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É impossível existir um mercado desregulamentado

Um grande problema econômico enfrentado pelo mundo é de ordem semântica.  O termo "regulação" passou a significar apenas "regulação governamental".  Aparentemente, ninguém parece estar ciente da alternativa: regulação por meio das forças de mercado. 

Trata-se de um grande problema porque isso leva as pessoas a aceitarem acriticamente — e sem se dar ao trabalho de pensar em alternativas — enormes e variadas intervenções estatais que, no final, não apenas pioram e encarecem os produtos e serviços, como ainda beneficiam justamente os empresários mais ineficientes.

Todos nós queremos vivenciar aqueles objetivos almejados pela regulação, como qualidade decente, confiabilidade, preços razoáveis para os bens e serviços que adquirimos.  Só que, ao julgarmos que a regulação governamental é a única maneira de obter tudo isso, acabamos sendo submetidos a uma vasta quantidade de restrições e decretos que não apenas são desnecessários e errôneos, como também são contraproducentes, pois privilegiam justamente os piores e mais incompetentes.

A realidade é que a regulação governamental não é o único tipo de regulação.  Mais ainda: não apenas não é o único tipo, como é o pior dos tipos existentes.

Regular, como o próprio termo indica, significa tornar algo normal e ordeiro; significa manter um padrão; significa controlar de acordo com as regras, assim como um termostato regula a temperatura de uma geladeira ou de um ambiente refrigerado por ar-condicionado. 

Quando se trata de regular o mercado, as próprias forças inerentes ao mercado fazem isso.   Quando o mercado é livre — isto é, quando não há obstruções governamentais à entrada de concorrência — as forças do mercado regulam o próprio mercado continuamente. 

Quando não há regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), quando não há subsídios a empresas favoritas do governo, quando não há protecionismo via tarifas de importação abusivas, e quando não há altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam, as forças concorrenciais do mercado se encarregam de, automaticamente, fazer sua própria regulação.

Nesse cenário, quando empresas concorrentes oferecem um bem ou um serviço que elas imaginam ser de grande valor para os consumidores, os próprios consumidores voluntariamente escolhem entre as várias opções disponíveis, o que faz com que as empresas concorrentes reajam de acordo com essas decisões dos consumidores. 

Esse processo é o regulador do mercado.

Os mercados regulam os preços

Um exemplo de regulação de mercado tão onipresente que muitas pessoas nem sequer a percebem é a maneira como as forças do mercado regulam os preços.  Em setores robustos e relativamente livres de intervenções estatais — como o setor de padarias, de restaurantes, de fabricação de clipes de papel, e de produtos eletro-eletrônicos —, as forças de mercado são as únicas reguladoras dos preços. 

Os termos de troca oferecidos por alguns vendedores restringem os termos de troca que outros vendedores poderão oferecer. 

A questão é simples: qualquer empresa — seja uma padaria, seja uma loja de aparelhos eletro-eletrônicos de última geração — vai cobrar para os seus produtos o maior preço que puder, que seja consistente com o maior lucro possível.  Duas coisas colocarão um teto nesse preço máximo: a concorrência e a disposição dos consumidores em aceitar os preços praticados (fenômeno esse chamado de 'valoração subjetiva dos consumidores'). 

Para todo e qualquer empreendimento, são os consumidores que, em última instância, decidirão o preço máximo que estão dispostos a pagar por esses produtos.

Se a modesta padaria perto da minha casa está cobrando $50 por um quilo de picanha, então o mais luxuoso supermercado do bairro não poderá cobrar um preço muito acima desse e, ainda assim, vender um grande volume de picanha.  Tampouco as mais humildes mercearias conseguirão fazer isso.  Todos irão cobrar praticamente o mesmo preço.

O mesmo raciocínio se aplica também a barbearias, manicures, oficinas mecânicas, borracharias, lava-jatos e restaurantes a quilo (excetuando-se, é claro, aqueles restaurantes voltados especificamente para os clientes de maior poder aquisitivo).

Haverá uma forte regularidade nos preços de todos esses bens e serviços.  Essa regulação é efetuada à medida que cada vendedor reage às ações de seus consumidores e concorrentes.

A única força que pode perturbar essa regularidade e gerar contínuos aumentos nos preços é o governo, seja por meio de suas políticas de expansão do crédito — o que aumenta a quantidade de dinheiro na economia e pressiona os preços —, seja por meio de políticas que provocam desvalorização da taxa de câmbio.

(No Brasil, o encarecimento do dólar afeta desde o preço do pão — pois o trigo é uma commodity internacional cotada em dólar — aos preços dos aluguéis — que são reajustados pelo IGP-M, que por sua vez é afetado pela cotação do dólar —, passando por absolutamente todos os alimentos e remédios.  Toda essa carestia, obviamente, afeta os preços cobrados no setor de serviços).

Os mercados regulam a qualidade

O mesmo raciocínio vale para a qualidade.  Você não irá comprar, em uma padaria, uma picanha que não esteja fresca caso acredite que irá conseguir uma de melhor qualidade no supermercado mais próximo.  Os comerciantes até gostariam de conseguir vender uma picanha do mês passado que já esteja se deteriorando, mas os consumidores, em conjunto com o interesse próprio dos outros vendedores, não deixarão isso ocorrer.

As escolhas dos consumidores e as ações dos concorrentes restringem (isso é, regulam) até mesmo a qualidade dos produtos que serão colocados à venda — para não falar dos que realmente serão vendidos —, pois os consumidores irão denunciar e falar mal daqueles estabelecimentos que vendem produtos de pior qualidade em relação aos outros. 

Em um mercado concorrencial, nenhum estabelecimento pode se dar ao luxo de desapontar ou de tentar ludibriar os consumidores.  Sendo assim, eles são obrigados a manter uma qualidade decente, mesmo que não queiram

Dessa maneira, as forças do mercado regulam a qualidade.

A regulação do governo afeta a regulação do mercado

Toda essa regulação feita pelas forças do mercado se torna mais débil à medida que o mercado se torna menos livre. 

Imagine um supermercado que detenha um monopólio legal — isto é, impingido pelo governo — sobre a venda de picanha.  Tal estabelecimento, na ausência de concorrência, poderá cobrar uma enorme variedade de preços, oferecer uma enorme variedade de qualidade, e ainda assim conseguir vender.

Legalmente, seus consumidores simplesmente não teriam alternativas para onde ir.

O mesmo ocorreria se houvesse concorrência entre os supermercados, mas restrições sobre a importação de produtos, seja por meio de tarifas protecionistas, seja por meio da desvalorização da taxa de câmbio: a pressão sobre os produtores domésticos para manter a qualidade e conter os preços seria reduzida.  Ou seja, a qualidade e o preço são menos regulados quando há obstruções à importação.

A liberdade de trocas faz com que a regulação exercida pelas forças de mercado seja robusta.  Quando há concorrência entre supermercados e estes são livres para vender todo e qualquer tipo de produto, de modo que os consumidores podem optar onde comprar ou simplesmente não comprar, os preços e a qualidade dos produtos são estritamente regulados.  Essa benéfica regulação por meio das forças de mercado se enfraquece à medida que o mercado se torna menos livre.

É por isso que você consegue qualidade em restaurantes e padarias, mas não consegue no mercado de telefonia celular, no mercado bancário, no mercado aéreo, no mercado elétrico, no mercado de postos de gasolina etc., pois todos esses são estritamente regulados pelo governo via agências reguladoras.

O que nos leva a um paradoxo: quanto menos um mercado é regulado — aliás, esse não é o melhor termo; quanto menos um mercado é restringido — pelo governo, mais ele é regulado pelas forças do mercado.  Inversamente, quanto mais restrições governamentais, menor é a regulação pelas forças do mercado.  Há um trade-off direto entre ambos.

Nunca haverá uma escolha entre regulação e ausência de regulação.  Sempre haverá uma escolha entre dois tipos de regulação: regulação feita por políticos e burocratas, ou regulação feita pelas forças do mercado.  Regulação feita por decretos, ou regulação feita pela liberdade de escolha.

E quem exerce as "forças do mercado"?  Somos nós.  Você, eu e todos os cidadãos.  Nós é que decidimos, por meio de nossas decisões de comprar e de se abster de comprar, qual indústria sobrevive, qual deve ser extinta e qual deve trocar de gerência.  Não é nada complicado.  Se houver alguma política mais eficaz e mais ética do que essa, favor avisar ao mundo sobre essa revolucionária descoberta.

Não existe algo como um livre mercado desregulamentado.  Se um mercado é livre, então ele será estritamente regulado pela liberdade de escolha de seus participantes.  As ações de cada consumidor restringem e influenciam as ações de empreendedores, de modo a fazer com que essas ações sejam regulares e constantes — isto é, relativamente previsíveis, ocorrendo entre limites compreensíveis.

Conclusão

Nenhum livre-mercadista nega a existência de empreendedores salafrários; nós apenas acreditamos — e para isto baseamo-nos na sólida teoria econômica — que, quanto mais livre e concorrencial for o mercado, mais restritas serão as chances de sucesso de vigaristas, e mais honestas as pessoas serão forçadas a se manter.  E elas terão de ser honestas não por benevolência ou moral religiosa, mas sim por puro temor de que, uma vez descobertas suas trapaças, elas serão devoradas pela concorrência, podendo nunca mais recuperar sua fatia de mercado e indo a uma irrecuperável falência.  

Por outro lado, quanto maior for a regulamentação governamental sobre um setor, mais incentivos existirão para a corrupção, para o suborno, para os favorecimentos e para os conchavos.  Em vez de se concentrar em oferecer bons serviços e superar seus concorrentes no mercado, as empresas mais poderosas poderão simplesmente se acertar com os burocratas responsáveis pelas regulamentações, oferecendo favores e, em troca, recebendo agrados como restrições e vigilâncias mais apertadas para a concorrência.

A regulação governamental não é o único tipo de regulação possível; as forças do mercado também regulam.  Reconhecer isso, comunicar isso a terceiros, fazer com que o público esteja ciente disso, e colocar isso em debate são medidas essenciais para que haja uma maior liberdade econômica.

Os benefícios dessa mudança semântica — expandir o significado de "regulação" para incluir nele a "regulação pelas forças do mercado" — são equivalentes a perguntar qual funciona melhor.  A regulação por meio das forças de mercado funciona melhor, mas esse é outro argumento.  O primeiro passo é reconhecer que as forças de mercado também regulam.

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Autores:

Howard Baetjer Jr. é professor de economia da Towson University e seminarista do Institute for Humane Studies.  Ele é o autor de Free Our Markets: A Citizens' Guide to Essential Economics.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


2 votos

autor

Diversos Autores

  • Sergio Souza  02/02/2015 14:29
    Mais um artigo simples e direto.....o difícil é a população se inreressar por isso.Enquanto tiver pessoas achando que o governo é obrigado a dar a elas o que elas pressupõe que tem direito,sendo as pessoas responsáveis por suas escolhas,esse estado continuara e ainda mais forte.
  • Rodrigo  02/02/2015 14:49
    Como sempre, um excelente artigo!

    Mas agora fiquei com uma pulga atrás da orelha, qual é a posição do IMB quando a regulação da mídia, proposta pelo governo? (
    www.cartacapital.com.br/politica/regulacao-da-midia-nao-e-censura-dizem-especialistas-7324.html )

    Procurei no site e não achei artigos relativos ao tema.





  • Rafael  02/02/2015 15:17
    Essa questão da terminologia "regulamentação governamental" é importante. Alguns dias atrás, estava eu a discutir justamente sobre regulamentação governamental quando esbarrei no assunto CONAR. Ora, foi de pronto que a outra parte bravejou dizendo que o CONAR não era do governo, mas autorregulamentado. De fato, é verdade. Tive que corrigir dizendo que minha argumentação era sobre qualquer regulamentação paragovernamental. É um órgão que interfere na lógica do mercado.

    A outra parte se negava a aceitar que o CONAR é uma entidade ruim para o país, pelo simples fato de não ser uma entidade governamental. Seu argumento era mais ou menos assim: "se você alega que o mercado, composto de pessoas da sociedade, regula normalmente todas as propagandas, o CONAR também é formado por pessoas da sociedade, e não configura intervenção estatal; é mais obra da sociedade unida que uma 'ditadura' ou coisa do tipo". Tentei desmontar a tese de todo jeito, crivando com exemplos de campanhas publicitárias que deram errado, como o caso da Benetton, onde a marca sofreu um resultado negativo (curto, é fato) devido aos apelos de suas propagandas no mundo todo. Mas esses esquerdistas são "cabeças duras".

    Faço aqui um apelo: já ali aqui no mises.org.br alguns artigos falando dos efeitos da regulamentação da propaganda, mas não há um artigo específico direcionado para o CONAR*, sobre como ele é uma interferência nas leis de mercado, da mesma forma que argumenta este artigo onde insiro o comentário.

    *Fiz uma busca com o termo "CONAR" e não veio resultados.
  • Miranda  02/02/2015 15:30
    O próprio Conar reconhece quando exagera, além de deixar claro que está de saco cheio do politicamente correto:

  • Rafael  02/02/2015 23:47
    @Miranda

    Pois é, pode até ser. Mas não tira o mérito do meu questionamento. Aqui vão alguns artigos do IMB:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1968
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1906

    Há outros casos, como a propaganda de bebida alcoólica. A propaganda de cigarro, se não me engano, foi regulada por lei específica, não pelo CONAR. E aquela coisa de horário vs. faixa etária? Quem regulamentou? Foi lei específica, né?

    De toda forma, não seria o CONAR uma arbitrariedade num setor que não necessita de intervenção?
  • Pobre Paulista  07/02/2015 14:44
    Por acaso o Conar tem poder de polícia?
  • IRCR  02/02/2015 19:12
    Ultima vez que o mercado se autorregulou foi na crise de 29 (rs.)

    Ironias e clichês a parte. Creio que o único papel que os governos deveriam prestar dentro do mercado é a segurança jurídica e a garantia de cumprimento de contrato feita por ambas partes, como acreditavam os liberais clássicos.
  • Emerson Luis  02/02/2015 20:20

    Cada palavra pode possuir diversos sentidos.

    Quando vamos dizer algo importante para alguém, pode ser recomendável explicar o que queremos dizer com certas palavras-chave. E antes de responder a uma pergunta ou comentário ("O que você pensa sobre X?"), pedir que ele explique seus termos ("O que é X para você?").

    * * *
  • Enrico  02/02/2015 20:21
    Setor de padarias livre? Nas terras tupiniquins, desde 1997, o Inmetro obriga que a venda de pão francês seja por peso. As fabricantes de balança agradecem.

    E isso é o que eu lembro de cabeça. Deve haver vários outros obstáculos estatais no setor.
  • Ewerton Richard  03/02/2015 14:54
    O estado no qual resido localizado na região nordeste, driblou tal regulamentação. Aqui 80% das padarias não vendem pães por peso, no início houve uma fiscalização e pressão por parte dos agentes do governo. Porém, como o descumprimento era generalizado, os mesmos fingem que as padarias estão funcionando regularmente.
  • Enrico  03/02/2015 16:46
    "fingem que as padarias estão funcionando regularmente"? Existe veneno no pão? Os padeiros estão roubando ou fraudando? Qual o crime que estão cometendo?

    Até agora só vi um criminoso no caso, o governo.
  • Ewerton Richard  03/02/2015 18:55
    De fato, se existe um criminoso nessa situação, sem dúvidas é o próprio Estado. Só quis agregar informação mesmo e mostrar um exemplo de "desobediência civil" as medidas abusivas do Estado. Pois, como tal regulamentação estava sendo prejudicial tanto aos consumidores quanto aos donos de estabelecimentos. Sendo assim, os mesmos resolveram virar as costas para a falta de liberdade.
  • Consciente  15/07/2016 18:40
    Não vender pão pelo peso é enganar o consumidor. Afinal o padeiro não compraria o trigo por unidade, o gás por unidade e sim pelo peso.
  • Andre Cavalcante  15/07/2016 19:17
    Claro que é por unidade: Trigo a unidade é em saca. Gás é por botijão ou por metro cúbico.
    Mas o kg também é uma unidade.

    O que deve ser feito? nada! Deixe que as padarias e os consumidores se regulem quanto a isso.
  • paulo bat  15/07/2016 21:07
    trigo se vende em sacas de 60 kg. ou seja, se vende em kg. A melhor alternativa de se vender pão é a quilo. Se você vender por unidade, a mesma pode ter 40, 50 ou 60 gramas. E não tem como o consumidor saber. Você compraria carne por pedaço ou por quilo?
  • Paulo Bat  15/07/2016 21:54
    O que é melhor para o consumidor? Pão francês a quilo ou por unidade
  • Fabio Neves  16/07/2016 00:16
    Ora, porque o Pão precisa ser vendido por quilo, quando voce compra pacotes de biscoitos, salgadinhos e não quilos de biscoitos, salgadinhos... entre outros? Variar a quantidade no pacote é um direito do fabricante,que pode preferir reduzir a quantidade afim de evitar um aumento no preço/queda nas vendas,sendo essa redução impressa na embalagem cabe ao consumidor optar pelo produto mais barato, ou trocar de marca...

    No caso do consumidor, enquanto ele puder partir para outra padaria mais barata,ou que lhe ofereça o pão do tamanho e crocância que lhe agrade, não ha necessidade alguma do governo se meter no negocio dos padeiros.
  • Marcelo Simoes Nunes  03/02/2015 01:16
    Artigo muito bom pela clareza e simplicidade. Dá para qualquer retardado entender que a intervenção do governo é sempre muito pior do que a intervenção do consumidor. É claro que essa regulação do consumidor não é perfeita, pois depende do nível médio de inteligência, capacidade de análise, percepção etc do consumidor. Exemplo disso é a diferença de qualidade de produtos do primeiro mundo e dos fabricados pela indústria brasileira. Em parte a diferença se deve à intromissão governamental que protege a indústria nativa com altas taxas de importação. Mas isso também ocorre pela baixa exigência do consumidor brasileiro. O mesmo fenômeno ocorre em relação a preços. O brasileiro aceita pagar os preços mais altos do mundo, acredito, quando se trata de adquirir um automóvel. Isso pode ser deduzido a partir do fato de que não é possível explicar a diferença de preços simplesmente pelo nível de impostos mais custo Brasil etc: é a burrice do brasileiro mesmo, que somada aos demais fatores faz com que um automóvel custe cerca de três vezes mais caro do que em qualquer país civilizado.
  • Thiago   03/02/2015 02:06
    Sobre os preços dos carros no Brasil:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1027
  • Marcelo SImões Nunes  04/02/2015 00:10
    Tiago, obrigado pela informação. Li o artigo do Leando, muito bem explicado e na linha do que expus acima.
  • Juliano  03/02/2015 13:45
    O brasileiro não quer pagar mais caro, ele é obrigado. É só ver a quantidade de gente que tenta ter acessos a produtos mais baratos no exterior e é depois barrada nas fronteiras com os capangas da receita.

    Se vc acha que o brasileiro realmente não quer algo melhor e mais barato, experimente trazer produtos do exterior e revender aqui por preços melhores. Aposto que vai chover clientes, mas também aposto que vai chover "fiscalização", os brutamontes do Estado para garantir que vc não faça o crime de ferir os grupos de interesse daqui.

    Culpar "os brasileiros" é culpar as vítimas, é ignorar toda a violência que sustenta esse sistema absurdo.
  • Vinicius  03/02/2015 14:40
    O mesmo brasileiro que compra muamba barata, compra carro 0km, defende o SUS, ANATEL, ANEEL e etc, acha engraçado quando os camelôs saem correndo do rapa, diz que a PETROBRAS é do povo e esquece os candidatos que votou eleição passada.
    Pagar mais caro pelos produtos é uma mera consequência da mentalidade estado babá que 90% dos brasileiros possui.
  • Rafa  15/07/2016 20:19
    O brasileiro, em geral, acha que pagar mais pelas coisas é símbolo de status. Isso nem se discute. "Ah, mas eu parcelo em 10 vezes, está tudo bem..."
  • oneide teixeira  03/02/2015 13:53
    Como acontece a regulação do mercado de drogas cocaina, crack, prostituição infantil,
  • Pobre Paulista  04/02/2015 12:44
    Quanto mais pessoas querem, mais fortes eles ficam.

    O fato de você não gostar de algo não lhe dá o direito de proibir outras pessoas a fazerem este algo.
  • anônimo  15/07/2016 19:08
    No caso de drogas pode ter um orgão primeiramente informativo e outro que pode "certificar" a droga.

    Em um livre mercado a tendencia que os narcoticos sejam mais profissionais e fabricados por empresas mais sérias.

    Não que as drogas caseiras não possam existir.

    Desta forma uma entidade pode classificar a nocividade do produto.

    Claro que terão os que não vão dar a minima.

    Mas lembrando que na venda de um produto deve ser colocado de maneira explicita para o consumidor os efeitos colaterais por uma questão de prudencia.

    Pois mesmo em um livre mercado, se alguém compra "gato por lebre" poderá ser processado por fraude, ou seja, se vender algo e não avisar que é droga você poderá ser preso ou processado.
  • Monopolista   03/02/2015 22:41
    Meu monopólio é invencível.
  • João Souto  04/02/2015 16:48
    Achei muito interessante o artigo. Mas fiquei receoso da solução integralmente nas mãos do mercado porque, creio, a população não está preparada para lidar com esse tipo de "poder da escolha" quando, em alguns casos, as ideias do empreendedor salafrário (como o autor se refere) é latente e compartilhada por outros empresários. Se todos, num mercado de difícil acesso, por exemplo, se unem para manter um preço em determinada faixa (cartel), como fazer? Como a livre escolha é capaz de sobrepor esse tipo de atuação sem o auxílio de alguma regulamentação ou fiscalização? Pensei de imediato na escolha por produto similar, mas isso não resolveria o problema no curto prazo.
  • Souto Maior  04/02/2015 18:39
    "Mas fiquei receoso da solução integralmente nas mãos do mercado porque, creio, a população não está preparada para lidar com esse tipo de "poder da escolha" quando, em alguns casos, as ideias do empreendedor salafrário (como o autor se refere) é latente e compartilhada por outros empresários."

    Então fiquemos exatamente como estamos. Se é assim que o povo quer, é isso que o povo terá. E merecidamente. Logo, não há motivo e nem moral para se reclamar de qualquer descalabro que ocorra no presente arranjo.

    "Se todos, num mercado de difícil acesso, por exemplo, se unem para manter um preço em determinada faixa (cartel), como fazer?"

    Cite exemplos de um mercado de "difícil acesso" cuja entrada seja livre (isto é, não seja restringida pelo governo de forma alguma) e que haja cartel de empresas.
  • baprovenzano@gmail.com  06/02/2015 23:46
    Pois é. Fiz essa mesma pergunta e recebi uma resposta relativamente simples. O exemplo foi um setor ligado à internet, onde se insere o Mercado Livre. Perceba que eh um setor bem dinâmico e de inovação constante, onde o Metcado Livre se mantém com praticamente 80-90% do Mercado. Desafiantes ateh hoje n lograram êxito.

    Não percebo qq interferência estatal, a não ser figuras como o Procon.

    Algum colega pode refutar isso?
  • Guilherme  07/02/2015 00:44
    Refutar o quê?!

    A preferência clara e voluntária do consumidor pelo Mercado Livre não é uma questão de monopólio. Se a concorrência do Mercado Livre não lhe é páreo, mesmo havendo total livre entrada, então é porque o consumidor está satisfeito com os serviços do Mercado Livre, e não quer trocá-lo por outros.

    Se o Mercado Livre consegue manter sua fatia de mercado mesmo havendo plena liberdade para o surgimento da concorrência, é porque ele é competente em seu ofício, e o consumidor não quer trocar seus bons serviços pelos de outros.

    Por que isso não é aceitável pra você?
  • Carlos  07/02/2015 12:48
    "Mas fiquei receoso da solução integralmente nas mãos do mercado porque, creio, a população não está preparada..."

    Mas... e daí? Você é o zelador da coletividade? Por quê algo que foge inteiramente ao seu controle, e cujas consequências não afetam em nada a sua vida lhe causam tanta preocupação?

    Ademais você "crê" que a população não está preparada. Como é impossível saber isso, essa assertiva não tem lógica. É sua opinião pessoal de que a "população" (que não pode ser tratata como se indivíduo fosse) não está preparada. É puro achismo.


    Sem mencionar que salta aos olhos o quão estapafúrdio é o argumento: de que alguém não está preparado para a liberdade. Ora, todos nós fazemos o que fizeram os que vieram antes de nós: o melhor possível, aprendendo com nossos erros e nos adaptando à realidade que nos cerca. Ninguém precisa ser protegido de sua própria liberdade. (O Estado, é claro, quer nos "proteger" dessa coisa horrorosa, para o nosso próprio "bem").


    Como o artigo explica, o livre mercado se regula. Havendo a possibilidade de escolha, por parte dos consumidores, e liberdade de ofertar um vasto leque de escolhas a tais consumidores por parte dos empreendedores, nenhum cartel terá uma vida muito longa. A não ser, é claro, que este cartel ofereça os melhores produtos e serviços aos melhores preços possíveis aos olhos dos consumidores.

    É igual a crítica ao monopólio: um monopólio só é ruim quando não atende aos sinais emitidos pelo mercado. Exemplo clássico: metem o pau no Rockfeller por ter detido o monopólio do petróleo nos EUA, como se isso, por si só, fosse algo horrível. Mas raramente mencionam que ele foi o responsável por baixar o preço do querosene a tal ponto que uma multidão passou a poder adquirir energia fazer o que bem quisesse. Os concorrentes, que não conseguiam acompanhar os preços da Standard Oil é que fizeram uma enorme pressão junto ao Estado para que ela fosse desmantelada.



  • Aprendiz  28/03/2016 15:07
    Muito bom rapaz. É perturbador a maneira como as pessoas falam desse assunto. Muito achismo, além de tratar a sociedade como um indivíduo (minha experiência com pessoas próximas). Tem horas, quando vamos mais afundo no assunto, que dá vontade de gritar tamanho "altruísmo" que essa pessoa possui.

    Vou relatar um caso: Outro dia estava conversando com um colega e toquei no assunto contribuições (FGTS, INSS). Falei que seria melhor não existir essas contribuições para o trabalhador, ou até mesmo ele escolher se quer ou não deixar parte de seu ganho com o governo. Ah... mas ele pirou:
    -"como pode, o que será daqueles que sofrerem um acidentes? Ficarão sem amparo". Repliquei que eles deveriam se preocupar em poupar mais.
    -Ele: "não tem como, o povo gosta de gastar, o governo tem obrigar a contribuir mesmo".
    Ainda insisti que, infelizmente, esses que não se precaveram terão que aprender na "tora", e ainda deixarão um aprendizado para as próximas gerações. Mesmo eu ainda relevando que poderia ter as contribuições, mas voluntárias, e que depois disso o governo poderia tocar o seu terror propagandístico pró contribuições.
    -Ele: Não! E quem não contribui fica como.
    A última frase dele foi essa. Diante da teimosia, ao invés de refutar preferi dizer que ele está olhando a situação como se estivesse com um cabresto (como se fosse uma vaca tomando leite e agradecendo ao seu dono, sem ver que o dono tira o leite dela própria - vacas não tomam seu próprio leite até onde sei, mas serve como comparação). Depois disto houve um silêncio e ele me olhando como se não entendesse o porquê de estar errado.
  • Vitor  10/02/2015 20:20
    Pessoal,

    Sou adepto da diminuição da máquina estatal, não gosto do aparelhamento governamental de empresas estatais. Sonho com um governo mais técnico e com uma democracia mais direta, com intervenção mínima do estado na economia.

    Mas aqui reside uma discordância minha no quesito acesso a mercados e troca de informações entre clientes. Isso significa que:

    1- Existem mercados com altas barreiras tecnológicas, de conhecimento e de capital muito maiores (como as de telefonia, aviação, petróleo, se comparadas com padarias, açougues e barbearias). Nesses casos, a concorrência, que promove a prestação de serviços de maneira honesta e com qualidade, é muito menor do que nos setores com poucas ou nenhuma barreira de entrada. Nesses casos impera o oligopólio e o desconhecimento do consumidor sobre o que consome;

    2- Os clientes não possuem, todos, esse perfil denunciador de produtos ruins, e, para determinada fatia de mercado que seja muito grande, essa comunicação se torna mais dificultosa ainda. Os produtores sempre irão culpar a concorrência por desinformação, assim como os clientes que estejam errados em suas reclamações podem também espalhar desinformação.

    3- Algumas falhas técnicas são imperceptíveis ao consumidor, e por isso determinadas falhas em produtos podem causar danos ao consumidor que ele não saiba atestar a origem, principalmente nos casos de produtos em que há muito valor agregado. Além disso, o produtor facilmente coloca a culpa no uso ou em fatores externos, dificultando ainda mais a averiguação confiável das informações por pessoas comuns.

    4- O interesse ambiental é difuso, tendo em vista que alguns bens não são privatizáveis, logo não há como garantir a isenção sem uma fiscalização confiável;

    Sendo assim, ao meu ver é necessária regulação institucional para que haja informação de qualidade sobre os produtos e que seja pró ativa ao dano ao consumidor. Regulação essa que pode acontecer por agências privadas ou públicas.

    Podemos medir os prós e contras de cada tipo de regulação:

    1- Agências privadas possuem o interesse no exercício da regulamentação pois suas receitas dependem disso; logo, possuem maior interesse na manutenção de uma boa imagem do que uma instituição pública que sempre existirá, caso o governo queira assim;

    2- Agências privadas que são remuneradas pelo mesmo empresariado podem possuir interesse divergente entre manter a integridade das verificações e emitir o certificado, tendo em vista que quem é certificado é quem paga. Mesmo que haja interesse na manutenção da imagem da agência privada, esse interesse entra em conflito com o fator remuneratório. Agências públicas são remuneradas pelo governo e não possuem esse risco de conflito de interesses, mas, como toda instância do governo (alguns diriam, instâncias humanas), é corruptível.

    3- Agências privadas possuem maior interesse na melhoria dos seus processos regulatórios, tendo em vista que há interesse em melhoria da qualidade do serviço prestado e eficiência/produtividade para angariar receita. Aliando-se ao fato de que quando há concorrência entre essas agências, as empresas poderão querer se certificar na maior quantidade possível, o que irá atestar a qualidade de determinado produto e ampliar a concorrência e auto denúncia entre as agências concorrentes. Para agências públicas, a melhoria dos processos internos de regulação acontece por imposição política e por remuneração variável, o que dificulta o processo, se comparado às agências privadas.

    OBS: Em um governo técnico e com democracia direta, a corrupção e o desinteresse na qualidade da prestação dos serviços regulatórios, bem como a corrupção e ineficiência de toda e qualquer atividade estatal, se tornaria mais difícil, pois o povo poderia demitir o governo ruim, ao passo que votaria as melhores propostas em um governo com pessoas qualificadas em vez de carismáticas. Isso tornaria o cidadão um "cliente" mais participativo nas prestações de serviço do Estado. Mas esse modelo de governo ainda não existe, e pelo modelo que aí está a prestação de serviços de regulamentação pelo Estado é ruim, mesmo se fosse por meio de concessão.

    Sendo assim, prefiro a regulamentação institucional à regulamentação desinstitucional de mercado, porém prefiro que essas instituições sejam privadas, com co-responsabilização judicial em casos de danos ao consumidor, como uma garantia a mais de que a gana em emitir certificados a qualquer custo seja inferior ao desejo de se manter uma certificação íntegra.
  • Belfort  10/02/2015 21:15
    Não, não, não.

    Perguntas idênticas a essas suas foram respondidas neste comentário. Gentileza lê-lo por completo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=372&comments=true#ac122625
  • Roxo  11/02/2015 16:40
    "Sonho com um governo mais técnico e com uma democracia mais direta"

    É, o rapaz tem muito o que aprender ainda.
  • Vitor  12/02/2015 01:27
    Roxo,

    Por favor, me ensine, já que tu percorreste os caminhos da sabedoria. Pegar um trecho do que eu disse para fazer afirmações sobre mim não ajudam em nada.

    Vamos lá, estou pronto para ouvir a verdade. Diga-me e eu te seguirei.

    Só um adendo: você entendeu que eu quis dizer com "governo técnico", né? Se não entendeu eu explico: é apenas a constatação de que um governo eleito coloca pessoas incompetentes. E por democracia direta disse que as demandas devem ser atendidas sob pena de demissão. Não sou a favor de vitaliciedade e estabilidade, e sou CONTRA o inchaço da máquina, quero a MINIMIZAÇÃO do Estado, mas também não fico delirando com mundos de fadas. Diga-me, você não é anarcocapitalista, ou é?
  • Vitor  12/02/2015 01:16
    Não, não, não.

    Sabia que poderia vir alguém encrencado com o fato de eu ter citado oligopólios em setores com alto valor agregado e não ter mencionado o Estado como causador. A afirmação é simples: em setores com menor valor agregado a entrada dos players é mais fácil, e nos com maior valor é mais difícil. Difícil entender isso? Pare com essa mania fantasmagórica de que o Estado é a causa de todos os males do mundo. Sim, o Estado é responsável por barreiras intransponíveis nos mercados em que regula, mas essas não são únicas. Interprete de acordo com o contexto que eu coloquei.

    O consumidor não é um super cara que vai saber todos os problemas que existem no que consome, nem os concorrentes são super fiscais. E outra, há necessidade de responsabilização judicial sim, não basta apenas a constatação geral de que uma empresa fez M, logo o mercado a punirá não comprando dela. Há necessidade de punição judicial a posteriori para reparação dos danos causados, e empresas certificadoras são uma tentativa de atuação a priori, evitando o dano ao consumidor.

    O garoto que você indicou tem dúvidas básicas sobre formação de mega-cartéis pelo livre mercado e regulação estatal de preços para ajudar o pequeno produtor. A única pergunta parecida com meu primeiro item é a pergunta que ele faz sobre quem fiscalizaria a qualidade dos serviços e produtos de empresas no livre mercado. ADVINHA a resposta do Leandro? Foi exatamente igual a minha: empresas privadas de fiscalização. Assim como as certificações ISO's, PMP's, ITIL's, etc. (ele cita outras na resposta dele)
  • Malthus  12/02/2015 11:59
    "em setores com menor valor agregado a entrada dos players é mais fácil, e nos com maior valor é mais difícil. Difícil entender isso?"

    Não, não é nada difícil entender isso. O que é difícil entender é o que você propõe. Eu, por exemplo, não tenho capital nenhum para concorrer com a Coca-Cola, com a Microsoft e com a Apple. Devo pedir uma intervenção do governo para entrar no mercado e poder concorrer com elas?

    Entenda que liberdade de entrada em um mercado não significa capacidade de entrar em um dado setor. Se as pessoas não possuem a capacidade de entrar em uma determinada área da economia (porque, por exemplo, elas não possuem o capital para isso), isso não significa que a liberdade de entrada no mercado foi violada.

    Assim, por exemplo, se for necessário um investimento mínimo de, digamos, $1 bilhão, para se ter uma mínima esperança de poder competir no setor de aparelhos eletrônicos e informática, isso não significa de modo algum que tal setor é um oligopólio e não possui liberdade de entrada, ou que a minha liberdade, como indivíduo, de entrar em tal setor foi violada de alguma forma só porque eu pessoalmente não tenho a capacidade de levantar o bilhão necessário.

    O fato de eu não possuir ou não poder levantar o capital necessário não implica uma violação da minha liberdade de entrada, assim como o fato de eu não possuir um canal de televisão ou um jornal, e não gozar do apoio de nenhum deles, não implica uma violação da minha liberdade de expressão ou de imprensa.

    Sob quais circunstâncias a liberdade de entrada estaria sendo violada? Ela estaria sendo violada se eu realmente possuísse ou pudesse obter o capital necessário -- e, obviamente, fosse também capaz de satisfazer vários outros requerimentos necessários para poder concorrer, como ter montado uma equipe com administradores capacitados e mão-de-obra qualificada, dominar conceitos tecnológicos etc. -- e fosse coercivamente impedido de entrar neste setor pelo governo.

    Isto seria o equivalente à censura. Tal arranjo também poderia muito adequadamente ser descrito como monopólio, pois eu estaria agora lidando com um mercado, ou com parte de um mercado, que estaria fechado para mim em decorrência do elemento essencial da iniciação de força física pelo governo -- um mercado do qual fui forçosamente excluído e que, como consequência, foi transformado em monopólio de outros.

    "O consumidor não é um super cara que vai saber todos os problemas que existem no que consome, nem os concorrentes são super fiscais."

    E os burocratas do estado? Eles por acaso encarnam todas essas características super-humanas?

    "E outra, há necessidade de responsabilização judicial sim, não basta apenas a constatação geral de que uma empresa fez M, logo o mercado a punirá não comprando dela. Há necessidade de punição judicial a posteriori para reparação dos danos causados, e empresas certificadoras são uma tentativa de atuação a priori, evitando o dano ao consumidor."

    Absolutamente ninguém discorda disso. Fraude e violação de contrato são coisas que devem ser resolvidas por vias judiciais (se os tribunais devem ser estatais ou privados, isso é outra discussão). Repito, ninguém discorda disso. Você está fazendo espuma com algo com que todos concordam.
  • Vitor  12/02/2015 12:40
    "Devo pedir uma intervenção do governo para entrar no mercado e poder concorrer com elas?"

    Em nenhum momento afirmei isso.

    "Entenda que liberdade de entrada em um mercado não significa capacidade de entrar em um dado setor."

    Estamos falando de economia ou de liberdade civil? Nunca mencionei que a liberdade de alguém ia ser afetada.
    Já sei. O problema foi a palavra "oligopólio" né? Esqueça-a. Risque-a e a ideia continuará intacta.

    "E os burocratas do estado? Eles por acaso encarnam todas essas características super-humanas?"

    Não. Você realmente não entendeu o meu texto. Pode não estar tão bem escrito, mas pelo que você tem escrito como respostas, me parece que isso aconteceu devido ao seu excesso de melindre com relação à palavra oligopólio. Eu usei-a fora do sentido técnico da EA, usei no sentido mainstream que significa apenas que se trata de um mercado mais restrito (NÃO porque alguém restringiu, mas pelas características dificultosas de entrada).

    "Absolutamente ninguém discorda disso."

    É, o seu intuito não é entender o que eu falo. O autor do texto menciona o mercado como auto-regulador da qualidade (veja o subitem do autor "mercados regulam a qualidade"), mercado esse que seriam os consumidores e os concorrentes. Ele em momento algum cita empresas fiscalizadoras. Eu discordei dessa posição e propus que houvessem empresas fiscalizadoras para diminuir os prejuízos ao consumidor de maneira pró-ativa, além de esclarecer o consumidor e dar vantagem competitiva aos melhores. Eu comparei essas empresas fiscalizadoras sendo elas do setor público e privado e mostrei que as do setor privado seriam bem melhores. Ao meu ver é isso que o Leandro propôs no texto que você me mandou ler. Ou seja, nada demais.

    Veja que em momento algum citei essas empresas como reguladoras de preços, pois isso é um absurdo. Até porque fiscalizar e atestar qualidade já influencia as tomadas de decisão do consumidor e consequentemente na formação dos preços.

    Há um problema de comunicação aqui e pretendo não me estender mais no debate.

    Passar bem.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  03/04/2015 16:30
    O sistema de mercado é o mais perfeito que a humanidade pode conseguir. Devemos incentivar o empreendedorismo e eliminar o estatismo.
  • Domingos Tavares  13/07/2015 22:01
    Eis aqui um ótimo exemplo de regulação de preços pelo mercado:

    www.valor.com.br/empresas/3134586/cade-condena-cartel-dos-paes-no-distrito-federal
  • Rafael  28/11/2015 15:01
    Concordo com o direcionamento geral do texto, sim o mercado regula pela livre opção de seus clientes e pela livre entrada de concorrentes, mas o que me incomoda é que na pratica, acontecem acordos entre empresas amigas para nao baixarem preços, venda abaixo da margem de lucro pra quebrar concorrencia enquanto existe gordura financeira e omissao aos consumidores dos metodos (seja na producao, seja nos insumos) utilizados. Existem varias tecnicas pouco eticas para driblar o livre mercado e que nao passam pela utilização de amparo governamental.
  • Donatello  28/11/2015 18:26
    "mas o que me incomoda é que na pratica, acontecem acordos entre empresas amigas para nao baixarem preços"

    Cite exemplos disso em mercados não-regulados pelo governo. Cite exemplos práticos de empresas que combinam preços e formam cartéis em um mercado cuja entrada é livre e não há regulamentações estatais.

    Tal cenário que você citou só se sustenta exatamente se tais empresas operarem em mercados regulados pelo estado. Se o mercado não for regulado pelo estado, cartéis de preços não se sustentam, pois se torna extremamente lucrativo para um integrante deste cartel "descumprir o acordo" e vender a preços mais baixos.

    E eu vivencio isso na prática. A família da minha mulher é quase toda ela formada por suinocultores. Eles criam porcos e os vendem para frigoríficos. Todos os suinocultores da região têm um grupo no WhatsApp por meio do qual vivem tentando combinar preços com o intuito de "forçar os frigoríficos a pagar mais".

    No entanto, sempre -- sempre! -- tem uma pessoa que descumpre o combinado e vende abaixo do preço do "cartel". E o motivo é óbvio: como os frigoríficos compram em grandes volumes, qualquer redução de centavos terá um grande efeito sobre o custo final para os frigoríficos. Para o sujeito que sai do cartel, reduzir seu preço em centavos lhe trará uma receita muito maior (porque venderá um maior volume) do que teria caso mantivesse o preço do cartel (e, consequentemente, vendesse um volume bem menor).

    Ainda neste mesmo raciocínio, quais monopólios existem em ambientes não regulados pelo estado? Desconheço um único. Não há um mísero exemplo histórico disso.

    Em primeiro lugar, como explicado nesse artigo (Monopólio bom e monopólio ruim - como são gerados e como são mantidos), quanto mais uma empresa cresce, mais ineficiente ela se torna, o que abre espaço para a entrada de um concorrente mais enxuto e mais eficiente.

    A única coisa que pode proibir o surgimento de um concorrente enxuto para competir com a empresa grande é o governo, que é justamente quem cria cartéis, oligopólios e monopólios, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

    E quando não era assim, o que ocorria? Quando o governo não tinha ainda poderes para se intrometer, havia formação de cartel entre os poderosos? Havia "exploração"? Não. O que ocorria era isso.

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    O Sherman Act e a origem das leis antitruste - quem realmente se beneficia com elas?

    "venda abaixo da margem de lucro pra quebrar concorrencia enquanto existe gordura financeira"

    Outro clichê. Não há um mísero exemplo prático disso. E sabe por que não há? Porque seria necessário ser muito imbecil para incorrer nesta prática.

    Não apenas isso nunca aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.

    Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

    Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores. Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

    Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

    E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado.

    Uma empresa operar no vermelho por muito tempo significa, por definição, que ela está destruindo seu próprio capital; na melhor das hipóteses, ela está queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros. Proponha essa estratégia para qualquer administrador sério, e a resposta que você terá é uma estrepitosa gargalhada.

    O professor Thomas DiLorenzo — referência neste assunto —, quando dava aulas de MBA para executivos da Black & Decker, propôs a eles a seguinte estratégia para conquistar mercado: "o que vocês acham de sugerir ao seu empregador que pegue uma furadeira que custa US$10 para ser produzida e comece a vendê-la por US$1 durante um período indeterminado de tempo — pode ser tanto 5 anos quanto 50 anos —, até que todos os demais fabricantes de furadeira do mundo vão à falência, e então, após isso, ele possa cobrar US$500 por essa furadeira?"

    Os executivos, em gargalhadas, disseram que, se eles propusessem isso, certamente seriam demitidos no ato.

    E vale ressaltar que, quanto maior a escala de produção de uma empresa, maiores e mais impactantes serão os prejuízos.

    Por outro lado, tal prática pode sim ser muito viável em um mercado totalmente regulado e protegido pelo governo, no qual não existe liberdade de entrada para a concorrência. Mas aí, neste caso, obviamente não temos uma falha de mercado, mas sim protecionismo estatal. Em um mercado assim, no qual o que vale é a amizade com políticos, qualquer incapaz prospera.

    "e omissao aos consumidores dos metodos (seja na producao, seja nos insumos) utilizados. Existem varias tecnicas pouco eticas para driblar o livre mercado e que nao passam pela utilização de amparo governamental."

    Quer dizer que, se eu, na condição de empreendedor, quiser ter lucro, a primeira coisa que irei fazer é enganar consumidores e fraudá-los? Como é que eu vou ficar rico assim?

    Se eu fraudo e engano você, a primeira coisa que você irá fazer é me denunciar no Reclame Aqui, nas redes sociais, para seus vizinhos e amigos. Minha clientela irá despencar.

    Por favor, me diga como é possível eu ganhar dinheiro assim?

    É impressionante como as pessoas repetem clichês que ouviram de professores da oitava série sem se dar ao mínimo trabalho de pensar nas consequências lógicas do que estão falando.

    Sabe em que arranjo é possível eu enriquecer fornecendo péssimos serviços? Em mercados regulados, em que a concorrência é banida e você não tem opção a não ser continuar comprando de mim.
  • Rafael  28/11/2015 20:59
    Olha eu concordo que é extremamente mais facil executar as estrategias mencionadas em mercados regulados. Eu estou querendo no meu comentario voltar a minha visao para mercados nao regulados ou pelo menos mais livres. Mas discordo em vc nos pontos

    Ao mesmo tempo que comecar pequeno pode ser bom para a eficiencia, tambem pode ser ruim a depender do quao pequeno vc vai iniciar. Nao é pq a empresa é grande que ela é ruim, nem boa pq eh pequena, existe um ponto de intersecção entre ser grande x pequeno e ser eficiente x pouco eficiente. Quando vc é pequeno vc tem uma dificuldade basica que é se financiar; a depender do seu tamanho ate mesmo colocar um arcondicionado, uma iluminacao mais legal, comprar um software de gestao, aumentar volume de compras para negociar preco com o fornecedor podem ser desafios.

    Se eu tenho um mini mercadinho estabelecido em uma quadra e o carrefour resolve abrir uma filial ao lado, eu provavelmente terei problemas.

    No caso do mercado grande, se ele tiver vontade de dificultar a vida pode diminuir margem em um produto (que eu venda) e aumentar em outro (que so ele venda). E se o mercadinho lucra pouco, nao precisara mais do que alguns meses para prejudica-lo

    Se o mercado nao quiser abaixar suas margens existe a estrategia de negociar acordos de exclusividade com os fornecedores de forma a tirar produtos do mercadinho (afinal o fornecedor vai preferir aquela empresa com maior chance de pagar em dia, pedir em quantidade maior, certeza de compra).

    De toda forma é obvio que em uma disputa carrefour x pao de acucar esse exemplo nao vale.

    O segundo ponto que discordo absolutamente é sobre a possibilidade de atitudes pouco eticas por parte da empresa.

    Em um processo de produção existem frequentemente centenas ou milhares de fatores. Vc realmente acha que um consumidor esta 100% consciente de tudo que aconteceu pra julgar e comparar a etica envolvida em todos os mil passos dados por duas empresas concorrentes de mesmo produto???
    Da mesma forma acho que consumidor algum sabe se o brinquedo ou alimento que ele ta comprando utilizou mao de obra ilegal em taiwan, se causou danos ambientais na republica dominicana devido a falta de legislação daquele local, se tem um componente que ja foi banido em outros pontos do mundo por aumentar significativamente casos de cancer, ou de executou processos de sonegação e evasao que deram maior margem para aplicar na producao daquele produto (ressalva aqui - nao gosto de impostos, mas uma empresa que recorre a isso esta utilizando de formas ilegais para obter vantagem que um produtor "mais etico" nao teria).
    Denuncia no ReclameAqui funciona muito bem pra serviços e danos visiveis no curto prazo de facil correlação (tomei um suco de pozinho, tive um choque anafilatico), nao pra alegações nos diversos processos de produção globalizados ou danos de longo prazo.
  • Leonardo  29/11/2015 02:02
    Rafael, você falou, falou, falou, mas não contra-argumentou nada. Onde estão os exemplos práticos?

    "acho que consumidor algum sabe se o brinquedo ou alimento que ele ta comprando utilizou mao de obra ilegal em Taiwan"

    Oh boy... e qual a relação disso com conluio ou cartel, que era justamente o seu ponto? Aliás, o que é "mão-de-obra ilegal"? Somo alguém trabalha ilegalmente? Se eu quero trabalhar sem carteira assinada, pois preciso sustentar a minha família e estou sem opção, o sujeito que me oferece um emprego e salva a minha vida é um bandido? E eu sou um ilegal por não estar repassando o arrego pra máfia estatal? É isso mesmo?

    "se causou danos ambientais na republica dominicana"

    Lágrimas.... E o que você já fez pela República Dominicana?

    "devido a falta de legislação daquele local"

    Nossa! Políticos se esquecerem de apertar as regulações sobre um determinado ponto do globo! Haverá um colapso! Parem tudo ou iremos morrer todos!

    "se tem um componente que ja foi banido em outros pontos do mundo por aumentar significativamente casos de câncer"

    Isso é a coisa mais fácil de ser detectada. Qualquer empresa que fizer isso estará se arriscado bestamente em troca da nada. Só alguém muito imbecil para fazer isso (e, obviamente, imbecis sempre existem).

    "ou de executou processos de sonegação e evasao que deram maior margem para aplicar na producao daquele produto"

    Santo Deus! Um empreendedor conseguiu não ter de pagar o arrego pra máfia! Encarcerem este bandido! Se ele não der dinheiro pra Renan Calheiros, Delcídio Amaral, Eduardo Cunha e Dilma, ele é um bandido salafrário que tem de ir em cana!

    Entenda: o dono da mercearia manter para si próprio aquilo que ele ganhou com o suor do próprio rosto está longe de ser "sonegação" ou evasão. Aliás, chamar isso de sonegação, evasão ou mesmo roubo é um ato totalmente imoral.

    Sonegar imposto significa simplesmente não dar dinheiro para bandidos. E isso é uma obrigação moral de qualquer cidadão decente. Imposto é roubo, estado é quadrilha, e empreendedor que consegue escapar da máfia e manter para si próprio os frutos do seu trabalho é um herói.

    Se você acha que manter para si os frutos do próprio trabalho é um evasão ou sonegação, então me desculpe, mas você beira a sociopatia.
    Esse país, com essa população amante de políticos, está realmente perdido.

    "Denuncia no ReclameAqui funciona muito bem pra serviços e danos visiveis no curto prazo de facil correlação (tomei um suco de pozinho, tive um choque anafilatico), nao pra alegações nos diversos processos de produção globalizados ou danos de longo prazo."

    Por quê?
  • Edujatahy  29/11/2015 11:01
    O mais interessante é que TODOS os "exemplos" que o Rafael deu são relacionados à regulação estatal (mão de obra "ilegal", "legislação" ambiental e por aí vai).
    O cara não conseguiu produzir um simples exemplo de livre mercado.
  • Rafael  29/11/2015 03:59
    Oh boy... e qual a relação disso com conluio ou cartel, que era justamente o seu ponto?

    xxxx Meu ponto é: quando as praticas pouco eticas acabam se transformando em ferramentas de maior produtividade a empresa ou empreendedor vai ter todo incentivo financeiro para adota-las.

    Aliás, o que é "mão-de-obra ilegal"? Somo alguém trabalha ilegalmente? Se eu quero trabalhar sem carteira assinada, pois preciso sustentar a minha família e estou sem opção, o sujeito que me oferece um emprego e salva a minha vida é um bandido? E eu sou um ilegal por não estar repassando o arrego pra máfia estatal? É isso mesmo?

    xxxx sera que sim? sera que nao?
    mao de obra desregulamentada é linda. quando a pessoa sabe onde ta se metendo e faz isso querendo fazer é otimo...contratos individuais de trabalho mega flexiveis, sem salario minimo, concordo com tudo.
    o problema é que nao da pra esquecer que existe uma porcentagezinha significativa de pessoas psicopatas/sociopatas (e a maioria nao é nem violento, apenas amoral) que meramente nao se importam com os meios, apenas com os fins (e surpresa: CEO's e advogados lideram carreiras com maior indice). fonte: Universidade British Columbia. Entre a população em geral, até 4% são considerados psicopatas. Entre os CEOs e altos executivos, o índice chega a 16%.

    Aliais a propria presença de Estado ja demonstra que, sim, tem pessoas que acham belo e moral te obrigar, enganar e roubar e ta tudo muito lindo. Essas pessoas tem uma preferencia por politica hoje, mas ausencia de Estado apenas as deslocariam para outras carreiras, elas nao sumirem do mapa.

    "se causou danos ambientais na republica dominicana"

    Lágrimas.... E o que você já fez pela República Dominicana?

    xxxx Mui adulto ein.


    "devido a falta de legislação daquele local"

    Nossa! Políticos se esquecerem de apertar as regulações sobre um determinado ponto do globo! Haverá um colapso! Parem tudo ou iremos morrer todos!

    xxxx Da pra se focar na ideia? O que pautei foi que os processos muitas vezes globalizados, podem descambar, nao raramente, pras pratica que envolvam a brecha local de forma a empresa obter vantagem atraves de praticas potencialmente prejudiciais (e por favor, nao seja relativista pra dizer "o que é prejudicial"? daria pra assumir a duvida relativista pra tudo nessa vida )


    "se tem um componente que ja foi banido em outros pontos do mundo por aumentar significativamente casos de câncer"

    Isso é a coisa mais fácil de ser detectada. Qualquer empresa que fizer isso estará se arriscado bestamente em troca da nada. Só alguém muito imbecil para fazer isso (e, obviamente, imbecis sempre existem).

    xxxx É mesmo??? Tartrazina continua sendo usada aos montes como corante; e existe um lobby forte no congresso para que se deixe livre o uso de agrotoxicos organofosforados (que aliais mata um monte de agricultor por intoxicacao ja que nem sabe usar aquilo com segurança);
    Uma empresa soh sofre danos mediante midia negativa...mas nao midia-boato... se nao existe mecanismos de punição e exposição pra algumas praticas a pratica continua independente da denuncia...nao sera um "ouvi dizer que teve rato na coca cola" que vai diminuir as vendas.


    "ou de executou processos de sonegação e evasao que deram maior margem para aplicar na producao daquele produto"

    Santo Deus! Um empreendedor conseguiu não ter de pagar o arrego pra máfia! Encarcerem este bandido! Se ele não der dinheiro pra Renan Calheiros, Delcídio Amaral, Eduardo Cunha e Dilma, ele é um bandido salafrário que tem de ir em cana!

    xxxx Nao jovem, foco errado. Sou a favor da maior redução de impostos possivel; meu ponto é que justamente o empreendedor quem mais se da mal na historia.. apenas as corporações maiores sao as que tem mais acesso pra fugir de impostos devido a contatos e expertise de mecanismos e advogados (por exemplo criacao de offshores para gerar uma falsa prestação de servicos que "enche" o caixa dessa empresa-satelite). No final, ja que o governo continua existindo na pratica a baixa arrecadação vai provavelmente fazer com que o governo aumente o tributo em algum canto pra arrecadar o que falta (obvio que discordo disso, mas o mecanismo de evasao acaba causando mais danos aos que tentam fazer direito).

    Entenda: o dono da mercearia manter para si próprio aquilo que ele ganhou com o suor do próprio rosto está longe de ser "sonegação" ou evasão. Aliás, chamar isso de sonegação, evasão ou mesmo roubo é um ato totalmente imoral.

    Sonegar imposto significa simplesmente não dar dinheiro para bandidos. E isso é uma obrigação moral de qualquer cidadão decente. Imposto é roubo, estado é quadrilha, e empreendedor que consegue escapar da máfia e manter para si próprio os frutos do seu trabalho é um herói.

    Se você acha que manter para si os frutos do próprio trabalho é um evasão ou sonegação, então me desculpe, mas você beira a sociopatia.
    Esse país, com essa população amante de políticos, está realmente perdido.


    xxxx Sim, eu entendo e eu tambem luto pra que cada vez mais a ideia de Estado fora da vida do cidadão seja valorizada. No entanto vc parece exergar a sonegação como um modo de combate ao Estado vindo de baixo. Eu, apesar de entender e ate concordar, vejo que a sonegação é algo que funciona muito mais facilmente pros mais ricos e como efeito rebote lasca o empreendedor.
    Sim, imposto é roubo e estado é quadrilha e a existencia desses mostra que nem todo mundo é bonzinho. Eu trabalho com empresa de tecnologia e tambem por dentro da politica e nao, nao sou amante de politicos jovem. Sou de direita soh nao sou anarcocapitalista.

    "Denuncia no ReclameAqui funciona muito bem pra serviços e danos visiveis no curto prazo de facil correlação (tomei um suco de pozinho, tive um choque anafilatico), nao pra alegações nos diversos processos de produção globalizados ou danos de longo prazo."

    Por quê?

    xxxx Por que? Porque as pessoas tem a tendencia a serem procrastinadoras e nao criticas. O cerebro é programado pra escolher a opção de pensamento/acao que demande menor uso de energia com maior segurança de sobrevivencia. Dessa forma, as pessoas se assustam muito com que possa causar danos imediatos (tomo suco e tenho alergia) mas nao tanto com coisas futuras (resolução de ano novo: emagrecer 10kg.. pelo 3o ano na lista). Existe outro mecanismo de comportamento que é: se ninguem ta fazendo é pq nao precisa/nao deve/nao pode ser feito, comportamento de manada, a tal validação social... dessa forma coisas ruins que estejam acontecendo tem a tendencia de continuar acontecendo sem que muitos se incomodem com isso (caso de moradores de rua por exemplo). A ideia do consumidor padrao é que se o produto esta ali servido é pq deve estar tudo ok.. ora, se fosse prejudicial, se tivesse algo de ilegal envolvido, "alguem" ja teria feito algo.. é o "deixa que eu deixo" sabe?
    Alem disso é muito custoso (embora em teoria seria lindo) fazer verificações investigativas para cada escolha de compra/serviço...sao centenas dessas escolhas por mes...

    Recentemente vi um video que (watch?v=URvWSsAgtJE) onde um homem produz o seu hamburguer do zero: planta os legumes e folhas, pega o sal evaporando agua do mar, faz trigo, coleta mel, faz o pao, mata o frango.. durou 6 meses e 1.500$... no mundo real cada um dos processos eh entregue a um individuo/empresa especializado... para o consumo "consciente" de um hamburguer(ja que a alegação é que os clientes acabariam por regular o mercado) eu teria que checar todos os processos produtivos pra saber se ta tudo ok com umas 15 empresas ... nao é humanamente viavel fazer verificações de indole para cada compra. as pessoas simplesmente nao vao fazer,.. um ou outro vai encontrar problemas e vai denunciar algo e parecer um maluco conspiracionista.
  • Aprendiz  19/02/2016 11:24
    Eu gostaria de saber como funcionaria a transmissão de futebol se hoje, no Brasil 2016, o governo deixasse de se intrometer.

    Eu estava em uma discussão e veio uma parte complicada para refutar, que é a da exclusividade: Emissora X compra a transmissão exclusiva da Liga dos Campeões, então Y, pra cobrir, vem e tem exclusivo a transmissão da Europa League. Em meio a essa situação, a emissora G compra a exclusividade de transmitir o Brasileirão. Ainda temos a emissora P compra a exclusividade da Premier League e Bundesliga. Por fim, incluímos as Operadoras de TV por assinatura, sendo que Y, P e G tem um acordo com a principal operadora, não permitindo X entrar no negócio.
    Diante disso, quer dizer que para eu poder assistir todos os esses eventos tenho que ter 2 operadoras de TV por assinatura.

    Então eu pensei assim: "oras, o consumidor vai então escolher a Operadora do seu agrado e pronto, mesmo tendo que perder algum campeonato". Mas a história é que a outra parte disse que sendo assim, prefere o governo regulando esse mercado. Infelizmente não consegui rebater ele que pra piorar defende a estatização da transmissão do Brasileirão, mas isso não foi difícil rebater.

    Ainda ele trouxe um exemplo, que foi: essa situação "é a mesma coisa quando a Cielo tinha exclusividade da Visa e a Redecard da MasterCard. O comerciante tinha que ter as duas e ainda pagar taxas extorsivas por elas."

    Espero ter sido claro, por mais obscuro tenha sido meu pensamento do Livre Mercado dentro das transmissões de futebol.
  • Profissa  19/02/2016 11:43
    Faltou incluir na sua equação o fato de que TVs a cabo são um mercado altamente regulado pela Anatel, a qual só deixa entrar no mercado as operadoras de sua preferência. Em um livre mercado, qualquer operadora que quisesse entrar seria livre para tal. Na atual situação, só entram as amiga$ da Anatel.

    Houvesse essa livre concorrência de operadoras, qual seria o preço dos pacotes?
  • Aprendiz  19/02/2016 12:16
    Foi, eu tinha esquecido dela (como pude?) hahaha, muito bom, obrigado.
  • Matheus Penha  01/06/2016 12:07
    Libertários,

    Mais uma dúvida minha sem relação com o tema; Talvez em algum artigo esteja mais claro, mas não o encontrei, busco ler 2 artigos do site por dia;
    Fica a sugestão de um canal direto com os responsáveis pelo site. Acredito que, quanto mais pessoas esclarecidas e convencidas do ideal libertário, mais facilmente iremos propagar as ideias.

    Para mim, ficou claro que uma das mazelas do estado é a autorização aos bancos de criação de crédito bancário através de dígitos eletrônicos. Isso desregula toda a economia e cria artificialmente situações na economia que se desmancham mais cedo ou mais tarde quando o mercado voltar a se regular.

    Isso, ok.

    Dúvidas a respeito:
    1° - Qual o real risco disso, visto que nosso dinheiro "circulante" em papel moeda é cada vez mais escasso já que as operações se tornam cada vez mais apenas interbancárias?

    2° - Como seria o mundo sem a criação de crédito bancário? Não poderia chegar a um momento que esse dinheiro se valorizasse de tal maneira que não houvesse mais lastro capaz de sustentá-lo? Ou, o lastro não é necessário?

    Obrigado;
  • Bartolo de Sassoferrato  01/06/2016 12:49
    Matheus Penha:

    "Qual o real risco disso, visto que nosso dinheiro "circulante" em papel moeda é cada vez mais escasso já que as operações se tornam cada vez mais apenas interbancárias?"

    Ora, meu caro, vc respondeu no seu parágrafo imediatamente acima: "isso desregula toda a economia e cria artificialmente situações na economia que se desmancham mais cedo ou mais tarde quando o mercado voltar a se regular"


    "Como seria o mundo sem a criação de crédito bancário? Não poderia chegar a um momento que esse dinheiro se valorizasse de tal maneira que não houvesse mais lastro capaz de sustentá-lo? Ou, o lastro não é necessário?"

    Duas coisas que vc precisa ter presente: primeiro, não é o "crédito bancário" em si que é lesivo à economia; o que é lesivo às coordenações da economia real é o crédito bancário artificial decorrente do sistema de reservas fracionárias com base na existência de um Banco Central (www.mises.org.br/Article.aspx?id=311).

    Segundo, o "fiat money" (dinheiro-papel fiduciário) não tem "lastro":

    "A 15 de agosto de 1971, ao mesmo tempo em que impunha um congelamento de preços e salários em uma vã tentativa de controlar a explosiva inflação de preços, o presidente Nixon pôs um estrondoso fim ao sistema de Bretton Woods. Como os bancos centrais europeus estavam ameaçando redimir em ouro o máximo possível de seus inchados estoques de dólares, Nixon acabou completamente com o que restava do padrão ouro. Pela primeira vez na história americana, o dólar era totalmente fiduciário, sem qualquer lastro em ouro. Mesmo aquele tênue elo com o ouro, mantido desde 1933, estava agora definitivamente cortado. O mundo estava novamente mergulhado no sistema fiduciário dos anos 30, só que com um agravante: nem mesmo o dólar possuía mais qualquer ligação com o ouro. Novamente surgia no horizonte o temível espectro dos blocos monetários, das desvalorizações artificiais, dos conflitos econômicos e do colapso do comércio internacional e do investimento, com a depressão mundial que tais atitudes gerariam" (www.mises.org.br/Article.aspx?id=258).
  • Renan  15/07/2016 15:31
    Do um maior moral para que os bancos e os correios comece a se autossustentar por conta própria sem sem receber ou dar qualquer coisa ao governo, mesmo sendo estatais é hora de eles mesmos assumir a responsabilidades pelas suas próprias finanças sem receber ou dar para qualquer governo e também adorei a ideia de fechar as plataformas improdutivas que só consome dinheiro dos impostos e não produz nenhum lucro. Uma solução boa para resolver os problemas da educação é terceirizar o ensino, o governo pagar uma escola particular em regime de concorrência forte para ensinar os alunos, assim não tem que lidar nunca mais com professor grevista. No momento de crise nas contas públicas nós brasileiros dependemos muito dos aumentos das exportações, não através do governo, mas sim do povo brasileiro em geral por isso começem a aprender ingles.
  • Renan Merlin  15/07/2016 18:01
    Leandro eu vi em alguns artigos que a escola austriaca não defende o cambio flutuante. Mas isso não é anti-libertario visto que cambio flutuante não segue as leis de mercado?
  • Não sou o Leandro  15/07/2016 19:29
    Apenas uma observação minha: câmbio flutuante significa que o governo está livre para manipular a base monetária, câmbio fixo significa que o governo não pode mais manipular a base monetária.

    Ou seja, não há disso de que câmbio flutuante é "anti-libertário". Talvez apenas em uma hipótetica situação em que a moeda não fosse monopólio do estado.
  • Auxiliar  15/07/2016 20:05
    Explicado em detalhes aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196
  • Henrique Zucatelli  15/07/2016 20:59
    Renan, não sou o Leandro (nem perto disso) mas vou tentar esclarecer, tanto na prática como tecnicamente.

    A questão de tudo na Escola Austríaca em economia é a previsibilidade e estabilidade nas trocas voluntárias.

    E a moeda tem o papel de intermediário, de unidade de valor de cada bem ou serviço no mercado. Logo, ter um padrão estável no tempo fará com que, além das coisas serem mais fáceis, os investimentos a longo prazo se tornem mais previsíveis.

    O câmbio flutuante por si só não é um padrão. Ele varia conforme o gosto do mercado, e se torna ferramenta de especulação estatal e privada, o que confere um cenário incerto a quem vai investir em um país.

    Um exemplo básico mas ótimo para entender como a variação do câmbio afeta seu bolso independente da sua vontade ou do mercado:

    - Suponha que você tenha um bem no valor de R$ 1.000,00, com o real valendo US$1,00.
    - Seu maravilhoso governo gasta mais do que pode, emite dinheiro virtual, gera inflação e o real passa a valer US$ 0,50.
    - Logo, aquele mesmo bem agora vale apenas US$ 500,00.
    - O máximo que você pode fazer para se proteger dessa perda de valor é aumentar o preço em reais para R$ 2.000,00.

    Agora repare na perversidade: se alguém quiser comprar o mesmo bem que você, ela terá que dispor o dobro de reais, ou seja, terá de trabalhar o dobro para ter a mesma coisa.



    Pronto, essa foi a parte fácil, agora a parte técnica e histórica.

    Por que as moedas começaram a flutuar? A princípio as moedas eram emitidas baseadas em um lastro em ouro, ou seja, riqueza entra no país, dinheiro circula, riqueza sai do país, o dinheiro é recolhido.

    Porém os Estados começaram a se endividar (guerras etc) e emitir cada vez mais títulos de dívida de moeda local lastreados em ouro. Em um determinado momento da história, quando os seus credores começaram a exigir o resgate dos títulos em espécie, os devedores não tiveram como pagar. Qual foi a brilhante solução? Acabar com o lastro da moeda.

    A partir daí a bagunça foi generalizada: Sem uma referência constante, as moedas começaram a flutuar umas perante as outras, e a noção de valor só não se perdeu completamente pois o ouro ainda é constante, com o dólar, a libra e o euro flutuando em relação a ele, e todas as outras em relação a essas moedas base.

    Sem lastro a inflação (perca do poder de compra) foi iminente, pois governos adoram se endividar. Para piorar mais um pouco, vem a segunda e tenebrosa etapa. Tais títulos de dívida são comprados majoritariamente pelo mercado bancário. E como os bancos pagam esses títulos? Emitindo dinheiro virtual, ou reservas fracionárias.

    E é por isso que a Escola Austríaca repudia qualquer tipo de câmbio que não seja o Currency Board baseado em commodities de oferta constante, como o Ouro.

    Em um Currency Board (ou conversão pura), um real vale tantas miligramas de ouro. Só isso.

    Sem a possibilidade de emitir dinheiro fajuto, governos param de se endividar e bancos vão sair da zona de conforto, tendo de manter uma reserva de valor equivalente a circulante dos empréstimos (hoje são apenas 15% aproximadamente).

    Em suma Renan, a EA quer apenas que os preços sejam regulados pelo mercado, e somente por ele. A unidade de valor constante preserva riqueza para todos.

    Artigos para estudo:

    mises.org.br/Article.aspx?id=2308

    mises.org.br/Article.aspx?id=2175

    mises.org.br/Article.aspx?id=135

  • Lucas Dias  16/07/2016 12:29
    Tinha que ser mais ajeitado isso é tudo desorganizado. a culpa é da prefeitura que não tem planejamento.
  • Renan  16/07/2016 14:08
    Esse idiota do canal do otário é um comunista, leninista, kenesianista, disfaçado de captalista e rabo preso de um milhão de políticos e burocratas para enganar e induzir as pessoas a causar a inflação no brasil através do FGTS, da previdência e defendendo o aumento de uma porada de funcionarios públicos e cortes de impostos sem levar em conta o defice do governo que é alto demais que causará com certeza muita inflação. não existe previdencia pública no brasil existe um governo que rouba do trabalhador sem autorização das pessoas para depois pagar como suposta previdencia somente a metade do que foi roubado, a outra metade da contribuição já foi gasta para sustentar algum vagabundo de algum burobrata, o que foi roubado foi roubado e aumentar o valor da previdência só iria aumentar a inflação de todos, via deficis governamentais. Por isso a melhor aposentadoria garantida até depois da morte é a poupança, a poupanca garante investimentos tanto para o dono quanto para a empresa que pegou emprestado esse dinheiro do banco para investimentos e geração de empregos o INSS já foi roubado e o usado, e o povo querer usá-lo só vai alimentar a inflação via deficis públicos.
  • Ricardo Bordin  17/07/2016 20:51
    Sensacional artigo. Dia desses procurei descrever o processo de formação de preços com uma comparação bem simples:

    https://bordinburke.wordpress.com/2016/05/30/como-formam-se-os-precos-e-os-casais/
  • Emerson Luis  05/09/2016 01:54

    O livre mercado não é autorregulado apenas pela lei da oferta e demanda, mas também por instituições privadas de controle de qualidade. Os consumidores vão preferir produtos e serviços certificados por auditorias confiáveis e as empresas que quiserem obter e manter determinados selos precisarão aceitar os requisitos.

    * * *


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