A invalidez do positivismo lógico nas ciências sociais

Introdução

A geração do conhecimento nas ciências sociais baseia-se na busca da compreensão da realidade dos fenômenos sociais, que são compostos de ação humana e interações humanas, e que são influenciados pelos fenômenos da natureza. Entretanto, nesse processo de compreensão, simplesmente não sabemos de que forma esses fenômenos — físicos, químicos e fisiológicos — afetam o pensamento humano, as ideias e os juízos de valor.  

O fato de humildemente reconhecer essa ignorância nos remete à necessária divisão do reino do conhecimento em dois campos distintos: o campo dos acontecimentos externos ou da natureza, e o reino do pensamento e da ação humana. Assim, o dualismo metodológico torna-se não uma preferência, um capricho, mas sim algo necessário na construção do conhecimento.

Com efeito, a ignorância da necessidade do dualismo metodológico levou os cientistas sociais, sejam eles da sociologia, do direito, da economia, administração e áreas afins, a advogar em prol de uma infinidade de explicações insuficientes e até mesmo contraditórias sobre a realidade social. Tal problema tem uma explicação: a metodologia incorreta utilizada na construção do conhecimento em ciências sociais.

Este artigo apresenta argumentos que provam a invalidez do atual método dominante utilizado nas ciências sociais (positivismo lógico) e apresenta uma alternativa metodológica.

Invalidez ou insuficiência de teorias estabelecidas a posteriori

O senso comum afirma que as teorias científicas são derivadas de maneira rigorosa da obtenção dos dados da experiência adquiridos por observação e experimento. Opiniões ou preferências pessoais, bem como suposições especulativas, não têm lugar na ciência. A ciência é objetiva e o conhecimento científico é um conhecimento confiável porque é um conhecimento provado objetivamente.

As proposições de observação que formam a base da ciência são seguras e confiáveis porque sua verdade pode ser averiguada pelo uso direto dos sentidos. Essa é a linha filosófica do empirista.[1] Em seu método, a ciência começa com observação, a observação fornece uma base segura sobre a qual o conhecimento científico pode ser construído, e o conhecimento científico é obtido a partir de proposições de observação por indução[2].

Entretanto, CHALMERS (1993) apresenta uma insuficiência acerca do empirismo/indutivismo. Ele afirma que os argumentos indutivos não são argumentos logicamente válidos tais quais os argumentos da dedução lógica[3]. É possível a conclusão de um argumento indutivo ser falsa embora as premissas sejam verdadeiras e, ainda assim, não haver contradição envolvida. Isso ocorre porque o argumento proposto para justificar a indução é circular. Ele emprega o próprio tipo de argumento indutivo cuja validade está supostamente precisando de justificação. Não se pode usar a indução para justificar a indução.

Além dessa inconsistência lógica, há limitações empíricas por parte do sujeito observador (cientista). Como o estabelecimento de teorias a posteriori exige observações finitas, o que leva à inferência de um mesmo fenômeno um número infinito de vezes (lei universal), como então julgar o número de observações relevantes? Além disso, como ter a certeza de quais fenômenos observáveis e instrumentos são relevantes num experimento? Como saber se uma variável observada está realmente isolada, por exemplo?

Logo, obrigatoriamente nas proposições de observação há a necessidade de uma teoria prévia para realizar esses julgamentos, o que compromete a isenção subjetiva do cientista e impossibilidade do objetivismo puro. Há também a deficiência dos sentidos humanos que podem comprometer as medições ou exposição das percepções por parte do cientista.

Houve, entretanto, na filosofia da ciência, uma solução provisória para o problema do empirismo/ indutivismo. Isso se deu pela argumentação, em níveis de probabilidade, da inferência de leis gerais a partir das observações particulares. Solução até certo ponto ingênua em se tratando de filosofia da ciência, já que seria contraditória à própria natureza da ciência, que é a produção de conhecimento universal.

Mas tal ingenuidade foi considerada como sendo relevante, e correntes metodológicas foram desenvolvidas sobre essa base. Talvez o segmento empirista desenvolvido nesse sentido mais destacável seja o positivismo lógico:

O positivismo lógico foi uma forma extrema de empirismo, segundo o qual as teorias não apenas devem ser justificadas, na medida em que podem ser verificadas mediante um apelo aos fatos adquiridos através da observação, mas também são consideradas como tendo significado apenas até onde elas possam ser assim derivadas. (CHALMERS, 1993, p.17)

Segundo esse método, a ciência progride por tentativa e erro, por conjecturas e refutações. Apenas as teorias mais adaptadas sobrevivem. Embora nunca se possa dizer legitimamente de uma teoria que ela é verdadeira, pode-se confiantemente dizer que ela é a melhor disponível, que é melhor do que qualquer coisa que veio antes.

Só que inevitavelmente o positivismo lógico traz consigo as mesmas inconsistências lógicas do empirismo.  Em relação à natureza desse método específico, ele apresenta duas inconsistências lógicas graves: a primeira acerca da falsificação/verificação de proposições contrárias e da verificação das proposições. A segunda é relativa ao estabelecimento de hipóteses que dá natureza metafísica ao positivismo:

(...) o critério de verificação para saber se uma proposição tem ou não sentido implica, por si só, uma proposição que não é verificável e que, portanto, carece de sentido e não é científica segundo o próprio critério. O critério positivista de verificação é tão-somente uma afirmação universal a priori, sem nenhum contato com a realidade empírica. Mas não somente isso: o positivismo se autodestrói porque o fato de significar não é algo empiricamente discernível. (...) o ato de verificação pressupõe um ato prévio de inteligência sem conexão alguma com o mundo exterior. (HUERTA DE SOTO, 2004, p.62).

Invalidez do positivismo lógico nas Ciências sociais

Por que o positivismo lógico continua sendo utilizado nas ciências naturais não é algo cuja explicação caiba aqui.  O que cabe é somente analisar sua relação com as ciências sociais, pois atualmente é o método dominante nessas ciências. Além de suas inconsistências lógicas que o credenciam como insuficiente, utilizá-lo nas ciências sociais torna o estudo inválido cientificamente por 3 motivos expostos por HUERTA DE SOTO (2004), a saber:

1. Os fatos que são objetos de investigação nas ciências sociais não são observáveis no mundo exterior. Um exemplo simples é o dinheiro. O método positivista não possibilita um maior conhecimento sobre ele; permite apenas afirmar ser uma peça de metal ou pedaço de papel com determinadas gravuras e determinadas propriedades físicas e químicas. Não penetra na essencialidade do dinheiro como um instrumento de troca, um conceito mental abstrato criado e entendido pela mente humana. O mesmo se aplica a uma infinidade de conceitos ligados às ciências sociais: ação, interação e cooperação humanas; direito, lei, moral; escassez, produção; liderança, finanças; empresa, patrimônio, etc;

2. Os fenômenos sociais são sempre complexos, produzidos por uma infinidade de fatores que impossibilitam a observação isolada de algum fenômeno e mantendo inalterável qualquer outra condição social, tal qual um experimento físico ou químico;

3. Ausência de relações constantes impossibilita a medição para determinação de teorias (e não das limitações de procedimentos técnicos). Todas as medições estatísticas são nada mais que dados do passado, carentes de uma teoria prévia e independente da experiência para interpretá-los.

Portanto, em coerência com esses argumentos apresentados, conclui-se que a utilização do positivismo lógico nas ciências sociais é totalmente inválida, sendo necessário um método, então, válido. Tal método deve ser, por natureza, essencialista (doutrina filosófica segundo a qual o trabalho dos pesquisadores não se limita aos fenômenos tal qual impressionam os sentidos somente) e teleológico (referente ao propósito e deliberações humanas).

Tem-se, portanto, que o método válido nas ciências sociais consiste na construção de conceitos e modelos mentais e na utilização desses modelos para interpretação dos fatos observáveis do mundo exterior. Em suma, é a construção de uma teoria lógica formal que seja capaz de interpretar os fatos do mundo exterior e não uma observação direta dos fatos em si mesmos.

O método válido para o estudo das ciências sociais

Conforme MISES (1990), as ciências sociais estão constituídas em dois ramos: a praxeologia e a história. A praxeologia é uma ciência formal que consiste na aplicação da categoria conceitual "ação humana" e sua construção teórica requer um caráter epistemológico apriorístico[4]. Os teoremas que o raciocínio praxeológico consegue adequadamente estabelecer não apenas são impecavelmente verdadeiros e incontestáveis como os teoremas matemáticos, como também, e mais ainda, se referem, com a plena rigidez de sua certeza apodítica e de sua incontestabilidade, à realidade da ação como ela se apresenta na vida e na história.

Suas afirmativas e proposições não derivam da experiência.  São, como a lógica e a matemática, apriorísticas.  Não estão sujeitas a verificação ou falsificação com base na experiência e nos fatos.  São tanto lógica como temporalmente anteriores a qualquer compreensão de fatos históricos.  São um requisito necessário para qualquer percepção intelectual de eventos históricos. (MISES, 1990, p.48)

Mas como ter a certeza da veracidade dos pressupostos praxeológicos e não cair em proposições metafísicas e/ou sem validez científica como no positivismo lógico? A certeza advém do caráter axiomático da ação humana — a proposição de que os humanos agem para sair de uma situação desconfortável para uma situação confortável ou de menor desconforto — que é uma real proposição sintética apriorística[5].  A proposição de que os humanos agem não pode ser refutada, uma vez que tal negação seria ela própria uma ação; a verdade dessa afirmação não pode ser revogada.

Tendo o axioma como ponto de partida, o desenvolvimento teórico da praxeologia consiste no raciocínio lógico-dedutivo que leva a teoremas específicos. Tais teoremas são construídos introduzindo-se em lugar adequado na cadeia lógico-dedutiva fatos relevantes da experiência histórica, os quais já têm uma teoria previa à sua espera para serem interpretados e, conseqüentemente, construir teoremas mais específicos.

O segundo ramo das ciências sociais é a história. É o conjunto de fatos da experiência passada que se refere à ação humana. Não apenas uma história geral, mas também da história de campos humanos mais concretos: a história da política de um país; a história de uma empresa; a história de uma família, por exemplo.  No desenvolvimento do estudo da história, os fatos sociais históricos observáveis (documentais, bibliográficos, relatos, etc.) são sempre fenômenos complexos da vida social, em que cada dado da experiência está aberto a distintas interpretações e somente pode ser interpretado através de uma teoria lógica previa derivada da praxeologia.

É necessário também utilizar como conexão entre a praxeologia e os fatos observáveis um elemento adicional, denominado por HUERTA DE SOTO (2004) de "compreensión timológica", que é o conhecimento das circunstâncias particulares do caso em que se encontra.

Fica claro, por essas premissas, que a praxeologia e a história constituem os dois grandes ramos das ciências sociais e que fundamentam a independência das que hoje são conhecidas, tal qual o direito, a economia e a administração. Mesmo derivando de uma ciência formal, a praxeologia, elas possuem a natureza factual devido, justamente, ao fator realístico incorporado na cadeia lógico-dedutiva da construção teórica. O que as diferencia é o conjunto de teoremas utilizados em função da necessidade, orientados, evidentemente, pelo seu objeto de estudo. Não obstante, seus métodos obedecem analogamente aos mesmos métodos utilizados na praxeologia e na história.

Conclusão

Não é de importância relevante aqui saber como que o positivismo lógico dominou as ciências sociais a ponto de ser considerado válido e ser cegamente aceito através de gerações. Talvez a explicação de sua utilização esteja na vaidade do cientista em utilizar um método que possibilite a confirmação de uma idéia sua através de experimento; e a história dos cinco macacos explique a perpetuidade do positivismo sem contestações.

O importante é fortalecer um movimento de refutação do positivismo nas ciências sociais e estabelecer o método válido. Afinal, a melhoria de nossas vidas passa pelo conhecimento científico válido.


Referências bibliográficas

CHALMERS, A. O que é ciência afinal? Editora Brasiliense. São Paulo: 1993.

HUERTA DE SOTO, J. Estudios de economía política. 2.ed. Madrid: Unión Editorial, 2004.

MISES, L. Ação Humana: um tratado de economia. 3.ed. Rio de Janeiro: Instituto Liberal, 1990.

________. Teoría e Historia. Madrid: Unión Editorial, 2003.

POLLEIT, T. O apriorismo de Mises contra o relativismo na ciência econômica. Disponível em < http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=644>

 

[1] Científico que se utiliza do raciocínio indutivo para o estabelecimento de teorias e leis gerais a partir da experiência de observações particulares.

[2] A explicação indutivista requer a derivação de afirmações universais a partir de afirmações singulares, por indução.

[3] Raciocínio em que, se as premissas são verdadeiras, então a conclusão deve ser verdadeira.

[4] Condições intelectuais de pensamento necessárias e inevitáveis, anteriores a qualquer momento real de concepção e experiência.

[5] De acordo com Imanuel Kant, a verdade de proposições sintéticas apriorísticas pode ser definitivamente estabelecida por meio de axiomas autoevidentes.  Uma proposição é autoevidente quando não podemos negar sua verdade sem cairmos em uma autocontradição; uma tentativa de negar a verdade de uma proposição sintética apriorística seria igual a admitir sua verdade. (POLLEIT, apud, KANT).


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SOBRE O AUTOR

Domingos Crosseti Branda
é mestre em Economia da Escola Austríaca pela Universidade Rey Juan Carlos, Madri.


O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Esse comentário não faz o menor sentido. Vc usa a linguagem jurídica e estatal para condenar pessoas, mas sem nenhum processo. Ter um cargo publico não pode ser crime no regime atual. Se vc se revelasse seria claramente processado por calunia e difamação. Pois não crime sem lei que o prescreva. Que é isso? Os libertários querem se unir aos marxistas para ditar regras de moral ao mundo. A existência de um aparato que extorque e atrapalha o desenvolvimento da população, pode ser imoral mas não pode ser considerado crime no sistema atual. Tente convocar uma assembleia constituinte libertaria e acabe com o sistema atual e talvez no seupais seja crime. Como podemos responder por crimes, contra uma legislação ideológica que ignoramos, que não aprendemos nem em casa e nem na mídia. Embora os recursos da receita federal sejam usados de ma fé, isso não faz da sua existência um crime. Antes de tudo existe um regulamento, produzido pelo consentimento da sociedade que prevê a existência daquele órgão. Pelo seu ponto de vista todas as pessoas são criminosas porque o estado não tributa tudo, mas regulamenta tudo. Então para ser um libertário coerente eu teria que cancelar meu CPF, abrir mão de todo beneficio estatal que veio parar nas minhas mão, mesmo sem que eu ferisse ninguém, renunciar minha cidadania brasileira, o que mais. Resumindo ter pessoas que respeitem os direitos civis e as liberdades individuais dentro do estado, é bem melhor do que ficar se gabando e massageando o próprio ego dizendo pra todo mundo, olha só nós estamos certo, todos vocês são ladroes, sem fazer nada pela liberdade.
Se há custos trabalhistas artificialmente altos e estes puderem ser reduzidos, então eles serão reduzidos.

Se uma empresa opera com custos trabalhistas artificialmente altos -- por imposição do governo -- e estes custos podem ser reduzidos -- porque há outros trabalhadores dispostos a fazer mais por menos --, então eles serão reduzidos.

Se a empresa não fizer isso, então ela estará -- por definição -- operando de forma ineficiente. Ele não durará muito. Com efeito, essa empresa só irá durar se operar com uma reserva de mercado garantida pelo governo. Aí sim. Excetuando-se isso, ela estará queimando capital e comprometendo sua capacidade de investimento e expansão no futuro. Será rapidamente abarcada pela concorrência.

No mais, é interessante notar que as pessoas querem livre concorrência para tudo e todos, menos para elas próprias. Todos nós queremos competição entre empresas para que haja produtos melhores e preços menores, mas não queremos competição para o nosso emprego. Quando a concorrência chega até nós, queremos que políticos criem leis que garantam nossa estabilidade. Agora, querem até proibir empresas de contratar outras pessoas que não nós mesmos. Há totalitarismo maior do que esse?

Vale ressaltar o óbvio: essa lei da terceirização nada mais é do que uma permissão para que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente -- por favor, me digam -- seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Ei, Marcelo Siva, quer falar de escravidão? Vamos lá (aliás, é hora de você começar a responder perguntas, como todos fizeram com as suas):

Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

No aguardo das suas respostas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Emerson Luis, um Psicologo  14/11/2013 16:45
    Até mesmo indivíduos com formação científica (biólogos, astrônomos, etc.) confundem a "ciência moderna" com o "positivismo lógico": quando alguém ousa criticar o segundo, eles prontamente contra-atacam defendendo o método científico e rotulam o sujeito de "místico", "anticientífico" e assim por diante.

    Durante muito tempo, a Filosofia teve um debate entre empiristas e racionalistas. Esse debate ainda prossegue, mas Kant sintetizou essas duas linhas e pensadores como Newton colocaram essa síntese na prática, dando origem ao método científico, tornando-se os últimos filósofos naturalistas e os primeiros cientistas modernos.

    Os dois elementos filosóficos continuam na ciência moderna, mas em conjunto. A Filosofia está em tudo e toda ação humana é orientada por alguma filosofia. A questão é quais filosofias guiam a pessoa, não se alguma a dirige.

    Se retirarmos o elemento racional (apriorístico) da ciência, ela volta a ser uma filosofia limitada que enxerga apenas parte da realidade. Pior que isso, ela se torna uma "religião secular", o cientificismo. É por isso que certas pessoas criticam tanto a religião convencional em si mesma, ainda que faça o bem: ela é uma concorrente.

    PS: Alguém já comentou que neste tipo de artigo não costumam aparecer esquerdistas discordando...

    * * *
  • Leandro Levlavi  14/11/2013 21:27
    "Os dois elementos filosóficos continuam na ciência moderna, mas em conjunto. A Filosofia está em tudo e toda ação humana é orientada por alguma filosofia. A questão é quais filosofias guiam a pessoa, não se alguma a dirige."

    Concordo, a filosofia está em tudo!
    Os "graduados" que são formados pelas universidades hoje em dia, acreditam que a ciência deve ter surgido do "nada" através de algum outro tipo de Big Bang. O desrespeito com a filosofia é absurdo. Isso ocorre, porque os cursos de filosofia de hoje em dia só formam "Historiadores da filosofia" e não filósofos. Estes passam a imagem deturpada com que a sociedade enxerga a filosofia hoje.

    "Das nichts selbst nichtet".
  • Julio Heitor  14/11/2013 16:58
    Leandro,

    sei que o assuntyo é um pouco off-topic mas acho que valeria a pena traduzir este artigo e postar no IMB. Pode ser a contribuição necessária para salvar alguns desavisados do fim catastrofico que teremos em pouco tempo:

    www.lewrockwell.com/2013/11/clive-maund/too-many-dummies-are-getting-rich/
  • Fabio  14/11/2013 20:07
    Sem querer ser chato na filosofia o positivismo lógico ficou pra trás faz tempo.
  • Nyappy!  14/11/2013 21:56
    Mas na economia - uma ciência social - não.
  • Estudante da USP  15/11/2013 11:34
    Hoje em dia, falar em positivismo lógico é ressuscitar uma múmia, pois ele ficou para trás, saiu de cena.

    Com o socialismo, atualmente, é quase a mesma coisa. Uso o "quase", porque ainda existe regime socialista ou luta por sua implantação, em alguns países do mundo. Entre esses se incluem, de um lado, países como Cuba e Coréia do Norte, que, usando uma metáfora, ainda não enterraram aquilo que há muito passou do estado de decomposição, a saber, o cadáver do regime socialista; do outro, países como Venezuela e Bolívia, que, por sua vez, buscam cair na mesma condição funesta dos primeiros.

    Perdoem-me as imagens escatológicas às quais remeto nesse parágrafo. Todavia, não o faço de forma gratuita, visto que, alegoricamente, um cadáver cai como uma luva para representar a condição geral do socialismo, no presente.

    Felizmente o Brasil não pertence a nenhum dos dois diminutos grupos citados. Pertence àquele das nações que caminham em direção a um futuro digno para sua população, embora possa levar muitas décadas para chegarmos lá e não obstante os erros, aqui e acolá, dos governos brasileiros, como, no caso da atual administração federal, estripulias fiscais e uma fase de amadorismo na política de juro. Não obstante os erros, porque eles não têm poder destrutivo suficiente para fazer o país descarrilhar. E não o têm porque este país já desfruta de uma condição institucional e grau de consolidação da democracia tal que é obrigado a iniciar correção de rumo, em situações que exijam-na, antes que sobrevenha a queda no abismo. Por exemplo, a política aventureira de juro iniciada em 2011 levou a uma crescente inflação. A popularidade da presidente começou a ser ameaçada por isso, a oposição fez criticas, e o BC resolveu mudar sua política da Selic.

    Resumindo, o socialismo é uma exceção no mundo de hoje, ao contrário do que ocorria na época da guerra fria. E o Brasil não é um dos que compartilham dessa exceção. Este não corre o menor risco de cair sob as garras daquele regime, de modo que ficar se preocupando com socialismo é algo sem sentido aqui.
  • Cesar Massimo  23/11/2013 11:25
    O Brasil em que vivo é certamente diferente do seu.
    Sendo um gozador ou não, sendo 'O Filósofo' ou não, alguém tem que responder.
    Você vive aonde? Sai de casa? Paga imposto? Eu é um ser extraterrestre?
  • thiago  24/07/2014 19:48
    Abra qlqr livro manual de macroeconomia pra ver se o positivismo está morto :)


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