A revolta contra a razão e a defesa da razão

Houve, ao longo da história, filósofos que não hesitaram em superestimar a capacidade da razão. Supunham que o homem fosse capaz de descobrir, pelo raciocínio, as causas originais dos eventos cósmicos ou os objetivos que a força criadora do universo, determinante de sua evolução, pretendia alcançar.

Discorreram sobre o "absoluto" com a tranquilidade de quem descreve o seu relógio de bolso. Não hesitaram em anunciar valores eternos e absolutos nem em estabelecer códigos morais que deveriam ser respeitados por todos os homens.

Houve também uma longa série de criadores de utopias. Imaginavam paraísos terrestres onde só prevaleceria a razão pura. Não percebiam que aquilo que consideravam como razões finais ou como verdades manifestas eram tão somente fantasia de suas mentes. Consideravam-se infalíveis e, com toda tranquilidade, defendiam a intolerância e o uso da violência para oprimir dissidentes e heréticos. Preferiam a implantação de um regime ditatorial, para proveito próprio e daqueles que se dispusessem a executar fielmente os seus planos. Acreditavam que essa era a única forma de salvação para uma humanidade sofredora.

Houve Hegel.  Certamente foi um pensador profundo; suas obras são um rico acervo de ideias estimulantes.  Não obstante, escreveu sempre dominado pela ilusão de que o Geist, o Absoluto, revelava-se por seu intermédio.  Não havia nada no universo que não estivesse ao alcance da sabedoria de Hegel.  Pena que sua linguagem fosse tão ambígua, a ponto de ensejar múltiplas interpretações.

Os hegelianos de direita entenderam-na como um endosso ao sistema prussiano de governo autocrático, bem como aos dogmas da igreja prussiana.  Já os hegelianos de esquerda extraíram de suas teorias o ateísmo, o radicalismo revolucionário mais intransigente e doutrinas anarquistas comunistas.

Houve Augusto Comte.  Pensava conhecer o futuro que estava reservado para a humanidade.  E, portanto, considerava-se o supremo legislador.  Pretendia proibir certos estudos astronômicos, por considerá-los inúteis.  Planejava substituir o cristianismo por uma nova religião e chegou a escolher uma mulher para ocupar o lugar da Virgem.  Comte pode ser desculpado, já que era louco no completo sentido com que a patologia emprega este vocábulo.  Mas como desculpar os seus seguidores?

Muitos outros exemplos deste tipo poderiam ser enumerados. Mas não podem ser usados como argumentos contra a razão, o racionalismo ou a racionalidade.  Tais desvarios não têm nada a ver com o problema essencial que consiste em procurar saber se a razão é ou não o instrumento adequado e único de que dispõe o homem para obter tanto conhecimento quanto lhe seja possível.  Aqueles que, honesta e conscienciosamente, procuram a verdade jamais pretenderam que a razão e a pesquisa científica possam responder a todas as questões.

Sempre tiveram plena consciência das limitações da mente humana. Não podem ser responsabilizados pela tosca filosofia de um Haeckel, nem pelo simplismo de diversas escolas materialistas.

Os filósofos racionalistas sempre estiveram preocupados em mostrar tanto os limites da teoria apriorística quanto os da investigação empírica.[1]  David Hume, o fundador da economia política inglesa, os utilitaristas e os pragmatistas americanos não podem ser acusados de haver superestimado a capacidade do homem para alcançar a verdade. Seria mais justificável acusar a filosofia dos últimos duzentos anos de um excesso de agnosticismo e de ceticismo do que de um excesso de confiança no que poderia ser alcançado pela mente humana.

A revolta contra a razão, atitude mental típica de nossa época, não se origina na falta de modéstia, cautela ou autocrítica por parte dos filósofos.  Tampouco pode ser atribuída a falhas na evolução da moderna ciência natural.  Ninguém pode ignorar as fantásticas conquistas da tecnologia e da terapêutica.  É inútil atacar a ciência moderna, seja do ponto de vista do intuicionismo e do misticismo, seja de qualquer outro ângulo.  

A revolta contra a razão foi dirigida para outro alvo.  Não tinham em mira as ciências naturais, mas sim a economia.  O ataque às ciências naturais foi uma consequência lógica e natural do ataque à economia. Seria inconcebível impugnar o uso da razão em um determinado campo do conhecimento, sem impugná-lo também nos demais.

Esta insólita reação teve sua origem na situação existente em meados do século XIX.

Os economistas já tinham, naquela época, demonstrado cabalmente que as utopias socialistas não passavam de ilusões fantasiosas.  Entretanto, as deficiências da ciência econômica clássica os impediram de compreender por que qualquer plano socialista é irrealizável; mas eles já sabiam o suficiente para demonstrar a futilidade dos programas socialistas.  As ideias comunistas já estavam derrotadas.  Os socialistas não tinham como responder às devastadoras críticas que lhes eram feitas, nem como aduzir qualquer argumento novo em seu favor.  Parecia que o socialismo estava liquidado, e para sempre.

Só havia um caminho para evitar a derrocada: atacar a lógica e a razão e substituir o raciocínio pela intuição mística.  Estava reservado a Karl Marx o papel histórico de propor esta solução.

Com base no misticismo dialético de Hegel, Marx, tranquilamente, arrogou-se a capacidade de predizer o futuro.  Hegel pretendia saber que o Geist, ao criar o universo, desejava instaurar a monarquia de Frederico Guilherme III.  Mas Marx estava mais bem informado sobre os planos do Geist: havia descoberto que a evolução histórica nos conduziria, inevitavelmente, ao estabelecimento do milênio socialista.  O socialismo estava fadado a acontecer "com a inexorabilidade de uma lei da natureza".

E dado que, segundo Hegel, cada fase ulterior da história é melhor e superior à que a antecedeu, não cabia nenhuma dúvida de que o socialismo, a etapa final da evolução da humanidade, seria perfeito sob todos os aspectos.  Assim sendo, resultava inútil a discussão dos detalhes do funcionamento de uma comunidade socialista.  A história, no devido tempo, disporia todas as coisas da melhor maneira; e para isso não necessitava da ajuda dos homens, meros seres mortais.

Mas havia ainda um obstáculo principal a superar: a crítica devastadora dos economistas.  Marx, entretanto, já tinha uma solução para superar este obstáculo: a razão humana, afirmava ele, por sua própria natureza, não tem condições de descobrir a verdade.  A estrutura lógica da mente varia segundo as várias classes sociais.  Não existe algo que se possa considerar como uma lógica universalmente válida.  A mente humana só pode produzir "ideologias", ou seja, segundo a terminologia marxista, um conjunto de ideias destinadas a dissimular os interesses egoístas da classe social de quem as formula.

Portanto, a mentalidade "burguesa" dos economistas é absolutamente incapaz de produzir algo que não seja uma apologia ao capitalismo.  Os ensinamentos da ciência "burguesa", que são uma consequência da lógica "burguesa", não têm nenhuma validade para o proletariado, a nova classe social que abolirá todas as classes e transformará a terra em um paraíso.

Mas, evidentemente, a lógica da classe proletária não é apenas a lógica de uma classe.  "As ideias que a lógica proletária engendra não são ideias partidárias, mas emanações da lógica mais pura e simples".[2]  

Curiosamente, talvez em virtude de algum privilégio especial, a lógica de certos burgueses não estava manchada pelo pecado original de sua condição burguesa. Karl Marx, o filho de um próspero advogado, casado com a filha de um nobre prussiano, e seu colaborador, Friedrich Engels, um rico fabricante de tecidos, se consideravam acima de suas próprias leis e, apesar da origem burguesa, se julgavam dotados da capacidade de descobrir a verdade absoluta.

Compete à história explicar as condições que fizeram com que essa doutrina tão primária se tornasse tão popular. A tarefa da economia é outra.

Em defesa da razão

Um racionalista judicioso não teria a pretensão de afirmar que a razão humana pode chegar a fazer com que o homem se torne onisciente.  Teria consciência do fato de que, por mais que aumente o conhecimento, sempre haverá dados irredutíveis que não são passíveis de elucidação ou compreensão.

Não obstante — acrescentaria o nosso racionalista —, na medida em que o homem é capaz de adquirir conhecimento, necessariamente terá que contar com a razão.  Um dado irredutível é o irracional.  Tudo o que é conhecível, na medida em que já seja conhecido, é necessariamente racional.  Não existe uma forma irracional de cognição nem tampouco uma ciência da irracionalidade.

Com relação a problemas ainda não resolvidos, podemos formular diversas hipóteses, desde que não contradigam a lógica ou conhecimento incontestáveis.  Mas serão apenas hipóteses.

Ignoramos quais sejam as causas das diferenças inatas da capacidade ou do talento humano.  A ciência não é capaz de explicar por que Newton e Mozart foram geniais, enquanto a maioria dos homens não tem tanto talento.  Mas o que não é aceitável é atribuir a genialidade à raça ou à ancestralidade.  A questão a ser respondida é por que uma pessoa difere de seus irmãos de sangue e dos outros membros de sua raça.

Supor que as grandes realizações da raça branca se devem a alguma superioridade racial constitui um erro um pouco mais compreensível.  De qualquer forma, não é mais do que uma hipótese vaga em flagrante contradição com o fato de que devemos a outras raças a própria origem da civilização.  Tampouco podemos saber se no futuro outras raças suplantarão a civilização ocidental.

Entretanto, esta hipótese deve ser avaliada pelos seus próprios méritos.  Não deve ser condenada de antemão só porque os racistas nela se baseiam para postular que existe um conflito irreconciliável entre os vários grupos raciais e que as raças superiores devem escravizar as inferiores.  A lei de associação formulada por Ricardo há muito tempo já mostrou o equívoco representado por esta maneira de interpretar a desigualdade dos homens.  Não tem sentido combater o racismo negando fatos óbvios.  É inútil negar que, até o momento, algumas raças muito pouco ou mesmo nada contribuíram para o progresso da civilização e podem, neste sentido, ser chamadas de inferiores.

Se quisermos extrair, a qualquer preço, alguma verdade dos ensinamentos marxistas podemos dizer que as emoções influenciam muito o raciocínio humano.  Ninguém pode negar este fato óbvio; tampouco devemos creditar ao marxismo esta descoberta.  E nada disso tem qualquer importância para a epistemologia.  São inúmeros os fatores, tanto de sucesso, como de erro.  É tarefa de a psicologia enumerá-los e classificá-los.

A inveja é uma fraqueza muito comum.  Muitos intelectuais invejam a renda elevada de alguns empreendedores e este ressentimento os conduz ao socialismo.  Acreditam que as autoridades de uma comunidade socialista lhes pagariam salários maiores do que aqueles que poderiam ganhar no regime capitalista.  Mas o fato de essa inveja existir não desvia a ciência do dever de examinar cuidadosamente as doutrinas socialistas.  Os cientistas devem analisar qualquer doutrina como se os seus defensores não tivessem outro propósito a não ser a busca do conhecimento.  Já os ideólogos, em vez de analisar teoricamente doutrinas contrárias às suas, preferem revelar os antecedentes e os motivos de seus autores.  Tal procedimento é incompatível com os mais elementares princípios do raciocínio.

É um artifício medíocre julgar uma teoria por seus antecedentes históricos, pelo "espírito" de seu tempo, pelas condições materiais de seu país de origem ou por alguma qualidade pessoal de seu autor.  Uma teoria só pode ser julgada pelo tribunal da razão.  O único critério a ser aplicado é o critério da razão.  Uma teoria pode estar certa ou errada.  Ocorre que, dado o nosso estágio de conhecimento, talvez não seja possível determinar seu acerto ou erro.  Mas uma teoria jamais poderá ser válida para um burguês ou um americano, se não for igualmente válida para um proletário ou um chinês.

Se as doutrinas marxistas ou racistas fossem corretas, seria impossível explicar por que seus seguidores, quando estão no poder, procuram logo silenciar teorias que lhes sejam dissidentes e perseguir quem as defende.  O próprio fato de que existem governos intolerantes e partidos políticos que procuram colocar seus opositores fora da lei, ou mesmo exterminá-los, é uma prova manifesta do poder da razão.  Uma doutrina não pode estar correta quando seus proponentes recorrem à violência para combater seus opositores.  Aqueles que recorrem à violência estão, no seu subconsciente, convencidos da improcedência de suas próprias doutrinas.

É impossível demonstrar a validade dos fundamentos apriorísticos da lógica sem recorrer a estes mesmos fundamentos.  A razão é um dado irredutível e não pode ser analisada ou questionada por si mesma.  A própria existência da razão humana é um fato não-racional.  A única afirmação que pode ser feita sobre a razão é que ela é o marco que separa os homens dos animais e a ela devemos todas as realizações que consideramos especificamente humanas.

Para aqueles que pensam que o homem seria mais feliz se renunciasse ao uso da razão e tentasse deixar-se conduzir somente pela intuição, pelos instintos e pela emoção, não há melhor resposta do que recordar as conquistas da sociedade humana.

A ciência econômica, ao descrever a origem e o funcionamento da cooperação social, fornece todas as informações necessárias a uma escolha entre a racionalidade e a irracionalidade.  Se o homem cogitasse se libertar da supremacia da razão, deveria procurar ao menos saber ao que realmente estaria renunciando.



[1] Ver, por exemplo, Louis Rougier, Les paralogismes du rationalisme, Paris, 1920.

[2]  Ver Joseph Dietzgen, Briefe über Logik speziell demokratisch-proletarische Logik, 2. ed. Stuttgart, 1903, p. 112.


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SOBRE O AUTOR

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".



Meu caro, pelo seu discurso você nunca foi liberal e nunca entendeu o que é ser liberal. E ainda tem coragem de vir com esse apelo sobre pobreza.

Gostaria de fazer uma pergunta a todos vocês:
Pois não.

Vocês já foram Pobres pra saber?
Nasci pobre, muito prazer.

Vocês já tiveram um parente morto por bala perdida?
O que isso tem a ver com capitalismo/liberalismo? Você está misturando segurança pública (que é MONOPOLIO do estado), que alias é altamente ineficiente (no Brasil, morrem 56.000 pessoas por ano, o maior indice do mundo, a gente perde até pra India, que é 43.000 por ano, outro país com alto controle estatal e burocrático) com conceitos economicos. O estado nega aos seus cidadãos o próprio direito de se defender com uma arma e mesmo assim é incapaz de solucionar o problema.

Falam tanto em mercado, economia. Mas nunca vi um liberal que enriqueceu graças a todo seu conhecimento na área, algum de vocês é rico por acaso? Maioria que vejo é classe média, acho gozado porque se manjam tanto de produzir valor e riqueza vocês deveriam ser ricos..Mas não é isso que eu vejo.

Ai meus deuses... essa foi triste.
1) O Brasil está muito longe de ser um país livre, economicamente. É o país que fica em 118 lugar no índice de liberdade econômica.

2) Ser liberal não é uma formula para ser rico e sim defender que as pessoas tenham a liberdade para efetuarem trocas entre si sem intervenção constante do Estado por via de impostos e regulações. É dessas trocas de valor que a riqueza é produzida. Cada um teria a liberdade de crescer de acordo com suas habilidades e viver num patamar de vida que julga confortável, mas repito, o Brasil NÃO É E NUNCA FOI UM PAÍS LIVRE, ECONOMICAMENTE. Você se dizia liberal e não sabe desse básico. Aham. To vendo.

Eu já fui liberal, ai cai na real com a vida, vi que esse papo de mercado não é bem assim.
Não, amigo, você nunca foi liberal. Sinto muito. Ou você está mentindo ou você diz ser uma coisa que nunca entendeu direito o que é (o que mostra o seu nível de inteligência).

Inclusive, um amigo meu foi pra Arabia Saudita, ele disse que lá existem muitas estatais e assistencialismo e o país enriqueceu assim mesmo...

Aham, beleza, usando a Arabia Saudita como exemplo:

Saudi Arabia's riches conceal a growing problem of poverty

"The state hides the poor very well," said Rosie Bsheer, a Saudi scholar who has written extensively on development and poverty. "The elite don't see the suffering of the poor. People are hungry."

The Saudi government discloses little official data about its poorest citizens. But press reports and private estimates suggest that between 2 million and 4 million of the country's native Saudis live on less than about $530 a month – about $17 a day – considered the poverty line in Saudi Arabia.


Opa, perai, como é que 1/4 da população da Arabia Saudita vive abaixo da linha da pobreza? Você não disse que era um país ótimo, rico, cheio de estatal e assistencialismo? Explique isso então.


Falam de acabar com o imposto mas negam toda a imoralidade que a ausência deste geraria, como injustiças e até coisas que ninguém prever.

Que imoralidades, cara-palida? Favor discorrer.

Favor, tentar novamente. Essa sua participação foi muito triste.


Poderiam responder o comentário desse Leonardo Stoppa:
Estranho, hipócrita é dizer que o socialismo atual compete com o capitalismo. Comunismo sim complete com capitalismo mas socialismo é uma forma de redistribuição que, quando interpretada por pessoas que estudam economia a partir de livros de economia (e não Olavo de Carvalho) é uma espécie de segurança ao capitalismo.

Se um dia você entender que existe conhecimento além do que você conhece você vai ver que dentro do conceito atual de socialismo estão as formas de redistribuição de renda (SUS, Fies, Bolsas). Em países de primeiro mundo a galera acaba usando essa grana inclusive para comprar iPhone, logo, é um socialismo que serve ao capitalismo pois deixar essa grana parada na conta de um milionário vai resultar na venda de 1 iPhone para apple, agora, quando redistribuído vira vários iPhones.

O problema da sua visão é que você estuda em materiais criados sob encomenda. Você deixa de estudar em livros de economia para aprender pelas palavras de um cara que é pago por aqueles que pagam os impostos, ou seja, aqueles que são contra a redistribuição, logo, você abre mão do conhecimento para a alienação.

Socialismo não é comunismo. Pode vir de certa forma assemelhado nos livros antigos, mas depois da segunda guerra mundial e principalmente depois da queda da URSS, ficou claro que não há em se falar em controle centralizado e ausência de propriedade privada, mas quem estuda um pouco de economia e sociologia sabe que a intervenção e a redistribuição são importantes atividades governamentais para salvaguardar a atividade industrial.

A final, de que adianta ter industrias de ultima geração se apenas 1% do povo compra seus produtos??

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Andre  14/08/2014 13:18
    "Marx, entretanto, já tinha uma solução para superar este obstáculo: a razão humana, afirmava ele, por sua própria natureza, não tem condições de descobrir a verdade.".

    Estranhamente ele, um humano, anunciava ter descoberto várias "verdades", incluindo essa.
  • Bruno D  14/08/2014 13:25
    O trecho "Se o homem cogitasse se libertar da supremacia da razão, deveria procurar ao menos saber ao que realmente estaria renunciando."

    É essencial, e me vem a mente a imagem do black bloc sendo repreendido pelos pais.. Ele não sabe o que está renunciando ao deixar o conforto do lar e ir se juntar a uma turba "lutar" (o melhor seria esbravejar) por direitos dos mais esdrúxulos.

    Como é bom ler um artigo de Mises pela manhã,

    Obrigado!



  • Juno  14/08/2014 14:02
    A lucidez e a clareza de expressão de Mises nunca deixarão de me impressionar. Ótimo texto.
  • claudio  15/03/2015 14:37
    fenomenal Mises.Descobri este site por acaso, e atraves dele pude descobrir a minha "ignorância economica" e ver o quanto e' desumano e falacioso o sistema politico-economico do Brasil.Um dos melhores texto
    do ' mestre'.Parabens.
  • Valatraquio  14/08/2014 15:07
    "Compete à história explicar as condições que fizeram com que essa doutrina tão primária se tornasse tão popular. A tarefa da economia é outra."

    Isso se os socialistas não se apropriarem da história e reescreve-la ao seu bel prazer, como muitos vem tentando (e fazendo!) como a Wikipédia, só a título de exemplo.

    Não que a Wikipédia seja lá fonte segura mesmo, mas ultimamente é uma das principais fontes de estudantes do ensino fundamental e médio.
  • Rene  14/08/2014 15:30
    Artigo muito bom, completamente coerente com os postulados nos quais Mises se baseia para analisar outras teorias. O artigo fala da necessidade de tratar uma teoria pelos seus próprios méritos, usando a razão ao invés da emoção. Isso implica em, ao primeiro contato com a outra teoria, despojar-se de todos os preconceitos que possamos ter sobre ela, para só depois da análise racional, verificar se a teoria é válida ou não.

    Mises está entre os maiores críticos do Marxismo, e ele certamente aplicou este método inclusive ao analisar o Marxismo em si, verificando primeiro o que Marx tinha a dizer, se aquilo fazia sentido ou não, se existia algum ponto em que ele era coerente e que poderia ser aplicado. Somente depois de muita análise é que Mises deve ter chegado às suas conclusões, tanto é que as críticas feitas ao Marxismo não são apenas críticas levianas, no estilo "não gostei". Ao invés disso, Mises destroi completamente os pilares nos quais as ideias de Marx são construidos. E ele fez isso antes dos Gulags.

    Sou muito fã deste velhinho.
  • Dioner  14/08/2014 18:27
    E o que mais impressiona é que, muitas vezes, primeiro, ele toma a teoria por verdade, e analisa, pela lógica, onde aquele teoria chegaria, demonstrando que tal teoria seria, no mínimo, incoerente.
  • Lopes  14/08/2014 18:16
    Nada como um texto do próprio Mises escrito há décadas sobre questões atuais, como se feito frente à uma bola de cristal. É um tanto atormentador notar quantos pensamentos já falidos na época do artigo permanecem com grande vida e influência até os dias de hoje, o que denuncia a pouca importância dada às ideias de oposição ao crescimento estatal no 'debate democrático / político'.
  • Gustavo  15/08/2014 02:58
    Este texto é um excerto da obra-prima do Mises, "Ação Humana", capítulo 3. No fim do quinto parágrafo está escrito "doutrinas anarquistas comunistas", mas no original não consta o termo "comunistas". Por que foi inserido? Donde tiraram aquele termo? Mises dizia - ao menos nos textos que já li - apenas anarquismo. Se puderem nos fornecer alguma bibliografia essencial sobre o anarquismo e seus tipos, seria interessante.
    Grato.
  • Magno  15/08/2014 04:04
    Quando Mises utilizava o termo "anarquista", ele se referia aos utópicos de esquerda, aos anarco-sindicalistas e anarco-comunistas, pois esta era a única acepção do termo à época (anarcocapitalismo ou anarquismo de mercado só surgiu em meados da década de 1970).
  • gabriel  15/08/2014 12:47
    Tambem me interesso pela questao anarquista, existem textos ou livros que possam me indicar?

    Nao consigo conceber que as diferenças seriam grandes, ja que ate onde imagino o anarquismo independente do tipo prega o fim do estado e criaçao de uma ordem natural. Num mundo sen estado imagino que a ordem natural pode variar muito e até alguns locais permanecerem da forna que esta hj com a grande diferença de que a secessao é sempre aceita. Agora se o anarquismo de esquerda é a favor de coerçao nao consigo entender como anarquico, e se nao defende a coerçao nao vejo diferença nos pilares para diferenciar ambos.

    Caso alguem possa me esclarecer fico muito agradecido.
  • Andre Cavalcante  15/08/2014 13:34
    Gabriel,

    Há uma série de artigos neste site que esclarecem todas as tuas dúvidas. Basta procurar a seção Anarcocapitalismo (link) na página inicial do site.

    Sobre livros, divirta-se na seção Biblioteca (link) em qualquer página.

    Abraços

  • Andre  15/08/2014 14:02
    O anarquismo de esquerda defende a "coerção para todos".

    Seria um modo de vida como o das tribos indígenas, onde tudo é de todos.
    Mas se uma tribo quiser ter acesso à um determinado território ela é moralmente livre para atacar a tribo que estava previamente em tal território. Se a tribo sendo atacada quiser fugir, sorte deles, se resistirem e morrerem, azar o deles.

    É apenas a lei do mais forte, exatamente igual funciona no mundo dos animais.
    O modo de vida dos índios é o mais próximo que existe do comunismo anárquico:
    não tem estado, não tem propriedade privada, tudo é de todos, e salve-se quem puder!
  • gabriel  15/08/2014 15:55
    Andre cavalcanti minha duvida nao eh sobre o anarcocapitalismo o qual ja li bastante sobre, é quanto a diferença deste para o anarquismo de esquerda ou porque nao eh chamado simplesmente de anarquismo. Mas obrigado pela contribuiçao.

    Ja quanto a colocaçao do segundo Andre, nao tenho conhecimento do modo e organizaçao das tribos indigenas, mas imagino que sem a liberdade de associaçao nao considero anarquica ja que vejo como a premissa basica da anarquia a possibilidade de secessao até o individual.
    Se é mesmo isso que defende a anarquia de esquerda acho mais facil chamar so de esquerda pois ja é exatamente assim todas as formas de governo o que tem de anarquico nesse esquema afinal?

    Agradeço a qualquer um que possa contribuir no esclarecimento, talvez algum comparativo entre os 2 anarquismos, se é que existe algum livro ou artigo referente a isso para me indicarfico grato
  • Rennan Alves  18/08/2014 12:44
    Gabriel,

    Se você quiser entender melhor essa diferença, sugiro estes artigos:

    Anarcocomunismo, socialismo libertário e libertarianismo de esquerda: conceitos e diferenças

    Progressistas, reacionários, histeria e a longa marcha gramsciana

    A propriedade privada e o desejo de morte dos anarco-comunistas

    Os Libertários são Anarquistas?

    Pessoalmente, eu conceituo dois tipos de anarquismo = anarcocapitalismo e anarcocomunismo. Ambos advogam o fim do Estado, mas diferença entre eles é bem simples: o primeiro defende a propriedade privada, o segundo não.
  • gabriel  18/08/2014 21:08
    Obrigado Rennan,

    li os artigos e pelo que entendi então é isso mesmo, anarquismo ou anarco-comunismo querem dizer a mesma coisa e significam na verdade socialismo (já que é impossível acabar com a propriedade privada e a manter assim sem um governo - ou força coercitiva neste caso).

    Então na verdade não fazia nenhum sentido para mim chamar de anarquismo, já que é necessario uma organização com poder superior pra por a ordem - no caso a ordem de terminar com a propriedade privada - por isso a minha dúvida original
  • Dom Comerciante  17/08/2014 19:54
    ""Se o homem cogitasse se libertar da supremacia da razão, deveria procurar ao menos saber ao que realmente estaria renunciando.""
    Abandonar a razão é simplesmente deixar de ser humano(como se uma coisa ou a outra fosse possível). O pior é que os progressistas, principalmente os auto-intitulados pós-modernos acreditam piamente nisso.
  • Emerson Luis, um Psicologo  31/08/2014 18:43

    Dois erros opostos: menosprezar a razão e idolatrar a razão.

    * * *


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