Os triângulos hayekianos e a estrutura do capital

A apresentação a seguir mostra o poder do PowerPoint para transmitir de forma clara o que ocorre com a estrutura da economia durante um ciclo econômico.

Consistentes com a teoria elaborada por Mises e Hayek sobre os ciclos econômicos, as análises gráficas da apresentação demonstram a inevitabilidade da recessão que se segue a uma expansão artificial da economia - além de mostrar por que uma expansão baseada na poupança não provocaria essa subseqüente recessão.

Na visão hayekiana, ao contrário da keynesiana, há um reconhecimento explícito do elemento 'tempo' na atividade econômica, o que leva a um ajuste entre meios e fins da produção e do consumo. Quando a taxa de juros é determinada livremente pelo mercado, a produção se mantém em linha com a disposição que as pessoas têm de poupar, o que permite um crescimento econômico sustentável. Por outro lado, uma interferência na taxa de juros de mercado - derrubando-a artificialmente para uma taxa menor e que estimule algum crescimento econômico - irá levar a economia para um caminho insustentável de crescimento. Essa insustentabilidade se manifesta nas fases de expansão (boom) e recessão (bust) do ciclo econômico.


        Apresentação de PowerPoint: 

        http://www.mises.org.br/files/audio/RogerGarrison.ppt


Observação: a apresentação, que inclui alguns efeitos sonoros (ligue suas caixas de som), foi planejada para rodar nas versões 2003 e 2007 do PowerPoint. Versões mais antigas irão executar insatisfatoriamente as animações, corrompendo a apresentação.

 

1 voto

SOBRE O AUTOR

Roger W. Garrison
é professor de economia da Universidade de Auburn, Alabama e um scholar adjunto do Mises Institute. É autor do livro Time and Money: The Macroeconomics of Capital Structure (Routledge, 2001).

Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque



"Não podemos ignorar o fato de que muitos governos protegem e subsidiam o produto nacional para torná-lo artificialmente competitivo."

Correto. "Artificialmente competitivo". Isso significa que algo só consegue ter um mínimo de competência caso chupe dinheiro de impostos de toda a população, a qual não ganha nada com isso, mas é obrigada a encher os bolsos de empresários mercantilistas, incompetentes e avessos à concorrência.

"Vejam o caso da Bombardier no Canada, que disputa mercado com a Embraer, que fez queixas formais à OMC."

E, ainda assim, a Embraer tem mais aviões que a Bombardier no mercado americano.

"A China subsidiou setores que ganharam mercado através da derrocada em outros países."

Quais mercados que foram dominados pelos chineses e que fizeram muita falta para outros países? Colocando de outra forma: esses mercados que os chineses dominaram por acaso são mercados tecnológicos, complexos e que geram riqueza e prosperidade, ou são mercado primitivos, tecnologicamente defasados e que não exigem nenhuma grande especialidade?

Até onde sei, chineses produzem pano, sapato e bugigangas de baixíssimo valor agregado. Isso leva alguém à pujança? Um país que deixou de fazer isso por causa dos chineses agora está irremediavelmente condenado ao atraso?

Por acaso cortar, entortar e rebitar ferro — tarefas que um xing-ling é capaz de executar a custos irrisórios — são coisas economicamente prementes para o país ou será que o governo quer que isso seja feito apenas para exibir estatísticas de produção industrial?

"Basta lembrar o que aconteceu com o setor textil e calçadista no Brasil."

Exatamente o que acabei de dizer acima. Em vez de nos preocuparmos com nanotecnologia, microprocessadores e outras atividades que realmente produzem riqueza, ainda estamos preocupados com pano e sapato, coisas completamente primitivas, que podem perfeitamente ser produzidas nos rincões mais atrasados do mundo.

Estude um pouco sobre divisão global do trabalho.

Comece por aqui:

Não há argumentos econômicos contra o livre comércio - o protecionismo é a defesa de privilégios

"Livre mercado é uma utopia irrealizável."

O que é realmente irrealizável é a inteligência econômica do brasileiro médio.
O artigo do André Lara já foi comentado pelo Leandro em duas ocasiões:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2578#ac189563

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2585#ac189561

Beira o inacreditável como é que um economista tão conceituado falou tamanha bobagem a respeito da política monetária americana. O André Lara simplesmente ignora como realmente se deu a política monetária americana. Foi impressionante.
Economistas do Banco Central do Brasil estão batendo palmas para este artigo publicado no Valor:
www.valor.com.br/cultura/4872458/andre-cochrane-e-teoria-fiscal-dos-precos

Gostaria de uma análise por parte do pessoal do Mises.

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VALOR ECONÔMICO -SP | EU E FIM DE SEMANA

BANCO CENTRAL | ECONOMIA, FINANÇAS E CONTAB.

André, Cochrane e a teoria fiscal dos preços (Artigo)

André Lara Resende publicou no Valor alguns artigos instigantes que estão gerando muita perplexidade e controvérsia. Para o grande público foi surpreendente e perturbador ler que "a hipótese neofisheriana, que vê no juro alto a causa da alta inflação no longo prazo (...) tem sólidas credenciais analíticas". Isto até encorajou o colunista Ancelmo Gois a brincar que o Banco Central vai ter que devolver os juros elevados que foram praticados no Brasil por tanto tempo.

Claro que não se trata disso! Apesar de o artigo se apresentar como uma crítica ao "conservadorismo intelectual", sua conclusão final é absolutamente conservadora: o trabalho de controle da inflação depende, em última instância, da confiança na sustentabilidade fiscal de longo prazo; sem isto, a política monetária estará sempre lutando uma batalha perdida.

A crítica de André ao conservadorismo parece resultar mais de um flerte com a doutrina neofisheriana, que se caracteriza por conclusões heterodoxas sobre a relação entre taxa de juros e inflação e por uma controversa teoria fiscal dos preços. Eduardo Loyo lembra que essas ideias têm apenas sobrevivido de forma marginal no corpo da ciência econômica, com seus resultados em total contraversão à opinião da maioria e ao senso comum.

Os neofisherianos dão muita importância à conclusão óbvia de que um regime monetário baseado em uma taxa de juros nominal fixa não produz uma âncora para a inflação. É possível ancorar a inflação quando se mantém o estoque total de moeda fixo, ou evoluindo a uma velocidade constante, como proposto por Milton Friedman. É possível também ancorar a inflação com uma taxa de câmbio fixa, como ocorria tradicionalmente nos regimes de padrão ouro. Não é possível, porém, ancorar a inflação apenas mantendo fixa a taxa nominal de juros.

Para demonstrar isso, considere a velha equação de Fisher, que na realidade é uma identidade que define a taxa real de juros:

Taxa nominal de juros = (taxa real de juros) mais (taxa de inflação)

Sabemos que a inflação aumenta quando a taxa real de juros cai. Imagine então que a taxa nominal de juros é fixa e ocorre um choque exógeno que aumenta a taxa de inflação. Pela identidade de Fisher, isso reduz a taxa real de juros, já que a taxa nominal permanece fixa. Como consequência, a taxa de inflação aumenta ainda mais, o que por sua vez produz uma redução adicional da taxa real de juros, e assim por diante. Ou seja, um regime monetário baseado numa taxa nominal de juros fixa não consegue ancorar a inflação. Qualquer choque exógeno produz uma trajetória explosiva, que tanto pode ser inflacionária como deflacionária.

É claro, porém, que nenhum banco central vai operar com uma taxa nominal de juros fixa, ainda que esta seja sua variável preferencial de controle. No mundo real, a ancoragem monetária é feita através de uma meta de inflação, com a autoridade monetária aumentando a taxa de juros quando a inflação fica acima da meta e reduzindo quando a inflação fica abaixo da meta, até que ocorra a convergência da inflação para a meta. Como consequência a ancora monetária não é uma taxa de juros nominal fixa, mas sim a própria meta de inflação. Nesse regime monetário, a taxa de inflação tende a ser igual à meta de inflação, que é a ancora efetiva. Quando isso ocorrer, a taxa nominal de juros terá seu valor determinado pela identidade de Fisher. Ou seja, no longo prazo a taxa nominal de juros não determina a taxa de inflação; ela é determinada pela meta de inflação!

O longo recente artigo de John Cochrane, citado por André, parece ser uma tentativa de relançar o neofisherianismo em bases técnicas mais respeitáveis. Cochrane sonha em ser uma espécie de Einstein da ciência econômica, afirmando que a experiência recente das economias avançadas com taxas de juros próximas de zero e taxas de inflação persistentemente abaixo das metas constitui-se numa espécie de experimento natural semelhante ao famoso resultado de Michelson-Morley, que foi o ponto de partida para a teoria da relatividade. Acontece que a teoria keynesiana moderna, que é utilizada por todos os bancos centrais, não encontra maior dificuldade para explicar os fatos.

Cochrane utiliza uma versão simplificada da teoria para demonstrar que, quando a taxa de juros de curto prazo é reduzida até zero, só existem duas possibilidades: ou a taxa de inflação volta a subir em direção à meta ou ocorre um processo ilimitado de deflação. Como nada disso teria ocorrido na experiência americana depois que a taxa de juros foi reduzida a praticamente zero ao fim de 2008, a conclusão é de que precisamos uma reformulação fundamental da teoria, e Cochrane sugere a alternativa da teoria fiscal dos preços.

Acontece que os números de inflação para os EUA estão longe de justificar o radicalismo de Cochrane. Em 2016 a taxa de inflação já convergiu, sim, para a meta do Fed de 2% ano. A taxa de núcleo do índice da Personal Consumption Expenditure, o PCE-core que costuma ser priorizado pelo Fed em suas decisões, também está subindo e chegou a 1,7% em 2016, ou seja, bem próximo da meta. Não é correto, portanto, dizer que a política monetária americana com taxa de juros próxima de zero não atingiu seu objetivo de colocar a inflação na meta.

Pode-se argumentar que parece ter demorado muito para conseguir isso? Na realidade não houve tanta demora. Entre 2011 e 2013, a inflação média do IPC americano ficou em 2,1%, com oscilação entre 1,5 e 3%, já perfeitamente compatível com a meta de 2%. No mesmo período, a média para o PCE-core ficou em 1,5%, com oscilação entre 0,9 e 1,7%, um pouco abaixo do IPC, mas nada muito dramático. Deve-se notar que nesses anos havia uma taxa de desemprego na faixa de 7 a 9%, o mercado imobiliário continuava em crise e as famílias provavelmente ainda estavam reduzindo suas despesas pessoais para ajustar seus endividamentos. Logo existiam forças importantes operando no sentido de impedir a elevação da taxa de inflação.

O quadro realmente mudou em 2014 e 2015, quando a inflação caiu abaixo de 1%. Essa desaceleração ocorreu junto a gradual eliminação do relaxamento quantitativo (QE), portanto em princípio com um aperto na política monetária, mas esta não nos parece ser a melhor explicação. O fator determinante foi uma brusca queda nos preços internacionais de commodities, com a cotação do petróleo Brent, por exemplo, caindo cerca de 70% entre meados de 2014 e fim de 2015. Os economistas da tradição de Chicago acreditam tanto em flexibilidade de preços que costumam não levar em consideração choques exógenos desse tipo. Se olharmos, porém, para as variações fortemente negativas do IPC Energia em 2014 e 2015 (menos 10,6% e menos 12,6%), fica claro que este foi um determinante importante da desaceleração inflacionária no período. Em 2016 alguns preços internacionais de commodities voltaram a subir (como 40% para o petróleo e 20% para os metais), o que certamente contribuiu para a elevação da taxa de inflação.

Ou seja, desde 2009 a política monetária americana foi efetivamente expansionista, ainda que diversos fatores tenham contribuído para um retorno relativamente gradual em direção à meta. Fica claro que estamos longe de um resultado paradoxal, tipo Michelson-Morley, que justifique alguma revolução teórica. Talvez o único conhecimento novo relevante que resultou da experiência americana com relaxamento quantitativo (QE) é que uma redução significativa das taxas longas de juros, que foi sua principal consequência, tem pouco impacto sobre o nível de atividade. Isto sugere que Keynes estava errado quando discordava de Hawtrey sobre a maior relevância das taxas curtas de juros para a política monetária.

Faltou comentar a tese de Cochrane sobre a possibilidade de deflação ilimitada quando a política monetária atinge a restrição do piso zero, o que talvez seja relevante para a economia japonesa. Pode acontecer que um banco central operando uma meta de inflação seja levado a reduzir a taxa nominal de juros até zero sem que consiga levar o nível de atividade a uma posição suficiente para reverter uma tendência generalizada à deflação dos preços. Isto ocorreria devido a uma configuração muito desfavorável da relação entre investimento e poupança. Uma economia com muita poupança e pouco investimento, que talvez seja o caso do Japão atual, pode produzir uma situação de desequilíbrio de longa duração com inflação cadente ou negativa.

Devido ao piso zero, a economia não consegue sair da posição deflacionária apenas através da política monetária e vai depender para isso de um estímulo fiscal. O fato de que uma situação desse tipo, como parece acontecer de forma crônica no Japão (particularmente quando olhamos o índice de preços empresarial), produz apenas uma deflação de intensidade limitada e indica apenas que a relação entre inflação e nível de atividade (representada pela curva de Phillips) não é linear e pode ter inclinação muito próxima de zero na região de taxas de inflação negativas. Isso é compatível com a velha noção keynesiana de que é difícil produzir deflações na prática.

Resta ainda entender o que pretende a teoria fiscal dos preços. A melhor explicação foi apresentada por Harald Uhlig no seminário sobre o assunto realizado em abril no Becker Friedman Institute da Universidade de Chicago. Uhlig, curiosamente, comenta que, entre outras possibilidades, a teoria fiscal dos preços talvez possa ser vista como "um conjunto de previsões que ocasionalmente funcionam em circunstâncias exóticas", e adiciona entre parênteses (Brazil?).

Sua explicação é muito simples. Se usarmos B para indicar o valor nominal da dívida pública e P para indicar o índice de preços de bens e serviços, então B/P indica o valor real da dívida. Os agentes privados que detêm esses títulos públicos esperam que eles possam ser pagos através da geração de superávits primários no futuro. Então para que se sintam confortáveis é necessário que o valor presente desses superávits futuros, que podemos indicar por VPS, seja igual ao valor real da dívida, ou seja, B/P = VPS. Isto pode ser visto como uma espécie de condição de arbitragem e podemos perguntar o que acontece se o governo aumenta sua dívida sem aumentar também o valor presente dos superávits futuros. Neste caso, B/P fica maior que VPS e, num mundo de preços plenamente flexíveis e expectativas racionais, o desequilíbrio será corrigido por um aumento no nível de preços. Ou seja, P aumenta de modo a que novamente B/P = VPS. Podemos concluir então que a taxa de inflação, que é a taxa de variação percentual de P, vai ser determinada pela diferença entre as taxas de variação percentual da dívida B e do valor presente dos superávits futuros VPS. Essa é a teoria fiscal dos preços, que se pretende uma explicação radicalmente nova para a inflação, sem qualquer menção a conceitos tradicionais como curva de Phillips, taxa de desemprego, investimento e poupança ou taxa de juros.

A teoria tem um defeito óbvio: não fica claro qual é o mecanismo de mercado que produz o movimento do índice de preços quando B/P difere de VPS. Não há dúvida de que se todos os carregadores da dívida pública chegarem à conclusão de que o valor presente dos superávits futuros não representa lastro adequado para esses títulos, isto é, B/P maior que VPS, então cada um deles vai tentar reduzir sua posição. Mas como isso afeta o índice de preços de bens e serviços?

Parece mais razoável supor que o impacto será no mercado secundário de títulos da dívida pública, o que sugere que está faltando algo na equação básica da teoria. O que está faltando é a relação entre o valor nominal ao qual a dívida foi emitida pelo governo, que estamos indicando por B, e seu valor no mercado secundário, que podemos indicar por zB, sendo z um fator de desconto. Se escrevemos a teoria fiscal dos preços como zB/P = VPS, então parece mais razoável supor que um desequilíbrio entre zB/P e VPS vai ser ajustado não por movimentos no índice de preços, mas por movimentos no fator de desconto para a dívida pública, indicado por z. Como esse fator está inversamente relacionado à taxa de juros de longo prazo, a conclusão é de que a teoria fiscal de preços não é uma nova teoria para a inflação, mas apenas uma teoria fiscal da taxa longa de juros.

Veja, porém, que realmente existe um caso exótico em que a teoria fiscal dos preços pode funcionar! É o caso em que a totalidade da dívida pública consiste de papéis ligados à taxa de juros overnight, como acontece com as LFTs no Brasil (que, aliás, foram inventadas pelo próprio André!). Neste caso, o fator de desconto para a dívida pública será sempre igual a um, por definição, e voltamos à formulação B/P = VPS, que viabiliza a teoria. Naturalmente, isso não significa que esteja garantida sua relevância prática no mundo real, fora dos modelos de preços totalmente flexíveis e expectativas racionais. Significa apenas que Uhlig tinha razão ao especular que a teoria fiscal dos preços poderia em tese funcionar em circunstâncias exóticas, como no Brasil das LFTs.

Francisco Lafaiete Lopes é PhD por Harvard, sócio da consultoria Macrométrica e ex-presidente do Banco Central (BC)

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Euler Santos  09/09/2009 10:15
    Achei muito útil e de fácil interpretação a apresentação de powerpoint e as explicações a respeito dos ciclos econômicos baseados nas teorias hayekiana e keynesiana. Pra mim, que,como leigo busco informações para entender os motivos que levaram o mundo à crise economica mundial americana "exportada" para o mundo inteiro, já dei o primeiro passo para entender. Até o final dos outros artigos a respeito, que certamente irei acompanhar, tudo vai ficar ainda mais claro.
  • Andre Poffo  28/10/2011 00:47
    Sensacional, muito útil mesmo.
  • Samuel  12/02/2012 19:54
    Caro Roger,

    Gostaria de entender o primeiro gráfico FPP (Fronteira de Possibilidade de Produção). Ao meu entender, pelo fato de um agente optar entre "Poupar" e/ou "Consumir", o mesmo está se deparando em uma situação de duas variáveis de primeiro grau, matematicamente falando. Nenhuma das variáveis é elevada ao quadrado, ou seja, nenhuma dela é multiplicada por ela mesma. Portanto, é errado utilizar um Semi-círculo para expressar a FPP, o ideal seria uma Reta. Exemplo:

    Um sujeito possui $ 10,00. Se ele depositar $ 8,00 no banco e gastar $ 2,00 de chicletes, balas, picolés etc... poderá gerar um ponto X no gráfico. Mas se ele depositar $ 5,00 no banco e gastar $ 5,00 num lanche, poderá gerar outro ponto Y no gráfico. Mas se ele gastar tudo, vai gerar um ponto Z. Todos os pontos unidos traçarão uma Reta, e é essa reta que representa com mais precisão a FPP.

    Esse foi o meu entendimento. Gostaria de saber se eu entendi realmente o conceito de FPP. Se eu estiver errado, talvez a apresentação foi simples demais e omitiu certas variáveis. Seu eu estiver certo, fica a dica para a alteração na apresentação, para não correr o risco de um keynesiano venha a encher o saco.
  • Leandro  13/02/2012 01:14
    Prezado Samuel, a fronteira de possibilidade de produção não é uma invenção da Escola Austríaca, mas sim um conceito amplamente utilizado pela economia mainstream. Tudo que o autor Roger Garrison fez foi se aproveitar deste conceito e explicar a teoria da escola austríaca baseando-se nele.

    Especificamente sobre a equação, sim, trata-se de uma equação de primeiro grau com três variáveis. Sim, a representação gráfica deve ser uma reta. Porém, a teoria mainstream faz uma "forçação de barra" e transforma a reta em uma seção de círculo, cuja curva representa todas as possibilidades de produção que podem ser atingidas com o incremento de recursos e tecnologias existentes.

    Quando a economia opera dentro da curva, ela está operando com capacidade ociosa (fatores de produção sub-utilizados). Quando a economia está fora da curva, há uma situação impossível, na qual se está utilizando mais recursos do que os disponíveis. Para se atingir ponto, seria necessário haver um incremento nos fatores de produção, o que representaria um desenvolvimento da sociedade.

    Concordo, é bem forçado transformar uma reta em uma seção de círculo. Mas não reclame com o Roger Garrison, que apenas tentou adaptar a teoria austríaca ao linguajar do mainstream; reclame com os proponentes da teoria mainstream.

    Abraços!
  • Antonio Galdiano  12/09/2012 12:55
    Boa tarde,\r
    \r
    Sou aluno de economia de uma tradicional escola mainstream no interior paulista e não cheguei a ver os slides ainda, mas com relação ao arredondamento da FPP não acredito que haja nada de errado com essa ilustração matemática. Não se trata de especificar exatamente qual o formato da curva como algo do tipo x²+y²=R² / x,y>0\r
    É, na verdade, um reconhecimento de que em uma economia em que dentre 2 bens (usados para simplificação), caso todo o esforço produtivo estivesse direcionado para a produção de um único bem e houvesse o interesse de se produzir o outro bem, as unidades produtivas iniciais direcionadas ao novo bem são relativamente mais produtivas a este novo bem que ao bem que era fabricado anteriormente. Isso indica que os profissionais contratados tenderão a ser os que possuem melhor relação (produtividade na produção do novo produto)/(produtividade na produção do velho produto). É uma evidente simplificação da realidade para indicar que o custo de oportunidade da produção de um bem que a sociedade já sabe produzir mas que por algum motivo não produz é menor que o custo de oportunidade de um nível de produção mais alto.\r
    Soa muito blá blá blá, mas faz sentido econômico. Imagine que a sociedade produza bandeiras (bem 1) e todos os demais bens (esquematizado como bem 2). A medida que se aproxima da copa de 2014, é natural entendermos que a produção de bandeiras do Brasil aumente em decorrência do aumento da demanda. Segundo o formato geométrico da FPP, a economia tenderá a contratar aqueles que produzam melhor bandeiras que os demais bens, de forma que a produção de bandeiras crescerá mais que o decréscimo da produção dos demais bens. Obs1: O limiar da FPP indica que todos os fatores produtivos estão sendo usados. Obs2: Reforço que ainda não vi os slides mostrados. Ou seja, existe sim sentido econômico nisso, mas isso não quer dizer que a ilustração capture exatamente a realidade, entendeu? Se você tiver a boa vontade de entender a matemática como linguagem, e não como determinismo/positivismo, também pode ser desenvolvida nessa forma. Os "triângulos" hayekianos são uma demonstração disso.
  • Leandro  12/09/2012 13:03
    Então você certamente irá gostar do PowerPoint, que utiliza abundantemente as fronteiras de possibilidade de produção.
  • Antônio Galdiano  12/09/2012 19:20
    Excelente trabalho este. Realmente ilustrativo. E ninguém pode reclamar: dá pra desenhar? Mais explícito que isso só o livro mesmo. Mas quem ficar com as ilustrações já está bem servido.
  • Antônio Galdiano  14/09/2012 09:44
    Sobre o que escrevi acima sobre o formato arrendondado da curva FPP (acredito não ter sido suficientemente claro), nada mais é que uma interpretação da teoria da vantagem comparativa de David Ricardo. Espero ter sido mais claro agora para quem já conhece o conceito.\r
    E fica a sugestão para quem não conhece a teoria realmente buscar aprendê-la. Essa foi a teoria que melhor capta o espírito de solidariedade de toda economia. Particularmente, fico até emocionado só de relembrar. Até mesmo o homem com menor capacidade produtiva absoluta em todo o universo poderá ter uma contribuição para humanidade simplesmente ao viver sua vida com decência. Resumindo, esse é um conhecimento que nenhum homem de bem deveria viver sem conhecer.
  • Henrique  30/11/2015 14:12
    Creio que esteja alguns anos atrasados, mas encontrei hoje a resposta para essa indagação.

    O semicírculo nada mais é do que uma simplificação. A FPP pode assumir o formato de qualquer curva côncava Y diferenciável até segunda ordem, desde que Y' 0 e y > 0 satisfaz essas condições. Uma reta também satisfaz.

    Essa concavidade decorre do que é conhecido como inadaptabilidade de recursos. Suponha que em um dado momento, a economia esteja dimensionada para a produção latinhas de alumínio (bem de consumo). Redirecionar a produção de latinhas para a construção de tubos de alumínio de aplicação industrial (bem de capital) não é um processo de custo zero. Logo, a capacidade atual de produzir R$ 1000 em latinhas pode não resultar na capacidade de transformar a produção em um equivalente a R$ 1000 em tubos.

    Dessa forma, a função de trade off entre ambas não será uma reta, nem necessariamente um semicírculo, mas uma curva côncava qualquer.

    Tudo isso é explicado pelo que é conhecido como Lei dos Retornos Decrescentes (também conhecida como Lei dos Custos de Oportunidade Crescentes.

    Essa lei nos diz que se um insumo de produção de uma commodity é aumentado enquanto todos os outros se mantêm fixos, eventualmente será alcançado um ponto no qual adições daquele insumo irão gerar menores - ou queda nos - aumentos da produção, ou seja, a produtividade marginal daquele recurso diminui a medida que mais recursos são adicionados. Com isso, o custo de oportunidade daquele(s) processo(s) é cada vez maior.
  • Julio dos Santos  31/07/2012 09:49
    Sensacional! Aprendi mais ensinamentos úteis neste PowerPoint do que uma pós-graduação keynesiana! Grato IMB!
  • Neto  12/09/2012 03:30
    Não sei se o problema é aqui, mas o quarto slide parece ter um defeito
  • Leandro  12/09/2012 12:16
    Prezado Neto, como se trata de uma apresentação de PowerPoint, você tem de ativar o método da "apresentação de slides" (é só pressionar F5). Tudo funcionará perfeitamente.

    O quarto slide aparenta estar "embaçado" quando visualizado fora da apresentação porque ele é um slide de transição. Assista em modo de apresentação (aperte o F5) e você verá tudo fluir perfeitamente.

    Abraços!
  • Vicente  10/12/2012 12:49
    Finalmente vou conseguir entender Prices and Production

    Valeu Roger Garrison e Mises.org
  • Juno  14/01/2013 13:51
    Não estou conseguindo baixar a apresentação. Quando tento, aparece o erro "The resource you are looking for has been removed, had its name changed, or is temporarily unavailable".
  • Rafael Muscari  29/01/2013 21:05
    Ta quebrado o link do power point.. por favor se possivel arrumar, aguardo contato.
    Estou no "avise-me por email sobre novos comentarios enviados neste artigo"
  • Leandro  30/01/2013 03:57
    Corrigido. Obrigado pelo alerta.
  • Rafael Muscari  30/01/2013 20:21
    eu que agradeço!
  • Emerson Luis, um Psicologo  25/12/2013 09:59

    Explicação e slide espetaculares!

    * * *
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  17/03/2015 22:53
    Correto.
  • Peterson Jose Medeiros Ribeiro  19/12/2016 21:44
    Alguns outros ensinamentos da escola Austríaca através do Power Point?


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