Por que me tornei um anarcocapitalista

Antes de qualquer coisa, devo esclarecer que imagino o anarcocapitalismo como resultado evolucionário da civilização humana, como uma ordem espontânea, e não como um modelo imposto de cima para baixo, nem instalado via revolução ou a partir de quaisquer arranjos técnicos ou filosóficos preconcebidos.  

Acredito que esse modelo, se um dia vingar, só poderá florescer a partir de sociedades moral, econômica e civicamente muito avançadas.

Não tenho qualquer pretensão de ver o anarcocapitalismo em funcionamento onde quer que seja.  Se um dia vier a ocorrer, será apenas muitas gerações à frente.  Portanto, minha opção "ancap" é muito mais uma questão moral do que pragmática. Simplesmente, não consigo admitir que o ser humano será, para todo sempre, refém do "mais frio e cruel dos monstros".

Qualquer pessoa normal concordaria que um indivíduo que atenta contra a vida, a liberdade ou a propriedade de outro comete um mal, um ato injusto.  Por outro lado, a maioria de nós também aceita a existência de certas circunstâncias atenuantes que poderiam mitigar uma ação injusta.  Mesmo nesse último caso, porém, a violência seria ainda lamentável e, portanto, algo a ser evitado.  Em outras palavras, embora uma ação criminosa jamais se torne realmente boa, ela pode tornar-se defensável e até desculpável.

Em quaisquer casos, entretanto, o que justifica uma ação é o motivo, a circunstância, e não a entidade, a organização ou a quantidade de pessoas que a praticam.

Se eu afirmasse que um atentado à vida, à liberdade ou à propriedade torna-se menos nocivo na proporção em que aumenta o número de agentes que o cometem, você pensaria que sou estúpido, louco ou moralmente deficiente.  Todavia, muitas pessoas entendem que a violência contra direitos individuais elementares, não importa quão absurda e vil, pode tornar-se boa e justa, desde que executada por agentes governamentais empossados através de eleições democráticas.

Como bem resumiu Maggie McNeill, chega a ser patética a ginástica mental de certas pessoas (muitos liberais aí incluídos) na tentativa de justificar o injustificável.  Elas entendem que a democracia, como num passe de mágica, absolve quase todos os crimes e injustiças cometidos coletivamente, do mesmo modo que nossos antepassados atribuíam um certo direito divino a seus monarcas e imperadores.  Alguns chegam a fazer pronunciamentos apologéticos sobre o poder da lei votada democraticamente, como se esta houvesse sido ditada por uma divindade celestial e esculpida em pedra.

Ora, um governo é apenas um grupo de indivíduos, selecionados por meios arbitrários, de acordo com regras arbitrárias acordadas por grupos poderosos o suficiente para impor sua própria opinião sobre o resto da população.  Pior: nenhum governo pode impor suas leis e decretos senão através da ameaça e da violência, o que o torna inexoravelmente um ente tirânico, cuja intensidade do mal perpetrado dependerá da índole daqueles que o controlam.  A tirania é, portanto, inerente a qualquer governo, variando apenas em gênero e grau.

Isso não significa que a humanidade possa ficar inteiramente sem governo, pelo menos nesta fase de nossa evolução.  Eu seria ingênuo se acreditasse que uma sociedade completamente anárquica poderia sobreviver atualmente sem degenerar no caos, na lei do mais forte.  Por outro lado, não há nada que justifique a crença de que esta realidade será permanente.  Pensemos, por exemplo, nas práticas médicas do passado.  Quantas intervenções absolutamente insanas para os padrões atuais — como lobotomia, sangrias, choques elétricos, ingestão de urina, entre outras — não foram um dia consideradas males necessários e praticadas sob efusivos aplausos e reconhecimentos?

Como nos lembra Bryan Caplan, há mil anos, se alguém sugerisse que o sistema democrático seria hoje o arranjo comum na maioria das nações, certamente seria tachado de louco.  Segundo ele, a "loucura", nesse caso, tem a ver com expectativas.  Durante a Idade Média, todos estavam acostumados ao despotismo.  Ninguém esperava que um governante derrotado entregasse voluntariamente o poder.  Com efeito, a recusa de entregar o poder não parecia loucura aos olhos de ninguém. 

Nas sociedades modernas, em contraste, todos estão acostumados à democracia.  Todos esperam de um derrotado que entregue voluntariamente o poder.  A recusa, neste caso, é que parecerá loucura, a qual resultaria provavelmente não no fim da democracia, mas da carreira desse governante.

Imagine agora alguém que, há dois milênios, se insurgisse contra a escravidão ou previsse que, dois mil anos depois, a escravidão não apenas estaria extinta da face da Terra, como seria considerada crime hediondo em todos os lugares.  Nem Jesus Cristo ousou tanto, pois certamente seria visto como louco.  O que dizer então de alguém que, há apenas duzentos anos, falasse de coisas como viagens espaciais, aviões, automóveis, televisão, computador, internet e edifícios com duzentos metros de altura?  Não seriam tais coisas, naquela época, mais inverossímeis (utópicas?) do que imaginarmos, nos dias de hoje, uma eventual futura sociedade sem Estado, vivendo de forma ordeira e próspera?  Não seria muita arrogância de nossa parte pretender saber como se organizarão as civilizações futuras?

Não importa.  Como disse acima, minha opção pelo anarcocapitalismo é muito mais uma opção moral do que pragmática.  Mas deixo que o grande Bob Higgs a explique:

Muitas discussões sobre o anarquismo poderiam ser evitadas se esses dois aspectos distintos da ideologia estivessem sempre em mente — sua possibilidade prática e seu ideal moral.

Sinto-me sem qualquer obrigação de argumentar de forma convincente de que forma esta ordem social pode ser estabelecida na prática. Não sei se é possível ou não, assim como desconheço muitos outros desenvolvimentos que podem ou não vir a tornar-se realidade no futuro.

No entanto, vou continuar a defender o anarquismo libertário como um ideal moral que, acredito, todas as pessoas decentes deveriam defender. Se nós anarcocapitalistas tivermos sucesso, o resultado será esplêndido, de fato, mas se falharmos, acho que teremos feito a coisa certa. Afinal, que mal podemos fazer por abster-nos de apoiar certos crimes? Qual é o mal em denunciar quem os comete ou quem contribui para justificar os crimes inerentes ao funcionamento do estado?

Em outra passagem, ele é ainda mais enfático:

Embora eu não peça desculpas por essa escolha ideológica, tampouco compartilho da expectativa aparente de alguns companheiros anarquistas libertários, segundo os quais a revolução é iminente, ou ocorrerá muito em breve (…)

Se eu entendo o mundo desta forma, algumas pessoas perguntam, qual é o meu objetivo ao abraçar o anarquismo libertário? Bem, obviamente não estou nisso a fim de ficar do lado vencedor. Se esse fosse meu objetivo, eu já teria encontrado uma maneira de tornar-me útil participando de lobbies no Congresso. Não, eu pus-me onde estou agora um pouco como Martinho Lutero fez quando anunciou: "Eis-me aqui. Não consigo estar em nenhum outro lugar".

No meu caso, esta declaração significa que eu estou simplesmente fazendo o que me parece a coisa decente a fazer; que tomar qualquer outra posição ideológica iria envolver-me em males dos quais eu não quero participar.  Embora eu sinceramente acredite que um mundo sem  estado seria melhor do que o mundo atual de inúmeras maneiras, tais como melhor saúde, maior riqueza e maior bem-estar material, eu não sou um anarquista libertário por razões consequencialistas, mas sim, e principalmente, porque acredito que é errado para qualquer um — inclusive aqueles designados governantes e seus funcionários —  fazer o que é considerado errado para mim ou para qualquer outro indivíduo na esfera privada.


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SOBRE O AUTOR

João Luiz Mauad
é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.



O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Esse comentário não faz o menor sentido. Vc usa a linguagem jurídica e estatal para condenar pessoas, mas sem nenhum processo. Ter um cargo publico não pode ser crime no regime atual. Se vc se revelasse seria claramente processado por calunia e difamação. Pois não crime sem lei que o prescreva. Que é isso? Os libertários querem se unir aos marxistas para ditar regras de moral ao mundo. A existência de um aparato que extorque e atrapalha o desenvolvimento da população, pode ser imoral mas não pode ser considerado crime no sistema atual. Tente convocar uma assembleia constituinte libertaria e acabe com o sistema atual e talvez no seupais seja crime. Como podemos responder por crimes, contra uma legislação ideológica que ignoramos, que não aprendemos nem em casa e nem na mídia. Embora os recursos da receita federal sejam usados de ma fé, isso não faz da sua existência um crime. Antes de tudo existe um regulamento, produzido pelo consentimento da sociedade que prevê a existência daquele órgão. Pelo seu ponto de vista todas as pessoas são criminosas porque o estado não tributa tudo, mas regulamenta tudo. Então para ser um libertário coerente eu teria que cancelar meu CPF, abrir mão de todo beneficio estatal que veio parar nas minhas mão, mesmo sem que eu ferisse ninguém, renunciar minha cidadania brasileira, o que mais. Resumindo ter pessoas que respeitem os direitos civis e as liberdades individuais dentro do estado, é bem melhor do que ficar se gabando e massageando o próprio ego dizendo pra todo mundo, olha só nós estamos certo, todos vocês são ladroes, sem fazer nada pela liberdade.
Se há custos trabalhistas artificialmente altos e estes puderem ser reduzidos, então eles serão reduzidos.

Se uma empresa opera com custos trabalhistas artificialmente altos -- por imposição do governo -- e estes custos podem ser reduzidos -- porque há outros trabalhadores dispostos a fazer mais por menos --, então eles serão reduzidos.

Se a empresa não fizer isso, então ela estará -- por definição -- operando de forma ineficiente. Ele não durará muito. Com efeito, essa empresa só irá durar se operar com uma reserva de mercado garantida pelo governo. Aí sim. Excetuando-se isso, ela estará queimando capital e comprometendo sua capacidade de investimento e expansão no futuro. Será rapidamente abarcada pela concorrência.

No mais, é interessante notar que as pessoas querem livre concorrência para tudo e todos, menos para elas próprias. Todos nós queremos competição entre empresas para que haja produtos melhores e preços menores, mas não queremos competição para o nosso emprego. Quando a concorrência chega até nós, queremos que políticos criem leis que garantam nossa estabilidade. Agora, querem até proibir empresas de contratar outras pessoas que não nós mesmos. Há totalitarismo maior do que esse?

Vale ressaltar o óbvio: essa lei da terceirização nada mais é do que uma permissão para que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente -- por favor, me digam -- seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Ei, Marcelo Siva, quer falar de escravidão? Vamos lá (aliás, é hora de você começar a responder perguntas, como todos fizeram com as suas):

Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

No aguardo das suas respostas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Rennan Alves  15/04/2014 14:16
    Faltam alguns meses para me tornar um anarcocapitalista, então gostaria de tirar uma dúvida.

    Como funcionaria o Direito Civil em uma sociedade ancap? Existe algum artigo que discorra sobre esta área especificamente?
  • Carlos Garcia  15/04/2014 14:51


    Meu vídeo favorito sobre o tema.

    Na dúvida, você pode ler mais sobre isso no livro Machinery of freedom (acho que é engrenagens da liberdade em portuguÊs, e tem aqui no site do IMB de graça na seção biblioteca, se não me engano)
  • Rafael Zambon  15/04/2014 17:28
    Acredito que o livro "As engrenagens da Liberdade" só está disponível no site libertarianismo.org.
  • Rene  15/04/2014 16:29
    Eu achei este aqui

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1795
  • Diogo  15/04/2014 14:49
    "Isso não significa que a humanidade possa ficar inteiramente sem governo, pelo menos nesta fase de nossa evolução. Eu seria ingênuo se acreditasse que uma sociedade completamente anárquica poderia sobreviver atualmente sem degenerar no caos, na lei do mais forte."

    O estado é o mais forte e gerador do caos, a unica coisa que impede a anarquia atualmente é a crença da população de que o estado é o centro de coesão da sociedade, que impede o caos.

    Não é o estado que impede que as pessoas saiam se matando por ai, e os supostos mais fortes que o autor fala estão aonde neste momento? Em casa morrendo de medo do estado lá fora? Ou são o próprio estado?

    Ingenuidade é achar que o governo impede o caos, no mais ótimo texto.

  • Carlos  15/04/2014 17:20
    Mas no nosso estágio tirar o estado da jogada é colocar um estado ainda maior na hora. Não estou usando aquele velho argumento que abolir o estado é ruim porque irremediavelmente leva a outro estado, deixe-me explicar.
    Estamos cercados de socialistas, sociais-democratas e estatistas que já enfiaram tanto suas ideias na população que imediatamente acabando com o mecanismo de freio democrático que hoje temos eles poderão tomar o controle. Mais, o movimento comunista é o único com um forte bloco internacional e tantas representações em diversas nações, além de contar com grupos dissidentes que apesar de estarem contra politicamente ajudam no discurso. Eles podem tomar facilmente o poder até por armas e guerras civis, coisa que eles já se mostraram capazes outrora. No Brasil, uma população desarmada, vai fácil. E como o pensamento estatólatra atual não é difícil conseguir pensador para justificar qualquer regime e enfiar na cabeça do povo. O nazismo entra fácil se botarem uma roupagem nova e um novo nome. O povo rapidinho vai todo feliz para praça pública enfileirado saudando um Vargas ou sei lá quem.
    Acredito que o processo tem que ser gradual e natural, não revolucionário. Pelas vias políticas somente um reconhecimento da soberania da propriedade privada e a desintegração dos grandes estados em menores.
  • anônimo  15/04/2014 17:52
    Carlos,
    Você corroborou meu argumento de que o estado existe por que a população o julga necessário, eu nem cogitei a hipótese de acabar com o estado amanha, algo impossível, enquanto a sociedade acreditar nesta instituição maligna ela existirá, o que me coloca na mesma posição do autor, provavelmente não vou viver o bastante para ver o fim do estado se é que esse dia chegará.

    Mas discordo quando ele diz sem o governo viveríamos no caos, mesmo na sociedade atual.
  • Mr. Magoo  15/04/2014 18:33
    Bela análise Carlos!
  • Típico Filósofo  15/04/2014 14:55
    (OFF-TOPIC repetido aqui para melhor exposição)

    Heloísa Helena tem sua casa "invadida" por Movimento Social periférico em Alagoas:

    ultimosegundo.ig.com.br/brasil/crimes/2014-04-13/heloisa-helena-tem-casa-invadida-em-alagoas.html

    Lamentável que alienada pelo estresse e a mágoa, a tradicional esquerdista não tenha reconhecido que nós como sociedade que falhamos ao não nutrir todas as necessidades constitucionais dos 4 militantes pela justiça social. Ainda mais vergonhosa é a reação fascista neoliberal e ultraconservadora do filho da ex-senadora ao tentar agredir o militante, rejeitando os direitos humanos e a discussão democrática pelas reivindicações do ativista.
    ---

    Como está evidente no anúncio acima, é mister que deve caber somente ao estado a proteção do cidadão; em oposição ao que é constantemente pregado pelos anarco-neoliberais, adoradores do armamento civil. Basta perguntar: E se em tal situação de crise, o filho da ex-senadora houvesse decidido por ferir o ativista dos movimentos sociais? Qual seria a garantia possível e inteligível para a defesa dos direitos humanos de tal triste vítima da sociedade? E quanto aos valores democráticos que zelam pelo debate justo e pacífico entre os movimentos sociais periféricos (em ação de justiça social) e a pequena burguesia ultraconservadora (que defende a medieval 'legítima defesa')?

    Consiste em, data venia, em uma realidade de absurda e permanente violência e indiferença ao debate democrático a proposta defendida pelos anarcocapitalistas. Aí dos movimentos sociais de proteger a preciosa democracia contra o fascismo e a fome pela violência dos armamentistas e anti-estatistas. Somente o estado é capaz de proteger o militante e vítima da sociedade capitalista; além de garantir o debate social frente à arma apontada pela 'legítima defesa' fascista.

    E idem à pesquisa tecnológica (empresas não estão interessadas em contratar pensadores para que discutam os impactos de sua pesquisa contra o emprego e os interesses da república e as vetem, diferentemente do estado). É absurdo.
  • Marcelo Motta  15/04/2014 14:59
    Penso que o anarcocapitalismo realmente só pode existir no campo das ideias, fornecendo material filosófico ao mundo real.

    Em termos reais, precisamos seguir evoluindo no sentido de limitar cada vez mais o poder de interferência do Estado na economia e na vida particular dos indivíduos. Acredito que é possível chegar bastante próximo de um modelo anárquico, mas, não vejo, ainda que faça muito esforço meios para que em qualquer momento presente ou futuro possamos dispensar totalmente a existência do Estado.


  • Jonas  18/04/2014 06:06
    Numa sociedade hipoteticamente anárquica, os maiores detentores de poder se tornariam algo análogos a Estados, apenas com um nome diferente. Basta estudar a história das civilizações e constatar que os Estados evoluíram das tribos. Ninguém sobrevive sem estar de alguma maneira inserido e protegido dentro de um grupo/tribo/Estado. A anarquia é não apenas uma utopia, como propriamente uma impossibilidade.
  • Andre Cavalcante  21/04/2014 15:52

    Jonas, meus comentários:

    "Numa sociedade hipoteticamente anárquica, os maiores detentores de poder se tornariam algo análogos a Estados, apenas com um nome diferente."

    Que poder? Numa sociedade anárquica, o poder está distribuído pelos indivíduos, por definição, se não, não seria anárquica, certo?

    "Basta estudar a história das civilizações e constatar que os Estados evoluíram das tribos."

    Falso. Em uma tribo, o chefe trabalha tanto quanto quaisquer outros indivíduos, os espaços de uso comum não tem dono e são cuidados coletivamente. Teve que aparecer alguns indivíduos que providenciaram "proteção" a algumas tribos, cercando-as, e se adonando dos espaços comuns, antes sem dono, e passaram a cobrar por esta proteção e pelo cuidado das áreas comuns. Aí apareceu o estado, primeiro na forma de cidades-estados, depois grandes territórios até o surgimento do estado-nação que temos hoje. Como ninguém aceitaria simplesmente ter outra pessoa tomando conta de sua vida, por mais medo que tivesse em relação à segurança, era necessário algo que justificasse o estado. No início, o estado estava junto à religião e o chefe era também uma espécie de Deus encarnado. Na atualidade essa justificativa se dá pela "vontade da maioria".

    "A anarquia é não apenas uma utopia, como propriamente uma impossibilidade."

    Quanto a isso, deixo alguém mais distinto responder:

    "1. Quando um distinto e experiente cientista diz que algo é possível, é quase certeza que tem razão. Quando ele diz que algo é impossível, ele está muito provavelmente errado.

    2. O único caminho para desvendar os limites do possível é aventurar-se um pouco além dele, adentrando o impossível." - Arthur C. Clark.


  • Emerson Luis, um Psicologo  15/04/2014 15:09

    O máximo que podemos fazer é uma contribuição que é relativamente pequena. Mas todas essas mudanças foram resultado das contribuições cumulativas de inúmeros indivíduos no decorrer dos séculos que fizeram o que podiam para agir diferente e influenciar outros.

    No melhor exemplo, Jesus não ordenou o fim da servidão porque os primeiros cristãos eram uma minoria minúscula na época, mas semeou o fim dela de dentro para fora por ensinar que todos somos iguais [mas não idênticos] como seres humanos. Ora, a base da escravidão é que alguns humanos são superiores e outros são meros objetos, o que é incompatível com a ética ensinada por ele.

    Portanto, façamos nossas contribuições individuais a favor da liberdade e da isonomia e paremos de brigar entre nós. Guardemos nossas energias contra o estatismo.

    * * *
  • Renato  15/04/2014 15:27
    Mudando rapidamente de assunto.

    Ontem li um comentário bastante relevante em relação ao tal sindicalismo.

    Não são palavras minhas, mas gostaria que vocês analisassem:

    "Estamos em 2014, hoje é muito diferente da década 70 e 80, ou seja muita coisa não há mais necessidade que exista, pois o tempo torna e mostra que são descartáveis!!!!! Uma delas, é (são) o (os) Sindicato (s)!!!!

    Antigamente existia realmente muitos proprietários que não cumpriam a lei, e os sindicatos ajudaram com a contribuição de alguns direitos do empregado.

    Na situação atual, qualquer advogado cobra o mesmo que um advogado do sindicato, e vai executar a empresa que não cumpra as leis da mesma forma, com o mesmo resultado!

    Os sindicatos hoje, servem simplesmente para ser a máquina de arrecadação do PT. Não existe mais necessidade alguma de você ser sindicalizado, ou seja, você paga por algo que não quer e não tem necessidade!

    Venho através desta, lembrar que você, é responsável atualmente pelo PT ter tanto dinheiro!!!!! Por que você não faz agora mesmo uma carta para a empresa que você trabalha, solicitando que não desconte mais de seu salário, o sindicato, e também comunicando que não é mais de seu interesse ser sindicalizado???

    Lentamente, porém gradativamente todos fazendo isto, enfraquecerá tanto PT, quanto os aliados PSTU e PSOL. Começando hoje … e divulgando sempre, mesmo que lentamente, com certeza diariamente o sindicato perdendo você, seus amigos e assim por diante, acontecerá o que? Começando hoje, por você, em 05 anos, acaba os Sindicatos! Resumindo… acaba Greves, bagunça, baderna, terror contra o patrão, PT, PSOL, PSTU, etc….

    Todos temos as armas, só não luta quem é covarde!!!!!!

    *Lembro que: Você tem "DIREITO" de ser sindicalizado, e não é "OBRIGADO", a ser sindicalizado!!!!!!!!!!!!!
  • Andre  15/04/2014 15:49
    Que eu saiba a contribuição sindical é obrigatória:

    www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/contribuicoessindicais.htm
    "Contribuição Sindical: A Contribuição Sindical dos empregados, devida e obrigatória, será descontada em folha de pagamento de uma só vez no mês de março de cada ano e corresponderá à remuneração de um dia de trabalho. O artigo 149 da Constituição Federal prevê a contribuição sindical, concomitantemente com os artigos 578 e 579 da CLT, os quais preveem tal contribuição a todos que participem das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais."

    Se fosse opcional é claro que somente retardados mentais iriam pagar.
    Quem tem um cérebro jamais daria dinheiro voluntariamente para um bando de parasitas que nada fazem. Sejam esses parasitas do sindicato ou do governo.

    --
    Aproveito a mensagens para elogiar o ótimo texto!
  • Rodrigo Lopes Lourenço  15/04/2014 16:44
    Renato,
    A questão não é tão simples.
    A Constituição de 1988, super-estatizante e extremamente social-democrata, não permite o que você pretende.
    Se é certo, nos termos do art. 8º, caput,V, que você NÃO é obrigado a sindicalizar-se nem manter-se sindicalizado, a parte final do inciso IV do mesmo art. 8º, "independentemente da contribuição prevista em lei", é usada para fundamentar a validade das regras de getúlio vargas sobre o antigo "imposto sindical", hoje "contribuição sindical".
    Por tal razão, a obrigação de contribuir com um trinta avos do salário de março para o sindicato de sua categoria existe mesmo que você não seja sindicalizado e recuse-se a fazê-lo.
    É absurdo, mas é assim.
    Em termos gerais, quando você vir um absurdo legal, pode procurar na Constituição, porque de lá ele se origina.
  • Veridiana  15/04/2014 15:39
    Gostei do artigo. Compartilhei e estou tentando mostrar às pessoas que a verdadeira revolução é intelectual e moral, não é a que se faz através do anarcoilegalismo ou a que prevêem o anarcossindicalismo ou o anarco-comunismo. Não me considero ancap, de qualquer forma, se tivesse que optar entre a bandeira preta e vermelha ou preta e amarela, sem sombra de dúvidas o anarcocapitalismo seria minha opção. Me sinto como Higgs descreveu: não consigo estar em outro lugar, mas não me calo frente a atos e situações antiéticas. Ganhei vários inimigos, inclusive dentre aqueles que se dizem "libertários" sem saber o real significado do termo.

    Em uma consideração muito rasa sobre a pergunta feita pelo Rennan Alves: sou advogada na área trabalhista. Quando penso em uma sociedade anarquista, não vejo a existência do "direito" e, muito menos, de advogados. A "ordem" anárquica, sob meu ponto de vista, substitui qualquer tipo de norma imposta ou hierarquia. A evolução intelectual, moral e emocional necessárias a uma sociedade anarquista dispensam leis, advogados, etc. Dificilmente pessoas que conhecem seu lugar no mundo, fazem escolhas conscientes e têm suas capacidades e habilidades individuais desenvolvidas ao máximo precisariam de alguma regra dizendo "faça ou não faça", "seu limite começa ou acaba aqui", etc.
  • Diogo  15/04/2014 16:09
    Anarquia significa ausência de um estado, não ausência de leis. Nenhum ancap quer acabar com as leis só quer o fim do monopólio estatal da legislação, até porque mesmo em uma sociedade livre haveria transgressores da propriedade alheia.
  • Henrique  16/04/2014 01:33
    Me parece que você não compreendeu muito bem o anarquismo, que é nada mais do que a ausência de um monopólio legal do roubo e da violência, ou seja, o estado. Ninguém pressupõe uma evolução intelectual ou moral para que ocorra a anarquia, praticamente todo mundo requer governança para viver em sociedade, a questão é não é só o governo que pode satisfazer essa demanda por governança, que com certeza será muito melhor atendida num livre mercado, através da concorrência, que estimula o empreendedorismo e inovação.

    "E como seria uma sociedade sem estado?" -Não tenho a menor ideia, só sei que na ausência da violência institucionalizada, os arranjos sociais que surgirem serão os melhores possíveis para os envolvidos.
  • Lucas Fernando  15/04/2014 16:30
    Nestes tempos obscuros de expansão do politicamente correto, a liberdade de expessão no Brasil e na america latina vem minguando, estes fatos ocorridos atualmente acerca dos jornalistas Paulo Martins e Rachel Sherazade me deixaram temerosos, a forma como os meios de comunicação são regulados no Brasil com essa dependencia de verbas publicas, a atitude da deputada comunista querendo cassar a concessão do SBT (e a recente auto-censura do mesmo ao limitar as opiniões de sherazade no Jornal SBT), o encaminhamento de PL á camara pedindo destinação verbas publicas para criação de uma "midia independente" (sic). Gostaria de saber se aqui no site tem artigos sobre Midia Independente, Meios de Comunicação, Imprensa Livre ou Chapa-Branca etc, pois não consegui encontrar na busca ou nos artgos separados por assunto, se puderem me indicar os links.
  • Fernando  15/04/2014 16:44
    Ótimo artigo, João. Sou leitor fiel do Bryan Caplan. Por sinal, Caplan recomenda fortemente o recém publicado The Problem of Political Authority do Michael Huemer.
  • Brenner  15/04/2014 18:22
    O problema do anarcocapitalismo não é o fato dele não dar ênfase ao pragmatismo, e sim de que nele não há pragmatismo nenhum! Qual é a possibilidade real do anarcocapitalismo chegar ao poder e desfragmentá-lo ou mesmo representar uma séria ameaça ao Estado? É possível algum plano de ação ou o anarcocapitalismo irá permanecer no campo das ideias?

    Pelo menos na minha cabeça só existe uma forma real - excluindo o partidarismo,que só viria mais tarde... - dos libertários mudarem alguma coisa: infiltração cultural libertária análoga à infiltração gramisciana. Trata-se de colocar libertários em todos os meios culturais (jornais,revistas,canais de tv, músicas,etc) inclusive no próprio Estado e espalhar nesses meios ideias libertárias sem identificá-las como sendo libertárias. A longo prazo, as pessoas irão internalizar essas ideias como sendo delas próprias e exigirão voluntariamente uma redução do Estado. Essa estratégia foi aplicada pela esquerda nos últimos 30 anos e funcionou espetacularmente bem. Se os libertários começarem a pensar seriamente nesse plano de ação(criando jornalistas libertários, promotores libertários, professores libertários, militares libertários, entre outros) aí vocês terão resultados reais e o ambiente político será favorável a coisas como "partido libertário" e semelhantes.

    Eu sou conservador, mas se fosse libertário meu caminho seria aquele que descrevi. Minha linha de argumentação contra o libertarianismo é de que não é possível criar uma sociedade se baseando somente em algo tão vago quanto liberdade. Não é à toa que todas as civilizações foram criadas a partir de sociedades rigidamente religiosas. Perceba que numa sociedade libertária, no caso de um aborto, a liberdade da mãe em praticar o aborto implicaria na agressão da liberdade do bebê à vida; o inverso também é verdadeiro: a liberdade do bebê à vida implica na impossibilidade da mãe praticar o aborto. A restrição que eu sofreria ao jogar uma bomba na casa de alguém seria uma agressão à minha liberdade e se me deixassem fazer isso impune seria um atentado à liberdade do outro à vida. O "princípio" da liberdade sempre leva a uma contradição interna: para que exista liberdade é necessário que haja limites.

    Vejam o vídeo extremamente lúcido de Olavo de Carvalho:
    https://www.youtube.com/watch?v=NTM2KE4pucQ
  • Diogo  15/04/2014 18:44
    O limite é o direito de propriedade, eu sou livre para fazer o que bem entender com o que é meu por direito (adquirido na forma de apropriação original ou em trocas voluntárias) desde que não agrida a propriedade de terceiros, isso é liberdade e não há contradição alguma. Liberdade e propriedade andam juntos, não há um sem o outro.
  • Leonardo Couto  15/04/2014 20:31

    Negativo, esse pensamento está equivocado, Brenner.

    O conceito de liberdade, a noção de que cada ser humano deve ser livre, não pode ser analisado unilateralmente, sob a perspectiva isolacionista de um indivíduo, como que se somente a ele esse princípio remetesse. Princípios são universais.

    Liberdade não significa a possibilidade de indiscriminada ação por parte dos indivíduos. Dentre as ações que a humanidade pode conceber, existem aquelas que ferem a liberdade de seus semelhantes, ações que representam uma violação da capacidade do outro em ser livre, que são revestidas do uso da força sem uma força anterior em cena.

    Seria contradição conceber que as ações de um indivíduo são invioláveis na medida em que são inviolantes? (neologismo, eu sei). E que ações que representam uma agressão não são exemplos de atos cujo princípio da liberdade vigora?

    O fato de que o vigor da liberdade requerer o impedimento forças que a restrinjam não configura contradição alguma; na verdade, este fato é o que se pressupõe para sua plenitude.

    A liberdade do bebê é o que restringe a força agressora da mãe, a liberdade do proprietário de uma residência é o que restringe sua força agressora de explodi-la.

    Outra coisa: Vendo o início do vídeo, percebi que o Olavo não conhece aqueles que rejeitam a agressão como parte legítima de uma vida normal em sociedade. No mínimo, tem uma visão superficial e simplista.
  • Brenner  16/04/2014 00:06
    Voces implicitamente apoiaram meu argumento de que a liberdade esta relacionada a restricao das acoes de outros. Logo, a liberdade nao pode ser um principio visto que se faz necessario que haja algo na sociedade capaz de limita-la que nao seja a propria liberdade. A liberdade nao pode limitar ela propria - isso e uma contradicao. O conceito de que "minha liberdade termina onde comeca a do outro" revela ser, na verdade, uma regra social e nao a "liberdade" em si: se ela limita alguma coisa, nao se trata de liberdade propriamente dita e sim de um regulamento criado pela sociedade para limitar a liberdade de outros. Voces nao estam defendendo a liberdade e sim um regulamento social. O video do Olavo explica muito bem isso. Acredito que a liberdade deve ser promovida sim mas ela nao dever cumprir a funcao de lei suprema de uma sociedade, isso e impossivel.Na minha visao, os valores judaico-cristaos sao o suficiente.
  • Nilo BP  16/04/2014 02:24
    Err, sim, o princípio da não agressão (NAP) é uma regra social, não haja dúvidas.

    Nenhum libertário (qua libertário) está procurando o One Principle to Rule Them All (pelo menos, não deveria). O princípio da não-agressão é simplesmente a cristalização e universalização do bom senso que diz que sair na porrada é extremamente contraproducente.

    Arbitrário? De certa forma, sim - um partidário do "espírito guerreiro" teria muitas razões para detestar o NAP. Então aí está: o NAP não é um princípio universal e indiscutível. Ele não presume ter nenhuma resposta para o sentido da vida e outras questões pessoais. Isso fica a cargo de cada um... a mais importante das liberdades.

    Mas, com exceção do "guerreiro", praticamente todos os outros modos de vida são (ou dizem ser) partidários dos pontos fundamentais do NAP. Em outras palavras, o NAP não só tende a trazer paz e prosperidade material, como também é um denominador comum.

    Como regra social, em comparação com os tais "valores judaico-cristãos", o NAP tem as grandes vantagens de ser 1) mais objetivo (por várias ordens de magnitude), 2) internamente consistente e 3) inofensivo para as sensibilidades dos que não crêem na Bíblia.
  • Mr. Magoo  16/04/2014 02:35
    Brenner, isso responde: "nenhum reino en cima de escravidão" Moisés.
  • Luis Guilherme Sella  16/04/2014 03:12
    Pelo que suponho neste caso, o princípio da liberdade se aplica ao direito de propriedade. Se liberdade e propriedade andam juntas, conclui-se que um indivíduo tem liberdade total sobre aquilo que é propriedade sua: usar para o fim que achar melhor e manter a moral que lhe convir sobre aquilo que é seu, "os incomodados que se retirem". Porém, caso ele utilize a propriedade dele (seu corpo ou uma bomba, como você citou) para atacar o que é propriedade de outro indivíduo, esta liberdade lhe é restringida por forma de coerção. É recíproco: indivíduo A usa sua propriedade para atacar a propriedade do indivíduo B. Indivíduo B usa sua propriedade para evitar ou punir a "liberdade" de ação do indivíduo A. Quem começa a agressão é punido ou tem sua ação evitada pelo agredido. Neste caso, quem faz a "lei" são os próprios indivíduos envolvidos, daí surge um código moral. Basta, neste caso, definir o que é "agressão á propriedade".

    Há de se lembrar que boa parte do pensamento anacap está atrelado à concepção de moral da Ayn Rand e de outros pensadores mais "radicais". Nestes princípios, a moral é algo científico e parte de um pressuposto amoral, ou seja: nada é imoral ou moral, quem decide isso é a própria ordem espontânea dos indivíduos livres na defesa de suas propriedades. Esta ideia está, também, muito ligada ao conceito de Direito Natural. Por um método de "tentativa e erro", as pessoas vão identificando o que é mais producente e o que é mais prejudicial às suas vidas e á sociedade em geral e vão construíndo um código moral sobre isso. Processos assim já acontecem: em presídios, por exemplo, existe um código moral diferente do de cá. Não são leis que estão em um papel nem existe a figura de um juiz para decidir quando ou não elas devem ser cumpridas, é a própria organização espontânea dos indivíduos daquela sociedade que cria certos "dogmas". Não indo tão longe, as famílias também agem desta forma: cada uma se organiza moralmente de um jeito particular.
  • Marcelo Motta  16/04/2014 04:44
    Eu penso que a defesa da liberdade não é a restrição das ações de outros, mas, a restrição de sua própria ação em favor do outro. Como defensor da liberdade não posso cercear o direito de livre arbítrio do outro, isto não é liberdade é tirania.

    Defender a liberdade implicar impor limites a si para evitar que seu direito de ser livre limite o direito do outro de também sê-lo. A frase "o meu direito termina quando começa o do outro", penso eu, tem exatamente este significado.
  • Leonardo Couto  16/04/2014 20:52

    Só um refinamento, Brenner: Liberdade está relacionada à restrição da ação dos outros na medida em que tais ações configurem um ato de agressão.

    Pode não parecer, mas estabelecer claramente esses conceitos tem a função de fechar brechas para que não insiram regras arbitrárias de restrição das ações dos outros.

    Se trata de um limite autorreferente.

    Em hipótese alguma seria legítimo usar da força sem a única função que a torna legítima: a defesa contra uma força agressora. Se trata de um princípio, sim. Que só pode ter sua análise confundida se se deturpar a característica que os princípios possuem de serem universais.

    ____________________________________________________________________________________

    Outra coisa: Eu não entendo por que a defesa dos valores cristãos surge como uma alternativa ao Princípio da Não-Agressão...

    Eu tenho uma suspeita imensa de que quem fala isso pensa que o PNA alguma vez tentou ser o definidor único de um estilo de vida moral. Como que os defensores do PNA o adotassem como único princípio norteador das ações de sua vida.

    Meu amigo, a ideia do PNA está incluída na moralidade cristã, e qualquer um que almeje fazer pose de defensor das regras de nosso Senhor, ao mesmo tempo que rejeita a ideia por trás do PNA, geralmente não passa de alguém que delega a autoridade de Deus a uma mera carne que se arroga a estabelecer regras próprias de moralidade, ex sua cabeça, com o intuito de "ajudar a Deus".

    Pessoas assim sempre detêm o meu desprezo, e são merecedoras de um fenomenal escárnio.

    Felizmente eu vivo em paz por saber que não há ninguém que possua a autoridade para se constituir juiz sobre mim que não seja Deus. O resto pode viver com sua pose falsa, frágil e muitas vezes causada por uma grande quantidade de podridão interna e de sujeira embaixo do tapete.

    Quem busca ser santo não precisa fazer força para mostrar ser, ele simplesmente é.
  • Brenner  17/04/2014 19:12
    O PNA serviria como única regra social, certo ? Vocês concordaram comigo de que é impossível que haja uma sociedade humana baseada somente na "liberdade" pois o PNA é uma regra adotada socialmente e não a própria liberdade.
    "Leonardo Couto"- Eu não disse que PNA não possui respaldo do cristianismo. Por isso eu sugeri moral judaico-cristã que, além de englobar o PNA, possui princípios. PNA não pode ser um princípio por ser essencialmente vago: o quê seria agressão ? "ataques à vida, liberdade e propriedade"? Como é possível definir "liberdade" juridicamente? Entenda que não havendo uma definição absoluta de liberdade, todos os outros aspectos do PNA tornam-se irrelevantes. Nunca na história humana houve um consenso a respeito do que é liberdade. Veja que todos divergem na definição de liberdade mesmo aqui, nos comentários do IMB! Nem filósofos de diferentes épocas conseguiram chegar a um consenso a cerca dela:
    pt.wikipedia.org/wiki/Liberdade

    Outra coisa: um princípio deve ter a capacidade de sobreviver através dos tempos sem perder o significado original. O que garante que a concepção de liberdade formada numa sociedade recém-anarquista permaneça inalterada depois de um ou três séculos depois? "Não matarás",por exemplo ,é um princípio - visto que é um mandamento direto,claro e impossível de ser deturpado. Os dez mandamentos da Bíblia também passaram pelo teste do tempo e permanecem com o mesmo significado de séculos atrás. O mesmo não pode ser dito a respeito do PNA. Nem artigos constitucionais sobrevivem ao teste do tempo. Religiões sobrevivem ao tempo devido não somente a seus princípios mas à sua própria natureza: proibição de contestação das palavras de Deus. Contestações suscitam descrenças e descrenças levam necessariamente a ressignificações da lei ou mesmo a uma reformulação completa dessa lei. Isso explica despotismos dentro de uma regime constitucional. Espero aqui ter deixado claro minha exposição a respeito da debilidade do PNA.
  • Leonardo Couto  18/04/2014 01:22

    PNA = Liberdade

    Qualquer outro conceito de liberdade não condiz com um ambiente realmente livre.

    Se por acaso inventaram que liberdade significaria outra coisa e então afirmam que essa coisa é contraditória, então estamos de acordo, uma vez que absolutamente ninguém aqui está defendendo essa noção míope.

    Essa ideia inventada é um conceito órfão que provavelmente está sendo trazido, e obviamente atacado - já que não possui defensor - com o intuito de que se possa considerar válida ações de força injustificáveis.

    Se o conceito de liberdade passar a aceitar a ideia de restrição, sem que se delimite logicamente tal restrição, então estará aberta a brecha para que se use da força para impingir a conformidade dos atos dos indivíduos com a moralidade cuja não-adesão é legítima.



    Você não pode, Brenner, sugerir a moralidade cristã como conjunto de princípios definidor de legitimidade dos atos. Isto é, cuja não conformidade seria punida mediante a força.

    Isto entraria em contradição com a própria moralidade cristã.

    Nós cristãos sabemos que a moralidade cristã é o norteador de nossas vidas. E não é porque o PNA não diz "a moralidade cristã é a correta" que o seu conceito nega tal (como nós sabemos) verdade. Ele apenas não se propõe a isso.

    Concordo com você de que o cristianismo deve ser a base para uma vida onde se possa sorrir sem reservas. Mas o conjunto total das instruções de Deus não ocupa a posição "se não seguir a totalidade destas regras vou apontar um revólver para sua cabeça".

    Segundo a própria moral cristã, o que ocupa tal lugar é o PNA - obviamente, esse foi um nome que inventaram, Deus nos deu a ideia por trás deste com a Sua instituição do livre-arbítrio.
  • Jonas  18/04/2014 06:13
    Dizer que "PNA = liberdade" é querer mudar as regras do jogo momentaneamente pra fazer valer o argumento. O Brenner repetiu e deixou bem claro que o PNA é uma norma social, um acordo, uma construção humana em prol da convivência contrariando o vale-tudo da natureza selvagem. Dizer que PNA é liberdade é como tentar fingir por um momento que ele é um "acordo natural", uma regra flutuante que já existia por aí com ou sem humanidade. Errado. Os animais não seguem o PNA. Ele é uma construção racional e, portanto, limitadora da liberdade que há na natureza.
  • Luis Guilherme Sella  20/04/2014 04:44
    Jonas, os animais usam o PNA, sim. Ou você já viu algum animal atacar "de graça"? Vamos usar os cães como exemplo pra que fique mais fácil de identificar. Quantas vezes você já ouviu as pessoas dizerem sobre um cachorro bravo: "ele só vai te atacar se você fizer mal pra ele". O senso de propriedade para os cães funciona de forma muito parecida com o de outros mamíferos. Ele se apropria de um território onde ele tem alimento e uma matilha. No cão doméstico, o território dele é a sua casa, o alimento é a ração e os mimos que você dá e a matilha é você e sua família e outro animal de estimação que você tiver dentro do seu território. O que acontece se algum estranho (cão ou humano) tentar pular o muro?

    A cobra também é um bom exemplo de PNA porque cobra nenhuma vai te picar se você não ameaçá-la. Os animais sabem instintivamente que precisam guardar energia e recursos (no caso da cobra o veneno) para conseguir alimento, por isso evitam ao máximo gastá-los a toa. Não saem por aí atacando e usando suas armas em quem julgam não lhes oferecer perigo simplesmente porque precisam desta energia e destes recursos em coisas mais importantes para a sobrevivência deles.

    Evidente que não podemos comparar os julgamentos deles com os nossos, mas o princípio que eles utilizam é, em si, o próprio PNA. Somente o fazem de acordo com as peculiaridades de suas espécies.
  • Nilo BP  18/04/2014 14:03
    Concordo que "liberdade" é uma palavra tão sólida quanto "amor" (tão sólida quanto fumaça). Por isso que os teóricos sérios do PNA colocam muito mais ênfase na propriedade (ou "liberdades negativas").

    Hoppe é um bom exemplo porque ele mostra, sem a menor consideração para com a retórica dos libertários populistas, que o PNA seguido à risca pode ir (e provavelmente irá) contra várias "liberdades" politicamente corretas.

    Definir "propriedade" também não é uma tarefa trivial, especialmente em situações específicas (para isso provavelmente existiriam advogados e juízes, mesmo no anarco-capitalismo). Mas, como conceito, a propriedade respeita o principal gargalo da "experiência humana" na Terra: a escassez material. O que a torna uma ótima base para um princípio que se propõe a regular as relações humanas.

    Na minha opinião, a simplicidade do PNA é uma vantagem, não uma debilidade, especialmente comparada com textos religiosos.

    Estes últimos se propõem a regular todos os aspectos das vidas das pessoas, e ainda o fazem de forma deliberadamente prolixa e nebulosa. Isso inevitavelmente dá espaço para o cidadão torcer e esticar suas palavras para justificar absurdos (como efetivamente ocorreu pela História afora).

    O PNA, por outro lado, é enxuto, direto, e se declara explicitamente como regra social, com um fundamento e um objetivo.

    O PNA não tem história suficiente para eu demonstrar que ele é mais resistente à corrosão das interpretações infelizes do que, por exemplo, a moral cristã. Mas acho que diz muita coisa o fato de os entortadores do libertarianismo (sim, já existem) terem como objetivo ampliar o escopo do mesmo para além do PNA.

    Contraste isso com o Papa Francisco, por exemplo, que convenientemente ignora o fato de que taxação é roubo, e se apóia no mandato de caridade do cristianismo para defender a redistribuição de renda via Estado. Com o apoio entusiasmado de muitos cristãos, diga-se de passagem.
  • Fabrício  04/12/2014 21:52
    Se nós sairmos do principio de que ordem é necessaria para a liberdade,e a liberdade deve partir de uma ordem na sociedade,alguem ou alguma coisa vai ter a maioria de apoio pra implementar sua ordem social pra garantir a liberdade.


    Acho que os exemplos religiosos e politicos disso não deram certo pra todas as pessoas envolvidas.
  • anônimo  15/04/2014 21:26
    Liberdade pra mim é aquele tipo de palavra que cada um toma um significado para si, a partir disso todos ficam tão apegados ao significado que escolheram para si que ao tentar conversar sobre liberdade com as pessoas elas sempre remetem a ideia já escolhida ignorando o resto. Imagino que para mim o que o Brenner chama de liberdade eu defino como libertinagem. O vocabulário para alguns conceitos confunde
  • Martin  15/04/2014 18:40
    Beleza. Mas todo libertário é ancap no sentido do autor. Os libertários que não são ancap não o são justamente porque não acreditam que a abolição do estado é, ceteris paribus, melhor do que mantê-la. Enquanto 99% da população acredita que crimes são justificados desde que cometidos em massa, abolir o estado atual não adianta nada. Os crimes simplesmente serão menos previsíveis, e o mais provável é que um novo Estado surja em poucos meses.

    Agora, se por algum milagre as massas põem o Código da Vinchi no porão e começam a ler Ethics of Liberty, então é claro que o monopólio da violência terá seus dias contados.

    O problema é decifrar o significado da pergunta "você é anarquista?". Ela é ambígua.
  • CHARLES OLIVEIRA  15/04/2014 20:40
    Sempre tive uma queda pelo anarquismo e capitalismo, agora com a evolução natural da coisas, vejo que não estava encanado, o capitalismo é inevitável e o anarquismo uma liberdade, tem tudo para dar certo, só falta o povo.
  • Zappa  15/04/2014 22:19
    Será viagem? Qual a semelhança entre a nova ordem mundial e Mordor e o um anel de Tolkien?
    Seríamos nós Frodos lutando contra Saurons????
    Creio que o Anarco-capitalismo seja a única saída!

  • Pobre Paulista  15/04/2014 22:41
    Sobre o assunto "Direito" e "Justiça", segue uma opinião de um AnCap Cristão. É uma visão Cristã, portanto quem não acredita favor não perder seu tempo.

    Não cabe ao ser humano comum ser justo. Ninguém é, ninguém nunca foi e ninguém jamais será, apenas Jesus, que é Deus, foi um ser humano absolutamente justo. Nós somos imperfeitos, incapazes e pecadores.

    Ora, se nenhum ser humano consegue ser justo, como pode o estado ser justo para com seus cidadãos? Mais ainda, como pode o estado ousar dizer que ele é a única entidade capaz de promover a justiça entre os homens? Isso não é apenas incompreensível, chega a ser ridículo.

    Felizmente sabemos, pelo nosso próprio conhecimento e por algumas evidências históricas, que o livre mercado tende a gerar produtos e serviços cada vez mais eficientes e baratos. Colocar a Justiça no meio privado é a melhor solução que temos, se quisermos um mundo pelo menos "menos injusto". Claro que nenhuma solução será perfeita, pois nenhum ser humano é perfeito, mas pelo menos conseguiríamos um mundo um pouco mais justo do que o atual.

    Essa é minha birra com os minarquistas, ou liberais conservadores, que em geral são Cristãos. Ao defender o monopólio da justiça na mão do estado eles estão basicamente elevando o estado ao status de Deus, o único justo e perfeito. E isso é uma aberração moral e lógica.


  • Diogo  17/04/2014 12:24
    Todo Cristão deveria ser contra o estado, por que este vai contra a lei de Deus, o 5° e o 7° mandamento são não matar e não roubar, são as duas coisas que o estado mais faz.
  • Andre Cavalcante  15/04/2014 23:01
    Entender a ordem espontânea não é fácil, requer um boa dose de abstração e sair do lugar comum do pensamento.

    Em geral entendemos ordem com algo de cima para baixo, do centro para a periferia, etc. Mas dizer para as pessoas que é possível haver ordem a partir do caos (significado matemático do termo), elas fazem a mesma cara como se a gente tivesses falando do ET de Varginia em Marte.

    Boa parte dessa discussão se é possível ou não o anarcocapitalimo ser colocado em prática é, no fundo, uma questão do que se considera a ordem e do que se considera algo anárquico.

    Os tais "pontos atratores" que aparecem em um sistema complexo, denotando a ordem que surge espontaneamente, pode ser encarado como uma prova de que um sistema anárquico (caótico) fatalmente leva a um estado (a ordem no caos). Para outros, contudo, mostra exatamente o contrário, que uma sociedade vai encontrar sua ordem espontaneamente, sem a necessidade de um estado.

    Para mim o artigo está perfeito. Mostra, como outrora já coloquei, que o anarcocapitalismo para mim é uma evolução que chegará quando tivermos rompido essas algemas mentais que nos prendem ao estado. Também, consoante com o texto, acredito que a revolução anárquica se dará no pensamento das pessoas.

    Novamente me valho da teoria de sistemas complexos: a ordem não vai surgir de cima para baixo, do centro à periferia ou qualquer outra direção: simplesmente ela vai vir de todas as direções e vai evoluir para todas as direções e, do caos aparente, encontraremos alguns pontos de equilíbrio (novamente, equilíbrio dinâmico, definição matemática) e aí a sociedade vai se estabilizar. De forma que, ao alcançarmos aquele estado, por ser força da evolução social, nos será o estado absolutamente normal e nem mesmo saberemos rotulá-lo de anarcocapitalismo ou qualquer outra coisa.

    Quanto tempo até isso acontecer? Bom, só depende de a gente acabar com o estado dentro do nosso próprio pensamento. Quanto menos dependermos de entidades coercitivas externas para vivermos, melhor. Mas enfrentamos hoje, o problema dos adolescentes: precisam conquistar a sua liberdade, independência e responsabilidade, mas se acham ainda muito acanhados (muito infantis) para conquistar o mundo fora dos olhos paternos. O estado usa de coerção, mas também alimenta a infantilidade mental em que nos encontramos.

    Não sei como tal sistema será, mas tenho absoluta certeza que será bem diferente do que temos hoje.

    Abraços


  • Luis Guilherme Sella  16/04/2014 04:28
    O que me pergunto neste caso, André, é se a ordem espontânea não nos levaria ao Estado ou a algo parecido (ou até pior) novamente. Ao contrário do que você disse, considero que uma sociedade anacap teria que ser uma sociedade moral desde o seu princípio, ela não pode surgir do caos. Seria resultado, não o motor da evolução. Isto porque cada indivíduo é uma variável nesta equação de equilíbrio dinâmico. O caos humano é tão "caótico" porque, diferente do caos numérico, cada variável tem vontade própria e muda de valor constantemente de maneira muito parecida com a aleatoriedade plena. Desta forma, não se pode considerar humanos como entes matemáticos de valor fixo, nem se pode tratar indivíduos como um ente isolado de um contexto. Humanos são, em essência, imprevisívies e interagem entre si dentro desta imprevisibilidade. Além disso, temos que levar em conta que o Estado não é "filho de chocadeira", ele é uma criação da própria ordem humana espontânea e não tem vida própria. Suponhamos uma sociedade anacap em uma fase de desequilíbrio: o que impediria de surgir uma variável "pensadora" como um Marx da vida que ganhasse uma horda de seguidores oportunistas?

    Nós dois somos produtos e atores desta ordem espontânea. Este site é produto e ator desta ordem espontânea. Hoje somos nós aqui defendendo a ausência do Estado, amanhã pode ser outros defendendo a criação de algo parecido ou até pior para sanar um possível "caos".

    No sentido econômico, pode-se até prever a ação humana, Mises fez isso maravilhosamente bem. O problema é que nem tudo na sociedade é busca por lucro. No âmbito moral, as pessoas agem de maneira totalmente imprevisível porque frequentemente estão sob a ação da emoção. Os julgamentos morais são, em essência, julgamentos emocionais e, apesar de a psicologia e a psicanálise tentar explicá-los, são compostos por variáveis extremamente complexas e peculiares. Ao mesmo tempo, acreditar que as pessoas são somente produto do meio é dar crédito a Gramsci, Simone de Beauvoir, Sartre e cia e incitar uma doutrinação em massa. É pior: dar motivo para se impor uma engenharia social (lavagem cerebral). Este é um método que, matematicamente falando, visa a fixar os valores das variáveis tornando-as previsíveis como consequência. Neste processo, ignora-se completamente as peculiaridades de cada indivíduo e tenta-se uniformizar a moral e os comportamentos. Em suma, significa dizer que procura-se uniformizar as vontades humanas, algo totalmente utópico e, digo eu, imoral.

    Em contrapartida, existem os instintos, estes mais previsíveis. Afastar os homens de sua natureza animalesca é, em essência, lavagem cerebral e sofremos dela desde que nascemos por todo tipo de indivíduo que nos "educa". Muito embora, ignorar que nossa natureza animal e nossos instintos prevalecem em muitos momentos de nossas vidas, mesmo após sermos "lavados", é ingenuidade ou pura desonestidade intelectual como a proferida pelos referidos "pensadores" supra-citados.

    Onde quero chegar é que o único método capaz de tornar uma sociedade anacap viável seria partir de um ponto em que todos os indivíduos que a compõem sejam minimamente previsíveis, caso contrário cairíamos em uma sociedade "animalesca" (não no sentido pejorativo da palavra). Isto significa que todos deveriam seguir um código moral parecido e que todos deveriam ser minimamente morais perante ele. O perigo é um embate entre morais diferentes - como hoje ocorre mundo islâmico x mundo judeu, por exemplo. Isto criaria um caos tão "caótico" que poderia levar as pessoas a clamarem por uma estrutura que pudesse garantir um meio termo entre as opiniões através de coerção. Pronto, aquilo que chamamos de "Estado" estaria criado.
  • Diogo  16/04/2014 12:58
    Luis,

    O dia que rompermos as algemas mentais que nos prendem ao estado, muito bem colocado pelo Andre, a chance de um estado reaparecer é a mesma que voltarmos para a escravidão.
  • Andre Cavalcante  16/04/2014 17:12
    Olá Lius
    "O que me pergunto neste caso, André, é se a ordem espontânea não nos levaria ao Estado ou a algo parecido (ou até pior) novamente."

    Creio que não, porque as consciências seriam diferentes. É como hoje voltarmos a ter escravos. Seria uma excrecência mental, moral, social.

    "Ao contrário do que você disse, considero que uma sociedade anacap teria que ser uma sociedade moral desde o seu princípio, ela não pode surgir do caos."

    Mas eu não disse isso. Disse que a ordem pode surgir do caos. Isto quer dizer, ao contrário do que muitos pregam, que há sim como haver ordem a partir de um sistema complexo que inicie randômico. Há um fato na natureza que mostra que tais pontos de equilíbrio podem ser alcançados e são extremamente estáveis: a grande tempestade rosa em Júpiter dura já mais de 400 anos e já foi recriada em simulações de computador a partir de um ciclo de tempestades aleatórias em um planeta tipo Júpiter. Nada falei sobre os aspectos morais da questão.

    "Seria resultado, não o motor da evolução."

    Isso foi exatamente o que falei: para mim um mundo sem estado (como o conhecemos hoje) não será aceito no futuro. A evolução mesmo vai nos forçar a abandonar estas excrecências morais de um estado coercitivo. Dei até o exemplo do adolescente em relação ao adulto. Hoje somos quais adolescentes. Amanhã seremos adultos.

    Sobre os demais pontos que cê falou tenho pouco a dizer, exceto um ponto. Não creio que seja necessário que TODOS se tornem pacifistas para que haja um mundo ancap. Aliás creio mesmo que um mundo ancap seria muito mais difícil para que os maus dominem. Hoje é relativamente fácil, basta ganhar a próxima eleição, o só requer um dinheiro e muita cara de pau, coisas que os maus tem de sobra. Nem creio que seja necessário que TODOS sejam cidadãos morais (no sentido de santos mesmo, como pareceu em seu texto - posso estar errado sobre essa interpretação). Acredito que seja necessário apenas que tenhamos pessoas conscientes, isto é, que saibam reivindicar a sua liberdade e a sua propriedade junto aos semelhantes, e arcar com as consequências de seus atos conscientemente. Se um grande número de pessoas tiver essa consciência creio que as coisas aconteceriam.
  • Luis Guilherme Sella  17/04/2014 08:28
    Concordo com você, André. Eu só estava tentando tratar o assunto de uma maneira mais pragmática, portanto, mais imediatista. Tipo: se hoje ou daqui a alguns anos resolvêssemos abolir o Estado, não correríamos o risco de ser criada coisa pior?

    Em suma, argumentamos: o indivíduo humano autoconsciente, de maneira coletiva, é responsável pela ordem espontânea das coisas, aquilo que consiste a sua própria realidade. Rejeitamos, portanto, o Estado e um ser supremo (Deus) como atores responsáveis por esta ordem. Entende-se, então, que Deus ou deuses e o Estado sejam produto dos próprios indivíduos agindo de maneira individual e aleatória, formando um coletivo a partir da individualidade e da aleatoriedade. Portanto, não somos produto de Deus ou de deuses nem do Estado, é Deus ou os deuses e o Estado que são produtos das nossas consciências e atitudes. Ao mesmo tempo cremos, analisando a evolução da humanidade perante toda a sua história, que estamos em marcha a um destino aparentemente inexorável em que nossas consciências e atitudes serão soberanas. Um momento em que não haverá mais nenhum tipo de coerção, seja estatal ou religiosa, tornando possível uma sociedade de homens totalmente livres, auto-gerida pela própria consciência daqueles que dela fazem parte.

    Você usou muito bem a metáfora com a adolescência. Concluímos que hoje não seria possível vivermos em uma sociedade sem Estado justamente porque a consciência das pessoas ainda não está preparada para tal. Pode-se dizer que não estamos evoluídos o bastante porque a nossa cultura e as nossas consciências estão saturadas com as ideias que impedem o nosso objetivo de acontecer. Seria o caso, então, de começarmos a modificar este cenário através de uma mudança cultural e da consciência geral.

    Nota alguma semelhança?

    Como foi bem citado por um outro Andre (não sei se é outro ou você mesmo), Marx estava certo, só errou de anarquia.

    E acrescento: Gramsci também estava certo, só estava do lado errado.

    Eu não vejo o materialismo histórico como um grande problema, pelo contrário. Kant, Hegel, Feuerbach e cia estavam certos. Não sou religioso nem sou ateu, prefiro me manter "nulo" quanto a estas questões simplesmente porque não posso duvidar de algo que não tenho certeza se existe: se existe ou não existe, quero provas. Marx como economista foi um desastre, mas como filósofo considero que estava certo quando desenvolveu o materialismo histórico - só pecou no "Manifesto" e em atribuir ao capitalismo o surgimento do Estado. O anacap é, em essência, materialismo histórico puro, só que mais "refinado" quando leva em conta a teoria econômica mais coerente com a ação humana.

    Quando falei em seres morais, não quis dizer que eles deveriam ser "santos". Basicamente, o que eu quis dizer significa que o funcionamento da sociedade dependeria de que seus indivíduos fossem verdadeiros praticantes da moral que foi estabelecida, não importa qual. Caso contrário, a sociedade cairia na hipocrisia generalizada e no embate moralista, o que criaria uma turbulência difícil de ser resolvida sem a atuação de uma doutrinação em massa.
  • André  15/04/2014 23:14
    No fim, Marx estava certo, só errou de anarquismo.
  • Guinther Kovalski  15/04/2014 23:17
    Tem um livro muito relevante para nossa causa:Os anjos Bons de nossa natureza.O autor demonstra ponto a ponto, uma pesquisa extremamente abrangente e detalhada sobre o por que nossa civilização esta e tornando passo a passo mais pacifica, e de como o nosso futuro esta apontando para o total pacifismo(essencial para a possibilidade de existência de um mundo ancap)
  • Renato  16/04/2014 01:31
    Eu geralmente quando quero mostrar aos meus parentes, amigos ou conhecidos do porque o anarcocapitalismo é superior a qualquer sistema ou ideologia politica digo que no anarcocapitalismo a sua propriedade privada é sua nação, seu país, sua lei.
  • Sergio  16/04/2014 10:56
    O anarcocapitalismo é o Mundo de Regeneração. Estou absolutamente convicto disso.
  • anônimo  16/04/2014 11:15
    Se for uma questão de ideal moral então não precisamos de polícia privada e justiça privada nenhuma, já que num mundo ideal todo mundo vai ter bons valores morais e ser honesto.
  • Mr. Magoo  16/04/2014 13:31
    Num mundo ideal ter bons valores morais e ser honesto seria, ao contrário de hoje, mais lucrativo.
  • anônimo  16/04/2014 11:19
    O povo não é consequência do sistema econômico, o sistema econômico é consequência do povo. Numa terra de gente escrota como o brasil, é claro que mais cedo ou mais tarde o sonho ia ser virar funça. Vou ficar aqui no bem bom, ganhando meu salário enorme e a iniciativa privada que se foda pra me sustentar.
  • Rodrigo Amado  16/04/2014 17:01
    Eu também penso em virar funça.
    O problema do Brasil é que como a maioria do povo quer viver às custas dos outros eles sempre votam em quem promete mais benesses governamentais.
    Então é a maioria do povo que está restringindo minhas opções de viver a minha vida em paz.
    No arranjo atual minha opções são:

    - Trabalhar na iniciativa privada e ser fortemente ROUBADO.

    - Tentar empreender e ser fortemente ROUBADO, além de ter que lidar com uma enorme burocracia.

    - Virar funça e ao invés de ser ROUBADO, ganhar dinheiro que foi ROUBADO das pessoas que queriam me ROUBAR.

    É uma questão de estímulos.
    Claro que o ideal ainda é emigrar, pois em países com maior liberdade econômica é possível trabalhar na iniciativa
    privada com algo que eu goste e ser ROUBADO em uma quantidade MUITO MENOR.
    E claro que mesmo estando nesses países reclamarei que estou sendo ROUBADO, sempre espalhando o ideal do libertarianismo.

    Mas, nesses países ainda é mais vantajoso ser da iniciativa privada trabalhando com o que eu gosto (mesmo sendo levemente ROUBADO), do que ser da iniciativa pública (ROUBANDO de quem queria me ROUBAR) e ter um trabalho deprimente.

    No Brasil ou eu sou ROUBADO ou eu ROUBO de quem quer me ROUBAR.
    Acho que ROUBAR de quem quer me ROUBAR é menos imoral do que ROUBAR de quem não quer me ROUBAR.
  • Rennan Alves  17/04/2014 00:36
    Não Rodrigo, seu pensamento está equivocado. Você não está roubando de quem quer lhe roubar, você está recebendo dinheiro roubado de todos os cidadãos, independente dos que queiram lhe roubar ou não. É, basicamente, transferência de dinheiro, tal qual uma quadrilha.

    Se você roubar, estará apenas perpetuando o ciclo do roubo, realimentando a vontade de outrem a alcançar o seu status quo através da mesma máquina estatal (afinal, quem não quer participar de uma instituição de reservas infinitas?). Lembre-se que você estará incentivando pessoas a possuírem tais motivações.

    A única maneira que eu conheço para quebrar este ciclo é através da cultura e da educação, a mesma tática utilizada pela esquerda nas últimas décadas (Gramsci, Hobsbawm, entre outros que prefiro não citar por... nojo mesmo), denunciando, refutando e ridicularizando todos os seus argumentos.
  • Mr. Magoo  18/04/2014 17:02
    Brenner, qual ponto na frase: "não agressão", você achou ...vago?!?! Aonde não entendeu?
  • Tiago Malta  29/04/2014 11:41
    Excelente texto,

    Saudações de proto-anarcocapitalista
  • Phillip Grillo  08/07/2014 21:35
    Jesus cristo não precisava dizer nada sobre escravidão. Quem conhece a bíblia sabe que desde que se fundou a sociedade judaica sob os ensinos da Lei de Moisés, todo escravo era comprado com prazo de validade. Depois de um determinado tempo, os escravos só permaneciam escravos em Israel se fosse por opção individual e mesmo assim sob a pena de ter uma das orelhas furadas. O atual regime global de ojeriza à escravidão já havia sido condenado muito antes de existir cristianismo.
  • Phillip Grillo  08/07/2014 21:36
    Do mesmo jeito que eu obedeço mandamentos divinos mesmo sem saber seu efeito eu me posiciono à favor do anarco-capitalismo, como foi dito no texto, não preciso ser aceito, preciso apenas fazer aquilo que creio sinceramente ser o certo à ser feito. Ninguém é capaz de compreender o bem que há por trás da moralidade, mas quem opta em seguir o que considera certo, se possui de fato conhecimento e sabedoria, conhece seus frutos e sabe que só pode trazer coisas boas. Que coisas boas, não sabemos, mas fazer o que é moralmente correto geralmente surpreende positivamente no fim de tudo. Essa é minha experiência.
  • Pedro  10/09/2015 21:04
    Belo texto, por mais óbvias que sejam a preposições que o fizeram
    um anarcocapitalista.
    A maioria dos brasileiros é insatisfeita com a burocracia do país, o intervencionismo e impostos. Mas mesmo assim mantenho meu posicionamento Liberal, pois acredito ainda em
    pessoas que possam melhor representar na política.
  • Nicholas Andrew  01/03/2016 15:20
    Eu me tornei libertário graças a um canal no YouTube chamado Ideias Radicais, e alguns artigos daqui do IMB, bem como o livro "A Anatomia do Estado", do Rothbard.


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