Neutralidade de rede: a regulação da Internet sendo instalada

Algumas semanas são especialmente pródigas em notícias ruins.  Foi o que aconteceu semana passada sobre o assunto neutralidade de rede.

Nos últimos anos, diversos governos vêm impondo o conceito de rede neutra de cima para baixo, por meio de leis e medidas regulatórias.  Grosso modo, neutralidade de rede significa que serviços, aplicações e o tráfego em geral devem ter tratamento igualitário dentro de uma determinada rede de dados.

Tal comando não se restringe aos aspectos técnicos da gestão da rede; abrange especialmente as relações comerciais dos diferentes agentes da cadeia de negócios: dos detentores de infra-estrutura de rede aos consumidores finais, passando por geradores de conteúdo, aplicativos etc.

Para uma exposição mais abrangente do problema, recomendo a leitura do artigo aqui linkado.

Sem surpresas, os comandos legais já começam a mostrar seus resultados e a bloquear o processo de mercado, cujas bases são o sistema de preços, a propriedade privada e a livre concorrência.  O foco do ataque tem sido o chamado zero rating, a prática que se caracteriza pelo oferecimento gratuito de certas aplicações por parte das operadoras de rede, comumente as empresas de telefonia móvel.

Começando a semana lúgubre, o órgão regulador da Eslovênia ameaçou multar duas das principais empresas de telecomunicações do país por quebra da neutralidade de rede. Uma por oferecer gratuitamente aplicativo de música; a outra por não cobrar por serviços de back-up de dados de seus usuários.

Na Holanda, nação outrora admirada por ter sido um dos berços do capitalismo e das liberdades individuais, KPN e Vodafone foram multadas por violar as leis de neutralidade.  A primeira por restringir o acesso a determinados serviços em seus hotspots; a segunda por ousar oferecer a seus clientes, sem custos, acesso ao aplicativo de vídeos da HBO.

O governo canadense também abriu sua caixa de ferramentas.  Duas operadoras de telefonia celular foram obrigadas a interromper o serviço gratuito de mobile TV a seus clientes.  O ente regulador local decidiu que o zero rating é ilegal por constituir uma prática anti-competitiva, uma vez que isso "prejudica" outros produtores de conteúdo na Internet.

O Brasil, sempre antenado às grandes tendências internacionais, não poderia ficar de fora dessa lista.  Para relembrar, em abril de 2014 foi aprovado o Marco Civil da Internet sob aplausos de todo Congresso Nacional. Dias depois, a Presidente da República sancionou a lei durante a NetMundial, evento que contou com a presença de representantes de diversas nações, inclusive China e Rússia, cujos governos são notórios defensores do controle estatal da Internet.

De acordo com o artigo 9º do Marco Civil, "o responsável pela transmissão, comutação ou roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação."  Para completar, as empresas devem "oferecer serviços em condições comerciais não discriminatórias e abster-se de praticar condutas anticoncorrenciais."

Nesse contexto, quando, na semana passada, o Ministério Público da Bahia instaurou inquérito para investigar a operadora TIM por oferecer uso sem custos do aplicativo WhatsApp, tal órgão não fez nada além de aplicar a letra da lei.  E, como se vê nos parágrafos acima, não foi nenhuma novidade em termos de prática internacional.

Não poderia deixar de mencionar que o zero rating é proibido no Chile desde maio de 2014, que o Congresso argentino aprovou nova lei de telecomunicações que incorpora o conceito de neutralidade de rede, e que Obama tem esse tema como uma de suas principais bandeiras políticas.  Depois de uma série de reveses nos tribunais, o foco do governo americano, neste exato momento, é menor sobre a neutralidade de rede em sentido estrito. O objetivo agora é fazer com que a Federal Communications Commission (agência governamental americana que regula as comunicações interestaduais via rádio, televisão, satélite, e cabo) proceda à reclassificação legal dos serviços de acesso à Internet, tornando-os uma espécie de "utilidades públicas".

Isso traria respaldo legal para diversas intervenções, incluindo aí a rede neutra e o direito de acesso universal aos serviços. Trocando em miúdos, o acesso à rede teria tratamento similar à água e à energia elétrica.

Esse rol de notícias permite concluir que a era da Internet regulada começou.  De partida, esses acontecimentos devem servir de grande interesse para os familiarizados com a teoria austríaca do intervencionismo.  Dado que essa atividade econômica desfrutava ampla liberdade, espera-se que as primeiras intervenções provoquem desajustes no curto prazo.  

O sistema de preços, que transmitia informações de qualidade para os agentes, sofrerá perturbações.  Tais distorções serão percebidas pela opinião pública — e justificadas pelos economistas da corte — como sendo uma consequência das "condutas danosas" das empresas, ou como problemas inerentes ao capitalismo.  Em suma, como "falhas de mercado".

Essas distorções servirão de argumento para novas intervenções, cujos efeitos nocivos se juntarão aos primeiros.

Seguindo o raciocínio, um tipo de espiral intervencionista tomará corpo, danificando todo o processo de mercado que antes existia.  Por exemplo, nos EUA as próprias relações contratuais entre as empresas geradoras de conteúdo/tráfego e as detentoras de rede estão na mira do governo.  Parece claro que a mera ameaça de regulação dos contratos já é o suficiente para afetar as perspectivas de novos investimentos, de modelos de negócio e de preços.

No final, é o consumidor que sai prejudicado. Estaríamos nós presenciando o fim da Era de Ouro da Internet, caracterizada pela inovação, redução dos preços e constante melhoria dos serviços?  O tempo dirá.

Mas é necessário, também, vasculhar algumas das causas desse tipo de intervenção.  Do ponto de vista da ciência econômica, medidas como a neutralidade rede encontram fundamento na abordagem equivocada que os adeptos da escola neoclássica — há muitos anos a mais influente na academia e nos gabinetes de repartições públicas — têm sobre concorrência.  

De forma sucinta, sob o prisma neoclássico, determinado mercado apresenta maior nível competição quanto mais intensos forem os fatores que caracterizam a chamada "concorrência perfeita".  

Caso o mercado analisado demonstre elevado número de empresas e consumidores, homogeneidade dos produtos, plena informação aos agentes, inclusive nas condições contratuais, e baixos custos de transação, então é possível afirmar que este setor tem elevado grau de competição.  Pouca atenção se dá ao sistema de preços, à função (criatividade) empresarial e à importância da propriedade privada.  Quaisquer desvios dos pré-requisitos listados aumentam as "imperfeições" do mercado, o que acaba por fornecer os argumentos necessários para a regulação e a consequente correção das "falhas".

Para a elucubração acadêmica e para uma adequação a modelos matemáticos, tais pressupostos podem até fazer algum sentido.  No entanto, a observação da realidade dos mercados mostra algo completamente diferente.  

Percebe-se que a concorrência não depende de variáveis objetivas, como o número de agentes atuando, mas sim do grau de liberdade institucional, ou seja, ausência de restrições extra-mercado.  Em um ambiente livre de empecilhos governamentais, as empresas sobrevivem convencendo os consumidores a adquirir seus produtos. Com o objetivo de fidelizar seus clientes, elas recorrem a inovações e diferenciações de produtos.  Os contratos com fornecedores e consumidores geralmente não estão abertos ao público, pois eles mesmos são fatores de diferenciação.  As fusões e aquisições, nesse cenário, não refletem um complô de empresários contra os consumidores, mas são reflexo da própria pressão competitiva.

Pode-se dizer que essas são formas perfeitamente legítimas e benéficas do "poder de mercado", que não passa de uma forma um tanto jocosa de dizer que tal mercado é guiado primordialmente pelos consumidores. Aqui o professor Jesús Huerta de Soto esclarece de forma mais detalhada os graves problemas contidos na definição neoclássica de concorrência.

Ora, somando-se aos argumentos da economia convencional a vontade inata da classe política de controlar o fluxo de informações presente na Internet, temos o ambiente perfeito para o surgimento do conceito de neutralidade de rede.  Sob essa ótica supostamente científica, a prática, por exemplo, do zero rating deve ser combatida com todos os instrumentos, uma vez que ele reflete o "poder de mercado" das empresas.  É uma ação claramente "anticoncorrencial", irão dizer.

Para finalizar, é necessário ressaltar que até hoje a Internet se desenvolveu sem a imposição de medidas estatais para "beneficiar os consumidores" ou para "proteger a concorrência".  Outra falácia amplamente trombeteada é que a Internet é "terra de ninguém".  Mentira.  Uma constelação de organizações não-governamentais propõe protocolos e procedimentos, que são acatados livremente ou com reduzido nível de coerção.  Sem falar dos vultosos montantes que são investidos por empresas privadas, orientadas sim pelo lucro, mas também responsáveis por inovações e melhorias jamais imaginadas.

Mas agora temos a neutralidade de rede, a primeira grande medida dos governos sobre a Internet. Prometem-nos uma rede livre, aberta e democrática.  Prometem também que estaremos protegidos dos interesses das grandes corporações.  Argumentos que exalam cheiro de mofo.

Pois bem, a primeira consequência concreta de tão excelsa e científica regulação é a proibição da gratuidade de determinados serviços. Esperemos pelas próximas.

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Leia também:

Contra o Marco Civil e a neutralidade de rede 

Marco Civil da Internet: cada vez mais contra 

A não-neutralidade de redes é uma prática corriqueira de mercado 


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SOBRE O AUTOR

Daniel Marchi
é economista graduado pela FEA USP Ribeirão Preto e membro do Instituto Carl Menger, em Brasília.



Meu caro, pelo seu discurso você nunca foi liberal e nunca entendeu o que é ser liberal. E ainda tem coragem de vir com esse apelo sobre pobreza.

Gostaria de fazer uma pergunta a todos vocês:
Pois não.

Vocês já foram Pobres pra saber?
Nasci pobre, muito prazer.

Vocês já tiveram um parente morto por bala perdida?
O que isso tem a ver com capitalismo/liberalismo? Você está misturando segurança pública (que é MONOPOLIO do estado), que alias é altamente ineficiente (no Brasil, morrem 56.000 pessoas por ano, o maior indice do mundo, a gente perde até pra India, que é 43.000 por ano, outro país com alto controle estatal e burocrático) com conceitos economicos. O estado nega aos seus cidadãos o próprio direito de se defender com uma arma e mesmo assim é incapaz de solucionar o problema.

Falam tanto em mercado, economia. Mas nunca vi um liberal que enriqueceu graças a todo seu conhecimento na área, algum de vocês é rico por acaso? Maioria que vejo é classe média, acho gozado porque se manjam tanto de produzir valor e riqueza vocês deveriam ser ricos..Mas não é isso que eu vejo.

Ai meus deuses... essa foi triste.
1) O Brasil está muito longe de ser um país livre, economicamente. É o país que fica em 118 lugar no índice de liberdade econômica.

2) Ser liberal não é uma formula para ser rico e sim defender que as pessoas tenham a liberdade para efetuarem trocas entre si sem intervenção constante do Estado por via de impostos e regulações. É dessas trocas de valor que a riqueza é produzida. Cada um teria a liberdade de crescer de acordo com suas habilidades e viver num patamar de vida que julga confortável, mas repito, o Brasil NÃO É E NUNCA FOI UM PAÍS LIVRE, ECONOMICAMENTE. Você se dizia liberal e não sabe desse básico. Aham. To vendo.

Eu já fui liberal, ai cai na real com a vida, vi que esse papo de mercado não é bem assim.
Não, amigo, você nunca foi liberal. Sinto muito. Ou você está mentindo ou você diz ser uma coisa que nunca entendeu direito o que é (o que mostra o seu nível de inteligência).

Inclusive, um amigo meu foi pra Arabia Saudita, ele disse que lá existem muitas estatais e assistencialismo e o país enriqueceu assim mesmo...

Aham, beleza, usando a Arabia Saudita como exemplo:

Saudi Arabia's riches conceal a growing problem of poverty

"The state hides the poor very well," said Rosie Bsheer, a Saudi scholar who has written extensively on development and poverty. "The elite don't see the suffering of the poor. People are hungry."

The Saudi government discloses little official data about its poorest citizens. But press reports and private estimates suggest that between 2 million and 4 million of the country's native Saudis live on less than about $530 a month – about $17 a day – considered the poverty line in Saudi Arabia.


Opa, perai, como é que 1/4 da população da Arabia Saudita vive abaixo da linha da pobreza? Você não disse que era um país ótimo, rico, cheio de estatal e assistencialismo? Explique isso então.


Falam de acabar com o imposto mas negam toda a imoralidade que a ausência deste geraria, como injustiças e até coisas que ninguém prever.

Que imoralidades, cara-palida? Favor discorrer.

Favor, tentar novamente. Essa sua participação foi muito triste.


Poderiam responder o comentário desse Leonardo Stoppa:
Estranho, hipócrita é dizer que o socialismo atual compete com o capitalismo. Comunismo sim complete com capitalismo mas socialismo é uma forma de redistribuição que, quando interpretada por pessoas que estudam economia a partir de livros de economia (e não Olavo de Carvalho) é uma espécie de segurança ao capitalismo.

Se um dia você entender que existe conhecimento além do que você conhece você vai ver que dentro do conceito atual de socialismo estão as formas de redistribuição de renda (SUS, Fies, Bolsas). Em países de primeiro mundo a galera acaba usando essa grana inclusive para comprar iPhone, logo, é um socialismo que serve ao capitalismo pois deixar essa grana parada na conta de um milionário vai resultar na venda de 1 iPhone para apple, agora, quando redistribuído vira vários iPhones.

O problema da sua visão é que você estuda em materiais criados sob encomenda. Você deixa de estudar em livros de economia para aprender pelas palavras de um cara que é pago por aqueles que pagam os impostos, ou seja, aqueles que são contra a redistribuição, logo, você abre mão do conhecimento para a alienação.

Socialismo não é comunismo. Pode vir de certa forma assemelhado nos livros antigos, mas depois da segunda guerra mundial e principalmente depois da queda da URSS, ficou claro que não há em se falar em controle centralizado e ausência de propriedade privada, mas quem estuda um pouco de economia e sociologia sabe que a intervenção e a redistribuição são importantes atividades governamentais para salvaguardar a atividade industrial.

A final, de que adianta ter industrias de ultima geração se apenas 1% do povo compra seus produtos??

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • José R.C.Monteiro  03/02/2015 13:58
    Saudações, o 2º hangout do IMB - Marco Civil da Internet -,www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=317 em abril do ano passado, em que o Bruno G. comandou brilhantemente, matou com muita antecedência.

    Felizes somos nós que acessamos o sítio do Instituto Mises. Como sempre, e infelizmente, O Instituto acertou.

    Abraços e sorte, e DEUS que nos proteja desses atrasadores de lado.
  • Paulo  03/02/2015 14:18
    Outro causa intervencionista que compõe o quadro de morte sistêmica da rede e que definirá o fim da internet é a tal da "soberania digital".
    E mais uma vez a novidade vem do "pai" da regulação da rede tupiniquim, via MCI, o galã global e "visionário" Ronaldo Lemos, em parceria com a "mãe" Dilma e patrocinado pelo "maluco beleza" do Marcelo Branco.
    A internet já era!
  • Rodrigo Amado  03/02/2015 14:47
    As empresa oferecem serviços GRÁTIS então o estado vai lá e proíbe.
    E mesmo assim tem bilhões de idiotas no mundo todo que apoiam o estado:

    "Obrigado estado, por me privar de ter acesso à serviços GRÁTIS".

    Retardados.
  • André  03/02/2015 14:52
    Ronald Reagan já dizia:

    "A visão do governo sobre a economia poderia ser resumida em umas poucas frases curtas:
    Se ela se movimenta, taxe-a.
    Se ela continua se movimentando, regule-a.
    E se ela para de se mover, subsidie-a.".

    Daqui há alguns anos teremos subsídios para que os pobres tenha acesso à internet.
    Já deve até ter isso em alguns pouquíssimos lugares, mas haverá MAIS, MUITO MAIS.
    Assim como existe transporte público, futuramente é provável que inventem: "internet pública".
  • Silvio  03/02/2015 16:59
    Antes que apareça algum idiota dizendo "kkkkkkk que abissurdo, isso naum eziste!!!!! di onde vc tirou isto????":

    www.ndig.com.br/item/2012/02/justia-francesa-multa-google-porque-google-maps--gratuito
  • Elias  03/02/2015 17:35
    O duro é que um idiota desses carrega consigo uma leva de miguxos... ai ai.
  • Emerson Luis  03/02/2015 18:47

    Até alguns dias a palavra neutro significava "que não toma posição nem a favor nem contra", "indiferente", "que se abstém", "imparcial". Os intervencionistas vivem tentando inverter o significado de palavras para nomear suas ideias e ações, tudo para o bem das pessoas.

    * * *
  • Juliano  04/02/2015 12:38
    2+2=5
  • Gregory  03/02/2015 19:06
    Tá difícil de achar um pais que não tenha sido envenenado pelo socialismo. E realmente o Estado como o André está tentando destruir um dos únicos setores que tem feito a economia mundial crescer que é o setor de tecnologia.

    Aqui um exemplo de mais uma bola fora do governo dos US.

    www.theguardian.com/us-news/2015/feb/02/barack-obama-tax-profits-president-budget-offshore
  • Andre Cavalcante  03/02/2015 19:18
  • genesis  03/02/2015 21:17
    Com a continua regulação da internet, esta rapidamente perderá sua espontaneidade criativa, ou seja é tudo o que os governos querem ao redor do mundo. A internet é uma ferramenta muito poderosa e pode ser usada para derrubar governos despóticos, um caso emblemático foi a primavera árabe.
    Os governantes não são bobos e logo vão dar um jeito de diminuir a liberdade na rede. como tempo será impossível acessar internet sem se identificar por meio de documentos digitais, e quem falar mal deles será encarcerado.
  • Marcelo SImoes Nunes  04/02/2015 00:36
    Deveríamos inverter o ditado "o preço da liberdade é a eterna vigilância" para " a eterna vigilância é o preço da opressâo".
  • Gabriel  04/02/2015 00:04
    Olá IMB, veja grande critica ao Marco Civil da internet, pois dizem que o governo vai regular a internet, tornando-la precária, já sou leitor do IMB e sou a favor das idéias libertárias, mas fico com uma dúvida sobre isso, o próprio criador da WEB o físico britânico Tim Berners-Lee apoiou o Marco Civil

    exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/criadores-da-internet-elogiam-o-marco-civil-da-internet

    g1.globo.com/tecnologia/noticia/2014/03/criador-da-web-divulga-apoio-ao-marco-civil-da-internet-no-brasil.html

    E o Comite Gestor da Internet é a fovor do marco civil (Eles desenvolveram a internet no Brasil e regulam o dominio ".br")

    www.cgi.br/publicacao/o-cgi-br-e-o-marco-civil-da-internet/

    E os site especializados em tecnologia também são a favor do Marco Civil

    olhardigital.uol.com.br/noticia/por-que-tanta-gente-odeia-o-marco-civil-da-internet/41215

    gizmodo.uol.com.br/8-perguntas-sobre-o-marco-civil-da-internet/

    Com essas informação, peço uma análise inteligente e clara do IMB usando o ponto de vista liberal, mas tentando utilizar uma ótica mais tecnológica.

    Obrigado pela atanção.

    OBS: Não sou um socialista ou social-democrata ou nada do tipo sou um liberal e peço humildimente exclarecimento sobre esta assunto
  • Pobre Paulista  04/02/2015 12:41
    Bom, vou dar minha humilde opinião:

    De uma maneira geral, a informática trouxe um problema muito sério para os governos em geral, pois ela transcendeu a lógica do controle físico das coisas. Um byte não é uma coisa física e portanto não há como associar os antigos conceitos de controle e de propriedade sobre algo que é basicamente virtual.

    Quando eu copio um Byte para você, ninguém foi subtraído de nada - ou seja, a informática transformou rapidamente os bens escassos (livros e músicas por exemplo) em bens não escassos (pdf e mp3, por exemplo), e expôs o que sempre foi uma verdade já conhecida pelos liberais: Os bens não escassos não estão sujeitos às leis econômicas.

    Isso obviamente gerou muitos prejuízos aos antigos capitalistas dependentes do estado, sobretudo àqueles que dependem de leis de propriedade intelectual para sobreviver. Daí surgiu a primeira leva de ataques à internet (Lembra do Napster?)

    Mas nesse ponto da história o estado ainda não tinha muito o que temer com a internet. Foi só depois do poderio econômico virtual emergir e das redes sociais se estabelecerem que o estado começou a perceber que aquele movimento era perigoso mas poderia lhe ser útil.

    Assim, grandes empresas do ramo virtual trataram de rapidamente murar os seus feudos - Não à toa que empresas como AT&T, IBM, Dell, etc, fazem forte lobby no congresso dos EUA (por aqui temos exemplos patéticos como OI e NET, não tem nem graça) - para blindar a entrada de potenciais concorrentes menores e mais eficientes. Claro que sempre com o mesmo discurso de sempre: Tornar a internet melhor, melhorar a segurança da rede e blablabla. Mentira, sabemos do que isto se trata. E se aliar ao estado é uma estratégia para lá de conhecida.

    Portanto este tipo de reação não é inesperada, muito pelo contrário, é a velha relação espúria entre grandes capitalistas e o estado: Um garante o poderio do outro, e quem perde é o consumidor.

    Infelizmente muitas pessoas bem intencionadas caem nestas conversas. Na verdade os poderosos sabem disso e as usam como infantaria na guerra argumentativa - e o seu exemplo é icônico: "Olha, até o cara que inventou a internet é a favor do marco civil" (não vou nem comentar que "inventou a internet" é uma alcunha para lá de exagerada - a internet foi sendo inventada por muito tempo e por muitas pessoas). Essa é a estratégia mais simples para estabelecer o poderio político-econômico sem obter reação das pessoas em geral.

    Infelizmente, a internet ainda depende de um "meio físico" para existir - a saber servidores e cabos. Estes servidores estão sempre em "algum lugar" e assim os governos conseguem "dar um jeito" de impor suas vontades à rede. O futuro é mais controle, isto é inevitável.

    Essa é minha humilde opinião, espero ter contribuído em algo.

    Abraços.
  • Gabriel  05/02/2015 17:54
    Primeiramente obrigado pela resposta clara e explicativa dada, porém a neutralidade refere-se mais a "discriminação de pacote", isso pode prejudicar como terminar com serviços gratuitos( como acessar o Facebook e Whatsapp via aplicativo) e bloqueio de portas Por exemplo, as empresas bloqueiam a porta 80 de serviço de entrada, para que não sejam possivel por exemplo hospedar um site, vender uma internet só para e-mail(Protocolo IMAP,POP,SMTP) ou download upload(Protocolo FTP porta 21/22), mesmo que parece uma vantagem seus criadores ( sim eu sei Tim Berners-Lee não criou a internet sozinha, no caso ele criou o protocolo HTTP e a linguagem de marcação HTML ) dizem que a internet foi feita para ser isótoma, neutra não como uma televisão por assinatura onde você compra um pacote de canais, mas podem fazer um mercado baseado em estabilidade da conexão, velocidade de download e uploado do tráfego TCP, afim isso significa neutralidade da rede
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    Retirei um trecho de seu comentário:

    "Assim, grandes empresas do ramo virtual trataram de rapidamente murar os seus feudos - Não à toa que empresas como AT&T, IBM, Dell, etc, fazem forte lobby no congresso dos EUA (por aqui temos exemplos patéticos como OI e NET, não tem nem graça) - para blindar a entrada de potenciais concorrentes menores e mais eficientes. Claro que sempre com o mesmo discurso de sempre: Tornar a internet melhor, melhorar a segurança da rede e blablabla. Mentira, sabemos do que isto se trata. E se aliar ao estado é uma estratégia para lá de conhecida."

    sim realmente foi o que fez a finada Netscape, quando a Microsoft utilizou sua competência e grande poderio para exterminar a Netscape e a mesma recorreu a suprema corte americana que queria repartir a Microsoft em duas e é o que faz a mesma Microsoft e outras empresas contra Google pois a acusam de monopólio no ramo dos buscadores, mas voltando a pauta no casa da neutralidade empresas foram contra a neutralidade da rede

    olhardigital.uol.com.br/noticia/gigantes-de-tecnologia-brigam-contra-neutralidade-da-rede-nos-eua/45710

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    concluindo, agradeço novamente a atenção dada pelo Paulista Pobre, mas posso estar errado por pesar que interferência do governo e para melhorar algo, mas vejo o marco cívil (pelo menos a parte da neutralidade da rede) como algo positivo.

  • Pobre Paulista  05/02/2015 18:50
    Entendo seu ponto e vou adiante.

    A rede foi realmente projetada para ser aberta, no sentido técnico que vc descreveu (isonomia de pacotes, portas padronizadas e etc). Mas isso não quer dizer que ela deva ser assim para sempre, novas tecnologias sempre irão trazer mudanças e novas formas de uso. Ou alguém aqui usa gopher?

    Indepentende disso, a parte física da rede está, necessariamente, nas mãos de algum proprietário, e ele pode colocar as regras que ele quiser para seus servidores e roteadores. (Ex: No meu servidor não passa UDP, ou então nada de VOIP na minha rede). Internamente muitas empresas fazem isso (Milhares de empresas bloqueiam facebook), mas porquê uma empresa de roteamento deve ser obrigada a aceitar pacotes de outra empresa? Isso não faz sentido, na verdade a rede inteira só faz sentido quando os roteadores se conectam voluntariamente, ou seja, dois empreendedores distintos se uniram para criar uma rede de comunicação de um certo alcance. Quando eles são obrigados a aceitar qualquer coisa mediante ameaça de punição, a rede inteira perde seu caráter de liberdade e colaboração e passou a ser só mais um meio de coerção do estado.

    Alegar que isso é feito para "preservar os fundamentos da rede", ou seja lá o que for, é exatamente o que falei no meu comentário acima: Uma desculpa esfarrapada que o governo encontra para trazer os desavisados e apaixonados para o seu lado. Deixar a rede livre (do estado) é a única maneira de responder às demandas do mercado, deixando estas questões "técnicas" para o pessoal de TI em geral (dos empresários aos desenvolvedores). Mas agora os empresários estão engessados quanto à isso, e quem perde, como sempre, são os inocentes consumidores pagadores de impostos. Vai acontecer exatamente o que diz este artigo: Por que os carros de hoje são todos iguais.



  • Gabriel  08/02/2015 01:25
    Obrigado pela resposta e pelo artigo, agora vejo que estava errado em pensar que a regulamentação estatal melhoraria o sistema.
  • marco  04/02/2015 01:04
    São os governos esquerdistas de muitos países,principalmente europeus,eleitos pelo povo,portanto,grande parte,senão a maioria,usuários da própria internet.
  • Veron  04/02/2015 01:13
    Nossa última arma à favor da liberdade já está sendo retirada de nós.

  • Juliano  04/02/2015 12:30
    Quem caiu nessa de marco civíl é para o "bem" é trouxa, mais estado nunca é solução para nada, é só desastre.

    Para quem quer saber mais como surgiu essa maravilha de internet sugiro o livro Cibercultura do pierre lévy, lá mesmo ele comenta que a internet surgiu da livre iniciativa, nunca teve ou foi preciso de um estado para invenção/controle da mesma.

    Infelizmente em uma entrevista eu vi o próprio Pierre defendendo esse marco civil, não importa quem defende ou tenta argumentar que isso é prol do consumidor. Controle estatal nunca vem para o bem e quem se fode é sempre o consumidor.
  • Nilo BP  05/02/2015 02:57
    Depois do Snowden, neguim na internet estava revoltado com o governo. Libertários no mundo inteiro se encheram de esperança, achando que o pessoal estava finalmene acordando para o fato de que o governo não é amigo deles.

    Passa-se um ano e pouco, e o mesmo neguim engoliu sem mastigar o conto de fadas do governo, de estar atuando como nobre cavaleiro lutando contra os marvados provedores de internet.

    Eu desisto. Se sujeito é cego demais pra conectar esses dois pontos, não há milagre que o cure.
  • Pobre Paulista  05/02/2015 12:33
    Eu ainda acho que os Libertários em geral são muito otimistas em relação à humanidade.
  • Paulista Pobre  05/02/2015 14:01
    Eu sou libertário e otimista é um termo que nem de longe serve para descrever minhas expectativas com relação à humanidade. No entanto, como estamos sós neste universo (até que se prove o contrário) temos que confiar em nós mesmos para tentar resolver nossos problemas.
  • anônimo  05/02/2015 23:32
    É por isso que eu falo: o seasteading é a única solução.Toda a terra do mundo já está 'ocupada', então os libertários tem que criar uma pra eles; tentar convencer o resto do mundo a virar libertário é inútil, a maioria quer mesmo é ser parasita.
  • anônimo  05/02/2015 12:55
    Eles não conseguem ver a diferença entre algo ser imoral E algo ser imoral e o governo se meter pra 'consertar'.
    É a mesma estratégia dos marxistas culturais, quem luta pelo feminismo, cotas etc, não vê que está imediatamente pedindo por mais poderes pro governo, pedindo pra que o governo se meta cada vez mais na vida privada
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  29/03/2015 22:26
    As regras estatais são absurdas e ridículas.
  • Aleixo  28/04/2015 22:35
    Marco Civil em ação:

    Justiça notifica TIM por propaganda de acesso ilimitado ao WhatsApp

    olhardigital.uol.com.br/noticia/justica-notifica-tim-por-propaganda-de-acesso-ilimitado-ao-whatsapp/48212

    "O Ministério Público havia alertado, em janeiro, que a promoção da TIM que promete acesso ilimitado ao WhatsApp fere o Marco Civil da Internet e os princípios de neutralidade da rede. Agora, a operadora foi notificada devido à propaganda do plano."

    E pensar que teve otário defendendo isso...
  • Gunnar  04/09/2015 19:17
    Pior ainda são os otários na área de comentários apoiando a medida.
  • Andre  04/09/2015 19:33
    "Pior ainda são os otários na área de comentários apoiando a medida.".

    São retardados mentais mesmo.
    Só um retardado pra reclamar de uma empresa oferecer algo grátis!

    O que virá depois? A neutralidade da comida? Daí vão proibir as lanchonetes que oferecem refil grátis de oferecerem isso?


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