O livre comércio de órgãos salvaria inúmeras vidas

Se o preço máximo da comida no Brasil fosse zero, quem ofertaria comida? Ficaríamos todos na fila da caridade, morrendo de fome.

É isso que acontece com a demanda por órgãos. É permitido transacionar órgãos e sangue no Brasil, desde que o preço seja zero. Ao mesmo tempo, as filas de doentes à espera de doadores demoram para andar; pacientes morrem na espera. Não é coincidência.

Todo mundo paga dinheiro para cortar cabelo; alguns vendem cabelo. Muitos furam suas orelhas para pendurar adereços, ou injetam tinta sob a pele. Paga-se altas somas para esticar superfícies, sugar gordura, implantar silicone, corrigir narizes. Vende-se sexo e trabalho braçal. Por que o corpo pode ser objeto de comércio para esses usos, e não quando vidas estão em jogo?

Imagine se a necessidade de transplantes fosse tão universal quanto a de comida ou água, e continuássemos com a nobre prática do preço zero, com a moralíssima proibição de venda desse bem tão valioso. Comida e água também podem ser vistos como sagrados, como diretamente ligados à vida; não seria também um sacrilégio submetê-los ao sistema de preços? Pagaríamos a suposta pureza moral com a morte de fome e sede.

Todo mundo aceita que não há nada de errado em se tirar os órgãos de um morto para salvar vidas. E muito embora doar órgãos depois de morto seja uma decisão sem custos reais, mesmo assim muita gente não doa, por decisão própria ou da família. Famílias que não se dão ao trabalho de permitir a doação interessariam em permitir a venda.

A mesma autonomia sobre si deveria valer para quem decide doar órgãos ainda vivo. Já é permitido tirar órgãos não-vitais, desde que a preço zero. Por que não permitir também a venda? Quem dá um órgão, vivo ou morto, dá um valor enorme a quem o recebe. Não há nada de injusto que essa pessoa (ou seus herdeiros) receba esse valor. Isso serviria até como um incentivo para as pessoas se cuidarem. Sei que meus órgãos têm valor e que podem me render uma grana quando eu precisar, e que serão parte do patrimônio deixado quando eu morrer; mais um motivo para mantê-los em bom estado.

Com o comércio legal de órgãos, teríamos mais doadores. Há uma demanda consistentemente maior do que a oferta, que é mantida artificialmente baixa graças à política do preço zero. Permita que os preços subam, que doadores sejam recompensados pelo valor que ofertam, e mais vidas serão salvas.

Muita gente é contra a ideia por se dizer preocupada com os pobres, que não teriam dinheiro para comprar um órgão. Mas quem precisa de transplante e não tem dinheiro continuaria na fila do SUS — agora mais curta —, que compraria os órgãos e os repassaria de graça, como já faz com tantos outros tratamentos.

O mercado de órgãos não elimina doação voluntária e nem o repasse gratuito, assim como o mercado de comida não elimina a doação de comida. Há fundos de doação para ajudar vítimas de desastres ou crianças com câncer; haverá fundos para comprar órgãos para quem precisa.

A lógica da fila, favorita de uma ética irracional e pouco preocupada com a realidade, dará lugar à lógica do valor, sem por isso proibir a fila. O saldo final é mais órgãos doados, e portanto mais vidas salvas.

Outros olham para o lado da oferta: não seriam os mais pobres justamente os que teriam mais incentivo para vender seus órgãos? Talvez. Agora eu é que pergunto: isso seria ruim? Ao se permitir que a pessoa venda seus órgãos, não se a está obrigando a nada; apenas dando-lhe mais uma opção para aliviar sua pobreza.

É ruim viver com um rim a menos. Pior ainda é morrer pela falta do transplante. Se um lado quer o rim e tem o dinheiro, e o outro quer o dinheiro e está disposto a ficar sem o rim, deixe que se ajudem.

Muitos pobres venderiam seus órgãos? É possível. Mas se eles próprios preferem alguns milhares de reais ao órgão funcionando (e aí cabe difundir a informação correta sobre os efeitos futuros), é porque julgam que estão melhor assim. E não precisamos ser tão radicais: muita gente gostaria, por exemplo, de dar sangue periodicamente para complementar a renda. Privá-los de uma opção de ganhar dinheiro não ajuda em nada; só agrava sua pobreza.

Cabe lembrar que estamos falando de um mercado que já existe. O comércio de órgãos opera ilegalmente e, como toda atividade que é empurrada para a ilegalidade, tende para a violência e falta de informação. Legalizar o comércio é tirá-lo das mãos de criminosos, de pessoas que são boas em coagir, defraudar e matar e não em prestar serviços que atendam a necessidade de seus clientes.

Em 2012, um chinês pobre e menor de idade, do meio rural, vendeu um rim para comprar um iPad. Péssimo negócio; talvez ele nem estivesse ciente do que estava abrindo mão. Mesmo assim, mesmo com a insegurança do mercado atual, dado que a venda voluntária é uma realidade difundida e duradoura, conclui-se que muitas vezes ela beneficia o vendedor; são os milhões de casos que não viraram notícia.

Se um indivíduo em dificuldade pode melhorar de vida via transplante de uma parte que não lhe é necessária, ou melhor, que vale menos para ele do que o dinheiro a ser recebido, é ótimo que ela possa optar.

Por fim, para você que permanece indignado com a ideia da venda de órgãos, que acha que trocá-los por dinheiro viola a dignidade humana (embora dá-los de graça seja legítimo e até admirável), e que tem certeza de que nada justifica essa profanação do corpo, a solução é fácil: não venda. E quando você ou um ente querido estiver na longa fila de doações, aguardando a morte chegar, não compre.


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SOBRE O AUTOR

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com." Siga-o no Twitter: @JoelPinheiro85


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Analista de Bage  03/03/2015 14:12
    Concordo com os argumentos apresentados no texto, porém acredito que em muitos países (como o Brasil) o livre comércio de órgãos poderia agravar o tráfico (pessoas poderiam ser sequestradas para retirada de órgãos). O que acham? Será que a oferta (pessoas que quisessem vender seus órgãos voluntariamente) iria inibir o tráfico? Eu fico na dúvida. Pode ser que os hospitais exigissem "procedência" dos órgãos, mas... sei lá... corrupção, acordos com máfias poderiam prejudicar o sistema. Enfim, é algo a ser considerado.
  • Thiago Cardoso  03/03/2015 14:50
    Num mercado de livre comércio, faz muito menos sentido o uso da violência para roubar órgãos.
    1) Os órgãos serão muito mais baratos que são hoje no mercado negro. Portanto, a recompensa não será tão grande para um risco enorme.
    2) Muitas pessoas deixarão de procurar órgãos no mercado negro para comprá-los no mercado legalizado (vindo de vendedores espontâneos).

    É exatamente o que acontece com o Tráfico de Drogas. Já ouviu falar de tráfico de álcool ou de guerra entre Heineken e Budweiser? Hoje em dia, talvez não, porque o álcool é legalizado. Mas, quando Nixon proibiu a circulação do álcool nos EUA, rapidamente se instalou uma grande máfia em torno do produto.
  • Rafael Morais  03/03/2015 14:51
    Na hipótese de um mercado de órgãos livre, porque o cidadão iria se arriscar comprar o órgão de um criminoso podendo compra-lo de uma empresa reconhecida no mercado?

    O problema do tráfico de órgãos só existe porque um mercado livre de órgãos não existe. Hoje o cidadão não tem escolha, ou fica na fila de transplantes, sofrendo o risco de morrer antes que receba um novo órgão, ou compra do mercado negro.
  • Morador de Bage  03/03/2015 14:59
    Bebida é legalizada. Isso gerou máfias? Isso agravou o tráfico?

    As pessoas hoje são sequestradas para ser estripadas justamente porque, no mercado negro, os órgãos são extremamente caros. Qualquer medida que barateie os preços de um bem desestimula o mercado negro desse bem.
  • Marcelo  04/03/2015 05:32
    Engraçado... Eu não concordei muito com os argumentos do texto, mas onde você viu um problema eu vejo um dos únicos argumentos que eu aceito =P. Legalizar ajuda a minimizar o tráfico, pelas razões já citadas. Legalizar também é diferente de "descriminalizar". Descriminalizar é a lei não prever, isso é, cada um faz como bem entender. Legalizar implica colocar regras no meio (quando pode, quando não pode, procedimentos a serem tomados, contra-indicações, etc). Legalizar acaba sendo eficiente no que diz respeito à coibir contrabando e tráfico.
  • patricio  05/03/2015 01:35
    Pelo mesmos argumentos seria interessantes se legalizar todas as drogas, não? Desde cocaína até ecstasy?
  • Edison Sampaio  22/10/2015 23:56
    Ah, Analista de Bagé, mas ai vc já entrou com a "Teoria da Conspiração". No entanto, sim, é possível acontecer o que coloca, mas isso seria uma exceção. A regra seria o "livre mercado", já então legalizado e sem perigo. Atualmente, embora isso ocorra debaixo de sete chaves, o tráfico de órgãos (e até cadáveres para abastecimento de escolas diversas) ocorre até com certa fartura. Já notou o tanto de gente que, "do nada", desaparece? Pois é...!
  • Felipe E.  03/03/2015 14:19
    Quanto será que valeria o cérebro de um comunista?
  • Fernando  03/03/2015 15:53
    O mesmo que um quilo de osso pra sopa.
  • José  03/03/2015 14:30
    Essa é a idéia mais cruel de que eu já ouvi falar. As pessoas mais pobres são, obviamente, as mais desprovidas de cultura(em geral). O fato do cidadão que vendeu seu rim para comprar um aparelho eletrônico demonstra isso de forma clara. Imagine um país onde os pobres podem mutilar seu próprio corpo para "curar" a fome! Não sou religioso mas, que deus aprovaria isso?
  • Trajano  03/03/2015 14:41
    "Essa é a idéia mais cruel de que eu já ouvi falar."

    Não se preocupe. Você e seus familiares são livres para morrer na fila de espera. Isso sim seria extremamente humano.

    "As pessoas mais pobres são, obviamente, as mais desprovidas de cultura(em geral)."

    Claro. Sempre são os outros que são desprovidos de cultura, e nunca nós. E é sempre nós que sabemos o que é melhor para os outros, e nunca eles.

    "O fato do cidadão que vendeu seu rim para comprar um aparelho eletrônico demonstra isso de forma clara."

    Um único exemplo em todo o universo -- e, justamente por ser único, ficou mundialmente famoso -- e você já diz que isso é rotina? Tá sabendo direitinho...

    "Imagine um país onde os pobres podem mutilar seu próprio corpo para "curar" a fome!"

    Mutilar?! Há um familiar meu que só está vivo até hoje porque recebeu a doação de um rim (e foi pago por isso, ainda que sob os panos, pois o governo proíbe). Até hoje ainda mantemos contato com o doador (que era pobre e melhorou de vida por causa dessa ação). Ele não está nada "mutilado".

    Deixa de ser ignorante.

    "Não sou religioso mas, que deus aprovaria isso?"

    Bom, o seu deus, pelo visto, aprovaria pessoas morrendo nas filas, por absoluta falta de órgãos. Sem dúvida nenhuma, esse seu deus não tem nada de humano. Deve ser aquele que habita o andar de baixo.
  • Felipe  03/03/2015 14:52
    "Essa é a idéia mais cruel de que eu já ouvi falar."

    Serio? Deixar as pessoas serem livres é algo cruel? Acho as ideias de Stalin, mao e Lennin algo cruel. Mas é essa a diferença moral entre eu e você.

    "As pessoas mais pobres são, obviamente, as mais desprovidas de cultura(em geral)."

    Falou o homem culto. Tem muitos pobres que são mais inteligentes que esses mané que dedicam horas lendo as besteira de Marx e depois tem overdose nas festas universitárias.

    "Imagine um país onde os pobres podem mutilar seu próprio corpo para "curar" a fome!"

    Imagine um país que é melhor deixa o pobre morrer de fome do que deixar ele ganhar dinheiro.
  • Magno  03/03/2015 15:33
    Bom, já estava bem reticente com esse Libertarianismo, ou seja lá o que for. Com esse texto já sei que posso descartar a teoria. Com a resposta que o senhor Trajano deu aí também sei o tipo de pessoa que essa teoria agrega, porque agrediu gratuitamente um questionamento legítimo e não apresentou argumento algum. Mais uma teoria para salvar o mundo... tanto lá quanto cá...
  • Sandro lima  03/03/2015 17:15
    Pois é, existe gente boa e gente ruim em todo o canto.

  • Vinícius  05/03/2015 22:35
    Magno, não entendi a ausência de argumentos...

    Pela lógica da pessoa anterior (e a sua), a venda de órgãos faria com que o órgão possuísse valor e passaria a ser visado por quadrilhas.

    Ok, mas o órgão JÁ possue valor, e MUITO maior que qualquer comércio legalizado poderia cobrar, já que a ilegalidade incorre em diversos custos extras (comprar silêncio, suborno, proteção extra-oficial, pagar bandidos e silenciar testemunhas, etc). Caso a venda fosse legalizada, os custos caririam vertiginosamente, e também os preços.

    E, além disso, qualquer bem com valor pode ser subtraído, e o é. Se fôssemos proibir qualquer venda de produtos que possuem valor comercial somente pelo fato de poderem ser subtraídos, proibiríamos a venda de carros?

    Ah! Mas quando se rouba um carro, não necessariamente se mata a vítima!

    Diria o mesmo sobre a extração de órgãos, mas e o exemplo de cortar dedo para roubar alianças?

    Portanto, legalizar não possui nenhum malefício contra a criminalização, exceto que uma pessoa poderia se arrepender de vender o órgão e não poderia pegar de volta, mas isso acontece em qualquer transação financeira
  • Trajano  03/03/2015 15:35
    Nenhum argumento?! Minha tia viva por causa de um transplante pago não é "nenhum argumento"?! Ah, vá pastar!
  • Vinicius  10/03/2015 22:11
    Interpretação de texto....

    Eu não entendi porque a pessoa de cima havia dito que não haviam argumentos quando, na verdade, diversos foram expostos...
  • Alan  03/03/2015 17:27
    "dedicam horas lendo as besteira de Marx e depois tem overdose nas festas universitárias."
    Que horas nada, os caras leem em meia horinha a apostila que o professor passa, com os textos selecionados. Isso quando não não leem o resumo da apostila hehehe
  • Wolmar  03/03/2015 15:02
    Não precisa de nada disso...
    A clonagem humana já é um fato. Em breve todos, ou pelo menos aqueles que puderem pagar, poderão fazer um ou mais clones de si mesmos e tirar deles quantos órgãos quiser.
    Ou então. Existe um estoque quase incalculável de embriões congelados e inúteis em clínicas de fertilização. Por que não usá-los para extrair células-tronco? O mercado de embriões é algo extremamente promissor. Imagine quantos um casal saudável não poderia produzir? Se voce pensar num homem bem dotado física e mentalmente, ele poderia aproveitar a boa vida de reprodutor profissional só de vender o sêmem. E imagina se alguem quisesse ter filhos bonitos, não poderia comprar o filho da Gisele Bundchen com o Gianechini?
    Será que eu estou viajando? Será que eu tomei muito oxi legal? Ou a gente vai ficar aqui falando das vantagens do mercado de cadáveres e de mutilados?
    Welcome to the Libertarian Brave New World!
  • Trajano  03/03/2015 15:20
    Que alguns conservadores -- como esse Wolmar demonstrou no artigo sobre as drogas -- sejam contra a descriminação da drogas é até compreensível (afinal, a droga, por si só faz mal).

    Agora, pra mim é novidade que eles também sejam contra uma medida que claramente salvaria vidas, sem nenhuma contra-indicação (como eu disse, há um familiar meu que só está vivo até hoje porque minha família pagou para um homem lhe doar um rim).

    Pensei que, para um conservador, a vida fosse o dom mais precioso que havia. Mas, pelo visto, eles gostam mesmo é do mercado negro. E de gente sofrendo.

    Aliás, até agora, nenhum argumento racional. Só efusões de emotividade -- coisa aliás que eu também pensava ser monopólio da esquerda.
  • Wolmar  03/03/2015 15:56
    Engraçado eu não achei que estava sendo tão emotivo. Na verdade eu queria apenas ser cínico e não apresentar nenhum argumento contra a venda de órgãos humanos, mas apenas ampliar o debate para essas possibilidades, pois é possível falar em mercado genético. Aliás eu esqueci de mencionar que as clínicas de aborto também poderiam fornecer farto material. Os libertários também são a favor do aborto, pois não?

    Para terminar seu parente encontrou um vendedor certo? Teria sido bem mais fácil encontrar um nos classificados, não é mesmo?
  • Almar  03/03/2015 16:01
    Só pra você ver como você não faz a mais mínima ideia do que fala:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=241

    Chegou ontem e já acha que conhece todo o corpo de uma teoria.
  • Pobre Paulista  03/03/2015 16:11
    Os libertários também são a favor do aborto, pois não?

    Não. Aborto fere o PNA.

    Quem é a favor do aborto são os comunistas, e é uma pena que muitos deles se auto-intitulem "libertários".
  • Tio Patinhas  03/03/2015 17:03
    Em relação ao aborto tem o eviccionismo, uma outra visão libertária sobre o assunto.
  • Silvio  03/03/2015 20:37
    Alguns libertários são sim a favor do aborto. Não sei muito bem como isso pode se dar, mas há sim. Veja a seção de comentários desse artigo e dê especial atenção às intervenções do Fernando Chiocca, um libertário acima de qualquer suspeita.
  • Felipe E.  03/03/2015 15:34
    "A clonagem humana já é um fato"

    É mesmo? até hoje eu nunca conheci um clone.

    "poderão fazer um ou mais clones de si mesmos e tirar deles quantos órgãos quiser"

    E você defende isso? pois eu não lembro de nenhum artigo aqui defendendo a reprodução de seres humanos para depois arrancar seus órgãos.

    "Será que eu estou viajando?"

    Sim.

    "Será que eu tomei muito oxi legal?"

    Não sei, mas alguma coisa você precisa tomar.


    "ou a gente vai ficar aqui falando das vantagens do mercado de cadáveres e de mutilados?"

    Ué, e qual o problema? um dono da funerária também tira vantagem com mortos, uma empresa de prótese tira vantagem com mutilados, e ai? devemos proibi-las?
  • Wolmar  03/03/2015 18:37
    Se vc perdeu a noticia aqui vai

    noticias.band.uol.com.br/jornaldaband/conteudo.asp?id=100000598651
  • Lopes  03/03/2015 19:32
    Não é vantajoso clonar um ser por apenas órgãos. É mais econômico criar órgãos sintéticos. Especialmente porque a clonagem não se mostrou, ao menos em meu conhecimento, capaz de criar um clone com telômeros longos de criatura nova. Telômeros originados mais curtos (pode-se dizer que são "velhos") em órgãos transplantados já teriam maior tendência a originar câncer no médio prazo - colocando o usuário em potencial risco de vida que viria a questionar seu benefício à saúde do receptor; especialmente à margem do órgão sintético, bem mais promissor:

    healthland.time.com/2013/06/06/5-discoveries-that-will-change-the-future-of-organ-transplants/slide/artificial-organs/

    A monstruosa fantasia do estado clonando pessoas para retirar seus órgãos e dar a figuras importantes da sociedade continua sendo, felizmente, coisa da ficção britânica.
  • Pobre Paulista  03/03/2015 16:00
    Como fica a questão da auto-propriedade de alguém que morreu? Quem poderia vender seus órgãos?
  • Felipe  03/03/2015 16:19
    Ué, e morto tem propriedade? O corpo morto é propriedade de seus familiares.
  • Tio Patinhas  03/03/2015 17:05
    Acho tb que o morto, quando vivo, poderia fazer uma espécie de testamento determinando quem poderia vender seus orgãos ou mesmo se estes poderiam ser vendidos (ou doaddos).
  • Pobre Paulista  03/03/2015 18:19
    Com testamento fica fácil né :)

    Minha pergunta é: qual é o "verdadeiro" proprietário de um corpo de um falecido?

    Se ainda vale a auto-propriedade, e a pessoa não tenha deixado nenhuma instrução a respeito do seu corpo, então qualquer retirada configuraria um roubo, certo?

    Se não vale a auto-propriedade, ou seja, é um conceito que vai embora com a morte, então voltamos ao estado de "apropriação original", e o corpo pode ser clamado por qualquer pessoa, e este teria direitos de propriedade sobre o mesmo. No entanto não me parece correto que uma pessoa seja "dona" de um corpo que não é ela mesma.
  • Felipe  03/03/2015 19:53
    Caramba pobre, o corpo de um morto pertence a família. São eles quem fazem o velório, eles que enterram. Se não há nenhum testamento, o bom senso diz que é a família a responsável pelo corpo.

    Ora bolas, de quem vai se o corpo morto, do estado?
  • Jax  22/07/2015 13:56
    O corpo do morto é do morto, não da família.
    A família apenas cuida do morto, igual faz com indivíduos bebês que ainda são totalmente dependentes da família.

    Comércio de órgãos só deveria ocorrer com indivíduos que assinaram algum contrato durante a sua vida que permita uma instituição hospitalar retire seus órgãos quando ele vier a falecer.
  • Felipe  22/07/2015 16:25
    "O corpo do morto é do morto"

    É, então me diz como um morto pode ter propriedade sobre algo?

    Corpo do morto é responsabilidade da família, são eles quem enterram. Se a família desejar vender os órgãos eles podem.
  • anônimo  23/07/2015 10:54
    '"O corpo do morto é do morto"

    É, então me diz como um morto pode ter propriedade sobre algo?'


    A justiça privada contrata um médium privado, faz uma seção espírita, o espírito do cara baixa e diz o que deve ser feito com o corpo.O médium assina um contrato garantindo que o espírito que baixou nele é autêntico.
  • jerônimo  23/07/2015 21:19
    É, então me diz como um morto pode ter propriedade sobre algo?'

    Eu sou dono do meu corpo e, assim sendo, tenho o poder de determinar o destino dele para depois que eu me for. Assim sendo, mesmo morto, sou dono do meu corpo e ninguém poderia legitimamente dar a ele um uso diverso daquele que dispus enquanto vivo. O mesmo valeria para meus outros bens, como, por exemplo, minha casa. Enquanto vivo, determino que depois da minha morte ela seja convertida em abrigo para meus 372 gatos e meus filhos não poderiam legitimamente ignorar essa disposição, afinal, assim como meu corpo, a casa é minha, não deles.

    A justiça privada contrata um médium privado, faz uma seção espírita, o espírito do cara baixa e diz o que deve ser feito com o corpo.O médium assina um contrato garantindo que o espírito que baixou nele é autêntico.

    Ha ha, que engraçado. Só que não.
  • Jax 2  25/07/2015 01:52
    """Eu sou dono do meu corpo e, assim sendo, tenho o poder de determinar o destino dele para depois que eu me for. Assim sendo, mesmo morto, sou dono do meu corpo e ninguém poderia legitimamente dar a ele um uso diverso daquele que dispus enquanto vivo. O mesmo valeria para meus outros bens, como, por exemplo, minha casa. Enquanto vivo, determino que depois da minha morte ela seja convertida em abrigo para meus 372 gatos e meus filhos não poderiam legitimamente ignorar essa disposição, afinal, assim como meu corpo, a casa é minha, não deles."""

    Ótima explicação, jerônimo. Concordo 100%. O corpo e a propriedade de um indivíduo só podem ser de outro indivíduo mediante o contrato concordado por ambas as partes.
  • Jax 2  25/07/2015 01:49
    Mesmo morto o corpo ainda é do indivíduo morto, não da família. Não tem como uma pessoa ser dona do corpo de outra sem um contrato concordado por ambas as partes.

    Só se pode vender os órgãos de um indivíduo morto se esse indivíduo assinar durante a vida que concorda em doar seus órgãos quando estiver morto.
  • Lopes  03/03/2015 19:38
    Esta discussão familiar inexiste justamente porque não há a possibilidade da venda de órgãos frente a possibilidade deles serem devorados por bactérias e outros decompositores. Idem, por exemplo, ao atraso com que inúmeras formas de geração de energia descentralizadas sofreram um atraso centenário graças aos monopólios concedidos pelo estado.
  • O Belo  03/03/2015 18:04
    E se o morto não quisesse deixar seu corpo para seus familiares? Ele não tem esse direito? Então não dá para afirmar que seu corpo seria automaticamente de seus familiares.
  • Ricardo  03/03/2015 16:04
    Até agora, zero argumentos contra. Só afetações de ironia e efusões de emotividade. Confesso que esperava mais, bem mais, desse tipo de "conservador" que vem aqui -- cujo intelecto, convenhamos, é pessimamente representado por esse tal Wolmar.
  • hudson  03/03/2015 16:13
    "Sei que meus órgãos têm valor e que podem me render uma grana quando eu precisar, e que serão parte do patrimônio deixado quando eu morrer; mais um motivo para mantê-los em bom estado."

    Não dê ideia, senão o governo vem e cria o IMTOPM - IMposto de Transmissão de Órgãos Post Mortem.
  • hudson  03/03/2015 16:22
    Isso aqui vale um artigo
    economia.ig.com.br/financas/seunegocio/2015-03-03/ter-o-proprio-negocio-e-o-sonho-de-4-em-cada-10-moradores-de-favelas.html
  • Sandro lima  03/03/2015 17:08
    Também acho que poderia ser muito mais benéfico o livre comércio.
    Mas a questão e justamente o do Chinês do Ipad! Tem muita gente ingênua e muita gente que adora se aproveitar dessas pessoas..
    É o que acontece com muita gente ignorante quando vai ao banco e o gerente enche o cara de produtos que o cara nem vai usar.
    E Hoje, não tem ninguém tentando me convencer a vender o meu rim!
    Hoje, quando vou comprar um carro, financio em 60x sem juros sem entrada, me atraso minha vida em uns 6 anos, ao invés de meu rim mais 'suaves 60x prestações'...

    Querendo ou não, o mundo é dos mais inteligentes, dos mais espertos...

    Ahhh me lembrei de um filme que assisti... "Repo man".
    Onde os caras recuperar os órgãos das pessoas que não pagavam.
  • Felipe  03/03/2015 18:01
    Infelizmente a maioria dos indivíduos perdeu qualquer grau de responsabilidade devido ao crescimento do estado de bem-estar social, da destruição da família tradicional e dos valores cristãos.

    Mas como libertário, não acho correto alguns adultos pagarem por monte de crianças crescidas.

    É interesse para quem leu o livro "Democracia o deus que falhou" vê que a teoria do livro está corretíssima, o crescimento do estado de bem-estar aumento a preferência temporal dos indivíduos, criando assim, cidadão sem valores que só valorizam o presente.
  • Alan  03/03/2015 17:48
    Para mim meus órgãos não podem ser avaliados em termos monetários. Porém depois de morto, eles não teriam valor nenhum também podres. Quem poderia dar algum valor para eles seriam os meus familiares vivos, que caso sua moral admitisse, os venderiam.

    Eu pessoalmente acho imoral a pilhagem das partes de um cadáver, seja para vender ou para doar. Mas a moral não é algo consensual, cada um tem a sua. Eu como cristão, não aprecio a prática. Eu diria que é preferível morrer com dignidade. Mas por outro lado, nunca passei por esta situação. Se eu precisasse de uma doação para viver eu me negaria ou não? Se um filho ou parente próximo estivesse precisando de uma doação e eu pudesse pagar por isto, pagaria ou deixaria este ente querido morrer? Eu não respondo aqui, porque isto exige mais do que rápida reflexão.

    O argumento de que o mercado negro acabaria é plausível, porém não sei se me convence. Tudo dependeria da procura por órgãos e do valor que as pessoas quiserem cobrar. As pessoas normalmente só venderiam órgãos caso um parente falecesse. Mas o mercado negro conseguiria o órgão mais rapidamente através do assassinato, podendo atender a demanda mais rapidamente. Hoje celulares são vendidos nas lojas, mas muitas pessoas ainda optam por comprar celulares roubados porque os preços são mais baixos. Creio que o mercado negro não desapareceria, poderia apenas diminuir.

    O assunto é bem complexo e controverso. Não me interesso por debater o assunto, mas foi bom pensar um pouco sobre isso. Mas eu duvido muito que seria aprovada alguma coisa pelos políticos.
  • Vagner  04/03/2015 17:42
    "Mas a moral não é algo consensual, cada um tem a sua."

    As mazelas do mundo devem-se para subjetivização da moral.
  • Alan  05/03/2015 12:58
    Concordo com você, mas visão secular, moral não é absoluta. Para mim é.
  • Brant  03/03/2015 17:56
    No brasil é proibido ser remunerado por uma simples doação de sangue, o resultado todos conhecem, escassez de sangue nos hospitais e pessoas morrendo na fila de espera.

    Me parece que algumas pessoas preferem ver a morte de um paciente do que um mercado de sangue e órgãos.
    É melhor morrer de fome defendendo comida grátis do que colocar um preço nos alimentos. Bem mais nobre não acham?
  • Raphael   03/03/2015 19:59
    Essa questão não é tão simples.
    Se, por exemplo o comércio de órgãos for legalizado no Brasil, e o transplante de órgãos continuar sendo realizado pelo SUS, o governo teria que passar a custear algo que atualmente é gratuito, ou seja, os órgãos, o que acarretaria um aumento de despesa.
  • Wolmar  03/03/2015 20:02
    1) Compra e venda de órgãos intervivos
    Ainda não existe um mercado formal para essa mercadoria. Ao mesmo tempo que desconheço haver alguma repressão nesse sentido; a ponto de um comentarista daqui afirmar que um membro de sua família conseguiu um rim sem ser assediado pela polícia. E aqui peço sem nenhuma falsa modéstia que alguém me aponte aonde tal prática fere o direito civil ou penal. IMHO a questão legal aqui pouco afeta a questão de saúde, além da possível presença estatal em regulações sanitárias e liberações de funcionamento. Mas se fosse possível encontrar órgãos nos classificados, provavelmente seria via um grande hospital, convertido em empresa de transplante de órgãos que certamente se lançaria na obtenção de mercadorias como disse o Sandro Lima logo acima. A oferta provavelmente superaria a demanda em algum ponto e ficaria a pergunta: O que é que estaremos deixando as pessoas fazerem a si mesmas? Eu gostaria de falar da imoralidade dos lucros obtidos por uma empresa do tipo, mas passaria por esquerdista ou sentimentaloide. Afinal tanto faz vender veneno recreativo como deixar um indivíduo se estropiar para pagar suas dívidas

    2) Compra e venda de órgãos post mortem – obrigado hudson
    Aqui a porca torce o rabo. Não só pelas questões óbvias da propriedade do defunto, mas também porque um doente seria logo visto como mercadoria, e seus familiares começariam a se perguntar se o parente em coma, ou sob tratamento prolongado valeria mais morto que vivo, e seus filhos ficariam a se preocupar com o testamento do moribundo. Para que possa haver um mercado de órgãos a primeira coisa a fazer será legalizar a eutanásia
  • Emerson  03/03/2015 20:19
    Discordo. Liberando o comércio, muita gente vai matar outras pessoas para vender os órgãos. Aliás, isso já acontece na China e na Rússia.
  • Dimitri Yang  03/03/2015 23:04
    Ué , não sabia que na China e na Rússia o comércio era liberado... Aprende-se uma coisa nova a cada dia.
  • Lopes  04/03/2015 03:32
    Quem estripa pessoas não se importa se o mercado é legal ou não - o próprio ato de estripar já será ilegal para começar. O que a legalização da venda de órgãos fará é jogar o preço deles para baixo, tornando a lucratividade absurda dos traficantes de órgãos em uma impossibilidade pouco competitiva e de pouca qualidade (dificilmente os estripadores detalham tamanho, sangue e genética do órgão, por exemplo; fatores fundamentais para o matching e posterior transplante do órgão).

    Veja os preços ilícitos: www.telegraph.co.uk/news/uknews/10146338/Organ-trafficking-a-deadly-trade.html (Estranho, os assassinos não se importam com a legalidade de algo... E a demanda também não espera uma oferta para existir, estranho; as pessoas precisam de comida mesmo quando não há comida sendo vendida! Absurdo!)

    Receio que seja uma personagem irônica, porém. Tua sentença foi, sinto muito, completamente vulnerável a 30 segundos de pensamento crítico.

    Recomendo que leia minha resposta ao Paul, lá embaixo, para entender mais.
  • Rodrigo  04/03/2015 01:21
    Bom, se já está assim hoje, imagine quando liberar o comércio...
  • Rodolfo  04/03/2015 18:13
    Concordo com o Emerson. Sendo proibido já fazem isso, imaginem liberando o comércio. Além do mais, criminosos e os próprios familiares podem vender órgãos mais baratos do que empresas.
  • Gunnar  05/03/2015 18:03
    Claro Emerson, assim como fazem as funerárias hoje, certo?
  • denis  03/03/2015 21:01

    Gosto do site e sempre dou uma visitada, apesar de não ser profundo conhecedor de economia, mas como essa permeia toda nossa vida e é essencial, acho importante esse site, longe de convescotes socialóides e intervencionistas. No entanto, causou-me "náuseas" a proposição desse articulista, dito "mestre e filosofia". É mais um passo em direção à imoralidade total da cultura contemporânea. Não existe teoria econômica que possa validar essa proposta desumana e me permita dizer apenas uma palavrinha (que talvez não soe bem a pessoas de elevada cultura e baixíssima humanidade): Nojenta!
  • Trajano  03/03/2015 22:42
    Exato, Denis. Muito mais humano, ético, moral e asseado é deixar os outros morrer sem órgãos. Graças a Deus, e a uma boa alma, uma pessoa aceitou doar, em troca de dinheiro, um rim para a minha tia, que sobrevive com esse único rim até hoje.

    E sabe o que é realmente nojento? Pensar que pessoas como você estariam dispostas a usar de violência para impedir que essa transação pacífica e voluntária ocorresse, o que culminaria no óbito da minha tia. Quem realmente é o ser humano desprezível aqui?
  • denis  10/03/2015 19:54
    Deixe de ser ridículo. O próximo passo é a escravidão total do ser humano para melhor gerir balancetes e cálculos econômicos. """sabe o que é realmente nojento? Pensar que pessoas como você estariam dispostas a usar de violência para impedir que essa transação pacífica e voluntária ocorresse, o que culminaria no óbito da minha tia""" .. meça suas palavras seu boçal. E permita-se ver o problema de uma forma humanitária e abrangente, muito além de "sua tia" (com todo o respeito que todos os seres humanos dignos merecem). Eu usaria de violência para impedir a mercantilização total da sociedade. Crianças já não existem, senão, meros consumidores. Como bem disse outro leitor """""" Um corpo humano jamais deveria ser propriedade de outra pessoa. Admitir tal coisa seria dar um passo para próximo da escravidão, que nada mais é do que a propriedade de corpos humanos vivos. Certamente um grande retrocesso em termos de liberdade. Tendo em vista a dignidade humana, seria imprudente dar este passo. O corpo de uma pessoa viva não pertence a ela, mas é parte integrante dela. Entre pertencer a alguém e ser parte de alguém há uma diferença muito grande. Essa confusão pode parecer pequena, mas abre as portas para tragédias. Perverte todo entendimento de vida e do ser humano que temos hoje""" ...mas para pessoas viciadas em balancetes, números e eficiência e que prescindem de humanidade, tanto melhor. Lembro de Miles Davis, ao comentar sobre músicos totalmente identificados com sua arte e não com o mundo em si: O jazz faz parte da vida e não o contrário".
  • denis  11/03/2015 17:31
    Você é que é desprezível. Viraremos todos uma prateleira ambulante de órgãos? Você consegue pensar além de sua tia? Seres como eu usarem de força para impedir essa transação pacífica? É o vale-tudo da imoralidade contemporânea disfarçada em culto a planilhas de custos da escola austríaca. Meça suas palavras antes de arrotar sua falsa erudição e humanismo.
  • Felipe  11/03/2015 20:28
    "Viraremos todos uma prateleira ambulante de órgãos?"

    Por que todos? quem disse que todos estaremos com nossos órgãos a venda? Só aqueles que estão dispostos a vender. Você, por exemplo, não precisa vender para ninguém seu rim, e pode fazer um testamento para não permitir que nenhum parente seu venda alguma parte sua.

    Viu como é simples.

    E mais, será que você já parou para pensar que os órgãos vendidos terão um destino? Será que você acha que alguém vende seu rim e depois o rim fica de enfeite no hospital? Você seria tão ingênuo de esquecer que alguém estará sendo salvo com esses órgãos a mais? Será que você é tão "desprezível" de não querer permitir que algumas pessoas vivam?
  • denis  11/03/2015 21:31
    Em tempos de caça a liberdade individual (que começa sua escalada ) em todos quadrantes do Globo (principalmente da pátria-mãe da liberdade (e globalismo )os EUA) , de desagregação social, estaremos realmente livres para vender nosso órgãos em uma feira-livre? O ser humano é muito mais que planilhas econômicas e palavras frias. Nada tenho contra sua tia ou família... mas seu modo de pensar em termos de salve-se quem puder, serve muito bem a imoralidade contemporânea.
  • Felipe  12/03/2015 20:22
    "O ser humano é muito mais que planilhas econômicas e palavras frias"

    E quem disse o contrário? Você está criando um monte de estigmas numa situação tão simples.

    Tudo que este site defende se resume a liberdade individual, o direito a cada um sobre seu próprio corpo. Ai vem você com um monte de distorções sobre uma mera troca voluntária que em nada irá interferir na sua vida.

    Afinal quem trata seres humanos como planilhas e meios sãos vocês da esquerda ou da direita. Adoram impor sua vontade sobre todos nós, adoram desrespeitar o maior principio de todo progresso da civilização: a propriedade privada.

    E a degradação social está sendo causada pelo crescimento estatal e as consequências que dele advém: destruição da propriedade privada, instabilidade legislativa, destruição da família, aumento de parasitas e maior custos ao hospedeiros.
  • Eduardo  13/03/2015 02:40
    Se defende tanto a dignidade humana, porque à denigre dessa maneira? Porque você se considera um ser superior, à ponto de decidirem o que as pessoas devem ou não fazerem com suas vidas, com seus corpos?

    Perdão, mas imoral são pessoas como você, quem caça nossa liberdade individual são pessoas como você.
  • GIULIANO  03/03/2015 21:37
    E como ficaria o pobre depois do comércio de órgãos ser oficializado?
    Realmente ele poderia vender algum órgão e ganhar algum dinheiro, mas seria o suficiente para tirá-lo definitivamente da pobreza?
    Se a resposta é q sim, que vai tirá-lo da pobreza, significa que o valor de um órgão será tão alto, que com certeza nenhum pobre ou de classe média baixa, poderá comprar um órgão quando precisar de um.
    Sairão da fila de espera por um órgão gratuito, para a espera e a morte sem esperança de um dia poderem ter o órgão que precisam de forma nenhuma!!!
    Teremos assim mais uma das coisas que só a classe alta poderá ter!!!
    Para os pobres nada, nem esperança!!!!
    E se o mercado for inundado com órgãos, pois todos os pobres vão vender para sair da pobreza, então nenhum sairá da pobreza, pois seu preço cairá muito nessa hipótese da oferta abundante, e ai ninguém irá vender mais, não valerá a pena!!!
    Se tem muita gente vendendo, mais que a procura, então é melhor nem vender pq o lucro será ínfimo!!!
  • Gemma  03/03/2015 22:51
    Putz, quem é que está falando que comércio de órgãos é a solução para a pobreza? Pára de criar espantalhos, cidadão. Ou então, pára de viajar. Ninguém aqui tá defendendo o comércio de órgãos com o argumento de que isso vai eliminar a pobreza, não. E, mesmo que isso acontecesse, seria um efeito meramente secundário.

    O que está em debate aqui é uma medida que poderia salvar milhares de vidas. E, espantosamente, os conservadores -- que adoram dizer que são pro-vida -- são contra.
  • Marcelo  04/03/2015 12:09
    GIULIANO, pelo seu raciocínio seria necessário (e talvez obrigatório) regulação do estado para fixar o preço alto dos órgãos, para que as pessoas possam enriquecer de uma vez só e resolver os problemas sociais... opa mas aí os pobres que precisam não poderão comprar, então dá-lhe subsídio do governo.

    e depois são os liberais que são gananciosos demais e sem preocupação com a vida alheia.
    Estamos falando aqui de ampliar as possibilidades de salvar vidas por meio da legalização de venda de órgãos... vende quem quer e compra quem precisa, simples assim.
  • Paul  03/03/2015 23:04
    A Escola Austríaca entende o mercado como processo, uma ordem espontânea, na qual os preços representam "insights" de informação aos interessados. Portanto, de fato qualquer mercado sempre existirá, seja este legal ou um mercado negro. O mercado de órgãos legal destruiria o mercado negros isto é fato.
    Não acredito, porém, que a existência de um mercado de órgãos por si só iria aumentar o número de transplantes, apenas teríamos mais órgãos disponíveis. E, esta disponibilidade influiriam no preços dos mesmo, comunicando ao doador (vendedor) e implantado (comprador) a viabilidade do negócio.
    Porém, o fator humano, ou melhor o serviço é tão importante quanto o insumo (o órgão). O mercado de órgãos e o mercado de serviço de profissionais neste casos são coisas distintas, se fosse possível um mercado de órgãos iríamos a prateleiras e escolheríamos um, mas relação aos serviços médicos não são possível de encontrar na prateleira.
    Concluindo.
    Acho que deveria se discutir o "mercado de transplantes" que envolve médicos, enfermeiros, infraestrutura e mercado de órgãos - vendedores e compradores de órgãos.
    Quando se pauta um problema econômico algumas escolas de pensamento aceitam o "ceteris paribus", a Escola Austríaca não.
    Este é o problema do artigo, faz um "ceteris paribus", imagina somente o mercado de órgãos e esquece as demais dimensões (ou variáveis).
    Grato
    Paul A N M Jr
  • Anka   03/03/2015 23:20
    "Não acredito, porém, que a existência de um mercado de órgãos por si só iria aumentar o número de transplantes, apenas teríamos mais órgãos disponíveis. E, esta disponibilidade influiriam no preços dos mesmo, comunicando ao doador (vendedor) e implantado (comprador) a viabilidade do negócio."

    Raciocínio incoerente, beirando o non sequitur.
  • Paul  04/03/2015 00:08
    Caro Anka
    Talvez melhor seria suprimir "E, esta disponibilidade influiriam no preços dos mesmo, comunicando ao doador (vendedor) e implantado (comprador) a viabilidade do negócio."
    Agora, "beirando o non sequitur" é um elogio, pois estou debutando nos comentários.
    Estou ainda no começo dos meus estudos sobre a Escola Austríaca.
    O artigo é falho ao fazer um suposição "ceteris paribus" de um mercado que seria de transplante e não de órgãos. Isto a escola Austríaca não admite.
    Mais uma vez agradeço sua gentileza de seus comentários.
  • Paul  04/03/2015 16:25
    Caro Anka
    Vc está correto seria melhor suprimir "E, esta disponibilidade influiriam no preços dos mesmo, comunicando ao doador (vendedor) e implantado (comprador) a viabilidade do negócio."
    Grato.
  • Lopes  04/03/2015 03:16
    Serei honesto, Paul: creio que entendi aonde quis chegar, mas não com certeza. Seu ponto é que o processo da transplantação não será resolvido ao eliminar a escassez de órgãos, pois você menciona vários outros fatores até a entrega do serviço que podem comprometê-lo. Trocando o serviço por outro, como a água, por exemplo, você poderia argumentar que o fim da seca não significaria a existência de água passando pelos encanamentos dos consumidores.

    Embora a qualquer versado na área, a escassez de órgãos seja a lesão mais fundamental de todo o sistema de transplantes e uma quantia maior de órgãos para a fila de espera COM CERTEZA será efetivo e imprescindível para seu funcionamento, aceitemos 5 pontos:

    Processo para um órgão ser transplantado:
    1) Doação. Informações como tamanho, sangue, condição e genéticas são informadas pelas organizações responsáveis na doação. O mercado negro carece da mesma qualidade e um empreendimento privado funcionará de modo a tentar encontrar da forma mais rápida possível o órgão para o transplante. ATUALMENTE, este é o processo mais lento de todos, levando anos e consumindo absurdos recursos em métodos para garantir a sobrevivência daqueles na fila de espera, como a diálise.

    2) Matching / Compactuabilidade. Aqui é a parte que decidirá os empreendimentos de sucesso: serão aqueles que conseguirem encontrar o recipiente ao órgão vendido / doado mais rapidamente e com maior certeza. Não é tão fácil quanto soa, porém.

    3) Equipe Médica. A equipe médica é que tratará de aceitar / rejeitar órgãos oferecidos pelas companhias dos passos anteriores. Outra oportunidade para empreendimento: com maior quantia e variedade de órgãos em circulação e maior velocidade no processo de matching, os hospitais que forem capazes de aproveitar esta corrida para salvar vidas ao optimizarem a análise e os preparos serão os que mais ganharão com todo o arranjo. Atualmente, a quantia de órgãos em transição é tão insignificante que o processo 3) leva tempo ínfimo em relação ao 1); mas você está certo em informar da possibilidade de perder velocidade. Entretanto, um furacão repentino e seu "blackout", por exemplo, beneficia os mercados que justamente se disponibilizam de maior quantia de gelo em reservas.

    Apesar da ínfima quantia de transplantes em relação à demanda, há mais de 200 hospitais que JÁ desenvolvem esta especialização em transplantes apenas nos EUA. Fonte:
    www.transplantliving.org/community/patient-resources/frequently-asked-questions/#match (Recomendo a qualquer pessoa que já sofreu com a situação terrível de um ente querido na fila de espera. Também, aos curiosos. É um FAQ bastante completo).

    4) O transplante. O que determinará soluções empreendedoras aqui e no 3) será justamente a quantia de matchings acertados e a quantia de órgãos em oferta. Se, por exemplo, existirem muitos órgãos sendo ofertados, acho natural que existam grupos médicos exclusivamente dedicados ao 3), separando-o do 4). Porém é impossível de determinar com o conhecimento que temos neste instante.

    Aqui haverá dois problemas: se o arranjo do transplante for público, acho perfeitamente possível que 3) e 4) serão distintos. 4) será muito mais lento no arranjo público, porém; sua
    demanda tenderá ao infinito e a discriminação de acordo com a necessidade dos distintos pacientes terá de ser, provavelmente, gerada por ele próprio - por medo de qualquer "corrupção" de empresas privadas em 3) - acidentalmente, seu próprio julgamento poderá ser facilmente manipulado por interesses paralelos em termos de quem receberá o transplante, dado que haverá uma impossibilidade técnica e uma falta de motivação para que seu diagnóstico seja verdadeiro.

    Se o arranjo for privado, a tendência é que comece mais caro e que será procurado especialmente por aqueles que estão em maior urgência. Já existem hospitais de transplante e a quantia destes, atualmente, é limitada principalmente pela escassez do insumo que usam para ofertar serviços. Não há motivo algum para crer que, com um aumento da quantia dos "insumos", não haverá uma expansão no número e variedade de prestadores do serviço de transplantes, tendo como resultado uma redução de preços e uma optimização (nos diferentes tipos de transplantes, para os quais há demandas diferenciadas) / especialização recompensada por uma taxa de lucros mais elevada. Tais arranjos já existem apesar do atoleiro atual.

    Sem o órgão, nem mesmo teríamos chegado ao estágio 2); logo, pode-se concluir que o processo andará seguindo meros princípios lógicos (sem comida, haverá fome). Diferentemente dos estágios 2), 3) e 4), o 1) é o único que devido às restrições na troca de órgãos, não pode ser optimizado de qualquer forma; ele está simplesmente sujeito à mera boa vontade e ao acaso - o que é um absurdo.
    Até este ponto, creio que especifiquei inúmeros motivos pelos quais discordo da tua tese, Paul.

    Não posso doar órgãos, apenas dinheiro; mas minha ajuda financeira jamais será determinante para o sucesso de todo o processo devido à irredutível necessidade de que, para os encanamentos fluírem, é preciso que algo atravesse por eles.
  • Paul  04/03/2015 16:23
    Caro Lopes.
    Brilhante exposição. Concordo com sua argumentação quando observamos o mundo sobre as lentes de espaço e tempo Newtoniana, neste mundo faz sentido. O mundo postulado por ti de fato existiria, porém no mundo real da qual não temos controle vai além de 5 premissas (ou variáveis) que se inter-relacionam.
    Acredito como você, que um número maior de órgãos (permita-me chamar de variável insumo) aumentaria o potencial número de transplantes eficazes, mas isto ocorria se somente todas as demais premissas acontecem ao mesmo tempo. E como exposto por vc isto é difícil de acontecer. Depende de inúmeras variáveis associarem de maneiras corretas.
    Mas consigo enxergar mais variáveis, mudanças culturais necessárias (por exemplo como atingir as testemunhas de Jeová e Judeus ortodoxos), como e quem será responsável pela a venda (haverá pregão neste mundo? uma vez que as famílias destas pessoas com morte cerebral terão dificuldades para negociar dada a emoção do momento, quem viveu em uma UTI por um meses sabe como é), o pós operatório que é tão critico quanto o processo de transplante em si (o risco das rejeições e necessidade de remédios experimentais ara evitá-la), questões de logística e possibilidade de estocagem (meu insumo está no Pará e eu estou em Itaquaquecetuba/SP) e com certeza muitas mais surgirão.
    O que devemos buscar é o sucesso dos transplantes (sua eficácia). Deste modo podemos construir um mundo de maior eficiência no caso dos insumos que são desperdiçados. Como isto ocorre? Certamente com informação, e a informação está presente nos preços segundo o escopo da teoria. Minha pergunta: o sucesso do processo de transplante será somente resultado da informação correta do preço do insumo? Acho que não, pois segundo sua exposição existem outras informações (com preço e outras não precificáveis) para determinar a eficácia do processo, mesmo aumentando a eficiência da alocação dos insumos que é positivo para o mercado do insumos.
    Finalizando:
    Meu comentário não se presta a tese. Apenas aponta a incoerência do artigo a luz de um dos postulados implícitos da Escola Austríaca. A teoria não aceitação de um mundo onde ocorra a condição ceteris paribus em um mercado.
    A condição, ceteris paribus, de manter constante todas as variáveis e analisar somente um variável, no caso os insumos, reduz a argumentação de tamanha relevância a apenas obter o insumo em mudo de escassez.
    Isto não quer dizer que não concorde que uma maior disponibilidade de insumos não iria afetar a eficiência e a eficácia dos transplantes. O processo de transplante representados por suas premissas e posto no artigo observam somente o lado da oferta do insumo.
    "Serei honesto, Paul: creio que entendi aonde quis chegar, mas não com certeza. Seu ponto é que o processo da transplantação não será resolvido ao eliminar a escassez de órgãos, pois você menciona vários outros fatores até a entrega do serviço que podem comprometê-lo. Trocando o serviço por outro, como a água, por exemplo, você poderia argumentar que o fim da seca não significaria a existência de água passando pelos encanamentos dos consumidores" (Discuto o conceito ceteris paribus implicito no artigo)
    Um exemplo, a teoria keynesiana afirma que o PIB irá crescer se estimularmos a DA(demanda agregada), como podemos observar pela conjuntura atual Tupiniquin isto não é verdadeiro. Porque isto é verdadeiro para os keynesiano? A teoria permite o ceteris paribus e a aceita o conceito de espaço e tempo newtoniano.
    Abraço
    Paul.
    Ps. Com certeza um sistema privado de transplantes, que ainda não existe nem nos EUA e nem em Pindorama, e seria muito mais eficiente que o atual. Lá como cá depende-se do serviço publico. O problema está na falta de informação sobre as variáveis não precificáveis que é de domínio público ("a fila" de pacientes e doadores) impede a eficiência do sistema, por isso o mercado negro não decola não tem acesso a fila de doadores. Sua argumentação é perfeita para explicar como fazer a fila andar mais rápido. O que já é de grande valia.
  • Pobre Paulista  04/03/2015 16:35
    No caso da liberação da venda de órgãos, ceteris paribus, realmente faltarão médicos.

    Com isso, o salário dos médicos subiria.

    Isso aumentaria o interesse nas pessoas em se tornar médicas.

    Depois de um tempo, haveria maior oferta de médicos e maiores especialidades.

    E com isso, apenas os melhores médicos ficariam no mercado de transplante, com um salário mais adequado à realidade.

    O mercado se ajusta. O livre mercado não falha. Se vc algum dia suspeitar disso, pode rever suas suspeitas pois elas estão erradas.
  • Paul  04/03/2015 17:45
    Caro Conterrâneo.
    Vc entendeu meu raciocínio? O artigo faz, ceteris paribus, somente para o mercado de insumos. Nossa intenção é salvar vidas através do "mercado de transplante". Vc faz cetiris paribus para o mercado de serviço médico para analisar o mercado de transplante?
    Qual mercado se ajusta enfim?
    O mercado de insumos e de serviços médicos são subprocessos do "mercado de transplante". O que deve-se ajustar é o mercado de transplante, este ajustamento que fará com os demais mercados associados se ajustem. E não ao contrario. Este é o problema do artigo. É o rabo abanando o cachorro.
    Grato.
  • Lopes  04/03/2015 21:30
    Deixe-me ver se posso ajudá-lo, Paul.

    Mas consigo enxergar mais variáveis, mudanças culturais necessárias (por exemplo como atingir as testemunhas de Jeová e Judeus ortodoxos), como e quem será responsável pela a venda (haverá pregão neste mundo? uma vez que as famílias destas pessoas com morte cerebral terão dificuldades para negociar dada a emoção do momento, quem viveu em uma UTI por um meses sabe como é), o pós operatório que é tão critico quanto o processo de transplante em si (o risco das rejeições e necessidade de remédios experimentais ara evitá-la), questões de logística e possibilidade de estocagem (meu insumo está no Pará e eu estou em Itaquaquecetuba/SP) e com certeza muitas mais surgirão.

    Sobre os dogmáticos, organizar-se-ão como já o fazem: ponderam entre seus valores culturais ou os efeitos de não terem órgãos transplantados. Esta resistência não se limi

    Como e quem será responsável pela venda: Eu penso em princípios, no caso, o princípio fundamental da ação humana. As soluções para cada caso devem ser pensadas por empreendedores. São eles os mais interessados (dizer o contrário é falar que odeiam dinheiro) e eles é que desenvolverão as soluções e a sensibilidade para tratar a situação delicada - um excelente exemplo é assistência funerária, que já poderia associar-se com grupos de alocação de órgãos por contrato. Não posso e nem vou prever um futuro hipotético - é o que me pedes, pois é impossível; durante os anos 80, por exemplo, jogadores profissionais de fliperama acreditavam que seriam milionários astros do roque apenas por serem bons em videogames; nos anos 50, acreditava-se que a televisão seria um fiasco.

    Entretanto, jogarei o papel do empreendedor à bem da tua pergunta:

    - Assistência Funerária & Companhia de Matching. Companhias de assistência funerária lidam com a tragédia, como já o fazem em várias famílias. Elas já teriam contatos firmados em organizações de Doação / Matching, que já existem, como a UNOS: www.unos.org/index.php
    Se a UNOS fosse substituída por uma série de empresas interessadas, poderia até mesmo haver um embaratecimento da assistência funerária devido à sua contribuição ao mercado de órgãos.
    Há interesse em ambas as partes.

    O que devemos buscar é o sucesso dos transplantes (sua eficácia). Deste modo podemos construir um mundo de maior eficiência no caso dos insumos que são desperdiçados. Como isto ocorre? Certamente com informação, e a informação está presente nos preços segundo o escopo da teoria. Minha pergunta: o sucesso do processo de transplante será somente resultado da informação correta do preço do insumo? Acho que não, pois segundo sua exposição existem outras informações (com preço e outras não precificáveis) para determinar a eficácia do processo, mesmo aumentando a eficiência da alocação dos insumos que é positivo para o mercado do insumos.

    Atualmente o processo da alocação de insumos tende a levar três meses a menos de um mês - feito por voluntários normalmente sem interesse lucrativo ou desenvolvimento de métodos de optimização do processo para ganhar competitividade. Enquanto isso, o processo para a doação de órgãos leva anos. Desde o Matching até a Aceitação da equipe médica, fatores que explicitei logo acima. Mas veja bem:

    Waiting list candidates as of today 8:13am 123,298
    Active waiting list candidates as of today 8:13am 77,983
    Transplants January - November 2014 27,036
    Donors January - November 2014 13,124

    (Dados da UNOS)

    Ou seja, a UNOS está com 80 mil pessoas precisando de órgãos mas efetuou somente 27 mil transplantes pelo material de um pouco mais de 17 mil doadores (do mesmo doador, pode vir MAIS de um órgão - ou seja, já há optimização) - alguns órgãos podem ter sido herdados de um ou dois meses anteriores. Por incrível que pareça e apesar do deficit gerado pelo insumo, a UNOS é absurdamente eficiente e é uma organização privada sem fins lucrativos. Suas tecnologias de matching, plataformas de doação e tudo mais já existem como tecnologias a serem emuladas por empreendedores.

    Já há preços para órgãos no mercado ilícito e são absurdos, como 800 mil euros para um rim: www.telegraph.co.uk/news/uknews/10146338/Organ-trafficking-a-deadly-trade.html

    Se uma organização como a UNOS, que trata de todas as questões mencionadas por ti, já existe; não há motivo algum para crer que haverá uma expensão de empreendimentos interessados caso, ao menos, existem mais transplantes para serem começados. Uma solução de empreendimento seria justamente tentar precificar tudo isto - desde os custos do matching até a compra do órgão pela companhia interessada e descobrir uma forma de gerar utilidade deste processo; infelizmente, nem todas as pessoas podem esperar pela caridade e será mais vantajoso, mesmo aos mais carentes, que tais serviços privados existam para deflacionar filas de espera.

    Sugiro que o senhor pense, para o fardo do preço, em tudo que o cerca: a dificuldade de criar um computador, cujas peças advém de todo o mundo e sua manufatura fora um esforço global de criação - parece fantástico que tantas informações lograram caber em um preço. Todas os empreendedores que cooperaram para que tal preço fosse criado são um esforço que beira à impossibilidade quando nós dois tentamos pensar sob a perspectiva de um planejador central.
    Assim como órgãos, cada pessoa possui demandas extremamente idiossincráticas para inúmeros bens (pense na comida, por exemplo: plantação, colheita, regulamentação, verificação, distribuição e muito mais - há um micro-universo em tudo), mas isto não impediu que tal bem existisse: apenas criou inúmeras soluções empreendedoriais a serem descobertas por gente comum, que enriqueceu a prover serviços voluntariamente aceitos por outros. Crer na impossibilidade disto ser feito no mercado de órgãos, JÁ EXISTINDO MODELOS VOLUNTÁRIOS A FAZÊ-LO (sob preço zero!), é incoerente.

    Não posso prever o futuro e nem os preços - se pudesse fazê-lo, seria milionário; empreendedores tentariam preços e erros seriam punidos pelos prejuízos, acertos seriam punidos pelos lucros e correções seriam facilitadas pela liquidação de seus ativos (ou novo conhecimento, bem à moda de Hume). Mas posso afirmar que ninguém quer morrer em uma fila de espera.

    Ps. Com certeza um sistema privado de transplantes, que ainda não existe nem nos EUA e nem em Pindorama, e seria muito mais eficiente que o atual. Lá como cá depende-se do serviço publico. O problema está na falta de informação sobre as variáveis não precificáveis que é de domínio público ("a fila" de pacientes e doadores) impede a eficiência do sistema, por isso o mercado negro não decola não tem acesso a fila de doadores. Sua argumentação é perfeita para explicar como fazer a fila andar mais rápido. O que já é de grande valia.

    Já há a UNOS e outras mais (conheço a UNOS bem melhor, porém). Elas lidam tanto com o manejo da doação até o paciente chegar à mesa de cirurgia. E o fazem gratuitamente - reforcei minhas pesquisas para melhor responder à tua pergunta. Como eu especifiquei em minha postagem anterior, há mil e uma formas de separar o serviço da UNOS em várias companhias diferentes; basta pensar no órgão como uma lojinha de frutas qualquer - uma empresa produz, outra distribui em uma cidade X e outra terá de precificar todo o processo; sendo punida ou recompensada pelas mecânicas de lucro e prejuízo.

    Mas nenhuma optimização do mundo fará ar transformar-se em um órgão. O Pobre Paulista tratou de explicar a oscilação de preços, mencionar a função empreendedorial e eu divaguei aqui sobre inúmeras possibilidades dela.

    E isto nem impediu o trabalho em órgãos sintéticos POR COMPANHIAS PRIVADAS:
    healthland.time.com/2013/06/06/5-discoveries-that-will-change-the-future-of-organ-transplants/slide/artificial-organs/ (A SynCardia, por exemplo, [b]DESENVOLVE CORAÇÕES SINTÉTICOS PARA ALONGAR A CAPACIDADE DOS PACIENTES DE SOBREVIVEREM NA FILA DE ESPERA[/B], incrível, não?)

    Como pode ver, o empreendedorismo, como venho tentado empurrar desde o início do meu trabalho, JÁ é muito menos míope e muitíssimo mais interessado do que nós, comentaristas semi-leigos, temos a audácia de especular; e muito mais produtivos. Há mil motivos para crer que ferro não-isótopo da África do Sul jamais chegaria a integrar um setor particular de uma metalúrgica em outro país para ser composto em corte bastante específico em um navio brasileiro - mas assim que são as soluções empreendedoriais. Quando colocadas sob uma lupa, qualquer planejamento central é tolice.

    Espero muito que pondere a minha resposta antes de formar hipóteses.

    Boa tarde.
  • Paul  05/03/2015 21:17
    Caro Lopes
    Vou seguir seu conselhos. Percebi que ainda estou muito cru a respeito da teoria. E por melhor que fossem minhas intenções, espero não ter ofendido o senhor.
    Mas devo confessar que minha dificuldade estão associadas a falta de tempo e meu background de mainstream e marxista, pois é somente isso que se aprende nas universidades brasileiras.
    Espero que em próximos debates possamos construir um arcabouço teórico melhor (na minha cabeça dura). Coloco verbo da frase na 1° pessoa do plural, pois "as teorias" surgem disto do debate honesto e respeitoso. O que seria de Hayek se não fosse Keynes ou de Mises e Rothbard contra seus colegas de debate? Sim! Isto parece estúpido.
    Em momentos de trevas do mundo atual, trazer a luz a nossa consciência demonstra que o mundo não é um quadradinho na qual se samba sozinho.
    Grato
    Paul
  • Lopes  06/03/2015 16:19
    Compreendo suas dúvidas e espero ter sido útil. A investigação foi bastante produtiva e eu mesmo aprendi sobre inovações de diálise que nunca pensei que existissem. O mercado é muitíssimo complexo e é produto da troca intensa e dinâmica de conhecimento de inúmeros agentes; quando substituímos todas estas informações difusas por um órgão centralizador, tudo parece absurdo. Como é que um lápis poderia ser feito? Como acertaríamos o corte do plástico, a acidez da tinta, a grossura do tubo e da ponta; e a cor certa - qual seria? Quem faria o transporte dos materiais, como saberá a quem transportar - e as distribuidoras, como encontrarão consumidores aqui e no interior do Ceará?

    Basta um breve olhar em qualquer empreendimento para entender quão fantástica é a capacidade do ser humano de solucionar problemas de outros e conseguir que todos saiam ganhando com tal arranjo. O mercado é tão inteligente quanto as gentes que o compõem e investem sua ganância naquilo que é útil.

    Espero que retorne ao IMB para dúvidas futuras.
  • Marcelo Simoes Nunes  04/03/2015 01:58
    Algumas ponderações: pouco de si um humano pode dispor sem produzir sua própria morte: um rim, um olho, ou ambos, o sangue, dificilmente um dos pulmões. Mas por que não propor de uma vez a liberdade de vender um órgão vital,como o coração, expondo toda a nossa radicalidade, dando transparência à nossa ética anarco capitalista, confrontando assim nossa coerência, com a incoerência alheia. A propriedade de nosso corpo é nossa primeira propriedade, ela é um direito natural absoluto. Sem nosso corpo, sequer somos, inexistimos.Portanto, se somos donos de nosso corpo, consequentemente, temos o direito de por fim à própria vida, ou dispor dela como bem nos convier, desde que isso não vá contra o direito de outra pessoa, não é? Seria interessante ver isso, o verdadeiro reality show, que faria o BBB corar de vergonha.
    Pessoalmente não doaria parte de mim para ninguém, nem pediria doação. Prefiro morrer. Entre a tragédia e a covardia generalizada contemporânea, prefiro a primeira. Temos de morrer algum dia, e todo babaca um dia vai ter de enfrentar isso, queira ou não. Mas isso já é outro assunto.
  • Ex-microempresario  10/03/2017 20:25
    Tanto somos donos de nossos corpos que existe uma coisa chamada suicídio. E a idéia de sacrificar a própria vida para resolver problemas financeiros dos familiares já é velha, sendo normalmente praticada através de seguros de vida. O assunto está inclusive previsto no código civil.
  • rodrigo d.  04/03/2015 04:43
    Como sempre minha opinião e: deixe as.pessoas decidirem. Que cada um.cuide dá sua vida. Simples e fácil.

    Liberdade sempre.
  • Henrique  04/03/2015 12:33
    Leandro, você acompanha alguma coisa da economia do Uruguai? Saiu no Bom Dia Brasil que o governo de Mujica promoveu grande crescimento econômico e redução da desigualdade. O que você pode nos dizer sobre o Uruguai?

    Grato.
  • Empreendedor Libertario  04/03/2015 13:23
    Offtopic: algum profissionap libertario com capacidade p colocar um forum no ar??

    Se alguem tiver interesse ($$$) pfv contato pelo wickr rickrickrick2
  • anônimo  04/03/2015 16:23
    Ótimo texto.

    Com relação a liberdade que cada individuo tem do próprio corpo, muito discutido aqui, tenho uma pergunta, a prostituição é aceitável entre os libertários mais fidedignos?
  • anônimo  04/03/2015 17:02
    Claro. E por que não? Nem mesmo Santo Agostinho e São Tomás defendiam a criminalização da prostituição... Eles condenavam moralmente, mas eram contra a criminalização....

    Na verdade, quem defende a criminalização da prostituição são os progressistas. Não da prostituta, mas do cliente que paga pelo serviço....
  • Marcos  05/03/2015 01:09
    Um corpo humano jamais deveria ser propriedade de outra pessoa. Admitir tal coisa seria dar um passo para próximo da escravidão, que nada mais é do que a propriedade de corpos humanos vivos. Certamente um grande retrocesso em termos de liberdade. Tendo em vista a dignidade humana, seria imprudente dar este passo. O corpo de uma pessoa viva não pertence a ela, mas é parte integrante dela. Entre pertencer a alguém e ser parte de alguém há uma diferença muito grande. Essa confusão pode parecer pequena, mas abre as portas para tragédias. Perverte todo entendimento de vida e do ser humano que temos hoje.

    Ou seja, um corpo não deve ser considerado propriedade, e sim uma parte de uma pessoa que já morreu. "Ah, mas isso significa que as pessoas vão morrer por falta de órgãos!". Não segundo a lei brasileira, que nos coloca a todos como doadores, salvo manifestação nossa ou de nossa família em contrário. E duvido muito que alguém que não estivesse disposto a salvar a vida de outra pessoa de graça o fizesse em troca de dinheiro. Quem age assim o faz por considerações morais e psicológicas, e dificilmente mudaria de idéia por causa de dinheiro. "Ah, mas e se mudar?" Se mudar, que receba o dinheiro e cuide de sua própria consciência. Mas isso não é uma venda de órgãos, é mais próximo do que eu chamaria de "compra de consciência". E não é uma transação juridicamente protegida, porque qualquer contrato de compra e venda de um objeto que não é propriedade da pessoa é inválido. Se não receber o dinheiro não vai poder reclamar no judiciário.

    Há outras objeções já apresentadas nos comentários, como o caso dos familiares que tomam decisões pelo parente doente. Tendo em vista que eles ganharão muito dinheiro com a venda de órgãos, fica claro o conflito de interesses na situação. A propriedade de corpos mortos traz consigo esse problema.
  • Gunnar  05/03/2015 18:12
    Tirando o primeiro parágrafo, que é mero apelo emocional e non sequitur, seu argumento se resume a:

    1) O estado decreta que que há órgãos gratuitos e disponíveis para todos, portanto há órgãos gratuitos e disponíveis para todos.

    2) O estado decreta que o comércio de órgãos é errado, então o comércio de órgãos é errado.
  • Marcos  14/03/2015 03:54
    Aprenda o que é "non sequitur" antes de cuspir o termo a torto e a direito. Não há o menor traço disso no meu texto. Se houvesse, o mínimo que poderia fazer é apontá-lo especificamente, em vez de fazer acusações genéricas.

    Não falei absolutamente nada sobre o estado impor coisa alguma. O que disse é que o órgão é parte de alguém, e não propriedade. Isso decorre de uma análise jurídica e filosófica. Agora, se começar a raciocinar sobre a relação entre X e Y é apelar ao estado de alguma forma, então tudo que você defende é a irracionalidade generalizada.

    E da mesma forma que o estado decretar a gratuidade da transferência não vai criar num passe de mágica uma abundância de órgãos, tampouco considerá-los erradamente mera propriedade em vez de parte de um ser humano vai resolver a questão. Arrumar órgãos compatíveis e em bom estado é uma tarefa dificílima. O comércio é tratado como se fosse uma panaceia que resolveria tudo. Na vida real, o problema é bem mais complexo.

    Aliás, chega a ser risível alguém que se diga liberal se irritar tanto com a mera abstenção do estado em garantir a efetividade de uma transação. Afinal, onde no meu texto falei algo sobre punir as pessoas por realizar esse negócio? O que digo é que é uma transação juridicamente inexistente e por isso não pode ser protegida pelos tribunais.

    Agora, desconheço qualquer punição penal na legislação brasileira por receber dinheiro para aceitar a doação de órgãos de um parente morto. Por que será então que não vivemos no mundo maravilhoso mundo dos corações e córneas infinitos?
  • Tali  05/03/2015 01:41
    Texto bem escrito, contundente. Há muitos comentários (mal escritos inclusive), não me darei o trabalho de ler todos, então se for repetitivo, entra na estatística. As células-tronco (tanto embrionárias quanto adultas) já são uma realidade, melhor do que o transplante de órgãos, já que por ser utilizado o núcleo da célula do paciente, que contém todo seu material genético, não há nenhuma possibilidade de rejeição... O que pode e acontece com os transplantes. Comercializar órgãos em pleno séc. XXI, era da revolução genética, é perda de tempo. Já que é para "evoluir" moralmente, o melhor caminho é superar a problemática do uso de embriões, que envolve toda uma ética fajuta e hipócrita. Aí pode-se até pensar em comercialização de células embrionárias... daria um bom texto.
  • anônimo  05/03/2015 23:18
    Sempre me vem uma dúvida quando alguém fala que algo já é realidade e eu não vejo no meu dia a dia, realidade pra quem?
    Se for realidade e for mais vantajoso que a venda, não é necessário proibir, certo? Mas independente disso, sempre que leio algo nesse sentido me parece alguém que simplesmente quer se esquivar de um tema polêmico colocando uma alternativa, que vou deixar claro: pode sim ser muito mais vantajoso e espero mesmo que seja, mas mesmo sendo isso não é argumento pra proibir transplantes, deixe que as pessoas farão isso naturalmente ao perceber que é melhor.
  • Fabricio  09/03/2015 02:42
    Um fato que não foi citado no texto foi que o Irã legalizou a venda de orgãos recentemente e hoje chega até a exportar orgãos para outros países como os EUA.

    O problema é que raramente alguem que vende seus orgãos melhora a sua situação de vida e frequentemente continua com as mesmas dividas de antes.

    Mesmo assim, o melhor argumento a favor da venda de orgãos é o fato de que o governo impedir as pessoas de venderem seus orgãos é praticamente a mesma coisa de impedir alguem de fumar cigarros ou de consumir comida gordurosa (a diferença é que na venda de orgãos você pelo menos obtem um ganho bem substancial e até tem um incentivo pra cuidar da sua saude antes e depois da venda , ao contrario de fumar e comer todo o dia no Burger King que só piora sua vida e até pode te matar), coisa que até os mais moralistas não aceitariam.

    Liberdade de usar o seu corpo e vender o que você quiser nele é essencial independente do perigo que isso pode causar pra sociedade ou pra algumas pessoas sem juízo nenhum.
  • Josuel  09/03/2015 19:45
    Conforme o que já foi dito nos comentários anteriores, ninguém está dizendo que o comércio de órgãos vai tirar alguém da miséria ou fazê-la melhorar vida. O objetivo de um livre comércio de órgaos é aumentar a sua oferta e diminuir seu preço.
  • Emerson Luís  20/03/2015 18:33

    É um dos temas que desafiam até onde vai a nossa defesa da liberdade.

    "Por fim, para você que permanece indignado com a ideia da venda de órgãos, ... a solução é fácil: não venda. E ... não compre."

    Um dos contra-argumentos mais comuns neste e em outros assuntos é que não se pode dar certas liberdades para as pessoas porque muitas delas a usarão mal.

    * * *

  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  25/03/2015 20:26
    Texto excelente. O estado, com sua meta de extinção da humanidade, cria qualquer pretexto para dificultar a vida das pessoas. Se houvesse um livre comércio para órgãos humanos não haveriam tantas mortes, por falta de órgãos. Só quem acredita na ladainha dos governos é quem trabalha para ele ou quem se beneficia do roubo que ele promove. As demais pessoas sofrem com esse "arranjo".
  • Elizete  18/11/2015 16:28
    Todos, Todos nós sabemos, no fundo de nosso Ser(?) O que é certo eerrado, bom ou mal. Independente do lugar em que vivemos nesse planeta, VOCÊ sabe o que é errado ou Certo, porque a Maldade e a Bondade existem sim, assim como a mentira e a Verdade. Se estas nos sao camuflados por outros seres humanos ou nosso pouco uso da capacidade cerebral, nao importa. Mas entre àqueles duas outras eu e você podemos e poderemos sempre optar. Fazer ou nao fazer o Bem, o Bom.


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