O cinema no Brasil e a mentalidade anticapitalista

A intervenção do governo brasileiro nos mais distintos aspectos da vida cotidiana está em níveis tão acentuados, que até atividades triviais do cidadão comum são afetadas.  O simples ato de ir ao cinema é uma delas.  Em especial, ir ao cinema para assistir aos filmes que justamente têm grande apelo de público: os tais megalançamentos do cinema de Hollywood.

Se você gosta de assistir a filmes como Guerra nas Estrelas, Parque dos Dinossauros, Vingadores, Homem-Aranha, Batman, Senhor dos Anéis, entre outros, é bom que saiba que a intervenção do governo brasileiro está afetando, e afetará mais ainda, a sua vida até nesse particular e quase supérfluo hábito.

A cota de tela

O governo brasileiro recentemente publicou o Decreto nº 8.386, de 30 de dezembro de 2014, que basicamente regula duas intervenções no mercado de distribuição e divulgação de filmes no Brasil, em especial nos cinemas.

A primeira delas é a cota de tela.  Essa cota determina a quantidade de filmes brasileiros que deve ser exposta nos complexos de cinema de todo o país.  Essa medida não é nova e será motivo de uma análise mais detalhada ao longo do presente artigo.

A segunda medida é bem atual.  Trata-se da imposição de um limite máximo de salas em que o mesmo filme (um título) poderá ser exibido.  O limite máximo de título por sala varia em cada caso, mas, a rigor, complexos com seis ou mais salas de cinema poderão colocar no máximo algo em torno de 30% a 35% de suas salas com o mesmo filme.

Como colocado anteriormente, a criação de uma cota para filmes brasileiros exibidos no cinema não é algo propriamente novo.  E, para ser justo, nem algo exclusivo do Brasil. México, Argentina, Coreia do Sul, Colômbia, Espanha, União Europeia — todos eles a utilizam.  Com o objetivo oficial de incentivar e proteger a cultura nacional, a cota de tela no Brasil estipula um número mínimo de dias, de quantidade e de títulos nacionais que devem ser exibidos nos complexos cinematográficos.

A intervenção governamental no mercado — no caso, o mercado de produção audiovisual — com o intuito de instituir uma cota para privilegiados é das mais antigas e mais historicamente desastradas medidas estatais, vide a Lei da Informática da década de 1980 .  

Nesse sentido, para analisar os efeitos dessa interferência, vamos à abordagem de Mises, que resume a problemática da intervenção governamental da forma bastante clara:

"Em contraposição a todo esse formalismo e dogmatismo legal, é necessário enfatizar novamente que... [e]stamos diante de uma questão exclusivamente praxeológica e econômica.  Nem a filosofia do direito, nem a ciência política têm qualquer contribuição a dar para esclarecê-la.

O problema que temos de examinar ao analisar o intervencionismo não consiste em procurar definir quais seriam as tarefas 'naturais', 'justas' e 'adequadas' do governo. A questão a examinar é a seguinte: como funciona um sistema intervencionista? Poderá esse sistema alcançar aqueles objetivos que o governo, ao adotá-lo, pretende atingir?" Mises, Ação Humana, págs. 821 e 822.

Resta-nos então a tarefa de analisar economicamente se esse mecanismo de intervenção é uma forma de incentivar a cultura nacional ou, mais especificamente, o cinema nacional.  

E, nesse caso, iniciamos por constatar o elemento mais básico e óbvio: o fato de que é um equívoco pensar em termos de "cinema nacional".  Um filme, tal como uma obra artística, é uma manifestação da ação de um conjunto de indivíduos — que podem ter inúmeras nacionalidades, por sinal.  No caso do cinema, deve-se ressaltar em especial a participação do(s) produtor(es) do filme, do(s) diretor(es), atores e atrizes.  Logo, não há por que classificar um filme apenas de acordo com sua "nacionalidade".

Mas a questão é que a medida trata os filmes produzidos por empresas brasileiras de forma distinta dos filmes produzidos por empresas estrangeiras; e, por isso, tem-se que estudar a medida a partir deste fato.

Assim, seguindo a análise, o efeito concreto da medida é privilegiar empresas de produção que são brasileiras em detrimento de empresas de produção que não são brasileiras.  Ao fazer isso, a medida diminui o acesso dos produtores, diretores e atores não-nacionais ao público do Brasil.  E o sentido contrário também é verdadeiro: o acesso do público brasileiro a artistas estrangeiros é reduzido.

O efeito prático é a restrição a vários filmes estrangeiros que poderiam ser mais bem difundidos caso não existisse a cota nacional, já que se trata de uma restrição baseada apenas no critério da nacionalidade da produção das obras — logo, sem qualquer justificativa artística.

Se a medida tem o intuito de privilegiar a cultura nacional, a consequência indesejada — porém efetiva — é a discriminação da manifestação artística de estrangeiros.  A medida é preconceituosa em relação à cultura não-nacional, por assim dizer.  Em um mundo que busca integração, globalização e comércio entre os povos, uma ação que não apenas hostiliza uma cultura estrangeira, mas que tem o intuito supremo de isolar a população nacional pode ser considerada um crime.  Certamente é xenofobia.  E um atraso.

Seria difícil dizer quais filmes poderiam ser mais difundidos no Brasil caso a cota de tela não existisse.  O público brasileiro teria acesso a mais filmes oriundos do estrangeiro, mas como saber quais filmes "importados" são bons e quais são ruins?  É nesse ponto que entra o segundo efeito maléfico da cota de tela.

Se há algo que sabemos em Economia, é que valor é algo subjetivo.  Valorar uma obra de arte é algo completamente abstrato.  Algumas pessoas assistem a um filme e o consideram bom, bonito, genial, engraçado etc.  Já outros o consideram feio, chato, de mau gosto, ruim, não artístico, medíocre etc.  Ao instituir a cota de tela, o regulador passa a decidir pelo público qual filme é bom, bonito, artístico, genial etc.

Como diria Mises, a soberania do público foi seriamente prejudicada.  E quer os membros da indústria cinematográfica (produtores, cineastas, atores, críticos de cinema) queiram ou não, o real valor artístico de um filme está nos olhos de quem o vê.

Esse fato é plenamente compreendido pelos donos dos cinemas, ao ponto de o Sindicato das Empresas Exibidoras Cinematográficas do Estado do Rio Grande do Sul entrar com uma ação no STF contra essas cotas.  Um dos proprietários de cinemas resume a questão da seguinte maneira: "É importante entender que não somos contra a exibição de filmes nacionais.  Mas somos contra as cotas.  Quando a safra brasileira não é boa, os exibidores são penalizados porque os filmes não vão atrair público".

O dono do cinema acerta com precisão.  Com a exibição garantida, os cineastas ficam protegidos das consequências negativas de apresentarem uma obra de baixo valor artístico aos olhos do público.  Esse ônus recai para os donos das redes de cinemas e para público em si.  

Com os cineastas nacionais protegidos dos efeitos do sistema de lucros e prejuízos, e usufruindo o privilégio de ter a exibição garantida e parcialmente protegida da concorrência de filmes estrangeiros, o terceiro e final efeito da imposição da cota de tela não pode ser outro se não o efeito decorrente de toda instituição de reserva de mercado: a apresentação de produtos e serviços que satisfazem menos os consumidores.  No caso em questão, filmes que divertem menos o público; filmes com menor valor artístico aos olhos justamente daqueles que são as pessoas que deveriam valorar tais títulos.

Não à toa, Paulo de Almeida, do portal Filme B, afirma: "Hoje, a cota de tela não é responsável por levar um único espectador para o filme brasileiro; serve mais como um instrumento simbólico. E às vezes acaba ajudando mais o filme ruim do que o filme bom". E prossegue: "É humilhante para o diretor brasileiro ter o filme exibido apenas por causa da cota de tela".

Assim, analisando sob o aspecto praxeológico, constata-se que a cota gera efeitos contrários aos quais ela se pretende.  Em vez de incentivar a cultura, deprecia-a, incentivando filmes de menor valor para o público.

O limite de quantidade máxima de salas por título

Ao passo que a cota de tela tem um mecanismo discriminatório embutido — porém não totalmente explícito — contra os filmes norte-americanos, o limite de salas por títulos é abertamente contra os filmes de Hollywood, em especial contra os filmes estilo blockbuster.  É justamente por essa razão que, como mencionado no início, o hábito de assistir a uma superprodução de Hollywood será afetado.

O filme blockbuster, normalmente, é aquela produção extremamente cara — e, por essa razão, é a típica produção que gasta enorme quantidade de recursos com distribuição e divulgação.  Normalmente é uma superprodução, com sofisticados efeitos especiais, inovações tecnológicas, grandes astros, belas atrizes etc.  É muito comum referenciar o primeiro filme blockbuster como sendo Tubarão, do aclamado diretor Steven Spielberg, lançado em 1975. Provavelmente o segundo filme nesse mercado foi o Episódio IV de Guerra nas Estrelas, lançado em 1977.

Depois destes filmes, os produtores de Hollywood descobriram o que Mises disse sobre o capitalismo moderno, que "consiste essencialmente na produção em massa para atender às necessidades das massas".

Justamente por gastar enorme quantidade de recursos em distribuição e divulgação, os lançamentos destes filmes costumam ocupar uma grande quantidade de salas de cinema no Brasil e no mundo.  Contudo, aparentemente esse fato incomoda as autoridades brasileiras e, obviamente, outros concorrentes nesse setor.  Para o presidente da Ancine, Manoel Rangel, o "alerta" foi dado no lançamento do filme "Jogos Vorazes: A Esperança".

Segundo ele, como o título esteve em mais da metade das salas do país, tratou-se de uma ocupação "predatória". Ainda de acordo com Rangel, o objetivo (da intervenção regulatória) seria "garantir uma pluralidade de filmes".

Ocorre que o efeito dessa medida é muito semelhante ao da criação a cota de tela.  Nesse caso, a quantidade de telas que excederiam o limite estipulado pela Ancine não poderia expor os filmes tipo blockbuster, sendo forçadas a exibir algum título diferenciado, não importando qual a origem.  Porém, o problema de exibir filmes de menor valor artístico ou de entretenimento para o público continua a ocorrer.

Esse efeito é maléfico para o público e, de certa forma, ruim também para toda a cadeia produtiva setor.  Com filmes de menor valor de entretenimento sendo veiculados, a atratividade dos cinemas diminui de forma geral.  Consequentemente, há uma queda na demanda.  Com a redução da demanda, a lucratividade e a rentabilidade caem.

Decorrente disso, investir em salas de cinema torna-se menos atrativo, e manter as salas atuais torna-se mais custoso.  A tendência é a redução de número de salas e, consequentemente, a redução do número de filmes divulgados como um todo.  Com menos filmes em cartaz, há menos variedade, e o efeito de buscar pluralidade transforma-se no exato oposto.

Ao punir os títulos "carro-chefe" de vendas nas salas de cinema, o regulador acaba penalizando todos os outros filmes como consequência.

Outra justificativa a favor da medida decorre do seguinte argumento: "filmes blockbuster são medíocres; e o medíocre não ofende, não desafia.  E vende melhor por isso. Nem toda superprodução seria medíocre, mas, por natureza, a superprodução tende muito mais à pasteurização do que projetos menores e mais arriscados".

Obviamente, o erro deste argumento está em ignorar o valor subjetivo da obra artística, valor que, no fim das contas, deve ser julgado aos olhos do público. Mais ainda, se projetos artísticos devem ter como proposta "arriscar", "desafiar" e "ofender" o público, então nada mais justo do que o risco caia sobre o artista, não sobre o público.  Se um artista pretende "ousar" em sua obra, então ele deve arriscar-se financeiramente também com isso.  Não é ousadia fazer uma obra cuja exposição está previamente garantida, bem como o financiamento.

Além da justificativa anterior, outro argumento pró-intervenção seria o de que a média de público por sala aumentaria.  Esse seria um efeito colateral do excesso de espectadores: ser empurrado para outras salas e outros filmes.  O problema é que esse argumento ignora também o fato da valoração subjetiva.  Ignora também o fato de que muitos espectadores, ao irem ao cinema e se depararem com as salas do blockbuster lotadas, não desejam ver um filme substituto, justamente pelo fato de que foram ao cinema para assistir especificamente ao blockbuster.

Em muitos casos, exatamente por se tratar de obras de arte, o efeito bem substituto de um filme por outro é muito pequeno.  Pode até ser que alguns espectadores irão a filmes substitutos; porém, é mais provável que a maioria não proceda assim. A média de público por salas poderia até ficar mais bem distribuída, mas a média geral tenderá a cair.

Enfim, a medida tem potencial de causar muito mais danos do que benefícios.  Sob o ponto de vista estritamente praxeológico, ela deveria ser rejeitada.

Cabe ainda acrescentar alguns comentários suplementares sobre essas duas medidas regulatórias.  O primeiro, acerca do limite máximo do número de tela.  Aparentemente, a medida foi tomada seguindo curiosos "critérios técnicos".  Segundo Manoel Rengel: "a Ancine entende que os grandes lançamentos são bem-vindos, assim como a câmara técnica. O que não é bem-vindo é o megalançamento, aquele que não otimiza o setor."

Aparentemente então, segundo esse regulador, ele "conhece" o tamanho ótimo dos lançamentos para "otimizar" o setor.  A Ancine passa a arrogar para si própria qual é o ponto de equilíbrio entre oferta e demanda no setor cinematográfico brasileiro.

Por último, a decisão da intervenção foi tomada a partir de discussões realizadas em uma "câmara técnica" criada pela Ancine com profissionais da indústria cinematográfica.  E, ao que se sabe, um termo de compromisso já foi assinado por 23 empresas exibidoras e seis distribuidoras brasileiras.

Mas observe o quadro geral: o órgão regulador estabelece uma nova política de conduta comercial e estabelece um acordo para "equilibrar" esse mercado.  Quando concorrentes em um determinado mercado aceitam participar de um acordo que equaliza suas respectivas condutas comerciais em termos de quantidade ou de preço, tal ação beira a caracterização da formação de um cartel.  E, nesse caso, sendo difundido e estabilizado pelo órgão regulador.

O mercado cinematográfico brasileiro

Em 2013, de acordo com a Ancine, foram lançados no Brasil um total de 397 produções.

Desse total, 145 filmes (36,5%) são norte-americanos, 129 (32,5%) são brasileiros e 49 produções (12,3%) são francesas.  Somados, esses filmes perfazem cerca de 81% do total e lançamentos do circuito.  

Os números de 2012 não divergem muito do ano posterior. Foram lançados 323 filmes — 83 brasileiros (25%), 133 norte-americanos (40%) e 39 franceses (12%).

No somatório, o total fica em aproximadamente 78,5% para esses três países.

Cabe mencionar que houve um sensível crescimento no número de filmes brasileiros lançados nos últimos anos. Isso pode ser mais bem ilustrado pelo gráfico abaixo:

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A quantidade de filmes lançados saiu de 14, em 1995, para 129, em 2013, merecendo destaque a quantidade de filmes do gênero "documentário".  De não mais do que cinco documentários por ano lançados até 2003, nos anos de 2009 a 2013 foram lançados um total de 196 — uma média de 39 por ano, sendo que, no mesmo período de 2009 a 2013, a média do total de filmes lançados ficou em 94 filmes por ano.

De 2009 a 2013, nada menos do que quatro em cada dez filmes brasileiros são do gênero documentário.  O restante se enquadra como "ficção" ou "animação", podendo ser drama, comédia, suspense, romance ou outros. Como comparação, observe que, segundo o site Movie Insider, do total e 1.094 filmes lançados no mercado norte-americanos no ano de 2013, apenas 105 eram documentários (9,6%).

Seguindo a abordagem, vemos que, dos 145 filmes norte-americanos lançados no Brasil em 2013, apenas dois são documentários.  Em 2012, apenas quatro foram desse gênero.  Essas informações estão no quadro abaixo, que nos permite a construção de outros insights.

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A média de público dos 145 filmes norte-americanos foi de 785.282 ingressos por filme. Já a média brasileira foi de 183.137 ingressos por filme. Ou seja, um filme brasileiro leva, em média, apenas 23,3% do público de um filme norte-americano.

Observando ainda mais, a média de público por sala (total de público do filme dividido pelo número máximo de salas em que o filme foi exibido) para filme brasileiro é menor (989) do que a dos filmes norte-americano (2.004).  

Apenas essa constatação ilustra o ônus imposto ao setor quando se impõe a cota de tela para filme nacional.  Se aumentarmos ainda mais a quantidade de salas para filmes brasileiros, a tendência de queda na média de público por sala irá se acentuar.

Mas esses números agregados ainda dizem pouco. Ao desagregar os filmes pelos gêneros observam-se alguns efeitos bem interessantes.  A média de público dos 134 filmes de ficção americanos é de 690 mil ingressos por filme.  É uma média até menor do que a média geral (785 mil).  O curioso é que aí entra a categoria blockbuster. Isso se deu pelo destaque aos filmes de animação, com a enorme média de 2,36 milhões de bilhetes por filme e com uma média de público por sala de 3.198.

Já os 77 filmes brasileiros de ficção têm uma média de 302 mil bilhetes por filme.  Agora, vemos que o filme brasileiro do gênero de ficção leva ao cinema cerca de 44% do total de pessoas que leva um filme americano do mesmo gênero.  Assim, vê-se que o filme brasileiro de ficção é popular, porém, menos popular do que o americano. Isso é corroborado ao se comparar os valores do indicador de público por sala.

Mas o efeito mais perverso das intervenções no mercado se exemplifica por meio da análise dos filmes do gênero "documentário".  Em 2013, foram produzidos no Brasil 50 documentários, lembrando que a média entre 2009 a 2013 foi de 39 por ano. Documentários americanos divulgados no Brasil nesse ano foram apenas dois, como já mencionado.

Esses 50 documentários brasileiros levaram 203 mil pessoas ao cinema, enquanto os dois filmes americanos levaram 139 mil. Foram exibidos 25 vezes mais documentários brasileiros do que norte-americanos para um público apenas 46% maior. A média de público foi de apenas 4.077 bilhetes por filme e a média de público por sala foi de míseras 408 pessoas.

Em comparação aos próprios filmes brasileiros, vemos que o gênero "documentário" não perece ter realmente nenhum apelo junto ao público de forma geral. Como já dito, praticamente 40% dos filmes lançados foram documentários; e apenas 0,9% do público que assistiu a algum filme nacional foi atraído por esse gênero.  Os gráficos abaixo ilustram melhor.

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Fica evidente que a decisão de produção e divulgação de filmes orientada a atender à necessidade de entretenimento do público é mais bem feita no caso dos filmes norte-americanos.

Vemos que apenas 3% dos filmes americanos lançados no Brasil em 2012 foram do gênero documentário (gênero claramente com menor apelo de entretenimento); em 2013, esse número foi de 1,3%.  De modo geral, esse gênero de filmes lançados no próprio mercado norte-americano não passa de 10%. Já no caso dos filmes brasileiros, esses números são muito maiores: em torno de 40%.

Em proporção, podemos dizer que o Brasil produz quatro vezes mais documentário do que os americanos, e ainda assim os brasileiros assistem bem menos a esses tipos de filmes.

O financiamento do setor cinematográfico

Entretanto, abordar apenas a intervenção via instituição da cota de tela não completa a explicação das distorções desse mercado. Não poderia deixar de abordar o tema do cinema brasileiro sem mencionar, ainda que brevemente, algumas fontes de financiamento destes filmes. Isso colabora para explicar por que dezenas de filmes brasileiros que são produzidos têm pouco ou quase nenhum apelo.

Um dos mecanismos mais utilizados para financiar filmes no Brasil é a chamada Lei do Audiovisual.  Ela concede incentivos fiscais às pessoas físicas e jurídicas que adquirem os chamados Certificados de Investimento Audiovisual, ou seja, títulos representativos de cotas de participação em obras cinematográficas.

A lei permite que o investimento seja até 100% dedutível do Imposto de Renda (com um limite para pessoas jurídicas) e o desembolso pode ser deduzido como despesa operacional.[1]

Sendo assim, ainda que essa lei forneça uma opção para o pagador de impostos brasileiro — se ele gostaria de fornecer seu dinheiro para alguma obra de cinema ou para o Tesouro Nacional —, o fato é que boa parte do financiamento do cinema brasileiro é feito com dinheiro estatal.  E isso agrava o problema da distorção de se produzir filmes de menor valor artístico ou de entretenimento, visto que ônus de arcar com um fracasso de bilheteria desses filmes já está mitigado.

Contudo, a Lei do Audiovisual ainda não é tudo em termos de financiamento.  A Medida Provisória nº 2288-1, de 2001, estabeleceu um tributo popularmente conhecido como CONDECINE, ou Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional.  

E a Lei nº 12.485, de 12 de setembro de 2011, estabeleceu que essa tributação deve ser paga a cada ano pelas empresas que exploram serviços de telecomunicações.  As empresas pagam esse valor por meio de uma taxa que é cobrada em cada aparelho de celular em operação no Brasil, chamada Taxa de Fiscalização de Funcionamento — TFF.

Dos mais de 280 milhões de aparelhos em funcionamento no Brasil, para cada um deles, e anualmente, as operadoras pagam uma TFF no valor de R$ 13,42.  Desse valor, 66% ficam para o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), 10% para a Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CRPF) e 24% para o CONDECINE.  Além disso, toda estação retransmissora de sinal de celular também paga a TFF.

Façamos as contas.  Utilizemos como base os 280 milhões de celulares existentes no Brasil. Multiplicando esse número por (R$ 13,42 x 0,24), isso dá algo próximo a R$ 900 milhões de reais.

Não é à toa que a arrecadação do CONDECINE em 2012, primeiro ano dessa nova tributação, foi de R$ 725 milhões de reais; em 2013, chegou à casa dos R$ 806 milhões de reais.  Para termos uma noção da quantidade de dinheiro arrecadado, muitas das produções mais caras da história do cinema giram na casa de US$ 210 a US$ 270 milhões.  

E esse enorme volume de recursos entrando no setor só pode causar ainda mais distorção no sistema de lucros e prejuízos (ou sistema de perdas versus recompensas).  O risco de produzir uma obra ruim aos olhos dos espectadores fica diluído; os artistas acabam por ficar desconectados de seu público.  Nada mais dramático do que isto.

Conclusão

O cinema brasileiro é formado por uma combinação de cotas de reserva de mercado, restrição de mercado a grandes lançamentos e financiamento governamental.  O governo intervém na oferta (via financiamento estatal) e na demanda (via cotas e restrições de numero de sala).  Isso tudo combina para a construção de obras que não são orientadas pelo mecanismo de ganhos versus perdas, ou de reconhecimento versus críticas.   Consequentemente, o público não é provido de obras cinematográficas às quais ele naturalmente daria mais valor. A indústria cinematográfica perde um importante mecanismo de averiguação da qualidade de suas próprias obras.

Com efeito, a análise factual mostra que a intervenção no setor vem causando a fabricação de dezenas de filmes que tem baixa média de público, em especial filmes de do gênero "documentário".  Esses são típicos filmes que poderiam ser mais bem distribuídos em outras plataformas, como Netflix, Now, Globosat Play, YouTube, PSN, Xbox Live, Popcorn Time etc.  Sem contar o lançamento direto em DVD/Blu-Ray ou na TV por assinatura.

Para terminar, duas últimas informações também lamentáveis. Primeiro, a cota de tela existe no Brasil desde 1932.  E, até hoje, a indústria cinematográfica brasileira não produz filmes tão populares em comparação à indústria norte-americana; filmes que poderiam geram mais viabilidade econômica para a indústria como um todo — incluindo os filmes de menor apelo comercial.  Em verdade, a intervenção vem fazendo com que algumas produções recebam o estigma de "só entrar em cartaz por causa das cotas".

Segundo, não contente em impor conteúdo nos cinemas e nos canais de TVs por assinatura, a sanha regulatória da Ancine ainda não terminou.  Aparentemente, o órgão regulador deseja impor cotas de conteúdo no serviço de TV via web do Netflix.  

Essa medida regulatória de impor conteúdo na era da Internet regulada encaixa muito bem no roteiro desses tempos.  É a história de um drama em que nossa liberdade faz o papel de donzela em perigo.  Porém, ainda sem nenhum herói para salvá-la no final. 



[1] Em princípio, devemos nos dizer que contrários a essa lei. O ímpeto liberal evoca a redução drástica do IRPF e IRPJ; mas, por outro lado, entendemos que, já que o mundo real existe, essa lei é uma opção pragmática de pagar menos dinheiro para o Tesouro Nacional. Ao menos o pagador de impostos escolhe se deseja financiar um filme ou até um projeto esportivo (ver Lei de Incentivo ao Esporte).


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SOBRE O AUTOR

Pedro Borges Griese
possui mestrado em economia e colabora regularmente com o Instituto Carl Menger, de Brasília.



Meu caro, pelo seu discurso você nunca foi liberal e nunca entendeu o que é ser liberal. E ainda tem coragem de vir com esse apelo sobre pobreza.

Gostaria de fazer uma pergunta a todos vocês:
Pois não.

Vocês já foram Pobres pra saber?
Nasci pobre, muito prazer.

Vocês já tiveram um parente morto por bala perdida?
O que isso tem a ver com capitalismo/liberalismo? Você está misturando segurança pública (que é MONOPOLIO do estado), que alias é altamente ineficiente (no Brasil, morrem 56.000 pessoas por ano, o maior indice do mundo, a gente perde até pra India, que é 43.000 por ano, outro país com alto controle estatal e burocrático) com conceitos economicos. O estado nega aos seus cidadãos o próprio direito de se defender com uma arma e mesmo assim é incapaz de solucionar o problema.

Falam tanto em mercado, economia. Mas nunca vi um liberal que enriqueceu graças a todo seu conhecimento na área, algum de vocês é rico por acaso? Maioria que vejo é classe média, acho gozado porque se manjam tanto de produzir valor e riqueza vocês deveriam ser ricos..Mas não é isso que eu vejo.

Ai meus deuses... essa foi triste.
1) O Brasil está muito longe de ser um país livre, economicamente. É o país que fica em 118 lugar no índice de liberdade econômica.

2) Ser liberal não é uma formula para ser rico e sim defender que as pessoas tenham a liberdade para efetuarem trocas entre si sem intervenção constante do Estado por via de impostos e regulações. É dessas trocas de valor que a riqueza é produzida. Cada um teria a liberdade de crescer de acordo com suas habilidades e viver num patamar de vida que julga confortável, mas repito, o Brasil NÃO É E NUNCA FOI UM PAÍS LIVRE, ECONOMICAMENTE. Você se dizia liberal e não sabe desse básico. Aham. To vendo.

Eu já fui liberal, ai cai na real com a vida, vi que esse papo de mercado não é bem assim.
Não, amigo, você nunca foi liberal. Sinto muito. Ou você está mentindo ou você diz ser uma coisa que nunca entendeu direito o que é (o que mostra o seu nível de inteligência).

Inclusive, um amigo meu foi pra Arabia Saudita, ele disse que lá existem muitas estatais e assistencialismo e o país enriqueceu assim mesmo...

Aham, beleza, usando a Arabia Saudita como exemplo:

Saudi Arabia's riches conceal a growing problem of poverty

"The state hides the poor very well," said Rosie Bsheer, a Saudi scholar who has written extensively on development and poverty. "The elite don't see the suffering of the poor. People are hungry."

The Saudi government discloses little official data about its poorest citizens. But press reports and private estimates suggest that between 2 million and 4 million of the country's native Saudis live on less than about $530 a month – about $17 a day – considered the poverty line in Saudi Arabia.


Opa, perai, como é que 1/4 da população da Arabia Saudita vive abaixo da linha da pobreza? Você não disse que era um país ótimo, rico, cheio de estatal e assistencialismo? Explique isso então.


Falam de acabar com o imposto mas negam toda a imoralidade que a ausência deste geraria, como injustiças e até coisas que ninguém prever.

Que imoralidades, cara-palida? Favor discorrer.

Favor, tentar novamente. Essa sua participação foi muito triste.


Poderiam responder o comentário desse Leonardo Stoppa:
Estranho, hipócrita é dizer que o socialismo atual compete com o capitalismo. Comunismo sim complete com capitalismo mas socialismo é uma forma de redistribuição que, quando interpretada por pessoas que estudam economia a partir de livros de economia (e não Olavo de Carvalho) é uma espécie de segurança ao capitalismo.

Se um dia você entender que existe conhecimento além do que você conhece você vai ver que dentro do conceito atual de socialismo estão as formas de redistribuição de renda (SUS, Fies, Bolsas). Em países de primeiro mundo a galera acaba usando essa grana inclusive para comprar iPhone, logo, é um socialismo que serve ao capitalismo pois deixar essa grana parada na conta de um milionário vai resultar na venda de 1 iPhone para apple, agora, quando redistribuído vira vários iPhones.

O problema da sua visão é que você estuda em materiais criados sob encomenda. Você deixa de estudar em livros de economia para aprender pelas palavras de um cara que é pago por aqueles que pagam os impostos, ou seja, aqueles que são contra a redistribuição, logo, você abre mão do conhecimento para a alienação.

Socialismo não é comunismo. Pode vir de certa forma assemelhado nos livros antigos, mas depois da segunda guerra mundial e principalmente depois da queda da URSS, ficou claro que não há em se falar em controle centralizado e ausência de propriedade privada, mas quem estuda um pouco de economia e sociologia sabe que a intervenção e a redistribuição são importantes atividades governamentais para salvaguardar a atividade industrial.

A final, de que adianta ter industrias de ultima geração se apenas 1% do povo compra seus produtos??

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Daniel  24/02/2015 14:50
    Outra coisa absurda é a tal da meia entrada. Metade do dobro. Aí a pessoa que gostaria de pegar o preço justo acaba falsificando carteirinha de estudante ou baixando cópia pirata. A pessoa honesta tem duas opções: pagar o dobro ou não ir ao cinema.
  • Guilherme  24/02/2015 14:52
    Meia entrada, inteira estupidez, nenhuma vergonha

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1595
  • Fellipe Lopes  24/02/2015 15:04
    Concordo, eu vejo também que a meia entrada apenas incentiva a elevação de preço, pois o dono do negócio não pode prever quem ou quantos irão pagar o preço padrão.
  • Fellipe Lopes  24/02/2015 15:01
    É uma arrogância e um autoritarismo sem precedentes desses órgãos reguladores. Gosto de cinema e nos últimos anos tenho percebido esse intervencionismo. O que senti só foi prejuízo para mim, só vejo filmes nacionais impostos em inúmeras salas de cinema, e claro, não vejo filas enormes para vê-los.

    Ta ficando insuportável. Ficam com um discursinho bobo anti-americano, forçam filmes nacionais - que pelo artigo deixa bem claro que já pagamos por eles e querem que peguemos novamente no cinema - selecionam conteúdo estrangeiro convenientemente francês, o qual já está entupido de cultura marxista e já dominada as faculdades. Querem impor no mundo no cinema.

    O fato da cultura ser "protegida" é a maior loucura que se pode usar como argumento, RIDÍCULO!! Cultura é algo que está em constante mudança e miscigenação. Mas para os esquerdistas a cultura é o que eles definem, "sabem o caminho como seres místicos".

    O artigo está muito bom. Só lamento, mais uma vez, ver a cultura brasileira mais totalitária, mais taxativa, mais fechada, mais xenófoba, mais tudo de ruim que possamos imaginar de uma sociedade intolerante.

    PS: as pessoas favoráveis a essas cotas audiovisuais simplesmente "CAGAM" para o dono do cinema,o qual vai perder dinheiro e não pode administrar sua empresa, sendo que ela lhe pertence. Ou seja, é fascismo/comunismo mesmo. Foda.
  • Brasileiro  24/02/2015 15:50
    Bom, o artigo simplesmente ignora a necessidade de recuperar a nossa identidade nacional, que foi pedida após décadas de invasão da cultura americana (Que não passa de um lixo cultural).

    Graças ao governo (Cá entre nós, dos últimos 12 anos), a produção cinematográfica brasileira cresceu estrondosamente. Quem se lembra de vê algum filme brasileiro nos anos 90? Certamente era raridade, tínhamos que nos contentar com os filmes da Xuxa e do Didi, e raramente tínhamos algum filme nacional decente passando em algum cinema. Dessa forma éramos obrigados a vê aqueles lixos americano. E tudo isso (para aqueles que não enxergam) estava destruindo a nossa identidade, ou posso dizer, nossa autonomia cultural.

    A política em pró da cultura, que se baseia no tripé: financiamento público, incentivos fiscais e as cotas nacionais, têm levado a uma mudança da elite dos meios cinematográficos (ainda que lenta) do capital internacional (Hollywood) para o capital nacional (Globo filmes). E ainda que eu reconheça que nossa cultura esteja nas mãos de um monopólio como a Globo, devo reconhecer que metade da lição tem sido feito, restando apenas uma maior democratização dos meios cinematográficos, que só será possível com a lei da mídia democrática.

    Vejamos agora em números, segundo a ANCINE, apenas no primeiro semestre de 2014, o cinema nacional teve 7 milhões de bilhetes vendidos e três filmes entre os dez mais vistos. Algo impensável em 2002. Hoje temos grandes produções como "Tropa de Elite 2" e "Se eu fosse você 2". Temos também excelentes comédias românticas, que de certo bate de frente com as baboseiras do Ashton Kutcher. Produzimos também excelentes documentários como o "Amazônia eterna" e os "Santos, 100 anos de futebol arte", e até o primeiro filme brasileiro em 3D: "Brasil animado".

    Por fim, devemos reconhecer que todo financiamento ao cinema é ínfimo comparado a nossa grandeza, teríamos capacidade de financiar muito mais. E de qualquer maneira, com o pouco que é destinado ao cinema nacional, ainda fizemos um bom trabalho. Agora eu pergunto, será realmente que não tem valido apena destinar um pouco do dinheiro do povo para salvar nossa maior riqueza, a cultura brasileira? .
  • Acriano  24/02/2015 16:07
    Rapaz, devo confessar que esse tal "Brasileiro" quase me enganou. No início, eu realmente pensei que ele estava falando sério. Foi só da metade pro final que me dei conta de que era um troll ironizando o pensamento típico da esquerda tupiniquim.

    É que o pensamento da nossa esquerda é tão raso e tão cheio de clichês e lugar-comum, que fica difícil distinguir um comentário zoeiro de um comentário sério.
  • Não existe  24/02/2015 17:10
    Eu sinceramente ainda estou na dúvida se ele está brincando ou falando sério.
  • Pobre Paulista  24/02/2015 17:56
    O Típico Filósofo voltou!

    Obs: vc se esqueceu Cassiopéia, que veio bem antes desses 12 anos aí ;-)
  • Felipe  24/02/2015 18:21
    Olá, Filósofo, como vai?
  • Luciano  24/02/2015 21:01
    "Graças ao governo (Cá entre nós, dos últimos 12 anos), a produção cinematográfica brasileira cresceu estrondosamente. Quem se lembra de vê algum filme brasileiro nos anos 90? Certamente era raridade, tínhamos que nos contentar com os filmes da Xuxa e do Didi, e raramente tínhamos algum filme nacional decente passando em algum cinema. Dessa forma éramos obrigados a vê aqueles lixos americano. E tudo isso (para aqueles que não enxergam) estava destruindo a nossa identidade, ou posso dizer, nossa autonomia cultural."

    Esse foi o parágrafo mais ridículo da sua fala.

    Cassiopéia, O Auto da Compadecida, Abril Despedaçado e Central do Brasil mandaram lembranças, todos dos anos 90.
    Detalhe: os dois últimos foram indicados ao Globo de Ouro e ao Oscar de Filme Estrangeiro, respectivamente. Central do Brasil, inclusive, foi indicado a melhor Atriz também, feito nunca repetido.

    Qual filme conseguiu isso "nos últimos 12 anos, gravas ao governo"?
    Para fazer justiça, Cidade de Deus, que deu a Fernando Meirelles uma indicação para diretor, também inédita. Só.

    Você não passa de um ignorante querendo jogar verde para justificar leis ridículas.
  • Ronaldo Quinto  24/02/2015 20:23
    Essa prosódia gelou minh'alma!
    Tipos como esse deveriam "sê" condenados a assistir somente filmes nacionais...
    Boa sorte, rapeize escrarecido!
  • Lopes  25/02/2015 00:51
    Não duvido que o Brasileiro é um legítimo defensor das causas sociais e um verdadeiro patriota por seu zelo em impedir que seus compatriotas assistam às produções que querem ver em prol de nosso bem comum. Entretanto, receio tratar-se de outro indivíduo dotado de consciência social e não de nosso querido, típico e pitoresco filósofo; cujas obstinadas reivindicações, tal qual ele próprio foi forçado a reconhecer neste último Natal, tornaram-se um eco que ele próprio já não era capaz de entender ou justificar.

    Resta-nos aplaudir a iniciativa deste bravo Brasileiro perante o colonialismo cultural imperialista, oprimindo nossa identidade nacional ao espalhar produtos como o futebol, o rock 'n roll e a cerveja pilsen.

    Liberdade à pátria?
  • Felipe  25/02/2015 01:30
    Deve ser, provavelmente, um aplicado aluno que teve o filósofo como professor.
  • PESCADOR  24/02/2015 15:59
    Excelente artigo. Nada contra os artigos teóricos demais, já que aprende-se muitíssimo com eles. No entanto, é muito prazeroso ler um artigo com um tema do dia a dia. O estado se intromete nos mais simples assuntos do povo. Até no cinema, querem nos atrapalhar de ver o que desejamos. Alguns filmes brasileiros são bons, mas a maioria não me agrada.
  • Fernando  24/02/2015 16:20
    Não entendo a tara que algumas pessoas com ideologias coletivistas têm em rotular tudo, incluindo o que é tido como cultura, e daí tentar moldar quais rótulos devem se sobrepor aos outros, tudo sob o álibi de algum termo pomposo como 'valorização da cultura nacional'. Ora, se eu gosto de um certo filme pouco importa a origem.

    O pior de tudo é que certamente há um filtro ideológico nessa Ancine, de modo que tais ações acabam servindo apenas como mais um instrumento de doutrinação.
  • Tio Patinhas  24/02/2015 16:28
    É incrível como lembra "A Revolta de Atlas".
  • Vander  25/02/2015 00:07
    Exatamente!

    Eu até ia comentar sobre isso, pois ontem, coincidentemente, assisti a 2º parte da Revolta de Atlas na TV. E agora, lendo um artigo destes, fica impossível não fazer a analogia com o que Ayn Rand escreveu à mais de 50 anos atrás.

    O hilário no livro de Rand, é que quanto mais intervenção estatal o governo criava, mais fracassava a economia e consequentemente a sociedade, e para "contornar/corrigir" os problemas, o governo criava mais intervenção estatal, em um espetáculo que evidenciava o mais profundo e severo grau de retardamento mental dos burocratas governamentais.

    Aquele livro ainda vai ensinar muita coisa para a gente...

    P.S.: Saiu a 3º e última parte do filme da "Revolta de Atlas".
  • anônimo  27/02/2015 10:28
    E já tem no kick ass torrents
  • anônimo  28/02/2015 13:09
    O final teria ficado muito melhor se não fosse o idiota neocon do Glen Beck, não sei o que ele está fazendo alí.
  • Andre Motta - Batman  24/02/2015 16:33
    A própria existência de uma "Agência do cinema" já é um absurdo completo.
  • Denis  24/02/2015 16:59
    eu "admiro" a capacidade que o governo tem de tomar tantas atitudes estupidas.
  • Rubens Ewald Filho  24/02/2015 17:01
    Não vejo nada de errado no estado brasileiro querer ter uma pujante indústria cinematográfica, muito pelo contrário. Qual país do mundo não queria ter um parque cinematográfico que rivalizasse com Hollywood? Qual país do mundo não gostaria de ter a sua cultura disseminada pelo mundo afora graças à mágica da Sétima Arte? Por isso sou totalmente favorável ao incentivo governamental ao cinema nacional. Podem me chamar de alienado, podem até me xingar, não me importo. Essa é minha opinião e não abro mão dela.

    Eu bateria palmas de pé efusivamente se o estado agisse com vigor no sentido de alcançar esse propósito tão nobre. Ficaria muito satisfeito se o estado decidisse não cobrar tributos sobre os equipamentos necessários às filmagens, quais sejam, câmeras de filmagem, ilhas de edição, equipamentos de iluminação e captação de áudio etc. Ficaria exultante se o estado deixasse de cobrar tributos sobre os terrenos em que se localizam os estúdios, bem como isentasse de tributos a água e a energia elétrica que fossem eventualmente consumidos em suas dependências. Daria uma cambalhota de alegria se o estado não aplicasse quaisquer leis trabalhistas e previdenciárias a todo e qualquer pessoal envolvido na produção cinematográfica (ainda que indiretamente), seja diretores, atores, roteiristas, pessoal dos efeitos especiais, maquiadores, seguranças dos estúdios, porteiros, faxineiros etc. Daria um soco no ar, tal qual Pelé ao fazer seus históricos gols, se o estado não cobrasse imposto sobre a renda do pessoal citado e nem cobrasse imposto sobre o lucro dos estúdios e das empresas ligadas (ainda que indiretamente) à produção cinematográfica. E sapatearia como Fred Astaire se o estado estendesse todos esses benefícios citados acima aos setores de distribuição e exibição.

    Sou não só favorável ao incentivo governamental sobre o nosso o cinema, como também sou ferrenho defensor do estímulo estatal a todos os setores da economia brasileira, sem exceção. Chamem-me de socialista, comunista, puxa-saco de Fidel ou até de petista. Não me importo.
  • Brant  24/02/2015 18:20
    Interessante. A sua visão de estado incentivando o cinema nacional é justamente o estado parando de intervir no setor e não dando dinheiro de impostos para atores e diretores que provavelmente vão agradecer fazendo filmes bajulando o governo como ocorre hoje. Acho que é exatamente isso que este site defende não só para o cinema como para todos o resto da economia. Seu pensamento é o oposto de um socialista.
  • anônimo  09/03/2015 01:28
    Também tem o detalhe que uma coisa é uma lei de incentivo, outra é lei que estipule cotas. Uma é um potencial disperdício de impostos, a outra é perda de liberdade. A primeira não é intrinsicamente ruim, ela só tem uma origem ruim: o estado.
  • Matias  24/02/2015 18:30
    Rubens, direto de Hollywood para o Mises.
  • anônimo  24/02/2015 18:36
    "Não vejo nada de errado no estado brasileiro querer ter uma pujante indústria cinematográfica, muito pelo contrário."

    Eu também não vejo nada de errado, e o autor do texto provavelmente também não. A argumentação do texto é se essa e outras regulações vão nos levar à essa "punjante indústria cinematográfica".

    Gostei de suas sugestões de desonerar esse setor, que tal expandir isso para todos os outros setores, sem exceção?
  • Rubens Ewald Filho  24/02/2015 19:45
    Anônimo, leia meu comentário até o final.
  • anônimo  24/02/2015 21:45
    Eu o li, Rubens.

    Desonerando todos os setores, no sentido que entendo que você usou em seu comentário, que seria simplesmente não cobrar tributo algum, seria conflitante ao tipo de incentivo que financia diretamente projetos culturais, como por exemplo o CONDECINE citado no artigo.
  • Rubens Ewald Filho  25/02/2015 01:14
    "Desonerando todos os setores, no sentido que entendo que você usou (...), seria simplesmente não cobrar tributo algum".

    Agora peço que você seja absolutamente sincero comigo e me responda: e por acaso haveria melhor estímulo que o estado poderia dar à economia senão exatamente esse que propus?
  • anônimo  25/02/2015 14:08
    Rubens,

    Concordo com você que, sem dúvidas, esse é o melhor incentivo que o estado possa dar à qualquer setor da economia. Só gostaria de ressaltar que com zero imposto em todos os setores, sem exceção, o estado não conseguiria realizar nenhum outro incentivo, nem mesmo de caráter legislativo como cotas e reservas de mercado.

    Se você usou as palavras 'incentivo' e 'estímulo' em seu primeiro comentário com o único significado de reduzir os impostos a zero, eu concordo integralmente com o mesmo.

  • Vinicius  24/02/2015 21:45
    Olha o que a ANCINE anda fazendo com sua verba:
    https://pt-br.facebook.com/radiobandnewsfm/posts/717180581726521
    Incentivar e promover blablabla é discurso para o gado não reclamar, or eal intuito é dar cargo para o amigo do rei passar bem.
  • Nilo Cunha  24/02/2015 20:29
    Criou-se um mito no meio cinematográfico brasileiro que o renascimento dessa indústria no final da década de 90 se deu por causa dos incentivos governamentais. Isso é apenas desconhecimento econômico da conjuntura brasileira.

    Não foi somente a indústria cinematográfica que teve uma década de 80 e início de 90 com participação quase que irrelevante. Essa é justamente a época que a inflação brasileira tinha índices altíssimos. O crédito era escasso nessa época, exceto pra quem tinha boa influência política, em especial com bancos públicos estaduais. A partir do controle da inflação e de ajustes fiscais importantes ocorridos na década de 90, pode-se dizer que a economia brasileira renasceu, não foi apenas a indústria cinematográfica.

    Outra coisa, filmes brasileiros que fizeram sucesso comercial teriam boa recepção do grande público com ou sem incentivos fiscais por parte do governo. O que esses recursos geram são vários filmes lançados com pouquíssimo público. Ou seja, é gastar dinheiro do contribuinte em favor de poucos cineastas bem relacionados. Os números do artigo mostram bem isso, em especial em relação aos documentários.

    Sou um cinéfilo apaixonado por cinema mas com um pouquinho de conhecimento econômico. Grande parte dos filmes que mais gosto nem mesmo passam no cinema. Mas tenho plena consciência que regulamentação e incentivos fiscais só pioram a situação e criam ainda mais distorções no mercado. Todo o dinheiro do mundo não irá mudar a visão do grande público e nem aumentará de forma significativa a audiência dos filmes "cabeça".
  • Puta nego chato  24/02/2015 22:08
    "Sou um cinéfilo apaixonado por cinema"

    Salvo engano, ser apaixonado por cinema é a definição mesma de cinéfilo.
  • Cat  24/02/2015 22:01
    Eu gosto de música clássica. Quero as forças armadas nas ruas para prender quem estiver ouvindo outro tipo de música.

    Tem uma palavra para pessoas assim, Rubens: crápulas.
  • Vitor  24/02/2015 22:31
    Quer algo que rivalize com Hollywood? Então que siga a mesma lógica que Hollywood seguiu, sendo uma indústria super dinâmica cheia de empreendedorismo e competição. Hollywood brotou e cresceu no mercado, não da cabeça de burocratas de Washington. Se acha que burocratas e políticos podem "simular" um Walt Disney ou irmãoes Warner, sinto muito.
  • Rubens Ewald Filho  25/02/2015 01:04
    Prezados Cat e Vitor,

    Tenham a bondade de ler meu comentário em sua integralidade antes de tecerem suas justas críticas, caso contrário, vocês serão apenas mais provas vivas da validade da Lei de Poe.

  • Pedro Borges Griese  25/02/2015 02:49
    Prezado Rubens,
    concordo em parte com seu comentario. Ha que se preservar aquilo que se acredita ser um aspecto da cultura. Mas nao com uma verdadeira xenofobia culturas que é a intervenção no cinema.
  • Rubens Ewald Filho  25/02/2015 03:55
    Minhas felicitações pelo excelente artigo, mas lamento informar que o senhor não leu meu comentário atentamente e acabou sendo mais uma vítima da Lei de Poe.

    "And another one gone, and another one gone...
    Another one bites the dust.
    Hey, I'm gonna get you too!
    Another one bites the dust."
  • Detector de Sarcasmo  25/02/2015 13:32
    Impressionante, alguns comentários depois e nada. Pessoal, está claro na postagem do Rubens que ele defende nada mais do que todos nós defendemos aqui no Mises. Ele está apenas ironizando o clichê esquerdista de que devemos incentivar a cultura nacional e mostrando que a solução é justamente reduzir a intervenção governamental, não só da indústria cinematográfica mas de toda a economia. Rubens, seu comunista asqueroso.
  • Pedro Griese  27/02/2015 15:57
    Nao captei o sarcarmo
  • Cat  25/02/2015 13:32
    Pois bem, Rubens, se me permite, vou copiar você: "Não me importo."

    A realidade econômica também não. Ignore a realidade o quanto você quiser, mas as consequências de ignorar a realidade não poderão ser ignoradas.

    Faça o que quiser da sua vida. Mas não reclame quando a vida também fizer o que ela quiser com você.

    Só tente não levar muitos inocentes junto com você, não seria justo.


    Ps. Não espero que entenda as referências que fiz no meu comentário, ou mesmo que o entenda. Mas hey, pelo menos com a poesia de Poe dá pra fazer umas belas músicas, já a Ayn Rand era meio careta neste quesito...
  • Rubens Ewald Filho  25/02/2015 15:01
    Cat, você nem ao menos leu meu primeiro comentário com cuidado. Vá lá no segundo parágrafo e veja as minhas propostas para o estímulo à indústria cinematográfica nacional. Em vez de você posar de superior e me chamar de crápula, quero ver você rebater meus argumentos e dizer o porquê deles estarem errados.

    Sobre Poe, o escritor, gosto mais de sua prosa, até porque não sou grande fã de poesia. Sobre a Lei de Poe, que nada tem a ver com o imortal escritor de Baltimore, sugiro que pesquise a respeito.
  • Cat  25/02/2015 15:50
    Certo Rubens, realmente, só agora vi quais os incentivos. Quero estes incentivos no meu negócio também. Mas eu não lhe chamei de crápula, leia com atenção ;)

    Cat ( O desatento )
  • Rennan Alves  25/02/2015 14:20
    Incrível. Mesmo eu, que não sou muito bom em interpretar textos, identifiquei o sarcasmo (bastante inteligente por sinal) do Rubens.

    Lembrei-me de um dos comentários do Típico Filósofo, o qual uma comentarista comentou logo em seguida, algo como: "ainda bem que existem pessoas como você neste sítio, a humanidade estaria perdida". Infelizmente não lembro em qual artigo presenciei tamanha pérola.
  • Matias  25/02/2015 14:44
    pesquisa "Rubens Ewald Filho" no google kkkkkk
  • anônimo  27/02/2015 10:32
    Cara como tem gente BURRA por aqui.O cara vem com uma ironia, pedindo desregulamentação e fazendo piada com os esquerdistas e nego leva a sério, pqp
  • lorivaldo  24/02/2015 18:00
    Nosso país sofre até hoje os efeitos da reserva de mercado da informática dos anos 80, perdemos o boom da informática e quem tem mais de 30 anos, se lembra que tinha de se contentar com clones caríssimos do ATARI que só vieram aparecer aqui depois que a mesma tinha falido em 1983 (Crack da Indústria de Games). Já em relação a filmes (e também séries, basta ver nas TV's a cabo) a imposição de conteúdo tende a empobrecer as produções nacionais, vista que as produtoras e distribuidores terão de "criar novos produtos" para se encaixarem nos 30%.
  • José Paulo  24/02/2015 19:13
    Eu acredito que o cinema brasileiro deva ser um pouco mais valorizado. Mas o problema é totalmente a falta de insentivo. Novos alunos são formados, mas como que vão colocar em prática o que aprendem se não tem insentivo.
  • Felipe  24/02/2015 19:34
    "Mas o problema é totalmente a falta de insentivo"

    Incentivo cara, com C de capital.

    E o que ta faltando? já temos financiamento público e cotas nacionais, e você quer mais o que?


    "Novos alunos são formados, mas como que vão colocar em prática o que aprendem se não tem insentivo."

    E dai? O que você ta querendo é que alguém seja obrigado a financiar o emprego desses alunos, é isso? Então faça você mesmo, e não exija algo de ninguém.
  • Ronaldo Quinto  24/02/2015 20:27
    Realmente, eles pressizam sê insentivados...
  • Dalton C. Rocha  24/02/2015 20:01
    O artigo é até regular, mas um artigo melhor e mais curto sobre este assunto, pode ser achado no site veja.abril.com.br/080605/mainardi.html que exceto por escrever entre 1992 e 1994 ao invés de 1990 e 1992, mostrou-se melhor e muito mais curto que o artigo acima. No artigo do site veja.abril.com.br/080605/mainardi.html tem escrito: "Se o governo jogasse fora dois quintos da verba da merenda escolar, alguém já estaria preso. Como joga fora dois quintos da verba de filmes, ninguém reclama. O cinema nacional só existe porque é tutelado pela política. Produtores e diretores sabem disso."
  • wagner  24/02/2015 20:11
    Olá, discutindo sobre essa lei da quantidade máxima de salas por filme há algumas semanas, o argumento mais usado pelos favoráveis a essa lei era de que 'não era o dono do cinema que definia a quantidade de salas, mas sim a produtora que exigia no contrato que ele colocasse o filme em uma grande porcentagem de salas, o que acaba gerando várias salas vazias, mesmo que o público desses filmes seja maior, e isso prejudica o público, que ficaria com uma oferta menor de filmes, prejudica o dono do cinema que poderia estar lucrando mais passando filmes blockbusters menores (não necessariamente filmes brasileiros ou independentes)' dizem que a lei não prejudicaria o público, 'pois a única coisa que mudaria é que quem ia num horário vazio iria num lotado, e ele ainda poderia ir nas outras salas', beneficiaria o dono do cinema (e ao que parece 90% dos donos de cinema apoiam essa lei, segundo o presidente da Ancine - link abaixo), e que os únicos prejudicados seriam as produtoras, que 'perderiam 1% de lucro'. Enfim, não tenho muito conhecimento pra rebater esses argumentos, e estranhei eles não terem sido refutados no artigo, e gostaria que fossem refutados aqui nos comentários.

    www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-110703/
  • Pedro Borges Griese  25/02/2015 02:38
    Wagner, obrigado pela leitura e por prestigiar o texto. Com relação ao seu comentario, acrescento dois pontos. Primeiro, não haveria muito o que se falar sobre a relaçao comercial entre produtoras versus distribuidores e donos de cinema. É evidente que donos de cinema cujo estabelecimento for menor tem menos poder de barganha em relaçao as produtoras. Mas, evidentemente, grandes cadeias de cinema (Knoplex, Severiano Ribeiro) tem mais poder de fogo.


    Segundo, acredito que mesmo na passant abordei a questao da media de publico por filme/sala. Veja no quadro que a media TOTAL de publio POR sala de filmes brasilerios é de 989/sala. Já a média americana ficou em 2004/sala. Essa média leva em consideração o numero de salas disponibilizadas para um determinado filme. Mesmo com a restriçao, e com um maior numero de salas disponiveis, os filmes americanos ainda assim detem uma media de publico/sala duas vezes maior.
  • wagner  25/02/2015 03:55
    Bom, esses números comparam filmes brasileiros com americanos, mas como eu disse no meu comentário, a vantagem da lei, segundo seus apoiadores, seria fazer com que os cinemas passassem mais filmes americanos menores, não necessariamente filmes brasileiros ou independentes, o filme que me foi dado de exemplo era o Gone Girl, que fez bastante sucesso nos cinemas de outros países, mas aqui no Brasil 'não teve muito espaço por causa dos blockbusters'. Desde já agradeço a atenção.
  • Matias  25/02/2015 11:01
    90% dos donos de cinema apoiam essa lei, segundo o presidente da Ancine

    Isso também tem explicação, olha só:

    Em relação aos cinemas dos grupos exibidores com mais de 20 salas, 90% já aderiram ao compromisso

    g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2014/12/ancine-limita-blockbusters-ocupar-ate-35-das-salas-de-cinema.html

    Quem propõe a regulamentação, normalmente são grandes empresas, afinal pra elas é muito mais simples se adequar à qualquer nova regra, visto que o custo é dilúido entre toda rede. Afinal, grandes empresas odeiam o livre mercado. Quem se ferra mesmo é o dono do pequeno cinema, que investe na maioria das vezes do próprio bolso, sem as facilidades de acesso à políticos, financiamentos e isenções...

    O termo foi assinado por 23 empresas...respondem por mais de 2.100 salas do país

    Temos 2.800 salas no páis... olha aí o cartel formado explicitamente
  • Pedro  25/02/2015 21:03
    Ta aí mais um motivo para boicotar o cinema. Já não sou muito de frequentar salas de cinema, agora tem um motivo a mais para não ir mesmo. Filmes nacionais então, nem se fala, não vou desembolsar 1 centavo sequer com os mesmos.
  • Aaron  24/02/2015 20:17
    OFF TOPIC

    Galera, hoje eu declarei minha rendição e derrota à burrocracia estatal. Tenho a infelicidade de trabalhar como advogado cível e, portanto estar diariamente sujeito aos desmandos dos suseranos nomeados pelo Estado. Não sei se alguém aí já fez um artigo sobre cartórios, sua função feudal e sua proteção incólume como máfia (cartel) em pleno século XXI. Se não houver qualquer artigo, estou à disposição (Leandro/Chioccas, não sei quem cuida desta parte no site agora) para redigir um artigo denunciando esta praga que inferniza a vida de todos. A cada vez que discuto com um tabelião ou um servidor de tribunal pelas exigências tirânicas e sem nexo desses inúteis, perco a cabeça porque sei que jamais me tratariam assim se houvesse concorrência a seus serviços e eu pudesse escolher um cartório ou tribunal à minha escolha.

    Como não vou conseguir enfiar na cabeça desses senhores que não sou um escravo deles e que eles é que estão la para me servir (afinal pagamos as contas deles através de impostos e emolumentos), assino aqui a minha rendição como advogado (um profissional que vive a desvendar e desbravar as legislações insanas impostas por burocratas inúteis) e já estou a procura de um ramo para empreender sem que tenha que lidar (tanto) com o estúpido, arrogante e burro Estado tupiniquim. Sem brincadeira, fico doente quando ouço algum imbecil falando que temos que estatizar os serviços cada vez mais.

    Para esse comentário não se restringir somente a acusações gerais, transcrevo abaixo algumas exigências que os "dotôs" tabeliões já me obrigaram (ou tentaram obrigar), em nome da ..."segurança jurídica" (leia-se: ganho fácil para eles a troco de infernizar a vida do cidadão):

    1 - Querer cobrar mais de R$ 24K para registrar UM contrato de empréstimo Os emolumentos máximos são de R$ 12K, mas o "dotô" falou que o anexo tinha muitas páginas e que dá muito trabalho carimbar e tirar cópia de tudo (sim, ele disse isso mesmo), e que por isso iria roubar mais R$ 12K. O tabelião tinha um mapa-mundi enorme na sala cheio de alfinetes, e me explicou, paternalmente, que cada alfinete era um lugar para o qual tinha viajado. Por isso, imaginei que deve dar muito trabalho e gasto para viajar tanto, e por isso, eu deveria contribuir com a comissão do pobre tabelião SQN. Fui em outro cartório (7º cartório da capital- SP), adepto de um mínimo de decência e livre concorrência, e registrei por 12 pau mesmo. Alguns meses depois, os tabeliães entraram com uma ação contra este último cartório proibindo-o de atuar fora do cartel e atender bem os seus clientes.

    2- Exigir o preenchimento de um formulário e uma carta por título a ser protestado para fins falimentares. Os dois possuem AS MESMAS informações. Liguei nos cartórios da capital-SP e nenhum inútil ao telefone soube responder qual a previsão legal para preencher dois documentos com as mesmas informações. Tudo o que souberam responder foi "ordes são ordes" e "o dotô mandô", além de um imbecil que me repreendeu por ligar às 10 da manhã para falar com o tabelião, porque É ÓBVIO que o "dotô" só chega depois (isso quando chega). O problema é que já eram 11:30 e quando apontei este fato para o jumento, ele se resumiu a pedir desculpas e prometer retorno, o que obviamente jamais ocorreu.

    3 - Ficar mais de duas semanas ligando e mandando emails de cobrança a um cartório em Sergipe, perguntando qual seria o procedimento para protestar um título para fins falimentares. Algumas das respostas dos equinos de plantão: "Num sei, só o tabelião sabe e ele tá em Aracaju (a semana era antes do Carnaval, então obviamente o tabelião já devia estar na praia", "liga mais tarde que eu te respondo (óbvio que não adiantou), "o responsável já foi embora, e o outro que ajuda ele ta de férias, então só amanhã às 10h (isso eram umas 15:30 da tarde)" e a magistral burrada de uma mula que num momento de fraqueza confessou que "o sinhô ta ligando e num tá conseguindo fala com o cartório, isso são ordes do dotô, porque quando tem muito trabaio ele manda num atendê para num sobrecarregar". Imaginem voces uma empresa privada que não quer atender clientes....

    Tenho outras experiências, mas acho que estas bastam para voces entenderem o drama.
  • Eckhart  24/02/2015 21:57
    "Como não vou conseguir enfiar na cabeça desses senhores que não sou um escravo deles e que eles é que estão la para me servir"

    Na verdade, você é um escravo deles e você está aí para servi-los sim. Enfie isso na sua cabeça. Por que você acha que neste site se fala tanto sobre anarcocapitalismo?
  • Nilo BP  25/02/2015 00:15
    Bom, se você perguntar para o Olavo, é porque somos idiotas úteis na conspiração comunista internacional.

    Tá, não consegui ficar sério... dei risada no "comunista"
  • Marcelo  25/02/2015 13:28
    Sinto lhe informar Aaron, mas partir pra abrir uma empresa não vai te aliviar desses problemas dos braços longos do estado.
    Provavelmente vc não vai ter tanto trabalho mais com cartórios, seus problemas passarão a ser sindicatos, alguns funcionários cheios de direitos e qse nenhuma obrigação, aliás alguns deles estão até te fazendo um favor de comparecer à empresa em troca de salário em dia, especialmente se tiverem se acidentado (por imprudência de uma das partes) e ter estabilidade de 1 ano.

    É assim, por todo lado estamos pastando, comendo capim, a menos que seja amigo do rei, ou concurso público para receber salário acima da média vindo de algum fundo beneficente do governo, que é mamãe de todos e está com dinheiro sobrando...

    Compartilho de sua indignação e repúdio contra o estatismo cada vez maior e as consequências que decorrem disto.
  • Aaron  25/02/2015 15:34
    É verdade, Marcelo. Serei mais um capitalista opressor coxinha fascista etc etc. Mas viro um escravo semi-alforriado, pois pelo menos quanto aos negócios a primeira fase( voce rala, se esforça e fecha o negócio), o Estado até que deixa você viver (porque vai abocanhar sua mamata logo depois)

    A pérola é que você depois tem que pagar a comissão (impostos) aos políticos e ao governo, que se esforçaram sobremaneira para atrapalhar sua vida ao máximo e depois cobram um porcentual modesto (uns 7 tributos, no mínimo), como comissão por serem tão legais e idôneos e não considerarem você um criminoso por não financiar suas farras, dólares na cueca, jatinhos, castelos e ilhas particulares das "otoridades". Ou seja, é alguém que você paga para atrapalhar a sua vida, fingindo que veio te ajudar. Vai entender o masoquismo presente em terras tupiniquins...

    Ainda temos, como voce citou, as máfias chamadas sindicatos e afins. Porém, assim como acima expliquei a você, eles não podem infernizar sua vida a ponto de não deixar voce trabalhar, porque senão não sobra nada para garantir a boquinha. Não dá pra matar a galinha dos ovos de ouro.

    Já como advogado, o imbecil do tabelião ou funça do Tribunal não ganha um centavo a mais por te deixar viver. O salário cairá em conta no final do mês, independentemente de quantos pessoas ele enrolou, maltratou, agrediu ou simplesmente deu uma de "migué" deixando voce espumando de raiva. Advocacia contenciosa depende exclusivamente da boa vontade dos semideuses empossados pelo Estado em "ser legal com você" (mesmo que é a obrigação deles e mesmo que paguemos seu salário) e fazer o mínimo. Não há qualquer incentivo financeiro ou lógico, tirando o dever moral (que pouquíssimos possuem) de atender suas demandas.

    Entendeu a diferença? Somos sempre servos deles. No primeiro caso, você é um servo cujo senhor deixa trabalhar, para depois assaltar e ficar no bem-bom. No segundo, voce é um servo que só poderá trabalhar se e quando o senhor deixar, pois ele não ganha nada com isso.
  • Francisco  25/02/2015 00:33
    Detalhes que o autor comodamente se esquiva no tortuoso caminho de escrever sobre um assunto sobre o qual não tem domínio.

    1) Porquê o cálculo de números de sala por filme vs. público não está presente? Porque aí você veria que a grande maioria desses documentários teve lançamentos mínimos, vários com 1 cópia, a maioria com 4 ou 5 cópias e umas poucas excessões com mais de 10 cópias.

    2) A cota de tela existe desde 1932 mas ela não é cumprida desde então, como a lei do curta não é cumprida, como a limitação de concessões públicas de rádio e tv não é cumprida, etc, etc, etc. Mas aí não tem problema né?

    3) Sobre os incentivos fiscais ao cinema. Sabe onde também tem incentivo fiscal à indústria cinematográfica? Nos EUA! Oh - Meu - Mises! Que horror! Só em um dos programas na Califórnia são mais de U$330.000.000 em incentivos fiscais diretos. Uma meia dúzia de estados também oferece descontos, pagamentos, abonos, deduções e isenções.
  • Marcos  25/02/2015 01:09
    1) E daí? Isso não muda o fato de que os documentários brasileiros são uma bosta que ninguém quer ver. E o que é pior: uma bosta feita com dinheiro público. Se os documentários fossem realmente bons, estariam bombando no Netflix ou em locadoras. Para quem se diz muito entendedor, você parece nem saber como funciona o mercado audiovisual. (Dica: ao fazer perguntas, é "por que" e não "porquê". Analfabeto não tem muita moral).

    2) Isso não é problema, isso é solução. Aliás, sobre as concessões, não entendi: você é a favor de o governo restringir o número de concessões?! Ué, mas assim você estaria jogando a favor do tal "monopólio da grande mídia". Você estaria reduzindo ao máximo seus possíveis concorrentes. Estranho raciocínio...

    3) Até onde sei, alguns estados americanos (e também o Canadá) concedem isenções tributárias para filmagens in loco. Você, que é ignorante, deve achar que isenção tributária para filmagem in loco (que nada mais é do que o governo retirar um obstáculo que nem sequer deveria existir) é o mesmo que subsídio (que é repassar dinheiro diretamente). Nada posso fazer por você.
  • Rubens Ewald Filho  25/02/2015 01:50
    "Sabe onde também tem incentivo fiscal à indústria cinematográfica? Nos EUA! Oh - Meu - Mises! Que horror! Só em um dos programas na Califórnia são mais de U$330.000.000 em incentivos fiscais diretos"

    Olhem aí, seus libertários fanáticos, para vocês verem que não sou o único a defender esse tipo de estímulo estatal à indústria cinematográfica. O Francisco está absolutamente certo nesse ponto e o governo da Califórnia deveria inclusive ser muito mais radical nesse tipo de ajuda à indústria cinematográfica.

    Aliás, perdão se firo seus pudores libertários, mas vou reforçar a idéia que lancei em outro comentário: o governo da Califórnia teria que parar com a timidez e lançar mão dessa sorte de estímulo (se possível na sua forma mais agressiva) em benefício a todo e qualquer setor da economia, não apenas em favor da indústria do cinema. Isso é socialismo? Se for, considero-me um marxista-leninista-trotskista-stalinista-maoísta-castrista-chavista-petista com muito orgulho!
  • Pedro Borges Griese  25/02/2015 02:57
    1) O número de fato esta presente. Justamente na ultima coluna do quadro em que se calcula a média de publico/sala. Aonde se leva em consideração o numero de salas em que o titulo foi exibido. Percebe-se que o gênero documentário leva muito MENOS gente por sala do que qualquer outro. Mesmo considerando o baixo numero de salas exibidos. Cabe lembrar que com o numero de documentários brasileiro de 40% do total de filmes lançados. E esses filmes atraíram apenas 1% do publico.Disponibilizar mais salas seria agravar a inviabilidade dos cinemas.


    2) Minha opinião sobre a lei das cotas está no texto. Se você acha que ela nao esta sendo cumprida (eu acho que deve ser revogada) reclame na Ancine. Afinal, ela "cuida" do audiovisual.


    3) Marcos já explicou sobre as isenções nos EUA. So acrescento que não sou taxpayer americano. Sou pagador de imposto aqui no Brasil. Se o contribuinte americano aceita que parte do dinheiro vá para produtores, diretores e atores milionários para rodar filmes, nada posso fazer por eles.
  • anônimo  27/02/2015 10:39
    'Sobre os incentivos fiscais ao cinema. Sabe onde também tem incentivo fiscal à indústria cinematográfica? Nos EUA! Oh - Meu - Mises! Que horror! '

    O IMB devia ter um artigo que focasse apenas nesse tipo de mentira: se os EUA fazem, não é anticapitalista.
    Eu até consigo entender de onde vem a ignorância de gente que pensa assim, eles acham que ser liberal é acreditar em Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino etc.Gente que defende os EUA como a terra da liberdade e a puliça da terra.
  • pedro  25/02/2015 00:35
    Moral da estória: Nem sempre o canastrão está na tela; às vezes, está na Ancine, com nome e cpf.
  • IRCR  25/02/2015 00:53
    Quero ver esses vagabundos regularem o que eu posso assistir no Popcorn Time.
  • Pedro Borges Griese  25/02/2015 02:59
    Cuidado, não dê ideia.....Nunca subestime a capacidade dos governos de intervir.
  • Fred Silva  25/02/2015 13:01
    Pois é, fala baixo... Vamos aproveitar os últimos anos de internet relativamente livre...
  • IRCR  25/02/2015 17:10
    O negocio vai ser usar VPN então (rs.)
  • Fernando  25/02/2015 11:28
    Pedro, uma dúvida mais ou menos relacionada com o tópico:

    Um dono de cinema pode oferecer meia entrada para todo mundo, certo?

    Digamos que eu abra um cinema com ingressos a R$40. E coloque um aviso dizendo que todos os estudantes, idosos, crianças, adultos, políticos, malucos, vagabundos e pessoas com idade entre 0 e 140 anos podem solicitar a sua meia entrada no caixa. Na prática, o ingresso seria R$20 para todo mundo, a não ser que a pessoa realmente queira pagar a "inteira" de R$40.

    Eu seria um gênio ou seria preso?

    Abraço
  • Matias  25/02/2015 13:09
    sim, pode fazer. Muitos já estão fazendo. Aqui neste tópico tem um debate sobre isso nos comentários:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1595
  • Ismael  25/02/2015 17:24
    Mas se há incentivo à produção de documentários brasileiros...então vamos usar a criatividade para produzir alguns documentários sobre temas que são lugares-comuns para a Escola Austríaca que conhecemos tão bem por aqui.
    Poderiam ser, por exemplo, o sistema bancário de reservas fracionárias...imaginem que obra cinematográfica...a abertura do documentário com o brasão do Banco do Brasil no canto da tela! E detalhe imprescindível...exibição garantida sob pena de infração às leis de incentivo.
  • Maíra  25/02/2015 21:28
    Em muito me lembra o plano cruzado. Quando os preços foram congelados a escassez de produtos levou ao ágio.
    Não me surpreenderia se com a lei o nível de pirataria aumentasse simplesmente porque agora as pessoas não conseguem mais um ingresso para assistir 50 tons de cinza pleno sábado a noite, por exemplo.

  • Marcos  25/02/2015 21:29
    Com todos esses incentivos e restrições aos concorrentes, é de se espantar que a indústria nacional não somente não tenha dominado o mercado como continue comendo poeira. Provavelmente esse deve ser o ramo mais incompetente do empresariado brasileiro.

    Também vejo um outro aspecto envolvido nisso. A indústria cultural brasileira é notoriamente esquerdista. Manter esse aparato em funcionamento também é um ótimo instrumento gramsciano de manutenção da hegemonia. Basta ver os estereótipos que são perpetuados pelos filmes brasileiros. Tudo bem que eles mal atingem a população, mas mesmo assim é uma frente relevante para a guerra cultural, pois os artistas são uma voz influente.

  • Marcelo Cohen  26/02/2015 19:08
    Apoio o diálogo sobre o tema mas acredito que este texto deva ser refeito. Há falhas graves na análise que ocultam todo um outro lado do mercado nacional de cinema.

    Por exemplo, onde está descrito que a intervenção estatal é consequência (e não causa) da própria falha de financiamento de filmes? É preciso por em mente que um filme é uma obra muito cara e vender um investimento assim para empresas não é fácil. Obter lucro em um filme (mesmo no formato padrão de longa metragem, dublado, ficção, com atores famosos e de gênero pouco agressivos como comédia) é uma tarefa quase impossível nacionalmente. Ora, se o lucro é difícil, como financiar a ideia de produção? Vale lembrar que os mencionados filmes dos anos 90 arrecadaram dinheiro sim com a Lei Rouanet e do Audiovisual, ambas datadas da primeira metade da década. Após as cagadas que o Collor fez no setor da Cultura nacional, se não houvesse intervenção do estado, as obras cinematográficas de lá pra cá não estariam nem sendo produzidas. E como o próprio texto diz, estão em crescimento desde então.

    Onde estão os dados de arrecadação de bilheteria? Informação das mais importantes para a análise de dados de como o mercado lucra e não há uma explicação para ela. E confesso que é um assunto tão complexo que mereceria um texto somente para isso.

    Outro problema grave são as distribuições. O texto não trata de como é uma preocupação intrínseca ao cinema e como é, digamos, mafioso. Os grandes hits só são vendidos em lotes com diversos outros filmes de qualidade duvidosa, prática que os grandes centros de distribuição fazem desde sempre e que se parassem de fazer, certamente teríamos mais espaço ainda para os próprios filmes nacionais e blockbusters, o enlatado americano poderia ser reduzido e o mercado lucrar com isso. Não estou falando dos Star Wars e Hunger Games, que pertencem ao blockbusters, mas sim dos filmes de comédia romântica genérica e comédia que já sabemos o final do filme antes de pagar o bilhete. Vale lembrar que o público destes filmes também não "escolheram" eles como melhores, subjetivamente. São, em geral, filmes com baixos índices de pagantes. Deveríamos dar tanto espaço no cinema para eles?

    Agora um problema que é pró ao texto e que não foi discutido de maneira mais ampla é: O Brasileiro quer se ver na tela? Onde está o questionamento desde a identidade nacional até a representação cênica do eu na telona? Não, os filmes além de terem um marketing reduzido e menos eficaz, eles tem um apelo popular muito menor por tratarem de problemas mais próximos e de alguma forma a cultura cinematográfica brasileira é administrada para que olhemos o outro, para que busquemos alguma fuga, apenas uma diversão e a pipoca. Comparemos um filme como o "Tropa de Elite 2" e "Guardiões da Galáxia". Ambos são longas de ação mas com profundidades completamente diferentes. Enquanto um diverte de maneira garantidíssima a ponto de você sair dali e querer se aprofundar no mundo diegético da história (com as HQs), o outro te puxa para questionamento que te fazem além de se divertir questionar o que está acontecendo no mundo que eu vivo.

    A pergunta aqui é: Os filmes brasileiros não são vistos porque o público escolheu que não quer ver por qualidade, por implicância e preconceito ou porque apenas quer fugir da realidade?

    Caso haja comentários, por favor, prezo pela educação.
  • Zé Trindade  26/02/2015 19:41
    "Por exemplo, onde está descrito que a intervenção estatal é consequência (e não causa) da própria falha de financiamento de filmes? É preciso por em mente que um filme é uma obra muito cara e vender um investimento assim para empresas não é fácil. Obter lucro em um filme é uma tarefa quase impossível nacionalmente. Ora, se o lucro é difícil, como financiar a ideia de produção?"

    Traduzindo: você quer fazer algo que absolutamente ninguém quer ver, e quer fazer isso com o dinheiro dos outros. Qual é a diferença entre isso e um assalto?

    Se ninguém quer financiar seu filme, é porque ele é ruim e não terá mercado. Se seu filme fosse bom e tivesse potencial de retorno, pode ter certeza de que haveria farto financiamento (a menos que você ache que capitalista odeia lucro).

    Ninguém quer financiar filme brasileiro simplesmente porque essa é uma área em que não somos bons. É doloroso ouvir isso? Lamento.

    Agora, é intolerável você defender a idéia de que a população deve ter seu dinheiro confiscado apenas para atender aos seus caprichos de fazer um filmeco que ninguém quer ver. Você defende esse roubo e ainda pede educação nas respostas.

    "Vale lembrar que os mencionados filmes dos anos 90 arrecadaram dinheiro sim com a Lei Rouanet e do Audiovisual, ambas datadas da primeira metade da década."

    E são todos eles uma tragédia. Ou você gostou de "O Guarani"? O que de bom e positivo essas obras-primas trouxeram para o país? Eles nos tornaram mais avançados? Ajudaram a nos desenvolver? Torraram nosso dinheiro -- dinheiro esse que poderia ter sido investido em outras áreas -- e ajudaram apenas a enriquecer cineasta vagabundo.

    "Após as cagadas que o Collor fez no setor da Cultura nacional, se não houvesse intervenção do estado, as obras cinematográficas de lá pra cá não estariam nem sendo produzidas."

    Mas isso seria uma benção. Aliás, a única coisa que prestou no governo Collor foi o fato de ele ter nos livrado, pelo menos temporariamente, do lixo que é o cinema nacional.

    Quer brincar ele fazer filminho, meu caro? Beleza. Monta um roteiro decente, tire a bunda do sofá, e vá atrás de financiamento de empresas privadas. Se algum empresário achar que seu filme tem potencial para ser um estouro, então ele irá financiá-lo com gosto (a menos que ele odeie lucros).

    Todo o resto do seu comentário é mais do mesmo, e gira em torno dessa mesma idéia coercitiva e totalitária.

    E aí, de zero a dez, como foi a minha educação com a donzela das belas artes?
  • Marcelo Cohen  26/02/2015 21:46
    Não me importo com ofensas, mas acho que elas são improdutivas. Levantar uma idéia com ego é a mesma coisa que ser irracional, é levar a ideia de volta ao nada. E acho que não prezamos a irracionalidade aqui, não é Zé Trindade?

    Não, não é um assalto fazer um filme com dinheiro dos outros. Na verdade, é assim que alguma parcela de filmes são feitos e por isso que coloquei a noção de bilheteria, que é onde o lucro seria dividido. Imagino que você deva ser um amador nos conceitos de co-produção, sociedade e produção executiva, não te culpo.

    Mas o que quis expor é que isso nunca funcionou no Brasil. E olha, sinceramente não sou nada nacionalista, to nem aí pro "O Guarani". Mas é preciso entender que diretores como Fernando Meirelles e Walter Salles não conseguirem financiamento mesmo tendo suas próprias produtoras (o que diminui o custo e ajuda a mitigar o risco ao investidor) para filmes como "Central do Brasil" e "Cidade de Deus". Vale lembrar que são ambos filmes premiados no mundo todo, devido a sua relevância de entretenimento, cultural e de aceitação subjetiva (seja do público ou do crítica). Ou seja: Sim! Nos ajudaram a se desenvolver e avançar sim!

    Bem, empresas não financiam filmes aqui, é um fato, e isso não acontece por conta da qualidade. Os filmes citados anteriormente até minimizaram um pouco isso, mas claro que dono de capital quer mais capital. O problema então é algum preconceito velado sobre o audiovisual nacional. É como se eu achasse que estou abrisse uma churrascaria em bairro de veganos. Enquanto na real os investidores estão é perdendo uma oportunidade, pois vários filmes excelentes foram feitos através das leis de incentivo. E outra coisa, muito se fala na dependência destas leis. Mas ninguém exclui que outras formas de financiamento sejam feitas, elas apenas são ineficazes quando não inexistentes.

    Uma coisa que me impressionou é a falta de noção econômica que você expôs na questão do financiamento. Você diz "Tomaram nosso dinheiro" mas dinheiro não some, certo? Ele é direcionado. E direcionar um dinheiro para o audiovisual é sim um investimento forte e político, de alguma forma. Você com certeza poderá se embasar e aprofundar isso lendo sobre soft power. Assim como também pensando que o mercado cinematográfico nacional cresceu tanto de 20 anos para cá que os profissionais do meio agora estão trabalhando mais com isso e, logicamente, estão mais preparados e sofisticados. Muito se fala (mal e com razão) da economia da Argentina mas esquecem de como o cinema deles ajuda a abrir espaços políticos, justamente com soft power. Aliás, o grande vencedor do Oscar deste ano foi idealizado por um mexicano, certo? Quando se fala em cinema nacional não se deve pensar em nação mas sim no mercado geográfico de uma região especifica.

    Não acho que o resto do meu comentário é mais do mesmo, porque expõe problemas que não estão sendo dialogados. E é isso que estou buscando, o diálogo. O mercado de cinema é dependente de produção / distribuição / exibição. Sem um dialogo complexo sobre tríade, fica díficil uma analise válida sobre o cerne da questão.
  • anônimo  27/02/2015 10:25
    'Não, não é um assalto fazer um filme com dinheiro dos outros. Na verdade, é assim que alguma parcela de filmes são feitos e por isso que coloquei a noção de bilheteria, que é onde o lucro seria dividido. Imagino que você deva ser um amador nos conceitos de co-produção, sociedade e produção executiva, não te culpo.'

    Você com certeza não notou, mas o que esse teu argumento ridículo está dizendo é o seguinte: um ato X não é imoral ou antiético se for o jeito tradicional como as coisas são feitas.
  • anônimo  27/02/2015 10:46
    'Você diz "Tomaram nosso dinheiro" mas dinheiro não some, certo? Ele é direcionado. E direcionar um dinheiro para o audiovisual é sim um investimento forte e político, de alguma forma. '

    Não, isso é roubo mesmo assim.E se arrancar o dinheiro dos outros pra fazer filme, teatro, plantar umas florezinhas ou criar uma empresa, não deixa de ser roubo por nada disso.
  • Carlos  27/02/2015 13:00


    Não, não é um assalto fazer um filme com dinheiro dos outros.(...)

    Essa afirmativa é válida se, e somente se, o dinheiro dos outros foi voluntariamente obtido. É assim que grandes empreendimentos são feitos desde que o mundo é mundo.


    Vale lembrar que são ambos filmes premiados no mundo todo, devido a sua relevância de entretenimento, cultural e de aceitação subjetiva (seja do público ou do crítica). Ou seja: Sim! Nos ajudaram a se desenvolver e avançar sim!

    Por essa lógica um tanto quanto tortuosa, temos que reconhecer a veracidade das teorias de Paul Krugman porque ele ganhou o nobel de economia. Ou que Obama é um férreo defensor da paz mundial por ter recebido o nobel da paz.

    Da mesma forma, essa lógica, em última análise, justifica todo e qualquer confisco estatal da propriedade privada em prol de ideais platônicos tão irreais quanto tirânicos.

    E não é correto o uso do pronome "nos" na sua última frase. Ajudaram uma pequeníssima quantidade de indivíduos com conexões privilegiadas dentro da máquina estatal. O fato de um filme brasileiro ter feito sucesso não acarreta consequência alguma para 99,9% da população.

    Bem, empresas não financiam filmes aqui, é um fato, e isso não acontece por conta da qualidade. Os filmes citados anteriormente até minimizaram um pouco isso, mas claro que dono de capital quer mais capital. O problema então é algum preconceito velado sobre o audiovisual nacional. É como se eu achasse que estou abrisse uma churrascaria em bairro de veganos. Enquanto na real os investidores estão é perdendo uma oportunidade, pois vários filmes excelentes foram feitos através das leis de incentivo. E outra coisa, muito se fala na dependência destas leis. Mas ninguém exclui que outras formas de financiamento sejam feitas, elas apenas são ineficazes quando não inexistentes.


    Sim, os empreendedores já perceberam, faz tempo, que não vale a pena investir no cinema nacional, pois o mercado consumidor para estas obras é ínfimo. Não é o empresário que não está nem aí, é o mercado que diz a ele que esse produto não presta, não dá retorno.

    Utilizar esse argumento para justificar o "apoio" estatal para obras que ninguém, ou quase ninguém, quer ver, é a quintessência do Estado brasileiro.

    Uma coisa que me impressionou é a falta de noção econômica que você expôs na questão do financiamento. Você diz "Tomaram nosso dinheiro" mas dinheiro não some, certo? Ele é direcionado. E direcionar um dinheiro para o audiovisual é sim um investimento forte e político, de alguma forma. Você com certeza poderá se embasar e aprofundar isso lendo sobre soft power. Assim como também pensando que o mercado cinematográfico nacional cresceu tanto de 20 anos para cá que os profissionais do meio agora estão trabalhando mais com isso e, logicamente, estão mais preparados e sofisticados. Muito se fala (mal e com razão) da economia da Argentina mas esquecem de como o cinema deles ajuda a abrir espaços políticos, justamente com soft power. Aliás, o grande vencedor do Oscar deste ano foi idealizado por um mexicano, certo? Quando se fala em cinema nacional não se deve pensar em nação mas sim no mercado geográfico de uma região especifica.

    Sobre isso eu recomendo a leitura de Frank Chodorov "The Rise and Fall of Society", em especial o capítulo 13 - The Maker of Shortages.

    Todo os recursos em poder do Estado representam os possíveis usos alternativos de tais recursos para a produção de bens ou serviços por parte de pessoas que, individualmente, buscam o melhor para si. Trocando em miúdos, tudo o que vai para o Estado é, necessariamente, um desperdício de recursos, pois este jamais será tão eficiente, econômico e conhecedor de todas as possibilidades de aplicação destes, tarefa que é desempenhada, com muito maior qualidade, por empreendedores privados.

    Espaços políticos são ocupados por burocratas estatais de modo a fustigar e justificar sua existência. Nenhum empreendedor privado dá a mínima para "espaços políticos", pois sabe que tais "espaços" foram obtidos mediante a tributação de sua atividade econômica. O maior, senão único beneficiário desses espaços é próprio Estado (ou companhias fascistóides).

    E sim, pelas razões apresentadas, todo dinheiro na mão do Estado equivale a dinheiro perdido.
  • Zé Trindade  26/02/2015 22:26
    Você pede diálogo mas convenientemente ignora tudo o que eu falei, e apenas repete tudo o que você próprio há havia dito (e que eu havia contra-argumentado). Isso não é diálogo; isso é um surdo vivendo em um mundo próprio.

    "Não, não é um assalto fazer um filme com dinheiro dos outros."

    Só se a definição de "dinheiro dos outros" é o dinheiro voluntariamente investido por alguém. Qualquer outra coisa que não seja isso configura roubo, e pouco me importa se tal procedimento seja corriqueiro em Saturno ou em Plutão.

    "Imagino que você deva ser um amador nos conceitos de co-produção, sociedade e produção executiva, não te culpo."

    Espere aí, você defende isso? Então acabou a discussão, pois é exatamente isso o que eu também defendo. Podemos terminar por aqui?

    "Mas o que quis expor é que isso nunca funcionou no Brasil."

    Ah, bom. Agora voltou ao intervencionismo. Acredita que por um momento eu realmente pensei que você estava sendo sincero ao defender o modelo de co-produção e sociedade?

    "E olha, sinceramente não sou nada nacionalista, to nem aí pro "O Guarani". Mas é preciso entender que diretores como Fernando Meirelles e Walter Salles não conseguirem financiamento mesmo tendo suas próprias produtoras (o que diminui o custo e ajuda a mitigar o risco ao investidor) para filmes como "Central do Brasil" e "Cidade de Deus"."

    E daí? Quer que derramemos uma lágrima por eles? Aliás, Walter Salles é filho de banqueiro. Só faltava essa: filho de banqueiro tirando dinheiro dos outros pra fazer filminho. E você aplaudindo.

    "Vale lembrar que são ambos filmes premiados no mundo todo,"

    Caguei.

    [i] "devido a sua relevância de entretenimento, cultural e de aceitação subjetiva (seja do público ou do crítica)."


    Caguei de novo. (Você tá me dando diarréia).

    "Ou seja: Sim! Nos ajudaram a se desenvolver e avançar sim!"

    Oi?! Que silogismo foi esse, meu Deus do Céu? Eu estou mais rico hoje por causa de Cidade de Deus? Por causa de Central do Brasil? Como? O dinheiro da população eu sei que ambos, mas como isso nos deixou mais ricos?

    [i] "Bem, empresas não financiam filmes aqui, é um fato, e isso não acontece por conta da qualidade."


    Não. Acontece por conta de que elas não bobas. Sabem que financiar filme brasileiro é prejuízo na certa, pois a população não é idiota para ir ao cinema e gastar mais de R$20 pra ver lixo.

    "Os filmes citados anteriormente até minimizaram um pouco isso, mas claro que dono de capital quer mais capital."

    Esse é um pecado que acomete toda a população da face da terra exceto você, obviamente, que recusa aumento salarial e sempre aceita trabalhar em troca de um valor salarial mínimo.

    "O problema então é algum preconceito velado sobre o audiovisual nacional."

    Não há pré-conceito nenhum; é pós-conceito mesmo. O cinema brasileiro é uma merda. E é uma merda simplesmente porque não sabemos fazer cinema. Qual é o problema em reconhecer isso?

    Somos bons em vários esportes, e somos bons em várias outras coisas (para roubar e eleger ladrões, por exemplo). Mas cinema simplesmente é algo em que não somos bons. Por que você reluta em aceitar isso?

    Se você chegar para uma alemão e dizer que ele é ruim de samba, você acha que ele vai resmungar, chorar e pedir para o governo subsidiar aulas de samba para a população?

    "É como se eu achasse que estou abrisse uma churrascaria em bairro de veganos."

    Se você fizer isso, você se fode. É simples. Quem mandou ser burro e não fazer uma pesquisa mínima a respeito da sua verdadeira demanda de mercado?

    Agora, era só o que faltava: você abre uma churrascaria em um bairro vegano, seu empreendimento dá totalmente errado, você tem seguidos prejuízos, e aí qual é a sua solução? Pedir para o governo lhe dar dinheiro para que você possa abrir novas churrascarias nesse bairro.

    É exatamente isso o que você defende para o cinema nacional.

    Aliás, essa sua metáfora é absolutamente perfeita (parabéns por tê-la criado; vou usá-la sempre agora): o cinema nacional nada mais é do que o governo financiando a abertura de várias churrascarias em bairros veganos. E quanto mais as churrascarias quebram, mais dinheiro é dado para a abertura de novas churrascarias.

    "Enquanto na real os investidores estão é perdendo uma oportunidade, pois vários filmes excelentes foram feitos através das leis de incentivo."

    "Excelentes" sob quais critérios? Os seus? Isso é imaterial. Vou lhe contar um segredinho que vai abalar um pouco o seu ego: o que você pensa sobre um trabalho artístico não tem a mais ínfima importância para o resto do mundo. Sorry.

    O seu critério é: "Ah, eu gostei de Até que a Sorte nos Separe. Achei excelente. Logo, quem não o financiou perdeu muito lucro".

    Já que é assim, seja coerente e coloca sua mão onde está sua boca: se há vários filmes excelentes, e se os investidores estão perdendo oportunidades, então por que você não se torna a pessoa que lucra em cima dessas oportunidades?

    Pegue um empréstimo junto com seus amigos e familiares, complemente o resto com um empréstimo bancário, faça um filme excelente, e lucre horrores em cima disso.

    Faça isso, e aí você terá respeito. Coloque seu dinheiro onde sua boca está. Caso contrário, você não passa de um simples hipócrita que nem sequer acredita naquilo que diz.

    "Uma coisa que me impressionou é a falta de noção econômica que você expôs na questão do financiamento."

    Por favor, ensine-me. Quero aprender suas noções de economia!

    "Você diz "Tomaram nosso dinheiro" mas dinheiro não some, certo? Ele é direcionado. E direcionar um dinheiro para o audiovisual é sim um investimento forte e político, de alguma forma."

    Deus do céu, eu realmente não queria ter lido isso.

    Resumindo seu pensamento humanista e humanitário: eu assalto alguém na rua, tomo o dinheiro dessa pessoa, faço um filme sobre funk com esse dinheiro, e no final sou um grande benfeitor, pois fiz um investimento. E pior ainda: um investimento político!

    Como não ficar alegre com isso?

    Aliás, essa é a sua "noção de economia"? Tenho uma péssima notícia: você está qualificadíssimo para ser Ministro da Fazenda no Brasil.

    "Você com certeza poderá se embasar e aprofundar isso lendo sobre soft power. Assim como também pensando que o mercado cinematográfico nacional cresceu tanto de 20 anos para cá que os profissionais do meio agora estão trabalhando mais com isso e, logicamente, estão mais preparados e sofisticados."

    Ótima notícia. Agora, conte-me: quando é que "os profissionais do meio" finalmente estarão "preparados e sofisticados" a ponto de se sustentarem com as próprias pernas, sem utilizar o dinheiro extorquido da população?

    "O mercado de cinema é dependente de produção / distribuição / exibição."

    Todo mercado de cinema é assim. Inclusive o de Hollywood.

    "Sem um dialogo complexo sobre tríade, fica díficil uma analise válida sobre o cerne da questão."

    Diálogo complexo por quê? A sua ideia é: dêem mais dinheiro da população para o cinema nacional. A minha ideia é: se o cinema nacional é tão bom quanto alguns falam, ele não precisa de muleta; se ele é tão ruim quanto todos dizem, então ele não merece essa muleta.
  • Luciano A.  27/02/2015 01:52
    O pior é que os produtores brasileiros não se contentam em nos obrigar a financiar seus filmes ruins (através de tributos e subsídios), eles ainda querem nos forçar a assisti-los! E pagar os ingressos!

    Ou seja, temos que pagar duas vezes para eles!!
  • Silvio P.  27/02/2015 11:44
  • anônimo  27/02/2015 10:22
    '"Vale lembrar que são ambos filmes premiados no mundo todo,"

    Premiados pelo mesmo tipo de gente que 'ganha a vida' com isso.Sério, nenhuma profissão decente se auto premia.
  • Pedro Griese  27/02/2015 17:33
    Marcelo, agradeço a leitura e prestigio do tema.
    Algumas considerações sobre suas colocações. Vou dividir em parágrafos e comentar por partes.
    "Por exemplo, onde está descrito que a intervenção estatal é consequência (e não causa) da própria falha de financiamento de filmes? É preciso por em mente que um filme é uma obra muito cara e vender um investimento assim para empresas não é fácil. Obter lucro em um filme (mesmo no formato padrão de longa metragem, dublado, ficção, com atores famosos e de gênero pouco agressivos como comédia) é uma tarefa quase impossível nacionalmente. Ora, se o lucro é difícil, como financiar a ideia de produção? Vale lembrar que os mencionados filmes dos anos 90 arrecadaram dinheiro sim com a Lei Rouanet e do Audiovisual, ambas datadas da primeira metade da década. Após as cagadas que o Collor fez no setor da Cultura nacional, se não houvesse intervenção do estado, as obras cinematográficas de lá pra cá não estariam nem sendo produzidas. E como o próprio texto diz, estão em crescimento desde então".

    De fato, construir um filme não é brincadeira. Fazer um bom filme é pior ainda. E fazer um filme rentável é digno de aplausos. Como você falo, lucrar nesse ramo não é para todos. Assim, muito mais importante é então deixar que o sistema de lucros e prejuízos funcione a pleno vapor, isso permite que o lucro exerça sua função primordial de sinalizar. E as intervenções do governo poluem o sistema de lucros e prejuízos.

    Recomendo a seguinte leitura: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1780
    Ao que parece, o principal problema para filmes brazucas hoje esta nos canais de distribuição (como você mesmo admite). Porém, para esse problema o governo insiste com cota e fechamento de mercado. Cabe lembrar que hoje, com a internet, inúmeros são sites e veículos que podem divulgar um filme. Com a internet ate novas formas de financiamento de filmes estão sendo possibilitadas. Por exemplo, crowdfounding. Além disso, é evidente que inovações tecnológicas no setor trazem os custos de produção para baixo.


    "Onde estão os dados de arrecadação de bilheteria? Informação das mais importantes para a análise de dados de como o mercado lucra e não há uma explicação para ela. E confesso que é um assunto tão complexo que mereceria um texto somente para isso".

    Sobre bilheteria, posso lhe dizer que trabalhei apenas com dados da Ancine. E nesse quesito ela deixou a desejar. Verifiquei apenas que há dados agregados de bilheteria pois é o que a Ancine tinha. Mas olhe apenas alguns números disso. De 2002 pra cá, os filmes brasileiros são cerca de 22% do total de lançamentos do mercado e tiverem uma participação média de 13,6% da arrecadação as bilheterias. Nos últimos cinco anos, com o aumento do nº de lançamentos isso se agravou; 27,7% do total de lançamentos (sendo 32% em 2013) com apenas 15% do total de bilheteria. Fica evidentemente claro que filmes brasileiros tem muito menos bilheteria do que estrangeiros.

    "Outro problema grave são as distribuições. O texto não trata de como é uma preocupação intrínseca ao cinema e como é, digamos, mafioso. Os grandes hits só são vendidos em lotes com diversos outros filmes de qualidade duvidosa, prática que os grandes centros de distribuição fazem desde sempre e que se parassem de fazer, certamente teríamos mais espaço ainda para os próprios filmes nacionais e blockbusters, o enlatado americano poderia ser reduzido e o mercado lucrar com isso. Não estou falando dos Star Wars e Hunger Games, que pertencem ao blockbusters, mas sim dos filmes de comédia romântica genérica e comédia que já sabemos o final do filme antes de pagar o bilhete. Vale lembrar que o público destes filmes também não "escolheram" eles como melhores, subjetivamente. São, em geral, filmes com baixos índices de pagantes. Deveríamos dar tanto espaço no cinema para eles?"

    Marcelo, de fato. Conheço tal prática das grandes distribuidores embutem filmes digamos "de menor apelo" como um combo dos mega-lançamentos. Mas esse é uma conta que tanto os distribuidores quanto os donos de cinema fazem, e eles chegam a um acordo comercial. O distribuir quer vender seus produtos e o dono do cinema ter algum retorno. É evidente que o distribuidor não pode forçar a barra e impor muitos outros filmes de menor apelo. Mas veja, essa ação vem de uma dinâmica natural de mercado e não uma imposição tipo top down. É evidente que tanto donos de cinema e distribuidores tem que ficar minimamente antenados ao gosto do publico. Caso contrario, vão eles juntos para a falência.

    Além disso, mesmo sendo um contrato nesses termos, ainda assim os filmes americanos se mantem com melhores médias do que os filmes brazucas.


    "Agora um problema que é pró ao texto e que não foi discutido de maneira mais ampla é: O Brasileiro quer se ver na tela? Onde está o questionamento desde a identidade nacional até a representação cênica do eu na telona? Não, os filmes além de terem um marketing reduzido e menos eficaz, eles tem um apelo popular muito menor por tratarem de problemas mais próximos e de alguma forma a cultura cinematográfica brasileira é administrada para que olhemos o outro, para que busquemos alguma fuga, apenas uma diversão e a pipoca. Comparemos um filme como o "Tropa de Elite 2" e "Guardiões da Galáxia". Ambos são longas de ação mas com profundidades completamente diferentes. Enquanto um diverte de maneira garantidíssima a ponto de você sair dali e querer se aprofundar no mundo diegético da história (com as HQs), o outro te puxa para questionamento que te fazem além de se divertir questionar o que está acontecendo no mundo que eu vivo.
    A pergunta aqui é: Os filmes brasileiros não são vistos porque o público escolheu que não quer ver por qualidade, por implicância e preconceito ou porque apenas quer fugir da realidade?"


    Marcelo, aqui você entrou numa seara um tanto, digamos, complexa! Do ponto de vista praxeologico tudo que posso dizer é que um espectador vai ao cinema por que decidiu agir. O julgamento de valor do porque ele decidiu ir ao cinema, qual filme decidiu escolher e o que achou do filme deixo para o próprio individuo. Mas posso dizer por mim: diversas vezes eu vou ao cinema para "fugir da realidade". E tenho um certo preconceito de filmes e diretores que se acham pensadores demais. Que se querem filósofos demais. E, de fato, tem um bocado deles.
  • Quevedo  01/03/2015 16:49
    Vou tentar dar a visão do consumidor aqui...

    Acompanho muito cinema, isso quer dizer que assisto filmes quase todos os dias. Não me considero um especialista no assunto, portanto perdoem minhas opiniões.

    Acho que o único ponto fora curva do nosso cinema nacional foram os filmes Tropa de Elite e Cidade de Deus. Independente de gostos pessoais ou opiniões expressadas nos filmes (que aliás são sobre o mesmo tema e poderiam ter sido rodados juntos pra economizar cenário hehe), são filmes que consegui assistir como um outro qualquer, americano, europeu ou asiático. Central do Brasil não deu pra ver, juro que tentei.

    Os outros, todos que já tentei ver, é como se tivéssemos ligado a TV em algum programa da Globo. Por que eu iria no cinema ver Globo? (coisa que eu não faço há muito tempo em casa).
    Ou então alguma coisa parecida com as produções 1960 e 1970 financiadas pelo governo militar. Rodados em um fim de semana em um sítio, com 3 ou 4 atores. Muito texto, um pouco de gente pelada, etc. Filmes intelectuais, enfim.

    Sobre documentários, nem entro no assunto...

    E não estou aqui dizendo que só aprecio blockbusters. Ao contrário, entre meus filmes favoritos estão produções independentes como Reservoir Dogs e Blair Witch Project.

    Agora imagine chegar em dezembro desse ano no cinema para ver o novo Star Wars e as únicas duas salas disponíveis estiverem lotadas. Na sala ao lado teremos um documentário sobre o goleiro do Botafogo em 1948. Na outra um filme de "terror" sobre um casal que se muda para uma casa assombrada. O que acham que vou fazer? "Equilibrar a demanda"? Ver um pouco sobre a "cultura brasileira"?

    Já vi que aqui tem várias pessoas que entendem bastante sobre financiamento e distribuição de filmes, admito que entendo muito pouco sobre o tema.
    Fica então uma pergunta: por que no cinema brasileiro nunca tivemos nada como os independentes que citei acima? Que qualquer universitário conseguiria fazer com o dinheiro da mesada e uma empresa do ramo reconheceria a qualidade e o levaria ao público?
    Será que no país de origem desses filmes não existem dezenas (ou centenas) de pessoas fazendo o mesmo para que surja um diamante em meio deles? É a explicação que eu consigo chegar.

    Obrigado pela paciência :)
  • Frigga   11/03/2015 18:12
    Olá! Venho acompanhando nesses últimos tempos os artigos do instituto mises, mas esse em especial foi muito importante para mim.

    Entrei recentemente em um curso de Cinema, e eu, que imaginava que a doença estatista não estaria tão fortemente presente no decorrer de um curso de cunho artístico, estive equivocada. Isso se provou em minha disciplina de Introdução ao Roteiro. Comecei a ler a bibliografia recomendada e me deparei com clichês furados e discursos intelectualóides sobre como as leis de incentivo e cotas são essenciais para garantir a produção cinematográfica.

    " A comercialização dos produtos culturais, sejam nacionais ou estrangeiros, não pode estar atrelada exclusivamente aos aspectos econômicos, às leis do mercado, mas sim e fundamentalmente ao respeito à liberdade de circulação da cultura. Este caráter de exceção das indústrias culturais é sustentado pela necessidade estratégica, em um mundo globalizado, de mantermos a identidade cultural brasileira, de mantermos a nossa personalidade de nós mesmos e diante do mundo. "


    " Atualmente, em meados do primeiro ano do segundo governo Lula, [...] se luta pela consolidação de um sistema e um modelo de intervenção do Estado na atividade cinematográfica e audiovisual [...] que compreenda a produção audiovisual não apenas como fruto do mercado, mas também como exercício da razão e cultivo do espírito [...]. Não é apenas um tipo de conhecimento, mas também uma forma de bem estar estruturante, individual e coletivamente. "
    < o que tem de individual nisso tudo é que eu gostaria de saber...

    Ambos os trechos foram tirados do livro "Por uma política cinematográfica brasileira para o século XXI" por Jom Tob Azulay, página 69. O livro inteiro é infestado de armadilhas, criando uma imagem própria de lobo em pele de cordeiro.

    Por fim, gostaria de agradecer ao autor desse ótimo texto. Foi um grande estímulo para mim saber que, realmente, esse discurso furado de "boas intenções" é uma farsa e cria uma continuidade de altos e baixos, e apenas garante que os grandes permaneçam no poder e impossibilita cineastas no início de carreira ascender economicamente. Lamentável, porém tudo o que eu tenho a fazer é me informar ao máximo para não me tornar somente mais uma engrenagem dessa massa estatal.

    E sigamos na luta! xD

  • Emerson Luís  17/03/2015 14:28

    "O cinema brasileiro é formado por uma combinação de cotas de reserva de mercado, restrição de mercado a grandes lançamentos e financiamento governamental."

    Outra consequência é o efeito reverso: reforçar a aversão dos brasileiros por filmes nacionais.

    * * *
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  26/03/2015 20:45
    Vamos falar a verdade: os filmes brasileiros são muito ruins! Só com cota mesmo para alguém normal querer assistir.


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