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As eleições britânicas representaram mais um golpe contra a União Europeia

Com a vitória dos Conservadores nas eleições britânicas ocorridas na semana passada, o futuro tanto da União Europeia quanto do Reino Unido está mais duvidoso

O recém reeleito primeiro-ministro David Cameron, do Partido Conservador, com o intuito de agradar os eleitores britânicos anti-União Europeia, os quais foram essenciais para sua reeleição, prometeu um referendo — oficialmente para 2017, mas pode ocorrer antes — sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia.

Simultaneamente, o prometido referendo voltou a inflamar o sentimento separatista entre os nacionalistas escoceses que querem permanecer membros da União Europeia.

É claro que seria muito simplista dizer que essa questão da União Europeia foi o principal fator responsável pela estrondosa vitória dos Conservadores.  Como demonstrado neste artigo, a economia britânica, nos últimos anos, vem apresentando um desempenho relativamente bom — com ênfase no termo "relativamente" —, e conseguiu esse resultado justamente ao desconsiderar o modelo francês de aumento de impostos e crescente intervencionismo.

Merecido ou não, David Cameron provavelmente conseguiu convencer um bom número de eleitores de que ele mereceu algum crédito pela boa situação da economia.

Uma vitória para o euroceticismo

Mesmo assim, a eleição foi um bom resultado para os eurocéticos, ainda que o Partido da Independência do Reino Unido (United Kingdom Independence Party — UKIP, de plataforma abertamente anti-UE), por causa das peculiaridades do sistema eleitoral britânico, não tenha tinha um grande êxito eleitoral.  A rede CNBC explica:

Sim, [o UKIP] elegeu apenas um membro para o Parlamento — mas 3,5 milhões de pessoas (em um país de aproximadamente 62,5 milhões de pessoas) votaram no partido anti-UE.  Se houver um baixo comparecimento na votação do referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, e se você juntar o número de pessoas que votaram no UKIP ao número de pessoas que votaram em outros partidos mas que não são entusiastas de UE, então pode haver um real risco de saída do Reino Unido.

Portanto, os Conservadores conseguiram capturar boa parte do eleitorado do UKIP [Nota do IMB: não há segundo turno nas eleições do Reino Unido, o que faz com que o voto útil seja recorrente; muitos eleitores do UKIP que não queriam que o Partido Trabalhista vencesse (como apontavam algumas pesquisas) tiveram de votar no Partido Conservador como um mal menor], mas ainda existe um núcleo de eleitores anti-UE que Cameron (que é simpático à União Europeia) simplesmente não pode ignorar.

Esse referendo prometido por Cameron fez com que a expressão "Brexit" — junção de "Britain" e "exit", uma clara alusão à possível saída da Grécia, chamada de "Grexit" — entrasse de vez no léxico internacional.  Porém, uma saída do Reino Unido da União Europeia seria totalmente diferente de uma saída da Grécia: embora a Grécia faça parte da zona do euro e o Reino Unido não, a Grécia é uma recebedora líquida das transferências da UE, ao passo que o Reino Unido é um pagador líquido.

Em outras palavras, o Reino Unido, assim como a Alemanha e a França, representam as economias grandes e produtivas que pagam as contas da União Europeia, que conferem influência à União Europeia, e que produzem a riqueza que é redistribuída para os países menos produtivos da União Europeia, como Grécia, Espanha e Portugal.

Não é difícil entender por que alguns britânicos podem se cansar de pagar as contas de Portugal quando a própria Grã-Bretanha tem vários desafios econômicos para resolver.

A Escócia quer, ao mesmo tempo, permanecer na União Europeia e se separar do Reino Unido

Na frase acima, obviamente utilizei o termo "britânicos" de maneira um tanto imprecisa.  "Os ingleses" seria um termo mais acurado, uma vez que os escoceses, sabendo perfeitamente quem é que lhes repassa dinheiro, continuam olhando para sua separação do Reino Unido e para sua continuidade na União Europeia como um possível plano de fuga caso os Conservadores realmente cumpram suas promessas de cortar gastos governamentais e de se retirar da União Europeia.

Isso faria total sentido para os escoceses, é claro, uma vez que a UE pode lhes oferecer benefícios assistencialistas mais generosos do que os Conservadores na Inglaterra.  Para a Escócia, basta olhar para sua vizinha Irlanda — que se beneficiou enormemente das contribuições repassadas pela União Europeia durante a década de 1990 — para constatar como um país relativamente pobre pode se sair muito bem como uma nação recebedora dos repasses da União Europeia.  E o governo irlandês ainda se gaba de ser um recebedor líquido dos fundos da UE.

Sendo assim, se os britânicos conseguirem sair da União Europeia, os escoceses provavelmente irão querer se separar do Reino Unido, fazendo um novo referendo secessionista.  Em vez de viverem à custa da generosidade compulsória dos pagadores de impostos da Inglaterra, o fardo será transferido para os pagadores de impostos da Alemanha e da França, além de outros países do norte da Europa.

Os maiores derrotados em toda essa reviravolta seriam os membros do Partido Trabalhista na Inglaterra, os quais ainda estariam sujeitos às ordens de Londres, mas que — agora sem os outrora leais votos dos escoceses — seriam relegados à condição de um partido político com poucas esperanças de obter a maioria no Parlamento nas próximas eleições.

[Nota do IMB: o Partido Trabalhista, que sempre vencia com folga as eleições na Escócia, foi dizimado pelo Partido Nacional Escocês, perdendo 56 assentos no Parlamento, e ficando com apenas um assento representando a Escócia.  Se essa perda de sua tradicional fortaleza na Escócia for definitiva, dificilmente o Partido Trabalhista conseguirá maioria nas próximas eleições].

Enquanto isso, no Continente

Do outro lado da equação, o equilíbrio do poder na União Europeia seria dramaticamente alterado.  Com a saída do Reino Unido, a base econômica produtiva da UE — os "estados pagadores líquidos", como a Alemanha — seria ainda mais pressionada.  Alemanha e França teriam agora, majoritariamente, de arcar com o financiamento da UE.  Consequentemente, a saída do Reino Unido faria com que o equilíbrio do poder fosse deslocado ainda mais em prol dos mais numerosos estados recebedores de repasses. 

Poderia isso acelerar a saída da Alemanha da UE?  Possivelmente, embora seja difícil prever por quanto tempo os europeus conseguirão continuar invocando o sentimento de culpa do nazismo para continuar chantageando emocionalmente a Alemanha a subsidiar o resto da Europa.

Além de prometer um referendo sobre a saída da UE, Cameron prometeu renegociar os termos da relação do Reino Unido com a UE.  Com a recente enxurrada de refugiados e imigrantes entrando na Europa, a pressão sobre Cameron para que essa renegociação seja bem-sucedida aumentou.  Os políticos da UE propuseram espalhar os imigrantes por vários países da Europa de acordo com um plano de re-assentamento pré-definido.  Naturalmente, os nacionalistas britânicos — que são adeptos do estado assistencialista — não gostam da ideia, uma vez que novos imigrantes gerariam uma pressão adicional sobre o estado assistencialista britânico.

E, mesmo que absolutamente nenhum imigrante seja realocado para o Reino Unido, os britânicos ainda assim teriam de financiar ao menos parcialmente o re-assentamento dos imigrantes no resto da Europa por meio dos impostos que pagam para sustentar a União Europeia.  Uma solução parcial para tudo isso seria, novamente, apenas sair da União Europeia.  Por tudo isso, as perspectivas de que o referendo opte pelo 'sim' são consideráveis.


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autor

Ryan McMaken
é o editor do Mises Institute americano.


  • WLNC  17/05/2015 14:32
    Assim que comecei a estudar sobre política e economia, em um determinado momento, me deparei com um pensamento até então inimaginável: com toda essa euforia pela união europeia, será possível, e será que mais alguém percebe, que tudo não passa de enorme é apenas com um nova roupagem, experimento socialista continental? Foi quando parei de usar a Europa exemplo de sucesso e passei a considerar mais os EUA. É claro que isso já faz um tempo, e hoje tenho também quite lidar com a triste constatação do caminho que a América está seguindo.
  • Veron  17/05/2015 15:44
    https://www.youtube.com/watch?v=I14uQ7dyvrw
  • WLNC  18/05/2015 12:25
    Legal, vou ver.
  • Leonardo Faccioni  19/05/2015 06:24
    A esse respeito, vale também consultar o já antigo, porém ainda revelador "The European Union Collective: Enemy of Its Member States", livro de autoria de Christopher Story, que pode ser encontrado sem maiores dificuldades com acesso aberto em formato digital.
  • Alguem  17/05/2015 16:53
    o Reino Unido, assim como a Alemanha e a França, representam as economias grandes e produtivas
    -------------------
    È sério que a França é considerada uma grande economia e produtiva? Um pais cheio de socialista que criou imposto sobre grandes fortunas, um pais que está na posição 73 no índice de liberdade econômica. como isso é possível?
  • Leandro  17/05/2015 17:50
    Está entre os 5 países mais ricos do mundo e vem se mantendo assim há um bom tempo. Políticas socialistas destroem países no longo prazo, não no curto. Não fossem por elas, o país já poderia estar bem mais avançado (na frente da Alemanha, por exemplo).

    Ah, e o imposto sobre as grandes fortunas não passou.

    Adicionalmente, esse "mistério" do enriquecimento da França tem uma explicação. Após a Segunda Guerra, a França foi adepta de uma virtude que poucos países europeus seguiram: moeda forte e inflação baixa.

    Com exceção de alguns anos da década de 1970 e 1980, a inflação de preços sempre esteve abaixo de 5%. E, desde 1986, a inflação média é de invejáveis 2%. É um histórico melhor até mesmo que o do Reino Unido. Em termos de solidez monetária, a França só perde pra Alemanha e pra Suíça, e empata com a Holanda.

    No que mais, apesar de toda a retórica, o país nunca foi de adotar altas tarifas de importação.

    Essa combinação entre solidez monetária (o que torna investimentos previsíveis e mais seguros) e livre comércio não pode de maneira alguma ser negligenciada. Não é à toa que nós do IMB rotineiramente publicamos artigos defendendo livre comércio e moeda forte.

    Compare a inflação da França, com a da Itália e da Espanha, por exemplo.

    Por fim, vale enfatizar também que, embora o francês médio seja meio avesso ao trabalho, a classe empreendedorial é sólida e competente (aliás, tem de ser para sobreviver à enorme carga tributária). Ademais, a população é culta e o setor de engenharia e infraestrutura é excelente. E o fluxo de turistas estrangeiros -- o que aditiva o setor de serviços e comércio -- é enorme.
  • Pedro  18/05/2015 11:31
    Adicionaria algo à sua analise, Leandro. Em termos de Europa, a França é um país enorme (o maior da Europa não eslava e com quase o dobro da área da Alemanha), com uma agricultura forte e uma posição geográfica invejável. Ela ocupa, praticamente, o centro da Europa, e vai do Atlântico ao Mediterrâneo. Tem uma infraestrutura de transporte maravilhosa, grande e culta população etc. Teria tudo para ser o mais forte pais da Europa, se a política errônea não atrapalhasse.
  • Paulo  18/05/2015 13:16
    Então um Estado socialista, que estatiza a educação, produz um difrencial que dá suporte à força econômica de um país.
    Temos uma vantagem provida pelo Estado?
    E o maior, em termos territoriais, quer dizer alguma coisa nesta análise?
    Agricultura forte é causa ou efeito das políticas públicas, ou nenhum dos dois?
    Posição geográfica invejável? Bom, muitos países não possuiam, mas economicamente vingaram!

    E pra terminar, com uma infraestrutura invejável, aonde foi que a política socialista equivocou-se?

  • Leandro  18/05/2015 14:25
    "Então um Estado socialista, que estatiza a educação, produz um difrencial que dá suporte à força econômica de um país. Temos uma vantagem provida pelo Estado?

    Não entendi este seu non sequitur. O Brasil tem educação estatizada (além de haver ensino público do maternal à pós-graduacao, é o Ministério da Educação quem controla todos os currículos de escolas e universidades públicas e privadas). Qual foi a vantagem que ganhamos com isso?

    Aliás, toda a América Latina, com a relativa exceção do Chile, tem uma educação estatizada. Já os EUA não têm educação estatizada, e olha onde eles estão.

    Eu disse que um histórico de baixa inflação, livre comércio, setor empreendedorial competente e setor turístico altamente demandado explicam boa parte da riqueza da França. Você, do nada, fala em educação estatizada. Não entendi.

    "E o maior, em termos territoriais, quer dizer alguma coisa nesta análise?"

    Isso não foi dito por mim. Não me responsabilizado por tal frase.

    "Agricultura forte é causa ou efeito das políticas públicas, ou nenhum dos dois?"

    Também nada falei sobre agricultura (muito embora a França mereça destaque por seus vinhos e queijos). Não impute isso a mim.

    "Posição geográfica invejável? Bom, muitos países não possuiam, mas economicamente vingaram!"

    Também não disse nada disso. Mas é fato que é mais fácil, tudo o mais constante, ser mais rico estando geograficamente bem posicionado.

    "E pra terminar, com uma infraestrutura invejável, aonde foi que a política socialista equivocou-se?"

    Não entendi. Você está dizendo que fornecer estradas e ferrovias boas é algo que só o estado pode fazer? Aliás, vale lembrar que as autoestradas da França são quase todas pedagiadas.
  • Paulo  18/05/2015 14:56
    Leandro,

    O encadeamento das respostas deixa claro que meus questionamentos são sobre a contribuição de Pedro.

    Estou só explorando socraticamente a linha de raciocínio que faz com que o discurso ideológico de muitos que aqui comentam acaba induzindo um padrão anti-liberal, embora desejem exatamente o contrário.
  • Leandro  18/05/2015 15:17
    Certo, então analisemos "socraticamente" o que disse o Pedro.

    Ele começa:

    "Adicionaria algo à sua analise, Leandro."

    Ou seja, logo no início, ele já deixa claro que está fazendo um complemento, e não apresentando uma teoria isolada. Portanto, tudo o que ele falará a seguir deve levar em conta os seguintes fatores já incluídos em minha análise: moeda relativamente forte, livre comércio, classe empreendedorial competente e setor turístico altamente demandado.

    Nada disso pode ser desconsiderado.

    Se você desconsiderar tudo isso que eu falei, e se concentrar exclusivamente naquilo que o Pedro falará mais abaixo, você estará sendo intelectualmente desonesto.

    Continuemos com o Pedro.

    "Em termos de Europa, a França é um país enorme (o maior da Europa não eslava e com quase o dobro da área da Alemanha),"

    Fato geográfico indiscutível. Mas ele importa menos do que o tamanho da população. Quanto maior o número de pessoas habitando um país, maior o número de gente trabalhando e produzindo. Consequentemente, mais fácil será ter uma economia grande e rica. Quanto mais pessoas habitando um país, maior e mais rica terá de ser sua economia.

    O fato de o Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, ter uma economia menor que as da Alemanha, França e Reino Unido é absolutamente vergonhoso.

    "com uma agricultura forte e uma posição geográfica invejável. Ela ocupa, praticamente, o centro da Europa, e vai do Atlântico ao Mediterrâneo"

    Como a definição de "agricultura forte" não foi dada, não é possível analisar. Podemos apenas dizer que o setor de vinhos e queijos é reconhecidamente excelente, e é feito por cidadãos privados.

    Já a posição geográfica, repito, faz com que seja que é mais fácil, tudo o mais constante, um país ser mais rico. Isso não é essencial, mas ajuda bastante.

    Até aqui, não houve defesa nenhuma do estatismo por parte do Pedro.

    "Tem uma infraestrutura de transporte maravilhosa, grande e culta população etc."

    Dado que infraestrutura de transporte é estatal em todos os países do mundo, fica difícil dizer que tal afirmação é uma defesa aberta do estatismo. Isso feria sentido se todos os outros países do mundo tivessem uma infraestrutura privada, e a França fosse o único com uma infraestrutura estatal, aí sim seria correto dizer que houve defesa do estatismo. Mas não é isso que ocorre.

    No que mais, volto a repetir, a maioria das autoestradas francesas é pedagiada (ao passo que, na Suíça e na Alemanha, praticamente nenhuma é pedagiada).

    Já "população grande" é um fato que, justamente como expliquei acima, contribui diretamente para o tamanho da economia. Nada de polemico aqui.

    Já "população culta", até onde sei, é algo decorrente do esforço individual de cada cidadão. Cidadãos individualmente cultos formam sociedades cultas. Se isso é uma defesa do estado, então você tem de provar que, não fosse o governo, os franceses seriam comprovadamente mais burros.

    "Teria tudo para ser o mais forte pais da Europa, se a política errônea não atrapalhasse."

    Constatação certeira, com nível zero de estatismo.


    Aí vem você, Paulo, e diz sem nenhum fundamento que só está "explorando socraticamente a linha de raciocínio que faz com que o discurso ideológico de muitos que aqui comentam acaba induzindo um padrão anti-liberal, embora desejem exatamente o contrário."

    Acho que sua "linha de raciocínio socrático" fracassou. Você não apenas não conseguiu provar uma única acusação, como ainda imputou ao Pedro coisas que ele claramente não disse, e nem sequer "deu a entender".

    Abraços.
  • anônimo  18/05/2015 15:09
    Está entre os 5 países mais ricos do mundo e vem se mantendo assim há um bom tempo.

    Entre as 5 maiores economias, imagino que você quis dizer não? A França estaria entre 20a e 29a posição no ranking dos mais ricos per capita, dependendo de quem mede (segundo wikipédia)

    [i]Ah, e o imposto sobre as grandes fortunas não passou.[i]

    O imposto sobre a fortuna existe há anos na França e até onde eu sei continua em vigor sim.
    Imposto sobre fortuna, ou wealth tax, é um dos piores tipos de impostos que existe, pois ataca quase que exclusivamente a poupança, e necessariamente obriga os súditos do governo a declararem todos os seus bens de valor. É uma alíquota do teu patrimônio total que é tributada, não da tua renda. Em casos especiais, um indivíduo pode ter que pagar mais de 100% de sua renda, sendo obrigado a vender suas propriedades para poder pagar impostos.
    Poucos países aplicam esse tipo de imposto. A França é um dos mais conhecidos. Mas um outro que o faz é a Suíça - algo um tanto quanto estranho visto a liberdade econômica desse país. (as taxas que os cantões cobram como imposto sobre a fortuna nem são altas, o volume total arrecadado é baixo... o meu palpite é que fazem isso apenas para poderem saber quanto cada um de seus súditos possui, o que também é estranho, visto que por tanto tempo os suíços mantiveram um nível invejável de privacidade financeira... talvez tenha sido a maneira do governo suíço de driblar o sigilo bancário)

    O que não passou na França foi o imposto de renda de 75% sobre rendas acima de 1M€. Seria uma faixa a mais no imposto de renda, não um imposto sobre a fortuna.
  • Mohamed Attcka Todomundo  18/05/2015 19:16
    "(as taxas que os cantões cobram como imposto sobre a fortuna nem são altas, o volume total arrecadado é baixo... o meu palpite é que fazem isso apenas para poderem saber quanto cada um de seus súditos possui, o que também é estranho, visto que por tanto tempo os suíços mantiveram um nível invejável de privacidade financeira... talvez tenha sido a maneira do governo suíço de driblar o sigilo bancário) "

    isso eu explico. a privacidade financeira eh p/ os estrangeiros depositarem (usar bancos) ou investirem produtivamente (ter um negocio, como uma fabrica ou açoes dela). o controle sobre cidadaos existe, pois sao eles q financiam a quadrilha estatal. a competiçao eh pelas evasoes de divisas estrangeiras.

    logo, eh um tipo de corporativismo: um beneficio para uns a custa de todos. todos os cidadaos pagam impostos, alguns se beneficiam, entre esses alguns kem eh estrangeiro e poe $$ la.

    EUA e inglaterra tb sao paraisos fiscais, de certo modo, para kem ñ é de la. kem é cidadao paga os impostos (salvo evasão ou elisão). kem é de fora e põe $$ la tem beneficios e salvaguardas fiscais.
  • Adelson Paulo  17/05/2015 19:08
    Creio que há um grande contraponto a esta tendência da Inglaterra de sair da Comunidade Europeia: o medo dos ingleses de ficarem cada vez mais isolados e sem prestígio nas grandes decisões internacionais. Este medo do isolamento insular, diante de um mundo cada vez mais integrado e com grandes blocos econômicos, em um país que recebe grandes investimentos internacionais e com um centro financeiro significativo (a City londrina), e que foi a maior potência colonial e militar dos séculos XVIII e XIX, sempre será um forte argumento para convencer os ingleses a se manterem na CE.
  • Silvio  18/05/2015 12:07
    Você está falando de duas coisas diferentes. Uma é a participação nas grandes decisões internacionais, outra bem diferente é o isolamento comercial. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, na verdade, são até opostas, afinal, se o Reino Unido ficar fazendo parte das panelinhas internacionais, fatalmente se verá obrigado a impor restrições comerciais com outros países.

    Além disso, não há problema algum em se isolar politicamente das loucuras das grandes potências, desde que, é claro, o mercado se mantenha aberto ao comércio internacional. Essa receita nunca causou problemas para a Suíça e Cingapura, muito pelo contrário.
  • Adelson Paulo  19/05/2015 02:05
    Prezado Silvio, concordo em tese que "uma é a participação nas grandes decisões internacionais, outra bem diferente é o isolamento comercial", mas as duas vem andando juntas nos cinco últimos séculos. E exatamente a Inglaterra não se contentaria em cumprir o mesmo papel internacional da Suiça e Singapura, pois é um dos países que mais comete "as loucuras das grandes potências", com interesses estratégicos em várias regiões do mundo, ainda herança de seu intenso passado colonialista.
  • Silvio  19/05/2015 13:53
    Caro Adelson,

    Também concordo com o senhor que os políticos britânicos dificilmente abririam mão de uma hora para outra de sua gloriosa tradição imperialista. No entanto, essas pessoas deveriam se atentar que mais perdem do que ganham jogando esse jogo. O Reino Unido poderia ser muito mais próspero se simplesmente largasse mão de ficar destruindo recursos através de intervenções inúteis mundo afora.

    E também concordo com o Mohamed. Mesmo entre o público que trabalha para sustentar esse circo e perde dinheiro com essa palhaçada, em virtude do orgulho nacional, há sim apoio a essa maluquice. No entanto, isso não muda o fato de que a participação nas grandes decisões internacionais sai mundo caro e só dá dor de cabeça.

    Sobre esse assunto, com a palavra, Milton Friedman: www.youtube.com/watch?v=XdZI72-ugC0
  • MohamedAttcka Todomundo  19/05/2015 12:44
    concordo c/ o silvio, mas oq Adelson Paulo disse tem apelo retorico pros ingleses
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  17/05/2015 21:04
    Nada mudará.
  • Wesley  17/05/2015 23:07
    Qual o sentido do RU ter entrado na UE se eles só estão tendo prejuízos? Além do mais, não há sentido que as economias sólidas da Europa sustentem países que não querem produzir.
  • Tannhauser  18/05/2015 12:38
    Para o Reino Unido é tão ruim assim?

    Quanto é repassado anualmente à UE?

    Dependendo do valor, talvez o saldo líquido seja positivo. Eles não precisam utilizar o Euro e tem o mercado europeu aberto. Isso não é uma vantagem? Livre circulação de mercadorias e serviços e moeda forte, pagando um "pequeno imposto" por isto. Me corrijam por favor.

  • Kaspar Hauser  18/05/2015 17:37
    Fiquei curioso com essa sua indagação e achei essa matéria do Telegraph: EU 'costs Britain £118bn a year'. Ela já tem alguns anos, mas acho que dá uma boa idéia do problema.

  • MohamedAttcka Todomundo  19/05/2015 12:58
    wesley, p/ vc ter resposta completa dessa pergunta, leia os artigos doPhilipp Bagus aki no IMB, especialmente "Por que os países do sul da Europa queriam o euro" e "Por que a Alemanha abriu mão do marco alemão ". a resposta pro caso UK eh meio indireto, mas acho q por esses 2 artigos vc saca.
  • Dilemmachine  23/05/2015 12:19
    Eu moro na Escocia mas nao posso votar (ainda). Caso pudesse, teria votado no UKIP nas eleicoes gerais - apesar de discordar de alguns pontos do manifesto do partido - e espero que a quantidade de votos que recebeu, e pelas razoes explicitadas no artigo, ponha muita pressao nos Tories para adiantar o referendo da UE.
    Apesar de atrair muitos liberais (no sentido nao-anglo saxao atual), libertarios e conservadores, o UKIP atraiu recentemente uma massa enorme de ex eleitores do Labour e LibDems (majoritariamente mais velhos) que obviamente sao defensores ferrenhos do assistencialismo. Eh uma posicao complicada pro partido, que muito provavelmente vai liderar o movimento de saida da UE. Ter de um lado tories e ex-tories eurosceptics e pro livre mercado, e do outro uma massa de ex-Labour famintos por mais assistencialismo (dizem as 'mas-linguas' que o que os atraiu para o UKIP foi o discurso que limita a imigracao e beneficios para imigrantes, sobrando assim mais handouts para os proprios).

    A Escocia, do ponto de vista politico-eleitoral, eh uma tragedia. O SNP eh encabecado por coletivistas extremamente ressentidos; o espirito sindicalista eh muito forte, existe uma resistencia emocional ao setor privado. O eleitorado, como nao podia deixar de ser, eh movido por sentimentos apenas. Assim como o autor, eu tambem acho que, caso o R.U. se separe da UE, a Escocia vai fazer o diabo para se separar do R.U.
    Eh desanimador, sempre que tento ter uma conversa racional e usar argumentos logicos, recebo uma enxurrada de objecoes do naipe:
    "Os tories querem privatizar o NHS, milhoes de pessoas vao morrer!!!!"
    "Voce quer reducao de impostos para pessoas fisicas e juridicas??? Aquelas familias que estao nos beneficios vao MORRER!!"
    "Como assim voce eh contra 'carbon tax'??? Se continuar assim e nao transformarmos a Escocia numa gigantesca 'wind farm' o planeta vai acabar".
    "Voce gosta do UKIP? Mas eles sao todos racistas/homofobicos/machistas/fascistas!!!"

    Uma vez quase chutei o balde e resolvi discursar quando reclamei do alto imposto de renda (que para padroes mundias nem eh tao alto assim) e minha chefe respondeu que tem que ser assim mesmo porque o dinheiro dos impostos eh usado para "causas nobres"....

    Ja aprendi a minha licao aqui e agora fico quieto, so converso sobre politica/economia com quem eh extremamente calmo ou com jovens que NAO frequentaram universidade.

  • Mohamed Attcka Todomundo  25/05/2015 18:22
    Ja aprendi a minha licao aqui e agora fico quieto, so converso sobre politica/economia com quem eh extremamente calmo ou com jovens que NAO frequentaram universidade.

    sinto ouvir isso. embora sei q nunca tem como ganhar uma discussao (ou vc a perde [e ai perdeu mesmo] ou a ganha [a ai o outro lado, magoado, encrudesse]) se vc ñ debate, vc necessariamente perde, pois faz o jogo deles, o da mordaça, e a posiçao deles vence por falta de alternativas.

    ñ te faltam argumentos p/ debater, estou certo. tlv, apenas, um pouquinho de pratica de ddebate (nem precisa muita. as pessoas c/ kem vc debete são tão ruins q se vc for um tikinho melhor elas abrem as pernas. hahahahahahaha!!!!!!!!!!). Leia os artigos do Lew Rockwell aki no IMB e no instituto mises dos EUA. ele eh um gran orador em defesa do liberalismo. se vc o ler vai ñ só aprender o basico de liberalismo/libertarianismo, como descobrir plataformas retoricas a partir de onde defender-se/atacá-los em nome da liberdade

    ñ me entenda mal. ñ estou fazendo patrulhamento ideologico, nem te atacando. apenas criticando construtiva e educadamente p/ o seu bem.
  • Dilemmachine  25/05/2015 20:27
    Caro Mohamed ataca todomundo,

    Agradeço as sugestões, mas que fique claro que eu nao me sinto atacado de forma alguma hahaha. Pelo contrário, fico satisfeito quando alguém aponta inconsistência nas minhas ideias (oque não é o caso aqui).

    Eu não caí aqui de para-quedas, acompanho o site a anos, apenas nunca me senti inclinado a comentar; considero as discussões aqui de alto nivel e prefiro ser um observador a participar ativamente. Leio livros dos autores dos artigos daqui (e do mises.org) e de autores que são influência nas ideias aqui expostas.
    Dito isto, não me considero libertário (não me considero nada, talvez 'individualista', se é pra vestir algum rótulo) mas concordo com quase tudo oque escrevem os autores que são classificados assim.

    Eu citei minhas experiências aqui na Escócia para caso alguém se interesse em saber como é o clima 'ideológico' no R.U. em geral e Escócia em particular, devido ao tema do artigo obviamente. Poderia elaborar muito mais...

    Concordo contigo, quando voce decide derrubar o castelo de cartas de alguém que vive de 'consenso' com argumentos sólidos isso pode gerar um certo mal estar, as pessoas nao gostam de ter seus sentimentos ofendidos (na gigantesca maioria das vezes é sentimento mesmo em vez de razão). Eu particularmente compreendo as coisas melhor do que consigo expressá-las (sei que isso é uma deficiência), e mesmo as pessoas aqui tendo a 'vantagem' da língua nativa, eu sempre me saio melhor (pra falar a verdade eu consigo debater melhor em inglês do que português; faz anos que praticamente só leio livros em inglês, e 100% das vezes quando é a lingua original da obra).
    Mas como eu falei, aqui o clima ideológico é autoritário, escoceses são muito coletivistas, nao quero ostentar uma fama de chato, do contra, 'rebelde'.



  • Mohamed Attcka Todomundo  07/06/2015 02:19
    desculpe ñ ter respondido antes. só vi agora sua resposta. foi deskuido mesmo. sorry;

    "Mas como eu falei, aqui o clima ideológico é autoritário, escoceses são muito coletivistas, nao quero ostentar uma fama de chato, do contra, 'rebelde'. "

    entendi. esse rotulo eh chato mesmo. ñ vale a pena. demorei entender isso. so entendi, alias, depois de ler a autobiografia de benjamin franklin. ainda sim, tenho aprendido jeitos de desnudar esse autoritarismo c/ + perspicacia, candura ate.

    mas lendo sua postagem lembrei desseartigo da Ayn Rand, O abismo entre as ciências físicas e as ciências humanas. acho q vc pode gostar. ñ achei versao en ingles por isso so pus a traduçao.

    Agradeço as sugestões, mas que fique claro que eu nao me sinto atacado de forma alguma hahaha. Pelo contrário, fico satisfeito quando alguém aponta inconsistência nas minhas ideias

    legal isso. postura saudavel. mostra segurança de si; maturidade. mas eu tinha entendido mal, q vc se sentia sim atacado, no sentido de q se kestionasse as pessoas eram hostis. aki em brasilia elas sao e muito. mas atualmente eu levo a conversa de um jeito q elas vão ate onde kerem, e rapidinho desconversam, p/ ñ terem q se kestionarem a si mesmas de suas certezas, pq se a conversa vai um poukinho longe, ñ sou + eu q as kestiono, mas elas a si mesmas. entende?
  • Emerson Luis  01/06/2015 19:53

    Se a Inglaterra, França e Alemanha saírem, a UE ficará como na história "A Revolta de Atlas"?

    * * *
  • Evandro Detran  18/06/2015 19:46
    Mais um golpe contra a União Européia que aos poucos vem perdendo coesão.


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