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Em defesa do luxo

O que têm em comum um pingente de ouro, um violino Stradivarius, um relógio Cartier, um terno Armani, e um iPhone 5s?  Nada tecnológico.  Simplesmente há algo no luxuoso que sempre irritou profundamente estóicos, ascetas, mendicantes, esquerdistas e hippies ao longo da história. 

Os ataques contra o luxo vêm ocorrendo há pelo menos 2.500 anos, e sempre forneceram uma espécie de "estímulo intelectual" a vários pensadores (bem como aspirantes a pensadores), desde meninos ricos e mimados que se rebelam contra sua condição a filósofos de todos os matizes e credenciais, passando por sangrentos revolucionários igualitaristas.

No entanto, fica a pergunta: o que realmente é o luxo e por que ele gera tanto ódio de quando em vez?  Um dicionário define luxo como "qualquer coisa dispendiosa ou difícil de se obter, que agrada aos sentidos sem ser uma necessidade".  Outro define como "tudo que apresenta mais riqueza de execução do que é necessário para a sua utilidade".  E outro define como "o que é supérfluo, que passa os limites do necessário".  Por fim, mais um outro define como "magnificência, ostentação, suntuosidade; aqueles bens, acomodações, manufaturas, obras de arte e demais objetos que excedem o necessário".

Em comum, todos recorrem a uma variação da expressão "além do necessário".  Mas o que é isso de "necessário"?  Há sempre algum intelectual empedernido dizendo que o necessário para viver são apenas "alimentos, roupas e moradia", e que qualquer coisa além disso não passa de "ostentação".

O problema é que tal definição é incrivelmente retrógrada: além de negar todo o processo de criação de riqueza produzido pelos homens, ela reduz os seres humanos às suas mais puras necessidades biológicas (energia e proteção perante as intempéries).  Em outras palavras, ela reduz os seres humanos exclusivamente ao seu lado animal. 

Só que nós seres humanos somos qualitativamente distintos: temos a capacidade de sonhar, de projetar e de criar.  Isso significa que uma necessidade muito íntima do ser humano é a de criar, de dar vida às suas ideias, e de fazer arte.  E é aqui que o luxo entra em cena: em todas essas coisas que, de um ponto de vista animalista-mecanicista, "não são necessárias", mas que enriquecem nossas vidas.

Para uma porcentagem importante da população, ter um iPod não é a mesma coisa do que ter qualquer outro reprodutor de MP3.  E o motivo é simples: um produto da Apple não exerce apenas "função"; ele também é uma "declaração de status", ou seja, ele é um aporte à imagem de seu usuário.  Como primatas avançados, temos a capacidade de embelezar e decorar as coisas, e é nessa capacidade que reside a essência daquilo que é humano.  Um iPod ou um iate são facilmente criticáveis; já uma sinfonia de Beethoven ou uma receita gastronômica mediterrânea feita com 40 ingredientes orgânicos não apenas não são criticáveis, como são tidas como "cultura". 

Eis aí o ardil conceitual dos inimigos do luxo: criticam o consumidor do luxo — o usuário — mas não seu criador, o qual muitas vezes é tido como uma alma artística, sensível e até mesmo industriosa.

O luxo é obtido à custa da alguém?  Nos tempos das teocracias e dos regimes feudais, o luxo sempre surgia à custa da qualidade de vida de terceiros.  Faraós, ditadores socialistas ou emires árabes são exemplos de pessoas que conseguiram luxo à custa da qualidade de vida de sua população.  Com efeito, no passado, muitas terras e fortunas foram adquiridas mediante o uso da força, e não mediante o comércio.  Porém, nas sociedades industriais e comerciais atuais, a riqueza é criada com a produção e subsequente comércio.  O que possuímos não foi criado à custa de outra pessoa.

Ao se analisar o luxo, há quase sempre uma tendência de se separar o "belo" do "funcional".  Só que tal divisão não deixa de ser impossível.  Muitos daqueles que atacam o "excessivo" em determinado aspecto, o defendem inflexivelmente em outra aplicação.  Muitos amantes da música consideram uma escultura algo desnecessário, e muito artistas não entendem a beleza de uma invenção mecânica ou de uma fórmula matemática.  A primeira defesa do luxo passa pela ética: o que terceiros fazem com seu corpo, com seus membros e com seus materiais adquiridos de maneira pacífica e voluntária não é problema nosso, não nos prejudica e nem sempre seremos capazes de entender suas motivações. 

Na economia, um bem de luxo é definido como aquele cuja demanda aumenta desproporcionalmente em relação ao aumento da renda.  Disso, vale uma observação: o luxo só pode ser definido de forma relativa.  O luxo só é luxo dentro de algum contexto específico.

Citando Ludwig von Mises, "os luxos de hoje são os bens triviais de amanhã".  Assim como a filósofa russa Ayn Rand disse que "a função da arte é nos mostrar as coisas tal como poderiam ser", podemos dizer, parodiando Mises, que a função do luxo é nos mostrar o caminho massificador para que as coisas passem a ser para todos.  O progresso humano não é estático: o que nos parece um bem absolutamente normal nos dias de hoje, começou sem nenhuma dúvida sendo um luxo (extravagância? Ostentação?) para poucos.

Pense em um sanduíche de presunto obtido em qualquer birosca de qualquer bairro da sua cidade.  Sem dúvidas, ele seria uma delicatessen no Sudão, um país extremamente atrasado e pobre.  No entanto, se formos para a Suíça ou para a Noruega, o sanduíche que come um pedreiro parecerá uma delicatessen — tomando por base seus ingredientes — se comparado aos sanduíches vendidos nos bairros pobres das cidades do Brasil, do Equador, do Peru ou da Bolívia.  Por isso, o luxo sempre se dá dentro de um contexto específico.  Certamente, para nossos antepassados da era paleolítica, qualquer moradia com dois recintos seria uma mansão.  Cada filho de uma família ter suas próprias roupas e sapatos, em vez de herdá-los de seus irmãos mais velhos, é algo que, há não muito tempo, era visto como um luxo "dos ricos".  O mesmo ocorreu com o automóvel, com o computador, com o telefone celular, com o relógio de pulso e com uma infinidade de outros bens.

Como disse Gustavo Cerati: "aquilo que para os de cima é excêntrico, para os de baixo é loucura".  Que os mais prósperos ou criativos busquem adornar suas vidas com luxos não representa nenhuma ameaça para o resto de nós.  Pelo contrário: representa um sistema de erros e acertos em termos de gostos, cujos resultados o resto de nós poderá usufruir sem prejuízo.  Após seus fracassos — e acertos —, o resto de nós irá decidir, sem qualquer prejuízo, se é sensato e de bom gosto adquirir tais bens. 

A humanidade já viveu 5.000 séculos daquilo que Hobbes chamou de "vida curta, brutal e miserável".  Já chegou a hora de nos darmos ao luxo de desfrutarmos um pouco todas essas coisas que para alguns são "desnecessárias", mas que melhoram sobremaneira nossa qualidade de vida — como, por exemplo, o computador (ou o tablet ou o smartphone) em que você está lendo este artigo.


1 voto

autor

Juan Fernando Carpio
mora em Quito, Equador, possui mestrado em Economia Empreendedorial pela Universidad Francisco Marroquin, da Guatemala e é o presidente do Instituto para la Libertad, um think tank libertário equatoriano.

  • George  22/05/2014 15:07
    Gostei muito do artigo, só que ainda reservo a futilidade do luxo no sentindo de produto de marca A, ser exatamente igual ao produto da marca B, porém a marca B confere seu "status" ao produto e por isso custa 5x vezes mais.

    Embora seja compreensível que se o produto existe é porque tem demanda, mas é meio que futilidade do consumidor isso.
  • Elias  22/05/2014 15:28
    Se o comentário do amigo for apenas um julgamento da atitude alheia embasado unicamente na sua moral, não havendo por detrás nenhuma intenção de proibir tal comportamento, então endosso seu comentário. Acho fútil, mas não é problema meu (felizmente).

    Abraço.
  • Um observador  22/05/2014 15:34
    Concordo com você, alguns produtos são mesmo uma futilidade sem tamanho... Mas se tem alguém disposto a comprar, então que seja feliz. Nossa opinião pessoal não é importante.
  • Rodrigo  22/05/2014 16:01
    Sim, concordo que seja futilidade. Mas foi como disseram, se a pessoa quer desperdiçar o dinheiro honesto que ganhou, o problema é dela.

    A "ostentação" de hoje só existe porque outras pessoas de certa forma invejam o bem de luxo. Senão, não ligariam.
    Isso só muda se a sociedade naturalmente mudar sua forma de pensar, não adianta forçar por meio de lei como alguns indivíduos sugerem.
  • Silvio  22/05/2014 18:43
    O lixo de um homem é o tesouro de outro. Se você acha uma grande besteira uma bolsa idêntica a outra ter seu preço decuplicado só por ter um monte de LV desenhado nela, uma outra pessoa pode ter opinião bastante diferente da sua, sendo que ela pode até achar essa a característica mais importante do produto, justificando perfeitamente essa enorme diferença. Nunca podemos nos esquecer que o valor é algo subjetivo.
  • Jeosadá  22/05/2014 15:43
    Ja dizia Salomão:

    "TUDO É VAIDADE."
  • Emerson Luis, um Psicologo  22/05/2014 17:17

    Artigo muito completo!

    Saber diferenciar "necessidades" de "desejos" e lidar bem com ambos é uma das chaves da felicidade.

    * * *
  • Andre Cavalcante  22/05/2014 17:55
    Ih! Essas duas frases do texto:

    "Porém, nas sociedades industriais e comerciais atuais, a riqueza é criada com a produção e subsequente comércio. O que possuímos não foi criado à custa de outra pessoa."

    Vão dar polêmica...

    Para o marxista: "toda produção é baseada na mais-valia, portanto, toda riqueza nas sociedades industriais vem à custa do trabalhador..."

    Para o libertário: "uma vez que não vivemos em um capitalismo pleno, mas em um mercantilismo, praticamente todas as indústrias e uma boa parte do comércio existente hoje é financiado pelo estado, portanto, à custa do pagador de impostos..."

    No mais vale a frase: "o luxo de hoje é o trivial de amanhã". Um café da manhã de qualquer família de classe média no Brasil, regado a queijo, presunto, manteiga, ovos, pães variados, leite, café e sucos (não necessariamente tudo junto ou ao mesmo tempo) era algo somente encontrado na mesa do rei da Inglaterra (e, às vezes, nem na dele) dois séculos atrás.
  • Henrique  23/05/2014 11:31
    Para o libertário: "uma vez que não vivemos em um capitalismo pleno, mas em um mercantilismo, praticamente todas as indústrias e uma boa parte do comércio existente hoje é financiado pelo estado, portanto, à custa do pagador de impostos..."

    Como assim, "praticamente todas as indústrias"? Por definição, é impossível dar subsídios a uma maioria.

    A esmagadora maioria dos empreendedores não é composta de "amigos do rei". Ser um Eike Batista em privilégios é para poucos...
  • Andre  22/05/2014 18:13
    É ótimo que os ricos esbanjem com luxos hiper extravagantes.
    Com essa atitude eles financiam os investimentos para que esse produtos sejam fabricados em massa.
  • Anonimo  22/05/2014 18:25
    "A primeira defesa do luxo passa pela ética: o que terceiros fazem com seu corpo, com seus membros e com seus materiais adquiridos de maneira pacífica e voluntária não é problema nosso, não nos prejudica e nem sempre seremos capazes de entender suas motivações."
    Duvido e muito que esse tipo de comportamento exista ou existirá no Brasil.
  • Mauro Pensador   22/05/2014 20:27
    A ferrari é cara por causa de sua produção ser quase artesanal ou por causa de status,marca,grife ou valor subjetivo alguém se habilita a explicar.
  • Heisenberg  23/05/2014 20:56
    A Ferrari é cara por todas essas qualidades. Ela é cara porque cada comprador lhe dá esse valor e cada comprador pode ter um motivo diferente, não precisa ser o mesmo. Assim é formada a curva de demanda do produto.
  • Justo Como Dedo N'agua  22/05/2014 20:59
    O artigo trata mais de liberdade do que do "LUXO". A ação humana é muito complexa.
    Existe três tipos de luxo. O "luxo reserva de mercado" cuja oferta é, por escassez comprovada, inferior à demanda. O "luxo de marketing" que é o luxo descrito nesta matéria, através do qual os preços são deliberadamente estabelecidos para clientes vaidosos e irracionais. E o "luxo transitório" que representa os produtos ou serviços que quando são inicialmente idealizados possuem preços altos pois têm custo elevado a resgatar, transmitindo a impressão para a mente vaidosa-irracional que se trata de um luxo. Durante este período poucos usufruem, pois trata-se mais de atender a vaidade do que a necessidade. Com o passar do tempo e a queda nos preços a maioria das pessoas vão às compras para melhorar seu desempenho e sua qualidade no trabalho e no lazer(ex: carro, moto, celular, passagem aérea, internet, etc)

  • Roberto  23/05/2014 00:30
    Iphone 5s é luxo só no Brasil.
  • Um paciente consciente dos seus direitos  23/05/2014 01:16
    Francamente! Essas ostentações do capitalismo selvagem só servem para umilhá os pobres. Precisamos voltar às origens, viver a vida de modo simples como ao bom selvagem, como imaginou Rousseau. Mais Marx e menos Smith.
  • Thiago  23/05/2014 11:36
    Que coisa ridícula.
    Vira monge e se esconde na montanha.
  • Roger  23/05/2014 01:18
    Na realidade, se formos analisar a questão, a maioria dos que rosnam contra o luxo alheio são pessoas de mentalidade esquerdista. Entretanto, estas mesmas pessoas, se 'espremidas', se mostram na sua quase totalidade hipócritas.

    Querem um exemplo? Oscar Niemeyer. Sim! Este senhor foi um homem que mamou e muito nas gordas tetas estatais. Enriqueceu com dinheiro espoliado. Pode ter sido um bom arquiteto, não discuto essa parte. Entretanto nunca se cansou de relinchar o mantra sagrado socialista da 'igualdade para todos': a igualdade Cubana. Vivia no luxo, mas será que ele estava disposto a abdicar desse luxo pela 'igualdade' que ele mesmo pregava? Nunca saberemos.

    Querem um outro exemplo? Regina Casé! A 'favelada' mais luxuosa da vitrine esquerdista. Vive no luxo no Leblon mas não cansa de avacalhar com o luxo dos outros em prol dos 'favelados'. A revista veja até já publicou algumas notícias sobre esta estandarte do esquerdismo, onde ela glamoriza a vida na favela como se fosse algo bom. O que poucos sabem é que atrás das câmeras do seu programa 'Esquenta' tem no mínimo uns 5 seguranças para defende-la do 'glamour' da favela, caso este se volte contra ela. Será Regina Casé capaz de abdicar do seu luxo no Leblon pela 'igualdade' que ela mesmo prega? Duvido muito.
  • Fernando Soares  23/05/2014 17:11
    "Como primatas avançados, temos a capacidade de embelezar e decorar as coisas, e é nessa capacidade que reside a essência daquilo que é humano" - que visão materialista e rasa do ser humano.


    "Simplesmente há algo no luxuoso que sempre irritou profundamente estóicos, ascetas, mendicantes, esquerdistas e hippies ao longo da história." Já se pode distinguir algo da antirreligiosidade do autor por esse trecho.

    O autor faz aquilo que ele próprio critica nos detratores do luxo: faz um julgamento de valor, defendendo que o luxo é algo bom. Poderia ter ficado apenas da defesa da liberdade de ter luxos.

    Espero que o autor aprenda que luxos realmente são apenas vaidade e totalmente inúteis à felicidade real. Pessoas que se acham felizes por estarem mergulhadas no supérfluo e nas delícias de repente caem em si e começam a viver no ascetismo e na mortificação.

    E um adendo: o autor diz que o que diferencia os animais irracionais dos humanos é a capacidade destes de passar das necessidades biológicas. Mas é o contrário. São os humanos que têm a capacidade de negar a si mesmos o supérfluo, o que os animais irracionais não conseguem.

    Esse é um erro que muitos economistas austríacos cometem, passar de o "valor é subjetivo" para achar que qualquer estado de vida que os indivíduos achem que é o melhor é realmente a felicidade. Mas a razão mostra que existe sim um estado objetivo, mais adequado à natureza humana, de levar a vida, que conduz à felicidade. As pessoas podem até achar que tal ou tal coisa é melhor, ou pensar na sua avaliação subjetiva que estão vivendo uma vida feliz. Mas geralmente estão enganadas, e geralmente é por não terem como comparar sua felicidade ilusória com uma felicidade real.
  • Morpheu  23/05/2014 17:57
    "O autor faz aquilo que ele próprio critica nos detratores do luxo: faz um julgamento de valor, defendendo que o luxo é algo bom. Poderia ter ficado apenas da defesa da liberdade de ter luxos."

    Em primeiro lugar, os detratores do luxo não fazem simplesmente um julgamento de valor: eles dizem que, o fato de pessoas estarem adquirindo luxo, significa que elas estão espoliando terceiros, o que é uma flagrante mentira.

    Mais ainda: esses detratores dizem que tais pessoas devem, por isso, ser pesadamente tributadas e ter sua riqueza compartilhada com todos.

    Aprenda o mínimo sobre um assunto antes de palpitar sobre ele. E aprenda a interpretar textos também.

    "Espero que o autor aprenda que luxos realmente são apenas vaidade e totalmente inúteis à felicidade real."

    E você ainda tem a pachorra de criticar quem faz juízos de valor! Que ignaro!

    "Pessoas que se acham felizes por estarem mergulhadas no supérfluo e nas delícias de repente caem em si e começam a viver no ascetismo e na mortificação."

    Legal. É bom que elas aprendem, né? Nada como aprender na prática -- ou, como dizem, na pele.

    "E um adendo: o autor diz que o que diferencia os animais irracionais dos humanos é a capacidade destes de passar das necessidades biológicas. Mas é o contrário. São os humanos que têm a capacidade de negar a si mesmos o supérfluo, o que os animais irracionais não conseguem."

    Agora eu entendi: você é simplesmente um completo analfabeto funcional.

    O artigo não diz absolutamente nada disso. Olha o que diz o artigo:

    "O problema é que [a definição de "necessário"] é incrivelmente retrógrada: além de negar todo o processo de criação de riqueza produzido pelos homens, ela reduz os seres humanos às suas mais puras necessidades biológicas (energia e proteção perante as intempéries). Em outras palavras, ela reduz os seres humanos exclusivamente ao seu lado animal.

    Só que nós seres humanos somos qualitativamente distintos: temos a capacidade de sonhar, de projetar e de criar. Isso significa que uma necessidade muito íntima do ser humano é a de criar, de dar vida às suas ideias, e de fazer arte. E é aqui que o luxo entra em cena: em todas essas coisas que, de um ponto de vista animalista-mecanicista, "não são necessárias", mas que enriquecem nossas vidas."

    Aprenda a ler e a interpretar antes de querer palpitar. Senão é vergonha na certa.

    "Esse é um erro que muitos economistas austríacos cometem,"

    Qual erro? Se há alguém aqui cometendo erros escabrosos, esse alguém não é esse tal "economistas austríacos".

    "passar de o "valor é subjetivo" para achar que qualquer estado de vida que os indivíduos achem que é o melhor é realmente a felicidade."

    Cite um só autor austríaco que diz que "qualquer estado de vida que os indivíduos achem que é o melhor é realmente a felicidade". Faça isso e eu retiro tudo o que eu disse sobre você.

    Você é tão ignaro que nem sequer percebeu a contradição em que você próprio incorreu: se uma teoria diz que o valor é subjetivo, então ela não pode, por definição, dizer que algo escolhido irá objetivamente trazer "felicidade".

    "Mas a razão mostra que existe sim um estado objetivo, mais adequado à natureza humana, de levar a vida, que conduz à felicidade."

    Por gentileza, compartilhe com a humanidade esse segredo de como "levar a vida", que apenas a sua razão conhece.

    "As pessoas podem até achar que tal ou tal coisa é melhor, ou pensar na sua avaliação subjetiva que estão vivendo uma vida feliz. Mas geralmente estão enganadas, e geralmente é por não terem como comparar sua felicidade ilusória com uma felicidade real."

    Elas só estão enganadas porque ainda não podem recorrer à preciosa sabedoria de Fernando Soares, o gênio que sabe exatamente o que é melhor para todo mundo -- menos para ele próprio, pois ainda nem sequer se deu conta de que não sabe ler.

    Deve ser a isso que chamam de "as delícias da ignorância".
  • Pérola das pérolas  28/05/2014 13:55
    "São os humanos que têm a capacidade de negar a si mesmos o supérfluo, o que os animais irracionais não conseguem."

    Pérola das pérolas.

    Bem que eu vi que meu cachorro estava mais interessado em Rolex e anel de diamantes do que do que em trepar, comer, dormir, cagar... Inclusive recusou uma peça inteira de picanha pois estava ocupado demais admirando roupas de grife.
  • Fernando Soares  23/05/2014 19:50
    "Em primeiro lugar, os detratores do luxo não fazem simplesmente um julgamento de valor: eles dizem que, o fato de pessoas estarem adquirindo luxo, significa que elas estão espoliando terceiros, o que é uma flagrante mentira.

    Mais ainda: esses detratores dizem que tais pessoas devem, por isso, ser pesadamente tributadas e ter sua riqueza compartilhada com todos.

    Aprenda o mínimo sobre um assunto antes de palpitar sobre ele. E aprenda a interpretar textos também."


    Perceba que nem todos os "detratores do luxo" têm essas ideias e querem que o Estado tribute terceiros. O autor mistura as pessoas que fazem um simples julgamento moral sobre o luxo com as pessoas que passam disso e querem que haja uma ação coerciva contra as pessoas que detêm luxos: "Simplesmente há algo no luxuoso que sempre irritou profundamente estóicos, ascetas, mendicantes, esquerdistas e hippies ao longo da história." O autor não distingue as diferentes motivações desses grupos.


    "E você ainda tem a pachorra de criticar quem faz juízos de valor! Que ignaro!"

    Eu critiquei a incoerência de o autor criticar as pessoas que fazem um juízo de valor sobre o luxo e fazer um juízo de valor dizendo que o luxo é algo bom. Não critiquei o fato de o autor fazer um juízo de valor per se.


  • Heisenberg  23/05/2014 20:58
    Vale lembrar que está saindo um livro quentinho sobre os luxos usufruidos por Fidel Castro. Será um banho de água fria em muitos.
  • Nill  24/05/2014 02:43
    As pessoas que criticam o luxo e aqueles que compram objetos de luxo frequentemente se esquecem do poder aquisitivo das pessoas. Poder aquisitivo é a capacidade que uma pessoa ou uma população tem de adquirir bens.

    Olha ! O poder aquisitivo pode ser alto,altíssimo,baixo ou baixíssimo.

    Uma pessoa de alto poder aquisitivo pode adquirir bens de valor elevado facilmente, sem grandes dificuldades,como bons carros,casas espaçosas,bons hotéis.

    Outra de altíssimo poder aquisitivo adquire bens de valor elevadíssimo,igualmente de com facilidade compra e paga bens como iates,grandes barcos,mansões,carrões,aviões,etc.

    Aí ! È que temos os grandes consumidores de produtos de luxo já que adquiri-los não é uma tarefa difícil. Se um magnata tem uma fortuna de um bilhão de reais é fácil adquirir uma Ferrari por um milhão de reais,um jatinho por vinte milhões, um colar de brilhantes por 500 mil.

    Agora pessoas de baixo poder aquisitivo tem dificuldade de adquirir uma grande soma de bens ,ainda que de preços modestos e completamente impossibilitados de bancar o luxo.

    Agora pessoas de baixíssimo poder aquisitivo sofrem para adquirir as coisas mais simples e necessárias . È tão humilhante e angustiante que até um pequeno "luxo" como entrar numa churrascaria e comer um bom churrasco é uma coisa fora de suas possibilidades. Um rodizio de 30 reais já consome mais do salário de um dia.

    Um amigo cubano me disse que Coca-cola é um luxo em Cuba,os cubanos tomam é suco, deste que misturam com água. A fabrica de suco para fornecer para o povão é do governo. Por outro lado vemos esquerdistas ricos no Brasil e no mundo, a Esquerda Caviar como diz Rodrigo Constantino. Viver no puro luxo. "Eles" tem dinheiro e não tem nenhum sofrimento,muito pelo contrário com enorme facilidade bancam seu esplendoroso luxo. Até esquerdista sendo fácil pagar compra produtos de luxo adoidado. Exceção á regra também existem pessoas que se matam de tanta dificuldade para pagar produtos de luxo (as vezes um só produto). Mas ! São uma pequena minoria.
  • Antonio  25/05/2014 22:35
    Olhem esta pérola!!!!
    leonardoboff.wordpress.com/2014/05/25/o-pavor-dos-abastados-a-desigualdade-e-a-taxacao-das-riqueza/
  • Pobre Paulista  26/05/2014 00:55
    Pra que dar ibope pra isso?
  • Roger  26/05/2014 01:10
    Rsrsrs...

    Este artigo é baseado em um livro de Thomas Piketty, que já foi dissecado pelo Mises nesses artigos: clique aqui e/ou aqui

    Piketty não passa de mais um ícone da esquerda caviar tentando justificar, através de teorias econômicas [bastante] duvidosas, que é necessário haver um 'ajuste da desigualdade social' tirando dos 'mais ricos' para 'dar aos mais pobres'. Essa conversa é velha e rende sempre bons votos em eleições de candidatos populistas.
  • Roger  26/05/2014 01:18
    E só para citar também: o Financial Times também já andou dissecando o Sr. Piketty. Se você entender inglês, leia aqui.

    O mais curioso dessa crítica do Financial Times é que ela atiçou os panfletos de esquerda "The New York Times" e "The Washington Post" a correr e publicar matérias que 'contra-criticam' a matéria do Financial Times e defendem o socialista caviar. Entretanto usam, como sempre, apelos emocionais e sem nenhuma prova empírica de que as 'teorias' de Piketty realmente funcionam.
  • Luiz Campos  26/05/2014 00:38
    A iluminação é o maior dos luxos. Ou não???
  • Antonio  26/05/2014 14:01
    Obrigado Roger.
  • Eduardo Mendes  04/07/2017 11:05
    Regrinha básica : pode manter um luxo, ótimo. Não pode e acha que essa "busca" é seu motivo, corra atrás. Agora, que existem absurdos, existem. Mas, isso é para quem pode e não para quem reflete sobre absurdos.


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