Por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o estado?

Nota do IMB

O apresentador do podcast do Instituto Mises Brasil e membro do Conselho Editorial da revista Mises, Bruno Garschagen, acaba de publicar um livro intitulado Pare de Acreditar no Governo - Por que os Brasileiros não Confiam nos Políticos e Amam o Estado.

O jornalista João Pereira Coutinho, que assina o prefácio do livro, faz a pergunta que sintetiza perfeitamente nossa espantosa confusão mental.  Diz o luso:

Se existe desprezo pelos políticos e amor pelo Estado, que tipo de criaturas os brasileiros imaginam que governa esse Estado? Seres perfeitos? Angelicais? Extraterrestres vindos de outra galáxia? 

Em seu livro, Bruno, além de mostrar que não fazemos essa conexão, investiga nossas raízes culturais para tentar encontrar uma resposta para essa nossa dissonância cognitiva, traçando um profundo panorama da nossa história: o livro abrange desde o reinado de D. Manuel I até Dilma Rousseff.  

De acordo com o autor, "nada é tão ruim que não possa piorar." 

Em sua coluna na Folha de S. Paulo, intitulada Ensaio Sobre as Cegueiras, o próprio João Pereira Coutinho escreve:

Você, leitor, é homem interessado no futuro do Brasil? [...] Você, leitor, deve procurar urgentemente "Pare de Acreditar no Governo - Por que os Brasileiros não Confiam nos Políticos e Amam o Estado", livro de Bruno Garschagen. 

Verdade: escrevi o prefácio da obra e, como dizem os "idiotas da objectividade", sou "suspeito" na matéria. 

Mas se isso é crime, cometo o delito com um sorriso nos lábios. O livro de Garschagen procura analisar o maior paradoxo político do Brasil democrático. Que está expresso no próprio subtítulo: os brasileiros desconfiam dos políticos e, sejamos sinceros, têm uma certa repugnância pela espécie. 

Mas, ao mesmo tempo, eles querem mais e mais Estado — ou seja, e por outras palavras, querem mais e mais políticos a tomar conta dos interesses públicos. Como explicar essa "dissonância cognitiva"? 

Garschagen vai às origens da tradição patrimonialista brasileira para encontrar, claro, a tradição patrimonialista portuguesa. Mas não só: com uma escrita divertida, informada e polêmica, o livro é sobretudo uma história do país — da independência no século 19 aos governos PT do século 21— e da paixão pelo Estado que palpita no coração de governantes e governados. 

A conclusão do autor é simples e fulminante: se você, leitor, acredita que os políticos não são anjos, então talvez seja altura de também não acreditar que o Estado é um jardim celestial. "Touché."

O site O Antagonista, escrito por Mario Sabino e Diogo Mainardi, também recomenda "veementemente" o livro, e o classifica como "leitura obrigatória".

A entrevista a seguir foi concedida por Bruno a Rodrigo da Silva, do site Spotniks.

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Rodrigo da Silva: Afinal, por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o estado?

Bruno Garschagen: Essa pergunta está diluída ao longo do livro. No fundo, não há uma resposta única. Há vários esboços de resposta. Mas, um dos argumentos centrais, desse amor do brasileiro pelo estado, é que esse foi um processo de construção política que resultou em uma mentalidade cultural.  E essa mentalidade acabou se traduzindo na forma de incentivos dispersos pela sociedade.

No fundo, quando você está imerso em uma sociedade em que as instituições políticas, em que todo o debate político, em que toda a conversa em termos de política, gira em torno de "o que o governo deve fazer" — e dificilmente se faz o questionamento sobre o que o governo não deve fazer —, é natural que você tenha uma relação com o estado de extrema dependência, mesmo quando não precisa ou não depende diretamente dele.

Fica essa mentalidade de que o estado deve fazer tudo — ou, no mínimo, apenas um pouco menos do que tudo.

Meu livro começa com o desembarque da tripulação portuguesa no Brasil e faz um passeio pela história até o ainda atual governo central. Eu me concentrei no poder executivo federal. Falo sobre o poder executivo federal quando o Brasil era colônia — referindo-me ao poder de Lisboa — e depois sobre o poder central dos nossos imperadores, chegando ao golpe militar que derruba a monarquia (e a nossa história é pródiga de golpes militares).  Após a queda da monarquia, faço um passeio pela história dos governos do período republicano.

Eu tento mostrar a forma como o poder central, que sempre foi muito poderoso no Brasil, se tornou um dos grandes atores na disseminação desse tipo de mentalidade. Por que os brasileiros não confiam nos políticos? É o paradoxo que eu coloco no subtítulo do meu livro. Ao mesmo tempo em que nós, brasileiros, ao longo da história, acreditamos que o governo deve fazer muitas coisas, ou deve fazer todas as coisas, não confiamos nos políticos. Esse paradoxo acontece por quê?

Porque o brasileiro faz uma separação bastante excêntrica entre o governo e os políticos que o compõe, como se o governo fosse uma entidade separada dos homens, como se o governo fosse formado por anjos, por entidades celestiais — para usar a famosa metáfora dos pais fundadores dos Estados Unidos.

E, nessa contradição, ao mesmo tempo em que o governo promete as coisas e não cumpre, esse descumprimento dessas expectativas, essa frustração, essa insatisfação é dirigida diretamente aos políticos.  E o que é mais engraçado ainda: o governo não cumpre as expectativas e com isso a realidade volta ao seu plano concreto. E aí os brasileiros percebem por quem o governo é formado.

Rodrigo da Silva A pergunta inevitável é: como mudar essa realidade?

Bruno Garschagen: É preciso várias ações. Falando de hoje, trazendo a discussão para o que está acontecendo agora no Brasil, nós estamos passando por um período de transição bastante rico, e esse período dará bons frutos se nós fizermos tudo certo agora, como eu acho que uma parte da sociedade brasileira tem feito.

Atualmente, o que a gente está testemunhando é que uma parte da sociedade brasileira percebeu essa armadilha, e está trabalhando para desfazer ou pelo menos mostrar que essa armadilha existe, e tentando propor uma alternativa em termos de ideias, de projetos políticos, de agenda política.

Então, o trabalho que tem sido feito, de participação e de militância ativa, faz com que a gente possa ter algum tipo de esperança de que isso possa ser mudado.  E, uma vez mudado no plano da sociedade e no âmbito cultural, poderemos quem sabe formar políticos que sairão já com uma mentalidade diferente.  E, uma vez nas instituições políticas, talvez estes novos políticos consigam mudar o que está implantado de maneira institucional.

No entanto, o que eu acho que é muito importante, e as passeatas desse ano mostraram muito bem isso, é que a participação de uma parte da população mostrou que as pessoas estão em busca de algo que não seja mais estado — o qual é, no fundo, a origem da sua insatisfação. E, ao verem que há algo diferente, a população tem para onde canalizar as suas expectativas.  E é aí que podemos começar um processo de construção de baixo para cima.

Rodrigo da Silva: O historiador americano David Landes aplica o patrimonialismo a uma perspectiva cultural. Por outro lado, economistas como o turco Daron Acemoglu afirmam que esse cenário faz parte da construção das nossas instituições econômicas, que incentivam essa dependência. Qual caminho você escolhe no livro?

Bruno Garschagen: A espinha dorsal do livro é a dimensão cultural. Mas como eu vejo a cultura? Como um grande círculo, dentro do qual estão os círculos da economia, da política e da justiça.

Quando escrevo sobre cultura, trato de uma forma muito mais ampla. Por causa disso, acabo tratando de tudo. E não consigo desassociar essa mudança cultural do problema econômico e político, pois, no fundo, essas esferas estão interligadas. A minha perspectiva é cultural e eu acredito que essa mudança será, no fim, a chave de tudo, pra mudança econômica e política.

Rodrigo da Silva E qual é a nossa literatura na área? Quais foram os seus expoentes sobre essa abordagem cultural histórica no Brasil?

Bruno Garschagen: Há vários autores que tratam de forma bastante específica alguns problemas. Vou citar dois que eu usei no livro, que pegam de forma muito inteligente a maneira como essa dimensão cultural atua na esfera política e econômica: o professor Antonio Paim e o professor Ricardo Vélez-Rodríguez.

São dois autores vivos com uma obra extensa, que tratam de política brasileira, e os quais eu recomendaria porque conseguem conjugar de forma muito inteligente essas dimensões.

Rodrigo da Silva: Como foi esse processo pra escrever o livro?

Bruno Garschagen: Esse livro foi proposto em forma de projeto ao editor Carlos Andreazza (da Editora Record) em uma conversa informal, e eu tinha o assunto resumido no título. Eu parti do título, que resumia o objeto daquilo que eu queria investigar.

O Andreazza comprou a ideia e, durante todo processo, deu total apoio. O processo de pesquisa e escrita do livro durou de janeiro a outubro de 2014. Foram dez meses de investigação e elaboração do livro.

Mas esse livro começou a ser pensado muito tempo antes, em 2008, quando comecei a me envolver de forma mais direta — ou a me preocupar de forma mais direta — com o problema político do Brasil. Foi um processo de leituras muito esparsas, crescendo de forma muito gradual. A partir dessa preocupação, discutindo os temas do país que eu gostaria de ler, a partir do meu trabalho no Ordem Livre, como podcaster do Instituto Mises Brasil, convivendo com as pessoas do movimento das ideias da liberdade, vendo que esse era sempre um assunto muito recorrente, a ideia foi se consolidando.

E eu primeiro queria descobrir se isso era verdade, se o brasileiro era realmente tão estatista como nós imaginávamos. Uma coisa era ter essa informação de forma intuitiva; outra era a investigação. Saber primeiro: "há alguma pesquisa empírica que demonstra que o brasileiro realmente ama o estado?". Eu fui descobrir que sim. Essa pesquisa já havia sido publicada em um livro chamado "A cabeça do brasileiro". Com essa pesquisa em mãos, concluí: "bom, isso realmente existe".

Em seguida, fui investigar teoricamente, historicamente, sociologicamente, antropologicamente de que forma isso foi sendo construído ao longo da nossa história, como é que isso chegou aqui e, principalmente, se houve, em algum momento histórico, alguma tentativa de quebrar essa ideia patrimonialista que chegou aqui e se desenvolveu com os portugueses, e foi sendo ampliada e modernizada.

No fundo, meu livro expõe a teoria e expõe também dados empíricos que mostram de que forma isso aconteceu e qual foi o resultado disso.

Rodrigo da Silva O livro aborda a herança cultural portuguesa. Como é ter um escritor como o João Pereira Coutinho, português, escrevendo o prefácio dele?

Bruno Garschagen: Eu acho que esse era o caminho natural. A escolha do João Pereira Coutinho para escrever o prefácio tem várias razões.

A primeira delas é que, como o livro trata de Brasil e Portugal, por conta dessa herança histórica, não haveria melhor escolha do que um autor português, que conhece a história de Portugal, que conhece uma parte da história brasileira, e que tem, de forma muito clara, a noção de que isso que o livro aborda é uma grande armadilha da qual Portugal também foi vítima e da qual também não conseguiu se libertar. E ele tem a exata dimensão dessa herança que nos foi legada.

Além disso, é um estudioso das ideias da liberdade, assim como eu.

A outra razão é que, além de eu ter sido aluno e orientando dele no mestrado, atualmente sou orientando dele no doutorado. Isso me permitiu ter uma aproximação maior e conhecer mais daquilo que ele conhece e desenvolve em seus estudos. Ele reunia essas qualidades que me privilegiaram com um prefácio brilhante, como o que ele escreveu, e adequado à proposta do livro.

E há uma coisa que eu queria complementar dessa relação entre Brasil e Portugal: eu só me senti confortável para escrever esse livro — depois de todas as leituras que eu fiz — porque tive a experiência de ter morado em Portugal durante 2 anos, o que fez com que eu tivesse uma visão in loco de Portugal, dos portugueses, da realidade portuguesa e de como se desenvolveu a política portuguesa.

Ter tido essa experiência, de ser um brasileiro que estudou a história brasileira, que teve essa vivência em Portugal e que estudou a história de Portugal em Portugal, fez com que eu me sentisse muito confortável para tratar dessa relação entre Brasil e Portugal.

E eu queria complementar dizendo que o livro foi pensado e escrito para o leitor não-especializado. Ele foi pensado e escrito em uma linguagem clara, concisa, fácil e bem humorada. Eu tentei, com o meu texto, reunir todas as características que nos fazem brasileiros no melhor sentido: um livro plural, que faz as abordagens que eu acreditava serem as mais adequadas ao sentido do livro e com um texto fácil. 

O texto é voltado a todo e qualquer brasileiro que queira conhecer a história do Brasil — ou a história oculta do Brasil — e que queira entender as bases desse nosso paradoxo: afinal, por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o estado?

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O livro "Pare de Acreditar no Governo: Por que os Brasileiros não Confiam nos Políticos e Amam o Estado" pode ser comprado pelos sites das seguintes livrarias:

- Amazon brasileira

- Livraria da Travessa 
(é possível ler o sumário, a introdução e o primeiro capítulo)

Livraria Cultura

Saraiva

Livraria da Folha


Também já é possível encontrá-lo nas principais livrarias de todo o país.

 

E hoje, quarta-feira, dia 27 de maio de 2015, às 19h, Bruno Garschagem estará na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Av. Paulista, 2073, em São Paulo, para fazer o lançamento do livro.


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SOBRE O AUTOR

Bruno Garschagen
é autor do best seller "Pare de Acreditar no Governo - Por que os Brasileiros não Confiam nos Políticos e Amam o Estado" (Editora Record). É graduado em Direito, Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa e Universidade de Oxford (visiting student), professor de Ciência Política, tradutor, blogger (www.brunogarschagen.com), podcaster do Instituto Mises Brasil e membro do conselho editorial da MISES: Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia.



O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Esse comentário não faz o menor sentido. Vc usa a linguagem jurídica e estatal para condenar pessoas, mas sem nenhum processo. Ter um cargo publico não pode ser crime no regime atual. Se vc se revelasse seria claramente processado por calunia e difamação. Pois não crime sem lei que o prescreva. Que é isso? Os libertários querem se unir aos marxistas para ditar regras de moral ao mundo. A existência de um aparato que extorque e atrapalha o desenvolvimento da população, pode ser imoral mas não pode ser considerado crime no sistema atual. Tente convocar uma assembleia constituinte libertaria e acabe com o sistema atual e talvez no seupais seja crime. Como podemos responder por crimes, contra uma legislação ideológica que ignoramos, que não aprendemos nem em casa e nem na mídia. Embora os recursos da receita federal sejam usados de ma fé, isso não faz da sua existência um crime. Antes de tudo existe um regulamento, produzido pelo consentimento da sociedade que prevê a existência daquele órgão. Pelo seu ponto de vista todas as pessoas são criminosas porque o estado não tributa tudo, mas regulamenta tudo. Então para ser um libertário coerente eu teria que cancelar meu CPF, abrir mão de todo beneficio estatal que veio parar nas minhas mão, mesmo sem que eu ferisse ninguém, renunciar minha cidadania brasileira, o que mais. Resumindo ter pessoas que respeitem os direitos civis e as liberdades individuais dentro do estado, é bem melhor do que ficar se gabando e massageando o próprio ego dizendo pra todo mundo, olha só nós estamos certo, todos vocês são ladroes, sem fazer nada pela liberdade.
Se há custos trabalhistas artificialmente altos e estes puderem ser reduzidos, então eles serão reduzidos.

Se uma empresa opera com custos trabalhistas artificialmente altos -- por imposição do governo -- e estes custos podem ser reduzidos -- porque há outros trabalhadores dispostos a fazer mais por menos --, então eles serão reduzidos.

Se a empresa não fizer isso, então ela estará -- por definição -- operando de forma ineficiente. Ele não durará muito. Com efeito, essa empresa só irá durar se operar com uma reserva de mercado garantida pelo governo. Aí sim. Excetuando-se isso, ela estará queimando capital e comprometendo sua capacidade de investimento e expansão no futuro. Será rapidamente abarcada pela concorrência.

No mais, é interessante notar que as pessoas querem livre concorrência para tudo e todos, menos para elas próprias. Todos nós queremos competição entre empresas para que haja produtos melhores e preços menores, mas não queremos competição para o nosso emprego. Quando a concorrência chega até nós, queremos que políticos criem leis que garantam nossa estabilidade. Agora, querem até proibir empresas de contratar outras pessoas que não nós mesmos. Há totalitarismo maior do que esse?

Vale ressaltar o óbvio: essa lei da terceirização nada mais é do que uma permissão para que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente -- por favor, me digam -- seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Ei, Marcelo Siva, quer falar de escravidão? Vamos lá (aliás, é hora de você começar a responder perguntas, como todos fizeram com as suas):

Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

No aguardo das suas respostas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Rodrigo Pereira Herrmann  27/05/2015 15:18
    Melhor entrevistador que já vi. Comunica-se bem, é objetivo, dá espaço e incentivo às pessoas falarem. Os hangouts conduzidos por ele são excelente, por exemplo.

    parabéns!
  • Mohamed Attcka Todomundo  28/05/2015 17:59
    faço votos q o livro seja um sucesso de vendas, e que ao contrario do livro do piketty, as pessoas leiam mesmo
  • Rodrigo  27/05/2015 16:11
    Já comprei, após ler os primeiros trechos num pdf da livraria Travessa. Em 2 dias poderei ler este livro que apresenta uma excelente sacada.
  • Marcio Cajado  27/05/2015 17:18
    tem a versão ebook?
  • anônimo  27/05/2015 18:18
    No site da saraiva tem a versão ebook
  • Mr A  27/05/2015 18:07
    Eu também li o comecinho do livro.


    Gostei do que li, senhor Garschagen escreve bem, e seu livro é regado de informações/fontes.

    Vou comprar o mais rápido possível.
  • Diego  27/05/2015 18:34
    Excelente texto, procurarei ler o livro, obrigado pela postagem.
  • Antonio  27/05/2015 18:57
    Conheci as idéias libertárias com quase 40 anos de idade. Para mim que sempre tive contato mais com as matizes da justiça social, da igualdade de condições a todos, lançadas pelo sistema (educacional, político, cultural), e assim formado em uma mentalidade onde o lucro desmedido tornou-se algo imoral, é muito difícil realizar uma metanóia para o libertarianismo .
    Mudar uma mentalidade de um indivíduo já é difícil, imagine de uma pequena sociedade ou de uma nação.

    É difícil acreditar que a justiça poderia ser obtida pelo livre mercado. Nele, o valor "lucro" vem em primeiro lugar e a moral submetida a ele. Poderíamos pelas próprias forças de mercado criar Megacorporações que poderiam exercer influência muito mais poderosa do que muitos estados. O que me parece que já ocorre através de ONGs financiadas pelas fundações MacArthur, Rockefeller e etc. Sobre isto sugiro verem o artigo "Herodes e Pilatos ficaram amigos!" https://padrepauloricardo.org/episodios/herodes-e-pilatos-ficaram-amigos.
    Vendo este artigo, me lembrei de um ilustre professor católico que disse "Liberalismo e comunismo se beijam". Aquilo me deixou intrigado. Então explicou: Dado que o Liberalismo leva a um capitalismo sem moral redundará ao colapso e a revolta das massas guiadas unicamente por suas paixões desordenadas. E é inegável que seres humanos tenham estas desordens ontológicas. Qualquer um que se analise poderá se aperceber em maior ou menor grau, da inveja, orgulho, vaidade, luxúria, gula, ira, preguiça.
    De um lado temos o poderio do dinheiro e a soberba da vida e do outro de um leviatã Estado representados respectivamente pelo liberalismo e comunismo.






  • Almeida Castro  27/05/2015 19:22
    Já eu, em meus 15 anos de libertarianismo, jamais -- enfatizo: jamais! -- vi um forasteiro ser capaz de ao menos entender corretamente o libertarianismo.

    O senhor, por exemplo, cita o exemplo da Fundação Rockefeller. A família Rockefeller, ao menos a atual geração, se fez toda na política. Nelson Rockefeller foi governador e candidato a vice-presidente. A atual família Rockefeller está ligada umbilicalmente ao estado, assim como a Fundação Ford (que recebe subsídios e pacotes de socorro do governo americano). E o senhor a cita como exemplo de liberalismo?

    É óbvio que o senhor não sabe do que fala. Não é possível nem sequer começar um debate nesses termos.
  • Antonio  27/05/2015 23:12
    Os Rockefeller floresceram, pelo menos através das leituras que fiz através de muito desbravamento e empreendedorismo. Hoje detém um poder financeiro e consequentemente político muito grande e através de suas fundações financiam bandeiras de destruição da "Família Tradicional", notadamente as mesmas do marxismo cultural, influenciando políticas de estado, mídia, partidos políticos etc.
    O mesmo o fazem outros grandes grupos capitalistas.
    Com estado ou sem estado teremos sempre um grupo que se tornará poderoso e com a intensão de por sua agenda ideológica sobre outros.
    É uma pena, a discussão de idéias faz enriquecer o debate.

  • anônimo  28/05/2015 10:51
    Enriquecer pelo livre mercado não tem nada de imoral, a única coisa imoral é depois disso usar do governo pra impôr sua agenda esquerdista nos outros.Mas a culpa não é do livre mercado.
  • anônimo  27/05/2015 21:05
    E qual a alternativa que esse padre propõe? Submeter todos à uma moral religiosa via opressão estatal? É ele que vai nos julgar? Se eu não aceitar vou ser queimado vivo por heresia?

    No mais, esse seu embuste que reduz todos num livre mercado à uma condição de autômatos amorais que buscam tão somente o lucro é totalmente ridículo. É um reducionismo pífio vindo de algum que conhece as ideias da liberdade há 40 anos.

  • Antonio  27/05/2015 22:39
    "E qual a alternativa que esse padre propõe? Submeter todos à uma moral religiosa via opressão estatal? É ele que vai nos julgar? Se eu não aceitar vou ser queimado vivo por heresia?"

    Em nenhum momento se fala em submissão e repressão religiosa. Suas palavras demonstram que você carece de estudo histórico e fala daquilo que não sabe. Você não será queimado vivo por heresia. Até porque não existe mais o Santo Ofício, que era destinado a católicos, e não estamos discutindo questões teológicas.

    O link foi apenas para citar que grandes corporações financiam hoje um processo de engenharia social.

    A intenção do link da palestra do padre era levar ao conhecimento porque estas organizações megacapitalistas financiam movimentos e bandeiras tipicamente marxistas.

    "No mais, esse seu embuste que reduz todos num livre mercado à uma condição de autômatos amorais que buscam tão somente o lucro é totalmente ridículo. É um reducionismo pífio vindo de algum que conhece as ideias da liberdade há 40 anos."

    Não tive interesse de enganar ninguém e muito menos atacar o livre mercado, que acho condição essencial ao bom funcionamento da economia. Tenho familiares e amigos empresários, profissionais liberais, autônomos.


    Acho que você entendeu errado. Este ano, no qual faço 40 anos é que tive contato com as ideias libertarias e não há 40 anos.


  • anônimo  28/05/2015 01:16
    Em nenhum momento eu disse que li em algum lugar que isso foi proposto por tal professor/padre ou por qualquer outra pessoa. Eu perguntei qual era a proposta ou alternativa e não recebi resposta. Se me carece estudo histórico, te falta interpretação de texto. Quem é que vai me impor ou me educar com alguma moral? Esse ilustre professor? Que moral que ele acha que ele tem?

    O sofisma desse professor sobre o liberalismo no que concerne ao lucro sim é algo típico de comunista.
  • anônimo  28/05/2015 09:06
    'É difícil acreditar que a justiça poderia ser obtida pelo livre mercado. Nele, o valor "lucro" vem em primeiro lugar e a moral submetida a ele. '
    Livre mercado = competição.Você acha injusto que uma pessoa possa escolher qual governo ela irá fazer parte? Acha que só por poder escolher, isso impede que a justiça seja feita se essa mesma pessoa fizer algo errado?
    Sobre o lucro já comentaram, mas pense: Como o lucro pode ser imoral se o lucro só existe se a empresa faz algo que as outras pessoas consideram válido?

    Poderíamos pelas próprias forças de mercado criar Megacorporações que poderiam exercer influência muito mais poderosa do que muitos estados. O que me parece que já ocorre através de ONGs financiadas pelas fundações MacArthur, Rockefeller e etc'
    Sem o estado pra forçar nada essa é uma 'influência' que só atinge as pessoas intelectualmente fracas, sem convicção dos próprio princípios.
  • Edujatahy  28/05/2015 12:12
    Caro Antonio. Por favor, vide os seguintes artigos para entender melhor o que o liberalismo defende.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1946
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1876
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2100
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2049


    Entenda meu caro, TODOS, e reitero aqui, TODOS os monopólios e/ou oligopólios já ocorridos foram possibilitados através de lobby de corporações COM o Estado.
    É praticamente impossível, por mais que o "empresário seja cruel" que ele consiga impor suas "malignidades" à sociedade em uma economia SEM BARREIRA DE ENTRADA. Lembre-se disso meu caro.




  • ANDRE LUIS  27/05/2015 19:22
    Há muita coisa fora do lugar aqui. Antes de começar, quero dizer que sou leitor de longa data do mises brasil e aprecio muito o trabalho do Bruno, reconheço seu enorme valor como bom profissional, principalmente nas suas ótimas entrevistas. Enfim, é um cara no qual me sentiria honrado em contribuir com uma crítica construtiva.

    Pra começar, o título está fora de lugar. A expressão "amam o Estado" está bem longe da realidade. Mais correto seria "não confiam em políticos, mas confiam no Estado" O verbo confiar descreve melhor o sentimento dos brasileiros perante o Estado. Entendo porém o apelo de marketing do livro por isso não vou me ater a esse pequeno detalhe.

    O que me causou certa estranheza foi o fato de ver um liberal, tarimbado feito o Bruno, fazer um enorme esforço para encontrar as raízes e enxergar soluções para resolver determinado problema, esquecendo-se da maneira pela qual sua teoria de mundo vem resolvendo os problemas nos últimos 200 anos!

    Liberais nunca venderam discursos, isso é fato. Fico imaginando um liberal escrevendo sobre os aspectos culturais do uso das máquinas de escrever, e o quanto seria difícil mudar esse hábito enraizado em todos os cidadãos, ao mesmo tempo reclamando que elas são lentas e ineficientes. Dai especulando, quem sabe, infiltrar gente no sindicato dos datilógrafos pra ver se aceleram as inovações. LIBERAIS IGNORAM O ANTIGO E CRIAM NOVAS SOLUÇÕES. PCs não surgiram assim.

    O caminho é sempre o mesmo: Se algo não está funcionando bem, cria-se uma alternativa e a põe no mercado. Se esta for boa e tiver aprovação dos consumidores, então está criada a solução!
    Ninguém precisa de discurso para fazer isso. Por que raios os liberais não estão, aos montes, propondo alternativas ao nosso malfadado sistema representativo? Afinal todos sabem que a melhoria das condições de vida em todas as áreas só se deu através da "destruição criativa". Não vejo entre os liberais ninguém que deposite mais confiança na destruição criativa do que no discurso a ponto de pô-la em prática. Isso é uma pena.

    O povo brasileiro confia no Estado simplesmente porque nunca lhes foi oferecido nada melhor para depositar sua confiança, gerando o eterno ciclo de frustração que atingiu seu ápice nos dias de hoje.

    Atenção liberais, vocês são os portadores da luz da destruição criativa. Que tal começar a buscar soluções concretas e divulgá-las como alternativas. Se alguém vier reclamar aí sim deve-se jogar todo o arsenal teórico do discurso liberal, usar toda a bagagem de quem entregou 200 anos de bons serviços. Propor alternativas não é golpe! É a única maneira das coisas melhorarem sem necessidade de golpe!

    Bruno, não li seu livro ainda. Caso você tenha dedicado mais tempo propondo alternativas do que explicando porque as pessoas ainda batem à máquina...ops! amam o Estado, ignore este texto.




  • Luiz Márcio   27/05/2015 19:32
    Andre Luis falou, falou, falou, e não disse b... nenhuma. 

    Primeiro, ele se concentrou em criticar. Depois, 15 parágrafos depois, ele confessa que não leu o livro e que não tem a mais mínima idéia sobre o que o livro aborda e propõe. Mas criticou assim mesmo. E disse que tá tudo fora do lugar.

    Esse é o espelho de nossa gente.
  • ANDRE LUIS  27/05/2015 20:07
    Olá

    Afirmo que liberais não vendem análises nem discursos, mas soluções. Estou criticando os que vendem mais discursos do que soluções. Que parte disso você não entendeu? Você concorda com isso? Discorda? Que tal me mostrar que estou errado?
  • anônimo  27/05/2015 21:54
    Como você é chato, se não gostou do livro é só não comprar e parar de mimimi.



  • RBP1  07/04/2016 11:17
    A solução é acabar com o estado e permitir que a livre iniciativa se organize sem distorções. As analises e criticas são os meios de convencimento. Não existe paraiso terrestre, mas teremos maior prosperidade na liberdade fundamentada no direito natural do que num estado positivo.

    Que solução vc espera que ele venda?
  • Wesley Fernandes  27/05/2015 19:58
    O brasileiro odeia políticos mas queria estar roubando também. Por isso quer mais estado, para estar mamando dinheiro público. O brasileiro odeia que o político roube porque ele não está ganhando nada com isso. Mas ele não rejeita a boquinha e está de olho se aparecer uma oportunidade para entrar na burocracia estatal para mamar. O PSOL que atualmente critica o PT faz o mesmo jogo, posa com a ética, mas se chegar ao poder vai roubar também, talvez até mais. O brasileiro funciona assim.
  • Thiago Cardoso  28/05/2015 11:48
    O Estado funciona assim. Não o brasileiro.
  • Tulio  05/02/2016 13:15
    O Estado é feito por brasileiros.
  • Cavalcanti Netto  07/04/2016 14:44
    Não apenas o brasileiro, você quis dizer.
  • Aum de Abreu  27/05/2015 20:00
    O óbvio ululante. O indivíduo leigo em questões políticas comete um erro medonho ao culpar os políticos pelo mal que é impetrado pelo estado. O mal que emana do governo e assola a sociedade não é "efeito da má gestão" ou mesmo da corrupção, é justamente a causa disso: o mal é precisamente a força motriz do estado.

    Note que não estou defendendo a figura ou a importância do político, mas centrando o objeto da análise para considerá-lo devidamente: o Estado e sua mecânica.

    E para demonstrar meu argumento, uso uma proposição autoevidente que explica porque a causa é o modus operandi (o mecanismo) imanente à máquina estatal, e não a má gestão ou o político em si.

    # O estado que age para se tornar desnecessário, como sugere Humboldt, inevitavelmente entrará em extinção. Já que, a título sócio econômico, podemos afirmar seguramente que uma civilização só avança e prospera à medida que a ingerência do governo diminui.

    Esse fato também explica por que nenhum político bem-intencionado surtiu efeito. E por que não adianta eleger um bom moço ao cargo máximo da república, para presidir a nação.

    Já que EMPERRAR o desenvolvimento sócio econômico é condição SINE QUA NON pra máquina estatal funcionar normalmente e a todo vapor. É um mecanismo de auto-preservação. Não importa o código de ética em vigor, o político não encontra formas de obedece-lo ou de agir em estrita observância a ele.

    Uma medida política favorável ao povo é, para todo e qualquer efeito lógico, contrasenso. Não há formas de melhorar a qualidade de vida da população sem necessariamente desativar repartições estatais, sem cortar mesadas e acabar com regalias de terceiros e superiores, sem agendar a própria demissão e cumprir aviso prévio, isto é, sem inutilizar o próprio ofício e sem amputar o próprio corpo, o que é impensável, já que ele é um relés membro do aparato estatal. Se oferecer ameaça ao corpo, a metastase é diagnosticada e neutralizada.

    Só que é melhor construir a própria aposentadoria a projetar a falência. Quem vai perder uma carreira, uma ou mais décadas a fio, dedicar uma vida à política, engajado em prol do fim do estado, quem vai planejar a própria RUÍNA?

    O estado nao obriga o político a trabalhar pela sociedade, mas a atrapalhar ela.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  27/05/2015 20:25
    Antonio,

    1) você está confundindo liberalismo com libertarianismo;

    2) o liberalismo tem base moral sólida com fundamento metafísico no direito natural (vide os autores liberais ingleses que inspiraram precipuamente a revolução liberal americana);

    3) só há Justiça com respeito aos direitos fundamentais do ser humano. o liberalismo defende inapelavelmente esses direitos, resguardando-os legalmente de eventuais violações. do contrário, os antigos absolutismos e os modernos coletivismos materialistas são o inequívoco exemplo dessas violações.
  • Regina  27/05/2015 20:39
    Otima entrevista, o brasil precisa mudar mesmo!
  • Yuri  27/05/2015 20:41
    Parabéns Bruno pela otima entrevista. Espero mais entrevistas assim. Abraços!
  • Vinicius Zucareli  27/05/2015 21:25
    Vou comprá-lo assim que o vir nas livrarias daqui!

    Aproveitando e abusando, Bruno. Gostaria de saber se você tem alguma teoria sobre o porquê a comunidade científica como um todo é tão socialista?

    É uma das minhas frustrações maiores ver pessoas inteligentíssimas ignorarem completamente o método científico ao analisar ideologias e se alinhar tão à esquerda.

    Você tenta esclarecer esse viés na sociedade em geral, eu queria esclarecer esse viés na camada mais "estudada" da sociedade. E esse fenômeno nem é ligado ao Brasil especificamente. Não consigo atrelar isso somente à ideologização das nossas escolas e universidades, não pode ser tão simples assim fazer uma lavagem cerebral tão completa em pessoas inteligentes.
  • Al Caparra  27/05/2015 22:48
    "Gostaria de saber se você tem alguma teoria sobre o porquê a comunidade científica como um todo é tão socialista?"

    Simples, porque dependem de dinheiro do governo para desenvolverem seus projetos de pesquisa e manterem bolsistas.

    Além de que o método científico não ajuda a analisar ideologias.
  • Vinícius   28/05/2015 13:57
    Eles dependem das bolsas estatais, acusam os empresários de gananciosos, ladrões da mais valia e outros termos marxistas, mas não conseguem enxergar que no resto do mundo a pesquisa é financiada pelas grandes empresas.

    Eles invejam grandes empresas no exterior como exemplos a serem seguidos no Brasil e depois falam mal dos empresários brasileiros e estrangeiros dizendo que são todos gananciosos. Não faz sentido!

    Principalmente se você observar que essa tendência se mantem mesmo fora do Brasil! Mesmo em países onde a pesquisa científica é financiada pelas empresas eles as acusam de 'roubar' o trabalho dos cientistas pra si, de ficar com todos os lucros e impedir acesso às tecnologias. Ou mesmo de só investir em interesses mesquinhos, etc. Mas mesquinho como se a população é quem paga pelos produtos e se ela comprou, era porque é útil! E como as empresas roubam, se elas assumem 100% do risco nos projetos e tem que financiar 10 pra um dar dinheiro, esse um obviamente vai ter que pagar pelos 10 fracassados, por isso o percentual tão grande de 'Lucro'.

    Todas essas conclusões facilmente demonstradas por lógicas simples. Como não entender isso?
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  27/05/2015 22:42
    O Brasil...
  • Jayme Martins  28/05/2015 02:46
    Olá amigos do mises. Gostaria de deixar meu depoimento aqui nos comentários. Hoje tenho 30 anos e estou conectado com os ideias deste site há mais ou menos dois anos.
    Vejo que muitos aqui discutem sob diversos aspectos da cultura do nosso país, e como estes influenciam em nossa política e economia.
    Vou descrever um fato, vivido por mim, que mostra um pouco como pensamos nnós brasileiros, como realmente nós pensamos e projetamos isso para o nosso dia a dia.
    Quando jovem, fui aluno de um colégio muito tradicional no Rio de Janeiro. Nesta instituição de ensino, a cola nas provas era algo intitucionalizado. Todos colávamos. Queríamos somente chegar ao fim do ano letivo, passar de ano, agradar nossos pais e entra de ferias. Todos os alunos viam o colégio como um inimigo necessário. A cola não era só institucionalizada, ela era rotina. Os melhores alunos eram coagidos a passar cola ou seriam taxados de CDFs, NERDs, egoístas, etc. As elas eram vistas como uma chatice, a única intencao da maioria dos alunos era passar de ano e agradar seus pais.
    Quando fiz 16 anos, fiz um intercâmbio para os USA onde tive a oportunidade de cursar o Ano Sênior em uma escola americana. Estudei em uma escola pública, nesta ecola estudavam tanto alunos pobres quanto ricos.
    Logo após alguns meses senti um choque cultural muito forte. Comecei a me destacar em algumas disciplinas.
    O que mais me surpreendeu foi que ao me destacar, comecei a ser reconhecido no colégio. Recebi elogios não só de professores, mas também de outros alunos. As pessoas me parabenizavam por ser dedicado. Meus colegas me pediam ajuda e me respeitavam por ser bom aluno. Alguns até me pediam ajuda para aprimorar seus estudos e suas notas.
    O maior choque cultural que senti foi quanto a cola. Ela simplesmente não existia. Era vista como uma coisa feia e desleal. Quando comentei que isso era pratica comum no Brasil, meus colegas me disseram que cola era o mesmo que roubar o esforço de outra pessoa ou se enganar. Aquilo revirou minha cabeça, foi como uma epifania. De uma hora pra outra, vi todo meu pensamento indo ladeira a baixo. Naquele momento percebi que estudava simplesmente para agradar meus parentes. Nunca tinha tido vontade de verdade de estudar, posto que o estudo sempre me pareceu um impecilio a diversão.
    Hoje vejo claramente que vivemos um problema muito grande de estímulo. Nossa sociedade não da o menor estímulo ao empreendimento individual. Nossos pais não dão estímulo ao empreendimento individual. Nós não percebemos que é só através do nosso esforço que vamos crescer.
    Depois dessa aula que tive com os americanos, abri meus olhos. Passei eu 5 lugar para uma faculdade pública, após muito esforço. Fui o aluno mais bem colocado na seleção do curso de pôs graduacao que pleiteei. Aquela experiência me ensinou que só é possível vencer com muito esforço.
    Quero terminar meu desabafo dizendo que estou muito insatisfeito com nosso país. Investi muitos anos em estudo, abri uma emprese onde tiro o sustento de minha família. Com o passar dos anos tenho percebido que não importa quanto eu trabalho. A cada ano que passa, se torna mais difícil para mim gerenciar meu negócio. Cheguei ao ponto em que aprendi a fazer reparos em equipamentos ( depois de ser roubado várias vezes por técnicos), cada vez mais acúmulo funcoes, pois se contratar alguém para fazer, simplesmente o serviço sai mal feito ou muito caro.
    Desculpem amigos pelo desabafo, se eu continuar a citar as limitações que são impostas pelas pessoas que nao estão nem aí para um trabalho honesto, meu texto vira um evangelho.
    Gostaria de finalizar dizendo que nosso problema real, não é qualquer outro que não nossa cultura. Não conseguimos sair da cultura da malandragem, do jeitinho brasileiro, da vadiagem.
    O único jeito para avançarmos, vai ser quando nosso povo perceber que " there is no free lunch"


  • anônimo  28/05/2015 10:46
    'Depois dessa aula que tive com os americanos, abri meus olhos. Passei eu 5 lugar para uma faculdade pública,'
    Depois da aula com os americanos vc vai se esforçar pra conseguir uma faculdade PÚBLICA?
    É justamente essa a mentalidade que ferra o brasil, de achar que tem que se esforçar pra conseguir esmolas do governo.
  • anônimo  28/05/2015 19:33
    "Depois da aula com os americanos vc vai se esforçar pra conseguir uma faculdade PÚBLICA?
    É justamente essa a mentalidade que ferra o brasil, de achar que tem que se esforçar pra conseguir esmolas do governo."


    É, será que os americanos não ensinaram a ele que é completamente errado utilizar os serviços que ele é obrigado a pagar através de impostos?
  • anônimo  29/05/2015 09:30
    'É, será que os americanos não ensinaram a ele que é completamente errado utilizar os serviços que ele é obrigado a pagar através de impostos?'

    Se tivesse realmente aprendido algo veria que o que os americanos fazem não tem nada a ver com isso, eles passam anos economizando pra PAGAR uma universidade boa.Querer de volta o que é obrigado a pagar pelos impostos (como se isso fosse possível) é coisa de brasileiro.
  • Adelson Paulo  28/05/2015 17:46
    Tenho uma parente muito próxima, hoje uma advogada criminal bem conceituada, que me dizia que em seu curso de Direito, em uma das melhores universidade privadas do Rio de Janeiro, os estudantes tinham acordos de falsificarem assinaturas entre eles, nas listas de presença nas aulas. Dizia-me esta parente que isto era "institucional" na faculdade: todos os alunos falsificavam e tinham suas assinaturas falsificadas. Em um curso de Direito...
  • Thiago Valente  29/05/2015 02:12
    A pergunta é: o objetivo da faculdade de Direito é controlar a frequência dos alunos ou desenvolver um processo de ensino-aprendizagem e pesquisa acadêmica entre os alunos?
  • Adelson Paulo  29/05/2015 09:54
    Independente da discussão sobre os objetivos da faculdade de Direito, se a cobrança de frequência dos estudantes às aulas é uma das normas de seu funcionamento, a falsificação desta frequência é uma fraude. Se o estudante considera um exame "decoreba", ou seja, apenas de memorização, isto não lhe dá o direito de "colar".
  • Jayme Martins  28/05/2015 02:48
    Pasmem
  • Adelson Paulo  28/05/2015 17:57
    Há um outro importante componente neste "amor" pelo Estado (que não sei se tratado no livro, pois não o li ainda): o Estado coopta vários dos melhores talentos de nossa sociedade. Em virtude de nossa industrialização e modernização tardias, muitos dos melhores empregos no Brasil sempre foram oferecidos pelo Estado, em suas empresas estatais (verdadeiras "mães", vide Petrobras) ou na administração direta, em particular no Poder Judiciário. Os jovens (e suas famílias) sempre consideram o máximo de sucesso profissional passar em um concurso público e garantir a "estabilidade".
    Assim, o Estado sustenta muitos de seus maiores defensores: o funcionalismo público, inclusive (e principalmente) na Academia, que torna-se uma mera reprodutora do discurso estatista "distributivista", sempre dispostos a lutas ferrenhas pela manutenção do seu status quo de "servidores públicos".
  • Dalton C. Rocha  29/05/2015 00:37
    Sobre este mesmo assunto, hoje(28/5/2015)na Folha de São Paulo e no site www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/220692-a-culpa-e-sempre-dos-outros.shtml tem este artigo publicado:
    "Rogério Gentile

    A culpa é sempre dos outros

    SÃO PAULO - Haddad foi eleito prometendo implementar um "projeto revolucionário" em São Paulo. Era a autoconfiança em pessoa. Dizia ter "soluções inovadoras", "não ter tempo a perder", "nem justificativas a dar para tornar este sonho realidade".

    Dois anos e meio depois, o "homem novo para um tempo novo" virou o "senhor não é minha culpa". Para cada problema ou meta não cumprida, sempre tem uma desculpa, sempre acha um responsável.

    Na segunda (25), por exemplo, a Fundação Abrinq decidiu não dar mais ao petista o selo de "Prefeito Amigo da Criança" pelo fato de que não cumprirá a promessa de construir 243 creches. Qual foi a resposta de Haddad? Que a fundação "não tem legitimidade" para fazer tal crítica "porque nenhum dos seus principais filiados se dispôs a doar uma única creche para a prefeitura".

    Era essa, então, a tal solução inovadora de Haddad? O prefeito que assumiu dizendo que iria "equacionar" o problema "das mães e crianças com dificuldade para exercer plenamente sua cidadania" estava, na verdade, contando com a boa vontade alheia?

    Outro problema criado pelos outros, segundo a prefeitura, ocorreu na cracolândia. Haddad pretendia remover uma favela, mas a ação transformou a região numa praça de guerra. O petista responsabilizou os usuários da droga, que "romperam o acordo" e não deixaram o local. Era assim, então, fiando-se na palavra dos "noias" (e de traficantes, como se soube depois) que ele iria revolucionar a gestão?

    Com desaprovação de 44%, Haddad precisa arregaçar as mangas e parar de achar culpado para tudo (se caiu atendimento nos postos de saúde, o problema é das organizações sociais, que não conseguem contratar médicos; se aumentou o número de mendigos, o motivo é que a gestão anterior era "higienista"). Por ora, o único sonho que Haddad tornou realidade foi o dos carroceiros, que ganharam ciclovias vazias e não têm mais de circular no meio dos carros."
  • anônimo  31/05/2015 09:34
    A resposta é simples: o povo não gosta dos políticos mas gosta do governo porque quer SER o governo, quer ser um parasita também, quer virar funça, ter mamata estatal, ter bolsa qualquer coisa.
    O povo brasileiro tem a ética de uma barata, mas ninguém pode falar isso porque isso não ajuda a vender livros.
  • Gunnar  01/06/2015 14:25
    E ainda te acusam de ter síndrome de vira-lata.
  • Anderson Paschoalon  07/06/2015 04:27
    Voce esta certo...
    Como dizem, o sonho dos pobre e ganhar bolsa familia
    Da classe media, passar em um concurso publico
    E dos Ricos, conseguir um subsidio estatal.....

    Olha, at[e por isso que falo, considero o Bolsa familia(ate Milton Friedman defendeu) o menor de todos os problemas. Se resolvessemos os dois seguintes, ja teriamos resolvido muita coisa.
  • anônimo  02/07/2015 09:54
    Bolsa família é ingenuidade da braba, achar que ia terminar naquilo.Não existe limite pra fome da esquerda.
    Ted Kazinsky > Milton Friedman
  • Anderson Paschoalon  05/06/2015 07:51
    Finalmente um artigo pragmático.
    Ultimamente a maioria dos artigos daqui são textos de austriacos utópicos*. Ok, faz sentido se questionar a existência do estado, ou falar que a Democracia é horrível, mas enquanto a sociedade como um todo não for capaz de notar isso, não passará de masturbação mental tal conversa.
    Eu vejo o mises.org como, além de um instituto, um portal de "divulgação científica" da escola austriaca. Imagino que seria mais eficiente dar um enfoque maior em textos refutando engodos estatistas, do que mostrar a ilegitimidade do estado, que está muito mais para um assunto academico... Alias, porque este debate não está sendo feito hoje na academia, hein??? Sabem responder? Acho que hoje, mais importante que estudar Rothbard é estudar Gramsci, isso sim!
    --
    * me refiro a utopia no sentido de ser algo IMPOSSÍVEL de ser posto em pratica no curto, médio e longo prazo. Quando algo foge de todos os horizontes econômicos, considero utopia. Longo-longo-longo prazo é outra história...
  • Eduardo R., Rio  06/06/2015 17:37
  • Emerson Luís  09/06/2015 15:50

    Que bom que a oferta e a procura por livros liberais estão crescendo!

    * * *
  • Luis  01/07/2015 23:51
    Bruno, eu te sacaneei. Comprei o livro, li e doei para a biblioteca da universidade em que trabalho. Avisei os meus alunos. Voce vai deixar de ganhar um monte de dinheiro.
  • Guilherme Afonso Ferreira  17/08/2015 17:19
    Parece-me que no prefácio do livro há uma falha no antepenúltimo parágrafo. Está escrito: "Disse no início que o paradoxo analisado por Garschagen também encontra eco na antiga Metrópole. É por isso que, meio século depois da viagem de Pedro Álvares Cabral, ..." Imagino que, ao invés de "meio século depois..." o correto seria "meio milênio depois..."


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