Como funcionaria uma sociedade sem estado

Este artigo é a segunda e última parte da entrevista concedida por Hans-Hermann Hoppe à revista Wirtschaftswoche, o principal semanário da Alemanha sobre economia e negócios, e foi conduzida por Malte Fischer. A primeira parte, que versou sobre economia global e secessão, pode ser lida aqui.


Independentemente do número de territórios soberanos, ainda resta a questão do tamanho do governo.  Os liberais clássicos sugerem que o estado seja um mero 'guarda noturno', o qual se limita a garantir a liberdade, a propriedade e a paz.  Mas o senhor não quer estado nenhum.  Por quê?

Os liberais clássicos subestimam a inerente tendência de qualquer arranjo estatal ao inchaço.  Essa é uma propensão irreversível.  Quem determina quantos policiais, quantos juízes e quantos soldados — todos eles financiados por impostos — haverá em um estado mínimo voltado exclusivamente para a segurança e para os serviços judiciais?  

No mercado, onde bens e serviços são demandados e pagos voluntariamente, a resposta é clara: bens e serviços serão produzidos na quantidade e aos preços que os consumidores estiverem dispostos a pagar.  Por outro lado, no que tange ao governo de qualquer país, a pergunta "quanto?" será sempre respondida da mesma maneira: quanto mais dinheiro você nos der, mais poderemos fazer por você.

Dado que o governo pode obrigar seus cidadãos a pagar impostos, o governo sempre irá exigir cada vez mais dinheiro e, em troca, ofertará serviços de qualidade cada vez pior, dado que o governo não opera em ambiente concorrencial.  A ideia de um estado mínimo, principalmente em uma democracia, é um projeto conceitualmente falho.  Estados mínimos jamais permanecem mínimos.

Então não deveria haver estado nem sequer para proteger a propriedade, e para fornecer serviços de segurança e de justiça?

Se o estado for proteger a propriedade utilizando uma polícia estatal, então ele terá de coercivamente coletar impostos.  No entanto, impostos são expropriação.  Desta maneira, o estado paradoxalmente se transforma em um expropriador protetor da propriedade.  Não faz sentido.  Ademais, um estado que quer manter a lei e a ordem, mas que pode ele próprio criar leis, será ao mesmo tempo um transgressor e um mantenedor da lei.

E isso tem de ficar claro: o estado não nos defende; ao contrário, o estado nos agride, confisca nossa propriedade e a utiliza para se defender a si próprio.  A definição padrão do estado é essa: o estado é uma agência caracterizada por duas feições exclusivas e logicamente conectadas entre si.  Primeiro, o estado é uma agência que exerce o monopólio compulsório da jurisdição de seu território; o estado é o tomador supremo de decisões.  Ou seja, o estado é o árbitro e juiz supremo de todos os casos de conflito, incluindo aqueles conflitos que envolvem ele próprio e seus funcionários.  Não há qualquer possibilidade de apelação que esteja acima e além do estado.  Segundo, o estado é uma agência que exerce o monopólio territorial da tributação.  Ou seja, é uma agência que pode determinar unilateralmente o preço que seus súditos devem pagar pelos seus serviços de juiz supremo.  Baseando-se nesse arranjo institucional, você pode seguramente prever quais serão as consequências:

a) em vez de impedir e solucionar conflitos, alguém que possua o monopólio da tomada suprema de decisões irá gerar e provocar conflitos com o intuito de resolvê-los em benefício próprio.  Isto é, o estado não reconhece e protege as leis existentes, mas as distorce e corrompe por meio da legislação.  Contradição número um: o estado é, como dito, um transgressor mantenedor das leis. 

b) em vez de defender e proteger alguém ou alguma coisa, um monopolista da tributação irá invariavelmente se esforçar para maximizar seus gastos com proteção e ao mesmo tempo minimizar a real produção de proteção.  Quanto mais dinheiro o estado puder gastar e quanto menos ele tiver de trabalhar para obter esse dinheiro, melhor será a sua situação.  Contradição número dois: o estado é, como dito, um expropriador protetor da propriedade.

Então, para quem o senhor gostaria de transferir a tarefa de proteger direitos e propriedade?

Tais tarefas devem ser realizadas por aquelas empresas privadas que comprovadamente demonstrarem competência em um mercado livre e concorrencial — exatamente como ocorre com os outros serviços. 

Em uma sociedade de leis privadas, a produção de lei e ordem — de segurança — seria feita por indivíduos e agências livremente financiados, concorrendo entre si por uma clientela disposta a pagar (ou a não pagar) voluntariamente por tais serviços — exatamente como ocorre com a produção de todos os outros bens e serviços.  Como esse sistema funcionaria é algo que pode ser mais bem compreendido ao contrastarmos tal sistema com o funcionamento do nosso atual e totalmente conhecido sistema estatista. 

Se quisermos resumir em uma única palavra a diferença (e a vantagem) decisiva entre uma indústria de segurança operando em ambiente concorrencial e a atual prática estatista, essa palavra seria: contrato.

O estado opera em um vácuo jurídico.  Não existe nenhum contrato entre o estado e seus cidadãos.  Não está determinado contratualmente o que de fato pertence a quem; consequentemente, não está determinado o que deve ser protegido.  Não está determinado qual serviço o estado deve fornecer, nem o que deve acontecer caso o estado falhe em cumprir seu dever, e nem qual preço o "consumidor" de tais "serviços" deve pagar.  Ao contrário: o estado determina unilateralmente as regras do jogo, podendo mudá-las, por mera legislação, durante o jogo. 

Obviamente, tal comportamento seria inconcebível para fornecedores de serviços de segurança financiados livremente.  Apenas imagine um fornecedor de serviços de segurança — seja uma polícia, uma seguradora ou um tribunal de arbitragem — cuja oferta consistisse em algo mais ou menos assim: "Eu não vou contratualmente garantir nada a você; não irei lhe dizer o que estou obrigado a fazer caso você não fique satisfeito com meus serviços.  Porém, mesmo assim, eu me reservo o direito de determinar unilateralmente o preço que você deve me pagar por tais serviços indefinidos." 

Qualquer fornecedor de serviços de segurança desse tipo iria imediatamente desaparecer do mercado em decorrência de uma total falta de clientes.

Em vez de agir assim, cada produtor de serviços de segurança, sempre financiado livremente, teria de oferecer um contrato aos seus clientes em potencial.  E esses contratos — a fim de serem considerados aceitáveis para consumidores que estão pagando voluntariamente por eles — devem conter cláusulas e descrições totalmente claras, bem como serviços e obrigações mútuas claramente definidos.  Cada uma das partes do contrato, ao longo de sua duração e até o vencimento do contrato, estaria vinculada a ele de acordo com seus termos e condições; e qualquer mudança nos termos ou nas condições iria requerer o consentimento unânime de todos os lados envolvidos.

Mais especificamente, para serem tidos como aceitáveis por seus potenciais compradores, esses contratos teriam de conter cláusulas especificando o que será feito no caso de um conflito ou desavença entre a agência de segurança (ou seguradora) e seus segurados, bem como no caso de um conflito entre diferentes agências de proteção e seus respectivos clientes.  E, nesses casos, apenas uma solução mutuamente acordada é possível: os lados em discórdia concordariam contratualmente em recorrer a um tribunal de arbitragem comandado por algum agente que seja independente e que goze da confiança mútua desses dois lados. 

E quanto a esse agente, ele também deve ser financiado no livre mercado, além de sofrer a concorrência de vários outros arbitradores e agências de arbitragem.  Seus clientes — isto é, as seguradoras e os segurados — esperam que ele dê um veredito que seja reconhecido por todos como sendo justo e imparcial.  Somente arbitradores capazes de dar vereditos justos e imparciais terão êxito no mercado de arbitramento.  Arbitradores incapazes disso, e consequentemente vistos como parciais ou tendenciosos, irão desaparecer do mercado.

E como seriam definidas as leis e como seria sua aplicação?

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que, se não houvesse conflitos entre indivíduos e todos nós vivêssemos em perfeita harmonia, não haveria nenhuma necessidade de leis ou normas.  O propósito de leis ou normas é justamente o de ajudar a evitar conflitos que de outra forma seriam inevitáveis.  Somente as leis que atingem esse objetivo podem ser chamadas de leis boas.  Uma lei que gera conflitos em vez de ajudar a evitá-los é contrária ao propósito intrínseco de qualquer lei —ou seja, trata-se de uma lei ruim, disfuncional e corrupta. 

Em segundo lugar, é preciso entender que toda e qualquer sociedade tem como característica intrínseca conflitos de propriedade sobre bens escassos.  Conflitos ocorrem porque vivemos em um mundo de escassez, onde os bens são escassos.  Afinal, se os bens são escassos, eles não podem ser de todos.  É necessário haver propriedade sobre eles.  As pessoas entram em choque porque querem utilizar exatamente o mesmo bem de maneiras distintas e incompatíveis.  Ou eu venço a briga e utilizo tal bem do meu jeito, ou você vence e utiliza tal bem do seu jeito.  É impossível que nós dois saiamos "ganhadores".  No caso de bens escassos, portanto, são necessárias regras ou leis que nos ajudem a solucionar reivindicações rivais e conflituosas. 

Mas não é necessário que seja o estado quem irá resolver tais conflitos. 

Logo, todos os conflitos relacionados ao uso de bens escassos, poderão ser evitados apenas se cada bem for propriedade privada, isto é, se cada bem escasso for exclusivamente controlado por um indivíduo (ou grupo de indivíduos) específico — e não por vários indivíduos não-especificados —, e sempre for deixado claro qual bem é propriedade de quem, e qual não é.  E, para que os conflitos fossem evitados desde o início da humanidade, por assim dizer, seria necessário ter uma regra determinando que a primeira apropriação original de algum recurso escasso e até então sem dono configuraria propriedade privada. 

Sendo assim, existem essencialmente três "leis boas" que podem garantir uma interação humana sem a ocorrência de conflitos (ou a "paz eterna"):

a) aquele que se apropria de algo até então sem dono torna-se o seu proprietário exclusivo (na condição de primeiro proprietário, ele logicamente não entrou em conflito com ninguém, dado que todas as outras pessoas apareceram em cena apenas mais tarde);

b) aquele que produz algo utilizando tanto o seu próprio corpo quanto os bens dos quais se apropriou originalmente torna-se o proprietário único e legítimo do produto de seu trabalho — desde que ele, nesse processo, não danifique a integridade física da propriedade de terceiros; e

c) aquele que adquire um bem de algum proprietário por meio de uma troca voluntária — isto é, uma troca considerada a priori como mutuamente benéfica — torna-se o novo proprietário desse bem.

Portanto, tendo este pano de fundo, imagine agora uma sociedade sem estado.  Nesta ordem natural, cada indivíduo que for o primeiro a se apropriar de algo irá se tornar o proprietário original dos bens que ele controla.  Quem sugerir o contrário terá o ônus da prova.  Neste arranjo, conflitos serão resolvidos por uma autoridade natural.  Em vilarejos, esta autoridade natural são aquelas pessoas que forem respeitadas por todos; elas atuarão como juízes.  Se houver alguma contenda envolvendo pessoas pertencentes a comunidades distintas, e que recorrerem a juízes distintos, o conflito terá de ser arbitrado no nível superior mais próximo.  O que é importante é que nenhum juiz detenha o monopólio da aplicação de leis. 

O mesmo raciocínio se aplica a qualquer cidade, de qualquer tamanho, dado que toda e qualquer cidade está dividida em bairros, que funcionam como se fossem vilarejos integrados.

Isso soa muito irrealista...

... mas não é!  Apenas veja como as contendas transnacionais são resolvidas atualmente.  Em nível internacional, já existe uma espécie de anarquia jurídica, pois não há um governo mundial que a tudo regula.  Por exemplo, pense na cidade da Basileia.  Ela está localizada em uma tríplice fronteira entre Suíça, França e Alemanha.  O que seus cidadãos fazem quando há uma contenda entre eles?  Em primeiro lugar, eles irão contatar suas respectivas jurisdições.  Se não houver nenhum acordo, arbitradores independentes são convocados para resolver o caso.  Por acaso existem mais contendas entre os cidadãos desta região do que entre cidadãos de Dusseldorf e Colônia?  Nunca ouvi falar.  Isso mostra que é possível regular disputas interpessoais pacificamente, sem que haja um estado detentor do monopólio do justiça.

Um sistema jurídico sem estado provavelmente está muito além da imaginação das pessoas.

Por quê?  Basicamente, são ideias facilmente compreensíveis que, ao longo dos séculos, foram abolidas e extirpadas de nós por apologistas do poder estatal.  Foi um grande erro evolucionário substituir a liberdade de escolha das pessoas em termos legais por um monopólio estatal da legislação.  Este atual estado de coisas levou a um arranjo em que, nas eleições, uma horda ignara adquire cargos governamentais e utiliza seu poder legiferante para se enriquecer expropriando a propriedade daqueles que possuem mais riquezas do que eles próprios.  Já o chefe de um clã que seja voluntariamente escolhido como um arbitrador de disputas normalmente será um indivíduo já rico que não terá motivos para querer tomar para si a propriedade de terceiros.  Caso contrário, ele não seria escolhido voluntariamente como arbitrador.

Como, em um mundo sem a ordem do estado, poderíamos impedir a violação de direitos elementares à liberdade, como o direito à integridade física?

Contra-pergunta: por acaso tais violações são atualmente impedidas pela existência do estado?  Como está a violência em países que têm um estado grande e onipresente, como os da América Latina?

Enquanto os humanos forem humanos, sempre existirão áreas em que haverá homicídios e assaltos.  Os governos conseguiram melhorar esta situação?  Tenho minhas dúvidas.  Governos também são geridos por humanos.  Porém, ao contrário de uma sociedade sem estado, os líderes detêm um monopólio sobre sua posição de poder.

Isso por acaso não torna estas pessoas piores do que já são?  Humanos não são anjos; frequentemente fazem maldades e causam enormes estragos.  Por este motivo, a melhor defesa da liberdade e da propriedade é não permitir que ninguém crie um monopólio protegido por lei.  Tão logo exista um monopólio protegido por lei, não serão exatamente seres angelicais que surgirão dele.

Suponhamos que sigamos suas ideias e transfiramos as clássicas funções do estado, como a proteção da propriedade e da imposição da justiça, para organizações privadas.  Imediatamente teríamos de lidar com o problema de que, também nestas organizações, os homens maus podem assumir o comando e criar cartéis à custa dos cidadãos.

O risco de isso ocorrer é baixo.  Cartéis só conseguem sobreviver no longo prazo se o estado protegê-los.  Isso ocorre hoje justamente em todos os setores da economia que são controlados por agências reguladoras, as quais existem para impedir que novas empresas entrem no mercado, façam concorrência e perturbem a tranquilidade das empresas já estabelecidas e que são as preferidas do estado.

Cartéis nunca se sustentaram no livre mercado.  O que tradicionalmente sempre ocorreu foi o seguinte: as grandes empresas começaram a se unir para dividir o mercado exclusivamente entre elas; no entanto, tal arranjo, por elevar os preços e reduzir a qualidade dos serviços, acaba beneficiando os membros mais ineficientes deste cartel e prejudicando os mais eficientes.  Estes percebem que podem conquistar uma maior fatia de mercado fora do cartel.  Tão logo eles percebem isso, o cartel se esfacela.

Mas até que isso ocorra, os membros do cartel exploram os cidadãos.

Esse seu raciocínio é o que eu chamo de "se suicidar por medo de morrer".  Se você transfere tal tarefa ao estado, então você está dando a ele logo de partida um monopólio total.  E ele certamente irá abusar deste monopólio para restringir a liberdade dos cidadãos.

Em uma sociedade sem estado e com leis privadas, como lidar com o problema das externalidades?  Por exemplo, quem iria fazer com que poluidores ambientais também tivessem de arcar com os custos?

Esse problema é fácil de ser resolvido.  Basta você conferir à parte prejudicada o direito de tomar medidas judiciais contra o agressor.  Ato contínuo, ela poderá processar o causador do estrago, fazendo com que esta lhe dê um pagamento indenizatório.  No século XIX, era uma prática comum os cidadãos processarem empresas que danificassem sua propriedade em decorrência de poluição.  Com o tempo, o estado começou a limitar o direito de apelação, tudo com o intuito de proteger determinadas indústrias.

Por isso, e como expliquei anteriormente, é crucial que os direitos de propriedade sejam claramente atribuídos.  O princípio básico tem de ser: quem for o primeiro a se apropriar de um local ainda inutilizado e sem dono, adquire os direitos de propriedade.

Por exemplo, se uma indústria construir uma planta que apresente uma intensa emissão de poluentes nas vizinhanças de um determinado bairro residencial, então estes moradores — que chegaram lá primeiro — podem processar a empresa e pedir indenização.  Trata-se de um princípio simples que até mesmo crianças conseguem entender.  Nos EUA, durante a época da corrida do ouro, vários critérios foram estabelecidos sem a intromissão o estado.  E várias pessoas registraram suas queixas contra mineradores.  Isso mostra que questões de transgressão de propriedade podem ser resolvidas sem o estado.

E a questão das forças armadas?  Não dá para organizar a defesa nacional sem o estado, e ninguém pode ser excluído da segurança fornecida por um exército.  Logo, você precisa do estado para obrigar todos os cidadãos a pagarem impostos para financiar as forças armadas.

E quem disse que absolutamente todos os cidadãos querem ser defendidos por um exército?  De novo, vivemos em um mundo de escassez.  O dinheiro que for gasto com defesa não mais estará disponível para ser gasto em outros propósitos.  Algumas pessoas talvez não queiram ser defendidas e, em vez disso, preferem pagar por férias no Havaí.  No caso de um ataque externo, elas provavelmente iriam optar por deixar o país e, sendo assim, elas não precisam de defesa de nenhum exército.

O estado não tem nenhum direito de obrigar estas pessoas a pagar impostos para financiar forças armadas.  Em uma sociedade sem estado, as pessoas podem, se assim o desejarem, criar pequenas unidades de segurança, como vigilâncias comunitárias.  Podem também se defender por conta própria por meio do uso de armas.  Ou podem ainda contratar segurança privada.  Elas teriam a liberdade de decidir livremente como iriam gastar seu próprio dinheiro.

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Leia também:

O fundamento lógico para a privatização total 

A produção privada de serviços de segurança 


1 voto

SOBRE O AUTOR

Hans-Hermann Hoppe
é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo e The Economics and Ethics of Private Property.




O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Esse comentário não faz o menor sentido. Vc usa a linguagem jurídica e estatal para condenar pessoas, mas sem nenhum processo. Ter um cargo publico não pode ser crime no regime atual. Se vc se revelasse seria claramente processado por calunia e difamação. Pois não crime sem lei que o prescreva. Que é isso? Os libertários querem se unir aos marxistas para ditar regras de moral ao mundo. A existência de um aparato que extorque e atrapalha o desenvolvimento da população, pode ser imoral mas não pode ser considerado crime no sistema atual. Tente convocar uma assembleia constituinte libertaria e acabe com o sistema atual e talvez no seupais seja crime. Como podemos responder por crimes, contra uma legislação ideológica que ignoramos, que não aprendemos nem em casa e nem na mídia. Embora os recursos da receita federal sejam usados de ma fé, isso não faz da sua existência um crime. Antes de tudo existe um regulamento, produzido pelo consentimento da sociedade que prevê a existência daquele órgão. Pelo seu ponto de vista todas as pessoas são criminosas porque o estado não tributa tudo, mas regulamenta tudo. Então para ser um libertário coerente eu teria que cancelar meu CPF, abrir mão de todo beneficio estatal que veio parar nas minhas mão, mesmo sem que eu ferisse ninguém, renunciar minha cidadania brasileira, o que mais. Resumindo ter pessoas que respeitem os direitos civis e as liberdades individuais dentro do estado, é bem melhor do que ficar se gabando e massageando o próprio ego dizendo pra todo mundo, olha só nós estamos certo, todos vocês são ladroes, sem fazer nada pela liberdade.
Se há custos trabalhistas artificialmente altos e estes puderem ser reduzidos, então eles serão reduzidos.

Se uma empresa opera com custos trabalhistas artificialmente altos -- por imposição do governo -- e estes custos podem ser reduzidos -- porque há outros trabalhadores dispostos a fazer mais por menos --, então eles serão reduzidos.

Se a empresa não fizer isso, então ela estará -- por definição -- operando de forma ineficiente. Ele não durará muito. Com efeito, essa empresa só irá durar se operar com uma reserva de mercado garantida pelo governo. Aí sim. Excetuando-se isso, ela estará queimando capital e comprometendo sua capacidade de investimento e expansão no futuro. Será rapidamente abarcada pela concorrência.

No mais, é interessante notar que as pessoas querem livre concorrência para tudo e todos, menos para elas próprias. Todos nós queremos competição entre empresas para que haja produtos melhores e preços menores, mas não queremos competição para o nosso emprego. Quando a concorrência chega até nós, queremos que políticos criem leis que garantam nossa estabilidade. Agora, querem até proibir empresas de contratar outras pessoas que não nós mesmos. Há totalitarismo maior do que esse?

Vale ressaltar o óbvio: essa lei da terceirização nada mais é do que uma permissão para que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente -- por favor, me digam -- seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Ei, Marcelo Siva, quer falar de escravidão? Vamos lá (aliás, é hora de você começar a responder perguntas, como todos fizeram com as suas):

Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

No aguardo das suas respostas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • anônimo sobre segurança  04/02/2014 14:18
    Sobre a questão de exércitos:

    Uma vez conversando com um amigo, ele sugeriu que a segurança nacional poderia ser um serviço B2B (business to business), oferecido para empresas de segurança privada como uma forma de "resseguro".

    Por exemplo, existiriam as diversas empresas 'policiais' privadas, as seguradoras, as empresas de vigilância, etc. Elas poderiam contratar um tipo de seguro com uma empresa 'militar' privada, que garantiria proteção em caso de guerra, agressão de outro estado contra a população livre, etc. A empresa 'militar' seria responsável por fornecer soldados e equipamentos de guerra como armas, tanques, mísseis, etc.

    Esse seria um arranjo viável teoricamente?
  • Pedro Ivo  04/02/2014 18:06
    Tanto é viável teoricamente que você mesmo o teorizou. Agora cabe solucionar os detalhes operacionais.

    Se você ler sobre história militar, verá que na Europa medieval e Renascentista havia muitos soldados mercenários, exércitos privados e comandantes sob contrato. Vide por ex.:

    Warlord
    Albrecht von Wallenstein

    E para organizações militares alternativas vide:
    Milícia
    Como o porte irrestrito de armas garantiu a liberdade dos suíços
    Arma nuclear de uso tático
    Armas nucleares: Proliferação ou monopólio?
    Pulso Eletromagnético
    Electromagnetic pulse

    Essas leituras, espero, ilustrarão sobre possíveis soluções dos detalhes operacionais. Ah, sim! E veja este vídeo

    E a Suíça permanece oferecendo exs. significativos em favor de + liberdade e menos intervenção. Vide:
    Palmas para os suíços




  • Allan Galvão  02/09/2014 16:34
    Perdão, mas discordo de algumas alegações. Seguem:

    - Não existem áreas sem dono no mundo.
    - Um estado organizado (mesmo uma porcaria corrupta) tem condições de empregar capital dirigido sem se perder em milhares de processos num ambiente complexo (não podemos só apresentar casos tribais para justificar tudo). O comportamento é sempre exponencial ao se tratar de ambientes complexos.
    - Um exército estrangeiro sempre é o melhor meio de questionar o poder de mobilização e organização de uma sociedade. A história ja provou o que exércitos organizados podem fazer, e empresas privadas (tirando os cruzados) não conseguiram suportar ataques a médio prazo e subverteram. Vide a história dos Germanos com Alarico para segurar os romanos.

    PS:. Enquanto este aspecto da segurança às ameaças externas não for solucionado de maneira razoável, o liberalismo não será considerado, sobrando somente os debates no aspecto intelectual, assim como os malditos esquerdistas que gostam de fazer cortesia com o chapéu alheio.

    Grande abraço!

    Allan C. Galvão.
  • Pedro Ivo  02/09/2014 21:05
    Perdão, mas discordo de algumas alegações. Seguem:

    Não entendi. Você discorda de alguem ter feito estas alegações, ou com base nelas?

    - Não existem áreas sem dono no mundo.

    Existem. Não existem áreas 'fora da soberania de um estado'. São situações jurídicas diferentes

    - Um estado organizado (mesmo uma porcaria corrupta) tem condições de empregar capital dirigido sem se perder em milhares de processos num ambiente complexo (não podemos só apresentar casos tribais para justificar tudo). O comportamento é sempre exponencial ao se tratar de ambientes complexos.

    Também não entendi o que você disse aqui, nem a relação disto com o artigo.

    - Um exército estrangeiro sempre é o melhor meio de questionar o poder de mobilização e organização de uma sociedade. A história ja provou o que exércitos organizados podem fazer, e empresas privadas (tirando os cruzados) não conseguiram suportar ataques a médio prazo e subverteram. Vide a história dos Germanos com Alarico para segurar os romanos. - O texto teoria do caos apresenta uma resposta parcial ao que você disse sobre exércitos privados não terem capacidade de resistência a uma invasão estatal. Além do mais, a Companhia Britânica das Índias Orientais funcionou como exército particular por pelo menos 150 anos, então o que a história ilustra são equilíbrios de poder entre exércitos particulares e estatais, contanto o exército particular exista. E isto basta, pois um exército existe prioritariamente para elevar o custo de oportunidade de uma invasão, haja batalhas ou não.

    PS:. Enquanto este aspecto da segurança às ameaças externas não for solucionado de maneira razoável,... - Nenhum problema precisa de uma solução razoável para ensejar debates. 1º porque "razoável" um julgamento de valor (eu, por ex., valoro que este problema está razoavelmente bem solucionado porque há estados incapazes de se defenderem e nem por isto estão sob invasão); 2º porque toda solução de problemas sociais é parcial (sub-ótima), prova disto que alternativas surgem e sistemas sociais se transformam. Os exércitos estatais não são senão uma solução, particular e históricamente limitada, ao problema da defesa,e afirmações em contrário são mero positivismo comtiano: partir da conclusão de que este é um sistema último para concluir que é um sistema final; enfim, pegar um caso histórico e atribuir-lhe caráter de essência última.

    ... o liberalismo não será considerado, sobrando somente os debates no aspecto intelectual,... - O liberalismo não depende da solução de um sistema de defesa privado para ser debatido (o anarcocapitalismo talvez, o liberalismo jamais), e como o ônus da prova é de quem afirma, cabe a você demonstrar porque diabos um tema fica relegado à mera discussão conceitual só porque um de seus tópicos (defesa-privada, no caso) não comporta uma solução definitiva. Veja a quantidade de doutrina jurídica - para citar um exemplo - que é aplicada diariamente às nossas instituições, e acerca das quais se discute aspectos em aberto. Ou mesmo de doutrina militar, que varia conforme o país e seus recursos, que apresenta pontos insolúveis, e ainda sim orienta a defesa de um estado. Se houvesse necessidade de soluções últimas para implementar ações, só D'us poderia agir, e a civilização seria uma impossibilidade per se, e não estaríamos aqui debatendo. O estatismo, pelo critério que você elencou,também seria relegado a mero debate intelectual, porque também é um sistema em aberto (não só quanto a suas soluções para defesa, mas em quaisquer esferas). De novo você incorre no erro clássico do positivista comtiano: apresentar a configuração hodierna como exemplar de uma superação evolutiva, quase darwiniana, dos exemplares passados. Sinto muito, mas isto é ridículo!

    assim como os malditos esquerdistas que gostam de fazer cortesia com o chapéu alheio.

    Não entendi de novo. O socialismo, ele sim, já foi refutado como uma implausibiliade conceitual. Ele sim é indebatível em termos consistentes, racionais, honestos e plausíveis. Que os esquerdistas sejam apontados como exemplares de fraudes por proporem algo inverossímel, concordo. Dizer que o liberalismo é indebatível pelas mesmas razões que o socialismo, mostra que você nem conhece os termos do debate. O problema da defesa privada e livre-concorrencial (que você inocentemente pensa impugnar ao liberalismo) sequer é um problema conceitual (no sentido de apodítico, ou no sentido de praxeológico), mas tecnológico ou heurístico: presta-se a múltiplas soluções/configurações. Como então nivelaria (?) a liberalistas e socialistas quanto a fazer cortesia com chapéu alheio (?), se um sistema de defesa privado não oferece defesa a quem não se cotiza para tê-lo(?), e se é a defesa estatal que, cotizada coercivamente, faz bonito com chapéu alheio ao oferecer defesa a quem não se cotizou para pagá-la(?), nalgo semelhante aos subsídios que o sistema público de saúde fornece a quem não paga por ele?

    Aguardo ansiosamente sua próxima intervenção.
  • gilberto  04/02/2014 14:42
    Nosense libertário. A "Sociedade Libertária" só existe na cabeça dos libertários. É tão utópico quanto a estatização total comunista.
  • Eduardo Bellani  04/02/2014 15:56
    Nosense libertário. ... É tão utópico quanto a estatização total comunista.

    Legal essa sua opinião. Tem algum argumento pra fundamentá-la?

    Abraços.
  • Pobre Paulista  04/02/2014 17:36
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=237
  • Pedro  04/02/2014 16:29
    Houvesse isso pregado por eles e estaríamos na idade da pedra, ainda.
  • Bruno D  04/02/2014 19:13
    As pessoas confundem ausência de estado com falta de uma sociedade organizada ou anarquia ou desorganização em ultima estancia. é claro que ausência de governo pode significar justamente o contrário ou seja uma sociedade altamente orgânica e organizada. O libertário em si, não pode ser contra a ordem ele é contra uma entidade que se intitula a monopolista da ordem, isso é claro é o que vemos todos os dias.
  • Pedro  05/02/2014 00:40
    Agora convença 200 milhões de pessoas a serem organizadas, decentes, trabalhadoras, não invejosas, respeitadoras da propriedade privada e asseadas.

    Quando isso tudo acontecer, posso começar a pensar em viver da forma utópica que os libertários desejam.
  • Eduardo Bellani  05/02/2014 12:13
    Agora convença 200 milhões de pessoas a serem organizadas, decentes,
    trabalhadoras, não invejosas, respeitadoras da propriedade privada e asseadas.


    Conseguiram convencer elas que um monopólio de jurisdição territorial representa os
    interesses delas. A verdade me parece que tem chance dado esse absurdo. Mas, a luta é
    antiga e não existem garantias de vitória, então, mãos a obra.

  • Leandro Tideman  05/02/2014 14:39
    Uma coisa é dizer como seria o mundo se o Estado nunca tivesse existido, outra coisa é dizer como chegar a esta utopia a partir do mundo real. Como estamos totalmente acostumados com o Estado organizando nossas vidas, desde regulando o valor da moeda até desenhando o traçado das ruas, é muito dificil imaginar como seria o mundo sem ele. Não se trata apenas de "convencer" 7 bilhões de pessoas a se organizarem sem o Estado, o problema é convence-las a fazer isso já com o Estado existindo.
  • anônimo  05/02/2014 16:27
    'Agora convença 200 milhões de pessoas a serem organizadas, decentes, trabalhadoras, não invejosas, respeitadoras da propriedade privada e asseadas.'

    Pois é, o exemplo que o Hoppe coloca, veja só, uma cidade entre Suíça, França e Alemanha. Quem já teve a felicidade de ir pra esses lugares sabe como é, um lugar limpo, o povo não suja o chão, se preocupa em não incomodar os outros, se você perde sua carteira quem acha vem atrás de você para devolver, dam it, tem lugares na Europa onde você pode deixar um carrinho de bebê no meio da rua, passar horas fazendo outra coisa e quando volta ele ainda está lá.
    A conclusão é que o negócio funciona não pela eficiência desse arranjo de justiça e polícias privadas substituindo o estado mas sim porque a NECESSIDADE de estado é desprezível. Encha de brasileiros essa terra lá e aí sim, vamos ver se esse arranjo dá conta.

    Já a Somália, (já sei, vão falar que tem governo agora, mas o ponto não é esse) quando NÃO TINHA GOVERNO NENHUM melhorou um ou dois grãos de areia, melhorou uma ou duas coisinhas desprezíveis que vocês ficam alardeando pelos quatro ventos como se fosse grande coisa, sendo que no geral continuava a mesma porcaria.Ter cobertura de celular é fácil, as ondas de rádio não são assaltadas no meio da rua.
  • Fernando Figueiredo  04/02/2014 14:44
    É, agora eu vejo isso tudo. Obrigado IMB por abrir meus olhos.

    Dez objeções típicas ao anarquismo libertário (praticamente uma FAQ)

    Abs
  • Eduardo Leonhardt  04/02/2014 14:47
    Ótimo artigo, como de costume.

    Algumas questões que pipocaram em minha mente enquanto percorria o texto:

    1) Em relação às empresas privadas de segurança, me pergunto se não correríamos algum risco de a empresa mais demandada no mercado se agigantar de tal maneira que seus donos/controladores pudessem se tornar tiranos (como o próprio texto cita, seres humanos não são anjos) e, por deterem, provavelmente, o maior arsenal de armas ninguém mais seria capaz de combate-los? Digamos que ladrões de bancos fossem o melhor cliente dessa empresa de segurança de sucesso e, do outro lado, um banco fosse cliente de uma empresa de segurança não tão equipada. Teríamos um problema, não?
    Ok, o banco poderia recorrer a Justiça (privada, claro), mas ladrões preferem resolver "na bala" em vez de "no tribunal"....

    2) Partindo da lei básica "se descobri algo que não tem dono, o dono agora sou eu", como seria a propriedade de rios? Os rios seriam fatiados e considerados propriedade dos agricultores donos das terras cortadas por eles? Logo, teríamos que comprar água de algum agricultor, certo? E a rede de água não ficaria absurdamente complexa se considerarmos cada agricultor como um potencial fornecedor? (fazendo um paralelo com as empresas de telefonia, por exemplo, que estão replicando cada uma a sua própria infra-estrutura).

    Obrigado e um abraço!
  • Lg  04/02/2014 15:35
    "1) Em relação às empresas privadas de segurança, me pergunto se não correríamos algum risco de a empresa mais demandada no mercado se agigantar de tal maneira que seus donos/controladores pudessem se tornar tiranos (como o próprio texto cita, seres humanos não são anjos)"

    Por que ela faria isso? Não consigo entender a lógica... se imagine como o dono de uma empresa de segurança... você é rico e poderoso por prover segurança, no momento que você atacar alguém você perde todos os seus clientes.
    Você terá que lutar contra cidadãos fortemente armados e outras empresas de segurança e uma hora seus recursos acabam, não existe incentivo pra uma guerra. Conflitos não funcionam em uma sociedade livre onde todo cidadão está armado, sai muito caro lutar contra todo mundo.
  • anonimo sobre seguranca  05/02/2014 14:44
    Eu até consigo imaginar uma situação como no filme "mera coincidência", onde uma empresa muito grande no mercado poderia tentar forjar uma situação falsa de guerra para expandir seus "serviços". Mas será mesmo que ninguém mais iria desmascarar a grande empresa? Mídia livre, outras empresas de segurança, etc?

    Ou seja, acho que na prática, a única chance que eu vejo de uma empresa virar 'tirana' é com uma fraude dessas, e mesmo assim ela precisa 1- não ser desmascarada, 2- instaurar um medo tão generalizado que a sociedade "concorde em trocar" (algo que não seria pacífico) a liberdade pela defesa. Se a sociedade tiver os ideais libertários difundidos e fortes, essa "troca" não vai acontecer.
  • Cinéfilo   05/02/2014 14:54
    Mas no filme "Mera Coincidência" quem cria a farsa e forja a guerra é justamente o governo americano.
  • Paulo  22/03/2014 04:31
    Xerxes não pensou assim! Cobiça e vaidade, elas existem!
  • Rodrigo Neves  27/05/2016 14:42
    Por que ela faria isso? Não consigo entender a lógica... se imagine como o dono de uma empresa de segurança... você é rico e poderoso por prover segurança, no momento que você atacar alguém você perde todos os seus clientes.
    Você terá que lutar contra cidadãos fortemente armados e outras empresas de segurança e uma hora seus recursos acabam, não existe incentivo pra uma guerra. Conflitos não funcionam em uma sociedade livre onde todo cidadão está armado, sai muito caro lutar contra todo mundo.

    Eu consigo entender a lógico sim. Lorde John Acton nos deixtou teorias sobre "O poder e a sua tendência em corromper o homem". Partindo dessa teoria, que não é nada utópica, a partir do momento que hipoteticamente uma empresa especializada em segurança, portadora de matériais bélicos e quaisquer outros que o "mercado" pudessem lhe oferecer, agigantasse-se de tal maneira que não existisse "concorrentes competitivos", o dono dessa empresa poderia ser corrompido em virtude do poder magnífico que possuiria, e a partir desse momento ele poderia agir legalmente ou ilegalmente de acordo com sua livre discricionariedade. Sendo assim, optando ele discricionariamente pelo caminho da improbidade, o proprietário dessa empresa portadora de todo esse arsenal de guerra seria capaz de dominar outros setores que não o da segurança através da "bala". Por exemplo, invadindo plantações e saqueando alimentos, roubando materiais de guerra de empresas de segurança não tão fortes, assaltando bancos, tudo isso através da "força privada" concentrada nas mãos de uma só pessoa (a redundância fez-se necessária aqui). Obrigado.
  • Armando Sol  27/05/2016 15:13
    "a partir do momento que hipoteticamente uma empresa especializada em segurança, portadora de matériais bélicos e quaisquer outros que o "mercado" pudessem lhe oferecer, agigantasse-se [sic] de tal maneira que não existisse "concorrentes competitivos""

    Salto total de lógica. Como tal empresa, em um livre mercado e com vários concorrentes, iria se agigantar a tal ponto?

    Você tem de explicar isso.

    O que realmente permite uma empresa se agigantar são políticas governamentais que a protegem (tarifas protecionistas, código tributário complexo que impede o surgimento e o crescimento de novos concorrentes, e agências reguladoras que fecham o mercado e criam uma reserva de mercado para os já estabelecidos) e a subsidiam (seja via subsídios diretos ou empréstimos subsidiados por bancos estatais).

    Apresente uma teoria minimamente lógica sobre como alguém se torna mundialmente gigante e poderoso em um mercado livre e competitivo, sem qualquer privilégio do governo, e aí você pode ser levado a sério.

    De nada.
  • Diogo  04/02/2014 15:44
    1) Provavelmente essa empresa ficaria sem recursos porque perderia clientes, e ela provavelmente não forneceria seus serviços para ladrões, você contrataria uma empresa de segurança que protege bandido? eu não.

    2) Teríamos abundancia de água já que não seria monopólio do estado.
  • PESCADOR  04/02/2014 15:19
    Já mandei essa entrevista completa aos meus amigos conservadores e minarquistas. Eles não vão gostar, pois amam o estado monopolista, mesmo que seja um estado mínimo, pequeno. Espero que um dia eles compreendam que é imoral defender a iniciação da agressão, como eles defendem hoje.

    Obrigado.
  • Atylla Arruda  04/02/2014 15:58
    O argumento dos liberais clássicos que o estado seja um mero 'guarda noturno' é mais realista do que o do Sr. Hoppe. População armada, Forças armadas divididas em comandos militares independentes, ainda é o melhor meio de se evitar Ditaduras, exércitos privados são como mercenários.
  • Eduardo Bellani  04/02/2014 17:03

    O argumento dos liberais clássicos que o estado seja um mero 'guarda noturno' é mais realista do que o do Sr. Hoppe. População armada, Forças armadas divididas em comandos militares independentes, ainda é o melhor meio de se evitar Ditaduras, exércitos privados são como mercenários.


    Legal essa sua opinião. Tem algum argumento pra fundamentá-la?(x2)
  • Cassim  04/02/2014 17:36
    Costumava ao início de meus estudos da escola austríaca de fato crer que o estado seria um provedor necessário dos serviços de segurança, apesar de que por questões de cálculo econômico um sistema de livre-mercado ser o melhor provedor dinâmico de bens e serviços a todos por questões apriorísticas e de interação social, vide a função do conhecimento em sociedade. Até que vi com meus próprios olhos um provedor desta agência monopolista quebrar o lacre da placa de um conhecido meu por tê-lo simplesmente irritado após refutar acusações maliciosas do mesmo. Então, comecei a pensar: Se eu estivesse na situação dele, o que é que eu faria, chamaria a polícia?

    Um dia, quando tive que de fato ir à corregedoria para que pudessem abrir uma sindicância quando eu sofri um abuso proposital da agência monopolista, a única coisa que eu recebi foi uma denúncia arquivada. Daí em diante, foram três dias para eu notar que a razão pela qual eu falo ao telefone em um shopping e não na rua onde eu e muitos trabalham é justamente porque o estado nunca me proveu segurança alguma; foi tudo uma promessa de falsa garantia que eu havia nutrido desde a infância. E pior: eu nem conseguiria ver que motivo o policial da esquina teria para ao menos se importar com a segurança de quem transitava por ali.

    Francamente, continuo com a seguinte tese: Qual a diferença entre o "minarquista" e o "anarcocapitalista" - R: seis meses.
  • Luciano  04/02/2014 18:18
    Excelente o depoimento do Cassim.
  • Pobre Paulista  04/02/2014 17:38
    Leia atentamente esse artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=291

  • Tann  04/02/2014 16:09
    Alguém sabe o e-mail do Leandro aí?
  • Marcelo Almeida  04/02/2014 17:16
    Na verdade já estamos utilizando serviços de segurança fora do estado. Basta um olhar mais atento para notarmos. Empresas de monitoramento e que oferecem rondas, ou mesmo moradores do bairro contratando alguém para tal finalidade. Ainda o fato de muitas residências terem uma simples cerca elétrica, já significa a total falta de confiança na segurança publica. Ou seja, pagamos impostos para o estado nos proteger, porem, paga-se empresas particulares para aumentar esta proteção. Isso significa um pagamento duplicado para mesma finalidade. É a clara impotência do estado diante de nossa segurança. Analisem este mundo novo que estamos descobrindo com o advento da internet. O estado não tem capacidade de proteger o computador particular de cada internauta. Necessitamos de antivírus de empresas no livre mercado. Não se pode negar que hoje temos uma vida digital na rede, e que merece a mesma segurança da vida física. No mundo virtual; este mundo que está apenas mostrando sua utilidade e importância, o estado não tem também capacidade alguma de proteger o cidadão. Realmente a ideia no texto merece reflexão. Importante descobrirmos novas maneiras de se viver. O mundo velho gerido pelo estado, já deu mostras do total fracasso.
  • Atylla Arruda  04/02/2014 17:48
    Eduardo, "De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades" Tem Algum argumento para refutar essa declaração?
  • Marcus  04/02/2014 18:17
    Eu tenho: a moral e a ética.

    Pelo seu "maravilhoso" argumento, se houver um imbecil totalmente incapaz de fazer qualquer coisa de útil nesta vida (até mesmo lavar um carro), você defende que apontem uma arma para a minha cabeça e confisquem meu dinheiro para repassá-lo a este obtuso.

    Aliás, ainda por esta lógica, você defende que tomem meu dinheiro para repassá-lo a todos os políticos (seres sem nenhuma aptidão para o trabalho produtivo). Você é um monstro moral.
  • Atylla Arruda  04/02/2014 19:12
    Marcus, eu não defendo esse argumento apenas acho utópico assim como exércitos privados. Vc citou Moral e ética , eu cito inveja e ambição de poder, ou vc acha que um exercitoa privado vai ter faturamento suficiente para fazer frente a uma China e EUA?
  • anônimo  04/02/2014 20:06
    Foste refutado, agora desconversa e finge que não foi com você? Bela postura...
  • Pobre Paulista  04/02/2014 19:12
    Tenho um bem simples:

    Porque?
  • Eduardo Bellani  04/02/2014 20:15
    Eduardo, "De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades" Tem Algum argumento para refutar essa declaração?

    Você coloca uma opinião, não consegue sustentá-la, e me pede pra trazer a tona um argumento contra outra opinião? Desistiu já de sustentar sua opinião inicial?

    Sobre o axioma ético comunista, leia A justificativa ética do capitalismo e por que o socialismo é moralmente indefensável

    Abraços.


  • Atylla Arruda  05/02/2014 01:07
    Se eu digo que o livre mercado é superior a economia planificada, eu tenho dezenas de exemplos para comprovar a minha opiniao. Se eu digo que estados fascistas tipo EUA e China possuem exercitos poderosos, sofisticados e amoral , basta uma pesquisa rapida para comprovar a minha opiniao. Me cita um exemplo de algum exercito privado, sofisticado e moral? esse exercito privado vai investir em armas quimicas, espioes, nanoarmas, etc? Concordo que uma sociedade sem estado é moralmente superior, porem ainda falta exemplos que ela seja superior militarmente
    a estados fascistas.










  • Carlos Garcia  05/02/2014 10:29
    Se exércitos estatais grandes e imorais simplesmente não despejam bombas atômicas uns nos outros, por que é que um exército provado imoral despejaria?
  • anonimo  06/02/2014 13:28
    Bom dia.

    Acho que a questão do Atylla é: o que impediria um país com uma grande máquina estatal de jogar uma bomba atômica em uma grande área ou país libertário?

    Realmente é de se pensar que seria melhor um mundo libertário, pois se houvesse alguns lugares libertários ou minarquistas que começassem a se destacar os burocratas de outros países poderiam propor soltar bombas atômicas e "acabar com a festa..."

    Acho que foi nesse sentido a pergunta do Atylla.

    Obrigado.
  • Carlos Prado  06/02/2014 14:48
    Não vejo o porque seria preciso se equiparar a estes estados militarmente. Numa guerra visa-se atingir o governo, com o qual se fará acordos ou o substituirá. Não há sentido em dizimar uma população inteira - e nem é fácil se está não está sob um comando central. Quando se faz essas terríveis demonstrações do poder de destruição em massas é para intimidação do estado.
    Numa sociedade sem estado não vejo como haveria uma desavença entre um estado e outro, pois só haveria um estado. O problema pode ser entre um indivíduo ou grupo contra um estado, coisa para se resolver não com guerras; não se vê uma guerra nuclear contra o Snowden e o estado americano. Não há numa sociedade sem estado um estado para ser intimidado e subordinado a outro numa guerra, não há um líder para se derrubar. Fazer uma guerra contra cada individuo armado? Os Estados Unidos mesmo não consegue fazer isto nem contra um punhado de traficante e mafiosos! Como fariam contra uma população agindo descentralizadamente e contra numerosas milícias populares?
  • anônimo  06/02/2014 15:19
    Numa guerra visa-se atingir o governo,
    Não necessariamente, a maioria das guerras inclusive as mais recentes são por recursos naturais.NO BLOOD FOR OIL!!
  • Emerson Luis, um Psicologo  04/02/2014 20:28

    Infelizmente, hoje vivemos um tempo de agigantamento do Estado.

    Tomara que essa tendência seja revertida a tempo, estou preocupado com 2015.

    * * *
  • Atylla Arruda  04/02/2014 20:41
    O partido nazista tinha 8,5 milhões de filiados e outros milhões de apoiadores, que nunca foram contidos pela moral e ética. Os EUA, China e Russia, espionam, roubam e assassinam milhões todo ano, com amplo apoio de suas populações. Vcs realmente acham que exércitos privados vão fazer frente a Estados centralizados e imperialistas.
  • Luciano  04/02/2014 21:10
    Minha nossa! O Huno Atylla cita duas das maiores perversidade cometidas pelo estado e, pasmem!, delas conclui que não podemos viver sem o estado!

    É como citar o poder de destruição da bomba atômica e, disso, concluir que a bomba atômica é imprescindível para a existência de uma sociedade.

    Não sei se isso é inépcia ou puro malabarismo intelectual.
  • Atylla Arruda  04/02/2014 21:44
    Luciano, não estou falando que não podemos viver sem o estado, os homens da caverna não tinham estado! Mas que existem homens que não dão a mínima para moral e ética, como os filiados do partido Nazista, CIA e NSA. Se o Japão possuissem armas nucleares vc acha que os EUA teriam destruido Hiroshima e Nagasaki.
  • Carlos Garcia  05/02/2014 08:48
    Vou responder com uma pergunta. O que impede um exército estatal de fazer estas mesmas atrocidades? Por que as forças armadas de um país qualquer simplesmente não se unem e assumem o poder, despejando munições na população?

    Por ética? Porque não querem perder o financiamento dos políticos? Porque uma guerra civil é dispendiosa? Porque não vale a pena manter controle sobre uma população em constante estado de revolta?

    Escolha uma ou mais destas respostas (ou outras mais que você possa imaginar) e adicione a elas a seguinte (que se aplica apenas à uma sociedade anarco capitalista: Existem OUTROS exércitos privados, contratados pelo resto da população?


    Você também questiona se um exército privado poderia fazer frente aos EUA e China. Começo te perguntando qual pais no mundo pode vencer sozinho os EUA? Seu argumento de que precisaríamos de um exército estatal não se sustenta nem no mundo atual. Austrália é notória por NÃO ter forças armadas capazes de defender todo seu território (bem como o Brasil também não tem), nem por isso estão arrancando os cabelos. Eles pelo menos tem a população armada, e seus aliados são os países ricos com os quais comercializam e beneficiam. O Ancapistão (nome fictício que um dia gostaria de ver no mundo real) teria moradores de todo o mundo, aliados em todos os países com os quais comercializa.
  • Leandro Tideman  05/02/2014 15:05
    Entendo sua questão Atylla Arruda. O grande problema que precisamos resolver é como chegar à utopia do mundo sem Estado. Mas o pessoal aqui só consegue pensar nas qualidades de um exército estatal vs exército privado.
    O argumento do comércio é muito bom para os EUA e Austrália, países distantes de qualquer conflito. Mas acho dificil este argumento funcionar no Oriente Médio onde exsitme diversas forças querendo dominar a região.


    *Obs.: Se o IMB fosse um hotel, seria de 6 estrelas. Porém, trataria seus hóspedes a pontapés.
  • Carlos Roberto  05/02/2014 22:40
    Você não acha que existe relação entre estes países estarem "longe" de conflitos com o fato deles promoverem um intenso comércio internacional? Um país que importa e exporta muito não é alvo frequente de ataques, porque os países que comercializam com eles não querem atacá-lo, assim como não querem que ele seja atacado.

    O seu argumento do oriente-médio, porém, tem um fundamento importante. Conflitos como o de Israel vs Irã carregam uma bagagem cultural que parece interferir muito com o desenvolvimento de qualquer comércio. Vou pesquisar mais sobre o assunto para poder argumentar melhor
  • Gunnar  06/02/2014 12:13
    A questão no Oriente Médio é de fanatismo religioso. Não há comércio que pare essa turba, pelo contrário, o comércio é apenas uma forma de conseguir recursos para financiar a guerra santa. Alguém aí perguntou por quê os EUA não saem por aí despejando bombas em outros países; pois bem, talvez devesse se perguntar por quê as ditaduras islâmicas não saem por aí despejando bombas atômicas nos países ocidentais. E a resposta não é (só) o comércio, mas principalmente a inviabilidade prática (hoje), pois não tem armamento suficiente e seus "inimigos" (EUA, Israel), têm. No entanto, se pudessem, fariam.
    Não me entendam mal, estou plenamente ciente da superioridade moral do arranjo libertário frente ao estatal, apenas gostaria de ponderar que muitas vezes os interesses dos indivíduos extrapolam a questão econômica.
    Num arranjo libertário, ainda precisaríamos de exércitos fortemente armados (mesmo que privados) para manter a "paz armada" mundial.
  • Pobre Paulista  06/02/2014 12:23
    " apenas gostaria de ponderar que muitas vezes os interesses dos indivíduos extrapolam a questão econômica"

    Leia Mises, por favor (O economista, não o site hehe). Não há distinção entre interesses individuais e questões econômicas, todo indivíduo age pois acredita que suas ações irão tornar suas vidas melhores. Essas ações envolvem interações com outros seres humanos, e esse é o cerne da "questão econômica".
  • anônimo  06/02/2014 12:59
    'A questão no Oriente Médio é de fanatismo religioso.'

    Nope, essa é a versão burra e simplista que ajuda a limpar a barra de Israel.Não é culpa do fanatismo religioso quando as pessoas por lá se revoltam depois de ser expulsas de suas casas pra que aquela área sirva de assetamento pros judeus, se revoltam quando Israel ocupa e rouba terra de países vizinhos, quando usa armas químicas como fósforo branco (google) contra civis, incluíndo mulheres e crianças, ou quando trata crianças como criminosos adultos, ou quando Israel impede que entre comida e remédio pro pessoal que mora na faixa de Gaza.
  • Pensador anarquista  18/11/2014 15:25
    Não é o IMB que trata seus clientes a pontapés.Aqui a discussão e o debate é livre quem se achar ofendido paciência,afinal saiba argumentar e serás respeitado por todos,eis a grande diferença por aqui e não é com apelos emocionais que tu serás respeitado caro Leandro Tideman.
  • Moderador  05/02/2014 15:14
    Prezado Tideman, tenha a bondade de explicar melhor sua Obs. Agradecido.
  • anônimo  06/02/2014 14:29
    'Minha nossa! O Huno Atylla cita duas das maiores perversidade cometidas pelo estado e, pasmem!, delas conclui que não podemos viver sem o estado!'
    Ele não concluiu nada disso, você que está sendo desonesto.
    O que dá pra concluir do que ele falou é que na prática, no mundo real, os estados usam do seu poder pra oprimir as pessoas e por mais linda e maravilhosa que a iniciativa privada seja, militarmente ela não pode com o estado.
    Poder ou não viver sem estado é outra questão.
  • Mogisenio  04/02/2014 21:01
    Teoricamente, a "garantia" estatal não é de fundamental importância para o fenômeno econômico.
    Também a proteção da propriedade pode ser garantida por um clã, dispensando-se a referida garantia.
    A garantia do pagamento de dívidas foi eventualmente realizada pelas comunidades religiosas - mediante ameaça de excomunhão etc. E isso foi até mais eficaz do que política estatais laicas.

    Também já existiu dinheiro - aceitável - sem a garantia estatal. Mesmo no caso de um dinheiro cartal.
    A moeda como a compreendemos hoje - via imposição estatal - não existia na Babilônia.
    Há indícios históricos da existência de contratos cuja garantida dependia de um "carimbo" de determinada "firma", sem a proclamação de uma garantia estatal.( mais tarde dão início ao que chamamos de bancos, na atualidade).

    Também a unidade de valor parece não ter sido cunhada pelo Estado, mas sim , em função de condições contratuais.

    Há várias outras premissas que poderiam aqui ser elencadas as quais iriam ao encontro do presente texto.

    Nesse sentido, portanto, é possível extrair pelo menos uma conclusão: a de que numa visão puramente econômica, conceitual, o Estado não seria necessário para a economia.

    Todavia, o funcionamento da economia do tipo moderno( atual), não é possível sem uma ordem jurídica especial que na prática só pode ser uma ordem estatal.

    Isto porque, a economia atual se embasa em oportunidades adquiridas por contratos que, por mais distante que possa ir a "legalidade contratual", bem como os interesses comuns, recíprocos, dos proprietários na proteção mútua de sua propriedade e por mais que a convenção e o costume estabeleçam sentido idêntico, as ações dos indivíduos, a influência destes poderes, perdeu muito de sua importância em consequência do ABALO da tradição, tanto em suas relações reguladas única e exclusivamente pela tradição, quanto pela descrença no caráter supremo destas, ainda que isso tenha sido consequência única e exclusivamente de indevidas intervenções estatais.

    Lado outro, há interesses de classes separados, mormente, nas transações atuais.
    Tudo isto exige um direito que funcione de maneira rápida e segura e por isso mesmo, precisa ser garantido por um poder COATIVO o mais forte possível. Não basta dirimir conflitos. É preciso aplicar alguma pena para evita-los, efetivamente.
    Mesmo em condições puramente civis, a pena precisa existir.

    E economia moderna, por diversas razões, destruiu, sobretudo, as outras associações que eram portadoras de direito. Portanto, destruiu a garantia, mesmo aquela contida em instrumento particulares.

    Também, por outro lado, o domínio universal da relação mercadológica EXIGE um direito calculável e racional. A expansão do mercado favorece a monopolização e regulamentação de todo o poder coativo LEGÍTIMO, por alguma instituição coativa universal, mediante a DESTRUIÇÃO de todas as estruturas coativas particulares etc.

    Portanto, em que pese a explicação econômica do autor - quanto ao funcionamento econômico independente de um ESTADO, a qual, em tese, é possível pactuar, não há como concordar com a possibilidade, pragmática de trocas, tão somente no mercado, sem qualquer tipo de organização coativa de poder.

    O seres e firmam pactos junto ao mercado são , em sua grande maioria, coletivos e, ao menos intrinsicamente organizados. Consequentemente, são superiores à maioria dos seres individuais, não organizados, dispersos, que são os consumidores.

    Finalizando, ressalta-se que em algum momento, os tribunais arbitrários NÃO SERIAM imparciais, como ocorre no Estado e a desordem tenderia a propagar , fragilizando a própria garantia contratual ( justa e correta) entre os diversos e diferentes seres particulares e/ou coletivos.
    Desta forma, um curto prazo desorganizado certamente propagaria uma desordem no médio e no longo prazos.


    Saudações
  • Carlos Garcia  05/02/2014 09:55
    Vou ter que discordar de tudo o que você disse. Me desculpe por ser tão cético, mas me parece que seus argumentos são apenas postulados, determinados por você mesmo. Talvez se você pudesse ser mais claro. Mas vamos lá:

    "Isto porque, a economia atual se embasa em oportunidades adquiridas por contratos que, por mais distante que possa ir a "legalidade contratual", bem como os interesses comuns, recíprocos, dos proprietários na proteção mútua de sua propriedade e por mais que a convenção e o costume estabeleçam sentido idêntico, as ações dos indivíduos, a influência destes poderes, perdeu muito de sua importância em consequência do ABALO da tradição, tanto em suas relações reguladas única e exclusivamente pela tradição, quanto pela descrença no caráter supremo destas, ainda que isso tenha sido consequência única e exclusivamente de indevidas intervenções estatais."

    Achei confuso esse parágrafo. Que tradições são essas, e o que as abalou? E por que um sistema legal baseado em contratos dependeria de alguma destas tradiçoes antiga?

    "Lado outro, há interesses de classes separados, mormente, nas transações atuais."

    Antes não existia?

    "Tudo isto exige um direito que funcione de maneira rápida e segura "

    Igual a que temos hoje, né?

    "e por isso mesmo, precisa ser garantido por um poder COATIVO o mais forte possível."

    Isso é algo que os anarcocapitalistas não apenas não acham efetivo, como consideram parte da causa do problema. Um sistem jurídico unificado e todo poderoso está fadado à corrupção.

    "Mesmo em condições puramente civis, a pena precisa existir. "

    No anarcocapitalismo ainda existem punições. Por que você acha que não existiriam?

    "E economia moderna, por diversas razões, destruiu, sobretudo, as outras associações que eram portadoras de direito. Portanto, destruiu a garantia, mesmo aquela contida em instrumento particulares."

    Neste ponto, quero questionar a relação de causa-efeito proposta. As instituições legais privadas perderam espaço não por uma suposta necessidade do mercado que elas não conseguiam suprir. Foi o estado quem tomou essa prerrogativa para si, e empurrou o sistema privado para fora.

    Também, por outro lado, o domínio universal da relação mercadológica EXIGE um direito calculável e racional."

    Que pode ser garantida por contratos. Por que não?

    "A expansão do mercado favorece a monopolização e regulamentação de todo o poder coativo LEGÍTIMO,"

    De forma alguma! Vai me dizer que o estado algum dia competiu com o sistema privado, para se mostrar superior?

    "Portanto, em que pese a explicação econômica do autor - quanto ao funcionamento econômico independente de um ESTADO, a qual, em tese, é possível pactuar, não há como concordar com a possibilidade, pragmática de trocas, tão somente no mercado, sem qualquer tipo de organização coativa de poder."

    Ao contrário do que ocorre em Cuba, quando você vai comprar um carro, seu pedido de compra não passa por uma avaliação estatal antes de ser permitida. Nem você precisa de uma permissão especial para anunciar um item no mercadolivre. As trocas voluntárias são tão naturais para a civilização quanto respirar é para o indivíduo.

    "O seres e firmam pactos junto ao mercado são , em sua grande maioria, coletivos e, ao menos intrinsicamente organizados. Consequentemente, são superiores à maioria dos seres individuais, não organizados, dispersos, que são os consumidores. "

    Desorganizados igual ao peixeurbano? Ou igual o kickstarter? Essa teoria de que o indivíduo não consegue cuidar de si mesmo é a preferida dos socialistas.

    "Finalizando, ressalta-se que em algum momento, os tribunais arbitrários NÃO SERIAM imparciais"

    Os estatais são sempre imparciais?

    "desordem tenderia a propagar , fragilizando a própria garantia contratual"

    Uma empresa ou indivíduo que não cumpre seus contratos é rapidamente visto com desconfiança em seus futuros contratos. Alguns indivíduos desordeiros não vão ser a regra na sociedade.

    Desta forma, um curto prazo desorganizado certamente propagaria uma desordem no médio e no longo prazos.

    Discordo totalmente.
  • mogisenio  05/02/2014 20:37
    Vou ter que discordar de tudo o que você disse. Me desculpe por ser tão cético, mas me parece que seus argumentos são apenas postulados, determinados por você mesmo. Talvez se você pudesse ser mais claro. Mas vamos lá:

    Resposta:
    Meu comentário se fundamenta em registros históricos. Os postulados não são meus. São estudos de Max Weber, Norberto Bobbio entre outros.

    Achei confuso esse parágrafo. Que tradições são essas, e o que as abalou? E por que um sistema legal baseado em contratos dependeria de alguma destas tradiçoes antiga?

    Resposta:
    Compreendo que para nós, somente o hoje, o aqui e o agora, existe. Nada existe antes ou depois do "agora". Nessa linha, nada existiu antes de nosso nascimento e nem existirá depois da morte. Isso, sob o ponto de vista puramente racional.
    Porém, a história da humanidade é repleta de tradições ( transferências), caso contrário, nem existiríamos.
    O próprio direito – que alguns acreditam ser natural - não é natural. É criação histórica e tradicional. Obedece, ao menos, a princípios éticos e/ ou morais, em cada momento histórico.

    Antes não existia?

    Resposta:
    De acordo com a divisão de trabalho – pós revolução industrial - , não. Todavia, há cooperação matriarcal ou patriarcal – antes do Estado moderno. Período que para alguns seria o "Estado da natureza".
    Igual a que temos hoje, né?
    Não sei exatamente o que você quis dizer com isso., mas , se se refere à morosidade atual do poder judiciário brasileiro em diversos casos, sim, concordo com você. Realmente moroso.
    Todavia, a compreensão do que vem a ser um SISTEMA jurídico não pode ser tão rasa assim. O assunto é complexo, amplo, histórico e sua análise requer mais do que um simples comentário. Não pretendo, nem de longe, tentar elencar e discutir o problema da morosidade do poder judiciário brasileiro.
    Limito-me a dizer-lhe que um sistema ( de acordo com a teoria de sistemas) pode ser aberto, fechado, misto etc. Atualmente, em matéria de "comportamento humano", necessariamente, é aberto , sofre impactos internos e externos , gerando entropia positiva e/ ou negativa etc.
    Talvez, por ai, sem adentrar em termos especificamente jurídicos, possamos compreender melhor o nosso sistema jurídico moroso.

    Isso é algo que os anarcocapitalistas não apenas não acham efetivo, como consideram parte da causa do problema. Um sistema jurídico unificado e todo poderoso está fadado à corrupção.

    Resposta:
    Respeito as ideias desta corrente de pensamento, mas não posso concordar com elas.
    Apenas a título de exemplo, o SISTEMA jurídico tenta possibilitar o convívio social. Jurídico ou não, em matéria de relacionamento humano, estará sujeito ao uso ou abuso do PODER.
    Se há corrupção passiva, necessariamente haverá corrupção ativa.
    Ademais, mesmo dentro de uma organização capitalista qualquer existe corrupção, coerção, coação, assédio moral , uso e ABUSO de poder etc.
    Portanto, a meu ver, o problema não ocorre necessariamente devido à unificação de um sistema.
    Vale ressaltar que um sistema já é por si só algo unificado, algo que sugere a soma de várias partes resultando num todo maior do que a soma individual de cada uma destas partes ( sinergia). Conduzir este "sistema" levando-se em conta as características humanas, normalmente egocêntricas ( não apenas assim, mas também assim), pode-se chegar em problemas de "abuso de poder". O poder concentrado na mão de um ou de poucos, mesmo que por pouco tempo. Não foi a toa que – no mundo da ética protestante, bem como de Alexis Tocqueville, fez-se surgir o necessário check and balance.

    No anarcocapitalismo ainda existem punições. Por que você acha que não existiriam?

    Resposta
    Talvez eu não tenha sido claro, mas, eu quis dizer que existiriam punições. Concordo com a existência de algum tipo de coerção, coação ou sanção, para regular a conduta humana.

    Neste ponto, quero questionar a relação de causa-efeito proposta. As instituições legais privadas perderam espaço não por uma suposta necessidade do mercado que elas não conseguiam suprir. Foi o estado quem tomou essa prerrogativa para si, e empurrou o sistema privado para fora.

    Resposta:
    Posso concordar em partes com você. Ora, se o Estado existe, e já existe faz tempo ( bem ou mal) ele contribuiu e contribui para isso, assim como o mercado., os costumes, os hábitos, os valores, a ética, a moral entre outros institutos. Eis a tradição.

    Que pode ser garantida por contratos. Por que não

    Resposta:

    De forma muito simples, pode-se dizer que o contrato é um pacto. Um acordo de vontades, verbal, escrito, tácito ou não, bilateral ou unilateral, sinalagmático ou não, etc. Mas, é preciso que haja autonomia de vontade. Sem autonomia não há contrato lícito.
    Contrato necessariamente contém cláusulas. Cláusulas que explicam o pacto e cláusulas que o garante. A cláusula penal, por exemplo, deve existir para que haja alguma garantia, caso contrário, não haveria razão ou racionalidade, para realizar ou respeitar qualquer pacta sunt servanda. Tudo isso serve para contratos de aquisição de propriedade ainda que em sua forma mais original.

    De forma alguma! Vai me dizer que o estado algum dia competiu com o sistema privado, para se mostrar superior?

    Resposta:

    O Estado necessariamente não compete com ninguém, assim como o "sistema privado". Quem AGE institucionalmente, isto é, em nome do mercado ou do Estado é o SER HUMANO. Este sim, de forma organizada ou não, proporciona a criação destas instituições abstratas ( mercado, estado ) e as usa seguindo algum tipo de regra.
    Como seres essencialmente sociais, políticos, complexos, e imperfeitos, acabam utilizando-se inadvertidamente do poder ( resulta da sinergia de um sistema qualquer).

    Ao contrário do que ocorre em Cuba, quando você vai comprar um carro, seu pedido de compra não passa por uma avaliação estatal antes de ser permitida. Nem você precisa de uma permissão especial para anunciar um item no mercadolivre. As trocas voluntárias são tão naturais para a civilização quanto respirar é para o indivíduo.

    Resposta:
    Cuba é apenas um parte do sistema que é muito maior. Não há como tirar conclusões seguras analisando somente este caso específico.

    Desorganizados igual ao peixeurbano? Ou igual o kickstarter? Essa teoria de que o indivíduo não consegue cuidar de si mesmo é a preferida dos socialistas.

    Resposta:
    Não se pretende aqui discutir o sistema socialista. Estamos tratando de comportamento humano e suas instituições em vigor ou que embasam o atual sistema de relações sociais.

    Os estatais são sempre imparciais?

    Resposta:
    Estado não podem ser imparciais, assim como o mercado. A imparcialidade é usada normalmente para qualificar um ser que age por si só. In casu, estamos tratando do ser hominal.
    Foi nesse sentido que me referi. É possível afirmar , com certa segurança, mesmo baseando-se na linguística, que não há ser humano imparcial. Todos somos parciais.

    Uma empresa ou indivíduo que não cumpre seus contratos é rapidamente visto com desconfiança em seus futuros contratos. Alguns indivíduos desordeiros não vão ser a regra na sociedade.

    Resposta:
    Não há como afirmar com segurança que a desordem não seria a regra. Caso contrário, gentileza explicar como se daria a ordem, neste caso. Note bem, o próprio vocábulo "ordem", já nos remete ao positivismo.


    Saudações




  • K  05/02/2014 23:11
    Não consegui me segurar dessa vez. Emocionado, tive que imprimir os comentários do Mestre mogisenio e pretendo distribuí-los na rua assim que possível. Seria muito egoísmo permitir que tanta jenialidade fique restrita a este site. O povo tem que saber da boa-nova!

    Salve o Mestre mogisenio, o Marx brasileiro! Siga firme na luta contra a liberdade burguesa e a divisão do trabalho! Viva a Escola de Frankfurt!!! E viva o Estado!1!11!!

    Saudações
  • Carlos Roberto  05/02/2014 23:55
    Vou tentar ser bem sucinto nos comentários, para diminuirmos o tamanho da conversa

    "Compreendo que para nós, somente o hoje, o aqui e o agora, existe. Nada existe antes ou depois do "agora". Nessa linha, nada existiu antes de nosso nascimento e nem existirá depois da morte. Isso, sob o ponto de vista puramente racional.
    Porém, a história da humanidade é repleta de tradições ( transferências), caso contrário, nem existiríamos.
    O próprio direito – que alguns acreditam ser natural - não é natural. É criação histórica e tradicional. Obedece, ao menos, a princípios éticos e/ ou morais, em cada momento histórico."

    Talvez eu seja muito obtuso, mas me parece que você não me respondeu. Seu primeiro argumento foi de que certas tradições foram abaladas, o que favorecia a necessidade da criação ou participação do estado na economia. Quando questionei quais traduções seriam essas e como seu "abalo" criaria essa necessidade de um estado, você simplesmente não respondeu... Não quero ofender, simplesmente não consegui extrair a resposta.

    "De acordo com a divisão de trabalho – pós revolução industrial - , não. Todavia, há cooperação matriarcal ou patriarcal – antes do Estado moderno. Período que para alguns seria o "Estado da natureza"."

    Mas no que é que o "Estado da Natureza" corrobora esta absoluta necessidade da presença do Estado (como conhecemos hoje) na economia? O estado natural pressupõe apenas que a necessidade de ordem é natural ao ser humano. Para ancaps, um sistema de leis privadas é tão ou mais ordeiro que o sistema atual. Não são conceitos excludentes.

    "Não sei exatamente o que você quis dizer com isso., mas , se se refere à morosidade atual do poder judiciário brasileiro em diversos casos, sim, concordo com você. Realmente moroso. "

    Foi isso mesmo que eu quis dizer.

    "Todavia, a compreensão do que vem a ser um SISTEMA jurídico não pode ser tão rasa assim."

    Concordo, e também não tenho a pretensão de pagar de entendido. Sou um entusiasta do anarcocapitalismo, e estou aprendendo muito ainda (e gostando do que estou vendo).

    "Talvez, por ai, sem adentrar em termos especificamente jurídicos, possamos compreender melhor o nosso sistema jurídico moroso. "

    Só queria entrar em um mérito neste assunto. O liberalismo mostra que o aparelhamento estatal de qualquer serviço é propício para a ineficiência do mesmo. Existem vários motivos, mas vou destacar aqui o fato de que retirar sua fonte de financiamento do mercado (sujeito ao feedback dos consumidores e liderado pelo lucro) e passar à tributação acaba por deixar o aparelho estatal com um estimulante a menos para que seus serviços sejam eficazes. Esse para mim é um ponto importante para justificar essa morosidade.

    "Ademais, mesmo dentro de uma organização capitalista qualquer existe corrupção, coerção, coação, assédio moral , uso e ABUSO de poder etc."

    De fato. Mas em um sistema privado de leis/punições os corruptos não teriam que esperar o final do mandato para começar a tentar se retratar. O prejuízo que incorre de um escândalo causado por corrupção tem repercussões imediatas não apenas nos lucros do corrupto, mas na sustentabilidade do seu escritório.

    "Portanto, a meu ver, o problema não ocorre necessariamente devido à unificação de um sistema. "

    Vou discordar mais uma vez, mas primeiro tenho que dar o braço a torcer e concordar com algo. De fato, corrupção não é exclusiva de uma justiça unificada. Nem quis dizer isso. Mas uma justiça unificada cria um alvo único para todos os que querem praticar a corrupção ativa. Vide o que ocorre hoje com o STF, única alternativa para a última instância. Simplesmente acho que seria mais difícil para um corrupto aparelhar ou comprar vários tribunais concorrentes diferentes, para garantir um resultado favorável seja lá qual for o tribunal escolhido.

    "O poder concentrado na mão de um ou de poucos, mesmo que por pouco tempo. Não foi a toa que – no mundo da ética protestante, bem como de Alexis Tocqueville, fez-se surgir o necessário check and balance."

    Se você tentou aqui defender a presença do estado como promotor único das leis, então acho que seu argumento teve efeito contrário (favor, me explique melhor, se eu tiver interpretado errado). No anarcocapitalismo, os "poucos" detentores de poder estariam sujeitos à livre iniciativa e concorrência. Além disso, vou trazer a tona outro estigma do anarcocapitalismo que você talvez vá achar um absurdo, mas para ancaps uma democracia NÃO é o sistema do futuro.


    "Posso concordar em partes com você. Ora, se o Estado existe, e já existe faz tempo ( bem ou mal) ele contribuiu e contribui para isso, assim como o mercado., os costumes, os hábitos, os valores, a ética, a moral entre outros institutos. Eis a tradição."

    Meu ponto aqui foi que as (supostas) contribuições do estado não foram necessariamente essenciais. Não acredito que qualquer benefício que tenha vindo de um sistema legal e jurídico estatal não pudesse ser alcançado em um privado.


    "Mas, é preciso que haja autonomia de vontade."

    Concordamos aqui. Inclusive acho que uma legislação unificada não consegue prover isso. No sistema atual nosso feedback é muito limitado na confecção de leis. Não acreditamos que o sistema representativo seja efetivo, e nem uma democracia direta seria (como você mesmo observou, devido a ditadura da maioria). Em um mercado de leis, estas seriam não somente escolhidas baseadas na tradição da população (acho que estou entendendo essa parte) como também na sua real eficácia, já que as leis seriam financiadas diretamente pelos seus pagadores. Assim, , mesmo que tenham vários signatários,serviços legais simplesmente não suportariam prejuízos se não tivessem aplicabilidade real.

    "Tudo isso serve para contratos de aquisição de propriedade ainda que em sua forma mais original." Mais uma vez concordamos.

    "O Estado necessariamente não compete com ninguém, assim como o "sistema privado"."

    Mais uma vez vou discordar categoricamente. O estado de fato não compete com ninguem, nem com outros estados, pois detêm monopólio sobre um território. Sistemas privados, porém, são baseados na competição por clientes. A busca pelo lucro é mais efetiva para prover resultados para os clientes (ou, no caso do estado, "provedores involuntáiros") a busca por votos.

    "Este sim, de forma organizada ou não, proporciona a criação destas instituições abstratas ( mercado, estado ) e as usa seguindo algum tipo de regra."

    BINGO! Engraçado como uma mesma sentença pode levar a caminhos de raciocínio tão diferentes. A organização humana de fato levou à criação dos estados, com toda sua coerção. Assim como um dia foi responsável por monarquias, feudos, etc... O que anarcocapitalistas querem é usar esta mesma capacidade de organização para fazer funcionar uma comunidade de leis privadas.

    "Como seres essencialmente sociais, políticos, complexos, e imperfeitos, acabam utilizando-se inadvertidamente do poder ( resulta da sinergia de um sistema qualquer)."

    BINGO mais uma vez! E é isso que separa os minarquistas dos anarcocapitalistas. Se a organização política favorece tanto o surgimento do abuso de poder, então este é um tipo de organização que deve ser demolido. O abuso de poder pode continuar acontecendo num sistema de leis privadas, mas acreditamos que seria menos do que no modelo atual

    Ao contrário do que ocorre em Cuba, quando você vai comprar um carro, seu pedido de compra não passa por uma avaliação estatal antes de ser permitida. Nem você precisa de uma permissão especial para anunciar um item no mercadolivre. As trocas voluntárias são tão naturais para a civilização quanto respirar é para o indivíduo.

    "Não se pretende aqui discutir o sistema socialista. Estamos tratando de comportamento humano e suas instituições em vigor ou que embasam o atual sistema de relações sociais. "

    O que eu quis demonstrar é que indivíduos, sem a necessidade de estímulo estatal, são capazes de se organizar para fazer funcionar um comércio de larga escala.

    "Todos somos parciais."

    Posso concordar com isso. Mas como esse seria um argumento de defesa para leis estatais? Se são sempre parciais, então um único sistema de leis tem mais potencial para danar mais pessoas do que um sistema plural.

    "Caso contrário, gentileza explicar como se daria a ordem, neste caso."

    Conceitualmente, simplesmente justificaria com "porque cooperação é mais produtiva que a desordem". O que ancaps pregam é que a partir do momento em que as pessoas se virem sem um estado regulador/protetor ("protetor" entre aspas) elas se voltariam mais para a cooperação entre semelhantes do que para a desordem.
    Não vou entrar em detalhes sobre como o sistema de leis de uma sociedade anarcocapitalista se formaria. Existem livros que se propõe a isso (dos quais li apenas Teoria do Caos) e explicações mil pela internet (minha preferida é https://www.youtube.com/watch?v=jTYkdEU_B4o&list=FL9z38x-6QDAc-x2lZbE5V0Q&index=9). Não é um tema símples, e nem de senso comum entre libertários (assim como não é o anarquismo). Vou me limitar, portanto, a dizer que sistemas similares já existiram antes, mas que foram sobrepostos à força por sociedades estatistas:

    anarchei.me/post/19248460868/have-there-been-any-anarcho-capitalist-societies

    Queria concluir agradecendo pela oportunidade da discussão. Debates assim são muito estimulantes para mim, me fazem estudar mais. Acho que um dos maiores problemas das pessoas é confundir opiniões contrária às suas crenças com ataques pessoais.
    No mais, muito obrigado pelas respostas cíveis. Educação se paga com mais educação, espero não ter sido truculento nas minhas repostas.
  • mogisenio  06/02/2014 17:22
    Seu comentário:

    Talvez eu seja muito obtuso, mas me parece que você não me respondeu. Seu primeiro argumento foi de que certas tradições foram abaladas, o que favorecia a necessidade da criação ou participação do estado na economia. Quando questionei quais traduções seriam essas e como seu "abalo" criaria essa necessidade de um estado, você simplesmente não respondeu... Não quero ofender, simplesmente não consegui extrair a
    resposta.

    Minha resposta:
    Antes de lhe responder é preciso deixar claro – obviamente dentro do possível – que não estou aqui defendendo o Estado Moderno nem tão pouco todas as tradições. Muito menos buscando justificar o status quo. Dito isso vamos à sua resposta, de forma mais clara. Vejamos.
    A implementação de um "idioma" , contrariando-se uma ou diversas línguas já existentes – ainda que rudimentares - abala, significativamente a tradição. Os "Estados Modernos" tomaram essa providência em várias partes do mundo.
    A determinação de um "território" também abala uma estrutura tradicional anterior, impactando diversos "hábitos, costumes, a moral, a ética etc.
    A implementação de uma soberania contrária ao que poderia se dizer " mais natural" também contribui para abalar determinadas tradições, como no caso "brasileiro".
    Economicamente, a determinação de uma moeda, abala, sobremaneira, as tradições originalmente comunitárias.
    A implementação de um único direito de família, abala, significativamente, as estruturas tradições.
    Enfim, há inúmeras intervenções estatais que abalam, fortemente, o sistema social de um grupo qualquer.
    Pode-se dizer também que o próprio termo "evolução" já nos explica a "destruição" de algo do "passado". Por exemplo, para alguns, antes de Darwin, era dogmaticamente "Deus" a fonte segura para a explicar a "existência" das diversas espécies de vida animal na terra. Todavia, o resultado das pesquisas de Darwin, por exemplo em Galápagos, ainda hoje serve para refutar aquela tese dogmática quando constata a possibilidade da evolução das espécies em função do ambiente etc.
    A espécie "mais fraca" sucumbi à outra " mais forte".
    Seu comentário:
    Mas no que é que o "Estado da Natureza" corrobora esta absoluta necessidade da presença do Estado (como conhecemos hoje) na economia? O estado natural pressupõe apenas que a necessidade de ordem é natural ao ser humano. Para ancaps, um sistema de leis privadas é tão ou mais ordeiro que o sistema atual. Não são conceitos excludentes.
    Minha resposta:
    Para responder a esta pergunta gostaria de deixar claro que dentro do possível, não estou defendendo essa ou aquela "lente" ( ideologia) política, partidária, muito menos a dos dias atuais no Brasil. Conhecer o Brasil de hoje , sobretudo, no que diz respeito à sua economia, nos remete a outros temas os quais não pretendo tratar aqui.
    O Estado da natureza, ainda que por questões meramente estatais, advindas do estado moderno, já foi superado. Não estou lhe dizendo que concordo ou discordo disso. Estou lhe dizendo que isso ocorreu e vem ocorrendo a mais de 500 anos com o avanço mercantilista, por exemplo, e por outras razões de cunho histórico e/ou "ES"tóricos .
    O vocábulo "ordem" carrega consigo forte carga ideológica positivista.
    O comportamento humano, ainda que Comte, San Simon, Weber Durkeim e dezenas de outros( sobretudo esse último) tenham acreditado na possibilidade da compreensão social através de postulados naturais, não pode ser explicado por "leis naturais, ou tão somente por elas. Por isso, não há como concordar com tais premissas.
    O ser humano, essencialmente político, social, complexo, ambíguo, racional e irracional, "emotivo" ( como já dito pela psicanálise) não pode ser compreendido somente através de "teorias" estáticas.
    O vocábulo "Estado", sugere-nos um estado de coisas. Uma ordem estável e duradoura.
    A democracia neste contexto nos sugere uma "transformação" constante. Um paradoxo, portanto, ao compará-la com o Estado.
    Um estado natural, com o devido respeito, não pode pressupor nada. Afora a ficção jurídica que representa o termo Estado, o estado natural é amoral. Não nega nem afirma nada. Não pressupõe. Não é racional nem não-racional. Apenas, filosoficamente, é alguma coisa. Nada pode ser dito – socialmente – à respeito de um Estado natural de coisas. Estaríamos no campo da "seleção natural", aética, amoral etc.
    Dai porque não há como escapar de influências Morais, políticas, éticas que estão contidas no próprio ser humano(parte) impactam no sistema. Essas influências, efetivamente, mudam o "Estado natural".
    Um sistema de leis privadas pode ser mais ordeiro que o sistema atual. Isso me parece possível. Mas você não disse qual sistema atual seria menos ordeiro.
    De qualquer forma posso concordar com a possibilidade, específica, de um sistema privado ser melhor do que os vários que já tivemos.
    Mas, reitero-lhe o ser humano é racional e emotivo e é também político etc.
    A lei humana não será uma lei NATURAL. Ainda não chegamos a tanto.
    Por ai , podemos perceber o quão impactado será qualquer sistema de leis criado pelos homens.
    Nossas leis atuam do campo do dever ser e não do ser. Não atuamos com a verdade, mas sim com a verossimilhança.
    Comentário:
    Só queria entrar em um mérito neste assunto. O liberalismo mostra que o aparelhamento estatal de qualquer serviço é propício para a ineficiência do mesmo. Existem vários motivos, mas vou destacar aqui o fato de que retirar sua fonte de financiamento do mercado (sujeito ao feedback dos consumidores e liderado pelo lucro) e passar à tributação acaba por deixar o aparelho estatal com um estimulante a menos para que seus serviços sejam eficazes. Esse para mim é um ponto importante para justificar essa morosidade.
    Resposta:
    Note bem, não estou defendendo esta ou aquela ideologia, com já dito. Nesse sentido, não pretendo atribuir nada à ideologia liberal, social, intervencionista ou não, mista etc.
    Estamos a tratar do Estado moderno que absorveu, e ainda absorve, várias ideologias, simultaneamente ou não.
    Institutos como "lucro" , consumidores, ausência ou não de tributação, serviços entre outros, sempre nos remete a uma ou outra ideologia ou a um certo antagonismo das diversas "visões" econômicas do "comportamento humano". Esses assuntos tendem a levar o debate para uma posição binária do tipo sim ou não. Acabam não contribuindo para a criação ou a implementação de algo realmente novo, neste campo do conhecimento.
    Mas, o "recall" poderia ser uma ferramenta muito boa – se bem utilizada- para resolver vários problemas mercadológicos e estatais, presentes no paradigma atual. Porém isso, como dito, é uma outra conversa que pode vir recheada de ideologias "tradicionais" e em vigor das quais procuro me afastar.
    Ao debater com v. à respeito destas questões espero extrai daqui pensamentos "novos" que possam ser efetivamente implementados.
    Mesmo porque, parece-me que o Estado Moderno , finalmente, está com os dias contados. Eu, particularmente, gostaria de estar vivo para presenciar esta desejável mudança.
    Comentário:
    Mas uma justiça unificada cria um alvo único para todos os que querem praticar a corrupção ativa. Vide o que ocorre hoje com o STF, única alternativa para a última instância. Simplesmente acho que seria mais difícil para um corrupto aparelhar ou comprar vários tribunais concorrentes diferentes, para garantir um resultado favorável seja lá qual for o tribunal escolhido.
    Resposta:
    Note bem caro Carlos. Qualquer instituição para se posicionar em último lugar, precisa, por óbvio, ser a última. Que não seja o Supremo tribunal Federal, não importa. O que importa é que será a última instância.
    O estudo dos conflitos humanos, especificamente no sistema jurídico, é amplo. Nem pretendo seguir tratando dele. Apenas digo-lhe que não podemos ou devemos nos prender somente às leis de caráter material. Há leis instrumentais que nos mostram o "caminho" para aplicar aqueloutras essenciais, substancias, materiais, inertes , abstratas, a espera de um caso concreto.
    Note que no campo internacional não temos um STF da vida. Temos algo que se aproxima, talvez digamos, do que v. defende.
    Mesmo neste sistema internacional observa-se a existência de um último "órgão do poder" que decidirá em última instancia. "Guerra ou paz".
    Mas, o sistema no ambiente interno também pode ultrapassar um certo órgão do poder instituído. Não compartilho desta ideia mas compreendo que pode acontecer.
    De qualquer forma, prefiro ainda a velha e boa democracia ( a tensão pacífica) para dirimir nossos conflitos.

    Comentário:
    Se você tentou aqui defender a presença do estado como promotor único das leis, então acho que seu argumento teve efeito contrário (favor, me explique melhor, se eu tiver interpretado errado). No anarcocapitalismo, os "poucos" detentores de poder estariam sujeitos à livre iniciativa e concorrência. Além disso, vou trazer a tona outro estigma do anarcocapitalismo que você talvez vá achar um absurdo, mas para ancaps uma democracia NÃO é o sistema do futuro.

    Resposta:
    Não tentei defender o Estado da forma que me parece que você o compreende. Defendo uma instituição. Não um "Estado doente", arcaico, talvez, ultrapassado.
    O estudo da democracia é amplo e complexo e antigo. Aristóteles.
    A democracia, certamente, não é o melhor sistema( isto é, forma de governo). Outros devem existir.
    O ponto central é que bem o mal ela é implementável.
    Muitos, por ai, falam e escrevem sobre a tal democracia. Poucas são as opiniões desprovidas de "tendências".
    O certo é que ao tratarmos dela estamos lidando com o poder e seu uso. Esse é o ponto central, ou seja, como lidar com o poder? Resposta possível: usando a "política" no melhor sentido da palavra. Somos seres também políticos.
    Comentário:
    Meu ponto aqui foi que as (supostas) contribuições do estado não foram necessariamente essenciais. Não acredito que qualquer benefício que tenha vindo de um sistema legal e jurídico estatal não pudesse ser alcançado em um privado.

    Resposta:
    (...) não acredito que qualquer benefício que TENHA VINDO de uma sistema legal (...)
    Note o sentido tradicional contido no seu texto. Se não acredita que "veio" deste, acredita que "poderia" vir de outro. Veja como é inevitável mesmo para um anarco. Também concordo com isso, ou seja, se vamos tratar do presente, precisamos compreender o passado. Mas, o melhor, em minha opinião, é não ficar preso a ele. Apenas compreendê-lo para evitar repetir o que já aconteceu, evitando-se "conservadorismos" , sobretudo, autoritários, ou "novidades antigas" . Algo velho travestido de "novo". Portanto, sem "ver um museu de grandes novidades", como diria aquele poeta.
    Comentário:
    Concordamos aqui. Inclusive acho que uma legislação unificada não consegue prover isso. No sistema atual nosso feedback é muito limitado na confecção de leis. Não acreditamos que o sistema representativo seja efetivo, e nem uma democracia direta seria (como você mesmo observou, devido a ditadura da maioria). Em um mercado de leis, estas seriam não somente escolhidas baseadas na tradição da população (acho que estou entendendo essa parte) como também na sua real eficácia, já que as leis seriam financiadas diretamente pelos seus pagadores. Assim, mesmo que tenham vários signatários, serviços legais simplesmente não suportariam prejuízos se não tivessem aplicabilidade real.
    Resposta:
    Sistema representativo beira ao ridículo, nos dias atuais. Por óbvio, não apoio essa "farsa".
    Mas a democracia já superou a tal "ditadura da maioria". Diga-se de passagem, tal expressão vem sendo ampla e equivocadamente publicada pelos quatro cantos do Brasil. Os direitos humanos e fundamentais nos dão pistas de que a democracia não representa a ditadura da maioria. Ao contrário, é a maioria que fomenta a ditadura. Sufrágio universal não causa a democracia. Pode ser consequência dela.
    Pactos anteriores e garantidores pelo uso, em última instancia, de alguma força podem contribuir para a manutenção de um certo status quo. Porém, não será, necessariamente, resultado da democracia se não vier de todos, respeitando-se as minorias.
    O homem é um ser gregário, mas gera conflitos. Eis um dos problemas centrais. Guerra e paz. Uma constante busca da homeostase no sistema social.
    Comentário:
    Mais uma vez vou discordar categoricamente. O estado de fato não compete com ninguém, nem com outros estados, pois detêm monopólio sobre um território. Sistemas privados, porém, são baseados na competição por clientes. A busca pelo lucro é mais efetiva para prover resultados para os clientes (ou, no caso do estado, "provedores involuntários") a busca por votos.
    Resposta:
    Bom, aqui me parece que não avançaremos muito. Você defende um sistema meramente privado tendo como elemento principal a busca pelo lucro, provendo resultados para clientes etc. Provavelmente, você incluiria o mérito nessa sua defesa.
    Você traz instituições que já estão carregadas de ideologias as quais não pretendo discutir
    Tenho opinião diversa.
    Mas, podemos extrair ao menos uma conclusão de nossa divergência: a de que precisamos de outros pactos institucionais para resolver o nosso conflito de opiniões, mantendo-se uma certa organização social( não perfeita, mas razoável).
    Eis uma das funções da política sempre num ambiente democrático.
    Comentário:
    " O que anarcocapitalistas querem é usar esta mesma capacidade de organização para fazer funcionar uma comunidade de leis privadas.

    Resposta:
    Vão em frente!
    Apenas ressalto que a lei, como compreendida, não pode ser privada, em matéria de regulação ampla. De uma ou de outra forma, ela precisa ser anterior, abstrata, pactuada, como ocorre com os contratos, por exemplo. Sugiro deixarmos de lado questões tautológicas, caso contrário, a única verdade que encontraremos é a falsidade de uma proposição qualquer.
    A lei deve respeitar a liberdade dos outros. Portanto, a priori, sofre algum tipo de limite. Um contrato tem um objeto específico e regula comportamentos futuros.
    Uma lei, que seja contratual e privada, se se deparar com duas pessoas apenas, pode ser aplicada.( não digo facilmente porque não somos profetas. Não sabemos de todos os fatos possíveis da vida humana) . Mas note que lhe falta, ex ante um objeto específico, de ocorrerá somente no caso concreto.
    Ex: Vender um bem móvel é relativamente simples para uma regulamentação privada. O objeto é também objetivo.
    Ex: Matar alguém já não é uma coisa tão simples de ser pactuada. O objeto é também subjetivo.
    Comentário:
    BINGO mais uma vez! E é isso que separa os minarquistas dos anarcocapitalistas. Se a organização política favorece tanto o surgimento do abuso de poder, então este é um tipo de organização que deve ser demolido. O abuso de poder pode continuar acontecendo num sistema de leis privadas, mas acreditamos que seria menos do que no modelo atual.
    Resposta:
    Em matéria de poder não podemos simplesmente acreditar que ocorreria menos ou mais uso ou abuso de poder. Devemos superar essa crença e preestabelecer as regras, claras e efetivas, e mais ainda, que sejam cumpridas ( problemas sérios nesse campo quando nos referimos às regras atuais do Estado Moderno)
    Num contrato privado de compra e venda, não há crença se devemos ou não cumprir com o combinado sob pena de prejudicarmos até mesmo o mérito.( outro instituto amplamente propagado hodiernamente).
    Ora, eu lhe entrego o meu serviço e você me paga. A coisa funciona entre prestação e contraprestação, com autonomia de vontade e relativa boa-fé ( ao menos objetiva). Mas, mesmo neste ambiente há discussão complexa. Note que estamos tratando entre bens fungíveis e infungíveis, abstratos e concretos de difícil mensuração e equiparação.

    Comentário:
    Posso concordar com isso. Mas como esse seria um argumento de defesa para leis estatais? Se são sempre parciais, então um único sistema de leis tem mais potencial para danar mais pessoas do que um sistema plural.
    Resposta:
    Gostei do seu "sistema plural". Exatamente por ai começa a se desconstruir o império do Estado Moderno. Isso não quer dizer que estou aprovando a adoção de leis privadas à base do lucro ou prejuízo. Vou além.
    O pluralismo tende a contribuir para resolver, efetivamente, o problema das "minorias". Algo como um Estado Plural.
    Comentário:
    Conceitualmente, simplesmente justificaria com "porque cooperação é mais produtiva que a desordem". O que ancaps pregam é que a partir do momento em que as pessoas se virem sem um estado regulador/protetor ("protetor" entre aspas) elas se voltariam mais para a cooperação entre semelhantes do que para a desordem.
    Resposta:
    (...) elas se voltariam mais para a cooperação entre semelhantes do que para a desordem.
    Estou concordando em partes com a sua perigosa afirmação.
    Concordo se se tratar de uma COMUNIDADE, não de uma SOCIEDADE.
    A regra hoje é a organização civil em forma de SOCIEDADE. As comunidades, praticamente, foram destruídas com o advento do Estado Moderno e seu mercantilismo.
    Lado outro, não apenas nas "teses", devemos ficar. Ou nas suposições. Por isso, na tradição, no conhecimento da história e da "ES tória.
    Vocês, da corrente anarco, têm enormes problemas pela frente caso queiram, efetivamente, sair das teses e buscar algum tipo de implementação de ideias, num mundo repleto de "Estados e Mercados" modernos.
    Por fim, compreendo que o tema não é simples. Você não foi truculento.
    Agradeço-lhe pelo debate. Boa sorte. Saudações

  • Robson  04/02/2014 23:42
    Interessante este texto. Apresenta as coisas como de fato são, sem floreios. Porém, existem duas grandes fraquezas nesta argumentação, no que concerne a defesa de território sem o ente "Estado", ao invés de defender a redução do Estado:

    1. Sobre a existência unicamente de uma "jurisdição voluntária", sem que exista uma "jurisdição forçada": caso uma das partes não queira tratar de solucionar o conflito via arbitragem? Como fazer? O exemplo citado foi em Basileia, "capital cultural da Suíça"... Queria ver um troço desse funcionar com uma população com tantas pessoas de um ímpeto tão "complexo" como a nossa. Caso uma das partes diga: não quero conversa! Vai fazer o quê?

    2. Defesa nacional: a formação de um Estado Totalitário ao lado de um território sem Estado (sem unidade, sem defesa unificada) provocaria a inevitável anexação deste território (risco inevitável). Sei que há o exemplo da Suíça, durante a grande guerra, que, com homens armados de rifles, nos Alpes, na copa das árvores, rechaçou o exército alemão, mais bem armado. Este mesmo exército totalitário (o alemão), de um único país, praticamente colocou toda a Europa de joelhos. Poderia ter subjugado a Suíça, se fosse esse o alvo...

    O Estado Mínimo é o suficiente para garantir a segurança nacional numa grande guerra (lembrar da transformação da indústria americana para reverter o quadro da II Guerra) e a imposição da jurisdição. Também não me pergunte como mantê-lo mínimo, isto é algo a ser estudado.
  • Andre B.  05/02/2014 10:27
    Interessante é a sua argumentação, Robson! Você faz todo um raciocínio em defesa do estado mínimo, e termina assim: "não me pergunte como mantê-lo mínimo, isto é algo a ser estudado". Todo estado é essencialmente imoral e ineficiente. Aí você faz a defesa deste ente imoral e ineficaz, contanto que ele seja bem pequenininho, mas termina admitindo que não sabe como mantê-lo assim, pequenininho! Brilhante!!! É como você defender a criação de um rottweiler bem feroz, indomável, babando, tudo para proteger a sua casa. Você estabeleceu limites a ele, e acha que o tem sob controle. Mas o rottweiler vai crescendo, ficando cada vez mais forte, até que você não consegue mais contê-lo. Num rompante de fúria, ele te ataca, pula o muro, e sai louco pela rua. Aí você sai gritando: "Cuidado aê! Rottweiler à solta! Se virem!" Brilhante, Robson. Brilhante sua argumentação.
    PS: Não é só você que não tem a resposta de como manter o estado mínimo. Ninguém tem. Porque simplesmente é impossível manter o controle sobre quem tem o monopólio do uso da força. Você já deve conhecer o link, mas não custa postá-lo novamente: www.mises.org.br/Article.aspx?id=291.
  • Luciano  05/02/2014 19:59
    Os cidadãos são livres para criarem milícias privadas.
  • anônimo  05/02/2014 02:03
    "Como funcionaria uma sociedade sem estado"?

    Perguntinha boboca, ora! Muitos cursinhos preparatórios para concursos iriam fechar, havendo uma onda de desemprego. Equação : + Estado + concurso + empregos públicos estáveis = girar a roda da economia e mais justiça social.
  • anônimo  05/02/2014 11:57
    E toda essa cambada iria precisar aprender algum ofício com real utilidade! Já pensou que maravilha?
  • Daniela  05/02/2014 03:07
    No anarcocapitalismo, supondo que uma empresa de segurança privada bem forte tem vários clientes e resolve aniquilar um de seus clientes e tomar suas posses, por ex. ir morar na mansao do falecido. Ela pode perder todos os demais clientes, mas nao tem problema, as posses desse cliente que foi morto é maior do que o do proprietário da empresa de segurança, entao vale a pena. Daí esse empresario que matou seu cliente pode comprar mais armas e executar o vizinho da mansão e os seguranças dele. Daí ele consegue mais armas e dizima o bairro inteiro. Daí quem aparecer na sua porta exigindo o cumprimento de contrato ou o que foi decidido por camera de arbitragem, ele aponta a arma e BANG, bala na cabeça. Daí ele tem tantas armas que ninguem pode mais com ele, ele montou um exercito particular com todo o armamento possível. Não importa mais moeda, nao importa dinheiro nem nada, ele consegue o que quer pela imposicao da força física. Daí chega um ponto que ele obriga pessoas a trabalhar pra ele e obtém os bens dessas pessoas. Daí ele começa a virar um estado. Em outras palavras, quem tiver a maior força (armas) será o mais poderoso e dominará os demais. Assim, na ausencia do estado, a sociedade retoma seus instintos primitivos de sobrevivencia e dominaçao.
  • Guilherme  05/02/2014 10:20
    Mas... mas... e se os dinossauros ressuscitarem? Quem poderá nos defender senão o estado? E se meteoros forem vistos vindo em direção à terra, quem irá coagir petroleiros liderados por um tipo igual ao Bruce Willis para ir até o meteoro e explodi-lo?

    Essa historinha da Daniela é tão ridícula que ela se esfacela logo na primeira frase. Quer dizer então que se eu invadir a mansão de um multimilionário eu fico rico e posso comandar toda a minha vizinhança? Como ocorreria essa mágica?

    A Daniela parece desconhecer o básico do básico: hoje em dia, a riqueza das pessoas está majoritariamente na forma de dígitos eletrônicos em computadores de bancos. A riqueza desse milionário cuja mansão foi invadida não está na forma de cédulas guardadas dentro de um cofre. Em sua mansão, não haverá quase nenhuma riqueza em forma líquida.

    O máximo que você conseguirá roubar serão alguns quadros, alguns uísques, alguns laptpops, alguns iPads e alguns carros. Meio difícil conseguir com essas poucas coisas "comprar mais armas e dizimar o bairro inteiro."

    E há outros detalhes básicos: e os vizinhos e suas armas? Não valem de nada? E as empresas de segurança das ruas vizinhas, também não valem de nada? E o próprios moradores e suas armas, também não valem de nada?

    Por fim, por que isso não ocorre hoje? Vai me dizer que não existe absolutamente nenhum policial militar que esteja insatisfeito com seu salário e que não esteja arquitetando invasões a mansões. Por que ele não faz isso? Dica: porque, ao contrário de você, ele sabe que invadir mansões não gera essa fartura de dinheiro.

    Se a Daniela realmente pensa assim, ela serve para tudo nessa vida, menos para ser assaltante.
  • anônimo  06/02/2014 13:21
    'Essa historinha da Daniela é tão ridícula que ela se esfacela logo na primeira frase. Quer dizer então que se eu invadir a mansão de um multimilionário eu fico rico e posso comandar toda a minha vizinhança?'
    Sério que você não entendeu que isso era uma metáfora? Tá ruim hein?

    hoje em dia, a riqueza das pessoas está majoritariamente na forma de dígitos eletrônicos em computadores de bancos. A riqueza desse milionário cuja mansão foi invadida não está na forma de cédulas guardadas dentro de um cofre. Em sua mansão, não haverá quase nenhuma riqueza em forma líquida.
    Uma das primeiras coisas que se aprende por aqui é que o dinheiro dos bancos é um grande monte de nada, só numerozinhos num computador, então não faz o menor sentido achar que num mundo livre o dinheiro desse ricão ia estar guardado num banco dessa forma. Mas enfim, mesmo que fosse alguma forma de criptomoeda, ainda era a mesma coisa, ou mais fácil ainda, bastaria hackear o computador do cara, roubar a senha dele, transferir tudo, passar por aqueles serviços que geram muitas transferências aleatórias (pra impedir que o dinheiro possa ser rastreado) e pronto.

    E há outros detalhes básicos: e os vizinhos e suas armas? Não valem de nada? E as empresas de segurança das ruas vizinhas, também não valem de nada?
    Então você acha que tem gente disposta a comprar a briga dos outros é? Rapaz, o povo quer é viver em paz, a treta que o vizinho tiver é problema dele. Nem pra ajudar os fracos e oprimidos ninguém se une, quanto mais pra ajudar quem é mais rico que vc.

    E mesmo que o povo inteiro se revolte, se o poder dessa super polícia for grande o suficiente, pode se revoltar aí o quanto quiser que não vai adiantar nada.
    E agora...contagem regressiva pra falarem como o Hitler não conseguiria invadir a Suíça por causa do povo armado, coisa que nunca aconteceu mas que vocês falam como se fosse algo testado e comprovado, e não apenas uma especulação movida a wishfull thinking.
  • Eduardo Bellani  05/02/2014 12:04
    Daí ele começa a virar um estado.

    Deixa eu ver se entendi,

    A - O estado existe.

    B - O estado é um mal.

    C - Se abolirmos o estado, ele pode voltar a existir.

    D - Dado B e C, é melhor não abolirmos o estado.

    Daniela, você consegue perceber a incoerência?
  • Gunnar  06/02/2014 12:18
    Hehe, por mais inverossímil que seja a história da Daniela, o fato é que nada impede o estado de ressurgir num arranjo libertário. Na verdade, essa é uma questão que tem me ocupado bastante. Como impedir o estado de voltar?
  • Pobre Paulista  06/02/2014 12:39
    Não cedendo à coerção, fácil. Não pague o que você não comprou. Sem financiamento, sem estado.
  • Eduardo Bellani  06/02/2014 14:32
    Não existem garantias dessa classe neste universo.

    "Vigilância eterna é o preço da liberdade." -- Wendell Phillips
  • Lucas Doris  08/02/2014 20:41
    O absurdo é não entenderem que, dessa maneira, o estado ia acabar se formando novamente, vamos pensar na Coca-Cola, uma das maiores empresas do mundo.Eles teriam facilmente poder para criar força de segurança próprias e prejudicar empresas menores ou até dominar territórios e talvez formar um novo estado.Colocar a segurança completamente no setor privado faria com que os mais ricos tivessem poder coercitivo absurdo sobre os mais pobres e daria aos abastados capacidade de questionar a decisão dos ''juízes populares'' através da contratação de segurança.O erro aqui é assumir que o Estado SEMPRE defenderá seus próprios interesses.A verdade é que o Estado não tem interesses, os governantes têm interesses e a legislação deve ser feita de maneira à impedir que esses políticos consigam usar a maquina pública em beneficio próprio.A segurança privada existe atualmente e, em um livre mercado, poderia se fortalecer, mas é necessário uma força repressiva neutra para impedir o abuso de força por parte das mesmas.O ser humano age da maneira que lhe convém, muitas vezes sendo egoísta.Cabe ao Estado (que deve ser submetido à uma Constituição e à uma Legislação) impedir as ações de indivíduos que tragam risco a sociedade.Tenho nojo de vocês levarem o nome de Mises e defenderem o anarquismo dessa maneira.São tão escrotos quantos a esquerda que manipulou conhecimentos para embasar suas convicções.Mises era contra a ideia de anarquismo e vocês te, coragem de defender essa ideologia ridícula usando o nome dele.''Liberalism differs radically from anarchism. It has nothing in common with the absurd illusions of the anarchists.We must emphasize this point because estatists sometimes try to discover a similarity.Liberalism is not so foolish as to aim at the abolition of the state.Liberals fully recognize that no social cooperation and no civilization could exist without some amount of compulsion and coercion. It is the task of government to protect the social system against the attacks of those who plan actions detrimental to its maintenance and operation.'' Tradução: ''Liberalismo diferencia-se radicalmente de Anarquismo.Não tem nada em comum com as ilusões absurdas dos anarquistas.Devemos enfatizar esse ponto porque estatistas tentam, as vezes, descobrir uma similaridade.O Liberalismo não é ingenuo a ponto de querer a abolição do Estado.Liberais reconhecem completamente que nenhuma cooperação social e nenhuma civilização poderia existir sem algum grau de compulsão e coerção.É o trabalho do governo proteger o sistema social contra os ataques daqueles que planejam ações em detrimento de sua manutenção e operação.''A verdade é que essa seria uma sociedade em que os ricos teriam todas as suas vontades concebidas enquanto pobres seriam absurdamente reprimidos, voltaríamos à uma espécie de feudalismo, onde o rico seria capaz de quase escravizar o pobre, se isso servisse à seus interesses....
  • Procurador  09/02/2014 01:14
    Não se passa uma semana sem que um obtuso chegue aqui e, jurando que acabou de fazer uma descoberta transcendental, alerte a uma platéia atônita que, sem o estado, haverá uma grande formação de cartéis e monopólios.

    Tipo, em que dimensão esse Lucas vive? Será que ele ainda não percebeu que a coisa funciona de maneira exatamente inversa? Quem tende a favorecer as grandes empresas é justamente um estado intervencionista e regulador; quem dá às grandes empresas o poder de corromper governos, de burlar leis e manipular a opinião através da mídia é justamente um estado grande, onipresente e corrupto.

    Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam. Dizer que é a existência do estado o que impede a formação de cartéis é o mesmo que dizer que é a oferta de bebidas o que impede o alcoolismo.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

    Quanto à posição de Mises sobre a anarquia, foi aí que você revelou toda a sua ignorância. Ou má fé. Ao se referir aos anarquistas, o alvo de Mises eram os utópicos de esquerda, os anarco-comunistas ou anarco-sindicalistas.  Em sua época, o termo anarquismo remetia exclusivamente a este grupo.  O termo anarcocapitalismo ainda não havia sido cunhado (só o foi em meados da década de 1970).

    Mises atacava a teoria deles de que o homem é um ser intrinsecamente benevolente e que, por isso, não seria necessária uma defesa organizada contra os inimigos da civilização.  Porém, não é nisso que o anarquista defensor incondicional da propriedade privada acredita.  É claro que assassinos e ladrões existem.  É necessário haver uma instituição que mantenha tais pessoas acuadas.  Mises chamava essa instituição de governo, ao passo que as pessoas que não querem estado nenhum afirmam que todos os essenciais serviços de defesa podem ser mais bem efetuados por empresas no mercado.  Quem quiser chamar estas empresas de governo, porque acha que assim se sentirá melhor, está livre para isso.

    Mises de fato pensava ser necessário ter uma instituição que reprimisse e subjugasse aquelas pessoas que não se comportassem apropriadamente em uma sociedade, pessoas que representassem um risco porque roubam e matam.  Ele rotulou essa instituição de governo.

    Mas ele tinha uma ideia muito singular sobre como o governo deveria funcionar.  Para restringir seu poder, cada grupo ou indivíduo, se possível, deveria ter o direito de se separar do território do estado caso não concordasse com suas políticas.  Ele rotulou isso de 'direito de autodeterminação'.  Mas não a autodeterminação de nações, como prega a Liga das Nações, mas sim a de vilarejos, distritos e grupos de qualquer tamanho.

    Em Liberalismo — Segundo a tradição clássica e Nation, State, and Economy, ele eleva a secessão a um status de princípio central do liberalismo clássico.  Se fosse possível conceder este direito de autodeterminação a cada indivíduo, disse Mises, isso teria de ser feito.  Por conseguinte, o estado se torna, para Mises, uma organização voluntária.

    Estude mais antes de vir chamando os outros de "escrotos" e "nojentos", Lucas. Você deveria ter nojo é da sua própria ignorância.

    P.S.: alerta à moderação: por que publicar comentários claramente caluniosos e ofensivos, escritos por uma pessoa que nem sequer se deu ao trabalho de ler o artigo (pois, se tivesse lido, não teria repetido os mesmíssimos argumentos refutados no artigo)? Dar voz a esta gente despreparada e desinteressada no debate de ideias serve apenas para poluir a seção de comentários.
  • anônimo  09/02/2014 01:51
    Uma coisa é o estado criar cartéis, outra é a possibilidade de cartéis existirem mesmo sem estado.Uma não implica necessariamente na outra.
  • Malthus  09/02/2014 02:03
    Não há a possibilidade de cartéis se manterem sem intervenção estatal. Não apenas a teoria explica isso, como a prática comprova isso:

    mises.org.br/Article.aspx?id=366

    mises.org.br/Article.aspx?id=1057
  • B.  05/02/2014 05:27
    "Algumas pessoas talvez não queiram ser defendidas e, em vez disso, preferem pagar por férias no Havaí. No caso de um ataque externo, elas provavelmente iriam optar por deixar o país e, sendo assim, elas não precisam de defesa de nenhum exército."


    Este ''...provavelmente iriam optar...'' me incomoda bastante.
    Por acaso estes indivíduos desconsideram que, numa guerra, suas propriedades materiais estão na iminência de serem expropriadas?
  • Pupilo  05/02/2014 11:49
    Melhor expropriar seus bens que sua vida.
  • Daniela  05/02/2014 14:04
    No anarquismo o poder passa a ser exercido pelo poder físico. Quem tiver o maior arsenal bélico, será o mais poderoso e terá todos os demais a ele subordinado. Ponto final. Todas as teorias econômicas, a eficiência do capitalismo, as moedas, as empresas, os clientes etc etc etc viram pó. Sabe por quê? Do que adianta "riqueza na forma de dígitos eletrônicos em computadores de bancos" quando eu tenho uma arma apontada na minha cabeça depois de todos os meus seguranças privados já terem sido liquidados? Ou mais do que isso, eu e os meus vizinhos estarem armados mas o país que não tem estado está prestes a ser invadido por outro (que tem estado e tem exército) e possui armamento capaz de devastar a minha sociedadezinha anárquica em questão de horas? Será que minha pistola vai ajudar quando minha casa estiver sofrendo um ataque aéreo? A pessoa que está me agredindo nao quer a minha conta bancária, nem Ipad nem nada, ele pode simplesmente dominar o meu território e impor a sua força ("Os homens não são anjos")e, assim, voltar a ser estado. Trata-se de uma questão humana, não mais uma questão econômica.
  • anônimo  06/02/2014 14:53
    E aí você entende porque a Ayn Rand chamava os libertarian de hippies da direita.
  • Carlos Prado  06/02/2014 14:54
    Gasta-se todo esse arsenal, não se tem mais clientes para sustentá-lo e chega alguém com uma faca ou um tijolo e te mata.
  • PauloAG  05/02/2014 14:43
    Quando a educação for a mesma, quando as pessoas se tornarem honestas, quando os humanos forem moralmente perfeitos, então poderemos sepultar o estado. Ruim com os governos, mas pior sem eles. Melhor seria estabelecer o "recall eleitoral" com o voto distrital. Indispensável obrigar as pessoas a "decorarem" seus deveres, não somente os direitos. Enfim, a maior parte da população ainda precisa ser dirigida.
    A ausência do estado é uma utopia que deve ser perseguida, mas dificilmente será atingida. O mundo animal e vegetal, em tese, encontrou a harmonia sem os governos. O ser humano ainda não pode ter esse grau de liberdade. Há um longo caminho, talvez no ano 15001 ...Nos últimos 10 mil anos a história do homem moderno não indica que estamos aptos a viver sem governos, nosso "bom-senso" ainda não evoluiu o necessário. Para a grande maioria da população mundial, "bom senso" é a capacidade dos outros pensarem como nós.
  • Anarco-Individualista  06/02/2014 00:03
    DISCURSO AUTORITÁRIO!
  • anônimo  09/02/2014 02:38
    Nao. O bom funcionamento do governo é que pressupõe pessoas honestas. Funcionario publico só trabalha se a consciencia pesar. Ele nao tem nenhum estimulo para ser eficiente, pois trabalha com o dinheiro dos outros, e virtualmente sem limite para estes fundos. Só a consciencia dele para fazê-lo ser honesto. E para piorar, a natureza da atividade estatal ( uso da coerção, poder sobre os cidadãos comuns ) atrai os piores tipos de pessoas da sociedade ( procure pelo texto de Hayek "Por quê os piores sempre chegam ao poder"). Num livre mercado, é justamente o oposto. A busca pelo lucro num ambiente livre de coerção estatal e de respeito a propriedade privada ( definicao de livre mercado ) pressupõe a colaboração e a ordem, resultando no acumulo de capital, progresso tecnológico, e na paz social. No final da página inicial aqui do instituto, procure pela seção anarcocapitalismo e leia os artigos. Estas idéias que expus aqui são mais extensamente desenvolvidas por lá.

    A falta de alguns acentos neste paragrafo deve ser atribuida ao ipad de onde escrevo, e de algumas garrafas de vinho que diminuem minha destreza no teclado virtual do gadget.
  • Ulisses  05/02/2014 15:30
    Primeiramente, meus cumprimentos à todos que comentam aqui.

    Encontrei este site faz pouco tempo, e também confesso que as idéias anarco capitalistas são novas à mim, apesar de já ter "confrontado" alguém com estas idéias, porém sem ter conhecimento de que elas já são bem fundamentadas/teorizadas.

    Dito isto, ainda tenho dúvidas à respeito da questão do monopólio: imagine que todas as empresas de telecomunicação resolvam se juntar e virar uma só. Como isto pode ser evitado?

    Se já existir algum artigo que trata mais aprofundadamente da questão, por favor, me apontem. Agradeço antecipadamente.

    Enquanto isto, continuarei lendo os artigos do site. Parabéns.
  • Marcos  05/02/2014 15:45
    A mesmíssima teoria do cartel explicada no artigo. E sugiro também a leitura deste:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=366
  • Ulisses  05/02/2014 17:02
    Muito obrigado, colega.
  • anônimo  05/02/2014 22:34
    'Dado que o governo pode obrigar seus cidadãos a pagar impostos, o governo sempre irá exigir cada vez mais dinheiro e, em troca, ofertará serviços de qualidade cada vez pior, dado que o governo não opera em ambiente concorrencial. A ideia de um estado mínimo, principalmente em uma democracia, é um projeto conceitualmente falho. Estados mínimos jamais permanecem mínimos.'

    Eu não sei como é que pode o Hoppe afirmar uma coisa dessas quando ele mesmo sabe que não é bem assim, nem dá pra acreditar que é o mesmo Hoppe que defendia o mundo dividido em vários micro estados, justamente pro caso de quando um deles começar a ficar autoritário ou cobrar impostos demais, ser fácil você mudar pra outro.
    E aí como é que ele fala que o governo SEMPRE pode obrigar seus cidadãos a pagar impostos? Claro que não, é só o cara ir embora!
    'dado que o governo não opera em ambiente concorrencial' opera sim, do ponto de vista de quem é rico o suficiente pra poder escolher onde morar.
  • Porta-Voz do Hoppe  05/02/2014 23:33
    Anônimo, seja mais atento à leitura. Hoppe defende a secessão em microestados justamente para que passe a existir concorrência entre governos. No atual arranjo, não há essa concorrência. Você migrar para a Suíça não é uma operação burocraticamente simples. Mas seria em um mundo de microestados, justamente porque neste arranjo seria suicídio econômico impor barreiras à livre mobilidade de pessoas.

    Quem diz que no atual arranjo em que vivemos há concorrência entre governos e que os governos se restringem e se refreiam em sua sanha tributária está vivendo um conto de fadas.
  • Juno  06/02/2014 00:52
    Alguém sabe de algum artigo ou livro daqui do site ou do Mises americano no estilo "Perguntas a fazer para estatistas"? Acho que já vi algo assim um tempo atrás, mas não estou conseguindo encontrar novamente.
  • Auxiliar  06/02/2014 01:13
  • Juno  06/02/2014 01:59
    Muito obrigado!
  • O imperio do Direito  08/02/2014 04:18
    Por favor, alguem me explique quem garantiria o cumprimento do contrato assinado entre um individuo e uma empresa privada de segurança sem Estado? Você teria que acionar um tribunal arbitral? E quem garantiria o cumprimento dessas decisoes arbitrais? Será que eu nao poderia descumprir uma ordem arbitral que eu considerasse injusta contratando uma ou varias empresas privadas de seguranca que detivessem as empresas contratadas para fazer a decisao ser cumprida? E ampliando a discussao para qualquer outra questao, que estabilidade teria uma economia se nao houvesse seguranca de que os contratos serao cumpridos?
  • Eduardo Bellani  08/02/2014 13:34
    Por favor, alguem me explique quem garantiria o cumprimento do contrato assinado entre um individuo e uma empresa privada de segurança sem Estado?

    Devolvo outra pergunta. Quem garantiria o cumprimento de um contrato entre um indivíduo
    e o estado?


    Você teria que acionar um tribunal arbitral? E quem garantiria o cumprimento dessas decisoes arbitrais?

    Quem quiser fazer valer. Efeitos de reputação dentro das comunidades é a maior força
    que existe pra fazer valer cumprir contratos entre particulares.

    Será que eu nao poderia descumprir uma ordem arbitral que eu considerasse injusta contratando uma ou varias empresas privadas de seguranca que detivessem as empresas contratadas para fazer a decisao ser cumprida?

    Sim. Agora se essas empresas seriam lucrativas defendendo criminosos, é uma questão
    que deixo pra você pensar.

    E ampliando a discussao para qualquer outra questao, que estabilidade teria uma economia se nao houvesse seguranca de que os contratos serao cumpridos?

    Nenhuma. Mas essa resposta não implica que o estado seja responsável por estabilidade
    contratual. Muito pelo contrário. Como o próprio artigo diz: O estado opera em um vácuo jurídico

    Abraços.
  • O imperio do Direito  09/02/2014 03:33
    Primeiro: uma resposta com outra pergunta nao é resposta. Hoje, é inadequado perguntar quem "garantiria" o contrato entre um individuo e o estado. É o estado quem garante, mediante coerção.
    Segundo: Reputação? Em que sociedade você vive? Nossas instituicoes têm reputação? Elas têm força/coerção.
    Terceiro: Sim, elas seriam muito lucrativas defendendo uma quantidade grande de criminosos que pagassem mais.
    Quarto: "Nenhuma" é a sua resposta. A crítica contra o sistema atual nao melhora a "nenhuma" estabilidade da economia. E essa resposta indica que alguma coisa é responsável pela atual estabilidade dos contratos: o estado. "O estado opera um vacuo juridico" é uma afirmação vazia, nao diz nada.
    Quinto: o atual estado, como conhecemos, foi desenvolvido para viabilizar o sistema capitalista.






  • Eduardo Bellani  12/02/2014 12:15
    Primeiro: uma resposta com outra pergunta nao é resposta. Hoje, é
    inadequado perguntar quem "garantiria" o contrato entre um individuo e
    o estado. É o estado quem garante, mediante coerção.


    Minha esperança era que você usasse a pergunta que eu fiz como uma
    ponte pra você mesmo construir a resposta. Já que não aconteceu, aqui
    vai ela:

    Não existem garantias absolutas no mundo real. O que existem são
    contratos e equilíbrios de forças. Num ambiente com apenas leis
    privadas, existe é uma igualdade não apenas perante a lei, mas com os
    aplicadores da lei. Isso garante um mundo mais justo do que a
    desigualdade com os aplicadores da lei que existe hoje. Procure por
    'falácia do nirvana'.

    Segundo: Reputação? Em que sociedade você vive? Nossas instituicoes
    têm reputação? Elas têm força/coerção.


    Você está mudando de assunto. Eu estava discutindo sobre um ambiente
    de apenas leis privadas, e não no nosso atual ambiente de monopólio de
    jurisdição.

    Terceiro: Sim, elas seriam muito lucrativas defendendo uma
    quantidade grande de criminosos que pagassem mais.


    Que tipo de pessoa contrataria uma agência de resolução de conflitos
    que é notória por julgar a favor de criminosos? Você não acha que uma
    reputação como essa seria uma bruta desvantagem competitiva, visto que
    o produto vendido por árbitros é justamente sua reputação de justo?

    Quarto: "Nenhuma" é a sua resposta. A crítica contra o sistema
    atual nao melhora a "nenhuma" estabilidade da economia.


    Nenhuma é a resposta correta a pergunta que você fez: que
    estabilidade teria uma economia se nao houvesse seguranca de que os
    contratos serao cumpridos?


    E essa resposta indica que alguma coisa é responsável pela atual
    estabilidade dos contratos: o estado.


    Sua conclusão não segue da minha resposta. Vou fazer uma analogia pra
    demonstrar o erro da sua afirmação:

    No país X existe um monopólio Y (mantido a bala, como todo
    monopólio) de produção de sapatos. As pessoas tem sapatos. Y é
    responsável por isso. Logo, devemos a Y a existência de sapatos.


    Essa sua afirmação esquece de conceber como que seriam os preços e a
    qualidade dos sapatos se existisse um ambiente de livre concorrência.

    "O estado opera um vacuo juridico" é uma afirmação vazia, nao diz
    nada.


    Não é uma afirmação vazia, pelo contrário. É uma demonstração de que o
    estado não é baseado em contratos entre indivíduos, e sim em
    imposição nua e crua.

    Quinto: o atual estado, como conhecemos, foi desenvolvido para
    viabilizar o sistema capitalista.


    Falácia da prova por asserção, muito comum entre crianças por
    sinal.

    Antes que você me responsa, por favor leia a respeito da falácia
    post hoc ergo propter hoc.

    Abraços.
  • Rodrigo  09/02/2014 04:38
    Talvez destoe um pouco do tema do texto, mas surgiu uma dúvida a pouco tempo e gostaria de saber a solução liberalista para tal situação.

    Existem, no nosso e em outros países, leis que "protegem" o mercado de trabalho para brasileiros, exigindo certa porcentagem de emprego destes em empresas internacionais que aqui operam, geralmente em áreas onde a concorrência internacional de mão-de-obra é mais elevada (Ex: Setor marítimo).

    Leis protecionistas tem o mesmo efeito de um monopólio, como mão-de-obra de pior qualidade e cara. Enquanto defendo que elas sejam abolidas, o que fazer quando outros países a usam? A manipulação do mercado de trabalho "lá" não exige uma manipulação "aqui", caso contrário resultando em desemprego?

    Aproveitando o embalo, como se defender de países que praticam subsídios?

    Gostaria de saber uma solução realista, prática, e não ideal para essa situação.

    Abraços.
  • Alfredo Gontijo  09/02/2014 14:51
    Subsídios estrangeiros são uma benção. Os gringos otários estão pagando para nos vender produtos a preços abaixo de custo. Deveríamos era agradecer e aproveitar ao máximo esta situação. Se os europeus querem inundar nosso mercado com produtos bons e baratos, e estão ignaramente dispostos a pagar por isso, então que aproveitemos. Quem irá se estrepar são os pagadores de imposto deles.

    Sobre mão-de-obra estrangeira, juro que não entendi qual o problema, ainda mais tendo em conta a atual situação do Brasil, onde a mão-de-obra realmente competente é escassa e quase ninguém sabe fazer nada que não seja jogar futebol e dançar.
  • Um cara  10/02/2014 21:12
    A sociedade não funcionaria.
    É da natureza humana mandar e obedecer, como todos vocês estão, ou já foram para a escola, aí vai um exemplo:
    Num grupo de trabalho escolar sempre existe alguém que da as ideias principais e diz o que o resto do grupo deve fazer, e o grupo obedece(há um consenso entre os integrantes).
    É assim na sociedade, quem não manda obedece, QUANTO MAIOR A RIQUEZA INDIVIDUAL, MAIOR O PODER DE PERSUASÃO CONTRA OS INDIVÍDUOS MENOS AVANTAJADOS FINANCEIRAMENTE, concentrando ainda mais a influencia e poder do mais rico, e quanto mais ele tem mais ele quer e mais ele consegue.
  • anônimo  12/02/2014 00:49
    Hm não, não adiantou usar caixa alta, seu argumento não ficou mais crível depois disso, continua fraco e raso igual era antes.
  • Cassim  12/02/2014 01:33
    Há uma palavra imprescindível em sua análise: 'Consenso'. Os integrantes do projeto voluntariamente compactuam com as ordens do desejo pois sabem que este arranjo lhes oferecerá maior retorno, o mesmo que ocorra quando uma empresa compra ativos de um banco ou um grupo de empreendedores faz um investimento conjunto.

    Sobre o estado, por que não fazermos deste trabalho em grupo obrigatório e que em seu contrato, deverá ser regido por um líder que não possui nenhum interesse financeiro em fazê-lo funcionar e que possui a plena capacidade de dar a um membro específico (João) do projeto a tarefa de fazer o trabalho todo para a alegria da maioria dos votantes sem que João tenha de concordar. E para piorar a situação, os desocupados que elegeram tal líder não tem de assumir a responsabilidade pelas ações dele e como se não pudesse ficar mais absurdo, cada membro deste grupo que foi imposto a fazer o trabalho deve ter menos de 0,1% de participação da escolha do líder.

    Nesta situação, qual seria a única solução para que o líder perdesse seu poder? Justamente a existência de outros, cujas leis menos injustas (que seria simplesmente a tendência à inviolabilidade e inflexibilidade do direito à auto-propriedade), atrairiam João e outros membros para que pudessem fazer trabalhos melhores, o que levará nosso Líder a explorar outro integrante até que este abandone o grupo até que ninguém útil lhe restará, o que o forçará a encarar a realidade enquanto os inúteis em seu grupo perdem ponto por mera inanição.

    Acabo de detalhar a história de Botsuana e Zimbabué nos limites de sua metáfora, países 'gêmeos' que trilharam caminhos diferentes. Seu argumento é muito fraco, de verdade.
  • Paulo  22/03/2014 04:53
    Basta assistir ao Mad Max, ou ao seriado Revolution e teremos uma noção do que é uma sociedade sem Estado, indico também o livro o Senhor das Moscas, há em filme também!
  • Mel Gibson  22/03/2014 11:08
    Exato. Quem explica exatamente como é a realidade e como será o futuro é Hollywood. E também os livros de ficção. Gênio....
  • anônimo  22/03/2014 18:00
    Mad max, onde todo mundo ia viver como um maluco desesperado pelas últimas gotas de petróleo? Como se não existisse energias alternativas ou biodíesel?
    Cara, esqueça esse negócio de entender o mundo vendo filminhos de Hollywood, isso é coisa pra adultos infantilizados.
  • Mohamed Attcka Todomundo  22/03/2014 23:50
    vc acha q tem alguma diferença pro brasil de hoje, com seus 70.000 assassinatos por ano?

    pois tem agora uma piada no meio militar nrte-americano: a mãe, preocupada q o filho q se formou nos marines, chega pro general e partinha sua preocupaçao de q o filho seja mandado pro afeganistão. ai o general diz: "mas pq a preocupaçao? tamos mandando seu filho p/ Cabul, ñ p/ são paulo". lembre-se q no brasil tem 10 vezes + mortes por ano q na guerra afegã keridinho, e o afeganistao parece bastante c/ mad max
  • Paulo  22/03/2014 19:29
    obrigado Mel Gibson, você sendo um ícone de Hollywood é um generoso elovio!
  • Jonelson Gomes  30/03/2014 16:04
    Concordo.
  • Clássico   19/05/2014 22:29
    O texto é absurdamente verboso, porém não toca de forma precisa na resolução de conflitos que é o objetivo maior do direito. A pessoa que escreveu o texto não leu nem funcionalismo nem contratualismo jurídico. Observe o problema do livre mercado na relação com a lei : tribunal A concorda comigo por tanto o julgamento será feito lá, a outra parte não concorda pois o tribunal b costumeiramente concorda com ela. Se ambas as partes não concordam quem fará o julgamento já que se retirada a autoridade do estado a autoridade recai sobre o indivíduo. Segunda parte você escolhe o estado ao qual deseja permanecer dentro e o estado como qualquer empresa diz quem pode entrar nele ou não. Ciente de que o estado aumenta de tamanho sempre, cabe ao liberal fazer ele diminuir sempre e não menos importante o estado é uma necessidade humana aparece espontaneamente sempre que a sociedade se desenvolve.
  • Parnasiano  19/05/2014 22:47
    Prezado Clássico, qualquer pessoa minimamente sensata sabe -- ou ao menos deveria saber -- que um assunto desta complexidade não pode ser tratado por um completo em um único artigo. E muito menos numa entrevista!

    O que você está querendo é que um professor de direito exponha absolutamente toda a matéria, em detalhes, em uma aula de 50 minutos.

    Há livros e obras específicos que abordam em detalhes estes assuntos. Pode começar com o capítulos 12 deste livro:

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=94

    Tão logo finalize-o, volte aqui e receberá novas indicações.
  • Daniel  23/05/2014 16:48
    caros amigos, venho acompanhando seus textos já a bastante tempo, mas em especial esses e outros que propõem a total derrocada estatal me são mui caros. Fiz direito, não sou advogado, em verdade trabalho no comércio e conheço bem o funcionamento do mercado, contudo, me chamou atenção a questão que não fora levantada nesse texto que são direitos difusos,e coletivos, como por exemplo o direito a um meio ambiente sadio. Nesse caso a poluição atmosférica é um problema atual e contundente, sem solução pacífica estatal, e que todos invariavelmente participamos ativa ou passivamente de forma contínua e alternada. O texto muito bem frisa sob a propriedade material palpável, de modo mais latu senso, contudo gerou-me dúvida de como arbitrar no sentido que ora aduzo. Sim libertarmos dos grilhões gás/óleo seria o ideal, contudo nesse caso me faz crer, que o mea-culpa, ante uma unidade de arbitragem traria muito mais benefícios que a própria arbitragem, por favor me ajudem a melhor esclarecer-me. Grato
  • Bruno Kovachy  28/07/2014 17:13
    Li o texto e todos os comentários. Sempre defendi o "estado mínimo" e o texto abriu meus olhos para os pontos fracos desse formato de governo. Sempre flertei com o anarquismo (mais precisamente o anarcocapitalismo), mas ainda assim existem pontas soltas no artigo que eu gostaria que me esclarecessem.

    1) Com a inexistência de estado existiria uma constituição? Não vejo sentido em existir, uma vez que lutamos pela liberdade e a constituição é exatamente uma limitadora de liberdade. Sendo assim, a "constituição" seria apenas as 3 regras básicas apresentadas no texto sobre "propriedade privada". Mas no próprio texto o escritor fala sobre uma quarta regra sobre "integridade física". Se começarmos a analisar todas as possibilidades começariam a surgir diversas regras necessárias como "princípios básicos de interação social",ou seja, limitadores de liberdade, não?

    2) Partindo do princípio que não há uma legislação, constituição, ou livro de regras qualquer. O texto fala em se contratar agentes arbitradores privados imparciais para julgar casos. Tudo bem, concordo plenamente com isso. A dúvida está em: em que esse árbitro vai se pautar para realizar o julgamento, uma vez que não há livro de regras de certo ou errado? Em casos onde há contrato é simples, vale o contrato, mas em casos que dizem respeito a roubo ou furto de propriedade privada ou em casos de danos morais e físicos, como se julgariam esses casos?

    3) Punições. Sabemos que se alguém estupra outra pessoa, por exemplo, esse estuprador teoricamente é preso. Como funcionaria esse sistema de punição / reabilitação?

    4) Não existindo polícia não se tornaria possível o aumento ou até a banalização de um dos grandes problemas que temos hoje: os justiceiros? Pessoas querendo resolver seus problemas usando a força sem querer recorrer a uma polícia ou equipe de segurança privada, seja por não querer gastar dinheiro ou qualquer outro motivo?

    Abraço, aguardo respostas.
  • Pedro Ivo  30/07/2014 18:51
    Caro Bruno Kovachy,

    como estou com pouco tempo agora, não vou responder especificamente aos pontos que você levantou (fá-lo-ei + tarde contudo). Por hora só vou te recomendar 2 leituras que vão responder abrangentemente às suas questões e a várias outras. São os livros A ética da liberdade e Por uma nova liberdade - O Manifesto Libertário, ambos de Murray Rothbard.

    Depois retomo a conversa contigo.

    Saudações cordiais.
  • Victor Hugo  08/04/2015 20:17
    Essas pontas soltas não tem solução.
    Por isso uma sociedade sem estado é utópica...
    Tanto quanto um estado totalitário benevolente é utópico...
    E sabemos que na prática uma teoria utópica vai virar é uma baita distopia...
    Sim a própria concepção de um estado justo, não corrupto, todo benevolente, divino,
    é utópica, só colocando Jesus Cristo todo poderoso como rei do mundo, e ele deu uma saída e volta deus sabe quando... O estado é uma distopia mas é uma distopia sob controle... Na ausência de um estado que esteja sob seu controle, alguém vai se organizar num estado paralelo, alguém vai formar milícias, exércitos mercenários, e vai conquistar o monopólio da violência, você querendo ou não... O estado no qual você pode participar ativamente, é uma prevenção contra um estado contrário à sua vontade que irá se formar naturalmente e inevitavelmente....
    Querer sumir com o estado é como querer sumir com o dinheiro.
    Os comunistas quiseram sumir com o dinheiro, e veja no que deu...
    Agora esses liberotários querem sumir com o estado, e daria em algo muito pior...
  • Eduardo  10/04/2015 01:58
    Querer sumir com o estado é como querer sumir com o dinheiro.
    Qual a relação?

    Essa frase, somada à "liberotários", indica que você jamais se deu ao trabalho de estudar uma sociedade anarcocapitalista, nem sequer tentou raciocinar fora da caixa e tentar entender, para ao menos ter críticas mais fundamentadas, mas não, você só prefere fechar os olhos e criar desculpas furadas para justificar a existência do estado.
  • Victor Hugo  20/01/2016 17:08
    ah, você não leu, você não estudou, ler até lí, mas cadê o objeto de estudos?
    Me mostra uma sociedade anarcocapitalista para estudos aí?
    Talvez algo do tipo Hatfield e McCoy?
  • anônimo  10/04/2015 12:01
    'Querer sumir com o estado é como querer sumir com o dinheiro.'
    Pro seu governo o mundo sempre funcionou sem dinheiro estatal, só depois que o estado se apoderou disso é que vieram junto crises, bolhas, inflação e tudo que não presta.
  • DeusOdeia  05/09/2015 00:09
    "Ou seja, o estado é o árbitro e juiz supremo de todos os casos de conflito, incluindo aqueles conflitos que envolvem ele próprio e seus funcionários"

    Não adianta colocar a culpa no homem pela sua própria natureza, pessoas matam pessoas não armas é a mesma coisa para o estado/governo que causa inflação e omissão. Isso é uma falácia existencialista. Como podemos dizer "deus ama os homossexuais mas odeia o homossexualismo" não existiria homossexualismo sem homossexuais entendeu ? Como não poderia haver corrupção sem corruptos.

    A única solução para o problema do estado corrupto é mudar seus funcionários e não aboli-lo. Todo poder corrompe poder absoluto corrompe absolutamente. Por isso é bom ter um governo central e não total que não trabalham para eles e sim conosco. podemos correr para um sistema ditatorial, com o os países socialistas, mas esse abolirmos o estado daríamos mais poder a quem ? Aos grandes empresários ?

    Para terminar uma frase de Walter Lipmman: Quando todos estão pensando iguais é que ninguém está pensando.

    Por isso existe DEMOCRACIA !

    Prefiro a democracia em vez da tirania stanilista-anarco-capitalista.

    Se você acabar com estado você acaba com a democracia e a civilização ocidental que está baseada "praticamente" na "moral judaico-cristã" uma pena, não adianta odiar os cristãos por que a putinha cristã do bairro dava para a galera, mas não pra você e depois ia na missa ou culto, um abraço.
  • Edujatahy  06/09/2015 10:33
    Ai ai... Tirania stanilista anarco-capitalista é de doer.

    Não sei quem começou esta maluquice de sempre querer comparar anarco-capitalismo com socialismo. Mas tem gente que realmente consegue se superar...

    Cada coisa...
  • Rubens Rodrigues  19/12/2015 18:22
    As grandes corporações não terminariam por se constituir em mini-estados capazes também de tiranizar as pessoas e cometer abusos de poder?
  • Auxiliar  19/12/2015 21:18
    E como exatamente isso ocorreria? Grandes corporações só são grandes e só são poderosas porque o governo as protege (via tarifas protecionistas e agências reguladoras) e as subsidia. É impossível uma empresa se tornar enorme e poderosa no livre mercado.

    Uma empresa só se torna grande no livre mercado se ela souber como satisfazer a demanda dos consumidores. Porém, à medida que ela cresce, suas operações vão se tornando mais burocráticas e menos eficientes; consequentemente, empresas concorrentes menores e mais eficazes vai tomando seu mercado, o que impossibilita seu crescimento e seu poderio.

    No extremo, o máximo que uma empresa pode fazer para manter seu mercado -- e impedir concorrentes tomem uma fatia do seus mercado -- é reduzir seus preços (como fez a Standard Oil). Mas isso é totalmente benéfico para o consumidor.
  • Victor Hugo  16/01/2016 11:28
    Ninguém nunca foi coronel nem teve jagunços e capangas, err, seguranças particulares, para ter uma conversinha com quem está incomodando. A máfia não é uma instituição privada. A máfia só existe porque é protegida pelo estado... Ur... Dur... O capo de uma milícia não instauraria um feudo....
  • Robson  15/01/2016 18:04
    Concordo com grande parte do texto.

    Um dos pontos que me preocupa é que provavelmente todas as reservas naturais seriam extintas. Pois, não existiria uma pessoa diretamente prejudicada pela ação de alguém ou alguma empresa em desmatar uma reserva ambiental na Amazônia.


  • Magno  15/01/2016 18:45
    Não? Não?!

    Como assim, não? Você está dizendo que, se tudo for propriedade privada, se cada centímetro de terra tiver um dono, ninguém mais será punido por nada?!

    É justamente o contrário, meu caro. Se você queima uma arvora na sua propriedade, a fumaça dessa queimada afeta a minha propriedade, você será acionado judicialmente por mim.

    Se a poluição da sua queimada afeta o ar que passa sobre a minha propriedade, você será acionado judicialmente por mim.

    Eu vejo as coisas exatamente ao contrário de você: nesse arranjo, há um sério risco de faltar papel.

    Ver o item 12 deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1349

    E também estes:

    Como o mercado leva a uma exploração racional dos recursos naturais

    O eco-socialismo, o socialismo real e o capitalismo - quem realmente protege o ambiente?

    "Estamos destruindo a terra e o governo tem de fazer algo!" - ou será o contrário?
  • Coeficiente 100%  15/01/2016 18:52
    "não existiria uma pessoa diretamente prejudicada pela ação de alguém ou alguma empresa em desmatar uma reserva ambiental na Amazônia"

    Como assim, Robson? É exatamente o contrário.

    Isso ocorre quando o recurso natural é de todo mundo (e não é de ninguém, ou seja, é um "bem público"). Se o recurso natural é de propriedade privada de alguém, aí sim existirá uma pessoa (o proprietário) diretamente prejudicado pela ação de alguém em causar danos a esse recurso natural.

    Confira:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=89

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1361

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=833
  • Coeficiente 100%  15/01/2016 18:55
  • Ricardo  19/01/2016 17:10
    Tão utópico e inefetivo quanto o comunismo. 0% estado x 100% estado.
  • RXV  24/02/2016 13:46
    Nossa, que comentário profundo e sagaz
  • DOUGLAS FERREIRA  24/02/2016 03:25
    Esse cara não é desse mundo. As propostas e pensamentos dele são utópicos e, em certo ponto, irresponsáveis.
  • Pirilampo  24/02/2016 12:38
    "irresponsáveis" pq?

    Tenha a responsabilidade de dar substância às suas afirmações.
  • Victor Hugo  24/02/2016 13:33
    Irresponsável alegar que naturalmente se estabeleceria algum sistema justo sem atribuição de responsabilidades... Responsabilidade é saber que as pessoas irão responder pelas suas ações... Responder porque serão questionadas pela sociedade, comunidade, pelos seus pares, num sistema totalmente individualista não existem pares à quem responder por nada ninguém tem autoridade legítima para questionar nada que alguém faça então é um sistema basicamente irresponsável ... Veja essa postagem estúpida de ter responsabilidade de dar substância... É uma afirmação desprovida de qualquer substância.. Responder pelo ato de quê? Se há uma afirmação então ela já implica numa substância.. Ele qualifica essa ideia como utópica porque esse sistema é impossível de funcionar e em certo ponto são irresponsáveis porque dão margem para qualquer um agir como um irresponsável já que não haverá à quem responder... É uma autocracia.. Cada um faz o que bem entender... Quem achar ruim o que o outro fez que tome sua própria atitude. E ninguém se intromete é cada um por sí... Ou seja... Nada de justiça aí.
  • Pirilampo  24/02/2016 17:52
    Ficou melindradinho pelo colega, é? Então vamos lá.

    Seu comentário é um exemplo perfeito de como o arranjo estatista coloca a mente das pessoas dentro de uma caixa que as fazem inverter o significado de conceitos básicos.

    "Irresponsável alegar que naturalmente se estabeleceria algum sistema justo sem atribuição de responsabilidades"

    Interpretação absolutamente invertida do texto: em momento algum o autor disse que "naturalmente se estabeleceria algum sistema justo sem atribuição de responsabilidades". É justamente por defender a atribuição de responsabilidade às pessoas (pelas consequências dos atos por elas praticados) que o autor defende o arranjo sem estado. Uma sociedade sem estado NÃO É uma sociedade "sem atribuição de responsabilidades", cidadão; é exatamente o contrário, o arranjo sem estado é o arranjo onde se tem a máxima atribuição de responsabilidades individuais. O estado é a entidade por excelência que socializa prejuízos (e personaliza benefícios). É o estado que dilui a responsabilidade individual ao promover redistribuição forçada de patrimônio de alguns em prol de outros; é o estado que promove a generalizada irresponsabilidade mediante a "propriedade pública", em que determinados bens não são de ninguém (por serem de todo mundo ao mesmo tempo); é o estado que permite a formação de uma casta de burocratas, políticos e parasitas em geral que, irresponsavelmente, enriquecem às custas do trabalho produtivo de terceiros, e podem, irresponsavelmente, gastar dinheiro público como se não houvesse amanhã, pq o estado lhes permite isso. É o estado que dá margem às pessoas agirem cada vez mais de maneira irresponsável.

    "Responsabilidade é saber que as pessoas irão responder pelas suas ações"

    Ah, é mesmo? Pois isso é exatamente o que NÃO ocorre, de modo generalizado, num arranjo estatista. Eu sei, p. ex., que políticos estatais não irão responder na hipótese de gastar mais dinheiro do que se arrecada; o arranjo estatal promove a diluição da responsabilização individual na medida em que tudo passa a ser coletivizado e socializado, e se passa a ter a consagração da "culpa coletiva". É o arranjo estatal que permite que determinadas pessoas causem prejuízos às custas dos outros, sem terem que responder por isso.

    "Responder porque serão questionadas pela sociedade, comunidade, pelos seus pares"

    De novo, é justamente o contrário: é num arranjo sem estado que as pessoas serão questionadas por seus pares; o arranjo estatal é pródigo em diluir exatamente essa necessidade de as pessoas terem que responder perante os seus pares, pq tudo fica diluído na socialização dos prejuízos, por ser o estado essa grande ficção através da qual todo mundo se esforça para viver às custas de todo mundo. É o estado que, p.ex., tem uma gigantesca estrutura chamada "fazenda pública" (apenas para dar um exemplo) que não é questionada pela sociedade; é com o estado que se criam incontáveis "empresas estatais" ineficientes e corruptas, que servem apenas para dilapidar o patrimônio das pessoas sem qualquer contrapartida, e sem responsabilidades, além de obrigar as pessoas a consumirem serviços ruins e custosos para toda a sociedade. O estado corrompe, justamente, a moralidade baseada na responsabilidade individual e na meritocracia.


    "num sistema totalmente individualista não existem pares à quem responder por nada ninguém tem autoridade legítima para questionar nada que alguém faça então é um sistema basicamente irresponsável"

    Como assim "não existem pares", cidadão? Num arranjo sem estado as pessoas deixam de existir? Reflita antes de escrever. E como assim "ninguém tem autoridade legítima"? Só há "autoridade legítima" com estado? Somente o estado pode ser autoridade legítima? Por acaso o estado é um ser mítico, o único que se pode conceber como tendo "legitimidade" nas relações humanas? Pq isso? O estado por acaso é um força inexorável da natureza? Pq vc acha que sem estado não existiriam instituições formadas e mantidas no âmbito da sociedade? Pq vc acha que sem estado não existiriam instâncias para as pessoas resolverem seus conflitos? Deixa de dizer asneiras, cidadão.

    "Veja essa postagem estúpida de ter responsabilidade de dar substância..."

    Estúpida é essa mentalidade de moleque que não gosta de ser contestado ao dizer suas asneiras; estúpido é achar que os debates se resolvem no berro e não por meio de argumentos racionais. Isso sim é estúpido; isso sim é, exatamente, a mentalidade de quem não consegue raciocinar fora da "caixa estatal", que chega a ponto de achar que o estado é a entidade que "atribui responsabilidades" às pessoas, como se não fosse o estado, com seu regime baseado na iniciação de coerção aplicada em face de terceiros inocentes, justamente o que corrompe a ética da responsabilidade individual.


    "É uma afirmação desprovida de qualquer substância"

    O seu comentário, por enquanto, é que é desprovido de qualquer substância. Só berrou como um moleque.

    "Responder pelo ato de quê? Se há uma afirmação então ela já implica numa substância."

    É a confirmação do que eu disse acima: acha que o ato de falar/escrever, por si só, é um ato que já traz embutido uma justificação racional.


    "Ele qualifica essa ideia como utópica porque esse sistema é impossível de funcionar"

    Só para quem tem mentalidade obtusa, de quem acha que, p.ex., caso os sapatos fossem produzidos pelo estado eles só poderiam ser produzidos pelo estado, pelo mero fato de serem produzidos pelo estado.

    "são irresponsáveis porque dão margem para qualquer um agir como um irresponsável"

    Quem dá margem para qualquer um agir como um irresponsável é o estado e toda a estrutura estatal, cidadão. Lamentável que vc não consiga enxergar isso. Quando vc retira o estado da jogada (e das transações) aí sim é que as pessoas têm de agir de maneira responsável; aí sim é que se cria (e se permite) uma estrutura de incentivos à responsabilidade individual.


    "não haverá à quem responder"

    Como assim "não haverá a quem responder"? Está escrito nas leis da natureza que apenas o estado pode ser a instância para as pessoas resolverem seus conflitos?


    "Cada um faz o que bem entender... Quem achar ruim o que o outro fez que tome sua própria atitude. E ninguém se intromete é cada um por sí... Ou seja... Nada de justiça aí"

    Mesma coisa do que eu disse acima: um arranjo sem estado é uma arranjo caracterizado pela máxima atribuição de responsabilidade individual, e é nesse arranjo que - muito mais do que num arranjo estatista - cada um vai responder pelas consequências dos seus atos, sem poder atribuir culpa a terceiros. Isso não tem nada a ver com "ninguém se intromete": ora, quem se intromete nas relações alheias deve responder pelas consequências adversas da intromissão (ao contrário do estado, que se intromete e não responde).

    Cidadão, vc vem aqui querer falar de "responsabilidade" achando algo maléfico que "quem achar ruim o que o outro fez que tome sua própria atitude"? Então vc quer que alguém tome atitudes por vc? Vire adulto, cidadão (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1988).

    Ao fim e ao cabo, o que vc faz é falar em "responsabilidade individual" fazendo verdadeira apologia da irresponsabilidade individual. Como eu disse no início, é a inversão completa dos conceitos.
  • DOUGLAS FERREIRA  24/02/2016 18:01
    Bem, Pirilampo... O Victor Hugo explicou bem aí na resposta dele o porquê de eu achar utópico e irresponsável a teoria desse Hans-Hermann. A justificativa pedida por vc já está nas próprias respostas do tal estudioso, onde ele tem teorias sem a ação do Estado e até mesmo sem um exército. Risível. Como disse o nobre Victor... o ser humano é individualista e quer alguém que se responsabilize por ele. Você acha mesmo que um será responsável pelo outro fora de uma instituição com previsão constitucional meu querido??!! O Estado existe desde que o mundo é mundo. Depois que o mesmo foi instituído como tal, por lei, mas bem antes o Estado era o patriarcal, o qual determinava as regras de conduta, sem as quais não há sociedade. E com a explosão populacional que ocorreu no mundo - hoje somos quase seis bilhões de habitantes - fica impossível não se ter o Estado e voltar à época anterior ao Contrato Social pensado e instituído por grandes estudiosos, cujos nomes perdurarão até a eternidade, quais sejam Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau. Mas, fazer o quê não é mesmo. Sempre tem alguém que à frente tentará desconstituir a teoria do outro. Repito. utópico e irresponsável, posto como o próprio Rousseau disse, a pessoa é facilmente corrompida pela sociedade. Aí está a necessidade do Estado e suas instituições. Abçs a todos.
  • Professor  24/02/2016 18:45
    "o ser humano é individualista e quer alguém que se responsabilize por ele."

    Hein?!

    Essa frase é completamente contraditória. Se o ser humano é individualista, então a última coisa que ele quer é alguém se responsabilizando por ele (e, igualmente, ele também não quer se responsabilizar por ninguém).

    Essa sua frase faz tanto sentido quanto dizer que o círculo é redondo e, por isso mesmo, ele é quadrado.

    "fica impossível não se ter o Estado e voltar à época anterior ao Contrato Social pensado e instituído por grandes estudiosos"

    Que contrato social, cidadão? Eu não assinei nenhum contrato social.

    Quando foi que você e eu assinamos o tal 'contrato social'?

    "como o próprio Rousseau disse, a pessoa é facilmente corrompida pela sociedade. Aí está a necessidade do Estado e suas instituições."

    Tradução: o ser humano é corrupto e dado a tentações. Exatamente por isso precisamos de um estado (que será inevitavelmente povoado por seres humanos igualmente corruptos e dados a tentações, só que agora dotados de grandes poderes) para policiar estes outros seres humanos.

    A menos que você prove que o estado será povoado por anjos imaculados e incorruptíveis, sua teoria é totalmente imbecil.

    De um lado, você supõe que as pessoas são falhas e corruptas por causa de uma natural debilidade do ser humano. De outro lado, você supõe que o estado e seus políticos, que necessariamente são seres humanos com igual ou maior debilidade, irão de alguma maneira resolver o problema.

    Quanto mais alguém tenta defender a necessidade de um estado, mas incoerente (para não dizer ignaro) ele soa.
  • Pirilampo  24/02/2016 19:15
    "O Victor Hugo explicou bem aí na resposta dele"

    Victor Hugo não "explicou" nada. Muito pelo contrário: não ofertou qualquer argumento racional.

    "A justificativa pedida por vc já está nas próprias respostas do tal estudioso"

    A justificativa dada nas respostas do estudioso são contrárias ao que vc sustenta.


    "o ser humano é individualista e quer alguém que se responsabilize por ele"

    Como é que é? O ser humano "quer q alguém que se responsabilize por ele"? Mais uma apologista da irresponsabilidade individual. Ademais, alguém querer que o outro "se responsabilize por ele" não é ser um individualista; é ser um coletivista.

    "Você acha mesmo que um será responsável pelo outro fora de uma instituição com previsão constitucional meu querido?"

    Não é o estado que torna as pessoas responsáveis, meu querido. É a moralidade baseada na liberdade individual e no senso de responsabilidade individual que lhe é correlata: vc é o responsável por suas ações. O que uma instituição estatal faz é, justamente, corromper esse senso de responsabilidade individual.

    "O Estado existe desde que o mundo é mundo"

    Falso. Vc não conhece história para dizer uma coisa dessas.

    "Depois que o mesmo foi instituído como tal, por lei, mas bem antes o Estado era o patriarcal, o qual determinava as regras de conduta, sem as quais não há sociedade"

    Frase ininteligível. Seja como for, sustentar que "sem Estado não há sociedade" é um disparate sem tamanho.


    "voltar à época anterior ao Contrato Social pensado e instituído por grandes estudiosos, cujos nomes perdurarão até a eternidade, quais sejam Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau"

    Como é que é? "Voltar à época anterior ao Contrato Social"?? Ah, então firmamos um "contrato social" mesmo, é? Eu achava que essa história de "contrato social" era tipo a do Papai Noel! Obrigado por me dizer que existiu de fato um "contrato social"! E ele foi "instituído" por Hobbes, Locke e Rousseau? Nossa, que fabuloso! São mais do que estudiosos, então, são nossos verdadeiros contratantes! Nossos pais fundadores!

    "como o próprio Rousseau disse, a pessoa é facilmente corrompida pela sociedade. Aí está a necessidade do Estado"

    Deixa eu ver se entendi: vc disse que sem Estado não há sociedade; então onde há sociedade há estado, segundo vc; e agora vc diz que da facilidade em ser corrompido pela sociedade advém a necessidade do estado? Fantástico.

    Aquele abraço.






  • Victor Hugo  24/02/2016 20:00
    Mas quem falou em 'necessidade' de um estado? O estado não é uma necessidade... É algo inevitável, do qual não se pode fugir... Nós não somos animais individualistas, fôssemos, não haveria sociedade, cada um teria seu território de caça, e iriam disputar território e defender território no mano a mano... Mas o homem é híbrido. Ele preza sua individualidade gosta de ter o seu canto mas é sociável... Homens se juntam em bano para a caçada. É muito mais eficiente caçar em bando. A união faz a força. E a divisão de tarefas leva à especialização da atividade. O que leva à uma maior eficiência do grupo... Não há almoço grátis nem bônus sem ônus... O grupo tem que dividir território, dividir o produto, o trabalho, mas enfim os homens irão se agregar, se agrupar, definir regras, inclusive de partilha de território e de produção e quem discordar do grupo, está fora do território do grupo... É um micro estado. Já é um estado... Tolo o homem que renega o estado porque na realidade ele nem compreendeu ainda que o estado somos nós, nossa união. Se você se reuniu com alguém já instituiu um estado... É a sociedade.
  • Miserable  24/02/2016 20:29
    "Mas quem falou em 'necessidade' de um estado? O estado não é uma necessidade"

    Opa, que bom que você reconhece.

    Logo, se o estado não é uma necessidade, mas ainda assim existe, então, por definição, ele só pode existir por coerção e por ameaça de violência.

    "Tolo o homem que renega o estado porque na realidade ele nem compreendeu ainda que o estado somos nós, nossa união. Se você se reuniu com alguém já instituiu um estado... É a sociedade."

    Tudo certo, então. Se você é a favor apenas de arranjos voluntários, como eu também sou, então já estamos conversados. (Pouco me importa se você chama esse arranjo voluntário de estado ou anarquia).

    Agora, seja minimamente coerente: se você defende associações voluntárias, então você tem de condenar associações que proíbem seus membros de deixarem de fazer parte delas e que ameaçam encarcerá-los caso eles, ao serem proibidos de sair, se recusem a pagar impostos.
  • Pirilampo  24/02/2016 21:27
    "Não há almoço grátis nem bônus sem ônus"

    Correto. Mas são os estatistas que tentam colocar isso na cabeça das pessoas.

    E vc descreve uma associação voluntária, com divisão do trabalho, para concluir que isso "já é um estado"?

    Completamente errado. Estado não é uma associação voluntária; é um aparato coercitivo que detém o monopólio da jurisdição e da legislação num determinado território, com poder de imposição, mediante coerção, de tributação.


    "Tolo o homem que renega o estado porque na realidade ele nem compreendeu ainda que o estado somos nós, nossa união"

    Tolo é que acha que políticos e burocratas estatais "somos nós, nossa união", e mais ainda quem acha que estado=sociedade.

  • Victor Hugo  24/02/2016 20:47
    Cara... Sociedade sem estado só se forem nômades, hippies, ou algo assim...
    Você não entende o que seja estado.
    Estado é um domínio.
    Basicamente se você domina um território.
    Você constituiu um estado.
    O estado é você dominando e reinando sobre o seu território privativo.
    Posto isso você pode ser um indivíduo sozinho solitário e mesmo assim ter um estado... Como o indivíduo se livra deste 'peso'? É só abdicar do domínio sobre o território e ser nômade numa área de vida comum... Como faz qualquer manada de ruminantes...
    Sociedade sem estado..
    Seria uma sociedade sem domínio territorial... Sem domínio de uma propriedade... Uma empresa já é um micro estado porque ela domina uma marca um produto decide quem trabalha nela como empregado..
    Um grupo em sociedade privada que partilha um território um terreno um edifício forma um condomínio... O estado é só um condomínio de uma sociedade nacional...
    Falar em sociedade sem estado...
    Soa a falar em casamento sem casa...
    Já ouviu falar em acasalamento sem casal? Se há um acasalamento de forma um casal.
    Se há uma associação se forma uma sociedade.
    E o que um casal faz? O que é o matrimônio? É usecontrato de partilha de um patrimônio.. Casal que domina um patrimônio é um micro estado. Por isso que se chama família de célula da sociedade. Uma família domina um patrimônio com território recursos regras divisão de tarefas distribuição de recursos.. O núcleo familiar é um estado. Podem até ser nômades mas se dominam recursos e mercadorias enfim um patrimônio não deixa de ser um estado ambulante... O estado é o domínio de um recurso compartilhado por um grupo e não uma conspiração ideológica... Como melhor administrar e organizar o estado vá lá que implique em alguma ideologia... Mas o estado é inevitável a não ser que você abra mão de dominar um patrimônio... E aí?
  • Victor Hugo  24/02/2016 21:02
    Você não entendeu a diferença entre necessidade e fenômeno... O estado é um fenômeno resultante do fato de que um indivíduo ou grupo de indivíduos em sociedade acabará dominando um território onde irá impor suas próprias regras de compartilhamento... Um indivíduo não PIDE ditar as regras dentro de sua casa? E coerção e violência mesmo ou você respeita as regras da minha casa ou não será bem vindo e ponha se daqui pra fora... O mesmo vale para as regras do condomínio privado da nossa associação particular... Quanto maior o grupo maior a abrangência territorial... Se não caiu a ficha ainda sugiro se mudar pra marte...
  • Anderson  03/04/2016 01:29
    Se uma empresa comprasse uma parte do espaço aéreo não poderia monopoliza-lo?, ou comprasse area de aguas maritimas e monopolizasse a entrada em um porto? Só tenho essa dúvida.
  • Freitas  03/04/2016 14:08
    Ué, como assim? Se eu compro uma parte do espaço aéreo, a última coisa que iria querer fazer seria permitir que apenas uma empresa aérea a utilizasse. Muito pelo contrário: como estou em busca de lucro, iria fazer de tudo para que o máximo de empresas aéreas utilizassem meu espaço. Quanto mais aviões sob o meu céu, mais dinheiro pro meu bolso.

    Mesmíssimo raciocínio é válido para portos.

    Apenas quem odeia lucro e dinheiro iria querer monopolizar esse espaço.
  • Felipe  03/04/2016 14:32
    Como se compra um espaço aéreo? Como se define quem é o dono dele? Como se dá a apropriação original deste espaço?
  • Victor Hugo  03/04/2016 16:10
    No mundo dos sonhos não existe conflito de interesses né? Tipo ser dono do aeroporto e também de uma empresa de aviação... Atrapalhar meus concorrentes? Se der lucro, é claro....
  • Jean Valjean  03/04/2016 17:16
    Quem construiu o aeroporto?

    Quem constrói um aeroporto com capital próprio não deve ser obrigado a permitir que outras empresas utilizem livremente seu espaço.

    Por outro lado, pensando em termos puramente capitalistas, se eu construo um aeroporto farei absolutamente de tudo para que toda e qualquer empresa se interesse por utilizá-lo. Quanto mais empresas o utilizem, mais dinheiro pro meu bolso.

    Aliás, mesmo se eu fosse o dono de uma empresa aérea (e de um aeroporto), também faria de tudo para que as outras empresas utilizassem -- mediante taxas -- o meu aeroporto. Quanto mais elas utilizassem -- principalmente para destinos para os quais eu não interesse de ter uma linha aérea --, mais dinheiro para o meu bolso e mais passageiros freqüentando o meu aeroporto sem que eu tenha a despesa de criar uma linha aérea para uma rota pela qual eu não tenho interesse.

    O grande problema do brasileiro é que, justamente por ele estar acostumado a viver em um ambiente altamente estatizado e anti-capitalista, ele não tem muita prática de como pensar de maneira capitalista.
  • Andre  03/04/2016 23:08
    No mundo dos pesadelo o poder arbitrário diz quem pode fazer o que, o cidadão do mundo dos pesadelos sente confortável em ser manipulado e se recusa a pensar que está inserido em um pesadelo.
  • PrimeiroPreço  05/05/2016 20:27
    contato@primeiropreco.com.br
  • Daniel Ribeiro  22/07/2016 02:37
    O problema é que a visão ancap enxerga apenas os aspectos negativos do Estado, qual seja, a violência, o roubo, a falta de liberdade promovida pelos agentes e burocratas do governo. Mas se esquecem do positivo que brota de todo esse processo. Mesmo realizando todos esses expedientes hediondos, o Estado tem proporcionado o surgimento, desde os primórdios da civilização, de instituições que caminham cada vez mais para um maior grau de liberdade. A liberdade, essa danada que tantos consagram (eu inclusive), é vista muitas vezes como uma entidade que sempre pairou na vida dos indivíduos, como se fosse algo dado a priori, como se fosse um valor que defendêssemos simplesmente por conclusão lógica, pelo simples uso da razão. Mas a liberdade, assim como qualquer outro valor, foi sendo construída ao longo da história. Como diria Hegel, ela está na história, ela é a própria história. Toda a trajetória da humanidade pode ser resumida nessas poucas palavras: a realização da liberdade humana.
    E todo esse caminho não teria sido possível se não tivesse surgido a figura tirânica, autoritária, carismática e soberana do Estado. Um civilização com Estado, por mais cruel e intervencionista que seja o governo, é mais livre que uma tribo selvagem anarquista onde reinasse uma aparente "democracia".
    O Estado tem feito e ainda faz horrores em nossas vidas, mas proporciona também o aparecimento de leis, valores, instituições e conhecimentos que trouxeram progressos a toda a sociedade. Pensem nos valores que hoje defendemos, como o respeito ao indivíduo, à propriedade, à liberdade, a paz, o direito de livre expressão, etc. Imaginem agora se tais valores eram sequer mencionados há 2000 anos atrás, ou mesmo há uns 1000 anos atrás. Na Grécia antiga, ser livre era estar desobrigado das atividades realizadas pelos escravos e consideradas indignas. Na Idade Média, ser livre era ir morar na cidade (mesmo sabendo-se que lá havia pobreza, mendicância, etc.). No início do século XX, ser livre era exercer o sufrágio universal. Em cada época, novos valores. Herdamos do passado e deixamos nossa marca às gerações posteriores. Quem sabe qual será o conceito de liberdade defendido no século XXII?
    O Estado também nos protege, embora nos violente também. Ele toma parte de nossa propriedade, mas defende outra parte. Não precisamos pensar em termos de "oito ou oitenta". Agora, imagine num ambiente sem Estado. Quem garantiria nossa proteção? A segurança privada? E se os mais fortes se unissem para dominar os mais fracos, e impor escravidão a todo mundo?
    Essa questão sobre a necessidade do Estado já foi respondida por Hobbes há muito tempo.

    Já li todos os artigos sugeridos pelo instituto mises. org sobre essa questão, e nenhum conseguiu responder a questõezinhas tão básicas como essas que apontei.

    A sociedade não é dividia entre tirania x liberdade. Isso é uma visão maniqueísta. Tirania e liberdade nasceram e se desenvolveram juntas, ao longo da história.
  • Michel  25/07/2016 19:02
    Boa tarde.
    Em uma sociedade sem Estado, o que ocorreria no caso a seguir?

    João, padeiro, chega em casa e encontra seu filho Carlos, de 12 anos, morto, aparentemente com um tiro.
    João possui poucos recursos.
    Quem investigaria esse caso? Qual seria sua motivação para fazer isso?

  • anônimo  25/07/2016 20:26
    "Quem investigaria esse caso? "

    Quem tivesse o interesse, podendo usar os serviços de alguma empresa especializada para obter uma melhor investigação.

    "Qual seria sua motivação para fazer isso?"

    Punir o assasino ué.
  • Felipe N  12/11/2016 21:47
    Amigo sobre a segurança armada se houver uma guerra chama o Batman ok ou a mulher maravilha, acho que o estado pode ter sim uma mínima intervenção na economia e na política, creio que o Estado deve cuidar somente da nossa proteção e sim concordo com você de ter leis q n gerem discórdia por que leis que gerem discórdia não são leis boas.
    Mais também acho q as pessoas n podem tomar decisões sozinhas tipo simplesmente matar alguem ou simplesmente tem uma arma de fogo pq quer, por que a lei infelizmente com furos ou n ta ai para "TENTAR" remediar as coisas.
    Achei interessante polícias privados acho uma boa idéia, mas, infelizmente têm coisas q n concordo com você mais gostei de sua matéria


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