o estado paralelo toma conta."

    Ninguém, absolutamente ninguém é contra o "estado de direito". A questão é quem irá impingi-lo.

    "No caso, quem detém o monopólio das armas na favela faz as vezes de estado. E esse detentor é o tráfico."

    Nas favelas, como bem explicou o Moises acima, há o estado burocrático impedindo o surgimento de milícias privadas para combater as milícias formadas por membros do próprio estado burocrático (até onde sei, as milícias das favelas são formadas por policiais militares) e as milícias formadas por traficantes que só existem porque o estado proibiu o comércio legal das drogas.

    É interessante essa sua postura: você diz faltar estado, mas reclama de um arranjo originado justamente pelo excesso de estado. Não dá pra entender.
  • anônimo  10/06/2015 17:50
    Sem a proibição as drogas os traficantes quebravam, simples assim.

    Afim quem iria comprar algo de um demente armado se a lojinha perto de casa também vende e com melhores garantias?

    E sem o dinheiro do tráfico como iria se manter os traficantes? não iam, não teriam metralhadoras e nem capangas, e sem isso seriam facilmente destruídos, seriam reduzidos a meros ladrões de galinhas.
  • Raposa  12/06/2015 12:24
    Amigo quando a policia fecha o cerco os bandidos vão assaltar no "asfalto" possoal não entende nada da política da favela o traficante não vai virar trabalhador por causa da proibição das drogas. Trabalho é dinheiro suado e é justamente o que eles tem aversão.
  • Wellington Kaiser  12/06/2015 13:45
    Mas se você tira a droga da ilegalidade, você está atacando o BOLSO do bandido. Ele pode continuar sendo violento e atuar na ilegalidade, mas vai ter uma fonte de renda a menos, o que vai tona-lo menos poderoso. Difícil entender?
  • anônimo  12/06/2015 14:30
    Dinheiro de roubo é incerto e muito inferior ao do tráfico.

    E isso que importa, menos dinheiro, menos poder, menos bandidos.
  • Edujatahy  12/06/2015 14:50
    Esta bem, vamos supor que isto seja verdade. Mas o policial que estava lá procurando traficando para prender também estará disponível para ir policiar as ruas e protegê-las destes mesmos bandidos? Olha só que legal, policial cumprindo a PRINCIPAL função deles.
    Além disso, olha só que legal, milhares de pessoas que antes eram presas por comercializar drogas, não mais seriam. Logo o problema dos presídios reduziria drasticamente.
  • Alexandre  22/06/2015 20:39
    Duas formas de acabar com os traficantes: descriminalização das drogas e fim das restrições de acesso as armas pelos civis.

    - A descriminalização das drogas eliminaria o tráfico pela concorrência. Eles perderiam o vigor econômico para comprar armas e munições pesadas e impor o terror na comunidade.

    - O fim das restrições para civis possuírem armas equalizaria não apenas os habitantes ordeiros da comunidade aos traficantes como também os transeuntes de vias próximas que poderiam ser assaltados caso o mercado acima fosse perdido pelos delinquentes. Em pouco tempo, os irremediáveis estariam 7 palmos abaixo do chão.

    Traficantes e milícias jamais existiriam em um livre comércio com civis ordeiros armados.
  • anônimo  10/06/2015 15:41
    Wifi no busão, molecada!

    g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/06/van-pirata-oferta-wifi-gratis-para-atrair-passageiros-durante-greve-de-onibus.html
  • Alguem  10/06/2015 16:05
    Muito interessante este artigo, mas eu acho que uma das principais necessidades o empreendedorismo da favela ainda não conseguiu resolver, que é a segurança. Como bem disse Seu Jorge "Favela não é lugar para Ninguem", o próprio Rodrigo constantino lembrou:

    "O que temos é um cotidiano de surras e pobreza, os "gatos" da Net feitos por "esperteza" e excesso de "malandragem", e um clima de total insegurança, em que os pais vivem constantemente apavorados com o risco de seus filhos serem atraídos pelo tráfico de drogas, que domina quase todas as favelas cariocas. O gerente de tráfico da favela da Maré chegou a afirmar que matava um por dia, se quisesse. É esse o ambiente insalubre dos moradores dessas "comunidades", sem falar da falta de saneamento adequado e tudo mais."

    veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/cotidiano-de-surras-e-pobreza-e-a-glamourizacao-da-miseria/
  • Wellington Kaiser  10/06/2015 17:14
    Difícil resolver, tá aí um caso que o estado interfere e regula forte na favela (e de contrapartida oferece somente repressão).
  • Tiago RC  10/06/2015 16:19
    Muito interessante os exemplos, mas qual a definição de "classe média" desse Data Favela? Porque se for a definição oficial do governo (IBGE), ela é ridícula. Mesmo famílias muito pobres passam a barra da "classe média".

    Enfim, mesmo assim é bem interessante ver como as pessoas podem se virar no lugar do governo.
  • Henrique Zucatelli  10/06/2015 17:33
    Concordo com tudo, menos a forma como começou e alguns fatores, que mesmo sendo corretos ocorrem de forma errada:

    1- boa parte das favelas começam de invasões a propriedade privada. Logo, mesmo que hoje funcionem autonomamente, ou melhor, quase contra o Estado, estão dentro da propriedade de alguém. E quando esse alguém reclama a posse na justiça, o Estado (nós) paga pela propriedade e cada um ganha sua escritura (distribuição de renda).

    2- A maioria das favelas não paga pela água e a energia elétrica que utilizam, nem TV etc. Logo, isso é distribuir, comunismo,pois as pessoas abaixo do morro estão pagando por isso.

    3- O controle das milícias e do tráfico é algo culturalmente aceito pelas favelas. Se não há controle para os traficantes trazer armas e drogas, tambem não há para os moradores, portanto a formação de milícia privada não é de interesse deles. Pelo contrário: o tráfico ajuda os favela dos a manter serviços "grátis" sempre ativos, hoje pagando somente uma pequena taxa aos comandantes da vez.

    Como libertário não deixo de concordar que uma região com pouco estado é a solução para qualquer problema. As pessoas cuidam melhor deles. Porém favelas não são o melhor exemplo, nem de perto.

    Prefiro Hong Kong, Cingapura ou aqui no Brasil a Zona Franca de Manaus.
  • Felipe  10/06/2015 18:14
    Epa epa epa!

    1. As favelas não invadiram propriedade de ninguém. Em sua maioria foram ocupações de terrenos desocupados, que nunca tinham sido utilizados. E independente se tinha algum papel que dizia que aquele pedaço do morro era do fulano X, pois isso não tem legitimidade nenhuma.

    2. Correto, mas quem monopoliza esses serviços?

    3. Tráfico ajuda a favela em que? Tráfico só causa mortes e insegurança na região. Quem em sã consciência vai investir seu dinheiro na favela (excluindo os moradores)?
  • Henrique Zucatelli  10/06/2015 21:13
    Felipe:

    1- se "um pedaço de papel" não representa nada, logo as prerrogativas do MST são válidas no seu conceito? Pelo visto a do MTST também, e se eu comprar um prédio e deixar vazio outros poderão invadir? Sei...

    2- Já disse, óbvio que sem estado e suas agências cartelizadoras tudo fica simples, porém eu ir na sua porta com um cabo de energia e fazer um gato. Você paga ok?

    3- Ajuda sim a manter essa distribuição de renda forçada através de serviços roubados ilegalmente, pois os próprios traficantes não pagam nada, e se aproveitam da geografia do local para se esconder. E sim, tem gente de fora que investe pesado: a mídia.
  • Felipe  10/06/2015 21:37
    Não cara, o MST ou MTST invadem terrenos ocupados. Um prédio abandonado não deixa ser uma propriedade legítima de alguém.

    Outra coisa é pega um monte de mato que ninguém nunca pisou e fala que ali já tem dono.
  • Tio Patinhas  10/06/2015 23:08
    Paraisópolis que é uma das maiores favelas de SP e fica em bairro nobre, foi uma invasão, o dono entrou com ação na justiça, ganhou, mas a justiça nunca deferiu uso de força para reintegrar a posse e o dono não pôde usar força privada.

    Não era um monte de mato, o dono iria começar um loteamento para casas de alto padrão, mas foi invadido e ficou por isso mesmo.

    E aliás não importa se era ou não um monte de mato, era a propriedade de alguém que foi invadida e ficou por isso mesmo.

    Obrigado.
  • Felipe  11/06/2015 01:03
    "E aliás não importa se era ou não um monte de mato"

    Como não importa?

    Qualquer pedaço de papel pode legitimar uma propriedade então?

    Se eu corromper uns congressistas para me darem metade da Amazonia, segundo você, não haveria nada de errado.

    Para um libertário, propriedade só deveria ter legitimidade quando alguém utilizou ela.

    Se Paraisópolis estava sendo utilizado então sua apropriação foi de fato uma invasão, e, portanto, ilegítima.

    Agora, se era apenas mato, independente se havia um papel que dizia que tinha dono, apropriação não configurou uma invasão, e, portanto, foi legitima
  • Henrique Zucatelli  11/06/2015 02:17
    Caro Felipe, uma das bases para se tornar um libertário, ou mais do que isso, um ser livre como um todo, é estudar. E muito. Não sei se é seu caso, mas se for vamos começar arrancando de voce as doces mentiras que te contaram até agora.

    "Agora, se era apenas mato, independente se havia um papel que dizia que tinha dono, apropriação não configurou uma invasão, e, portanto, foi legitima".


    1- O argumento que acabou de utilizar é nada mais do mesmo que MST e MTST utilizam para invadir a propriedade alheia. O "papel" que voce cita é a única prova que uma pessoa ou empresa pode ter hoje em qualquer país para provar que aquele pedaço de chão é seu. Aqui chama-se escritura. Sem ela, qualquer pessoa hoje poderia entrar na sua casa, acender uma fogueira, te expulsar e dizer que é dela.

    Fiz uma pesquisa séria nos sites dos dois movimentos para tentar transcrever exatamente o crime que cometem, mas o que encontrei foi um emaranhado de palavras sem nenhum tipo de nexo, acredito que propositalmente, pois sabem que organizando um movimento abertamente invasor irão todos para a cadeia.

    Se aquele espaço físico (seja 1 metro ou um mundo de terra) foi adquirido e possui documentos legais que comprovam sua posse, quem é voce para arbitrar o que o dono deve fazer com ela?

    Não é problema seu nem meu a maneira como ele utilizou para acumular aquele capital, e esse tipo de discussão é a principal prerrogativa utilizada por movimentos sociais/fascistas/nazistas/comunistas para justificar a apropriação do bem privado.

    É um terreno cheio de mato? Sim. É seu? Não. Então não se meta.

    2- Voce por acaso faria fortuna, compraria uma grande porção de terra para no futuro construir algo ou revender quando estiver valorizado, e do nada permitiria que alguém viesse e tomasse, argumentando que voce é rico, que sua terra é "improdutiva" ou que aquele espaço vai a partir de agora estar a serviço do bem estar social? Duvido.

    É com essa cabeça que hoje, nesse exato momento, voce querendo ou não paga 47% (ou mais) de impostos sobre tudo o que voce consome, seja através de produtos ou serviços, não importa de onde venha seu dinheiro, de seu trabalho ou de outros que trabalhem para te sustentar.

    É com esses argumentos vazios e sem nexo que essa galera utiliza para promover a tal "igualdade", que não passa de joguete verbal para tirar de quem produz e dar de graça a quem não produz. É punir o certo e presentear o errado.

    3- Em países onde a propriedade privada é levada a sério, não existem favelas, justamente porque se voce ameaçar invadir o espaço de outro, será baleado ou pelo dono ou pela polícia. É por isso que a distribuição demográfica em outros países é bem mais eficiente: Se é muito caro morar aqui, resta morar onde eu posso. E as famílias vão indo até onde podem, tão longe ao ponto de encontrar terras baratas o suficiente para alugar ou comprar e ali viver. Por isso voce anda pelos EUA e ve um interior tão rico e próspero como NY ou Los Angeles. É a propriedade privada fazendo com que cada um busque seu espaço.

    4- Para concluir Felipe, voce não pode culpar esse ou aquele por ter chegado antes em uma terra, ido ao cartório e registrado. O capitalismo é também uma corrida pelo ouro. Quem chegar primeiro vence aquela corrida. Assim vale com descobertas tecnológicas, marcas e patentes, tendencias de moda, design de sites, TI, etc.

    Mas veja pelo lado bom: essa "falta de espaço" faz com que se busque outras coisas, ir além, fazer mais com menos. A produtividade das terras no Japão são o dobro daqui, mesmo tenho 10% do tamanho. A falta de espaço e o preço das terras impulsionou a criação da hidroponia, o cultivo em estufas e o controle de pragas, além da agricultura transgenica. Isso levou a outras inovações secundárias, que trouxe prosperidade a bilhões de pessoas.
  • Felipe  11/06/2015 03:22
    Caro Henrique, começo citando Rothbard para você, leia com atenção essa frase, e depois diga quem é que não estudou aqui.

    "Pois nós vimos que o título de um recurso sem dono (como a terra) é propriamente obtido somente através do dispêndio do trabalho de transformar este recurso por meio do uso. Portanto, se uma terra qualquer nunca foi transformada assim, ninguém pode reivindicar legitimamente sua posse" (Ética da liberdade)

    Agora deixa eu tratar de algumas falácias suas.

    "O argumento que acabou de utilizar é nada mais do mesmo que MST e MTST utilizam para invadir a propriedade alheia"

    Não, não é. Existem varias visões sobre uma propriedade ser legitima. Um deles é o seu, baseada apenas num pedaço de papel. Outro é do MST, totalmente arbitrário. Outro é o meu, baseada na visão libertária, e a única coerente.


    "Em países onde a propriedade privada é levada a sério, não existem favelas"


    Ninguém está questionando a propriedade privada, pelo contrário, estou mostrando quando esta deveria ser legítima ou não. Hoje a propriedade privada é definida de maneira arbitrária, e seu critério para aquisição independe de alguém utilizar ela ou não, é pura pilantragem.


    "voce não pode culpar esse ou aquele por ter chegado antes em uma terra, ido ao cartório e registrado."

    Apenas chegar não da direito a nada. Quer dizer que se eu chegasse na amazonia, e correse ao cartória, poderia exigir que toda ela fosse minha?

    Acho que nem você concorda com isso, por isso temos que ter critérios coerentes para avaliar a legitimidade de uma posse.
  • Tio Patinhas  11/06/2015 14:19
    Não importa se era um monte de mato, originalmente era uma fazenda (Fazenda do Morumbi), o dono resolveu dividir em grandes partes e vender, parte de quem comprou não fez nada inicialmente, pode-se dizer que especulou e daí?

    Foram trocas voluntárias, não é essa a base da liberdade? Duas pessoas negociam um bem?

    E pode ver o que acontecia no começo do MST, eles diziam que os donos não faziam nada com a terra, que tudo era apenas "um monte de mato."

    Especular com um bem é utilizar esse bem.

    Se eu esqueço um guarda-chuva e alguém encontra, essa pessoa pode dizer que eu não estava usando e que portanto ela é a nova proprietária? E um carro? Compro um carro hoje para vender daqui 15 anos ou mais, não uso o carro, não é legítima minha propriedade?

    Obrigado.
  • Felipe  11/06/2015 14:50
    Caro tio patinhas, você comete as mesmas confusões do Henrique.

    Eu não defendo que a posse da terra tem que ter algum uso especifico, mas apenas que a sua posse só pode ter legitimidade se alguém misturou seu trabalho antes.

    Um prédio abandonado ou um guarda-chuva esquecido nunca deixarão de serem propriedades de alguém. Houve trabalho aplicado ali, portanto pertencem a alguém por direito.

    Agora, uma terra virgem que nunca alguém misturou seu trabalho não pode pertencer legitimamente a alguém, pelo menos aos olhos do libertário.

    Eu falo isto citando Rothbard (como fiz acima). E sua visão sobre legitimidade é algo totalmente coerente.

    Agora, se você defende uma visão que basta haver um pedaço de papel validado pelo estado, então você não poderá acha injusto de alguém de repente se apossar de toda amazônia, se assim a Dilma e o Cunha quiserem.

    Por fim, MST nada tem a ver com a visão apresentada. Sua visão sobre legitimidade da terra é totalmente arbitrária, invadem terras ocupados ou prédios abandonados, e isso eu nunca defendi.
  • Henrique Zucatelli  11/06/2015 15:15
    Felipe, e afinal qual terra "não é de ninguém"?

    Só o fato de desbravadores terem movido recursos escassos para descobrir aquela terra, demarcar e registrar por acaso não é trabalho?

    Se enxergarmos por sua visão esse argumento de Rothbard é equivocado, pois se meus recursos são escassos ao escolher entre ir à uma terra de ninguém para desbravar e vender seus pedaços ou ficar onde estou, e se lá não tinha ninguém, eu sou o dono. Não é problema seu se vou construir ou não, hoje ou daqui 100 anos.

    Partindo do ponto das raríssimas terras que não tinham dono prévio e foram descobertas e lá foram construídos barracos para no futuro dar lugar a casas, ok. Mas quantos casos como esse podemos citar hoje no assunto FAVELA?

    Desculpe Felipe mas você não é libertário, você é apenas um socialista com tendências liberais. E não perco meu tempo com fanáticos, pois você vai encontrar motivos para manter sua opinião até o fim. Mude ela por si mesmo.

  • Felipe  11/06/2015 16:06
    "Desculpe Felipe mas você não é libertário, você é apenas um socialista com tendências liberais. "

    Você demonstrou não ter entendido o conceito libertário (e continua sem entender) e eu é que não sou um libertário, ok.

    Eu já demonstrei minha visão e com total coerência, e não vou mais prosseguir a discussão, só digo que a sua visão sobre posse da terra não sobreviveria a um mero desdobramento lógico.

    Mas tá bom, eu sou o fanático e você é o coerente.

    Abraços.
  • Crítico  11/06/2015 15:59
    Concordo com a visão do Felipe, mas acho que há uma confusão na interpretação das palavras do Henrique:

    "Se aquele espaço físico (seja 1 metro ou um mundo de terra) foi adquirido e possui documentos legais que comprovam sua posse, quem é voce para arbitrar o que o dono deve fazer com ela?"

    Não há o que se contestar neste caso, entretanto se um espaço foi ADQUIRIDO ele necessariamente precisava pertencer a alguém anteriormente de maneira legítima. Se o dono anterior tinha posse do bem, satisfazendo os critérios explicados pelo Felipe, então realmente não existe motivos para contestar a legitimidade do novo dono, uma vez que a posse foi concedida voluntariamente. Ele realmente pode fazer o que quiser com seu bem, inclusive deixar o mesmo "cheio de mato" por quanto tempo desejar.

    O problema todo desta discussão está distinção entre apropriação INICIAL de um determinado bem (que não possua um dono anterior) e AQUISIÇÃO de um bem de um proprietário legítimo anterior.

    No primeiro caso, a visão libertária é muito mais coerente nas palavras de Rothbard apresentadas pelo Felipe. Vocês estão analisando cenários diferentes. Já no segundo caso, o Henrique tem razão em seus argumentos. Ambos estão tentando comparar cenários diferentes.

    Espero ter contribuído para o debate.
  • anônimo  11/06/2015 14:30
    Todas os propriedades existentes no Brasil foram inicialmente definidas de forma arbitrária, baseadas apenas em um pedaço de papel. Ou Brasil já foi um pais libertário e ninguém sábia?
  • frk  21/06/2015 20:45
    Difícil acreditar que o dono "ia começar um loteamento, mas invadiram tudo e perdeu a posse".

    Moram mais de 40.000 pessoas em Paraisópolis. Não chegaram ali do dia para a noite. Vi na Wikipedia que o loteamento foi feito em 1921, e foi uma furada. Tanto que a invasão começou na década de 1950, por gente pobre, em uma área ainda rural. E ninguém os incomodou. Nem o dono.

    Claramente o proprietário poderia ter negociado os terrenos não-invadidos a alguém disposto a lidar com o problema. Poderia contratar segurança privada, como mencionado, para evitar outras invasões. Mas ele preferiu abandonar sua propriedade ao longo de décadas. Não me parece ter direito a reclamar a posse depois disso não. Se esse fosse o direito meu amigo, minha família teria metade de Ubatuba.



  • Tio Patinhas  21/06/2015 21:10
    O dono entrou com ação na justiça, demorou décadas para sair uma decisão que no final das contas foi favorável a ele, mas a justiça deu ganho de causa, disse que ele era o legítimo proprietário e não permitiu uso da polícia na reintegração de posse.

    Sem o uso da polícia ele não pôde retomar a posse (e apenas a polícia poderia reintegrá-lo na posse, ele não podia contratar algum outro grupo para fazer esse serviço).

    Então o dono achou que a melhor forma de resolver o problema era seguir a lei e tecnicamente ganhou (mas não levou). E sejamos sinceros, com a mentalidade reinante, se ele tivesse entrado em sua propriedade com tratores e expulsado os invasores, estaria respondendo processo até hoje.

    Obrigado.
  • Pedro Mundim  10/06/2015 17:48
    O alto grau de um capitalismo elementar e totalmente informal nas favelas surpreende alguns observadores que se acostumaram a associar o capitalismo a organizações sociais mais avançadas. Mas é fácil explicar esse fenômeno: é como a dose cavalar do remédio para um paciente em estado grave. Quanto maior a miséria, maior a necessidade do capitalismo no mais alto grau para se sair da miséria.
  • Emerson Luis  10/06/2015 18:09

    Como o governo ajuda quando não atrapalha!

    * * *
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  10/06/2015 22:07
    Isenção de impostos é o que eu quero.
  • Justo Como Dedo N'agua  11/06/2015 14:03
    Parabéns aos honestos empreendedores de todos cantos e recantos, porém este artigo é eufemista e quer passar a sensação de "copo quase cheio" das favelas.
    Favela é o claro sinal da inoperância e incompetência de um Estado.
    Favelas tendem à corrupção de valores e culto ao ilícito.
    Ficar mantendo a imagem de que tudo é uma maravilha, inclusive com visitas turísticas e demagógicas de celebridades mundiais é um atraso e um desrespeito às novas gerações que nascem e nascerão neste ambiente.
  • Wellington Kaiser  12/06/2015 13:32
    Nasci nesse ambiente e não considerei desrespeitoso. Ao contrário, achei o artigo muito coerente.
  • Pedro Ivo  12/06/2015 15:41
    - Parabéns aos honestos empreendedores de todos cantos e recantos, porém este artigo é eufemista e quer passar a sensação de "copo quase cheio" das favelas.

    O artigo trás informações sobre como favelados cuidam de suas vidas e melhoram seu ambiente. Que seja "eufemista e quer passar a sensação de "copo quase cheio" das favelas" foi enxerto seu.

    - Favela é o claro sinal da inoperância e incompetência de um Estado.

    Concordo. Se o estado realizasse a tarefa de definição e defesa claras dos direitos de propriedade, não haveria favelas pois as garantias de direitos de propriedade permitiria as pessoas conseguissem financiamento, usando seus imóveis por garantia, que capitalizariam seus empreendimentos, utilizando os lucros decorrentes para pagar os empréstimos e melhorar seus imóveis e imediações, como ocorre em condomínios, por ex..

    - Favelas tendem à corrupção de valores e culto ao ilícito.

    Duvido! Tenho certeza que a maioria das pessoas em favelas trabalha e vive honestamente dentro dos limites do resultado de seu trabalho. Já o estado tende à corrupção de valores e culto ao ilícito, prova disto ele não cumprir com suas auto-atribuídas funções.

    - Ficar mantendo a imagem de que tudo é uma maravilha, inclusive com visitas turísticas e demagógicas de celebridades mundiais é um atraso e um desrespeito às novas gerações que nascem e nascerão neste ambiente.

    ... visitas turísticas e demagógicas de celebridades mundiais é um desrespeito às novas gerações que nascem e nascerão neste ambiente.

    Concordo. Querem apenas atenção e aparecer bem aos olhos do público: narcisistas vazios. Todavia "Ficar mantendo a imagem de que tudo é uma maravilha" é papel das autoridades locais, que vendem as soluções socialistas de "não estimular a prosperidade", mas sim "inclusão de autoestimas", nivelando discursivamente aqueles a quem não pode garantir nenhum nivelamento sócio-econômico, posto o estado não pode promover desenvolvimento econômico.
  • Alguém  11/06/2015 17:22
    Olá, pessoal! Ótimo texto, eu cresci em algo "parecido" com uma favela (ainda não é considerada mas logo é capaz de ser) e o que eu aprendi vivendo nesse lugar é que se o governo coloca a mão atrapalha mais que ajuda. Era como uma mão que ameaçava o tempo inteiro e quando fazia um movimento as consequências eram terríveis. Água, luz, esgoto, sempre tivemos que nos virar, era inimaginável pedir ajuda pois ninguém se arrisca a entrar em um lugar perigoso (tráfico, milícia, etc). Lembro-me de comprar alguns itens pela internet e depois de meses a revendedora me enviou um email dizendo que os Correios mandaram de volta pois ninguém foi buscar a encomenda e eles não poderiam entregar pois era área de risco... Enfim, gostei muito, eu só tenho uma pergunta:
    "Pelos dados do Data Favela 2015 (maior pesquisa nacional com moradores de favela do Brasil), mais de 65% dos favelados são classe média e 7% estão nas classes A e B."

    Um tempo atrás li sobre o disparate do que é considerado classe média no Brasil, o salário real para fazer parte da mesma é pífio, mal compra os alimentos necessários então fica a pergunta: Que classe social é essa? A que garantiu um governo vigente retirar da pobreza extrema milhões de pessoas mas só no papel e não no cotidiano? Ou a pesquisa utilizou uma definição própria de classe média?
    Grata desde já!


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.