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Marxismo cultural é um paradoxo

Na década de 1960, os marxistas da URSS tratavam o movimento conhecido como 'marxismo cultural' com o mesmo grau de ceticismo que os cristãos seguidores da Bíblia tratam o modernismo teológico.  Em outras palavras, eles negavam veementemente que aquilo representasse o verdadeiro marxismo.

Quando você abandona os princípios fundamentais de uma determinada ideologia, mas ainda tenta manter o nome dessa ideologia — porque há muitos seguidores dela —, você será tratado pelos defensores da ideologia original como um invasor.

O marxismo cultural está para o marxismo assim como o modernismo está para o cristianismo.  Qualquer indivíduo que considere que marxismo cultural é marxismo não entende nada de marxismo.  No entanto, tal postura é muito comum em círculos conservadores.  Trata-se de um grande erro estratégico porque representa, acima de tudo, um erro conceitual.

O coração, a mente e a alma do socialismo marxista ortodoxo é um só: o conceito de determinismo econômico.  Marx argumentou que o socialismo é historicamente inevitável porque haverá uma inevitável transformação do modo de produção da sociedade.  Ele argumentou que o modo de produção é a subestrutura de uma sociedade, e que a cultura geral é a superestrutura.  Segundo ele, as pessoas se apegam a uma visão específica das leis, da ética e da política de uma sociedade somente por causa de seu comprometimento a um modo específico de produção.  Se esse modo de produção for alterado, o apego das pessoas às leis, à ética e à política será alterado. 

Em 1850, o modo dominante de produção era o capitalismo.  Marx assim rotulou esse modo de produção.  O nome pegou, ainda que o marxismo original esteja culturalmente morto.

Essa posição de Marx ganhou vários defensores exatamente porque ela era puramente econômica/materialista.  Marx criou uma teoria que descartava a necessidade de qualquer explicação histórica; no fundo, era uma teoria que se baseava na ideia de que ideias não são fundamentais para a transformação da sociedade.  Marx acreditava que a arena decisiva da luta de classes é o modo de produção, e não a batalha das ideias.  Ele via as ideias como um desdobramento secundário do modo de produção.  Sua visão era essa: ideias não têm consequências significativas.  Retire esse postulado do marxismo, e o que sobra não mais será marxismo.

É por isso que sempre me espanto quando vejo analistas conservadores aceitando a ideia de marxismo cultural.  Eles recorrem aos escritos da Escola de Frankfurt para pegar notas de rodapé que dêem sustento a essa ideia.  Os analistas mais sagazes recorrem aos escritos de Antonio Gramsci feitos dentro de uma prisão na década de 1930.  Gramsci oficialmente era um comunista.  Ele era italiano.  Ele passou uma temporada na União Soviética durante a década de 1920 e voltou de lá acreditando que a tradição leninista estava incorreta.  O Ocidente havia demonstrado não ser um terreno fértil para o comunismo precisamente porque o Ocidente era cristão.  Gramsci entendeu claramente que, enquanto o cristianismo não fosse destruído e permanecesse uma tradição precípua no Ocidente, não haveria nenhuma revolução proletária aqui.  A história certamente o comprovou correto.  A revolução proletária jamais veio.

Gramsci argumentou, e a Escola de Frankfurt seguiu seu caminho, que a maneira de os marxistas transformarem o Ocidente era por meio da revolução cultural: daí surgiu a ideia do relativismo cultural.  Esse argumento está correto, mas o argumento não era e nem nunca foi marxista.  O argumento era hegeliano.  Tal argumentou virava o marxismo do avesso, assim como Marx havia virado do avesso as ideias de Hegel.  Em seus primórdios, toda a ideia do marxismo era baseada na rejeição do lado espiritual do hegelianismo.  O marxismo original estabelecia que o modo de produção deveria ser o núcleo da análise da cultura capitalista.

Em 1968, no auge do movimento contra-cultural, escrevi um livro sobre Marx intitulado Marx e sua religião de revolução.  Já era claro para mim, em 1968, que o marxismo era uma religião de revolução, uma visão que remetia aos festivais de Cronos, na Grécia antiga.  O marxismo não era uma análise científica da sociedade, e nem de sua economia.  Para escrever esse livro, não perdi tempo com o marxismo cultural.  No entanto, teria sido muito mais fácil mostrar o lado religioso do marxismo recorrendo aos marxistas culturais.  Eles claramente haviam entendido que, na cultura ocidental — a qual é um desdobramento do cristianismo —, todas as questões culturais envolviam religião.  Mas isso acabaria com o propósito do meu livro.  Meu objetivo era mostrar que o marxismo original era em si uma religião própria.  Invocar o marxismo cultural iria desviar o foco dos leitores.  Marxistas culturais teriam sido alvos mais fáceis, mas discuti-los enfraqueceria o argumento do meu livro.

Os marxistas culturais dividiram o campo marxista.  Seus ataques à cultura podem ser interpretados como uma tática, mas eram mais do que uma tática: eram uma estratégia.  Eram uma estratégia baseada no abandono do marxismo original.

Podemos discutir essa cisão no marxismo em termos de uma família específica.  O mais proeminente defensor intelectual do stalinismo nos EUA durante as décadas de 1940 e 1950 era Herbert Aptheker.  Sua filha Bettina era uma das líderes do Movimento da Liberdade de Expressão, o qual havia começado no segundo semestre de 1964 na Universidade da Califórnia, Berkeley.  Ela se tornou bem mais famosa que seu pai stalinista.  Foi aquele evento no campus que lançou a rebelião estudantil e o movimento contra-cultural.  Mas o próprio termo "contra-cultura" é um indicativo do fato de que tal conceito nunca foi marxista.  Era sim uma tentativa de derrubar a cultura dominante, mas Marx jamais teria perdido tempo com tal conceito.  Marx não era um hegeliano.  Ele era um marxista.

Bettina e seu pai romperam relações em 1968, quando a URSS invadiu a Tchecoslováquia.  Bettina foi contra a invasão.  O Partido Comunista dos EUA, onde seu pai era uma figura proeminente, foi a favor e defendeu a URSS.

Anos depois, Bettina revelou que seu pai havia lhe abusado sexualmente dos 3 aos 13 anos de idade.  No fundo, na visão de mundo de seu pai, ele estava apenas conduzindo sua própria agenda gramsciana; ele estava atacando a cultura ocidental desde dentro de sua própria casa.  Mas isso não afetou seu marxismo ortodoxo.  Afetou o de sua filha.

Bettina Aptheker é hoje professora da Universidade da Califórnia, e leciona estudos culturais: feminismo.  O movimento que ela lançou em Berkeley morreu no início da década de 1970.  Ela ainda é uma crítica fervorosa do capitalismo, mas suas críticas não se baseiam nos escritos de Karl Marx.  A contra-cultura também não baseou em Marx.

A contra-cultura

Sejamos claros e diretos: Marx estava errado e Gramsci estava certo.  O marxismo ortodoxo não foi a causa primária da contra-cultura.  A contra-cultura era um movimento progressista que visava a atacar as bases fundamentais da cultura ocidental.  Já o marxismo estava comprometido em alterar o modo de produção.  Com efeito, ele também queria alterar a cultura, mas queria fazer isso por meio de alterações profundas nos modos de produção. 

Eis o problema: os conservadores de hoje levam excessivamente a sério as declarações dos marxistas culturais da Escola de Frankfurt, que na realidade não eram marxistas.  Eles eram basicamente progressistas e socialistas. Mais ainda: eles facilmente teriam sido alvos de Marx em 1850.  Marx passou a maior parte de sua carreira atacando pessoas assim, e praticamente não gastou tempo nenhum atacando Adam Smith ou os economistas clássicos.  Ele jamais respondeu aos economistas neoclássicos e aos economistas da Escola Austríaca que surgiram no início dos anos 1870.  Marx teve muito tempo para responder a essas pessoas, mas ele nunca o fez.  Ele passou a maior parte de sua vida atacando indivíduos que hoje seriam rotulados de marxistas culturais.  Marx os considerava inimigos infiltrados no campo socialista.  Marx os atacava porque eles, quando atacavam o capitalismo, não fundamentavam seus ataques utilizando a teoria do socialismo científico de Marx, a qual era toda baseada no modo de produção.

Na década de 1920, Gramsci havia entendido claramente que, se ele permanecesse da União Soviética, ele acabaria sendo mandado a um campo de concentração.  Ele poderia até ser executado.  Ele havia percebido que Stalin provavelmente teria mandado matá-lo.  Portanto, ele voltou para a Itália sabendo perfeitamente bem que também acabaria sendo enviado a um campo de concentração italiano, o que de fato ocorreu.  Mas os fascistas o deixavam ler e o deixavam escrever.  Ao permitir isso, eles solaparam o comunismo marxista.

É difícil rastrear a influência histórica da Escola de Frankfurt.  Sair de uma ínfima seita e alcançar toda a cultura geral é algo que requer um estudo de causalidade complexa.  O movimento básico rumo ao relativismo cultural começou no final dos anos 1880, e os principais marcos disso foram o modernismo teológico e o movimento progressista.  A psicologia freudiana já fazia parte disso em 1925.  Freud fornecia a justificativa para o relativismo; a Escola de Frankfurt só veio depois.  Só que o modernismo teológico ganhou muito mais adeptos do que a Escola de Frankfurt jamais sonhou ganhar.

A contra-cultura que começou após o assassinato de Kennedy era muito mais um produto dos Rolling Stones do que da Escola de Frankfurt.  O sexo, drogas e rock 'n roll em meadas da década de 1960 substituiu o sexo, cerveja e rock 'n roll do final da década de 1950.  Era uma mistura mais poderosa.  Não tente rastrear a contra-cultura à Escola de Frankfurt.  É melhor rastreá-la à Primeira Guerra Mundial, que arrancou pela raiz as instituições do Ocidente.  O que ocorria nos bancos traseiros dos automóveis após 1918 tinha mais a ver com a contra-cultura do que com os escritos da Escola de Frankfurt.

Conclusão

O Ocidente jamais chegou perto de uma revolução proletária.  No entanto, quando o Ocidente decidiu que "não roubarás" deveria ser reescrito como "não roubarás, exceto por votação majoritária", a visão de mundo keynesiana havia nascido.  Essa visão é dominante hoje.

O marxismo está morto.  O marxismo cultural também.  Estamos na época do keynesianismo social-democrata.

Para vencer essa batalha é necessário persuadir as pessoas de que "não roubarás" significa exatamente isso: é imoral roubar, com ou sem voto majoritário.

E isso não tem nada a ver com o modo de produção.


5 votos

autor

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website

  • Flávio Mello  04/07/2014 13:43
    Estranha a análise: Algo chamado de marxismo cultural, com base no marxismo, não é marxismo????

    O fato do movimento ter se iniciado com marxista dissidentes através da Escola de Frankfurt a tornou menos marxista?

    Pelo que entendi até agora o Marxismo cultural é um desdobramento do marxismo ortodoxo; a diferença é que as alterações nos modos de produção não se originariam do proletariado em si, mas da alteração radical da cultura social, e isto vai dos direitos das mulheres ao ambientalismo.

    Uma boa contextualização histórica pode ser vista legendada em www.youtube.com/watch?v=18NZZn00L-Q
  • Ricardo  04/07/2014 15:03
    "Estranha a análise: Algo chamado de marxismo cultural, com base no marxismo, não é marxismo????"

    Não, é progressismo ou contra-cultura.


    "O fato do movimento ter se iniciado com marxista dissidentes através da Escola de Frankfurt a tornou menos marxista?"

    Eram "marxistas" apenas em um sentido muito elástico do termo: eles não defendiam nenhuma alteração substancial nos modos de produção, sendo que isso é o cerne do marxismo ortodoxo.

    "Pelo que entendi até agora o Marxismo cultural é um desdobramento do marxismo ortodoxo; a diferença é que as alterações nos modos de produção não se originariam do proletariado em si, mas da alteração radical da cultura social, e isto vai dos direitos das mulheres ao ambientalismo."

    Esse é o ponto: o marxismo ortodoxo queria atacar diretamente os meios de produção. E só. Já o progressismo quer atacar a cultura e as demais bases da civilização ocidental. No que mais, não está claro que o objetivo final seja a plena estatização dos meios de produção, como queria Marx.

    Aproveitando o ensejo, Piketty está muito mais para o genuíno Marx do que para Gramsci e seus discípulos de Frankfurt. Essa é a diferença.
  • Pedro  08/07/2014 04:24
    Na verdade, me parece que o objetivo final tanto do marxismo ortodoxo quanto do marxismo cultural é a destruição das bases ocidentais. A diferença é quanto ao meio.
    Não devemos nos esquecer que antes de Marx ser um economista, ele foi filósofo. A filosofia materialista de Marx pode ser vista no "Manifesto" e na "Origem da Família, Propriedade Privada e Estado". "O Capital" é sua fase econômica, na qual, me parece, é onde ele vislumbra o meio pelo qual ele fará isso.
    Já o marxismo cultural, tem como meios para destruir a Civilização Ocidental, a sutileza de permeá-la aos poucos. Algo mais parecido com o que Napoleão ensinou para os revolucionários. Para destruir, substituir. Daí é que entra o politicamente correto, a Teologia da Libertação na Igreja, o neo-constitucionalismo e por aí vai.
    Mas me parece que ambos ensejam o mesmo fim.
  • NZF  05/02/2015 22:51
    Na verdade, Marx disserta sobre os sistemas vários que oprimem o ser humano. A começar pela família, a qual ele considera como base de toda organização social; também a comunidade, e por fim o Estado. Engels, em A origem da Família, da Propriedade e do Estado, deixa isso muito claro.

    É um absurdo dizer que o Marxismo cultural não é Marxismo porque se baseia na cultura e não na economia. Marx nunca se fixou somente neste último aspecto.
  • Dom Comerciante  04/07/2014 16:54
    O texto é matador vai direto na fonte, Marxismo é uma teoria política sobre a mudança no modo de produção na sociedade e não uma mudança nos valores das pessoas. Para Karl Marx a mudança na cultura ocorreria como consequência da mudança nos meios de produção(da sociedade para o estado). Os frankfurtianos/Progressistas/relativistas culturais defendem exatamente o oposto disso e se dizem marxistas culturais(sendo que tal marxismo é inviável pela própria lógica dos verdadeiros marxistas). Explicando da forma mais simples o que o autor quer dizer: Progressistas defendem como causa o que Marx defendia como efeito, sendo que este se opunha exatamente ao hegelianismo(que defendia a mudança cultural como causa), sendo assim, os progressistas são hegelianos na essência e não marxistas, podem possuir agendas marxistas, mas sua motivação central é historicista.
  • Djalma  04/07/2014 13:59
    Gary North sempre escreve coisas muito boas!
  • Thyago  04/07/2014 14:55
    Artigo interessante...

    Faz pensar sobre muitas coisas...
  • Izaque  04/07/2014 14:58
    Marx é uma espécie que nome abstrato para justificar as mais estapafúrdias ideias evoluídas a partir de seu pensamento. Não é preciso redimir Marx nem suas ideias, pois os resultados serão os piores possíveis. "O Capital" de Marx é uma espécie de bíblia onde o indivíduo pode ler e fazer suas interpretações nefastas e aplicá-las à realidade sem se importar com os trágicos resultados. Os marxistas falam sobre a obra de Marx que tem de ser levada adiante, e é aí que os vejo como fanáticos obcecados por uma perigosa utopia. Stalin usou Lênin para justificar suas ações maquiavélicas, este e Trotsky usaram Marx e o povo. Sempre será assim com os oportunistas de plantão que querem trazer uma auréola de cientificidade às suas elocuções usando as ideias e o nome de Karl Marx. O pai do socialismo era o parasita econômico de Engels e viveu às suas custas. O parasitismo social criou a pessoa certa para incendiar a mente de outro parasita: Gramsci. As ideias deste incendeia as mentes de muitos brasileiros com a sua monstruosa "transformação social" por meio de uma cultura revolucionária.
  • João da Silva Batista  04/07/2014 15:10
    É romantismo ter essa visão de que "Marx não era marxista cultural, nem leninista, muito menos grasmciano", o movimento revolucionário é dialético, é só ver a relação do PT com os black blocs, maoístas do MST, com a Xuxa, com o Edir Macedo, movimento gay, Putin, etc, é bagunçado mesmo, não se trata de ciência exata, lógica, implantação de um plano perfeito, e sim conquista e manutenção do poder, ir destruindo e buscando a implantação de uma "nova sociedade", de um "novo homem", pela cada vez maior concentração de poder. No campo teórico todos sabemos que o marxismo e seus filhos são cheios de incoerências, muitas das quais levam a conflitos, de um atacando o outro, mas isso é importante pro avanço do "movimento" em si, podem ter objetivos diferentes desde que possuam inimigos em comum, é só verem as eleições presidenciais do Brasil no final do ano, praticamente todos partidos são de esquerda, socialistas.
  • Lg  04/07/2014 19:00
    Concordo com o João... pessoas simplesmente vão de forma meio bagunçada em direção do seu objetivo, criando aliados e inimigos no caminho, mas isso ocorre de forma orgânica e não planejada.

    Podemos ver essa dinâmica com facilidade na política, cada indivíduo tem os seus objetivos pessoais (ganhar dinheiro, poder, fama, etc), o fato de certas escolas de pensamento se alinharem aos objetivos pessoais é mera coincidência. O Lula não é socialista porque ele leu obras, estudou escolas de pensamento, filosofou sobre o assunto e fez um planejamento sobre como trazer a esquerda pro Brasil, ninguém está nem ai para os métodos de produção, o nordestino pobre, ou a cultura da sociedade... essas grandes mudanças que ocorrem são apenas efeito colateral de indivíduos perseguindo seus objetivos mesquinhos.

    Com isso em mente fica fácil compreender porque o PT está no poder; não é porque eles estão difundindo o socialismo de forma planejada e organizada, é porque eles estão ROUBANDO UM PEQUENO GRUPO E FAVORECENDO UM GRANDE GRUPO. Enquanto esse pequeno grupo (nós) lutarmos contra ideias nada vai acontecer, pois no fim do dia o grande grupo ainda está sendo favorecido pelo PT. A única forma de acabar com essa farra é se pararmos de pagar as contas do grande grupo.

    Ideias tem pouco efeito pois interesses pessoais vem antes da moral (veja quantos servidores públicos acessam o site, sabem que são imorais, parasitas e ladrões e mesmo assim continuam com o emprego público, pegando o dinheiro roubado com um sorriso no rosto no começo de todo mês).

  • Victor Hugo  02/03/2017 20:02
    Então o PT está... Roubando um pequeno grupo, qual seria?
    Seria a pequena elite oligárquica de origem aristocrática ou burguesa que é proprietária de quase tudo o que andou roubando nos últimos 500 anos?
    E favorecendo um grande grupo, qual seria? O povo?
    Pera aí... Mas não é essa a função do governo? Da democracia? Da república?
    Dividir de forma mais justa as propriedades e rendimentos da nação?
    E enfim.. O PT estava mesmo fazendo isso?
    Agora me parece mais que o PT estava esse tempo todo roubando um grande grupo,
    o do povo, consumidor, pagador de impostos, contribuinte...
    E favorecendo um pequeno grupo, de empreiteiros e grandes empresários, da oligarquia...
    Ou seja, sendo sindicalista pelego desde sempre.
    Mas de fato os benefícios que estavam chegando ao povo, que você chama de favorecimento, eram justos...
    E não estava roubando nada de um pequeno grupo não, tava roubando do grande, e favorecendo os amigos,
    podia não estar favorecendo o seu grupinho, mas era algum outro grupinho.
  • Leonardo Faccioni  04/07/2014 15:32
    A explanação inteira me parece muito boa e adequada, mas não consigo acompanhar a conclusão. A influência dos frankfurtianos na academia (a brasileira em forma de monopólio; a americana, atualmente, de maneira hegemônica) é avassaladora, e como a função precípua da academia hodierna é alimentar as burocracias, as rotinas mentais de nossos governantes mimetizam em tudo as ponderações neomarxistas. Não se consegue passar pelo estudo de qualquer disciplina humanística ou social sem se afogar em Adorno, Horkheimer, Fromm, Marcuse ou Habermas, direta ou indiretamente. A política judiciária brasileira com relação à aplicação da lei penal, por exemplo, é inteiramente tributária da concepção do "lumpenproletariat" como agente da revolução, de modo que a teoria daqueles impacta nossa realidade com sessenta mil cadáveres a cada ano. Do mesmo modo, a "tolerância repressora" de Marcuse explica mesmo a persistência dos economistas de carreira a silenciar em absoluto sobre a teoria austríaca, enquanto se continua a considerar o marxismo como hipótese científica relevante.

    Como se vê, os frankfurtianos forneceram o aparato técnico necessário à perpetuação da retórica coletivista e à justificação da ação estatal em todos os campos não-estritamente econômicos, que garantiram -- talvez mais do que a pretensão de controle direto da produção -- seu assustador agigantamento nas últimas décadas, invadindo esferas privadas que antes nem se cogitavam sujeitas à sua ação.

    Os neomarxistas podem efetivamente inverter a relação causal proposta por Marx entre economia e cultura, mas sustentam todo o programa político desenhado pelo barbudo alemão, bem como a visão metafísica de inspiração hegeliana: concentração de poder político em mãos do Estado para, assim, orientar toda ação humana a um ponto escatológico imanentizado, cognoscível de antemão. Assim sendo, se a um tal proceder é ou não adequado apelidar "marxismo cultural" faz-se pouco relevante (mesmo sabendo que a expressão "marxismo cultural" é, de fato, contraditória - tanto purismo é de pouca valia empírica).

    Do mesmo modo, não me parece tão claro que o keynesianismo seja uma força autônoma e preponderante no atual jogo de poder: Lord Keynes em pessoa sustentava opiniões e condutas às quais os frankfurtianos viriam dar sustentação teórica mais refinada. De tal sorte, keynesianismo e neomarxismo propiciam um ao outro as condições para a continuidade de ambos. Conceder ao keynesianismo um papel preponderante implicaria, a meu ver, conceder a Marx a vitória: o arranjo econômico determinaria os desdobramentos até mesmo da alta cultura. Se os neomarxistas venceram Marx no debate quanto aos meios, a hegemonia social da praxe keynesiana deve aos neomarxistas o inabalável consenso da "classe falante" quanto aos fins.
  • Zara  04/07/2014 16:00
    Eu li o livro A Dialética do Esclarecimento de Theodor Adorno. O autor é da Escola de Frankfurt. Tais ideias presentes nesse livro são conservadoras? É contra cultura? Tem alguma relação filosófica com liberalismo? Ele era totalmente avesso, por exemplo, ao jazz. Ritmo que despontava na época. Chamava de musica rápida. E a musica Clássica rotulou de musica Seria. A dita musica rápida hoje, desdobrou em pop, é comercial e de fácil assimilação pelas massas. Resumindo, sob ótica do liberalismo, esse autor e o livro tem algo que possamos aproveitar?
  • Rene  04/07/2014 16:01
    Acredito que chamar o fenômeno de "Marxismo Cultural" ou de "Contra-cultura" é irrelevante. O fato dos escritos de Karl Marx não darem base para os escritos de Gramsci também é irrelevante. Explico. Conforme já foi demonstrado inúmeras vezes neste site, a proposta de Karl Marx é impossível de ser realizada. A impossibilidade prática e teórica acaba fazendo com que qualquer tentativa de implementar as ideias dele tenham diferenças enormes entre os escritos e o que foi feito realmente. É como se você quisesse montar um navio, mas recebesse um manual que ensina a montar a Estrela da Morte. Você até pode dizer que está seguindo o manual, mas na prática estará fazendo uma coisa completamente diferente. Gramsci percebeu que seguir a cartilha de Karl Marx não funcionaria, e propôs algo diferente.

    Em minha opinião, os defensores da contra-cultura poderiam ser chamados de marxistas culturais simplesmente porque eles mesmo se declaram marxistas (Ainda que estejam longe do que defendia Marx). Não se pode exigir coerência lógica desse povo. Eles podem tranquilamente defender com unhas e dentes algo hoje, e no dia, defender com unhas e dentes uma ideia completamente oposta, sem o menor peso de consciência. Se eles perceberem que naquele momento é conveniente defender a ideia, eles o farão. A ideia é verdadeira e justa? Mero detalhe. É esse processo dialético de trocar de opinião como quem troca de roupa, conforme a conveniência, que deveria ser analisado, e não o fato de eles usarem ou não Karl Marx como garoto propaganda. Concordo que "Marxismo Cultural" é um paradoxo, mas isso não tem a menor importância.

    De qualquer forma, o artigo valeu pela apresentação histórica e pela demonstração do engodo de ideias.
  • Erandur of Dawnstar  23/08/2014 00:51
    Concordo!!
    Marx hoje está mais para um garoto propaganda mesmo. Eles o adoram, mas pouco seguem o que ele próprio disse.

    Os termos, no final das contas são irrelevantes. Chame do que quiser, o que importa é o resultado.
  • Andre  04/07/2014 16:13
    O Marxismo cultural é diferente do Marxismo com relação aos meios, mas os fins são os mesmos: ditadura do proletariado.

    Só que os Marxistas Culturais acreditam que antes é preciso destruir os valores da cultura ocidental para se alcançar a ditadura do proletariado.
    Enquanto que os Marxistas acham que é só usar o poder das armas e implantar a ditadura do proletariado de uma vez só, na base da força.

    Como os Marxistas é que são do grupo que acredita no uso da violência eram eles que perseguiam os Marxistas Culturais e não o contrário.
    Claro que no final os Marxistas Culturais gerarão violência, mas não usarão de violência para chegarem ao poder. A violência estará espalhada
    por todas a sociedade.
    Cada bandido que se acha no direito de roubar e matar só porque tem menos, é um agente que se acha nesse direito justamente porque os Marxistas Culturais assim lhe disseram:
    meuprofessordehistoriamentiupramim.blogspot.com.br/2014/07/bombas-surgem-indicios-de-aparelhamento.html
    Cada mulher que se acha no direito de castrar um homem contribui para essa violência generalizada:
    lucianoayan.com/2014/04/04/as-feministas-e-a-cultura-da-castracao/

    Com essa estratégia os Marxistas não precisam arriscar suas vidas medíocres para levarem o país à ditadura do proletariado.
    Só precisam convencer uma quantidade suficientemente grande de idiotas úteis à causarem o caos por toda a sociedade no lugar deles.

    Os meios mudaram, mas o objetivo final é exatamente o mesmo de sempre: Poder totalitário.
  • Andre  04/07/2014 16:26
    Exemplos práticos dos efeitos do Marxismo cultural:

    É só procurar no google por:

    "policial bom é policial morto" site:facebook.com

    que pode-se ver vários exemplos de como o Marxismo cultural causa uma escalada da violência com o objetivo final de aumentar o poder do estado, igual ao sonho dos Marxistas:

    https://www.google.com/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=%22policial+bom+%C3%A9+policial+morto%22+site:facebook.com

    É como a produção de alimentos, hoje se usam novas técnicas para se produzir alimentos, mas o objetivo final é o mesmo.
    O Marxismo Cultural tem o mesmo objetivo final do Marxismo, apenas usa novos meios.
  • Emerson Luis, um Psicologo  04/07/2014 16:33

    Artigo interessante.

    Se o "marxismo cultural" ou "neomarxismo" pode ou não ser corretamente chamado de "marxismo" é uma questão secundária, talvez irrelevante. Ambos são formas de socialismo, como outras que existiram e existem: nazismo, fascismo, etc. Se estamos na margem de um rio e vem um enorme réptil em nossa direção, vamos ficar parados debatendo se é um jacaré ou crocodilo?

    Dizer que o marxismo cultural não é realmente marxismo não altera o fato de que há movimentos que querem reformar a sociedade e o ser humano partindo do pressuposto de que não existe natureza humana e que tudo é determinado socioculturalmente, que trocaram a luta burgueses x proletários por lutas como homens x mulheres, brancos x negros, "homofóbicos" x homossexuais, "poluidores" x ambientalistas, etc.

    Alguém me corrija se eu estiver errado: a informação que tenho é que Marx primeiro escreveu sobre reforma social em "O Manifesto Comunista", mas depois mudou de ideia e defendeu a revolução proletária em "O Capital". Se isso for assim mesmo, então o que Gramsci e a Escola de Frankfurt propuseram foi consonante com o primeiro livro.

    De fato houve quem utilizasse os conceitos de Freud para justificar o relativismo cultural, mas o próprio Freud jamais o fez. Ele ensinou que o ser humano é determinado biologicamente, tendo seu desenvolvimento psíquico padrão na infância influenciado por fatores ambientais, em especial as interações familiares. Em contraste, o socialismo afirma que o ser humano é determinado socialmente, daí a crença na engenharia social. Assim, Freud estava muito mais para conservador do que para "progressista".

    Muitos tentam parear Freud com Marx e é bem conhecida a crítica freudiana à religião como uma neurose coletiva. Poucos sabem é que também criticou o marxismo como uma forma de religião, uma cosmovisão que tenta explicar tudo para aplacar a angústia dos devotos, exigindo obediência cega e punindo críticas e dúvidas como heresias.

    * * *
  • Silvio  09/07/2014 18:46
    E mais interessante o seu comentário.
  • Pedro  04/07/2014 16:46
    Excelente artigo.
  • Gustavo Ramos  04/07/2014 17:48
    Excelente artigo. Já era tempo de esclarecer essa diferença.

    Entretanto uma dúvida me assalta. Talvez os amigos possam me esclarecer.

    Mr. North diz em seu texto que "em 1850, o modo dominante de produção era o capitalismo. Marx assim rotulou esse modo de produção. O nome pegou..." mas Hayek, no livro "A Arrogância Fatal" escreveu que "A palavra 'capitalismo' em particular
    (ainda desconhecida de Karl Marx em 1867 e nunca usada por ele) 'só adentrou no debate político como o 'oposto natural ao socialismo' com o livro explosivo de Werner Sombart, Der moderne Kapitalismus em 1902(Braudel, 1982a:227)."

    Quem está com a razão?
  • Juliano  04/07/2014 17:49
    A contextualização história é super importante, mas, como foi apontado em diversos comentários, o que hoje é chamado de Marxismo é uma salada de conceitos que pouco trazem do original. A frase de que Marx não seria um marxista já é bem batida. Mesmo em vida ele não foi assim tão popular. Morreu longe de sua terra natal, em Londres, fugindo de perseguição política. Em seu enterro só haviam 11 pessoas!

    O que hoje se entende por Marxismo é uma mistura de guerra de classes (ou guerra entre grupos), vitimização, protecionismo, pensamento revolucionário e muito discurso emotivo. Esses elementos servem de ingredientes para o bom e velho oportunismo de políticos e a defesa de privilégios para alguns grupos. Sinceramente, alguém acha que o MST se pauta por discussões filosóficas se o mais importante são as superestruturas ou as subestruturas da sociedade? O MST é um bando de interesseiros que tem um discurso bem facinho pra seduzir ingênuos e oportunistas. Não foi o Marxismo que inalgurou o "nós contra eles" e "a culpa pelos seus problemas é dos outros". Eles só seguem a onda.

    O que a gente chama de "marxismo cultural", apesar de ter pouca relação direta com Marx, é fundamental pois direciona o debate, define termos. É a ferramente que coloca um discurso pronto na boca de quem nunca perdeu cinco minutos estudando sobre fisolofia. É o marxismo cultural que fica estampado em novelas, que faz vc aceitar qualquer coisa que tenha "social" no nome e promova a "diminuição da desigualdade". O que um esquerdista expressa em um minuto faz com que um liberal tenha que ficar meia hora discorrendo. Ninguém quer ouvir, ninguém quer entender. Isso é chato, dá trabalho, faz a gente se questionar, incomoda. O bom mesmo é se sentir o salvador do mundo, aquele que tem todas as respostas. É aí que mora o centro dos nossos problemas, é aí que reside todo o apoio às medidas estatais.
  • Julio  04/07/2014 18:36
    Independente das questões semânticas, Gary North concorda com o ponto principal; seja a realidade em questão chamada de "Marxismo Cultural", "Contracultura", "Hegelianismo" ou "Progressismo", o alvo principal é um só: o Cristianismo.
  • Gustavo  04/04/2016 20:17
    E o Capitalismo.
  • DAMASSA  04/07/2014 21:13
    MAIS UM ARTIGO EXCELENTE NO PORTAL MISES...

    PARABÉNS!
  • orfao batalhador  04/07/2014 21:58
    Equipe IMB,
    Favor gostaria de saber o que está acontecendo com esta ilha de Cuba?
    Agora Russia perdoa dívida, e Putim visitará ela assim como Brasil e Argentina.
    economia.uol.com.br/noticias/efe/2014/07/04/russia-ratifica-perdao-de-90-da-divida-de-cuba-com-a-extinta-urss.htm
    Obrigado.


  • Brenner  05/07/2014 00:28
    Adriano Carlini : "Marxismo cultural"' é só um nome destinado a diferenciar da estratégia insurrecional clássica os métodos de combate da escola gramsciana. Não vejo outro termo para esse fim.
  • João Marcos Theodoro  05/07/2014 02:10
    Este artigo seria foda de qualquer jeito, mas o torna mais foda ainda o fato de ter feito Olavo de Carvalho dar um chilique no Facebook, sem, no entanto, refutar nada que está no texto. Ver as olavetes chorando é sempre um gozo.
  • Conservador genuíno   05/07/2014 04:02
    O que é absolutamente incompreensível, pois não apenas este artigo é bastante semelhante a esse que ele escreveu (www.olavodecarvalho.org/semana/06082002globo.htm), como também ele próprio já escreveu em seu Facebook que o termo "marxismo cultural" é inócuo e que ele próprio jamais o utilizara.

    Logo, essa súbita ardência anal é estranha.

    De resto, entrei na pagina dele agora, e há apenas mais do mesmo: ele está falando sobre bater punheta, sobre marchinhas de carnaval, sobre ser ok gostar de Joe Cocker, mas ser péssimo gostar de rock, e sobre como seus seguidores devem se portar perante uma mulher bonita. Tudo isso devidamente entremeado pelos impropérios que ordenam alguns a ir aos destinos anatômicos de sempre.
  • Brenner  05/07/2014 13:14
    De novo essa picuinha escrota com Olavo? O que ele disse a respeito de marxismo cultural esta certo. O autor do texto afirma erroneamente que, se o metodo e estrategia de transformacao da sociedade mudaram, nao e mais marxismo. Nao existe outro nome para a estrategia de subverter a sociedade ocidental por meio da cultura que nao seja marxismo cultural.

    Obs: escrevi num tablet sem acento.
  • Moderador  05/07/2014 14:23
    Chega a ser absolutamente surreal a auto-importância que um séquito se atribui. Basta você mencionar uma expressão popular ("marxismo cultural" é mundialmente manjada e difundida; não foi invenção de nenhum brasileiro), e a histeria toma conta: "Opa! Tão falando de nós! Pode parar!"

    Tais pessoas juram que o universo tem como centro de referência seus umbigos.

    O artigo em questão em momento algum teve a intenção de "cutucar" Olavo de Carvalho (que, aliás, sempre foi respeitosamente tratado pelos integrantes deste instituto) e nem seus seguidores, mas única e simplesmente explicar que tal expressão ("marxismo cultural") é totalmente destituída de sentido, e que, quem a menciona em discussões de internet não sabe do que está falando.

    Aliás, é espantoso como os próprios seguidores de Olavo desconhecem seus escritos. Veja o que ele próprio escreveu neste artigo de fevereiro de 2014:

    "[...]não apenas jamais usei esse termo ["marxista cultural"] ao falar dessa pessoa [George Soros], como também tenho insistido que "marxismo cultural" é um conceito impreciso, para não dizer errado."

    www.olavodecarvalho.org/semana/140216dc.html

    Ou seja, o próprio Olavo concorda com a essência do artigo. Mas seus seguidores aparentemente desconhecem o próprio pensamento do filósofo.

    Essa postura "olha, tão falando mal de nós!" adotada por alguns seguidores serve apenas para dar força ao estereótipo de cordeirinhos que a esquerda vem -- lamentavelmente com muito sucesso -- impingindo a vocês.

    Sejam mais equilibrados.


    P.S.: poupem-se do trabalho. Comentários caluniando o autor do artigo -- truque, aliás, típico da esquerda, estranhamente agora macaqueado pela direita -- não serão publicados. Concentrem-se no artigo e não no ad hominem.
  • anônimo  05/07/2014 16:49
    Então é pior ainda, o próprio Olavo anda esquecendo o que escreve.
  • anônimo  05/07/2014 17:04
    Alguém poderia me esclarecer a razão da implicância de alguns conservadores com o artigo?
  • Carlos  05/07/2014 17:46
    Leram só o título. Exatamente como faz a esquerda. A preguiça mental é a mesma.
  • anônimo  08/07/2014 12:19
    Última pérola do Olavo,como sempre, palpitando sobre o que não entende:

    'O estilo heavy metal definiu-se desde o início pela estridência, pela repetitividade de estímulos sensoriais irritantes e pela deformação da voz humana.'

    Esse espantanlho é pra concluir que o rock deixa as pessoas burras.
    Pois é, astrologia saiu de moda, o negócio agora é ser crítico musical.


  • Erandur of Dawnstar  09/09/2014 07:16
    Cara, vou avisar que não sou fã do Olavo. Muito menos dou alguma importância para suas superstições e crendiçes religiosas.

    Mas é interessante como um trecho fora de contexto pode mudar muito o significado de um texto. Não posso ter certeza do que ele quiz dizer, mas talves seja uma explicação boa de porque, em minha opinião o estilo Heavy Metal é lotado tango de luxo quanto de lixo... alias, sempre disse que não faz muito sentido dizer que heavy metal é um estilo.... simplesmente Não consigo conceber Dream Theater ser do mesmo estilo que Sepultura por exemplo.

    Sobre o heavy metal, e eu... eu particularmente não gosto e nunca gostei dos classicos, as origens... na minha opinião a primeira banda mais ou menos do gênero foi Iron, quando Bruce entrou....

    daí, no final da década de 80 (começando com Helloween) até primeira metade de 2000 (terminando com Nightwish) foi o auge em minha opinião ... A mistura de progressivo com erudito, partindo por um estilo mais melódico e limpo, dentre todos é o estilo de música que mais gosto.



    ------------
    Alguns devotos do heavy metal AINDA não entenderam que um estilo musical que cria uma variante satânica já desde a sua origem contém essa semente em si e só pode camuflá-la depois mediante toda sorte de enxertos de outros estilos, que o enriquecem mas não o modificam retroativamente. Qualquer que seja o caso, tente concentrar-se numa prece enquanto ouve heavy metal.

    A maior prova de que o heavy metal tem algum potencial emburrecedor são as analogias deslocadas e absurdas que, à menor provocação, seus cultores disparam em defesa dele, como se tocar nesse ponto ativasse algum núcleo psicótico escondido em seus cérebros. Posso repetir mil vezes a distinção entre matéria e forma, e de repente indivíduos inteligentes, que a compreenderiam de imediato se aplicada a qualquer outra coisa, se tornam incapazes de apreendê-la.

    Em TODOS os exemplos de obras do gênero que eles citam para provar que o gênero é bom, a FORMA do conjunto NÃO É heavy metal, é alguma outra coisa preenchida aqui e ali com elementos heavy metal.

    O estilo heavy metal definiu-se desde o início pela estridência, pela repetitividade de estímulos sensoriais irritantes e pela deformação da voz humana. Qualquer compositor pode integrar esses elementos em obras que, na forma do conjunto, superem essa fórmula, integrando-os em algo de totalmente diverso. Chamar TUDO isso de heavy metal é como chamar de "música folclórica" as Rapsódias Húngaras de Liszt.

    A pergunta decisiva é: Por que defender tão bravamente o heavy metal se ninguém o atacou? Só pode ser porque a coisa mexeu em algum ponto dolorido.

    É como se eu dissesse que masturbação vicia, e os punheteiros todos se sentissem ofendidos.

    No esquema clássico das Artes Liberais, a música é associada a Marte, por ser uma arte do comando, uma técnica de infundir reações, impulsos e desejos sem passar pelo filtro da inteligência. Por isso é que há músicas para diferentes circunstâncias. Você não vai tocar canto gregoriano para soldados em batalha nem marchas militares para monges concentrados em oração. Rock e Heavy metal foram feitos para excitar multidões, se possível até à histeria, infundindo-lhes uma espécie de temor apocalíptico e um impulso de mergulhar no caos. Não posso dizer que, com isso, não tenham nenhuma utilidade social.

    Em todos nós existe algo de metaleiro pelo simples fato de que vivemos numa época em que ninguém escapa de participar, de algum modo, do sentimento apocalíptico que está no ar.

    Fonte: Olavo de Carvalho: Segundo ele, o Heavy Metal emburrece whiplash.net/materias/news_813/206476.html#ixzz3CnYyhhoN
  • DiegoR  05/07/2014 15:34
    Marxismo Cultural é um termo paradoxal mesmo. Mas daí a dizer que está morto é totalmente diferente. Basta ver como as ideias da escola de Frankfurt permeiam os cursos das ciências humanas.

    O que faltou ser dito no artigo é que ss origens da contra cultura podem ser traçadas da segunda metade do século 19, desde os socialistas fabianos. Keynes, por exemplo, tinha muitas afinidades com o fabianismo, sem, contudo, ser membro da sociedade.

    Os da escola de Frankfurt, gramscistas, etc, apenas pegaram carona e ganharam proeminência
  • Tatiana  05/07/2014 16:17
    89% das pessoas que criticaram o artigo no face do mises leu apenas o título do mesmo. O restante é analfabeto funcional.
    Estamos ferrados, pois estamos falando daqueles que sabem alguma coisa. Prognóstico sombrio!
    O texto é excelente! Parabéns!


    Abs
  • Maurício  05/07/2014 16:40
    É exatamente isso. E o que é pior: conservadores supostamente instruídos estão nessa leva. Seguidores de Olavo, por exemplo. Inventaram um outro artigo, atribuíram ao autor coisas que ele não disse, ignoraram o que ele disse, e criticaram esse artigo inventado, jurando que estavam criticando o original.

    O futuro do país, com essa elite, é deveras sombrio.
  • Nickson  05/07/2014 18:46
    O autor diz que a contra cultura tem muito mais relação com a revolta contra os valores (especialmente os cristãos) do que com a escola de frankfurt. No original:

    Marx might have argued that it was the mode of production, as manifested more by the Model T than by anything else in American culture, which reshaped that culture. My argument is this: what went on in a handful of Protestant theological seminaries north of the Mason-Dixon line, beginning in 1875, had more to do with the counterculture than either the Model T or the Frankfurt school. This pushes the issue of culture back to where it belongs, namely, theology, which is why I began this discussion with the issue of theology. What people believe about the doctrine of hell has more to do with their behavior than what they believe about the relationship between the mode of production and proletarian revolution.

    The West never came close to proletarian revolution. The Left likes to believe that it did. They like to argue that "Franklin Roosevelt saved capitalism from itself." This is another way of saying that John Maynard Keynes saved capitalism from itself. Both arguments are incorrect. Roosevelt and Keynes met only once. Roosevelt correctly assessed Keynes as a mathematician, not an economist. This was true. Keynes got his degree in mathematics, not economics. Roosevelt was the source of what we call Keynesianism, 1933-36, not Keynes, whose General Theory appeared in 1936. But scholars like to believe that academic arguments shape the world. They don't. They conform what has already begun to take root in the thinking and practices of the general public.

    When men decided that "thou shalt not steal" means "thou shalt not steal, except by majority vote," the Keynesian worldview was born. This view is dominant today. Marxism is dead. So is cultural Marxism.

    To win this battle, we must persuade men that "thou shalt not steal" means this: it is immoral to steal, with or without majority vote.

    This has nothing to do with the mode of production.


    Mas visto que a escola de frankfurt, mesmo sendo uma das pequenas consequências, e o marxismo (o original) tem alta penetração nas universidades e carrega em si mesmo um peso anti-cristão e anti-valores, soou estranho a declaração de que Marxismo e marxismo cultural estão mortos e é portanto compreeensível que alguns conservadores tenham "torcido o nariz". Se alguém discorda deixe o comentário abaixo.

    Mas o artigo é inteligente no sentido de demonstrar historicamente origens e fatores anteriores ao chamado "marxismo" cultural.
  • anônimo  06/07/2014 09:51
    Face não é lugar de quem 'sabe de alguma coisa', face é o lugar de quem não tem o que fazer.
  • Gabriel  05/07/2014 17:14
    Muito bom! Espero que o IMB continue publicando mais artigos de Gary North.
  • Nickson  05/07/2014 19:01
    Realmente sensacional, a parte que mais me fez pensar por bastante tempo foi essa:

    "Quando o Ocidente decidiu que "não roubarás" deveria ser reescrito como "não roubarás, exceto por votação majoritária", a visão de mundo keynesiana havia nascido. Essa visão é dominante hoje.

    Para vencer essa batalha é necessário persuadir as pessoas de que "não roubarás" significa exatamente isso: é imoral roubar, com ou sem voto majoritário."


    Ele consegue ir direto ao ponto.
  • Renato Souza  05/07/2014 19:34
    O nome é impreciso, mas isso me parece menos relevante. Não entendi porque dedicar um artigo inteiro a isso. Esse aspecto mereceria, no máximo, um item no meio de um artigo mais geral.

    Quanto à afirmação de que o marxismo cultural está morto não entendi de onde Gary North tirou isso. Ele acerta muito, mas às vezes erra feio. Talvez o marxismo cultural esteja morto lá em Marte, ou em Plutão. Aqui na Terra, parece uma força cultural predominante. Arrisco dizer que nossa sociedade seria muito diferente (e bastante melhor) se ele não existisse (seja com o nome que for). Eu diria que a maior parte da ruindade do professorado, em grande parte dos países, vem do fato de serem pessoas educadas no marxismo cultural (ou doutrinas influenciadas por ele).

    Quanto à afirmação de que Marx rejeitaria os marxistas culturais, ela depende da suposição de que Marx acreditava em sua própria teoria. Se acreditasse, não teria invertido a ordem dos dados econômicos, para fazer parecer que o povo inglês estava empobrecendo. Vejo o "erro" de Marx em atribuir tudo à economia como uma estratégia calculada. Ele era advogado, não pesquisador, disse o que julgou que poderia ter efeitos tais e tais sobre o público. Sinceramente, acho que nem Marx era marxista no sentido restrito do termo. Eu diria que Marx queria que as pessoas de sua época acreditassem que o modo de produção determina tudo o que há na sociedade.

    Quanto aos objetivos finais, cada um tem o seu. Muitos verdes apoiam o socialismo por saberem que ele causa fome e diminuição da população, e quererem justamente isso. Quanto a Gramsci, ele indicava que queria produzir o socialismo econômico como uma etapa posterior à guerra cultural (pelo menos é essa impressão que me passou), então seu objetivo era o mesmo de Marx (pelo menos o objetivo declarado de Marx, pois este era como Maquiavel, dizia o que dizia para produzir efeitos, não porque necessariamente acreditasse no que dizia).

    O autor atribui um poder imenso ao modernismo teológico, e penso que está certo. Mas o modernismo teológico cria o vazio, e foi o marxismo cultural, em grande parte, que o preencheu. Criar o vazio é apenas parte do mal, preenche-lo é outra parte.

    Finalmente, o autor termina dizendo que o ponto central é o fato de que o governo faz redistribuição de renda. Ora, durante toda a história do cristianismo (e fora dele também), os diversos governos tiravam de uns para dar a outros. Isso é um problema, mas é um problema antigo. A esse problema, se somaram males modernos, que não existiam antes, como o marxismo cultural.
  • Marciano  05/07/2014 21:35
    "Quanto à afirmação de que o marxismo cultural está morto não entendi de onde Gary North tirou isso. Ele acerta muito, mas às vezes erra feio. Talvez o marxismo cultural esteja morto lá em Marte, ou em Plutão. Aqui na Terra, parece uma força cultural predominante."

    Como pode ser "uma força cultural predominante" algo que nunca existiu? Você na realidade está querendo se referir a "progressismo", "relativismo moral" "ditadura do politicamente correto" etc. Essas são as definições corretas. Mas não é marxismo cultural.

    "Não entendi porque dedicar um artigo inteiro a isso. Esse aspecto mereceria, no máximo, um item no meio de um artigo mais geral."

    Pelo visto, um só artigo sobre isso ainda foi pouco, haja vista que você mesmo não entendeu os conceitos e segue fazendo confusão.
  • Renato Souza  08/07/2014 23:41
    Marciano

    Então, por favor, me esclareça. "Progressismo", "relativismo moral" "ditadura do politicamente correto" não são exatamente instrumentos do marxismo cultural? Não foram criados para dar poder aos marxistas culturais e servirem de meios de engenharia social? E não funcionaram perfeitamente nesse intuito? Ora, é isso que importa, através de instrumentos bem planejados, marxistas culturais obtém poder, alteram a sociedade, destroem inimigos, capturam o capital, criam ou ampliam toda espécie de males sociais. Pessoas que aprenderam com Marcuse, Adorno e cia obtém poder e praticam o mal. Isso é estar morto? Quanto aos objetivos declarados pelos marxistas culturais, eles são irrelevantes, como eram irrelevantes os objetivos declarados de Marx. Marx foi bem-sucedido. Os socialismos são bem-sucedidos. Não como sistemas econômicos, e isso é irrelevante, mas como estratégia de poder e engenharia social.

    Mas se estou errado, mostre a mim, gostaria de entender o seu ponto.
  • Marciano  09/07/2014 00:55
    Desisto.

    Eu não estou debatendo a existência de tais conceitos (catzo, eu mesmo os citei); estou debatendo (assim como o artigo) a incorreção do rótulo "marxismo cultural", que é paradoxal e denota um certa ignorância histórica de quem o utiliza.

    Só isso.
  • Renato Souza  10/07/2014 03:04
    Marciano

    Que o rótulo é incoerente todo mundo aqui já tinha entendido. Isto é diferente de dizer que está morto. Ter um nome equivocado não torna um movimento morto.

    E, já que o autor tocou no assunto: As raízes para esse mal são anteriores ao próprio marxismo cultural. Ok, concedo, não vou contraditar. Isso não quer dizer que o marxismo cultural teve papel irrelevante. O marxismo cultural organiza inteligentemente técnicas de guerra cultural. O modernismo teológico que veio antes, trabalhava no mesmo sentido, mas isso é diferente de dizer que sem o marxismo cultural os resultados seriam os mesmos. O "liberalismo teológico" (que nome mais infeliz), me parece, não tinha o poder de efetuar, por si mesmo, todas as transformações sociais que foram efetuadas pelo marxismo cultural. O autor cometeu um 'non sequitur', pelo menos assim me pareceu. Se algo está me escapando, por favor, alguém me explique.
  • Marciano  10/07/2014 12:30
    Em primeiro lugar, não é "liberalismo teológico", mas sim "modernismo teológico".

    Em segundo lugar, eu nunca disse que o gramscismo, o progressismo, o relativismo moral e ditadura do politicamente correto estavam mortos. Muito pelo contrário, sempre disse que estavam vivíssimos e que, por isso mesmo, deveriam ser chamados pelos seus nomes corretos, e não pela errônea e insignificante alcunha de "marxismo cultural".

    Você inventou esse espantalho (de que eu disse que o "marxismo cultural" está morto) e começou a bater nele, achando que assim estava me atingindo. Isso não é tática de debatedor honesto.

    Por isso, não tenho mais interesse em debater com você. Quando uma pessoa não sabe do que fala e não entende o que lhe dizem, todo o exercício se torna não apenas infrutífero, mas também totalmente contraproducente.
  • anônimo  05/07/2014 23:39
    Excelente comentário Renato Souza!
  • Paulo Kelson  05/07/2014 22:47
    É marxismo cultural sim! Não é um paradoxo.

    No início de sua carreira Karl Marx realizou o seu esforço intelectual no campo econômico, mas no fim de sua vida ele percebeu que o que deveria ser atacado é a instituição da família, a obra que Marx iniciou e não conseguiu terminar devido seu falecimento é A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, mas foi (concluída) por Engels, detalhe revelado e bem explicado pelo padre Paulo Ricardo em O marxismo e a destruição das famílias, a partir dos 4 minutos do vídeo:

    https://padrepauloricardo.org/episodios/o-marxismo-e-a-destruicao-das-familias

    No You Tube: https://www.youtube.com/watch?v=jAB-wgYuUL4#t=285
  • Bitcoin  06/07/2014 10:55
    Texto que pode gerar muita discussão.
  • Marcelo Simoes Nunes  06/07/2014 19:20
    Os primeiros três parágrafos do artigo são de uma clareza absoluta: marxismo cultural não é marxismo. Obviamente não nos compete mudar o nome de "marxismo cultural" que a esquerda atribuiu ao gramscismo, ainda que de forma equivocada. O que importa é perceber a contradição entre o marxismo e o que é chamado de marxismo cultural. É só isso.
    Mais adiante o autor revela desconhecimento do marxismo quando aborda a questão do determinismo econômico e da relação entre infra-estrutura e super-estrutura. A leitura do autor é o que se conhece como marxismo vulgar. Marx escreveu sobre isso num contexto histórico em que ele rebatia teóricos idealistas a respeito da explicação da história. Para Marx não eram as idéias liberais que haviam criado a burguesia, mas antes a lenta instalação de um incipiente comércio no seio da sociedade feudal que criaria a burguesia e ensejaria a revolução burguesa. Não se pode entender esse determinismo como absoluto, nem mesmo no âmbito da ortodoxia marxista. Há textos de Engels, Lenin e Stalim falando sobre isso. Lenin chega a acusar os mencheviques de revisionismo por adotarem posturas economicistas. Essa crítica, no entanto, não altera as conclusões do autor. Ainda que o marxismo ortodoxo admita que as idéias podem sim influenciar relativamente e que o determinismo histórico não tenha uma aplicação mecanicista, ainda assim o chamado marxismo cultural continua a ser uma inversão da base teórica do marxismo. E isso não é de forma alguma um dado irrelevante, dado que disso resulta consequências práticas.
    Se o marxismo estivesse correto, o socialismo real não teria se transformado no monstro totalitário que exterminou milhões de pessoas ao logo da história e ainda continua exterminando em países como a Coréia ou Cuba. Obviamente pode-se deduzir que falhas nos pressupostos teóricos levariam a resultados diversos dos previstos. Há que se lembrar que os comunistas venceram inicialmente uma guerra contra os anarquistas, a quem chamavam de utópicos. Com a revolução russa os anarquistas converteram-se ao comunismo. Os marxistas também eram contra o Estado, que, em sua análise, era apenas o a manifestação do domínio da classe dos capitalistas sobre a classe operária. Mas, para aniquilar o Estado, segundo essa visão, teríamos que antes passar pela ditadura do proletariado. Ou seja, elevar o Estado ao seu mais absoluto poder, para depois aniquilá-lo. A segunda parte do prognóstico nunca aconteceu. Conclusão: a base teórica do marxismo está errada.
    Quanto ao gramscismo e outras correntes esquerdistas e outras que nem mesmo de esquerda são,todas elas tem em comum o anticapitalismo, o ateísmo ou ao menos o anticristianismo, e o antipatriarcalismo. Todas essas posições também tem seus equívocos em suas bases teóricas, o que faz com que o resultado de sua ação seja bem diverso dos objetivos propalados. Não acredito que todos os esquerdistas queiram um Estado comunista. Não consigo imaginar que uma figurinha como o deputado Jean Willis, por exemplo, queira isso. Se houvesse, não acredito, uma revolução nas sociedades ocidentais impondo um Estado comunista como resultado da aplicação de teorias culturais,logicamente haveria grade adesão. Haveria também defecções, de imediato e mais ainda no futuro, como já assistimos no filme da revolução russa.
    O que hoje é dominante, é a triste coexistência de uma infinidade de grupos com ideologias confusas ao lado de grupos tradicionais, também confusos, em uma sociedade multifacetada que aparentemente não vai a lugar algum. Boa parte da esquerda parece ter-se contentado apenas com o poder e em escravizar os capitalista. De um lado criam-se oposições: negro-branco, homem-mulher, pobre-rico, heterossexual-homossexual etc. É o nós contra eles. Tudo muito bom para ganhar votos para as próximas eleições, mas... Manipulações de esquerda e movimentos de contra cultura criam apenas um mundo anárquico em que todos têm direitos,sem obrigações, todos querem aproveitar o máximo a vida, num hedonismo em que a única coisa que importa é o próprio umbigo. E nada disso contribui para o advento do comunismo e muito menos para a prosperidade geral.
  • Marcelo Coelho  06/07/2014 22:58
    "Mais adiante o autor revela desconhecimento do marxismo quando aborda a questão do determinismo econômico e da relação entre infra-estrutura e super-estrutura."

    "Infra-estrutura"... começou muito bem. E só vai piorar.

    "A leitura do autor é o que se conhece como marxismo vulgar."

    Vejamos.

    "Marx escreveu sobre isso num contexto histórico em que ele rebatia teóricos idealistas a respeito da explicação da história."

    E? O que interessa é que o que ele escreveu foi publicado e virou a base do marxismo ortodoxo.

    Em tempo, o autor tem um livro inteiro sobre Marx.

    "Para Marx não eram as idéias liberais que haviam criado a burguesia, mas antes a lenta instalação de um incipiente comércio no seio da sociedade feudal que criaria a burguesia e ensejaria a revolução burguesa."

    O autor não nega isso e nem sequer tenta dar outra interpretação. Isso é um truque sujo de sua parte.

    "Não se pode entender esse determinismo como absoluto, nem mesmo no âmbito da ortodoxia marxista. Há textos de Engels, Lenin e Stalim falando sobre isso. Lenin chega a acusar os mencheviques de revisionismo por adotarem posturas economicistas."

    O assunto são os escritos de Marx e não os de Engels, Lênin ou Stalin. Assim como quem quer discutir Mises tem de ler os escritos de Mises, e não os Hayek ou Rothbard.

    "Essa crítica, no entanto, não altera as conclusões do autor."

    Então não entendi nada do seu ponto.
  • Marcelo Simoes Nunes  07/07/2014 01:11
    Caro Marcelo, não altera a conclusão do autor porque está corretíssima a análise a respeito do ponto central do marxismo. Com ou sem a idéia de que as idéias podem ter influência sobre a base econômica e com ou sem a idéia de que o determinismo marxista não é mecanicista, isso não muda o conceito básico de que para o marxismo a infraestrutura (está melhor agora?)é determinante. Se Marx pensasse mesmo da forma que o autor escreveu ele não teria escrito nada (para que?), nem organizado politicamente o partido comunista (para que?). Eu levantei apenas uma questiúncula sem importância. Fiz isso porque vi o erro do autor, e, como não costumo endeusar ninguém, relatei o que me pareceu. Se alguém não gosta do marxismo é melhor antes conhecê-lo do que ficar falando besteira. Sem dúvida, marx falou sobre infraestrutura e superestrutura e sobre a determinação da infraestrutura sobre o restante, mas não se estendeu no tema, que continua sendo fonte de questionamentos. No entanto os três autores escreveram sobre o assunto, dando maiores esclarecimentos. Alguém por acaso acredita que algum dos três não seja um autêntico representante do marxismo? Isso tudo é histórico. Se quiser te passo os textos. Será que os textos da escola austríaca de diversos autores não guardam entre si uma coerência. Será que muitos dos textos aqui escritos muitas vezes não falam de temas já há muito escritos e não se procura interpretá-los da melhor forma, esclarecer o que ficou obscuro?
    O que escrevi está muito claro para quem quiser entender. Se discordar, ótimo, aponte o correto. Não era minha intenção contestar as afirmações de Marx, porque estava falando do autor do texto. Mas deixei claríssimo que a teoria marxista está errada, ou você não leu o que escrevi.
    Indo um pouco além confesso que não entendi a frase: "Sejamos claros e diretos: Marx estava errado e Gramsci estava certo." O que o autor quis dizer com isso? Se souber me responda, por favor. Aliás não vi nenhum comentário a esse respeito. Como Mises vê essa questão colocada pelo marxismo e invertida pelo gramscismo? Mises diz que há leis econômicas e que o marxismo falha por não respeitá-las, não é isso? Esse assunto poderia ser estendido para melhor compreensão da posição austríaca a respeito da interação entre economia e a cultura, a política e a justiça.


  • Marcelo Coelho  07/07/2014 12:12
    De novo falando em "infra-estrutura"? Não, cidadão, é super-estrutura e sub-estrutura. Não tem nada de "infra-estrutura". Comete um erro crasso desses, duas vezes, e é ainda quer dar lições de marxismo ao autor...

    "Se Marx pensasse mesmo da forma que o autor escreveu ele não teria escrito nada (para que?), nem organizado politicamente o partido comunista (para que?)."

    Hein?! Por que não? Marx queria alterar a estrutura dos modos de produção da sociedade. Ele queria abolir a propriedade privada dos meios de produção e entregá-la ao proletariado. Para criar as bases para essa revolução, ele criou a teoria da mais-valia (apoiando-se na teoria do valor-trabalho de Adam Smith) e da exploração.

    D novo: por que Marx "não teria escrito nada" se o que ele queria era avançar essa idéia?

    "Se alguém não gosta do marxismo é melhor antes conhecê-lo do que ficar falando besteira."

    Siga seu próprio conselho. Urgente.

    "Sem dúvida, marx falou sobre infraestrutura e superestrutura e sobre a determinação da infraestrutura sobre o restante"

    Onde Marx fala de "infraestrutura"? Jesus....

    "O que escrevi está muito claro para quem quiser entender. Se discordar, ótimo, aponte o correto."

    Feito. E agora pela segunda vez.

    "Indo um pouco além confesso que não entendi a frase: "Sejamos claros e diretos: Marx estava errado e Gramsci estava certo." O que o autor quis dizer com isso? Se souber me responda, por favor."

    Que a estratégia de Gramsci, de que a sociedade deve ser atacada pelos costumes e tradições, comprovou-se muito mais eficaz e efetiva. O texto é claro quanto a isso. Mas era necessário lê-lo.

    "Como Mises vê essa questão colocada pelo marxismo e invertida pelo gramscismo? Mises diz que há leis econômicas e que o marxismo falha por não respeitá-las, não é isso? Esse assunto poderia ser estendido para melhor compreensão da posição austríaca a respeito da interação entre economia e a cultura, a política e a justiça."

    Mises não fez comentários sobre Gramsci. A adoção da estratégia gramscista é algo relativamente recente no mundo.
  • Marcelo Simoes Nunes  08/07/2014 00:43
    Marcelo Coelho, "De novo falando em "infra-estrutura"?", isso é picuinha, cara. Marx escreveu em alemão e a tradução da palavra alemã aparece em textos traduzidos como eu escrevi ou como você acha que deve ser. Talvez você domine a língua alemã. Não é o meu caso. Então, isso não é um erro e muito menos crasso. É simplesmente algo sem nenhuma importância, já que com uma ou outra palavra qualquer idiota entende o mesmo. Também não pretendo dar lições de marxismo ao autor, mesmo porque ele não é meu leitor, não é mesmo? Nem a ninguém mais. Não sou professor. Apenar apontei o que me parece um erro do autor, com base em fatos reais. Citei as fontes. Disse-lhe que se quisesse lhe enviaria os textos. Pedi-los seria a única maneira de me contraditar com base em algo concreto. Você não o fez, e responde um monte de coisas sem sentido. Veja a bobagem que escreveu:"Hein?! Por que não? Marx queria alterar a estrutura dos modos de produção da sociedade. Ele queria abolir a propriedade privada dos meios de produção e entregá-la ao proletariado. Para criar as bases para essa revolução, ele criou a teoria da mais-valia (apoiando-se na teoria do valor-trabalho de Adam Smith) e da exploração." Isso qualquer um sabe. O que eu disse é: se Marx escrevia é porque esperava ser lido e ter suas idéias aceitas, porque para fazer a revolução ele precisava de adeptos, não é mesmo? Teorias não fazem revolução sozinhas. O argumento, nesse passo, é: para fazer revolução é preciso ter uma teoria revolucionária e arregimentar militantes que operarão a revolução,logo Marx escrevia para fazer as duas coisas. Segundo a avaliação dele, a AÇÃO humana (criar a teoria, convencer a militância e arregimentá-la, era possível porque a infraestrutura,isto é, o modo de produção capitalista(pós revolução burguesa)já havia criado as condições para desencadear a AÇÃO da revolução proletária. Será que dá para entender isso? Isso é o determinismo, segundo Marx. Para ele, não daria para fazer a revolução proletária no sistema feudal (esse é o tipo de determinismo a que ele se referiu. Não é por outro motivo que em nosso passado recente o partido comunista apoiou governos de direita. Fizeram isso, porque, em sua análise, o Brasil teria um regime semifeudal que necessitava ser destruído para criar a sub-estrutura (como você acha que é o correto)capitalista, a qual determinaria a possibilidade da ação revolucionária. Então, Marcelo, não me leve a mal, mesmo porque não estamos nem cabo de guerra. Só disse o que disse porque isso é uma questão conceitual da maior relevância para entender o marxismo.
    Agradeço sua resposta: "Que a estratégia de Gramsci, de que a sociedade deve ser atacada pelos costumes e tradições, comprovou-se muito mais eficaz e efetiva. O texto é claro quanto a isso. Mas era necessário lê-lo." Pode mesmo ser que você tenha entendido isso corretamente.Talvez eu tenha tido dificuldade de entender o que você me explicou porque eu não concordo em absoluto com o autor, quanto a isso. Em que se baseia o argumento de que a "estratégia cultural provou-se muito mais eficaz e efetiva"? Eficaz e efetiva em que? O marxismo ortodoxo de Marx produziu a revolução russa, a chinesa, a cubana, da Coréia do norte, do Vietnã, do Camboja, do Laos etc. O gramscismo produziu o que? Rigorosamente nenhuma revolução. A não ser que você ache que o Brasil.... Não é melhor nem pesar nisso. O que produziu o gramscismo e demais teorias afins foi apenas uma enorme deformação do capitalismo e o multifacetamento social. Não há hegemonia, dominância, nada. No Brasil convivem 70 milhões de crentes, com outros milhões de católicos, com tribos da mais diversas, grupos GLS, movimentos os mais variados, quase todos de esquerda, PCC etc. É como se do nada as portas do inferno tivessem sido abertas. Por isso, meu caro, com todo respeito aos autores do Mises e, em especial, ao autor do texto acima, do qual você parece gostar, mas discordo dos pontos que levantei e concordo plenamente com os primeiros parágrafos, onde o autor conclui que as posições teóricas analisadas são quase que opostas.
    Quanto ao Mises, eu sei perfeitamente, que por questão temporal seu comentário não seria possível. Mas não foi isso que eu perguntei. O que eu perguntei é: do ponto de vista da escola austríaca, ou dos autores, ou do seu ponto de vista, segundo o pensamento que vem sendo desenvolvido por esta escola, como é vista a relação entre a base econômica e o mundo jurídico, político, cultural? Em seu entendimento algum desses é total ou parcialmente determinante sobre os demais? Qual é o tipo de interação concebida? A história segue um curso totalmente predeterminado? Ou não há essa determinação? Ou há uma determinação relativa? Acho muito interessante o debate que ocorre no Mises. Quase sempre um texto, abre caminhos que vão além dele mesmo. Abre questões que dizem respeito às nossas vidas, enfim.








  • Celso  06/07/2014 20:18
    Se não "marxismo cultural", gostaria de saber então qual termo o autor do artigo ou os colaboradores do IMB acham adequado usar para diferenciar a estratégia insurrecional marxista da da de Gramsci.
  • Marciano  06/07/2014 22:25
    Já respondido. "Progressismo", "relativismo moral, "relativismo cultural", "ditadura do politicamente correto" etc.

    Não é necessário criar termos sem sentido para descrever algo que pode ser perfeitamente descrito por termos populares.
  • Celso  06/07/2014 23:59
    Totalmente inapropriado, pois tais termos escondem o caráter revolucionário das ações dos ditos "progressistas". O argumento do autor do artigo é muito parecido com o daqueles esquerdistas que dizem não ser apropriado criticar o comunismo baseado nas mazelas por ele causado ao longo da história, uma vez que "distorceram" Marx.
  • Ricardo  07/07/2014 00:53
    Gramscismo.

    Fim.
  • Idealizador  16/09/2014 02:42
    Como diria o Falcão muita "catilogência" do autor (ótimo pensador) e dos debatedores.

    "Catilogência" porque apesar da tese ser plausível e possivelmente demonstrável, as ilações históricas empregadas para sustentar a argumentação do texto são confusas. Confusas sim, por isso controversas, pois assim não teria gerado mais de meia centena de comentários...

    O problema é semântico mesmo. A questão é que marxismo se tornou sinônimo de socialismo. Se tornou indissociável nominalmente. Bom, os fatores são amplos como aponta North. Mas basta dizer que nenhum autor socialista pretendeu e de alguma forma concretizou a elaboração de uma conjunto de teorizações, - mesmo que altamente descabidas e inconsistentes logicamente -, como o barbudão alemão.

    Assim, ainda que strictu sensu o marxismo cultural não seja marxismo, lato sensu é, pois não passa de mais uma vertente do socialismo ou coletivismo eque foi desenvolvido por "pensadores" que bebeiam da fonte do socialismo marxista.

    O grande embate cultural da civilização ocidental mesmo é a cultura do individualismo contra o coletivismo. A luta da sociedade aberta contra a fechada como teorizou Popper e que recorrerei conceitual e terminológicamente. A tese popperiana acho extremamente plausível, embora conservadores como os voegelinianos ou de outras matrizes de pensamento, conservadores que são, individualistas mas que enfatizam a comunidade e portanto pressupõem certo coletivismo na postura cultural individualista, criticam Popper de maneira forte. Anarco-capitalistas rothbardianos ou hoppeanos, ou ainda saindo do "austrianismo", friedmanianos, como inflexíveis anarco-individualistas que são rejeitem o estatismo popperiano que remanesce na conceituação de "sociedade aberta".

    Mas a tese e Popper de que existe um milenar confronto de visões de mundo altamente opostos, maniqueisticamente, que indiretamente Mises em seus escritos salientou, é que só existem duas formas de se (tentar, como no caso socialista, embora impossível) organizar socialmente a humanidade, ou mediante o individualismo-capitalista ou mediante o coletivismo-socialista.

    O cristianismo entra no individualismo-capitalista como incremento, seus valores nortearam e norteiam o pesamento liberal e a organização social liberal. Muito embora como religioso que sou, concedo que um ateu pode ser o mais fiel defensor de uma sociedade aberta. O cristianismo (controvérsias poderão surgir dos meus caros ateus... rs) de certa forma deu uma coesão moral a sociedade aberta ocidental, coisa que o paganismo não conseguiu pois era um tanto, como poderia dizer? pouco afeito a inflexibilidades morais pois não pautavam seus preceitos em "leis" ou mandamentos divinos, seus atos eram guiados de dentro pra fora, sua consciência determinava o certo ou o errado, já no cristianismo era o contrário, vinha de fora pra dentro.

    E como muitos concluíram é quase irrelevante concordo, se a expressão correta é essa ou aquela. No final é tudo coletivismo parasitário que fere os direitos individuais e viola totalitariamente a esfera de individualidade-privacidade de cada pessoa com agendas desrespeitosas, intolerantes, intervencionistas e intrusivas.

    Ademais, como alguns salientaram, Marx não era um materialista "isolacionista", "purista", seus escritos embora priorizem a mudança da subestrutura para se alcançar a alteração da superestrura, Marx tinha preocupações de ordem cultural. Afinal, não é ele um dos grandes nomes na defesa do ateísmo? Não conheço Marx tão a fundo mas seu objetivo exposto em escritos primários e secundários de/e sobre o barbudão os quais já tive acesso, colocam a questão do ateísmo, e levando-se em conta o contexto de sua existência, judeu, alemão, ocidental, filósofo (atividade greco-ocidental por excelência), seu objetivo era a superação total da objetividade greco-cristã na qual nasceu, defendendo um mundo polilogista promotor da relatividade de valores e instituições.

    Como escreveu um dos integrantes desse debate o colega "Dom Comcerciante" "Explicando da forma mais simples o que o autor quer dizer: Progressistas defendem como causa o que Marx defendia como efeito [...]".

    Diria inclusive que é irrelevante se Gramsci pôs Marx de de cabeça pra baixo, e pergunto: só por que Marx está com seu corpo (ainda que teórico) de cabeça pra baixo, ele, - o corpo teórico marxista -, deixa de ter identidade marxista? Isso não violaria a lei lógica da não-contradição (ou da "contrariedade" como gosto)?

    O fim de Marx a Gramsci, de Frankfurti a contra-cultura, é a destruição da sociedade aberta e seus valores individualistas, juridicamente isonômicos, voluntaristas, isto é, cooperantemente voluntários, pacíficos, tolerantes, enfim libertaristas/libertários.
  • Roger Zengo  29/12/2014 03:32
    Excelente!! O melhor comentário de todos. Parabéns.
  • Eduardo R., Rio  06/07/2014 20:24
    Uma curiosidade. IMB, notei que as curtidas desse artigo voltaram a zero depois de terem alcançado os milhares, e acho que isso não ocorreu só uma vez. O que houve?
  • Equipe  06/07/2014 22:18
    Ótima pergunta. Estava em mais de 2.500 curtidas, e aí zerou tudo. Inexplicavelmente. Se algum entendedor tiver alguma explicação seremos gratos.
  • Guilherme  07/07/2014 14:59
    Parece que parou de funcionar geral. No artigo de hoje também não está funcionando.
  • Vito Fontenelle  07/07/2014 02:58
    Esse artigo é inócuo. É como dizer que baleia não é peixe, não é novidade e, além disso, não acrescenta nada ao debate.

    O nome é o de menos, podem chamar essa teoria de engana-trouxa ou, de qualquer outra coisa, o que importa é o conteúdo que é terrível. E o objetivo dos progressistas é o mesmo, no final das contas, dos outros socialistas: viver as custas dos outros e interferir na vida dos outros.
  • Marcos  09/07/2014 23:56
    Concordo e discordo do texto. Concordo com o argumento principal do texto, que afasta o "marxismo cultural" do marxismo de fato. Realmente, o nome é inadequado, seria mais correto dizer que a Escola de Frankfurt promove o socialismo cultural. Imagino que o termo "marxismo" tenha sido empregado mais por causa da grande influência de Marx na tradição socialista do que pelas ideias dessa corrente.

    Por outro lado, o autor falha solenemente em perceber que o socialismo cultural é um inimigo muitíssimo mais perigoso do que o marxismo clássico. As ideias de Marx já foram refutadas e não há quem consiga defendê-las por muito tempo após os avanços na ciência da economia, exceto talvez na universidade brasileira, que não parece ter saído do paleolítico. A própria realidade se incumbiu de solapar todas as bases da doutrina marxista. No entanto, o socialismo cultural possui bases descentralizadas e muitas vezes contraditórias entre si. É uma hidra de mil cabeças, impossível de ser atacada do mesmo modo que se fez com Marx. Destrua uma de suas premissas e ele apresentará outra, contraditória com a primeira, na maior cara de pau. Não há compromisso algum com ciência ou razão, mas como os próprios interlocutores são idiotizados desde a infância, sequer conseguem perceber isso. E seu potencial destrutivo das liberdades é tão grande ou até maior do que Marx. Se o marxismo atingiu apenas alguns países, o socialismo cultural tem tentáculos por praticamente todas as nações, tornando as sociedades em que se infiltra cada dia menos livres. Não é por outro motivo que os conservadores passam o tempo todo falando no marxismo cultural.

    O irônico disso tudo é que Marx estava errado até mesmo em relação aos rumos da tradição socialista.
  • Leandro Koller  10/07/2014 17:16
    Excelente artigo, porém parece tomar o primeiro mundo como o todo. O marxismo cultural ainda é levado a sério por aqui (até mesmo o marxismo ortodoxo, mas com muito menos adeptos). Vocês teriam alguma adição a este respeito?

    - Grato
  • Bruno D  18/07/2014 18:15
    Já ouvi dizer de uma pessoa:

    "Vou viajar e morar no país X, pois lá É UM PAÍS SOCIALISTA DE VERDADE"

    Qual foi de fato o movimento ou corrente ideológica que acabou por produzir alguém que pensasse assim?

    (a) - Marxismo Cultural

    (b) - Determinismo histórico e econômico postulado por Marx.

    I - Apenas a opção a está correta.

    II - Apenas a opção b está correta.

    III- Ambas as opções a e b estão corretas.

    IV - Nenhumas das opções a e/ou b estão corretas.

  • Renato Arrieche  24/07/2014 23:23
    Vocês do mises.org derrubaram uma das teorias da conspiração mais amadas e difundidas pela direita. Estou tão triste :-(

    Mas na boa, finalmente encontrei BOM SENSO na internet. Finalmente alguém se deu conta de que o lugar das "putinhas aborteiras anarcofeministas", em um mundo socialista, seria o gulag.

    Povo miseano, apesar de eu discordar de vocês quanto à retórica marxista da moralidade, afirmo que concordo plenamente com a oposição marxismo ortodoxo versus marxismo cultural. Um soviético do passado seria tão ou mais conservador que um conservador de hoje. O mundo girou tanto, mudou tanto que muitos sequer perceberam o quanto estão permeados pela ideologia moderna.

  • Erandur of Dawnstar  23/08/2014 01:08
    Sei lá viu.... derrubou e não derrubou.

    Ele não nega a existência do fenômeno, somente questiona as origens que os conservadores propõe, e sua taxonomia como sendo contraditória.
    Na realidade, se você parar para ver de maneira fria o que é o tal chamado "marxismo cultural" verá que a parcela passível de ser considerada "teoria de conspiração" são suas origens teóricas. Já o observável, o fenômeno visto no mundo é um fato, e para observa-lo basta olhar pela janela de casa.

    O autor diz que o termo por sí só é auto-contraditório, por não se tratar de marxismo. Vendo pelo significado semântico do nome, de fato, supondo que os conservadores estejam certos, isso se chamaria de fato gramscismo. Já o que o autor argumenta é que Gramsci pouco teve a ver com o fenômeno da contra-cultura, apesar de certa forma, o ter ""profetizado"".

    De qualquer forma, o nome marxismo cultural, do pronto de vista pragmático é até interessante, já que a contra-cultura de esquerda usa Marx como seu slogan, e adoram ficar utilizando seus clichês para justificar suas atitudes, mesmo não seguindo que o guru disse.

    Como eu não tenho opinião formada (e provavelmente nunca vou ter) sobre as origens desse movimento (gramsci, 1a guerra, keynes, papai noel, etc), logo, não posso dizer se concordo ou não. Mas que é um excelente texto, isso é.
  • anônimo  06/07/2015 11:18
    Na verdade o termo "Marxismo Cultural" é um apelido dado por conservadores. O termo correto e original seria "Revolução Cultural" ou "Gramscismo".

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1292

    É só ler os primeiros volumes do Cadernos do Cárcere e notar as semelhanças que vemos que ele ensinou para a esquerda com as Universidades atualmente. O "Marxismo Cultural" existe e vem sendo um sucesso, Rothbard já escreveu sobre isso.

  • Ricardo  04/09/2014 03:23
    Finalmente um texto que eu concordo neste site, sugiro também este vídeo: www.youtube.com/watch?v=Psxga_5ZELw
  • Andre  30/09/2014 15:39
    Não entendo qual o grande objectivo qual o grande propósito em desvincular o marxismo do marxismo cultural, apesar de existir alguma validade dos argumentos eles não justificam tal desvincular.

    Se uma corrente acha que a mudança cultural vem da transformação dos meios de produção e a outra acha que a transformação dos meios de produção vem da mudança cultural, não vai dar no mesmo em essência? A intenção de ambos é a mesma, e estar dividindo ambos parece apenas uma mera questão de semântica que apenas favorece os esquerdistas.

    Para quê dividir quem está unido? eu não conheço nenhum marxista cultural que não seja marxista econômico, e se o Marx os apoiaria ou não é irrelevante para mim, pois o Marx não existe.

    Parabéns ao Mises por prestar um enorme serviço á esquerda desonesta como se vê pelos comentários, que vai a partir de agora negar o "marxismo cultural" porque este autor (que provavelmente só entende de economia e nada mais) achou ser muito importante a questão "semântica" do termo "não são exatamente marxistas!".

    Espero que entendam pelas evidencias das consequências a burrice que isto representa.

  • Andre  30/09/2014 15:54
    Mas só para completar a ideia o que eu acho mais inacreditável e que me faz ter enormes suspeitas sobre o propósito de tal texto é a frase "CUIDADO com quem evoca este termo" cuidado?? somos perigosos? Eu não entendo como alguém que se diz anti-marxista iria dizer "cuidado", cuidado é um termo injustificável, mesmo que o termo "marxismo" não se refira estritamente ao Marx, mesmo que esteja ligeiramente errado, porquê o cuidado? porquê alertar para o perigo? qual é o perigo?? O único perigo é dar pretexto a marxista para ficar usando este texto para negar um fenômeno que vcs não negam como vcs conseguiram fazer.
  • Erandur of Dawnstar  02/10/2014 19:20
    Sim, justamente, o texto em momento algum não nega o fenômeno. Nem teria como, já que ele é um fato. Porém o único intuito é desvincular o termo Marxismo do fenômeno... oras, qual é a necessidade disso, uma vez que ele é em grande parte socialista, de qualquer forma ?
  • Pedro Ivo  13/04/2015 14:39
    Estratégia de subversão cultural comunista:

    - Yuri Bezmenov - Tomas Schuman I
    - Yuri Bezmenov - Tomas Schuman II - Subversão comunista

    Isso explica boa parte desta troca de gentilezas.
  • Eduardo R., Rio  21/01/2016 04:25
  • Gustavo  04/04/2016 12:38
    O título é completamente enganador para o conteúdo do texto.

    Marxismo Cultural é um termo que possui vários sinônimos como alguns comentaristas já escreveram.
    Antônio Gramsci, por exemplo, chamou o "Marxismo Cultural" (não existia esse termo na época) no primeiro volume do Cadernos do Cárcere de "Revolução Cultural".
    Yuri Bezmenov, outro exemplo, chamou o "Marxismo Cultural" (nessa época o termo já existia) em suas palestras de "Subversão".

    Enfim, se uma corrente acha que a mudança cultural na infraestrutura da sociedade vem da transformação dos meios de produção (marxismo clássico) e a outra acha que a transformação dos meios de produção vem da mudança cultural na infraestrutura da sociedade ("marxismo cultural" ou o nome que quiser usar), o objetivo é exatamente o mesmo. A diferença é que os meios para se atingir os objetivos mudaram 180º.
  • Marsia Mariner  05/08/2016 06:44
    Outra coisa que o "marxismo cultural" certamente não é: um produto ou derivado da Escola de Frankfurt. Diferente de 99% dos conservadores, liberais, olavettes e fãs do Bolsonaro, eu estudei as obras de Marcuse, Benjamin e Adorno no comêço dos anos 1980, e afirmo que naquêles escritos não encontrei qualquer «subsídio» para o que se costuma rotular como marxismo cultural. Pelo contrário, Theodor Adorno por exemplo, seria atualmente tachado de racista e elitista pelo polìticamente-correto "de esquerda" [lembro a propósito que também existe o polìticamente-correto *da direita*]. Enfim, tanto a Wikipedia quanto o RationalWiki acertaram ao classificar o movimento contra o marxismo cultural de «teoria conspiratória»:

    https://en.wikipedia.org/wiki/Frankfurt_School#Cultural_Marxism_conspiracy_theory
  • Libertário Honesto e Realista  01/09/2016 09:43

    https://www.reddit.com/r/KotakuInAction/comments/359haq/does_anyone_have_any_of_the_archived_cultural/
    archive.is/YzkIS
    https://www.reddit.com/r/KotakuInAction/comments/2occ7m/wikipedias_cultural_marxism_article_now_redirects/

    Se ainda não conseguiu perceber, a Wikipédia é tomada completamente por esquerdistas. Esses três artigos provam muito bem isso:
    www.frontpagemag.com/fpm/102601/how-left-conquered-wikipedia-part-1-david-swindle
    journals.plos.org/plosone/article/asset?id=10.1371/journal.pone.0134454.PDF
    www.westernjournalism.com/uncovered-wikipedias-leftist-ties-and-its-censorship-of-the-facts/
    Se a filosofia que conduz sua visão política é a Liberdade e você ainda acha que a Liberdade deve ser defendida apenas na parte econômica da sociedade e deve-se deixar os SJWs dominarem todos os outros setores, veja a parcialidade nojenta da Wikipédia nesses três artigos sobre acontecimentos importantes para a validade prática da Escola Austríaca:
    https://en.wikipedia.org/wiki/Miracle_of_Chile
    https://en.wikipedia.org/wiki/Wirtschaftswunder
    https://en.wikipedia.org/wiki/1950s_in_Hong_Kong
    Aliás, o RationalWiki é uma enciclopédia Declaradamente e Explicitamente "liberal" (esquerdista nos EUA):
    en.metapedia.org/wiki/RationalWiki
    lesswrong.com/lw/f5b/the_problem_with_rational_wiki/
    nwioqeqkdf.blogspot.com.br/2015/06/is-rational-wiki-rational.html

    Se você tivesse pesquisado e lido nos lugares certos e "neutros" o que significa e de onde veio o tal Marxismo Cultural, rapidamente perceberia a obviedade de que nenhum teórico nunca criou nenhuma estratégia chamada "Marxismo Cultural". Marxismo Cultural é um termo informal amplo que se refere à defesa e aplicação da Teoria Crítica e, de forma geral, à influência cultural, política e acadêmica de certos elementos da esquerda contemporânea.

    As raízes etimológicas do Marxismo Cultural derivam de um filósofo italiano chamado Antonio Gramsci que inventou em suas obras "Cadernos do Cárcere" o que ele próprio chamou de "Revolução Passiva" ou "Revolução Cultural".
    A obra dele começava fazendo um profundo estudo sobre a forma radical de como as esquerdas europeias estavam se comportando e então já no segundo volume de sua obra ele propôs a famosa estratégia da "Ocupação de Espaços", do "Aparelhamento" e da "Hegemonia Cultural" que basicamente seria ocupar espaços políticos e acadêmicos para subverter toda a cultura da sociedade ocidental de forma lenta e gradual para que a transição para o Socialismo fosse natural e imperceptível aos olhos de um cidadão médio.
    Mas lógico que Gramsci não foi o único intelectual que participou na criação do Marxismo Cultural (novamente, esse é um termo informal).
    Os intelectuais da Escola de Frankfurt (Instituto para Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt) criaram algo que ficou conhecido como Teoria Crítica. Definir ou classificar a Teoria Crítica é extremamente difícil, pois se refere a uma quantidade enorme - quase contraditória - de ideias, indivíduos e abordagens. O aspecto fundamental e permanente da Teoria Crítica, porém comum a todas as suas ramificações, é a criação de teorias interdisciplinares que poderão servir como instrumentos de transformação social.
    Durante os anos 60, a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt ganhou popularidade entre vários partidos de Esquerda tanto na Europa como na América do Norte. Hoje em dia, sua influência é vista pelo mundo acadêmico ocidental dominando as ciências sociais e humanas. Estudos de gênero e Estudos da raça branca são dois exemplos. Um dos mais influentes teóricos críticos e um membro original da Escola de Frankfurt foi Hebert Marcuse. Uma olhada rápida no próprio Wikipédia em qualquer parágrafo escrito por Marcuse já será suficiente para alertar qualquer um, mesmo os que estão pouco familiarizados com a cultura atual de intolerância progressista nos campos das universidades. Considere a seguinte passagem de sua dissertação de 1965 em sua obra "Tolerância Repressiva": "As minorias pequenas e impotentes que lutam contra a falsa consciência e seus beneficiários precisam de ajuda. A continuação de sua existência é mais importante do que a preservação do abuso de direitos e liberdades que garantem poderes constitucionais àqueles que oprimem estas minorias".
    Justiça Social, Feminismo e Progressismo, para dar alguns exemplos, são todos movimentos inspirados ou nascidos da Teoria Crítica e, portanto, estão todos sob a bandeira do Marxismo Cultural. Seja gênero, orientação sexual, família, raça, cultura ou religião: todos os aspectos de identidade de uma pessoa devem ser questionados e desconstruídos. Toda norma ou padrão social deve ser contestado e, idealmente, alterado para o suposto benefício de grupos oprimidos.
    O Marxismo Clássico via a luta de classes como um conflito entre a burguesia e o proletariado, os que têm e os que nada têm. O Marxismo Cultural enxerga esse conflito ocorrendo entre os oprimidos e os opressores, entre os privilegiados e os não-privilegiados. A "classe operária" foi substituída pelas "minorias". Grupos majoritários são tipicamente classificados como "privilegiados" e "opressores". Já os grupos minoritários são classificados como "não privilegiados" e "oprimidos". Heterossexuais são opressores. Indivíduos cisgêneros são opressores. Brancos são opressores, especialmente o Homem Branco. Cristãos são opressores. Aqueles que não se encaixam nestes grupos são, portanto, considerados oprimidos. Assim, faz sentido pensar que se os heterossexuais são opressores a solução é encorajar e promover outras formas de sexualidade. Se os brancos são opressores, a solução esquerdista está na diversidade racial. Se indivíduos cisgêneros são opressores, a solução está em encorajar e promover o transgenerismo. Se os cristãos são opressores, a solução esquerdista é propagar o Islã e o Ateísmo.
    Theodor Adorno, outro membro original da Escola de Frankfurt, escreveu um livro chamado "A Personalidade Autoritária" no qual ele define paternidade como "orgulho familiar do indivíduo"; o Cristianismo como "aderência aos papéis sexuais tradicionais e atitudes tradicionais em relação ao sexo"; e o amor de alguém a sua pátria como um "fenômeno patológico". Essa tendência de se patologizar opiniões que não estão de acordo com seus propósitos políticos é característico do Marxismo Cultural. Assim, visões descritas como medos irracionais ou fobias. Por exemplo, uma pessoa que se sinta incômoda vivendo como minoria em uma área dominada por imigrantes muçulmanos pode ser rotulada como "islamofóbica", visto que seu desejo de viver entre pessoas semelhantes étnica e culturalmente a ela é considerado detestável e fóbico. Por outro lado, quando muçulmanos paquistaneses vivendo na Grã Bretanha demonstram preferência por seu grupo, convertendo seções inteiras de um vilarejo ou de um cidade em um mini-Paquistão não há nada de desprezível, não há fobia, somente Multiculturalismo.
    Uma manifestação de propaganda popular do Marxismo Cultural é o Politicamente Correto, pelo qual quase todos os veículos de mídia e os cientistas sociais tornam um exercício obrigatório fazer o seguinte: 1) Questionar a linguagem comum: Imigrantes ilegais, por exemplo, devem ser chamados de "imigrantes não-documentados". Enquanto discriminação racial contra maiorias é chamada de "ação afirmativa". Sua ambição em definir e redefinir palavras pode ser visto como uma forma de controlar o discurso e alterar normas culturais. Racismo e Sexismo foram redefinidos como o resultado de Preconceito + Poder, o que nos leva a afirmações ridículas da Feminist Frequency como "Não existe sexismo contra o homem" e "Eu, mulher de uma minoria étnica, não posso ser racista ou sexista contra homens brancos".
    2) Manter uma visão firmemente favorável de grupos considerados "oprimidos". O Islã é uma religião de paz. Black Lives Matter é um movimento de protesto pacífico. O feminismo defende a igualdade. E assim por diante. Nenhum desvio dessa narrativa será tolerado jamais, tampouco crítica alguma. Ou irão te processar e fazer da sua vida pessoal um inferno.
    Enquanto o Comunismo na visão de Marx oferece a resposta para a luta de classes em um sistema social utópico tudo o que o Marxismo Cultural oferece é a proposta desoladora de conflitos eternos entre outros grupos ainda mais definidos de minorias supostamente ofendidas. A única consequência impactante que sua ampla aplicação irá acarretar justificar cada vez mais o agigantamento do Estado para "resolver" esses conflitos criados pelos próprios esquerdistas e nos levar ao totalitarismo orwelliano de 1984.

    Três vídeos excelentes que resumem muito bem o assunto:
    https://www.youtube.com/watch?v=qpeufnFUkGo
    https://www.youtube.com/watch?v=7lfzDGEh5g4
    https://www.youtube.com/watch?v=txBtasu8w-M

    E três artigos, inclusive um do Rothbard, do IMB que mostram uma visão oposta a do Gary North:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2094

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1292

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2381

    Há Braços.
  • Irineu Neu  11/09/2016 18:53
    É verdade que a teoria materialista do conhecimento é tão brilhante que até a direita parte dela?


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