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Como explicar os processos antitruste contra o Google?

A legislação antitruste americana, inspiração de todas as demais leis antitruste, inclusive a brasileira, sempre foi usada contra as empresas mais eficientes dos EUA. Standard Oil, ALCOA, IBM, Microsoft, entre outras, foram atacadas não por outro motivo, senão pelo fato de que sua maior eficiência e seu consequente domínio de mercado incomodavam seus concorrentes, os quais, incapazes de vencer a disputa por consumidores na arena do mercado, logo recorriam ao estado, usando todo o arsenal disponível nas leis de "defesa da concorrência"[1].

Nas palavras de Edwin S. Rockfeller:

Ataques do governo sobre uma alegada monopolização são raros, mas há sempre o perigo para os empresários de sucesso, especialmente os inovadores, de que os concorrentes perdedores irão pressionar funcionários ativistas do governo a fazer algo. Assistidos por advogados e economistas criativos, perdedores podem impor ao empresário bem-sucedido pesados ??custos financeiros para defender o sucesso do seu negócio contra ações vultosas, com resultados imprevisíveis.[2]

Se uma determinada empresa pretende ficar longe de processos antitruste, o estudo minucioso da história mostra que o segredo para isso é não ser eficiente demais e, consequentemente, nunca alcançar o domínio de um mercado específico de bens e/ou serviços.

Caso isso ocorra, a probabilidade de que as leis antitruste sejam usadas contra essa empresa é extremamente alta, seja para restringir ou impedir um ato de concentração empresarial que vise a otimizar sua logística, reduzir seus custos fixos, aumentar sua eficiência ou ampliar seu alcance geográfico (uma fusão ou a aquisição de um concorrente, por exemplo), seja para reprimi-la pela adoção de uma estratégia empresarial inovadora (condenação pela prática de "abuso de posição dominante", por exemplo, uma conduta descrita na lei de modo propositalmente vago).

Para comprovar a veracidade de tais afirmações, é imprescindível mencionar o que está acontecendo atualmente com o Google: em 2011, o Presidente Executivo da empresa, Eric Schmit, foi convocado para uma audiência na comissão antitruste do Senado americano, onde teve de responder a acusações — feitas por presidentes de empresas rivais, obviamente![3] — de que estava cometendo abuso de posição dominante no serviço de busca na Internet, em detrimento de concorrentes menores.[4]

Como o Google é uma empresa com atuação global, essas acusações foram replicadas perante outras autoridades antitruste, instaurando-se uma verdadeira cruzada contra essa empresa. A propósito, confira-se a seguinte notícia, publicada pelo próprio CADE, a agência antitruste brasileira, em seu site:

CADE investiga supostas práticas anticompetitivas do Google no mercado brasileiro de buscas online

11.10.2013

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica — CADE instaurou, por meio de despachos publicados no DOU desta sexta-feira (11/10), três processos administrativos para apurar supostas práticas anticompetitivas adotadas pelo Google Inc. e pelo Google Brasil Internet Ltda. no mercado brasileiro de buscas online. A investigação teve início a partir de denúncias apresentadas ao órgão antitruste pelas empresas E-Commerce Media Group Informação e Tecnologia Ltda., detentora dos sites Buscapé e Bondfaro, e também pela Microsoft Corporation, controladora do site de buscas Bing.

O site de busca online Google, hoje amplamente utilizado por usuários da internet, disponibiliza gratuitamente uma ferramenta de busca que permite o livre e rápido acesso a informações e conteúdos na web. Parte dos resultados da busca entregue ao internauta é divulgada em um espaço da página conhecido como "busca orgânica", na qual os sites listados não pagam ao Google Buscas nenhum tipo de remuneração, e são supostamente buscados e ordenados por meio de um algoritmo estabelecido pelo Google, segundo determinados critérios. Outro espaço na página de busca expõe como resultados os chamados "links patrocinados", compostos por sites que promovem campanhas publicitárias de seus produtos e remuneram o Google para serem ali divulgados.

Existem também sites especializados nas chamadas buscas temáticas, serviços de pesquisa específica a consumidores e empresas, tais como comparação de preços de produtos ofertados na internet. É o que oferecem, por exemplo, os sites Buscapé e Bondfaro. O próprio Google possui sites de busca temática, como o Google Images, o Google Books, o Google News e o Google Shopping – este especializado em busca de lojas e de preços de produtos.

Os processos administrativos instaurados pela Superintendência-Geral investigam as seguintes condutas:

• Processo Administrativo n.º 08012.010483/2011-94: apura, conforme denúncia da E-Commerce, se o Google Buscas estaria inadequadamente privilegiando, nos resultados da busca orgânica, os seus próprios sites temáticos, como o Google Shopping, em detrimento de sites concorrentes, como Buscapé e Bondfaro. Também será apurada a alegação da E-Commerce de que o Google Shopping estaria indevidamente sendo posicionado de modo privilegiado em outros espaços da página (entre os links patrocinados), novamente com o intuito de se beneficiar frente aos concorrentes. O processo investiga, ainda, se o Google Buscas estaria diminuindo o espaço da busca orgânica em relação à patrocinada e se estaria adotando mecanismos para confundir o usuário na identificação dos resultados de busca orgânica e patrocinada, com potenciais efeitos anticompetitivos.

Outra conduta investigada nesse processo relaciona-se à alegação de que o Google Buscas, de forma potencialmente discriminatória, permitiria a veiculação de anúncios com foto – supostamente uma forma mais atraente de exposição – pelo Google Shopping, mas não por sites temáticos concorrentes. A denúncia feita ao CADE alega que o Google teria, primeiramente, recusado a venda de espaço para anúncio com foto ao rival Buscapé, e, posteriormente, exigido o fornecimento de dados concorrencialmente sensíveis do concorrente para permitir o anúncio.

• Processo Administrativo n.º 08700.009082/2013-03: apura denúncia de prática denominada "scraping". Trata-se de suposta "raspagem", pelo Google, de conteúdo concorrencialmente relevante de sites temáticos rivais para uso em seus buscadores temáticos. Segundo a representação da E-Commerce, o Google Shopping teria indevidamente se apropriado de reviews (comentários de clientes opinando sobre qualidades ou defeitos de lojistas e produtos) reunidos pelos sites de comparação de preços Buscapé e Bondfaro. De acordo com a denúncia, uma vez que as opiniões dos usuários sobre produtos e serviços agregam informações relevantes e são um atrativo para ferramentas de buscas temáticas para compras, com essa prática o Google estaria subtraindo vantagens competitivas detidas por esses rivais e delas se beneficiando. Ainda segundo as alegações feitas ao Cade, o Google impediria que seus concorrentes fizessem a "raspagem" de sites temáticos a ele pertencentes.

• Processo Administrativo n.º 08700.005694/2013-19: apura supostas restrições anticompetitivas do contrato de prestação de serviços da plataforma de publicidade online do Google, conhecida como Google AdWords. Por meio dessa plataforma, os anunciantes que compram espaços publicitários na página do Google gerenciam suas campanhas publicitárias, definindo, por exemplo, as palavras-chave às quais querem associar seus anúncios, de modo que apareçam nos resultados de buscas por determinadas expressões, tais como "televisão" ou "celular". Também é por meio dessa plataforma que são selecionados os anunciantes que aparecem no espaço limitado de links patrocinados do Google, disputa essa que ocorre por mecanismo de leilão, segundo critérios como valor do lance e qualidade do anúncio. De acordo com a Microsoft, o Google teria imposto restrições que dificultam que os anunciantes gerenciem suas campanhas publicitárias, simultaneamente, no Google e em outros buscadores concorrentes – tipo de interoperabilidade denominada, em inglês, multihoming. Segundo as alegações trazidas ao CADE, o multihoming facilita e diminui os custos de montar e gerenciar campanhas nas diferentes plataformas de busca, e possibilita comparar o desempenho de cada plataforma. Ainda segundo a denúncia, ao impor restrições de compartilhamento de informações nas plataformas de anúncios, o Google acabaria por desestimular os anunciantes a também veicularem campanhas em buscadores rivais, prejudicando o desenvolvimento desses concorrentes, já com reduzida fatia do mercado.

As condutas investigadas, caso comprovadas, podem dificultar a entrada e o desenvolvimento de concorrentes no mercado brasileiro de buscas online, além de incrementar o já elevado poder de mercado do Google nesse segmento – próximo a 99% segundo algumas análises. Desse modo, resultariam em obstáculos a inovações, menos opções de empresas, produtos e serviços aos usuários e, eventualmente, impactos nos preços de produtos e serviços ofertados aos consumidores online.

Com a instauração dos processos, o Google será notificado para apresentar defesa. Ao final da instrução, a Superintendência-Geral emitirá parecer opinando pela condenação ou pelo arquivamento dos processos, e enviará os casos para julgamento final pelo Tribunal do CADE.[5]

A notícia fala por si mesma: o Google, empresa líder de mercado em razão de sua maior eficiência, está sendo alvo de processos antitruste iniciados por alguns de seus principais concorrentes, exatamente como sempre ocorreu ao longo da história do direito antitruste.

E as acusações chegam a ser risíveis, como a primeira mencionada na transcrição supra: o Google pode ser condenado por privilegiar, nos resultados de busca que oferece gratuitamente aos seus usuários, os seus próprios sites temáticos, como o Google Shopping (comparador de preços), em detrimento de sites temáticos concorrentes, como Buscapé e Bondfaro.

Explicando melhor: imagine que uma determinada pessoa resolve pesquisar preços de um televisor no Google, digitando a expressão "TV 50 polegadas". Ao mostrar o resultado da pesquisa, o Google destaca primeiro, no início da página, as opções do Google Shopping, e logo abaixo aparecem as opções do Buscapé, do Bondfaro e de outros concorrentes. Nada mais natural.

É como uma loja multi-marcas que, no seu espaço físico, expõe os produtos da sua marca própria em melhores lugares (na vitrine ou em estantes próximas à entrada) do que os produtos de outras marcas que também comercializa. O que se devia esperar? Que o Google fizesse o contrário, privilegiando os sites temáticos concorrentes em detrimento dos seus próprios sites temáticos?

(…) é o comportamento do Google realmente inesperado? Afinal de contas, trata-se de um negócio que visa ao lucro. A melhor pergunta a fazer é: por que o Google não iria dar tratamento preferencial aos seus outros negócios em seu próprio mecanismo de busca? Não é preciso ter um diploma universitário em marketing para perceber o quão benéfico é para o Google usar a sua própria e forte plataforma de tráfego de informações para se promover.[6]

É fácil perceber que a conduta do Google, nesse caso, é absolutamente normal e com certeza seria praticada por qualquer outra empresa que se encontrasse em posição semelhante (como a loja multi-marcas do exemplo mencionado).

Muitas redes de supermercado, por exemplo, além de venderem produtos de variadas marcas distintas, também comercializam produtos de marca própria, e não raro tais produtos são oferecidos em locais privilegiados e com mais destaque do que os demais. Trata-se de uma prática comercial absolutamente legítima e corriqueira, decorrente não apenas da livre iniciativa do empresário, mas também do fato de que o estabelecimento comercial (físico ou virtual) é propriedade privada dele.

Os defensores do antitruste contra-argumentam, porém, alegando que tal prática comercial, embora seja legítima em tese, torna-se ilegítima pelo fato de o Google ter o chamado "poder de mercado". Ora, mas tal "poder" não foi obtido por meio da força ou de qualquer outro expediente ilegal[7]. Quem conferiu esse "poder" ao Google foram seus consumidores, e são eles que o mantém até os dias atuais.

Não cabe a um punhado de burocratas retirar do Google algo que seus consumidores lhe deram voluntariamente, pois isso seria penalizar a eficiência e prestigiar a incompetência. Mas, infelizmente, é exatamente isso o que o antitruste faz desde que suas primeiras leis foram editadas até os dias atuais.

Assim como aconteceu com a Standard Oil, com a ALCOA, com a IBM, com a Microsoft e com tantas outras empresas que foram alvo das agências antitruste, o Google não está sendo processado por prejudicar seus consumidores, mas por incomodar concorrentes em razão de conseguir a liderança de mercado com base na sua maior eficiência competitiva.[8]

Note-se bem quem está fazendo essas queixas contra o Google. Tal como aconteceu com quase todos os casos antitruste na história americana, a pressão para atacar o competidor dominante na indústria está sendo feita por seus concorrentes mal sucedidos. Não se trata de defender consumidores. Não se trata de aplicar uma fórmula científica que determine um market share ideal para atingir uma "concorrência perfeita". Trata-se de empresas que estão desistindo de tentar competir no mercado na esperança de que o governo resolva. Os potenciais beneficiários aqui não são os consumidores, mas os concorrentes ineficientes e os reguladores do governo.[9]

A título ilustrativo, basta citar que no ano de 2013 — exatamente o ano em que o CADE iniciou os processos anteriormente listados — o Google foi eleito a melhor empresa do mundo para se trabalhar,[10] a empresa mais inovadora do mundo[11] e uma das três empresas mais admiradas do mundo.[12] Enfim, nenhum consumidor parece estar preocupado com a atuação empresarial do Google. Seus concorrentes, porém, estão muito incomodados, e quando isso acontece a legislação antitruste é uma arma que dificilmente deixa de ser sacada.



[1] Para uma leitura resumida de vários casos históricos em que o Sherman Act foi usado para processar e até mesmo para condenar empresas americanas eficientes que estavam liderando seus mercados de forma legítima, confira-se: GORDON, John Steele. "Read your history, Janet". Disponível em: http://www.forbes.com/forbes/1998/0223/6104092a.html.

[2] ROCKFELLER, Edwin S. Antitrust religion. Washington D.C.: Cato Institute, 2007. p. 56 (tradução livre).

[3] "(...) a investigação no Congresso americano que o Google está enfrentando não é nada novo. A aplicação da lei antitruste pelo governo americano tem constantemente caído sobre as empresas que se destacam reduzindo preços, inovando os seus produtos e expandindo sua base de consumidores. O que todo empresário racional se esforça para realizar é essencialmente o que o governo tenta frear": MILLER, James E. "Where Google gets its power?". Disponível em http://mises.org/daily/5695/Where-Google-Gets-Its-Power (tradução livre).

[4] Disponível em: http://usatoday30.usatoday.com/tech/news/story/2011-09-21/google-eric-schmidt-senate-hearing/50501988/1.

[5] Disponível em: http://www.cade.gov.br/Default.aspx?7acd5cad47dc33f00532025eeb6f.  

[6] MILLER, James E. "Where Google gets its power?". Disponível em http://mises.org/daily/5695/Where-Google-Gets-Its-Power (tradução livre).

[7] "O Google não foi o primeiro mecanismo de busca na internet, mas tem feito essa indústria progredir muito além de suas origens humildes. Através do desenvolvimento de um algoritmo exclusivo chamado 'PageRank', o Google tornou-se líder mundial de pesquisa na internet. Seu sucesso e seus trinta mil funcionários devem ser comemorados, e não demonizados e tratados como um alvo por políticos facilmente manipulados": MILLER, James E. "Where Google gets its power?". Disponível em http://mises.org/daily/5695/Where-Google-Gets-Its-Power (tradução livre).

[8] Para se ter uma ideia do absurdo que se tornaram esses ataques ao "Googlepolio", basta mencionar que na França uma empresa de cartografia processou o Google por oferecer serviços de mapa gratuitamente, através do Google Maps, o que configuraria uma infração antitruste (precificação predatória, a fim de quebrar todos os concorrentes e depois abusar de uma provável posição dominante). O mais impressionante é que o Google perdeu o processo e foi condenado a pagar uma indenização de US$ 660 mil. Fonte: http://olhardigital.uol.com.br/noticia/google-e-multado-em-us-660-mil-por-oferecer-google-maps-gratuitamente/23929.  

[9] MILLER, James E. "Where Google gets its power?". Disponível em http://mises.org/daily/5695/Where-Google-Gets-Its-Power (tradução livre).

[10] A eleição é feita pelo Great Place to Work: http://www.greatplacetowork.com.br/melhores-empresas/gptw-mundial/lista-dos-25-melhores-de-2013.

[11] A eleição é feita pela Fast Company: http://www.fastcompany.com/3026098/most-innovative-companies-2014/the-worlds-most-innovative-companies-2014.

[12] A eleição é feita pela APCO Worldwide: http://www.rankingthebrands.com/PDF/The%20100%20Most%20Loved%20Companies%202013,%20APCO.pdf.


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autor

André Luiz Santa Cruz Ramos
é Doutor em Direito Empresarial pela PUC-SP, Professor de Direito Empresarial do Centro Universitário IESB, membro do conselho editorial de MISES: Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia e autor do livro Direito Empresarial Esquematizado (editora Método).

  • Gredson  14/12/2014 13:58
    Que decepção com o Romero Rodrigues, dono do Buscapé. Chega a ser bizarro, porque esses caras aparecem em sites de negócios como "o jovem inovador". Pelo jeito parece ser só propaganda mesmo. É uma pena. =/
  • Douglas  15/12/2014 17:35
    Olha, faço minhas as suas palavras. Eles tenho certeza que concordam com os argumentos deste artigo, mas quando veem que podem perder o que eles ergueram de maneira a ser superados pela concorrência e falta de competência deles, não querem nem saber, se voltam pro estado e querem a todo o custo causar dano ao concorrente em detrimento do consumidor que escolheu o google voluntariamente. Lamentável...
  • Pedro  14/12/2014 14:20
    Nós como consumidores e libertários devemos dar o máximo de apoio ao Google, boicotando os concorrentes que estão jogando sujo contra a empresa. Com os consumidores a seu lado, nenhuma ação estatal vai ser suficiente para prejudicar a empresa.
  • mateus  14/12/2014 17:51
    Com certeza meu caro amigo Pedro.
  • Thiago  15/12/2014 01:26
    Concordo em parte com você, porém o Google fez o mesmo com a Microsoft.
    No caso da Microsoft, a mesma foi multada em 700 milhões por inserir o internet explorer no windows.
    Nada mais natural o windows conter um navegador nativo.

    Google também usa desse artificio.

    fonte.
    g1.globo.com/tecnologia/noticia/2013/03/ue-multa-microsoft-em-us-731-milhoes-por-quebra-de-acordo.html
  • Aldenir Antunes  15/12/2014 15:12
    Onde fala que foi o Google que moveu a ação?! Considerando que a justiça européia decidiu isso após a batalha Netscape/Microsoft nos EUA e o Chrome é do fim de 2008 (a decisão é de 2009), o Google nem devia estar preocupado na época, e com certeza, hoje, em que o Chrome é o navegador mais utilizado no mundo (quase 50%) e o terceiro o Mozilla (20%) que é patrocinado pelo Google, acho que o pessoal do Google deve estar rezando para que isso suma das notícias antes que alguém perceba a falha... :D
  • Dam HerzoG  15/12/2014 15:46
    Meus parabéns pela sua postura devemos é dar o máximo apoio ao Google.
  • Yuri Mariovich  14/12/2014 17:18
    Tudo isso é causado por um único e simples problema: confusão sobre direitos de propriedade.

    A aceitação tácita de que uma empresa que obteve sucesso não é mais de quem a criou, mas sim da "sociedade". Portanto, segundo este ponto de vista, os donos são meros gerentes do "capital social" e seria inadmissível que esses gerentes utilizassem esse "capital social" em beneficio próprio.

    E tudo isso se agrava ainda mais porque o algoritmo de busca do Google é mantido em segredo, engenharia reversa parece ser impossível de realizar, e as cópias parecem não ser satisfatória.

    Essa crença é aceita inclusive por usuários do sistema, que não percebe os custos desta ideia e que qualquer outra pessoa é livre pra poder construir um sistema de busca, ou até mesmo tentar imitar o próprio Google.

    Se esquece inclusive que antes do Google a grande maioria dos sistemas de busca era pago; o Google inovou nesta área, fornecendo um sistema livre de custos ao consumidor.

    É verdade que produtores ineficientes sempre tentaram usar o estado para desequilibrar a balança ao seu favor; mas nunca foram tão eficientes quanto agora.

    É o zeitgeist dos tempos.
  • anônimo  14/12/2014 22:25
    Sistema de busca pago? Nunca vi isso, antes do google o negócio era yahoo, altavista, cadê e muitos outros mas todos gratuitos
  • Eduardo  15/12/2014 00:50
    Google dominou porque seu sistema de busca era (e ainda é) muito eficiente, não lembro da última vez que tive que ir para a página 2 do Google para achar alguma coisa, na época que ele se popularizou e cresceu, tinha até a piada de que se você está se distanciando muito da primeira página de pesquisa do Google, provavelmente o que você está procurando não existe.

    Outros fatores também foram determinantes, a página que aparecia os resultados era mais limpa, as propagandas ficavam no canto, não no meio dos resultados, etc
  • Sergio  16/12/2014 00:36
    "tinha até a piada de que se você está se distanciando muito da primeira página de pesquisa do Google, provavelmente o que você está procurando não existe."
    Ou você está buscando errado... :)
  • Emerson Luis, um Psicologo  14/12/2014 19:20

    Resta ver se trata-se apenas de uma continuação da história ou de uma piora.

    * * *
  • marco  14/12/2014 20:08
    Especialidade dos tempos atuais:quando alguém faz sucesso,sempre aparece um dito prejudicado,entra com processo,para levar algum e dizer que foi feito justiça.
  • Lucas  14/12/2014 23:45
    Essa da empresa de cartografia contra o Google Maps foi de acabar, foi ludismo puro!!
  • Dom Comerciante  15/12/2014 00:43
    Sempre preferi o google exatamente pela tradicional capacidade de se diferenciar da concorrencia que a empresa tem, pelo em se tratando do site de busca. Infelizmente leis antitruste existem para proteger empresas ineficientes e condenar o sucesso de empresas como a google.
  • Ismael  15/12/2014 00:59
    Interessante a Microsoft ser citada aqui no artigo como uma das vítimas dos processos antitrustes já que sendo ela distribuidora de um sistema operacional pago vem deliberadamente nos últimos tempos (após o Windows8) lançando esforços para dificultar a exclusão deste sistema operacional dos computadores quando na tentativa de instalação das distribuições Linux. Às vezes é necessário instalar Windows7 sobre o Windows8 para se conseguir trocar por Linux.
    Penso que forçar ao extremo o usuário a ser dependente de um produto pago e impedí-lo de ter acesso a plataformas livres, que por sinal muito mais eficientes aqui neste caso, é um golpe tão sujo quanto aos processos antitrustes. Neste caso fica a dúvida se o sucesso da empresa está relacionado à eficiência de seus produtos ou dependência forçada, e neste caso aqui a imposição do referido sistema operacional nem é contra de uma outra empresa concorrente, mas à sistemas da plataforma open-source mantidos e desenvolvidos por livre iniciativa voluntária sem fim lucrativo. Nem mesmo se equipara em eficiência, o que é notável quando se faz a transição para sistemas Linux.
    Na instalação de Ubuntu, por exemplo, traz junto o navegador Firefox, que por sua vez oferece a opção de fazer a busca pelos motores do Google, Yahoo, Bing, Buscapé, DuckDuckGo, ou seja, ao estilo plataforma aberta onde o usuário tem a liberdade de selecionar o que considera mais conveniente.
    Não tencionei fazer propaganda de Linux, mas mostrar como é feio ver a liberdade ser atacada, e tampouco também quis sugerir que tais processos antitrustes tenham qualquer validade, mesmo nesta situação. Não é àtoa que entre usuários Linux coube tão bem em português um silogismo difamatório ao se referir àquele sistema como 'Ruindows'. E como é comum encontrar em usuários de computador um fervor tão repulsivo e preconceituoso quanto a plataforma Linux bem análogo ao desespero mental que pessoas apresentam diante do ideal libertário. Imbuidos e vitimados num único modo de pensar que lhes impede de analisar outras maneiras de trabalhar ou viver!
    Gostei do artigo mas desconsidero a notificação de que Microsoft se encaixa num parágrafo que exemplifica empresas que '...lideram o mercado com base em sua eficiência competitiva...'. As tentativas no Windows8 de inviabilizar a instalação de outros sistemas operacionais não parece ser demonstração de eficiência competitiva e claramente um desrespeito à liberdade.
    A estatização que se espalha ardorosamente pelo mundo afora não é resultado da eficiência do Estado, mas sim da coerção que tolhe as capacidades humanas de pensar fora de tal sistema e o fator coercivo é unicamente para se impedir a descoberta de formas de vida mais eficientes pois sabe-se que humana e evolutivamente não voltamos para modos ineficientes. Equiparando está a "eficiência" do sistema Windows diante de Linux que por não alcançar mesmo patamar, lança mão de ardilosos recursos coercivos afim de impedir a descoberta de outras formas de trabalhar com o computador e Internet.
  • Italiano  16/12/2014 04:13
    Linux. Nunca usei mas tenho ótimas referências.
  • Andre Cavalcante  17/12/2014 02:01
    Cara, que comentário ruim o seu (faltou muito conteúdo sobre o assunto que tentou abordar). Tudo bem, isso acontece e aqui é um ótimo lugar pra se curar da ignorância.

    Para uma "liderança competitiva" há duas questões: superioridade técnica e superioridade de marketing. A Microsoft teve/tem a segunda sem questionamentos. Quanto a primeira, dá pro gasto, tanto que é a empresa de escolha das empresas. Sob o meu ponto de vista, tá melhorando.

    Quanto ao Windows 8 "tentar evitar a instalação de outros sistemas operacionais" - é FUD. Todas as boas distros Linux, hoje, tem chave e suporte ao EFI. O problema é que o programa POST/BIOS dos PC já tinha lá mais de 20 anos e realmente precisava de um upgrade. Nada mais normal que a líder do mercado tomar a iniciativa e ficar à frente do processo, o qual exige mexer em muitas coisas e em muitas empresas... (e aí tem sempre aquele que chora!)

    Vale lembrar de outra coisa: o Windows, como SO, só é líder nos desktops/notebooks, justamente os mercados em declínio. Em todas os outros a MS tem que brigar e muito: web, smartphones, data/processing clusters, games e consoles, nuvem, etc.

    A MS teve o seu auge nas décadas de 90 e 2000 justamente por causa de governos que compravam diretamente dela para montar o seu parque burocrático. Juntamente com os governos, as empresas seguiram, por uma questão de rede. Se a maioria usa 110V para ligar aparelhos, é mais interessante fabricar produtos em 110V. Da mesma forma, se o SO da maioria é o Windows, é melhor fabricar programas (aplicativos) que rodem no Windows - efeito de rede. Pode ser quebrado, mas leva um tempo e não é fácil.

    Daí, Linux no desktop/notebook só em fã como eu. A MS tá muito mais interessadas em olhar o avanço dos Mac's. Se bem que a galera só não muda pro Linux por causa do MS Office (ou da falta dele no mundo Linux)

    Mas, a maioria das pessoas usa Linux e nem sabe: no router wi-fi, na central de telefone, no celular (android tem como kernel um linux mexido pela Google), no caixa eletrônico, em brinquedos inteligentes, etc., etc., etc. - e deve continuar assim!

  • anônimo  17/12/2014 10:36
    Linux só é de graça se o teu tempo não vale nada.
  • Pobre Paulista  17/12/2014 12:54
    Porquê? Todo mundo nasce sabendo usar Windows?
  • Carlos Nepomuceno  15/12/2014 09:48
    Fiz um texto sobre isso no meu blog e um áudio:
    nepo.com.br/2014/12/15/o-liberalismo-toxico/

    Acho que aqui se defende apenas um lado da questão, pois esquece-se da sociedade.
    Chamei esse tipo de pensamento de "liberalismo tóxico". O liberalismo ou o pós-liberalismo tem que defender uma liberdade com ética.
  • JOSÉ RICARDO DAS CHAGAS MONTEIRO  15/12/2014 12:59
    Saudações, André, como sói acontecer, não apenas informou, explicou, você não me surpreende nunca, aliás, correção, sempre surpreende em demasia, cada vez mais.
    Meu filho mais velho aprendeu muito com suas aulas.
    Saúde e sorte para você, um ano cheio de alegrias, grato pela sua generosidade em compartilhar sua cosmovisão.
  • Andre Luiz S. C. Ramos  15/12/2014 20:28
    Obrigado, meu caro José Ricardo.
    Forte abraço.
  • anônimo  15/12/2014 19:48
    Todas traem seus clientes todos os dias.
  • Pedro Mancini  16/12/2014 16:15
    Concordo em partes.
    Realmente o problema da Google não caberia em uma lei antitruste. Não faz sentido o que as demais empresas estão reivindicando.
    O problema é quando esse caso é comparado com o da Standard Oil.
    Naquele caso, havia claramente um lobby com o Estado, para que a Standard Oil comprasse potenciais concorrentes, ainda pequenos, para manter o seu monopólio.
    Acredito que seja ponto pacífico que monopólios são ruins.
    A lei antitruste no caso da Standard Oil foi em prol do livre mercado, pois acabou com o capitalismo de Estado e com o monopólio.
    Mas no caso da Google, concordo que não se justifica.
  • Rockefeller  16/12/2014 16:58
    Mais um sobre a Standard Oil...

    O que eu acho curioso é que, durante esse "monopólio" da Standard Oil, o preço do barril de querosene caiu de 30 centavos para 6 centavos.

    E esse tal Rockefeller devia bem bonzinho, pelo visto. Tinha "monopólio" total e ainda assim reduziu seus preços em incríveis 80%. Aliás, foi por isso que o governo resolver destruir a empresa em 1911: seus concorrentes fizeram lobby pois não conseguiam concorrer com seus preços.

    Queria eu ser vítima de um monopólio assim. Ainda bem que temos a Petrobras, que opera em regime de livre concorrência plena e preços em queda...

    Sobre todos os detalhes do Sherman Act, recomendo este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1319

    E para saber coisas que sua professora de oitava série não lhe contou sobre a Standard Oil, recomendo este:

    mises.org/daily/5274/100-Years-of-Myths-about-Standard-Oil
  • Pedro Mancini  18/12/2014 17:22
    Amigo,

    eu não sei porque todo esse ataque gratuito, falando de professora de oitava série.
    Senti por um momento como se tivesse debatendo com um socialista.
    Se não fui bem claro, vou tentar ser agora.
    A Standard Oil foi o único caso que conheço que a intervenção estatal foi benéfica.
    O capitalismo estava em seu estágio inicial, e como o capitalismo é um processo, e não um dogma, era mais do que normal que houvesse evoluções.
    John Rockfeller era um lobista sim, e comprou a candidatura de um presidente americano inclusive, junto com Morgan e Carnegie. Aquilo era capitalismo de Estado e não de livre mercado.
    O argumento do preço do querosene foi infeliz, pois o que ele fez foi utilizar de outro monopólio, das ferrovias, para reduzir o preço de transporte, reduzindo o preço do produto, e consequentemente impedindo a concorrência. Isso é semelhante ao que a Arábia Saudita tenta fazer hoje, bancando o preço do petróleo mais baixo para inviabilizar o gás xisto.
    Além disso, utilizar somente preço baixo como argumento, é inclusive enaltecer a forma como hoje PDVSA faz na Venezuela, que é um monopólio que cobra para um tanque cheio de gasolina somente R$2,00. Tome cuidado, pois números sem análise são só números. Como diria Roberto Campos, estatística é como biquíni, o que revela é belo, o que esconde é essencial.
    De qualquer maneira, acho que John Rockfeller, mesmo com seus defeitos, foi um empreendedor fantástico e não estou aqui para atacar o capitalismo e o livre mercado, muito pelo contrário.
    Estamos aqui para debater, e não trocar acusações nem ficar de maniqueísmos.
    Se nós dois fôssemos desinformados, não estaríamos frequentando um site como o IMB.
    Vamos manter um nível alto de debate.

    Abraços
  • Carnegie  18/12/2014 17:51
    "o que ele fez foi utilizar de outro monopólio, das ferrovias, para reduzir o preço de transporte, reduzindo o preço do produto, e consequentemente impedindo a concorrência."

    Ah, entendi.

    Quando todos os preços caem, mas o empresário malvado possui um "monopólio" em um determinado setor, então está tudo errado. É injusto e não podemos aceitar essa "exploração" dos preços baixos.

    O certo então é chamar o governo salvador para intervir e quebrar esse empresário maldoso que está abaixando os preços de tudo, e consequentemente elevar os preços de tudo!

    O homem saiu abaixando o preço de tudo e, por isso, tinha de ser interrompido, pois estava fazendo muito mal aos consumidores.

    Reduzir o preço do transporte e do querosene? Absurdo.

    Sério, o que vocês realmente querem? Se uma empresa pratica um preço muito alto, é monopólio e ela deve ser destruída. Se pratica um preço muito baixo, é concorrência predatória e ela deve ser impedida. Se pratica o mesmo preço das demais, é cartel e ela deve ser punida. Ilumine-me, por favor.

    "Isso é semelhante ao que a Arábia Saudita tenta fazer hoje, bancando o preço do petróleo mais baixo para inviabilizar o gás xisto."

    Informe-se. Não é nada disso que está acontecendo. Se o intuito realmente fosse afetar os americanos, os árabes seriam os seres mais burros do mundo.

    O gás de xisto afeta muito marginalmente o mercado mundial de petróleo. O que os árabes realmente conseguiriam seria atrasar um pouco o avanço do fracking em troca de uma total destruição do patrimônio líquido deles próprios. Árabes, meu caro, não são nada burros no que tange a números e petróleo.

    Eles estão reduzindo seus preços apenas para manter sua atual fatia de mercado.

    No que mais, a atual medida dos árabes conta com o apoio dos americanos, pois prejudica os russos, o Irã e a Venezuela.

    Detalhes aqui.


    "Além disso, utilizar somente preço baixo como argumento, é inclusive enaltecer a forma como hoje PDVSA faz na Venezuela, que é um monopólio que cobra para um tanque cheio de gasolina somente R$2,00"

    Confundiu duas coisas completamente sem nexo. A PDVSA é um monopólio, o que significa que o governo proíbe outras empresas de entrar no mercado. O baixo preço da PDVSA não é utilizado para manter esse monopólio. O monopólio é garantido por lei. Ele independe do preço da gasolina. A gasolina poderia passar a custar R$2.000, e ainda assim o monopólio seria mantido.
  • Tio Patinhas  17/12/2014 12:54
    A Standard comprava pq ela tinha como comprar e quem vendia queria vender, o governo não se metia. Aliás muitos historiadores acham que pelo fato de Rockefeller desprezar o governo e seus membros, houve uma campanha para acabar com ele usando o monopólio como desculpa.

    Quando ele teve que se desfazer da Standard, sua participação no mercado havia caído de 90% para 65% e continuava a cair (chamam essa fase de fadiga administrativa), por causa de outros concorrentes que haviam surgido nos eua e em outros países, explorando o petróleo de maneira mais barata.

    Mas o que o governo fez foi aumentar a riqueza de Rockefeller, pois as empresas que foram desmembradas, foram vendidas em bolsa e ele tinha uma participação nelas, tornando-se muito mais ricos do que seria se tivesse ficado com esse suposto monopólio.

    Recomendo a leitura do livro Os Magnatas de Charles R. Morris, explica em detalhes o que aconteceu.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  01/04/2015 22:22
    Os governos devem ser eliminados.


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