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Armas, drogas, distintivos e cartéis

"Será que existe alguém que realmente acredita que indivíduos que estão preparados para desobedecer às leis contra o homicídio irão obedecer às leis de desarmamento?" — Thomas Sowell

Sempre observo com grande interesse todos os debates sobre desarmamento e controle de armas, e venho fazendo isso há praticamente 50 anos.  Já ouvi os oponentes do desarmamento invocarem este argumento de Sowell.  Não me lembro de ter ouvido nenhuma resposta a ele.  Nenhum desarmamentista jamais forneceu uma resposta.  Eles simplesmente ignoram o desafio.  Eles fingem que ninguém fez uma pergunta.

Curiosamente, eleitores contrários ao desarmamento seguem votando em políticos desarmamentistas, políticos que não respondem ao desafio de Sowell.  Os eleitores nem sequer questionam essa postura fugidia dos políticos.  É verdade que, no geral, os eleitores defendem algum tipo de controle de armas.  A maioria não defende o desarmamento completo, mas eles defendem severas restrições à venda de armas e aos modelos que podem ser comercializados.  E, com isso, políticos desarmamentistas seguem sendo reeleitos, e sem jamais serem questionados acerca de sua postura racionalmente contraditória.

A lei do desarmamento é tão eficaz quanto as leis anti-drogas: ninguém realmente espera que leis anti-drogas irão eliminar o uso de drogas ilegais.  Porém, como os eleitores não querem admitir que a intervenção estatal no mercado de drogas é uma ilusão mais delirante do que a provocada pelo LSD, o ataque estatal a este mercado segue impávido, com a mesma eficiência de um gelo sendo enxugado.  E o mesmo raciocínio é válido para o desarmamento. 

Os eleitores não querem admitir que a intervenção estatal em ambos estes mercados só faz destruir ainda mais a liberdade dos indivíduos, a qual é diariamente sacrificada em nome do aumento do poder e do controle do estado.  A crença é a de que o estado é paradoxalmente capaz de deter o poder de controlar atividades que, em privado, as pessoas aceitam, mas que, em público, são obrigadas a condenar.

Sendo assim, reformulo a pergunta de Sowell:

Será que existe alguém que realmente acredita que indivíduos que estão preparados para desobedecer às leis contra o consumo de maconha irão obedecer às leis que os proíbem de utilizar um papel para enrolarem por conta própria um baseado?

Defensores das leis anti-drogas — pessoas que normalmente são contra o desarmamento — respondem a esta pergunta da mesma maneira que os defensores do desarmamento respondem à pergunta de Sowell: com silêncio.

Resultados: mais leis, mais intrusão estatal, mais gastos governamentais, orçamentos mais polpudos para os burocratas, menos liberdade, e mais discussões vápidas.

No final, tudo se reduz a isso: traficantes de drogas não irão obedecer às leis que supostamente restringem o uso de armas.

Se você quiser que traficantes de drogas parem de comprar armas, então é melhor você acabar com os traficantes, defendendo a descriminação das drogas.  Porém, os progressistas querem criminalizar as armas e os conservadores querem criminalizar as drogas.

E, se você pensa que este argumento não faz sentido, então não espere que os progressistas respondam ao argumento de que "indivíduos que estão preparados para desobedecer às leis contra o homicídio não irão obedecer às leis de desarmamento".

Você por acaso já parou para pensar na cronologia das leis anti-drogas?  Ela se assemelha à criação de licenças para médicos, uma regulamentação que criou um cartel extremamente rentável.  O cartel dos médicos é justificado com este argumento: "Não queremos que o público em geral saia comprando remédios (que são drogas).  Portanto, é necessário que o estado imponha leis e regulamentações para que apenas médicos diplomados possam prescrever receitas".

Tudo se resume a cartéis.  Se você quer criar um cartel extremamente rentável, é fácil.  Eleja um político influente, faça lobby, consiga que o estado torne ilegal um bem ou serviço que a maioria das pessoas quer, e então estipule que apenas um determinado grupo de especialistas tenha a licença para vender este bem ou serviço.  Pronto.

O problema é que tal medida levará à criação de um cartel paralelo, não-autorizado e ilegal, o qual também venderá o bem ou serviço em questão.  E isso gerará um inevitável conflito: o primeiro cartel, ávido para defender sua reserva de mercado, irá enviar funcionários públicos com distintivos e armas para atacar este segundo cartel, o qual, por conseguinte, irá comprar armas para defender seu terreno e se proteger dos ataques do primeiro cartel.

Cartéis querem uma renda artificialmente elevada em decorrência de restrições colocadas sobre o livre mercado.  Cartéis querem uma renda artificialmente elevada em decorrência de uma reserva de mercado protegida pelo estado.  O verdadeiro debate gira em torno de quem irá portar armas legalmente e quem irá portá-las ilegalmente.


2 votos

autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • thiago santos carvalho  07/09/2013 14:17

    "Tudo se resume a cartéis. Se você quer criar um cartel extremamente rentável, é fácil. Eleja um político influente, faça lobby, consiga que o estado torne ilegal um bem ou serviço que a maioria das pessoas quer, e então estipule que apenas um determinado grupo de especialistas tenha a licença para vender este bem ou serviço. Pronto. "

    "Cartéis querem uma renda artificialmente elevada em decorrência de restrições colocadas sobre o livre mercado. Cartéis querem uma renda artificialmente elevada em decorrência de uma reserva de mercado protegida pelo estado. O verdadeiro debate gira em torno de quem irá portar armas legalmente e quem irá portá-las ilegalmente."

    Resumo de um artigo excelente... Fico impressionado com a gama de argumentos lógicos e a construção através de fatos do dia-dia que este site possui, melhor que revistas e jornais, aliás, este site como outros, deveriam virá revistas e jornais.
  • Pedro.  07/09/2013 14:55
    Um brilhanrte artigo!!!!!

    O mais interessante é que se o Estado (politicos e autoridades hierarquizadas) proibe o comércio e o consumo de um produto, levando à formação de grupos, então criminosos, para comercializarem estes produtos, o Estado com suas autoridades pode privilegiar um grupo ou dois, USANDO a policia PAGA com os IMPOSTOS extorquidos da população para DAR PROTEÇÃO AOS GRUPOS aliados.

    DESTA FORMA, O ESTADO COMBATE A CONCORRÊNCIA ENTRE GRUPOS CRIMINOSOS, PODENDO PRIVILEGIAR SEUS GRUPOS ALIADOS POLÍTICOS.

    Ora, no Rio de Janeiro o Estado não conseguia tirar dos morros os traficantes (assim alegava). Porém, milicias muitissimo inferiores ao Poder da policia conseguiram tirar das comunidades/morros os traficantes, ocupando seu lugar SEM TRAFICAREM DROGAS, mas assumindo para si o monopólio de alguns produtos inclusive o "gatonet" via Pirataria.

    Ora, o Estado que não conseguia combater os traficantes foi perfeitamente capaz de combater as milicias que venceram os traficantes. Passado algum tempo os traficantes retornam aos locais de onde as milicias (que não traficavam drogas) os tinha expulsado. ...É curioso isso!!!!

    "TUDO QUE É PROIBIDO PODE SER SELETIVAMENTE PERMITIDO"

    Com a proibição do consumo de bebida alcoolica e direção de veiculos, a tendencia é, sobretudo os jovens, passarem a consumir mais drogas. Afinal, na TV e jornais muito se fala de acidentes causados por motoristas que beberam antes de dirigir, PORÉM CURIOSAMENTE NUNCA SE FALOU DE ACIDENTES CAUSADOS POR DROGADOS. TÃO POUCO HÁ APURAÇÃO DO CONSUMO DE DROGAS POR MOTORISTAS.

    Parece bem possível que muitos impedidos de consumir uns poucos chopps e dirigir perfeitamente, acabarão induzidos ao consumo de drogas em busca de algum efeito.

    A proibição não de dirigir bebado, de forma que não consiga guiar normalmente, POIS ESTA LEI SEMPRE EXISTIU, mas sim proibem qualquer consumo de bebida alcoolica, mesmo que se esteja dirigindo em perfeitas consições.

    Ora, se preocupam-se tanto com a possibilidade de acidentes ao ponto de ameaçar com prisão o consumidor de uma latinha de cerveja, INOCENTE, que nenhum mal causou a ninguém, QUAL A RAZÃO DAS LEIS CONCEDEREM REGALIAS A CRIMINOSOS PROFISSIONAIS, ASSASSINOS, SEQUESTRADORES E BANDIDOS EM GERAL, DANDO-LHES REDUÇÃO ABSURDA DE PENA PARA COLOCA-LOS NA RUA EM POUQUISSIMO TEMPO???

    QUAL A RAZÃO DAS LEIS PERMITIREM A FACÍNORAS PROFISSIONAIS SAIREM PARA VISITAR FAMILIARES EM DATAS COMEMORATIVAS???

    Com isso o que sempre ocorre é que bandidos já presos e condenados voltam rapidamente para as ruas e voltam a MATAR INOCENTES, deliberadamente. E as autoridades legisladoras estão preocupadas em PRENDER bebedores de alguns chopps como se estes sim, fossem facínoras desalmados.

    Pelo principio da precaução que tanto alegam, um bandido profissional preso não poderia jamais ser solto. Afinal se estaria dando uma pena a um culpado criminoso, mas preferem impor penas a inocentes que não cometeram crime algum. Sobretudo ha o fato de que a maioria dos acidentes é causada por pessoas que não beberam bebida alcoolica. Deveria-se então proibir de vez a condução de veículos???
  • Anti-vírus  07/09/2013 22:51
    Bandido que comercializa drogas tem mais é que levar bala na cabeça.
  • Nilo BP  09/09/2013 13:08
    Gente que acha que bala na cabeça dos outros é a solução de todos os problemas do mundo tem mais é que levar bala na cabeça. Fácil, né?
  • ANDRE LUIS  11/09/2013 01:18
    Eu já acho que todos os que acham alguma coisa diferente do que eu acho devem levar é bala. Num mundo libertário atual, a posição do sujeito sob o ponto de vista do gatilho varia de acordo com a sua capacidade de arregimentar simpatizantes às suas idéias. Simples.
  • ricardo otávio costa santos  08/09/2013 02:33
    Concordo com a tese, mas discordo do argumento. Certamente haverá aqueles que comprarão armas ainda que isto seja ilegal e isso se aplica a qualquer tipo de crime.Daí a utilizar isso como justificativa para a se opor às leis que se propõe a criminalizar o comércio de armas vai uma distância danada. Leis anti-armas são propostas com o argumento de que isso reduzirá a criminalidade. Trata-se de uma falácia que pode ser demonstrada de inúmeras maneiras, a minha predileta é contrapor os dados históricos de violência de nações onde o porte de arma é legalizado ( ex.: Suíça e Israel )com aquelas onde existe forte restrição ao porte de armas ( ex. Brasil ).
  • Guilherme  08/09/2013 03:05
    Não entendi sua posição, Ricardo. Sua terceira frase não bate com a segunda. Você parece defender uma idéia e se opor a ela ao mesmo tempo.
  • Tiago RC  08/09/2013 13:40
    "a minha predileta é contrapor os dados históricos de violência de nações onde o porte de arma é legalizado ( ex.: Suíça e Israel )com aquelas onde existe forte restrição ao porte de armas ( ex. Brasil )."

    Não acredito ser uma boa maneira de abordar o assunto. Pessoas favoráveis à proibição te darão contra-exemplos como Singapura e Japão, ou diversos países europeus, onde a circulação legal de armas é extremamente limitada, assim como a violência não-estatal.

    Há um grande número de fatores que influenciam a violência. A incapacidade das vítimas de se defenderem é apenas um dentre muitos.

    Se quiser fazer comparações desse tipo, melhor ao menos tentar comparar o mesmo lugar, a mesma sociedade/cultura, antes e depois de um aumento/diminuição no número de armas nas mãos de civis. Foi o que fez o autor do livro More Guns, Less Crime.

    Mas, sinceramente, o argumento mais irrefutável é o ético. Alguém que simplesmente porta armas não está agredindo ninguém ao fazê-lo. Ninguém tem o direito de usar de força para impedi-lo de portá-las. Esse ato por si só seria uma iniciação de violência. Se o objetivo é diminuir a violência, não faz sentido tomar medidas que são uma iniciação de violência em si próprias.
  • Pedro.  09/09/2013 14:20
    Perfeito, perfeitíssimo!!!

    "Mas, sinceramente, o argumento mais irrefutável é o ético."

    e perfeitíssimo outra vez!!!

    "Alguém que simplesmente porta armas não está agredindo ninguém ao fazê-lo. (...)Se o objetivo é diminuir a violência, não faz sentido tomar medidas que são uma iniciação de violência em si próprias."

    É isso, exatamente isso.
    Ademais se estará concedendo privilégio a alguns indivíduos apenas, diga-se a autoridades e seus amigos, que facilmente se dão ou conseguem tal autorização. Ou seja, a estes privilegiados é dado, não o direito, mas sim o PODER de possuirem e portarem armas. Logo, anui-se q2ue só estes podem praticar crimes, caso "percam a cabeça", bem como os JÁ BANDIDOS que não teem nada a perder ao adquirirem e usarem suas armas, pois que já agressores naturais com prisão solicitada por outros crimes que praticam e q a posse ou porte em nada muda sua situação.

    Perante isso já se pode questionar que AS LEIS TRATAM OS INDIVÍDUOS DESIGUALMENTE. Violando a própria fantasia constitucional (engana trouxa) de que "todos são iguais perante as leis". Não são, inclusive pq certos funças do governo tem "fé pública" e pode acusar sem prova, já que a palavra dele vale mais do que a de um pagador de impostos.

    Se adicionarmos o fato de no feudo bananéio o desacato a qualquer funça em serviço é crime, já percebemos que a lei é discricionária ou qualquer desacato a um cidadão em seu trabalho seria tb crime. ...mas xingar funcionários ou donos de um comércio é permitido, chama-los de ladrões e fazer escandalos em seus estabelecimentos é permitido, ...aí PODE!!!. ...já no caso de funças vadios e mal educados ...aí NÃO PODE!!!

    Ou seja, as próprias leis estabelecem privilégios com efetiva discriminação entre indivíduos INOCENTES.

    É absurdo que alguns indivíduos fiquem SUJEITOS Á VONTADE de OUTROS. Submeter individuos INOCENTES à vontade alheia sob ameaça de CAUSAR-LHES UM MAL AINDA MAIOR, ...É ESCRAVIDÃO.

    Escravos não são apenas aqueles que são forçados a trabalhar, sob ameaça de agressão, para sustentar seus senhores. Escravidão é ESTAR SUJEITO A VONTADE ALHEIA sem que nenhum acordo prévio tenha sido feito neste sentido, com o estabelecimento das respectivas contrapartidas.

    Qualquer individuo inocente submetido ao arbítrio de um ou mais senhores, é um escravo!

    oq os governos fazem é IMPOR arbitráriamente a vontade de suas autoridades hierarquizadas aos cidadão FORÇADOS a custear-lhes os caprichos e as pompas.
  • Daniel  09/09/2013 14:25
    Em relação ao comentário do Tiago RC: "Mas, sinceramente, o argumento mais irrefutável é o ético. Alguém que simplesmente porta armas não está agredindo ninguém ao fazê-lo. Ninguém tem o direito de usar de força para impedi-lo de portá-las."

    Gostaria de entender melhor o contexto de "porte de armas" nesse caso. Os libertários vêm algum limite/restrição à arma que se possa portar? Ou o ideal libertario é o de total liberdade quanto a isso?

    Por exemplo, uma pessoa deve ter liberdade para entrar no metro transportando gás sarin sem ser impedida por ninguém?

    Entendo que, desde que a pessoa não libere o gás, não estará agredindo ninguém.
  • Pedro.  09/09/2013 14:45
    Uai Ali Baba???

    Então, ao que parece voce concorda que apenas algumas autoridades possam portar gás sarin no metrô. Afinal, alguém sempre poderá tudo. Um funcionário da alfandega não revista a bagagem de um presidente. Diplomatas e autoridades estatais possuem privilégios (qual a razão?).

    Alguém na hierarquia estatal pode dar autorização para um funça portar o gás no metrô ou onde desejar.

    ENtão o certo seria que NINGUÉM pudesse.

    Oq cria esse tipo de coisa é exatamente as populações terem sido adestradas a aceitarem que a hierarquia estatal PODE TUDO, hierarquizadamente.

    Ora, o "principio da prevenção" discricionária é absurdo.
    Alguém sempre poderá algo que a outros é proibido.
    Um comboio militar pode transportar armas arrasadoras, mas não podem usa-las contra inocentes. Então pela sua lógica seria um perigo permitir tal coisa. Afinal, vai que os transportadores, o comandante, tenha em mente usar as armas...
    Aí vc argumenta: se ele usar será combatido por outros militares. ...certíssimo!
    ...e o principio da precaução??? ...se alguém usar o gás no metrô tb será combatido.

    Ora, muitos podem ir ao metrô com substancias ou artefatos proibidos. A proibição implica em penalisação apenas se for pego antes ou depois da agressão supostamente premeditada.
    Sempre um funça do governo pode autorizar algo ou mesmo contar com a camaradagem de seus pares.

    J. Dirceu conseguiu documentos falsos e passou mais de 10 anos no brasil com uma identidade falsa e certamente "quente" mesmo na tal dita dura.

    Quantas identidades "falsas" os mensaleiros, políticos e funças da alta cúpula podem possuir para fazer negócios milionários, possuir grande patrimônio e contas em outros paises????

    ...sem correrem o risco de serem descobertos. O próprio Estado, através de seus funças ideológicos, lhes pode fornecer documentos "quentes" para que não sejam descobertos.
  • Bernardo F  09/09/2013 21:33
    Caro Daniel, numa sociedade libertária, o dono do metrô poderia legitimamente impedir que um cidadão portasse gás sarin. O metrô é dele e ele decide quem pode entrar e quem não pode.
    Digamos que o dono do metrô decida proibir o porte de gás sarin.
    Nessa sociedade libertária, um empresário que enxergasse na revogação dessa proibição uma oportunidade de lucro poderia ele mesmo construir um metrô no qual fosse permitida a circulação de portadores de gás sarin. Caberia às pessoas decidir qual metrô tomar.
    abraço!
  • Daniel  10/09/2013 13:28
    Bernardo F, obrigado pela sua resposta.

    Relembrando a questão anterior: "Mas, sinceramente, o argumento mais irrefutável é o ético. Alguém que simplesmente porta armas não está agredindo ninguém ao fazê-lo. Ninguém tem o direito de usar de força para impedi-lo de portá-las."

    Considerando a sua colaboração, posso concluir que você discorda da posição acima? Ou seja, você entende que alguém (o dono do metro) tem sim o direito de proibir que demais pessoas possam portar armas no metro (mesmo que essa pessoa não utilize a arma para agredir ninguém)?

    O dono do metro poderia inclusive determinar que determinado grupo possa portar armas no metro enquanto a maioria não pode? (por exemplo, permitir que apenas a segurança privada porte armas).
  • Bernardo F  10/09/2013 17:48
    Olá, Daniel! Sim, concordo. O dono do metrô pode legitimamente determinar quem pode e quem não pode andar armado no metrô. Só que, nessa sociedade libertária, o dono do metrô não pode impedir que outros empreendedores se aliem para construir um metrô concorrente, subordinado a regras próprias.
  • Daniel  11/09/2013 16:40
    Poderia então considerar o argumento ético apresentado como derrubado, ou eu estaria me precipitando?
  • Bernardo F  12/09/2013 14:52
    Daniel, na minha opinião, sim.
    Mas outros podem discordar, é claro.
    Abraço!
  • Fernando  09/09/2013 19:41
    Não é a Suiça que tem uma alta taxa de armas por habitantes? Ou algo do gênero...
  • saoPaulo  12/09/2013 16:51
    "Poderia então considerar o argumento ético apresentado como derrubado, ou eu estaria me precipitando?"

    Nao tao rápido.

    Note que ninguém o está obrigando a usar o metrô, você o usa por livre e espontânea vontade, conhecendo as regras do proprietário dele e respeitando o contrato (nao poder carregar armas consigo enquanto estiver nele).

    Isto é diferente do proprietário do metrô entrar na sua casa ou em algum outro local que nao é de posse dele e querer obrigá-lo a ficar desarmado.
  • Daniel  12/09/2013 18:50
    Obrigado por sustentar o debate saoPaulo.

    Eu poderia então concluir que o argumento ético em questão (ver posts anteriores) só é válido para o indivíduo que estiver dentro de sua propriedade? Ou seja, se estou em minha propriedade, tenho a liberdade de fazer o que quiser desde que não agrida o outro.

    Mas partir do momento que eu saio de minha propriedade e entro na propriedade do outro, esse argumento deixa de ser válido, e a minha liberdade passa a ser definida pelo proprietário do local onde estou.

  • Ali Baba  09/09/2013 10:57
    @Thiago RC,

    Eu concordo com você que a melhor maneira de levar esse debate adiante com defensores das leis anti-armas é do ponto de vista moral. Só acho que argumentos mais próximos da moralidade corrente (como o de Sowell) têm mais efeito do que utilizar o princípio da não agressão (PNA). Quanto mais leio e estudo sobre Ética e Moral Humanistas mais me convenço que o PNA é a coisa mais incompreendida de todas (o que, de certa forma, explica o status quo)... todas as vezes que uso o PNA em um debate contra o desarmamento, os defensores das leis anti-armas sempre encerram a discussão com um "se alguém está portando armas, boa pessoa não é" e a partir daí fica difícil manter um debate civilizado.

    O fundo da questão, como sempre, está na doutrinação estadista a que a esmagadora maioria das pessoas no mundo todo foi submetida. Assim como "quem usa drogas, boa pessoa não é", "quem porta armas, boa pessoa não é", "quem se destaca, boa pessoa não é", "quem não gsota de samba, boa pessoa não é", etc. Esse é o tipo da regra geral que somos ensinados desde a tenra idade e que constroi uma sociedade subserviente. Explicar qualquer coisa baseado no PNA para essa gente é praticamente impossível.
  • anônimo  09/09/2013 14:48
    Me perdoe Ali Baba, era para o daniel o comentário.
    ...me confundi.
    mil perdões.

    Abs.
  • anonimo  09/09/2013 15:05
    Bom dia.

    Off-tópic:

    "
    g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/09/sp-projeto-de-lei-quer-garantir-qualidade-das-comidas-de-rua.html "

    Sério? Querem regulamentar comida de rua...

    E é claro tem uma taxa...
  • Leandro Koller  10/09/2013 16:54
    Eu tenho um ponto de vista muito triste em relação à manutenção de leis anti-drogas e anti-armas. O eleitorado brasileiro, sem sua maioria, não acredita que as leis devam existir para solucionar problemas, mas "para não piora-los". É um reflexo da velha e conhecida mentalidade brasileira do pessimismo coletivo, inferiorização pessoal, valorização da derrota (os "coitadismos"), culpabilização da derrota, etc. Isso também confirma aquela visão de que o povo brasileiro é naturalmente covarde, que troca liberdades por (um pouco de) segurança, mesmo que só psicológica. Infelizmente, pelo fato de vivermos numa democracia que parece inteligentemente maximizar as escolhas ruins do povo, ao invés do contrário, eu não vejo perspectiva de mudança tão cedo.
  • Emerson Luis, um Psicologo  14/09/2013 13:27
    Uma dúvida minha é: caso as drogas fossem completamente liberadas no contexto brasileiro atual (Estado-Babá) e aumentasse o número de pessoas que se atolassem no vício, quem pagaria o tratamento deles?

    Os contribuintes trabalhadores e não-viciados, é claro.

    Muitas pessoas querem liberdade, mas não querem responsabilidade. Na hora de tomarem decisões, fazem o que querem sem pensar no futuro nem ouvir orientações. Mas depois, na hora de arcar com as consequências, querem que os outros paguem por eles.

    Isso não é liberalismo, é esquerdismo.

    * * *
  • Nilo BP  14/09/2013 15:57
    Temos que começar em algum lugar, não? Não existe solução mágica para fazer todo mundo e as respectivas vovozinhas tornarem-se liberais consistentes da noite para o dia. O preço da liberdade é gastar muita paciência esmagando idéias de jerico.
  • Bright  14/09/2013 16:34
    Então o seu argumento irrefutável pela proibição das drogas é porque, no contexto brasileiro, isso iria levar a aumento de impostos?

    De todos os argumentos que eu já li até hoje, este, de longe, foi o pior dos piores!

    Você não leva em conta um detalhe: sem proibição, o governo deixaria de gastar bilhões em combate às drogas. Presídios ficariam vazios. Justiça e Ministério Público ficariam desafogados. Sobrariam bilhões em impostos da noite para o dia.

    Mesmo que não fosse cobrado um centavo de impostos em cima das drogas, ainda assim o governo iria economizar muito dinheiro, que poderia muito bem ser usado em tratamento para drogados.

    Então, seu argumento é totalmente esmagado.
  • Gilberto  14/09/2013 18:34
    Bright, o governo até poderia deixar de gastar bilhões de reais no combate as drogas se fossem descriminalizadas, mas provavelmente esses bilhões seriam gastos justamente com as pessoas viciadas em drogas, não invalidando o argumento do "Emerson Luis, um Psicologo" que falou justamente que o nosso dinheiro (impostos) seriam usados para pagar o tratamento dos viciados ao invés do dinheiro economizado pelo governo ser devolvido para os cidadãos por meio de redução de impostos ou utilizado em investimentos que beneficiem a todos.

    Isso não deixa de ser esquerdismo, dar direitos sem deveres para pessoas privilegiadas (nesse caso, os viciados seriam privilegiados).

    Não estou necessariamente defendendo a criminalização das drogas, já que ainda não tenho uma posição definida sobre o assunto. Só comentei para mostrar que o argumento do Emerson ainda é válido.
  • Bright  14/09/2013 22:37
    Vocês não fazem a menor ideia do quanto se gasta com combate às drogas. Por isso, não conseguem entender o meu argumento.

    Estou falando de centenas de bilhões de dólares. E isso não se aplica só aos policiais, que perdem tempo prendendo traficante. Tem, também, a justiça criminal e o ministério público, que torram uma quantia exorbitante de dinheiro para movimentar os processos. Advogados, promotores, juízes.

    Soma-se a isso o custo em manter este pessoal atrás das grades. São outros bilhões de reais gastos para manter toda esta população carcerária. Não sou eu que falo. Os números mostram que mais da metade dos detentos está lá por causa de droga.

    Os presídios ficariam vazios se as drogas fossem liberadas. Teríamos outras centenas de bilhões economizados.

    Tem, ainda, a questão das fronteiras, e de todo o custo policial para se manter a fiscalização.

    Tem mais. Muuuuuuito mais.

    Por causa da proibição das drogas, o preço da cocaína, por exemplo, fica assustadoramente alto. Com o preço tão alto, fica muito difícil, para os mais pobres, comprar cocaína.

    O que eles fazem para resolver este problema? Colocam gasolina, querosena, amônia e outras merdas na cocaína. Com isso, criam nada mais e nada menos que o CRACK, uma droga muito mais mortal e viciante!

    Não fosse a proibição, crack nunca teria existido! Isso porque o preço da cocaína seria muito mais baixo, e não faria mais sentido aos pobres continuarem se matando com crack!

    O argumento que usei para o crack se aplica ao oxi e ao krokodil. Todas essas drogas são muito mais letais que as drogas originárias, e só existem por que as drogas "mães" são caras demais!

    Falemos, ainda, de todos os inocentes mortos por causa da guerra às drogas.

    Vocês podem escolher. Podemos falar das pessoas que morrem em tiroteios de policiais com traficantes. Ou, ainda, de todos os mortos por causa do crack, oxi e krokodil. Ou, ainda, das pessoas que morrem nas filas dos hospitais. Não fosse o combate às drogas, sobraria dinheiro para se investir em saúde e educação.

    Quem diria, estou usando argumentos estatistas em favor da legalização....

    Dizer que a liberação das drogas geraria mais imposto não faz sentido algum, nem aqui e nem na China! Quem continua usando este argumento, ou é esquerdista desonesto, ou é um retardado que fala merda sem pensar!
  • Patrick de L. Lopes  15/09/2013 00:36
    Compartilho do sua certeza sobre o custo da guerra às drogas, Bright; entretanto, dado que operava com falta de dados sobre o atual custo numérico da questão e de experimentos práticos onde essa tenha sido substituída por tratamentos de saúde, optei por assumir o questionamento do Emerson como verídico.
  • Emerson Luís, um Psicólogo  15/09/2013 11:32
    Bright:

    Não foi um argumento, foi uma dúvida mesmo.

    Compreendo os argumentos econômicos e éticos a favor da descriminalização das drogas, mas não sei o que pensar sobre este aspecto que citei.

    A pessoa que se vicia e depois quer que o Estado pague seu tratamento é análogo ao empresário que administra mal sua empresa e depois quer auxílio do governo. Como disse aquele sujeito: "Capitalismo não é lucros privados e prejuízos socializados".

    O mais certo me parece ser a pessoa receber ajuda de instituições não-governamentais e durante ou depois do tratamento pagar por ele.

    * * *
  • Patrick de L. Lopes  15/09/2013 12:51
    Em paralelo, não seria ético que fumantes recebem atendimento público. Assim como indivíduos que dirigem sem cinto de segurança, que bebem e têm infecção urinária, entre vários outros.

    A problemática não está presente no fato de um indivíduo tomar uma ação irresponsável e assim outros sejam forçados a pagar por seus erros, está presente no fato de outros serem FORÇADOS a pagar por seus equívocos. Aí entra o estado.
  • Patrick de L. Lopes  14/09/2013 17:00
    É complexo conceber uma relação custo-benefício para atender à problemática das drogas sob um prisma utilitarista. Entretanto, assumo o debate, amigo.

    => Questão policial.

    Por um lado, argumenta-se racionalmente que a liberação das drogas deslocaria o ineficiente contingente policial para a realização das tarefas para as quais foi pobremente treinado: Proteger o cidadão.

    Sob um prisma policial, há apenas o que ganhar na liberação das drogas, mesmo que essa signifique uma diminuição no financiamento da corporação(Dado que o preço da guerra às drogas é altíssimo materialmente e humanamente). É realmente de nenhuma valia a manutenção da situação atual onde o tráfico e a corrupção policial sustentam-se em equilíbrio e aqueles que pagam por tal condição são os cidadãos das áreas carentes.

    A liberação das drogas jamais seria uma garantia de grande melhora nos serviços policiais, dado que esses não estão sujeitos à mecânica do lucro e prejuízo ou alocação de recursos, não há qualquer motivo e pouca informação para que o serviço opere corretamente quanto à demanda dos cidadãos e quanto à sua divisão espacial.

    Assim como ocorreu durante a lei seca americana e após a abertura comercial da União Soviética(Cujo controle de preços levou ao fortalecimento da tão famosa e brutal máfia russa), a tendência seria a imediata migração das organizações criminosas a outros setores estupidamente criminalizados pelo estado brasileiro, como os jogos de azar. Entretanto, é tomado como garantido que tais gangues não encontrariam as mesmas margens de lucro como no narcotráfico, o que resultaria em uma redução de seu poder.

    Há vários outros itens relacionados ao tema a serem discutidos, como os encarceramentos trazidos pela guerra às drogas, o quão o tráfico é atraente para jovens carentes e de poucos valores morais prejudicados pela legislação trabalhista e como pode ser prejudicial o monopólio ou a necessidade de aprovação das organizações criminosas para o estabelecimento de negócios em suas áreas de poder(Levando em conta, é claro, as já existentes dificuldades da burocracia estatal); entretanto, à bem da fluidez do debate, sigamos em frente.

    P.S: Considero improvável que uma remoção forçada dos usuários de drogas das ruas ocorra, apesar de como esses afetam negativamente a segurança e a qualidade de vida dos moradores próximos de suas áreas ocupadas. Habito uma região que sofre de tal problema e que por tal motivo, está vendo suas crianças crescerem presas dentro de casa e várias propriedades "abandonadas" sendo invadidas por viciados. Devido ao meu conhecimento sobre como opera a justiça sob a influência de organizações como a OAB, não tomarei como provável a remoção dos "drogados abandonados" atuais para abrigos de tratamento estatal no cálculo do item abaixo.

    => A questão financeira.

    Tomando como garantido o paternalismo estatal brasileiro, tomemos como verdadeiro o prognóstico do Emerson. Confesso que existem enormes dificuldades em estabelecer quanto custaria tais serviços para tratar drogados, pois opero em carência de informações para buscar casos práticos ou tempo para analisar variáveis em um atentado condenado a ser perda de tempo dada à imprevisibilidade fundamental da questão. Pessoalmente, considero improvável que tal reforma médica para atender dependentes carentes de drogas venha a custar mais ao escravo do estado que a atual guerra às drogas, entretanto, baseio-me meramente em um feeling.

    Para prosseguirmos, assumamos que os custos materiais para tratar drogados no cenário hipotético superam os custos da guerra às drogas dado que a quantidade de usuários expandiria exponencialmente. Juntamente a isso, adicionemos como antítese a questão policial especificada no item acima e a grande contagem de mortos que é geralmente causada pela guerra às drogas(Apenas no México morreram aproximadamente 60 mil pessoas nos últimos anos. Segundo a anistia internacional, matou-se nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro mais que em nações com penas de morte.). Lembrá-lo-ei que a liberação das drogas não é garantia de que tais assassinatos gerados por ações "mafiosas" seriam zerados, entretanto, é tomado como quase garantido que haveria uma redução dramática em tais números graças às reduzidas margens de lucro dos criminosos.

    Limitar-me-ei a expor tais variáveis. Não sou especialista nos "cálculos quânticos utilitaristas", entretanto, enxergo severos pontos que fortalecem os defensores da liberação mesmo tal cenário de prejuízo financeiro ao cidadão.
    _____________________________________________________________________________________
    Enfim, espero ter colaborado de uma forma ou de outra para que decida seu posicionamento. Perdoe-me por quão limitado tenha sido minha coleção de argumentos e em minha defesa, peço que compreenda o quão grande e intelectualmente exigente seria um texto que explane ponto por ponto.
  • Cassim  15/09/2013 14:17
    Nada é certo quando lidamos com o estado, tudo parece ser tão errado. Discutimos no idioma da violência e tentamos decidir qual a menos pior forma de decepar um inocente.

    É uma lástima.
  • Bright  15/09/2013 15:04
    Além de desconhecerem o gigantesco custo da guerra às drogas, vocês ainda superestimam os efeitos da liberação.

    Então, vocês acham que, no caso da liberação, teríamos ruas lotadas de drogados morrendo de overdose.

    Pelo jeito, desconsideraram algo que eu postei no meu comentário acima. Drogas que matam são crack, oxi, krokodil e outras drogas secundárias. Estas drogas, feitas à base de amônia, gasolina, fósforo, querosene e outras porcarias, são as verdadeiras assassinas. Cocaína, heroína, maconha e outras drogas "clássicas" não passam nem perto da toxicidade dessas drogas.

    Essas drogas secundárias só existem por causa da proibição. Cocaína é cara demais. Façamos crack então! Heroína é cara! Façamos oxi e krokodil, então, que são mais baratas! Este é o centro do meu argumento: essas drogas são mais BARATAS! BA-RA-TAS!

    Se as drogas fossem liberadas, cocaína, heroína e até maconha ficariam muito, mas muito mais baratas! Os dependentes de crack migrariam quase que num passe de mágica para estas drogas, menos letais e, por isso mesmo, mais fácil de se sair do vício.

    Tem mais!

    Surgiriam indústrias interessadas em produzir novas versões de drogas. O próprio mercado criaria drogas cada vez mais leves e menos letais. Ao invés de misturar gasolina e amônia, iriam colocar outros princípios ativos menos nocivos, até mesmo para preservar sua reputação.

    Então, a liberação das drogas teriam exatamente o efeito contrário: os viciados iriam desaparecer!

    E, para finalizar, nada impede que leis sejam criadas para limitar os ambientes onde as pessoas possam consumir drogas. Como liberal, eu acho que deveria caber ao proprietário decidir se o consumo de droga em sua propriedade é ou não permitido. Mas, como nem tudo são flores, então dancemos conforme a música.

    Ou seja: a liberdade de consumir droga deveria ser acompanhada da liberdade de restringir/liberar o consumo dentro de sua propriedade privada.
  • Patrick de L. Lopes  15/09/2013 15:46
    Superestimei à bem da argumentação. Trata-se de uma técnica ao lidarmos com utilitarismos. Compartilho da famosa "Crítica Ron Paul" de que nenhum indivíduo precisa do estado para impedi-lo de utilizar drogas.

    Considero a problemática das drogas uma questão já familiarizada no meu arcabouço argumentativo.
  • anônimo  13/07/2014 18:28
    'Essas drogas secundárias só existem por causa da proibição. Cocaína é cara demais. Façamos crack então! Heroína é cara!'

    Não dá muito pra acreditar nisso. Partindo do pressuposto que gente ruim sempre vai existir, com proibição ou não sempre vai ter gente querendo inventar algo que gere uma dependência química maior.
  • Pobre Paulista  14/07/2014 18:41
    Não se esqueça que não é de interesse do traficante que seus clientes morram de overdose. É interesse que eles criem drogas com efeitos cada vez mais interessantes e ao mesmo tempo menos letais. Cada consumidor que morre é uma fonte de renda que se vai para o traficante.

    Ou seja, até mesmo no consumo de drogas, o livre mercado melhora a vida das pessoas.
  • Ali Baba  14/09/2013 15:25
    @Emerson Luis,

    Também tinha essa dúvida, mas acho que nosso medo é infundado.

    Hoje o "estado-babá" paga um número limitado de tratamento a viciados (muito aquém do que seria necessário) exatamente por que temos a visão de que o viciado é um coitadinho.

    Pode ser que o populacho instigue o estado a pagar pelo tratamento dos novos-viciados pós legalização das drogas, mas também pode ser que responsabilize o vendedor das drogas, ou mesmo que a visão de coitadinho deixe de existir (afinal trata-se de alguém que procurou a droga voluntariamente, na farmácia da esquina) e que cada um fique responsável por si mesmo (pelo menos nessa questão).

    Não sei o que iria acontecer (minha bola de cristal está quebrada), mas sem dúvida estaríamos em um mundo melhor sem o rio de dinheiro que escorre pelo sistema de combate às drogas. Quem sabe até tivéssemos uma segurança melhor com o aparato policial que hoje é dedicado a esse fim cuidando de fato dos crimes contra a a vida e a propriedade...

    Além disso, pode representar uma oportunidade de uma experiência verdadeiramente libertária (no entanto acho que a probabilidade disso acontecer é absurdamente pequena): ao liberar o mercado das drogas, podemos deixá-lo sem regulação, de tal forma que empresas privadas cuidassem de tudo, desde a certificação, o comércio, a produção, etc. Por tratar-se de um mercado "virgem", pode representar uma boa oportunidade de testarmos o não-intervencionismo...
  • anônimo  08/10/2013 23:42
    Viram isso???

    O submundo da internet
    Pedofilia, drogas, até a encomenda de assassinatos. O maior site da rede profunda caiu, outros nascerão.

    Em julho, o repórter Brian Krebs, do diário americano "The Chicago Tribune" recebeu pelo correio, em casa, um envelope no qual estavam alguns saquinhos de heroína. Krebs já esperava pela entrega e o FBI, polícia federal dos EUA, fora informado. Os remetentes eram pessoas ligadas à máfia russa insatisfeitas com suas reportagens. Queriam incriminá-lo. A droga foi comprada no submundo da internet, num site chamado Silk Road. A Rota da Seda. Um canto da web profunda no qual se pode encomendar tudo, de drogas a assassinatos. Talvez o maior site desta internet paralela. O site que, na semana passada, foi encerrado por uma operação conjunta de inúmeras agências de segurança do país. É uma história incrível.

    Na sexta-feira, quando se apresentou a um juiz pela primeira vez desde sua prisão na quarta-feira, Ross Ulbricht, um físico de 29 anos acusado de ser o dono da Silk Road, pediu tempo para organizar sua defesa. O advogado alega inocência. Ele é acusado de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e de encomendar dois assassinatos. Texano, que vive em San Francisco, bem barbeado e com cabelo rebelde, tem o mesmo tipo dos milhares de geeks que rumam para o norte da Califórnia em busca de sucesso no Vale do Silício. A diferença é o macacão laranja de presidiário.

    Ulbricht não deixou muitos rastros na internet convencional. Os que deixou indicam um perfil ideológico. É um ultraliberal obcecado pelo trabalho do economista austríaco Ludwig von Mises e convencido de que qualquer intervenção do governo na vida do cidadão cerceia sua liberdade. A Silk Road seria, por este viés, um experimento econômico, um mercado realmente livre onde tudo pode ser comprado ou vendido, basta chegar ao preço. Fundada em 2011, foi exatamente isso por dois anos e meio. Rendeu ao fundador, nos cálculos do FBI, US$ 80 milhões.

    A Silk Road, assim como outros tantos sites do tipo, não podia ser alcançada através de um navegador comum, como Chrome ou Explorer. É um site da rede TOR, só disponível para quem instala uma série de programas sofisticados. A sigla significa The Onion Router, roteador cebola, nome que faz referência às inúmeras camadas de segurança. Quem navega pela internet via TOR não pode ser identificado.

    Curiosamente, a rede assim tão segura, que hoje gera preocupação ao governo americano, foi financiada pela Marinha do país em princípios dos anos 1990.

    TOR não foi a única tecnologia que facilita o anonimado empregada pelo físico. Todas as transações eram feitas utilizando-se de Bitcoins, a moeda eletrônica difícil de rastrear. Em seu site ele se identificava com o pseudônimo Dread Pirate Roberts, uma referência a um dos personagens do romance "O Noivo da Princesa", de William Goldman.



    oglobo.globo.com/tecnologia/o-submundo-da-internet-10289128
  • Francisco   12/07/2014 12:16
    Bom, concordo com o raciocínio central do texto. Só que esse raciocínio valeria apenas para sociedades IDEALMENTE LIBERAIS . Não como as que temos hoje, a maioria dos países com o estado interferindo fortemente em todas as questões da sociedade civil. Se temos liberdades para certas coisas, como o indivíduo optar por se armar ou usar drogas, mas para outras coisas, como por exemplo o estado interferindo fortemente no mercado e economia ( causando distorções no mercado) criaria distorções também nos resultados que a livre escolha individual traria para a sociedade. Por exemplo, liberando o comércio de drogas, o estado iria interferir em outro estágio desse comércio, talvez até cartelizando ele mesmo a o mercado das drogas e isso de qualquer forma agiria para produzir vendedores paralelos, da mesma forma como descrito no texto. O estado seria o oficial e como a venda sob os auspícios do estado seria a oficial, tudo o que estivesse fora do que é regulado pelas agências estatais seria ilegal. Como acontece com as medicações, com as bebidas alcoólicas de metanol e cigarros paraguaios. E dessa forma voltaríamos para o ponto partida ( para um preço imposto pelo governo sempre haverá um paralelo de valor menor). E a liberdade de mercado também resolveria quem pagaria pelo indivíduo que assume o risco de usar droga, já que as seguradoras de saúde teriam liberdade de colocar seu valor de acordo com a livre concorrência e o risco individual ( detalhe, numa livre sociedade não tem saúde pública). Resumindo, o autor tem um raciocínio correto, mas só vale em uma sociedade com a mínima interferência do estado, caso contrário criaria distorções.
  • gabriel  13/07/2014 00:52
    Pelo seu raciocinio me parece impossivel chegar a essa sociedade libertaria, pois ela só pode surgir numa sociedade libertaria.
    Embora eu concorde que sim, o estado irá cartelizar e tomar o maximo de poder possivel ainda me parece um caminho a seguir. Se formos dar liberdade ao estado para proibir coisas pois ele nao é liberal, usando um argumento utilitarista como o seu ou qualquer outro que seja, apesar de ser contra o poder estatal se esta ajudando a legitimar essa atitude, este é meu maior temor do argumento utilitarista
  • Carlos Prado  13/07/2014 02:31
    O que discordaria do raciocínio é precisar de uma sociedade libertária para partir. O problema é como já acontece com a liberação das drogas hoje: O estado controla a produção e a venda em cada detalhe. Porém não precisa ser assim - apesar de dificilmente um politico atual querer fazer diferente


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