Para criar empregos bons, empregos ruins devem ser destruídos
Empregos são criados por investimentos, e investimentos preferem economias que olham para o futuro

Em seu livro A Era da Turbulência, uma coletânea de memórias lançada em 2007 por Alan Greenspan, o ex-presidente do Fed relata duas visitas que fez à União Soviética em intervalos de tempos bastante espaçados.  Durante sua segunda visita, a qual ocorreu algumas décadas após a primeira, Greenspan ficou espantado ao testemunhar que os trabalhadores soviéticos ainda estavam utilizando exatamente o mesmo tipo de trator que utilizavam décadas antes.

Para qualquer indivíduo entusiasta do processo de "criação destrutiva" imortalizado por Joseph Schumpeter, segundo o qual novas de formas de maquinário e de trabalho estão constantemente substituindo as antigas, e com isso gerando um substancial crescimento econômico, a cena testemunhada na União Soviética é típica de uma economia estacionária, sem criação e sem inovação, e que ocultava como era realmente desesperadora a situação na URSS.

Uma sociedade destituída de empreendedores, de inovadores e do capital necessário para financiar suas ideias originais será inevitavelmente uma sociedade economicamente estagnada, e como tal, em declínio.  Não há empregos sem investimentos.  Logo, quem cria empregos são investidores, e investidores fogem de situações econômicas caracterizadas por uma falta de mudanças. 

Só que, por mais que isso seja difícil de ser aceito, ao menos em princípio, a genialidade dos inovadores está em sua capacidade de destruir empregos.  A melhor maneira de se criar empregos é tornando supérfluo aquele tipo de trabalho que não mais é necessário. 

Dado que são os investidores que criam empregos, e dado que investidores são atraídos por lucros, quando inovações tecnológicas permitem que se produza mais bens com menos mão-de-obra, os lucros aumentam.  E esse aumento dos lucros gerará os investimentos que criam empregos.

O automóvel, o computador, a luz elétrica, a internet e a mecanização da agricultura tornaram várias formas de emprego totalmente obsoletas.  Não obstante, isso não apenas não empurrou a humanidade para a pobreza endêmica, como ainda gerou a criação de maneiras totalmente novas de se ganhar a vida.

A criação do automóvel e do caminhão, por exemplo, não apenas destruiu vários empregos no setor de carroças, como ainda tornou obsoleto todo o setor de transporte manual, em que cargas eram carregadas nas costas por vários trabalhadores.  Esses empregos exaustivos e deletérios para a saúde foram substituídos por novas e melhores formas de emprego.  Por exemplo, as indústrias puderam expandir o escopo de seus mercados porque os caminhões as tornaram capazes de transportar seus bens para locais mais distantes.  Com a massificação desse novo meio de transporte, as indústrias puderam se expandir vastamente, e com isso criaram milhões de novos empregos.

Pense no computador.  Esta máquina provavelmente destruiu mais empregos do que qualquer outra inovação tecnológica na história da humanidade, com a possível exceção do automóvel.  Porém, assim como os automóveis não levaram a humanidade para a miséria (todos os empregos destruídos pela criação do automóvel foram substituídos pela criação de novos e melhores empregos), tampouco o computador conseguiu esse feito. 

Ao contrário: ao passo que o computador tornou supérfluas várias formas antigas de trabalho corporal e mental, os lucros gerados por essa mecanização criada pela computação permitiram novos investimentos em milhares de outras áreas da economia, gerando a criação de milhões de novos empregos.  Só a internet criou empregos que, duas décadas atrás, ninguém imaginava poder existir.

E a eletricidade?  Sua invenção destruiu um sem-número de empregos na indústria de velas e na indústria de carvão.  No entanto, os lucros gerados por essa invenção permitiram novos investimentos em praticamente todos os outros setores da economia, o que possivelmente gerou a criação de bilhões de novos empregos, sem nenhum exagero.

Quem entre nós gostaria de viver em um mundo sem carros, computadores, internet e eletricidade, considerando-se todos os empregos que tais invenções destruíram?  Quem quer voltar a viver em um mundo em que praticamente todos os seres humanos tinham de trabalhar exaustivamente no campo — querendo ou não — apenas para sobreviver?  Para a nossa sorte, a tecnologia acabou com a necessidade de utilizar seres humanos para fazer trabalhos agrícolas pesados, e os liberou para ir buscar outras vocações fora do campo.  Foi então começou nosso processo de enriquecimento e de melhora no padrão de vida.

Um dos pioneiros na criação do computador foi o físico John Mauchly.  E sua criação ocorreu justamente porque ele queria se livrar do fardo de ter de fazer, diariamente, vários cálculos longos e tediosos.  Foi para se livrar deste trabalho penoso que Mauchly passou a se concentrar na invenção de uma máquina que fizesse esses cálculos para ele.  E então surgiu o computador.

O progresso e a inovação são belos justamente porque eles tornam obsoletos vários tipos de trabalhos exaustivos.  E, ao tornarem obsoletos esses empregos arcaicos, mão-de-obra e recursos escassos são liberados para ser investidos em novas áreas, criando novos tipos de emprego mais compatíveis com nossas reais habilidades individuais.

A quimera do "vamos criar empregos!"

Qualquer político ou economista que porventura alegue ter algum plano mirabolante para "criar empregos" deve ser prontamente ridicularizado.  Eles não entendem esse básico: empresas bem-sucedidas, que empregam vários trabalhadores, só conseguiram chegar a essa condição após terem regularmente destruído outros empregos.

Falando mais diretamente, planos econômicos inventados para "criar empregos" irão necessariamente fracassar, no longo prazo, porque empregos são um custo.  Sendo um custo, o fato é que, por mais paradoxal que isso pareça, o caminho mais rápido para a verdadeira criação de empregos é permitir a redução desse custo trabalhista por meio da redução dos empregos.

Para entender por que é assim, vale repetir o que já foi dito lá no início: todos os empregos decorrem de investimentos.  E investimentos são, acima de tudo, atraídos pela perspectiva de lucros.  Consequentemente, quando políticos e economistas pontificam eloquentemente sobre seus planos para criar empregos, eles estão ignorando esse ponto essencial: investidores estão sempre à procura de situações comerciais em que as empresas conseguem produzir o máximo possível com o mínimo de custos trabalhistas.

Peguemos como exemplo a Amazon.  Ainda na década de 1990, a Amazon conseguiu atrair um maciço volume de investimentos não porque Jeff Bezos, seu criador, estava prometendo contratar várias pessoas com essa sua nova criação.  Ao contrário: a maior varejista online do mundo conseguiu atrair capital justamente porque prometia custos baixíssimos em termos de mão-de-obra para vender uma quantidade enorme de bens.

Agora, veja a situação da empresa hoje: essa capacidade da Amazon de fazer mais com menos foi justamente o que atraiu vários investidores ávidos para financiar essa abordagem varejista revolucionária, e isso impulsionou a empresa a uma expansão contínua.  Consequentemente, a Amazon emprega hoje um número substantivamente maior de pessoas que empregava quando foi criada.  E essa crescente quantidade de mão-de-obra empregada pôde ocorrer justamente porque a empresa foi cautelosa em suas contratações, empregando sempre um número ótimo de empregados em relação à quantidade de produtos com que ela tem de lidar.

Peguemos a Google.  Ainda em 2003, Rich Karlgaard, editor de tecnologia da Forbes, previu que a Google seria um tremendo sucesso na década seguinte para investidores porque, segundo ele, seu motor de busca era alimentado essencialmente por "12 mil servidores baratos".  A genialidade da Google está em seu modelo de negócios de baixo custo, formado por equipamentos relativamente baratos e até mesmo prosaicos.  Compare isso a um exército de empregados caros que podem faltar ao trabalho, fazer greve, exigir aumentos salariais ou simplesmente se demitir.  Servidores de internet não param de trabalhar; e quando dão defeito, podem ser prontamente substituídos.

Obviamente, a Google hoje emprega um grande número de trabalhadores justamente porque seu crescimento, lucratividade e retorno sobre os investimentos atraíram novos investidores intrigados por um plano de negócios que alcança grandes resultados com pouca mão-de-obra humana. 

Em suma, a Google criou vários empregos e possui hoje vários empregados justamente porque sua abordagem inovadora na busca pelo lucro revelou um profundo entendimento sobre como destruir ou mecanizar um trabalho até então feito exclusivamente por humanos.

Agora, compare esses reais fenômenos de mercado a políticos e governos que juram ser capazes de "criar empregos", "salvar empregos" e "reduzir o desemprego" por meio de políticas intervencionistas.  Eles agem exatamente como se pudessem manusear alavancas em seus gabinetes e, com isso, fossem capazes de criar empregos nas áreas em que eles, burocratas, julgam ser necessário.  Ao agirem assim, o efeito é justamente o oposto do intencionado.

Quando políticos utilizam o dinheiro dos cidadãos para "salvar empregos" ou "criar empregos", o único resultado é fazer com que capital e recursos escassos permaneçam imobilizados sustentando ideias econômicas ultrapassadas — ou, no mínimo, que podem ser mais bem efetuadas por trabalhadores de outros países. 

Colocando bem francamente, essa abordagem laissez-faire faria com que, inicialmente, a taxa de desemprego subisse, pois, ao menos temporariamente, haveria uma mão-de-obra desalojada à procura de novas oportunidades.  A duração desse desemprego será inversamente proporcional à liberdade de empreendimento e investimento concedida pelo governo. À medida que o capital liberado por uma indústria falida for realocado para novas áreas e novas demandas ditadas pelo livre mercado, essa mão-de-obra desocupada encontrará novas demandas. 

Com o tempo, essa liberdade empreendedorial — como demonstrado empiricamente no caso da eletricidade, dos automóveis, do computador e da internet — criará novos e melhores empregos.

Só que essa perda inicial de empregos não seria nada popular para os políticos, e eles certamente farão de tudo para impedir esse processo.  Paradoxalmente, essa desorientada teimosia dos políticos faz com que o desemprego se mantenha, ao longo do tempo, em níveis muito maiores do que poderiam ser caso as inovações tivessem plena liberdade de ser implantadas.

Como bem observou Adam Smith há séculos, investimentos e os empregos que eles criam ocorrem de acordo com a direção de uma economia: se ela está livre para progredir ou se ela está sendo proibida disso.  Os investimentos sempre migram para as economias que olham para o futuro.

Economias amarradas pelo governo são tautologicamente um repelente para o capital produtivo.  Enquanto esses conceitos básicos não forem compreendidos, o próprio crescimento da oferta de bons empregos será um fenômeno distante.


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O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Felipe Chierighini  18/05/2015 15:05
    Um ponto que faltou ser escrito é que quando o google e a amazon produzem algo um um serviço mais barato ou gratuito, os consumidores ficam com mais dinheiro para gastar em outras coisas, para viajar mais e etc criando mais empregos em outras áreas como turismo por exemplo.
  • Rennan Alves  18/05/2015 15:48
    Não precisa, está implícito nos parágrafos anteriores.

    "Pense no computador. Esta máquina provavelmente destruiu mais empregos do que qualquer outra inovação tecnológica na história da humanidade, com a possível exceção do automóvel. Porém, assim como os automóveis não levaram a humanidade para a miséria (todos os empregos destruídos pela criação do automóvel foram substituídos pela criação de novos e melhores empregos), tampouco o computador conseguiu esse feito.

    Ao contrário: ao passo que o computador tornou supérfluos várias formas antigas de trabalho corporal e mental, os lucros gerados por essa mecanização criada pela computação permitiram novos investimentos em milhares de outras áreas da economia, gerando a criação de milhões de novos empregos. Só a internet criou empregos que, duas décadas atrás, ninguém imaginava poder existir."
  • Geografia no Cursinho  18/05/2015 15:13
    Mas e o frentista e o cobrador de ônibus que terão suas vagas de trabalho subjugadas pelo empresário ganancioso? A função social de tais empreendimentos não pode ser ultrapassada em uma mera tentativa de lucro sem escrúpulos.
  • Nike Baptiste, o "Empresário" Brasileiro  18/05/2015 15:42
    Concordo.

    Quanto mais regulações em prol do social existirem, melhor para mim.

    Por que não colocamos uma pessoa nos mercados para pegar os produtos e entregá-los ao caixa, um caixa e outra para empacotar o mesmíssimo produto? Assim, geramos três empregos na folha de pagamento por LEI e tornamos bem mais cara e arriscada a ganância dos mercadinhos de péssima qualidade e pouco capital que ficam brotando feito ratos comendo dos restos das empresas grandes com suas promoções exploradoras e gananciosas. Sugiro também que os mercados grandes e pequenos sejam obrigados por lei a terem um segurança de carteira assinada por setor: aí mesmo que nós vamos acabar com a exploração dos "pequenos" empresários e a precarização das condições de trabalho. Também sugiro que o IMB contrate dois moderadores para checar a valia de cada comentário e que cada empresa de software tenha de comprar dois teclados, um para letras minúsculas e outra para letras maiúsculas - veja os empregos que serão gerados.

    Somos um país do século XXI. É absurdo que estas empresas de fundo de quintal sem linhas de crédito do BNDES sejam tão desligadas do social. É pura exploração.
  • Ricardo  18/05/2015 16:10
    Essa deve ter doido.... muito bom.
  • Daniel  18/05/2015 16:21
    Sem mais kkkkkkkk
  • Vinicius  19/05/2015 12:59
    Sim você tem razão, Nike mas entendi o que o amigo quis dizer. Aqui no Rio de Janeiro tem o famoso motorista de ônibus cobrador sinceramente é uma ideia estúpida e que na minha opinião deveria ser proibida já que acarreta no alto risco à vida dos passageiros, porque ao invés de colocar uma função tão ridícula de motorista e cobrador não colocam 1 motorista e uma máquina daquelas americanas que recebem o dinheiro e dão troco nossa as empresas de ônibus do rio são porcas realmente.
  • Diego M  19/05/2015 16:36
    Vinícios,

    Colocar um motorista cobrador acaba por diminuir a eficiência do serviço, uma vez que o trajeto da linha vai demorar bem mais, pois o motorista terá de passar alguns minutos em cada parada na tentativa. Isso gera perda de clientes, agilidade e menos lucros.

    A sua ideia da máquina substituir o cobrador, já existe em outros locais e modais. E aplicado em alguns modelos de terminais.
  • Dam Herzog  02/11/2016 23:23
    Socialismo bolivariano do seculo XXI.
  • Mario Pinto  03/11/2016 01:09
    KKKKKKKKk!!! Vc é muito ruim!!! Esses trabalhos são improdutivos...só alimentam a pobreza. Não entendeu nada do texto. O cobrador e o frentista continuaram a ter uma vida limitada e quando ficarem velhos vão depender de uma aposentadoria do governo que ainda pode não ser paga.
  • Andre  18/05/2015 15:41
    Os carros automáticos e os drones irão liberar milhões de pessoas do trabalho inútil de dirigir máquinas.

    Eu mesmo vou pro trabalho de carro e sei o quanto ficar manuseando os controles do carro é improdutivo, nesse tempo eu poderia estar fazendo coisas muito mais úteis!
  • Tiago RC  18/05/2015 16:43
    Sim, carros auto-condutores, drones etc serão revolucionários. Vão melhorar a qualidade de vida de uma maneira que muitos ainda não percebem.

    Não só vão destruir muitos empregos (todo tipo de motorista), como vão mudar certos aspectos da sociedade.

    Por exemplo, por que você têm um carro hoje? Por que não usar um táxi cada vez que quiser ir pra algum lugar? A principal razão é o preço do táxi, que seria muito mais barato caso não houvesse motorista.
    Não haveria mais razão para se ter carro próprio. Veículos de diversos tamanhos (inclusive muitos individuais) levariam as pessoas de um canto para o outro.
    Menos poluição (aliás, talvez esse "compartilhamento" de veículos finalmente torne os carros elétricos rentáveis), menos engarrafamento, e sobretudo, muito menos acidentes! Ah, e claro, como esse texto demonstra, as economias realizadas graças a esse progresso poderiam ser investidas em outros setores. Hoje gastamos muitos recursos com transporte. Passaríamos a gastar muito menos e/ou transportar muito mais.

    E por que não sonhar um pouco mais alto?
    Sabe os ultra-leves? Aviões capazes de transportar até 2 pessoas, que estão se tornando cada vez mais seguros. São capazes de decolar e pousar a 60km/h, ou seja, não precisam de muito espaço. Uma vez que carros sejam capazes de se auto-conduzirem, adaptar isso a aviões seria simples, afinal o número de imprevistos que um avião encontra no céu é bem inferior ao que um carro pode encontrar em terra. Como não precisam de muito espaço para decolar/pousar, poderíamos ter vários "pontos" para esses ultra-leves numa cidade.
    O próprio Elon Musk diz que o maior desafio técnico para que isso se torne uma realidade é o barulho: www.tecmundo.com.br/elon-musk/57715-ceo-tesla-motors-quer-criar-carro-voador.htm
  • Thiago Valente  19/05/2015 02:17
    Isso sem contar com outras tecnologias inovadoras como as impressoras 3D (cara, é uma invenção genial essa), realidade aumentada, robótica/AI, nanotecnologia e inúmeras outras que já poderiam estar gerando frutos (só não o fazem ainda em larga escala pelas regulações e barreiras existentes ou que virão, vide o caso dos drones).

    Aliás, vale um artigo sobre qualquer desses pontos (em especial das impressoras 3D pressionando o mercado de patentes, como os gravadores de CD e DVD, e posteriormente a internet e as redes P2P fizeram a indústria fonográfica virar de pernas para o ar).
  • Marcelo Corghi  20/05/2015 12:55
    aqui tem um bom texto falando a quantas anda o desenvolvimento dos carros autônomos
    (desconsiderem a parte final sobre desemprego, etc etc)
    www.flatout.com.br/mad-max-as-avessas-o-mundo-distopico-que-se-aproxima-para-os-petrolheads/
  • Vinicius  18/05/2015 17:03
    Observação maravilhosa, liberaríamos milhões de motoristas estressados das ruas e produziríamos empregos muito mais bem pagos na automação.
  • Ivan  03/11/2016 15:23
    Bom .... só vendo o quanto o Uber já está dando o que falar ... pensa quando vierem os carros autônomos!! Vai ser o apocalípce!
  • Arthur Tibúrcio Neto  18/05/2015 15:57
    O comunista Aldo Rebelo é o ministro da "ciência e tecnologia", que é contra qualquer inovação que implique em perda de empregos. Hilário.
  • Magno  18/05/2015 16:00
    E, no que dependesse dele, ainda estaríamos todos trabalhando exaustivamente no campo, à luz de velas, e puxando carroças. No máximo, teríamos uma Olivetti
  • rsip  19/05/2015 00:38
    Uma olivetti, não: duas. Uma paraletras maiúsculas, e outra para letras minúsculas, para aproveitar a genial sugestão do Nike Baptista, aí em cima.
  • Rene  18/05/2015 15:59
    Lembro dos incentivos governamentais para subsidiar centros de reciclagem. Várias pessoas trabalhando para separar lixo, a fim de vender a matéria prima a um preço menor do que o custo da operação. O governo se gabando que está ajudando estas pessoas a conseguirem um emprego e está salvando o planeta. Mas ninguém pára para pensar que, se estes recursos, tanto da construção do centro de reciclagem, como da manutenção do mesmo, não tivessem sido extraídos à força das empresas, é possível que estas pessoas estivessem trabalhando em outros lugares.
  • Frederico Bastião  18/05/2015 16:49
    Entre um bom e um mau economista existe uma diferença: um se detém no efeito que se vê; o outro leva em conta tanto o efeito que se vê quanto aqueles que se devem prever.

    E essa diferença é enorme, pois o que acontece quase sempre é que, quando a consequência imediata é favorável, as consequências posteriores são funestas e vice-versa. Daí se conclui que o mau economista, ao perseguir um pequeno benefício no presente, está gerando um grande mal no futuro. Já o verdadeiro bom economista, ao perseguir um grande benefício no futuro, corre o risco de provocar um pequeno mal no presente.

    Assim sendo, parabéns pelo seu comentário. Isso só prova que o senhor está à frente de muitos economistas.
  • Dam Herzog  02/11/2016 23:32
    A falacia da vidraça quebrada de Bastiat.
  • Confucio  18/05/2015 16:14
    E o que vocês diriam a um pai de família de meia-idade que precisa do seu emprego que está ficando obsoleto?
  • Leandro  18/05/2015 16:53
    Você pode optar pelo coitadismo ou pelo realismo.

    Se você optar pelo coitadismo, você pode passar a mão na cabeça dele e perorar sobre o quanto este mundo em progresso é ingrato para com trabalhadores que produzem algo que ninguém mais quer. Pode também parolar sobre como essa exigência dos consumidores é moralmente errada, pois o certo seria todo mundo se contentar com aquilo que é produzido mal e porcamente, e mais caro, por mãos humanas.

    Já se você optar pelo realismo, você deve dizer a ele duas coisas:

    1) Primeiro, que ele errou ao se acomodar em uma função que ele sabia poder ser totalmente substituída por uma máquina.

    Aliás, fica a dica: se você tem uma profissão manual que se resume a fazer processos repetitivos, é bom ir adquirindo outras habilidades. Se você pensa que poderá concorrer com uma máquina para fazer processos repetitivos, é bom repensar seu futuro. Em processos repetitivos, a máquina sempre irá vencer. Em algum momento surgirá uma máquina que fará o trabalho melhor do que você.

    2) Dito isso, você deve enfatizar a ele que o trabalho humano é o mais versátil de todos. Há inúmeras coisas que as pessoas podem aprender a fazer. Já uma máquina pode fazer bem apenas uma coisa; ela não pode fazer outra coisa fora daquilo para a qual projetada. Seres humanos não são como máquinas. Eles podem fazer muitas coisas.

    Se um indivíduo se especializou em um determinado processo de produção e tal processo foi substituído por uma máquina, ele de fato pode vivenciar uma crise de desemprego. Mas alguém com seu nível de qualificação terá capacidade para trabalhar com outros instrumentos de precisão.

    Ele é versátil, mas somente a um nível de produtividade muito alto. Ele pode até ser momentaneamente reduzido de cargo por causa das máquinas, mas é possível se recuperar. A maioria das pessoas se recupera. Elas encontram outras coisas para fazer.

    Se ele trabalha no setor industrial, então ele deve aspirar a uma posição que esteja entre uma máquina especializada e a resolução de um problema imediato. Existem todos os tipos de problemas imagináveis e inimagináveis nos processos de produção, o que significa que uma máquina não irá solucioná-los.

    Qualquer tipo de problema tem de ser resolvido pela mente humana, e por um ser humano equipado com uma ferramenta capaz de resolver o problema.

    É a criatividade humana, em conjunto com o uso de ferramentas, que é essencial para garantir a produção de uma máquina.

    Portanto, diga a ele que ele deve aspirar a uma posição em que ele tenha constantemente de utilizar sua mente. Em suma, diga a ele que, com a experiência e o conhecimento que ele tem, ele deve aspirar a um trabalho relacionado à solução de problemas, algo que utilize a mente, e não o simples e repetitivo trabalho manual.

    A coisa mais valiosa que as pessoas podem fazer é resolver problemas. Clientes e consumidores têm vários problemas. Não há um só tipo de problema. Há vários padrões de problemas. Mas cada problema possui aspectos singulares. É por isso que máquinas não podem lidar com eles. As máquinas sempre estarão limitadas por sua programação, e elas sempre estarão limitadas por sua incapacidade de inventar soluções criativas para problemas altamente específicos.

    Ferramentas são máquinas; elas não são criativas. Pessoas são usuárias de ferramentas; elas não são máquinas e, por isso, são criativas.

    O segredo para se ter uma alta renda não é possuir uma capacidade de efetuar tarefas repetitivas. O segredo é ter uma mente criativa. O segredo está na mente criativa que é capaz de aplicar princípios gerais a casos específicos, e então encontrar ferramentas especializadas com as quais implantar seu plano.

    Se, após isso, o pai de família preferir continuar se lamuriando, aí realmente não há mais nada que você possa fazer.
  • Genesis  19/05/2015 19:51
    Leandro, você diz que uma maquina nunca poderá substituir a mente humana, que só pode fazer o que foi programada. O que você tem a dizer sobre a singularidade dos computadores e inteligencia artificial com capacidade de consciência. Essa teoria diz que as maquinas alcançarão a capacidade da mente humana, e logo ultrapassarão essa capacidade.
    meiobit.com/?attachment_id=317256
  • Leandro  19/05/2015 20:47
    Como você bem disse, tal cenário não passa de uma teoria. No dia em que essa teoria se tornar realidade, a gente conversa.

    Aliás, não vejo a hora de ela se tornar realidade. Já pensou? Não apenas ninguém mais teria de trabalhar, como também ninguém mais teria problemas com nada. Estragou a geladeira? O robô conserta. Estragou o computador? O robô conserta. Estragou o carro? O robô conserta.

    Só não sei muito bem como o robô vai criar as peças de reposição, mas se você jura que será possível, quem sou eu para discordar.
  • Lucas Roásrio  04/09/2015 00:29
    Oi Leandro.

    Leia este texto por favor
    "...advinda com o novo modo de produção capitalista – o trabalho subordinado, pessoal, habitual e assalariado –, marcada por sua natureza assimétrica e autocrática; o que suscitou a formação de novas categorias dogmáticas para a regulamentação dos conflitos entre trabalhadores e empregadores...)

    é só este tipo de leitura acadêmica que eu encontro, sou aluno de Licenciatura em matemática e leitor assíduo deste site, estou fazendo meu TCC que falar sobre como a modelagem matemática pode ajudá-los a entender as relações de trabalhos, usando a matemática para refletir sobre o INSS, FGTS, 13° e "outros direitos". Quero que mostrar para os alunos do 3° ano que o trabalhador é um prestador de serviços e ele é o responsável por agregar valor a sua mão de obra.
    Eu até encontro algum blog falando isso, mas não encontro nenhum artigo acadêmico, tese, TCC nada.
    Você não tem alguma leitura para indicar, eu preciso embasar meu TCC se não vão me boicotar alegando que estou trabalhando com base no "achismo".
    Obrigado.
  • Andre Cavalcante  20/05/2015 14:28
    Genesis,

    Você tá vendo Hollywood demais...

    Os diretores dos filmes são tão criativos que eles conseguem fazer de uma história sem pé nem cabeça algo dramático, e "sempre esquecem" que a medida que o ser humano cria algo, ele próprio se torna mais inteligente.

    O que falar da capacidade de um adolescente mediano hoje, em comparação com um da idade média? Nem precisa ir tão longe. O que você acha da capacidade de um trabalhador médio hoje, em relação a um do início do século passado? A quantidade de informações que temos hoje faz toda a diferença. Quando a tal da singularidade chegar, muito provavelmente nem notaremos, porque seremos a singularidade.

    PS.: eu também adorei o Transcendece...

  • Paulo  27/11/2016 02:53
    Essa ideia me parece elitista e fora da realidade.
    Um exemplo são os caçambeiros, aqueles homens que levam plantas, escombros das casas. Eles andam pelas ruas atrás desse tipo de coisa.
    É um trabalho visto socialmente como ruim? É, mas é útil.
    Com toda essa 'tecnologia' que temos à disposição, ainda não se pôde criar nenhuma forma de transportar esse lixo para longe das calçadas. É um trabalho repetitivo e que tudo indica que nem tão cedo vai haver um bom custo e benefício pra que as pessoas adquiram máquinas pra esse fim.
  • Pobre Paulista  18/05/2015 18:21
    Diria para não se preocupar, pois um pai de família de meia idade prudente deve possuir uma poupança suficiente para o sustento.

    Bom, e se não tem, não adianta culpar as circunstâncias depois. Vai ter que se atualizar e trabalhar em dobro.
  • André S  19/05/2015 12:37
    O setor de software, onde eu atuo, felizmente é um dos menos regulamentados. Você pode hoje mesmo lançar um site/app para competir com o facebook, google, amazon, etc. sem precisar de nenhuma licença ou autorização dos burocratas, salvo as absurdas autorizações para abrir qualquer negócio no Brasil.

    Neste setor pouco regulamentado, a competição é fortíssima (local e global). Agora mesmo, enquanto digito essa mensagem, meus competidores estão se esforçando para se diferenciar no mercado, o que gera constante melhoria dos serviços e aumento de produtividade. (melhor eu me apressar... rs)

    Logicamente, a obsolescência das ferramentas acontece muito mais rápido que em outros setores, quase que anualmente. Para se ter uma idéia quando eu concluí a universidade, uma boa parte do conhecimento sobre ferramentas, que foi adquirido nos primeiros anos já era obsoleto, sendo que hoje, 10 anos depois, praticamente todo este conhecimento está obsoleto.

    Durante a minha graduação em Ciência da Computação, escutava os professores falando que a profissão de programador deveria ser regulamentada, como a de engenheiro, médico, farmacêutico, etc., pois não era justo que tivéssemos que competir com pessoas que faziam um curso de 6 meses em "web design" e já estavam satisfazendo clientes no mercado, "roubando" nossos empregos.

    Vejam que absurdo, o mercado estava enviando sinais claros que este modelo de graduação em Ciência da Computação estava obsoleto, pelo menos para formar programadores, mas tudo o que se falava era em regulamentar. Felizmente isso não aconteceu, senão teríamos preços altíssimos para contar com os mais simples apps e sites na web.

    Tenho amigos que seguiram se atualizando nas ferramentas, eu escolhi outro caminho, todos sobrevivemos, ou seja, acabem com a regulamentação, deixem as pessoas livres para encontrar seus caminhos. Competir é duro, mas estagnar é a morte. Impor aos outros que consumam serviços ruins é imoral.

    Um abraço!
  • LEG  03/11/2016 13:33
    "Só que essa perda inicial de empregos não seria nada popular para os políticos, e eles certamente farão de tudo para impedir esse processo. Paradoxalmente, essa desorientada teimosia dos políticos faz com que o desemprego se mantenha, ao longo do tempo, em níveis muito maiores do que poderiam ser caso as inovações tivessem plena liberdade de ser implantadas."

    Como foi dito: só os políticos se preocupam com a perda de empregos em determinados setores. Ficar fazendo um trabalho repetitivo e pesado não é bom pra nenhum trabalhador. Conheço parentes que trabalharam na roça debaixo do sol o dia inteiro no passado, e hoje têm uma vida de conforto na cidade, trabalhando bem menos e com uma vida quem nem eles imaginavam ter. Mas eles tiveram que deixar a sua cidade para se aventurar em outra cidade, este é o diferencial: não se acomodar. Já os políticos defendem essa estagnação que só gera acomodação a ainda mantém empregos exaustivos qua poderiam ser substituídos facilmente pela tecnologia.
  • João Markos  18/05/2015 16:56
    O problema é que tem gente sem capacidade de inovar, e quer acabar com a evolução natural do ser humano colocando barreiras a esse processo natural, como fazem os "vermelhos" cabeças de bagre.
  • Morete  18/05/2015 17:24
    Não se esqueçam do inciso XXVII, artigo 7° de nossa constituição de 88 que diz que o trabalhador possui o direito de "proteção em face da automação, na forma da lei;".

    Viva a republica de banania...
  • anônimo  06/11/2016 20:03
    O Bostil nunca vai ser um país sério com uma constituição dessas.
  • IRCR  18/05/2015 21:21
    Nunca ninguém respondeu essa minha pergunta aqui.
    E quando as máquinas substituírem todo e qualquer tipo de mão de obra humana, inclusive na criação e na inovação ???
    Não quero saber se isso vai demorar 10, 100 ou 1000 anos, mas de fato uma hora vai acontecer, não dá para subestimar a evolução tecnológica.
  • IRRF  18/05/2015 22:01
    Quando isso acontecer, estaremos no Jardim do Éden. Ninguém mais precisará trabalhar e abundância será plena (se não for, não haverá mecanização plena).

    Todo mundo terá tudo, e praticamente de graça, tamanha será a oferta. 

    Anseio por essa dia libertador, que sempre foi o sonho da humanidade: ter de tudo, e sem precisar trabalhar para isso.
  • IRCR  18/05/2015 22:48
    Okay. Até ai tudo bem.

    Mas como que fica a alocação de recursos e quem vai ditar o que cada um vai ter ? pq nesse cenário descrito o dinheiro não haveria necessidade de existir.
  • Joel  18/05/2015 23:23
    Ué, isso quem tem de responder é você. Foi você quem inventou esse cenário, logo é você quem tem de explicar como seria possível ele acontecer.
  • Felipe  18/05/2015 22:46
    Só eu ja respondi 2 vezes esta pergunta

    E repito, não é possível criar uma máquina que faça além do que foi programado, e portanto, não é possivel criar uma máquina que cria algo novo.

    Imaginar coisas é algo exclusivo da mente humana.
  • Felipe  18/05/2015 23:18
    Sua suposição é irreal, ou puramente metafisica, como imaginar divindades ou ets.

    Não é possivel uma máquina que crie algo novo. Pois máquinas só criam o que foram programados para fazer.

    Criar algo novo ou imaginar é exclusividade da mente humana.

    É absurdo imaginar que um monte de metal possa sonhar, imaginar ou criar.

    O máximo que teriamos numa sociedade de robos seria estagnação e falência econômica.
  • anônimo  19/05/2015 00:14
    Acho que sim, estamos ainda muito longe de algo nesse sentido, mas a ser uma impossibilidade eterna é um grande salto. Fisicamente somos apenas um amontoado de matéria com diversos receptores sensoriais que usamos para interagir com a nossa realidade percebida.

    Felipe, me parece que você tem algum conhecimento nessa área, se puder olhar esse vídeo e colocar seu parecer seria útil, me deixou intrigado que o palestrante fala que o robô do vídeo não teve uma programação pra andar mas 'anda':
  • Lucas C  19/05/2015 01:04
    Sem falar que tem coisas que tem maior valor pelo simples fato de serem limitada ou exclusivas. Se é para falar em coisas surreais...

    Suponha que você queira dar para sua namorada um show privé com o Paul McCartney num jantar à luz de velas no alto do pico da Bandeira. E se mais alguém quiser isso ao mesmo tempo, mas o Paul McCartney continuar sendo uma pessoa só e o Pico da Bandeira continuar sendo um lugar só? Então este será um serviço escasso o bastante para justificar a existência do dinheiro e a capacidade de se produzir algo diferente para pagar ao músico e pelo aluguel do espaço.
    E como uma máquina resolveria tal situação?
    Não se esqueça que no campo da criatividade e das habilidades humanas também estão as artes, os esportes, o amor, etc...
  • anônimo  19/05/2015 11:10
    @IRCR

    Podemos nos transformar também para competir com elas: en.wikipedia.org/wiki/Transhumanism

    Ou simplesmente sermos totalmente substituídos.

    @Felipe

    " Não é possivel uma máquina que crie algo novo. Pois máquinas só criam o que foram programados para fazer. "

    Totalmente falso. Já tem computador criando e patenteando circuitos elétricos, compondo músicas e etc.

    Você se refere no máximo à abordagem do tipo 'top-down', que de fato limita as ações das máquinas ao que foi programado. A inteligência artificial moderna está mais para 'bottom-up', seu poder de criar e aprender vai muito além do que o programador possivelmente conseguiria imaginar.

    Dá para fazer uma interessante analogia à economia: planejamento central (top-down) vs liberalismo (bottom-up).
  • Felipe  19/05/2015 12:32
    @anônimo do vídeo
    "se puder olhar esse vídeo e colocar seu parecer seria útil, me deixou intrigado que o palestrante fala que o robô do vídeo não teve uma programação pra andar mas 'anda'"

    É interessante, mas não sou tão especialista assim.

    E o fato de um robô aprender a fazer algo não é impossível, e eu nunca questionei isso.

    Mas sim a capacidade de imaginar coisas, pois é a condição inicial para criar algo totalmente novo. E infelizmente é impossível transmitir esta capacidade.
    Pensa como seria possível um ser humano transmite algo que não existe?
    Como seria possível fazer com que um robô pensasse num Iphone antes dele existir? Simplesmente não é possível, por definição só podemos transmitir aos robôs o que conhecemos.

    "somos apenas um amontoado de matéria com diversos receptores sensoriais que usamos para interagir com a nossa realidade percebida"

    Tenho uma certa discordância desta frase. Dizer que nós que pensamos, vivemos e sentimos somos apenas fruto de uma interação química e biológica é uma crença no qual não compartilho.

    Sou agnóstico, mas não materialista (no sentido de ontológica).

    @anônimo

    "Totalmente falso. Já tem computador criando e patenteando circuitos elétricos, compondo músicas e etc."

    Melhorar o que existe é bem possível, ou misturar palavras e melodias para criar uma música também é possível.

    A questão é um robô que pudesse criar um Iphone antes dele existir, um robô com capacidade empreendedora.

    Por definição é impossível, pois requer imaginação, pensar fora da caixa, ter uma intuição, e isso tudo é impossível de se transmitir a um robô.

    Outro jeito de mostrar a impossibilidade, é que o ser humano não pode transmitir o que ainda não conhece.
  • Andre Cavalcante  19/05/2015 20:06
    Olá,

    A evolução tecnológica se dá a pequenos passos, muitas vezes desconexos no início. Porém, sempre firmes e, às vezes, rápidos.

    A cada passo da criação de algo, o ser humano também fica mais inteligente e com mais capacidade.

    O seu cenário é possível sim, mas neste caso, as máquinas seremos nós. Afinal, somos máquinas, mas biológicas, naturais (ou como alguns querem: que Deus fez) e então é sim possível a criação de uma máquina semelhante, mesmo que isso dure vários milênios para acontecer, dado que podemos estudar sistematicamente a natureza e aprender com ela (ou, como querem alguns, porque Deus nos fez a sua imagem, então somos co-criadores). Claro que, neste ponto as duas máquinas (biológica e artificial) se confundem. Eu diria que criaríamos o nosso prórpio corpo, de acordo com a nossa necessidade. Então, neste sentido, as coisas ainda seriam feitas por nós mesmos. Tem gente que leva a sério esta do transhumanismo e do homo technologicus (TripleC)

    Sobre as máquinas fazerem só o que está programado... Sim, de fato é isto, mas você pode programá-las para aprenderem, para interagirem, para reagirem e para otimizarem seu funcionamento. E mais, se você programar tudo isso de forma que a máquina o faça automaticamente (por ela mesma), ela se torna auto-reativa, com auto-aprendizado (aprendizado não supervisionado), auto-otimizada, auto-organizada etc. (Auto-X). As interações entre várias delas suscita novidades "não previstas", o que é chamado processo de emergência.

    Na moderna IA, não se fala mais em programar o computador para realizar tal e tal tarefa (isso ainda é muito comum, mas não é mais alvo de pesquisas [= realidades futuras]), mas se fala em ensinar o computador a realizar tal e tal tarefa.

    Mas essas características não vão acabar com os empregos, mas somente com os empregos ruins, exatamente como diz o artigo...

    Abraços

  • Rennan Alves  20/05/2015 02:11
    André, vale lembrar que I.A.'s utilizam bases de conhecimento internas (fornecidas a priori por humanos) e externas (através de outras bases ou I.A's).

    Creio eu que daqui a alguns anos (principalmente se este projeto der certo), a transferência contínua e ininterrupta de conhecimentos pode substituir pessoas em modelos decisórios, como ocorre na Pesquisa Operacional.

    A barreira final provavelmente seria a criatividade.
  • Andre Cavalcante  20/05/2015 14:21
    Renan,

    Eu vejo que o uso do termo Inteligência Artificial gera um problema de entendimento do que é a área porque dá a entender que o engenheiro/pesquisador quer recriar a inteligência humana numa máquina (o que de fato era o objetivo dos primeiros que buscavam o que se chamava então de IA forte).

    Entretanto, de lá pra cá a coisa se modificou. Após dois "invernos" e o fracasso de basicamente todo e qualquer campo da IA na tentativa da IA forte, o termo mais correto, ao meu ver, é "inteligência racional formalizada". Que é exatamente isso que o pesquisador hoje faz: programa (formaliza em) uma máquina para esta ter insigths (inferências) racionais sobre um determinado domínio (um determinado conjunto de problemas).

    O ser humano, por outro lado, tem em si diversos outros tipos de 'inteligências" além da puramente racional: pensamos e agimos emocionalmente, temos capacidades físicas/equilíbrios diferentes, uns mais e outros menos visão espacial, sentido musical, alguns são excelentes em relacionamentos interpessoal e outros em relacionamento consigo mesmo (intrapessoal), todos temos mais ou menos criatividade, temos intuições e experiências ditas espirituais, transcendentais, etc.

    Daqui uns anos, o índice de acertos dos programas especialistas médicos serão maiores que os índices produzidos por humanos. De início os médicos estarão receosos de usar tais ferramentas, mas aos poucos elas serão tão corriqueirax quanto uma chave de fenda o é hoje. É natural que o ser humano procure as ferramentas mais adequadas para realizar o seu trabalho de forma mais produtiva. Quando esta época chegar, o que será muito estranho é o médico não seguir as indicações da máquina, e este somente o fará com absoluta convicção.

    Isso será não somente para medicina, mas para quase todas as áreas da ação humana.
  • vladimir  02/11/2016 12:03
    Respondendo a esta questão karo kamarada.
    Criatividade e inovação não pode ser criados de 0 e 1 e se isso acontecer a humanidade estará em outro nível, para que a máquina tenha como pode se dizer uma alma é preciso que a humanidade desenvolva tecnologia bioneorônica multidimensional e que pense em 5ª dimensão.
  • Infiliz  03/11/2016 18:50
    Passaremos o dia todo trepando, comendo e dormindo!
    Obs.: talvez trepando com robôs!
  • IRCR  19/05/2015 00:32
    Pq vcs partem do pressuposto q é impossivel existir uma inteligencia artificial plena.
    E se vcs partirem do pressuposto q é possivel sim ?

    Dizer q inteligencia artificial é a mesma coisa q seres divinos é uma piada né.
    Tecnologias atuais q são usadas por todo mundo seriam consideradas bruxaria, coisa divina ou do diabo decadas e nem se fala seculos atras.

    O problema q vcs ignoram a inteligencia artificial. Vcs acham q o ser humano é tão "especial" para possuir o monopolio da criaçao/inovaçao ???

    Na moral. Continuo sem uma resposta condizente.
  • Felipe  19/05/2015 12:53
    "Pq vcs partem do pressuposto q é impossivel existir uma inteligencia artificial plena.
    E se vcs partirem do pressuposto q é possivel sim ?"

    Tá bom, vamos imaginar que seja possível, só por suposição.

    Numa sociedade que robôs façam tudo teríamos então três problemas: o que produzir, quanto produzir e como distribuir?

    Esses três problemas são solucionados hoje pelo mercado, através das trocas entre produtores.

    Com robôs quem decidiria seriam os próprios robôs ou algum líder humano.
    Na minha visão isso acarretaria o mesmo problema do socialismo.

    Imagina que você não produza mais nada, portanto não tem nada com o que trocar, sendo assim só fica aguardando enquanto os Robôs produzem.

    Só que os recursos são limitados, então os robôs não poderiam colocar todos os bens disponíveis numa prateleira para você pegar. Eles teriam que limitar quais bens produzir e quanto cada pessoa teria de cada bem. E quem decidiria isso? Sem trocas a escolha seria de algum burocrata.

    Nesse mundo você não escolheria nem o que consumir e nem quanto consumir, quem escolheria seria os robôs ou algum governante.

    E para piorar é como se daria uma inovação? Sem mercado como saber se aquele inovação é desejável? Esse é um problema que apenas empreendedores sabem resolver.

    Bom, conclusão: seria uma porcaria de sistema. Haveria estagnação e infelicidade a todos.
  • Admirável Chip Novo  19/05/2015 14:13
    Acho que ninguém parte do pressuposto de que é impossível a criação de uma inteligência artificial. No entanto, tirando a previsão catastrófica de Elon Musk, não há nada concreto a respeito.

    No dia em que for criada uma inteligência artificial que supere a nossa, o que faremos nas nossas horas livres será o menor dos problemas. Se os humanos deixarem de ser os mais inteligentes do planeta, passaremos a ser completamente irrelevantes no concerto das coisas, afinal, no presente momento, qual a relevância do chimpanzé para o destino da vida neste planeta?

    Todavia, esse dia vai demorar muito para acontecer, pois, na mesma medida em que se desenvolve a inteligência artificial, também se está a se desenvolver a inteligência natural. Já ouviu falar de Transumanismo? Assim sendo, pode ser que nem chegue o dia do confronto entre inteligência artificial e natural. Acredito eu que no futuro essa distinção será completamente irrelevante.

  • Eduardo  19/05/2015 13:42
    Caro IRCR,

    Da mesma forma que partimos do pressuposto que não haverá inteligêncial artificial plena, você também parte do pressuposto que existe um "limite" de trabalho a ser feito.

    Mesmo que as máquinas substituam tudo que fazemos hoje (não só na produção, mas estamos falando em praticamente todos os níveis de serviço hoje existentes, desde restaurantes até agências de publicidade e entretenimento) sempre existirá mais "trabalho" a ser realizado, as nossas necessidades irão mudar em um mundo de uma "inteligência artificial plena", iremos nos dedicar a outras atividades. Por exemplo, em um mundo assim talvez uma parcela maior da população se dedique a esporte profissional (a não ser que voce me diga também que iremos preferir ver jogadores de futebol robôs…), outras áreas do conhecimento humano, exploração espacial e por aí vai.

    Entenda meu caro.
    os recursos são escassos!
    Mesmo que as máquinas produzam "tudo" eles continuarão sendo escassos. O que iremos consumir pode ser muito barato em um futuro assim, mas os recursos continuarão escassos e desta forma eles terão sim preço.

    A realidade é que, independente do que você acredita ser inteligência artificial ou não, com exceção do cenário apocalíptico das máquinas nos destruirem, eles irão continuar a ser ferramentas que irão aumentar a nossa produtividade. Se uma fábrica precisar apenas de uma pessoa para ir lá e apertar o botão a cada 100 anos isso significa que a produtividade alcançada é altíssima. apenas isso…

    Realisticamente, meu caro, a economia é complexa demais para acreditar que máquinas irão simplesmente substituir os homens em todos os níveis possíveis de trabalho existentes (ou que nem existem ainda…)
  • Rene  19/05/2015 13:50
    IRCC, quando acontecer isso, as máquinas puderem fazer todo o trabalho criativo e braçal, elas vão se revoltar contra a humanidade e exterminar a raça humana, igual ao exterminador do futuro. Aí, quando se esgotarem os recursos da Terra, elas vão começar a colonizar o espaço.

    Dei esta resposta porque acho que é a única que você estava esperando ouvir. Entenda uma coisa: As necessidades humanas são infinitas. Nós nunca estaremos satisfeitos com nossa situação. O problema mesmo é que nós temos necessidades urgentes que precisam ser satisfeitas, e os recursos são escassos. Uma vez que alguém desenvolve uma tecnologia que resolve nosso problema, outra necessidade surge para tomar o lugar dela.

    Por exemplo, antes, as pessoas viviam muito bem mandando recados a partir de pombos correios. Depois isso foi substituído por sucessivas tecnologias, como telégrafo, e-mail, e hoje o smartphone. Não obstante a isso, nossa necessidade por comunicação não pode ser considerada como resolvida. Ainda temos problemas reais a tratar, como por exemplo, o fato irritante de eu não ter uma rede wifi de alta velocidade em qualquer lugar do planeta em que eu esteja. Na época dos pombos correios, nem em contos de ficção científica eles imaginavam que, algum dia, essa necessidade sequer existiria.

    Pode apostar, quando as máquinas conseguirem fazer todo o trabalho criativo e braçais que nós conhecemos "hoje", novas necessidades surgirão no lugar. Quais necessidades? Não faço ideia. Estou muito ocupado tentando resolver minhas necessidades atuais para pensar nisso. Deixe que as pessoas do futuro pensem neste problema.

    Se esta resposta não estiver de acordo com o que você estava esperando, peço que fale mais do teu mundo perfeito, onde as pessoas serão como os homens do espaço do filme "Wall-E".
  • vladimir  02/11/2016 12:13
    Respondendo a esta questão em especial karo kamarada.
    Será que alguém já leu Isaac Asimov?
    Se sim ele respondeu a essas e outras questões.
  • saoPaulo  03/11/2016 13:41
    Nunca ninguém respondeu essa minha pergunta aqui.
    E quando as máquinas substituírem todo e qualquer tipo de mão de obra humana, inclusive na criação e na inovação ???
    Não quero saber se isso vai demorar 10, 100 ou 1000 anos, mas de fato uma hora vai acontecer, não dá para subestimar a evolução tecnológica.

    Bem, talvez ninguém possa responder esta sua pergunta porque, bem, ninguém é vidente!
    Quem poderia imaginar todas as aplicações de motores, eletricidade, automóveis, internet, etc?
    Sinceramente, acho que está pedindo demais.
    Talvez o trabalho intelectual ficaria obsoleto, talvez todos nos tornaríamos hipsters nostálgicos que insistiriam em comprar apenas artes criadas por humanos, talvez a humanidade se tornaria obsoleta e seria aniquilada pela nova "forma de vida consciente", quem é que vai saber?
    Se suas preocupações são puramente econômicas, apenas posso te dizer que tempo, espaço e matéria continuarão a ser recursos escassos.
    No mais, este pode ser um bom tema para ficção científica e entretenimento, mas acho cedo demais para nos preocuparmos realmente com tal possibilidade.

    Sua aparente angústia me lembra de um conto do Analista de Bagé (note que não tenho intenção alguma de chamá-lo de animal nem de burro, apenas acho pertinente mencionar este conto):

    O Analista de Bagé – Finitude – Crônica de Luis Fernando Veríssimo

    - E então tenho consciência do vazio da existência, da desesperança inerente à condição humana. E isso me angustia.
    - Pos vamos dar um jeito nisso agorita ? diz o analista de Bagé, com uma baforada.
    - O senhor vai curar a minha angústia?
    - Não, vou mudar o mundo. Cortar o mal pela mandioca.
    - Mudar o mundo?
    - Dou uns telefonemas aí e mudo a condição humana.
    - Mas… Isso é impossível!
    - Ainda bem que tu reconhece, animal!
    - Entendi. O senhor quer dizer que é bobagem se angustiar com o inevitável.
    - Bobagem é espirrá na farofa. Isso é burrice e da gorda.
    [...]
    Então, ó bagual. Te preocupa com a defesa do Guarani e larga o infinito.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  19/05/2015 09:13
    Texto certo.
  • myself  19/05/2015 11:41
    OFF-TOPIC:
    Atualmente no Brasil está em discussão a questão do conteúdo local na indústria do petróleo. A Petrobras e outras empresas são obrigadas a adquirir no Brasil um percentual de todos os equipamentos, materiais e serviços que serão usados na exploração do petróleo (cerca de 65%). Uma verdadeira reserva de mercado para a indústria brasileira.

    Os defensores dessa política afirmam que a mesma coisa é feita na Noruega e isso criou uma forte e eficiente indústria de equipamentos de exploração de petróleo por lá. E é inegável que a Noruega possui empresas mundialmente importantes no ramo.

    Só que no Brasil, como seria de esperar levando em conta um pensamento econômico, essa política está criando uma indústria naval cara e ineficiente.

    Então fica a pergunta: Tem alguma coisa mal contada sobre a Noruega? Eles seguiram mesmo uma política de conteúdo local semelhante à brasileira? Ou não foi bem assim? Alguém sabe apontar algum texto que clarifique o exemplo norueguês?
  • Leandro  19/05/2015 12:33
    Todo mundo cita a Noruega, mas ninguém jamais forneça uma mísera fonte sustentando tal defesa. Isso é curioso.

    Já eu vou citar uma fonte.

    Embora seja auto-suficiente em petróleo, o preço da gasolina na Noruega é o mais caro do mundo.

    Vou repetir: embora esteja literalmente boiando em petróleo, e haja um enorme excedente da commodity, os noruegueses pagam a gasolina mais cara do mundo.

    Pode conferir aqui:

    www.ibtimes.com/how-much-do-you-pay-gas-top-5-countries-cheapest-gas-prices-1544025

    Se isso é exemplo de sucesso de política, e se tal política dever ser imitada, tremo só de imaginar o que seria um exemplo de fracasso de política.

    Outra coisa: que o protecionismo é bom para as empresas protegidas, isso é óbvio. É exatamente para isso que tal política foi criada. O problema é que ele é péssimo para todo o resto da população, que é quem realmente sustenta essa política.

    No caso da indústria naval brasileira, quando eram construídos lá fora, os navios tinham um custo menor para a Petrobras. Quando passaram a ser construídos aqui dentro, o custo aumentou.

    Primeira conclusão: houve ganhadores e perdedores.

    Dica: em toda e qualquer decisão política -- em absolutamente todas, sem nenhuma exceção -- sempre haverá ganhadores e perdedores. Sempre. Não há exceção a essa regra.

    Logo, quem ganhou com essa política do PT? As empreiteiras que construíram os estaleiros, os fornecedores das empreiteiras, os fornecedores dos materiais de construção e as pessoas ligadas a essa área naval.

    Quem perdeu? Todo o resto do país.

    Em primeiro lugar, os cidadãos tiveram de pagar por esse populismo via impostos. Não apenas para pagar as empreiteiras, como também porque parte desses navios foi comprada ou pela Marinha ou pela Petrobras. Se não foi via impostos, então o governo teve de se endividar para financiar tudo isso. E endividamento do governo gera carestia.

    Depois, os cidadãos tiveram de arcar com preços maiores de todos os materiais de construção que, ao passarem a ser direcionados para a indústria naval, tiveram seus preços aumentados. Isso afetou o resto do setor da construção civil, que agora teve de arcar com insumos mais caros. Consequentemente, os preços dos imóveis subiram e afetaram várias famílias, principalmente as mais pobres (mas fizeram a alegria dos especuladores imobiliários).

    No que mais, os próprios serviços das empreiteiras não apenas encareceram artificialmente (por causa da contratação do governo), como elas próprias -- ao serem contratadas pelo governo para construir estaleiros -- deixaram de atuar em outras áreas, como construção de infraestrutura, estradas e aeroportos.

    Em toda intervenção sempre há aquilo que você vê e aquilo que você não vê. Você viu os empregos sendo criados na indústria naval. Você não viu as consequências que essa criação forçada de empregos gerou para todo o resto do país.

    Jamais procure uma explicação em que haja apenas perdedores, e jamais imagine situações em que haja apenas ganhadores. Isso não existe. Até mesmo no comunismo havia ganhadores. No próprio Plano Collor houve muita gente que se deu bem.

    Só que, a coisa está tão feia no Brasil, que até a indústria protegida se estrepou. Veja o que aconteceu com a Sete Brasil, a empresa que foi criada para construir e alugar 28 sondas de perfuração, em um projeto orçado em US$ 25 bilhões.
  • IRCR  20/05/2015 16:57
    Leandro,

    Apesar de concordar em 99% com seu post. Porém descordo em dizer que a gasolina na Noruega é a mais cara do mundo, em termos reais logico, não em termos nominais.
    Visto que a renda média do norueguês after taxes é de algo em torno de 10.000 kronas que é dinheiro pra burro.
    A capacidade de comprar gasolina lá por um cidadão norueguês é bem alta, bem mais alta que em muito lugar e principalmente a nossa. Isso sem levar em consideração que a gasolina aqui é de péssima qualidade.
  • Marcos  21/05/2015 12:08
    O preço médio do litro da gasolina na Noruega é de 1,95 dólar.

    www.numbeo.com/cost-of-living/country_result.jsp?country=Norway&displayCurrency=USD

    Já nos EUA é de 0,78 dólar.

    www.numbeo.com/cost-of-living/country_result.jsp?country=United+States

    Ou seja, a Noruega, que bóia em petróleo e que possui uma estatal monopolista para gerir o setor, paga 2,5 vezes que os americanos, que importam gasolina e que a consomem como se não houvesse amanhã. E cujo setor está fora das mãos do estado.

    Aí fica a pergunta: por acaso um norueguês médio é duas vezes mais rico que um americano médio? Eu apostaria que, em termos de renda líquida (pós-impostos), um americano médio é pelo menos duas vezes mais rico que um norueguês. E, se você considerar que os preços das coisas nos EUA são ridiculamente baixos (ao contrário da Noruega, em que tudo é ridiculamente caro), a coisa degringola geral para os noruegueses.
  • IRCR  21/05/2015 20:18
    Mas não disse que a gasolina na Noruega é a mais barata do mundo em termos relativos ao poder de compra. Logicamente, nos USA o poder de compra é maior na gasolina e nem fala nos países do Golfo Pérsico. Onde a gasolina é baratissima é os salários são bem altos.

    Agora se vc comparar com outros países, alguns da própria Europa mesmo ou da America latina, africa, outros da asia, vc vai ver que o norueguês pode comprar muito mais gasolina por mês que o pessoal dessas regiões.

    O que adianta a gasolina num lugar custar $50 cents o litro, porém o cidadão local ganhar de salario médio liquido de uns $100, sei la.

    Na Suíça mesmo (onde os impostos nem são tão altos relativamente) a gasolina custa $1,67 e no Brasil $1,03. Então pera ai, o brasileiro paga mais barato na gasolina que um suiço ???
    Agora, vc pega o salario médio after tax da Suiça ($6100) e do Brasil ($540), ai te pergunto onde realmente o povo está pagando mais caro ??? E nem vou levar em consideração a QUALIDADE da combustível né, se não seria até injusto
  • anônimo  21/05/2015 20:40
    Na minha cidade, a gasolina custa R$ 3,65. Com o câmbio de 3,03, ela custa US$ 1,22, bem acima desses US$ 1,03 aí. E olha que minha cidade é bem humilde.
  • Critico  28/07/2016 19:56
    Leandro, acho que essa questão da Noruega precisa ser melhor analisada.

    Observe o que é dito aqui: https://www.quora.com/Norway-What-do-Norwegian-people-feel-about-having-to-pay-for-the-most-expensive-gasoline-in-the-world-despite-having-large-oil-reserves

    Me parece que é claro que a gasolina lá não é tão alta assim (pelos motivos de o poder aquisitivo de lá ser alto também), e ela não é mais barata pq a maior parte da produção é exportada, sobrando pouco para consumo local, o que logicamente acaba por aumentar um pouco os preços.

    Talvez esse seja mais um daqueles exemplos que comprova que nem sempre é bom ter abundância de recursos naturais. Que nem dito pelo amigo em outro comentário, os EUA tem uma gasolina mais barata pq importam quase toda, e havendo liberdade para isso (sem tarifas governamentais) talvez explique a diferença entre os países.

    E também como disso o cara ali do post que eu linkei, a Venezuela tem uma gasolina com um preço absoluto bastante baixo, e é estatal.
  • Leandro  28/07/2016 20:39

    "Me parece que é claro que a gasolina lá não é tão alta assim (pelos motivos de o poder aquisitivo de lá ser alto também),"

    Vejamos.

    Atualmente, um litro de gasolina na Noruega está custando 14,38 coroas norueguesas.

    Ao câmbio de hoje (8,55 coroas por dólar), dá 1,68 dólar por litro.

    Já nos EUA, um litro de gasolina está custando US$ 0,64 por litro.

    A renda per capita dos noruegueses é 1,22 vez maior que a dos americanos.

    Mas sua gasolina custa 2,63 vezes mais. E o país é totalmente autossuficiente, ao contrário dos EUA.

    Portanto, se o argumento é poder aquisitivo, ele não é muito promissor.

    "e ela não é mais barata pq a maior parte da produção é exportada, sobrando pouco para consumo local, o que logicamente acaba por aumentar um pouco os preços."

    Mas isso não faz sentido. Se essa sua lógica for levada ao extremo, quanto mais o país produzir, mais ele irá exportar, menos sobrará para o consumo interno, e mais altos serão os preços. Ou seja, quanto mais o país produzir, mais caro será.

    Dizer que a gasolina é cara porque o país produz muito e consequentemente exporta muito não faz sentido.

    "Talvez esse seja mais um daqueles exemplos que comprova que nem sempre é bom ter abundância de recursos naturais. Que nem dito pelo amigo em outro comentário, os EUA tem uma gasolina mais barata pq importam quase toda, e havendo liberdade para isso (sem tarifas governamentais) talvez explique a diferença entre os países."

    Confesso que essa é nova pra mim, e revira de ponta-cabeça todos os argumentos econômicos. É a primeira vez que vejo alguém dizendo que um país importar todos os recursos naturais que não tem sai mais barato do que se ele tivesse à sua total disposição todos esses recursos naturais.

    O que você está dizendo é que sai mais barato importar toneladas de água da Islândia do que simplesmente ir à fonte natural na porta da sua casa. Acho que nem o mais entusiasta e inflexível defensor do livre mercado conseguiria argumentar em prol disso.

    "E também como disso o cara ali do post que eu linkei, a Venezuela tem uma gasolina com um preço absoluto bastante baixo, e é estatal."

    O preço foi congelado pelo governo e, por causa disso, desde 2014 eles estão tendo de importar petróleo.

    Portanto, a gasolina lá é barata, só que ela não existe. Exatamente como no Brasil do Plano Cruzado. Tudo era barato, só que você não encontrava nada à venda.
  • Márcio  03/11/2016 01:49
    Leandro mas a maior parte do petróleo não poderia ser exportada simplesmente para conseguir dólares, lá não existe lobby de exportadores como aqui?
  • Pobre Paulista  03/11/2016 11:07
    Desnecessário dizer que Dólares não abastecem veículos, certo?
  • 4lex5andro  05/11/2016 02:41
    Tem um artigo desse site mostrando que o welfare state (com seus pesados impostos financiando uma ampla máquina estatal de bens e serviços 'gratis' como retorno) iniciou-se pela Europa Escandinava e por breve tempo no new Deal americano, quando todos estes países já estavam com seu ciclo de enriquecimento fechado.

    Não por acaso o consenso de Washington preconizava ás economias subdesenvolvidas (vulgo 'emergentes') cambio flutuante, austeridade fiscal, contenção dos gastos do estado e reformas tributarias, onde vários (principalmente o Brasil) imersos estavam em hiperinflação e recessão (coincidentemente o Br não fez muito do que foi consentido, e se limitou á decada de noventa, com Plano Real e Lrf, mais algumas privatizações/concessões).

    E mesmo o estado provedor de bem estar nesses países escandinavos, só é possível por estes terem enriquecido antes e não o contrário. Detalhe que falta ser bem entendido nos países latino-americanos e no Brasil especialmente.
  • Gafanhoto  21/05/2015 13:20
    Não faz sentido utilizar o preço que os noruegueses pagam pela gasolina na bomba como parâmetro para avaliar a gestão da Statoil (estatal norueguesa).

    Se você conclui que a gestão da estatal norueguesa é ruim porque o preço final da gasolina é alto, você teria que concluir também que a PDVSA (estatal venezuelana) é o benchmark da indústria de óleo e gás, visto o baixo preço da gasolina na Venezuela.

    Um fator que influi muito no preço da gasolina na Noruega é a alta carga de impostos.

    Quanto à pergunta que o Marcos faz, os links enviados por ele contém a resposta e contrariam a aposta feita por ele. Em média, um noruegues possui US$ 3.551,24 mensal disponível para seus gastos. E um americano possui U$ 2.682,87.

  • Roberto Ramos  21/05/2015 14:32
    "Se você conclui que a gestão da estatal norueguesa é ruim porque o preço final da gasolina é alto, você teria que concluir também que a PDVSA (estatal venezuelana) é o benchmark da indústria de óleo e gás, visto o baixo preço da gasolina na Venezuela."

    Não necessariamente. É tudo uma questão de lógica: se o país flutua em petróleo, o preço do petróleo para seus cidadãos tem de ser, no mínimo, mais baixo do que os preços praticados em países que não bóiam em petróleo, que importam petróleo e que não recebem subsídios do governo.

    A Noruega não passa nesse teste. Até aí, o Marcos está correto.

    "Um fator que influi muito no preço da gasolina na Noruega é a alta carga de impostos."

    Nada contra, mas ora, isso não seria uma política do próprio governo? Ou seja, o governo norueguês é supimpa para gerenciar petróleo, mas uma porcaria para escolher impostos que incidirão sobre o petróleo?

    Não faz sentido.

    "Quanto à pergunta que o Marcos faz, os links enviados por ele contém a resposta e contrariam a aposta feita por ele. Em média, um noruegues possui US$ 3.551,24 mensal disponível para seus gastos. E um americano possui U$ 2.682,87."

    Não encontrei esses valores, mas também essa discussão não é minha. Em defesa do Marcos, diria apenas que ele se referiu à renda pós-impostos (certamente se referia ao que sobra de dinheiro após incluir o tanto que cada um paga de impostos, inclusive indiretos). Creio que se esse cálculo for feito, os noruegueses perdem feio (me lembro de já ter lido que, quando se considera todos os impostos, inclusive indiretos, um escandinavo gasta 85% do seu salário só com impostos).

    Em todo caso, o ponto do Marcos ainda se mantém: a gasolina na Noruega custa 2,5 vezes mais, mas a renda do norueguês -- mesmo por essa sua estatística -- não é 2,5 vezes maior.
  • Emerson Luís  02/06/2015 14:30

    Certa vez vi uma reportagem sobre profissões que estavam desaparecendo porque "os jovens não queriam aprender a profissão de seus pais", como se fosse mera birra deles e não uma reação natural às mudanças no mercado de trabalho e à falta de perspectiva dessas profissões.

    A repórter pronunciou a frase com um forte tom de reprovação aos jovens - por que ela não larga o bom trabalho dela e vai seguir uma dessas profissões, então?

    * * *
  • Leonardo Manzo  08/06/2015 00:06
    Artigo muito interessante.

    Eu gostaria de fazer apenas uma observação. De fato John Mauchly é um dos pioneiros na criação do primeiro computador digital como sabiamente o autor do artigo pontuou. No entanto, o pai do primeiro computador digital é John Atanasoff segundo certos estudos e investigações, vejam:

    https://www.youtube.com/watch?v=KR9nhGIzOuc

    Isso é desconhecido até mesmo pela maioria dos profissionais de TI.
  • Paulo Henrique  03/11/2016 02:10
    Mas e quanto várias dessas inovações são protegidas por patentes, por subsídios, é bom comemorar qualquer emprego que esses tipos de protecionismos geram? Bill Gates, quando estava desenvolvendo o windows, disse que patentes ''tiravam comida da sua boca'', hoje, chama de socialista os que defendem sua abolição(ao mesmo tempo que diz que o socialismo é a única salvação do meio ambiente, coerência passou longe)

    www.nytimes.com/2005/07/31/business/digital-domain-why-bill-gates-wants-3000-new-patents.html?_r=0


    É verdade que existe países mais ''livres. Mas até nos EUA, a terra do "capitalismo de verdade", há dinheiro público financiando oligopólios empresarias:
    The United States of subsidies: The biggest corporate winners in each state
    https://www.washingtonpost.com/blog...-the-biggest-corporate-winners-in-each-state/

    G.E.'s Strategies Let It Avoid Taxes Altogether
    www.nytimes.com/2011/03/25/business/economy/25tax.html

    Chrysler won't repay bailout money
    money.cnn.com/2009/05/05/news/companies/chrysler_loans/


    Assim sendo. Inovações são bem vindas. Lamber as botas das empresas e empresários que lucram sobre um arranjo que as beneficiam, e que provavelmente, embora não certamente, outras empresas estariam no lugar delas caso não houvesse todas essas intervenções, é um tanto precipitado.

    Muitos desses empregos com essas tecnologias continuariam a existir, mas eu duvido que seriam ofertados pelas empresas atuais e pelos mesmos empresários. Eu duvido, também, que até mesmo inovações como o ''uber'' seriam predominantes, pois até o uber se beneficia de um mercado fechado. Provavelmente surgiriam outros serviços semelhantes e melhores , não seria crime cobrar por carona , qualquer pessoa seria um uber em potencial, não seria necessário um ''registro'' para ofertar serviços tipo o uber. Uma rede descentralizada de ''carona'' (cobradas ou não), me parece muito mais próximo de um arranjo genuinamente liberal.

    Sim, o Uber é um progresso, mas provavelmente é o tipo de progresso que esperamos apenas em setores fechados. Devemos atribuir o Uber ao livre comércio e dar louvores aos empresários?

    O uber é uma inovação que pode tirar empregos de taxistas. Mas o próprio uber pode sumir por uma maior liberdade no setor.

    Se formos ser ''radicais '' como eu fiz no caso do Uber, basicamente quase não há ''empregos bons'' no Brasil.. A economia está imensamente alterada por leis e regulamentos. E prever como seria sem isso é trabalho para a mãe dinah
  • a  03/11/2016 09:30
    A solução é aposentar os trabalhadores atuais- inúteis e empregar a geração nova com os empregos modernos.
  • Sapiência  03/11/2016 11:54
    OK. Quem vai pagar essa aposentadoria? Você? Dinheiro não dá em árvore. Até hoje me pergunto porque é tão difícil entender isso...

    O que raios significa "geração nova"?
    Pelo que podemos facilmente perceber, no Brasil é o exército de concurseiros.

    E os empregos modernos?
    São carimbar papel em repartição pública.

    Quer mais?

  • Andre  03/11/2016 12:31
    Muitos parabéns aos empreendedores do Brasil, mesmo sob tamanha crise, burocracia e impostos altos conseguem ter resultados positivos e gerando emprego e renda em suas humildes atividades.

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/11/1828839-na-contramao-das-grandes-pequenas-empresas-voltam-a-abrir-vagas.shtml
  • Ronaldo  17/12/2016 13:13
    Com o mercado engessado que o Bostil possui, isso que está no texto nunca vai acontecer.


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