Não há nada de errado com a publicidade infantil

falei sobre publicidade infantil em outras oportunidades, principalmente com o viés econômico. Vou aproveitar este momento em que o ENEM ressuscitou o tema para falar mais sobre o lado pessoal da coisa.

Publicidade infantil é ótima e deveria continuar. Sim, ninguém adora propaganda; é sempre aquele tempo chato entre os blocos do programa, mas ela ainda assim tem seu atrativo. Outro dia, meu filho veio todo feliz cantar a "música do esqueleto", que logo vi se tratar de uma chamada publicitária do Disney XD. Eu, quando criança, adorava cantar uma música do Limpol da Bombril; ainda sei alguns trechos de cor.

Quem tem filho ou já foi criança — cada vez mais raro hoje em dia — sabe a alegria que o McDonald's representa. A comida gostosa, o brinquedo, o espaço de brincadeira; é tudo o que a criança mais quer. Hoje em dia não gosto muito de Mac, mas tenho memórias felizes lá, e não vejo nada de errado se meu filho também as tiver. Claro, não sou eu quem fica incentivando a ida ao Mac. Meu papel agora é outro: ser a voz que diz "hoje não", que a comida lá é pouco saudável, que em casa é melhor. Argumentos pouco persuasivos para uma criança ansiosa por cor, brinquedo, açúcar, gordura, folia e sal.

Agora, de vez em quando jantar no Mac, é claro que sim. Saúde não é tudo; prazer e alegria também importam, e nesta vida não existe a harmonia perfeita de todos os bens. No fim das contas, as próprias crianças descobrem que gostam mais de umas coisas e menos de outras. Em minha casa, cenourinha é campeã de audiência e o único que toma refrigerante sou eu.

Os apelos da propaganda e da biologia se somam a idiossincrasias e criatividade de cada indivíduo e família. É importante ter alguém para limitar esses apelos: limitar a tela, a guloseima, a rede social e a roupa da moda.  Mas querer aboli-los é ir longe demais, e é sempre em vão. A civilização se constrói sobre a limitação dos instintos, mas também depende deles.

A propaganda dá à criança um contato com realidades da vida. A realidade dos desejos, por exemplo. O mundo, dentro e fora de casa, é um lugar de assédios, de muitos bens concorrentes que disputam nossa atenção, nosso gosto, nosso tempo e nosso bolso. Consumir não é feio. É parte necessária da vida. É bom. Aprender sobre preço e restrições monetárias também.

A propaganda nos indica alternativas existentes e suscita nosso desejo. Aprender a lidar com ela, e com a real distância entre o prometido e o entregue, é parte da vida. Não foi fácil para mim, aos quatro anos, aceitar que do Frutilly não saía um fantasminha, ou que o Halls não me refrescava como prometido, ou que os produtos da Apple não me transformaram num cara descolado e super criativo. Mas foi (e continua sendo) educativo.

Acho que por trás da proibição da publicidade infantil (lei infeliz que passou, mas até agora não pegou) há ansiedade e vaidade de pais e mães. Ansiedade porque queremos o melhor para os nossos filhos, e vivemos sob o medo irreal de que um detalhe aquém do ideal terá impacto deletério no longo prazo deles. Com filhos vindo mais tarde e em menor quantidade, tudo tem que ser absolutamente perfeito. Só que essa mesma ansiedade que exige perfeição deixa o pai incapaz de dizer um "não" ao pedido do filho, preferindo assim terceirizar a responsabilidade impossível que atribuiu a si mesmo. A esses, más notícias: as birras não vão parar; nem as gordices.

E vaidade porque, com mais recursos e mais tempo livre, queremos dar a nossos filhos uma infância idealizada que existe em nossa imaginação: a rejeição ao plástico, a exigência de que tudo seja educativo (Mozart para bebês), de que toda história tenha mensagens positivas (mas eles gostam mesmo é de mortes!) e não ofenda a ninguém, a alimentação perfeita. Queremos impor uma ideia de infância sobre a infância real.

Na infância real, o que importa mesmo é se divertir, é brincar e, sim, também competir com os amigos e imitar coisas do mundo adulto etc.  No final das contas, ninguém consegue se ater ao plano — embora nem sempre o admita em público — e as frustrações e hipocrisias se acumulam. 

A criança vive hoje numa bolha segregada da realidade. Proibimos palmada, proibimos propaganda, queremos proibir guloseimas, damos medalha para todos indistintamente ao mesmo tempo em que impomos padrões adultos de produtividade e uso do tempo, não toleramos o choro porque ele indica que não somos perfeitos, afastamo-las de todo e qualquer risco. Segregamos as crianças por idade, limitamos o tempo de brincadeira livre.

Proponho o caminho inverso: relaxe, cuide dos seus filhos com moderação e amor, deixe-os verem propaganda, saiba dizer não, e aproveite.

Se outro pai quiser criar a bolha para segregar seus filhos do mundo real, que crie; só não a imponha ao universo inteiro.


Texto originalmente publicado no site do Spotniks


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SOBRE O AUTOR

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com." Siga-o no Twitter: @JoelPinheiro85


Meu caro, pelo seu discurso você nunca foi liberal e nunca entendeu o que é ser liberal. E ainda tem coragem de vir com esse apelo sobre pobreza.

Gostaria de fazer uma pergunta a todos vocês:
Pois não.

Vocês já foram Pobres pra saber?
Nasci pobre, muito prazer.

Vocês já tiveram um parente morto por bala perdida?
O que isso tem a ver com capitalismo/liberalismo? Você está misturando segurança pública (que é MONOPOLIO do estado), que alias é altamente ineficiente (no Brasil, morrem 56.000 pessoas por ano, o maior indice do mundo, a gente perde até pra India, que é 43.000 por ano, outro país com alto controle estatal e burocrático) com conceitos economicos. O estado nega aos seus cidadãos o próprio direito de se defender com uma arma e mesmo assim é incapaz de solucionar o problema.

Falam tanto em mercado, economia. Mas nunca vi um liberal que enriqueceu graças a todo seu conhecimento na área, algum de vocês é rico por acaso? Maioria que vejo é classe média, acho gozado porque se manjam tanto de produzir valor e riqueza vocês deveriam ser ricos..Mas não é isso que eu vejo.

Ai meus deuses... essa foi triste.
1) O Brasil está muito longe de ser um país livre, economicamente. É o país que fica em 118 lugar no índice de liberdade econômica.

2) Ser liberal não é uma formula para ser rico e sim defender que as pessoas tenham a liberdade para efetuarem trocas entre si sem intervenção constante do Estado por via de impostos e regulações. É dessas trocas de valor que a riqueza é produzida. Cada um teria a liberdade de crescer de acordo com suas habilidades e viver num patamar de vida que julga confortável, mas repito, o Brasil NÃO É E NUNCA FOI UM PAÍS LIVRE, ECONOMICAMENTE. Você se dizia liberal e não sabe desse básico. Aham. To vendo.

Eu já fui liberal, ai cai na real com a vida, vi que esse papo de mercado não é bem assim.
Não, amigo, você nunca foi liberal. Sinto muito. Ou você está mentindo ou você diz ser uma coisa que nunca entendeu direito o que é (o que mostra o seu nível de inteligência).

Inclusive, um amigo meu foi pra Arabia Saudita, ele disse que lá existem muitas estatais e assistencialismo e o país enriqueceu assim mesmo...

Aham, beleza, usando a Arabia Saudita como exemplo:

Saudi Arabia's riches conceal a growing problem of poverty

"The state hides the poor very well," said Rosie Bsheer, a Saudi scholar who has written extensively on development and poverty. "The elite don't see the suffering of the poor. People are hungry."

The Saudi government discloses little official data about its poorest citizens. But press reports and private estimates suggest that between 2 million and 4 million of the country's native Saudis live on less than about $530 a month – about $17 a day – considered the poverty line in Saudi Arabia.


Opa, perai, como é que 1/4 da população da Arabia Saudita vive abaixo da linha da pobreza? Você não disse que era um país ótimo, rico, cheio de estatal e assistencialismo? Explique isso então.


Falam de acabar com o imposto mas negam toda a imoralidade que a ausência deste geraria, como injustiças e até coisas que ninguém prever.

Que imoralidades, cara-palida? Favor discorrer.

Favor, tentar novamente. Essa sua participação foi muito triste.


Poderiam responder o comentário desse Leonardo Stoppa:
Estranho, hipócrita é dizer que o socialismo atual compete com o capitalismo. Comunismo sim complete com capitalismo mas socialismo é uma forma de redistribuição que, quando interpretada por pessoas que estudam economia a partir de livros de economia (e não Olavo de Carvalho) é uma espécie de segurança ao capitalismo.

Se um dia você entender que existe conhecimento além do que você conhece você vai ver que dentro do conceito atual de socialismo estão as formas de redistribuição de renda (SUS, Fies, Bolsas). Em países de primeiro mundo a galera acaba usando essa grana inclusive para comprar iPhone, logo, é um socialismo que serve ao capitalismo pois deixar essa grana parada na conta de um milionário vai resultar na venda de 1 iPhone para apple, agora, quando redistribuído vira vários iPhones.

O problema da sua visão é que você estuda em materiais criados sob encomenda. Você deixa de estudar em livros de economia para aprender pelas palavras de um cara que é pago por aqueles que pagam os impostos, ou seja, aqueles que são contra a redistribuição, logo, você abre mão do conhecimento para a alienação.

Socialismo não é comunismo. Pode vir de certa forma assemelhado nos livros antigos, mas depois da segunda guerra mundial e principalmente depois da queda da URSS, ficou claro que não há em se falar em controle centralizado e ausência de propriedade privada, mas quem estuda um pouco de economia e sociologia sabe que a intervenção e a redistribuição são importantes atividades governamentais para salvaguardar a atividade industrial.

A final, de que adianta ter industrias de ultima geração se apenas 1% do povo compra seus produtos??

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Lopes  11/11/2014 13:46
    Lamentável descobrir que a opinião virtualmente unânime entre os estudantes foi de oposição ferrenha à propaganda infantil, em partes porque o Enem parte da própria premissa absurda de que o estado sempre deve tomar uma proposta de intervenção sobre temas referidas, em outras pois é mais fácil de escrever e se encaixa à narrativa proibicionista e em outras porque todos os textos de auxílio - sempre importante conferi-los quando em provas do estado, pois revela a tendência de seus elaboradores e do ministério da educação - não só partiam da premissa que a proibição é legítima como apenas se limitavam a questionar como seria feita.

    Excelente artigo novamente, Joel; apesar da sincera (e espero que respeitosa) discordância minha sobre a legitimidade da agressão física às crianças pelos pais (na crença minha de que a criança não é uma zona de exceção da ética do direito natural e que a necessidade da agressão física ao filho para desenvolver disciplina se equipara em absurdidade à necessidade de agressão física ao parceiro e aos amigos como forma de discipliná-los), é sempre interessante ver todo tipo de abordagem que pode ser dada a um tópico tão íntimo como família. Devo, porém, confessar que quaisquer soluções estatais para o problema da violência contra crianças, como você demonstrou em outros episódios, tende a ser muitíssimo mais trágicas ao desenvolvimento do indivíduo que o próprio problema - que já é grande por si só.

    A criança vive hoje numa bolha segregada da realidade. Proibimos palmada, proibimos propaganda, queremos proibir guloseimas, damos medalha para todos indistintamente ao mesmo tempo em que impomos padrões adultos de produtividade e uso do tempo, não toleramos o choro porque ele indica que não somos perfeitos, afastamo-las de todo e qualquer risco. Segregamos as crianças por idade, limitamos o tempo de brincadeira livre.

    Ótimo insight.
  • Silvio  11/11/2014 15:39
    Engraçado é que, a julgar pelas minhas observações pessoais (não tenho certeza se é uma regra geral, mas acredito que seja), as pessoas que mais usam de agressão física contra parceiros e amigos são justamente aquelas que na infância não tiveram seu direito natural "violado" pelos pais.

    Concordo que o PNA se aplica perfeitamente às crianças, mas o caso é que também acredito que as crianças possam violá-lo. Se a criança bate na irmãzinha que ainda é um bebê de colo, se quebra a vidraça por jogar bola dentro de casa (mesmo já tendo sido proibida de fazer isso), se surrupia o brinquedo do vizinho etc., tenho plena convicção de que os pais sim têm todo o direito do mundo de corrigi-la por meio da agressão física.

    É claro que essa agressão deve ser proporcional e motivada, ou seja, não é certo os pais quebrarem o braço do filho por este não ter feito o dever de casa e nem é certo que os pais batam no filho só para que este "fique esperto".
  • Epaminondas  11/11/2014 13:47
    A geração que sobreviveu ao pior da publicidade infantil ("você não vai ser o último a comprar, vai? Peça para a mamãe") acha que as novas gerações estúpidas demais para sobreviver a ela, portanto, quer proibir.

  • Silvio  11/11/2014 13:57
    "Não foi fácil para mim, aos quatro anos, aceitar que do Frutilly não saía um fantasminha, ou que o Halls não me refrescava como prometido, ou que os produtos da Apple não me transformaram num cara descolado e super criativo". E também não foi fácil para muitas pessoas aceitarem que o Red Bull não dava asas, mas ainda bem que existe o estado para protegê-las dessas frustrações:

    exame.abril.com.br/marketing/noticias/red-bull-pagara-us-13-mi-a-clientes-que-nao-ganharam-asas
  • Marcelo Henrique  11/11/2014 15:06
    Os textos sobre a publicidade infantil do Instituto Mises me ajudaram bastante na redação, é claro que eu não pude me expressar de uma forma libertária já que no ENEM temos que ser esquerdistas, Incorporei um social-democrata, fui um esquerdista sereno, mesclei ideias de esquerda com ideias liberais.
  • Marcos  13/11/2014 20:11
    Decisão sensata. Certamente a sua visão "fascista" seria desconsiderada caso pegasse pela frente um corretor esquerdista, o que hoje em dia não é nada difícil.
  • Rafael  11/11/2014 15:17
    Agora quero ver você transmitir toda essa idéia em apenas 30 linhas de caderno. Ser a favor da proibição é mais fácil.
  • Pobre Paulista  11/11/2014 16:05
    Se conseguisse, não entraria na faculdade!
  • Bernardo  12/11/2014 01:43
    Sou estudante e, por estar me preparando para ingressar em uma faculdade, tive de me sujeitar a fazer o ENEM. Posso afirmar que a limitação de linhas dificulta muito ao defender certas posições, pois as opiniões mais sensatas nem sempre são - à primeira vista - as de mais fácil aceitação (sem contar com o fato de a prova ter um claro posicionamento politico).

    No caso da publicidade infantil, ser a favor - como citei na minha redação - é considerado, por alguns com um poder de análise não muito apurado, um ato de covardia contra seres indefesos; então, por mais sensato que seja se posicionar a favor da publicidade infantil, não é simples provar tal sensatez em apenas 30 linhas
  • anônimo  12/11/2014 04:52
    E mesmo que vc prove vai estar dando um tiro no pé.
  • Ali Baba  12/11/2014 11:30
    Aos estudantes que fizeram o ENEM e que se posicionaram a favor do proibicionismo, mesmo acreditando em contrário, só tenho a dizer que, em tese, não está sendo avaliado o mérito da sua opinião, mas sim se você tem a capacidade de expressá-la. Se você é contra o proibicionismo, poderia sucintamente, defender sua posição da mesma maneira que defendeu o contrário e não deveria ter sua nota diminuída por conta disso.

    Na realidade, um caso de uma redação perfeitamente construída, contra o proibicionismo, que tivesse sua nota reduzida por isso, seria um caso muito interessante de ser divulgado. É pena que os sensatos tenham escolhido não0 se posicionar dessa forma na oportunidade.
  • Gil  11/11/2014 16:22
    Odeio MC Donalds. Mas adoro o Burguer King. Minha filha também. Para mim tem que acabar com os abusos, tipo, peça para o papai, ligue agora, compre já, etc.
  • gabriel  11/11/2014 21:57
    O que seria abuso? se pedir pra ligar ou pra comprar é abuso então não deveria ser possível nenhuma propaganda, na verdade não se deveria nem poder vender na rua ou em lugar nenhum. Talvez não tenha entendido corretamente, mas você realmente considera que um anuncio que lhe fala pra comprar ou ligar é um abuso?
  • Silvio  12/11/2014 00:49
    Mas você tem toda a razão. Tem que acabar mesmo com esses horríveis abusos. E até tenho excelentes sugestões para melhorar a situação:

    A) Ao invés do odioso "peça para o papai", podiam dizer:

    I. mande seu papai imediatamente para a loja comprar esse brinquedo. Se ele se recusar, esperneie e chore (se possível, dê um chute na canela dele também). Se seu papai se zangar e te bater ou te colocar de castigo, ligue agora mesmo para o conselho tutelar, que o encaminhará para as autoridades. Feito isso, procure um defensor público, que entrará com um processo contra seu papai para que este seja obrigado a te dar o dinheiro necessário para comprar esse brinquedo!

    II. vá de mansinho até a carteira do papai e pegue o cartão de crédito dele. Mas não conte nada para ele, este será o nosso segredinho... Uma vez com o cartão em mãos, ligue para nós, passe os dados solicitados e muito em breve esse brinquedo chegará em sua casa! Se o seu papai descobrir nosso segredinho e se zangar, você já sabe o que tem de fazer...


    B) Ao invés dos ignominiosos "ligue já" e "compre já", podiam dizer:

    I. vá até à loja mais próxima de sua casa e se aproprie desse maravilhoso produto ao estilo venezuelano. Se o gerente da loja não estiver imbuído do espírito revolucionário e decidir chamar a polícia, diga ao lojista que este é um porco capitalista opressor do proletariado. E não se esqueça de insuflar as pessoas ao seu redor para que estas linchem o gerente, o qual está impedindo você de usufruir do seu direito de possuir os bens de consumo que deseja.

    II. procure alguém que já possua nosso produto e, quando encontrar essa pessoa, tire-a de ação com um forte golpe na cabeça dela e pegue o produto para si. Se essa pessoa vir a acordar e se atrever a tirar de suas mãos o produto que você passou a possuir, diga a ela que ela não pode fazer isso, pois você está apenas promovendo uma redistribuição forçada da riqueza. Diga ainda que, se ela quiser voltar a possuir um exemplar de nosso maravilhoso produto, que vá até a loja mais próxima e adquira outro ao estilo venezuelano...


    Prontinho, garanto que se os anúncios publicitários passarem a veicular suas propagandas dessa forma, sem aqueles terríveis abusos inerentes ao maléfico sistema capitalista, certamente teremos um mundo melhor e um consumo mais responsável e sustentável.
  • Eduardo  12/11/2014 01:47
    Se comparar as propagandas mais recentes, antes da proibição, com as mais antigas, as propagandas se tornaram mais criativas e menos apelativas, porque? Porque a propaganda serve para agradar o público, se você desagradar alguém na sua propaganda, você está jogando dinheiro fora e destruindo sua marca, consequentemente suas vendas.

    Se uma propaganda é considerada abusiva, isso vai chegar aos ouvidos da empresa anunciante, que, no mínimo, vai retirar a propaganda. Hoje, com a internet, as páginas e contas das empresas das redes sociais estão se tornando o canal principal de comunicação entre as empresas, que estão sendo obrigadas á contratar pessoas para responder perguntas e críticas nas suas páginas, porque se antes as reclamações ficavam entre o atendente e o individuo insatisfeito, agora as críticas e abusos se tornam públicas e amplamente conhecidas rápidamente.
  • Leonardo Faccioni  11/11/2014 16:43
    Aproveitando o interlúdio propiciado pelas oportunas remembranças da terna infância que o [como sempre] excelente artigo propiciou-nos, eis aí um ar de benfazeja nostalgia aportado pelo que outrora compunha nossa livre iniciativa: Clube do Jingle
  • Dann  11/11/2014 16:47
    O que é importante frisar é que proibindo a propaganda infantil, a mídia se torna mais dependente das propagandas governamentais e estatais, em detrimento da publicidade privada e isso também gera uma censura bem velada, pois somente os meios de comunicação que agradam ao governo é que recebe as verbas da publicidade.
  • Silvio  12/11/2014 00:05
    Parabéns, agora você matou a charada. Aqueles que controlam o estado estão pouco se lixando para o bem-estar da criança ou de quem quer que seja. O objetivo real dessa pataquada toda é exatamente o de aumentar o poder estatal sobre a mídia.

    Por falar nisso, você já reparou que essa corja sempre age no sentido de aumentar o poder do estado, a despeito de todos os discursos supostamente bem intencionados sobre a promoção do bem comum e outras porcarias do tipo?
  • Diones Reis  11/11/2014 17:14
    "..Não foi fácil para mim, aos quatro anos, aceitar que do Frutilly não saía um fantasminha, ou que o Halls não me refrescava como prometido..."

    Também inclua nesta lista a super força que o Ovomaltine prometia nas propagandas antigas. :-D
  • Zara  11/11/2014 17:21
    Hoje no Brasil existe a imposição para as crianças de lendas enfadonhas, tipo: Sitio do Pica Pau Amarelo. O Estado criou uma cota de programas tupiniquins na tevê fechada. O interessante é observar que os pequenos são muito mais afim de estorias de terror americanas. Nosso folclore é ridículo, só os adultos educadores que curtem um Marx pensam ao contrário. Entre Cuca, Saci e festa de halloween, perguntem qual é mais bacana. Mesmo assim querem impor goela abaixo em prol da dita cuja cultura brasileira.
  • Pedro  11/11/2014 21:25
    De que isso tá resolvendo? Absolutamente nada. Nunca gostei dessas porcarias nacionais, mas antes não gostava simplesmente por serem porcarias, hoje tenho até uma motivação politica para boicotar essas tranqueiras, que é minha revolta com essas imposições estatais.

    O estado pensa que você tem obrigação de gostar de algo produzido por uma pessoa simplesmente porque você e essa pessoa nasceram num mesmo espaço geográfico chamado de Brasil. Uma coisa eu digo, tem que ser muito patriota mesmo para consumir conteúdo nacional.
  • Renato  18/11/2014 17:35
    Eu acho que isso tudo aí é questão de gosto. Pra mim, Halloween um é uma porcaria também. Também não concordo que qualquer coisa seja imposta pelo Governo. Lendas e festas populares, no seu estado natural, não conseguem agradar as pessoas em geral simplesmente porque a maior parte das pessoas não têm porque se identificar com elas. Porém, isso não significa, necessariamente que seja porcaria (mas não significa também que não é).
  • Silvio  19/11/2014 00:45
    Imagine-se no lugar da criança. Halloween é um dia muito legal, tão bom quanto o Natal. Você pode usar a fantasia que quiser (caubói, ninja, super-herói, monstro, sei lá, a imaginação é o limite), ganha um montão de doces e ainda pode pregar peças na vizinhança. A menos que você seja o Charlie Brown, o Halloween é fantástico.

    Agora, por favor, explique o trecho: Lendas e festas populares, no seu estado natural, não conseguem agradar as pessoas em geral simplesmente porque a maior parte das pessoas não têm porque se identificar com elas. Se a festa não agrada a maioria das pessoas, isso aí não seria justamente o contrário de popular? E que raios é esse "estado natural"?
  • Renato  19/11/2014 10:17
    Eu inicialmente ia explicar isso, mas na hora achei que ia dar pra entender. Imagine, por exemplo, o blues no seu primórdio, ele surgiu nas plantações de algodão em razão do estilo de vida daquelas pessoas. O "blues" dos negros que trabalhavam nas plantações seria o que eu quis dizer com "em sua forma natural". Pensando bem, se eu tivesse dito "forma bruta" teria dado pra entender melhor. Hoje em dia, a gente não consome a cultura própria do nosso mundinho, porque temos acesso ao que quisermos. Logo, praticamente não tem relevância essa "cultura em sua forma bruta".
    No Brasil, acredito que não temos casos similares ao do blues (que de música dos campos de algodão se tornou universal, a não ser que forcemos a barra pra falar isso do samba) e eu até tenho uma teoria sobre uma das razões disso: a música brasileira teve uma grande relevância cultural até meados dos anos 40 (da mesma forma que acontecia com o blues nos Estados Unidos). Isso acontecia SEM nenhuma intervenção estatal. Ao contrário do que se pode imaginar hoje, não havia uma dominação total do samba, coisas de Minas Gerais e São Paulo também eram extremamente populares e tocavam nos mais sofisticados ambientes - junto com música europeia e foxtrot. Sobre isso eu recomendaria procurar saber sobre a cena musical do Rio de Janeiro nas décadas de 30 e 40, já que eu não sou capaz de ilustrar esse período aqui.
    Quando Getúlio Vargas quis enfiar na goela das pessoas o nacionalismo, até uma música NACIONAL surgiu, que foi o samba. Acho que foi aí que a "cultura brasileira" foi se tornando cada vez mais enfadonha. Já que nem todo mundo gosta de samba, nem de Monteiro Lobato ou Câmara Cascudo...
  • Lucas  11/11/2014 17:31
    Fiz o ENEM.

    Na redação fiz questão de deixar claro que a Conanda deveria meter o rabo entre as pernas e ficar quietinha.

    Claro que não utilizei essas palavras. Nessa bosta desse Enem tem que ser politicamente correto.

    Pior do que a redação foi a prova de história. Ao invés de abordarem temas relevantes, aproveitaram o momento para fazer "campanha de conscientização" para políticas de ação afirmativa para negros e, basicamente, me perguntavam se eu sabia ler (pois bastava interpretar oq estava escrito e marcar o x no óbvio). Isso é alienação.

    Me senti usado, ridicularizado.

    Arrebentei na prova de história/geografia sem estudar nada o ano inteiro. E não se trata de inteligência pois não estudei nada para Física/Química/Biologia e meu desempenho foi péssimo nessas áreas. Oq faz todo o sentido.

    Voltando à redação... quando bati o olho no tema, lembrei de ter passado o olho nuns textos do IMB que abrangiam esse assunto. Argumentei sobre liberdade. Falei que a Conanda não poderia interferir em questões particulares da família.

    Pensei em colocar o hino do Vascão lá, mas não tinha espaço.

    Valeu IMB!

    Essa é a primeira vez que comento aqui. Gostaria de agradecer aos que dedicam o tempo para engrandecer este espaço. Tem sido de muita serventia para mim.
  • Torcedor do Macaé  12/11/2014 18:54
    Também fiz a prova do ENEM, prova que é rasa no conteúdo e profunda na ideologia.
    A prova de ciências humanas é basicamente interpretação e propaganda política.
    Na redação, defendi a continuidade das propagandas.O espaço era curto, mas consegui apresentar bons argumentos. Sempre leio os textos do IMB. hehe
    ps: queria ter colocado um vai morrer na série c pra carniça, mas o espaço da redação acabou.
  • Anderson  11/11/2014 18:31
    Um dos efeitos gerados pelas intervenções estatais, que eu sempre procuro apontar, é o da perda da responsabilidade dos indivíduos.

    Quando o Estado intervém nas vidas dos milhares de indivíduos, um dos objetivos é "fazer o que os cidadãos não podem/sabem fazer". As consequências podem ser devastadoras, já que o Leviatã interfere na ação humana, não deixa que indivíduos façam suas escolhas, com isso, o produto da não escolha pode ser aceito como algo positivo pelos próprios indivíduos, ou seja, os cidadãos possivelmente não irão querer escolher, agir, mas farão justamente o contrário, vão querer que o Estado resolva ou escolha para eles. Perdem a responsabilidade!

    Sociedade sem responsabilidade é um amontoado de indivíduos vivendo no caos.

    Quando existe uma nação de indivíduos responsáveis o que mais se vê é pessoas que sentem o peso dos atos realizados, sabem o que faz. Consequentemente, procuram proteger a si mesmos e aos seus próximos, pois reconhecem que o peso de tal atribuição não é de outro, somente deles mesmo. Quando sabem que a escolinha do bairro não está em boas condições, os indivíduos do local correm para mudar o quadro com intuito de torná-lo positivo, pois sabem que seus atos gerarão bons frutos e farão com que seus filhos sejam beneficiados, assim como em outras esferas da vida.

    Quando vejo o Estado (principalmente o governo) tomando conta do papel de pai dos filhos dos outros, o que vem em mente é o impacto negativo na autonomia dos pais, que podem dizer: "Não preciso fazer isso porque o governo já o fez". E futuramente dirão: "Maldito governo, não cumpriu com seu dever, agora meu filho se foi".
  • Bartolomeu Gaia  11/11/2014 18:47
    Quando olhamos para uma dimensão do problema, realmente a propaganda é mais um item em nosso crescer cultural. Porém quando observa-se que estas propagandas estão embutidas aspectos nutricionais danosos as crianças. Tais como: aumento da obesidade, aumento de produtos industrializados provocando cáries, diabetes, e outras doenças hoje tão presente ao mundo infantil. Devemos ignorar essa situação em detrimento dos aspectos crescer cultural e escolha induzida e culpar os pais, que normalmente trabalham o dia todo, por não estarem educando bem seus filhos. Deixando tudo com está e valendo-se da ética de cada propaganda. Ou atuar regulando este tipo de propaganda, tanto no ambiente governamental municipal, estadual e federal? Só para variar isso também é mais uma escolha conforme dizia nosso velho mestre Von Mises.
  • Ptolomeu  11/11/2014 20:14
    Prezado Bartolomeu, em vez de recorrer a subterfúgios, tenha ao menos a decência e a hombridade de ser direto, sincero e honesto.

    Apenas diga que é um fracassado incapaz de cuidar do próprio filho e que, por isso, quer terceirizar essa tarefa para Sarney, Dilma, Lula, Mercadante, Renan Calheiros e Marta Suplicy, que são pessoas comprovadamente decentes, honestas e genuinamente preocupadas com a boa criação dos nossos filhos.

    O senhor não tem vergonha na cara?
  • Prometeu  11/11/2014 20:48
    Prezado Bartomoleu, você está se esquecendo de duas coisas. A primeira, já assinalada expressamente pelo Ptomoleu, é que são os pais que devem educar seus filhos, jamais devendo essa nobre tarefa ser delegada ao estado. A segunda (que ele indicou tacitamente) é que o estado não passa de uma gangue de criminosos que vive de espoliar a população de um determinado território, logo, o estado não tem legitimidade para regular porcaria nenhuma, inclusive aquilo o que seus filhos devem ou não ver.

    Para finalizar, o velho Mises ficaria chocado ao ler seu comentário. Se ele era contra a interferência do estado na questão das drogas, você pode bem imaginar qual seria a opinião dele sobre a regulação da publicidade infantil.
  • Eduardo  11/11/2014 21:19
    Eu posso até compreender o argumento contra a publicidade infantil, porém, não concordo.
    Mas isso é uma discussão inútil, por acaso acreditas mesmo que a propaganda é o grande causador da obesidade infantil, por exemplo? Óbvio que não, e sua simples proibição não muda nada, apenas gera a sensação de falsa segurança de que agora as crianças estão livres de todos os perigos do universo porque não existem mais propagandas do Max Steel na TV.

    Pais sedentários e obesos tendem a criar suas crianças da mesma maneira, com propaganda ou não, se quiser solucionar o problema da obesidade infantil, deveria focar em soluções reais e não em espantalhos como a propaganda. E uma observação, as propagandas infantis para alimentos saudáveis como maças e cenouras também foram proibidas, algo que simplesmente não consigo compreender.

  • amauri  12/11/2014 09:55
    Bom dia!
    Acabo de ouvir na CBN que a causa do atual aumento inflacionário eh a baixa oferta. Voces concordam ou nao
    grato
  • Juliana  12/11/2014 11:30
    Concordo imensa e veementemente com quase tudo que o autor escreveu. Excetuando-se apenas a parte em que ele diz, "Sim, ninguém adora propaganda; é sempre aquele tempo chato entre os blocos do programa, mas ela ainda assim tem seu atrativo". Tenho verdadeira paixão pela publicidade, e admiro muito as pessoas que trabalham nela. Por exemplo, vejam só se essa campanha da DisneyXD - que está linkada no artigo -, até para adultos, não é fixante e divertida. E se a outra da Bom Brill não vale a pena ser vista e revista inúmeras vezes (e daí para se perder em outras é só um clique). Lógico que nem todas são geniais ou têm esse propósito. Mas inclusive o próprio autor fez questão de mostrar o seu bom relacionamento com a publicidade, e reconheceu o grande valor dessa atividade.

    E justamente isso deixou uma outra coisa nas entrelinhas. A indiferença com a publicidade por parte dos pais, também é um fator que tem muito peso nesse desejo de proibição. Ninguém mais está muito aberto aos fascínios da publicidade e a desejar as maravilhas que ela oferece, e que não fazem parte do cotidiano, porque essa é uma forma de não se expor tanto a um leque de experiências que podem ser desgastantes. Consequentemente perde-se a capacidade de compreender e de traçar paralelos, assim como a de ter e servir com exemplos. Então, proibir ou coibir ao máximo a publicidade infantil é um caminho rápido e fácil para levar a criança à essa mesma condição de indiferença, onde ela não tem que lidar com tantos (e os próprios) desejos, frustrações e escolhas. Quando na verdade, justamente por essa exposição, é muito importante sempre procurar manter uma relação saudável com a publicidade.

    Prezado Joel, parabéns tanto pela objetividade e lucidez do artigo quanto pela coragem e clareza do título, que desperta a vontade de sair gritando aos quatro ventos para ver se as pessoas entendem.

    Grande abraço
  • Renzo  12/11/2014 23:21
    Também gosto muito de propagandas, mas na TV fechada elas são muito repetitivas, e em sua maioria sobre os próprios programas do canal, e isso, na minha opinião, é muito irritante. Já deixei de ver muitos programas por causa das "propagandas" intermináveis, principalmente no History. Acredito que isso se deve ao fato de que nos EUA os canais são abertos, e por isso aqui no Brasil os responsáveis precisam preencher o tempo que seria para a publicidade. Claro que a TV precisa da propaganda, mas, como exemplo, no Discovery Kids há publicidade no meio do desenho da Pepa, que é um desenho que não dura nem 5 minutos, ou seja, o tempo de propaganda é maior que o do programa.
  • Juliana  13/11/2014 11:30
    Muito bem observado, prezado Renzo. Realmente há esses poréns que você citou. Não é de se admirar que os comerciais sejam considerados apenas um período maçante que divide a programação, e que todo mundo queira mudar de canal ou sair da sala nesses momentos, devendo fazer isso mesmo. Mas como todo relacionamento, depende de cada um avaliar o que é melhor para si e fazer sua escolha.

    Um abraço
  • Felipe R  12/11/2014 11:54
    O marketing é uma área do mundo dos negócios que é preciso muito estudo por parte do consumidor. Schopenhauer nos ensinou os estratagemas para nunca perder um debate (e aprender quando outras usam sofismas e falácias contra nós, de forma que possamos nos defender). De forma análoga, em meados do século XX, várias pesquisas surgiram sobre como funciona o subconsciente das pessoas (inclusive crianças), e começaram a aplicar esses conhecimentos, no caso do mercado, utilizando as famosas mensagens subliminares, potencializadas por sons, imagens e emoções.

    Estamos sendo bombardeados por subliminares hoje em dia. E quem não souber identificá-las, ficará refém dos desejos estimulados artificialmente em nossas mentes.

    Não estou dizendo que deva existir regulação. Mas faço o apelo para que as pessoas instruam a si próprias e às pessoas queridas para que sejam soberanas em relação ao desejo de consumir.
  • Zara  12/11/2014 15:15
    A gênese da propaganda vem da Igreja Católica. O assunto é interessante e denso, requer tempo para explicar a Historia. O que quero lhe dizer, como se trata aqui de propaganda infantil, o poder de explicação e critério daquilo que pode ou não, vem da autoridade dos pais. Afinal, é deles a responsabilidade da orientação que resultaria num adulto consciente das armadilhas marqueteiras. A ação de desmanchar os caminhos psíquicos que a propaganda subliminarmente conduz, vem justamente da sabedoria dos responsáveis. Na maioria das vezes, repito; os pais. Não através da mão pesada do Estado. Assim no futuro teríamos pessoas menos míopes em relação ao consumo. O brasileiro medíocre compra cerveja porque acha que com ela aproximam-se mulheres bonitas, assim como viu no comercial. O carro zero serve na propaganda não como simples meio de transporte, mas sim para despertar a inveja nos outros. O sujeito que consume apegado a tais crenças, certamente no passado foi mal orientado dentro do lar. E mesmo sem orientação correta, nada o impede de tirar por si mesmo a venda dos olhos. Isso requer leitura com muita força de vontade em temas importantes da vida. Para tal individuo o melhor candidato é o mais carismático, não o melhor preparado. Os marqueteiros apenas despertam a deficiência psicológica que reside no mal consumidor.
  • Silvio  12/11/2014 15:52
    Não sei se alguém já te avisou, mas esse negócio de mensagem subliminar influenciando o comportamento das pessoas é uma grande fraude. E isso já era sabido nos anos 60. Interessante mesmo é que depois de tantos anos há ainda gente que acredita nisso.
  • Zara  12/11/2014 17:16
    Não sei se entendeu errado, mas a mensagem subliminar que motivou minha resposta ao Felipe é a ''persuasão''. Certamente não me refiro as besteiras que dizem existir em desenhos da Disney ou em peças de outros gêneros. Convencimento por modos persuasivos alienantes, entendo não ser a melhor maneira de conquistar a empatia de alguém. Embora a quem goste e se convença com peças publicitarias chulas. O sarrafo pra pular de quem é mais exigente está mais alto.
  • Silvio  13/11/2014 01:02
    Não sei se você percebeu, mas a minha resposta era para o Felipe. Não estava discordando do seu comentário.

    Só queria deixar claro que a propaganda subliminar não cria o desejo em ninguém para comprar o quer que seja. Essa história é uma fraude e já foi desmascarada há décadas. Mas, sabe como é, quando as mentiras são repetidas mil vezes acabam se tornando verdade, como já dizia um dos maiores propagandistas que o mundo já viu (um grande canalha, como todo socialista, mas também um grande propagandista, como todo socialista).

    Há uma concepção muito errada de que a propaganda subliminar é uma espécie de hipnose. Muitos acreditam que se eu estiver distraído vendo o SBT e de repente aparecer flashes com propaganda da Jequiti, meu subconsciente será estimulado e fará com que seja criada uma compulsão para que eu compre aquelas porcarias. Nada mais errado e absurdo.

    Sobre o seu comentário em si, corrija-me se eu estiver errado, tenho para mim que ele pode causar confusão entre reflexo condicionado e propaganda subliminar. Reflexo condicionado existe mesmo (Pavlov que o diga) e a publicidade usa e abusa desse recurso (as propagandas de cerveja, como você já assinalou, são o exemplo mais escroto disso). A propaganda subliminar, por sua vez, embora também chegue a ser usada, não passa de bullshit. A propaganda subliminar está para a propaganda assim como a medicina homeopática está para a medicina. Ou a propaganda subliminar não é percebida e é inócua ou é percebida e não é mais subliminar.
  • Zara  13/11/2014 16:53
    Leia nessa matéria um exemplo de como o consumidor incauto é enganado usando método de propaganda persuasiva:

    www1.folha.uol.com.br/colunas/carodinheiro/2014/11/1546886-o-perigo-do-frete-gratis.shtml
  • anônimo  25/11/2014 02:05
    Li a matéria e não entendi, de verdade. É obvio e qualquer pessoa com experiência no mundo real, acredito que mesmo crianças, saibam que frete grátis para determinado valor significa exatamente isso, se você comprar mais coisas 'ganha' o mimo.
    Agora não entendo dai tirar a conclusão de que as pessoas gastarão mais em algo totalmente descartável. Primeiro porque sempre será uma avaliação subjetiva este 'gastar mais', e aposto que ninguém compra algo para logo que chega jogar no lixo só pra ter o tal 'frete grátis'. Mesmo se assim o fizesse, não existe como determinar uma valoração subjetiva.
    Um sujeito pode justamente querer comprar algo para imediatamente jogar fora e isso ter um valor subjetivo ora. Me lembra alguns vídeos de celulares no youtube em que a pessoa o compra pra testar a resistência em vídeo. Logo de cara ao retirar da caixa ele martela o celular até quebrar o vidro.
    Não se pode dizer que ele foi enganado pela propaganda, era justamente o objetivo do sujeito.
    Posso achar que ele fez uma má escolha apenas pelos meus olhos, não tenho como saber tudo que se passa na mente de outra pessoa.
  • Felipe R  13/11/2014 09:43
    Olá Silvio,

    Você fez a afirmação, e agora está com o ônus da prova (de que subliminar é fraude). Mas desde já, faço três comemtários:

    1 - você diz que foi desmistificado na década de 60; pelo material que li, foi justamente na década de 70 que as pesquisas se intensificaram, graças ao desenvolvimento de aparelhos de ressonância magmérica em que foi possível mapear a reação cerebral face a diferentes estímulos.

    2 - Se é fraude, os cursos de marketing de excelência precisam urgentemente serem revistos.

    3 - Sua resposta à Zara é contraditória com a resposta a mim, pois você nega a existência de subliminares, e logo em seguida menciona o reflexo condicionado, que é uma das técnicas subliminares (a qual envolve imagem, sons e emoções). Afinal, o significado de subliminar é justamente estimular a pessoa de forma que ela não tenha consciência. (Tudo isso está dentro do behaviorismo)

    Aliás, é tão difícil perceber que até a composição da paleta de cores à nossa frente, por exemplo, provoca diferentes estímulos em nós, quando alteradas? E que, quando selecionadas de forma consciente pelo propagandista, ele quer nos estimular com um objetivo específico?
  • Felipe R  13/11/2014 11:39
    Corrigindo em "1": ressonância magnética
  • Silvio  13/11/2014 17:19
    Uai, o próprio inventor da coisa toda, James Vicary, confessou que isso é fraude. Se a pessoa que surgiu com essa história admitiu que isso é uma palhaçada, tendo ele mesmo confessado que forjou os resultados de sua própria pesquisa para demonstrar algo que sabia não ser verdade, que me resta provar?

    Todavia, relendo meu comentário, dou-lhe certa razão. Não fui lá muito claro na apresentação das minhas idéias. Por isso, permita-se dizer novamente o que já disse de uma forma melhor:

    a) propaganda subliminar é uma besteira. A propaganda não tem o poder de criar na pessoa o desejo de adquirir o que quer que seja. A propaganda subliminar não vai te dar sede se você não tem sede. A propaganda subliminar não vai criar em você a compulsão para comprar um iPhone mesmo que você não quisesse um iPhone. Se a pessoa sofre de compulsão pelo consumo (o tal do consumismo), isso se dá por um problema psicológico da própria pessoa, não porque ela foi como que hipnotizada por uma propaganda subliminar.

    b) não se deve confundir propaganda subliminar com o reflexo condicionado. A idéia da propaganda subliminar é que o desejo pelo consumo pode ser criado no indivíduo sem que ele faça qualquer idéia disso. Se isso de fato existisse, é claro que deveria ser coibido (pelo estado? Não!), pois a pessoa nem teria como se defender disso. Por outro lado, o reflexo condicionado se dá com a consciência do sujeito. O cachorro ouve a sineta assim como nós vemos as loiras peitudas e sorridentes na propaganda de cerveja. Só que, ao contrário do cachorro, temos a capacidade de somar dois mais dois e ver que isso é um truque, assim como sabemos que a "mágica" de um ilusionista também não passa de um simples truque.

    c) eu não nego os truques que a publicidade usa para tornar os produtos anunciados mais atraentes. O que eu quero apontar é que os publicitários não produzem hipnoses coletivas. Até mesmo essa propaganda não foi capaz disso: www.youtube.com/watch?v=sBWu7ibZDVg. O público, ao contrário do que pregam por aí, não é uma vítima inerme das malvadas agências de publicidade, as quais agem em conluio com os odiosos capitalistas. Acreditar nisso (que é o atual senso comum) é estupidez pura e simples.


    2 - Se é fraude, os cursos de marketing de excelência precisam urgentemente serem revistos.
    Olha, não é má idéia! Aliás, nem sei porque essas porcarias existem. No entanto, isso é minha opinião e jamais defenderei que eles sejam fechados à força.
  • anônimo  15/11/2014 17:47
    'O público, ao contrário do que pregam por aí, não é uma vítima inerme das malvadas agências de publicidade'
    Não que isso justifique a proibição, mas o público minimamente inteligente não é; o brasileiro típico, ignorante, analfabeto, com 65 de QI, esse acredita em qualquer porcaria sim.
  • Silvio  19/11/2014 13:39
    Ora, meu caro. A inteligência é como um músculo. Se não há estímulo, ela não se desenvolve. E, mesmo desenvolvida, sem estímulo ela apenas pode atrofiar.

    O Brasil é mais maluco que Wonderland. Aqui, praticamente a totalidade das pessoas (mesmo se considerarmos somente aquela camada das pessoas ditas "intelectuais") considera a atividade de pensar um pecado mortal. Uma verdadeira heresia. O melhor mesmo é deixar as preocupações de lado e confiar cegamente no governo, que sempre sabe o que faz...

    Num país cheio de gente assim não é de se surpreender que o povo não passe de massa de manobra e que o QI médio seja igual ao QI de um jerimum.
  • Felipe R  24/11/2014 13:08
    Silvio,

    Creio haver algumas confusões. O James Vicary, por exemplo, não foi inventor das "mensagens subliminares". Ele era um dos pesquisadores pioneiros, mas não o único. E o que se mostrou uma fraude foram os resultados dos estudos realizados por ele, e não a teoria como um todo.Por exemplo: durante um filme, exibir mensagens sugestivas (consuma produto X) por alguns milissegundos entre as imagens era uma tentativa, que mostrou-se rudimentar e pouco efetiva.

    Os avanços vieram, repito, a partir da década de 60, em especial na década de 70, quando começaram a mapear atividade cerebral em reação a estímulos sonoros e de imagens (e não frases). Ainda não sei qual é a dificuldade em entender que estar num ambiente azulado provoca uma sensação de apetite diferente de estar num ambiente de cor avermelhada, por exemplo. Talvez, o que eu estou chamando de subliminar, você defina com outro termo, mas o fato é que nossas ações, quando estamos desatentos, são direcionáveis.

    E, por fim, ninguém, além de você, está julgando as agências de marketing, rotulando-as de malvadas. E muito menos estamos falando de capitalismo (que está longe de ser odioso). Meu alerta foi convergente aos ideais libertarianos: sejam soberanos em relação aos desejos. Técnicas diversas são utilizadas em nós para que consumamos determinados produtos. É óbvio, quem quiser se deixar levar, está livre para isso.

    Abraço
  • Silvio  25/11/2014 00:08
    Pelo que estou vendo, não há grande discordância entre nós. Parece mais que estamos dizendo as mesmas coisas com palavras diferentes e não estamos sendo capazes de nos fazer entender. Por isso, vamos lá de novo.

    Embora reconheça truques para tornar os produtos mais agradáveis aos olhos do potencial consumidor (e há aos milhares), tudo o quero apontar é que, por mais que se empreguem esses subterfúgios, a vontade da pessoa nunca é suprimida. E até hoje não há provas de que se tenha bolado uma publicidade com o incrível poder de retirar o poder de autodeterminação da pessoa.

    Se houvesse algo assim, por ser uma covarde invasão na propriedade da pessoa sobre si mesma, certamente que tal porcaria deveria ser rechaçada de todos os modos (menos os estatais). E é aí que está havendo o conflito entre nós, pois estou considerando a propaganda subliminar algo mais restrito, apenas aquela capaz de criar o desejo de consumo por um produto mesmo que o consumidor não o deseje.

    Esses métodos subliminares que você citou não seriam o que entendo por propaganda subliminar, até porque eles são sensíveis pela pessoa. Quando você entra numa casa de tolerância, percebe que o ambiente foi preparado para tirar sua inibição e estimular seu desejo, sendo isso feito através de luzes fracas e preferencialmente vermelhas (eu só ouvi dizer, sou um cidadão respeitável que jamais freqüentaria um ambiente desses). E, desse modo, por serem elementos sensíveis, o indivíduo minimamente racional pode muito bem perceber que tudo não passa de um truque, de um jogo de cena, tendo toda a condição de não se deixar influenciar se assim o quiser (sim, pois essa estimulação 'subliminar' pode ser exatamente aquilo que o consumidor deseja para ajudar a ficar relaxado e apreciar melhor o produto).

  • Emerson Luis, um Psicologo  15/11/2014 13:04

    "Proponho o caminho inverso: relaxe, cuide dos seus filhos com moderação e amor, deixe-os verem propaganda, saiba dizer não, e aproveite. Se outro pai quiser criar a bolha para segregar seus filhos do mundo real, que crie; só não a imponha ao universo inteiro."

    O problema é que temos cada vez menos opção: as leis microgerenciam como devemos levar nossas vidas e determinam o que deveria ser nossa responsabilidade individual decidir.

    A agenda politicamente correta é imposta não apenas aos que querem ser controlados, mas a todos.

    * * *
  • Marcos  24/11/2014 22:43
    Uma coisa é certa: comerciais como esse jamais seriam exibidos na TV atual, em que impera apenas o politicamente correto.

  • anônimo  25/11/2014 02:45
    É exibido coisa até pior na TV atual...

    Não sou contra a publicidade infantil. Algumas são até educativas como a campanha Bom de Bola Parati que incentiva a criançada a praticar esporte. Mas tudo tem que ter bom senso. Propaganda que estimulam o consumismo e adultizaçaõ das crianças, tem que ser proibida sim....
  • Magnum  25/11/2014 13:32
    É? E quem você pensa que é para achar que pode determinar o que as pessoas podem ou não ver na TV? Qual a sua autoridade moral para se arvorar tamanho totalitarismo?
  • Renzo  25/11/2014 17:29
    "E quem você pensa que é para achar que pode determinar o que as pessoas podem ou não ver na TV? Qual a sua autoridade moral para se arvorar tamanho totalitarismo?"
    Não acho que o Estado tenha competência para ficar regulando a vida privada. Mas, apenas especulando: se o Estado não tem competência, porque quem trabalha com propaganda pode decidir o que as pessoas podem ou não ver na TV? Porque eles tem esse "privilégio"?
    Como a sociedade poderia determinar o que pode passar ou não na TV? A minha dúvida é a seguinte: se um publicitário quiser usar imagens consideradas como impróprias para menores de 18 anos numa propaganda na TV durante o dia deveria ser então permitido, tendo em vista que não há como o Estado (ou qualquer outro órgão regulador) determinar o que cada um dos telespectadores pode ou não ver na TV?
  • Eduardo  25/11/2014 18:49
    Como o consumidor decide que propaganda entra ou não? Isso é uma piada?
    A propaganda é feita única e exclusivamente para o consumidor, se o consumidor não gostou da propaganda, ela falhou, ela é dinheiro sendo jogador fora, prejuízo.

    porque quem trabalha com propaganda pode decidir o que as pessoas podem ou não ver na TV
    O que te faz pensar que eles decidem algo? Se um publicitário faz uma propaganda pesada que o consumidor não gosta, o consumidor vai reagir negativamente, não vai comprar, vai dizer para os outros não comprarem, a imagem da empresa está manchada.

    As propagandas de antigamente eram "mais fortes", como a do vídeo, mas a TV como um todo era. O politicamente correto não predominava, havia piadas que hoje seriam consideradas racistas. O Mussum dizendo "quero morrer preto (ou pretis, no caso) se isso acontecer na época arrancava risos, hoje geraria revolta.

    se um publicitário quiser usar imagens consideradas como impróprias para menores de 18 anos numa propaganda na TV durante o dia deveria ser então permitido
    E qual a chance de isso ser bem recebido? Exatamente.
    Se a população é contra essas propagandas que "adultizam" a criança e fazem tanto mal, mesmo que gerações passadas estejam aí, firmes, fortes e sãs, então o publicitário irá se adaptar ao gosto do seu público. Dizer que o publicitário pode mostrar o que quiser é uma ideia insensata.
  • Renzo  26/11/2014 00:56
    Eduardo, acho que vc não entendeu meu questionamento, não estou fazendo piadas ou propondo regulamentações, trato esse site com seriedade. Só queria entender como é que a sociedade pode decidir o que é certo e o que é errado (se é que isso é possível) em relação às propagandas.
    É claro que alguém decide qual propaganda será colocada no ar, seja o cliente ou o publicitário, e não há como saber se dará certo ou não antes do consumidor assistir. Ou seja, toda propaganda deveria ser veiculada independentemente do conteúdo? Como é que o consumidor que não deseja ver determinada propaganda deveria se portar? Seria certo então continuar com as propagandas de cigarro mesmo sabendo que quanto maior o consumo mais pessoas são prejudicadas, mesmo as que não fumam? O problema é que não é possível para o consumidor prever qual é a nova propaganda que irá ao ar, ou seja, ele sempre vai ser pego de surpresa, e nunca terá opção de escolha, pois alguém já escolheu por ele antes ao colocar a propaganda no ar. A única solução é simplesmente não ter televisão?

    "Dizer que o publicitário pode mostrar o que quiser é uma ideia insensata."
    Mas o publicitário nunca vai tentar inovar?
  • Ferrari  26/11/2014 01:14
    "Como é que o consumidor que não deseja ver determinada propaganda deveria se portar?"

    Utilizando o controle remoto para mudar de canal. (Leia o manual ou peça ajuda ao vizinho caso tenha dificuldades em operar o dispositivo).

    "Seria certo então continuar com as propagandas de cigarro mesmo sabendo que quanto maior o consumo mais pessoas são prejudicadas, mesmo as que não fumam?"

    Sim. Quem decide fumar só porque viu uma propaganda é um derrotado que merece se estrepar na vida. Sobre o "fumo passivo", essa tolice já foi refutada há muito tempo. Serve apenas para apavorar ignorantes. De resto, eu adorava as propagandas de cigarro. Eram um primor de montagem e de música.

    Qual parte sobre 'liberdade' e 'responsabilidade individual' você ainda não entendeu?
  • Renzo  26/11/2014 23:04
    "Sobre o "fumo passivo", essa tolice já foi refutada há muito tempo. Serve apenas para apavorar ignorantes."
    Não me importa se há ou não danos à saúde, pois a fumaça do cigarro me incomoda, portanto tenho o direito de querer respirar essa porcaria ou não.
  • Rannieri  26/11/2014 23:12
    Ainda não entendeu o básico sobre propriedade privada.

    Se eu sou o dono de um restaurante, eu determino se meus clientes podem ou não fumar. Se eu determinar que podem fumar, você tem toda a liberdade de não entrar no meu restaurante e ir para outros restaurantes que proíbem o fumo.

    É tão complicado assim entender esse principio básico da liberdade?

    Na minha propriedade mando eu. E você não é obrigado a entrar nela.

    Fui claro o suficiente?
  • Renzo  27/11/2014 03:15
    Rannieri,
    Concordo com o exemplo do restaurante, o Eduardo já tinha deixado claro isso, mas existem fumantes em locais públicos também. A minha dúvida é a seguinte: como é que se pode estabelecer o direito de quem se utiliza de determinados produtos que geram consequência diversas para pessoas que não estão interessadas nessas consequências? Exemplos: a fumaça do cigarro, o barulho dos foguetes e das buzinas em dias de jogos, os motoristas com som alto, etc.
  • Rannieri  27/11/2014 10:38
    Bom, se você já entendeu a parte da propriedade privada, ótimo. Já entendeu tudo então. Entendeu, inclusive, que quando a propriedade é pública o resultado é zona e desrespeito. É o caso dos foguetórios, dos buzinaços e dos motoristas caipiras com som alto, coisas que só ocorrem em propriedades públicas. Vá perguntar se um condomínio privado permite esse tipo de coisa.
  • Renzo  27/11/2014 17:40
    Rannieri, então quer dizer que quando o local é público ou se a consequência ultrapassa a propriedade privada não há solução? A pessoa pode fazer o que quiser ou nesse caso deve existir a possibilidade de intervenção do Estado na vida privada?
    Apesar de concordar com todas as questões econômicas propostas nos artigos colocados nesse site, de ver que não adianta nada ter saúde e educação públicas, etc, em determinadas coisas ainda não consigo ver como seria possível não haver regulamentação estatal. A não ser que a única alternativa seja que com o tempo a sociedade evolua e haja mudança de comportamento.
  • Rannieri  27/11/2014 18:12
    Você acabou de perceber a encrenca. Quando a propriedade é pública, tem-se essa zona. Ninguém é dono de nada, ninguém pode proibir nada.

    Eu, por exemplo, defendo a proibição do uso de foguetes. Não a venda, mas o uso. Já o estado, por sua vez, permite totalmente e quem sofre são meus tímpanos.

    De um restaurante que permite fumantes eu posso fugir e me preservar. Mas como eu faço quando meus vizinhos -- e a rua é estatal -- saem estourando foguetes?
  • Renzo  27/11/2014 18:48
    "Eu, por exemplo, defendo a proibição do uso de foguetes. Não a venda, mas o uso. Já o estado, por sua vez, permite totalmente e quem sofre são meus tímpanos."
    Eu sou a favor da proibição da fabricação e venda de foguetes (fogos de artifício ao menos são bonitos), pois não há utilidade, e se as pessoas puderem comprar vão usar.

    "De um restaurante que permite fumantes eu posso fugir e me preservar. Mas como eu faço quando meus vizinhos -- e a rua é estatal -- saem estourando foguetes?"
    Só com educação e desuso ou regulamentação estatal, não vejo outra saída, será que alguém vê? E quando os vizinhos estouram os foguetes dentro da sua propriedade ou escutam música no último volume e o som chega em outra propriedade? O mau uso de produtos acaba dando força para o Estado proibir cada vez mais.
    Tenho um vizinho do outro lado da rua que quando escuta música na área da piscina as minhas janelas batem e as paredes vibram. Um vizinho do prédio reclamou, chamou a polícia, e no outro dia os dono do som e seus amigos ameaçaram dar uma surra.
  • anônimo  27/11/2014 21:03
    É tudo uma questão de prioridades, nesse ponto a maioria aqui prioriza a liberdade, mas se você prioriza mais por exemplo não sentir o cheiro de cigarro em nenhum local vai ser a favor da proibição - alias semana que vêm entra em vigor no país a mesma regra anti-fumo que já vigora em SP, então vou usar esse exemplo.

    Olha eu não gosto do cheiro de cigarro e de conviver com fumantes, certamente essa lei e a imposição estatal através da força e/ou ameaça de força me traria 'benefício' considerando essa preferência pessoal. Se na minha lista de prioridades pessoais, não conviver com fumantes estiver acima de não aceitar que terceiros agredam inocentes, por coerência serei a favor dessa lei. Posso odiar cigarro, mas em minha lista de prioridades essa passa longe de ser a mais importante, e sou contrário a ela mesmo que concorde com os efeitos de passar a conviver com menos fumantes que antes.

    É um tanto complicado explicar isso para grande parte das pessoas, pois o mais comum é que se tenha uma visão binária de tudo, mas com infinitas variáveis o mundo obedece mais a uma visão difusa. Me parece que você está um pouco nessa visão binária.
    Ao manifestar opinião contrária ao cigarro muitos me julgam do lado defensor desta lei, ao me posicionar contrário a lei muitos me julgam pró-cigarro, e quando um mesmo indivíduo escuta esses meus 2 posicionamentos, num primeiro momento me julga incoerente e/ou fica confuso. Expressar uma opinião e ser de fato entendido não é uma tarefa tão fácil quanto parece.
  • Renzo  01/12/2014 00:56
    Anônimo, se as pessoas querem ter liberdade precisam ter responsabilidade. A falta de senso nas atitudes das pessoas apenas favorece o Estado em sua iniciativa de a cada dia proibir mais.
    Pelo que entendi do seu posicionamento, ao se permitir o fumo se garante a liberdade de escolha dos fumantes, mas veja que também há um cerceamento da liberdade de escolha dos não-fumantes, que serão obrigados a respirar a fumaça. Essa é a grande questão: o direito de um indivíduo acaba quando se depara com o direito de outro indivíduo. Se houvesse um dispositivo que capturasse a fumaça do cigarro todas as leis anti-fumo poderiam ser revogadas. Se ninguém dirigisse de forma imprudente não seria necessário ter multas ou regras de trânsito.
  • Felipe  01/12/2014 13:02
    "se as pessoas querem ter liberdade precisam ter responsabilidade."

    Pelo amor de deus, agora você concede a liberdade.
    Quer dizer que por você ACHAR que alguns individuos não tomam a melhor atitude que VOCÊ acharia a melhor, então um burocrata tem o direito de intervir nas nossas ações.
  • Renzo  01/12/2014 17:54
    Felipe,
    Não foi isso que escrevi. Não me importa o que determinados indivíduos escolhem para sua vida, mas a partir do momento em que um indivíduo exerce sua liberdade esse exercício não pode interferir na vida de outras pessoas. Exatamente do mesmo jeito que um burocrata não tem direito de interferir nas nossas ações.
    Bom, isso é o que penso. Na minha opinião, se as pessoas não tiverem responsabilidade e consciência de seus atos (aqueles atos que tenham consequência sobre outras pessoas), viveremos no caos, pois cada um vai supor que pode fazer o que quiser, no momento que quiser. Será que é tão difícil entender que liberdade tem limites, responsabilidades?
  • anônimo  01/12/2014 14:06
    Mas aí que está, essa lei apesar de parecer não acaba com a escolha do fumante/não fumante.
    O que ela faz é relativizar a propriedade do dono do estabelecimento, visto que o fumante ou não fumante não foram prejudicados ou tiveram sua liberdade diminuída, quem a teve foi o dono do estabelecimento, esse sim deveria ter o direito de não aceitar ou aceitar fumantes visto que o espaço físico é referente a sua propriedade.
    Não haveria problema se o estado decidisse apenas em cima de sua propriedade (apesar de haver controversa entre a legalidade da propriedade do estado). Por exemplo poderia criar uma lei para que não se pudesse fumar em órgãos estatais, dentro do DETRAN por exemplo, mas ao extrapolar isso pra propriedade que não é do estado, como um estabelecimento comercial comprado e administrado privadamente, a liberdade que se está atacando é a deste dono ditar suas regras no seu próprio local, a menos que você já admita que o estado é o seu dono e você não tem propriedade nenhuma.
    O caso da propaganda é similar, não está sendo lesado diretamente o consumidor que quer/consumidor que não quer a propaganda, e sim o dono do meio que veicula a propaganda, este sim que tinha o direito de aceitar ou não determinada propaganda agora tem seu direito limitado. Agora não pode mais aceitar veiculação de propaganda voltada à crianças.
  • Renzo  01/12/2014 18:17
    Anônimo, entendi suas colocações, o problema é que tenho a péssima experiência de sempre ter fugir da fumaça do cigarro, seja no restaurante ou mesmo na rua.
  • Eduardo  26/11/2014 02:07
    Só queria entender como é que a sociedade pode decidir o que é certo e o que é errado (se é que isso é possível) em relação às propagandas.

    Decidimos isso o tempo todo, todo publicitário precisa conhecer seu público-alvo na hora de montar sua propaganda. Hoje em dia, em épocas de redes sociais, uma empresa pode receber rios de reclamações em suas páginas e críticas á suas propagandas podem correr a internet inteira como forma de indignação á uma propaganda com teor ofensivo á certo grupo de pessoas.

    É claro que alguém decide qual propaganda será colocada no ar, seja o cliente ou o publicitário, e não há como saber se dará certo ou não antes do consumidor assistir.

    Calma aí, existem certas coisas que é óbvio que o público iria reagir mal, a empresa não quer gastar uma grana pesada numa propaganda que tem teor ofensivo porque isso seria suicídio. Os publicitários tem enorme interesse em não ofender o público, isso é óbvio e claro como um cristal.

    Você parte da ideia de que uma empresa não possui ideia do que o público quer, isso não é verdade, existem estudos e pesquisas para isso, além do senso comum. Porque uma empresa veicularia uma propaganda com sexo explícito por exemplo? Qual a chance dessa propaganda não funcionar? Não precisa ser um gênio da propaganda para saber que é uma má ideia.

    Ou seja, toda propaganda deveria ser veiculada independentemente do conteúdo?[\i]
    Sim.

    [i]Como é que o consumidor que não deseja ver determinada propaganda deveria se portar?

    Primeiro, trocar de canal. Depois, denunciar, reclamar com a empresa, achar pessoas que compartilham do fato de que a propaganda é imprópria (porque se ela é realmente imprópria, muitas pessoas devem não gostar dela) e virar para empresa e dizer "sua propaganda nos ofende", compartilhar no Facebook e no Twitter "nossa, essa empresa X é ridícula".

    O público em geral não é uma massa estática e acéfala, incapaz de reagir á propagandas.
    O consumidor tem muito mais poder sob a empresa do que você pode imaginar.

    Seria certo então continuar com as propagandas de cigarro mesmo sabendo que quanto maior o consumo mais pessoas são prejudicadas, mesmo as que não fumam?
    Sim.
    Propagandas de cigarro já são proibidas, não vejo redução no consumo.
    Se as pessoas se incomodam com o cigarro, digam isso ao fumante, ou ao estabelecimento que ali estiverem. Se estiver num restaurante com fumantes, reclame "olha, não como aqui porque tem fumantes e isso me incomoda", o dono do restaurante ou assiste a clientela sumir e conviver com fumantes ou toma uma atitude, dividir a área entre fumantes/não fumantes por exemplo.

    O problema é que não é possível para o consumidor prever qual é a nova propaganda que irá ao ar, ou seja, ele sempre vai ser pego de surpresa, e nunca terá opção de escolha, pois alguém já escolheu por ele antes ao colocar a propaganda no ar. A única solução é simplesmente não ter televisão?
    Sim, não podemos prever porque não somos videntes, mas temos a opção maravilhosa que é trocar de canal. Dizer que "alguém escolhe o que devemos ver" é exagerado e incorreto. Um publicitário escolhe o que vamos ver na propaganda tanto quanto Silvio Santos escolhe que iremos ver o programa dele domingo á noite. Não somos obrigados.

    "Dizer que o publicitário pode mostrar o que quiser é uma ideia insensata."
    Mas o publicitário nunca vai tentar inovar?


    O que quero dizer é que, por exemplo, mostrar sexo explícito numa propaganda seria inovador? Tortura? Pessoas sendo mortas? Passar uma mensagem racista, homofóbica, seria algo novo? Bom, não lembro de alguém fez isso antes. E porque não fazem? Porque é pedir para empresa ter prejuízos monstruosos e talvez sair totalmente do mercado. Dizer que os publicitários possuem limites dados pelos consumidores não significa que eles não podem fazer algo novo.

    Os publicitários não se guiam somente pelas suas ideias do que colocar na propaganda, mas também se preocupa muito em como o público vai reagir, porque o maior objetivo dele é te convencer que o produto em questão é bom.

    Mostrar móveis falantes interpretados por diversos famosos parece uma ideia maluca, mas foi ótimo para a Bom Negócio. A Head & Shoulders usou o Joel Santana para fazer propaganda de shampoo, e deu certo. São inovações, mas que não ofendem ninguém.

    Pode existir uma propaganda que ofende muitas pessoas? Sim. Empresas e publicitários erram, ou o público pode interpretar a propaganda de um jeito inesperado. Mas entenda que, além da empresa ter total interesse de sumir com a propaganda para evitar que o estrago fique maior, o incidente pode ficar marcado na cabeça dos consumidores, que podem nunca mais comprar algo da empresa por causa disso, numa espécie de punição á empresa, que tem prejuízo e perde mercado.
  • Renzo  26/11/2014 22:53
    Eduardo, obrigado pelas explicações sobre a propaganda.

    "Propagandas de cigarro já são proibidas, não vejo redução no consumo."
    Sem especular quais foram os motivos, houve sim redução do consumo de cigarro no Brasil nas últimas décadas, basta procurar no google.

    "Se as pessoas se incomodam com o cigarro, digam isso ao fumante, ou ao estabelecimento que ali estiverem. Se estiver num restaurante com fumantes, reclame "olha, não como aqui porque tem fumantes e isso me incomoda", o dono do restaurante ou assiste a clientela sumir e conviver com fumantes ou toma uma atitude, dividir a área entre fumantes/não fumantes por exemplo."
    Reclamar com o fumante não funcionava antes das proibições, acredite, já reclamei demais sobre a fumaça de pessoas que conheço. E com relação a desconhecidos, acho perigoso, prefiro ficar longe.
    Antigamente era permitido fumar até mesmo dentro do avião, e aí não tem como tomar atitudes imediatas a não ser apagar o cigarro, mas o fumante não podia ser obrigado a fazer isso. Se o meu vizinho de baixo fuma e a fumaça entra no meu apartamento, só me resta lamentar.
  • Típica Feminista  25/11/2014 12:20
    Que crime abjeto imundo cretino esses macus reaças objetificando a mulher e divulgando a cultura do estupro e ainda por cima influenciando crianças em formação, sem pensamento crítico. Ainda bem que hoje em dia o governo está criando uma política para fiscalizar e prender gente como vocês que cometem crimes de ódio pela internet, hahaha finalmente o homem branco hétero nazista faxista não passarão vai ter o que merece e nunca mais vamos ver peças como essa que influenciam as crianças na cultura do estupro.As crianças merecem ser cuidadas e amparadas e ter uma educação decente, como o kit gay do MEC feito pelas ONGs e grupos sociais comprometidos contra toda a discriminação nunca mais vai haver espaço pra coisas desse tipo:
    https://www.youtube.com/watch?v=mDVObz-LtVk


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