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Baratas, ratos, pulgas e congêneres não estão ameaçados de extinção. Por quê?

Lembrei-me, há alguns minutos, que um belo dia, em uma aula na faculdade de Ciências Econômicas da UERJ, afirmei que as baleias estavam ameaçadas de extinção simplesmente porque não têm donos, ou seja, porque ninguém dispõe de direitos de propriedade sobre elas.

Imediatamente, um aluno — existem muitos alunos espertos — tentou fulminar-me com uma pergunta transcendental. Argumentou ele: "Mestre, por que então as baratas não estão ameaçadas de extinção, já que também ninguém é proprietário de baratas"?

Expliquei-lhe então, diante de toda a turma, recorrendo à doutrina da utilidade marginal, que qualquer bem ou serviço — e os animais não escapam a esta regra que decorre das leis naturais e da ação humana — sempre tem seu valor estabelecido por sua utilidade subjetiva, ou seja, por uma combinação entre utilidade e escassez. 

Mais ainda: seu valor — ao contrário do que Adam Smith escreveu na Riqueza das Nações — não é definido pelos custos de produção mais um mark up (lucro), mas sim pela demanda, pelo desejo de seu consumo e que esta talvez fosse a implicação mais importante da teoria da utilidade marginal, antecipada por Hermann Heinrich Gossen (1810-1858), um economista prussiano que anteviu em cerca de duas décadas o que viria a ser descoberto pelo famoso e festejado trio Menger, Jevons e Walras em 1871.

A resposta à perspicaz indagação do aluno, então, pode ser formulada com outras perguntas: baratas possuem algum valor? Ou ratos, pulgas, moscas, mosquitos e assemelhados? E por que esses animais não têm valor? Por que as baleias, pandas e micos dourados, embora tenham valor, estão ameaçados de extinção, enquanto cães, papagaios e gatos, por exemplo — que também têm valor nos mercados — estão livres dessa terrível ameaça?

É evidente que a explicação para o aparente paradoxo está na questão dos direitos de propriedade, uma das garantias da liberdade ampla. O economista belga Gustave de Molinari (1819-1912) escreveu em seu hoje famoso livro Da produção de segurança, publicado em fevereiro de 1849, que:

Os homens que compõem [a cidade ou a sociedade] estão ocupados trabalhando e comercializando os frutos de seus trabalhos. Um instinto natural revela a esses homens que suas pessoas, a terra que ocupam e cultivam e os frutos de seus trabalhos são suas propriedades, e que ninguém, exceto eles mesmos, tem o direito de dispor delas ou tocá-las.

Muito embora De Molinari tenha escrito essa frase como um proêmio à sua brilhante defesa da privatização dos serviços de segurança em regime de competição, é evidente que ela vale para qualquer assunto em que os direitos de propriedade estejam em jogo.

É por essa razão — que decorre naturalmente da condição humana — que qualquer proprietário de um cão ou de um gato ou de um papagaio falante fará de tudo para impedir que terceiros causem danos, furtos ou maldades a esses animais, simplesmente porque eles são seus!

E como ninguém é proprietário de baleias, nem de micos de qualquer cor (salvo os mantidos em cativeiro), os homens não têm interesse em protegê-los, e daí segue que esses animais são "insumos" cobiçados pelas indústrias que extraem seus lucros proporcionados pelas pescas ou caças a esses animais; lucros — frisemos — que só existem porque também existe demanda pelos produtos derivados dessas pescas e caças.

Mas — voltando à pergunta do aluno —, por que isso não se aplica a baratas, pulgas, percevejos, moscas, mosquitos, ratos etc.? Não têm "donos", é certo, mas então não deveriam também estar ameaçados de extinção? Por que usamos repelentes contra mosquitos? Por que nossa primeira reação, quando vemos uma antipática mosca rondando nosso saboroso prato de peixe, é a de tentar abatê-la? Por que, ao notarmos um rato em nossos quintais, chamamos uma empresa de desratização?

A resposta correta à indagação do aluno que questionou a tese dos direitos de propriedade é: não! Porque na realidade esses animais (as baratas) não constituem aquilo que os economistas chamam de bens (goods); não são goods, mas bads, ou seja, são incômodos, não possuem qualquer utilidade (e, quando a possuem, ela é negativa). Não proporcionam satisfação, mas sim desconforto e, em alguns casos, repugnância e até perigos. Ratos, moscas, mosquitos e baratas, por exemplo, podem provocar doenças. Ninguém "demanda" ratos, com exceção do caso especial dos que gostam de sentir hamsters passeando em seus ombros (e, também, dos que gostam dos sempre simpáticos Mickey e Jerry, para os quais, portanto, existe demanda por seus desenhos animados e, logo, valor).

Portanto, podemos afirmar que a resposta mais adequada ao aluno espertinho deve ser baseada em uma explicação da importância de existirem garantias aos direitos de propriedade, uma das condições, ao lado da economia de livre mercado, para o que Bastiat (1801-1950) denominou de harmonia social.

Por fim, cabe uma pergunta importante: o que fazer para evitar a extinção das baleias e congêneres? Minha resposta poderá parecer radical, absurda ou utópica, mas o fato é que a iniciativa privada sempre — sempre! — reage muito mais depressa do que o estado, em qualquer situação. Os oceanos e áreas terrestres em que vivem animais ameaçados de extinção (porque possuem utilidade para o homem) deveriam ser privatizados e estabelecer-se um regime de competição, exatamente como sugeriu De Molinari para a produção de segurança.

Observemos que, é nos oceanos, onde não existe a propriedade (exceto a das áreas territoriais das Marinhas, ou seja, monopólios coercitivos do estado), que acontece o problema da pesca excessiva, algo que não ocorre nos viveiros de peixes, onde podemos pagar para pescar. O mesmo ocorre com rios, lagos e florestas em que ou não há propriedade privada ou a propriedade é monopólio do estado.  Como salientou Walter Block neste artigo:

Estamos lidando aqui com princípios econômicos básicos; eles se aplicam a todos e quaisquer recursos.  Se [um indivíduo] é contra águas privadas, então por que ele não é contra as terras também?  Não me façam falar novamente sobre a agricultura coletivizada da URSS.

Como libertário, sei que em um ambiente de liberdade de mercado e com direitos de propriedade estabelecidos, terra e água — bens de capital, para os austríacos — seriam necessariamente empregadas por seus donos para maximizar seus lucros, ou seja, para produzirem um valor maior para todos os membros da sociedade. E, como sugere Block no artigo mencionado,

Se assim não o fosse, isto é, se a terra ou a água não fossem utilizadas de modo a se obter delas o maior valor, essa omissão iria criar oportunidades de lucro para outros empreendedores.  Estes iriam comprar as áreas em questão e alterá-las para um uso que criasse ainda mais riqueza. 

As palavras-chaves, então, são: direitos de propriedade, desestatização, privatização, competição, ação humana e extinção de todos os monopólios do estado ou privados. Em uma só palavra: liberdade.


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autor

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

  • Guilherme  04/05/2014 06:02
    Bom saber que algum professor de uma universidade pública no Brasil é libertário!

    Estou no terceiro ano do ensino médio e penso seriamente em fazer economia, mas a ideia de passar mais 4 anos ouvindo professores keynesianos, ou pior, marxistas, despejar as suas baboseiras sobre a sala de aula é perturbadora. Vocês que conhecem o meio sabem de alguma universidade menos pior nesse sentido? Até me animei de prestar para a UERJ, apesar dela não ter o "pedigree" da UFRJ, USP ou UFRGS, do meu estado.


    PS:. é um pouco contraditório né? Somos libertários mas não hesitamos ao aceitar um cargo em uma universidade pública ou concorrer a uma vaga nas mesmas. Acho que é da natureza humana fazer o que é melhor para si, sem seguir orientações ideológicas.
  • Guilherme  04/05/2014 11:38
  • Guilherme  04/05/2014 18:49
    Muito interessante esse artigo, e certamente sanou algumas das minhas dúvidas! Mas ainda não respondeu a minha pergunta anterior: quais das universidades públicas são "menos piores" em relação a doutrinação socialista pelos seus integrantes?
  • Jece  04/05/2014 21:52
    No Brasil não sei, mas temos esse belo exemplo na Guatemala, onde se formou o homem responsável pelo "milagre" da telecomunicações da Guatemala:

    es.wikipedia.org/wiki/Universidad_Francisco_Marroqu%C3%ADn
  • Christian  05/05/2014 14:34
    Guilherme, PUC-RJ e Ibmec eram cursos com orientação predominantemente liberal, mas não sei como estão hoje. Já o IE-UFRJ se diz aberto a todas as correntes, porém a maioria dos professores é keynesiana mesmo, infelizmente, com minorias liberais e marxistas.
  • Mohamed Attcka Todomundo  08/05/2014 11:08
    curse estatistica e continue autodidata em economia


  • princeyann  04/05/2014 06:35
    Pergunta não relacionada ao tópico: há algum exemplo de mercado não regulamentado por um Estado no qual empresas de capital privado e empresas de capital estatal competem? Grato.
  • Malthus  04/05/2014 11:40
    O sistema postal da Nova Zelândia.
  • Felipe Lange  04/05/2014 12:39
    O Estado não vai ser capaz de evitar a extinção de certos animais.

    É só privatizarem tudo!

    Um caso muito ridículo aqui no Brasil, é os burocratas atrapalharem para você ser um criador de tartarugas semi-aquáticas, no caso a tigre d'água brasileira. E como tem pouca oferta desses animais, fica muito caro adquiri-los. Ou seja, tem pouca concorrência.

    Enquanto isso, na Europa e nos EUA esses animais são tão comuns que já são tratados como pet's. Tartarugas do mississipi, orelhas vermelhas, corcundas...

    Aí é por causa dessa burocracia do IBAMA, que existe tanto comércio ilegal de tartarugas. Isso porque não há incentivo para criá-las em cativeiro e existe várias barreiras estatais.

    O estranho é que para criar cachorros, não precisa de nenhum regulamento (não sei se "Pedigree" chega a ser um deles), e vejam se entraram em extinção.

    Peixes que se tornaram ornamentais e criados em cativeiro foram extintos? NÃO!!!

    Agora vá comprar um papagaio, tucano, arara autorizado pelo IBAMA. É facada na certa!

    Querem combater o comércio ilegal? Atrapalhem menos as nossas vidas, burocratas estatais inúteis.

    Brasil, país da burocracia.
  • Jeferson  05/05/2014 14:40
    Você levantou uma questão interessante. Pedigrees são emitidos por uma instituição PRIVADA (o Kennel Club da sua região, filiado à Confederação Brasileira de Cinofilia - CBKC, instituição TAMBÉM privada). E todo mundo confia na legitimidade do pedigree de seu cão, ou do padreador e matriz de um canil, quando quer comprar um cão de raça, isso porque ninguém sequer sabe como os KCs o emitem. Olha que os KCs são apenas "cartórios" de cães, e fazem análise puramente documental da genealogia do cão para emitir o certificado de raça. Até onde eu sei, tudo passa longe da burocracia do estado. Não sei como ou o quanto ela afeta os KCs, mas acho que não deve ter muito. Provavelmente só deve haver alguma regulamentação da ANVISA ou similar sobre os canis.
  • Joao   08/05/2014 11:15
    Essa criação de raça com "Pedigree" não passa de uma maneira de dizer que a "raça" é pura, criaram um valor em cima de uma imagem que não traz beneficios nenhuns além de só comer e socializar
  • Ulisses Miranda  19/05/2014 14:10
    A questão da pureza da raça não é para criar um valor. Cada raça tem suas características próprias e a mistura de raças pode gerar até risco para os donos, visto que até mesmo temperamento do cão pode ser severamente modificado.
  • anônimo  30/05/2014 12:37
    Seu argumento de que o cão vem com predisposição a assumir um comportamento é partes pode ser verdade, mas o que pondera é de como o animal foi criado pelo dono, isso sim é determinante. concordo que animal tem suas características, como pelagem por exemplo, mas isso não refuta o meu argumento de que os animais de "raça" foram na verdade criado um valor em cima deles.
  • Típico Filósofo  04/05/2014 14:42
    Ratos, baratas e formigas prosperam pois adotam o sistema socialista de produção, caro senhor Iorio. Diferentemente dos homens e dos animais de quem estes lhes tira a mais-valia (vide o gado, ainda utilizado para a tração) onde impera o regime de alienação da estrutura produtiva; tendo os capitalistas sequestrando filhotes dos animais explorados e lhes doutrinando à lógica do acúmulo do capital - provavelmente devido à vergonhosa omissão dos governos frente à promoção de uma educação ideológica de qualidade às cabras, pôneis e bezerras (vide a pouquíssima carne e congêneres alimentícios que há em países socialistas: lá ocorre o respeito à igualdade animal e ao direito do trabalhador à dieta). Todo ser é, meramente, produto de seu meio.

    Em oposição aos horrores do capitalismo neoliberal citados acima, vivem os ratos: militantes da justiça social e do ódio justificado, estes nada produzem (pois produção = exploração); vivem de saquear a mais-valia latente acumulada pela burguesia e a classe média nazista; ou seja, em nada deixam a invejar quanto aos movimentos sociais latino-americanos.

    Em situações de crise, estes bravos revolucionários ainda tratam de consumir os recursos dos mais pobres; demonstrando-os como vanguarda sob uma perspectiva leninista a respeito da exploração em que vivem.

    Ratos são heróis do povo, por isso prosperam.
  • Eduardo  04/05/2014 16:52
    Este foi um dos melhores comentários do nosso Filósofo; estou rindo até agora.

    Quanto ao texto, sem dúvidas é interessante explicar teoricamente como a propriedade privada, o sistema de preços e os conceitos de utilidade marginal, demanda, oferta, valor subjetivo funcionam.

    Até porque, esse erro citado no texto de que o valor de um bem é determinado por seu custo de produção com um lucro em cima é bem popular.

    Vide os comentários de sempre sobre os ovos de páscoa. Muita gente por aí explicando que os ovos eram caros porque não vendia constantemente, porque dá mais trabalho, porque quebra mais fácil, etc.
    A idéia deles é que há um custo de produção elevado, e com um lucro adicional, se tem o preço final dos ovos de páscoa, também elevados.

    De fato, não é o custo de produção, mais um lucro, que determina o preço dos ovos.
    É o preço que as pessoas pagam pelo ovo de páscoa que determina como e em que quantidades serão produzidos, e se serão ou não produzidos.
    Se todos perdessem interesse por ovos de páscoa, o preço dele iria cair até eventualmente não compensar produzí-los porque seriam vendidos em prejuízo. Se ninguém quer ovo de páscoa, você pode gastar 30$ pra produzir um e não irá vender por 30$ mais um lucro.

    Enfim, esses conceitos são parte fundamental.

    No entanto, acho que esse tipo de debate sobre assuntos mais sensíveis, como o dos animais, ou água, ou poluição, acaba sendo mais efetivo mostrar exemplos que acontecem funcionam.
    São poucos que compreendem ou aceitam a teoria.
    Para a maioria, só irão aceitar essas idéias se você puder mostrar um exemplo em algum lugar do mundo. Ao menos é minha impressão nesses debates.
  • Emerson Luis, um Psicologo  04/05/2014 23:14

    Caro Típico Filósofo:

    Conta-se que, quando Oswaldo Cruz foi diretor geral da saúde pública, desejando combater a peste bubônica, ofereceu um prêmio em dinheiro por cada rato que as pessoas lhe trouxessem como meio de incentivar os povo a caçar os roedores, cujas pulgas transmitiam a doença; então houve casos de indivíduos que passaram a criar ratos em casa para vende-los ao instituto de saneamento.

    Se essa história realmente aconteceu, demonstra que o capitalismo contamina tudo, até mesmo a relação do povo com os ratos. E não me venham os liberais dizerem que foram as leis do mercado em ação, pois o Novo Homem do socialismo caçará ratos voluntariamente caso o Grande Líder peça, mesmo sem recompensa financeira, pois não buscará o interesse próprio e sim o bem social.

    De fato, na Coreia do Norte e outros países socialistas as pessoas já devem caçar ratos para comer mesmo. Assim controlam os ratos, saciam a fome e ainda fazem exercício. Não é um admirável mundo novo esse do Grande Irmão?

    * * *
  • Típico Filósofo  05/05/2014 18:49
    Equívoco dos professores julgarem a caça aos ratos como medida higiênica. Esta consiste em puro estímulo à demanda agregada, em perfeita coesão para com o cenário econômico brasileiro em recuperação após a crise encilhamentista-especulatória provocada pelo livre-mercado durante um surto de inflação marcado por subsídio governamental a empréstimos. Ao comprar ratos, a prefeitura realizou uma gloriosa geração de empregos através do mais simples estímulo à demanda agregada.

    E perdoe-me aumentar sua argumentação, caro Emerson, porém a caça aos ratos não tinha propósitos meramente alimentícios: tratava-se de medida imprescindível do holocausto revolucionário a eliminação de povos em desenvolvimento latente, ainda não capazes de formar meios de produção a serem socializados gloriosamente pelo partido. Como explicara em meu artigo, os ratos em nada devem em sua sina revolucionária aos movimentos sociais latinoamericanos, em especial a brava luta do MST; não há exclusão entre nossos posicionamento.

    Liberdade à pátria, venceremos!
  • Emerson Luis, um Psicologo  04/05/2014 23:33

    Em resumo, os ratos não estão ameaçados de extinção por culpa do capitalismo; no socialismo até carne de rato vira artigo em falta vendido no mercado negro.

    * * *
  • Mr. Magoo  04/05/2014 15:41
    Tipico, você esqueceu; os Perissodàctilos (vulgo Asno) é o que mais prolifera nos país socialistas!
  • Eloy Junior Seabra  04/05/2014 17:15
    Acho essa perspectiva de conservar espécies algo muito perigoso. Existe um grande problema em se preservar um ecossistema, em geral eles não podem ser adequadamente descritos. É muito fácil preservar um ecossistema fechado e simples, como, por exemplo um aquário, mas como preservar um ecossistema composto por um número quase infinito de indivíduos?
    Para a ecologia devemos nos valer do mesmo princípio que tanto se defende no site para a economia, a não intervenção, mesmo porque tanto a organização de um ecossistema quanto de uma "economia" se tratam de algo bastante parecido, gestão de recursos escassos.
    Hoje em dia muitos ecólogos pensam na natureza como um sistema de preservação de informação, mas o que realmente se observa é que a evolução opera no sentido de maximizar o aproveitamento dos recursos naturais pelos seres vivos, houve uma inversão da lógica do processo, a evolução não opera para aumentar a diversidade genética, a diversidade genética possibilita a evolução.
  • Cleber  04/05/2014 17:21
    A boa gestão da propriedade ainda faz sentido nos casos de falências ? E para os empreendimentos, nos casos sem falência, por que o lucro não seria mais importante que a propriedade, no sentido em que posso consumir a minha propriedade no limite de gerar o máximo lucro, que pode inclusive possibilitar adquirir outras propriedades (mesmo que de outra naureza, ok?) quando essa se esgotar ?
    Os males da falta de seriedade e responsabilidade ainda não me fazem acreditar que a competição é um modelo que gere mais ganhadores que perdedores.
  • Tipico Aluno  05/05/2014 02:11
    Cleber, pelo menos nesse sistema os perdedores logo tem seu potencial de ação e desperdício limitados. Já com o governo mantendo perdedores eles sempre poderão desperdiçar mais e mais sem se preocupar com falências ou concorrência. Na verdade se desperdiçar mais e for menos ineficiente, mais verba receberá.
  • George Cruz  04/05/2014 18:31
    Brilhante artigo, só gostaria de complementar com a informação que alguns ratos tem sim dono, existe um comércio de roedores para a alimentação de outros animais como serpentes e aves de rapina, se não fosse por esses criadores não seria possível obter camundongos limpos para nossos animais, ou seja de certa forma haveria uma extinção de indivíduos sem doenças.
  • otavio  04/05/2014 18:42
    O artigo é excelente!
    Mas a pergunta original dele não foi respondida: porque baratas, ratos , pulgas e congêneres não estão em extinção?
  • Resposta  04/05/2014 21:28
    A resposta correta à indagação do aluno que questionou a tese dos direitos de propriedade é: não! Porque na realidade esses animais (as baratas) não constituem aquilo que os economistas chamam de bens (goods); não são goods, mas bads, ou seja, são incômodos, não possuem qualquer utilidade (e, quando a possuem, ela é negativa). Não proporcionam satisfação, mas sim desconforto e, em alguns casos, repugnância e até perigos. Ratos, moscas, mosquitos e baratas, por exemplo, podem provocar doenças. Ninguém "demanda" ratos, com exceção do caso especial dos que gostam de sentir hamsters passeando em seus ombros (e, também, dos que gostam dos sempre simpáticos Mickey e Jerry, para os quais, portanto, existe demanda por seus desenhos animados e, logo, valor).
  • Elimadás  04/05/2014 23:19
    Pessoal, só uma pergunta:

    Qual é o simbolo 'oficial' do anarcocapitalismo?

    (Se puder mandar o link com o simbolo ficarei grato)
  • Henrique  05/05/2014 00:16
    artigo do Mises americano sobre um "calote" (via inflação) dos títulos públicos do Brasil

    bastiat.mises.org/2014/03/brazils-slow-default/
  • anônimo  05/05/2014 00:51
    ratos, baratas, muriçocas e outras pragas estão longe de ser extintos

    a explicação biológica é fácil... eles são muito adaptáveis e se reproduzem aos montes

    mas se o homem não os quer, pq eles não foram varridos do mapa?
    simples

    muitas coisas q o homem não quer ainda não foram varridas do mapa: o vírus influenza, o HIV, a morte, a obesidade, os terremotos

    combater esses "bads" requer tecnologia e capital
    a única maneira de acumular o máximo de tecnologia e capital é via livre mercado, capitalismo, liberdade, direitos de propriedade

    o aluno errou ao analisar o pq de ter pouca baleia e mta barata como situações análogas, e o Professor Iorio foi perspicaz ao apontar a diferença de natureza entre elas: "bem econômico" vs praga

    em áreas estatais/coletivas ninguém preservará baleias nem combaterá baratas

    em áreas privadas o dono vai querer aumentar o output de bens como baleias e erradicar pragas como baratas

    as fazendas coletivas da China de Mao foram tomadas pelas pragas, lembre-mos disso

    abraços
    ABOLISH THE STATE!
  • Rafael Barros  05/05/2014 04:03
    Excelente texto, porém me deixou com uma pulga atrás da orelha:

    Caso os oceanos fossem privatizados, o que impediria os donos de tomar decisões altamente destrutivas do ponto de vista ecológico, como matar populações inteiras de animais para fins de exploração comercial?

  • Rennan Alves  05/05/2014 14:04
    E porque eles fariam isso? Estariam apenas destruindo bens de capital, bens que poderiam estar sendo aproveitados pelo mercado maximizando o lucro dos donos.

    Somente uma pessoa fora de suas faculdades mentais desperdiçaria tanto em pró de um lucro ínfimo perto do lucro que poderia alcançar preservando a área.

    [link:www.mises.org.br/Article.aspx?id=1361]Propriedade privada significa preservação[/link]

    [link:www.mises.org.br/Article.aspx?id=89]Se você gosta da natureza, privatize-a[/link]

    [link:www1.folha.uol.com.br/ambiente/2013/09/1342035-conservacao-de-area-privada-em-sao-paulo-surpreende-cientistas.shtml]Conservação de área privada em São Paulo surpreende cientistas[/link]
  • Marcos  06/05/2014 18:33
    Se fazem isso com as terras, por que não fariam com o mar? O mogno também está em extinção, e possui alto valor de mercado.
  • Tiago RC  05/05/2014 08:53
    Com certeza propriedade privada é a solução.
    Mas de um ponto de vista técnico/prático, não sei se é tão simples assim privatizar trechos do oceano. Isso sem nem levantar a questão política.

    Acho mais provável que dentro de alguns anos a tecnologia esteja avançada o suficiente para que se possa privatizar cardumes (rastreando uma porcentagem dos peixes). Por ex., você cria um monte de atum filhote, solta eles no mar com rastreamento, e quanto estiver na hora, pesca tudo.
    Ou então peixes geneticamente modificados que podem ser criados mais facilmente em cativeiro.
    Ou ainda, sintetização de carne.

    Deixa eu parar de viajar nas idéias vai... :D

  • Silvio  05/05/2014 22:45
    Já ouvi dizer que o homem poderia exterminar com as moscas vetores da Malária, mas que isso não foi possível graças a ação do movimento ambientalista. Alguém sabe me dizer o que há de verdade ou de conversa fiada nisso?
  • Guilherme  06/05/2014 01:38
    É verdade. O assunto foi abordado nesse artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1605
  • Silvio  06/05/2014 16:18
    Uma errata: o correto é "exterminar as moscas". Tinha escrito primeiro "acabar com" depois mudei o verbo para "exterminar" e esqueci de tirar o "com".

    Ah sim, muito obrigado pela indicação do artigo. Então podemos afirmar sem medo de errar que o socialismo, além de impedir a produção de mais goods também é responsável pela proliferação dos bads.

    Pensando bem, isso não é nenhuma novidade, mas é chocante perceber que graças ao socialismo hoje temos menos seres humanos e muito mais ratos, baratas, pernilongos etc. e que os malditos malucos melancias se aprazem enormemente com essa maldade.
  • Henrique  13/05/2014 18:08
    Eu não entendi muito bem...

    Que utilidade pode ter, sei lá, uma arara-azul? Qual o interesse em preservá-la?

    Além disso, muitos animais considerados pragas desempenham papeis biológicos importantes, como as formigas.
  • antonio  28/05/2014 16:59
    Mas, afinal, professor, por que ratos, baratas etc não estão em extinção?
  • Elias  28/05/2014 20:52
    Não sou o professor Iorio, mas creio que posso responder.

    Baratas, ratos, entre outros, não estão em extinção porque não há demanda por eles. Ninguém pede por baratas, nem ratos, para nenhum propósito. O que se faz é o contrário: as pessoas pedem por serviços para exterminá-los. Como essa demanda ainda é muito maior que a oferta (esses animais se proliferam mais rápido do que as dedetizadoras podem extingui-los, por conta daqueles velhos fatores conhecidos que encarecem o empreendedorismo), eles seguem se proliferando.

    Já baleias e araras azuis estão em extinção porque há demanda, mas não há quem os possua, isto é, não há quem detenha direitos de propriedade sobre eles. Aí a caça é indiscriminada mesmo, afinal nenhum desses animais é de ninguém, e ninguém tem a necessidade de repô-los para seguir lucrando com eles.

    Perceba que a situação das baleias e araras azuis é diferente da dos porcos, galinhas e vacas, os quais geralmente têm donos. Já ouviu falar de escassez de galinhas?

    Espero ter ajudado, abraço.
  • antonio  28/05/2014 20:14
    Talvez seja a empatia ou humildade humana que faz a gente querer preservar uma arara azul, por exemplo. Dos ratos a gente não tem a mesma empatia, muito embora a adaptabilidade, reprodução etc nos faz ser parecidos como os ratos.


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