Há alguma coisa acontecendo

É possível perceber que já há algo de diferente na atmosfera intelectual.  Não é exagero dizer que já respiramos um ar diferente.  São vários os sintomas que me levam a encarar desta maneira otimista a nossa realidade.

Quando entrevistei o Bruno Garschagen para o centésimo podcast, tive a plena certeza disso.  E tive essa certeza pelo simples fato de ser a centésima entrevista.  No inicio deste projeto de entrevistas, nós do IMB visualizávamos uma lista de apenas entre quinze a vinte pessoas "entrevistáveis".  No entanto, já passamos das cem entrevistas.  Como?  De onde surgiu essa gente?

Qualquer alteração que se queira nos rumos de uma sociedade deve ser antes precedida pela mudança no rumo das ideias.  E é a isso que o Instituto Mises Brasil se propõe.  Não somos uma instituição de ensino padronizada; não somos um partido político; não somos um grupo de influência que visa à implementação de "políticas públicas"; não somos um centro de produção cultural ou uma ONG de ativistas.  Tudo o que o instituto faz é divulgar ideias, por meio de artigos, livros, podcasts, palestras etc.

Sempre tivemos a convicção de que, de tão poderosas que são as ideias da liberdade, bastaria que elas estivessem disponíveis para que começassem a se espalhar.  O Instituto é isso — o veículo que divulga as ideias da liberdade.

Muitos nos cobram mais atividades.  Alguns esperam que sejamos mais acadêmicos.  Outros pedem que tenhamos posições políticas (ou mesmo candidatos) e que atuemos junto a deputados no congresso.  E há aqueles que gostariam que nos envolvêssemos com o empresariado e que tivéssemos uma presença agressiva na mídia.

Mas a mudança, infelizmente, não ocorre de uma maneira tão fácil assim.  É a irradiação das ideias que irá influenciar o potencial de cada indivíduo em determinado campo.  Quando houver um número significativo de intelectuais conhecedores dos fundamentos das ideias da liberdade, e quando a ideia já estiver disseminada de forma abrangente a ponto de estar em contínuo debate, aí sim a potencialidade dos indivíduos alcançará seu paroxismo em cada campo.

Somente então os empresários entenderão os benefícios e a justiça da liberdade influenciando suas organizações e seus pares, os quais sofrem diariamente com o esbulho estatal.  Produtores culturais colocarão a criatividade a serviço das ideias da liberdade.  Oradores e aglutinadores de talento surgirão como opção política tendo sua formação influenciada pelas ideias da liberdade.  E aí finalmente a mudança na sociedade será sentida e os frutos da liberdade poderão ser vivenciados por todos.

Se, atualmente, vivemos tempos em que os tentáculos estatais avançam com cada vez mais voracidade; se o controle estatal, até de aspectos mais banais da vida, ultrapassam o limite do suportável; e se, no ambiente cultural, educacional e intelectual vivemos sob o império das ideias coletivistas, positivistas, socialistas e comunistas das mais variadas matizes, não devemos desanimar.  As ideias da liberdade, quando apresentadas, chegam para ficar.

Quando um humorista escreve no jornal contra um partido que nem nasceu e que teria como base alguns pressupostos liberais, e, em menos de 24 horas nas redes sociais, recebe um tsunami de artigos em resposta, defendendo a liberdade e desmoronando falácias coletivistas, é porque há alguma coisa acontecendo.

Quando recebemos a notícia de que uma universidade federal, depois de muita pressão de alunos e professores, incluiu uma cadeira de Escola Austríaca de Economia na sua grade, é porque há alguma coisa acontecendo.

Quando percebemos que os colunistas da grande imprensa são imediatamente rebatidos quando proferem falácias e sofismas coletivistas, é porque há algo acontecendo.

Quando estudantes de todo o país se reúnem para falar sobre liberdade e criar grupos de estudos liberais em suas universidades, é porque há algo acontecendo. 

Quando um grupo de investidores cria um fundo de investimentos com estratégias baseadas na escola austríaca, é porque há algo acontecendo.

Quando empreendedores conscientes se juntam para criar institutos voltados para a formação de líderes conscientes das vantagens do livre mercado, é porque há algo ocorrendo.

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O IMB não participou diretamente em nada disso.  Apenas publicou seus artigos e livros; apenas deixou as ideias disponíveis.  Foram a genialidade e consciência das pessoas que tiveram acesso a essas ideias o que as transformou em ação.

Esse é o papel que o IMB desenvolve.  Para isso, sempre contamos com gente abnegada e altruísta, que entende esse papel que muitas vezes parece inócuo, mas que tem gerado tantos frutos.

Por isso o IMB conta com a ajuda daqueles que entendem essa missão.  Nossa audiência nunca esteve tão grande.  Recebemos comentários e somos comentados onde nunca imaginamos.  Vivemos de doações voluntárias, e a carteirinha 2014 é uma forma que você pode colaborar conosco.

Aos recém-chegados, sejam bem vindos!  Aos veteranos, nosso muito obrigado!



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SOBRE O AUTOR

Cristiano Fiori Chiocca
é economista e empresário.


O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Esse comentário não faz o menor sentido. Vc usa a linguagem jurídica e estatal para condenar pessoas, mas sem nenhum processo. Ter um cargo publico não pode ser crime no regime atual. Se vc se revelasse seria claramente processado por calunia e difamação. Pois não crime sem lei que o prescreva. Que é isso? Os libertários querem se unir aos marxistas para ditar regras de moral ao mundo. A existência de um aparato que extorque e atrapalha o desenvolvimento da população, pode ser imoral mas não pode ser considerado crime no sistema atual. Tente convocar uma assembleia constituinte libertaria e acabe com o sistema atual e talvez no seupais seja crime. Como podemos responder por crimes, contra uma legislação ideológica que ignoramos, que não aprendemos nem em casa e nem na mídia. Embora os recursos da receita federal sejam usados de ma fé, isso não faz da sua existência um crime. Antes de tudo existe um regulamento, produzido pelo consentimento da sociedade que prevê a existência daquele órgão. Pelo seu ponto de vista todas as pessoas são criminosas porque o estado não tributa tudo, mas regulamenta tudo. Então para ser um libertário coerente eu teria que cancelar meu CPF, abrir mão de todo beneficio estatal que veio parar nas minhas mão, mesmo sem que eu ferisse ninguém, renunciar minha cidadania brasileira, o que mais. Resumindo ter pessoas que respeitem os direitos civis e as liberdades individuais dentro do estado, é bem melhor do que ficar se gabando e massageando o próprio ego dizendo pra todo mundo, olha só nós estamos certo, todos vocês são ladroes, sem fazer nada pela liberdade.
Se há custos trabalhistas artificialmente altos e estes puderem ser reduzidos, então eles serão reduzidos.

Se uma empresa opera com custos trabalhistas artificialmente altos -- por imposição do governo -- e estes custos podem ser reduzidos -- porque há outros trabalhadores dispostos a fazer mais por menos --, então eles serão reduzidos.

Se a empresa não fizer isso, então ela estará -- por definição -- operando de forma ineficiente. Ele não durará muito. Com efeito, essa empresa só irá durar se operar com uma reserva de mercado garantida pelo governo. Aí sim. Excetuando-se isso, ela estará queimando capital e comprometendo sua capacidade de investimento e expansão no futuro. Será rapidamente abarcada pela concorrência.

No mais, é interessante notar que as pessoas querem livre concorrência para tudo e todos, menos para elas próprias. Todos nós queremos competição entre empresas para que haja produtos melhores e preços menores, mas não queremos competição para o nosso emprego. Quando a concorrência chega até nós, queremos que políticos criem leis que garantam nossa estabilidade. Agora, querem até proibir empresas de contratar outras pessoas que não nós mesmos. Há totalitarismo maior do que esse?

Vale ressaltar o óbvio: essa lei da terceirização nada mais é do que uma permissão para que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente -- por favor, me digam -- seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Ei, Marcelo Siva, quer falar de escravidão? Vamos lá (aliás, é hora de você começar a responder perguntas, como todos fizeram com as suas):

Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

No aguardo das suas respostas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • JBALL  18/01/2014 16:30
    Gostaria de pedir a todos os leitores que sempre entrem em debates. Nós da Escola Austríaca temos uma base muito maior, temos muito mais bagagem de leitura. Temos conhecimentos de direito, ciências políticas e filosofia. Não podemos deixar os idiotas ativistas e os pseudo-acadêmicos ficarem espalhando mentiras. Temos que encarar todos os debates, acabar, humilhar, destruir todo o ideal desses comunistinhas, social-democratas, keynesianos, e etc.
  • Hudson  18/01/2014 17:22
    A prepotência é o caminho para o fracasso. Seja mais humilde. Achar que todos os problemas do mundo serão resolvidos adotando-se 100% de uma ideologia é inocência. Ponderação é a palavra-chave.
  • Doutrinador  18/01/2014 18:27
    Prezado Hudson, então o atual arranjo deve lhe apetecer totalmente, pois ele é bastante ponderado. O atual governo segue cartilhas keynesianas e marxistas, com uma pequena dose de Chicago (mas apenas durante os primeiros anos da gestão Meirelles no Banco Central). Ou seja, não há do que você reclamar, já que está havendo uma abrangência de todas as "teorias decentes", o que inquestionavelmente implica uma grande "ponderação". Certo?

    Aliás, é curioso: as ideias austríacas e libertárias sempre foram marginalizadas e nunca tiveram nenhuma grande exposição. Aí, quando chega um pequeno grupo de austríacos pedindo uma pequena inclusão de suas ideias, você já se enfeza e sai dizendo que isso é prepotência, pois representa "a adoção 100% de uma ideologia."

    Legal.
  • Hudson  19/01/2014 10:52
    E por acaso isto não é prepotência? rs

    "Nós da Escola Austríaca temos uma base muito maior, temos muito mais bagagem de leitura. Temos conhecimentos de direito, ciências políticas e filosofia."


    O que estou querendo é que não caiamos no mesmo erro que as demais escolas caíram.
  • Fernanda  21/01/2014 13:32
    "Nós da Escola Austríaca temos uma base muito maior, temos muito mais bagagem de leitura. Temos conhecimentos de direito, ciências políticas e filosofia."

    Sem sombra de falta modéstia é isso mesmo! Ainda não consegui ter um diálogo franco, com trocas de idéias com um esquerdista. Eles são como um pombo num tabuleiro de damas.
  • Doutrinador  21/01/2014 13:39
    Ué, qual o problema de este leitor falar que tem grande bagagem de leitura e conhecimentos de direito, ciências políticas e filosofia? Por que a azáfama? Se você se sentiu inferiorizada, ou se você acha que ele está blefando, desafie-o para um debate.

    Outra coisa: o que tem a ver isso que o leitor disse com "dialogar com esquerdistas"? Não entendi bem como isso surgiu no seu raciocínio.
  • Silvio  22/01/2014 14:57
    Você leu mal o comentário da Fernanda. Releia-o e leia novamente o que você escreveu.
  • JBALL  19/01/2014 01:25
    Hudson, releia e interprete corretamente. Em nenhum momento falei que a Escola Austríaca (que por sinal não é uma ideologia) irá salvar o mundo. Não existe paraíso na Terra. O que eu peço é para pararmos de tratar com respeito pessoas que defendem absurdidades. Um sujeito que defende abertamente que um assassino frio é vítima da sociedade não merece crédito algum. O Debate é bom, mas tem coisas muito passadas e totalmente refutadas que os marxistas teimam em por em prática, isso não merece respeito.
  • Pedro Ivo  21/01/2014 18:30
    Incitar. Adesão.

    Caro JBALL, citando Lobão, "debater com a esquerda é como jogar xadrez com um pombo: ele derruba as peças, caga no tabuleiro, e ainda sai cantando vitória". Logo, tenho que discordar de seu apelo: "Temos conhecimentos de direito, ciências políticas e filosofia. Não podemos deixar os idiotas ativistas e os pseudo-acadêmicos ficarem espalhando mentiras. Temos que encarar todos os debates, acabar, humilhar, destruir todo o ideal desses comunistinhas, social-democratas, keynesianos, e etc."

    Ter este conhecimento é uma desvantagem, por várias razões, mas principalmente esta: [*] Como os debatedores de esquerda apelam p/ slogans e lugares-comuns, no instante em que nos pusermos a explicar nossa posição ou a refutarmos às deles, para a massa ignara (ou seja, todo mundo) parece que estamos nós a nos explicarmos, e quem tem de se explicar esta automaticamente em desvantagem, pois debates não são ganhos com ideias, coerência ou fatos, mas por adesão psicológica, o que é obtido, em especial, emocionalmente. Logo, há de se ter muito cuidado com esta tática de aderência ao combate, pois boas ideias requerem reflexão, e lugares-comuns automatismo por parte da plateia.

    Um bom ex. é aquele programa Globo News Painel, do William Waack. Quando o tema é economia, convidam toda horda de mercantilistas da FIESP e keynesianos do mercado financeiro. Eles dizem toda sorte de absurdos, como "investimento não requer, necessariamente, abstenção prévia do consumo" ; ou "o real esta valorizado d+. Esta taxa de câmbio é insustentável"; e isto sequer é questionado pelo Waack ou por qualquer dos d+ convidados. Você acha mesmo que num tal estado de consenso é possível chamar as pessoas à razão, se você precisa explicar desde os fundamentos a estas pessoas? Debates requerem uma cultura prévia dos debatedores e da plateia, pois não é possível voltar aos conceitos chave, basilares, a todo instante. Se você duvida, tente debater em termos austroliberais com o povão ou com a academia. Isto requer um cabedal retórico formidável, pois você terá que condensar conceitos complexos em frases curtas, e deverá ser capaz de formular perguntas sucintas e certeiras ao seu interlocutor de modo e evidenciar suas falhas de raciocínio, forçando-o a se explicar, e mostrando que aqueles lugares comuns não são tão incontestes quanto as pessoas habitualmente pensam (Lew Rockwell, Jeffrey Tucker, Walter Williams, Peter Schiff, Thomas Sowell e Frédéric Bastiat são muito bons nisto. Se você quer entrar neste jogo, precisa lê-los muito para adquirir a agilidade e destreza de raciocínio, que note, não é teórica nem analítica, mas dialética e retórica. São habilidades diferentes – deveriam andar juntas – mas são díspares).

    Note que não estou nem te criticando nem te desestimulando, apenas chamando atenção para a complexidade de se engajar neste tipo de tática. É realmente necessário, mas tome cuidado com os alçapões que debatedores desonestos podem te colocar via apelos a slogans, lugares-comuns, interesses e emoções da platéia. E boa sorte.


  • JBALL  22/01/2014 12:57
    Acho que você errou em dizer que é negativo ter este conhecimento rico. Compreendo sim que muitos podem puxar o tapete. A retórica de Schopenhauer é muito interessante de ser entendida. Mas em relação ao que o Lobão afirmou, eu sintetizo a ideia de combinar a retórica com o descrédito e a humilhação do esquerdista. A plateia, que como você afirmou, carece de conhecimentos prévios, gosta um pouco disso.

  • Mohamed Attcka Todomundo  22/01/2014 17:20
    "você errou em dizer que é negativo ter este conhecimento rico" - sabe jball, acho q o q o PI (posso te chamar de 'PI' Pedro Ivo?) quiz dizer foi q o conhecimento, no debate publico como ele tá definido hoje em dia, é uma desvantagem, e ñ q seja negativo ter conhecimento.

    eu concordo c/ o PI (olha eu ja te chamando assim s/ permissao). os ouvintes ñ tem conhecimento previo, e o debate tá configurado como qq outra forma de entretenimento. politica, filosofia, religiao... virou tudo BBB
  • Pedro Ivo  23/01/2014 11:10
    Sim Mohamed, foi isto que eu quis dizer. E Sim Mohamed, pode chamar de PI (afinal, se eu disser que não, você Attcka Todomundo).
  • Marcelo Werlang de Assis  18/01/2014 17:27
    Irrepreensível artigo de Cristiano Chiocca!

    Só faltou escrever: "Quando os livros de um historiador revisionista libertário (Narloch) ficam nas listas dos mais vendidos, é porque há algo acontecendo."

    Abração!
  • anônimo  20/01/2014 12:32
    E o livro do Olavo, do Lobão e do Constantino também
  • Gabriel  18/01/2014 18:50
    Inicio Direito este semestre em uma universidade pública (UEMS). Espero colher bons frutos por aqui.
  • Rodrigo Lopes Lourenço  21/01/2014 03:08
    Gabriel,
    Neste sítio do Mises, há muitas coisas fantásticas. Todavia, em sua faculdade, como nas demais brasileiras, seus professores dirão que:
    a)a Constituição é maravilhosa, embora seja metade cópia fiel da de 1969 e a outra metade socialismo puro;
    b)pelo princípio da dignidade humana, o Estado sempre deve intervir nas relações sociais;
    c)em defesa do princípio da solidariedade, o Estado deve perseguir o empregador a fim de artificialmente aumentar o salário do empregado;
    d)em defesa da função social do contrato, um acordo entre dois particulares pode e deve ser controlado pelo Estado;
    e)a função do Ministério Público é defender a sociedade, entendida esta como tudo o que possa ser chamado de "coitadinho";
    f)para cumprir a função descrita no item acima, são necessários todos os privilégios outorgados à categoria;
    g) a função do Judiciário é distribuir justiça, visto que árbitros privados não poderiam fazer isso de forma justa e eficaz;
    h) novamente, para cumprir a função descrita no item acima, são necessários todos os privilégios outorgados à categoria.
    A lista seria infinita e estou a viajar em férias, motivo por que não desejo alongar-me.
    De qualquer forma, tudo que ler aqui desmentirá tudo que ouvirá lá.
    Boa sorte!
  • anônimo  18/01/2014 18:55
    "It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness...it was the season of Light, it was the season of Darkness, it was the spring of hope, it was the winter of despair, we had everything before us, we had nothing before us..." — Charles Dickens, A Tale of Two Cities
  • Emerson Luis, um Psicologo  18/01/2014 20:25

    Sim, está havendo alguma mudança de mentalidade. E as pessoas que já pensam assim estão se manifestando e se comunicando mais e melhor. Espero que cresça o suficiente antes da próxima eleição para que um partido menos ruim ocupe o governo.

    Para o crescimento prosseguir, temos que tolerar divergências secundárias e nos unir, divulgar mais, cada um dentro do seu possível fazer a sua parte.

    A compra de livros também auxilia o IMB, não é? Penso em contribuir comprando livros do IMB para doar às bibliotecas da minha região. Quais livros seriam os mais indicados para serem os primeiros, os mais representativos do pensamento liberal/EA?

    * * *
  • Henrique  19/01/2014 20:09
    Dentre os livros que li, e disponíveis na loja virtual, costumo indicar esses títulos para leigos:
    Economia Numa Única Lição - Henry Hazlitt
    A Economia do Intervencionismo - Fábio Barbieri
    Seis Lições - Ludwig Von Mises
    A Anatomia do Estado - Murray N. Rothbard

    Mais opções:
    Defendendo o Indefensável - Walter Block
    Contra a Propriedade Intelectual - Stephan Kinsella
    O Caminho da Servidão - Friedrich A. Hayek


  • Luciano  19/01/2014 21:07
    Acrescentaria a lista, também, o livro "O que o governo fez com nosso dinheiro", do Rothbard. Na minha humilde opinião de iniciante, é um livro fantástico.

    Além deste, não podemos esquecer das 10 lições do Prof. Iorio.
  • Carlos Marcelo  18/01/2014 20:31
    Sobre gente abnegada e altruísta eu gostaria de saber se a posição austro-libertária é a mesma da objetivista.
  • Guilherme  18/01/2014 21:03
    Não existe posição "austríaca". A Escola Austríaca fala exclusivamente sobre economia, e o faz por meio de uma abordagem sem juízo de valor. Logo, não cabe a ela emitir nenhuma opinião sobre altruísmo ou objetivismo. Isso é função da filosofia, e não da EA.
  • anônimo  19/01/2014 17:35
    Posição austro-[/b]libertária.[b] Fica bem claro que pra um iniciante ele não tem muito como saber os limites da escola austríaca e da filosofia libertária.
    Respondendo a sua pergunta, os libertários discordam da Ayn Rand em muita coisa. Não tem problema nenhum com a caridade contanto que ela seja voluntária.
  • Emerson Luis, um Psicologo  18/01/2014 21:18

    Quero sugerir que o Leandro ou outro de vocês escreva um livro com o título "Guia Politicamente Incorreto da Economia", expondo vários pontos da EA de forma simples.

    Podem entrar em contato com a editora Leya e oferecer esse livro como uma continuação da série que eles publicaram de grande vendagem (Guia... da História do Brasil, da AL e do Mundo).

    Seria uma boa forma de divulgar a EA e o liberalismo!

    * * *

  • Marcelo Werlang de Assis  19/01/2014 16:17
    Caro Emerson Luis,

    Eu já pensei nisso antes, já tive essa ideia. Estou realizando, em intervalos do meu trabalho atual (estou traduzindo para o IMB um livro), pois tenho de renovar a minha atenção descansando, uma seleção de artigos por temas (estou revisando gramaticalmente os textos). Não tenho nada contratado em relação à editora Leya ou à editora do IMB sobre isso. É algo que estou fazendo aos poucos. Só espero que ninguém se atrevesse e publique uma obra assim antes de mim.

    Trata-se da primeira vez em que falo sobre esse livro que estou idealizando.

    Abração!
  • anonimo  18/01/2014 22:01
    Juro que nem sabia que esse humorista havia escrito aquilo e ainda por cima juntou um monte de coisa, esse partido novo que acho que nem é grande coisa, Mises, Eike, como se fosse tudo igual.

    E depois li a justificativa dele no facebook, disse que quer "um estado presente em educação, saúde, cultura e mercado". Disse que não é marxista, mas que o estado deve "fomentar, proteger, intervir." Depois diz que deve haver mais projetos culturais incentivado pelo governo, mais teatros...

    Talvez ele queira tb que o governo financie humoristas....

    Acho que aumenta a presença das ideias do site, mas não estou otimista.

    Obrigado.

  • Marcus  18/01/2014 22:13
    O Porta dos Fundos é financiado pela Lei Rouanet, daí o pavor deste cidadão em termos um estado um pouquinho menor.
  • IRCR  18/01/2014 23:35
    Para mim, falta um forum de discussões aqui no site.
  • anonimo  19/01/2014 04:01
    Justamente, creio que um fórum de discussões enriqueceria muito o debate por conta de sua estrutura mais organizada e pratica comparado a comentários do wordpress. Alem de ser de bem simples instalação, tenho certeza absoluta que ha inúmeros voluntários dispostos a ajudar no que for preciso
  • Cassim  19/01/2014 13:29
    Gostaria de um fórum, entretanto, temo seriamente sobre o que ele se tornaria.

    É preciso lembrar que tratamos de uma comunidade onde a maioria do conteúdo será feito por usuários como nós, o que significa que não haverá o "selo de garantia austríaco" em cada artigo que nos sirva como atestado de que todo o conteúdo será útil em algum aspecto aos nossos estudos ou terá alguma coerência para com os propósitos do instituto, afinal, será em teoria um local para debates tal qual a zona dos comentários.

    Se tomarmos como base de comparação a atual comunidade de comentaristas, eu sinceramente acho que um fórum do IMB poderia ser acidentalmente transformado em uma comunidade menos focada em metodologia, coerência para com os autores austríacos e com as filosofias baseadas no direito natural e muito mais interessada em discutir por 8 páginas sobre a conspiração gramsciana por trás da espada do protagonista do seriado popular medieval e devaneios de guerra cultural que francamente, costumam ultrapassar os limites do próprio bom-senso; não nego que é importante discutir a respeito, entretanto, não gostaria de fazer parte de uma comunidade que esqueceu de debater política econômica para ser mais do mesmo entre as poucas páginas não-esquerdistas existentes na internet.
  • anônimo  19/01/2014 16:19
    Penso da mesma maneira. Talvez o ideal seria algum empreendedor assumir a tarefa e lançar um fórum próprio, independente do IMB, mas ligado intelectualmente ao mesmo, quem sabe republicando artigos, e fornecendo um espaço para os debates.
  • anônimo  19/01/2014 17:37
    Sua posição não faz muito sentido, as pessoas vão discutir o que elas tem na cabeça com ou sem fórum.
    Pra qualquer coisa o fórum ia deixar tudo mais organizado.
  • admin do fórum  20/01/2014 11:57
    Criei um fórum pra debate sobre austro libertarianismo

    pra quem interessar aqui está o fórum

  • Rafael de Souza  19/01/2014 17:55
    É muito positivo perceber estas mudanças nas percepções das pessoas, pouco a pouco as idéias da Escola Austríaca de Economia divulgadas pelos membros do IMB estão fazendo parte de discussões fora deste ambiente. Parabéns a todos pelo esforço e bom trabalho!!
  • Charles Hertz  19/01/2014 18:05
    Parabéns IMB por estar sempre divulgando o pensamento libertário.

    existem pessoas que já são ''libertárias de alma'' e que basta o primeiro contato com as ideias da liberdade para surgir em sua cabeça um fascínio crescente por estes ideais! comigo e com muitas pessoas que conheço foi assim.

    Ainda tenho esperanças que ao menos neste século as ideias libertárias possam ser colocadas quase que completamente em prática. mas esse tempo pode ser muito mais curto se todos se puserem desde já a estudar os pensadores libertários e a refutar ideias erradas (que prejudicam nossa liberdade). Quem fizer isso estará fazendo uma aceleração do bem estar de todos os indivíduos (menos é claro, os inimigos da liberdade, os quais são maus e apenas querem privilégios...)
  • Mat  19/01/2014 18:10
    Pelo amor de deus, Pq vcs nao criam um fórum logo? Já está mais que na hora de fazer isso e com certeza a ideia não é nova e sabem mt bem disso

    Um forum iria acrsecentar muita coisa nas discussoes sobre a EA e faria o debate mt produtivo.

    Para aqueles que temem que isso pode dar errado, meus pesames. Eu acesso varios foruns durante o dia e funcionam muito bem.

    E eh tao simples de fazer... nem dinheiro gasta, so escolher um dominio certo.
  • bruno d  19/01/2014 20:54

    A critica ao estado mínimo de Duvivier foi no mínimo uma reação de auto-defesa.
  • Aron  19/01/2014 23:17
    Off/ Me responda uma duvida por favor, em uma sociedade totalmente liberal qual seria o papel do economista?
  • Marcelo Werlang de Assis  20/01/2014 00:32
    Prezado Aron,

    Em uma "sociedade totalmente liberal" a função do economista seria a de ensinar. O seu papel seria mostrar às pessoas como funcionam os processos de mercado, como funciona a sociedade. O seu propósito seria realmente o de impedir que as pessoas considerem como normais absurdos como o marxismo e o keynesianismo.

    Amplexos!
  • JBALL  20/01/2014 07:24
    Não sei se ficaria fora do escopo da função de economista, mas analistas financeiro (ou de investimentos) também são formados no curso de economia, apesar de não serem tratados diretamente como um economista propriamente dito.
    No final do livro Ação Humano tem bem explicadinho a função do economista pelo Mises. Vale a pena a leitura.
  • Moderador  20/01/2014 12:37
    Dúvida respondida no artigo de hoje:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1784

  • Aron  20/01/2014 13:31
    Muito obrigado, respondeu a minha dúvida.
  • Ali Baba  20/01/2014 09:33
    @Aron 19/01/2014 23:17:48

    "Off/ Me responda uma duvida por favor, em uma sociedade totalmente liberal qual seria o papel do economista?"

    Tenho sérias dúvidas sobre a profissão "economista". Acho que os "economistas" em uma sociedade libertária seriam tão somente os empreendedores: pessoas que estudam a forma de organização do mercado e aplicam em seus próprios negócios.

    Agora, como o Marcelo escreveu, é bem provável que tenhamos "professores de economia" e até "consultores de economia", mas não "economistas", na acepção atual do termo.
  • Dárcio  20/01/2014 09:50
    Não é contraditório quem se diz "anarco-capitalista" defender a criação de um partido político para fazer parte da estrutura de poder do estado que dizem combater?
  • anônimo  23/01/2014 22:32
    Você está falando do Libertários, certo? Eu concordo com você, mas os minarquistas, que não são anarquistas, mas também são libertários, querem um partido, e isto é coerente com sua forma de atuação. Em tempo, a Escola Austríaca de Economia, e este Instituto, não possuem nem participam de partidos, isto é iniciativa dos já citados libertários.

    Só para esclarecer, nem todo libertário é austríaco, e nem todo austríaco é libertário - minarquista ou anarco-capitalista.
  • anônimo  23/01/2014 23:20
    Libertário minarquista é uma contradição. Libertarianismo e anarcocapitalismo são sinonimos.
  • Pobre Paulista  20/01/2014 11:04
    Otimismo é aquele sentimento que antecipa a frustração.

    Não sejamos emocionais. Sabemos que a coisa vai piorar - e muito - nos próximos 15-30 anos.
  • Ali Baba  20/01/2014 12:03
    @Pobre Paulista 20/01/2014 11:04:50

    "Otimismo é aquele sentimento que antecipa a frustração.

    Não sejamos emocionais. Sabemos que a coisa vai piorar - e muito - nos próximos 15-30 anos."


    É... difícil ser otimista sabendo as coisas que estão por vir e que estão acontecendo. Difícil ser otimista vendo que a única manifestação popular espontânea no Brasil nos últimos 500 anos acabou em nada e pediu mais do mesmo.

    Mesmo assim, também compartilho da opinião do autor de que o austro-libertarismo está crescendo... Só não sei se será suficiente para fazer alguma coisa... Uma coisa que talvez aconteça com base nesse crescimento é que as pessoas que tomarem consciência de como a situação está de verdade e pararem de engolir o que o JN vomita todas as noites vão tomar o rumo do aeroporto.

    Isso é uma coisa que também vejo acontecendo: Brain Drain. Se esse movimento se acentuar, em breve não restarão muitas pessoas capazes de mudar esse país e a esquerda terá facilitada ainda mais a cubanização do Brasil.

    Desculpem o tom pessimista em um artigo recheado de otimismo. Mas é que é segunda-feira e tenho ainda até Maio para trabalhar para o Leviatã....
  • anônimo  20/01/2014 12:53
    Nos próximos 15-30 anos o seastading já vai ter dado certo, e ir embora deste pseudo país vai ser mais fácil do que nunca
  • PESCADOR  20/01/2014 16:11
    Ainda acho mais rápido e muito mais seguro que 5000 libertários britânicos dominem as Ilhas Falklands e criem uma sociedade livre por ali. Eu irira pra lá.
  • Marcos  20/01/2014 12:03
    Muita gente reclama do IMB exatamente por ser meramente um centro divulgador de idéias ligadas a Escola Austríaca. Para mim, essa é a sua melhor força. Não se constrói um grande empreendimento sem fundamentos sólidos, e o fundamento está na alta cultura.O IMB faz o que o Brasil precisa exatamente no momento em que o Brasil mais precisa. Nossos "intelectuais" são gente como Marilena Chauí e Emir Sader. Não há a mínima chance de construir algo melhor sem primeiro formar uma base intelectual mais sólida. É o cérebro que controla o corpo, e não o contrário. Não se pode criar um movimento político novo em um país acéfalo.

    Hoje em dia estamos um pouco melhor. O podcast tem cada vez mais facilidade de encontrar entrevistados. Temos a revista acadêmica do IMB, que permite a autores liberais escrever sobre a Escola Austríaca (quem é do meio sabe da necessidade de sempre ter artigos em revistas conceituadas). Nas listas de livros mais vendidos tivemos nomes como Rodrigo Constantino, Olavo de Carvalho e Lobão. Pouco a pouco a grande imprensa cede espaço a jornalistas e autores de direita. Projetos claramente totalitários foram derrubados no Congresso por conta da pressão popular.

    É um grande avanço, mas certamente ainda há muito o que fazer. Não pensem que não haverá uma reação pesada. É necessário redobrar os esforços. Até aqui, os grupos dominantes mal percebiam a nossa presença. Agora a coisa vai ser diferente.



  • Vitor Sousa  20/01/2014 12:06
    Só passando aqui para dar meu testemunho:

    Tenho 29, Sou economista (me formei a uns 3 anos) e trabalho no mercado financeiro. Ao longo da faculdade, NUNCA ouvi falar de Mises. Hayek foi citado uma meia duzia de vezes. Friedman idem. Matérias completas de Marx e Keynes.

    Minha monografia e graduação e da pós foram na área de finanças.

    Assim que descobri o site do IMB , passei a me identificar mais e mais com "economia puro-sangue", algo que vai além do mero uso das finanças e etc.

    "A escola austriaca e a refutação cabal do socialismo" foi o primeiro artigo que eu li. Foi uma escovada argumentativa tão grande e poderosa em relação ao socialismo que eu não parei mais de ler o site.

    Hoje em dia, se penso em fazer mestrado na área com foco nos austriacos é por causa do site.

    Parabéns. A revolução cultural que vocês está dando certo. Uma coisa que eu sempre penso é "os argumentos estão do nosso lado". Só precisamos mostra-los.
  • Marconi Soldate  20/01/2014 16:59
    É só tomar cuidado com os anarquistas que têm por aqui - tá cheio! - que tá tudo certo. Muito material bom, especialmente os textos do Leandro sobre economia brasileira.

  • Pobre Paulista  21/01/2014 00:44
    Que tipo de cuidado se deve tomar com os anarquistas?
  • Eduardo Bellani  21/01/2014 01:22
    Eu pessoalmente gosto de massagens no pé e vitamina de mamão.
    Que os outros anarquistas digam os cuidados que mais gostam.
  • Ali Baba  21/01/2014 10:07
    @Marconi Soldate 20/01/2014 16:59:43

    "É só tomar cuidado com os anarquistas que têm por aqui - tá cheio! - que tá tudo certo. Muito material bom, especialmente os textos do Leandro sobre economia brasileira."

    Acho que não vai encontrar anarquistas aqui. O anarquismo é uma doutrina que prega a ausência de estado (e aqui pode estar a confusão), mas também a ausência de propriedade privada e a ausência de estruturas hierárquicas.

    Vais encontrar muitos anarcocapitalistas, que também vêem o estado como desnecessário, mas prezam muito a propriedade privada e não se opõem a estruturas hierárquicas.

    Ou seja, anarquista e anarcocapitalista são coisas tão diferentes quanto guarda-chuva e guarda-roupa... só o prefixo é igual.
  • Pobre Paulista  21/01/2014 12:43
    a, an - prefixo que indica negação

    arkhé - sufixo grego que se traduz grosseiramente por "soberano, principal, primeiro"

    Anarquia significa tão somente ausência de um soberano. Ausência de um supremo, um principal, um líder. Na prática, ausência de governo.

    Não se leve por ondas históricas que se apropriam indevidamente do termo. Um anarquista é tão somente alguém que discorda da necessidade de um governo soberano.
  • CARLOS GARCIA  22/01/2014 10:42
    Rothbard era praticamente um anarcocapitalista. Ah, e anarquia não é sinônimo de negação da propriedade privada e hierarquias. Anarcocapitalismo só é contra hierarquias impostas. Se vc tem uma empresa e contrata alguem, então você é o chefe desta pessoa, dentro dos limites do contrato voluntário assinado pelos dois.
  • anônimo  22/01/2014 13:43
    'É só tomar cuidado com os anarquistas que têm por aqui - tá cheio! '
    O mundo todo já é uma anarquia; não existe um rei que manda sozinho em todos os países (já os países podem tratar seu povo como gado).Quem defende essa anarquia é sim um sujeito perigoso, bom tomar cuidado com ele
  • Ismar Gavilan  20/01/2014 17:19
    É, pois é, mesmo com todas essas melhoras, ainda aparecem artigos como o do cristão-comunista (perceberam a insanidade) Padre Leonardo Boff, que escreveu um artigo criticando totalmente o capitalismo e a procura pelo lucro em si. Transcrevo aqui:
    "

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    O Tempo da Grande Transformação e da Corrupção Geral
    18/01/2014

    Normalmente as sociedade se assentam sobre o seguinte tripé: na economia que garante a base material da vida humana para que seja boa e decente; na política pela qual se distribui o poder e se montam as instituições que fazem funcionar a convivência social; a ética que estabelece os valores e normas que regem os comportamentos humanos para que haja justiça e paz e que se resolvam os conflitos sem recurso à violência. Geralmente a ética vem acompanhada por uma aura espiritual que responde pelo sentido último da vida e do universo, exigências sempre presentes na agenda humana.
    Estas instâncias se entrelaçam numa sociedade funcional, mas sempre nesta ordem: a economia obedece a política e a política se submete àética.

    Mas a partir da revolução industrial no século XIX, precisamente, a partir de 1834, a economia começou na Inglaterra a se descolar da política e a soterrar a ética. Surgiu uma economia de mercado de forma que todo o sistema econômico fosse dirigido e controlado apenas pelo mercado livre de qualquer controle ou de um limite ético.

    A marca registrada deste mercado não é a cooperação mas a competição, que vai além da economia e impregna todas a relaçõe humanas. Mais ainda criou-se, no dizer de Karl Polanyi, "um novo credo totalmente materialista que acreditava que todos os problemas poderiam ser resolvidos por uma quantidade ilimitda de bens materiais"(A Grande Transformação, Campus 2000, p. 58). Esse credo é ainda hoje assumido com fervor religioso pela maioria doseconomistas do sistema imperante e, em geral, pelas políticas públicas.

    A partir de agora, a economia funcionará como o único eixo articulador de todas as instâncias sociais. Tudo passará pela economia, concretamente, pelo PIB. Quem estudou em detalhe esse processo foi o filósofo e historiador da economia já referido, Karl Polanyi (1866-1964), de ascendência húngara e judia e mais tarde convertido ao cristianismo de vertente calvinista. Nascido em Viena, atuou na Inglaterra e depois, sob a pressão macarthista, entre o Toronto no Canadá e a Universidade de Columbia nos USA. Ele demonstrou que "em vez de a economia estar embutida nas relações sociais, são as relações sociais que estão embutidas no sistema econômico"(p. 77). Então ocorreu o que ele chamou A Grande Transformação: de uma economia de mercado se passou a uma sociedade de mercado.

    Em consequência nasceu um novo sistema social, nunca anteshavido, onde a sociedade não existe, apenas os indivíduos competindo entre si, coisa que Reagan e Thatscher irão repetir à saciedade. Tudo mudou pois tudo, tudo mesmo, vira mercadoria. Qualquer bem será levado ao mercado para ser negociado em vista do lucro individual: produtos naturais, manufaturados, coisas sagradas ligadas diretamente à vida como água potável, sementes, solos, órgãos humanos. Polanyi não deixa de anotar que tudo isso é "contrário à substância humana e natural das socidades". Mas foi o que triunfou especialmente no após-guerra. O mercado é "um elemento útil, mas subordinado à uma comunidade democrática" diz Polanyi. O pensador está na base da "democracia econômica".

    Aqui cabe recordar as palavras proféticas de Karl Marx em 1847 Na miséria da filosofia: "Chegou, enfim, um tempo em que tudo o que os homens haviam considerado inalienável se tornou objeto de troca, de tráfico e podia vender-se. O tempo em que as próprias coisas que até então eram co-participadas mas jamais trocadas; dadas, mas jamais vendidas; adquiridas mas jamais compradas – virtude, amor, opinião, ciência, consciência etc –em que tudo passou para o comércio. O tempo da corrupção geral, da venalidade universal ou, para falar em termos de economia política, o tempo em que qualquer coisa, moral ou física, uma vez tornada valor venal é levada ao mercado para receber um preço, no seu mais justo valor"..

    Os efeitos socioambientais desastrosos dessa mercantilização de tudo, os estamos sentindo hoje pelo caos ecológico da Terra. Temos que repensar o lugar da economia no conjunto da vida humana, especialmente face aos limites da Terra. O individualismo mais feroz, a acumulação obsessiva e ilimitada enfraquece aqueles valores sem os quais nenhuma sociedade pode se considerar humana: a cooperação, o cuidado de uns para com os outros, o amor e a veneração pela Mãe Terra e a escuta da consciência que nos incita para bem de todos.

    Quando uma sociedade se entorpeceu como a nossa e por seu crasso materialismo se fez incapaz de sentir o outro como outro, somente enquanto eventual produtor e consumidor, ela está cavando seu próprio abismo. O que disse Chomski há dias na Grécia (22/12/2013) vale como um alerta:"aqueles que lideram a corrida para o precipício são as sociedades mais ricas e poderosas, com vantagens incomparáveis como os USA e o Canadá. Esta é a louca racionalidade da 'democracia capitalista' realmente existente."

    Agora cabe a retorção ao There is no Alternative (TINA): Não há alternativa: ou mudamos ou pereceremos porque os nossos bens materiais não nos salvarão. É o preço letal por termos entregue nosso destino à ditadura da economia transformada num "deus salvador" de todos os problemas."
    Pois é, nem sei o que dizer de tanta desonestidade intelectual num texto só. Abraços.
  • Deilton  20/01/2014 17:46
    Há uns dois aos que venho compartilhando artigos deste site no facebook e enviando para amigos e colegas da época de faculdade por e-mail. Outro dia fiquei surpreso quando uma amigo meu compartilhou um artigo e entrei em contato com ele, o mesmo me disse que passou a ler depois que eu publiquei o artigo sobre a taxa de desemprego.
    Aos poucos o mises vai ganhando espaço. Outro dia fui comentar um artigo no site da Carta Capital e vi que em um dos comentários uma pessoa já tinha citado o IMB.
    Eu tenho que assumir que eu mesmo já fui um defensor do estado e do socialismo. Você pode conviver muito tempo com mentiras e enganações, mas depois que conhece o mundo real jamais se deixa iludir. Quem conhece as idéias liberais, jamais volta a defender o estatismo e a escravidão que é o socialismo.
  • Eduardo  20/01/2014 19:38
    Terei o maior prazer de pagar a anuidade caso passem a aceitar bitcoins. Acho que estão "marcando bobeira" em não abordar mais o bitcoin nos textos nem disponibilizar enquanto opção de pagamentos.
  • Equipe IMB  20/01/2014 19:43
    Caro Eduardo, aceitamos sim doações em Bitcoin. E com muito bom grado!

    Tenha a bondade:

    www.mises.org.br/Donate.aspx
  • Eduardo  20/01/2014 23:00
    Mando essa semana! Valeu!!!
  • Equipe IMB  20/01/2014 23:37
    Nós é que agradecemos!
  • Eduardo  22/01/2014 02:08
    Mandei lá! Primeira doação de 2014 em bitcoin, feliz demais! Muito obrigado!
  • Equipe IMB  22/01/2014 02:33
    Muito obrigado, Eduardo. Um forte abraço!
  • Brenno  21/01/2014 15:23
    Sempre me considerei um anarquista e tive tendências libertárias. Mas por um tempo não me sentia capaz de imaginar como se organizaria uma sociedade na ausência de um estado, e comecei a perder minhas inclinações radicais ao libertarianismo, apesar de filosoficamente ainda o considerar a ética correta. Só tenho a agradecer ao IMB por divulgar os ideais do libertarianosmo e da Escola Austríaca que me ajudaram a reformular minhas convicções e organizá-las, finalmente, de forma consistentee lógica. Permitiram-me visualizar meu ideial como algo viável.

    Muito Obrigado, equipe IMB.
  • Mauricio.  23/01/2014 17:01
    Texto denso, mas um ponto de vista interessante:

    Entrepreneurs Are The New Labor: Part I
    www.forbes.com/sites/venkateshrao/2012/09/03/entrepreneurs-are-the-new-labor-part-i
  • Artur  27/01/2014 14:05
    Isso mesmo. A estratégia do IMB tem se mostrado acertada. Cada um nas suas competências.
  • Marcos Correa  31/01/2014 10:22
    Mais uma matéria tendenciosa...

    www.tribunahoje.com/noticia/72796/brasil/2013/08/18/novo-sera-o-nome-do-proximo-partido-de-extrema-direita.html
  • Hay  31/01/2014 11:24
    Uma boa forma de se saber se uma pessoa não sabe nada de política ou economia (99% da população, inclusive gente formada em economia, sociologia, etc) é verificar se a pessoa utiliza os termos "extrema-direita" e "neoliberal". Se usar os dois termos juntos, então, fuja de qualquer coisa que essa pessoa escreva sobre política ou economia.



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