Democracia, crises, intelectuais e falsa oposição - as armas do estado e o papel dos libertários

Democracia, quando a tirania inicia a sua eternização

A democracia criou praticamente todas as ditaduras do mundo.  Não é de hoje que isso acontece e não é à toa que boa parte das piores ditaduras carrega palavras derivadas de "democracia" no nome. 

Por exemplo, a Coreia do Norte se chama República Democrática Popular da Coreia; o Camboja na época do Pol Pot se chamava Kampuchea Democrático; a Alemanha Oriental se chamava República Democrática da Alemanha, e p Laos se chama República Democrática Popular Lau.

Em suma, geralmente um país com alguma alusão à democracia no nome está muito longe de ser um país livre.

A palavra democracia é enganosa. Ela não nos garante a liberdade e nem a proteção dos nossos "direitos". Pelo contrário, é ela quem vai sepultá-las de vez.

Não é necessário voltar muito no tempo para perceber isso. A escolha da maioria ou a eleição daqueles que mais obtiveram votos nunca foi o meio mais eficiente de garantir os direitos dos indivíduos numa sociedade.  Colocar nas mãos de uma população a escolha de um governante não é muito diferente de um grupo de escravo escolher o seu capataz.[1]

O que acontece exatamente quando temos uma democracia?  Nada mais do que a violação, agora legalizada, ao direto à propriedade privada feita por uma maioria sobre uma minoria. Uma parcela da população irá querer que a outra pague por seus estudos, por seus tratamentos médicos, por sua segurança, por seus transportes, por seus subsídios, por seu assistencialismo e assim por diante.

Como explicou Hans-Hermann Hoppe:

Dado que o homem é como ele é, em todas as sociedades existem pessoas que cobiçam a propriedade de outros.[...] 

Quando a entrada no aparato governamental é livre, qualquer um pode expressar abertamente seu desejo pela propriedade alheia.  O que antes era considerado imoral e era adequadamente suprimido, agora passa a ser considerado um sentimento legítimo.  Todos agora podem cobiçar abertamente a propriedade de outros em nome da democracia; e todos podem agir de acordo com esse desejo pela propriedade alheia, desde que ele já tenha conseguido entrar no governo.  Assim, em uma democracia, qualquer um pode legalmente se tornar uma ameaça.

Consequentemente, sob condições democráticas, o popular — embora imoral e anti-social — desejo pela propriedade de outro homem é sistematicamente fortalecido.  Toda e qualquer exigência passa a ser legítima, desde que seja proclamada publicamente.  Em nome da "liberdade de expressão", todos são livres para exigir a tomada e a consequente redistribuição da propriedade alheia.  Tudo pode ser dito e reivindicado, e tudo passa a ser de todos.  Nem mesmo o mais aparentemente seguro direito de propriedade está isento das demandas redistributivas. 

Pior: em decorrência da existência de eleições em massa, aqueles membros da sociedade com pouca ou nenhuma inibição em relação ao confisco da propriedade de terceiros — ou seja, amorais vulgares que possuem enorme talento em agregar uma turba de seguidores adeptos de demandas populares moralmente desinibidas e mutuamente incompatíveis (demagogos eficientes) — terão as maiores chances de entrar no aparato governamental e ascender até o topo da linha de comando.  Daí, uma situação ruim se torna ainda pior.

Isso explica o porquê de os partidos declarados de esquerda terem obtido sucesso nas eleições.  A bandeira da esquerda sempre foi essa e os partidos que se dizem de "direita" acabam abraçando boa parte dos programas da esquerda para conseguir votos.

A prova disso é que não são raros os direitistas que hoje adotam as propostas de F.A. Hayek e Milton Friedman apenas para isso.[2]

A crise amiga

O que acontece hoje?

Não é um cenário muito diferente do que ocorreu após o crash de 1929 e a consequente Grande Depressão.  Crises sempre fazem com que muitas pessoas se convençam de que políticas autoritárias, medidas antimercado e confisco de propriedades privadas sejam a solução.  As crises sempre são estranhamente prolongadas e não seria surpreendente se fosse de propósito.

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"Por que você não pode dar um emprego ao meu pai?" Certamente a resposta certa seria "Porque o governo não deixa."
No entanto, não há como provar isso, ainda que se possa mostrar premissas que evidenciem tal suspeita.  A maioria da população em si sempre é instruída a cobrar algo do governo e sempre olha para os mais bem sucedidos com um ar de inveja achando que os bem sucedidos devem obrigatoriamente colaborar mais com a "sociedade".

Quando ocorre uma crise econômica os mais pobres sempre são os mais atingidos, e, ao ver os mais ricos menos atingidos e ainda demitindo seus empregados, a esquerda acaba se aproveitando da situação.

Não é difícil entender a estratégia da esquerda nessa parte. Primeiramente, em qualquer sociedade, os mais ricos compõem uma minoria numérica por serem os empregadores dos mais pobres, que são a maioria.  Em seguida, basta gerar uma crise. Mas como gerar?

O estado tem uma arma e tanto para isso: o monopólio da moeda.  Dado que o dinheiro representa a metade de toda a qualquer transação econômica, qualquer manipulação do dinheiro pode gerar crises.  E, com o monopólio sobre a moeda garantido, o governo tem o virtual controle da economia.

Vamos supor que o governo gere uma crise de inflação: a inflação nada mais é do que uma expansão monetária — ou seja, um aumento da quantidade de dinheiro. O governo não pode simplesmente distribuir o dinheiro para a população, mas ele pode colocar esse dinheiro na economia utilizando o sistema bancário — que irá conceder empréstimos a pessoas e empresas — ou incorrendo em déficits orçamentários que também são financiados por empréstimos bancários.

Com esse aumento da oferta monetária, o valor de cada unidade monetária cai, e os preços e custos sobem.  Quem percebe isso é quem oferta o bem, o empresário, o empregador, o capitalista.  Ao perceberem o aumento da oferta monetária, os empresários aumentam o preço dos produtos que ofertam para evitar a escassez dos mesmos, e o nome dado isso é remarcação dos preços. Nessa hora o governo acaba colocando toda a população contra os empresários, acusando-os de "abusadores", "ladrões" e outros adjetivos pouco elogiosos.

Isso aconteceu no Brasil durante a gestão do presidente José Sarney com o fracassado Plano Cruzado, quando foram convocados os "fiscais do Sarney". Os fiscais do Sarney (os próprios clientes) basicamente denunciavam os aumentos "abusivos" de preços e a Sunab (Superintendência Nacional do Abastecimento) se encarregava de multar e fechar a lojas e ainda chamar a polícia para prender os funcionários e os gerentes.

O Brasil da Era Sarney em pouco diferia da Venezuela de Chávez e Maduro, apesar de a Venezuela enfrentar uma ditadura por muito mais tempo.

Outra forma de gerar uma crise é pela expansão de crédito para populares. Mises observou que, com o surgimento dos bancos, surgia a expansão do crédito sem um equivalente aumento da poupança, pois os bancos podem simplesmente criar dinheiro do nada.

Mises afirmou que o "pai da expansão de crédito foi o banqueiro e não a autoridade pública", e continuou:

Hoje, entretanto, a expansão de crédito é exclusivamente uma prática governamental. A participação dos bancos e banqueiros privados na emissão de meios fiduciários [o dinheiro criado pelos bancos] é subalterna e limitada a aspectos técnicos. São os governos que comandam o funcionamento da atividade bancária; são eles que determinam as circunstâncias de todas as operações creditícias.

Enquanto os bancos privados, no mercado não obstruído, têm a sua capacidade de expandir o crédito estritamente limitada, os governos procuram expandir ao máximo o volume de créditos injetados na economia. A expansão do crédito é a principal ferramenta do governo na sua luta contra a economia de mercado. É a varinha de condão que trará a abundância de bens de capital, que diminuirá a taxa de juros ou a abolirá de uma vez por todas, que financiará o desperdício dos gastos públicos, que expropriará os capitalistas, que conseguirá promover o boom permanente e tornar prósperas todas as pessoas.

A Grande Depressão surgiu com a expansão de crédito mais diversas outras medidas inflacionárias, e se agravou ainda mais com diversos programas intervencionistas que dificultaram a abertura de empresas e criação de empregos, o que, por consequência, provocou o fechamento de diversas empresas e demissões em massa.

Intelectuais e o controle das massas

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Da esquerda para direita em sentido horário: Marilena Chauí, Juca Kfouri, Emir Sader e Leonardo Sakamoto. Exemplos de intelectuais a serviço de defender o estado
Agora, vamos a uma outra questão: como convencer a multidão de incautos e desavisados?

Vamos pensar em um ambiente em que esse povo tenha de necessariamente ler e absorver informações.  O estado não quer que as pessoas absorvam os valores da família e de escolas independentes, não credenciadas pelos burocratas MEC.  Logo, a primeira coisa que ele fará é obrigar os pais a colocarem os seus filhos crianças na escola (credenciada pelo MEC) e proibi-las de trabalhar.  

A segunda fase é escolher o material que será estudado.

Obviamente não haverá tanta doutrinação na matemática e nas ciências naturais e exatas, mas haverá muita nos estudos sociais e história. Os autores escolhidos serão os que mais defendem o estado. Geralmente serão os que possuem forte influência de Marx e seus influenciados (Lukács, Adorno, Marcuse, Gramsci etc) e mais os iluministas franceses (principalmente Montesquieu, Rousseau, Robespierre, etc) e influenciados (Deleuze e Foucault).

A doutrinação nas instituições de ensino está formada, mas não é o suficiente. É necessário espalhar na mídia: televisão, jornais, revistas, rádio, internet etc.

Em ditaduras declaradas, como na China de Mao, estatizar todos os veículos de comunicação foi o suficiente, assim como na Coreia do Norte.  No entanto, na América Latina, como há uma democracia, a liberdade de faz-de-conta é necessária. É necessário formar pessoas que formam opiniões.  Consequentemente, o estado contrata os intelectuais.

O papel do estado é esse: formar intelectuais para disseminar opiniões favoráveis a ele mesmo. Provar que a melhor solução para um problema que jamais existiria sem o estado é o próprio estado. Rothbard explica:

É evidente por que o estado precisa de intelectuais; mas não é algo tão evidente por que os intelectuais precisam do estado. Posto de forma simples, podemos afirmar que o sustento do intelectual no livre mercado nunca é algo garantido, pois o intelectual tem de depender dos valores e das escolhas das massas dos seus concidadãos, e é uma característica indelével das massas o fato de serem geralmente desinteressadas de assuntos intelectuais.

O estado, por outro lado, está disposto a oferecer aos intelectuais um nicho seguro e permanente no seio do aparato estatal; e, consequentemente, um rendimento certo e um arsenal de prestígios. E os intelectuais serão generosamente recompensados pela importante função que executam para os governantes do estado, grupo ao qual eles agora pertencem.

A partir daí, o pensamento favorável ao estado começa a ser cada vez mais consolidado. O estado patrocina esses intelectuais para que eles o defendam mesmo que seja da maneira mais refutável e ridícula possível.

Esses intelectuais fazem verdadeiras apologias ao crime, defendendo aumento de impostos, censura (para defender a "regulação da mídia" usarão de diversos tipos de preconceito, "discurso de ódio", "terrorismo eleitoral" etc.), violações de propriedade (expropriação, movimentos terroristas como o Movimento dos "Trabalhadores" Sem-Terra, etc.) e até mesmo que a população seja proibida de garantir a própria segurança (desarmamento civil).

Eles não hesitarão em mentir também, dizendo que as crises são solucionadas pelo estado e que apenas ele pode prover certos bens como hospitais, escolas e serviço judiciário.

A falsa oposição

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Jair Bolsonaro e Marco Feliciano: juntos eles criaram mais esquerdistas do que todos os militantes do PT juntos.
Quando se estabelece o controle estatal sobre a mídia — que pode ser na base da força bruta como na Venezuela ou em forma de agrado, como são as concessões no Brasil —, o estado passa a criar um falsa oposição. Intelectuais que podem até atacar o governo da situação, mas sempre de maneira caricata.  E, que o ataque seja mais agressivo, ele ainda assim defenderá uma forma de estado, e nunca muito diferente do governo da situação.

Criar uma oposição para fortalecer a situação não é uma ideia nova. O estado sempre consegue se fortalecer mesmo que seja criando uma falsa oposição.  Sempre surgirão pequenas aberrações que acabam justificando, por parte do governo da situação, um meio de se fortalecer na opinião pública.

No caso de um governo de esquerda, como acontece no Brasil, podemos citar os defensores do Regime Militar, que acabam servindo de propaganda negativa, já que são claros defensores de uma suposta ditadura "de direita", que de direita não tinha absolutamente nada.

Em um simples parágrafo Mises explicou bem:

Um movimento 'anti-qualquer-coisa' demonstra uma atitude puramente negativa. Não tem a menor chance de sucesso. Suas críticas acerbas virtualmente promovem o programa que atacam. As pessoas devem lutar por algo que desejam realizar e não simplesmente evitar um mal, por pior que seja.

O papel dos libertários militantes

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Murray N. Rothbard, exemplo de libertário militante.
O libertário é aquele que é partidário da liberdade, ou seja, defensor do direito natural à propriedade privada e, consequentemente, aquele que condena a sua violação. Porém, são poucos os que participam de militâncias. Ao contrário dos militantes de esquerda ou direita, os libertários não recorrem a agressões e vandalismo. A preferência sempre será pela militância acadêmica, com artigos, palestras, publicações de livros e financiamentos de projetos que podem ajudar a fugir da agressão estatal.

Podemos dizer que o libertário militante utiliza um meio parecido com aquele que o estado usa, mas com diferenças cruciais. 

A primeira é que ele não usa recursos obtidos por meios criminosos. Ao passo que o estado sempre financia os seus intelectuais com dinheiro roubado devido à sua incapacidade de gerar riquezas, os libertários se financiam com o suor do próprio rosto.

Outra diferença é que o libertário tem a realidade a seu favor. Apontar falhas do estado é facílimo, já os intelectuais do estado precisam inventar estatísticas mirabolantes, fazer malabarismo argumentativo ou simplesmente inventar uma mentira que servirá de desculpa.  No entanto, contra o libertário há o poderoso arsenal de marketing do estado.  E esse é muito forte.

Ainda assim, mesmo com o poderoso marketing estatal — que conta com recursos virtualmente infinitos — jogando contra, o libertarianismo tem crescido muito. A própria propaganda negativa por parte da massa de manobra (os famosos idiotas úteis) tem ajudado.

O problema é que o financiamento de atividades não ligadas à propaganda negativa ainda faz gerar muitos estatistas.  Mas é visível que, quando a crise de um governo se torna insustentável, os próprios libertários militantes têm se apressado em apontar as grotescas falhas que geraram tais crises.  Ainda existem os extremo-esquerdistas que acreditam que a solução é o governo controlar tudo, mas as fracassadas experiências de governos comunistas denunciam a sua ignorância.

Está cada vez mais evidente para os incautos que a liberdade é a solução e que apenas uma sociedade livre, sem o governo atrapalhando e com total respeito à propriedade, é que gera a prosperidade e a paz. Não basta a liberdade ser um fim. A sua defesa deve ser o meio.



[1] Claro que me inspirei no grande anarco-individualista Lysander Spooner que escreveu:

"A man is none the less a slave because he is allowed to choose a new master once in a term of years."

"Um homem não é menos escravo só porque pode escolher um novo mestre a cada mandato." em tradução livre.

Lysander Spooner; No Treason: The Constitution of No Authority (Boston, 1867), p. 24

 

[2] Hayek e Friedman na verdade sempre foram social-democratas. O próprio Mises chamou ambos e toda a Sociedade Mont Pelerin de "um bando de socialistas".  (Ver aqui em artigo e aqui em vídeo).


1 voto

SOBRE O AUTOR

Luciano Takaki
é economista, praxeologista, libertário radical e colunista do Instituto Liberal.
 


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Helder Campos  12/03/2015 15:12
    Ontem mesmo tive uma discussão que vai exatamente nesta linha, exceto que muito menos elaborado que este artigo. Parabens, Luciano Takaki.

    Eu gostaria de comentar à respeito da "falsa oposição", especialmente do exemplo do Dep. Jair Bolsonaro. Não tenho o intuito de defender politico algum, mas fui tomado de surpresa quando o vi utilizado como fomentador do estadismo. Mais ainda porquê hoje o considero um dos poucos a ocupar cargos eletivos que possui ideais próximos ao do libertarianismo. Minha perplexidade está na seguinte dúvida "será que estou sendo ludibriado e apoiando o inimigo?"

    Entendo quando diz que só ele já criou mais esquerdistas do que qualquer militante de esquerda. As situações polêmicas, seus posicionamentos, suas frases são um prato cheio para quem quiser, ao descontextualizar, fortalecer a imagem de nêmesis e e de "é contra isso que a iluminada esquerda luta".

    Mas me parece desesperançoso ver que não existe sequer o menor sinal de oposição atualmente e que estamos sendo conduzidos da maneira que o estado bem entende. Gostaria que, se possível, elaborasse um pouco mais a questão da falsa oposição. Ou o melhor, o que ou quem, a seu ver representa alguma oposição. Pergunto isso dentro da esfera institucional, dentro dos cargos eletivos, pois acredito que ao discutirmos, elaborarmos e estudarmos as idéias do libertarianismo, somos nós a verdadeira oposição - pequena ainda e com um trabalho homérico pela frente.

    Um Abraço,
    Helder Campos
  • Barbalho  12/03/2015 15:22
    Bolsonaro pediu o fuzilamento de FHC. Por quê? Porque ele privatizou a Vale e, com isso, "vendeu o patrimônio nacional".



    E recomendo também este curto texto, que sintetiza bem as coisas:

    veja.abril.com.br/blog/cacador-de-mitos/2015/03/04/a-direita-que-e-de-esquerda-e-vice-versa/
  • Aaron  12/03/2015 15:40
    O Bolsonaro é da velha guarda militar. Isso quer dizer que sim, ele é bem estatista (falou que FHC deveria ser fuzilado pelas privatizações que fez), afinal os militares criaram milhões de estatais e obras faraônicas (Geisel vem à memória).

    Por outro lado, como conservador que é (e um dos pouquíssimos parlamentares que tem a coragem de defender sua bandeira em qualquer situação e que tem a ficha absolutamente limpa há seis mandatos), representa uma enorme e latente dor de cabeça aos progressistas e demais imbecis de esquerda ao denunciar a agenda esquerdista em toda e qualquer oportunidade. Isso inclui: assistencialismo (voto de cabresto), gayzismo (gays querendo impor a todos que ser gay é legal, saudavél, desejável e que ninguém pode ensinar a seu filho que ser bicha é errado- visão claramente estatista, pois currículos são feitos pelo Estado), cubanização e venezuelização do Brasil através do Foro de São Paulo, etc. e é um dos únicos, se não o único, a denunciar a esquerda como ela verdadeiramente é: viúvas da URSS e comunistas, ainda que sob roupagem "progressista" e "gramsciana". Não conheço outro parlamentar que condene de forma tão clara a esquerda e o comunismo enrustido dela.

    Além disso, ele defende de forma intransigente o direito à livre propriedade de armas e ao livre direito de proteger sua propriedade de delinquentes. Nada de chororô tucano de "direitos humanos" ou de fascismo esquerdista de "o bandido é a vítima". Se um pivete ou assaltante vem violar sua propriedade e seu ser, Bolsonaro (e aqui ele também é minoria absoluta) defende que você pode usar de todo e qualquer meio para defender sua propriedade. Compare isto com Maria do Rosário, Benedita da Silva e outros fdps que usam a velha tatica fascista de inverter valores e culpar a vítima, colocando o agressor como vítima.

    As idéias economicas dele deixam muito a desejar; por outro lado, num Congresso onde só existe esquerdistas declarados, esquerdistas enrustidos que tem medo de fazer o certo (PSDB até hoje em dia faz nas calças e nega ser "neoliberal") e ladrões que se prostituem ao som do gigolô da vez (PMDB e PP, por exemplo), é sensacional ver o quanto ele incomoda e atrapalha os esquerdistas no governo. Além disso, para os conservadores, se não no campo econômico, no campo político certamente ele se encaixa no pensamento conservador.

    Para quem quer realmente um partido liberal, o NOVO será uma opção nas próximas eleições.
  • Felipe  12/03/2015 17:41
    Não acho que Bolsonaro é uma aberração (como induz o texto). Apesar dele ser nacionalista (Infelizmente), é uma pessoa coerente com o que diz e faz (Algo extremamente raro hoje em dia).

    E só sendo uma besta para taxar Bolsonara de direita, e pouco me importa o que as bestas pensam.

    E para defender um pouco Bolsonaro, além de algumas medidas em pró-liberdade como dito pelo amigo cima, em janeiro de 2015 enquanto a Maria dos Presidiários gastou quase 40 mil com despesas complementares, Bolsonaro gastou apenas 200 reais.
  • Fabio  12/03/2015 19:43
    Bolsonaro como militar e ex-funcionário público (e meteu seus filhos a fazer para a PF) não abriria mão do Estado. Mas o cara esta vendo tanta coisa errada que ao menos funciona como defensor de Menos Estado. Recentemente mudou de idéia quanto a privatização da Petrobras e luta bem contra as aberrações das leis anti-opnião.
    Porém ele está quietinho e vai ficar assim por um tempo pois seu partido PP esta bem encrencado no Lava-Jato.
  • Aaron  12/03/2015 20:49
    Não está quietinho. Inclusive espinafrou o PP esses dias, falando que vota contra o partido por questão de princípio e que aceita sugestões para resolver sua situação, pois se sair do partido perde o mandato (mais uma daquelas regulamentações idiotas que visam reparar mas acabam prejudicando, a lei da fidelidade partidária). Vale lembrar que o PP é base aliada da Dilma e o Bolsonaro é mortalmente contra o PT. Usa o partido só para ter legenda, e o partido usa-o como cabo eleitoral.

    Aliás, outro que condenou a corrupção no PP foi o santíssimo Maluf, que também faz parte da honestíssima sigla do PP. Por aquelas ironias do destino, o PP inteiro está na lista do Janot, mas o Maluf não, o que ele já capitalizou para afirma sua (des)honestidade.
  • Guido  12/03/2015 19:13
    Sem alternativas... concordo com o Aaron.
  • Rafael Dias  28/03/2016 12:47
    Penso que o caso citado de Bolsonaro representa os efeitos colaterais da "falsa-oposição". A discussão é boa, mas gostaria de ressaltar um raciocínio bem simples.

    Política tende a ser um assunto binário, quando se joga a moeda tem duas possibilidades. Talvez a terceira possibilidade da moeda não virar pra nenhum dos lado, cair no meio (extramente raro). Enfim, a massa eleitoral vai optar pela esquerda petista ou a esquerda de oposição. Eis que surge outras opções com inclinações liberais ou de direita, mas aí tem a possibilidade da moeda não virar pra nenhum dos lados.

    Hoje acredito que apenas Bolsonaro tem a chance de ser eleito, pode aparecer outros candidatos com ideias brilhantes pro bem ou pro mal, mas não terá tempo de conseguir popularidade.

    Como disse no início meu raciocínio é simples, "ou é esquerda (de sempre) ou Bolsonaro (mudança) em 2018. Pra cada voto intelectual alternativo haverá centenas de votos emburrecidos no PT, por isso que acho que tem que tomar cuidado quando for criticar o Bolsonaro. Pode ser ruim com Bolsonaro (possibilidade), mas será horrível com PT e afins (certeza).
  • Henrique  12/03/2015 15:16
    " (...) o estado passa a criar um falsa oposição. Intelectuais que podem até atacar o governo da situação, mas sempre de maneira caricata."

    Pode-se entender sobre isso que o Bolsonaro é cria do governo do PT? Não entendi ao certo...
  • atorres1985  13/03/2015 03:10
    Não, mas que o Bolsonaro acaba sendo útil ao PT. É um tipo de estratégia de tesoura ou de extremos:

    Cê aponta dois extremos supercaricatos, como o PSOL e o Bolsonaro. E surge no meio dizendo "olha, eu não sou radical como eles dois são".
  • Luciano Takaki  14/03/2015 07:56
    Exatamente. Comentaristas caricatos como os Prates da vida também ajudam.
  • Marco Antonio - Curitiba (PR)  12/03/2015 15:59
    Há uma falha gritante neste artigo: incluir Juca "boquinha" Kfouri entre os chamados "intelectuais de esquerda", mesmo pelos padrões vigaristas peculiares à expressão. A ignorância e a argumentação tosca de Kfouri são escandalosamente evidentes mesmo para as pessoas mais humildes e iletradas. JF tem flagrante desvantagem em meio a seus pares de ideologia: costuma liderar programas e debates esportivos, em que trata, principalmente, de futebol, assunto altamente popular e que desperta polêmicas apaixonadas. Sobre esse tema, aliás, suas únicas falas com alguma credibilidade não passam de morder as canelas da CBF. E isso meus cachorros fazem melhor, sem ter sequer passado perto de um jardim-de-infância.
  • Sandro lima  12/03/2015 22:38
    Concordo plenamente.
    E eu li o tal artigo desse senhor, descaradamente defensor do indefensável...
    Jogar a conta pra cima dos "mais abastados" é fácil.
    Tem que ser muito alienado, mas muito mesmo para se levar o que ele diz a sério.
    E não estou falando somente de política não.

  • Felipe  12/03/2015 16:02
    4 vendidos ao estado.

    Chaui: "Eu ODEIO a classe média"
    Obs.: É funcionaria pública e pertence a classe média (alta).

    Emir Sader: "A burguesia é uma classe privada que tira suas vantagens através do Estado"
    Obs.: Já recebeu 274 mil da tv Brasil

    Juca Kfouri: "tão legítimo como protestar contra o governo é a falta de senso do ridículo de quem bate panelas de barriga cheia"
    Obs.: Petista de carteirinha

    Sakamoto: "O que define uma mulher não é o que ela tem ou teve entre as pernas"
    Obs.: Sua ong recebeu mais de 1 milhão de reais do governo

    Ainda podemos acrescentar nesta lista a aberração Cynara Menezes

    Cynara: "uai, cuba tem eleição e fidel é chamado de ditador" "Eleitores sexualmente satisfeitos votam na esquerda"
    Obs. Ex carta capital e seu blog recebe dinheiro publico
  • Sandro lima  12/03/2015 22:44
    Desse jeito fica fácil falar bem do governo... Quem é que morde a mão que te alimenta...
    Como diz num filme argentino que assisti há uns anos... "Não existem santos, o que existem são preços diferentes."

    Trocando em miúdos, tudo biscate....
  • Outro Otário  13/03/2015 04:47
  • Matheus  12/03/2015 16:18
    Você percebe quando a situação tá ruim quando Sakamoto é considerado um intelectual.
  • Alexandre Melchior  12/03/2015 16:28
    Bela do foto do Rotibardo.
  • Matias  12/03/2015 16:35
    Bom, ao meu ver finalmente temos oposição (aqui no RS pelo menos)
    Alías, podiam entrevistar novamente o Marcel Van Hattem agora que ele se elegeu.
  • Anomalus  12/03/2015 17:17
    Vocês tem que entender que políticos como Bolsonaro não são muito inteligentes. Eles até tem boas intenções. Agora falar que existe direita no Brasil é ingenuidade ou má intenção. Não existe isso aqui, mesmo que alguém se intitule de direita, quando você olha as suas propostas, percebe que não existe nada de direita ali. Precisamos sim de uma direita inteligente no Brasil, mas hoje vemos pouquíssimos exemplos, fora que quase nenhum consegue se eleger. Um destes exemplos que posso citar é Marcel van Hattem. Pelo que vi parece ser a direita que precisamos. Precisamos de políticos realmente inteligentes, do contrário, a esquerda vai prevalecer.
  • Rennan Alves  12/03/2015 19:26
    Ué, você está justamente concordando com o texto! O artigo bate duas vezes na tecla da falsa oposição, a esquerda travestida de direita, ou, a direita com políticas de esquerda.

    Leia de novo.
  • Anomalus  12/03/2015 22:52
    Eu por acaso disse que discordo do texto?
  • Rennan Alves  13/03/2015 00:44
    Aqui:

    "Agora falar que existe direita no Brasil é ingenuidade ou má intenção."

    Como você não especificou "quem fala", pressupõe-se que é o texto.

    Se presumi errado deixo aqui minhas desculpas.
  • anônimo  13/03/2015 09:14
    Não precisamos de 'direita', precisamos de gente pró livre mercado. Esse rótulo 'direita' é uma enrolação sutil que bota junto no pacote um monte de coisas que ninguém pró livre mercado tem obrigação de defender.Como as guerras que os EUA inventam contra uns desgraçados fodidos ou contra uns 'terroristas' que eles mesmos criaram.
  • Alexandre  13/03/2015 04:23
    Não é que não existe direita, é que os direitistas estão cuidando dos seus negócios e não fazendo política. Os poucos que chegam lá em cima, chegam com sua honestidade e eficiência na gestão por serem empreendedores e a realidade da política é de mentiras e burocracias. Como a galera da esquerda, normalmente, vem de sindicatos, ongs e associações comunitárias e, portanto, não derramaram uma gota de suor para conseguir o pão de cada dia tiveram tempo de praticar a arte da demagogia. Já dizia um velho ditado da política que "uma pessoa muito honesta tem poucos amigos" e na política, o que conta, é o número de aliados que você conseguirá a qualquer custo e não sua competência para gerenciar.
  • Wolmar  12/03/2015 18:46
    A falsa oposição no Brasil é representada pela dupla PSDB/FHC
  • Aaron  12/03/2015 19:52
    As únicas coisas decentes que eles fizeram (privatizações meia boca, pois criaram as malditas agencias reguladoras, seguraram a inflação e botaram a zona em relativa ordem) eles tem vergonha de admitir hoje em dia.

    Até o Bolsa-Família, que começou com as bolsas do FHC e foi concretizado pelo Lula com ajuda de VÁRIOS Chicago Boys,dos quais não lembro o nome (portanto um programa - tirem as crianças da sala - neoliberal, cartilha de Friedman (Imposto de Renda Negativo), que seria uma vedete pra eles detonarem qualquer partido "progressista" em qualquer eleição, os cabeções renegaram e deram de crédito pro PT e quadrilha, que saíram como os salvadores da pátria.

    A incompetencia do PSDB é tão grande que não souberam explicar para o povão que o Armínio Fraga iria tentar consertar o chiqueiro que virou a economia com o animal do Mantega, e que a política keynesiana deste última é que estava (está) empobrecendo geral. O PT conseguiu convencer o povo de que os "banqueiros" iriam ferrar com eles. Eleitos, colocaram o Chicago Boy mais xiita da paróquia - Levy.

    Quando tivemos um partido que defende liberalismo econômico (privatizações, desregulamentação, desestatização, livre mercado etc) sem rodeios, sem vergonha e de forma didática (para TODOS entenderem) assim como o Mises tão bem faz, teremos uma oposição. Até então, o circo continuará, com esquerdistas assumidos acusando esquerdistas enrustidos (PSDB) de serem "neoliberais" e tendo estes últimos corando de vergonha a cada vez que isso é dito. Ter vergonha de fazer o certo é amoral.

    Os tucanos não são falsa oposição. Eles nem tem capacidade de ser oposição.
  • Wolmar  12/03/2015 20:47
    Aaron,
    Quando vc fala que o PSDB é incompetente para fazer oposição, vc certamente está falando de oposição de "verdade", não desse joguinho de cumpadi que ptistas e psdbistas fazem para enganar o respeitável público onde cada um deles apresenta um candidato, sendo que um vem para ganhar e o outro para apanhar.
    A revolução gramscista em curso no Brasil avançou de tal forma e em todos os níveis, que não há mais espaço para a defesa de ideias liberais nem no congresso nem em lugar nenhum. Vamos ver até quando a farsa vai se manter, mas até cair a máscara, e vermos um discurso liberal/direitista ocupar algum espaço, muita água vai ter que passar pelo moinho
  • Adelson Paulo  13/03/2015 00:34
    A primeira questão: temos que ter cuidado com as acusações ao PSDB como força de oposição. Uma das mais eficientes estratégias de manutenção do poder das forças de esquerda é denegrir seus opositores e, se possível, dividi-los (tarefa na qual o PT tem sido extremamente eficiente). Os governantes peronistas se mantêm no poder há décadas na Argentina, com algumas poucas alternâncias, porque não se consegue organizar uma oposição forte o suficiente para vencê-los nas eleições e contrapor seu grande poder de cooptação por deterem o aparelho de Estado. Será muito difícil derrotar este projeto populista do PT sem o protagonismo do PSDB. As ilusões de uma Terceira Via, como Marina Silva nas últimas eleições, são uma ajuda preciosa para o PT. O discurso de que "todos os políticos são corruptos", "todos os partidos são iguais", vai ajudar a eleger o Lula em 2018. O PSDB carrega ainda um "fardo": como governa importantes Estados da federação, não pode partir para o simples confronto com o governo federal, apostar em um aprofundamento da crise econômica, pois poderá também sofrer as consequências de uma crise generalizada no país.
    A segunda questão: os políticos no Brasil (e na América Latina) precisam do aparelho de Estado para exercer sua influência sobre a sociedade e a economia. Em economias pouco desenvolvidas economicamente, e onde a sociedade civil ainda é incipiente, o aparelho de Estado é o principal mecanismo de propagação de poder. Por isto é tão difícil ter um discurso liberal no quadro político brasileiro: como diminuir o Estado se o Estado é que garante o poder político? O DEM é um partido que expressa esta contradição: de origem em forças tradicionais da política, mas com um discurso menos estatizante, não consegue coordenar o discurso com a prática.
  • Jeferson  12/03/2015 19:28
    Estou feliz em ver o aumento de pessoas com pensamento político nos comentários do Mises. Antes só se via por aqui libertários "fanáticos", que não pareciam conseguir trazer pro mundo real passos pra implementação do ideal libertário. Tinha que ser o "vai ou racha", o "tudo ou nada", embora algumas idéias equivocadas (por exemplo, a idéia de que o crescimento do estado é uma coisa natural, e não provocada artificialmente pelos 60 ou mais anos de trabalho da esquerda, que ocupou espaços e lutou praticamente sozinha a guerra cultural) ainda persistam em alguns artigos, pelo menos vejo um pouco mais de variedade nos comentários.
  • Pobre Paulista  14/03/2015 14:20
    Errado sobre isso:

    "...embora algumas idéias equivocadas (por exemplo, a idéia de que o crescimento do estado é uma coisa natural..."

    Por que um estado mínimo inevitavelmente leva a um estado máximo?
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  12/03/2015 20:56
    O Brasil merece ser privatizado. A questão é como fazer isso com o menor custo possível.
  • Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon  12/03/2015 21:09
    Essa é fácil. Res derelicta é a resposta. Para fazer a coisa a custo zero, o estado simplesmente cai fora e quem estiver mais perto se apropria. Fim.
  • anônimo  12/03/2015 23:00
    O texto é muito interessante.
    De se lamentar os pseudos intelectuais citados. No máximo essa gente são '' idiotas uteis'' ao sistema esquerdista.
    Alguns socialistas brasileiros com pouco mais de calibre intelectual:
    Márcia Tiburi.
    Mario Sergio Cortela.
    Vladimir Saflate.
    Luiz Fernando Verissimo.
  • Silvio  13/03/2015 04:42
    Se com 'calibre intelectual' você quis dizer 'estupidez e canalhice além do tolerável', concordo plenamente contigo.
  • oneide teixeira  12/03/2015 23:06
    Se depender do ativismo libertário o país esta condenado a ser uma nova Venezuela.
    A coisa é bem simples.
    O que é ruim para o PT e para as suas linhas auxiliares e bom para a liberdade.
    Se o Bolsonaro causa danos ao projeto bolivariano, pouco importa seu viés estatista.
    Eu apoio qualquer um que seja contra o PT, o resto se resolve com o tempo.
  • Gilmar  13/03/2015 00:51
    Vladimir Saflate.
    Luiz Fernando Verissimo.

    Só pode ter fumado pedra esse anônimo, o Luiz Fernando Verissimo é um dos maiores paspalhões ao qual já foi concedido uma coluna de jornal. O cara simplesmente não tem noção de nada.
  • Vitor  13/03/2015 12:18
    Pois ele coloca no bolso (e com folga) qualquer libertário.
  • Curioso  13/03/2015 00:58
    E a Rede Globo? Qual o papel dela nessa brincadeira toda?
  • Aaron  13/03/2015 12:33
    A Rede Globo é um esgoto a céu aberto que transmite 24/7 um chorume que é composto de desinformação (notícias seletivas ou irrelevantes), pão e circo para o povão e algum apoio para o político da vez que pagou propina aos Marinho. Já foram a favor do Lula, agora estão contra a Dilma. Tem um vídeo de 89 do Lula Lá que é pura vergonha alheia, com os artistas fazendo campanha pro larápio. Mal sabiam que o Collor é ladrão de galinhas perto do Lula.

    De qualquer forma, sendo a "zelite" da classe intelectual e artística tupiniquim (se é que isso existe), conseguem doutrinar e enfiar na cabeça do povão um sem número de toxinas progressistas misturadas ao mais absoluto nonsense. É só pegar as últimas novelas, onde você vê claramente a dicotomia "ricos x pobres" " homofóbicos neonazistas x gays pueris". Os nossos "artistas" são esquerdistas de décadas atrás e isso obviamente faz ser esquerdista a modinha da vez.

    Obviamente que essa praga só tem a força que tem devido ao Estado. Se o setor televisivo fosse desregulamentado, seria deveras mais fácil abrir uma TV para competir com a desinformação propagada por esses imbecis. Infelizmente, a idéia da vez é "regulamentar" a mídia, leia-se: criar Globos bolivarianas para aí pode afundar o Brasil de vez na lama, sem oposição.
  • anônimo  13/03/2015 01:40
    O que seriam esses "projetos que podem ajudar a fugir da agressão estatal"? Eu juro que não faço por mal, mas só consigo imaginar coisas debochadas como um túnel subterrâneo que leve a algum outro lugar, ou uma fórmula que torne a pessoa invisível para a Receita Federal,...

    Mas fora minha ignorância, o artigo é ótimo. Excelentes os pontos abordados, parabéns!

    Abraços!
  • anônimo  13/03/2015 23:30
    Prezados,

    Não imaginava que a minha pergunta era tão difícil (para não dizer estúpida) de ser respondida.
    Agora, eu realmente tinha o interesse sério em ter uma resposta, pois me pareceu se tratar de uma coisa importante. Mas vejo que me enganei completamente.

    Mas deixa pra lá. Se não é importante para vocês, também não é importante para mim.

    Gracias!
  • Vitor  13/03/2015 12:21
    Há algo contra o qual os libertários e a direita jamais podem lutar: a esquerda sempre teve os melhores pensadores e intelectuais. À direita resta a raiva.
  • Frankenstein  01/04/2015 14:43
    Obviamente você está de brincadeira.
  • Guilherme  13/03/2015 13:46
    Boa dia a todos!
    Leio os artigos daqui do site faz um tempinho, mas não estou totalmente a par de tudo, já que há muita coisa para se entender/compreender ainda. Até comecei a fazer a leitura da "Ética da liberdade".
    Enfim, venho procurado respostas para uma duvida e não estou a encontrando. Caso tenha algum artigo ou comentário sobre, me enviem caso possivel.

    Bem,
    Caso determinado governo de determinada nação passe a desregulamentar sobre diversas areas, "liberando" o contrato de propriedade privada e por ai vai (apenas suponha que isso aconteça e ponto). Como seria a divisão, isto é, como seria a "distribuição" (- não sei se é esse o termo, mas creio que entenderam) de áreas que possuem uma mata, floresta ou algo relacionado ou meio ambiente (vamos supor a floresta Amazonica). O que impediria que uma ou várias empresas passasse a desmatar tal area para obtenção de recursos? Existe empresas privadas de controle e proteção ao meio ambiente? Se sim, o que eles poderiam fazer para proteger e/ou evitar desmatamentos/queimada/caça de areas que deveriam ser preservadas sendo que a propriedade não seriam deles?
    Minha duvida basicamente é essa, como seria a distribuição de terras para futuros proprietarios? Tais como uma rua, quem diria que tal avenida será de meu controle e não sua ou dele?

    Agradeceria se alguém pudesse me esclarecer isso.

    Tirando isso, parabéns pelo site. Ele fez um "boom" em minha alma.

    "A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original."
    Saudações!
  • Padilha  13/03/2015 15:01
    Isso não faz sentido. Por que uma pessoa ou empresa iria arrendar uma área apenas para destruí-la? Isso é o equivalente a você comprar uma mansão apenas para tocar fogo nela. Pode acontecer? Pode, mas é totalmente improvável.

    No que mais, somente quando uma terra tem dono é que este possui vários incentivos para cuidar muito bem dela. Sua preocupação é com a produtividade de longo prazo. Assim, caso o proprietário da floresta decida, por exemplo, arrendá-la para uma madeireira, ele vai permitir a derrubada de um número limitado de árvores, pois não apenas terá de replantar todas as que ceifou, como também terá de deixar um número suficiente para a safra do próximo ano.

    Por fim:

    Se você gosta da natureza, privatize-a

    Propriedade privada significa preservação

    O eco-socialismo, o socialismo real e o capitalismo - quem realmente protege o ambiente?

    O fundamento lógico para a privatização total
  • Guilherme  13/03/2015 16:11
    Caro Padilha, agradeço a resposta e os artigos propostos. Ia ler todos antes de dar uma resposta, mas o primeiro "Se você gosta da natureza, privatize-a" já esclareceu minhas duvidas.

    Agora só preciso ir a fundo para entender/compreender como seria a divisão de terras.
    De acordo com a nota no final vejo que a resposta a isso é mais complexa do que imaginei.
    "De fato, há algumas dificuldades em como uma propriedade em particular deve ser desestatizada. Conquanto complexas, essas questões representam meramente um problema logístico e técnico, e não um problema econômico ou ético. Muitos autores, como Rothbard e Hoppe (veja seu "On Socialism and Desocialization" do livro "Democracy: The God That Failed") já propuseram diretrizes sobre como desestatizar propriedades controladas pelo estado. Organizações ambientalistas pró-livre mercado, como a PERC e The Commons também oferecem um bom número de artigos e livros sobre como salvar a natureza através dos direitos de propriedade."

    Enfim, possuo 21 anos e vejo que ao longo de minha vida terei muito trabalho a fazer na divulgação pró-mercado aos ignorantes (1.Diz-se de, ou pessoa que ignora, que não tem conhecimento de determinada coisa.)

    Agradeço a todos que tiveram o trabalho na divulgação da EA.

    Abraços!
  • amauri  13/03/2015 14:35
    "Um movimento 'anti-qualquer-coisa' demonstra uma atitude puramente negativa"
    As manifestacoes atuais entao sao negativas?
  • Júnior  13/03/2015 14:50
    Depende do teor da manifestação. A manifestação será contra o quê? Será "contra a corrupção do PT"? Se sim, será totalmente inócua, pois a solução implícita seria apenas trocar o partido que está no poder. Grandes m... .

    Já se fosse uma manifestação contra a existência do próprio estado e de sua estrutura, aí sim seria um avanço.

    De resto, sou totalmente contra um impeachment. Imagina só: nunca na minha vida eu vi a população brasileira ser tão anti-estado igual ela está hoje. E só de pensar que esse sentimento anti-estado ainda vai se prolongar por mais quatro anos, isso é um paraíso! E aí vêm vocês e querem acabar com essa delícia agora?

    Não, deixem a Dilma ficar ali até que nenhum brasileiro consiga mais nem sequer pensar na estrela do PT. A Dilma e o PT, aliás, merecem um pedestal, pois eles conseguiram fazer o que eu julgava ser impossível: transformaram o brasileiro médio em um ser antigoverno.

    Isso é uma delícia!
  • Sandy  13/03/2015 15:03
    "deixem a Dilma ficar ali até que nenhum brasileiro consiga mais nem sequer pensar na estrela do PT. "

    Mas e se viramos uma Venezuela?

    Ai faço o que? eleição vão está fraudadas, instituições corrompidas, vou tentar protestar e então levo um tiro, ou seja, o fim do poço.
  • Valatráquio  13/03/2015 22:38
    Até mesmo o 'fim do poço' (não seria o fundo do poço?) pode ensinar uma valiosa lição: a de que aqueles que o atingem devem se tornar adultos, seja por bem, ou por mal, para poderem escalar o poço de volta e aprenderem a lição de não mais caírem nele.

    Obviamente que as nações da América Latina vem sistematicamente se recusando à crescer à séculos. Naturalmente que assim sendo, o fundo do poço tornou-se nossa eterna morada.

    Sendo assim, respondendo à sua pergunta: Já somos uma Venezuela! Só cegos pela ignorância ou por ideologias não conseguem perceber isso. E nesse país o que mais tem é cego!
  • Felipe R  16/03/2015 22:56
    Boa noite,

    A frase de Lysander Spooner precisa ecoar nos quatro cantos do facebook, twitter, instagram, 9gag e afins!

  • Barros  24/03/2015 17:58
    Quando penso que estou entendendo as coisas, leio coisas novas que me mostram o tamanho da minha ignorância e como nós indivíduos estamos perdidos. Na prática parece não haver esperança, pois todos os partidos do Brasil são de esquerda, todos querem aumentar o poder do Estado, todos acabam tirando nossa liberdade, todos amam criar leis que destroem os bons valores. E quando imaginamos que um político é de oposição, mesmo ele acaba sendo usado pelo sistema.

    Sempre tive um pé atrás em relação ao sistema democrático e cada vez percebo mais suas armadilhas. Mas aqui vai uma pergunta:

    1) EXISTE ALGUM SISTEMA DE GOVERNO HUMANO VIÁVEL?

    2) TEREMOS DE ESPERAR O GOVERNO DIVINO A SER INSTITUÍDO POR CRISTO?
  • Vagner  24/03/2015 18:12
    1) Sim, aquele governo que não governa.

    2) Vale lembrar que diversos estatistas usam do cristianismo para pregar suas intervenções.
  • Emerson Luís  25/03/2015 20:06

    Liberais e conservadores não têm muito tempo para ativismo, eles precisam trabalhar.

    Os esquerdistas podem ser militantes profissionais (muitas vezes com financiamento público).

    * * *
  • Mr. M  31/03/2015 14:56
    Para aqueles libertários que debocham de quem vota:

    "Se o estado nos concede uma escolha periódica de um soberano, por mais limitada que esta escolha possa ser, certamente não pode ser considerado imoral fazer uso dessa escolha limitada para tentar reduzir ou se livrar do poder do estado."
    (Murray Rothbard, ética da liberdade, cap.24)
  • Val Valentino  31/03/2015 15:00
    A frase em si é irrefutável. Agora, coloque-a em prática tendo em vista a realidade brasileira:

    1) em quem deveriam os libertários votar (cite os nomes dos políticos e os cargos almejados);

    2) por quê?
  • Mr. M  31/03/2015 15:27
    1) No político que seja o mais liberal que você tenha encontrado ou o menos socialista. Temos ainda poucos casos, mas na última eleição tivemos nomes como Paulo Batista ou Marcelo Van Hatten. Em último caso vote na sigla menos ameaçadora, tipo DEM, já que é melhor haver políticos do DEM do que políticos do PT no congresso.

    2 ) Por uma questão de pragmatismo, evitar um mal maior.
  • Cid Moreira  31/03/2015 15:53
    A liberdade não precisa de reformistas libertários dentro do estado

    Rothbard é fodão, mas não é Cristo reencarnado.
  • anônimo  31/03/2015 15:18
    Imoral não é, é só burro mesmo.
  • Mr. M  31/03/2015 17:26
    Rothbard deve ser bem burro para você então, porque ele participou ativamente de campanhas presidências americanas através do partido libertário.
    Inclusive participou da campanha do Ron Paul nos anos 80.
  • anônimo  31/03/2015 18:53
    Burro de pensar uma coisa dessas no contexto brasileiro.Se bem que vendo os EUA de hoje talvez o próprio Rothbard não pensasse mais assim, o marxismo cultural por lá é muito pior do que aqui
  • Ênio Apolinário  21/05/2015 03:11
    "Iluministas franceses" - Todos os conceitos que hoje temos de governos liberais foram dados por pensadores liberais, e esses países liberais estão indo muito bem, mas isso nem é o pior, mas o fato do escritor desconhecer sobre o movimento em si, alegando inclusive que Robespierre foi um iluminista, não sabia que o IMB estava contratando semi - analfabetos
  • Dalton  28/03/2016 14:36
    "e esses países liberais estão indo muito bem"

    Realmente. A situação atual da Europa mostra muito bem isso.
    Governos historicamente liberais ficando cada vez mais e mais socialistas graças a democracia é estar indo muito bem.

    Democracia é um lixo. Há diversos artigos no site mostrando exatamente isso.

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=11
  • fernando  29/06/2016 18:21
    oi, passando aqui para parabenizar vocês pelo site, muito esclarecedor.
    e comentando aqui sobre a figura Bolsonaro, sem querer desrespeitar que apoia o que ele diz ou defende. eu até concordo com algumas coisas que ele diz, de fato, mas acho seu modo de articulação é grosseiro, apelativo, tendendo pro espetáculo - provavelmente por isso que é sempre reeleito, brasileiro aprecia esse tipo de expressão. seus tópicos são limitadíssimos.
    quanto ao mérito de ser um dos poucos politícos ficha-limpa, é como disse Montaigne, é ,muito fácil um homem se parecer honroso quando todos os seus contemporâneos sao corruptos (não me lembro as palavras exatas), se pensarmos bem, ser ficha-limpa é o mínimo que podemos esperar dum político; um dever.
    parabens mais uma vez pelo site, vou recomendá-lo ao máximo de gente que conseguir. sites como esse que informam e não deformam as coisas como todo o resto de nossos meios de comunicação só tem benefícios a oferecer á população


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