clube   |   doar   |   idiomas
“Os fundamentos contra o antitruste” - novo lançamento apoiado pelo IMB


Clique aqui para adquirir o livro
Em um mercado livre, isto é, sem nenhuma regulação nem barreiras legais à entrada, uma empresa só cresce se satisfizer os consumidores de uma maneira mais eficiente do que as empresas concorrentes.

Para isso, uma empresa deve estar sempre atenta às mudanças nas demandas, as quais se alteram contínua e incessantemente, a um ritmo praticamente diário. À medida que inovações criam novos produtos e serviços ou barateiam e aperfeiçoam a produção de antigos, os empreendedores só sobreviverão se souberem se adaptar incessantemente a esse implacável processo de mercado.

Nesse processo concorrencial de livre mercado, o consumidor é, em última análise, quem manda nas empresas. Nem CEO´s, nem proprietários, nem acionistas majoritários decidem os rumos de uma empresa bem sucedida. Os consumidores são os reis soberanos, exigentes e impiedosos, que por puro capricho podem, a qualquer instante, trocar de fornecedor simplesmente por não gostarem da cor do produto ou pelo fato de o concorrente estar vendendo um pouco mais barato.

Assim sendo, se uma empresa crescer a ponto de dominar, por exemplo, 60% de um determinado mercado, ela o fez porque logrou sucesso em obedecer à vontade dos consumidores. Nesse cenário, a empresa fica satisfeita porque conseguiu aumentar seu tamanho e seus lucros; e os consumidores também ficam satisfeitos porque têm seus desejos atendidos mais satisfatoriamente.

Logo, se há uma satisfação geral, por qual motivo existe um órgão do governo encarregado de impedir que empresas cresçam e dominem grande parte, ou o todo, de um mercado?

Para responder a essa pergunta é necessário olhar para uma terceira parte que não ficou nada feliz com esse crescimento da empresa bem sucedida: seus concorrentes. Uma empresa que inova, aperfeiçoa e barateia seus produtos irá superar, na preferência dos consumidores, empresas que se acomodaram — e estas sofrerão perdas.

No livre mercado, a única opção que as empresas concorrentes teriam para se manter, ou para voltar a crescer, seria acompanhar ou até mesmo superar a empresa líder. Essa competição seria ainda mais benéfica para os consumidores. No entanto, no mundo estatista e intervencionista em que vivemos, existe uma opção mais cômoda: recorrer ao estado para que ele coercitivamente impeça o crescimento da empresa mais eficiente.

É exatamente nesse ponto que surgem a legislação e os órgãos antitruste: as empresas menos eficientes começaram a recorrer ao estado para que este criasse leis e regulamentações com o intuito de restringir a ação das empresas mais eficientes. Legislações e órgãos antitruste, pois, nada mais são do que o uso da violência estatal para prejudicar empreendedores eficientes e, em última instância, os seus consumidores.

Obviamente, o estado não conseguiria, por si só, legitimar esse privilégio concedido a uma ínfima minoria de empresas ineficientes, pois tal atitude deixaria explícita uma preferência corporativa, além de prejudicar o público consumidor. Sendo assim, ele recorre a um artifício sagaz: para justificar esse ataque coercitivo ao livre mercado, o estado alega que esse arranjo de felicidade geral (que não é tão geral assim, pois vimos o caso dos concorrentes ineficientes insatisfeitos com os resultados da liberdade) seria bom apenas para a empresa líder, mas ruim para a coletividade.

Logo, prossegue o argumento, é necessário que o abnegado estado intervenha para defender os interesses dos oprimidos consumidores e, acreditem, manter a concorrência.

Tendo em mente o arranjo de felicidade geral descrito anteriormente, essa alegação é difícil de ser levada a sério. E realmente é. Por isso, o estado recorre a uma teoria pseudoeconômica para dar suporte às suas agressões ao livre mercado.

Essa pseudoeconomia distorce o conceito de concorrência, a qual deixa de ser um processo dinâmico competitivo de descoberta e passa a ser um modelo estático e fictício de "concorrência perfeita", arranjo esse que nada tem a ver com a realidade. Confunde o conceito de monopólio, que sempre foi definido como uma barreira coercitiva à entrada e que agora passa a ser reconhecido como sinônimo de único produtor, ou produtor majoritário, de algum bem ou serviço. E cria teorias absurdas que nunca encontraram exemplos na realidade histórica, e que nem mesmo em um mundo imaginativo fazem qualquer sentido.

Foi essa alegação de defesa da concorrência e dos consumidores que fez com que o professor André Luiz Santa Cruz Ramos — que tinha um viés liberal — fosse, com a melhor das intenções, trabalhar no órgão antitruste brasileiro, o CADE. Porém, logo no início de suas atividades, ao deparar com uma tentativa de se aplicar uma dessas teorias absurdas — a teoria do "preço predatório" —, o professor André percebeu que havia algo de muito errado com as leis e os órgãos antitruste: ele percebeu na prática que suas ações estavam contrárias a tudo que ele defendia, pois prejudicavam, em vez de proteger, os consumidores e a concorrência.

Tal foi o caso contra a rede de farmácias Drogaria São Paulo, a qual, quando resolveu entrar no mercado nordestino, abriu diversos pontos e praticou altos descontos. Para proteger os consumidores dessa "situação calamitosa", as farmácias concorrentes se uniram e usaram a lei antitruste para atacar a Drogaria São Paulo. A acusação foi aquela que está entre as teorias mais absurdas da pseudoeconomia que domina o direito antitruste: a prática de precificação predatória. Segundo essa "teoria", uma empresa grande pode cobrar preços abaixo do custo por certo período de tempo, fazendo todos os seus concorrentes falirem; depois disso, já com seus concorrentes aniquilados, ela pode aumentar os preços o quanto quiser, prejudicando os consumidores, que agora não teriam outra opção.

Obviamente, uma situação dessas jamais ocorreu. E por motivos óbvios para qualquer administrador minimamente sensato: uma empresa operar no vermelho por muito tempo significa, por definição, que ela está destruindo seu próprio capital; na melhor das hipóteses, ela está queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros. Proponha essa estratégia para qualquer administrador sério, e a resposta que você terá é uma estrepitosa gargalhada.

Aliás, isso realmente aconteceu. O professor Thomas DiLorenzo — muito citado como referência nesta obra —, quando dava aulas de MBA para executivos da Black & Decker, propôs a eles a seguinte estratégia para conquistar mercado: "o que vocês acham de sugerir ao seu empregador que pegue uma furadeira que custa US$10 para ser produzida e comece a vendê-la por US$1 durante um período indeterminado de tempo — pode ser tanto 5 anos quanto 50 anos —, até que todos os demais fabricantes de furadeira do mundo vão à falência, e então, após isso, ele possa cobrar US$500 por essa furadeira?" Os executivos, em gargalhadas, disseram que, se eles propusessem isso, certamente seriam demitidos no ato.

E vale ressaltar que, quanto maior a escala de produção de uma empresa, maiores e mais impactantes serão os prejuízos.

Apesar de ser risível, essa teoria é ensinada pela economia convencional, é aceita pelos alunos que não refletem um segundo a respeito, e é colocada em prática por governos, que a utilizam para privilegiar empresas ineficientes.

DiLorenzo é atualmente um dos maiores especialistas do mundo em antitruste e dedica grande parte de seu tempo destruindo mitos sobre o tema em seus escritos e palestras. Quando estudante de economia, sempre ouviu a história de que a razão pela qual as leis antitruste foram criadas é que, antes delas (e a primeira foi o Sherman Act), estava ocorrendo uma cartelização desenfreada das indústrias nos EUA, possibilitando que os empresários aumentassem seus preços o quanto quisessem; e então o governo decidiu intervir e, com isso, salvou a todos com suas sacrossantas regulações.

Porém, como nunca havia sido demonstrado nenhum exemplo concreto de nada disso, ele decidiu pesquisar o assunto por conta própria, recolhendo e analisando estatísticas da época — coisa que ninguém havia feito até então. O que ele descobriu é que, em todas as indústrias acusadas pelo congresso de monopolizarem setores nos anos anteriores ao Sherman Act, estava ocorrendo uma deflação acelerada de preços, uma enorme expansão da produção e constantes e profundas inovações. Por isso, elas foram atacadas por seus concorrentes ineficientes, que utilizaram a coerção do governo para restringi-las e interromper seu crescimento.

Desde suas origens, portanto, a legislação antitruste foi apenas um esquema de proteção a empresas ineficientes.

Com efeito, a própria lógica utilizada pela legislação antitrute não faz nenhum sentido. Por que empresas iriam acionar o governo para processar empresas concorrentes, acusando-as de estar monopolizando o setor, se esse monopólio, segundo a teoria, faria os preços aumentar?  Se as empresas fazem parte do mesmo setor, como um aumento de preços efetuado por uma empresa afetaria as demais concorrentes? Ora, essas empresas reclamantes poderiam aumentar seus preços também, ou aumentar seus preços em menor proporção, com isso dominando todo o setor!

Isso apenas mostra que os órgãos antitruste somente são acionados quando empresas concorrentes estão diminuindo seus preços.

Esses e vários outros mitos sobre o antitruste propagados pela pseudoeconomia mainstream são desmascarados por este livro do professor André Luiz Santa Cruz Ramos, que já pode ser considerado, sem nenhum exagero comercial, a principal referência sobre o tema no Brasil. É uma obra que deve ser lida não só por economistas e juristas, mas por todas as pessoas, pois as mentiras que vigoram sobre o tema afetam negativamente a todos nós, que somos prejudicados ao vermos limitado nosso acesso a bens e serviços melhores e mais baratos.

Somente quando as ideias aqui apresentadas forem absorvidas e repassadas a um grande número de pessoas, tentativas de obstruir empresas eficientes por meio de leis antitruste serão rechaçadas pela sociedade, e os nefandos órgãos antitruste irão para a lata de lixo da história.

 

Fernando Fiori Chiocca

Fundador do Instituto Ludwig von Mises Brasil

 

Leandro Roque

Tradutor e editor do Instituto Ludwig von Mises Brasil

 

___________________________________________________________

Os fundamentos contra o antitruste é o resultado da tese de doutoramento do professor André Luiz Santa Cruz Ramos na PUC-SP, aprovada com a nota máxima. Usando como referencial teórico os ensinamentos da Escola Austríaca, o autor entrega aos leitores uma obra didática e muito bem escrita, apoiada em uma vasta pesquisa bibliográfica, boa parte dela desconhecida, infelizmente, no meio acadêmico brasileiro.

O Instituto Ludwig von Mises Brasil parabeniza o autor e a editora Forense e agradece a oportunidade de fazer parte desse projeto editorial. Saber que nosso trabalho de divulgação de ideias contribuiu para que esta obra se concretizasse nos dá a certeza de que estamos no caminho certo.

Que este seja não o único, mas apenas o primeiro de uma longa série de estudos jurídicos em defesa da liberdade no Brasil.

Helio Beltrão

Presidente do Instituto Ludwig von Mises Brasil


____________________________________________________________

Traz-nos enorme satisfação a publicação do livro do professor André Luiz Santa Cruz Ramos, fruto de sua tese de doutoramento, de cuja banca nós tivemos a honra de participar. Esta publicação é mais um importante passo para a consolidação do processo de formação de uma comunidade acadêmica associada à tradição da Escola Austríaca no Brasil.

A Escola Austríaca tem uma tradição secular de gerar contribuições intelectuais fundamentais que, embora contrariem o espírito da época na qual foram escritas, gradualmente mostram seu valor no longo prazo. O próprio rótulo "Escola Austríaca" tem origem no desdém que a comunidade intelectual alemã do final do século XIX nutria por acadêmicos como Carl Menger, Eugen Böhm-Bawerk e Friedrich von Wieser, que ousaram defender a teoria econômica em um ambiente marcado pelo historicismo.

No século seguinte, caracterizado pelo coletivismo na política e pelo positivismo na filosofia da ciência, Ludwig von Mises e Friedrich August von Hayek desenvolveram suas teorias em isolamento quase completo, confrontando diretamente essas tendências. Embora tidas como radicais e ultrapassadas, as contribuições de todos esses autores resistiram ao teste da História, ao passo em que várias de suas rivais mais "aceitáveis" em seu tempo entraram em declínio.

No Brasil, a introdução dessas ideias não foi mais fácil: por décadas a divulgação das teorias austríacas foi obra de pioneiros trabalhando em isolamento, os quais colocaram suas convicções intelectuais na frente de sua aceitação no ambiente acadêmico. Em tempos recentes, porém, com o auxílio da internet, a comunidade "austríaca" brasileira cresceu de forma vertiginosa, gerando condições para a consolidação da tradição dessa Escola de pensamento no País. Os estudantes universitários não mais se graduam, como até bem pouco tempo atrás, sem jamais ouvirem falar nos nomes dos autores austríacos, nem que seja pela internet ou pela crítica superficial de professores.

O entusiasmo gerado pelas ideias austríacas junto aos alunos reflete a recuperação de um ponto de vista ao mesmo tempo teoricamente rigoroso e interdisciplinar para interpretar os problemas sociais.

O próximo passo na consolidação dessa comunidade científica é a formação de pesquisadores com embasamento austríaco em diversas áreas das ciências humanas, como Economia, Direito, Filosofia ou História. Esse processo de formação deve ser acompanhado pela publicação de artigos e livros que interpretam o mundo sob a ótica austríaca, ajudando a influenciar o desenvolvimento institucional do País na direção de um ambiente mais próspero.

O livro do professor André Ramos deve ser celebrado como uma das primeiras contribuições nesse processo, utilizando a teoria austríaca de processo de mercado para criticar o sistema de defesa da concorrência brasileiro.

Novamente, embora soe como um ponto de vista extremado, os argumentos teóricos são sólidos, e as evidências históricas são significativas. Para aqueles incomodados com convicções minoritárias, o entendimento da competição como rivalidade empresarial, cara aos austríacos modernos, nada mais faz do que recuperar a visão clássica de competição, que era dominante até a segunda geração de economistas neoclássicos na virada do século XIX para o XX.

Em quem acreditar? Com o passar do tempo e da experiência da prática antitruste, o leitor fica cada vez mais em condições de ignorar a teoria que é mais popular e reconhecer, por si mesmo, qual concepção de concorrência explica melhor os fatos.

A obra do professor André Ramos tem outro grande mérito, que é o de demonstrar, mediante rigoroso tratamento lógico e exemplos internacionais e nacionais, o quão equivocadas são as concepções que, infelizmente, se tornaram comuns entre a maioria dos economistas e o público em geral, segundo as quais, primeiro, trustes e cartéis não apenas existem, mas — pior do que isso! — devem ser "combatidos" pelo Estado mediante agências regulatórias e seu emaranhado de leis. O livro, sem qualquer sombra de dúvida, desmistifica com clareza contundente essa visão equivocada.

Adicionalmente, o livro é também um exemplo marcante de que os ensinamentos da Escola Austríaca não se restringem aos manuais de História do Pensamento Econômico, mas que possuem extensa aplicação quando se trata de analisar os fenômenos práticos do mundo real e de explicá-los com muito maior precisão do que os surrados manuais da mainstream economics e do direito antitruste.

Assim, é com grande prazer que apresentamos ao leitor este importante e pioneiro trabalho aplicando a teoria austríaca dos mercados ao Direito e à Economia, uma leitura que consideramos fundamental para que velhos e surrados mitos sejam desmascarados, e a evidência inelutável dos fatos venha à tona. Boa leitura!

 

Fabio Barbieri

Professor Doutor da USP


Ubiratan Jorge Iorio

Professor Doutor da UERJ


0 votos

autor

Equipe IMB

  • Henrique  18/12/2014 14:13
    Prezado André, parabéns pela obra! Tenho certeza que irá contribuir muito para desmistificar o antitruste.
    Abraços,
    Henrique.
  • Pedro  18/12/2014 14:21
    Isso sem falar que reduzir o preço abaixo do custo iria elevar drasticamente a demanda pelo produto da empresa em questão, o que poderia levar a um rápido esgotamento de seus estoques. No final a empresa que pratica "preços predatórios" ficaria rapidamente sem ter o que vender e jogaria boa parte de seu mercado consumidor a seus concorrentes que estariam com seus estoques cheios.

    Investir para a aumentar a produção estaria fora de cogitação para a empresa em questão, uma vez que ela não teria fluxo de caixa para isso, muito pelo contrário, são as concorrentes que estariam se capitalizando e investindo em meios de produção mais eficazes.

    Não sei como tamanha idiotice seja ensinada como uma verdade auto-evidente nas faculdades brasileiras.
  • sandro lima  07/01/2015 15:29

    Da mesma maneira que você planeja investimentos, você também deve planejar o preço predatório.
    Se o empreendedor tem caixa para quebrar um concorrente e sabe que tem reais chances de quebrar a concorrência, ele faz.
    Ainda mais se esse empreendedor já é dominante em algum setor e deseja entrar em outro. Eleva-se um pouquinho aqui e põe ali equiparando os custos... Se o setor atacado for composto de empreendedores menores, não aguentam 1 ano.



  • Alex Ribeiro  18/12/2014 15:12
    Senhores,

    Muito interessante esse livro.
    Parabéns pelo site e pelo instituto.
    Sugiro que se faça um livro sério sobre Cartel, pois é o assunto da moda.
    Como o CADE foi usado de forma de aparelhamento político, seria interessante explicar para a sociedade o que é realemente um cartel.

    Obrigado.

    Alex.

  • PESCADOR  18/12/2014 15:18
    Em primeiro lugar, parabéns ao André Ramos.
    Lerei com certeza. Quanto mais livros sobre a Escola Austríaca, melhor. Principalmente em temas interessantes como competição empresarial e barreiras criadas por governos para proteger empresas incompetentes.
    Quem venham outros!
  • Luis  18/12/2014 16:42
    Parabéns pelo texto, realmente nunca tinha visto a questão desta forma.
    Mas ficou uma dúvida: a recente queda no preço do petróleo não pode ser considerada precificação predatória? Pelo que li os grandes produtores da OPEP abaixaram o preço do óleo com a intenção de inviabilizar a produção a partir da técnica de fracking nos EUA e Canadá.

    Obrigado!
  • Ricardo  18/12/2014 17:05
    Não, não tem nada a ver. Mesmo porque a atual medida conta com o apoio dos americanos, pois prejudica os russos, o Irã e a Venezuela.

    Detalhes aqui.

    P.S.: se o intuito realmente fosse afetar os americanos, os árabes seriam os seres mais burros do planeta. O fracking afeta muito marginalmente o mercado mundial de petróleo. O que os árabes realmente conseguiriam seria atrasar um pouco o avanço do fracking em troca de uma total destruição do patrimônio líquido deles próprios, o que deixaria os americanos ainda mais fortes para retomar o investimento em fracking tão logo os árabes se revelassem descapitalizados.

    Árabes, meu caro, não são nada burros no que tange a números e petróleo. Pare de se deixar levar por comentaristas de imprensa e professores universitários.
  • Pedro  18/12/2014 18:40
    Esses dias mesmo entrevistaram uma "especialista" no Jornal Nacional e segundo ela, os países árabes estão querendo "viciar" o mundo em petróleo e inviabilizar o uso de fontes alternativas de energia.

    É por essas e outras que eu já perdi as esperanças no que diz respeito a esse país. O jornal com a maior audiência entrevista uma pessoa que não tem um pingo de conhecimento em economia e geopolítica. TV aberta hoje em dia é sinônimo de desinformação.
  • Leonardo Faccioni  19/12/2014 13:10
    "O jornal com a maior audiência entrevista uma pessoa que não tem um pingo de conhecimento em economia e geopolítica."

    Pedro caro, temo que essa seja a rotina do sobredito periódico — e, a bem dizer, de toda a imprensa formal brasileira. Notícia seria se alguém efetivamente dotado de conhecimento em economia e geopolítica — um pingo que fosse — obtivesse espaço em horário nobre para abordar a pauta do dia.
  • fabio  23/12/2014 21:38
    " Pare de se deixar levar por comentaristas de imprensa e professores universitários."
    E agora! Esgotou-se minhas fontes de leituras interessantes então!
    Melhor eu criar um jardim.
  • Luis  18/12/2014 17:19
    Obrigado pela resposta, Ricardo. Faz sentido.
  • Lucas Mendes  18/12/2014 17:52
    Viva!
  • André Luiz S. C. Ramos  18/12/2014 18:49
    É uma honra muito grande publicar esse livro com o selo do IMB!
  • Baptista  18/12/2014 22:58
    Olá. Descobri recentemente o site e tenho gostado muito pois não tenho nenhuma formação em economia e aqui posso me inteirar um pouco. Sobre o texto, uma dúvida no trecho abaixo:

    "Logo, se há uma satisfação geral, por qual motivo existe um órgão do governo encarregado de impedir que empresas cresçam e dominem grande parte, ou o todo, de um mercado?"

    Se uma empresa crescer e dominar todo o mercado, quebrando seus concorrentes, a ponto de ser a única a atuar no seu seguimento...isto é bom para o mercado e para nós consumidores? Sei que a hipótese pode soar absurda, mas fiquei com esta dúvida. Se uma empresa domina o mercado, ela pode praticar o preço que bem entender, certamente elevando-o. Caso isto ocorra (se é que isto é possível), não haveria prejuízo para os consumidores?

    Atenciosamente, Baptista.
  • Ricardo  19/12/2014 11:24
    Como exatamente ocorreria isso? A sua descrição foi muito vaga e permite várias interpretações.

    Por exemplo, se uma empresa adquiriu todo o seu poder em decorrência de protecionismo do governo ou de regulações estatais que a privilegiaram e impediram o surgimento de concorrentes, então é óbvio que tal empresa não cresceu em decorrência de ter bem servido os consumidores.

    Agora, se uma empresa cresceu em um ambiente genuinamente concorrencial, sem nenhum privilégio ou proteção, então realmente ela cresceu porque soube agradar aos consumidores.

    Tendo isso em mente, você agora tem de explicar como seria possível ocorrer esse cenário que você descreveu. Como uma empresa pode se tornar gigante sem nenhum privilégio estatal e depois impedir o surgimento de concorrentes?

    Se ela utilizar a tática de vender abaixo do preço de custo, ela não apenas destruiria seus balancetes como ainda se tornaria extremamente descapitalizada para enfrentar o surgimento de novos concorrentes.

    Logo, isso ela não pode fazer. E ela também não pode recorrer ao governo para impedir o surgimento de concorrentes. E há também o fato de que, quanto maior uma empresa se torna, maior vai ficando a sua burocracia interna, e menor vai se tornando a sua eficiência.

    No livre mercado, empresas grandes são persas fáceis para empresas pequenas e eficientes.

    Sugiro fortemente este artigo, que fala exatamente sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1057
  • felipe  19/12/2014 01:46
    Parabéns pelo livro.
    Com certeza vou lê-lo.
  • Leonardo Faccioni  19/12/2014 13:34
    Bravo!

    Passava o tempo de contarmos com uma publicação séria sobre o tema em língua portuguesa, e que pontuasse suas manifestações em solo pátrio. Tampouco poderia imaginar alguém mais indicado à missão do que o ínclito professor, brilhante que é na tormentosa defesa dos direitos de livre empresa — em última análise, a manifestação tangível por excelência das liberdades expressas em sociedade.

    Conduzir reflexões como as mencionadas, tendo por tema o antitruste, não é desafio simples. Mesmo nos Estados Unidos, onde se presume uma melhor recepção ao debate, tanto social, quanto acadêmica, paga-se um preço caro ao desafiar semelhantes conceitos. Robert Bork, por exemplo, teve em seu protagonismo pró-livre empresa uma das razões fulcrais para sua rejeição pelo Congresso, quando indicado à Suprema Corte segundo a pena de Ronald Reagan.

    Minhas homenagens ao augusto mestre, e agradecimentos. Que produza sempre mais e mais sólidos pareceres e doutrina. O direito empresarial carece de bons ventos em suas velas, que reconduzam a nau aos mares áureos onde nasceu, lá, dentre a lex mercatoria.
  • Leonardo Faccioni  19/12/2014 13:55
    Um adendo, se me permitem. Vale observar que o direito empresarial originário aflorou de relações privadas, como reconhecimento das autonomias de seus agentes e valor de confiança e segurança, durante tempos de fragmentação do poder estatal.

    Hoje, é com pesar que testemunhamos a conversão de mais este ramo do Direito em instrumento de controle e dominação, pelo poder político ultracentralizador, sobre o pensamento, a ação e a associação de indivíduos e comunidades. O antitruste, vendido orwellianamente como legislação protetiva do direito de empresa, em verdade é peça fundamental às mutações operadas na área.

    Os que lidamos com a matéria precisamos resistir. Lutaremos nas universidades. Lutaremos nas teses e petições aos tribunais. Lutaremos com confiança na justiça e força crescente nos fóruns e redes sociais especializados. Defenderemos a liberdade e a dignidade do homem em todas as instâncias. Lutaremos nas bancas. Lutaremos nas livrarias, nas praças, nos legislativos. Denunciaremos os lobbies e o conluio corporativista. Nunca nos renderemos!
  • Emerson Luis, um Psicologo  27/12/2014 10:28

    As palavras possuem o poder de fazer os ouvintes/leitores enxergarem o oposto do que estão vendo, especialmente quando eles querem acreditar naquilo.

    O governo produz várias perturbações no mercado com seu intervencionismo, que "resolve" com ainda mais intervenções e assim por diante; e a população acredita que é tudo para protegê-la.

    * * *
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  01/04/2015 22:05
    É engraçado pensar que o estado, uma organização ineficiente, irá "promover" a eficiência e a concorrência.
  • Gustavo  23/05/2016 02:27
    Se em condições de livre mercado (sem agências reguladoras por exemplo) monopólios e cartéis não se formam, como diz a teoria, porque não vemos surgir empresas que consigam competir no mesmo nível com as gigantes Microsoft e Google?

    Ou com a Nvidia e a AMD?

    Existem restrições para a entrada de novas empresas nesses ramos?

    É possível determinar a partir de que nível de intervenção estatal que ocorrem as incidências de monopólios e cartéis?
  • Capanema  23/05/2016 11:20
    Não apenas não há nenhum monopólio nesta área, como também as empresas citadas possuem vários concorrentes. Há mais de uma dúzia de concorrentes do Google, por exemplo. Por que você não os usa? Simples: porque você reconhece que os serviços fornecidos pelo Google são os melhores. Consequentemente, você voluntariamente privilegia o Google em detrimento dos outros.

    Liberdade pura.

    Qualquer pessoa é totalmente livre para entrar e concorrer com essas marcas. Por que não o fazem? É simples: porque os consumidores se mostram satisfeitos com os serviços ofertados por elas. Porque reconhecem a eficiência, a qualidade e o preço.

    A concorrência está lá, mas ninguém quer utilizá-la. Isso não é monopólio. E eu lhe garanto que Google, Microsoft, Nvidia e AMD só mantêm sua qualidade justamente por saberem que, se derraparem, os consumidores podem imediatamente cair nos braços dos seus concorrentes. A concorrência, mesmo que hoje estando sem mercado, consegue manter os líderes em aprumados, sempre buscando se aperfeiçoar.


    P.S.: gozado, outro dia um cara veio aqui fazendo a mesmíssima pergunta que você, só que ele reclamou que a AMD não era páreo para a Intel. Já você está dizendo exatamente o contrário, que a AMD dizimou a Intel. Ambos reclamam da mesma coisa, mas cada um aponta a outra como sendo a "monopolista". Cheguem a um consenso, por favor.

    P.S.2: um bom artigo sobre o assunto: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1057
  • Gustavo  23/05/2016 12:44
    Ok, mas veja só: e os postos de gasolina? São campeões em formarem cartéis e fixar preços, e até onde eu sei esse tipo de prática não termina até que algum órgão regulador descubra e venha e puna os donos dos postos. É um mercado relativamente livre, não existem grandes restrições para abrir um posto. (me corrija se eu se estiver errado).

    Em relação à Google, Nvidia e etc., talvez sejam os perfeitos exemplos de como um mercado livre gera sim monopólios. Pois essas empresas só se mantém no topo porque já possuem capital acumulado, impedindo que reais competidores venham a crescer e fornecer uma competição real. Esses caras compram todo mundo que demonstre um mínimo de risco para eles.

    Facebook é outro que adota a mesma prática.

    A questão, ao meu ver, não é o fato de o Google ser melhor que o Ask por exemplo, mas sim de que caso o Ask sequer chegue perto disso(de verdadeiramente competir), o Google vem com bilhões e faz uma fusão, mantendo assim um eterno monopólio. E convenhamos com tanto capital, não deve ser difícil se manter num nível de qualidade de serviço bom.



  • Capanema  23/05/2016 13:34
    "É um mercado relativamente livre, não existem grandes restrições para abrir um posto. (me corrija se eu se estiver errado)."

    Segue na zoeira, né? Há liberdade de entrada no ramo de postos de combustível?!

    Tente abrir um para você ver. Alem das imposições da ANP, há toda uma cornucópia de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança que fazem com que abrir um posto de combustíveis seja uma atividade quase que restrita aos ricos — ou a pessoas que possuem contatos junto ao governo. Livre concorrência nesta área nunca existiu.

    Você só consegue se tornar dono de um posto de gasolina se o seu atual dono lhe passar o ponto.

    Apenas veja na sua própria cidade. Qual foi a última vez que você viu um posto de gasolina ser aberto? Eu já tenho mais de 30 anos e, em todas as cidades que eu conheço (para as quais sempre viajo com frequência), os postos são sempre os mesmos. Estão nos mesmos locais e nenhum novo foi aberto. E isso já faz mais de 30 anos.

    Nenhum posto quebra, nenhum posto surge.

    Sim, a liberdade de entrada é total...

    "Em relação à Google, Nvidia e etc., talvez sejam os perfeitos exemplos de como um mercado livre gera sim monopólios. Pois essas empresas só se mantém no topo porque já possuem capital acumulado, impedindo que reais competidores venham a crescer e fornecer uma competição real. Esses caras compram todo mundo que demonstre um mínimo de risco para eles."

    Segue repetindo a mesma falácia. Pelo visto, você sequer teve a consideração de ler o artigo que linkei acima para você, que fala exatamente sobre isso. Se você não teve nenhuma consideração pela minha tentativa de responder às suas perguntas, por que deveria eu continuar gentilmente respondendo às mesmas perguntas que você repetidamente faz?

    Pergunta: por que, em vez do Google, você não usa o Bing, o DuckDuckGo, o Blippex, o Wolfram Alpha, o Blekko, o Naver, o Yandex, o Pipl, o Baidu, o Yacy, ou o StartPage?

    g1.globo.com/mundo/noticia/2013/07/google-conheca-as-alternativas-ao-gigante-das-buscas.html

    Todos estão aí, implorando para você utilizá-lo.

    Mas você não vai abrir mão da qualidade e da praticidade do Google, né? E ainda o critica justamente por lhe fornecer todas essas comodidades.

    Esse livre mercado realmente é mau.
  • Bartolo de Sassoferrato  23/05/2016 15:31
    Pelo visto, para vc ser líder de mercado em virtude da eficiência é ser "monopolista".
  • Thiago Ribeiro  23/05/2016 13:36
    Rapaz, nêgo falando de monopólio do Google...

    Morro e ainda não terei visto toda a ignorância econômica do ser humano.
  • Pobre Paulista  23/05/2016 14:09
    Monopólio do Google E do livre mercado dos postos de gasolina. É surreal.
  • Maikon  25/05/2016 09:51
    "Livre mercado dos postos de gasolina"

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.