Mundo corporativo não é mercado

Minha geração reluta em se entregar de corpo e alma ao mundo corporativo. As corporações se desdobram para reter talentos, isto é, para manter empregados jovens que em gerações anteriores aceitariam pagar pelo privilégio de representar aquela marca campeã. É bom. Já que damos a elas nosso melhor, que elas ao menos nos disputem a tapas.

Os jovens profissionais do terceiro milênio, os millenials que vieram co-criar sua própria revolução, querem flexibilidade, criatividade, autonomia; querem ditar os termos de sua relação com o mundo 2.0; fusão do pessoal e do profissional; empreender; autorrealização; sentido da vida; sustentabilidade. Tudo besteira de primeira, sem dúvida, mas ainda assim menos deprimente do que um relógio de ouro e um tapinha nas costas depois de 40 anos incorporando a identidade de uma organização que definitivamente não é você.

Um efeito promissor disso é que vamos reaprendendo uma verdade profunda: mercado não é igual a mundo corporativo. A cultura que vigora dentro das empresas, os termos, os modismos de gestão, as relações patrão-funcionário, a competição entre colegas pelo aumento, a política de bônus — nada disso é mercado. Au contraire: isso existe justamente para escapar do mercado.

Mercado é oferecer um valor a consumidores que escolhem se irão ou não pagar por ele. A empresa, ou melhor, toda organização, é como uma célula cuja parede isola (parcialmente) seus membros dessa necessidade. No caso das empresas, as células nadam na corrente sanguínea do mercado. A empresa produz valor e o oferece aos demais; mas todos os processos internos que levam a essa criação de valor se dão sob outros termos.

Em vez de estar continuamente negociando com indivíduos ou empresas, anotando recados e transferindo ligações, a firma contrata uma secretária que fica lá e recebe um salário fixo. Adeus oferta, demanda, preços. Sua relação com a empresa deixa de ser a de mercado e passa a se guiar por critérios definidos internamente.

A gestão eficiente, meritocrática, transparente, competitiva, que você pensa que é mercado, é só mais um jeito de se organizar um empreendimento, e pode inclusive ser aplicado a organizações de fora do mercado, como o próprio estado.

Em contrapartida, há organizações plenamente inseridas no mercado (isto é, que não têm seu sustento garantido pelo uso da violência) e que imitam padrões estatais tradicionais ao, por exemplo, adotar uma hierarquia militar ou reproduzir as dinâmicas de poder das antigas cortes monárquicas.

O interior de uma empresa pode variar muito, mas não é mercado.

"Mas como assim? O funcionário não está ali dando duro, sentindo a pressão do chefe, competindo com os colegas pela promoção? Competição, cara; isso é mercado!"

Pois então vamos comparar a competição que se dá no mercado (na verdade, concorrência) e a que existe no mundo corporativo, e ver as diferenças que se escondem sob o mesmo nome.

Dentro da empresa, a competição segue critérios definidos por um superior. O objetivo dos competidores é agradar o superior e desempenhar funções que lhes foram designadas. Ao fazê-lo, repetem a dinâmica básica do sistema em que vivemos: cumprir tarefas dadas por alguém acima de nós na hierarquia em que estamos inseridos, e por ele ser cobrado e avaliado. As regras e expectativas caem das mãos de Deus; a estrutura dessas relações é como que um dado da realidade objetiva.

No mercado, não há critérios dados de antemão. Todas as estruturas são dissolúveis e substituíveis. Não há nenhuma autoridade designando funções ou cobrando resultados. Ou o sujeito tem a ousadia de fazer algo que ele crê que os demais quererão, ou nada acontece; ninguém espera nada. Não há ordens a serem seguidas, mas sim possibilidades de valor a serem descobertas. Seu desempenho, além disso, não depende do juízo de um superior ou de algum indicador decidido por comitê. Não há prêmios. Recebe-se na medida em que se satisfaz os desejos de outras pessoas, que não têm autoridade sobre você; clientes, e não chefes.

Numa organização, a competição, quando existe, é parte do desenho de sua dinâmica interna: um modo de aumentar a dedicação dos funcionários e de selecionar o melhor.

No mercado, a competição é um fenômeno secundário; incidental, e não essencial. Não há um caminho determinado em que vários competem por um número limitado de vagas. Há apenas pessoas como você, e se você quiser a atenção ou os serviços delas, terá que persuadi-las a investi-los no que você oferece. O processo de mercado é essencialmente de cooperação social. Ocorre que, como ninguém é capaz de ditar os caminhos dessa cooperação, conflitos emergem.

Dado que muita gente tenta satisfazer as mesmas demandas, e que nossa atenção e nossos recursos são limitados, então apenas os melhores conseguirão o que querem. Por isso falamos em concorrência: caminhos empreendedores que ocorrem paralelamente e que apelam a uma mesma demanda. Ela existe e pressiona a todos, mas não é parte do desenho do sistema, e sim decorrência da escassez dos recursos e da abundância de ideias sobre como utilizá-los para melhorar a vida dos demais.

Ao contrário da competição, a concorrência não obedece a um juiz fixo e nem tem um fim definido. Ninguém pode obrigar os outros a investir nele, mas nada impede que cada um encontre seu próprio nicho, ou que competidores coexistam sem jamais chegar a um vencedor.  A própria ideia de um caminho com início e término, com condições de largada e resultados finais, deixa de fazer sentido. Há só o processo contínuo de tentativa e erro, criação e descarte, desbravando novos continentes.

A competição esportiva, outra metáfora favorita, assemelha-se ao que ocorre numa empresa, e não à concorrência do mercado. Participantes e regras pré-definidos, uma estrutura dada, alguma instância de julgamento, e exclusão ou derrota dos perdedores como parte essencial do processo. Dez atletas correm para cruzar a linha de chegada e ganhar o ouro; na mente de cada um deles, é vitória ou nada.

Já no mercado, as possibilidades se multiplicam: talvez o gramado do lado da pista seja mais interessante… vou parar e ver o que dá pra fazer com ele. Sim, talvez o recorde mundial caia; ninguém define quais os recordes que interessa bater.

O mundo corporativo pode se configurar de várias maneiras, pode se organizar segundo diversas regras e pode promover ou demitir pessoas com critérios múltiplos. Pode dar promoção por tempo de serviço ou incitar a concorrência mais selvagem. Nada disso é mercado.

O mercado é justamente a possibilidade de negar essas regras, de sair da estrutura pré-estabelecida; seja para migrar para uma alternativa existente ou para criar outra coisa.

Se o mundo corporativo é um jogo com regras definidas, o mercado é um brinquedo, cujos usos dependem da criatividade dos envolvidos. Mas essa brincadeira determina nossas vidas, então trate de brincar. O mundo corporativo é uma das soluções encontradas nessa brincadeira, mas não é a única e nada garante que durará para sempre. Se você o ama, ou se você o odeia, o mercado é seu lugar.


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SOBRE O AUTOR

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com." Siga-o no Twitter: @JoelPinheiro85


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Rodrigo Pereira Herrmann  19/05/2015 15:27
    Que baita mimimi esse texto, hein.

    toda essa forçação de barra pra finalizar o artigo afirmando que o tal "mundo corporativo é uma das soluções encontradas na brincadeira (mercado é um brinquedo), mas não é a única."

    As corporações que organizem seu mundo interior como quiserem, no exercício da sua liberdade de empreender e contratar (direitos que o estado deveria respeitar em maior grau, inclusive). Certamente esse mundo vem ao encontro dos anseios e necessidade de algumas pessoas. A inadequação não é um absoluto. Os outros podem brincar no mercado, seguindo a dica do Joel.
  • Hans  19/05/2015 15:57
    Mas que mimimi esse seu comentário, hein? Falou, falou, falou, e não disse nada. Não entendi qual foi o seu ponto, nem qual foi a sua crítica, nem sei se houve crítica, e nem sei se houve discordância. No máximo, entendi que, para você, houve "forçação de barra". Você só não apontou onde está a tal barra e qual foi a força nela aplicada.
  • Iago  19/05/2015 16:23
    Tambem nao gostei muito do texto
  • Rennan Alves  20/05/2015 01:53
    Não entendi bulhufas da sua crítica. Primeiro você diz que o autor "forçou a barra", sem especificar aonde e em que momento. Depois você parece concordar com ele no final.

    Qual o seu ponto? Estou achando que o mimimi é seu.
  • Paulo  20/05/2015 02:58
    Concordo Rodrigo.

    Principalmente o mimimi "tudo besteira de primeira linha", típico de de gente que incorporou o "coporativo" no ego e que esqueceu o básico da escola austríaca, como também o da liberdade de escolhas do indivíduo.

    Ops! Quem escreveu isso que segue?

    "A ação é a vontade posta em funcionamento, transformada em força motriz; é procurar alcançar fins e objetivos; é a significativa resposta do ego aos estímulos e às condições do seu meio ambiente; é o ajustamento consciente ao estado do universo que lhe determina a vida. "

    Foi Mises?
  • Rodrigo Pereira Herrmann  20/05/2015 15:19
    esse texto do Joel é apenas uma derrapagem na pista. nada que lhe diminua o valor ou afete o estoque de seus bons textos.

    uma infelicidade, nada mais.

  • Davi  19/05/2015 15:44
    Belíssimo artigo!
  • Vinicius Torres  19/05/2015 15:58
    Interessante abordagem. Nunca havia pensado por esse prisma.
  • Mohamed Attcka Todomundo  19/05/2015 20:41
    tb gostei d+++++ Joel. acho q vc fez um trabalho importantissimo ao fazer estas distinçoes semanticas. as vezes, ao discutir um tema, agente erra na conceituaçao ao eskecer q uma palavra eh um rótulo p/ muitos fenomenos, e q o tema/ideia q apresentamos ñ tem q dar conta de todo o universo semantico q akela palavra abarca, mas so dakilo q tem aver com o tema/ideia q agente ta apresentando.

    cuantas vezes ja errei tentando fazer uma ideia minha - nos meus ensaios e relatorios - caber em todo o universo semantico de uma palavra, ate me dar conta q estava trabalhando c/ uma e só uma acepção dakela palavra.

    se um dia eu tiver q escrever sobre competiçao e/ou concorrencia, vc me poupou um trabalhão Joel. te fico grato d++.
  • Medrado  19/05/2015 16:10
    Muito boa essa distinção entre competição e concorrência! Particularmente sempre tive a tendência de usar a expressão competição quando queria me referir ao ambiente de mercado e suas interações.
  • Renato Cunha  19/05/2015 16:35
    Você sabe o que é "terceira via"?

    "Terceira Via" é uma ideologia que foi primeiramente promovida como uma alternativa aos mercados livres por Mikhail Gorbachev, após o colapso da União Soviética. O governo da "terceira via" não seria nem capitalista nem comunista, mas algo entre eles, um monstrengo também conhecido como Capitunismo.

    A "Terceira Via" apela para que as grandes empresas e o governo se deem as mãos como "parceiros". Em suma, as grandes empresas corruptas comandariam a economia (sob o capitalismo), enquanto o governo corrupto iria executá-la (como o socialismo).

    As grandes corporações poderiam facilmente cumprir com as diretrizes do governo através de subsídios, isenções fiscais, legislação personalizada e outros privilégios especiais como os que estamos vendo atualmente.

    O Brasil já vive a "terceira via capitunista" fazem anos mas a população não percebeu ainda.

  • Recruta  19/05/2015 20:44
    Num país anarquico, o cidadão dá 0% de sua produção em impostos ao governo.

    Num país comunista, o cidadão dá 100% de sua produção em impostos ao governo.

    No Brasil, entre impostos, custos de burocracia e monopolios forçados, o cidadão chega a perder 70% de seu suado dinheiro por ações do governo.

    Eu diria que nosso país anda a passos largos a tornar-se comunista. E o povo apoia.

  • patricio  19/05/2015 23:46
    Nossa e a sintese como os EUA funcionam. Associação entre governo e corporações vide caso Snowden e hackers coreanos. Até a industria artística que se diz independente trabalha para o governo.

  • Gab Rock  19/05/2015 16:36
    Muito bom! Parabéns! Em 2003 parei de ler revistas e jornais de SP porque eles não faziam essas diferenciações tão importantes, além de outras como "trabalhador" para chamar assalariado de salário mínimo e "mercado" para falar de bolsa de valores.
  • Juliano Camargo  19/05/2015 16:52
    Quando a organização é privada, mas sua estrutura se espelha no estado e não no mercado, você tem que ser muito derp pra colocar a culpa pelas mazelas resultantes "nos mercados" e "no capitalismo selvagem".
  • Marcos Bovo  19/05/2015 16:53
    Texto lindo. Não confunda empreendedor honesto e defensor do livre mercado com patrão desonesto e corporativista. São pessoas completamente diferentes.
  • Pobre Paulista  19/05/2015 17:13
    OK, mas pera lá...

    As pessoas são livres para entrar e sair de qualquer emprego. Então mesmo do lado administrativo as empresas também estão imersas no mercado livre: Devem contratar pessoas que estejam disponíveis, negociar salários e condições, devem comprar equipamentos e outros apetrechos administrativos, isso sem falar em sistemas computacionais, infraestrutura de TI, o cafezinho... Tudo isso é fornecido pelo mercado livre. Ninguém vira escravo ao adentrar um emprego simplesmente porquê pode sair a qualquer momento.

    Em outras palavras, se o proprietário não oferecer condições de trabalho que satisfaçam o mercado, não haverá quem trabalhe para ele. O mercado continua no comando.
  • Rico Goiano  19/05/2015 17:30
    Não é isso o que está em discussão, mas sim o formato e a mentalidade por trás da estrutura hierárquica de uma grande corporação. No que mais, se tal corporação for apaniguada/protegida do governo (pense nas telefônicas), tanto pior, pois aí nem sequer há um genuíno livre mercado impondo disciplina e demandas.
  • Pobre Paulista  19/05/2015 17:51
    Ei, achei que você fosse Mineiro ;-)
  • Lopes  19/05/2015 23:03
    A forma como as pessoas são organizadas por capitalistas para tornar tangível um bem ou serviço é meramente uma tecnologia desenvolvida para um propósito. Sendo o propósito comum de toda, na conjuntura mercadológica, geralmente, providenciar o melhor bem ou serviço (ao consumidor) pelo menor custo - refletido pela mecânica do lucro. Nisso, inclui-se o arranjo / organização corporativo.

    Não posso comprovar por evidência, mas meu receio que o sucesso do arranjo corporativo seja meramente um reflexo de duas frentes: quão limitado se torna o conhecimento a uma companhia grande e quão complexo e / ou convoluto a tributação e burocracia são.

    Alguém teria um argumento para elaborar a tese?
  • Malthus  19/05/2015 17:35
    Sempre lembrando que, como detalhadamente explicado neste artigo, em um genuíno livre mercado, seria bastante difícil uma empresa se tornar uma poderosa corporação.

    Quando uma empresa cresce além do ponto de otimização, ela está flertando com o fracasso, pois seus custos unitários de produção tendem a voltar a subir e ela pode se tornar mais ineficiente. Quanto maior uma estrutura hierárquica, mais burocratizada ela se torna, e mais lenta é a sua velocidade de reação.

    Uma empresa que se tornar grande e desconsiderar este fato estará abrindo as portas para potenciais concorrentes invadirem seu território, produzirem a custos mais baixos e, com isso, reduzirem novamente seu tamanho.
  • Vagner  19/05/2015 18:39
    A critica não é feita ao mundo corporativo e sim à comparação que são feitas entre o atual sistema de organização das empresas (mundo corporativo) e o mercado. Os dois são diferentes, não devem ser retratados como semelhantes como o mainstream costuma fazer.

    O mundo corporativo muda de acordo com as leis impostas por um chefe. O mercado não.
  • Fernando Ulrich  19/05/2015 19:39
    Normalmente o Joel escreve de forma brilhante e clara. Mas neste texto seu pensamento está meio confuso. Não consegui entender bem qual a sua crítica.

    Sim, o mundo corporativo muda de acordo com as leis impostas por um chefe, o qual se reporta a outro chefe, o qual tem outro chefe, e assim sucessivamente até chegar ao dono do negócio, acionista, sócios, etc. Estes, os donos da empresa, sim respondem aos incentivos do mercado, tomam decisões baseadas no processo concorrencial do mercado.

    Então em última instância, o mundo corporativo (ou as empresas em geral) está sujeito aos incentivos do mercado sim.

    Outra coisa é a forma de organização de cada empresa, e isso muda de ramo para ramo, país para país, há uma infinidade de fatores que influenciam na forma como as empresas são geridas internamente.

  • Rodrigo Pereira Herrmann  19/05/2015 23:51
    me parece um caso de pouca prática.

    de fato, o prezado Joel costuma produzir bons textos.
  • Vagner  20/05/2015 16:56
    "Outra coisa é a forma de organização de cada empresa, e isso muda de ramo para ramo, país para país, há uma infinidade de fatores que influenciam na forma como as empresas são geridas internamente."


    Exatamente é essa a critica do texto. A forma de organização de uma empresa em nada se assemelha ao mercado. Ela tem sim uma relação com o mercado e só.

    O mainstream confunde esses conceitos, dizendo que o mercado se assemelha a uma ambiente corporativo. E é essa confusão que o Joel critica.

    Esse texto não pareceu claro porque muitas pessoas não assemelhou as diferenças entre o ambiente interno de uma grande empresa com o mercado.
  • Joker  19/05/2015 19:38

    "Em vez de estar continuamente negociando com indivíduos ou empresas, anotando recados e transferindo ligações, a firma contrata uma secretária que fica lá e recebe um salário fixo. Adeus oferta, demanda, preços. Sua relação com a empresa deixa de ser a de mercado e passa a se guiar por critérios definidos internamente."

    Talvez porque seria menos lucrativo para empresa pagar à secretária um salário variável calculado com base no número de telefonemas atendidos e recados anotados no mês. Quem faria o controle? Contratariam um supervisor de secretárias para empresa? E como o supervisor de secretárias teria sua remuneração calculada num regime de "livre mercado"?

    A existência de estruturas fixas na organização das empresas não é contraditória ao livre mercado. Simplesmente elas são meios por que as empresas optam, por livre e espontânea vontade, para atenderem seus fins.
    Mas nada impede que venha uma outra empresa e adote uma forma melhor de gestão e assim reduza custos e a supere no mercado.
  • anônimo  19/05/2015 22:06
    Me parece uma das causas que quanto maior a empresa menos eficiente ela se torna, ela acaba por perder o foco produtivo quanto mais se distancia do seu empreendedor original. É mais facil ser eficiente quanto mais proximo se esta
  • Leandro Tideman  20/05/2015 13:30
    É exatamente isso o que você escreveu Joker. A existência de estruturas fixas na organização das empresas é apenas uma forma que as organizações encontraram para reduzir custos e/ou aumentar produtividade, com base no que é possível no conjunto de leis existentes. O texto do Joel é apenas um "exercício teórico". Mas não é muito difícil de imaginar um arranjo diferente. Podemos pegar o exemplo das diaristas, que são contratadas para fazer faxina e recebem de acordo com o trabalho que será feito, que será acordado entres as partes no momento da contratação. É um arranjo muito mais flexível do que CLT por exemplo.
  • Andre Cavalcante  19/05/2015 20:20
    Só uma questão sem muita presunção...

    Como seria a administração de uma empresa por meio de um processo de mercado? Seria isso possível?

    Abraços
  • Marcos  19/05/2015 20:49
  • Vendedor de Tomates  19/05/2015 20:36
    (OFF-TOPIC)

    As informações e conclusões fornecidas pelo artigo[1] a respeito da deflação procedem? E essa tal de "espiral de preços decrescentes"?

    [1]

    Abraços.
  • Alface  19/05/2015 20:43
    Do que você está falando?
  • Leonardo Matheus  20/05/2015 02:25
    Olá, estou começando a estudar alemão, queria me aprofundar lendo os livros do Mises em alemão, alguém tem links?
  • Magno  20/05/2015 02:46
    Pode começar pelo Instituto Mises alemão:

    www.misesde.org/
  • Ludovico  20/05/2015 02:56
  • anônimo  20/05/2015 11:59
    Alguém pode me dizer porque o mundo corporativo prefere os engenheiros. Não sou a favor de reserva de mercado para profissionais, mas é isso o que acontece no mundo corporativo. Uma empresa não é fábrica e muito menos tem o seu core-business em engenharia, mas sempre é um engenheiro contratado para os setores administrativos.
  • Ricardo  20/05/2015 12:29
    Facilidade com números e contas, e maior raciocínio lógico. Já fiz engenharia, e creia-me: o curso realmente ensina a pensar e a ter uma abordagem mais prática e racional das coisas.
  • Vegas  20/05/2015 14:44
    anônimo, concordo com Ricardo.

    Sou formado em adm e já fiz algumas disciplinas de engenharia.
    O relato abaixo é uma generalização, portanto há exceções em todos os casos, mas são somente isto, exceção.
    Faça uma breve análise, relacione qtos engenheiros se formam no tempo regular de curso, isso vai te dar uma pista da exigência do curso.
    A dedicação que se exige do estudante, principalmente a capacidade de correr atrás e não baixar a cabeça qdo aparece uma dificuldade... é sério, isso se reflete na vida profissional.

    Por outro lado o curso de administração é bem menos exigente, qdo o professor de matemática financeira ou estatística vai ensinar alguma coisa ligeiramente mais complicada parece que o mundo está desabando.

    Em MBA e Especializações noto o mesmo comportamento.
    Em um grupo heterogêneo de administradores, engenheiros, contadores, entre outros, os engenheiros normalmente enfrentam as dificuldades do curso sem reclamar muito, ao contrário dos demais.

    E as empresas acabam preferindo este tipo de profissional, que tem capacidade analítica mais desenvolvida, raciocínio lógico, etc.

    Aí vem o argumento de que administrador é formado para administrar empresa e portanto deveria ser essencial.
    Só que para uma pessoa fazer pleno uso de seu conhecimento teórico de administração, normalmente, deve antes passar pelo crescimento técnico, prático, que vai dar o suporte para fazer uso da teoria e resolver problemas diversos, coisa que em geral contadores e engenheiros estão mais bem preparados para fazer.
    Os primeiros pela formação mais técnica em assuntos contábeis/financeiros e os segundos por conhecimento técnico seja em logística, mecânica, produção, além dos fatores de atitude mencionados antes.

    A saída não é fazer a reserva de mercado, empresa não é obrigada a contratar profissional que não lhe atenda. O que precisa é melhorar o nível de instrução do curso de adm caso queira disponibilizar no mercado profissionais formados no mesmo nível de competência dos engenheiros.
  • anônimo  21/05/2015 10:43
    'Aí vem o argumento de que administrador é formado para administrar '
    ...que é apenas a propaganda pra vender o curso e tirar dinheiro dos alunos.Pegue os grandes empreendedores do passado, ou os gênios do Silicon Valley de hoje, quase nenhum deles estudou administração. Ninguém precisa disso pra administrar nada.
  • André  20/05/2015 21:59
    anônimo, acho que as explicações do colegas foram suficientes.

    Como estudante de Engenharia (e já passei por três diferentes em três instituições diferentes, pública e privadas), posse lhe afirmar que seu ponto de vista incorre em grave erro. Sua observação é corretíssima! De forma superficial, engenheiros são preferidos pelas grandes organizações. Seu erro é crer que isso se deve a uma simples reserva de mercado e ignorar os fatores anteriormente discutidos.

    Perdoe-me o aparente sentimentalismo aqui, mas engenharia é dom mais formação. É dom porque normalmente, quem se dispõe a fazer engenharia tem uma pré-disposição pra solucionar problemas de forma metódica, porque demanda autodidatismo e capacidade de reconhecer padrões através de observação. Dessas três coisas que citei como dons, qual a parcela do mercado possui?
    É formação porque somos "adestrados" a desenvolver uma visão ao mesmo tempo metódica e multidisciplinar. Somos instruídos a abordar um problema com lógica, física, estatística, administração, design, antropologia, sociologia, história. Um engenheiro deve aplicar todo esse conhecimento para não apenas solucionar a questão, mas solucionar da melhor forma. Obviamente isso seria um engenheiro ideal e é exatamente por isso que uma empresa deve gastar muito tempo formando uma equipe de profissionais que se complementem. Aquela ideia de engenheiro gênio (que sabe tudo de todas as áreas) e anti-social (que trabalha sozinho) é apenas um clichê hollywodiano.
    Sendo assim, o engenheiro deve possuir um conhecimento multidisciplinar, denso em conteúdo científico, saber trabalhar e gerenciar equipes e buscar soluções eficientes. Quais formações universitárias proporcionam isso ao aluno?

    Mais algumas variáveis que você deve considerar:
    A intervenção governamental, não apenas no Brasil, mas principalmente no Brasil, fez surgir diversas carreiras de especialistas em nada. Você tinha antigamente o Adminsitrador, hoje tem o gestor de eventos, o gestor comercial, o gestor de turismo... Áreas que "desmembraram da administração mas que não tinham relevância para serem disciplinas de curso e hoje são cursos inteiros. Ao contrário da "tendencia do mercado", hoje criamos carreiras inúteis. A própria Engenharia foi afetada por esse fenômeno. Hoje existem engenheiros de qualquer coisa que você pensar, a maioria com uma formação deficiente e limitada. Imagina quem ganha a vaga "O" engenheiro de computação ou um programador? Programadores não precisam de formação e geralmente são muito bons sem terem entrado em diploma. Por experiência própria te digo, não sei o que faz um Engenheiro da Computação: é um tópico da Eng. Elétrica, os alunos pensam que serão programadores e eles fazem as mesmas matérias da Ciência da Computação e normalmente os cursos são péssimos até nas federais. Mesmo assim, quem leva a vaga?
    Neste cenário, quem cursou uma engenharia tradicional (elétrica, civil, mecânica) com formação sólida será disputado pelo mercado das grandes corporações.

    Determinadas áreas são gerenciadas pelo CONFEA, que por exemplo determina que só um Engenheiro Civil pode assinar uma planta de 20 andares. Um Arquiteto pode assinar de até 3 andares. Um mestre de obras pode fazer de um andar. Quem você contrataria se você não sabe que tipo de planta surgirá na sua empresa?

    Técnicos em eletrônica tem normalmente conhecimento prático do assunto e o teórico é limitado apenas ao necessário. Porém temos hobbystas e técnicos excepcionais. Seria justo que eles pudessem assinar alguns projetos mais simples. Mas sinceramente, tem cada toupeira no mercado que seria um risco permitir que todos façam isso. Existem engenheiros incompetentes, mas há um órgão que pode confiscar as credenciais dele se ele fizer besteira. Isso é bom? Não!
    Mas a culpa não é do CREA ou do CONFEA (não completamente, pelo menos). A culpa é do Estado que, com o que eles chamam de "política educacional" e "política de desenvolvimento" desequilibrou o mercado no passado e vem querendo derrubá-lo de vez.

    Mais:
    O CONFEA determina piso salarial para o engenheiro júnior. Uns 6mil pra um moleque recém formado. Empresas grandes fazem propaganda com as credenciais. Mas pequena empresa não pode arcar com uma equipe de engenheiros e sua única propaganda é o serviço entregue perfeitamente. Contratar um programador é eficiente e barato.

    O que você chamou de reserva de mercado, na verdade é ausência de mercado. É excesso de Estado puro! Se houvesse mais livre iniciativa, uma empresa pequena atenderia outras pequenas, isto é, muito mais contratos. Empresas grandes teriam concorrência de fato e engenheiros estariam disputando um mercado onde só a credencial não serve. Empresas pequenas oferecem mais oportunidades de crescimento e teriam a seu dispor engenheiros mais ambiciosos. Grandes empresas, sem o apoio estatal, teriam menos poder econômico e precisariam contratar engenheiros menos preparados e mais baratos para poder manter sua grande estrutura.

    Percebe a dinâmica? Lógico que isso tudo é hipotético e com o atual cenário, chega a ser ideal. Mas não é culpa do mercado e sim, e sempre, do Estado.
  • anônimo  21/05/2015 10:38
    Aceite a realidade e sofra menos: administração, MBA, etc...isso tudo é muito FÁCIL.
    Ainda mais hoje em dia que toda esquina tem fábricas de diploma vendendo canudos de administração.
  • Albert Gomes  21/05/2015 14:06
    Anonimo, trabalho em multinacionais há 26 anos. Experiência de vida que posso dizer, sim MBA essas coisas são fáceis sim de se aprender no curso, coisa boba. mas na hora do "vamovê"(sic) na empresa, história é outra...

    Engenheiro tem uma capacidade ótima de resolver problemas, mas não de todos os tipos. Principalmente os que envolvem organização, conflitos políticos, relacionamento com o cliente, com pessoas etc, em geral são péssimos, há exceções.

    Um caso que lembro, ex-CEO da Intel da década de 90, Engenheiro de formação e fez carreira pelo mesmo setor, enfrentou uma crise de vendas forte, pois um processador da Intel na época tinha um defeito de calculo, mas esse defeito faria diferença para usuários que necessitavam de grandes ou enormes cálculos. E para o usuário comum(a grande maioria) não faria diferença nenhuma.

    O CEO decidiu em repor os defeituosos para clientes que precisassem de forma gratuita. E o resto dos clientes, recusou realizar a troca. Resultado : clientes se revoltaram com a atitude, mesmo que não precisassem disso, as vendas caíram muito e o CEO foi demitido, por mais que a decisão dele fosse racional do ponto de vista técnico.

    A diferença entre os executivos, a partir da formação deles, está mais na visão que eles tem do negocio do que parte técnica. Grandes gênios que você citou, tiveram que contratar administradores a partir de um momento...

    Tenho formação em Economia com MBA em Gestão. Trabalhei com vários tipos de executivos, todos tem suas vantagens e desvantagens. Antigamente, era mais comum botar Engenheiro em qualquer setor, buraco da parte administrativa. Hoje estão voltando atrás e vendo melhor as necessidades dos cargos.

    Sobre o artigo, cheguei aos meus 56 anos...e é verdade, mundo corporativo virou um mundo fechado, onde o próprio mercado dá seus strikes para ver se eles acordam de décadas em décadas. Me lembro da IBM em 60 /70, onde havia um status quo trabalhar nela, havia uma cultura organizacional muito fechada, "séria", pareciam mais políticos e senadores, pensando que computadores eram apenas para Empresas(servidores, mainstreams) até chegar umas crianças como Jobs e Gates...

    Não conhecia esse site, muito bom.
  • Ismael Bezerra  21/05/2015 16:09
    "Antigamente, era mais comum botar Engenheiro em qualquer setor, buraco da parte administrativa." Eu acho que ainda continua assim, eu estudo ciências contábeis e pretendo trabalhar com contabilidade (vou formar meu próprio escritório assim que a guilda me der autorização), mas onde eu estudo eu percebo um certo desânimo com os outros estudantes que perdem uma boa chance no mundo corporativo porque serão futuros contadores e não futuros engenheiros.
  • anônimo  22/05/2015 09:42
    'Principalmente os que envolvem organização, conflitos políticos, relacionamento com o cliente, com pessoas etc,'
    haha, essa é a vantagem dos 'administradores', eles são 'bons' nessa parte fácil, eles são uma fátima bernardes
    E esse cara da Intel,engraçado como vc cita esse caso dele oferecer reposição, como exemplo da incapacidade de administração dos engenheiros. Não tinha nada que ele pudesse fazer, se o processador não funcionava, então não funcionava, a mancha na marca da empresa já estava feita, o que ele podia fazer? Mentir? Deixar o mercado notar que o processador não funcionava sempre? Ele fez o mínimo correto.
    Fora isso, olhe como sua fala é confusa:
    'O CEO decidiu em repor os defeituosos para clientes que precisassem de forma gratuita. E o resto dos clientes, recusou realizar a troca.'
    Recusou por quê se eles não precisavam? Se a oferta foi pros outros?
    Enfim, raciocínio lógico mandou lembrança e agora estou mais confiante ainda na superioridade dos engenheiros.
  • Albert Gomes  22/05/2015 17:15
    Caros, Anonimo e Ismael

    Desculpa a generalização Anônimo, mas trago minha experiência no que observo. Você pode até pensar "ah esses administradores são enrolões", é...alguns são, parecem sabonetes.

    Desculpa novamente Anonimo, devo ter explicado de forma equivocada. Eu não disse que o processador não funcionava e também não quero culpar todos por isso, só foi um exemplo de uma decisão racional que ele tomou.

    Explicando novamente, o processador possuía um defeito para cálculos de grande complexidade, ou seja, a Intel se recusou a trocar o processador para usuários comuns, apenas usuários como Corporações, Supercomputadores de Universidades puderam realizar a troca. O que ocasionou essa confusão para Intel com seus clientes e a queda das vendas, pois os usuários comuns se revoltaram.

    Repetindo, o processador funcionava de perfeita forma para usuários comuns mesmo com este defeito(para cálculos de grande complexidade).

    Repetindo novamente, ele admitiu sim o defeito, não falei que ele mentiu ou escondeu o fato, mas não quis realizar a troca de todos os processadores vendidos, APENAS para quem o usasse para cálculos de grande porte.

    O argumento dele que usuários comuns não precisavam da reposição é válido, pois não faria diferença para eles. Mas, infelizmente... esse segmento não enxergou da mesma forma.

    Não sei porque você está se agonizando, não estou aqui dizendo que A > B . Já falei anteriormente, Engenheiros são ótimos para resolverem problemas lógicos, são sujeitos normalmente muito objetivos. Por exemplo, tenho amigos da área de Logística, ninguém bate os engenheiros.

    Engenheiros, assim como qualquer outra formação, são humanos, tem seus defeitos, desvantagens. Normal, não fique com raiva desse economista(bem enferrujado nessa área inclusive) quase idoso dando pitaco rsrsrsrs. Isso me relembra as discussões na época da universidade.

    Outra coisa que esqueci de comentar, sobre essas Faculdades de Esquina, pura verdade. Tiver oportunidade de observar os processos seletivos onde trabalho, fico assustado com o nível dos alunos dessas faculdades "compre 2 diplomas , pague 1", havia exceções.

    Trabalho na Danfoss atualmente, depois você pesquisa sobre ela. Aqui é dominado pelos engenheiros rsrsrsrs, já que é uma empresa muito técnica com produtos bem específicos. Decidi expor aqui pelo convívio diário, é muito interessante ver as diferenças.

    Ismael, sim, continua e bastante, mas já foi pior (eu creio). rsrsrsrsr A Guilda, gostei do termo. Desejo sucesso para seu futuro escritório. Uma coisa, que pelo menos meus colegas aqui odeiam, são essas legislações, seja tributária ou não(tudo terrível) rsrsrs ,talvez seja a vantagem dos contadores, mas posso estar enganado quanto a essa nova geração que está se formando.

    Abraços
  • Ismael Bezerra  23/05/2015 16:40
    Obrigado, e sucesso para todos nós.
  • Albert Gomes  22/05/2015 17:19
    Anonimo, corrigindo exatamente essa péssima frase que fiz

    'O CEO decidiu em repor os defeituosos para clientes que precisassem de forma gratuita. E o resto dos clientes, recusou realizar a troca.'

    No caso, Intel fez a reposição para os clientes 'high-end' e se recusou trocar para os clientes 'low-end'(maioria esmagadora do mercado). Vi que na frase dei a entender que os clientes low-end não queriam realizar a troca rsrsrsrs, desculpa novamente.
  • Emerson Luís  08/06/2015 18:31

    O CEO quis ser tão lógico que desconsiderou uma informação fundamental:

    "Como os usuários comuns vão se sentir com essa minha decisão?"

    Um administrador teria considerado o fator subjetivo como parte do processo decisório.

    * * *
  • Bruno Matias  25/05/2015 00:14
    Albert, sou concluinte do curso de Engenharia da Computação e trainee em uma empresa de Software de gestão na área de P&D. queria saber como posso desenvolver minhas habilidades interpessoais, pois sou péssimo em falar em público e geralmente tenho fazer apresentações aos superiores, conversar com o cliente para saber o que ele quer etc...e não gosto disso, na verdade, ninguém do meu setor gosta, mas sobrou essa Missão Babilônia para mim. quando entrei na empresa eu esperava que fosse botar a "Mão na massa" no desenvolvimento dos sistemas. Meus amigos da faculdade falam para continuar, pois posso ter chances de conseguir cargos de liderança mais a frente. O problema é que esses cargos são mais "bla bla bla", mandar nas pessoas, delinear o projeto...não me sinto preparado para isso. Na realidade, eu tenho dúvidas se quero seguir carreira como diz o artigo o "mundo corporativo".
  • anônimo  27/05/2015 16:21
    Viu, esse é o problema. O mundo corporativo quer colocar engenheiros para fazer tudo e desprezam os outros profissionais: marketing, contabilidade, adm.etc.
  • anônimo  09/06/2015 12:03
    Marketing, administração, contabilidade etc, tem que ser desprezados mesmo.Marketing é coisa que qualquer maconheiro formado numa uniesquina faz, e contabilidade é uma profissão que só não foi automatizada e extinta por causa do governo.

    'Se eu fosse perguntar pras pessoas o que elas querem, elas teriam respondido: um cavalo mais rápido.' Henry Ford.
    Pronto, essa frase aí resume tudo que é realmente importante sobre marketing.
  • Leandro  09/06/2015 22:33
    Contabilidade é uma área crucial. Um contador é infinitamente mais importante do que um economista. Aliás, economista que não entende o básico da contabilidade não entende como funciona o sistema bancário e nem as decisões de investimento de uma empresa.

    O fato de que os cursos de economia negligenciam a contabilidade é um bom indicador do abismo técnico em que se encontra essa disciplina.

    Contabilidade é imprescindível. Se ela pode ser completamente automatizada eu não sei. Mas, ao contrário da administração -- que a pessoa aprende com a prática --, a contabilidade exige estudo teórico. Eu conheço excelentes administradores que aprenderam o ofício na prática e que são muito bem-sucedidos, mas que não entendem de contabilidade. E é aí que eles perdem dinheiro.

    Se a contabilidade fosse abolida pelo governo, não mais haveria excelência corporativa, não mais haveria controle de custos, não mais haveria sistema de lucros e prejuízos.

    Mises disse que o cálculo monetário e a contabilidade de custos constituem as mais importantes ferramentas intelectuais do empreendedor capitalista. Ele também celebrou a famosa declaração de Goethe, que havia dito que o método contábil das partidas dobradas foi "uma das mais admiráveis invenções da mente humana."
  • anônimo  10/06/2015 11:33
    'Se ela pode ser completamente automatizada eu não sei'

    www.oxfordmartin.ox.ac.uk/downloads/academic/The_Future_of_Employment.pdf

    671. 0.98 43-3031 Bookkeeping, Accounting, and Auditing Clerks
  • Ismael Bezerra  20/07/2015 23:52
    Contabilidade pode ser automatizada sim, é só ver o que o software Contaazul e o Nibo fazem. A questão é que um contador não é um mero escriturário. Um contador é um verdadeiro consultor empresarial e sua função é apontar caminhos (baseado em análises) ao administrador e deixá-lo livre para desenvolver idéias para o seu produto/serviço.
  • Ismael Bezerra  21/07/2015 00:10
    Interessante essa listinha, é mais muito mais provável que um contador seja substituído por uma máquina do que um cientista político. Agora de verdade, quem precisa dos "préstimos indispensáveis" de um cientista político?
  • Anônimo  07/07/2016 22:40
    Amigo, em que mundo você vive? A contabilidade já é totalmente automatizada (no serviço público ou na iniciativa privada). O contador (sou estudante) utiliza diversos softwares para realizar seu trabalho.

    O sujeito que diz que a contabilidade deve ser desprezada não entende absolutamente nada de negócio. Amigo, qual é a empresa que se desenvolve sem controle e planejamento? Sim, contabilidade é informação com fins de controle e planejamento.

    Sem mensurar o patrimônio de forma adequada, ninguém toma decisões corretas. Sem o auxílio da contabilidade, onde você obterá informações sobre custos, receitas, composição dos ativos, passivos, fluxo de caixa...

    Amigo, além do mundo maravilhoso dos livros, é bom encarar a realidade. Você provavelmente não entende nada de negócios!
  • Marcelo Boz  20/05/2015 13:43
    O ambiente corporativo na verdade é bem socializado!
    Todas as pessoas devem satisfações a seus chefes, têm horário a cumprir, têm metas a cumprir, são monitoradas no exercício de suas atividades etc, etc.
    Querendo sair fora desse sistema de controle, podem muito bem sair pela porta e não voltar mais.
    Creio que isso está mudando aos poucos, pois os meios de produção estão se tornando cada vez mais baratos.
    A facilidade de comunicação instantânea por várias mídias, computadores cada vez mais potentes, impressoras 3D e outros equipamentos de alta tecnologia, estão cada vez mais acessíveis ao cidadão comum, de tal forma que teremos muitas empresas/industrias pessoais!
    Antes o que só poderia ser produzido por uma grande empresa, já pode ser produzido por uma pequena com poucos empregados. E futuramente poderá ser produzido até mesmo numa oficina caseira.
    Uma única pessoa fabricando produtos de alto valor agregado extremamente personalizado para seus clientes de maneira que uma grande empresa não poderia fazê-lo.
    Antes víamos essa situação em relação aos sapateiros, torneiros mecânico e as costureiras da vizinhança. Futuramente poderemos assistir engenheiros, analistas de sistemas etc trabalhando em suas empresas/industrias pessoais com altos ganhos, e muito felizes, sem vontade nenhuma de pertencer aos quadros de uma multinacional.

    Att
    Marcelo Boz
  • Ronaldo  20/05/2015 15:04
    Estou terminando Administração, e digo que mundo corporativo é um saco. é um sistema de etiquetas, um monte de baboseira mesmo e algumas organizações(porque falar empresa é coisa do passado) são verdadeiras religiões para seus colaboradores(nova palavra para funcionário, a próxima será Talentos). Acaba que os funcionários dessas empresas realmente esquecem do mercado e dos clientes...

    Concordo com Boz, Impressora 3D vai ser uma grande revolução no meu ponto de vista.
  • Ralf Pearl Rand  20/05/2015 16:21
    Eu as vezes não queria me juntar ao mundo corporativo(pois eu gosto mais das minhas regras),
    porem o melhor Know-how da profissão que quero seguir esta nas maiores empresas corporativas.
    E vamos combinar que ninguém levaria a serio um Auditor cabeludo, tatuado com camisetas de bandas/quadrinhos.
  • IRCR  20/05/2015 16:53
    Basicamente ele quis dizer que dentro de uma empresa o funcionário está subordinado a um planejamento central de um chefe enquanto um empreendedor (ex: pipoqueiro, sacoleira...) estão sujeito a um ente descentralizado que é o mercado.

    Perspectiva interessante, vale a pena refletir.
  • Jarzembowski  21/05/2015 13:15
    [OFF]
    Pra quem ainda duvida que existe doutrinação marxista nas escolas, dá uma olhada na calamidade que foram as redações com nota máxima no Enem:

    "Por fim, o Estado deve regular os conteúdos veiculados nas campanhas publicitárias, para que essas não tentem convencer pessoas que ainda não têm o senso crítico desenvolvido. Além disso, ele deve multar as empresas publicitárias que não respeitarem suas determinações. Com esses atos, a publicidade infantil deixará de ser tão prejudicial e as crianças brasileiras poderão crescer e se desenvolver de forma mais saudável."

    "A atenção excessiva dada à publicidade infantil vai gerar adultos alienados e somente preocupados em comprar"

    "De acordo com Karl Marx, filósofo alemão do século XIX, para que esse incentivo ocorresse, criou-se o fetiche sobre a mercadoria: constroi-se a ilusão de que a felicidade seria alcançada a partir da compra do produto."

    "O governo deve investir em políticas públicas que atuem como construtoras de uma 'consciência mirim', através de meios didáticos a fomentar a imaginação da criança, orientando-a na recepção de informações que a cercam."


    "O problema é que cabe aos pais escolher qual brinquedo o filho deve ter, por exemplo, e não ao grande empresário. Este tem como finalidade o lucro, enquanto aqueles querem o crescimento de seus jovens. Dessa forma, é comum que os donos de empresas criem brinquedos que não têm a menor intenção de ensinar nada às crianças. "

    "Sua inocência é, dessa forma, cruelmente convertida em lucro, fato que não deve ser permitido nem tolerado."


    Aí já dá pra ter uma noção qual o nascedouro de certos indivíduos que aparecem relinchando aqui vez outra.


    Leia redações do Enem que tiraram nota máxima no exame de 2014
  • Lopes  21/05/2015 14:11
    Tanto autoritarismo, arrogância e ignorância somente caberiam à prova do Partido. Não é surpresa, infelizmente, que estes indivíduos - que não sabem absolutamente NADA sobre NADA -, que mencionam os pensadores socráticos mas eles próprios não sabem pensar - se soubessem, não haveriam de compactuar com a "solução estatal" -, tiram nota máxima: É somente a triste realização de o que eles chamam de ideologia dominante não domina nada, nem ninguém.
  • Vegas  21/05/2015 14:34
    Jarzembowski, percebo um gap estranho em que, propositadamente, as pessoas não conseguem relacionar o "Estado sábio, benevolente e dono de todos nós", com os "corruptos, safados, que não nos representam".

    Fica uma coisa bizarra, todo mundo está careca de saber, ler, ouvir que a política nacional está atolada na lama de corrupção e roubo em massa... pergunte qualquer um por aí o que acham de políticos e "ladrão" será um elogio.
    Mas na hora que fala "O Estado" aí a coisa muda, esta entidade superior é a única capaz de nos salvar de nós mesmos, e mais! irá nos salvar do empresário ganancioso que nos força a comprar o que não queremos e não precisamos.

    Total inversão de conceitos.
    Uma coisa é certa, o Estado, ou melhor as pessoas que ali estão, são muito, mas muito competentes em fazer o que lhes interessa, vide a doutrinação nas escolas para manter o rebanho dependente e funcionamento exemplar da Receita Federal (estão sistematicamente melhorando sua forma de arrecadar).
  • Jarzembowski  21/05/2015 14:54
    Muito pertinente sua observação.
    Acho até que o artigo de hoje Governar é errar ... à custa dos outros e principalmente o recente livro do Bruno Garschagen Pare de Acreditar no Governo exploram justamente essa contradição que você apontou.
    De alguma forma, por mais descrédito que a classe política tenha, o Estado como entidade permanece imaculado porque é sempre tratado de forma etérea e até gnóstica sobre certos aspectos. Eric Voegelin trata de temas semelhantes em "As Religiões Políticas" e traça esse paralelo entre movimentos políticos totalitários e religiões gnósticas. Certamente a idolatria ao Estado como entidade possui características semelhantes àquelas observadas por Voegelin.


  • Lopes  21/05/2015 14:54
    Excelente insight, Vegas.

    A criação de heróis, por exemplo, é essencial ao Estado porque o distancia da humanidade - que todos reconhecem como falha e corrupta. O melhor exemplo é talvez George Washington, um político arrogante, corrupto e irresponsável que quase custou a guerra da independência americana aos EUA e apenas se sustentou graças à gigantesca propaganda que o endeusava "como o homem que não é corrupto pelo poder"; distanciando-o dos mortais e dos "grandes conselheiros" - fazendo-o popular entre as pessoas.
  • Renato Souza  23/05/2015 06:00
    Finalmente alguém escreve sobre isso.

    Um bom tempo atrás eu escrevi, nos comentários de um artigo do Mises, sobre a diferença entre a organização vista de fora e vista de dentro. Se ela está inserida numa sociedade de livre mercado, vista de fora é um ente do mercado, mas vista dentro é um ente político.

    Qual foi a reação dos colegas ao meu comentário? Silêncio sepulcral. Ninguém respondeu nada. Agora tive a feliz oportunidade de ver um artigo tocando esse tema.
  • Amonino  08/07/2016 01:21
    O que o autor fez, basicamente, foi descrever a prestação de serviços através de contrato. E afirmar que isso não é mercado.


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